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És a nossa Fé!

Criar uma política de formação

Durante anos o Sporting vangloriou-se de ter a melhor escola portuguesa de formação de jogadores, frequentemente comparada ao Ajax. Paulo Futre, Luís Figo, Dani, Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, João Moutinho, Luís Nani, Rui Patrício ou William Carvalho entre vários outros que me dispenso de enumerar, sob pena de tornar a lista demasiado extensa, projectaram internacionalmente o jogador português e com eles, a selecção nacional cresceu exponencialmente, passando de esporádicas presenças nos grandes eventos a cliente habitual e até potencial favorito à conquista dos troféus.

Outros clubes, os rivais não andam propriamente a dormir, apostaram de forma séria na formação, ao passo que nós a descurámos, o resultado está à vista, nenhum jogador formado em Alcochete abaixo dos 23 anos tem hoje a mínima hipótese de aspirar a envergar a camisola da selecção nacional portuguesa. É um facto e se quisermos perceber como chegámos aqui, há que ser sérios, enquanto o principal rival prescindiu do treinador que não conseguiu ver em Bernardo Silva, João Cancelo ou Gonçalo Guedes, talento suficiente para evoluir na equipa principal, substituindo-o por treinadores que lançaram Renato Sanches, Ruben Dias ou João Félix entre outros, nem todos com igual sucesso, o que seria obviamente impossível, mas a aposta está lá, só não vê ou desdenha quem não quer ver ou estiver de má-fé. E nós que fizemos? Fomos buscar o iluminado mestre da táctica de que o rival em boa hora, para eles, se livrou e com ele um camião de entulho. Gelson Martins e também Ruben Semedo foram excepções, direi que as últimas apostas sérias da formação, ambos já com idade superior a 23 anos. Abaixo desse patamar havia Rafael Leão, que saiu do clube nas circunstâncias que conhecemos, em rota de colisão com o ogre que dirigia o clube de forma errática, do qual em boa hora nos livrámos.

Não adianta exigir a Marcel Keizer que coloque em campo jogadores da formação sem qualidade para ombrear com os rivais e exigirmos simultaneamente vitórias e títulos. Existe novamente talento na formação, mas abaixo dos 18 anos, pelo que será expectável que dentro de 1 a 2 anos possamos novamente ver a evoluir no relvado jogadores formados em Alcochete. Um clube como o Sporting precisa receitas, o que implica vender jogadores. Não é possível esperar que um jogador acabe de se formar aos 24 ou 25 anos, para depois valorizar 2 ou 3 anos na equipa principal e vendê-lo aos 28 anos. É tarde! O mercado não funciona assim.

Os melhores jogadores aos 20 anos já têm que merecer uma oportunidade na equipa principal. Outros, com elevado potencial, mas sem lugar na equipa, precisam rodar emprestados ou na equipa B, que foi extinta por uma má decisão do ogre. Eventualmente alguns poderão despontar de forma tardia, também acontece, pelo que deveria ser política do clube incluir cláusulas de recompra na cedência de jogadores, que por regra não serão accionadas, mas por vezes acontecem surpresas e não gostamos de ver os rivais abonados pelas pérolas que formámos. Confio na actual direcção, uma estratégia pode ser rapidamente delineada, mas coloca-la em prática requer sempre tempo, por isso defendo que as avaliações devem ser feitas no final dos mandatos. Para já, os sinais são positivos, a restruturação em Alcochete, o scouting, vamos confiar que a médio prazo estaremos de novo no lugar que nos pertence, mas até lá, não basta engrossar a voz, teclar, berrar ou insultar, é mesmo preciso trabalhar...

Engenharia de Ponta

Pois com a vitória de hoje, perante uma grande selecção holandesa recheada com alguns jogadores jovens de topo (Ajax, Liverpool, e outros) e que tinha acabado de eliminar a Inglaterra, não há como não dar o mérito a Fernando Santos.

Depois duma vitória contra a Suíça conseguida com um losango confuso e muito à custa do Cristiano Ronaldo, teve a humildade de repensar tudo aquilo, com Danilo e William construiu uma zona central de betão, e com o Bernardo e o Guedes foi buscar a agressividade ofensiva que deu cabo dos holandeses. Mas para que isso acontecesse, o (enorme) Patrício, Ruben e Fonte  estiveram imperiais, o Bruno Fernandes tentou e quase marcou, os laterais estiveram também muito bem, uma grande equipa que ganhou a uma grande selecção. Se calhar, o pior de todos foi o Cristiano, e até esteve muito bem, só que os outros superaram-se.

