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És a nossa Fé!

Os escarros dos papagaios

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Dada a argumentação agora em curso que alude à necessidade imperiosa de «alívio salarial» na SAD leonina para estancar o seu alegado «sufoco financeiro», vale a pena fazer algumas perguntas na expectativa de que possam ser respondidas.

Por fontes autorizadas, não por bonecos de ventríloquos.

 

- Porque dispensámos Nani - capitão do Sporting, prestigiado internacional português e campeão europeu em título - a "custo zero"?

- Porque aceitámos, no âmbito da negociação com o Atlético de Madrid como hipotética forma de compensação pela aquisição fraudulenta de Gelson Martins por aquele clube, metade do passe de Vietto avaliado em 7,5 milhões de euros, quando este jogador tem um valor global de mercado de apenas sete milhões?
- Porque adquirimos, igualmente por 7,5 milhões de euros (acrescidos da dispensa de Mama Baldé a título definitivo), o lesionado lateral direito francês Rosier, que passou 465 dias lesionado nas últimas três épocas, este ano só jogou cerca de dez minutos em Fevereiro e pretende preencher uma posição para a qual já existem pelo menos três jogadores sob contrato?

- Porque não houve prioridade máxima à contratação de um novo ponta-de-lança se é verdade que Bas Dost terá comunicado à equipa técnica a intenção de abandonar o Sporting ainda em Maio, mês em que estava recém-valorizado devido ao decisivo golo que marcou ao FC Porto na final da Taça de Portugal?

- Por que motivo - aceitando ainda a tese de que a SAD já sabia desde Maio que o jogador pretendia sair - deixámos arrastar a resolução do assunto durante três meses, acabando por estabelecer com o Eintracht, em vésperas do fecho do mercado, um acordo que fontes do clube alemão qualificam de «pechincha», pois terá baixado dos 20 milhões de euros exigidos no início para os oito milhões finais?

 

Eis vários temas que deviam justificar séria reflexão aos loquazes papagaios "multicolores" (de bico encarnado) que agora debitam suposta propaganda verde em incessante verborreia nas pantalhas.

Se eles soubessem reflectir, claro. O problema é que só sabem... papaguear.

 

São úteis a qualquer poder, enquanto estiver na mó de cima.

Quando fica na mó de baixo, acotovelam-se para figurarem na primeira fila dos que irão escarrar em quem antes serviram.

Bruno de Carvalho que o diga.

Sporting não é um banco, Dr.

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O sonho comanda a vida, como diz o povo, mas para concretizá-lo é preciso Esforço, Dedicação, Devoção e só depois vem a Glória. Que o diga Cristiano Ronaldo que mais uma vez fez um trabalho genial frente ao Atlético de Madrid para concretizar o sonho de voltar a ser reconhecido como o melhor futebolista do Mundo. Até parece que o bilhete de identidade lhe foi atribuído 10 anos antes de nascer.  

Mas ao contrário de Ronaldo, José Maria Ricciardi, um apaixonado pelo Sporting, considera que só porque sonhou ser presidente do Sporting, os sócios têm de se ajoelhar a seus pés.

Vivemos num país que ainda se rege por uma espécie de democracia e o último sufrágio aconteceu há seis meses onde, preto no branco, os sportinguistas elegeram Frederico Varandas para liderar os destinos do Sporting durante quatro anos (42,3%). Já o Dr. Ricciardi obteve apenas 14,5%, o que mostra bem que a generalidade dos sportinguistas não o quer como presidente.

Ricciardi, não satisfeito, volta novamente a pregar aos sete ventos que tem um sonho e que para concretizá-lo até está disposto a pagar 200 milhões. É verdade que os portugueses têm memória curta, mas ó Dr. os sportinguistas ainda não esqueceram Bruno de Carvalho. também ele tinha em carteira investidores russos carregados de dólares que nunca lhe pusemos a vista em cima.   

A situação financeira do Sporting não é de fácil resolução, mas com sportinguistas inimigos, que se unem aos que existem noutros clubes, a tarefa é árdua e bem mais difícil. Olhem para os rivais e vejam que até nos momentos críticos como os dos emails ou dos apitos existiu sempre união, mais ou menos coesa, e até os jornais “esquecem” que existem casos, a bem dessas nações.

