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És a nossa Fé!

Para reflectir

Recomendo a leitura deste texto, que nos fornece ampla matéria para reflectir sobre as causas do insucesso recente da formação leonina. Desde logo a absurda decisão de pôr fim à equipa B tomada por Bruno de Carvalho, num dos seus momentos de fúria intempestiva, e a disparatada obsessão com a acumulação de "títulos" nos escalões pré-profissionais, impedindo a ascensão precoce dos jovens mais talentosos às etapas seguintes do final da formação.

Inqualificável

É inqualificável que um treinador supostamente contratado por ter vocação para formar jovens esteja a fazer tudo ao contrário do que a sua contratação prometia. Menorizando a formação leonina ao ponto de ter feito alinhar um onze titular sem um só jogador formado em Alcochete - algo que não sucedia desde 2007.
Não foi nada disto que Frederico Varandas prometeu aos sócios na campanha eleitoral.

Entretanto, o Braga já vai sete pontos à nossa frente na Liga 2018/2019. Com três jogadores da formação leonina: Esgaio, Palhinha e Wilson Eduardo.

566 jogos depois

Ontem, no Bonfim, batemos um recorde da última década. Mas um recorde nada lisonjeiro. Segundo leio na imprensa de hoje, há 566 jogos que o Sporting não entrava em campo sem nenhum jogador da formação. Tinha acontecido pela última vez em 20 de Outubro de 2007 num confronto com o Fátima para a Taça da Liga.

Nas doze épocas anteriores, partida após partida, actuámos sempre com pelo menos um elemento formado na Academia de Alcochete no onze titular. Uma saudável tradição agora quebrada neste desafio com o V. Setúbal: só aos 63', quando Nani entrou, tivemos enfim alguém da nossa formação em campo. Já Jovane e Miguel Luís permaneceram no banco de suplentes do princípio ao fim.

Formação

Estive ontem num animado almoço de aniversário, bem comido e bem regado, por sinal.

Por coincidência, nesse almoço esteve presente um treinador de jovens na academia do Seixal e... sportinguista doente.

Até aqui nada a opor, cada um tem que procurar o seu sustento, preferencialmente de forma honrada, o que será o caso. O que me deixou preocupado foi que, a determinada altura da conversa, a pessoa em causa declarou que "a formação do Benfica está a anos-luz da do Sporting". O assunto não foi desenvolvido, apesar da minha tentativa nesse sentido, mas convém também dizer que esta pessoa esteve antes a trabalhar em Alcochete.

Não conhecia a pessoa em causa, não sei os contornos da sua saída do Sporting, sei que me foi apresentado como "mais doente pelo Sporting" do que eu. E, não tendo razões para duvidar, fiquei preocupado. 

Fica aqui o recado.

Vamos lá com calma

Quando vi nos ecrans e ouvi o rapaz do microfone a dar a "linha" do Sporting, disse para o amigo que estava ao lado e que ontem aproveitou uma das "borlas" da renovação do meu bilhete de época, que mesmo com aqueles, seria equipa para dar "um cabaz" àqueles rapazes ucranianos simpáticos, que já no jogo na Ucrânia tinham demonstrado ser muito fraquinhos. Não me enganei, felizmente, que apesar de a qualificação estar assegurada, sabe sempre bem ganhar e se não for de "afogadilhos" tanto melhor.

Cedo se viu que apesar da falta de entrosamento (natural) entre os nossos, era uma questão de tempo até entrar a primeira e foi o que aconteceu. E sempre que os automatismos funcionavam e a velocidade no último terço aumentava, o pânico no sector recuado (que muitas vezes foi toda a equipa) do adversário era evidente, bem como se notava a sua efectiva falta de jeito para a função.

Foram três na primeira parte, poderiam ter sido outros tantos e na segunda percebeu-se, com as substituições, que o treinador começou a gerir o esforço; Mas ainda assim, houve mais meia-dúzia de oportunidades que talvez por "verdice" dos protagonistas, não foram concretizadas.