Mais vale jogar bem e ganhar do que jogar mal e perder. E Portugal jogou bem e ganhou. As finais não são para jogar, são para ganhar. E Portugal ganhou. Podia até ter ganho por mais. Sendo assim, parabéns a todos. 

E para o Sporting o que fica desta grande vitória?

Dos 14 jogadores que entraram em campo por Portugal, 5 foram formados em Alcochete, 5 foram formados no Seixal, e 4 algures (Porto, Boavista, V. Feira e França). A questão é que os 5 formados em Alcochete já passaram dos 30 (e no Sporting não estão), e do Seixal muitos que jogaram são dos mais novos. Pensando que fomos campeões de Iniciados, segundos nos Juvenis (depois do Benfica), terceiros nos Juniores (depois do Porto e Benfica), terceiros nos sub-23 (depois do Aves e Rio Ave), e que a equipa B foi extinta, se calhar temos aqui uma travessia do deserto que vai demorar alguns anos a superar...

 

PS: Fernando Santos e Marcel Keizer, a mesma humildade, a mesma teimosia nos seus conceitos nem sempre muito óbvios e menos ainda populares, mas a mesma capacidade de chegar às finais e ganhar. Porque será? Do Guaraná?

SL

Sporting planeia regresso da equipa B a curto prazo

Disse Tomaz Morais, o coordenador do gabinete de formação interna e liderança  do Sporting numa conferência organizada pela Rádio Renascença em Lisboa:

"Uma das linhas a curto prazo passa por restabelecer a equipa B. É fundamental na perspetiva atual. Não a devíamos ter largado. É uma ferramenta estratégica. Mas há que ter as condições e infraestruturas certas. Estamos a trabalhar nelas."

Simples e claro, não é ? É a ideia que tenho de Tomaz Morais.

Nem sei quantos jogos vi ao vivo das equipas B do Sporting ao longo dos anos, largas dezenas, desde o "protocolado" Lourinhanense com Boa Morte, passando pela fase 2ªB com Beto, José Fonte, Miguel Garcia, Custódio, e muitos outros, até à fase 2ª Liga aquela com Bruma, Dier, Ilori, J.Mário, Esgaio e tantos outros. Com a equipa B visitei estádios velhinhos e decadentes à volta de Lisboa, como os do Barreirense, Amora, Seixal, Amadora, Desp. Olivais ou Oriental.

Julgo que um ponto importante a analisar no regresso da equipa B é o local dos jogos, Alcochete fica demasiado longe para o efeito, Rio Maior que foi solução provisória ainda fica mais longe e torna muito difícil o acompanhamento e usufruto dos sócios. Um estádio como o de Odivelas ou o de Loures seria o ideal.

SL

"O futebol tem de formar e educar"

"Há muita gente que trabalha no que não gosta, ganha pouco e o que lhe dá alegria é ver a sua equipa ganhar ao fim-de-semana. Não acredito que os adeptos que fazem mais barulho são a maioria, mas os clubes ouvem esses. Acredito que há muita gente que não se revê na comunicação dos clubes", concluiu Peseiro [nesta entrevista que recomendo a leitura].

Keizer e a formação. Contributos para o debate (2)

Na sequência do post do Pedro Boucherie Mendes, venho também eu lançar algumas ideias sobre este tema.

1. Keizer chega ao clube no meio duma época tremendamente complicada, onde muita coisa estava em causa e a sua prioridade era mesmo salvar a época, o que conseguiu com muito mérito e boa nota.

2. Keizer chega ao clube num momento em que não existe equipa B e os melhores jovens estão numa competição sub23, a competir com as equipas C das melhores equipas da Liga, e com espaço e tempo para golos para todos os gostos.

3. Keizer chega ao clube com um plantel cheio de entulho. Jogadores que tinham perdido a sua oportunidade de titularidade no Sporting alternavam entre o banco e a bancada e aguardavam (alguns aguardam) o momento para sair, tapando lugares que poderiam ir para jovens promessas (se elas existissem).