Ser eleito Presidente do Sporting é uma escolha dos sportinguistas que em Setembro conferiram esse direito a Frederico Varandas. Cabe-lhe cumprir essa tarefa, mas para isso é preciso uma grande união e não sonhos vagos de certas personalidades que vivem do passado e julgam que o Sporting é um banco e que para ser líder basta haver uma nomeação.

Sonhar é livre. Mas, Dr. Ricciardi, ser Presidente do Sporting não é para qualquer um.

O campeonato da antecipação dos direitos televisivos

Ficámos a saber à conta de um prospeto inevitável e obrigatório do Sporting (que regulariza uma falha administrativa que já devia ter sido concretizada há alguns anos quanto à admissão à negociação de ações do aumento de capital de 2014) que precisa antecipar receitas no valor de algumas dezenas de milhões de euros. O recurso mais provável será titularizar receitas associadas ao contrato de direitos televisivos que tem com a NOS.

Na prática, perante a amarga supresa de se identificar um desequilíbrio nas contas de €137 milhões e perante um plano de pagamentos, criado pela anterior direção, que implica ter que apresentar €65 milhões de liquidez para fazer face a compromissos nos próximos 12 meses (€41 milhões dos quais até junho de 2019), o Sporting tem que antecipar receitas do contrato televisivo ou, em alternativa, vender ativos (passes de jogadores), muito provavelmente a preços de saldo.

Sucede que até 30 de setembro de 2018 as receitas do contrato do Sporting com a NOS representavam €353,7 milhões dos quais um total de €44,1 milhões já haviam sido descontados. O remanescente ultrapassa assim os €300 milhões, bem acima das necessidades de liquidez já identificadas para liquidar os compromissos, assumidos para os próximos 12 meses. 

É aqui que nos podemos comparar com o Benfica, que em 2015, ano da primeira versão do atual contrato, descontou cerca de €100 milhões em 2018 para abater dívida, e com o FC Porto que até 2018 descontou €168 milhões do seu contrato de direitos televisivos.

Assim sendo, esta situação, que não é agradável pelo que induz de insustentabilidade do que tem sido a gestão do(s) clube(s), fica devidamente relativizada no sentido em que a parte mais relevante das receitas futuras para o prazo de vigência do contrato não está hipotecada como parece suceder, pelo menos em maior grau, entre os principais parceiros de indústria e adversários no campo.

Como sócio do clube fica a estupefacção de como foi possível, depois de uma reestruturação financeira montada e concretizada em 2014, volvidos cinco anos, termos que estar novamente a enfrentar o abismo do risco de falência. Que gestão foi feita nos últimos anos e na última época em particular? Como foi possível em tão pouco tempo voltar a desequilibrar financeiramente o clube? Para quê? Com que resultados?

Perguntas que os sócios certamente procurarão ver respondidas mas que, face ao que aqui foi exposto e face ao que podia ter sido a história do clube se os sócios não tivessem atuado de forma singular em 112 anos de história (destituindo a direção),  podiam ter um pendor muito diferente - bem mais fúnebre.

Apesar de tudo, há esperança. Cabe à atual direção provar que consegue encontrar as soluções necessárias para ultrapassarmos mais este episódio nada glorioso da nossa história. E, na sua sequência, encontrar um equilibrio efetivamente sustentável entre receitas e despesas, evitando os "all in", e perseverando na progressiva melhoria da saúde financeira e desportiva do clube.

A informação detalhada que aqui se comenta pode ser encontrada no prospeto publicado pela Sporting SAD no sítio da CMVM.

 

P.S.: Não quero com isto menorizar a tarefa complexa e urgente que a atual direção tem pela frente de no espaço de poucas semanas (além da questão da liquidez): conseguir concluir a reestruturação com a banca. Esperemos que, tal como com o empréstimo obrigacionista, a situação corra pelo melhor, a bem do Sporting Clube de Portugal.

