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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: O silêncio é de outros e a alegria é de Plata

Sporting 2 - Boavista 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

23 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Teve que esperar pelo tempo de compensação da segunda parte para ser verdadeiramente posto à prova, evitando o contacto da bola com as redes com a mesma determinação do irmão mais velho de uma adolescente afoita. A estirada que desviou para canto um remate de fora da área que levava carimbo de golo de honra boavisteira serviu para recordar os compradores de bilhetes e recebedores de convites que o jovem guarda-redes é o único dos supostos suplentes da linha defensiva leonina aquando do início da temporada – todos eles titulares neste jogo – que se tornou titular indiscutível. Só precisa mesmo de melhorar o jogo de pés, como mais uma vez demonstrou, num jogo em que pouco mais fez do que encaixar escassos remates saídos à figura, para superar o actual guarda-redes do Wolverhampton nesta fase da carreira e dar início à luta pela baliza de Portugal.

 

Rosier (3,0)

A primeira intervenção do lateral-direito francês foi inaceitável num profissional de futebol, mas a verdade é que não demorou a carburar, combinando de forma muito positiva com o endiabrado Gonzalo Plata. Regressado à titularidade após prolongada ausência, tirou proveito da oportunidade e até chegou a rematar. Mas ainda tem hesitações na hora de avançar para a grande área adversária e sofre com as limitações físicas (já conhecidas aquando da sua contratação, e que conduziram à precoce titularidade e posterior entrada no carrossel de Thierry Correia) que aconselharam a sua substituição.

 

Neto (3,0)

Patrões fora, dia santo na loja? Acabou por assim ser, com a ausência de Coates e Mathieu a passar despercebida. Ainda que a ineficácia do ataque boavisteiro tenha dado uma ajuda, a experiência do central português contribuiu para o desfecho. Neto antecipou-se ao perigo, executou sem adornos e até procurou contribuir para a construção de jogo. Fossem todos os jogos assim.

 

Ilori (3,0)

Ainda teve uma hesitação e um atraso de bola arriscado, mas Luís Maximiano resolveu as duas situações sem problemas de maior. Posto isso... digamos que o central resgatado do esquecimento pela infinita generosidade de Frederico Varandas e Hugo Viana sossegou todos quantos temiam vê-lo lançar sete palmos de terra sobre a equipa. Intervenções certas e desassombradas, aqui e acolá merecedoras daquele tipo de aplausos que são reservados a quem supera (baixas) expectativas, contribuíram para manter o lado correcto do marcador a zeros. Se conseguir repetir o feito na Turquia é possível que lhe façam uma estátua equestre.

 

Borja (3,0)

Raras coisas são tão comoventes quanto o esforço do lateral-esquerdo colombiano para transcender as suas capacidades. Neste caso, ainda que se tenha remetido sobretudo a funções defensivas, prejudicado pela ênfase dada a Gonzalo Plata no lado contrário e pela tendência de Jovane Cabral flectir para o centro do meio-campo adversário, foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.

 

Battaglia (3,0)

Mais uma exibição positiva do médio argentino, mexido o bastante para fornecer linhas de passe aos colegas mais atrás e inteligente o suficiente para arranjar soluções aos colegas mais à frente. Acabou por não ser poupado para a segunda mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, numa decisão que só pode ser aplaudida: além de melhorar o coeficiente na UEFA, já de olhos postos no regresso à Champions em 2021/2022, o Sporting tem de assegurar que para o ano poderá competir na Liga Europa. E alcançar o Sporting de Braga ou manter à distância Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão está longe de ser uma mera formalidade para este Sporting de pé descalço.

 

Wendel (3,0)

Terá feito um dos seus melhores jogos nos últimos meses, demonstrando sabedoria na condução de bola, ausência da recorrente e irritante displicência na movimentação e no posicionamento e vontade de conduzir os colegas ao “só mais um” que erros alheios mantiveram no registo “dois é bom, três é de mais”. Só não merece melhor nota pela forma infantil como viu o cartão amarelo que o afasta da deslocação a Famalicão, onde o Sporting tem demasiado em jogo para não contar com todos os melhores.

 

Gonzalo Plata (4,0)

No final do jogo, recomposto da tentativa perpetrada pelo central boavisteiro Ricardo Costa de lhe desatarraxar a perna (sem que o infame Nuno “Ferrari Vermelho” Almeida, um dos maiores escroques apitadores nacionais, discernisse mais do que um pontapé de canto apesar da insistência do videoárbitro), o jovem extremo equatoriano ouviu o mesmo treinador que lhe nega oportunidades de afirmação dizer que poderá encontrar-se em Alvalade um futuro caso sério do futebol mundial. Inequívoco homem do jogo, Gonzalo Plata fez mais do que cobrar de forma irrepreensível o livre que permitiu a Sporar inaugurar o marcador e do que rubricar o 2-0 num lance em que a execução do remate ficou em segundo plano perante a rapidez e inteligência com que se dirigiu para as “sobras” do cruzamento de Borja. Mais do que isso, devolveu alegria ao Estádio de Alvalade, que pela primeira vez em muito tempo teve momentos de comunhão nas bancadas, juntando “escumalha”, “croquetes” e milhares de convidados que ali estavam para a média de ocupação do estádio parecer menos desoladora. Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.