4. Keizer chega ao clube num momento em que apenas duas promessas, Miguel Luís e Jovane, estavam a ser lançadas e a jogar regularmente, porque outros que poderiam lá estar tinham rescindido ou sido emprestados. Assim R. Leão, Podence, Demiral, F. Geraldes, M. Pereira, Ivanildo, Mama Baldé e outros não estavam lá quando Keizer chegou. O facto é que M. Luís e Jovane, por alguma razão, quando foram chamados por Keizer raramente se destacaram e até foram titulares num ou noutro mau momento da temporada, por exemplo, na derrota do Sporting-Villarreal.

5. De todos os jovens emprestados ainda com contrato os únicos que deram o salto para outro patamar de rendimento foram Mama Baldé e talvez M. Pereira. Os outros evoluiram mais ou menos mas sem destaque (D. Bragança não se impôs no Farense e perdeu a titularidade), ou mesmo fracassaram, alguns tiveram lesões que comprometeram parte da época. F. Geraldes fracassou na Alemanha, Ryan Gauld na Escócia, Iuri na Polónia, Mané na Alemanha também.

6. Ao longo da época Keizer tem chamado jovens da academia aos treinos, e com certeza já percebeu com quem pode contar na próxima época daquela área.

7. A selecção sub-21, quer gostemos ou não, e teorias da conspiração à parte, é reflexo da pouca qualidade e da falta de competição exigente da nossa formação naquele escalão etário. 

Concluindo, Miguel Luís e Jovane à parte, e temos que ver o que passou com aqueles dois (treinos? contratos?), o problema não está em Keizer: está na formação.

 

E agora, o que fazer?

1. Procurar ter uma quota mínima de jovens da academia na primeira equipa. Isso passa por não ir contratar jogadores para determinadas posições quando temos em casa iguais ou melhores. 

2. Recuperar a equipa B ou encontrar forma de pôr a rodar na segunda Liga (a jogar e não a aquecer o banco) os melhores sub-23,  fazendo nesta equipa uma gestão mais de espaço de treino que outra coisa, como fazem os outros. Ou então seguir o exemplo do Porto.

3. Depois, apostar nos jovens que formámos e os jovens que formámos apostarem no Sporting. WinWin.

 

P.S.: Lembram-se da equipa B do Sporting com Godinho Lopes, onde Jesualdo Ferreira foi buscar jogadores para salvar a época e que Bruno de Carvalho herdou? 

Era assim: Vitor Golas; Santiago Arias, Pedro Mendes, Tobias Figueiredo, Tiago Ilori, Eric Dier; Zezinho, João Mário, Esgaio, Bruma (Iuri Medeiros); Betinho (Diego Rubio)

O Arias está no Atl. Madrid, o P. Mendes no Montpellier, o Dier no Tottenham, o Bruma no Leipzig Red Bull (?), o João Mário no Inter ...

E que herdou Varandas?

SL

Keizer e a formação. Contributos para o debate.

Vi ontem a segunda parte do jogo dos sub-não-sei-quê portugueses com a Argentina. Futebol individualista, de proto-vedetas (endeusadas pelos jornais, cobiçados pelo Guardiola, cavaleiros dos sete reinos), que se atiram sistematicamente para o chão procurando que os argentinos fossem expulsos ou amarelados, sem rigor tático nenhum, só com olhos na baliza alheia, como se fosse futebol de amigos ao domingo de manhã.  
Jogadores lusitanos tão novos, com tanto teatro, pressionando e enganado o árbitro com esquemas, fintinhas, egoísmo, sem levantar os olhos da bola, futebol de inconsequência e falta de canetas e esclarecimento na hora H.
No meio-campo, quem lá estivesse que se aguentasse à bomboca com os argentinos.
No banco, uma equipa técnica serena e impávida.

E o burro é o Keizer ?

