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És a nossa Fé!

O que diz Varandas

«Tomámos posse há três meses e agora está concluída a primeira fase da reforma e reestruturação. Esta Direcção não olha a caras, acredita na competência. O Sporting vai vencer com inteligência e não com barulho ou à força.»

 

«Vamos acabar este ano como acreditei que estaríamos, a lutar pelo título no futebol, no futsal e no hóquei. No andebol fizemos história ao nível do clube e do País, no voleibol nunca tínhamos ido tão longe na Taça Challenge.»

 

«Lembro-me de sócios a dizer que só pensavam no terceiro lugar e hoje dizem-me que acreditam no título. Foi devolvido o orgulho aos sportinguistas e isso deixa-me satisfeito. As pessoas hoje acreditam no Sporting, tanto dentro como fora do campo.»

 

Excertos do discurso de Frederico Varandas, ontem, num jantar com atletas e patrocinadores do clube, no Casino Estoril

Após a tempestade...

O Sporting Clube de Portugal honrou o compromisso que havia falhado no passado mês de Maio, liquidando o empréstimo obrigacionista no valor de 30 milhões de euros. Isto apesar de ter realizado um encaixe a rondar os 26 milhões de Euros com a subscrição que terminou na passada semana. Sem dramas, mas também sem entrar em loucuras delirantes para satisfação pessoal que em lugar de servir o clube, apenas contribuíram para alimentar e insuflar um mito burlesco, personagem de ópera bufa…

A direcção do clube está no bom caminho, após resolver o dossier Rui Patrício, também Gelson Martins parece estar em vias de resolução. Falta agora no mercado de Janeiro dispensar alguns jogadores que não têm lugar no clube, eventualmente contratando de forma cirúrgica por forma a preencher alguma lacuna que o treinador possa identificar no plantel.

Não é preciso ser o centro das atenções, estar em permanência nos noticiários, gritar ou insultar de forma mal-educada, recorrendo por vezes até a ameaças, procurando transformar sportinguistas em adversários e rivais em inimigos. Felizmente que esses tempos de má memória já lá vão, o Sporting Clube de Portugal voltou a ser uma instituição respeitável e respeitada, embora continue a ter um sector do estádio controlado por uma turba pouco recomendável…

Antonomásias - O sorriso do "mona lisa"

Leonardo foi o criador (da oportunidade) e Frederico Varandas, que procurava um treinador de projecto, capaz de trazer um futebol vistoso, positivo e com aposta nos jovens da Academia, aceitou a recomendação do nosso antigo treinador e contratou-o.

Marcel Keizer, membro do trio de intrépidos calvos (Peter Bosz, ele próprio e Erik Ten Hag) que sucedeu a Frank de Boer ao leme do Ajax de Amesterdão, é o novo treinador do Sporting. Dada a influência de Leonardo, é o "mona lisa" original, o que num clube com os pergaminhos do Sporting nunca pode ser menos que um GioCONDE. Que a sua chegada a Alvalade tenha o mesmo contexto da antonomásia (epíteto) que aqui aplico: o RENASCIMENTO (da Vinci) do grande Sporting Clube de Portugal no futebol nacional. E que todos juntos, pelo Sporting, sempre, no final possamos sorrir.

Marcel Keizer, o "mona lisa". Bem-vindo! Welkom! Sorte! Geluk!

 

P.S. Noutro plano, muitíssimo boa a entrevista de ontem à TVI24 de Francisco Salgado Zenha. Seguro, quase didáctico (a célebre polémica da rúbrica Fornecedores que desmontou com maestria), pondo as coisas no devido contexto (comparação com a concorrência no tema antecipação de receitas), correcto com quem o precedeu e com elevação. Assim também se conquista a união. Chapeau!

