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És a nossa Fé!

França, Inglaterra e Itália na mó de baixo

Liga das Nações é tomba-gigantes

 

A França, sem conseguir uma só vitória em quatro jogos, foi derrotada em casa pela Croácia e sai da Liga das Nações, sem conseguir defender o título.

 

A Inglaterra, derrotada por 0-4 pela Hungria em casa, arrisca-se a descer de divisão: segue em quarto e último lugar no seu grupo.

 

A Itália campeã europeia, goleada pela Alemanha, vê o apuramento para a fase seguinte cada vez mais difícil: segue em terceiro, com apenas cinco pontos.

 

Factos que deixo à consideração daqueles que passam o tempo a denegrir a selecção portuguesa, quase parecendo que preferem sempre vitórias estrangeiras. Não imagino porquê.

 

A Dinamarca está de volta?

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Provavelmente.

É um gosto ver Casper na baliza dinamarquesa, é uma alegria ver uma equipa que não se rende, nem joga para empatar. 

O triunfo, a sério, da Dinamarca no Stade de France, ontem, recordou-me a fantástica armada viking do europeu de 1984, Laudrup, Arnesen, Olsen e com o poderoso avançado Elkjaer Larsen.

Larsen que depois se mudaria para a amena Verona, com o sol quente, a cerveja fresca (muita), uns cigarros para assentar e uma eficácia enorme na hora de rematar para golo, conseguiu guiar o clube da cidade a um inédito título de campeão.

O melhor prognóstico

Parabéns, embora com algum atraso, ao nosso leitor Leão de Queluz. Por ter acertado não só no resultado do França-Portugal (2-2), mas também em Cristiano Ronaldo como marcador de um dos golos (acabaria por marcar os dois).

Já quanto ao Bélgica-Portugal (1-0), que ditou o nosso afastamento prematuro deste Europeu, ninguém acertou. O que não surpreende.

Entra portanto esta rubrica do nosso blogue em gozo de férias. E regressa a tempo do desafio da Supertaça.

A ver o Europeu (22)

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ADEUS FRANÇA, ADEUS CROÁCIA

Depois do campeão europeu, também o campeão do mundo e o vice-campeão mundial caíram neste Euro-2021, ficando-se pelos oitavos-de-final. Comprovando que a realidade do futebol jogado é muito mais complexa do que as teorias de café ou de sofá.

Este foi um dia de festa para o futebol. Um dia em que se marcaram 14 golos, em Bucareste e Copenhaga.

Um dia com dois jogos de resultado incerto até ao fim. 

 

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Um desses desafios, o França-Suíça, só ficou decidido após o prolongamento, por pontapés de grande penalidade: persistia o 3-3 aos 90 minutos. Aqui a sorte sorriu aos suíços, que aliás fizeram por merecê-la: no momento decisivo, o do quinto penálti, um dos melhores jogadores do mundo, Mbappé, permitiu a defesa de Sommer, esta noite com uma exibição de luxo na capital romena.

O resultado foi oscilando. A Suíça marcou primeiro, por Seferovic, fixando o resultado ao intervalo. No recomeço, os suiços tiveram uma flagrante oportunidade de ampliar a vantagem para 2-0. Mas o lateral Ricardo Rodríguez, chamado a converter, viu a bola ser travada pelo experiente Lloris.

A França embalou então para a reviravolta. Com dois golos em dois minutos apontados por Benzema, regressado após cinco anos fora da selecção, e um monumental golo de Pogba - desde já candidato a um dos mais belos do torneio. Estavam decorridos 75', os franceses venciam 3-1, o desfecho parecia garantido. Mas houve combate até ao fim: Seferovic marcou o segundo aos 81' e Gavranovic fixou o empate aos 90'. Confirmando que o futebol pode ser um dos espectáculos mais emocionantes do mundo. 

Destaque na Suíça - além dos jogadores já mencionados - para o médio defensivo Xhaka, jogador do Roma, e o excelente ala esquerdo Zuber, do Eintracht Frankfurt. Merecem esta passagem da Suíça aos quartos-de-final, o que acontece pela primeira vez num Europeu.

 

França, 3 - Suíça, 3 (vitória suíça 5-4 no desempate por penáltis)

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Emocionante também o Croácia-Espanha, disputado a meio da tarde na capital dinamarquesa. Com um lance caricato do guarda-redes Unai Simón, que aos 20' deixou a bola atrasada por Pedri encaminhar-se lentamente para o interior da baliza, tentando pontapeá-la sem conseguir. Uma cena digna dos "apanhados".

Mas Sarabia - médio do PSG, um dos melhores em campo - repôs a igualdade aos 38'. Depois do intervalo, os espanhóis carregaram no acelerador e viram-se recompensados com dois golos - de Azpilicueta (57') e Ferran Torres (76'). O triunfo parecia garantido no tempo regulamentar, mas era engano: a Croácia conseguiu repor o empate. Com golos de Orsic (construído por Modric) aos 85' e de Pasalic aos 90'+2.

Foi-se para prolongamento, com vários jogadores à beira da exaustão. Aqui foi Morata - o patinho feio da selecção espanhola - a fazer a diferença, marcando o quarto da sua equipa, aos 100'. Belíssimo golo: recebeu a bola em zona frontal com o pé direito e rematou forte com o esquerdo. Oyarzabal confirmaria o triunfo aos 103'.

Mas os croatas, vice-campeões mundiais, não baixaram os braços. Saem de cabeça erguida: lutaram até ao fim. Confirmando que este dia merece ficar inscrito na história do futebol.

