Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Tempos de incerteza

img_900x508$2019_09_30_18_29_04_889731.jpg

 

A recente entrevista de Francisco Salgado Zenha a um diário desportivo deixou-me, enquanto leitor, uma sensação de fim de ciclo. Pela quantidade de vezes que este dirigente do clube e da SAD alude à complexa gestão do futebol leonino - agravada no cenário de emergência sanitária que leva hoje cerca de um quinto da população mundial a viver em isolamento forçado, imposto pelo combate à pandemia.

Neste contexto, qualquer gestor responsável tem o estrito dever de baixar expectativas. Nada mais razoável, portanto, do que haver palavras de prudência no actual momento, cheio de incógnitas quanto ao futuro das agremiações desportivas, confrontadas com situações impensáveis há escassas semanas. O anúncio de um lay-off por parte da administração do Barcelona que poderá conduzir à decapitação do milionário plantel catalão é talvez o exemplo mais evidente de que as coisas mudaram no futebol. Como na sociedade em geral.

Mas nas declarações do n.º 2 do Sporting - e principal responsável pela área financeira - não vejo apenas cautela e prudência. Julgo detectar nelas algum desânimo - o que, associado ao anúncio da saída de Miguel Cal do Conselho de Administração da SAD e à presente impossibilidade física de Frederico Varandas assegurar a gestão corrente dos assuntos leoninos, prenuncia mudanças mais vastas. 

 

Vou destacar os trechos que me pareceram mais significativos da entrevista, que preencheu quatro páginas da edição de 23 de Março do Record:

  • «Não restem dúvidas: vão ser tempos difíceis para o futebol.»
  • «Se esta situação se estender pela próxima época, ninguém faz ideia das consequências. Serão seguramente dramáticas.»
  • «Em termos de geração de receitas, é quase impossível fazer mais, porque está tudo parado.»
  • «Temos feito um esforço e estamos mais preparados, mas vai ser muito difícil.»
  • «Temos muita dificuldade para fazer previsões sobre esses projectos [de reestruturação financeira]. Não sabemos como o mercado vai reagir depois desta crise, quanto tempo, sequer, vai durar esta crise, que impactos vai ter.»
  • «Há muitos dossiês que estão completamente parados.»
  • «Estas decisões, por vezes, não são fáceis [aludindo à recente contratação do técnico leonino, Rúben Amorim].»
  • «Tenho muitas dúvidas de que sairemos desta situação com igual ou maior capacidade do que tínhamos antes.»
  • «Vai continuar a haver Brunos Fernandes todos os anos? Não, isso é mais diícil. Infelizmente, é muito difícil que aconteça.»
  • «Vai ser uma janela de mercado [no Verão] muito difícil, devido à conjuntura em que estamos.»
  • «Confesso que não estou a pensar para além deste mandato. Se terminar o mandato e não ficar aqui, quem vier a seguir terá a responsabilidade de terminar aquilo que foi o princípio e o meio do processo de reestruturação e reorganização financeira do Sporting.»

 

São exemplos suficientes e esclarecedores para se perceber o que senti ao ler esta entrevista, que tem «difícil» como palavra-chave - até no título escolhido pelo jornalista João Lopes, que conduziu a conversa. Soaram-me a palavras de balanço e pré-despedida, tanto mais que o vice-presidente leonino assegura não pensar em prolongar o vínculo ao clube (e à SAD) para além do período previsto no mandato em curso.

O adjectivo "difícil" parece, aliás, cruzar-se com frequência no percurso de Zenha enquanto dirigente leonino. Noutra entrevista ao Record, publicada a 30 de Setembro de 2019, já tinha usado este vocábulo para encimar outro título: «Se a cada bola na barra se coloca tudo em causa, assim será difícil.» 

 

Articulou-se com Varandas e Cal no agendamento da mais recente entrevista? Não creio. Caso contrário, faria pouco ou nenhum sentido vê-la publicada na mesma semana em que um deles inicia uma nova "comissão de serviço" como médico do Exército e o outro anuncia a renúncia ao cargo de administrador da SAD - aliás não formalizada em qualquer comunicado interno até à data, mas apenas impressa em notícias de jornais.