Zenha

Bom, sem duvidar dos números (cada um lança os que quer) que agora Salgado Zenha apresenta e até admitindo que estão certos, que esta é a situação do Sporting, por que carga de água veio o senhor, no final de 2018, dizer que o Sporting respirava saúde financeira?
Desculpem os leitores, mas só posso concluir uma de duas: Ou é distraído, ou mentiroso. Ou ainda uma terceira: É incompetente! Confesso que não sei, que eu de contas bastam-me as minhas.
De qualquer forma, o que se pretendia era a apresentação de um plano, não para ganhar campeonatos que isso ninguém pode nem deve prometer, mas para sanar a (a ser verdade e já disse que não ponho em causa os números) degradada situação financeira do clube. Essa informação, se é que a há, era devida aos sócios.
O passado, sendo passado, deixou contudo um rasto que implica com o futuro e era esse futuro que eu esperava ver explanado nesta ocasião.
A sério, para quem quer união, preocupa-se demasiado com o passado recente. É da sabedoria popular que não se apanham moscas com vinagre, mas ao que assistimos diariamente no Sporting é ao lavar de roupa de tal forma que um dia destes ela se esgaça, de tanto bater na pedra.
Há uma auditoria que já devia estar concluída, e aí, após resultados, que se tomem medidas se elas tiverem que ser tomadas. Não formo juízo de intenções, não infiro que daqui se quer outra coisa que não o que foi dito e feito, mas não é isto que os sócios querem, o que os sócios querem é que o clube avance e que me desculpem, mas assim nunca passaremos da cepa torta.

O que disse Francisco Salgado Zenha

Dívida a fornecedores herdada superior a 40 milhões

«Quando tomámos posse, encontrámos o clube numa situação de tesouraria muitíssimo difícil.»

«Herdámos uma dívida a fornecedores, até Junho de 2019, de mais de 40 milhões de euros. A maior parte desta dívida é com clubes e agentes. Herdámos o pagamento de metade do valor contabilístico do plantel profissional do Sporting. Ou seja: tivemos de pagar este ano metade do plantel do Sporting.»

Já não havia dinheiro para pagar salários

«A gestão feita em 2018 foi completamente irresponsável. Em Janeiro de 2018, o Sporting estava a antecipar uma receita futura para comprar um jogador. Um par de meses depois, não tinha dinheiro para pagar salários e teve de recorrer à conta-reserva que servia teoricamente para pagar os VMOCs [valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis].»

«Estamos a falar de pagamentos de jogadores como Misic, Ristovski, Coentrão, Acuña, Battaglia, Piccini, Mattheus Oliveira, Lumor - só para enumerar alguns. Nada disto estava pago.»

«O que poupámos de salários, em termos líquidos, permite-nos

 

Da intervenção de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, esta tarde, em conferência de imprensa

O empréstimo e o discernimento

Ao que compreendi o período de subscrição do empréstimo que o clube convocou já terminou. E com sucesso, mostrando a confiança dos agentes económicos e, acima de tudo, dos adeptos e associados. Confiança no valor do clube e confiança na competência (e discernimento) da nova direcção do Sporting Clube de Portugal. Magnífico desiderato, também contra os profetas da desgraça. 

Terminado o período também termina um período de contenção crítica. No qual, em meu entender, qualquer posição menos entusiástica poderia fazer germinar (ou potenciar) a dúvida em qualquer hipotético "investidor" (com aspas, pois quero crer que muitos não entendem isto como um investimento económico mas muito como um acto moral). E em assim sendo já me sinto à vontade para botar algumas coisas:

1) O Sporting tem largos milhões gastos em jogadores de futebol. Entre Vivianos e Marcos Túlios decerto que tudo bem contado sobre as despesas das suas licenças desportivas daria para chegar ao "mínimo" necessário para o empréstimo. Que fique claro na memória de todos - mesmo daqueles apoiantes destas medidas que mandam passear (ou ir de viagem) todos os que não subscreveram o empréstimo - que as "asneiras" (serão asneiras ou modus vivendi?) na contratação de jogadores não começaram com Bruno de Carvalho. Mas terão que acabar com ele, ou então daqui a um ou dois anos lá estarão outra vez a mandar "passear" (ou ir de viagem) quem não subscrever o empréstimo de então.

2) Em tempos recuados, julgo que até bíblicos, mesmo antediluvianos, houve um ano em que uma direcção do Sporting contratou 2 ou 3 jogadores no período de transferências de Inverno. Os quais vieram a ser precioso contributo para vitórias da equipa de futebol, verdadeiros reforços. Nunca mais aconteceu. De então para cá dinheiro gasto no inverno nunca fez medrar. Convém lembrar isso. Ou então, como acima já disse, daqui a um ou dois anos lá estarão outra vez a mandar "passear" (ou ir de viagem) quem não subscrever o empréstimo de então.

