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És a nossa Fé!

Formação leva anos a produzir resultados

Texto de João Gil

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Não tenho má impressão genericamente dos treinadores dos escalões de formação do Sporting. Talvez haja um número razoável de jogadores de qualidade insuficiente para as exigências e expectativas que hoje pomos à equipa principal. A política de aceleração da formação dos melhores pondo-os a competir em escalões acima da sua condição técnica, física e idade tem os seus quês. Correr o risco de deixar cair a equipa B e fazer regredir jogadores poderia ser fatal para os próximos anos. Acho que o Sporting deve ter muito cuidado com isso. Talvez repensar o investimento nos sub-23 fizesse sentido. Esta competição é um beco sem saída desportiva para os clubes e serve para empregar em quantidade.

Vejo vários bons jogadores nos juniores e na equipa B, tal como nos juvenis. Nem todos vão chegar à equipa principal, mas vários têm condições para isso. Com uma década de formação no Sporting e que chegaram à equipa A com regularidade e solidez competitiva desde Rúben Amorim, temos Palhinha, Bragança, Inácio, Nazinho e Nuno Mendes. É alguma coisa e há mais na calha, como Essugo e um bom punhado de juniores que estão aí a começar a bater à porta da equipa A.

 

Um aspecto que no Sporting talvez seja menos projectado que noutros clubes europeus é a compleição física dos atletas. Hoje, uma equipa de franzinos e baixinhos tem pouca chance de ganhar em competição a doer. Mas também já não há tantos assim nos escalões inferiores. A menos que sejam todos do calibre de Messi (que apesar de baixo é um touro, fisicamente) e no Sporting não se vislumbra um Messi. Ou talvez sim. Por acaso até há um pequenino Messi no Algarve, que se chama Bernardo Bussatori, tem 10 anos e já devia ter um contrato vitalício com o SCP com apoio total aos pais, para que não fuja para mais lado nenhum nos próximos 20 anos.

Temos de esperar para ver e confiar nas pessoas, nas decisões e na política que está a ser seguida.

O trabalho de fundo demora anos a produzir resultados.


PS: Não sei se as equipas secundárias deviam jogar no mesmo modelo da equipa principal. Este varia com o treinador. Hoje está Rúben Amorim e joga-se em 3-4-3, amanhã está outro e o sistema de jogo muda. Não acho isso crítico. Crítico mesmo é perceber qual o modelo de jogador que se procura ter e a detecção, desenvolvimento e fixação dos talentos e dos melhores. Seria bom para o Sporting que Amorim pudesse manter-se no clube pelo menos durante todo o próximo mandato directivo. Porque um jogador a sério é mais que um tipo que sabe dar uns chutos na bola e Amorim sabe tirar-lhes a pinta e enquadrá-los.

 

Texto do leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Simples e claro

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Dortmund-Sporting. Onze titular do Sporting: Diego Callai; Diogo Travassos, Chico Lamba, Emanuel Fernandes, Jacinto Dos Nazinho; Renato Veiga, Miguel Menino, Mateus Fernandes; Diogo Cabral, Skoglund e Lucas Dias

 

No site do Sporting:

Após o jogo com o AFC Ajax, Rúben Amorim deu ainda os parabéns aos juniores do Sporting CP que, nesta terça-feira, garantiram a passagem aos oitavos-de-final da UEFA Youth League ao vencerem o AFC Ajax por 2-3.

“A perderem por 2-0 com o AFC Ajax, que se ganhasse passava, mostraram o mesmo espírito que a equipa principal demonstra. Deram a volta, ganharam e estão qualificados. Estão de parabéns”, disse o técnico verde e branco.

“As equipas B e sub-23 do Sporting CP têm tido uma rotação muito grande porque nós lhes estamos a retirar muitos jogadores e é difícil aos treinadores lidarem com isso. Esta equipa da Youth League de repente ficou sem três jogadores e o Filipe Celikkaya [treinador da equipa B] todas as semanas fica sem jogadores, porque os perde para a Youth League e para a equipa principal. É muito difícil eles criarem uma rotina de treino assim. Portanto, parabéns a eles e parabéns aos miúdos da Youth League”, sublinhou, atirando: “Demonstraram aquilo que o Sporting CP sempre foi e é neste momento”.

“Vou tentar não lhes tirar muitos jogadores, mas não prometo nada. Acho que estamos no bom caminho”, finalizou em tom bem-disposto.

 

Tudo simples e claro. Não há dúvida de que os treinadores das equipas sub-23 e B estão em dificuldades. Os sub-23 não têm conseguido envolver-se na corrida do campeonato e a equipa B ainda está em 10.º de 12 equipas nas respectivas séries da 3.ª Liga a 15 (!) pontos do primeiro, o U. Leiria comandado pelo nosso ex-jogador Bino.

Mas Gonçalo Esteves, Nazinho e Dário Essugo estrearam-se na Liga dos Campeões e, na casa do Ajax e numa equipa de sub-19 construída com alguns jogadores que costumam jogar nos juniores, outros nos sub-23 e outros ainda no B, garantem o primeiro lugar no grupo e a passagem à fase seguinte da Youth League.

É uma mudança de paradigma que é necessário compreender na gestão desportiva de Alcochete: a conquista de títulos na formação passou a ser secundária em relação à formação de jogadores para a equipa principal. 

A questão do futuro desportivo do Sporting B permanece sem solução. A equipa não tem argumentos para lutar pelos primeiros lugares na sua série e está em sério risco de descida, um tema que retomarei no momento oportuno.

 

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SL

O melhor onze da nossa Academia

Há um mês, perguntei aos leitores do És a Nossa Fé quem escolheriam para o melhor onze saído desde sempre da Academia leonina. 