Alguns apontamentos que me vieram ao pensamento durante o jogo:

- Há muito pouco tempo, na Ucrânia, com este mesmo adversário e com os melhores em campo (os disponíveis) estivemos a perder até quase ao final do jogo e fizemos uma exibição(?) miserável. Era treinador José Peseiro;

- Há muito pouco tempo estáva-se a pensar em aquisições em Janeiro por falta de soluções no plantel. Hoje parece que o treinador diz que intra-muros temos soluções. Não sei se lhe disseram que "não há pão p'ra malucos" ou se lhe disseram que é para apostar nos miúdos, ou se a opção é dele, mas eu gostei de ver o jogo a terminar com seis rapazes do alfovre e alguns deles, se os pais não começarem a "variar", apresentam já qualidades que os podem vir a tornar em titulares absolutos num futuro mais ou menos próximo;

- Vamos com uma média impressionante de golos marcados e se era inevitável identificar-me com o treinador (afinal a equipa vem ganhando e jogando cada vez melhor), depois da declaração na CI, com que me identifico totalmente, de que prefere ganhar por 3-2, do que por 1-0, relevando a essência do futebol holandês que eu confesso que aprecio, Kaiser está a encher-me as medidas;

- Com esta avalhanche de golos, espero que no dia em que apenas ganharmos por 1-0, não comecem a dizer mal do homem;

- Vamos lá indo com calminha, passo a passo e não embandeiremos em arco. Ainda falta muito para Maio e cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, apesar de que, confesso, começa também por aqui a crescer uma pontinha de esperança.

Domingo há mais. Esperemos que com golos, que é o que nos dá alegria!

Aposta na formação

Execelente notícia: o Sporting volta a dominar nas convocatórias das selecções mais jovens. No caso, a selecção sub-20.

A prova está à vista: no estágio para o Mundial deste escalão, que decorre até domingo entre a Cidade do Futebol e o Algarve, o seleccionador Hélio Sousa chamou 24 jogadores, estando o nosso clube representado por seis: Daniel Bragança, Elves Baldé, João Oliveira, Luís Maximiano, Miguel Luís e Thierry Correia. Confirma-se assim que vamos no caminho certo. E o caminho faz-se desta forma: caminhando.

A convocatória abrange ainda três jogadores do Benfica, dois do FC Porto, dois do Mónaco e um destes clubes: Belenenses, Estoril, Marítimo, Rio Ave, V. Guimarães, Aarau, Deportivo da Corunha, Génova, Mónaco, Watford e Wolverhampton.

O Mundial sub-20 realiza-se de 23 de Maio a 15 de Junho do próximo ano, na Polónia.

Hoje giro eu - Não há coincidências

Ontem, em Alcochete, a equipa de juniores do Sporting recebeu e venceu o Vitória de Setúbal, tradicionalmente uma equipa forte neste escalão, por 5-0 (4-0 ao intervalo), em mais uma partida do campeonato nacional da categoria. Pouco antes, no mesmo local, em jogo a contar para a Liga Revelação, a nossa equipa de sub-23 havia batido o mesmíssimo adversário por 3-2. 

 

Mais do que os resultados em si, percebeu-se a motivação dos miúdos, subitamente tomados por um novo suplemento de alma. Jogadores muito promissores e que têm estado apagados, como Diogo Brás (1 golo e duas assistências), Bernardo Sousa (2 golos, a juntar aos 3 da semana passada) ou os mais velhos Elves Baldé (hat-trick) e Daniel Bragança apareceram em grande nível.

 

Creio estarmos a assistir aos primeiros sinais daquilo que denominaria como Efeito Keizer. Muito se tem falado no decréscimo de qualidade da nossa Formação e vários são os sócios a ecoá-lo, inclusivé aqueles que nunca viram um jogo da Formação, os que conciliam tal opinião com um saudosismo mais ou menos disfarçado a Jorge Jesus e ainda alguns politiqueiros com interesse evidente em espalhar a teoria do caos, mas creio que erramos ao abordar o tema numa perspectiva "bottom-up", em detrimento de "top-down".

 

Se do ponto-de-vista físico e táctico parece evidente que ficamos a perder face ao Benfica, é também verdade que continuamos a produzir jogadores com muita criatividade e liberdade para criar. Nota-se que o jogador encarnado é geralmente mais desenvolvido muscularmente, que tem outra leitura do jogo, mas os nossos continuam a ser mais desequilibradores e imprevisíveis. São, essencialmente, duas escolas de Formação diferentes que, apesar disso, têm um número de títulos praticamente equivalente nas camadas jovens nos últimos 5 anos. 