 

Jovane Cabral (3,0)

Repetiu a titularidade sem repetir os resultados virtuosos obtidos no jogo com o Basaksehir. Voltou a mostrar-se mexido e a pôr os outros em movimento, mas pouco lhe saiu bem ao longo do jogo. O momento mais paradigmático da exibição foi o falhanço dentro da grande área, em posição frontal, após um bom cruzamento de Borja. Ainda assim, poderia ter mantido a série consecutiva de contribuições para o placard, isolando de forma perfeita Gonzalo Plata frente a frente com o guarda-redes do Boavista. Mas calhou ser o momento do jogo em que o equatoriano não esteve à altura.

 

Vietto (3,5)

Promovido a força tranquila da manobra ofensiva leonina, muito ele fez jogar, ainda que não tenha concretizado uma oportunidade flagrante de golo, servido com requinte pelo rompante Plata. Tem muito em si de futura referência leonina e cabe-lhe escrever um melhor futuro em que deixe de passar pela vida futebolística como uma esperança adiada.

 

Sporar (3,5)

Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting. Lá seria mais um recorde batido pela presidência de Frederico Varandas...

 

Pedro Mendes (2,0)

Teve direito a 20 minutos pelo segundo jogo consecutivo, e pelo segundo jogo consecutivo padeceu de ter entrado numa fase em que o Sporting abandonara a nobre arte do ataque continuado. Voltou a fazer o possível por deixar boa impressão ao estádio, ainda que pouco mais tenha feito além de pressionar o início da construção de jogo dos adversários.

 

Ristovski (2,0)

Saltou do banco de suplentes para fazer face aos problemas físicos de Rosier e ajudou a manter uma rara ausência de golos concedidos. Segue-se a viagem à Turquia, onde viria a calhar repetir a proeza.

 

Francisco Geraldes (2,0)

A ovação que recebeu quando entrou para o descanso de Vietto é o tipo de fenómeno sportinguista que carece de estudo académico. Além de ser um futebolista com talento inato, “Chico” não se limita a ser o leão aspiracional, capaz de conciliar a bola com os estudos, mais dado a leituras do que a vídeos , como também simboliza na perfeição o Sporting dos nossos dias, com o seu potencial (ainda) por concretizar, em grande parte por culpas alheias (treinadores avessos à aposta na formação, péssima gestão de activos do clube) mas decerto também por culpa própria. Nos dez minutos que lhe couberam em sorte procurou e conseguiu mostrar serviço, lamentando-se apenas que num lance de contra-ataque não tenha sentido a confiança suficiente para rematar ou tentar irromper na grande área boavisteira, optando por assistir um colega que não entendeu o passe. Fica de fora na Liga Europa, mas pode ser que o castigo de Wendel leve a que Silas lhe dê uma hipótese de provar valor na deslocação a Famalicão. Embora seja mais provável que regresse a um daqueles meios-campos a tresandar de medo da própria sombra que juntam Battaglia a Idrissa Doumbia e Eduardo.

 

Silas (3,5)

Teve a inteligência de apostar numa táctica alicerçada no célebre princípio de jogo “metam a bola no miúdo e logo se vê”, retirando faustosos dividendos da aposta em Gonzalo Plata. Vendo-se a ganhar desde cedo, e a dominar as manobras no meio-campo, respirou de alívio e nem o facto de apresentar uma linha defensiva composta quase exclusivamente por suplentes trouxe um décimo das preocupações que esperaria. Numa semana em que exibiu dotes de comunicação quase tão fracos quanto os do responsável pela sua contratação, pondo em causa o empenho de um dos melhores jogadores de sempre do futebol leonino, Silas ganhou algum oxigénio. Para encher a botija terá de selar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa em Istambul e regressar de Famalicão com mais três pontos de vantagem em relação a um dos adversários directos na luta pelo terceiro, quarto ou quinto lugares. Mas para tal seria aconselhável que resolvesse a recorrente quebra que faz das segundas partes do Sporting o equivalente táctico de uma pessoa remediada que (sobre)vive de rendimentos.