As opiniões aqui emitidas resultaram na seguinte votação:

 

Cristiano Ronaldo 17

Nani 15

Rui Patrício 15

Nuno Mendes 14

João Palhinha 12

Eric Dier 11

Ricardo Quaresma 11 

João Moutinho 9

Cédric Soares 8

William Carvalho 8

Gonçalo Inácio 7

João Mário 5

Adrien Silva 4

Domingos Duarte 4

Ricardo Esgaio 4

Gelson Martins 3

Matheus Nunes 3

Mehri Demiral 3

Rúben Semedo 3

Daniel Bragança 2

José Fonte 2

Miguel Veloso 2

Rafael Leão 2

Ricardo Pereira 2

Daniel Podence 1

Luís Maximiano 1

Mário Rui 1

Nuno Valente 1

 

Perante estas escolhas, a nossa equipa ideal destes últimos 20 anos ficaria assim alinhada:

Rui Patrício; Cédric, Eric Dier, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes; Palhinha, Moutinho, Adrien; Quaresma, Nani e Cristiano Ronaldo.

 

Concordam? Discordam? Que alterações fariam?

Aposta na formação

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Muita coisa que fazer, jogos em dias e horas dos mais diversos, tem sido complicado ver os jogos das equipas secundárias em condições, de forma a ter uma ideia mais precisa do estado da situação no que respeita à formação. E o site do Sporting não ajuda muito, por falta de cuidado na actualização e duma organização orientada ao acompanhamento das equipas. Só o outsourcing técnico não chega, falta quanto a mim uma arrumação por modalidades, cada uma com um supervisor de conteúdos próximo da estrutura técnica respectiva.

Claro que podemos ir pelos resultados mas, volto a dizer, estamos a falar de formação, os resultados são secundários relativamente à evolução dos jovens e ao processo de selecção e apuramento dos mesmos para a equipa principal. Quem não acreditar que vá ver quantos dos últimos campeões de juniores e juvenis pelo Sporting (2017/2018) lá chegaram.

Ainda no último jogo da B, do qual acabei por ver um bom pedaço já sabendo o resultado final, o Sporting estava a jogar razoavelmente e a dominar completamente o desafio e eu a pensar, mas como raio é que eles vão conseguir perder o jogo. Oportunidades desaproveitadas, um canto, um falhanço de Marsà um golo, logo a seguir outro falhanço do mesmo, outro golo. Ok. Foi assim.

Noutros jogos que vi foi a mesma coisa. Muitos resultados comprometidos por falhas individuais. Não existem plantéis fixos. Muitos jogadores vão rodando pelas diferentes equipas, incluindo a A, sendo confrontados com diferentes desafios e ambientes competitivos. Um bom exemplo é o Miguel Menino, com 3 jogos pela B, 4 pelos sub23 e 2 pela Youth League.

 

Assim os treinadores sofrem, as rotinas perdem-se e os resultados não demonstram a evolução dos jogadores:

Equipa B -  Segue em 8.º de 12 na 3ª Liga com 2V 1E 3D

Sub23 - Segue em 3.º de 7 na Fase Regular Sul com 3V 2E 2D

Youth League (Misto Sub23/Sub19) - Segue em 2.º de 4 no grupo C, com 1V 2E 0D

Juniores (Sub19) - Segue em 4º no Grupo B/ Zona Sul, com 4V 4E 1D

Torneio Al Abtal / Arábia Saudita Sub19 - Segue em 1.º do grupo, com 1V 0E 0D (Ganhou 3-2 ao Real Madrid)

 

O onze de jovens que sigo com mais atenção, não sei se num caso ou noutro Amorim pensa da mesma maneira que eu:

Diego Callai (17); Gonçalo Esteves (17), Gilberto Baptista (17), Frobenius (18) e Hevertton Santos (20); Miguel Menino (18), Dário Essugo (16) e Marco Cruz (17); Geny Catamo (20), Sogklund (18) e Isnaba Mané (17)

Curiosamente temos aqui quatro naturais de Portugal, dois da Guiné Bissau, dois do Brasil, dois da Noruega e um de Moçambique. 

Próximo jogo : Amanhã, 15h, Amora - Sporting B 

 

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SL

Aposta na formação

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Por muito que alguns não queiram entender - mas se não querem só têm de encontrar um candidato alternativo nas próximas eleições que lhes dê voz - com a chegada de Frederico Varandas à presidência do Sporting assistiu-se a uma inversão completa do que era até então o papel da formação no Sporting e muito em particular na sua SAD.

Com este presidente considerou-se (finalmente) que muito mais importante do que ganhar títulos nos escalões de formação seria seleccionar, fidelizar e levar à primeira equipa os jovens que mais se destacam, tenham a idade que tiverem.

E assim foi possível levar Nuno Mendes a Campeão Nacional pelo seu clube do coração e agora, numa venda magnífica ao PSG, à partilha do balneário com Messi e muitas outras estrelas. E assim foi possível termos um Essugo com 16 anos a estrear-se na primeira equipa num jogo com o Guimarães cujo resultado, na altura ainda em aberto, poderia ser decisivo para a conquista do campeonato.

O reconhecimento externo disso chegou agora. O Sporting sagrou-se, esta terça-feira, um dos emblemas vencedores dos European Club Association (ECA) Awards 2021 ao conquistar o prémio na categoria Futebol de Formação. A atribuição do galardão deve-se ao projecto do Modelo Centrado no Jogador (MCJ) que os Leões implementaram nas camadas jovens ao longo dos últimos anos. A decisão foi anunciada no seguimento da 26.ª assembleia geral da ECA, que está a decorrer em Genebra.

No vídeo de apresentação do vencedor, partilhado nas redes sociais da ECA, Tomaz Morais, director do futebol de formação do Sporting CP, revelou as características procuradas pelos Leões: "O Modelo Centrado no Jogador é uma abordagem holística e científica aos nossos jogadores e equipas. Temos muitas áreas a realizar um fantástico trabalho. Queremos que os jogadores tenham boa educação, carácter, valores, disciplina, compromisso. Isso é muito importante para nós. Para o Sporting CP, a atitude é a qualidade mais importante dos jogadores", frisou, lembrando também que a formação leonina teve um papel de grande relevância na conquista da Liga pela equipa principal em 2020/2021. (...) Onze jogadores da formação ganharam o campeonato com a equipa principal. Não tenho palavras, foi um sonho para nós. Vencemos o campeonato com os nossos jogadores da formação dentro da equipa. Foi muito importante para todos nós na Academia. Foi um momento muito especial e provámos o valor do MCJ", referiu.