3) Em 1995 o presidente Pedro Santana Lopes fez um grande alarido com a contratação do checo Skuhravy, avançado caríssimo - para os dinheiros de então. Fez notícia também o carro de luxo que o clube lhe alugara (tempos em que estes custos ainda eram notícia e não, como agora o é, os milhões dados aos comissionistas de fatos brilhantes e gingares televisivos, alguns até içados a directores de clube). Na mesma época pediu-se aos associados um ano de mensalidades adiantados (se não laboro em erro uns meros 14 contos, 70 euros de agora). O checo esteve em Lisboa uns meses, jogou e rematou uma vez à barra. Eu, para seguir o paradigma da economia moral de alguns paladinos das obrigações morais, "fui de viagem". E não só porque emigrei.

Em suma, diz este viajante, "não há dinheiro ... não há futebolista". Enfim, até ao próximo empréstimo.

Obrigações de coração



A competitividade da nossa Liga (Benfica e Porto) fez subir os salários líquidos dos jogadores para valores que nos deviam fazer corar de vergonha. Para acompanhar, o Sporting de Bruno de Carvalho teve de ir a jogo e Jesus acabou por ser o símbolo maior dessa insanidade salarial. Quem vibrou, aplaudiu e apostou que era desta (como foi o meu caso) não se deve colocar de fora do dia seguinte. Este empréstimo obrigacionista do Sporting explica-se porque a banca fechou a torneira (e bem, dada a irracionalidade quase total da indústria). Benfica e Porto têm os seus empréstimos obrigacionistas, cuja maturidade virá a ser paga com outros empréstimos. Connosco é e será também assim. Até que uma destes três SAD será comprada por um acionista maioritário. Porque ou se joga para o quarto ou quinto lugar e se têm as contas em ordem, ou se sobe brutalmente a parada e se torra dinheiro à tripa forra.
Um dia vai acabar, mas por enquanto há obrigações de coração.
É ilegal e imoral dizer aos outros o que devem fazer com o seu dinheiro em instrumentos financeiros do tipo das obrigações. Mas não é proibido partilhar a informação de que subscrevi obrigações. O motivo é simples: quando teu clube precisa de ti, apareces. 

Ponto da situação

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Foco máximo do presidente leonino: reunir verba suficiente para pagar daqui a cerca de um mês o empréstimo de 30 milhões de euros, acrescido de juros, a quem confiou no Sporting. Essa verba depende, em parte considerável, dos acordos que conseguir entretanto estabelecer com os clubes onde agora se encontram os jogadores que em Junho rescindiram unilateralmente os contratos que os vinculavam a Alvalade: Atlético de Madrid (Gelson Martins), Olympiacos (Podence) e Lille (Rafael Leão). Há também que assegurar o cumprimento dos novos prazos de pagamento entretanto estabelecidos com os clubes que nos forneceram jogadores como Acuña, Battaglia e Raphinha.

Tudo isto sabendo que ficámos fora da Liga dos Campeões e das quantias milionárias que este certame proporciona a quem nele participa. Sabendo também que não temos acesso a outro financiamento extraordinário, pois durante a presidência de Bruno de Carvalho já foram gastas por antecipação as receitas correspondentes a dois anos da vigência do contrato com a operadora NOS - e que contribuíram para despesas superiores a 100 milhões de euros só na época passada, entre futebol profissional e modalidades.

Este é o ponto da situação, com motivos mais do que suficientes para preocupar-nos. Alguns sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting preferem discutir a permanência da actual equipa técnica. Acontece que Frederico Varandas tem prioridades mais imediatas. É a vida, como dizia o outro.

Assim se ia desgovernando

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Quase quadruplicar o valor dos prémios desportivos e de desempenho relativamente à época anterior, num ano em que vimos novamente fugir o título de campeão nacional de futebol, perdemos ingloriamente a final da Taça de Portugal e ficámos sem acesso à Liga dos Campeões, é obra.

