Ele, uma vez mais. Cristiano Ronaldo foi decisivo ao marcar o golo do desempate e da vitória por 2-1 da selecção nacional contra a Alemanha. Golo que nos coloca na final da Liga das Nações, competição que já vencemos em 2019. Falta saber se defrontaremos Espanha ou França na final de domingo.
Com este golo, apontado aos 68', CR7 confirmou a sua extrema utilidade, aos 40 anos e quatro meses. Os imbecis do costume dizem que "está velho". Andam a uivar isso há uma década.
Foi o seu sétimo golo nesta campanha. O seu golo n.° 937 (irá ultrapassar os mil) como futebolista profissional. O seu golo n.° 137 com a camisola das quinas, que já envergou em 220 partidas. Mais do que os golos somados de Pauleta, Eusébio e Figo, os senhores que se seguem na lista dos artilheiros. Números galácticos.
Proeza maior ainda por termos jogado em Munique, no país da selecção adversária. Há 40 anos que não vencíamos na Alemanha - desde o célebre golo de Carlos Manuel em Estugarda que nos carimbou o acesso ao Mundial do México.
Ontem conseguimos a reviravolta depois de a turma germânica abrir o marcador, aos 48', por Wirtz.
Eles estiveram em vantagem durante um quarto de hora até surgir o empate, aos 63', por Francisco Conceição num forte pontapé de meia distância - golaço a fazer lembrar o de Carlos Manuel em 1985, precisamente.
Houve o dedo do seleccionador neste triunfo. Roberto Martínez leu bem o jogo, injectando adrenalina na nossa equipa com três substituições simultâneas: João Neves por Nelson Semedo, Trincão por Conceição e Ruben Neves por Vitinha. A tripla mudança resultou: foram mesmo trunfos.
Ao sair por sua vez, no minuto 90' (dando lugar a Palhinha), Ronaldo foi brindado com merecida ovação dos milhares de portugueses nas bancadas - e também de largas centenas de alemães.
Notas muito positivas para Diogo Costa (impediu golos aos 19' e 21'), Nuno Mendes, Pedro Neto, Conceição e Vitinha. Além dos "nossos" Bruno Fernandes e CR7, naturalmente. No fim, andámos sempre mais próximo do terceiro do que a Alemanha de chegar ao empate. Ter Stegen negou golos a Diogo Jota (89') e Bruno Fernandes (90'+5).
O meu caloroso e prolongado aplauso aos bravos heróis de Munique. Agora que venha a final.
Como jogaram há quatro dias os jogadores portugueses contra a selecção da Geórgia na nossa derrota em Gelsenkirchen por 0-2:
Diogo Costa. Infeliz. Sem culpa nos dois golos sofridos. No primeiro, traído pela defesa, nada pôde fazer. O segundo foi de penálti: esteve quase a defendê-lo.
António Silva. Inepto. Responsabilidade clara nos dois golos. "Assiste" o adversário no primeiro (2'), comete penálti que deu o segundo (43'). Enterrou a equipa.
Danilo. Imóvel. Com Pepe poupado, não foi o patrão de que a defesa precisava. Ficou a "marcar" com os olhos no primeiro golo, sem ir à dobra.
Gonçalo Inácio. Insípido. Não foi por ele que perdemos. Mesmo assim, a sua prestação soube a pouco nesta sua estreia a titular no Euro 2024.
Dalot. Indolente. Um dos responsáveis pela fraca dinâmica da selecção. Incapacidade evidente de progressão com bola. Acordou tarde: quase marcou aos 90'+4.
Palhinha. Intenso. Excelente passe para CR7 aos 35'. Fez a bola roçar o ferro com remate forte (43'). Saiu ao intervalo, de forma surpreendente: estava a ser um dos melhores.
João Neves. Inquieto. Não fez esquecer o ausente Vitinha, longe disso. Duas boas recuperações. Fez atraso de risco no lance que culminou no penálti.
Francisco Conceição. Insatisfeito. Talvez o melhor (o menos mau) dos nossos. Deu sensação de golo ao rematar à malha externa (28'). Tentou bastante, conseguiu nada.
Pedro Neto. Inconsequente. Viu amarelo aos 44' por simulação. Quase marcou de canto directo (45'+2). Desperdiçou sucessivos cruzamentos na segunda parte.
João Félix. Incapaz. O seleccionador imagina-o como segundo avançado, útil entre linhas. O suplente de Yamal no Barcelona não conseguiu ser nada disso.
Cristiano Ronaldo. Inconformado. Quase marcou, num tiro de livre directo, aos 17'. Derrubado na grande área (28'), viu amarelo por protestos. Rondou o golo aos 47'.