 

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Hoje giro eu - Eminências pardas

O regozigo e júbilo com que a detenção de Bruno de Carvalho foi acolhida por vários sportinguistas é uma indignidade e uma vergonha. Desde logo, porque alguns dos seus mais indefectíveis apoiantes directos de outrora são agora os mais ruidosos e palavrosos na acusação pública sumária, mostrando uma falta de pudor, capacidade adaptativa e situacionismo dignos de indivíduos que constituem um "case-study" para a ciência pela forma como se mantêm de pé. Depois, porque caberá às instituições judiciárias - Ministério Público, Juíz de Instrução e Juíz do Julgamento - , e só a estas, investigar (MP), inquirir, verificar da adequação (JI) e decidir sobre condenação ou absolvição (JJ) de um arguido e isso não deve ser confundido com ajustes de contas entre facções de leões. Finalmente, porque a cegueira, ódio e revanchismo com que se ataca um anterior presidente do clube serve todos os desejos e propósitos menos os do Sporting Clube de Portugal (e seu bom nome e honorabilidade), seus sócios, adeptos e simpatizantes, para além de induzir uma cortina de fumo sobre o início da fase de instrução de um processo muito mediático que envolve o rival Benfica. Dito isto, e em sentido contrário, é preciso louvar, isso sim, a grandiosa massa anónima de sportinguistas que exigiram uma clarificação pós-acontecimentos de Alcochete, pediram eleições e, mais tarde, votaram no sentido da destituição de Bruno de Carvalho e restante Direcção, provando que no seu seio souberam fazer vingar as normas do clube e fazer cumprir a democracia interna, deixando à Justiça a averiguação de eventuais responsabilidades para além das decorrentes de se ter permitido, por negligência e/ou omissão, os horrendos acontecimentos de Alcochete. 

 

O Sporting é de facto um clube "sui-generis". A forma como sportinguistas se acotovelam para aparecer na televisão, não cuidando de poupar no verbo e colocando ódios pessoais sempre à frente dos superiores desígnios do clube, nunca deixa de surpreender. Rei morto, Rei posto, a próxima vitima deste autofágico processo leonino será Frederico Varandas. Já são aliás visíveis os primeiros sinais disso. Em diferentes contextos, aparecem sempre umas forças de bloqueio, provenientes de uma série de eminências pardas de um certo sportinguismo que nem governa o clube nem o deixa ser governado e que apenas procura manter influência pessoal. A dramatização à volta da situação financeira do clube e o efeito que isso provoca nos putativos investidores, no momento em que a Direcção do Sporting prepara um empréstimo obrigacionista, é apenas mais uma intentona num processo de desgaste constante, consciente ou inconsciente, inflingido a quem tenha poder no clube. Antes (ainda no tempo de João Rocha) como agora. [Adicionalmente, causa estranheza que já nem o presidente da AG do clube seja poupado, apenas e só porque, alegadamente, terá procurado no silêncio dos gabinetes articular condições justas para a audição dos membros do antigo Conselho Directivo aquando da futura AG que irá deliberar sobre a ratificação (ou não) dos processos de suspensão intentados pela Comissão de Fiscalização.] Se em relação a Bruno de Carvalho se pode dizer que se pôs a jeito, principalmente desde Fevereiro deste ano, independentemente dos méritos da sua gestão (Reestruturação Financeira, Pavilhão, vendas record de jogadores, exercícios equilibrados de gestão até final de 16/17,...), já no que concerne a Frederico Varandas as criticas da nomenclatura do costume são manifestamente prematuras e um sinal de que o terreno já está, propositadamente, a ser minado. É contra tudo isto que os sócios e adeptos do Sporting se deverão rebelar. E como? Pacificamente, comparecendo em massa a apoiar todas as equipas do Sporting Clube de Portugal. Nos estádios, nos pavilhões, fazendo cumprir o desígnio do nosso fundador: um clube tão grande como os maiores da Europa.

 

P.S. à hora em que termino este arrazoado, acaba de ser divulgado que Bruno de Carvalho sairá hoje em liberdade, com a medida de coação de comparecimento diário às autoridades e uma caução de 70.000 euros. 

O princípio do fim do hooliganismo em Alvalade? - II

A detenção do líder da Juve Leo, acompanhada pela detenção do seu líder espiritual e antigo presidente do clube, no âmbito do processo de Alcochete, vêm reforçar a urgência em tomar medidas relativamente aos apoios às claques, como defendi há 2 dias em post anterior.

Fez bem Frederico Varandas em conseguir acordo pela transferência de Rui Patrício, tal como havia estado bem Sousa Cintra no acordo com William Carvalho e regressos de Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia. Porque a verificar-se o que nenhum sportinguista quer acreditar, que tenha existido algum grau de envolvimento por parte de dirigentes, o clube correria o risco de ver alguns jogadores conseguirem justa causa.