 

Croácia, 3 - Espanha, 5

O dia seguinte

Foi realmente uma noite de sofrimento e prazer a de ontem, que tive a ocasião de partilhar algures no Minho com um conjunto de amigos do desporto, na maioria Sportinguistas.

Por um lado havia o desafio que estávamos a ver, mas por outro o que não víamos mas que ouvíamos pela voz dum mais atento ao telemóvel e do qual só se ouviam más noticias.

E o que estávamos a ver durante muito tempo não servia para nada tendo em consideração o que se estava a ouvir.

E tudo acabou por correr "à Fernando Santos". Duas equipas bem encaixadas, uma mão bem na testa, outra mão no avançado que se isola, outra mão na bola, mais outra mão a desviar a bola para o poste, empate e não se fala mais nisso.

Claro que a equipa melhorou, mas pior do que contra a Alemanha era difícil, e no final tudo óptimo, fomos os únicos a ganhar à Hungria e por números que nos garantiram o apuramento, vamos apanhar um daqueles bons fregueses que se fartam de jogar na primeira fase e logo vão para casa satisfeitos, isto está a compor-se...

 

PS: Palhinha: calma, calma, rapaz... vem aí a Champions... 

A ver o Europeu (19)

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MISSÃO CUMPRIDA: VENHA A PRÓXIMA

Missão cumprida. Conquistámos ontem o quarto ponto no nosso Grupo F - mais um do que na mesma fase do Europeu de 2016. Desta vez empatando com a França em Budapeste, num início de noite muito quente e num estádio Puskás a transbordar de espectadores. Transitamos assim para os oitavos-de-final, a disputar domingo contra a Bélgica. Superando um grupo mais difícil do que aquele em que estivemos inseridos há cinco anos.

Neste desafio contra a selecção campeã do mundo e vice-campeã da Europa, em que fomos a melhor equipa no primeiro tempo, o golo inicial foi nosso. Marcado pelo suspeito do costume: Cristiano Ronaldo, que há dias se estreou como goleador contra a Alemanha e agora repetiu a proeza frente à França. Penálti muito bem convertido, aos 30', castigando derrube de Danilo pelo guarda-redes Lloris, incapaz de travar o pontapé certeiro de CR7.

 

Fernando Santos fez duas mudanças no onze titular: deixou de fora William e Bruno Fernandes, fazendo entrar João Moutinho e Renato Sanches. A equipa ganhou dinâmica e consistência com estas trocas. Ao contrário do que sucedera contra a Alemanha, equilibrámos o meio-campo e fechámos os corredores. Melhorou o jogo colectivo e diminuíram muito os erros individuais: desta vez não houve autogolos (como os de Rúben Dias e Raphael Guerreiro) nem elementos passivos na organização defensiva (como aconteceu com Rafa, transformado em medíocre espectador do quarto golo alemão).

Era dia de efeméride: fez ontem 37 anos que as duas selecções se haviam defrontado na meia-final do Europeu de 1984, ingloriamente perdida (2-3) pela equipa das quinas já no prolongamento, com dois golos do saudoso Rui Jordão. Mas não estava escrito nas estrelas que a história iria repetir-se. Desta vez registou-se um empate a duas bolas. Com Cristiano e Benzema, antigos companheiros do Real Madrid, a bisarem - cada qual para seu lado. Três dos golos resultaram de penáltis. CR7 no momento já mencionado e aos 60'. O francês, mesmo ao terminar a primeira parte (45'+2) e logo no recomeço (47'), desta vez em lance de bola corrida.

 

Melhores em campo?

Do nosso lado, uma vez mais, Cristiano Ronaldo: já fez cinco golos em três jogos, lidera a lista de artilheiros do Europeu e acaba de igualar o iraniano Ali Daei como rei dos goleadores da história do futebol ao nível das selecções (109, no total). Também superou o alemão Klose como goleador n.º 1 em fase finais de Mundiais e Europeus (soma agora 20).

Mas também Rui Patrício, gigante na baliza lusitana: protagonizou aquela que é até agora a melhor defesa deste Euro-2021, aos 68', desviando um tiro de Pogba e travando logo de seguida um pontapé de recarga. Confirma-se, onze anos depois: continua imprescindível como titular nesta posição.

Destaque igualmente para Renato Sanches, o melhor dos nossos médios ofensivos, justificando a condição de titular. E para o nosso João Palhinha, que jogou toda a segunda parte como médio defensivo com o mesmo grau de eficácia que bem lhe conhecemos do Sporting.

 

O seleccionador promoveu as mudanças adequadas. Viria a trocar Bernardo Silva por Bruno Fernandes, Moutinho por Rúben Neves, Nelson Semedo por Diogo Dalot (em estreia absoluta pela selecção nacional) e Renato Sanches por Sérgio Oliveira. Sempre com o objectivo - em grande parte conseguido - de nunca perder o controlo do meio-campo. Isto explica o facto de raras vezes os astros da selecção gaulesa (Mbappé, Dogba, Griezmann) terem conseguido criar desequílibrios. 

Balanço provisório: já cumprimos os mínimos. Oito presenças consecutivas em campeonatos da Europa, oito qualificações para os jogos a eliminar. Com um aliciante suplementar: desde 1996 que não marcávamos dois golos à selecção francesa.

Conclusões? Palhinha merece ser titular, Renato também. Dalot (52.ª estreia na selecção A promovida por Fernando Santos) justificou a convocatória de emergência, por João Cancelo ter testado positivo à Covid-19. Sérgio Oliveira merece igualmente nova oportunidade. E vai sendo tempo de apostar enfim em Pedro Gonçalves: o melhor marcador do campeonato português não pode continuar de fora.