São, pois, circunstâncias do acaso. Nestes tempos de incerteza à escala global, em que se torna inútil encontrar causas racionais para o que nos sucede, andamos assim. À mercê do imprevisto.

Não posso estar mais de acordo

«Frederico Varandas não foi "voluntário à força" para servir, enquanto médico do Exército, na luta contra o coronavírus. Segundo uma investigação da TVI, a cujas conclusões tive acesso e em que faço fé, ele voluntariou-se, mesmo antes de saber que o Exército iria, de qualquer maneira, convocá-lo. E, mesmo depois de convocado, poderia recusar pedindo passagem à reserva. É lastimável que se pretenda fazer passar um gesto de coragem e generosidade por oportunismo - mas sendo este o país da inveja e da maledicência, não me espanta por aí além. Como não me espanta que o dito Movimento Sou Sporting aproveite, não apenas para lançar a insinuação, como ainda para usar a situação como pretexto para pedir a demissão do presidente do Sporting, pela suposta incompatibilidade entre presidir ao clube e estar temporariamente ao serviço do país, numa situação declarada de emergência nacional. Há gente que consegue mesmo ser pequenina até nos piores momentos!»

 

Miguel Sousa Tavares, ontem, no jornal A Bola

Porque não se calam?

Com o país e o mundo a braços com uma pandemia que está a matar muitos milhares de pessoas e a deixar famílias destroçadas, e à qual se vai seguir uma crise económica de proporções difíceis de prever, empresas fecharão, muita gente perderá o emprego, não sabemos o que vai restar do Sporting que conhecemos, não tem esta gente congregada num Movimento que conseguiu reunir 70 pessoas em congresso em Coimbra mais que pensar do que nos estatutos, no de Frederico Varandas como militar e nos do Sporting.

E pelos vistos querem eleições para 20 de Abril. Se calhar, se não tiverem resposta, será caso para convocarem mais uma manifestação.

Decidiram isso por Whatsapp ou reuniram-se à volta duma mesa? 

Como disse Juan Carlos ao Hugo Chávez,  porque não se calam?  Já basta o que basta.

 

Tenham vergonha, não vale tudo...

Os letais ao Sporting bem tentam, mas não ganham uma. Notícias colocadas a circular por algumas publicações que me dispenso de colocar link, dão conta que o Sporting C.P. se encontra sem direcção, porque o presidente Frederico Varandas se apresentou no exército para cumprir o dever como médico, face à grave situação que o país atravessa. 

Não sendo jurista, sou obrigado a concordar num ponto, o Sporting C.P. já deveria ter comunicado aos sócios e accionistas como funcionam neste momento clube e SAD. Também registo que até agora, pelo menos que tenha dado conta, a CMVM não pediu qualquer esclarecimento à SAD, talvez por não considerar a questão como matéria relevante. 

Quanto ao resto e vindo de onde vem, por trás da cartilha está uma vez mais a seita letal, registo que: 

1 - Em tempos defenderam que o seu guru se afastasse da presidência durante alguns meses, cedendo o lugar provisoriamente a Carlos Vieira. Depois voltaria. Para estes órfãos e viúvas, seria possível um presidente sair para descansar. Para salvar vidas é que já não. Como os percebo. Felizmente não sou o único, a esmagadora maioria dos sportinguistas também os percebem. E haveremos de nos encontrar em futuras AG e eleições. E sairão novamente derrotados, podem ter a certeza. 

2 - Eleições a 20 de Abril, como defendem, seria uma completa ilegalidade. Pior, seria um desafio do clube à autoridade do Estado, que decretou "estado de emergência". O F.C.Porto já se precaveu, adiando sine die as eleições anteriormente agendadas para 24 de Abril. Nesta altura, nem uma assembleia de condóminos pode ser realizada, quanto mais uma AG eleitoral no Sporting C.P.

3 - Se algo acontecer a Frederico Varandas, os restantes órgãos sociais podem cair, segundo os estatutos. Mas o presidente da MAG não cessa funções. Terá que nomear uma Comissão de Gestão, que até pode durar meses em funções. Durante o "estado de emergência" os prazos nem se aplicam. E para essa comissão, Rogério Alves poderia convidar quem bem entendesse. 