É tempo de pararem com a conversa dos mansos, golpadas e outras teorias, cada dia que passa se torna mais evidente que em boa hora nos livrámos de quem nos prejudicou e resgatámos o clube para os seus legítimos donos, os sócios.

O princípio do fim do hooliganismo em Alvalade?

Frederico Varandas mudou as regras de financiamento das claques do Sporting, nomeadamente da principal, a Juve Leo, cortando com benesses que eram anualmente negociadas entre o anterior presidente, Bruno de Carvalho, e as chefias das claques – só a Juve chegava a embolsar 14 mil euros por cada jogo em casa, na venda de bilhetes concedidos pela direção.

Caso se confirme notícia avançada pelo CM, que o presidente Frederico Varandas decidiu enfrentar os obscuros interesses instalados na bancada Sul e que acabaram as benesses para o bando organizado de arruaceiros, o meu apoio enquanto sócio é total nesta matéria. É tempo de desparasitar e higienizar Alvalade, permitindo que famílias e amantes do futebol possam voltar a apreciar um espectáculo desportivo, sem ficarem incomodados por quem pretende descarregar frustrações nos outros, provocando conflitos. A que propósito viajavam os principais dirigentes das claques no avião que transporta o plantel nas deslocações ao estrangeiro? Qual a justificação para a candonga de bilhetes que todos sabemos existir?

Seguramente que os membros das claques, pessoas de bem, que se deslocam aos jogos por amor ao clube, sim, também os há, irão continuar. Os outros, os jagunços, estão a mais...

Marcel Keiser

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Marcel Keiser será a partir da próxima semana o treinador do Sporting. Pessoalmente não teria despedido José Peseiro nesta altura da época, mas confio no presidente Frederico Varandas, pelo que desejo os maiores sucessos desportivos ao holandês no comando técnico da nossa equipa.

Alguns cépticos apressam-se a contestar a escolha, alegando falta de títulos no curriculum. Informo os mais distraídos que Malcolm Allison, László Bölöni e Augusto Inácio conquistaram os primeiros títulos nacionais nas respectivas carreiras ao serviço do Sporting. Também sobre eles recaiu alguma desconfiança inicial. Enquanto outros que chegaram titulados, falharam, o penúltimo que se arvorava um mestre da táctica, até esteve 3 anos pago a peso de ouro, para conquistar uma mísera taça da carica.

Espero que com o tempo, o Sporting volte a apresentar um futebol ofensivo, que dê espectáculo e regresse aos títulos. 

Varandas finta toda a imprensa

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O presidente do Sporting conseguiu negociar um treinador fora do olhar atento da imprensa para mágoa de muitos que estavam mal habituados.

Durantes três dias foram publicados mais de 10 nomes de possíveis treinadores, com alguns órgãos de comunicação a afirmar sem margem de erro, segundo as suas fontes, que o nome era o X e as negociações estavam a ser ultimadas. A verdade é que todos falharam. E o mais impressionante foi ver os comentadores profissionais a seguirem de perto todos os palpites e a meterem água à grande, além do ódio habitual para tentar desestabilizar.

Frederico Varandas tomou a primeira grande decisão do seu mandato e conseguiu fintar tudo e todos. Falta agora saber se o treinador é mesmo Marcel Keizer e o mais importante: o que pretende Varandas reestruturar no futebol verde e branco.

Quanto ao jogo de hoje contra o Santa Clara, a esperança é a de que o Sporting marque muitos golos de preferência com tanta subtileza como aquela que Varandas marcou na baliza da imprensa.

Patetices

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(Varandas a caminho da Holanda, em busca de um treinador)

 

Nunca tive nem tenho grandes esperanças em Varandas. Sem rodeios, dele tenho a ideia de que é um pateta emproado. Será um excelente médico, não ponho sequer em dúvida, mas para tocar rabecão não lhe detecto talento. As suas repetidas e estuporadas declarações sob retórica militarista - conhecidos bloguistas aventaram-me que isso lhe fora proposto pela empresa de publicidade (a qual ficou agora a fazer o jornal do clube, qu'isto uma mão lava a outra, e as duas lavam as partes pudendas) que lhe enquadrou a candidatura - arrepiaram-me, pelo vácuo intelectual que anunciavam (e escrevi-o aqui). A esperança que tenho é que este meu cenho franzido se venha a provar descabido, e que o homem e a sua equipa venham a ter algum sucesso.