 

Quem teimar em não perceber o que é o modelo, basta consultar os plantéis da equipa A, da B e dos sub23 e ver a idade dos jogadores envolvidos. Obviamente que se os de idade de juvenil jogassem pelos juvenis e os de juniores pelos juniores, tínhamos mais condições de ganhar os títulos das respectivas categorias. Mas isso interessa para quê e para quem, exactamente?

Ainda mais interessante do que este prémio é que, pelo que se vai sabendo, este modelo está a ser aplicado transversalmente a todas as equipas e modalidades, no futebol feminino temos uma equipa rejuvenescida que acabou de ganhar a Supertaça, no hóquei em patins - em protocolo com o Sacavenense - estamos a relançar a formação, para um dia nos libertarmos duma maioria de espanhóis e argentinos no plantel, no andebol, basquetebol e voleibol o peso da formação está a aumentar.

 

Não acredito num Sporting a comprar para ganhar, com equipas transformadas em legiões estrangeiras que custam muito para o que produzem. Muito menos em jogadores tipo Ricardinhos e treinadores tipo Jorge Jesus que prometem e exigem muito para o que ganham, pescam na formação aquilo que mais lhes interessa, o resto não é com eles.

Acredito num Sporting baseado na formação e potenciado por gente de fora, nacional e estrangeira, que faça a diferença (Yazaldes, Coates, etc), sob a liderança de treinadores carismáticos e ganhadores. Aqueles treinadores que têm um carinho especial pela formação, como foi o caso de Boloni e Malcolm Allison, como é agora o caso do Rúben Amorim, como é o caso, mais ou menos conforme as circunstâncias de cada um, dos treinadores do futebol feminino e das modalidades.

É o que cada vez mais está a acontecer e ainda bem. Seja quem for o presidente, é por aqui que passa o futuro do nosso amado Sporting Clube de Portugal.

 

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SL

Aposta na formação

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Nos comentários ao meu último postal dedicado à equipa B duas coisas ficaram muito claras, uma o interesse dos Sportinguistas pela formação e por esta equipa em particular, outra as diferentes formas com que encaram essa mesma formação, e os critérios que utilizam para avaliar o seu desempenho.

Para alguns a formação é competir e ganhar. Ganhar nos iniciados, nos juvenis, nos juniores, nos sub23, na B, ganhar o mais possível e dentro disso ganhar aos dois rivais. Quando isso não acontece, quando não se ganham títulos e se perdem jogos, pedem responsabilidades e questionam as lideranças em causa. É transportar para a formação a lógica subjacente à equipa A.

Para outros, pelo contrário, a formação é para acarinhar. E ponto. Proibido criticar quem está na formação ou quem vem da formação. As críticas ficam para quem vem de fora. 

Para outros ainda e para mim em particular, a formação não é fim em si mesmo, antes é um instrumento essencial para atingir o sucesso desportivo e financeiro do Sporting. Para isso é preciso saber atrair (recrutar com olho de lince e determinação de falcão), reter (gerir o relacionamento com a "bolha" do jogador e manter a situação contratual adaptada ao rendimento), fazer evoluir (transmitir e testar competências técnicas e comportamentais), e saber descartar-se no momento certo (avaliando idade vs evolução e procurando retorno financeiro) de jovem talento nacional ou estrangeiro. Nesta óptica, os títulos na formação são secundários, e nunca devem ser obtidos através de jogadores que não conjuguem os requisitos físicos e técnicos necessários para vingar profissionalmente ao nível duma 1ª Liga de acordo com a posição que ocupam no terreno. No fundo formar para ganhar desportivamente (na equipa A) e/ou financeiramente.

Nessa perspectiva também, um elemento essencial da formação do clube é... o treinador principal. Porque só ele pode avaliar o talento existente e abrir a porta da equipa A aos jogadores em que vai apostar. E  libertar os outros para serem rentabilizados doutra forma. Por isso treinadores como Boloni e Paulo Bento foram muito importantes no Sporting para além daquilo que ganharam, foram eles que lançaram jovens como Quaresma, Hugo Viana, Cristiano Ronaldo, Rui Patrício, Nani, Moutinho, Veloso e tantos outros, e assim desafiaram toda a estrutura da formação a trabalhar mais e melhor para outros lá chegarem também. O pior possível é ter como treinador principal alguém obcecado pela experiência e maturidade, que prefere comprar feito a fazer ele mesmo.

Com Rúben Amorim, apoiado numa Academia de Alcochete reformulada em todos os sentidos e onde Tomáz Morais me parece ser uma peça essencial, a aposta na formação atingiu um nível nunca antes visto. Agora existe um plantel principal com um peso da formação de cerca de 50%, mas também existe um plantel sombra, de jovens na calha para lá chegar. Do Callai ao Dário Essugo, do Everthon ao Joelson, sabemos que o futuro do Sporting está acautelado. Claro que poderia existir mais quantidade de qualidade, mas os tempos são bem diferentes daqueles em que Aurélio Pereira batia à porta e convencia os pais, a concorrência é feroz e nem sempre o Sporting consegue chegar a um miúdo que se destaca.

Tal como um dia o jovem entra em Alcochete mais novinho como o Luís Maximiano ou o Rui Patrício, ou mais crescidinho, como o Matheus Nunes ou o Gonzalo Plata, outro dia haverá em que esse jovem saia do Sporting rumo a novos objectivos profissionais, não me recordo de nenhum que tenha ficado até ao final da carreira. Nessa altura, que seja como com o Tomás Silva ou o Luís Maximiano: que não saia magoado, que não fuja de capuz pela porta dos fundos e, pior ainda, que não passe a tratar o clube com o maior desprezo o clube que o formou.