 

França, 2 - Portugal, 2

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Brilhou entre os postes ao defender um remate que levava selo de golo, disparado aos 68' por Pogba. Já tinha confirmado estar na sua melhor forma aos 16', quando impediu Mbappé, isolado, de rematar com êxito. Um baluarte do onze nacional.

 

Nelson Semedo - Fez a sua melhor partida do Euro-2021 neste confronto com os campeões do mundo. Sem as falhas posicionais que havia revelado no jogo contra a Alemanha. Tinha missão difícil: cumpria-lhe policiar o irrequieto Mbappé. Foi bem-sucedido. Saiu lesionado aos 79'.

 

Pepe - Outra missão de enorme desgaste. Mas o internacional de 38 anos, campeão europeu, não virou a cara à luta neste dia em que cumpriu a 118.ª internacionalização. Mostrou-se atento às movimentações de Benzema. Bom nos passes longos. Terminou o jogo exausto.

 

Rúben Dias - Discreto. Não complicou nem procurou inventar. Mas aos 47' cometeu um deslize que nos saiu caro: deixou Benzema ganhar posição e rematar com sucesso, fazendo o segundo golo dos franceses. Tarda em mostrar o que vale neste Campeonato da Europa.

 

Raphael Guerreiro - Tinha ordem para subir pouco pela sua ala e seguiu à risca a orientação do seleccionador. Aventurou-se só pelo seguro, evitando abrir clareiras no flanco esquerdo. Melhor momento, aos 49': um passe teleguiado para Cristiano Ronaldo, que o capitão desperdiçou.

 

Danilo - Boa primeira parte, desta vez actuando sozinho à frente da nossa linha defensiva. Cumpriu a tarefa com zelo e determinação. E até ousou incursões às linhas avançadas. Num desses lances levou uma cotovelada de Lloris que gerou penálti e o forçou a abandonar o jogo.

 

João Moutinho - Novidade no onze titular português sete jogos depois, substituindo William. Deu segurança ao meio-campo, assegurando ligação à linha ofensiva. Tentou sem êxito, por duas vezes, o remate de meia-distância. Falta-lhe condição física para durar 90': saiu ao minuto 73.

 

Renato Sanches - Desta vez foi titular, chamado a render Bruno Fernandes. Aposta certeira de Fernando Santos: o médio ofensivo do Lille merece alinhar de início. Dinâmico, combativo, recuperou bolas, acelerou o jogo, deu luta constante a Kanté, seu adversário directo. Saiu aos 87'. 

 

Bernardo Silva - Melhorou um pouco relativamente à partida anterior, mas continua sem justificar a presença no onze titular. Isolado em posição frontal, falhou o ataque à baliza aos 41'. Bateu muito mal um livre aos 63', atirando-a para fora. Saiu aos 72'. Merece ficar no banco. 

 

Diogo Jota - Demasiado discreto, parecendo fatigado, o avançado do Liverpool perdeu uma oportunidade de se mostar em grande nível com a camisola da selecção. Conduziu bem um ataque aos 42'. Constantes trocas posicionais com Cristiano. Foi-se apagando sem tentar o golo.

 

Cristiano Ronaldo - Novamente o homem do jogo. Sem vacilar na marca dos 11 metros, marcou duas vezes de grande penalidade - uma das quais ocorrida quando protagonizava um lance de ataque junto à linha de fundo. Com a energia habitual, destacou-se até em missões defensivas. 

 

Palhinha - Tardou, mas apareceu. E merece ficar no onze titular. Fernando Santos chamou-o ao intervalo para render Danilo, lesionado. O campeão nacional cumpriu com distinção. Na recuperação, no desarme, no passe de ruptura. Dois carrinhos consecutivos aos 71'. Excelente.

 

Bruno Fernandes - Só entrou aos 72', rendendo Bernardo Silva. Continua muito longe do fulgor a que nos habituou no Sporting e no Manchester United. Perdeu bolas aos 89' e aos 90'. Fez um corte temerário aos 90'+2 que deu a sensação de poder gerar penálti. Tem decepcionado.

 

Rúben Neves - Em campo desde o minuto 73, com a missão de substituir João Moutinho, cumpriu no essencial. Pausando o jogo, segurando a bola, ligando sectores, transmitindo tranquilidade numa altura em que a equipa precisava dela. 

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta na selecção A do ex-defesa portista, recém-sagrado vice-campeão europeu sub-21. Entrou aos 79' para o lugar de Nelson Semedo, preenchendo a lateral direita, e cumpriu no essencial.

 

Sérgio Oliveira - Último a entrar em campo, estavam decorridos 87'. Rendeu Renato Sanches, já muito desgastado, e teve como missão essencial contribuir para fechar o nosso corredor central. Assim aconteceu.

A ver o Europeu (18)

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AS AVES AGOIRENTAS VOAM PARA SEVILHA

Quando Portugal venceu a Hungria, no nosso jogo inaugural do Campeonato da Europa, logo houve quem se apressasse a desvalorizar esta vitória dizendo e escrevendo que tínhamos derrotado "a equipa mais fraca" do certame. 

Eis a mentalidade tuga no seu pior. A vontade de deitar abaixo é tanta que nunca falta quem invente pretextos para transformar vitórias em empates ou até em derrotas. 

Afinal mais ninguém foi capaz de derrubar a Hungria. A França, campeã do mundo, empatou com eles. A Alemanha, anterior campeã mundial, também não conseguiu melhor do que um empate frente aos húngaros, apesar de actuar em casa: na partida que terminou há pouco, a selecção magiar deu luta aos alemães até ao fim. E só fica pelo caminho por ter tombado contra nós no primeiro jogo.