4 - Continuo a defender antecipação de eleições. Mas, nesta altura, não faz sentido pensar em datas. Primeiro temos que salvar o país. Depois, a seu tempo, falaremos de sucessão. Duas coisas tenho certeza, a próxima época será preparada pelos actuais dirigentes, o que não me deixa tranquilo. O passado não regressará. Votarei contra e como eu, muitos mais, a qualquer tentativa de tomada do clube por parte da minoria, que até pode ser bem ruidosa, militante, mas não representa de todo o universo Sporting Clube de Portugal, constituido na sua maioria por pessoas civilizadas, educadas, que não se revêem no insulto, na gritaria e na arruaça.

 

Saudações leoninas

De cabeça perdida

Esta gente anda de cabeça perdida. Nem a pandemia mundial que já provocou 12 vítimas mortais em Portugal e levou o Presidente da República a decretar o estado de emergência as faz mudar de rumo ou as leva a moderar o discurso. Continuam a pregar o ódio, recorrem a expressões cada vez mais incendiárias e mobilizam rebanhos de fiéis que papagueiam nas redes todos os dislates emanados dos gurus.

Um goza com o coronavírus, indiferente ao sofrimento que enluta o País e o mundo, apelidando de 'Covid-71' os sócios do Sporting que votaram pela destituição na histórica assembleia geral de 23 de Junho de 2018. Palavras inqualificáveis, só possíveis de serem escritas ou ditas por alguém a quem não resta um pingo de vergonha.

Outro, em vez de aplaudir - como aqui se fez - a decisão de Frederico Varandas de regressar ao activo nas forças armadas para se integrar no corpo clínico que dá combate ao coronavírus, consome o seu tempo a disparar contra o dirigente leonino, acusando-o de «desonestidade intelectual» e levando de imediato uma alcateia de seguidores a replicar as suas palavras.

 

Este pequeno batalhão de acéfalos - vários dos quais vieram bolçar inanidades também nesta caixa de comentários - talvez devesse sentir orgulho ao ver o presidente do Sporting ser notícia por este motivo e não pela suspeição de práticas de corrupção ou de viciação de resultados desportivos, como sucede com figuras de outros clubes. Mas eles são incapazes de se desviarem um milímetro da ideologia de ódio que professam.

Como o jornal A Bola já deixou claro, Varandas tomou a iniciativa de comunicar aos responsáveis militares a decisão de ser reincorporado e participou numa acção de formação em Covid-19 no Hospital Militar antes de ser proclamado o estado de emergência, o que invalida as acusações de Luís Gestas, que integrou o Conselho Directivo do Sporting com Bruno de Carvalho e manteve-se até ao fim com ele.

Neste caso, porém, registo com agrado uma alteração ao padrão dominante: Gestas deu o dito por não dito, retirando a acusação que fizera e pedindo desculpas públicas a Varandas. Fica-lhe bem e espero que produza um efeito pedagógico nos seus destemperados seguidores. Já agora, deixo a sugestão a todos: preocupem-se nos próximos dias em servir a comunidade, como faz o Francisco Geraldes, e mudem de tema. Há uma guerra contra o coronavírus a ser travada sem mais demora.

Um pedido de esclarecimento à Mesa (da AG)

Ó senhor presidente Rogério Alves, agora que o nosso presidente foi requisitado, se ofereceu, está ao serviço do Ministério da Saúde, vá, neste combate que tem que ser feroz ao vírus do nosso descontentamento e sendo nisso os estatutos omissos, não será caso para nomear um presidente interino enquanto vigorar a dispnibilidade/mobilização de Frederico Varandas?

Diga lá qualquer coisinha, o amigo que parece que engoliu um trapo e de si nem novas, nem velhas, homem!

Lá estive, na manif.

 

Felizmente os assuntos familiares resolveram-se a contento e conforme aqui anunciei, fui pela primeira vez a uma manif. para protestar contra uma direcção do Sporting. Das outras já fui a centenas, de modo que já estou acostumado.