Caro Francisco Geraldes,

O nosso cérebro é a mais espantosa criação. Sejamos crentes numa entidade acima de nós, ou crentes no acaso cósmico, é igual: nada é mais fascinante, complexo e capaz.
O nosso cérebro processa 40 milhões de operações por segundo, é cinzento, gelatinoso e nunca dói (porque não tem terminações nervosas).
Em certa medida pertencemos ao cérebro e não o contrário. A nossa mundivisão, o que vemos, cheiramos, sentimos, as afinidades, empatias e reações que mostramos com expressões, gestos ou olhares, têm o centro de comando no cérebro.
O medo do futuro, a angústia, o que chamamos insegurança, é só mais uma criação genial do cérebro, uma arma no nosso longo e ainda não terminado processo de evolução. É fácil de perceber: entrar numa caverna escura a assobiar é um erro de avaliação se queremos continuar vivos. Pode lá estar um puma ou um urso que nos abocanha a carótida e a história acaba.  
O Francisco é uma pessoa especial, diferente e isso nota-se. Não tanto por aparecer a ler, mas pelo seu olhar, de um certo alheamento e de raras vezes parecer feliz. A ideia com que se fica é que tem pouco ou nada a ver com a tribo do futebol, os jogadores, as suas tatuagens, os seus carros, os seus penteados, piadas, partidas e outros ritos. Ou os misters, as suas pranchetas, os seus coletes, pinos, gritos, esquemas e demais instrumentos de motivação. Para não falar dos agentes, os seus telemóveis, handlers e gel no cabelo.
Sucede que para sua fortuna, o Francisco tem futebol suficiente nos pés (e no cérebro) e é demasiado bom para ser posto fora. Você vê o jogo diferente, mais belo e sofisticado, mais lúdico, melhor. O que lhe queria dizer é que a sua diferença, sensibilidade e vulnerabilidade são parte fundamental da sua inteligência e, portanto, do seu futebol.  Um futebol que você não tem conseguido impor quando sente as atenções em si. Um certo stage fright, diria.
Há qualquer coisa em si, talvez no seu cérebro, que quer que você desista da bola e se remeta a um sossego maior, mais ensimesmado, mais seguro e recolhido. Acredito que já o tenha percebido e temo que tenha por inevitável que vá passar ao lado da carreira que o seu talento prenunciava.
Só que ao longe, vendo-o como se viu neste domingo contra o Boavista, verifica-se depressa que há uma vontade ainda maior de estar ali em campo, a servir os outros. Nos passes, nas desmarcações, em especial na inteligência que o jogo acolhe como que por magia. Quando desata a correr, quem está atento nota os seus demónios a tentar apanhá-lo, mas deixe-me que lhe diga que é não é óbvio que o consigam apanhar. Só depende de si, de correr mais depressa do que os malditos.
Não lhe estou a pedir a nada, a não ser que se conheça melhor e que ensine o seu cérebro de uma vez por todas quem manda no Francisco Geraldes.

Um abraço.
Deixo-lhe esta sugestão de leitura: Pensar, Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman (temas e debates).

Francisco Geraldes treinou em jardins e parques...

Há coisas que são difíceis de entender. Fiquei completamente estupefacto quando me chegou ao conhecimento que Francisco Geraldes, jogador com 17 anos de contrato com o Sporting (entrou no clube com 7 anos),  treinou, desde que que chegou da Grécia em Dezembro, fora das instalações do Sporting, em jardins, parques e frequentando ginásios de Lisboa. Como é possível uma situação destas, de um dos principais ativos e que  só hoje foi completamente integrado em pleno, depois de andar 45 dias a treinar sem os colegas? Francamente não consigo perceber esta política desportiva do Sporting no que se refere ao futebol e Hugo Viana terá que um dia explicar muita coisa... ou não.

Publicidade enganosa

Sobre o preçário dos novos lugares de época no nosso estádio já se pronunciaram aqui - e bem - o Rui Cerdeira Branco e o Edmundo Gonçalves. É uma decisão incompreensível e inadmissível da Direcção leonina. 

Nada tenho a acrescentar. Direi apenas que lamento ter visto, na anterior campanha para venda de gameboxes, a utilização de Francisco Geraldes, profissional oriundo da formação do Sporting, como isco para atrair adeptos. Sabemos o que aconteceu: o jogador acabou por ser mandado às malvas, sem oportunidades para mostrar o que vale perante aqueles que confiávamos e confiamos no seu talento.

Foi publicidade enganosa, afinal. Espero que não se repita.

Assuntos internos

 

O Sporting vai poder emitir o empréstimo obrigacionista, tendo ultrapassado ontem a fasquia dos 19 milhões de euros em ordens subscritas.

 

Rui Patrício, William Carvalho, Nani, Carlos Mané, Raphinha, Wendel, Ristovski, Luís Maximiano, Adrien, Cédric e Carriço incluem-se entre os jogadores e ex-jogadores que compraram obrigações do Sporting.

 

Marcel Keizer estreia-se como treinador leonino depois de amanhã, no jogo Lusitano Vildemoinhos-Sporting, para a Taça de Portugal.

 

Receita do desafio de sábado será entregue, na íntegra, ao clube de Vildemoinhos por decisão da Direcção do Sporting.

 

SAD leonina prepara regressos imediatos de Francisco Geraldes e Matheus Pereira a Alvalade.

 

Eustáquio, médio do Chaves e internacional sub-21, pode ser um dos nossos reforços de Inverno.

 

Jovane Cabral, já naturalizado cidadão português, diz-se preparado para vir a representar o nosso país na selecção nacional.