 

Dito isto, vamos ao Peseiro. O novo presidente teve tempo suficiente para se preparar para a substituição do treinador. Durante a campanha, no qual congregou a sua equipa. E/ ou depois de ser eleito. Há muito pouco tempo deu uma entrevista (presumo que sob instruções da tal empresa de publicidade que lhe enquadrou a candidatura, a qual ficou agora a fazer o jornal do clube, qu'isto uma mão lava a outra, e as duas lavam as partes pudendas) a desvalorizar o treinador. Agora demitiu-o, da noite para o dia. Peseiro não chega como treinador? Então substitua-se. Mas o que é que aconteceu, o que causou toda esta urgência? Perdeu com as reservas? Depois de ter feito o melhor jogo até agora, com a vitória por 3-0? Ok, está decidido. Peseiro não era o treinador do presidente, este quis mudar.

 

Mas  há algumas coisas que me surpreendem. Se Peseiro não servia porque o manteve, quando de facto nunca o encarou como alternativa viável? Podia tê-lo substituído antes, como factor do seu projecto presidencial. E se Peseiro se disponibilizara para sair sem custos (Sousa Cintra dixit), o seu progressivo destratamento pelo presidente provocou o pagamento ao desrespeitado técnico de uma grossa maquia contratualizada. Será verdade? Ou a boa-vontade do treinador é uma mentira de Cintra? Pois se é verdade conviria perguntar a cada um dos sportinguistas se não acha que este destratamento de Peseiro, tendo sido tão custoso ao clube (centenas de milhares de euros), não é um óbvio caso de gestão com os pés. Chama-se a isto administrar o dinheiro dos outros?

 

E, mais do que tudo, e isto torna-se evidente, é esta precipitação de despedir um treinador nas vésperas de um jogo, porque perdeu com as reservas e foi apupado pela bancada. E, apesar de ter tido todo o tempo para preparar a sua substituição, não conseguir desenrascar a coisa, anunciar o seu substituto, até ao dia do jogo seguinte. 

 

Um conjunto de patetices. Ou seja, a primeira intervenção de fundo de Varandas está a ser muito fraca. Se isto continuar assim até segunda-feira deverá dizer-se lastimável. Se se passarem mais dias neste limbo já faltarão os adjectivos qualificativos. Se continuar neste registo irresponsável para a próxima Primavera-Verão lá haverá outra eleição no Sporting.

Treinador de gestão

A situação de Peseiro no Sporting sempre foi precária. Mais do que precária: a sua saída era inevitável, fosse durante a época ou no final. Todo o sportinguista detesta o Peseiro (eu incluído): aquele ano de 2005 nunca será esquecido. Portanto, o Peseiro sempre foi um treinador de gestão, como Sousa Cintra foi um presidente de gestão.

Eu sei que o pessoal gosta mesmo é de malhar. Por isso, o Peseiro já foi brindado com as mocadas da ordem, mesmo agora na despedida. Ora, por uma vez, parece-me que Peseiro é merecedor de um agradecimento, como Sousa Cintra o foi também: naquele ambiente lunático do final da época passada, depois do que aconteceu, com meia equipa e meia direcção em debandada, em que nenhum jogador ou teinador decentes queriam vir para o Sporting, veio Peseiro. Claro que isso foi um sinal de desespero do Sporting, mas a verdade é que veio, para um sítio onde mais ninguém queria vir.

Portanto, nalgum momento Peseiro tinha de ir. O que já não percebo é o timing da saída: depois de uma derrota a jogar com a equipa Z para uma taça sem interesse (ganhámos uma vez: acho que basta para picar o ponto), depois de duas exibições convincentes, uma contra o Boavista e outra contra o Arsenal (alguém legitimamente estava à espera de ganhar ao Arsenal com esta equipa, mesmo em Alvalade?), a um ponto do Benfica, com possibilidade de o ultrapassar este fim-de-semana, a dois dos líderes do campeonato. Porquê agora? Sobretudo quando se percebe que não foi pensada nenhuma alternativa. Lá voltámos ao nosso fétiche, que é arranjar treinadores com nome holandês que ninguém sabe o que valem (e em geral não valem um caracol; a propósito, alguém me explica esta fixação: é porque os nomes soam bem? Vercauteren, por exemplo, soa tão bem). Ora, se é para arranjar um qualquer Peseiro holandês, não se percebe para que foi isto tudo.