 

O que eu penso ter acontecido nos últimos dois anos da Formação foi uma grande desmotivação. Havendo um fúnil demasiado apertado nos séniores e sabendo-se da pouca disponibilidade do treinador do nosso principal escalão em apostar em jovens, estes começaram a perder a fé em chegar lá acima. Viram o que aconteceu aos seus colegas hoje nos seus 22/23 anos, uma geração perdida de empréstimo em empréstimo, e perceberam que essa viria a ser a sua realidade brevemente, pois por muito que mostrassem tal nunca seria suficiente. A chegada de Marcel Keizer a Alvalade, técnico que não teve rebuço em reforçar a aposta que Peter Bosz, seu antecessor, tinha feito nas escolas do Ajax, tem tudo para ser o detonador de uma nova crença dos nossos jovens jogadores. Será por isso com renovada expectativa que Bragança, Elves, Brás ou "Benny" encararão o futuro próximo. Perspectivando oportunidades, certamente trabalharão mais e melhor. A vantagem de uma política desportiva alicerçada na Formação é essa e os nossos jovens jogadores saberão que a partir de agora, esforçando-se para isso, verão chegada a sua hora de provar ao mais alto nível. E os pais também terão isso em mente na hora de escolherem o clube que os seus filhos, ainda crianças ou adolescentes, irão representar. 

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Quaresma

 

Eu sei que para muitos visitantes do blog falar elogiosamente de jogadores e técnicos que não sejam radicalmente sportinguistas é uma verdadeira heresia - para os interessados na História das mentalidades mergulhar no clubismo actual explicará muito das enormes sevícias cometidas nas guerras religiosas que assolaram a Europa durante séculos. Nesses tempos os nossos antepassados traíam-se, denunciavam-se, torturavam-se, queimavam-se, massacravam-se entre si por uns adorarem estátuas ou relíquias ditas ídolos enquanto outros preferiam paredes (semi)nuas nos locais de culto. E os mais perseguidos eram os apóstatas, aqueles que transumavam entre igrejas ou seja, pura e simplesmente, se "transferiam" de um clube para outro, nisso mudando de símbolos adorados, diante dos quais se prostravam e pelos quais se identificavam.

 

Há quem não goste de política ("malandros, são todos iguais ...") mas eu gosto, da política e das suas instituições. Pois, com todos os seus defeitos, são elas que impedem que os descendentes dessas gentes de antanho, os actuais idólatras, demoníacos adoradores de dragões, galinhas, leões e similares, se trucidem uns aos outros, em nome de um qualquer sagrado que, irreflectidamente, consagram a meras agremiações recreativas. Pode parecer ríspido dizer isto mas os clubes são, assim nasceram e continuaram, organizações para a ocupação de tempos livres - e isto não é desmerecimento, o lazer é algo magnífico e uma conquista histórica, a da redução generalizada do tempo de trabalho, alargando o bíblico "Seis dias trabalharás, mas ao sétimo dia descansarás; tanto na época de arar como na colheita (Êxodo 34: 21)". Em tempos recuados, em finais de XIX e inícios de XX, serviram também, em alguns locais de alguns países, como espaços de entreajuda para os migrantes, os rurais desenraízados chegados às cidades em crescimento e, nisso, para demarcação de núcleos sociais, seja por origem geográfica seja por estrato social. Dimensão que há muito perderam, principalmente nos clubes de grande dimensão nacional. E nisso se restringindo à sua característica fundacional, a do enquadramento dos tais tempos livres, ordenando-os em práticas desportivas e seu acompanhamento (esse que hoje muito inclui a "majorettização" de parcelas do público, a sua juvenilização através das claques). Não são mais do que isso. E não são menos do que isso.

 

Por isso desconsiderá-los, dar-lhes menos respeito, ser adverso ao clubismo, é irreflexão, ignorância. Mas também dar-lhes mais do que isso, a clubite e até a actua "clubecrose", reclamá-los como uma magnífica identidade - como tantas vezes leio, explícita e implicitamente - é pungente, pelo défice existencial que demonstra. As pessoas dedicaram-se anos a fio ao voluntariado associativo, a colaborar com o seu clube, cumprindo tarefas? É respeitável, mesmo magnífico, pela dádiva, pelo trabalho social, pela pedagogia. Agora reclamar mérito, exaltar o ser-se adepto de um clube - "Não falho um jogo do Porto", "sou sócio do Benfica há 97 anos", "a minha família é toda Sporting" (neste caso é bonito ... porque mostra que nela não há azedumes suficientes para mudanças de clube de filho mais rebelde, mas só isso) - como se isso seja algo transcendente? É algo que não tem pés nem cabeça (uma espécie de Castaignos). "Ser", gostar, de um clube é uma opção, tomada consciente ou inconscientemente (se em criancinha). É porreiro. Mas não mérito ou grandeza.