E é mesmo verdade. Alguns dos melhores futebolistas do mundo formaram-se, não no Benfica, não no Porto, formaram-se no... Sporting Clube de Portugal.

PS: No que respeita aos sub23, tem andando numa pré-época bem diferente do normal, desde uma sessão nos Comandos até a uma visita a Alvalade noticiada hoje n´A Bola, onde conheceram o estádio, o museu Sporting, o pavilhão João Rocha, assistiram ao treino do hoquei em patins e a uma palestra da Cátia Azevedo, recordista nacional dos 400 mts. Formação não é apenas sobre jogar à bola.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Vai uma apostinha?

A pré-época é uma fase maravilhosa porque o adepto pode entregar-se a devaneios especulativos sem grande implicação, como se daqui da bancada se percebesse alguma coisa. Se as suas previsões vierem a ser invalidadas terá sempre a desculpa de que "o tempo não confirmou as expectativas." 

O ano passado o prestidigitador Ruben Amorim tirou três coelhos da cartola dos juniores, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio e Tiago Tomás, que deixaram atónitos os supostos especialistas e encantados os sportinguistas. 

Este ano, pelo que se vai vendo, Amorim quer repetir o desaforo testando nestes joguinhos de preparação um pelotão de rapazes danados para saírem da casca. Estou portanto em perfeitas condições para apostar que lá para Maio de 2022 toda a gente já sabia que Joelson, Esteves e talvez Essugo iam revelar todo o seu potencial.

Da série: embrulhar e despachar

Isto, não é nem pode ser comportamento aceitável para o Sporting Clube de Portugal. Isto, não é, nem pode ser, o que o Sporting Clube de Portugal é.

Será 'despedimento colectivo'? Será verdade que a figura jurídica em apreço permite que as indemnizações a pagar o sejam numa proporção inferior ao que seria um despedimento por mútuo acordo em que se cumpre a legislação aplicável em termos de direitos adquiridos ao longo dos anos? Sim, ainda, o 'despedimento colectivo' público, e o valor que o Sporting diz ter conseguido não gastar pela dispensa dos colaboradores, por atacado, e sem que se lhe conheça especial reconhecimento público pese embora saber-se o que deram ao clube. Não caríssimos, não acho que a situação das jogadoras de futebol feminino se enquadre numa situação de 'despedimento colectivo'. Mas acho que há características transversais à gestão de ambas as situações que devem ser objecto da nossa atenção. 

Talvez seja bom recordar que os treinadores, ou treinadoras, não aparecem na tão propalada estrutura invísivel do Sporting por geração espontânea ou por intervenção divina. Ou fazem-no?

No que ao futebol feminino diz respeito, talvez seja de não perder de vista que uma das primeiras intervenções operadas pela Direcção de Frederico Varandas, comunicado emitido a 5 de Outubro de 2018, foi precisamente no futebol feminino, com a escolha de Filipe Vedor para desempenhar o cargo de Director Geral do Futebol Feminino. Substituiu, como refere o comunicado, Raquel Sampaio. Que, de resto, recebeu agradecimentos no final do comunicado que dava nota das novas funções de Filipe Vedor. De acordo com o perfil Linkedin do referido colaborador, em Junho de 2019, deixou de desempenhar essas funções. 10 meses de exercício.

Quanto ao ex-Director Geral do Futebol Feminino do Sporting, de quem oiço ser competente (é da mais elementar justiça sublinhá-lo), mas a quem é imputada uma relação de âmbito pessoal com o actual Presidente do Sporting Clube de Portugal, só posso desejar que continue a ter a oportunidade de dar o seu melhor em prol deste clube. Não nego, contudo, que me faz espécie que outros, com até bem mais anos de casa, e imensos sacrifícios feitos a favor do melhor para este clube que tanto amamos, não tenham tido a mesma oportunidade. A responsabilidade não é de Filipe Vedor, como é evidente.

Meritocracia, desde que haja qualquer coisa mais que permita que lá se mantenham. Meritocracia, desde que não façam sentir (ainda que de forma inadvertida) a superiores hierárquicos que não sabem o exigível para chefiar. E fazer escolhas. E apresentar solucções. 

O problema, como todos sabemos, mas nem todos queremos ou conseguimos assumir, não está nas pessoas que são postas a desempenhar os cargos. Está em quem as recruta, está no entendimento que conseguem fazer das situações e os recursos de que dispõem (e não dispõem) para mexer bem. Fim. 

O problema está no facto de não se mexer correctamente e, com isso, comprometer seriamente ou implodir por completo, um muito bom trabalho feito por quem antecedeu as escolhas pessoais (bingo!) nas quais estão reflectidas as capacidades profissionais, o juízo crítico, de quem decide. Com uma agravante. É que em certos casos, só vamos ter consciência plena das consequências do, de certa forma, experimentalismo aflictivo de quem manda, daqui a alguns anos. Nessa altura, é abrir cordões à bolsa, pagar o que houver a pagar e falar em gaps. E responsabilizar a Direcção que permitiu que os houvesse.

Soa familiar? 

De pedra e cal - Formação de Talentos na AFS Algarve: nova actualização

Escrevi, apaguei.

Seleccionei trechos de textos passados, apaguei.

A tristeza arrasta-se há muito. A falta de vontade, por constatar ser absolutamente inglório querer chamar a atenção para o que se passa, também não ajuda.

Informo, sem entrelinhas, a quem possa interessar, que a 31 de Maio Paulo Poejo entregou as chaves da (E)AFS – Algarve. Ocupou, de Agosto de 2020 até à data indicada, o cargo de responsável máximo pela, outrora, pequena Academia de excelência. A Paulo Poejo desejo, sinceramente, boa sorte. É - para mim e de longe - o menos responsável pelos resultados alcançados e que decorrem das alterações introduzidas.