Esperemos que Frederico Varandas não tenha cometido aqui o seu primeiro erro grave.

Quando é que há eleições?

Desculpem, mas neste cinema de reprise em que se tornou o Sporting Clube de Portugal, assim uma espécie de Olímpia dos anos oitenta, este filme está mais que repassado e esteve em cartaz no final da época passada, com lastimáveis resultados de bilheteira.

Se alguém tem esperança que a reposição do filme em cartaz terá desfecho diferente, desengane-se.

Estivesse lá o bombeiro de serviço, e à matiné já não teria havido projecção.

Há algumas diferenças? Provavelmente. Por exemplo a sinopse desta versão não é publicitada nos classificados, nem é publicada crítica nos locais da especialidade.

Sim, a última sessão foi uma tragédia, ao ponto de se partir a fita várias vezes durante a exibição, o que denota uma cópia velha, gasta, sem força para suster o ímpeto da máquina. No entanto, teria sido caso para descartar, em véspera de digressão pela província e até uma exibição extra no estrangeiro, uma película que sabíamos ter os dias contados? Sinceramente não sei, eu que assisti em sessões contínuas ao saltitar da imagem no ecrã e até a esta última em diferido e não gostei nada, confesso.

Bom, resta-nos a esperança que o realizador acompanhe o filme nas deslocações agendadas (ao contrário do passado recente) e que encontre um projeccionista à altura, que película tão remendada precisa de alguém que a cole com pinças. É que pode não parecer, mas está aqui em causa a sua condição de Coppola e pode estar a aproximar-se o Apocalipse. Now ou daqui a poucos meses. 

Alto risco

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Frederico Varandas, para o bem ou para o mal, arcará com as consequências desta decisão de alto risco: prescindir de José Peseiro após uma manifestação de desagrado das bancadas - aliás quase despidas - no final de uma partida da Taça da Liga, competição que pouco mais serve senão para rodar jogadores.


Sublinho que é de alto risco por estes motivos:

- Despede o treinador a quem tinha manifestado pública confiança há menos de dois meses;

- Assume esta opção quando o Sporting está a um ponto do Benfica e a dois pontos da liderança no campeonato, já depois de ter ido à Luz e a Braga, além de estar bem colocado para passar à fase seguinte na Liga Europa;

- Leva o Sporting aos Açores e a Londres, dentro de breves dias, sob o comando de um treinador interino;

- Fragiliza a sua autoridade ao parecer que cede à pressão daqueles que adoram acenar com lenços nas bancadas;

- Perde o pretexto que tinha até agora, perante as críticas mais ferozes que inevitavelmente lhe serão feitas (começaram logo ontem e estenderam-se durante horas, num canal de TV afecto a um clube rival), de estar condicionado por uma escolha de Sousa Cintra.

Enfim, como já aqui sublinhei, este será um teste decisivo à sua liderança.

Depende, em grande parte, do nome que vier a ser escolhido (sabendo-se que nunca será consensual) e do desempenho que esse técnico revelar até Janeiro, mês em que termina a primeira volta da Liga 2018/2019.

Seja quem for, será o terceiro treinador da temporada - após Peseiro e Tiago Fernandes (e já nem incluo o sérvio que Sousa Cintra despediu pouco depois de ter chegado).

Na pior época de sempre do Sporting, recordo-me bem, passaram quatro treinadores pela nossa equipa principal: Sá Pinto, Oceano, Vercauteren e Jesualdo.

Nunca mais quero uma época assim.

Venha o próximo (desde que não seja o mestre da táctica)

Não vi o jogo para a taça da carica. Regra geral não vejo a maior parte dos jogos a contar para esta prova desprovida de qualquer interesse. Fiquei pois surpreendido com o despedimento de José Peseiro após desaire num jogo ligeiramente menos informal que um treino. O lado positivo será uma eventual não ida à final-four da taça Lucílio Baptista, possibilitando ao nosso plantel algum descanso, tão necessário para enfrentar as provas que interessam, para mais face ao previsível apuramento para a fase eliminatória na Liga Europa.

