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És a nossa Fé!

Sobre entradas e saídas

Um olhar rápido pelas operações financeiras relacionadas com entradas e saídas de jogadores do Sporting no defeso de Verão, descritas na informação prestada à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários, permite desde logo estas conclusões:

 

  •  Pagamos comissões pela saída de jogadores como André Pinto e Petrovic, que rumaram a outros clubes sem renderem um euro aos cofres leoninos - algo inacreditável

 

  •  Pagamos 700 mil euros à empresa de Jorge Mendes por intermediar no acordo com o Olympiacos sobre Podence, tendo o Sporting abdicado do processo no Tribunal Arbitral do Desporto - algo incompreensível.

 

  •  Pagamos cerca de sete milhões de euros em comissões globais na época em que temos um dos piores plantéis de que há memória - algo inaceitável.

Banca perdoa, mas é muito beneficiada

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A reestruturação financeira do Sporting iniciada pela anterior administração está finalmente a ser concretizada. Varandas e Zenha conseguiram dar um passo importante e decisivo para a estabilidade financeira do Sporting que estava asfixiada pelo endividamento.   

A dívida total à banca da SAD ascende a cerca de 360 milhões de euros. Um valor astronómico e que requere muita inteligência para negociar com todas as partes. Para já, a SAD anunciou que vai antecipar em sete anos o pagamento de todas os Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) que custariam, em 2026, cerca de 135 milhões de anos. Uma antecipação que implica o pagamento imediato de 40,5 milhões de euros em vez dos 135 milhões, ou seja, o Sporting poupa quase 95 milhões de euros.

Aos olhos de todos, trata-se de um perdão bancário, mas na realidade a banca também sai beneficiada. A verdade é que os bancos recebem já um terço de uma dívida que daqui a sete anos arriscariam ver transformada em acções de uma SAD que já hoje tem capitais próprios negativos, ou seja, está tecnicamente em falência. Receber 40,5 milhões de uma coisa falida é um perdão?

Depois, as novas regras financeiras impostas pela União Bancária ao sector bancário obrigam a que haja uma libertação urgente de dívidas a terceiros. Dívidas a clubes de futebol não são bem-vindas, muito seria perdoado serem accionistas de uma SAD em falência.

Nesta restruturação, o Sporting conseguiu depois algumas benesses, como o facto de 50% da mais-valias com a venda de jogadores terem de ser aplicadas no abate de dívida bancária. Por exemplo, com a reestruturação só 30% da receita líquida da eventual venda do Bruno Fernandes é que irá para reduzir dívida (15%) e para reforçar a conta de reservas (15%).  

Quanto à reestruturação dos restantes cerca de 225 milhões de euros de dívida (empréstimos e outros financiamentos) ainda pouco se sabe, além de que o parceiro estratégico Apollo (fundo de investimento) pode vir a ser o credor dessa dívida. Quanto é que custará?

Na prática, os bancos libertam-se de cerca de 360 milhões de dívidas que arriscavam nada receber e ainda seriam pressionados pelos supervisores financeiros com eventuais sanções.

A reestruturação concretizada é uma boa notícia para o Sporting, mas também para os bancos que se libertam finalmente de um fardo que valia 360 milhões. Quanto ao valor a suportar pelos contribuintes, nada se sabe, mas seguramente se a reestruturação não tivesse acontecido, os portugueses iriam suportar a maior parte da dívida não paga.

Ganha o Sporting, ganha a banca e ganham os portugueses.

Imperdoável

Lamento que Frederico Varandas não tenha ontem aproveitado a entrevista de 32 minutos em horário nobre à SIC para dizer, sem esperar por pergunta alguma, que abdicará do aumento salarial que lhe foi proposto pela comissão de accionistas da SAD.
Mais que lamentável: é imperdoável. Como dizia o outro, não há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

Aumentos para a Administração... porquê??

Segundo notícias vindas hoje em alguns órgãos de comunicação social, existe uma proposta dentro da própria SAD no sentido de aumentar o vencimento do Presidente do Sporting dos 182 mil euros para 273 mil euros brutos anuais e os outros administradores para 196 mil euros. Não queria acreditar naquilo que lia, mas talvez ajude a  compreender o número tão elevado  de candidatos a Presidente do nosso clube nas últimas eleições... Haja pudor meus senhores, e lembrem-se dos sacríficios de muitos sócios, quer para terem sempre as suas quotas em dia, quer para acompanharem a equipa por esses estádios do país.