As aves agoirentas andam com azar. Agora terão de esvoaçar até Sevilha: é lá que a selecção nacional vai disputar os oitavos-de-final do Euro-2021. Desta vez contra a Bélgica, n.º 1 do ranking da FIFA. Jogo a jogo, como Rúben Amorim tão bem nos ensinou.

 

ADENDA: A Dinamarca chega aos oitavos com duas derrotas em três jogos. E a Inglaterra é apurada tendo marcado apenas dois golos - menos cinco do que Portugal.

Prognósticos antes do jogo

A França entra hoje em campo já com o apuramento garantido para os oitavos-de-final do Campeonato da Europa, mas não contemos com facilidades: é natural que a turma gaulesa, que perdeu connosco a final do Euro-2016, queira a desforra. E não deixará os créditos por mãos alheias, com tantos craques à disposição: Pogba, Mbappé, Griezmann, Benzema, Lloris, Varane, Kanté, Giroud, Dembélé.

Mais logo, a partir das 20 horas, vão portanto defrontar-se em Budapeste a selecção campeã da Europa (a nossa) e a selecção campeã mundial (França). Confronto de gigantes. Tudo pode acontecer, desde o nosso primeiro lugar no Grupo F até à eliminação. Podendo um empate bastar para rumarmos aos oitavos - ou até uma derrota tangencial, isso já depende das contas. Porque à mesma hora disputa-se o Alemanha-Hungria. Em Munique, vantagem competitiva da turma germânica, que tem actuado sempre em casa.

Quais são os vossos prognósticos para este Portugal-França?

A ver o Europeu (15)

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LEWANDOWSKI, GRIEZMANN, GREALISH

Queixamo-nos - e com razão - da nossa exibição de ontem contra a Alemanha. Pois os espanhóis estão pior que nós: dois jogos, apenas dois pontos. Só um golo marcado até agora. Empataram a zero com a Suécia e ontem registaram novo empate (1-1), desta vez contra a Polónia.

Em alta competição, não se pode falhar nos momentos decisivos. Morata, que já tinha desperdiçado uma oportunidade soberana na partida inaugural, ontem voltou a ser protagonista pela negativa. Aos 83', assistido por Sarabia, foi incapaz de a meter lá dentro. É verdade que foi ele a marcar o golo solitário dos espanhóis, aos 25', mas soube-lhes certamente a pouco. E os adeptos do país vizinho não lhe perdoam decerto ter falhado a recarga após uma grande penalidade que Moreno - também pouco inspirado - dirigiu ao poste, aos 58'.

A Polónia arrancou um precioso ponto (primeiro até agora) graças ao talento ímpar de Lewandowski, que marcou de cabeça aos 54'. O seu primeiro neste Euro-2021. E ainda - já no segundo tempo - registou a estreia do mais jovem jogador de sempre num Campeonato da Europa: o jovem Kacper Kozlowski, com apenas 17 anos e 245 dias.

A selecção polaca, comandada pelo nosso Paulo Sousa, viu-se muito pressionada no primeiro tempo desta partida, disputada em Sevilha. Mas a etapa complementar foi equilibrada: o resultado acabou por ser justo. Agora fazem-se muitas contas no Grupo E, que a Suécia comanda com 4 pontos (venceu anteontem a Eslováquia por 2-1).

 

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Quem disse que a Hungria é a pior selecção deste Europeu? Tal dislate, papagueado após Portugal a ter derrotado na primeira ronda, ficou ontem desmentido no empate imposto pelos húngaros à França, campeã mundial, com a Arena Puskás repleta de adeptos a puxarem pelo onze da casa. 

Os franceses dominaram - uma vez mais com Pogba e Mbappé como motores do ataque. Mas foram os húngaros a adiantar-se no marcador, aos 45'+2, com um grande golo de Attila Fiola. Havia cinco jogos que a selecção gaulesa mantinha as suas redes intactas.

O empate surgiu aos 56', num grande trabalho colectivo da selecção azul: o veterano guardião Lloris repôs muito bem a bola num passe longo, seguiu-se uma grande movimentação de Mbappé e o remate forte e bem direccionado de Griezmann a metê-la lá dentro. O avançado do Barcelona, que foi o rei dos marcadores no Euro-2016 (com seis golos), estreou-se agora como artilheiro neste confronto em Budapeste. Mas foi insuficiente para desfazer o empate. 

Os franceses farão tudo para vencer Portugal na quarta-feira: só assim confirmarão o passaporte para os oitavos.

 

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Se houve jogo que merecia golos, foi o Inglaterra-Escócia, disputado sob chuva intensa em Wembley, na sexta-feira. 

Foi um jogo disputadíssimo. Não faltou caudal ofensivo de parte a parte. Os escoceses parecem ter surpreendido os ingleses, que não vencem um grande torneio desde o Mundial de 1966. Kane, o rei dos avançados da selecção inglesa, continua em branco neste Europeu. 

Do lado da Escócia, realço as exibições de Billy Gilmour, Callum McGregor e Stephen O'Donnelll (que quase marcou na primeira parte). Pelos ingleses, merece destaque Grealish, que entrou talvez demasiado tarde (63'): tecnicista requintado, venceu todos os confrontos individuais. Também gostei de Rashford, que rendeu Kane aos 74': a partir daí, o corredor direito foi todo dele. 

Mas não bastou aos ingleses para conseguirem mais do que um ponto. E a Escócia foi até a selecção com mais remates, algo que poucos imaginariam antes do jogo.

 

Espanha, 1 - Polónia, 1

Hungria, 1 - França, 1

Inglaterra, 0 - Escócia, 0

Hungria, Alemanha e França...