Apesar de ter defendido anteriormente a manutenção do ex-treinador, reconheço que a qualidade do futebol praticado não estava a evoluir no bom sentido, os resultados eram intermitentes, faltava empatia entre adeptos e equipa técnica, a maioria dos jogadores com rendimento abaixo do seu valor, teimosia do técnico na manutenção do mal-amado duplo pivot, deficiente leitura dos jogos e sucessivas substituições de sentido defensivo, deixavam antever a possibilidade deste desfecho a curto ou médio prazo.

Acredito em Frederico Varandas, na sua capacidade para encontrar uma solução no mercado nacional ou internacional. De todos os nomes falados, agrada-me Leonardo Jardim, que não parece no entanto ser uma possibilidade real ou Paulo Sousa. Já um eventual regresso do mestre da táctica me provoca urticária, ouve-se que o rival da 2ª circular o tem como opção para um regresso no final da época, por mim que vá para onde quiser, desde que seja longe de Alvalade, porque um fanfarrão pago a peso de ouro durante 3 anos, que ganhou uma supertaça e uma taça da carica, não é alguém por quem possa sentir saudades…

Não deixa de ser curioso ver agora Pedro Madeira Rodrigues, qual abutre, surgir a criticar o despedimento, alertando para eventuais prejuízos financeiros da decisão. Logo ele, que havia anunciado a contratação de Claudio Ranieri, um verdadeiro pé-frio do futebol internacional, coleccionador de derrotas por onde passou, à excepção da histórica, mas atípica época da conquista do campeonato inglês no Leicester city. No ano seguinte à proeza logo tratou de confirmar que tudo não passara da excepção à regra na sua carreira e terminou despedido, como habitual. Mas há pessoas que não aprendem.

Trituradora faz 19ª vítima em Alvalade

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José Peseiro caiu à quarta derrota da época, mas a verdade é que nestes quatro meses sempre esteve no fio da navalha. Os sportinguistas nunca perdoaram o insucesso da sua primeira passagem por Alvalade e as suas recentes estadias em Guimarães, Braga e Porto já faziam antever este desfecho. Portimonense e Estoril foram apenas as justificações para a saída de um treinador que não foi escolhido pelo actual presidente. A culpa, no entanto, não é toda sua. 

 

Peseiro teve a coragem que mais ninguém teve, agarrou o touro pelos cornos e no meio da instabilidade conseguiu acalmar as águas de um clube com uma estrutura débil, um planeamento feito em cima do joelho, uma cultura em diluição (saíram grandes jogadores da formação nos últimos anos) e sobretudo em asfixia financeira gritante que teima em não ter fim. 

 

Peseiro é assim a 19ª vítima da trituradora chamada Sporting Clube de Portugal. Sim, desde 2001/2002, a última vez que o Sporting se sagrou campeão nacional foi há 16 anos, já passaram por Alvalade 19 treinadores.   

 

É preciso estabilidade, uma estratégia para a década, um planeamento rigoroso, meios humanos e financeiros para criar a estrutura de betão que nos devolva a glória. É preciso romper com o ciclo de insucesso. Estas são todas verdades de La Palice, mas será que os sportinguistas, cansados de nada vencerem, estão dispostos a dar tempo a Frederico Varandas para fazer a mudança?

 

A oportunidade é de ouro, não para contratar Paulo Sousa, Leonardo Jardim... ou fazer regressar Jorge Jesus, mas para que Frederico Varandas pare de vez a Trituradora. É urgente reestruturar, cria novas dinâmicas e mentalidades para que o Sporting não fique mais 16 anos sem ser campeão.

Chicotada a meio é que não, sff

Confesso que fico dividido perante a demissão de Peseiro. Jogamos pouco, sem brilho, tantas e tantas vezes, praticamos um futebol desgarrado, mas... Mas há um mas.

 

E esse mas, caros, é que até podemos não jogar nada mas há uns meses, lembro, passou-nos a frota da Luís Simões por cima. Camião atrás de camião a andar para a frente e para trás e nós no chão, bem alinhados com o rodado dos TIR. O clube ficou feito em cacos, a equipa de futebol totalmente destruída. Apesar disso, jogando mal, muitas vezes muito mal, estamos agora a dois pontos da liderança do capeonato e continuamos em prova nas restantes taças, nacionais e europeia. 