É preciso vencimentos tão elevados para "gerir" e "administar" o clube??

O que diz Salgado Zenha

«Os desequilíbrios financeiros ainda não desapareceram na totalidade.»

«Este ano tivemos um défice operacional na ordem dos 30 milhões de euros.»

«[Foi preciso] Fazer ajustes essenciais na massa salarial, sobretudo de jogadores excedentários.»

«Os encargos com salários, incluindo de jogadores de futebol, correspondiam no início da época a cerca de 100% das receitas operacionais. O recomendado pela UEFA é um limite de 70%.»

«Vamos ter uma redução da massa salarial na ordem dos 12 milhões de euros.»

«Procuramos eficiência na gestão do desporto e manter a qualidade no futebol. Não queremos cortar por cortar.»

«Não vamos cometer loucuras. Mas também não vamos apertar o cinto de forma desmesurada e sem estratégia.»

«Um clube no mercado português, para ser competitivo, tem de vender jogadores de futebol. Porque não temos as receitas de outros mercados, como o inglês ou o espanhol.»

«O Sporting tem capitais próprios negativos. Mas não é insolvente. Tem activos muito valiosos e uma situação de alguma estabilidade financeira desse ponto de vista. Tendo um activo como o Bruno Fernandes, se tiver algum aperto sei que o posso vender quando quiser. Daí a solvência.»

«O Sporting não está neste momento numa situação de folga financeira. Não está porque nos últimos anos cometeu excessos e o que aconteceu no ano passado fez o Sporting dar vários passos atrás. Nós agora estamos a corrigir esta situação. Mas estamos a corrigi-la com pés e cabeça.»

 

Declarações de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, ontem, no Jornal das 8 da TVI

Ditadura financeira fala mais alto

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A venda de três titulares indiscutíveis choca qualquer sportinguista, mas verdade é que os milhões de euros ‘fresquinhos’ que entram nos cofres, além dos outros milhões feitos com jogadores que não riscavam nada na equipa, salvam a época em termos financeiros. Este encaixe financeiro permite cumprir as obrigações com a banca e dar algum fôlego à tesouraria que se encontrava quase a zeros.

É verdade que o timing não foi o melhor, no entanto, Varandas e a sua equipa aproveitaram a janela sem cometer nenhuma loucura. Os três jogadores que acabam de chegar podem vir a ser uma mais-valia na equipa e o dinheiro gasto não é nenhuma barbaridade se compararmos com as compras feitas por anteriores direcções. A última chama-se Diaby que nunca convenceu e custou uma fortuna.

Depois convém não esquecer que o cérebro da equipa continua. Varandas foi coerente e não vendeu Bruno Fernandes por meia dúzia de milhões. Resta saber se tem capacidade para lhe renovar o contrato e a cláusula de rescisão para 200 milhões.

Na prática, a folha salarial mensal dá sinais de emagrecimento acentuado e enquanto isso realizou milhões como nunca foi feito em épocas anteriores (receitas de quase 90 milhões). Agora decidiu mudar também a equipa técnica - antes que a contestação aumentasse descontroladamente - que mostrava sinais de desnorte. A derrota em Alvalade foi a gota de água. 

Obrigado a Keizer pelos dois títulos em seis meses. Até simpatizava com o holandês, mas a realidade é que o futebol apresentado esta época, mesmo com os titulares da época passada, nunca convenceu ninguém.

Espero que Leonel Pontes, ou outro, consiga colocar a equipa a jogar bom futebol porque acredito que o Sporting tem equipa para dar luta, embora a estrutura à sua volta seja tenrinha. Assim, as lesões se mantenham afastadas de Alvalade e o espírito de grupo supere os casos insólitos que teimam invadir o relvado, como aconteceu no último domingo.

Gerir um clube é decidir. Para já Varandas tem optado, e bem, pela consolidação financeira, pois este é o coração para nos podermos reerguer. Ninguém acredita que, depois do caos de há um ano, consigamos ser já campeões. Os milagres acontecem, mas a verdade é que nem com Jesus isso aconteceu. Mas quanto tempo mais teremos de esperar para ser campeões?

