Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Cristiano Vitaly Palamarchuk

Uma vez que o comunicado emitido pelo Sporting Clube de Portugal não faz a mais pequenina referência à proveniência do atleta, aproveito para esclarecer...

O Cristiano completou 14 anos a 7 de Fevereiro deste ano, mede 1,71m, tem dupla nacionalidade (é luso-ucraniano), jogava num clube de Lagos chamado Sport Lagos e Benfica e foi detectado por um ex-colaborador nosso. Basicamente, João Nunes enquanto acompanhava um jogo treino de uma dos nossas equipas, detectou este jovem jogador - que jogava num dos campos ao lado - e que passou ao lado de todos os demais clubes e respectivos recrutadores/treinadores. Pelos vistos, reúne os predicados necessários para jogar/trabalhar ao mais alto nível num clube como o nosso. Já a Secundária Júlio Dantas, desconfio, vai ter saudades do seu aluno. 

Tenho lido os comunicados dos jogadores que assinam contracto de formação. Contam-se pelos dedos de uma mão e sobram muitos dedos, aqueles em que não é esclarecida a sua proveniência.

Provindos da AFS - Algarve ou detectados por ex-responsável pela mesma, este ano, vamos em quatro assinaturas.

Continuarei atenta.

Screenshot_20210409-205028~2.png

Imagem retirada do comunicado oficial do Clube que pode ser lido na íntegra aqui.

Linhas e entrelinhas? Estrelinhas.

Enquanto a ‘desenvoltura cognitiva’ prometida pelos mais recentes prospectores de talento para os do Leão Rampante não se manifesta, também, no argumentário dos que aqui vêm de forma militante pôr a tónica em parte do trabalho desenvolvido pela Direcção de Frederico Varandas, gostaria de sugerir que não perdessemos de vista dois aspectos fundamentais.

 

Primeiro:

- a avaliação que já é possível fazer do trabalho que é da responsabilidade total da actual Direcção, seja pela sua acção directa, e assumpção pública, e indirecta, por via dos escolhidos para assumir pastas.

Sugiro alguns critérios: as contratações feitas por Frederico Varandas, o seu impacto na equipa A, a facilidade com que os colocámos noutras equipas, os valores/condições pelos quais foram emprestados e/ou vendidos.

Obrigada pela colaboração, Record: O que têm feito os jogadores emprestados pelo Sporting? A maioria deve voltar à casa de partida.

Sim, alguns jogadores foram herdados. E sobre outros ouvimos que não iriam falhar, [olá Vietto, adeus Vietto], e, mais recentemente, Sporar que afinal de contas não falhou, tal como vaticinava o nosso presidente. O Sporting é que decidiu abrir a porta à venda do seu passe. Semântica, diria eu. Manifestação de desenvoltura cognitiva, talvez?

Pergunto: a julgar pela discrepância dos valores envolvidos nas contractações efectuadas nas duas primeiras épocas e nesta última, bem como os planos de pagamentos tornados públicos, os que se falharam e os que serão honrados por quem assumir o próximo mandato à frente da Direcção [olá 'Paulinho'], teríamos mesmo verbas para ir buscar jogadores que não à nossa formação?

Já todos sabemos que o próximo mercado será determinante, a campanha desenvolvida na Europa – todos sonhamos que na prova rainha – a revelar muito do que será a verdadeira política desta Direcção. Não será novidade para ninguém que aumentando o grau de exigência daquilo que é preciso apresentar em campo, e sendo expectável que a verba disponível para investimentos no plantel seja superior à da desta última época, a tentação para contratar jogadores já consolidados aumente, a pressão de empresários para colocar jogadores “estagnados a carecer de montra”… siga igual caminho. Espero, desejo aliás, que nos seja possível manter o rumo e que os jogadores da formação não percam espaço. Não é crítica antecipada a Frederico Varandas, é perceber que são as dinâmicas próprias das diferentes realidades. Hoje vivemos uma, se tudo se mantiver de feição, a partir de Maio de 2021 passaremos a viver outra.

 

Segundo:

- a aposta de sucesso no produto da nossa formação que tanto nos enobrece e lisonjeia, acontece num contexto altamente específico, e em que parte dele, se não é quase irrepetível, será difícil de mimetizar; os jovens jogadores foram integrados no seio de jogadores mais experientes, cujas carreiras se encontra(va)m num ponto em que dificilmente aspiram a mais do que à oportunidade de ainda ter espaço numa equipa que (ainda) lhes permita calçar em cenários europeus. Adan, Feddal, Antunes, João Pereira, Luís Neto e até Coates, estão à procura de dar o salto para onde, excepto (alguns) para os quadros formativos do Sporting? Compreendemos a importância deste caldo na gestão da (natureza da) competição que existe no balneário gerido por Rúben Amorim? Admito que, com algum esforço, possamos ainda assim mais facilmente replicar a aposta em jogadores com este perfil e que todos estes, à excepção de Coates, chegaram pela mão da Direcção de Frederico Varandas.

O que também parece escapar à observação da generalidade dos Sportinguistas, mas especialmente aos que, preocupando-se em evidenciar o mérito da Direcção de Frederico Varandas, tornam-se verdadeiros "propagadores exaustivos das mesmas ideias-chave (não por acaso, insistem em manter a atenção na actual coqueluche, o mobilizador Rúben Amorim, e naquele soft spot tipicamente leonino: a expressiva utilização dos da nossa criação na equipa A)", é que estes jogadores lá chegaram, à equipa A, com base num critério de selecção e metodologia de trabalho a cargo de colaboradores que ou já não estão no Sporting ou estão, mas com um raio de acção diminuído.