Cheguei à hora marcada, dei uma volta à volta, passe a redundância, para tentar perceber quem ali estava. Estavam os membros das claques, muitos, pelo menos pelo meu feeling. Mas também, mais uma vez pelo meu feeling, estava  muita gente, talvez mais até que das claques, que não tinha nada ar de ter alguma coisa a ver com elas. Desde logo eu e alguns conhecidos consócios, alguns até ex-dirigentes de consulados muito anteriores ao de Bruno de Carvalho, da administração Sousa Cintra até, apresentaram-me um de que me escuso de divulgar o nome, porque para isso não fui mandatado, ainda que a acção fosse pública.

Fruto do tratamento aviltante de que têm sido alvo aqueles que mais abertamente têm contestado este CD e o seu presidente e para separar águas com atitudes menos próprias das claques, havia até uma separação física entre manifestantes e o conjunto de gente que estava mais recuado pareceu-me bastante superior ao que fazia as despesas das palavras de ordem. Talvez para que Frederico Varandas e seus pares percebam que o seu rabo começa a ficar apertado e não é apenas pela acção das claques, mas de um cada vez maior número de sócios que vai ficando farto da sua incompetência, do seu desvario e da sua evidente colagem ao carrossel de Jorge Mendes.

É cada vez maior o número de associados (e adeptos) que quer ver Varandas pelas costas e se outro barómetro não houvesse, pela primeira vez "na história" do I love you baby adaptado, os assobios não se sobrepuseram à cantiga oriunda do topo sul. Sintomático, até porque muitos dos que vão interpretando esta versão estavam fora do estádio, continuando o seu protesto, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os que assobiam são cada vez menos e se assim procedem, não será por cansaço, antes porque cada vez mais lhes faz sentido esta contestação.

O que será preciso para que o PMAG, Rogério Alves, se imbua do espírito de bombeiro e tome a decisão de ele próprio se demitir, depois de exigir que os outros OS também o façam? Que o capital da SAD seja vendido por dez réis de mel coado? Pior, que a gente desça de divisão?  Ou pior ainda, que o clube deixe pura e simplesmente de existir? Aí, lamento informá-lo caro PMAG, será já tarde demais! 

Cá na "rulote": Dos "esqueletos" aos "anormais", revisitando a "escumalha"

fv.jpg

 

De acordo com o Correio da Manhã, um membro do Conselho Estratégico de Comunicação do Sporting recorreu às redes sociais durante o jogo do passado Domingo para chamar "anormais" aos adeptos que se manifestaram contra a direcção no exterior do Estádio.

Ricardo Agostinho integra, em representação de uma agência de comunicação (Gravity) o Conselho Estratégico de Comunicação do Sporting, liderado por Frederico Varandas e Salgado Zenha. A direcção "Unir o Sporting"...

Este... cavalheiro... não é, obviamente, um personagem importante no filme "noir" desta época do Sporting Clube de Portugal - já uma das piores da sua História (antes de irmos à Luz e ao Dragão). Antes pelo contrário. Mas, às vezes, são as personagens básicas e incontinentes que mais revelam. Às vezes, o mordomo é o assassino. 

Se isto é o que este... cavalheiro... publica nas redes sociais, só podemos imaginar os modos e linguajar fora dela.

Aqui, pelo menos, a direcção funciona em uníssono: Zenha diz que o clube era uma "rulote" antes de ele chegar com os seus métodos de gestão do século XXI; Varandas fez descer a novos e perigosos níveis a guerra verbal com os contestatários da sua direcção - ora "esqueletos", ora "escumalha".

Bem conheço os termos cavernosos cunhados pelo seu antecessor (muito aquém de "escumalha", convenhamos). Bem sei que Varandas e a direcção são insultados de tudo. Mas que presidente desde João Rocha não recebeu tais "mimos"? Sobretudo, aqueles que insultam representam-se apenas a si próprios e/ou o grupo (de adeptos?) a que pertencem. Não representam o Sporting Clube de Portugal.

Quem representa o Sporting Clube de Portugal tem, em todos os momentos, de ser digno da História de um clube com elevação, que sempre foi o melhor que o desporto português tem, em termos de atletas e de valores. "Anormais"? É esta linguagem e esta forma de lidar com adversários e adversidades que estamos a ensinar aos nossos jovens atletas? 

