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És a nossa Fé!

2+2=4? As contas do Sporting

Eduardo Hilário chamou no dia de hoje a atenção de todos os Sportinguistas para a necessidade de não nos distrairmos do essencial: a votação das contas do último exercício e a do orçamento para a próxima época. É já no próximo dia 26, os documentos foram disponibilizados online e eu... bom, eu, decidi procurar análises às contas. Servi-me da barra disponível no És a Nossa Fé e que nos liga a difentes espaços blogosféricos, filtrei a pesquisa pelo critério 'primeira quinzena de Setembro' e cheguei aos resultados que partilho infra:

 

A Tasca do Cherba

Dois resultados: 1 e 2.

 

Castigo Máximo

1 resultado

 

Leoninamente

1 resultado

 

Leonino (editado às 15:30 - acrescenta ligações: 2 e análise ao Orçamento 2020/2021)

Resultados: 1, 2.

Análise do Orçamento para 2020/2021

 

Mister do Café

1 resultado

 

O Sangue Leonino

1 resultado

 

Pela leitura que fui fazendo à data e que fiz de ontem para hoje, diria que há uma clara tendência para a relativização do que é um exercício que apresenta um lucro de 12,5 milhoes de euros. Aspecto destacado, de resto, por José Cruz, aqui, no És a Nossa Fé.

Dito de outra forma, não nos distraiamos do essencial e analisemos para além da superfície, o já referido lucro de 12,5 milhões de euros. Diria que existem claros sinais de alarme cujo conhecimento será do interesse de todos os Sportinguistas.

Que votemos Relatórios de Contas e Orçamentos previsionais de forma esclarecida é o meu desejo e, espero, o da larga maioria dos Sportinguistas.

Nota: A moderação dos comentários poderá vir a demorar mais do que é minha prática habitual mas estejam certos de que só serão rejeitados comentários que não obedeçam a elementares regras de saudável convivência. 

Aprender com quem sabe

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O meu amigo Eduardo Hilário é muito mais benevolente do que eu na sua avaliação do plantel leonino. Embora eu perceba a defesa intransigente que faz de jogadores com um mínimo de qualidade para vestir de verde e branco, considero que leva a generosidade longe de mais.

A SAD não chegaria longe, em termos contabilísticos, se apenas vendesse Renan, Ilori, Rosier, Eduardo e Mattheus Oliveira: tudo junto, mal daria uns trocos. Apesar da minha reiterada simpatia pelo guarda-redes brasileiro, a quem devemos duas taças.

A incómoda verdade é que, para salvar a época em termos financeiros, o Sporting terá de recorrer novamente a receitas extraordinárias - e, excluindo a indesejável antecipação de nova fatia dos proventos da NOS, isto só se consegue vendendo jogadores pelo melhor preço de mercado possível. Não a preço de saldo, como aconteceu há um ano com Bas Dost, ou de borla, como acontecera pouco antes com Nani. Quando não havia sequer a crise pandémica a funcionar como desculpa.

 

Já sem Bruno Fernandes nem Raphinha, e com Mathieu agora retirado, resta-nos ver partir pelo menos três ou quatro jóias da coroa - jogadores com presença internacional ao serviço das selecções dos seus países ou um par de talentos da nossa formação.

Preparemo-nos, portanto, para a despedida de Acuña - sem dúvida aquela que mais nos custará, entre os jogadores estrangeiros. Creio que também Battaglia, Borja, Doumbia e Ristovski estarão junto à porta de saída.

O pior, para nós, será vermos partir Jovane, Joelson ou até Max: andando as coisas como andam, já nada me admira. Dou por adquiridas as saídas de Miguel Luís, Pedro Mendes e Rodrigo Fernandes, que não pesarão muito em termos contabilísticos. E só espero que pelo menos Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Matheus Nunes se mantenham. Embora sem fazer apostas, atendendo ao que foi a calamitosa gestão do mercado de transferências em Agosto-Setembro de 2019.

 

O que eu gostaria era de ver replicada no Sporting a capacidade de gestão revelada pelo FC Porto na época desportiva há pouco terminada. Tendo perdido - por motivos semelhantes aos nossos - jogadores da craveira de Brahimi, Herrera, Óliver, Felipe e Militão, além de ficar sem Casillas por doença do guarda-redes que foi campeão europeu e mundial, a agremiação portista conseguiu reinventar-se ao ponto de vencer o campeonato. Obteve êxito desportivo sem descurar a componente financeira. Mudou, sim, mas para melhor.