... são os adversários de Portugal na fase de grupos deste Campeonato Europeu.

 

Ontem, enquanto defrontávamos a Hungria, que acabámos por vencer, num jogo "sem genica" - como disse Pedro Oliveira – pensava nos nacionais deste país que passaram pelo Sporting. Tenho memória de dois, ambos guarda-redes: Ferenc Mészáros (campeão em ’82) e Béla Katzirz, que não teve tanto êxito como o primeiro e que nos representou entre 1983 e 86.

Um outro, faleceu tinha eu poucos meses, figura nas páginas maiores da história do nosso clube: Joseph Szabo.

 

Da França, houve vários, alguns dos quais ainda com vínculo contratual com o nosso clube, porém ocorre-nos a todos o nome maior de Jérémy Mathieu, que poderia muito bem ter feito o gosto ao pé alguns minutos esta época e ter saído com o título de campeão – como mereceria.

 

Da Alemanha:

Vou pedir ajuda, pois não me ocorre o nome de nenhum jogador natural deste país que tenha vestido a nossa camisola.

Alguém ajuda?

A ver o Europeu (11)

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DUELO DE GIGANTES

A França, campeã do mundo, demonstrou ontem ser talvez a mais forte candidata à conquista deste Europeu impondo-se perante um adversário directo no Grupo F, o mesmo de Portugal: a Alemanha (vencedora de quatro Mundiais e três Europeus) foi derrotada, mesmo jogando em casa. Perdeu por um, mas podia ter perdido por dois ou três. O resultado foi lisonjeiro para a selecção germânica, anterior detentora do título mundial. 

Podem os alemães queixar-se de falta de sorte nesta partida em Munique? Sim. O golo solitário dos franceses, aos 20', foi marcado na própria baliza por Hummels, um dos melhores centrais do futebol europeu. Mas o comando da partida - quer na fase de aceleração, quer na fase de temporização - coube sempre aos gauleses, com uma exibição superlativa de Pogba, o melhor em campo, distribuindo jogo.

Num destes lances, aos 85', o médio do Manchester United fez um passe de ruptura a Mbappé, que assistiu o reaparecido Benzema, mas o golo foi anulado por deslocação. O próprio Mbappé, aos 66', festejara um golo que o vídeo-árbitro invalidou também por fora-de-jogo. E vira Neuer, com a defesa da noite, impedir que marcasse logo aos 17'.

Impondo o seu colectivo muito sólido, a selecção gaulesa teve no jovem avançado do PSG outra figura em destaque. Na hora de cerrar fileiras, estacando a reacção germânica, não houve vedetismos: um dos mais envolvidos na manobra defensiva, foi Griezmann - melhor marcador do Euro-2016, com seis golos.

A selecção alemã - na qual se destaca Kroos, ainda patrão do meio-campo - parece acusar excesso de fadiga física. Depois deste jogo, denotará também cansaço psicológico. É uma boa notícia para Portugal: vamos defrontá-la no próximo sábado. Sabendo de antemão que estamos qualificados para a fase seguinte, o que nos favorece ainda mais.

 

Alemanha, 0 - França, 1

O FC Porto deve ser proclamado campeão?

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Começa a desenhar-se uma tendência: o coronavírus apressou mesmo o fim das competições futebolísticas europeias.

A 2 de Abril, a liga belga de futebol deixou-se de rodeios e anunciou o fim prematuro da temporada 2019/2020, quando haviam sido disputadas 29 jornadas: o Clube Brugge, que liderava o campeonato com 15 pontos de vantagem, foi declarado campeão, confirmando-se o Gent no segundo posto e consequente entrada na próxima Liga dos Campeões.

A 24 de Abril, foi a vez de a federação holandesa dar por finda a época 2019/2020. Neste caso adoptando um modelo diferente, como eu já tinha anotado aqui: sem atribuição de título de campeão, quando faltavam disputar nove rondas do campeonato. Com Ajax e Alkmaar em igualdade pontual no topo da classificação.

Já ontem, o Governo de Paris dissipou as dúvidas que restavam: o campeonato francês não será retomado, à semelhança de todas as competições desportivas referentes à época 2019/2020. Estádios e pavilhões permanecerão encerrados até Setembro. Não haverá sequer desafios à porta fechada, como a liga francesa de futebol havia sugerido, entre 17 de Junho e 25 de Julho. Ficam por jogar dez rondas, quando o Paris Saint-Germain liderava por larga margem - vantagem de 12 pontos com um jogo a menos - sobre o Marselha, segundo classificado.  

Parece vir a ser diferente o desfecho em países como Alemanha (com o possível regresso do futebol no fim de Maio) e em Espanha (onde as competições talvez possam retomar-se na primeira quinzena de Junho, algo ainda incerto).

Quanto a Portugal, saberemos provavelmente na próxima quinta-feira. Mas nesta fase já poucos se admirarão que as partidas do futebol profissional tenham mesmo chegado ao fim, o que abrirá um rombo financeiro em todos os emblemas desportivos portugueses envolvidos na alta competição.

Como escrevi há mais de um mês no És a Nossa Fé, só antevejo duas opções: ou o FC Porto é proclamado vencedor ou não haverá título de campeão nacional na temporada 2019/2020.

Chegou a altura de vos perguntar qual destes cenários preferem. 

A ver o Mundial (11)

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MODRIC, SIM

 

A malfadada crise no Sporting e as constantes erupções noticiosas provocadas por Bruno de Carvalho fizeram-me prestar muito menos atenção a este Campeonato do Mundo do que eu desejaria. E a ter quase tempo nenhum para escrever sobre os desafios que pude ver.