 

Quando é difícil arranjar um título

Acho mal o Francisco Geraldes ser emprestado pois é melhor do que alguns que estão no plantel, que porventura vão ficar, e começamos a descaraterizarmo-nos sem jogadores da formação. E era mais que tempo para ter uma oportunidade a sério, até porque já é o 3.º ano em que enriquece a prestação de outras equipas (ao menos neste ano o mutuário não é do nosso campeonato). Mas já está e não tenho muito interesse em saber se se sentiu indesejado ou pouco desejado, ou o treinador não teve interesse nele. A diferença está em que nos 2 empréstimos anteriores ninguém se incomodou, quase não se viu uma linha a contestar essa política (quando havia um resultado menos conseguido do Sporting ou o jogador fazia um bom jogo, lá se ouviam umas vozes isoladas) e nem li nada do próprio como agora, que escreveu um texto cheio de mensagens. Porquê? Talvez por no Moreirense e no Rio Ave se ter sentido desejado ou o Presidente e treinador serem outros... o que é facto é que não teve a dimensão  agora atingida em termos de “barómetro” de sportinguismo e crítica à SAD por parte dos entusiastas da discussão (chamar discussão é assim uma espécie de bondade...) nas redes sociais.

Na verdade, pressinto que isto é mais um episódio da divisão em que estamos. E, no fundo, é o Sporting que sai prejudicado pois começa a perder élan quanto ao tradicional aproveitamento de jogadores da formação. Vá la que deu para perceber que Jovane, por exemplo, deve ser acarinhado pois tem grande potencial. Mas a futura direção tem que fazer reflexão séria e profunda sobre o modelo de formação que temos, construir um percurso para os jovens em que não se cometam erros de avaliação, designadamente quando atingido o patamar competitivo mais elevado. Para isto há que ter colaboradores com elevado grau de conhecimento e profissionalismo, não nos devendo limitarmos apenas ao cv de quem foi jogador do clube há uns anos ou velha glória. São precisas equipas multidisciplinares, que façam o acompanhamento desportivo mas também escolar e acompanhem de perto a própria situação familiar dos miúdos. A Academia precisa de ser refundada através duma espécie de regresso às origens, formando jogadores e homens e dotando o Sporting de ativos, quer em termos de desempenho desportivo quer depois em termos de sustentabilidade do clube com a sua valorização e reconhecimento pelo mercado.

Por tudo isso desejo rapidamente o 9 de setembro, o regresso em definitivo à normalidade com nova direção democraticamente eleita e posto fim ao verdadeiro estado de exceção que vivemos há meses. 

Percebem agora o título?

Hoje giro eu - A meio de coisa nenhuma

Plantel de 1981/82 - Jogadores utilizados formados no Sporting (10): Barão, Carlos Xavier (19 anos, 35 jogos), Bastos, Zezinho, Inácio, Mário Jorge (18 anos, 31 jogos, 5 golos), Virgílio, Ademar (22 anos, 40 jogos, 6 golos), Freire e Alberto (soma da utilização destes jogadores=258 jogos; golos=18, média=23 anos).

 

Plantel de 2001/2002 - Jogadores utilizados formados no Sporting (10): Jorge Vidigal, Beto, Santamaria, Paíto, Custódio, Diogo, Hugo Viana, Gisvi, Lourenço e Quaresma (soma da utilização destes jogadores=128 jogos; golos=9).

 

Malcolm Allison era um treinador "sui generis". dava muita liberdade aos jogadores fora do campo e não olhava a bilhete de identidade ou a estatuto aquando da escolha do melhor "onze". Era, também, muito corajoso: se Jordão "não estava bem da cabeça", estreava-se o miúdo Mário Jorge, mesmo que o jogo fosse contra o FC Porto. Como a sorte protege os audazes e as pessoas de firmes convicções, o ala açoriano acabaria por marcar o único golo nesse clássico, colocando o Sporting em posição privilegiada para ser campeão.

 

Lazlo Boloni tinha uma especial predilecção por lançar jovens jogadores. Nessa temporada, Hugo Viana e Quaresma foram as suas apostas mais consistentes. O romeno era fã da visão de jogo de Viana e da imprevisibilidade do Mustang (apodo criado por ele) e não teve nenhum rebuço em lhes dar a titularidade, apesar de haver jogadores consagrados no plantel. Assim, Hugo Viana viria a jogar sensivelmente o mesmo número de partidas que, por exemplo, Pedro Barbosa e Quaresma jogaria mais do que a soma dos confrontos disputados por Sá Pinto e Niculae.

 

Servem estes exemplos para provar, ao contrário do que por aqui e ali vou lendo, que a aposta nos jogadores da casa já deu bons resultados. Inclusivé, os números de utilização de jovens por parte de Allison são impressionantes, tendo em vista que se tratava de um plantel onde coabitavam Meszaros, Eurico, Nogueira, Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Mais do que qualidade na Formação, o que nos tem faltado são treinadores carismáticos, convictos nas suas ideias, justos na selecção e corajosos na hora de defender o jovem jogador. Defendem-se mais do que defendem o clube. Por isso, preferem comprar um contentor de jogadores no mercado, portugueses ou estrangeiros, incluindo nessas aquisições segundas e terceiras escolhas para o plantel, imagine-se, bloqueando assim na totalidade a possibilidade de imposição dos jovens. 

 

A situação actual é uma falácia. Não existe qualquer aposta sustentada na Formação. Tal reflecte-se na descida de divisão da equipa B, a qual se deveu à desmotivação que reina em Alcochete. Nem que nascessem 10 vezes, os nossos jogadores jovens sabiam que nunca teriam qualquer hipótese real de se imporem. A excepção que confirmou a regra foi Gelson Martins.