Penso que quase todos estarão de acordo em que a formação é um pilar essencial do ADN do Sporting, e quando pensamos em Futre, Cristiano Ronaldo, Figo, Nani, Rui Patrício e tantos outros, pensamos em miúdos que chegaram muito novos e encontraram no Sporting as condições essenciais para se conseguirem desenvolver e catapultar para outros voos. (Salvé mestre Aurélio Pereira)

Infelizmente nem sempre quem foi formado em Alvalade ou em Alcochete demonstrou a gratidão que se poderia esperar, se calhar muito por culpa do contexto menos nobre do futebol profissional, dos engodos e armadilhas dos seus empresários e agentes, de desleixos internos, e quando se junta a esse contexto uma crise no clube, por culpa de quem já sabemos, tornou-se possível que com mais ou menos razão conforme os casos, existisse no final da época passada uma debandada de jogadores formados no clube, alguns deles capitães, Rui Patrício, William, Gelson, Podence e Rafael Leão, hoje em dia todos eles a demonstrar o seu valor nos respectivos clubes. Antes deles foram Adrien e João Mário nas condições que se conhecem.

Quando a essa debandada se junta o fim da equipa de "estágio" pré-primeira equipa, a equipa B, em detrimento duma equipa de sub-23 a competir contra equipas C (as sobras) dos principais clubes, Benfica, Braga e Guimarães, está montado um cenário complicado.

Então o que tivemos esta semana:

1. A equipa A a golear fora de casa o Belenenses por 8-1, a maior goleada há 34 anos, sem nenhum jogador da formação nos 14 utilizados, e reforçando o 3.º lugar depois do Benfica e Porto. 

2. A equipa sub-23 a ser eliminada por 4-2 pelo Rio Ave na Taça dos Sub-23, repetindo a classificação do campeonato, ou seja, na prática ficou em 3.º lugar na categoria, depois do Rio Ave e Desp. Aves (!!!). Com as grandes esperanças da formação, Miguel Luís e Thierry Correia, no onze titular. Com outros estrangeiros promissores, Paulinho, M. Nunes, Túlio e Plata no onze também. Sem Bragança e Baldé que foram para a 2.ª liga, sem grandes rasgos a registar.

Obviamente temos que registar um ou outro produto da formação a explodir em clubes de empréstimo. Por exemplo, Mama Baldé e... Mama Baldé... e já falei em Mama Baldé??? Outros ainda na fase de prometer qualquer coisa. Ou de darem algum numa possível venda.

No que a mim diz respeito, há muito que entendo que deveria haver uma quota mínima para a formação no plantel da equipa A do Sporting. Prefiro mil vezes ver um Jovane a titular do que um Diaby, um Thierry Correia a defesa direito do que um Ritskovski, e assim sucessivamente. E muito gostaria de ver F. Geraldes no onze titular do Sporting. Ou o Max. E desafio qualquer um deste blogue a demonstrar que acompanhou mais do que eu as equipas B do Sporting em Alcochete e fora dele.

Entendo também que apostar num jovem requer paciência e continuidade. Aquela que Jorge Jesus teve com Gelson Martins e poucos mais. 

Mas tendo em conta resultados e performances, não esquecendo o desempenho dum ou outro dos citados em diversos momentos desta temporada, importa perguntar:

E o burro é o Keizer?

SL

E não se pode naturalizar o Bas Dost ? (parte 2)

Dizia eu depois do jogo com a Ucrânia que "Mas que falta faz um verdadeiro ponta de lança à selecção portuguesa, um Benzema para o Ronaldo, um pinheiro que arraste a defesa e deixe espaços para o Ronaldo aproveitar.  André Silva e o faltoso e manhoso D. Sousa não dão conta do recado. Porque não naturalizar o Bas Dost, não este dos últimos tempos, post traumatismo craniano e pai recente, mas o outro, o letal ponta de lança que marcou dezenas de golos pelo Sporting?"

Bom, hoje depois da lesão de Ronaldo mais ainda se notou a falta dum ponta de lança de classe na selecção portuguesa. D.Sousa uma inutilidade, faltoso na área, e quase conseguiu não acertar um passe durante todo o tempo que esteve em campo.

Desta vez, Portugal apresentou 14 jogadores, 3 made in Alcochete (Ronaldo, Patrício e William), um deles o melhor jogador português de todos os tempos mas que não durou muito, 5 made in Seixal (Danilo, Cancelo, R. Dias, B. Silva e Guedes),  1 made in Olival (A.Silva), mais Pepe (que até passou pelo Sporting), Pizzi, Rafa, R. Guerreiro e D. Sousa.