Apertar do cinto

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Não conheço ao pormenor a situação financeira da SAD, incluindo a questão da negociação com a banca. Vou sabendo mais por jornais e comentadores do que pelo Sporting, o que é triste, mas não é difícil perceber que deve estar bem complicada e isso explica muito do que foi a actuação do clube nesta janela de mercado. Deixando de parte a questão desportiva, já por demais aqui comentada e vamos ter o resto da temporada para avaliar, podemos constatar que o Sporting fez negócios de venda/empréstimos com opção de compra obrigatória (incluindo Gelson Martins e Podence, Bruno Fernandes à parte) de 19 jogadores no valor de (números redondos) 90,000€ e de compra/entrada por empréstimo de oito jogadores no valor de 25,000€, um saldo positivo de 65,000€. 

Além disso, emprestou 11 jogadores com salários quase todos pagos pelos clubes de acolhimento. Foram então 30 jogadores que saíram da folha salarial, entrando 8. Não sei o que isto representa em poupança anual de salários, mas sairam vários jogadores de salários elevados a começar por Bas Dost e Petrovic, imagino da ordem de 30%. 

Resumindo, foi mesmo um grande apertar do cinto este verão em Alvalade. 

E ainda ficaram alguns casos para resolver:

1. Rafael Leão

2. Ruben Ribeiro

3. Mattheus Oliveira

4. Viviano

5. Irmão do Alan Ruiz, dizem que joga futebol

 

PS: As minhas contas foram as seguintes:

Saídas: 89,5
1. Gelson Martins 22,5
2. Raphinha 21,0
3. Thierry Correia 12,0
4. Matheus Pereira 10,0
5. Bas Dost 7,0
6. Podence 7,0
7. Felix Correia 3,5
8. Jonathan Silva 3,0
9. Domingos Duarte 3,0
10. Tiago Djaló 0,5
11. Salin 0,0
12. André Pinto 0,0
13. Petrovic 0,0
14. Mama Baldé 0,0
15. Wallyson 0,0
16. Jefferson 0,0
17. Ryan Gauld 0,0
18. Carlos Mané 0,0
19. Abdu Conté 0,0

Empréstimos:
1. Diaby
2. Gelson Dala 
3. Bruno Gaspar 
4. Ivanildo Fernandes
5. Lumor
6. Bragança
7. Francisco Geraldes
8. André Geraldes
9. Misic
10. Alan Ruiz
11. Leonardo Ruiz


Entradas: 23,5
1. Rosier 8,0
2. Vietto 7,5
3. Camacho 5,0
4. Eduardo 3,0
5. Neto 0,0
6. Jesé Rodríguez 0,0
7. Bolasie 0,0
8. Fernando 0,0

Saldo: 66,0

Os escarros dos papagaios

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Dada a argumentação agora em curso que alude à necessidade imperiosa de «alívio salarial» na SAD leonina para estancar o seu alegado «sufoco financeiro», vale a pena fazer algumas perguntas na expectativa de que possam ser respondidas.

Por fontes autorizadas, não por bonecos de ventríloquos.

 

- Porque dispensámos Nani - capitão do Sporting, prestigiado internacional português e campeão europeu em título - a "custo zero"?

- Porque aceitámos, no âmbito da negociação com o Atlético de Madrid como hipotética forma de compensação pela aquisição fraudulenta de Gelson Martins por aquele clube, metade do passe de Vietto avaliado em 7,5 milhões de euros, quando este jogador tem um valor global de mercado de apenas sete milhões?
- Porque adquirimos, igualmente por 7,5 milhões de euros (acrescidos da dispensa de Mama Baldé a título definitivo), o lesionado lateral direito francês Rosier, que passou 465 dias lesionado nas últimas três épocas, este ano só jogou cerca de dez minutos em Fevereiro e pretende preencher uma posição para a qual já existem pelo menos três jogadores sob contrato?

- Porque não houve prioridade máxima à contratação de um novo ponta-de-lança se é verdade que Bas Dost terá comunicado à equipa técnica a intenção de abandonar o Sporting ainda em Maio, mês em que estava recém-valorizado devido ao decisivo golo que marcou ao FC Porto na final da Taça de Portugal?

- Por que motivo - aceitando ainda a tese de que a SAD já sabia desde Maio que o jogador pretendia sair - deixámos arrastar a resolução do assunto durante três meses, acabando por estabelecer com o Eintracht, em vésperas do fecho do mercado, um acordo que fontes do clube alemão qualificam de «pechincha», pois terá baixado dos 20 milhões de euros exigidos no início para os sete milhões finais?