Será pedir de mais algo semelhante no Sporting? Não: seria reivindicar o mínimo num clube com a dimensão do nosso. Infelizmente, o nível de exigência vai baixando de ano para ano em Alvalade e a gestão das expectativas tornou-se tão baixa que já quase nada esperamos ainda antes de soar o apito inicial da temporada.

Para reflectir

 

«As vendas de jornais caíram, fenómeno agravado por uma pandemia que deixou milhares de habituais leitores em casa, e depois ainda existem os pilha-galinhas dos motores de busca e redes sociais, clippings e edições inteiras de jornais a circular via WhatsApp que não pagam nada a quem produz diariamente esses conteúdos.»

 

«É irresponsável o investimento de milhões em jogadores, quando a única receita segura, pois ninguém sabe quando o público volta às bancadas, provém das receitas televisivas - sendo que devia o exemplo de Abril e Maio do eventual cancelamento de pagamentos da MEO e da NOS pela paragem competitiva servir de aviso.»

 

«A indústria do futebol em Portugal está na obscuridade e na agonia de quem sabe que se está a consumir a última vela. Continua tudo cego.»

 

Excertos do artigo de opinião do Rui Calafate, hoje publicado no Record

O faminto e os fatos Hugo Boss

Sendo importante a discussão das alterações estatutárias no Clube, é preciso fazer um sublinhado: não nos podemos que a mesma desvie a nossa atenção do urgente. 

Não nos iludamos: a casa está a arder... A evolução conhecida da realidade financeira do clube é alarmente. Os resultados desportivos (falta deles...) são os que sabemos. A desmobilização da massa adepta é notória. O Clube continua sem orçamento aprovado. A gestão do Clube é errática a todos os níveis. A comunicação um desastre, protegendo a direcção e atirando areia diariamente para os olhos dos sócios e adeptos, disfarçando a má gestão, incompetência e incapacidade de corrigir erros. Na próxima época o terceiro lugar dá acesso à Champions, mas Braga e Guimarães serão seguramente candidatos e estão a construir plantéis fortes.

A quem interessa que falemos agora, neste preciso momento, de estatutos? Eu diria: aos incompetentes barricados na direcção, que não querem reconhecer a sua incapacidade para gerir um Clube da dimensão do Sporting Clube de Portugal.

Por acaso estes estatutos impediram o Sporting de ir à Champions há 3 anos? De construir uma grande equipa com jogadores como Bruno Fernandes ou Mathieu? De lutar pelo título?

Falar de estatutos nesta fase é um pouco como um faminto estar entretido a ver um catálogo de fatos Hugo Boss.

Sobre a grave situação financeira do Clube, é importante (e urgente...) ler a escalpelização feita pelo Pedro Azevedo aqui:

https://castigomaximo.blogs.sapo.pt/

Saiu o Bruno, veio o Rúben

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Com algumas semanas de intervalo o Sporting ficou sem o melhor jogador da 1.ª Liga e passou a contar com... o melhor treinador da 1.ª Liga. 

Para mim isso é claro como água. Rúben Amorim conseguiu em pouco tempo transformar completamente o futebol do Sporting. Quer no modelo táctico quer na consistência competitiva, passámos dum futebol miudinho e improvisado para um futebol largo e objectivo, que num ápice transforma um aperto defensivo num lance em profundidade e numa oportunidade de golo. Em que até o Max já começa a tentar ser um Schmeichel. Conseguiu isso mesmo apesar das sucessivas baixas dos jogadores mais influentes, sem ponta de bazófia, com um discurso claro e assertivo, sempre com um sorriso nos lábios.

No fundo, parece-me que o Rúben é um pouco como treinador o que Bruno é como jogador. Objectivo, focalizado, motivador, marca o ritmo que os outros devem acompanhar, e quem tem unhas desata a tocar guitarra. Depois... acho que Bruno encaixava como uma luva neste sistema de Rúben. Que pena não podermos contar com os dois.

Cabe agora ao Sporting acompanhar também o ritmo de Rúben Amorim. A pior coisa seria pensar que com uma fase final mais ou menos vitoriosa (e vêm aí dois jogos bem complicados), agora que já temos treinador, o Sporting tem condições para cumprir o desejo de Mathieu e ser campeão na próxima época ou pelo menos voltar à Champions.