Uma coisa é falar, quando não papaguear chavões, de que é exemplo a referência contínua à importância da estabilidade. Outra, bem diferente, é proporcioná-la. E, neste domínio, vejo estabilidade em dois postos: os de directoria da Academia Sporting. De resto, entre treinadores mais conhecidos, a menos conhecidos, a coordenadores, a especialistas em rendimento físico, a lista – do que estão do lado de fora – é já extensa. Dos escolhidos e dispensados por Frederico Varandas e dos que já lá estavam, com obra feita e resultados mais do que apresentados, demonstrados, e estão agora, também eles, do lado de fora.

Se Maio de 2018 trouxe uma cadeia de acontecimentos que nos deixou sem chão e obrigou a todos a olhar para a tão amada Academia com atenção, Agosto de 2020 tornou incontornavelmente claro, para mim, que sabemos, Sportinguistas mas sobretudo sócios, muito pouco sobre o que se passa na Academia Sporting, extra aquilo que se escolhe comunicar para o grande público. Entre o que não convém que se saiba, ao que se sabe parcialmente, ao que se comunica a partir de um período temporal que serve o propósito de (tentar) fazer brilhar os que no momento mandam, lembrei-me do filme The Truman Show. Não gosto da sensação que me provoca. Gosto ainda menos de pensar em quais poderão ser as consequências destas mudanças ainda que, claro, aprecie desenvoltura cognitiva. Convém é melhorá-la naqueles que põem a difundir o guião.

Dizia, e mantenho, que não acho que seja uma questão que se circunscreve a Frederico Varandas. Diz quem vive a realidade por dentro que tem persistido uma política de gestão da Academia Sporting que assenta predominantemente na "imposição" de "homens fortes" vindos de fora da estrutura, trazidos a cada mudança directiva e que em nada tem beneficiado a tal 'estabilidade' tão necessária à consolidação de processos.  

Ora, vejo, também por ter tido oportunidade de reunir elementos que ajudam a ler nas entrelinhas, sinais de alarme que, infelizmente, se têm avolumado e que gostaria que a entrada de Paulo Noga pudesse ter sanado. Tenho dúvidas de que assim seja, ainda que não duvide, até por disso ter recebido nota de diferentes quadrantes, que 'é forte' e 'competente'.

Receio, contudo, que possa ser dificil assumir realidades desagradáveis, por implicar a assumpção de falhas de apostas muito pessoais que, infelizmente, são-no mais do que deviam. Pessoais. Deviam ser mais profissionais. Profissionais, despojadas (o mais possível) da dimensão pessoal que tende a conduzir para a autopreservação.

É por tudo isto que alimento a esperança de que haja quem queira e possa desenvolver um modelo que nos permita a "autonomização" da Academia Sporting, de uma forma que se torne menos permeável às oscilações trazidas pelas Direcções. Direcções, quem quer que seja que as encabece. Pelo Sporting. Mais pelo Sporting e menos pelos que estão a geri-lo e querem, tipicamente, manter-se nessa posição.

Não me deixo deslumbrar por 'resultados'. Privilegio 'processos'. Sei também que bons resultados agora alcançados, resultam de processos, na sua forma conceptual e material, que não têm a impressão digital da Direcção em exercício. Sempre assim foi e será. Sei que há resultados já alcançados que resultam de processos, na sua forma conceptual e material, que têm a impressão digital da actual Direcção, e não são positivos. No domínio das contractações de jogadores e técnicos, e mesmo formativos.

Sei, que há muito que nos interessaria saber que dificilmente nos chegará pelos órgãos de comunicação do Clube. Que, sabemos todos, são na verdade boletins informativos ao serviço das Direcções. O meu ponto de não retorno? A entrevista de Tomaz Morais ao Jornal Sporting que aqui partilhei e, mais do que isso, contrastei.

Como é que se autonomizam órgãos de comunicação de um clube, a favor dos sócios sem que se tornem um contra poder nas mãos de quem quer chegar ao poder? Não sei.

Mas sei que é preciso saber ler nas entrelinhas e que essas são muitas vezes, para a maioria, raras oportunidades. Quase nunca se apresentam.

Gostaria que soubessemos todos mais. Gostaria que não precisassemos, tantos e tanto, de saber ler nas entrelinhas. Acima de tudo, e no fundo, gosto das nossas estrelinhas. As que já o são e as que para lá caminham (devem). Não gosto, mesmo nada, de sentir que temos de estar atentos às entrelinhas.

Gosto mesmo muito do Sporting. É por isso que vos deixo estas linhas. Espero, a bem das nossas estrelinhas, que saibam todos ler nas entrelinhas. A tempo de assegurarmos o melhor... para todas as nossas estrelinhas. Sem entrelinhas.

Screenshot_20210403-160514~2.png

Steven Kazlowski/Barcroft Media

A equipa-sombra

No mundo do scouting do futebol actual é obrigatório manter sob observação um conjunto de jogadores que se podem constituir como alternativa ao onze titular, a chamada equipa sombra, para rapidamente se avançar na contratação em caso de saída do titular.

No Sporting - e muito bem - esse trabalho está a ser feito dentro de casa. Além das competições em curso de sub-23 e Campeonato de Portugal, Rúben Amorim tem andado numa observação constante de miúdos com idades de juvenis e juniores para constituir a tal reserva que poderá ser aposta num prazo mais ou menos curto. Foi ele mesmo que lançou Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Tiago Tomás, todos já titulares na primeira equipa, pelo que vamos ver em breve esse trabalho dar frutos, preparando assim também o plantel da próxima época.

Trata-se dum trabalho que tem de ser feito com muito cuidado e em estreita ligação com a Direcção, porque o simples facto de ser conhecida a aposta num jovem logo o torna num alvo apetecível para os empresários e para a concorrência. Por isso qualquer aposta tem de estar salvaguardada contratualmente.