Isto ajuda a explicar por que motivo, em 2017/2018, a equipa gestora composta por Carvalho, Vieira & Godinho fez disparar em 15,4% os custos com pessoal, cifrados em 73.864 milhões de euros.

Assim se ia desgovernando o Sporting.

A "rica herança" de Carvalho

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 Foto: Nuno Fox / Lusa

 

«O novo presidente do Sporting recebe uma SAD em falência técnica, sem tesouraria, com prejuízos, elevados custos salariais e receitas futuras já antecipadas.»

«Corte de custos, incluindo da massa salarial, venda de jogadores e negociação de um empréstimo obrigacionista são as prioridades para iniciar o reequilíbrio de uma SAD que deu um passo maior que a perna na equipa de futebol.»

 

«Com um prejuízo de 20 milhões, a SAD voltou a ter capitais próprios negativos. As dívidas a fornecedores amontoam-se e a pressão de tesouraria é evidente.»

 

«De 2014 para 2018, Bruno de Carvalho triplicou a massa salarial, ao passá-la dos 25 milhões do tempo da míngua para 74 milhões na última época, fazendo do plantel do Sporting mais caro que o do Benfica e próximo do FC Porto.»

 

«Doumbia, que saiu agora, custava quase cinco milhões por ano ao Sporting; e a equipa técnica de Jorge Jesus, que custava quase dez milhões de euros por ano, foi trocada pela de José Peseiro, que custa perto de três milhões por ano.»

 

«O Sporting hoje abre a gaveta da caixa e não tem lá notas, só algumas moedas. As necessidades de tesouraria oscilam entre 100 milhões e 200 milhões de euros.»

 

«Para ir pagando as contas, Bruno de Carvalho foi antecipando receitas, num total de 80 milhões de euros. Incluindo os próximos dois anos de receitas da NOS, que paga 30 milhões por ano.»

 

Do Expresso de hoje

Em grave risco financeiro

As obrigações do Sporting atingiram o valor mais baixo de sempre. Quem investiu na dívida leonina devia ter recebido em Maio. Como sabemos, a SAD adiou este reembolso para Novembro. Mas muitos investidores estão já dispostos a vender, mesmo com perdas de 15%, para não esperarem até lá. Semana após semana, com a crise a aprofundar-se, reduz-se a margem de expectativa dos investidores face ao risco potencial de descalabro financeiro em Alvalade. No momento em que os capitais próprios negativos da Sporting SAD se afundam para os 9 milhões de euros negativos.

Quanto à banca, hoje chegou mais uma inequívoca advertência: o BCP não tenciona voltar a meter um tostão no futebol. Acontece que este é um dos principais credores do Sporting (o outro é o Novo Banco).

Os sinais estão bem à vista. Para quem quiser vê-los.

A palavra a quem sabe

A PwC, uma das Big Four do setor de auditoria, acaba de dizer isto. A empresa que audita as contas da sociedade do SCP diz preto no branco que as rescisões dos jogadores “mais valiosos” do plantel constituem “uma ameaça concreta em relação à continuidade das operações da Sporting SAD”. Para quem tinha dúvidas...

Sustentabilidade - As Obrigações da Sporting SAD

Durante a passada semana e a propósito do vencimento em Maio de um empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros do Sporting - já lá iremos - , o jornalista Camilo Lourenço disse que "lhe cheirava a esturro". Num estilo leve, e certamente embalado pela brisa que emanava do rio que lhe servia de enquadramento, Camilo foi por aí fora e chamou a atenção para 4 coisas, das "continhas" (palavras dele) do Sporting. A saber:

 

  1. O Sporting está tecnicamente falido, ou seja, apresenta Capitais Próprios negativos;
  2. O Cash-flow é negativo;
  3. O Sporting tem de, nos próximos meses reembolsar "dívida, nomeadamente obrigações" no valor de 68 milhões de euros;
  4. Existe uma reserva do auditor PWC.