 

Vem-me tudo isto à cabeça porque antevejo meia dúzia de comentários mais ou menos sectários, as exaltações espúrias vindas da tal "clubecrose", a este meu postal. Fica já dito, cortarei comentários que venham invectivar de "apóstata" o Ricardo Quaresma. Pois estou em fase de défice de paciência para a mediocridade sentimental. Porque é disso que se trata, as pessoas não conseguem dedicar sentimentos transcendentes às instituições circundantes e julgam disso necessitar. E assim entregam-se ao culto de um clube, ao sentimento por uma OTL. Francamente, que falta de tino.

 

Aqui vai o postal: ontem o Besitkas veio jogar à Bélgica, contra o Genk, actual comandante do campeonato - no qual, já agora, o Standard de Liége, que no ano passado ganhou a taça e correu para o título quase até ao fim, substituiu o Sá Pinto pelo lampião Preud'Homme (que não só é treinador como é membro da direcção, o que causa alguns remoques na imprensa) e está a fazer uma má época. Enfim, o Genk-Besitkas acabou 1-1, a equipa turca está em último no grupo i mas ainda pode ser apurada, pois a classificação está embrulhada.

 

Mas o relevante é que o Quaresma, sempre pérola da nossa formação, extremo com 35 anos (!, como o tempo passa), ainda está para as curvas e trivelas, e lá foi ele que marcou o belo golo "turco", em puro contra-ataque. Grande Mustang ..., que maravilhoso jogador.

Estoril lava mais broncas

Menos de 24 horas depois da derrota caseira para a Taça da Liga selar o destino de José Peseiro, eis que os juniores do Sporting visitaram o Estoril, perderam 1-0 (o golo também foi na marcação de um pontapé de canto), e estão agora na quinta posição. Ou seja, a equipa não passaria à fase seguinte se esta fase do campeonato terminasse hoje  - iriam o Cova da Piedade, Estoril, Tondela [corrijo o meu erro - não é o Belenenses que ocupa o segundo lugar...] e o líder Benfica.

 

Tendo em conta que a equipa continua a ter profusão de talentos (até o extremo Diogo Brás, enviado para os sub-23, regressou hoje ao seu escalão etário), os mesmos talentos que fizeram daquela geração campeã crónica de iniciados e de juvenis, era capaz de ser boa ideia aproveitar a lavagem das broncas em curso e desejar os melhores sucessos pessoais e profissionais a Pedro Venâncio...

É urgente revalorizar a formação

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Irritou-me profundamente ver a selecção nacional entrar em campo, faz hoje oito dias, sem um só jogador do Sporting. Tirando Bruno Fernandes, que alinhou sem brilho nos minutos finais, o nosso clube não estava representado nesta partida em que a equipa das quinas derrotou a selecção polaca por 3-2, vencendo e convencendo.

Irritou-me também que a nossa selecção sub-21 que há dois dias se qualificou para o play off de acesso à fase final do Europeu de 2019, derrotando a Bósnia por 4-2, tivesse actuado sem elementos do nosso clube.

 

Eis a consequência directa do chocante desinvestimento da anterior gestão do Sporting no futebol de formação. Passámos em dois anos de principal fornecedor das selecções a uma presença residual a este nível. Já com reflexos na selecção A, tal como neste Verão ficara também em evidência na selecção sub-19 que se sagrou campeã da Europa.

Trocando os alicerces do futuro pelas supostas honrarias do presente, na desesperada tentativa de conquistar o título nacional que prometera à massa adepta leonina, Bruno de Carvalho contratou um treinador sem vocação nem paciência para formar jovens e lançá-los na equipa principal, desincentivou a prospecção de jogadores, entregou a Academia de Alcochete a gente impreparada e assistiu impávido à queda abruta da nossa equipa B, despromovida de divisão e logo encerrada por capricho do primeiro presidente que os sócios do Sporting destituíram sem apelo nem agravo.