É nesta lógica que vi a pré-época de Palhinha ou as situações de Jovane e Plata pós-mercado de inverno. Compromisso primeiro, aposta depois. Hoje é complicado ter jogadores no último ano de contrato: a tentação dos mesmos e dos respectivos empresários pela saída a custo zero é enorme. Todos nos lembramos do que aconteceu no tempo de Jesualdo Ferreira: apostar e valorizar para depois deixar sair por tuta e meia.

 

Já agora é curioso verificar que do outro lado da 2.ª circular reina a desorientação, Vieira já duvida da própria sombra e põe em causa o até agora aclamado responsável da formação, Pedro Mil Homens, exactamente aquele que com o know-how de Alcochete permitiu ao Seixal recuperar o atraso e mesmo ultrapassá-lo a diversos níveis, https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/benfica/detalhe/luis-filipe-vieira-quer-mais-qualidade-no-trabalho-desempenhado-na-formacao-do-benfica, parece que vai lá pôr o Simão Sabrosa (clap clap clap), incapaz de confessar que o responsável foi ele mesmo quando andou a vender gato por lebre. Quando sentiu o tapete fugir debaixo dos pés, voltou a meter a raposa no galinheiro.

Força Vieira, estamos contigo, faz lá o Jesus engolir o Florentino e o Gedson, pagamos para ver. 

 

Mas voltando ao início, convidava todos a fazerem a tal equipa-sombra, com base nos plantéis publicados no site do Sporting, e de acordo com o modelo de Amorim.

A minha é a seguinte, mas há mais jovens de qualidade que poderiam ali estar:

GR : Diego Callai (16 anos, no Sporting desde 2015)

AD : Hevertton Santos (20 anos, 2011)

DC: Chico Lamba (18 anos, 2014), Eduardo Quaresma (19 anos, 2011), João Goulart (21 anos, 2015) 

AE : Flávio Nazinho (17 anos, 2018)

MC: Dário Essugo (16 anos, 2014) e Nuno Moreira (19 anos, 2007)

ID: Joelson Fernandes (18 anos, 2014)

IE : Tiago Ferreira (19 anos, 2010)

PL: Bruno Tavares (19 anos, 2010)

Se calhar veremos muitos destes na próxima época a repartir o seu tempo entre a A e a B, esta que provavelmente irá competir na nova 3.ª liga que vai arrancar.

SL

O Simbalismo leonino

22054798_brFMe.png

 

"O sábio Mufasa era o rei dos leões, a atenta leoa Sarabi era a rainha. Simba, o filho recém-nascido, um dia, seria o novo Rei Leão".

Há quem fale da formação a sério, a CAL, e há quem escreva uns disparates (eu) que têm algo a ver com a formação, a formação de carácter.

Hoje fui parado, enquanto empurrava o carrinho, por um senhor que conhecia, vagamente, sei que mora na minha rua.

- Aceite, por favor, é para o seu menino.

- Claro que aceito, "O Rei Leão" é o livro adequado para ele, é sportinguista.

O meu vizinho, sorriu, olhou-nos e disse, apenas:

- Somos todos.

Virgílio Lopes e honestidade intelectual

Screenshot_20210331-100020~2.png

Foto: Paulo Calado/Record 

 

Já se sabe que cada um é como qual. Pessoalmente, muito gostei de saber que ainda há quem seja capaz de assumir as coisas como elas são: erra-se. Às vezes, nem poderemos falar em erro, já que no momento em que somos "obrigados" a fazer escolhas, a decidir, fazemo-lo com base nos indicadores de que dispomos. E os indicadores estão sempre em evolução. Afinam-se. Refinam-se. E, com isto, ajustam-se teorias sobre como fazer. Pelo menos, em teoria.

Serve o introito para dizer que fiquei contente por perceber que ainda é possível ler quem tenha a coragem de vir publicamente assumir as coisas como elas são: Nuno Mendes, há um par de anos, não era craque. Não exibia essas características distintivas. Se calhar, até terá estado na calha para ser dispensado. Vai daí, um dia, ainda ficamos todos a saber que só não recebeu guia de marcha, tendo estado iminente a assinatura da sua dispensa, por não haver defesa esquerdo alternativo e por ser um miúdo (vindo de uma família humilde) que não dava problemas. 

 

Seria bom que se aproveitasse a experiência de quem sabe (e a honestidade intelectual) para... refinar as práticas. E ousar reajustar teorias. Mas que o façamos fora da bolha que são os gabinetes e para além do risco calculado (protegido) que são as apresentações em PowerPoint, não raras vezes, meros espelhos dos manuais, que pouco esclarecem sobre como se faz, apenas apontam o que deve ser o resultado.

 

P.S. Alguém saberá dizer se o Manchester City está feliz com a cláusula de compra de Pedro Porro? 

P.S.2. Alguém reparou que na peça (do ano passado) do Jornal Sporting sobre os futuros craques que despontavam na Academia Sporting, não consta Dário Essugo?

P.S.3. E o FC Barcelona e Ansu Fati?

"Os clubes pequenos terão formação daqui a 10 anos?"

A autoria é de Vasco Samouco, "apareceu primeiro" n' A Tasca do Cherba e é de leitura obrigatória para quem se interessa pelo tema da formação de talentos.

Arrisco dizer que é possível que num futuro próximo o Sporting Clube de Portugal tenha de repensar a oferta formativa de que dispõe: a "interna" e a "comercial". Espero, contudo, que não aconteça qualquer alteração de fundo sem que os sócios tenham consciência do que está a acontecer. É muito fácil dizer que queremos mais Bolas de Ouro. Difícil, difícil, é acertar na escolha das metodologias e artífices que lá nos conduzem. 