Ter representantes do Sporting Clube de Portugal a insultar sportinguistas é algo de inconcebível para mim. Além de ser indigno do clube é pura e simplesmente incendiário e apenas agrava o conflito.

Não deixa de ser curioso que quem se arvora de sentimentos de superioridade ("escumalha...") em relação a sportinguistas que não se revêem nos métodos e resultados da sua direcção desça a níveis que o mais humilde dos sportinguistas não desceria. 

A par da absoluta impreparação e inaptidão para gerir um Clube da dimensão do Sporting e de mobilizar a sua massa associativa (TODA ela...) - que ficou a nu esta época - a incapacidade para lidar com a crítica e o baixo nível evidenciado em tantas ocasiões por esta direcção é mais uma razão para concluir que, antes que causem mais estragos (morais, reputacionais, financeiros), devem prosseguir a sua carreira profissional noutro lugar.

Não estarei lá

Hoje não estarei em Alvalade, na manifestação de protesto contra Frederico Varandas que conta com a entusiástica adesão da Juventude Leonina. Faço-o por uma questão de princípio. Exerço o meu direito ao protesto, enquanto sportinguista, de duas formas: escrevendo neste blogue (que já vai no nono ano de existência e tem cada vez mais leitores) e votando. 

Nas últimas semanas publiquei aqui duras críticas a Varandas e estou firmemente convencido de que o presidente leonino não irá completar o seu mandato, tantos e tão graves têm sido os erros cometidos na gestão do futebol. Nos momentos próprios, quando assim o entendi, fiz o mesmo em relação a Godinho Lopes e Bruno de Carvalho. Mas há duas atitudes que nunca tomei nem tomarei: assobiar quem preside ao clube enquanto estou na bancada do Estádio José Alvalade e integrar protestos públicos em dias de jogo. Desde logo porque uma coisa e outra desestabilizam a equipa e dão alento aos nossos adversários. E eu apoio sempre a equipa - seja quem for o presidente, seja quem for o treinador.

Respeito quem se manifestar mas considero um erro que este protesto público ocorra imediatamente antes do Sporting-Aves - tratando-se ainda por cima do jogo em que se estreia o sucessor de Silas, que a partir de hoje é o timoneiro do plantel leonino, gostemos ou não do tempo e do modo como foi contratado.

Sou coerente com o comportamento assumido no passado. Critiquei aqui o expressivo coro de assobios e injúrias a Bruno de Carvalho, num célebre Sporting-Paços de Ferreira, e recusei participar na manifestação que se realizou contra o ex-presidente, apesar de ter ocorrido após o encerramento da época desportiva. Julgo não ter havido outra a visá-lo. Varandas enfrenta agora a segunda em pouco tempo. Nada mais legítimo: serei sempre o último a contestar o direito à manifestação. Mas estarei sempre entre os primeiros que advogam uma separação clara entre dia de protesto e dia de jogo.

É quanto basta para não aparecer lá.

Força Rúben Amorim!

JO-PROGRAMACRISTINA43-1024x683.jpg

Há cerca de um ano o director da SIC Daniel Oliveira teve a iniciativa, surpreendente, de contratar a apresentadora televisiva Cristina Ferreira, então conhecida por ser a coadjuvante do veterano e reconhecido Manuel Luís Goucha, parelha actuante na rival TVI, e campeã dessa actividade.