Com o caminho em cima tapado, é natural que os nossos jovens comecem a conjecturar o seu futuro fora do reino do leão. O caso de Francisco Geraldes é paradigmático. Vezes sem conta enviado para a equipa B ou emprestado a clubes menores da primeira liga, o médio conseguiu vencer uma Taça da Liga pelo Moreirense - depois de uma exibição de sonho frente ao Benfica - e ser um jogador muito influente no Rio Ave. Regressado a Alvalade com fortes expectativas, primeiro assistiu ao regresso de Bruno Fernandes (um excelente jogador com quem poderia talvez coabitar, jogando Bruno a "8") e depois viu o treinador apostar em Nani para a sua posição, algo inédito em termos de clube na vida do antigo jogador do Manchester United. Compreensivelmente, terá chegado à conclusão de que seria a terceira opção e iria jogar pouco, o que acrescido do facto de ser um dos mais mal pagos do plantel o terá levado a pedir para sair. Palhinha é um exemplo ainda mais revelador: barrado por uma invasão balcânica de "ic(s)" - Petrovic e Misic - , o nosso médio defensivo vê aparecer todos os dias nos jornais os contactos que o Sporting estará a desenvolver para adquirir Badelj ou Vukcevic (mais um) e para o regresso de Battaglia. Relegado para possível quinta escolha de Peseiro, que futuro no Sporting pode o jovem perspectivar? E ainda estou para ver qual o futuro de Matheus Pereira, agora que Acuña e Nani se juntam o Raphinha nas opções para as alas...

 

Há que ser claro e nos deixarmos de demagogias para com os sócios: ou seguimos uma política de mercado ou tentamos temperá-la com uma aposta real na Formação. A situação actual é que é insustentável. É que nem sequer estamos a meio caminho, mas sim a caminho de coisa nenhuma, pelo menos de algo que seja minimamente relevante. A política de mercado tem-se revelado desastrosa no clube. Aos pouquíssimos exemplos positivos, de simultaneamente rendimento desportivo e financeiro, contrapõem-se inúmeros exemplos de flops. Dir-se-ia que deficilmente se poderia ter tão má pontaria, mas esta é a história das últimas duas décadas do clube. Conhecendo-se este histórico de acção trágico, alguém no seu perfeito juízo quer dar mais latitude aos gestores do clube para perseguirem esta (não) estratégia? Vamos continuar a alimentar segundas e terceiras escolhas para o plantel à conta das nossas depauperadas finanças? Como tal, o único caminho possível, o único que pode conduzir à sustentabilidade desportiva e financeira, é ir preparando os jovens para entrar na equipa principal. Mais qualidade é necessária e temos de investir mais na pesquisa de novos talentos e no seu desenvolvimento em Alcochete. Simultaneamente, temos de criar oportunidades aos que já lá estão (na equipa principal). E uma oportunidade não é pegarem de caras na equipa principal. Nem peço isso. O que se recomenda é que alguns dos nossos jovens possam ser segunda opção para uma determinada posição. Depois, com o desgaste dos jogos, gestão do cansaço do jogador titular, lesões, castigos, abaixamentos de forma, et caetera, terem uma oportunidade de jogarem e de se afirmarem. Assim, como está, é que não, não é caminho e esta época será aquela em que teremos menos jogadores da nossa Formação. Em conformidade, temo pelo nosso futuro. Sinceramente. Não se trata só da nossa sustentabilidade, é a nossa cultura enquanto clube que está a ser posta em causa e já há alguns anos. Depois, quando já não houver mais nada, é que vamos entender o valor de tudo aquilo que deixámos para trás. Como aliás já reconhecemos abundantemente naquela camuflagem operada na segunda volta de campeonato 16/17. Aí, com os ânimos exaltados, a utilização dos miúdos permitiu fazer baixar a temperatura. É que pode haver quem tenha de nascer 10 vezes, mas treinador só vive uma (e tem de saber viver)...

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Cegueira

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Alguém anda cego:

A Comissão de Gestão, por deixar fugir um jogador que, sentimentalmente, diz muito aos adeptos (mais sportinguista do que o Figo), sobretudo depois dos murros no estômago dados pelas jóias da nossa formação.

O treinador e a sua equipa técnica, por deixar fugir um jogador com qualidade acima da média e, não menos importante, que contribui para um bom balneário (via no Xico um importante aliado de Peseiro).

Nós, adeptos, por vermos (desejarmos) em Francisco Geraldes o craque (e futuro capitão) que, afinal, não é, nem nunca será.

Os destaques: Geraldes, Matheus, Wendel

Nem PSV Eindhoven nem Fenerbahçe, como chegou a ser anunciado: o Sporting fez esta tarde um jogo-treino em Nyon - entre Lausana e Genebra - com o Stade-Lausanne, equipa da terceira divisão helvética, num desafio sem público, quase à porta fechada. Um jogo que vencemos por 4-1, com todos os golos marcados nos primeiros 45 minutos. A segunda parte, com um onze totalmente diferente (apenas Castaignos aguentou mais 16 minutos em campo) foi uma imensa sensaboria, indigna de um Leão que quer rugir.