Talvez possa não ser tão claro para o amante de futebol em geral (para mim, não era), mas a "simples" visão sobre que tipo de jogador deve integrar uma equipa de elite (talentos) pode ser francamente fracturante. Não é de desporto escolar que falamos, sabem? É de desporto de alta competição, e num clube em que o objectivo é, e deverá ser sempre, a Liga dos Campeões. Há quem queira alcançar 'rendimento'. É o imediato: jogadores "já fechados" e sem muita margem de progressão. E há quem admita 'rendimento' mas que lhes queira ver margem de progressão (aspectos que possam ainda ser melhorados). Se se treinar (privilegiar) a táctica ("rendimento") cria-se oportunidade para alcançar muito rendimento e ganhamos jogos, mas limita-se a formação global do jogador.

Leitura recomendada: Aurélio Pereira ao Record

Screenshot_20210324-120710~2.png

Em entrevista ao Record de hoje.

Recomendo vivamente a leitura atenta. Diplomata de craveira o nosso Mestre Aurélio. 

(...) O Sporting acabou de

estrear um miúdo com 16 anos.

É preciso coragem, não é? E só é

possível porque os miúdos vêm

para cá muito cedo. Habituam-

-se a estar num clube de topo e,

quando chegam aos 16/17 anos,

já os conhecemos bem. E eles já

não tremem. Não tremem! (...)

 

A ver vamos se as alterações que estão a acontecer na formação do Sporting permitem que daqui a 10 anos possamos dizer que a actual Direcção do Sporting Clube de Portugal deixou a mesma matéria-prima para brilhar. 

Esgaio e a geração perdida

transferir.jpg

 

Leio, com assumida tristeza, que o FC Porto quer contratar Ricardo Esgaio. Não me surpreende a escolha: considero Esgaio o melhor português a actuar como ala direito no campeonato nacional. Formado naquele que é um dos mais competentes núcleos de formação desportiva do continente europeu - a Academia leonina, de onde saíram dois Bolas de Ouro (Luís Figo e Cristiano Ronaldo) e um Bola de Prata (Paulo Futre). 

Esgaio distinguiu-se nos escalões de formação e ao serviço da equipa B do Sporting, tendo actuado várias vezes na equipa principal. Infelizmente, quando o "mestre da táctica" aterrou em Alvalade viu a sua progressão interrompida e acabou dispensado. Aconteceu-lhe o que sucedeu a tantos como ele, daquela geração intermédia que transita dos escalões juniores para o futebol profissional. Toda uma geração perdida devido ao nefasto papel de quem proclama que um jovem tem de "nascer dez vezes" para singrar num onze titular.

 

Assim perdemos Esgaio, para o Braga. Como perdemos João Palhinha, em boa hora resgatado ao mesmo clube - com os excelentes resultados que sabemos. Como perdemos Iuri Medeiros, Ryan Gauld, Matheus Pereira, Francisco Geraldes, Domingos Duarte, Carlos Mané, Mehdi Demiral e Gelson Dala. Jogadores que têm hoje entre 23 e 27 anos: alguns nunca chegaram a estrear-se na nossa equipa principal.

Reparo nisto e sublinho o contraste: que diferença em relação ao que se passa agora. Com um treinador como Rúben Amorim que nestes 13 meses como treinador do Sporting já lançou oito elementos da formação, apostando neles na equipa A leonina - três deles na época em curso: Gonçalo Inácio, Daniel Bragança e agora o benjamim Dário, apenas com 16 anos. O mais jovem de sempre a jogar entre os grandes no futebol português.

 

Um escorraçava-os. Outro acredita neles, confia neles, coloca-os a jogar e valoriza-os. Valorizando também o clube que os formou.

Não pode haver, também nisto, maior diferença entre o ciclo Jesus e o ciclo Amorim.

Inútil perguntarem-me quem eu prefiro: já todos conhecem a resposta. Gostaria de saber também qual é a vossa.

«É um verdadeiro box-to-box»

img_920x518$2021_03_22_01_06_08_1829159.jpg

 

«O Dário tem uma determinação, na sua capacidade de trabalhar e de treinar, que lhe permitiu esta ascensão meteórica junto do treinador, que lhe reconheceu o valor e não teve dúvidas em apostar nele. (...) É um jogador que, apesar de ser o típico n.º 6 defensivo, tem uma qualidade muito forte na procura de zonas de finalização. Tem um remate fortíssimo. Chegou a fazer golos de livre de grandes distâncias nas equipas em que participou, quer na selecção quer na formação do Sporting. É um verdadeiro box-to-box

 

Luís Dias - que trabalhou durante 21 anos (1998-2019) na formação do futebol do Sporting, das escolinhas aos juniores - anteontem, no canal 11

"São jogadores muito focados e cognitivamente desenvoltos" - talentos escandinavos a caminho!

«(...) o diretor desportivo da NF Academy, João Plantier, também louvou o acordo. "Descobrimos inúmeros atletas através dos programas que levamos a cabo e para o Sporting acaba por ser uma vantagem muito grande conhecê-los antecipadamente", vincou, corroborado por Gonçalo Nunes, igualmente responsável na NF Academy: "Há uma que achamos muito importante: a capacidade de disciplina. São jogadores muito focados e cognitivamente desenvoltos. Além disso, têm uma capacidade de assimilação, desenvolvimento e de potenciar o que já apresentam muito grande. Isso acaba por contrastar um pouco com o jogador português e pode trazer benefícios.»

A notícia saiu no Record, o negrito é meu e o sublinhado também.

Percebe-se assim melhor que a Equipa Selecção - composta por Paulo Moreira, Luís Branco, Nélson Barbosa, Akil, Libânio -, responsável por deslocar-se pelo país em visita às várias AFS e fazer o acompanhamento longitudinal dos talentos que lá temos, de maneira a tentar minimizar o erro na hora de escolher os jogadores que integravam as AFS e Academia de Alcochete, tenha sido dissolvida ainda em 2020. Também poderíamos eliminar as AFS, não? Parecendo que não, acabámos de estabelecer uma parceria (pro bono, certamente; não sendo pro bono ficará mais em conta, acredito eu) com especialistas no mercado escandinavo que, notem, detectam jovens jogadores cujas capacidades cognitivas se sobrepõem, ou melhor, "contrastam" (em bom), com as do jogador português...