Quando a transferência foi anunciada os conservadores - eu próprio, claro - contestaram-na. Na ânsia do opinar, catapultada por estas possibilidades tecnológicas das redes sociais, invectivaram (invectivámos) os custos milionários dessa tranferência, que fez da apresentadora a mais bem paga dos animadores televisivos. E puseram (pusemos) em causa a pertinência dessa opção, face ao âmbito da sua especialidade - os programas de entretenimento matinal, preferencialmente dedicados à terceira idade e um público consumidor de baixo poder de compra (influenciando o tipo de publicidade convocada) e com uma apetência pela "cultura popular" (influenciando o tipo de conteúdos a propagar). E face ao próprio perfil da apresentadora, considerando-a quanto muito uma figura "agradável" (dado o seu fenotipo, valorizado nas apreciações estéticas predominantes no Portugal actual) e "simpática" (dada a jovialidade que sempre apresentou), mas muito dependente do profissionalismo competente do seu parceiro veterano e, quiçá, mentor Goucha. Em suma, considerou-se (consideraram, considerámos) que aquela contratação "da" Cristina (e é notável como este artigo definido, constantemente usado para se lhe referir, mostra o quanto a apresentadora faz parte do nosso quotidiano, vejamos ou não o seu programa), era uma medida irresponsável, incompetente, talvez mesmo  desesperada, da SIC e do seu director.

Um ano depois os resultados estão à vista. Impulsionada por esta transferência, que serviu como locomotiva da alteração dos hábitos de consumo televisivo da grandes parcelas da população nacional, e acompanhada de alguns outros reforços entretanto conseguidos, a estação SIC tornou-se líder das audiências televisivas. Campeã do seu campeonato, por assim dizer. Apesar dos veementes resmungos dos caturras, esses "jpt"s mais ou menos intelectuais que procuram fazer valer as suas vácuas opiniões neste novo-mundo da opinião (auto)publicada.

É-me inevitável o paralelismo com esta inesperada e aparentemente excêntrica contratação de Rúben Amorim por parte de Frederico Varandas. Que, dissipado o meu primeiro (autocentrado) estupor reactivo, já tendo algo reflectido sobre o assunto, me enche de esperanças.

Pois, de facto, foi uma grande jogada! Força Rúben Amorim! Para o ano é que é!

 

De estagiário a milionário

rubenamorim5[1].jpg

 

Nunca um clube português tinha pago um valor tão exorbitante por um treinador. Este recorde acaba de ser batido pelo Sporting ainda gerido por Frederico Varandas, ao contratar um dos melhores amigos do ainda director desportivo Hugo Viana pela módica quantia de 10 milhões de euros (acrescidos de 2 milhões em IVA mais 155 mil euros no pagamento de juros já acordado com o Braga mais os salários dos dois novos componentes da equipa técnica e mais cerca de três milhões de euros em vencimento anual ao sucessor de Silas até 2023).

Rúben Amorim é, desde agora, o técnico adquirido pelo terceiro preço mais elevado no futebol mundial. Apenas superado por André Villas-Boas, que o Chelsea contratou em 2011 ao FC Porto por 15 milhões, e pelo irlandês Brendan Rodgers, contratado há um ano pelo Leicester ao Celtic por 10,5 milhões. Com uma assinalável diferença: os outros dois já eram nomes consagrados, enquanto treinadores, quando essas transferências aconteceram - e o português acabara de conquistar uma Liga Europa ao serviço da equipa portista.

É também a segunda mais cara aquisição de sempre do nosso clube. Ficando só abaixo dos 11,8 milhões pagos no início da época 2016/2017 para trazer Bas Dost, com o ponta-de-lança holandês a corresponder por inteiro às expectativas: marcou 93 golos em 127 jogos oficiais pelo Sporting. Como sabemos, Dost acabou por ser despachado por apenas sete milhões, em Agosto passado, alegadamente por não haver liquidez suficiente na SAD para lhe pagar o salário.

Com a agravante, em tudo isto, de acabarmos por financiar um rival directo. Que a cada época vem concorrendo connosco para um lugar no acesso às competições europeias.

Ontem, ao confirmar a troca de um treinador sportinguista de nível 3 por um técnico «benfiquista fanático» de nível 2, que assim passa de estagiário a milionário, o médico Frederico Varandas assinou a sua certidão de óbito como presidente do Sporting.

 

P. S. - Não contente com a chuva de milhões que Varandas acaba de lhe injectar, o presidente do Braga não perde uma oportunidade para atacar o Sporting.