 

Eis vários temas que deviam justificar séria reflexão aos loquazes papagaios "multicolores" (de bico encarnado) que agora debitam suposta propaganda verde em incessante verborreia nas pantalhas.

Se eles soubessem reflectir, claro. O problema é que só sabem... papaguear.

 

São úteis a qualquer poder, enquanto estiver na mó de cima.

Quando fica na mó de baixo, acotovelam-se para figurarem na primeira fila dos que irão escarrar em quem antes serviram.

Bruno de Carvalho que o diga.

Sporting não é um banco, Dr.

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O sonho comanda a vida, como diz o povo, mas para concretizá-lo é preciso Esforço, Dedicação, Devoção e só depois vem a Glória. Que o diga Cristiano Ronaldo que mais uma vez fez um trabalho genial frente ao Atlético de Madrid para concretizar o sonho de voltar a ser reconhecido como o melhor futebolista do Mundo. Até parece que o bilhete de identidade lhe foi atribuído 10 anos antes de nascer.  

Mas ao contrário de Ronaldo, José Maria Ricciardi, um apaixonado pelo Sporting, considera que só porque sonhou ser presidente do Sporting, os sócios têm de se ajoelhar a seus pés.

Vivemos num país que ainda se rege por uma espécie de democracia e o último sufrágio aconteceu há seis meses onde, preto no branco, os sportinguistas elegeram Frederico Varandas para liderar os destinos do Sporting durante quatro anos (42,3%). Já o Dr. Ricciardi obteve apenas 14,5%, o que mostra bem que a generalidade dos sportinguistas não o quer como presidente.

Ricciardi, não satisfeito, volta novamente a pregar aos sete ventos que tem um sonho e que para concretizá-lo até está disposto a pagar 200 milhões. É verdade que os portugueses têm memória curta, mas ó Dr. os sportinguistas ainda não esqueceram Bruno de Carvalho. também ele tinha em carteira investidores russos carregados de dólares que nunca lhe pusemos a vista em cima.   

A situação financeira do Sporting não é de fácil resolução, mas com sportinguistas inimigos, que se unem aos que existem noutros clubes, a tarefa é árdua e bem mais difícil. Olhem para os rivais e vejam que até nos momentos críticos como os dos emails ou dos apitos existiu sempre união, mais ou menos coesa, e até os jornais “esquecem” que existem casos, a bem dessas nações.

Ser eleito Presidente do Sporting é uma escolha dos sportinguistas que em Setembro conferiram esse direito a Frederico Varandas. Cabe-lhe cumprir essa tarefa, mas para isso é preciso uma grande união e não sonhos vagos de certas personalidades que vivem do passado e julgam que o Sporting é um banco e que para ser líder basta haver uma nomeação.

Sonhar é livre. Mas, Dr. Ricciardi, ser Presidente do Sporting não é para qualquer um.

O campeonato da antecipação dos direitos televisivos

Ficámos a saber à conta de um prospeto inevitável e obrigatório do Sporting (que regulariza uma falha administrativa que já devia ter sido concretizada há alguns anos quanto à admissão à negociação de ações do aumento de capital de 2014) que precisa antecipar receitas no valor de algumas dezenas de milhões de euros. O recurso mais provável será titularizar receitas associadas ao contrato de direitos televisivos que tem com a NOS.

Na prática, perante a amarga supresa de se identificar um desequilíbrio nas contas de €137 milhões e perante um plano de pagamentos, criado pela anterior direção, que implica ter que apresentar €65 milhões de liquidez para fazer face a compromissos nos próximos 12 meses (€41 milhões dos quais até junho de 2019), o Sporting tem que antecipar receitas do contrato televisivo ou, em alternativa, vender ativos (passes de jogadores), muito provavelmente a preços de saldo.

Sucede que até 30 de setembro de 2018 as receitas do contrato do Sporting com a NOS representavam €353,7 milhões dos quais um total de €44,1 milhões já haviam sido descontados. O remanescente ultrapassa assim os €300 milhões, bem acima das necessidades de liquidez já identificadas para liquidar os compromissos, assumidos para os próximos 12 meses. 

É aqui que nos podemos comparar com o Benfica, que em 2015, ano da primeira versão do atual contrato, descontou cerca de €100 milhões em 2018 para abater dívida, e com o FC Porto que até 2018 descontou €168 milhões do seu contrato de direitos televisivos.