 

Correu tudo mal: nem conquistámos campeonato algum nem valorizámos a tradição formadora de Alvalade que tantos motivos de orgulho nos proporcionou e teve como ponto alto, em 2016, a conquista do Campeonato da Europa em seniores com dez jogadores saídos vários anos antes de Alcochete - incluindo Cristiano Ronaldo. De então para cá foi sempre a descer enquanto o nosso mais velho rival, procurando imitar-nos com o atraso do costume, valorizava enfim a sua própria formação.

Se algum apelo faço ao novo Conselho Directivo do Sporting, é este mesmo: recuperar e revalorizar a Academia. Para que não se perca uma tradição que remonta a várias gerações e nos tornou um clube diferente de qualquer outro.

Perder três a zero nos dérbis da formação is the new black?

Desta vez foram os juniores a perder 3-0 em Alcochete, tal como os iniciados tinham ido perder ao Seixal por 3-0.

 

Sem ter visto o jogo do início ao fim sei que o Benfica (que fez descer ‘habitués’ de escalões superiores, como o central Pedro Álvaro, tal como o Sporting fez descer Diogo Brás) marcou cedo, esteve quase a ser apanhado na segunda parte (Bernardo Sousa não teve êxito na cobrança de um pénalti) e seguiu-se o descalabro que ameaça repetir-se.

 

Não é preciso acreditar naquele célebre ensinamento da Revolução Francesa (o “rolarão mil cabeças”, bem entendido) para admitir que é capaz de ser melhor trocar umas ideias acerca do assunto.

Mais do mesmo

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José Peseiro, confrontado com a prolongada lesão de Mathieu e a evidente inaptidão de Marcelo para prestar bons serviços ao Sporting (foi uma das contratações mais disparatadas do último Inverno), clama por um novo central. Lamento que só agora o técnico leonino pense nisto, pois já tinha esse central e deu luz verde para que saísse: refiro-me a Demiral - que chegou a Lisboa ainda júnior e completou a formação na nossa Academia -, há pouco despachado para o futebol turco, com direito a cláusula de opção para o clube onde actua. Acontece que o desempenho do jogador é tão bom que, segundo noticia O Jogo, essa cláusula acaba de ser pré-anunciada, com três meses de antecedência. 

E assim vemos partir mais um talento que ajudámos a formar, a preço irrisório para o seu real valor e sem ter conseguido uma oportunidade de mostrar o que verdadeiramente vale vestido de verde e branco: limitou-se a exibir classe durante três épocas na nossa equipa B, entretanto extinta. Tudo isto ajuda a explicar 16 anos consecutivos de insucessos no Sporting.

Mais um

Jogou até agora menos de 200 minutos na equipa principal do Sporting. Dois golos marcados, uma assistência, dois penáltis conquistados - de que resultaram golos.

Difícil começar melhor do que começou este miúdo já com pedalada de craque. Produto da Academia leonina, que tantos valores tem dado ao futebol português. Eis mais um, com a nossa marca inconfundível.

O futuro está na Bancada B

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Mal se conseguem ver na fotografia, mas à minha frente estão dezenas de jogadores dos escalões de formação do Sporting. Reconheço alguns dos iniciados e outros que estão nos juvenis, diria que também há mais novos e aos maus velhos reservaram lugares mais perto do relvado.

 

Que uns quantos de entre eles possam numa noite destas estar em campo, e que nós possamos estar nas bancadas a aplaudi-los, são os meus votos.

Mais um OCNI que passa ao lado da FPF

Francisco Geraldes já tem substituto à altura na Academia de Alcochete. Ignoro se na predilecção pela leitura de romances de nobelizados, sei que não na área predilecta do meio-campo (o ‘sucessor’ costuma exercer a sua influência alguns metros mais atrás), mas não me restam dúvidas de que existe um novo OCNI na formação leonina.

 

Tal como Geraldes passou a adolescência com o estatuto de objectivamente craque não internacionalizável, somando três míseros jogos pelos sub-18 (e, segundo os dados da FPF, apenas mais cinco desde então, nos sub-20 e sub-21), agora é Daniel Bragança que escapa aos radares de quem decide as convocatórias das selecções jovens. Tanto assim que a última (de entre duas) internacionalização data de Fevereiro de 2017, ficando desde então dispensado de acompanhar aos treinos na Cidade do Futebol colegas de equipa como Luís Maximiano, Thierry Correia, Miguel Luís ou Elves Baldé.