Desastre comunicacional

image (3).jpg

Foto: André Kosters / Lusa

 

1

Apetece perguntar se ainda resta alguém a orientar a comunicação do Sporting. Frederico Varandas falou esta tarde aos adeptos, apresentando o seu sexto treinador em 18 meses, no preciso momento em que o procurador Rosário Teixeira falava ao País, anunciando as conclusões do Ministério Público no debate instrutório da Operação Marquês. Não podia haver pior coincidência. Ninguém em Alvalade estava ao corrente desta última comunicação? Não teria sido possível antecipar ou retardar o anúncio de Varandas?

A coincidência é ainda mais desastrada por ocorrer no dia seguinte às buscas da Autoridade Tributária nas instalações leoninas e de sete outros clubes desportivos, no âmbito da operação Fora de Jogo, que constituiu 47 arguidos - entre eles o actual presidente do Sporting e o seu antecessor Bruno de Carvalho.

 

Há muitas formas de comunicar, além da expressão verbal. Com a expressão corporal, facial e gestual também se comunica - para o bem e para o mal. Durante os seis minutos e 52 segundos em que se dignou falar, Varandas esteve o tempo todo com cara de poucos amigos e semblante de "tirem-me daqui": tenso, rígido, procurando aparentar impassibilidade em vez de conseguir transmitir empatia - instrumento fundamental de qualquer liderança.

A empatia, quando não nasce connosco, é algo que pode adquirir-se por treino. Mas no caso dele já foi possível perceber que treinou muito pouco ou treinou mal. Em perfeito contraste com a expressão sorridente e descontraída do novo técnico, que neste aspecto deu uma lição ao presidente. 

 

Quanto ao que disse, como de costume, foi confrangedor. «Não tenho problema nenhum em investir no treinador certo», declarou, com óbvia deselegância, visando os técnicos que antes contratara, designadamente Marcel Keizer e Silas, que nesta óptica seriam os treinadores errados - embora escolhidos também por ele. «Por vezes o que é barato sai caro», insistiu, em nova demonstração desprimorosa para o técnico "barato" que acaba de despedir seis meses após o ter contratado.

«O treinador certo, num ano, faz valorizar o plantel em 30 ou 40 milhões de euros», disse também. Permitindo que se conclua, obviamente, que Keizer e Silas foram treinadores errados. Sendo assim, o que devemos então concluir do presidente que se descarta de técnicos como quem muda de camisa, confirmando Alvalade como funesto cemitério de treinadores?

 

4

O ex-director clínico do Sporting, ao concorrer à presidência, jurou aos adeptos que Peseiro seria o seu treinador. Quebrou a jura. Disse apostar em Tiago Fernandes e logo o pôs a andar. Trouxe Keizer, mas o holandês só aguentou dez meses. Lançou um repto a Pontes, mas sem o menor sucesso. Contratou e despediu Silas em meio ano. 

Era a ocasião certa para um mea culpa do presidente. Que, obviamente, não aconteceu. Até nisto Frederico Varandas é um desastre comunicacional.

Sporting blues


  1. Admito que estou surpreendido com as reações exasperadas à contratação de Ruben Amorim ao Braga. Supus que se malhasse no Varandas por ter feito mal o plantel e ter tratado mal o Silas, mas pensei (genuinamente) que a reação geral viesse a ser "Eh pá é carote, mas é bom e se não o fôssemos buscar iria parar ao Benfica ou ao Porto."

    2. Qualquer investimento ou é seguro ou é arriscado ou qualquer coisa no meio. Mas isso só se sabe a prazo. Para dizer que ainda não sabemos se estes milhões são um bom ou um mau investimento. 

    3. Demonstra desespero por parte de FV? Acho que demonstra sobretudo que ele e a administração decidiram corrigir a trajetória em geral e fazer as coisas de outro modo. Sempre achei que aquelas duas taças ganhas em penalties nos iam custar caro. A inexperiência de FV revelou-se na ilusão que criou em si mesmo. Com Amorim pode piorar? Pode. Mas também pode melhorar. 

    4. O que parece evidente é que Silas não era suficientemente amado pelo balneário (ou não teve proteção suficiente). Cometeu erros, como muitos antes dele, mas claramente, com estes jogadores e contexto, o SCP não iria lá com ele. 

    5. Acho que há mais risco para a carreira de Ruben Amorim do que para o Sporting. Bem ou mal, com mais ou menos percalços, cá estaremos daqui a dez ou vinte anos. Amorim pode ter aqui o desafio que lhe dá cabo da vida como treinador. 