Dos 3 made in Alcochete, 2 saíram com o destituído, aqueles que diz ele que já queria correr com eles há uns tempos mas o Jesus não deixou. E assim, do Sporting ZERO. ZERO. É o que temos. Uma dor de alma.

Quanto ao jogo, foi um jogo aberto à moda do Keizer, que podia ter terminado com 4-3 ou 5-2,  Portugal desperdiçou oportunidades para ganhar folgadamente, o guarda-redes defendeu magistralmente 1 ou 2, William falhou 2 ou 3, o árbitro foi enganado pelo assistente e lá se foi um penálti, e foi assim... dois empates em casa com os outros dois candidatos. Podia ser pior.

SL

E não se pode naturalizar o Bas Dost ?

Mas que falta faz um verdadeiro ponta de lança à selecção portuguesa, um Benzema para o Ronaldo, um pinheiro que arraste a defesa e deixe espaços para o Ronaldo aproveitar.  André Silva e o faltoso e manhoso D. Sousa não dão conta do recado. Porque não naturalizar o Bas Dost, não este dos últimos tempos, post traumatismo craniano e pai recente, mas o outro, o letal ponta de lança que marcou dezenas de golos pelo Sporting ?

Portugal apresentou 14 jogadores, 5 made in Alcochete, um deles o melhor jogador português de todos os tempos, 3 made in Seixal, 2 made in Olival, mais Pepe (que até passou pelo Sporting), Rafa, R. Guerreiro, o tal faltoso e manhoso D. Sousa filho de algum filho de algum patrício. Dos 5 made in Alcochete, 3 saíram com o destituído. Os 2 últimos diz ele que já queria correr com eles há uns tempos mas o Jesus não deixou.

E assim, do Sporting ZERO.ZERO. É o que temos. Uma dor de alma.

SL

 

Ora sebo

Fala-se já muito na construção da equipa profissional do Sporting para a temporada 2019/2020.

As palavras são como as cerejas.

Mas os palpites válidos são apenas de quem quiser emiti-los em tempo útil.

 

Por mim, adianto quem gostaria de ver no nosso principal plantel: Luís Maximiano, Thierry, Bruno Paz, Miguel Luís, Francisco Geraldes e Jovane.

Mas para jogarem.

Não para fazerem figura de corpo presente no banco dos suplentes ou serem remetidos à bancada.

 

Para que este objectivo se concretize, precisamos de um treinador que aposte sem complexos nem rodeios nos valores da formação, trave-mestra da cultura leonina.

Precisamos de alguém que faça no Sporting aquilo que Bruno Lage tem vindo a fazer no Benfica, invertendo - até agora com sucesso - as apostas do antecessor, Rui Vitória.

 

Entretanto, o que vemos em Alvalade?

 

Miguel Luís, ausente das convocatórias em várias jornadas após ter sido o melhor em campo contra o Arsenal e de marcar contra o Belenenses, teve finalmente direito a jogar quase 20 minutos, frente ao Santa Clara. Mas apenas porque se deu uma dupla coincidência: Gudelj estava ausente por acumulação de cartões e Idrissa - que tem 20 anos, a mesma idade do médio português - acabara de ser amarelado, o que levou o técnico a mandá-lo sair por recear que acabasse expulso.

Ora sebo, como diria o Eça.

 

Tenho de escrever isto agora, quando ainda subsistem todas as possibilidades de corrigir erros com vista à época que vai seguir-se: técnico do Sporting incapaz de apostar na formação para mim não serve.

Hoje giro eu - Investir na qualidade

Esta temporada, o Sporting gastou cerca de 37 milhões de euros em contratações (16) para o futebol. No entanto, olhando para o nosso plantel não é notório um crescimento da sua qualidade média. Mais, muitos dos jogadores que entraram e não mostram rendimento apreciável estão a tapar a ascensão de jovens com um custo muito inferior na conta de exploração. 

 

Quando se fala na aposta na Formação há sempre quem se manifeste contra, essencialmente porque fica a pensar que tal significa jogarem como titulares 11 jogadores produzidos na Academia. Ora, o modelo que preconizo não é esse. Não que não fosse esse o cenário ideal, simplesmente não haveria qualidade suficiente em 1/2 gerações (previsivelmente) para que tal se pudesse materializar. 