 

Se é inegável que o mau futebol que pomos em campo é da responsabilidade da equipa técnica, com José Peseiro à cabeça, estamos nas frentes todas e com todas as hipóteses de sucesso em aberto, e isso é também fruto da obra do agora ex-líder do balneário. 

 

Posto isto, espero que Frederico Varandas tenha já para apresentar um novo treinador da equipa principal de futebol do Sporting.

 

Será inadmissível um vazio de poder na equipa principal do nosso emblema durante muito tempo. Se esta decisão de Varandas foi só para responder a uns poucos lenços brancos acenados da bancada, então, tenho de claramente aqui dizer que essa foi a maior asneira do seu ainda curto mandato. Tão disparatada e incompetente que pode bem vir a contaminar negativamente a presidência até ao seu desfecho. 

A chicotada em curso

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Frederico Varandas vai, enfim, escolher o seu treinador. Era óbvio, desde a entrevista do presidente ao Expresso, que José Peseiro estava a prazo. Foi opção transitória, decidida pela Comissão de Gestão interina: ninguém poderia ligar Varandas às más exibições da equipa.

Isso muda a partir de agora. Quem vier, será o homem do novo líder leonino. Já não o de Sousa Cintra, que passou à história.

Se for o nosso ex-jogador Paulo Sousa o escolhido, muito bem. Se regressar Leonardo Jardim, tanto melhor. Ambos estão neste momento sem clube. E ambos, obviamente, pesarão muito mais na folha salarial do Sporting do que Peseiro.

 

Ignoro os bastidores do despedimento do treinador, esta madrugada, na sequência de um jogo para a inútil Taça da Liga com oito segundas linhas no onze titular e a três dias da importante deslocação aos Açores, onde defrontaremos o Santa Clara para o campeonato. No momento em que escrevo, desconheço quem orientará a equipa em Ponta Delgada.

Mas cumpre referir que o Sporting segue a dois pontos do primeiro lugar na Liga 2018/2019 após o Verão mais negro de que há memória em Alvalade, perdemos alguns dos nossos melhores jogadores (Rui Patrício, William, Gelson) e outros vieram sem rodagem de pré-época. Disputaram-se oito rondas do campeonato e já jogámos em dois dos três estádios mais difíceis: Luz e Braga.

 

Enumero estes factos em benefício de inventário. E lembro outros líderes leoninos, que despacharam treinadores sob a pressão conjugada do peso da opinião de uns quantos influentes e de dúzia e meia de lenços brancos a esvoaçarem nas bancadas.

Deu certo em 1999/2000, quando uma chicotada semelhante à que está em curso - a primeira na Liga 2018/2019 - pôs Augusto Inácio ao leme da equipa e nos devolveu o título após 18 anos de amargo jejum.

Deu errado em vários outros casos - demasiados, como sabemos.

 

Não gosto deste futebol de retranca com a nova marca Peseiro nem de suportar quinze toquezinhos de bola protagonizados pelos nossos jogadores até conseguirem cruzar a linha de meio-campo, como ontem aconteceu na recepção ao Estoril - a mesma equipa que há um ano, ainda na primeira divisão, nos derrotou por 2-0, afastando-nos do primeiro posto, ao qual já não regressámos. 

Mas, não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques.

 

Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.

Varandas corre esse risco, que decerto não ignora. É nos momentos difíceis que se testam as lideranças.

O que diz Varandas

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Queriam que Frederico Varandas falasse? Pois ele falou, sem meias palavras, numa extensa entrevista ao Expresso, conduzida pelo jornalista Pedro Candeias.

Seguem alguns excertos.

 

«Os sócios do Benfica ou do FC Porto jamais aguentariam estar 18 anos sem ganhar títulos; o sócio do Sporting, que é muito leal ao clube, é menos leal às suas direcções e é muito mais exigente do que o dos outros clubes.»

 

«Isto é como muita gente diz - que o clube é ingovernável. (...) O número de presidentes que sai constantemente é um sinal de instabilidade e de que é muito mais difícil de ganhar do que nos outros lados. Mas eu acredito que vou mudar isto.»