 

A Daniel Bragança podem apontar falta de centímetros e de peso para ser o muro de betão que é estereótipo da posição seis. Mas tudo isso compensa com inteligência no posicionamento, rapidez nos movimentos e critério na execução. Sabe fazer da bola o que quer, construindo jogadas, ao lado de Miguel Luís, que levam a carta aos Garcias lá mais à frente. Embora não se coíba de aplicar o remate de longa distância, não raras vezes destinado a balançar as redes do guarda-redes adversário...

 

Que Daniel continue a ser um OCNI é problema da FPF. Mas que essa falha de ‘currículo’ não atrapalhe a sua legítima candidatura a integrar, mais tarde ou mais cedo, o plantel principal do Sporting.

Ei-lo que parte (para o Karpaty)

Enquanto jornalista sempre me interessei por aqueles que nunca chegam a cumprir o potencial que a certo momento lhes apontaram. Não faltam casos daqueles que, como Marlon Brando em ‘Há Lodo no Cais’, “could have been contenders”. No entanto, como o jornalismo se concentra quase sempre nos casos de sucesso, foi com enorme agrado que li nesta terça-feira a entrevista que André Ferreira, do ‘Record’, fez a Cristian Ponde, a esperança adiada da formação leonina que constará da lista dos 42 de que a Comissão de Gestão se livrou nos últimos meses.

 

Recordo-me bem de Cristian Ioan, o miúdo filho de imigrantes romenos que em 2005 deu nas vistas em Olhão e foi contratado aos dez anos pelo Sporting. No início treinava no Algarve e só vinha a Alcochete para os jogos, mas logo se integrou na geração onde despontavam Francisco Geraldes ou Daniel Podence. Foi confirmando o tal potencial escalão após escalão, mas uma grave lesão no joelho levou a que ficasse fora das contas da Selecção para o Mundial de Sub-20 e dificultou a transição para sénior. Emprestado ao Covilhã depois de uma excelente época na equipa B, a essa equipa regressou, sendo um daqueles que não conseguiram evitar a despromoção.

 

Das palavras de Cristian Ponde ao ‘Record’, retenho aquilo que o avançado, reforço do clube ucraniano Karpaty, desabafou, com evidente mágoa: “Acho que a minha situação foi mal gerida e claramente merecia uma oportunidade. Não se desiste assim de um jogador de um ano para o outro. Daí ter tomado a decisão de sair.”

 

Sendo evidente que nem todos os talentos da formação podem chegar à equipa principal, seja pelo talento intrínseco ou pela abundância conjuntural de outros talentos nas posições em que jogam, convém pensar se não haverá casos em que o Sporting desiste com excessiva facilidade de quem vai crescendo na Academia. Assim terá acontecido com Ponde, ou com Filipe Chaby, e talvez ainda venha a suceder com Geraldes, Palhinha ou Matheus. Mas não tem forçosamente que ser assim.

Seis perguntas

1. Melhor argumento a favor da dispensa dos nossos “made in Academia” são Ruben Dias e Gedson (e talvez João Félix). Alguém acredita que qualquer um dos que não ficaram no plantel do Sporting pegasse de estaca em Alvalade?
Já viram quantos jogos fez o Gedson em agosto? E como o Ruben Dias parece que joga ali há seis anos seguidos?

2. Há muito a fazer no nosso clube, mas repensar o valor verdadeiro e comprovado da formação deve ser uma das prioridades.
Por acaso Cédric, Patrício, Ilori, Bruma, Adrien, William, Rafael Leão e – se quisermos – José Fonte, Beto, Geraldes, Matheus Pereira, Palhinha jogam em equipas que disputam títulos?

3. Será Jardim doido? Está no Mónaco há 150 anos e não veio buscar nenhum da Academia. E Marco? E agora JJ?


4. Talvez o amor que temos à formação (e incluo-me nessa legião de adeptos e sócios que se orgulha disso) nos tenha impedido de ver com clareza. Será assim?

5. Por outro lado, será que Renato, Gedson, Alfa, Félix ou Ruben subiriam à primeira equipa se LF Vieira fosse lesto a contratar os seus Petrovics, Misics, Slavchevs e afins?

6. Serão os clubes portugueses mais compatíveis com Vitórias e Peseiros – e Conceiçãos, que foi campeão sem aquisições – ou com Mourinhos, Guardiolas ou JJ, que exigem camiões de reforços?

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