 

Eu olho para o Ajax - não é de hoje, a análise já tem uns anitos - e vejo que há um racional por detrás da política desportiva. Assim, os lanceiros apostam em jovens formados na sua academia, mas potenciam o seu crescimento via aquisição cirúrgica de jogadores experientes no mercado. Faço aqui um aparte para lamentar a falta de visão inerente à contratação de Mathieu: enquanto o Benfica soube aproveitar a experiência acumulada de Luisão para o tornar uma espécie de artífice, artesão da última estação de desenvolvimento do Seixal, ajudando a lapidar jovens como Lindelof ou Ruben Dias, o Sporting mandou embora, definitivamente ou por empréstimo jogadores como Domingos Duarte, Ivanildo ou Demiral, não rendibilizando aquilo que o francês poderia aportar a esses activos provenientes da nossa Academia. Ora, o Ajax, desde Janeiro de 2018 foi buscar o lateral esquerdo argentino Tagliafico (25 anos), por 6 milhões, o experiente médio sérvio Dusan Tadic (30 anos), por 11,4 milhões, e fez regressar um jogador formado em casa, o central/lateral Daley Blind (28 anos), por 16 milhões. Estes jogadores, aos quais se junta o veterano (32 anos) dinamarquês Lass Schone, enquadram a "cantera" lançada por Peter Bosz na temporada de 2016/17 - há quem diga que o Ajax só está na moda porque ganhou em Madrid, mas a antiga equipa de Johann Cruiyff esteve presente na final da Liga Europa de 2016/17 - , onde se destacam o guardião Onana, o defesa De Ligt, os médios Van de Beek, De Jong e Ziyech e os avançados Neres e Dolberg, para além do marroquino Mazraoui, também ele produto das escolas do Ajax e que apareceu pela primeira vez na equipa principal em 2018.

 

Concluindo: como se pode verificar, os lanceiros não investem em "gorduras", aproveitam o que têm e só vão ao mercado para adquirir jogadores que possam fazer a diferença, algo bastante diferente daquilo que tem sido a nossa "estratégia". O Sporting, que em época e meia investiu 100 milhões de euros em contratações das quais só se destacam pelo rendimento desportivo os jogadores Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu, continua a gastar dinheiro que não tem em jogadores de uma classe média/baixa do futebol mundial que não se diferenciam positivamente face àqueles que produz. Mais, quando acerta numa contratação (Idrissa Doumbia) não a mete a jogar, não retirando daí rendimento desportivo ou financeiro (a manter-se a situação). E chega ao ponto de não ter pontas-de-lança no banco quando se lesiona um dos dois que compõe o plantel, preferindo adaptar Coates como plano de contingência, equívoco que faz pensar qual o motivo pelo qual existe uma equipa de Sub-23 (ou antigamente a "B"). 

 

O mais triste disto tudo é que poderíamos ter um plantel bem mais competitivo do que o actual e estarmos a gastar menos 20 milhões de euros, orlando uns sustentáveis 50 milhões de euros de custos com o pessoal, se apostássemos num misto de qualidade e desenvolvimento de jogadores da Formação.  

 

P.S. Alguém sabe quem são os jogadores da Formação que em Alcochete se considera terem potencial para jogar na equipa principal? De que forma é que isso se conjuga com o Scouting? É possível termos identificado meia-dúzia de miúdos nossos com elevado potencial e todos virem a ser "tapados" por aquisições para as mesmas posições feitas sem qualquer critério? 

ajaxsporting.jpg

ADN de Campeão

Já dizia Jorge Jesus que esta coisa do ADN de Campeão não surge do nada, constrói-se, é preciso muito tempo e muito esforço para ele surgir e demostrar o que vale. Já dizia também alguém que construir demora muito, destruir quase nada, e o destituido encarregou-se do assunto no que ao futebol diz respeito a partir do sofá.

Vem isto a propósito de ter ido ao Pavilhão João Rocha ver a nossa brilhante equipa de andebol estar quase todo o tempo a perder e acabar a ganhar ao concorrente directo ao título, o Porto, e chegar a casa e ver o mesmo Porto a ganhar a 3 minutos do fim ao Roma e ganhar quase tantos milhões quantos nós vamos ter com um fundo qualquer, é a triste situação em que nos deixou o dito cujo. E nessa magnífica jornada de andebol até estava um jogador de futebol na bancada, o Acuña, lá com o seu chazinho de mate e acompanhado daquela senhora que indispôs a mana do tal destituído, suspenso e em breve expulso.