Assim sendo, esta situação, que não é agradável pelo que induz de insustentabilidade do que tem sido a gestão do(s) clube(s), fica devidamente relativizada no sentido em que a parte mais relevante das receitas futuras para o prazo de vigência do contrato não está hipotecada como parece suceder, pelo menos em maior grau, entre os principais parceiros de indústria e adversários no campo.

Como sócio do clube fica a estupefacção de como foi possível, depois de uma reestruturação financeira montada e concretizada em 2014, volvidos cinco anos, termos que estar novamente a enfrentar o abismo do risco de falência. Que gestão foi feita nos últimos anos e na última época em particular? Como foi possível em tão pouco tempo voltar a desequilibrar financeiramente o clube? Para quê? Com que resultados?

Perguntas que os sócios certamente procurarão ver respondidas mas que, face ao que aqui foi exposto e face ao que podia ter sido a história do clube se os sócios não tivessem atuado de forma singular em 112 anos de história (destituindo a direção),  podiam ter um pendor muito diferente - bem mais fúnebre.

Apesar de tudo, há esperança. Cabe à atual direção provar que consegue encontrar as soluções necessárias para ultrapassarmos mais este episódio nada glorioso da nossa história. E, na sua sequência, encontrar um equilibrio efetivamente sustentável entre receitas e despesas, evitando os "all in", e perseverando na progressiva melhoria da saúde financeira e desportiva do clube.

A informação detalhada que aqui se comenta pode ser encontrada no prospeto publicado pela Sporting SAD no sítio da CMVM.

 

P.S.: Não quero com isto menorizar a tarefa complexa e urgente que a atual direção tem pela frente de no espaço de poucas semanas (além da questão da liquidez): conseguir concluir a reestruturação com a banca. Esperemos que, tal como com o empréstimo obrigacionista, a situação corra pelo melhor, a bem do Sporting Clube de Portugal.

Zenha

Bom, sem duvidar dos números (cada um lança os que quer) que agora Salgado Zenha apresenta e até admitindo que estão certos, que esta é a situação do Sporting, por que carga de água veio o senhor, no final de 2018, dizer que o Sporting respirava saúde financeira?
Desculpem os leitores, mas só posso concluir uma de duas: Ou é distraído, ou mentiroso. Ou ainda uma terceira: É incompetente! Confesso que não sei, que eu de contas bastam-me as minhas.
De qualquer forma, o que se pretendia era a apresentação de um plano, não para ganhar campeonatos que isso ninguém pode nem deve prometer, mas para sanar a (a ser verdade e já disse que não ponho em causa os números) degradada situação financeira do clube. Essa informação, se é que a há, era devida aos sócios.
O passado, sendo passado, deixou contudo um rasto que implica com o futuro e era esse futuro que eu esperava ver explanado nesta ocasião.
A sério, para quem quer união, preocupa-se demasiado com o passado recente. É da sabedoria popular que não se apanham moscas com vinagre, mas ao que assistimos diariamente no Sporting é ao lavar de roupa de tal forma que um dia destes ela se esgaça, de tanto bater na pedra.
Há uma auditoria que já devia estar concluída, e aí, após resultados, que se tomem medidas se elas tiverem que ser tomadas. Não formo juízo de intenções, não infiro que daqui se quer outra coisa que não o que foi dito e feito, mas não é isto que os sócios querem, o que os sócios querem é que o clube avance e que me desculpem, mas assim nunca passaremos da cepa torta.

O que disse Francisco Salgado Zenha

Dívida a fornecedores herdada superior a 40 milhões

«Quando tomámos posse, encontrámos o clube numa situação de tesouraria muitíssimo difícil.»

«Herdámos uma dívida a fornecedores, até Junho de 2019, de mais de 40 milhões de euros. A maior parte desta dívida é com clubes e agentes. Herdámos o pagamento de metade do valor contabilístico do plantel profissional do Sporting. Ou seja: tivemos de pagar este ano metade do plantel do Sporting.»

Já não havia dinheiro para pagar salários

«A gestão feita em 2018 foi completamente irresponsável. Em Janeiro de 2018, o Sporting estava a antecipar uma receita futura para comprar um jogador. Um par de meses depois, não tinha dinheiro para pagar salários e teve de recorrer à conta-reserva que servia teoricamente para pagar os VMOCs [valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis].»

«Estamos a falar de pagamentos de jogadores como Misic, Ristovski, Coentrão, Acuña, Battaglia, Piccini, Mattheus Oliveira, Lumor - só para enumerar alguns. Nada disto estava pago.»