Nota especial para um golo de belo efeito de Francisco Geraldes, aos 14', coroando uma excelente jogada individual em que tirou três adversários do caminho e rematou forte, em arco, para o ângulo mais inacessível ao guarda-redes. Foi o nosso segundo, o mais belo de todos e marcado pelo melhor jogador em campo.

A vitória começou a ser construída logo ao minuto e meio de jogo, por Castaignos. Mattheus Oliveira, aos 25', e Jovane Cabral, aos 37', marcaram os restantes. Com os suíços a reduzirem a vantagem no minuto extra da primeira parte. Na segunda, apenas Wendel e Jefferson merecem nota acima da média - sobretudo o jovem formado no Fluminense, que criou diversos desequilíbrios em busca de um lugar ao sol.

 

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Os jogadores, um a um:

 

Luís Maximiano (19 anos).

Mais: procurou acertar, raras vezes com sucesso.

Menos: saiu mal dos postes no lance de golo, parece trabalhar mal com os pés, mostrou-se intranquilo.

Nota: 4

 

Bruno Gaspar (25 anos).

Mais: assistência para o terceiro golo com um bom centro, confirmando-se como lateral direito com vocação ofensiva.

Menos: ainda com prestação insuficiente no plano defensivo.

Nota: 5

 

Marcelo (28 anos).

Mais: procura integrar-se no quarteto defensivo.

Menos: o canto que origina o golo suíço nasce de um corte defeituoso seu.

Nota: 4

 

Mathieu (34 anos).

Mais: parece em boa forma física, correndo por vezes como um extremo.

Menos: falta de protagonismo nas bolas paradas ofensivas.

Nota: 5

 

Jonathan Silva (24 anos).

Mais: "assistiu" no segundo golo com um bom lançamento lateral.

Menos: muito trapalhão, os centros não lhe saíram bem.

Nota: 4

 

Palhinha (23 anos).

Mais: boas acções de cobertura no meio-campo defensivo.

Menos: falta-lhe vocação para médio criativo.

Nota: 5

 

Mattheus Oliveira (24 anos).

Mais: bom golo na sequência de um cruzamento, rematando com o pé esquerdo sem deixar a bola ir ao chão.

Menos: peca por alguma apatia em momentos do jogo.

Nota: 5

 

Francisco Geraldes (23 anos).

Mais: marcou aos 14' e deu a marcar aos 37', revelando notável visão de jogo e apreciáveis pormenores técnicos.

Menos: podia ter batido melhor um livre aos 43'.

Nota: 7

 

Jovane Cabral (20 anos).

Mais: lançado por Geraldes, recebeu em corrida a bola e fuzilou as redes suíças, marcando o seu terceiro golo desta pré-temporada.

Menos: demasiado individualista em certos lances.

Nota: 6

 

Matheus Pereira (22 anos).

Mais: único jogador a repetir a titularidade, com liberdade criativa, assistiu Castaignos no primeiro golo e iniciou a construção do terceiro.

Menos: hoje não marcou.

Nota: 7

 

Castaignos (25 anos).

Mais: autor do primeiro golo, após tabela com Matheus Pereira.

Menos: nada mais fez de relevante.

Nota: 5

 

Raphinha (21 anos).

Mais: entrou na segunda parte, substituindo Matheus Pereira, e demonstrou trabalhar bem junto à linha.

Menos: tentou bastante, mas não marcou nem deu a marcar.

Nota: 5

 

Montero (30 anos).

Mais: substituiu Geraldes na segunda parte, fazendo algumas tabelinhas que deram nas vistas, embora inconsequentes.

Menos: muita cerimónia no remate: voltou a ficar em branco.

Nota: 4

 

Misic (24 anos).

Mais: em campo no segundo tempo, substituindo Palhinha, tentou o remate aos 83', mas a bola saiu-lhe ao lado.

Menos: tornou o nosso meio-campo muito permeável às investidas suíças.

Nota: 3

 

Demiral (20 anos).

Mais: substituindo Mathieu na segunda parte, cabeceou ao poste aos 87': merecia o golo.

Menos: cometeu falta desnecessária aos 79'.

Nota: 6

 

Domingos Duarte (23 anos).

Mais: rendeu Marcelo no segundo tempo, fez um bom corte aos 50'.

Menos: falhou alguns passes.

Nota: 5

 

Piccini (25 anos).

Mais: substituiu Bruno Gaspar no segundo tempo, com algumas incursões ofensivas interessantes.

Menos: parece ter regressado de férias algo preso de movimentos.

Nota: 5

 

Wendel (20 anos).

Mais: rendeu Mattheus Oliveira na segunda parte, tendo sido o jogador que criou mais desequilíbrios neste período do jogo.

Menos: rematou aos 77', mas saiu-lhe frouxo.

Nota: 6

 

Jefferson (30 anos).

Mais: substituiu Jonathan na segunda parte, fazendo grandes centros (53', 70', 88') e marcando muito bem um livre (87').

Menos: vindo de um empréstimo ao Braga, faltam-lhe automatismos.

Nota: 6

 

Salin (33 anos).

Mais: na nossa baliza a partir do minuto 46', não sofreu golos.