A quem possa interessar, fica a actualização.

O mais que poderia ter para dizer continuará, por ora, silenciado.

Tristeza. Muita tristeza. É o que sinto há muito tempo.

Campeões também na formação

- O Sporting é a sétima equipa das dez principais ligas europeias com a maior percentagem de minutos utilizados por jogadores da formação: 26,3% de todos os minutos no nosso campeonato são preenchidos por profissionais oriundos da Academia de Alcochete. A "pardalada", como diria o inefável Joaquim Rita.

- A larga distância ficam o FC Porto (segundo na lista portuguesa), com 12,6%, e o Belenenses SAD (terceiro), com 8,6%. Em matéria de aproveitamento da formação, o Sporting ultrapassa o dobro da percentagem dos portistas.  

- Na mesma lista, o Benfica surge em quinto lugar. Com apenas 6,8% de utilização de elementos da formação no conjunto de minutos jogados pelo plantel encarnado neste campeonato. Percebendo-se assim melhor como a aposta de um SLB "made in Seixa" de Luís Filipe Vieira era apenas propaganda eleitoral destinada a iludir os adeptos desse emblema.

- Sem surpresa, mas com pesar, verificamos que desta lista constam oito clubes que desprezam a própria formação ou não a desenvolvem minimamente: são meros entrepostos de compra e venda. Entre eles, alguns muito louvados pelos comentadores nesta época 2020/2021: Famalicão, Santa Clara, Paços de Ferreira e Moreirense.

- Dez dos dezoito clubes da nossa Liga 1 têm um aproveitamento abaixo dos 5% ou simplesmente nulo. E 16 estão abaixo dos 10%. As excepções são precisamente Sporting e FCP.

 

Tudo neste texto de JFCC, d' A Tasca do Cherba. Que também fala da importância da nossa formação em andebol, futsal e hóquei em patins. E faz uma análise minuciosa da nossa equipa B, com lugar na nova Liga 3.

Gabriel Serôdio Silva

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Foto: retirada do comunicado emitido pelo Sporting Clube de Portugal

 

Uma vez que o comunicado emitido pelo Sporting Clube de Portugal não faz a mais pequenina referência à proveniência do jogador, esclareço: o Gabriel completou 14 anos a 9 de Abril, é algarvio e o mais recente iniciado a assinar contracto de formação.

Este jovem jogador treinou uma época na EAFS - Algarve, foi detectado antes ainda de a mesma abrir (por outro técnico de recrutamento que não João Nunes). Tal como João Simões é o chamado "jogador de fim-de-semana", durante a semana treinava na EAFS (sob a alçada do ex-responsável) e ao fim-de-semana jogava no Pólo EUL. Viu, de resto, a sua admissão na Academia Sporting antecipada por ter começado a acusar o desgaste provocado pelas viagens. Entrou com 12 anos.

Já no És a Nossa Fé foi mencionado, na qualidade de possível 9,5 com uma «relação espantosa com a baliza». 

À semelhança do que já acontecera com Cristiano Vitaly Palamarchuk, não existe a mais ténue referência à proveniência do jogador, circunstância que muito estranho e lamento. Como sublinhei a 9 de Abril de 2021, no texto dedicado ao Cristiano lacobrigense, contam-se pelos dedos de uma mão e sobram muitos dedos, os comunicados de jogadores em que não é feita qualquer referência à sua origem. No rodapé deste texto, encontram-se ligações para todos os comunicados que localizei.

Provindos da EAFS - Algarve, vamos nesta altura em 5 assinaturas (para além do Gabriel e do Cristiano, assinaram também: Atanásio Cunha, João Simões e Gonçalo Simões Dias).

Recupero um trecho de um texto que aqui foi publicado a 2 de Agosto de 2020:

«Só para que se perceba, da geração de 2007 no ano de arranque, a AFS – Algarve pôs cinco meninos em Alcochete e ainda pusemos mais um de fora da AFS, da geração de 2006. O C.F.T. (o equivalente benfiquista à AFS), pôs zero no Seixal. Secámos o Benfica logo no primeiro ano.»  João Nunes

O jovem de 2006, de fora da AFS, é Gonçalo Simões Dias. Dos restantes 5 jogadores, 4 já assinaram contracto de formação.

Continuarei atenta.

A quem possa ter interesse em consultar os demais comunicados de assinaturas de contratos de formação (iniciados):

22-04-2021 - Fernando Sadjó

12-04-2021 - Rafael Alonso

09-04-2021 - Cristiano Palamarchuk

23-03-2021 - Miguel Félix

12-03-2021 - Rafael Mota

12-02-2021 - Denilson Santos

11-02-2021 - João Simões

10-02-2021 - Miguel Almeida

08-02-2021 - Gonçalo Simões Dias

29-01-2021 - Daniel Amorim

27-01-2021 - Martim Botão

22-01-2021 - João Coelho

20-01-2021 - Tomás Abreu

18-01-2021 - João Muniz

14-01-2021 - Eduardo Felicíssimo

12-01-2021 - Atanásio Cunha

Cristiano Vitaly Palamarchuk

Uma vez que o comunicado emitido pelo Sporting Clube de Portugal não faz a mais pequenina referência à proveniência do atleta, aproveito para esclarecer...

O Cristiano completou 14 anos a 7 de Fevereiro deste ano, mede 1,71m, tem dupla nacionalidade (é luso-ucraniano), jogava num clube de Lagos chamado Sport Lagos e Benfica e foi detectado por um ex-colaborador nosso. Basicamente, João Nunes enquanto acompanhava um jogo treino de uma dos nossas equipas, detectou este jovem jogador - que jogava num dos campos ao lado - e que passou ao lado de todos os demais clubes e respectivos recrutadores/treinadores. Pelos vistos, reúne os predicados necessários para jogar/trabalhar ao mais alto nível num clube como o nosso. Já a Secundária Júlio Dantas, desconfio, vai ter saudades do seu aluno. 