 

Adicionalmente, o jornalista pediu a todos que o ouviam para consultarem o último R&C depositado na CMVM. Confesso que já o tinha feito e daí apresentado resumo na rúbrica Sustentabilidade, mas dado aquilo que foi dito voltei lá, não fosse estar a precisar com urgência de uma consulta no oftalmologista. Dito isto, apresento aqui as minhas conclusões (que qualquer leitor/comentador pode verificar aqui), respondendo ponto-por-ponto ao enunciado por Camilo Lourenço. Então, aqui vai:

 

  1. O Sporting tem Capitais Próprios positivos superiores a 16M€ (exactamente 16.468M€), não estando portanto em situação de falência técnica;
  2. O Cash-Flow libertado no exercício (semestral) foi de 6.45M€, o que faz com que no final do período seja positivo em 12.756M€;
  3. De um analista como Camilo espera-se que saiba separar o que são financiamentos do que são obrigações e que não ponha tudo no mesmo saco. Falou em 12M€, 26M€ e 30M€, mas aqui cometeu diversos erros. Assim, os 2 primeiros valores referem-se, respectivamente, a um empréstimo bancário e ao factoring, sendo que eram arredondadamente (o correcto é, respectivamente, 12.682M€ e 26.19M€) os valores a 30 de Junho de 2017 e não ao período terminado em 31 de Dezembro de 2017 a que Camilo alude (último relatório). Estes valores desceram, sendo agora, respectivamente, de 8.285M€ e de 20.015M€. Quanto ao empréstimo obrigacionista, ele de facto existe e tem a sua maturidade em 25 de Maio deste ano. Sobre ele falaremos a seguir.
  4. Ao contrário do que é dito, não existe qualquer reserva (ou escusa de opinião) do auditor PWC. O que existe é um ênfase. Esse ênfase é dado ao abrigo do nº2, artigo 45º do Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (EOROC), que entre outros pontos diz, nomeadamente, que o auditor deve "referir outros aspectos através de parágrafos de ênfase sem afectar a opinião de auditoria". Nesse sentido, não afectando as conclusões apresentadas, o auditor chamou a atenção para o facto de o Passivo corrente suplantar o Activo corrente em 114.253M€. (por exemplo, no FC Porto este valor é deficitário em 148M€).

 

Arrumado este assunto, falemos agora da polémica em torno da emissão de 30 milhões de euros do Sporting. Em primeiro lugar, é importante dizer que o Sporting é, dos 3 grandes, o clube que tem um valor menor de emissões de obrigações. O FC Porto tem um valor de 79.5M€, o Benfica 152.5M€, o Sporting apenas 30M€. Todos os clubes têm vindo a renovar estas obrigações quando estas atingem a sua maturidade.

No caso do Sporting, a obrigação de 30 milhões de euros vence em 25 de Maio de 2018, foi emitida em 2015 (3 anos) e tem uma taxa de juro associada de 6,25%. Na altura da emissão, ela foi subscrita por 4241 investidores e a procura suplantou a oferta em 2,57 vezes.

Foi anunciado recentemente que devido à situação directiva o clube encarava reembolsar o título 6 meses mais tarde. Esta situação advém, provavelmente, da renitência do banco colocador em renovar a emissão dado o presumível vazio directivo. Esta percepção por parte do banco/investidores decorre primeiramente dos anunciados processos disciplinares e suspensões (que mais tarde não se vieram a se concretizar) a 19 futebolistas do plantel principal, e possíveis consequências financeiras desse acto, e foi muito agravada por declarações proferidas pelo nosso presidente da AG à TSF, em que anunciou a futura convocação de uma Assembleia Geral com o intuíto de demitir o presidente do clube/SAD (o que criou a perspectiva de vazio e concomitante incerteza).

Na minha modesta opinião, o Sporting deveria evitar postecipar o pagamento. Desde logo porque tal seria considerado como uma "moratória". Para os mercados obrigacionistas, uma moratória é considerada um evento de "default" e, como tal, afecta a notação de risco do emitente e terá consequências em futuras emissões, fazendo subir os prémios de risco (spread face à Euribor). O Sporting certamente apostava em conseguir uma taxa de juro bastante mais baixa em Maio e, por isso, nos últimos anos, ter-se-á escusado a emitir mais obrigações. Confrontado com este imponderável, o clube terá de reagir. É certo que a SAD não tem rating e que a colocação não deverá ser feita em mercados internacionais, mas sim em clientes domésticos, mas de qualquer forma dever-se-ia evitar a todo o custo o evento de "default". A liquidez necessária poderia ser encontrada via venda de um jogador. Acredito, no entanto, que a SAD não queira vender um activo ao desbarato, algo que poderia acontecer dada a percepção do mercado do futebol da necessidade do clube em vender. Por outro lado, o comprador raramente entrega a totalidade do dinheiro a pronto, pelo que o problema não se resolveria totalmente. Por tudo isto (e muito mais), tenho vindo a tentar sensibilizar no sentido de os problemas serem resolvidos em casa, evitando-se ao máximo declarações públicas que ponham em causa o clube/SAD perante investidores. A solução para esta crise tem de aparecer em breve, mas até lá pede-se sensatez e ponderação a todos os envolvidos.