 

Da intervenção de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, esta tarde, em conferência de imprensa

O empréstimo e o discernimento

Ao que compreendi o período de subscrição do empréstimo que o clube convocou já terminou. E com sucesso, mostrando a confiança dos agentes económicos e, acima de tudo, dos adeptos e associados. Confiança no valor do clube e confiança na competência (e discernimento) da nova direcção do Sporting Clube de Portugal. Magnífico desiderato, também contra os profetas da desgraça. 

Terminado o período também termina um período de contenção crítica. No qual, em meu entender, qualquer posição menos entusiástica poderia fazer germinar (ou potenciar) a dúvida em qualquer hipotético "investidor" (com aspas, pois quero crer que muitos não entendem isto como um investimento económico mas muito como um acto moral). E em assim sendo já me sinto à vontade para botar algumas coisas:

1) O Sporting tem largos milhões gastos em jogadores de futebol. Entre Vivianos e Marcos Túlios decerto que tudo bem contado sobre as despesas das suas licenças desportivas daria para chegar ao "mínimo" necessário para o empréstimo. Que fique claro na memória de todos - mesmo daqueles apoiantes destas medidas que mandam passear (ou ir de viagem) todos os que não subscreveram o empréstimo - que as "asneiras" (serão asneiras ou modus vivendi?) na contratação de jogadores não começaram com Bruno de Carvalho. Mas terão que acabar com ele, ou então daqui a um ou dois anos lá estarão outra vez a mandar "passear" (ou ir de viagem) quem não subscrever o empréstimo de então.

2) Em tempos recuados, julgo que até bíblicos, mesmo antediluvianos, houve um ano em que uma direcção do Sporting contratou 2 ou 3 jogadores no período de transferências de Inverno. Os quais vieram a ser precioso contributo para vitórias da equipa de futebol, verdadeiros reforços. Nunca mais aconteceu. De então para cá dinheiro gasto no inverno nunca fez medrar. Convém lembrar isso. Ou então, como acima já disse, daqui a um ou dois anos lá estarão outra vez a mandar "passear" (ou ir de viagem) quem não subscrever o empréstimo de então.

3) Em 1995 o presidente Pedro Santana Lopes fez um grande alarido com a contratação do checo Skuhravy, avançado caríssimo - para os dinheiros de então. Fez notícia também o carro de luxo que o clube lhe alugara (tempos em que estes custos ainda eram notícia e não, como agora o é, os milhões dados aos comissionistas de fatos brilhantes e gingares televisivos, alguns até içados a directores de clube). Na mesma época pediu-se aos associados um ano de mensalidades adiantados (se não laboro em erro uns meros 14 contos, 70 euros de agora). O checo esteve em Lisboa uns meses, jogou e rematou uma vez à barra. Eu, para seguir o paradigma da economia moral de alguns paladinos das obrigações morais, "fui de viagem". E não só porque emigrei.

Em suma, diz este viajante, "não há dinheiro ... não há futebolista". Enfim, até ao próximo empréstimo.

Obrigações de coração



A competitividade da nossa Liga (Benfica e Porto) fez subir os salários líquidos dos jogadores para valores que nos deviam fazer corar de vergonha. Para acompanhar, o Sporting de Bruno de Carvalho teve de ir a jogo e Jesus acabou por ser o símbolo maior dessa insanidade salarial. Quem vibrou, aplaudiu e apostou que era desta (como foi o meu caso) não se deve colocar de fora do dia seguinte. Este empréstimo obrigacionista do Sporting explica-se porque a banca fechou a torneira (e bem, dada a irracionalidade quase total da indústria). Benfica e Porto têm os seus empréstimos obrigacionistas, cuja maturidade virá a ser paga com outros empréstimos. Connosco é e será também assim. Até que uma destes três SAD será comprada por um acionista maioritário. Porque ou se joga para o quarto ou quinto lugar e se têm as contas em ordem, ou se sobe brutalmente a parada e se torra dinheiro à tripa forra.
Um dia vai acabar, mas por enquanto há obrigações de coração.
É ilegal e imoral dizer aos outros o que devem fazer com o seu dinheiro em instrumentos financeiros do tipo das obrigações. Mas não é proibido partilhar a informação de que subscrevi obrigações. O motivo é simples: quando teu clube precisa de ti, apareces. 