Como tenho repetidamente alertado, as referências do plantel estão reduzidas ao mínimo absoluto. Foram saindo Adrien, William, Patrício, Nani, Bas Dost, Bruno, agora Mathieu. Acuña também pode sair e, tal como ontem, assim ficamos com... Coates. 

Não chega, nem pouco mais ou menos. Urge reforçar o plantel com alguns poucos jogadores credenciados e habituados a ganhar nos grandes palcos, que venham para disputar a titularidade com os miúdos de enorme talento que temos e ajudá-los a crescer nas vitórias. 

E as finanças? Não existem finanças equilibradas sem sucesso desportivo. Nem paz no clube.

 

PS: Comentou ontem o portista Paulo Teixeira Pinto em "A Bola":

«Aura. Não se sabe bem o que é. Não se confunde com bom astral, apenas com boa sorte. Sabe-se apenas que uns têm e outros não. Sem que se saiba porquê. Parece não haver dúvidas que Rúben Amorim goza dessa aura. Porquê? Nada disso agora importa. Mas desconfio que, desta vez, o negócio entre leões e bracarenses, quando se fizerem as contas finais do deve e do haver, vai revelar-se - surpresa ! - uma mina para os leões e uma perda inestimável para os arsenalistas.»

SL

O Sporting faz milionários

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Contratar um treinador sérvio desempregado - sem um título de campeão no currículo, fluente apenas em italiano e servo-croata, desconhecedor em absoluto do futebol português - a cinco dias de uma assembleia geral do clube convocada para a sua própria destituição (que não tardaria a consumar-se), foi um dos actos mais danosos que tenho guardados na minha longa memória de sportinguista. "Como se o Edifício Visconde Alvalade fosse o cofre-forte do Tio Patinhas", escrevi aqui nesse mesmo dia.

Com esta tresloucada decisão, a última do seu mandato, Bruno de Carvalho lesou os cofres leoninos, transferindo para quem lhe sucedia o ónus de ficar com um técnico que não escolhera, pagando-lhe quatro milhões de euros por temporada, ou denunciar um generosíssimo contrato com validade de três anos, até 2021, sujeitando-se a desembolsar uma choruda indemnização por quebra unilateral do vínculo laboral entretanto assumido.

Sousa Cintra, sucessor de Carvalho, optou pela segunda via. Frederico Varandas, sucessor do sucessor de Carvalho, viu-se agora forçado a pagar - num momento em que o clube deixou de ter receitas devido aos brutais efeitos da pandemia que nos fustiga há dois meses. Cerca de três milhões de euros acabam de sair de Alvalade para a conta bancária do senhor Mihajlovic, que já nem deve lembrar-se da localização do nosso estádio. 

Espero que o novíssimo milionário ofereça ao presidente destituído um opíparo jantar regado a champanhe: nada é tão bonito como um gesto de gratidão.

Sporting: Orçamento de rico, resultado de pobre

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Terminada a 1ª volta da temporada de futebol, a classificação do Sporting é medíocre. Ainda mais interessante é vermos os resultados em função do investimento feito. E, neste particular, o Sporting não é 4º. É dos piores do campeonato. O rei do desperdício.

Por cada ponto feito no campeonato, o Sporting gasta 2,4 milhões de euros. O SLB gasta 1,87 milhões. Com 10% do Orçamento do Sporting, o Famalicão está 2 pontos à nossa frente. Gasta 242 mil euros por cada ponto. O Braga gasta 740 mil euros por cada ponto. 

Estas contas de merceeiro são um mero exercício. Mas que mostra bem o desperdício de recursos que é hoje o nosso clube.

E não é difícil perceber porquê: pagamentos de milhões a jogadores vendidos (Thierry), "protocolos" com o Wolverhampton, 600 mil euros gastos com um jogador (Fernando) que esteve basicamente de férias em Portugal, indemnizações a treinadores despedidos, etc etc etc...

É isto a chamada "gestão profissional" do clube? 

Sobre entradas e saídas

Um olhar rápido pelas operações financeiras relacionadas com entradas e saídas de jogadores do Sporting no defeso de Verão, descritas na informação prestada à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários, permite desde logo estas conclusões:

 

  •  Pagamos comissões pela saída de jogadores como André Pinto e Petrovic, que rumaram a outros clubes sem renderem um euro aos cofres leoninos - algo inacreditável

 

  •  Pagamos 700 mil euros à empresa de Jorge Mendes por intermediar no acordo com o Olympiacos sobre Podence, tendo o Sporting abdicado do processo no Tribunal Arbitral do Desporto - algo incompreensível.