 

«O empréstimo obrigacionista está montado e intermediado pelo banco Montepio, com cerca de 30 milhões de euros, para emitir em Dezembro. E o empréstimo anterior, cujo pagamento já fora adiado, iremos pagar tudo aos investidores na data prevista.»

 

«Acredito que o [caso do] Gelson será bem resolvido, tal como o caso Rui Patrício. Tenho um valor na cabeça, que não digo, e acho que se vai resolver a bem. E se não se resolver a bem, resolver-se-á a mal.»

 

«Como presidente, nunca entrarei dentro do balneário: é uma área de jogadores. Tal como eles nunca entrarão numa área de presidente. Também nunca farei uma crítica aos jogadores publicamente, porque essa será feita cara a cara.»

 

«Eu quero os melhores jogadores e o melhor treinador. Quero criar condições para este clube ser campeão, não de forma esporádica, mas consistente.»

 

«Já contratámos para a época 2019. Só dispenso jogadores ou treinadores quando tenho uma solução melhor em carteira.»

 

«Já estamos a preparar 2019 e a agir em áreas específicas, que nos ajudam a ganhar. Na área de scouting, por exemplo, estamos a reformular o departamento e acabámos de contratar um [José Guilherme Chieira], que esteve no FC Porto durante muitos anos, de 2010 a 2018. No departamento médico, virá outro médico, João Pedro Araújo, que é melhor que eu.»

 

«Sinto-me satisfeito com a qualidade do jogo? Não. Nem eu, nem o grupo, nem o treinador.»

 

«No Sporting que eu idealizo, a equipa tem de jogar melhor que o adversário pelo menos em 32 jornadas do campeonato. Pode nem ganhar, mas tem essa obrigação.»

 

«Estes casos do Benfica são uma vergonha para o futebol português, uma vergonha.»

 

«No dia anterior à destituição de Bruno de Carvalho dizia-se, nas redes sociais, que ele iria ficar com 70% dos votos, que era impossível cair. Ele próprio achava que ia ganhar, daí ter ido para a MEO Arena. As redes sociais são tão barulhentas que se confundem com a realidade. E ele perdeu com 70% dos votos.»

 

«O Sporting já sofreu muito, muito, para alimentar o ego de pessoas que usam e abusam do clube para se manterem vivas na comunicação social. Mas, no fundo, nada dão ao clube e isso é uma característica do Sporting.»

 

«O primeiro passo é tornar o Sporting imune a essa fogueira e a própria comunicação social também está numa espécie de ressaca, estranha este vazio mediático. Se eu não falou durante duas semanas é estranho, mas já repararam, nos outros clubes, se os respectivos presidentes falam? Não.»

 

«Jamais um sportinguista receberá de mim uma directriz para dizer isto ou aquilo. Isso é indigesto. Gosto de pensamento livre, mesmo que critiquem o Sporting. É horrível, não é do século XXI.»

Ponto da situação

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Foco máximo do presidente leonino: reunir verba suficiente para pagar daqui a cerca de um mês o empréstimo de 30 milhões de euros, acrescido de juros, a quem confiou no Sporting. Essa verba depende, em parte considerável, dos acordos que conseguir entretanto estabelecer com os clubes onde agora se encontram os jogadores que em Junho rescindiram unilateralmente os contratos que os vinculavam a Alvalade: Atlético de Madrid (Gelson Martins), Olympiacos (Podence) e Lille (Rafael Leão). Há também que assegurar o cumprimento dos novos prazos de pagamento entretanto estabelecidos com os clubes que nos forneceram jogadores como Acuña, Battaglia e Raphinha.

Tudo isto sabendo que ficámos fora da Liga dos Campeões e das quantias milionárias que este certame proporciona a quem nele participa. Sabendo também que não temos acesso a outro financiamento extraordinário, pois durante a presidência de Bruno de Carvalho já foram gastas por antecipação as receitas correspondentes a dois anos da vigência do contrato com a operadora NOS - e que contribuíram para despesas superiores a 100 milhões de euros só na época passada, entre futebol profissional e modalidades.

Este é o ponto da situação, com motivos mais do que suficientes para preocupar-nos. Alguns sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting preferem discutir a permanência da actual equipa técnica. Acontece que Frederico Varandas tem prioridades mais imediatas. É a vida, como dizia o outro.

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