Tenho lido os comunicados dos jogadores que assinam contracto de formação. Contam-se pelos dedos de uma mão e sobram muitos dedos, aqueles em que não é esclarecida a sua proveniência.

Provindos da AFS - Algarve ou detectados por ex-responsável pela mesma, este ano, vamos em quatro assinaturas.

Continuarei atenta.

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Imagem retirada do comunicado oficial do Clube que pode ser lido na íntegra aqui.

Linhas e entrelinhas? Estrelinhas.

Enquanto a ‘desenvoltura cognitiva’ prometida pelos mais recentes prospectores de talento para os do Leão Rampante não se manifesta, também, no argumentário dos que aqui vêm de forma militante pôr a tónica em parte do trabalho desenvolvido pela Direcção de Frederico Varandas, gostaria de sugerir que não perdessemos de vista dois aspectos fundamentais.

 

Primeiro:

- a avaliação que já é possível fazer do trabalho que é da responsabilidade total da actual Direcção, seja pela sua acção directa, e assumpção pública, e indirecta, por via dos escolhidos para assumir pastas.

Sugiro alguns critérios: as contratações feitas por Frederico Varandas, o seu impacto na equipa A, a facilidade com que os colocámos noutras equipas, os valores/condições pelos quais foram emprestados e/ou vendidos.

Obrigada pela colaboração, Record: O que têm feito os jogadores emprestados pelo Sporting? A maioria deve voltar à casa de partida.

Sim, alguns jogadores foram herdados. E sobre outros ouvimos que não iriam falhar, [olá Vietto, adeus Vietto], e, mais recentemente, Sporar que afinal de contas não falhou, tal como vaticinava o nosso presidente. O Sporting é que decidiu abrir a porta à venda do seu passe. Semântica, diria eu. Manifestação de desenvoltura cognitiva, talvez?

Pergunto: a julgar pela discrepância dos valores envolvidos nas contractações efectuadas nas duas primeiras épocas e nesta última, bem como os planos de pagamentos tornados públicos, os que se falharam e os que serão honrados por quem assumir o próximo mandato à frente da Direcção [olá 'Paulinho'], teríamos mesmo verbas para ir buscar jogadores que não à nossa formação?

Já todos sabemos que o próximo mercado será determinante, a campanha desenvolvida na Europa – todos sonhamos que na prova rainha – a revelar muito do que será a verdadeira política desta Direcção. Não será novidade para ninguém que aumentando o grau de exigência daquilo que é preciso apresentar em campo, e sendo expectável que a verba disponível para investimentos no plantel seja superior à da desta última época, a tentação para contratar jogadores já consolidados aumente, a pressão de empresários para colocar jogadores “estagnados a carecer de montra”… siga igual caminho. Espero, desejo aliás, que nos seja possível manter o rumo e que os jogadores da formação não percam espaço. Não é crítica antecipada a Frederico Varandas, é perceber que são as dinâmicas próprias das diferentes realidades. Hoje vivemos uma, se tudo se mantiver de feição, a partir de Maio de 2021 passaremos a viver outra.

 

Segundo:

- a aposta de sucesso no produto da nossa formação que tanto nos enobrece e lisonjeia, acontece num contexto altamente específico, e em que parte dele, se não é quase irrepetível, será difícil de mimetizar; os jovens jogadores foram integrados no seio de jogadores mais experientes, cujas carreiras se encontra(va)m num ponto em que dificilmente aspiram a mais do que à oportunidade de ainda ter espaço numa equipa que (ainda) lhes permita calçar em cenários europeus. Adan, Feddal, Antunes, João Pereira, Luís Neto e até Coates, estão à procura de dar o salto para onde, excepto (alguns) para os quadros formativos do Sporting? Compreendemos a importância deste caldo na gestão da (natureza da) competição que existe no balneário gerido por Rúben Amorim? Admito que, com algum esforço, possamos ainda assim mais facilmente replicar a aposta em jogadores com este perfil e que todos estes, à excepção de Coates, chegaram pela mão da Direcção de Frederico Varandas.

O que também parece escapar à observação da generalidade dos Sportinguistas, mas especialmente aos que, preocupando-se em evidenciar o mérito da Direcção de Frederico Varandas, tornam-se verdadeiros "propagadores exaustivos das mesmas ideias-chave (não por acaso, insistem em manter a atenção na actual coqueluche, o mobilizador Rúben Amorim, e naquele soft spot tipicamente leonino: a expressiva utilização dos da nossa criação na equipa A)", é que estes jogadores lá chegaram, à equipa A, com base num critério de selecção e metodologia de trabalho a cargo de colaboradores que ou já não estão no Sporting ou estão, mas com um raio de acção diminuído.

Uma coisa é falar, quando não papaguear chavões, de que é exemplo a referência contínua à importância da estabilidade. Outra, bem diferente, é proporcioná-la. E, neste domínio, vejo estabilidade em dois postos: os de directoria da Academia Sporting. De resto, entre treinadores mais conhecidos, a menos conhecidos, a coordenadores, a especialistas em rendimento físico, a lista – do que estão do lado de fora – é já extensa. Dos escolhidos e dispensados por Frederico Varandas e dos que já lá estavam, com obra feita e resultados mais do que apresentados, demonstrados, e estão agora, também eles, do lado de fora.

Se Maio de 2018 trouxe uma cadeia de acontecimentos que nos deixou sem chão e obrigou a todos a olhar para a tão amada Academia com atenção, Agosto de 2020 tornou incontornavelmente claro, para mim, que sabemos, Sportinguistas mas sobretudo sócios, muito pouco sobre o que se passa na Academia Sporting, extra aquilo que se escolhe comunicar para o grande público. Entre o que não convém que se saiba, ao que se sabe parcialmente, ao que se comunica a partir de um período temporal que serve o propósito de (tentar) fazer brilhar os que no momento mandam, lembrei-me do filme The Truman Show. Não gosto da sensação que me provoca. Gosto ainda menos de pensar em quais poderão ser as consequências destas mudanças ainda que, claro, aprecie desenvoltura cognitiva. Convém é melhorá-la naqueles que põem a difundir o guião.