Ponto da situação

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Foco máximo do presidente leonino: reunir verba suficiente para pagar daqui a cerca de um mês o empréstimo de 30 milhões de euros, acrescido de juros, a quem confiou no Sporting. Essa verba depende, em parte considerável, dos acordos que conseguir entretanto estabelecer com os clubes onde agora se encontram os jogadores que em Junho rescindiram unilateralmente os contratos que os vinculavam a Alvalade: Atlético de Madrid (Gelson Martins), Olympiacos (Podence) e Lille (Rafael Leão). Há também que assegurar o cumprimento dos novos prazos de pagamento entretanto estabelecidos com os clubes que nos forneceram jogadores como Acuña, Battaglia e Raphinha.

Tudo isto sabendo que ficámos fora da Liga dos Campeões e das quantias milionárias que este certame proporciona a quem nele participa. Sabendo também que não temos acesso a outro financiamento extraordinário, pois durante a presidência de Bruno de Carvalho já foram gastas por antecipação as receitas correspondentes a dois anos da vigência do contrato com a operadora NOS - e que contribuíram para despesas superiores a 100 milhões de euros só na época passada, entre futebol profissional e modalidades.

Este é o ponto da situação, com motivos mais do que suficientes para preocupar-nos. Alguns sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting preferem discutir a permanência da actual equipa técnica. Acontece que Frederico Varandas tem prioridades mais imediatas. É a vida, como dizia o outro.

Assim se ia desgovernando

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Quase quadruplicar o valor dos prémios desportivos e de desempenho relativamente à época anterior, num ano em que vimos novamente fugir o título de campeão nacional de futebol, perdemos ingloriamente a final da Taça de Portugal e ficámos sem acesso à Liga dos Campeões, é obra.

Isto ajuda a explicar por que motivo, em 2017/2018, a equipa gestora composta por Carvalho, Vieira & Godinho fez disparar em 15,4% os custos com pessoal, cifrados em 73.864 milhões de euros.

Assim se ia desgovernando o Sporting.

A "rica herança" de Carvalho

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 Foto: Nuno Fox / Lusa

 

«O novo presidente do Sporting recebe uma SAD em falência técnica, sem tesouraria, com prejuízos, elevados custos salariais e receitas futuras já antecipadas.»

«Corte de custos, incluindo da massa salarial, venda de jogadores e negociação de um empréstimo obrigacionista são as prioridades para iniciar o reequilíbrio de uma SAD que deu um passo maior que a perna na equipa de futebol.»

 

«Com um prejuízo de 20 milhões, a SAD voltou a ter capitais próprios negativos. As dívidas a fornecedores amontoam-se e a pressão de tesouraria é evidente.»

 

«De 2014 para 2018, Bruno de Carvalho triplicou a massa salarial, ao passá-la dos 25 milhões do tempo da míngua para 74 milhões na última época, fazendo do plantel do Sporting mais caro que o do Benfica e próximo do FC Porto.»

 

«Doumbia, que saiu agora, custava quase cinco milhões por ano ao Sporting; e a equipa técnica de Jorge Jesus, que custava quase dez milhões de euros por ano, foi trocada pela de José Peseiro, que custa perto de três milhões por ano.»

 

«O Sporting hoje abre a gaveta da caixa e não tem lá notas, só algumas moedas. As necessidades de tesouraria oscilam entre 100 milhões e 200 milhões de euros.»

 

«Para ir pagando as contas, Bruno de Carvalho foi antecipando receitas, num total de 80 milhões de euros. Incluindo os próximos dois anos de receitas da NOS, que paga 30 milhões por ano.»

 

Do Expresso de hoje

Em grave risco financeiro

As obrigações do Sporting atingiram o valor mais baixo de sempre. Quem investiu na dívida leonina devia ter recebido em Maio. Como sabemos, a SAD adiou este reembolso para Novembro. Mas muitos investidores estão já dispostos a vender, mesmo com perdas de 15%, para não esperarem até lá. Semana após semana, com a crise a aprofundar-se, reduz-se a margem de expectativa dos investidores face ao risco potencial de descalabro financeiro em Alvalade. No momento em que os capitais próprios negativos da Sporting SAD se afundam para os 9 milhões de euros negativos.

Quanto à banca, hoje chegou mais uma inequívoca advertência: o BCP não tenciona voltar a meter um tostão no futebol. Acontece que este é um dos principais credores do Sporting (o outro é o Novo Banco).

Os sinais estão bem à vista. Para quem quiser vê-los.

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