Acontece que as "minhas" equipas foram ficando pelo caminho. Primeiro, a selecção nacional: tombou nos oitavos-de-final, muito aquém dos pergaminhos que tinha a obrigação de defender enquanto campeã europeia em título.

Depois, a selecção que fez tombar a nossa - o Uruguai de Cavani, Godín, Betancur e Luis Suárez. Infelizmente sucumbiu nos quartos-de-final, frente à matreira França.

Optei então pela Bélgica, cujo futebol tanto me seduziu no Mundial - sobretudo nas partidas contra o Japão (3-2) e o Brasil (2-1), duas das melhores deste certame, onde não faltaram jogos cheios de emoção. Courtois, Chadli, Fellaini, Lukaku, De Bruyne e o sagaz capitão Hazard, entre outros, deslumbraram-me com o seu talento em estado puro, não subjugado ao colete-de-forças dos "imperativos tácticos". Azar: também eles caíram aos pés da manhosa França, na fatídica meia-final em que perderam por 0-1. Valeu-lhes, como consolação, a subida ao pódio após vencerem a sobreavaliada selecção inglesa, no desafio para o apuramento do terceiro lugar (triunfo indiscutível por 2-0).

Hoje, ao cair do pano deste Mundial 2018, torci abertamente pela Croácia - que, a par da Bélgica, apresentou o mais belo futebol exibido nos relvados russos. Com merecidas vitórias sobre a selecção anfitriã (após desempate por grandes penalidades) e a Inglaterra (2-1)

 

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 Luka Modric: aos 32 anos, o melhor jogador do Mundial 2018

 

Na final, os croatas apresentaram-se perante os franceses com menos 24 horas de descanso e um desgaste suplementar causado pelo facto de terem disputado prolongamentos nas três partidas anteriores - o equivalente a 90 minutos extra de jogo.

Com a ajuda de um árbitro sem categoria, que ofereceu à França um livre mais que duvidoso do qual nasceu o primeiro golo, seguido de um penálti que suscita dúvidas, a segunda maior potência económica da eurozona, com 67 milhões de habitantes, venceu a selecção da Croácia, país cuja população pouco ultrapassa os 4 milhões.

Venceu por 4-2, mas não (me) convenceu. O forte desta França - que assim se redime da derrota com Portugal, há dois anos, na final do Europeu - é a organização colectiva. Mas sem nunca ter praticado um futebol digno de incondicional aplauso. É verdade que Griezmann esteve impecável nas bolas paradas, Umtiti e Varane foram sólidos no bloco defensivo, Kanté destacou-se como o melhor médio defensivo do torneio e Pavard foi uma revelação como lateral direito. Mas só Mbappé, a espaços, soube exibir a fantasia criativa de que é feita a verdadeira história dos melhores Mundiais.

 

A Croácia, pelo contrário, perdeu mas convenceu. Como a Holanda de 1974, finalista derrotada. Como o Brasil de 1982, que não passou dos quartos. Como a Holanda de há quatro anos, que se ficou pelo terceiro posto.

Desde logo porque tem nas suas fileiras aquele que foi justamente designado o melhor jogador deste Campeonato do Mundo: Luka Modric.

Capitão, médio criativo, incansável cérebro e pulmão da equipa, inequívoco maestro da combativa selecção croata, que atingiu o melhor resultado de sempre: só por ele, já teria valido a pena ver o Mundial.

 

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Mbappé, melhor jogador sub-20: uma estrela em ascensão

 

Com as grandes estrelas prematuramente afastadas (Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, Lewandowski, Salah, Kroos, James Rodríguez, Iniesta), o croata do Real Madrid emergiu como a grande figura, apesar de ter marcado apenas dois golos (mais dois nas rondas dos desempates por penáltis, frente à Dinamarca e à Rússia).

Tão cedo não nos esqueceremos dele. Tal como de Ratikic, Vida, Perisic, Kovacic e Mandzukic, entre outros.

Quanto a Mbappé, eleito melhor jogador jovem do Mundial 2018, considero que se trata também de um justo galardão. Tem apenas 19 anos, é um futebolista ainda em formação. Merece este incentivo, na expectativa de que no Campeonato da Europa de 2020 possa confirmar os atributos que agora deixou antever. Por mim, aposto nele.

A ver o Mundial (8)

2018-Russia-World-Cup[1].jpg

 

ADIÓS, ARGENTINA

 

Chegámos ao verdadeiro Campeonato do Mundo - aquele em que cada jogo é de tudo ou nada. Aumenta a emoção, redobra o espectáculo, ressurge o genuíno futebol de acelerada rotação em busca da vitória.

Ingredientes bem notórios esta tarde, em Kazan, na partida que opôs a Argentina, finalista vencida do Mundial de 2014, à França, finalista vencida do Europeu de 2016. Talvez a melhor já disputada neste Mundial da Rússia. Com sete golos marcados e uma justa vitória dos franceses, com menos posse de bola mas melhor dispositivo táctico e muito melhor organização colectiva.

 

A selecção gaulesa adiantou-se no marcador logo aos 13', com um penálti convertido por Griezmann: a estrela do Atlético de Madrid não vacilou na linha dos 11 metros. Os argentinos, numa toada lenta e previsível, tardaram a reagir. Foi preciso um lance de inspiração individual para reacender a chama: iam decorridos 41' quando a turma alviceleste empatou, com um fortíssimo remate de Di María, fora da grande área.

Ao intervalo, 1-1: resultado lisonjeiro para os argentinos. Mais ainda contra a corrente do jogo foi o segundo golo da selecção treinada por Jorge Sampaoli, numa jogada de insistência de Messi com a bola a tabelar em Mercado: o lateral do Sevilha, sem saber bem como, viu-a encaminhar-se para o fundo das redes.