Dizia, e mantenho, que não acho que seja uma questão que se circunscreve a Frederico Varandas. Diz quem vive a realidade por dentro que tem persistido uma política de gestão da Academia Sporting que assenta predominantemente na "imposição" de "homens fortes" vindos de fora da estrutura, trazidos a cada mudança directiva e que em nada tem beneficiado a tal 'estabilidade' tão necessária à consolidação de processos.  

Ora, vejo, também por ter tido oportunidade de reunir elementos que ajudam a ler nas entrelinhas, sinais de alarme que, infelizmente, se têm avolumado e que gostaria que a entrada de Paulo Noga pudesse ter sanado. Tenho dúvidas de que assim seja, ainda que não duvide, até por disso ter recebido nota de diferentes quadrantes, que 'é forte' e 'competente'.

Receio, contudo, que possa ser dificil assumir realidades desagradáveis, por implicar a assumpção de falhas de apostas muito pessoais que, infelizmente, são-no mais do que deviam. Pessoais. Deviam ser mais profissionais. Profissionais, despojadas (o mais possível) da dimensão pessoal que tende a conduzir para a autopreservação.

É por tudo isto que alimento a esperança de que haja quem queira e possa desenvolver um modelo que nos permita a "autonomização" da Academia Sporting, de uma forma que se torne menos permeável às oscilações trazidas pelas Direcções. Direcções, quem quer que seja que as encabece. Pelo Sporting. Mais pelo Sporting e menos pelos que estão a geri-lo e querem, tipicamente, manter-se nessa posição.

Não me deixo deslumbrar por 'resultados'. Privilegio 'processos'. Sei também que bons resultados agora alcançados, resultam de processos, na sua forma conceptual e material, que não têm a impressão digital da Direcção em exercício. Sempre assim foi e será. Sei que há resultados já alcançados que resultam de processos, na sua forma conceptual e material, que têm a impressão digital da actual Direcção, e não são positivos. No domínio das contractações de jogadores e técnicos, e mesmo formativos.

Sei, que há muito que nos interessaria saber que dificilmente nos chegará pelos órgãos de comunicação do Clube. Que, sabemos todos, são na verdade boletins informativos ao serviço das Direcções. O meu ponto de não retorno? A entrevista de Tomaz Morais ao Jornal Sporting que aqui partilhei e, mais do que isso, contrastei.

Como é que se autonomizam órgãos de comunicação de um clube, a favor dos sócios sem que se tornem um contra poder nas mãos de quem quer chegar ao poder? Não sei.

Mas sei que é preciso saber ler nas entrelinhas e que essas são muitas vezes, para a maioria, raras oportunidades. Quase nunca se apresentam.

Gostaria que soubessemos todos mais. Gostaria que não precisassemos, tantos e tanto, de saber ler nas entrelinhas. Acima de tudo, e no fundo, gosto das nossas estrelinhas. As que já o são e as que para lá caminham (devem). Não gosto, mesmo nada, de sentir que temos de estar atentos às entrelinhas.

Gosto mesmo muito do Sporting. É por isso que vos deixo estas linhas. Espero, a bem das nossas estrelinhas, que saibam todos ler nas entrelinhas. A tempo de assegurarmos o melhor... para todas as nossas estrelinhas. Sem entrelinhas.

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Steven Kazlowski/Barcroft Media

A equipa-sombra

No mundo do scouting do futebol actual é obrigatório manter sob observação um conjunto de jogadores que se podem constituir como alternativa ao onze titular, a chamada equipa sombra, para rapidamente se avançar na contratação em caso de saída do titular.

No Sporting - e muito bem - esse trabalho está a ser feito dentro de casa. Além das competições em curso de sub-23 e Campeonato de Portugal, Rúben Amorim tem andado numa observação constante de miúdos com idades de juvenis e juniores para constituir a tal reserva que poderá ser aposta num prazo mais ou menos curto. Foi ele mesmo que lançou Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Tiago Tomás, todos já titulares na primeira equipa, pelo que vamos ver em breve esse trabalho dar frutos, preparando assim também o plantel da próxima época.

Trata-se dum trabalho que tem de ser feito com muito cuidado e em estreita ligação com a Direcção, porque o simples facto de ser conhecida a aposta num jovem logo o torna num alvo apetecível para os empresários e para a concorrência. Por isso qualquer aposta tem de estar salvaguardada contratualmente.

É nesta lógica que vi a pré-época de Palhinha ou as situações de Jovane e Plata pós-mercado de inverno. Compromisso primeiro, aposta depois. Hoje é complicado ter jogadores no último ano de contrato: a tentação dos mesmos e dos respectivos empresários pela saída a custo zero é enorme. Todos nos lembramos do que aconteceu no tempo de Jesualdo Ferreira: apostar e valorizar para depois deixar sair por tuta e meia.

 

Já agora é curioso verificar que do outro lado da 2.ª circular reina a desorientação, Vieira já duvida da própria sombra e põe em causa o até agora aclamado responsável da formação, Pedro Mil Homens, exactamente aquele que com o know-how de Alcochete permitiu ao Seixal recuperar o atraso e mesmo ultrapassá-lo a diversos níveis, https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/benfica/detalhe/luis-filipe-vieira-quer-mais-qualidade-no-trabalho-desempenhado-na-formacao-do-benfica, parece que vai lá pôr o Simão Sabrosa (clap clap clap), incapaz de confessar que o responsável foi ele mesmo quando andou a vender gato por lebre. Quando sentiu o tapete fugir debaixo dos pés, voltou a meter a raposa no galinheiro.