Menos: longe de ser exímio no jogo com os pés.

Nota: 5

 

Lumor (21 anos).

Mais: substituiu Jovane na segunda parte, estreando-se como extremo no Sporting.

Menos: notória falta de rotina na posição.

Nota: 5

 

Bruno César (29 anos).

Mais: substituiu Castaignos na segunda parte, parecendo recuperado da lesão.

Menos: revelou falta de intensidade, falhando passes.

Nota: 4

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Geraldes contra os burocratas

Fico atónito quando leio que o Sporting está a tentar o sérvio Filip Kostic. Não está em causa o valor do atleta, mas depois não me venham falar em Formação, nem em modelo de sustentabilidade. Tudo isto é uma falácia e amontoam-se os exemplos de que as coisas há décadas que são feitas sem grande critério. Neste momento para as alas temos os jovens Matheus Pereira e Raphinha, foi recentemente incorporado Nani, Acuña vai regressar e ainda temos a promessa Jovane Cabral, pelo que deverá haver posições mais carenciadas para gastar os parcos recursos de que dispomos. Uma coisa destas tira-me do sér(v)io...

 

Hoje, na Suiça, o Sporting bateu o Stade Lausanne (!) por 4-1. Frustrada que foi a presença dos turcos do Fenerbahçe - e contrariando os rumores de que jogaríamos com os holandeses do PSV - acabámos por defrontar uns helvéticos que militam na terceira divisão daquele país, o que fez todo o sentido dado que a organização desta viagem do Sporting, com 2 jogos cancelados, teve tantos buracos que se assemelhou a um queijo suiço Emmenthal (o Gruyère apesar de tudo não tem tantos...).

 

 

O jogo valeu pela primeira parte, altura em que brilharam os jovens da nossa Formação (!), que tão poucos minutos ainda tinham tido (à excepção de Matheus Pereira). Era para ser apenas só mais um dia no escritório, mas Francisco Geraldes destacou-se com um golo extraordinário em que evidenciou a sua vasta gama de recursos técnicos: Xico tirou um adversário do caminho com uma recepção orientada de pé direito, fintou outros dois com o mesmo pé e, seguidamente, enviou uma bomba de pé canhoto junto ao ângulo superior esquerdo da baliza do Lausanne. 

Mais tarde, Geraldes voltaria a estar em evidência quando esperou até ao limite pela desmarcação de Jovane para lhe fazer uma assistência açucarada que daria o quarto golo leonino. De destacar, também, o passe para o golo de Castaignos, da autoria de Matheus Pereira, e alguns roubos de bola vistosos - um deles a fazer lembrar um "desplante" taurino, entrando de costas e, ao rodar, sacando a bola - por parte de Palhinha. Nota ainda para o golo de Mattheus Oliveira - boa execução (t)técnica - e para a assistência de Bruno Gaspar, sempre muito voluntarioso pelo corredor direito.

 

Na segunda parte entraram as "vedetas" e o jogo teve a emoção de uma partida de 3 dias de cricket. Proliferaram os "home runs" - bolas disparadas para fora das 4 linhas - e regressaram os burocratas da repartição do Campo Grande com particular destaque para Misic (continua a "sentar" Ryan Gauld) e Bruno César. Montero mostrou bons pormenores e a moleza de sempre, Jefferson não tirou um centro em condições, Piccini subiu, mas nunca definiu bem, Wendel teve bons apontamentos, mas não o suficiente para justificar os 8,7 milhões investidos na sua contratação. Acabaria por ser Demiral, em dois lances, a levar mais perigo à baliza suiça, um para grande defesa  do guardião do Lausanne, outro com a bola a terminar no poste direito. Lumor voltou a mostrar a sua velocidade, pese embora tenha sido vítima de uma daquelas invenções que os treinadores tanto gostam de fazer quando à procura de aprovação da Academia Real das Ciências.

 

Perante as evidências, julgo ser a altura de finalmente corrermos o "risco" de aproveitarmos a "prata da casa". A verdade é que outras estratégias tentadas no passado não resultaram e só contribuiram para o nosso endividamento. Por isso, é chegada a hora de se fazer uma aposta real na nossa Formação, única forma possível de garantir a sustentabilidade financeira do clube. Com Bruno Fernandes de regresso, se conseguirmos Bas Dost e Battaglia temos o plantel quase fechado e garantias de enquadramento aos nossos jovens. Compre-se mais um ponta-de-lança, vendam-se alguns excedentários e ficaremos bem. Insistindo no outro caminho, será só mais uma volta no carrossel. Havendo quem pague a viagem...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Geraldes

 

#savingprivateryan

xicogeraldes.jpg

 

Oportunidade para mudar de vida...

Não ficarei triste com a eventual saída de Jorge Jesus. Em rigor não fiquei satisfeito com o despedimento de Marco Silva e contratação do mestre da táctica. Tenho para mim que perdemos o campeonato 2015/2016 muito pelo acicatar do rival, para o qual muito contribuíram presidente e treinador. Completamente desnecessária aquela frase parola “se quisesse agora deixava Rui Vitória bem pequenino”, na conferência de imprensa no Estádio da Luz, após a nossa vitória 0-3 no campo do rival. Com um pouco mais de humildade provavelmente teríamos sido campeões, tenho essa convicção, jamais será uma certeza como é óbvio.