Estes jogadores, cognitivamente muito "desenvoltos", com uma "grande capacidade de assimilação e de potenciar o que já apresentam" (palavras da NF Academy) quase nem precisarão de ser trabalhados (digo eu). Já chegam prontinhos, provavelmente. Que bom!

Screenshot_20210322-210911~2.png

Foto: Sporting Clube de Portugal

Formação, ADN no reino do leão

Dário Essugo, aos 16 anos e 10 dias, estreou-se ontem na equipa principal do Sporting C.P.

Durante a sua ainda curta vida, nunca viu o seu clube ser campeão, mas arrisca-se a sê-lo, ao ter sido aposta de Ruben Amorim, durante a partida disputada ontem em Alvalade, quando o resultado ainda estava em aberto.

À semelhança do que têm procurado, mas ainda não conseguiram, os doutos iluminados que dirigem o podre e fedorento tuga soccer, na senda do processo a Ruben Amorim, por falta de habilitações para exercer o cargo de treinador, com 10 pontos de avanço para o segundo classificado, nem imagino como estaria a classificação se tivéssemos um treinador qualificado, talvez descubram agora que foi violada uma qualquer lei, que possa punir o Sporting C.P., eventualmente exploração do trabalho infantil...

Grande mensagem de Amorim

mw-860.jpg

 

«Aqueles miúdos que estiverem na dúvida entre clubes sabem que aqui têm a porta aberta e que serão aproveitados.»

Rúben Amorim assume-se como porta-voz da SAD, um verdadeiro mestre de relações públicas em Alvalade. Confirmando o que já sabemos: o Sporting é campeão também a captar talentos. Não como "fezada", mas como política desportiva.

A prova vai sendo dada em campo, como hoje se viu: oito jogadores portugueses no onze inicial, oito jogadores da formação contra o V. Guimarães.

Connosco - com esta equipa técnica, com esta direcção desportiva - os miúdos não precisam de "nascer dez vezes" ...

Aposta na formação

Como tenho aqui repetido, a formação foi talvez a aposta mais forte deste presidente. Desde logo identificou os problemas até porque os conhecia muito bem enquanto director clínico do futebol do Sporting e apontou o caminho, e embora sempre pecando na comunicação (e valeria explicar mais e melhor o que foi feito e o que falta fazer) não há dúvida que os resultados estão à vista de todos.

Que resultados são esses?

1. Recuperação do complexo de Alcochete e do Polo do Estádio Universitário e reformulação da estrutura técnica com a chegada dum director transversal, formação e liderança, o ex-seleccionador de rugby e grande sportinguista (e se calhar é mesmo preciso naquele lugar alguém que sinta a camisola) Tomaz Morais.

2. Promoção ao plantel principal dum grupo de elite de Alcochete, identificado e fidelizado, reforçado por aquisições de jovens sub21 de grande potencial

Neste momento temos Max, Quaresma, Inácio, Nuno Mendes, Bragança, Matheus Nunes, Tiago Tomás, Porro, Jovane, Plata, Camacho, Pedro Marques e Pedro Mendes, os 3 últimos já com minutos na A mas actualmente emprestados. Todos devidamente protegidos com contratos de longa duração. E quase todos já a frequentar as selecções de Portugal, Espanha e Equador.

3. Recuperação da equipa B. Apenas com base nos sub23 do ano passado e quase sem recurso a contratações específicas, mesmo nada de Sackos, Dramés e Gazelas como no tempo do Inácio. Foi possível dispor duma equipa B a competir no Campeonato de Portugal, exigente a vários níveis, devendo terminar em 2.º lugar da sua série atrás do renascido e bem financiado Amadora, o que a deverá conduzir à futura 3.ª Liga. No fundo, irá jogar no patamar em que Beto, José Fonte, Miguel Garcia e muitos outros cresceram para o futebol. Nesta equipa destacam-se Bruno Paz e Nuno Moreira.

4. Empréstimos para jogar. Neste momento, Pedro Marques, Pedro Mendes e Rafael Camacho jogam e marcam nos clubes da 1ª Liga de empréstimo. Ivanildo segue também emprestado ao Almeria. 

Sobre os sub-23 pouco há a dizer. Com a competição interrompida nos escalões de formação, existe ali um plantel alargado e uma rotação de jogadores que impede melhores resultados. De qualquer forma há ali muita qualidade, como Hevertton, Joelson, Geny Catamo e Tiago Ferreira. Se calhar até mais qualidade do que na B.

Estamos numa situação curiosa. Em 10 jogos Sporting - Benfica dos escalões sub-23 e B, se calhar neste momento o Benfica ganharia 8 ou 9. Mas na 1.ª Liga, e com aqueles jovens que já ultrapassaram aqueles escalões, o Sporting segue bem à frente dum Benfica tipo "legião estrangeira", com um ou outro (e muitas vezes nenhum) jogador da formação. 

O Sporting já fez o mais difícil, agora tem de fazer o resto também e isso virá com tempo. Se calhar agora quando um jovem craque tiver de escolher (ou a família por ele), vai ver em Alcochete uma casa que produz titulares do clube e no Seixal uma casa que produz saltimbancos.

A Academia de Alcochete, a casa sonhada pelo grande senhor Aurélio Pereira, em vias de ser a Academia Cristiano Ronaldo, que além de enormes jogadores - Figo, Nani, Rui Patrício e tantos outros - produziu um dos maiores jogadores de futebol de sempre, esse mesmo que lhe vai dar o nome.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

A formação do Sporting está em declínio (2)

Screenshot_20210316-150720~2.png

João Palhinha

Nuno Mendes

 

Screenshot_20210316-154003~2.png

 

Rui Patrício

Cédric Soares 

José Fonte 

Domingos Duarte  

João Moutinho 

Cristiano Ronaldo 

 

Cinco dos dez campeões europeus formados pelo Sporting continuam a ser convocados.