A Argentina parecia ter virado o jogo. Mas a partir daí desenrolou-se o espectáculo do futebol francês. Com três grandes golos em 11 minutos. O primeiro aos 57' pelo jovem lateral Pavard, em estreia absoluta na fase final de uma grande competição, com um petardo indefensável a mais de 20 metros de distância da baliza, apanhando a bola no ar,  após cruzamento perfeito de Lucas. O segundo aos 64', por Mbappé, numa movimentação rapidíssima dentro da área, libertando-se das marcações e fuzilando Lloris. O terceiro aos 68', também por Mbappé, coroando um fabuloso lance colectivo que envolveu seis jogadores com a bola ao primeiro toque - destaque para uma diagonal desenhada por Matuidi e para a primorosa assistência de Giroud.

Os argentinos ainda reduziram, no terceiro minuto do tempo de compensação, por Agüero - que ficou no banco, tal como Higuaín, e só entrou aos 66'. Demasiado tarde para discutir o resultado num desafio em que os gauleses se impuseram desde logo pelo seu magnífico trio do meio-campo (Matuidi, Kanté e Pogba).

 

Messi regressa a casa com apenas um golo marcado na Rússia - frente à Nigéria. Hoje ajudou a construir o segundo e assistiu Agüero no terceiro. Fez ainda um grande passe para Pavón, aos 38', no corredor direito. Pouco mais se viu. No confronto com Cristiano Ronaldo, fica desde já a perder.

A França, ao vencer pela primeira vez a Argentina na fase final de um Mundial, transita para os quartos. Os argentinos caíram, imitando os alemães, vencedores do Mundial em 2014 e agora excluídos na fase de grupos pela primeira vez na sua história.

O futebol continua a ser uma caixinha de surpresas. Daí o seu irresistível e perdurável fascínio: ainda permanece sem rival.

 

Argentina, 3 - França, 4

Os trunfos da guerra psicológica

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.

Em duas finais, só Portugal marcou

Alguns continuam a uivar por aí, clamando contra o futebol "defensivo" da selecção nacional. Não sei onde é que esta gente andou nos últimos anos e que espectáculos de futebol a nível de selecções pôde espreitar ultimamente.

Pois eu vi isto: Portugal foi a única selecção que marcou um golo nas duas mais recentes finais entre clubes no futebol de alta competição.

A 27 de Junho, na final da Copa América em que se defrontaram Argentina e Chile, a partida terminou empatada a zero ao fim de 120'. Teve de se recorrer ao desempate por penáltis, com vitória chilena.

A 10 de Julho, na final do Campeonato da Europa, também os franceses ficaram em branco após duas horas de jogo.

Destas quatro selecções, só Portugal marcou. A tal selecção "defensiva" foi capaz de concretizar aquilo que nem a Argentina de Messi nem o Chile de Vidal nem a França de Griezmann fizeram.

A ver o Europeu (15)

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10 de Julho de 2016: nunca mais nos esqueceremos desta data. Portugal chegou onde muito poucos previam, contrariando todos os profetas da desgraça: somos enfim campeões da Europa. O nosso maior troféu de sempre no futebol sénior a nível de selecções. Um troféu com que vários de nós sonhávamos há décadas.

Foi com indescritível alegria que vi o nosso capitão Cristiano Ronaldo acabar de erguer o troféu conquistado com tanto suor e tanto sofrimento pela selecção nacional no Stade de France, silenciando a arrogância, a pesporrência e o chauvinismo gaulês.

 

É uma vitória de Portugal, sim. Mas é antes de mais nada a vitória de um grupo de trabalho muito bem comandado por um homem -  Fernando Santos - que revelou ambição desde o primeiro instante e soube incuti-la na selecção, que jogou unida como raras vezes a vimos, com uma maturidade táctica inegável e um ânimo que não claudicou quando Cristiano Ronaldo se lesionou hoje gravemente num embate com Payet, iam decorridos apenas 8', e deixou de poder dar o seu contributo para esta final, acabando por ser rendido aos 25'.

As lágrimas que lhe caíam pelo rosto enquanto era retirado em maca farão parte a partir de agora da inapagável iconografia do desporto-rei.

 

Com ele em campo tudo teria sido mais fácil. Mas assim provámos à Europa do futebol - e a alguns comentadores portugueses que nunca deixaram de denegrir a selecção durante toda esta campanha europeia - que a equipa das quinas não é só "o clube do Ronaldo". É muito mais que isso. É uma equipa madura, sólida, solidária. Capaz de chegar mais longe do que qualquer outra.

Que o digam os jogadores franceses, que hoje enfrentaram Rui Patrício - para mim o herói do jogo, naquela que foi talvez a melhor exibição da sua carreira como guarda-redes da selecção. E uma dupla imbatível de centrais formada por Pepe e José Fonte. E o melhor lateral esquerdo deste Europeu, Raphael Guerreiro, que disparou um petardo à barra da baliza de Lloris aos 108', naquilo que já era um prenúncio do golo português. E um Cédric combativo, que nunca virou a cara à luta. E um William Carvalho que funcionou como primeiro baluarte do nosso dique defensivo. E um João Mário com vocação para brilhar nos melhores palcos europeus. E um Nani que nunca deixou de puxar os colegas para a frente. E um Éder que funcionou afinal como a mais inesperada arma secreta da selecção nacional, marcando aos 109' o golo que levou a França ao tapete e nos poupou ao sofrimento acrescido das grandes penalidades que já muitos antevíamos.