    6. Em suma, se não mudasse de treinador, jamais FV seria reeleito presidente do Sporting.

    7. Ah e tal, o timing? Quase nunca há timings maus para fazer a coisa certa, nem timings bons para fazer a coisa errada. (ver ponto 2 deste post)

No próximo domingo estarei em Alvalade, na bancada...

No próximo domingo irei a Alvalade, mas não ficarei fora do estádio nem participarei na manifestação convocada através das redes sociais, porque está a ser propagada por gente próxima das claques ou do anterior presidente, que até anunciou candidatura à presidência do clube, apesar de ter sido expulso pelos sócios em AG. O meu lugar é, e continuará a ser, na bancada, aplaudindo e incentivando os nossos ídolos, os atletas. Ainda que no presente possa não ter ninguém em campo para idolatrar. Quem veste a verde e branca terá sempre o meu apoio, vibrando, na busca da vitória. 

Sem colocar minimamente em causa o direito à manifestação, não me presto ao papel de idiota útil, da facção que pretende ressuscitar no clube os tempos da bazófia, truculência e permanente guerrilha, de que nos livrámos em Junho de 2018, que pretende cavalgar a natural insatisfação dos sócios e adeptos, para publicar nas redes sociais fotos da mobilização, em prol do regresso do que julgam D. Sebastião, na verdade é mais um Napoleãozinho...

Quero que Frederico Varandas se demita, para irmos a eleições, que potenciais candidatos se apresentem, para discutirmos projectos, diferentes visões e escolhermos que consideremos melhor para o futuro do Sporting. Não me interessam tentativas de recuperar ou ajustar contas com o passado, quem vive de passado são os museus, nem tão pouco estender a mão a organizações de adeptos com agenda própria, que se julgam acima do clube.

No meu entendimento do que deve ser um clube desportivo, cabem todos, com os mesmos direitos, não aceito privilégios, nos camarotes ou bancadas. Porque não existem nem podem existir sportinguistas de primeira ou de segunda, puros ou impuros. A única distinção aceitável é entre sócios ou não sócios. Porque os sócios são os únicos e legítimos donos do clube. E assim deve continuar, estarei contra uma eventual venda da SAD, mas também que o clube fique refém de qualquer grupo ou facção.

 

 

P.S. - Como é habitual, não publicarei comentários de insultos, linguagem inapropriada ou recados a terceiros. 

Cinco treinadores em dezoito meses

transferir.jpg

 

«José Peseiro é um homem competente. É o treinador do Sporting Clube de Portugal e será o meu treinador caso eu seja eleito.»

Frederico Varandas, 4 de Julho de 2018

 

naom_5de67b340aad6.jpg

 

«Quero deixar aqui um agradecimento a todas as equipas técnicas que desde a pré-época serviram o Sporting, com especial agradecimento para José Peseiro e Tiago Fernandes, por tudo o que fizeram.»

Frederico Varandas, 12 de Novembro de 2018

 

frederico_varandas_apresenta_keizer_foto_mario_cru

 

«A competência de um treinador deve ser avaliada segundo a capacidade técnica e táctica, a capacidade de gestão do grupo e a capacidade de comunicação. Acredito que Keizer tem o perfil para agarrar este projecto.»

Frederico Varandas, 12 de Novembro de 2018

 

transferir (2).jpg

 

«Alguém iria despedir um treinador que venceu duas taças?» 

«O Leonel Pontes não tem um prazo, tem uma tarefa. Depois cá estaremos, juntamente com ele, para observar e tomar decisões. Não há um timing para encontrar um novo treinador.»

Frederico Varandas, 4 de Setembro de 2019

 

mw-860.jpg

 

«Estou a apresentar a nova equipa técnica do Sporting. Uma equipa jovem, com competência, com coragem e com muita vontade de aqui estar. (...) A primeira vez que vi o mister Silas, na altura jogador do U. Leiria, foi em 2002 na praça do Rossio a festejar o título do Sporting.»

Frederico Varandas, 27 de Setembro de 2019

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D