 

  •  Pagamos cerca de sete milhões de euros em comissões globais na época em que temos um dos piores plantéis de que há memória - algo inaceitável.

Banca perdoa, mas é muito beneficiada

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A reestruturação financeira do Sporting iniciada pela anterior administração está finalmente a ser concretizada. Varandas e Zenha conseguiram dar um passo importante e decisivo para a estabilidade financeira do Sporting que estava asfixiada pelo endividamento.   

A dívida total à banca da SAD ascende a cerca de 360 milhões de euros. Um valor astronómico e que requere muita inteligência para negociar com todas as partes. Para já, a SAD anunciou que vai antecipar em sete anos o pagamento de todas os Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) que custariam, em 2026, cerca de 135 milhões de anos. Uma antecipação que implica o pagamento imediato de 40,5 milhões de euros em vez dos 135 milhões, ou seja, o Sporting poupa quase 95 milhões de euros.

Aos olhos de todos, trata-se de um perdão bancário, mas na realidade a banca também sai beneficiada. A verdade é que os bancos recebem já um terço de uma dívida que daqui a sete anos arriscariam ver transformada em acções de uma SAD que já hoje tem capitais próprios negativos, ou seja, está tecnicamente em falência. Receber 40,5 milhões de uma coisa falida é um perdão?

Depois, as novas regras financeiras impostas pela União Bancária ao sector bancário obrigam a que haja uma libertação urgente de dívidas a terceiros. Dívidas a clubes de futebol não são bem-vindas, muito seria perdoado serem accionistas de uma SAD em falência.

Nesta restruturação, o Sporting conseguiu depois algumas benesses, como o facto de 50% da mais-valias com a venda de jogadores terem de ser aplicadas no abate de dívida bancária. Por exemplo, com a reestruturação só 30% da receita líquida da eventual venda do Bruno Fernandes é que irá para reduzir dívida (15%) e para reforçar a conta de reservas (15%).  

Quanto à reestruturação dos restantes cerca de 225 milhões de euros de dívida (empréstimos e outros financiamentos) ainda pouco se sabe, além de que o parceiro estratégico Apollo (fundo de investimento) pode vir a ser o credor dessa dívida. Quanto é que custará?

Na prática, os bancos libertam-se de cerca de 360 milhões de dívidas que arriscavam nada receber e ainda seriam pressionados pelos supervisores financeiros com eventuais sanções.

A reestruturação concretizada é uma boa notícia para o Sporting, mas também para os bancos que se libertam finalmente de um fardo que valia 360 milhões. Quanto ao valor a suportar pelos contribuintes, nada se sabe, mas seguramente se a reestruturação não tivesse acontecido, os portugueses iriam suportar a maior parte da dívida não paga.

Ganha o Sporting, ganha a banca e ganham os portugueses.

Imperdoável

Lamento que Frederico Varandas não tenha ontem aproveitado a entrevista de 32 minutos em horário nobre à SIC para dizer, sem esperar por pergunta alguma, que abdicará do aumento salarial que lhe foi proposto pela comissão de accionistas da SAD.
Mais que lamentável: é imperdoável. Como dizia o outro, não há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

Aumentos para a Administração... porquê??

Segundo notícias vindas hoje em alguns órgãos de comunicação social, existe uma proposta dentro da própria SAD no sentido de aumentar o vencimento do Presidente do Sporting dos 182 mil euros para 273 mil euros brutos anuais e os outros administradores para 196 mil euros. Não queria acreditar naquilo que lia, mas talvez ajude a  compreender o número tão elevado  de candidatos a Presidente do nosso clube nas últimas eleições... Haja pudor meus senhores, e lembrem-se dos sacríficios de muitos sócios, quer para terem sempre as suas quotas em dia, quer para acompanharem a equipa por esses estádios do país.

É preciso vencimentos tão elevados para "gerir" e "administar" o clube??

O que diz Salgado Zenha

«Os desequilíbrios financeiros ainda não desapareceram na totalidade.»

«Este ano tivemos um défice operacional na ordem dos 30 milhões de euros.»

«[Foi preciso] Fazer ajustes essenciais na massa salarial, sobretudo de jogadores excedentários.»