Força Vieira, estamos contigo, faz lá o Jesus engolir o Florentino e o Gedson, pagamos para ver. 

 

Mas voltando ao início, convidava todos a fazerem a tal equipa-sombra, com base nos plantéis publicados no site do Sporting, e de acordo com o modelo de Amorim.

A minha é a seguinte, mas há mais jovens de qualidade que poderiam ali estar:

GR : Diego Callai (16 anos, no Sporting desde 2015)

AD : Hevertton Santos (20 anos, 2011)

DC: Chico Lamba (18 anos, 2014), Eduardo Quaresma (19 anos, 2011), João Goulart (21 anos, 2015) 

AE : Flávio Nazinho (17 anos, 2018)

MC: Dário Essugo (16 anos, 2014) e Nuno Moreira (19 anos, 2007)

ID: Joelson Fernandes (18 anos, 2014)

IE : Tiago Ferreira (19 anos, 2010)

PL: Bruno Tavares (19 anos, 2010)

Se calhar veremos muitos destes na próxima época a repartir o seu tempo entre a A e a B, esta que provavelmente irá competir na nova 3.ª liga que vai arrancar.

SL

O Simbalismo leonino

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"O sábio Mufasa era o rei dos leões, a atenta leoa Sarabi era a rainha. Simba, o filho recém-nascido, um dia, seria o novo Rei Leão".

Há quem fale da formação a sério, a CAL, e há quem escreva uns disparates (eu) que têm algo a ver com a formação, a formação de carácter.

Hoje fui parado, enquanto empurrava o carrinho, por um senhor que conhecia, vagamente, sei que mora na minha rua.

- Aceite, por favor, é para o seu menino.

- Claro que aceito, "O Rei Leão" é o livro adequado para ele, é sportinguista.

O meu vizinho, sorriu, olhou-nos e disse, apenas:

- Somos todos.

Virgílio Lopes e honestidade intelectual

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Foto: Paulo Calado/Record 

 

Já se sabe que cada um é como qual. Pessoalmente, muito gostei de saber que ainda há quem seja capaz de assumir as coisas como elas são: erra-se. Às vezes, nem poderemos falar em erro, já que no momento em que somos "obrigados" a fazer escolhas, a decidir, fazemo-lo com base nos indicadores de que dispomos. E os indicadores estão sempre em evolução. Afinam-se. Refinam-se. E, com isto, ajustam-se teorias sobre como fazer. Pelo menos, em teoria.

Serve o introito para dizer que fiquei contente por perceber que ainda é possível ler quem tenha a coragem de vir publicamente assumir as coisas como elas são: Nuno Mendes, há um par de anos, não era craque. Não exibia essas características distintivas. Se calhar, até terá estado na calha para ser dispensado. Vai daí, um dia, ainda ficamos todos a saber que só não recebeu guia de marcha, tendo estado iminente a assinatura da sua dispensa, por não haver defesa esquerdo alternativo e por ser um miúdo (vindo de uma família humilde) que não dava problemas. 

 

Seria bom que se aproveitasse a experiência de quem sabe (e a honestidade intelectual) para... refinar as práticas. E ousar reajustar teorias. Mas que o façamos fora da bolha que são os gabinetes e para além do risco calculado (protegido) que são as apresentações em PowerPoint, não raras vezes, meros espelhos dos manuais, que pouco esclarecem sobre como se faz, apenas apontam o que deve ser o resultado.

 

P.S. Alguém saberá dizer se o Manchester City está feliz com a cláusula de compra de Pedro Porro? 

P.S.2. Alguém reparou que na peça (do ano passado) do Jornal Sporting sobre os futuros craques que despontavam na Academia Sporting, não consta Dário Essugo?

P.S.3. E o FC Barcelona e Ansu Fati?

"Os clubes pequenos terão formação daqui a 10 anos?"

A autoria é de Vasco Samouco, "apareceu primeiro" n' A Tasca do Cherba e é de leitura obrigatória para quem se interessa pelo tema da formação de talentos.

Arrisco dizer que é possível que num futuro próximo o Sporting Clube de Portugal tenha de repensar a oferta formativa de que dispõe: a "interna" e a "comercial". Espero, contudo, que não aconteça qualquer alteração de fundo sem que os sócios tenham consciência do que está a acontecer. É muito fácil dizer que queremos mais Bolas de Ouro. Difícil, difícil, é acertar na escolha das metodologias e artífices que lá nos conduzem. 

Talvez possa não ser tão claro para o amante de futebol em geral (para mim, não era), mas a "simples" visão sobre que tipo de jogador deve integrar uma equipa de elite (talentos) pode ser francamente fracturante. Não é de desporto escolar que falamos, sabem? É de desporto de alta competição, e num clube em que o objectivo é, e deverá ser sempre, a Liga dos Campeões. Há quem queira alcançar 'rendimento'. É o imediato: jogadores "já fechados" e sem muita margem de progressão. E há quem admita 'rendimento' mas que lhes queira ver margem de progressão (aspectos que possam ainda ser melhorados). Se se treinar (privilegiar) a táctica ("rendimento") cria-se oportunidade para alcançar muito rendimento e ganhamos jogos, mas limita-se a formação global do jogador.

Leitura recomendada: Aurélio Pereira ao Record

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Em entrevista ao Record de hoje.

Recomendo vivamente a leitura atenta. Diplomata de craveira o nosso Mestre Aurélio. 

(...) O Sporting acabou de

estrear um miúdo com 16 anos.

É preciso coragem, não é? E só é

possível porque os miúdos vêm

para cá muito cedo. Habituam-

-se a estar num clube de topo e,

quando chegam aos 16/17 anos,

já os conhecemos bem. E eles já

não tremem. Não tremem! (...)

 

A ver vamos se as alterações que estão a acontecer na formação do Sporting permitem que daqui a 10 anos possamos dizer que a actual Direcção do Sporting Clube de Portugal deixou a mesma matéria-prima para brilhar. 

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