Para além destes, integram a convocatória três novos jogadores formados pelo Sporting, dos quais dois são titulares na equipa principal e um tem idade de júnior. 

Menção honrosa para o Capitão Fernandes, para Bruno Fernandes. 

A formação não ganha campeonatos? Não, mas ajuda...

22030321_cTO8c.jpeg

(Foto da equipa sub23, com o capitão Hevertton Santos em destaque)

 

Ouvi ontem o Vieira na sua "conversa em família" justificar ter mudado a agulha, trocar Bruno Lage por Jorge Jesus, e a aposta no Seixal pelos grandes craques, pela pressão dos sócios (diz ele que não é nem quer ser o dono do clube, ahahahaha) que queriam ganhar e que berravam que "a formação não ganha campeonatos". E o Benfica de Jorge Jesus, na pior época dos últimos anos, já entrou em campo sem um único formado no Seixal.

Aqui no Sporting passámos pelo mesmo. Da melhor equipa B de sempre, do tempo de Godinho Lopes (das únicas coisas boas que deixou no meio de toda a desgraça que foi a sua presidência, efectivamente), com João Mário, Esgaio, Bruma, Arias, Dier e muitos outros, passámos para autocarros anuais de contratações, quase uma centena delas em cinco anos, de Mathieus a Castaignos - as últimas foram Bruno Gaspar, que finalmente lá conseguimos despachar para o Canadá (ainda me recordo da assistência perfeita para golo do Porto, felizmente falhado, na final do Jamor, foi mesmo à frente do meu local da bancada), um Viviano gordo e coxo, e um Jatobá que deve estar algures por lá. Em Jatobá. E uma equipa B condenada à extinção.

Quando se criticava este estado de coisas (Domingos Duarte e Demiral sem oportunidades; Douglão e André Pinto a serem contratados; Palhinha sem jogar e Petrovic a vir; Esgaio sem oportunidades e Schelotto, Piccini, e Ristovski a chegarem, etc, etc) muita gente se insurgia, queria títulos a todo o custo, e lá vinha com "é preciso pôr a jogar os melhores" e "a formação não ganha campeonatos".

 

Quem conhecesse minimamente a história do Sporting facilmente chegaria à conclusão que a formação tinha desempenhado um papel relevante nas melhores épocas, naquelas em que fomos campeões, particularmente com Malcolm Allison e Boloni, ou nas outras em que não o fomos mas estivemos perto e ganhámos taças, como com Paulo Bento.

Não sabemos como esta época vai acabar. Ainda há muitos jogos por disputar. Mas, do que vimos até agora, parece que esta época é a prova de que a formação é essencial para isso mesmo... ganhar os títulos, ganhar os campeonatos.

O Sporting lidera o campeonato e tem o mais próximo do trio perseguidor a 9 pontos de distância. Fez isso com um plantel em que cerca de 50% foram formados ou acabados de formar em Alcochete, e as equipas apresentadas reflectem isso. Contra o Porto jogaram Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Palhinha, João Mário, Jovane e Tiago Tomás. E no banco estavam o Luís Maximiano e o Daniel Bragança. 

 

A formação não ganha campeonatos. Quanto muito ganha o campeonato dos sub-23. Mas quando à formação se junta um grande treinador, um lider com uma competência muito grande de lidar com jovens (como é Rúben Amorim, como foram Malcolm Allison, Boloni e Paulo Bento), um punhado de "velhos guerreiros", profissionais sólidos, curtidos por múltiplas batalhas e que garantem um bom balneário, e alguns craques na idade certa para explodir, estão as condições reunidas para... os campeonatos se ganharem.

E temos de volta a equipa B, na luta - também ela - pelo título da sua série do Campeonato de Portugal, brilhantemente capitaneada pelo Bruno Paz, que conta agora com Quaresma e Plata e Luiz Phelyppe para a ajudar a atingir os seus objectivos.

O Sporting está no rumo certo. Reencontrou o seu projecto, o único que faz sentido desportiva e financeiramente: a aposta na formação, a rentabilização daquela escola de jogadores lançada por Aurélio Pereira e que encontrou em Alcochete as melhores condições de trabalho. Escola essa por onde passaram alguns dos melhores jogadores do mundo: Cristiano Ronaldo, Figo e Paulo Futre. 

#OndeVaiUmVãoTodos

De pedra e cal - Formação de Talentos: duas actualizações e um agradecimento

Verdadeiro ADN Sporting

 

Acreditem na formação, estejam atentos à formação que o Sporting tem muito talento na formação e de mim, podem esperar tudo por este Clube.

 

IMG-20200802-WA0059~3.jpg

Aurélio Pereira e Gonçalo Simões Dias 

As palavras são de Gonçalo Simões Dias jogador que muito recentemente assinou contracto de formação com o Sporting Clube de Portugal o que, em termos práticos, significa que integrará uma equipa na nossa Academia, em Alcochete, e que não só já havia sido destacado, aqui, no És a Nossa Fé, como foi apresentado como central de 2006 de grande classe, jogador de enorme qualidade técnica e dimensão física.

Diz a voz off da peça apresentada pela Sporting TV (na qual se comunicava a assinatura deste jovem jogador) que veio da Academia Sporting do Sul do País. Digo-vos eu que este jogador fez apenas um jogo treino pela AFS – Algarve e participou apenas num torneio organizado pelo então responsável máximo pela AFS – Algarve, torneio este disputado por: Sporting Clube de Portugal, Linda-a-Velha, Quarteirense, Armacenense e Padernense. Gonçalo Simões Dias esteve integrado, sim, no Padernense Clube**, clube ao qual pagamos para utilizar as instalações e onde acontecem os nossos treinos (AFS – Algarve).