Já durante a presente época por várias vezes critiquei J.J., embora tenha que reconhecer que foi capaz de atenuar um pouco a paupérrima imagem que o clube estava a adquirir quando Bruno de Carvalho entrou em inenarrável e inexplicável desnorte. A instituição acaba por forçosamente ficar grata ao treinador, porque afinal até poderia ter sido muito pior, face à alucinação em que o Conselho Directivo mergulhou.

Dificilmente a próxima época será um sucesso, mas talvez seja tempo de regressar à aposta na formação, tenho expectativas altas em Francisco Geraldes, pode vir a ser uma aposta e finalmente confirme o talento que inegavelmente possui.

Mas ainda que possamos não estar à altura dos rivais e com todos os problemas que estamos a viver, dificilmente estaremos, é importante arrumar a casa e varrer o lixo, não direi para o esquecimento ou para baixo do tapete, mas para o baú das memórias, para que os sócios não esqueçam tão depressa o pesadelo e evitem por muitos anos cair novamente na demagogia e populismo de qualquer déspota que se perfile com promessas reluzentes, mas ocas.

Quem não tem vergonha nem emenda são os grunhos da bancada Sul, que andam a publicar fotos e tarjas de solidariedade para com os 23 animais que atacaram a Academia. Em vez da honra e liberdade que apregoam para esses energúmenos, a resposta do clube e qualquer associado só pode ser uma, não estão 23 jagunços detidos a mais mas pelo menos 15 a menos e mais alguns mandantes e até quiçá outros, os instigadores não viria mal ao mundo se lhes fossem fazer companhia. Por mim, os apoios às claques não existiriam para a próxima época e quem quisesse assistir aos jogos, teria de comprar bilhete como qualquer outro associado. Sempre fomos um clube diferente, nunca nos revimos na postura dos rivais, talvez fosse mais um bom exemplo a seguir se mostrássemos ao país que não nos revemos no hooliganismo.

Hoje giro eu - Bruno e Geraldes

Quando olhamos para o que é hoje o "onze" do Sporting e para aquilo que poderia ter sido, um nome imediatamente vem ao pensamento: Francisco Geraldes.

 

O jogador leonino, emprestado este ano ao Rio Ave, tinha (e tem) as características ideais para poder render Bruno Fernandes, como "10", num sistema de 3 médios. Não o vejo a fazer de "8" (num meio-campo a 2) - posição onde Bruno cumpre sem o brilhantismo de quando joga mais avançado no terreno - , dadas as suas características e as do actual detentor da posição "6" (William Carvalho), um jogador mais forte com bola mas sem a intensidade de um Fejsa ou de um Danilo.

 

Sendo jogadores diferentes - Bruno Fernandes, fruto de várias temporadas em Itália, tem outra mobilidade, amplitude e intensidade no seu jogo - Bruno e Francisco têm como denominador comum a qualidade de passe, característica que lhes permite vislumbrar latifúndios num T1 na Reboleira. Por isso, ambos perdem algumas bolas, pois os seus passes destinam-se quase sempre a criar rupturas.

 

Um dos problemas do Sporting esta época foi aceitar partir o jogo num sistema de apenas 2 médios, com William e Bruno Fernandes. Sempre que jogou Battaglia, a equipa ficou mais sólida, consistente, dominadora e, paradoxalmente, com outra eficácia ofensiva (para além das óbvias vantagens a nível defensivo). Não sendo William um jogador de entrar nos espaços dos seus adversários (como Adrien, p.e.), mas sim alguém mais posicional e que cresce com a bola nos pés, recomendar-se-ia que a equipa jogasse com 3 médios. Partindo deste último sistema, a eventual necessidade de o tornar mais ofensivo poderia partir da substituição de "Batta" por Geraldes, ao invés da adopção imediata do sistema de 2 avançados com a entrada de Doumbia ou de Montero. Digamos que assim a equipa leonina teria uma forma intermédia de tornar o seu jogo mais profíquo do ponto-de-vista atacante, sem arriscar partir o jogo e expor tanto a sua linha defensiva.

 

Geraldes é um jogador cerebral, que procura a bola cirurgicamente para depois produzir um último passe. Outro dos problemas da equipa, este ano, tem sido a perda de criatividade e de soluções de passe mais à frente, quando Bruno Fernandes recua no terreno. Os desequilíbrios ficam exclusivamente entregues a Gelson e todos os adversários já se aperceberam disso. Francisco resolveria facilmente este problema e, na minha opinião, poderia jogar sempre como titular nas partidas em Alvalade (recuando BF), partindo do banco, em alternativa a Battaglia, nas partidas fora de casa, não descurando o facto de, dada a necessária rotação da equipa e descanso de alguns jogadores nucleares, poder substituir o próprio Bruno Fernandes como "10", num sistema de 4-3-3, com William e Battaglia por detrás.

 

Em conclusão, nunca contaria com Geraldes para ser um "8", mas jamais o teria descartado aquando da elaboração do plantel para a época de 17/18. 

franciscogeraldes.jpg

 

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