E fiquei a pensar se haveria algum ponto comum ou semelhança entre esta nossa brilhante/fantástica, o que quiserem, equipa de andebol, a equipa do Porto que conseguiu a passagem à eliminatória seguinte no prolongamento e a nossa actual tristonha e deprimente equipa de futebol profissional. 

Se calhar existe. Renan, Coates, Mathieu, Acuña, Bruno Fernandes, Bas Dost e o lesionado Battaglia têm aquela coisa que falta para dar "a extra mile" e conquistar. Já o demonstraram. Outros havia, mas o destituído correu com eles. Adrien e Patrício à cabeça. 

Por muito que aposte na formação, olho para todas as promessas actuais e parece que lhes falta muita coisa. Um tal Mama Baldé é a excepção.

Não será possível manter estes, pagando o que for preciso, ir buscar mais uns iguais a estes, já temos outros que não são estes mas que fazem umas flores de vez em quando, e ter um treinador que consiga extrair o melhor de todos eles, e fazer do todo uma coisa maior do que a soma das partes, como consegue um tal Canela no andebol ?

E mandar embora os emplastros que abundam no plantel? E não trazer mais porque sim?

Ou é pedir muito?

E ainda há quem fique incomodado com 1,6M€ para o Bruno Fernandes ficar? Ou o que custou a permanência de Acuña e Battaglia? Comparado com o que custaram Viviano e B. Gaspar, dois emplastros de todo o tamanho?

SL

A formação continua viva...

Os nossos juvenis venceram hoje o rival Benfica por 3-1, provando que continua a existir qualidade na nossa formação. Oxalá estes jovens possam continuar a trabalhar, alcancem o sucesso e consigam chegar à equipa A, mas que ao contrário de outros que os antecederam, não tenham o azar de encontrar um presidente que se julgue dono do clube e não os respeite. Força rapazes.

 

Com o novo mundo mesmo ali ao lado

"Com o novo mundo mesmo ali ao lado", cantavam os xutos quando ainda o eram ... basta cruzar a Segunda Circular, digo agora eu, pois é mesmo "ali ao lado" .... Sim, sei que é um postal nada popular para um ambiente sportinguista. Quando no ano passado, ou coisa assim, um qualquer certame árabe premiou a formação futebolística benfiquista logo se elevou um coro indignado a protestar, que seria coisa da influência da Cofina ou isso ... Está à vista que os árabes não estavam tão enganados assim, ou ao serviço dos pelos vistos abundantes petrodólares da tal Cofina.

O Benfica segue com uma equipa cheia de miúdos da sua formação, comandados por um treinador formado e saído da suas equipas juniores. Joga bem, e alegre. Tem sucesso. O treinador tem um discurso civilizado. Os seus jovens não verbalizam ou executam o desejo de sair já do clube. Nem o invectivam após sair. Um bom ambiente, uma boa escola, uma boa transição para o contexto sénior. O modelo que os sportinguistas queriam, podiam ter tido e desbarataram - muito pela azeda relação com os jogadores da formação, óbvia deriva de um clube que não conquista o título há tempo demais: o exemplo da "maçã podre" João Moutinho, década após ter saído do clube sendo até considerado o melhor de sempre do histórico Wolverhampton e reclamado como modelo de profissional pelos jovens jogadores do clube é sintomático de um desvario interno. E da patética massa adepta, que o continua a invectivar. Foi João Moutinho mas também inúmeros jogadores do clube, que vão saindo sem que o Sporting tenha os lucros necessários com isso, e sem que eles fiquem como símbolos de referência do clube, alimentando o clubismo das novas gerações. 

O Benfica sedimentou este modelo assente nas "toupeiras", "emails", "vouchers", "joões capelas"? É possível. O Benfica foi campeão, nisso sossegou adeptos e estrutura interna, e teve acesso a recursos económicos, através da manipulação da federação e da liga? Sim, os casos dos túneis, com o Porto e o Braga, são das coisas mais vergonhosas da história do futebol português, muito mais do que Calabote, Inácio de Almeida, Francisco Silva ou coisas similares. Mas convém lembrar que o Sporting entregou agora a coordenação da formação a um dos principais implicados nessa monumental aldrabice.