O caminho é longo, este é apenas mais um pequeno passo, mas o Gonçalo é produto, sim, da teimosia e know-how (perdoem o anglicismo) feito de experiência acumulada de um ex-colaborador nosso. Homem que desafiou o cânone e ousou encontrar uma alternativa à rigidez estéril.

Esclareço: até aos 12 anos os jogadores são integrados nas AFS e a partir dessa idade, ou integram a Academia em Alcochete ou não preenchem os requisitos para treinar num Clube como o Sporting e são convidados a procurar outras solucções (o Sporting mantêm-os, ainda assim, em observação). Há quem, na área da formação de talentos, saiba que alguns jogadores revelam qualidades que nos interessam depois desse limite rígido. Foi com base nesse conhecimento empírico que João Nunes juntou vários jogadores com 12 anos que não interessavam ao Sporting Clube de Portugal, Sport Lisboa e Benfica (proveniência do Gonçalo, dispensado do Seixal) e a outros clubes, 13 anos em situações em que só o treinador acreditava, 14 anos apenas em condições muito excepcionais, e criou uma equipa em parceria com o Padernense. O Padernense pagou todas as despesas inerentes à existência desta equipa, competindo a mesma com as suas cores, constando Simão Mendes como treinador na ficha de jogo, e João Nunes treinou-a de forma pro bono, com um compromisso assumido: em caso de sucesso, seriam jogadores a integrar no Sporting Clube de Portugal. Foi a forma que encontrou para aumentar a possibilidade de “descobrir” (trabalhar) talentos para os do Leão Rampante para além das imposições ditadas pelo cânone e… pela sua folha de vencimento e orçamento nunca ultrapassado.   

No caso do Gonçalo, a Glória é ainda maior já que depois de os técnicos do Seixal dispensarem o jogador, só os responsáveis pela formação do Sporting, no Algarve, acreditaram no seu potencial e, acresce, que jogador e pais deram um verdadeiro salto de fé: se quiserem que o Gonçalo seja um jogador “normal”, que continue a lateral e extremo [posições em que treinou/jogou no Seixal]. Se quiserem excelência têm de deixar-me treiná-lo a central.

Gonçalo Simões Dias, 15 anos, central, tem hoje em Gonçalo Inácio a sua grande referência.

O caminho é longo, este é apenas mais um pequeno passo, mas o Gonçalo é produto, sim, da teimosia, trabalho árduo e know-how (perdoem o anglicismo) feito de experiência acumulada de um ex-colaborador nosso e de um outro que ainda o será. Digo, ainda o será, já que neste período sombrio, prenhe de incertezas, não se sabe quando a implacável pandemia poderá alargar o raio de consequências condensado no despedimento colectivo de todos conhecido.

Já se sabe que, ser bom, muito bom, ter provas dadas ao serviço do Sporting Clube de Portugal, pode não ser suficiente para assegurar que um colaborador se mantem ao serviço… do Sporting Clube de Portugal. 

 

Screenshot_20210212-160823~2.png

João Simões

Diz a peça escrita que João Simões, outro jovem jogador que assinou contracto de formação com o Sporting, nos chegou vindo do Portimonense. João Simões fez a sua formação inicial no Portimonense. É, dentro do universo Sporting, o chamado jogador de fim-de-semana. Ou seja, durante toda a época 2018/2019, treinou sempre na Escola Academia de Formação Sporting Algarve (AFS - Algarve), rumando a Lisboa, ao Pólo EUL, ao fim-de-semana, para competir. Situação que se repetiu durante a toda a época 2019/2020, até ao confinamento. Também João Simões já foi apresentado aqui, no És a Nossa Fé: 8, que pode ser um médio de cobertura também.

 

Screenshot_20210212-161750~2.png

Afonso Atanásio Cunha *** (ver edição de 14 de Abril, infra, sobre nome do jogador)

Há um terceiro jogador que aqui, no És a Nossa Fé, foi apresentado como Afonso Cunha, que se intitula 'Afonso Cunha' no seu perfil de facebook, que se chama Afonso Atanásio Cunha, e que foi apresentado pelo Sporting Clube de Portugal como ‘Atanásio Cunha’ aquando da assinatura do seu contracto de formação em Janeiro último. Foi, aqui, no És a Nossa Fé, dado a conhecer como central, pé direito, posição 3 e na condição de aluno de uma EAS resgatado numa captação do FC Porto.

Desengane-se quem pensa que esta é uma iniciativa para glorificar João Nunes. João Nunes é, muito infelizmente, navio que já zarpou. Este texto tem por objectivo constituir uma dupla actualização e um renovado agradecimento. Um follow-up, se preferirem e, claro, para aqueles que privilegiam a utilização de anglicismos. Parece nota dominante, nos dias de hoje, anglicismos e frases inspiracionais. Para alguns, dois pilares fundamentais, diria mesmo. Para outros, a formação tem mais de transpiração (muito trabalho) do que de inspiração.

Infelizmente, para além das boas notícias que exponho acima, volvidos seis meses, nada mais de positivo tenho para partilhar na sequência dos três textos que aqui foram apresentados a 2, 3 e 8 de Agosto de 2020. Versavam ‘Formação de Talentos’ e a situação específica da ‘Escola Academia de Formação Sporting Clube de Portugal – Algarve (AFS – Algarve)'.