 

Respondendo a algumas inquietações, aproveito a oportunidade para esclarecer porque, em certas situações, a um Resultado Liquido positivo pode não corresponder um abatimento de Passivo (ao contrário daquilo que já ouvi em certos comentadores afectos a outro clube da 2ª Circular). Os clubes portugueses ainda devem os seus lucros às vendas de jogadores. Estas vendas aparecem na Demonstração de Resultados como Resultados Extraordinários (rendimento com transação de jogadores). Imaginem agora que o Sporting vende um jogador por 50M€ e que o comprador paga a pronto 15M€. Então, teremos no Balanço, no Activo, em Caixa e Disponibilidades, um valor de 15M€ e, na rúbrica Clientes aparecerão os restantes 35M€, que constituirão um crédito do Sporting sobre o clube comprador. Como a maior parte do dinheiro está por receber, apesar de haver lucro, o clube poderá ter de recorrer a um financiamento, dado que a maior parte dos seus custos são de curto-prazo e existe um défice de exploração operacional (ordinário). O plantel é pago mensalmente e parte dos Fornecimentos e Serviços Externos também. Daí que, pedindo um financiamento, o Passivo aumenta.

 

Termino com uma declaração de interesses: não conheço ninguém do Conselho Directivo do clube e/ou do Conselho de Administração da SAD e apenas recorri ao conhecimento que tenho do funcionamento dos mercados financeiros e ao célebre relatório depositado na CMVM que Camilo Lourenço sugeriu ao seu auditório. 

 

Jesus: custos e benefícios

Fala-se por aí com insistência no astronómico salário de Jorge Jesus. A essas almas tão doridas chamo a atenção para este facto: na actual época futebolística o Sporting já ganhou 18,7 milhões de euros pelo desempenho nas competições europeias.

Sem Jesus, teria sido muito diferente. Só esta verba, amealhada nos últimos três meses, justifica o que o treinador recebe num clube que em 2013 ficou em sétimo lugar no campeonato e nem às competições europeias chegou.

Sustentabilidade - as contas da SPORTING SAD

Hoje irei abordar alguns indicadores de actividade da Sporting SAD, desde a época 2001/2002 até ao último relatório disponível, o intercalar do terceiro trimestre de 2016/2017.

 

Em primeiro lugar, devo referir que os RESULTADOS LÍQUIDOS ACUMULADOS registam uma PERDA DE 138,5 MILHÕES DE EUROS. No mesmo período (desde 2001/2002), os RESULTADOS LÍQUIDOS ACUMULADOS SEM RENDIMENTOS EXTRAORDINÁRIOS registam uma PERDA DE 427,2 MILHÕES DE EUROS. A rubrica de RENDIMENTOS EXTRAORDINÁRIOS apresenta um valor positivo de 288,7 MILHÕES DE EUROS, que se segmentam desta forma: 223,2 MILHÕES DE EUROS de VENDAS DE JOGADORES, 65,5 MILHÕES DE EUROS de ALIENAÇÃO DE PATRIMÓNIO IMOBILIÁRIO.

 

Segmentando, embora hajam algumas sobreposições devido ao facto de os mandatos presidenciais não corresponderem com as épocas desportivas sobre as quais incidem os Relatórios e Contas (aspecto a rever urgentemente, do meu ponto-de-vista), teremos as seguintes indicadores por Presidente:

 

RESULTADOS LÍQUIDOS: Antonio Dias da Cunha -59,2 M€ (de 2001 a 2004), Filipe Soares Franco +58 M€ (inclui venda de património de 65,5 M€, de 2004/2005 a 2009), José Eduardo Bettencourt -70,3M€ ( 2009/10 e 2010/11), Luiz Godinho Lopes -89,7M€ (2011/12 e 2012/13) e, finalmente, Bruno Carvalho +22,7M€ (desde 2013/14).