 

cristiano-ronaldo3[1].jpg

 

Dirão alguns que tivemos sorte, que jogámos feio e jogámos mal: porque haveriam de mudar agora o discurso se não disseram outra coisa durante mais de um mês?

Mas é claramente injusto reduzir a estas palavras e estes rótulos um trabalho iniciado há quase dois anos e que já com Fernando Santos ao leme da selecção registou 14 jogos oficiais - com dez vitórias e quatro empates. Não perdemos uma só partida nesta fase final do Europeu, em que eliminámos a Croácia (uma das selecções apontadas como favoritas antes do torneio), o País de Gales (equipa sensação durante dois terços da prova) e a campeoníssima França, anfitriã e principal candidata à vitória desde o apito inicial do Euro 2016.

Todos os obstáculos foram superados. No momento em que Cristiano Ronaldo ergueu a Taça da Europa perante largos milhares de portugueses em delírio nas bancadas do estádio, estavam vingadas todas as outras vezes em que jogámos bem, jogámos bonito - e regressámos a casa sem troféu algum.

Esse tempo acabou de vez.

 

Ficaram hoje também vingadas as nossas derrotas nas meias-finais do Europeu de 1984 e do Euro 2000, e o nosso afastamento do Mundial de 2006, igualmente nas meias-finais. Sempre contra a França. As tradições existem muitas vezes para isto mesmo: para serem quebradas.

O momento é de celebração nacional, com o campeão europeu mais velho de sempre (Ricardo Carvalho) e o mais novo de sempre (Renato Sanches). Enquanto escrevo estas linhas escuto uma sinfonia de buzinas na avenida onde moro e gente a gritar "Nós somos campeões!"

Muitos dos que buzinam e gritam nem se lembraram de pôr este ano bandeirinhas à janela e não deixaram de lançar farpas sarcásticas ao seleccionador, descrentes das nossas possibilidades de vitória. Nada como um triunfo desportivo para apagar memórias e congregar multidões.

Atenção, porém: ninguém merece tanto celebrar como Fernando Santos e os nossos jogadores. Sim, esta vitória é um pouco de todos nós. Mas é sobretudo deles.

 

Portugal, 1 - França, 0

.................................................

A final

Confesso que nunca pensei que Portugal estivesse em Saint-Denis este domingo, a disputar o título europeu, pela segunda vez, em doze anos. Mas está e a felicidade dos adeptos portugueses já está garantida. Temos ambição de conquistar mais do que o segundo lugar. Ambição aumentada pela pressão que os franceses fazem nos seus media (Pepe e Ronaldo atores ou o futebol nojento) e pelo seu chauvinismo (a vitória estará garantida).

 

A França é uma boa equipa, jogou bom futebol nos últimos dois jogos (não esquecer jogos maus com Roménia, Albânia, Suíça e Rep. Irlanda, potências muito superiores a Islândia, Austria, Hungria ou Croácia) e não tendo nenhum Zidane tem no seu seio bons jogadores como Pogba, Matuidi, Payet ou Griezmann (sabiam que tem um avô português - Amaro Lopes - que jogou no Paços de Ferreira?). Dito isto, não me parece que seja impossível de vencer. Vejamos o possível onze.

 

LLoris (Tottenham) mostrou ontem os seus predicados com defesas que pareciam impossíveis. É um guarda-redes maduro e de grande classe. Na defesa, Sagna (City) e Evra (Juventus) são veteranos mas têm, até aqui, mostrado muita resistência física e grande qualidade de jogo, sendo dos melhores franceses na prova. Ainda assim, o pouco descanso das meias para a final pode se decisivo. No centro, onde já não estavam Mathieu (Barcelona), Zouma (Chelsea) e Varane (Real Madrid) antes do Euro, deixou de estar Rami (Sevilha). A dupla tem sido Umtiti (Lyon, já prometido ao Barcelona) e Koscielny (Arsenal), pilar do setor. Ronaldo poderá aproveitar a pouca experiencia de Umtiti que apesar da qualidade vai apenas a caminho da terceira internacionalização.

 

No meio, Deschamps apostou primeiramente num trio – Kanté (Leiscester), Matuidi (PSG) e Pogba (Juventus) mas nas últimas duas partidas retirou o primeiro e colocou Sissoko (Newcastle) defende bem (era médio defensivo no Toulouse) mas também ataca (tornou-se num quase extremo na Premier League).

 

Na frente está o perigo maior. Giroud (Arsenal) não é nenhum Benzema mas cumpre perfeitamente (a França foi campeã do mundo tendo “cepos” bem piores como Guivarc´h ou Dugarry). Nas alas, Payet, que explodiu para o futebol mundial no West Ham este ano, aos 28 anos e é um perigo na marcação de livres e pela sua velocidade e, claro, Griezmann, o pequeno avançado móvel do Atlético de Madrid que começou mal a prova (suplente no segundo jogo), leva já seis golos e está a dar sequencia à grande época que fez em França. Com Martial (United) encostado pelo selecionador, Coman (Bayern) e Gignac (Tigres) são as armas atacantes que podem sair do banco.

 

Do nosso lado, aposta na continuidade. Patrício na baliza. Cédric, Pepe (espera-se), Fonte e Raphael na defesa. No meio, Danilo esteve muito bem mas William deve regressar. João Mário, Adrien Silva e João Moutinho devem ser o meio-campo (acredito que Sanches não será titular, devendo Santos apostar numa opção mais conservadora num jogo de tantos nervos). Nani e Ronaldo, não avançados que levam três golos cada um, serão os titulares. Sanches e Quaresma são as armas prontas a entrar em campo.

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