Pese embora o aumento da despesa feita com as condições proporcionadas na AFS - Algarve, que se traduziu no aumento de técnicos (curiosamente, André Gomes, de Portimão, que em tempos fez formação no Pólo EUL, e foi admitido em Agosto de 2020, já nos deixou), no oferecer de equipamentos do Sporting aos irmãos de jogadores nossos e… na disponibilização de um número de telemóvel e de e-mails para os quais os pais poderão dar nota de situações que lhes mereçam reparo (anteriormente, o element de liaison entre pais/encarregados de educação e "Sporting" era um ser-humano), os pais referem que as condições trazidas por Paulo Poejo, o agora responsável máximo pela AFS – Algarve (funções que desempenhava anteriormente, aqui), não estão a funcionar. Acrescentam que há quem relate alterações negativas muito visíveis ao nível da motivação para treinar e até ao nível do desempenho escolar. É em competição que muito do trabalho diário - feito nos treinos - é avaliado, é certo que as competições foram interrompidas, contudo, face ao que observam, as expectativas dos pais não são boas e, claro, o facto de ter sido feita a avaliação regular em Alcochete e, desta feita, nem um ai ter sido divulgado sobre o resultado da mesma, não augura nada de bom. Sim, é verdade que em teoria aos pais não é devida essa informação mas foi dos mesmos sempre conhecida e chegou a merecer ampla cobertura pelos órgãos de comunicação do Sporting Clube de Portugal, nomeadamente através da Sporting TV. Infelizmente, rumor has it (é outra vez aquilo dos anglicismos super cool, sabem?) que os pais têm razões justificadas para preocupações. Não nos esqueçamos, também, que todos os jovens jogadores de norte a sul do país estão sujeitos às limitações trazidas pela pandemia, daí que dificilmente se poderá apontar ‘efeito da pandemia’ como causa maior ou única, para justificar alterações negativas. Sobretudo, quando as alterações são… grandes. Mesmo muito grandes.

Actualizações feitas, uma dor de alma maior do que o rio Guadiana ou do que um ou dois dos oceanos que nos separam daqueles que deram provas de saber trabalhar talento futebolístico, passo ao agradecimento aos membros da estrutura invisível que ao longo dos últimos muitos anos asseguraram a Glória que o Sporting tem conseguido alcançar, no fundo, aqueles cujo trabalho tem permitido que o Sporting Clube de Portugal esteja de pedra e cal.

A todos quanto:

- abandonaram situações laborais estáveis, prescindindo de direitos relevantes para abraçar funções no Sporting Clube de Portugal, dando provas máximas de competência e ainda assim foram dispensados;

- pagaram do vosso bolso aquilo que em clubes rivais é pago ou estornado pelo próprio clube;

- prescindiram de férias, folgas, licenças de parentalidade (!) de maneira a proporcionar que fossem asseguradas as melhores condições possíveis a jogadores, ou ao próprio Sporting Clube de Portugal, e, pior, quando o fizeram sem que o Sporting sequer vos pagasse um vencimento;

- disponibilizaram gratuitamente as vossas viaturas* para serem percorridos inúmeros quilómetros a favor da observação de jogadores que poderiam interessar ao Sporting Clube de Portugal;

- mudaram de área profissional quando nos deixaram, para não vermos a vossa expertise ao serviço dos nossos adversários (profissionais de craveira, país pequeno, 3 clubes grandes...);

- mudaram de país e/ou de continente para não vermos a vossa expertise ao serviço dos nossos adversários (profissionais de craveira, país pequeno, 3 clubes grandes...);

- após anos de trabalho meritório, viram-se ultrapassados por colaboradores recentemente chegados ao Clube sem que a qualidade do vosso trabalho declinasse;

- após anos de trabalho meritório, sem que a qualidade do vosso trabalho tivesse declinado, viram-se excluídos do Clube de uma forma em que os direitos acumulados possam ter sido franqueados;

- trabalharam o dobro por conta de indisponibilidades de última hora de privilegiados,  e continuaram a trabalhar debaixo de intenso sol, chuva, quando o hotel onde estavam instalados deixava muito a desejar (por contraponto a quem ficou no aconhego do seu lar), enquanto outros estavam (coitados) privados de trabalhar porque a VPN estava indisponível;

- trouxeram verdadeiras pérolas da formação, nacional e estrangeira, à Academia Sporting para verem o vosso parecer abalroado por especialistas e directores nossos, e estas mesmas pérolas ao serviço de outros clubes (arqui-rivais ou mundialmente muito reconhecidos);

- não se calaram, não se deixaram intimidar, não deixaram de tecer considerações úteis ao Clube, pondo a vossa permanência no Sporting Clube de Portugal em risco, já que ao fazê-lo, poderiam estar a demonstrar/mostrar a inadequação de medidas e, por arrasto, a impreparação de superiores hierárquicos...

a todos, o meu reconhecidíssimo agradecimento e sinceríssimos votos de enormes felicidades, também profissionais. 

Antes de concluir, a correcção de uma imperdoável omissão. Publico hoje o rosto de um elemento da estrutura invísivel que nos deixou recentemente: o de Nuno Mota (16 anos ao serviço do Sporting Clube de Portugal): coordenador operacional de recrutamento do futebol de formação.

Screenshot_20210212-190723~2.png

Imagem: Sporting TV, Fevereiro de 2020

Termino, com imagens. As de Bernardo Busatori, reconhecido talento inato, exactamente como gosto de vê-lo, e onde só quero vê-lo: ou lá no alto (de troféu nas mãos), ou connosco aos seus pés. É a única posição em que admito ver talentos inatos que nos são confiados e que só aparecem a cada muitos anos.

IMG-20210212-WA0005.jpg

(1)

IMG-20210212-WA0007.jpg

(2)

Imagens 1, 2: Bernardo Busatori e José Peseiro, Torneio Professor José Peseiro 2019, daqui.

* Em alguns casos, existe a possibilidade de pagamento de uma pequena quantia (por ex. 100€) quando são transportados jogadores para a AFS.

**Edição: Padernense Clube em vez de Padernense Futebol Clube

*** Edição de 14 de Abril: nome de atleta: Atanásio Afonso Miranda Cunha, tal como figura no site zerozero nesta data.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D