 

RESULTADOS SEM RENDIMENTOS ESTRAORDINÁRIOS: Antonio Dias da Cunha -89,5M€, Filipe Soares Franco -43,0M€, José Eduardo Bettencourt -88,7M€, Luiz Godinho Lopes -112,1M€, Bruno de Carvalho -93,9M€.

 

Números preocupantes, sem duvida, que mostram uma gestão com maior sucesso nos mandatos de Filipe Soares Franco e de Bruno de Carvalho, embora dependentes maioritariamente de vendas de património, no primeiro caso, e de alienação de passes de jogadores, no segundo.

 

Outros indicadores que julgo relevante trazer aqui:

Filipe Soares Franco herdou Rendimentos Ordinários (receitas correntes, por oposição a receitas extraordinárias) de 25,4M€ (2003/4, Dias da Cunha) e subiu-as para 46,8M€ (2008/9), no tempo de JEB as receitas correntes desceram para cerca de 35M€, valores semelhantes aos de GL (40,7M€ e 32,0M€), subindo depois com Bruno de Carvalho (68,7M€ em 15/16 e 63,3 no final do terceiro trimestre de 16/17).

 

Outro indicador que considero digno de análise é o racio CUSTOS COM PESSOAL vs PROVEITOS ORDINÁRIOS (ou Rendimentos Correntes): Antonio Dias da Cunha (114,98%, 119,27% e 80,71%), FSF ( 61,38%, 52,41%, 53,87%, 43,61%, 50,64%), JEB (67,74%, 83,85%), GL (104,42%,130,00%) e BC (70,82%,43,05%,71,03%,76,46%). Os melhores resultados para este racio são de FSF e os piores de GL, o que ajuda a explicar o impacto nos resultados.

 

Enfim, Bruno de Carvalho tem estado a fazer crescer os Proveitos Ordinários e tem mantido o racio custos com pessoal vs proveitos Ordinários dentro de limites ainda aceitaveis, embora a subida recente dos custos com pessoal (48,8M€ em 15/16 e 48,4M€, apenas em 3 trimestres de 16/17) mereça a maior atenção porque um eventual retrocesso no ciclo económico pode enviabilizar vendas de jogadores e comprometer os resultados.

 

Voltarei a este assunto para um comparativo com os restantes "grandes", mas por agora gostaria de obter as Vossas opiniões.

 

SL

As contas e a entrevista

Bruno de Carvalho vai hoje conceder uma entrevista em directo, no jornal das 20.00 horas da SIC.

Será entrevistado, segundo o próprio, pelo apresentador/jornalista R.G. de Carvalho. Ainda pensei que o presidente corria o risco de ser entrevistado pelo Dolbeth, pelo Inácio e pelo Saraiva, mas felizmente iremos assistir a uma entrevista, estou certo.

Não terá sido inocente a publicitação hoje, do relatório e contas da SAD relativo à época 2015/16, havendo assim oportunidade para esclarecer os cerca de 30M€ negativos neste resultado.

Não sendo versado na matéria (eu só sei que não posso gastar mais que o que ganho), do que vi, confesso que estou descansado. Este relatório, divulgado com toda a transparência, e sem maquilhagem de números, convém sublinhar, reflecte os valores a acertar com a Doyen (que numa hipótese muito remota podem até nem ser pagos) e sofre do falhanço no acesso à CL e ainda reflecte as aquisições de jogadores em valores a rondar os 11M€, reforços já para a presente época. Poderia ser maquilhado com a inclusão dos valores de cerca de 18M€ do prémio de acesso à CL deste ano e sem o pagamento à Doyen, que ainda não foi efectuado e as contas estariam praticamente no zero, ou perto disso. Optou e bem a SAD por números concretos. 

Duma coisa podemos ter já a certreza, o exercício desta época será significativamente positivo, com os vários patrocínios, o prémio de entrada na CL e as vendas de jogadores por valores record.

E depois é um consolo, a gente olha para as contas e nem cheiro de fritos.

 

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