Rúben Neves. Inútil. Inexplicável, a troca de Palhinha por este médio sem chama que jogou todo o segundo tempo. Aos 53', viu o amarelo. Teve sorte: arriscou o segundo aos 65'.
Nelson Semedo. Intranquilo. Só substituiu Silva aos 63'. E entrou com nervos em excesso. Esteve a centímetros de marcar aos 90'+1: in extremis, o guardião evitou o golo.
Gonçalo Ramos. Invisível. Um mistério, ter entrado aos 63' para render Ronaldo quando perdíamos por dois golos. Falhou escandalosamente emenda à boca da baliza (90'+3).
Diogo Jota. Irrelevante. Substituiu o errático Pedro Neto aos 75'. Teve muito menos tempo, é certo, mas foi incapaz de mostrar melhor.
Matheus Nunes. Incipiente. Entrou só aos 75', rendendo João Neves. Em estreia num Europeu. Podia ter marcado num remate forte aos 89', mas a pontaria não estava afinada.
Bernardo e Cristiano nunca deram descanso à defesa adversária: foram recompensados
Em 1984, quando chegámos ao pódio no primeiro Europeu em que participámos, começámos com um empate a zero contra a Alemanha. Em 2004, quando nos sagrámos vice-campeões, o início foi pior: derrotados pela selecção grega. No Euro-2016, que vencemos, o desafio inaugural acabou empatado 1-1 com a Islândia.
Desta vez começámos melhor, bem melhor. Em Leipzig, debaixo de chuva, com milhares de portugueses nas bancadas. Derrotando a República Checa (agora denominada Chéquia) no nosso encontro de abertura do Grupo F deste Campeonato da Europa que se desenrola na Alemanha. Jogo quase de sentido único contra uma selecção que chegou a defender com nove: ao intervalo, que terminou 0-0, tínhamos 73% de posse de bola e os checos nem uma oportunidade haviam conseguido. Ao contrário da equipa das quinas, em duas ocasiões, por Cristiano Ronaldo (32' e 45').
Contra a corrente de jogo, num rara incursão ofensiva, a turma adversária marcou após mau alívio de Pepe (62'). Roberto Martínez refrescou o onze português trocando o apagado Dalot por Gonçalo Inácio e o trapalhão Rafael Leão por Diogo Jota.
Deu certo. Aos 69', após forte cabeceamento de Nuno Mendes (um dos melhores em campo), o central checo Hranac fez autogolo, marcando com a canela. Continuámos a pressionar, indiferentes à chuva que caía. Aos 87', CR7 rematou ao ferro e na recarga Jota meteu-a lá dentro. Mas não valeu: houve fora-de-jogo milimétrico de Ronaldo.
Faltava pouco para terminar, mas Martínez não se conformou: nova troca de jogadores. Semedo rendeu Cancelo, Nuno Mendes cedeu vez a Pedro Neto e um extenuado Vitinha (excelente exibição também) deu lugar a Francisco Conceição.
Decorria o minuto 88. Voltou a dar certo.
Quatro minutos depois, a dois do apito final: a sorte sorriu ao seleccionador, à equipa nacional e a todos quantos puxamos por ela: rápida incursão de Neto pelo flanco esquerdo, cruzamento para o coração da área, a bola pinga com a defesa checa aos papéis e Francisco Conceição - dando o melhor uso aos três anos de aprendizagem na Academia de Alcochete - finalizou de modo irrepreensível, selando o triunfo.
Este já ninguém nos tira. Esta alegria já ninguém nos rouba num jogo em que concretizámos 74 ataques e 19 remates: fomos a equipa com maior posse de bola na primeira jornada deste Europeu.
Péssima noite para as aves agoirentas que cá no burgo já vaticinavam o nosso desaire, como se tivessem vergonha da nacionalidade portuguesa.
Azaradas criaturas: durante um par de dias vão perder o pio. Tomem Kompensan.
Assinalado com a bolinha vermelha está Conceição, Francisco Conceição.
Está a violar a área?
Está.
O "penalty" deveria ter sido repetido?
Devia.
As imagens são claras?
São.
Como é que os quatro árbitros no campo e os dois do VAR não conseguiram ver a ilegalidade, não sei, provavelmente, da mesma forma que não viram o pisão de Tecatito Corona, ver, viram; não quiseram ver.
(O título do "post" é o nosso menino, pois a formação de Francisco foi feita no Sporting, vi-o jogar com onze, doze anos no torneio da Pontinha, já nessa altura se adivinhava o grande jogador que é)
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