Ou seja, uma simples contratação que retira qualquer argumento moral ao clube para criticar hipotéticas más-práticas alheias. Mas esse fim de uma hipotética "autoridade moral" (e a ver vamos o que dá o "cashball") é bom. Para que as gentes do clube se deixem de centrar nas invectivas contra isto-e-mais-aquilo e possam, com a civilidade dos civilizados, aprender com o que se passa "mesmo ali ao lado". Pois esse é o único futuro de um clube português na economia do futebol actual global.

E tudo o resto, "as viúvas", o "bruno", os "croquettes", "as claques", vale nada e só faz apodrecer. A ver se a gente percebe bem isto. 

(Entretanto, e até ao fim deste ano, sou filho do meu pai, portuense - que nunca ligou ao futebol. A ver se os andrades são Dragões, e que derrubem os malditos lampiões de Carnide).

Eu vi um sapo e engoli-o



1. A melhor forma de começar a ganhar é perceber que se está a perder.

O push imenso dos anos Bruno de Carvalho, incluindo a sua associação ao milionário Jota Jota, custou anos preciosos de R&D em Alcochete. Enquanto isso, Vieira vinha dizendo que o XêXál era o futuro e muitos gozavam ou pelos menos não acreditavam (incluindo eu).

2. O que se verifica é que o Benfica mudou o tabuleiro a seu favor e conseguiu (aparentemente) resolver um dos grandes enigmas da bola lusitana que é o da capacidade física do atleta à altura do talento. Os “putos” do Benfica (alguns pelo menos) jogam sempre a 180 km/h, com os nossos a terem entorses, lesões, períodos de passagem pelo banco, cansaços ao fim de dez minutos de jogo, blackouts, apagamentos, empresários e papás muito vocais e etc.

3. Os “putos” do Porto, tirando o Dalot, nem se sabe quem são.

4. Além do talento e das qualidades técnicas e visão de jogo de Félix (que, suponho são um misto de treino e ADN), o que vemos é um mustang que faz piscinas como se estivesse a jogar na praia com amigos. Como sportinguista, é isso que me custa mais, aquela desenvoltura física dos miúdos do Benfica. 

5. Talvez a venda de Renato, de um Seixal mais antigo, faça cada vez mais sentido. Era um jogador que agitava cá dentro, é um jogador que lá fora coiso. Cancelo e Bernardo são só duas razões para os adeptos do Benfica quererem é que Jota Jota coiso. 

6. Apostaria que há sorte no que se passa na formação do Benfica, mas é inegável que quem lá trabalha e quem manda neles (Vieira) estão vários passos à frente de toda a gente.

7. Há uma frase que uso bastante: o trabalhador mais preguiçoso com uma retroescavadora fará sempre mais buracos que o Ronaldo dos operários com uma pá. Vieira demonstrou visão ao dar meios ao staff do Seixal para que estes gerassem craques para a primeira equipa, em vez de conversas de merda sobre "fazer mais com menos".

8. Não tenho nenhuma simpatia pelo Benfica, mas tenho toda a simpatia por líderes que dão meios aos seus liderados para que estes demonstrem o que valem.

9. Vou mais longe. Esta nossa mania portuguesa de sermos bons a improvisar, bons a fazer a pouco, bons a fazer omeletes sem ovos, é uma mania própria de quem tem vistas curtas.

10. Qualquer omelete com ovos é uma melhor omelete que a melhor omelete sem ovos.  


11. Imagino que Varandas esteja a mexer em Alcochete. Vai durar tempo, mas era necessário e Keizer é parte dessa equação.

Para reflectir

Recomendo a leitura deste texto, que nos fornece ampla matéria para reflectir sobre as causas do insucesso recente da formação leonina. Desde logo a absurda decisão de pôr fim à equipa B tomada por Bruno de Carvalho, num dos seus momentos de fúria intempestiva, e a disparatada obsessão com a acumulação de "títulos" nos escalões pré-profissionais, impedindo a ascensão precoce dos jovens mais talentosos às etapas seguintes do final da formação.

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