«Os encargos com salários, incluindo de jogadores de futebol, correspondiam no início da época a cerca de 100% das receitas operacionais. O recomendado pela UEFA é um limite de 70%.»

«Vamos ter uma redução da massa salarial na ordem dos 12 milhões de euros.»

«Procuramos eficiência na gestão do desporto e manter a qualidade no futebol. Não queremos cortar por cortar.»

«Não vamos cometer loucuras. Mas também não vamos apertar o cinto de forma desmesurada e sem estratégia.»

«Um clube no mercado português, para ser competitivo, tem de vender jogadores de futebol. Porque não temos as receitas de outros mercados, como o inglês ou o espanhol.»

«O Sporting tem capitais próprios negativos. Mas não é insolvente. Tem activos muito valiosos e uma situação de alguma estabilidade financeira desse ponto de vista. Tendo um activo como o Bruno Fernandes, se tiver algum aperto sei que o posso vender quando quiser. Daí a solvência.»

«O Sporting não está neste momento numa situação de folga financeira. Não está porque nos últimos anos cometeu excessos e o que aconteceu no ano passado fez o Sporting dar vários passos atrás. Nós agora estamos a corrigir esta situação. Mas estamos a corrigi-la com pés e cabeça.»

 

Declarações de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, ontem, no Jornal das 8 da TVI

Ditadura financeira fala mais alto

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A venda de três titulares indiscutíveis choca qualquer sportinguista, mas verdade é que os milhões de euros ‘fresquinhos’ que entram nos cofres, além dos outros milhões feitos com jogadores que não riscavam nada na equipa, salvam a época em termos financeiros. Este encaixe financeiro permite cumprir as obrigações com a banca e dar algum fôlego à tesouraria que se encontrava quase a zeros.

É verdade que o timing não foi o melhor, no entanto, Varandas e a sua equipa aproveitaram a janela sem cometer nenhuma loucura. Os três jogadores que acabam de chegar podem vir a ser uma mais-valia na equipa e o dinheiro gasto não é nenhuma barbaridade se compararmos com as compras feitas por anteriores direcções. A última chama-se Diaby que nunca convenceu e custou uma fortuna.

Depois convém não esquecer que o cérebro da equipa continua. Varandas foi coerente e não vendeu Bruno Fernandes por meia dúzia de milhões. Resta saber se tem capacidade para lhe renovar o contrato e a cláusula de rescisão para 200 milhões.

Na prática, a folha salarial mensal dá sinais de emagrecimento acentuado e enquanto isso realizou milhões como nunca foi feito em épocas anteriores (receitas de quase 90 milhões). Agora decidiu mudar também a equipa técnica - antes que a contestação aumentasse descontroladamente - que mostrava sinais de desnorte. A derrota em Alvalade foi a gota de água. 

Obrigado a Keizer pelos dois títulos em seis meses. Até simpatizava com o holandês, mas a realidade é que o futebol apresentado esta época, mesmo com os titulares da época passada, nunca convenceu ninguém.

Espero que Leonel Pontes, ou outro, consiga colocar a equipa a jogar bom futebol porque acredito que o Sporting tem equipa para dar luta, embora a estrutura à sua volta seja tenrinha. Assim, as lesões se mantenham afastadas de Alvalade e o espírito de grupo supere os casos insólitos que teimam invadir o relvado, como aconteceu no último domingo.

Gerir um clube é decidir. Para já Varandas tem optado, e bem, pela consolidação financeira, pois este é o coração para nos podermos reerguer. Ninguém acredita que, depois do caos de há um ano, consigamos ser já campeões. Os milagres acontecem, mas a verdade é que nem com Jesus isso aconteceu. Mas quanto tempo mais teremos de esperar para ser campeões?

Apertar do cinto

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Não conheço ao pormenor a situação financeira da SAD, incluindo a questão da negociação com a banca. Vou sabendo mais por jornais e comentadores do que pelo Sporting, o que é triste, mas não é difícil perceber que deve estar bem complicada e isso explica muito do que foi a actuação do clube nesta janela de mercado. Deixando de parte a questão desportiva, já por demais aqui comentada e vamos ter o resto da temporada para avaliar, podemos constatar que o Sporting fez negócios de venda/empréstimos com opção de compra obrigatória (incluindo Gelson Martins e Podence, Bruno Fernandes à parte) de 19 jogadores no valor de (números redondos) 90,000€ e de compra/entrada por empréstimo de oito jogadores no valor de 25,000€, um saldo positivo de 65,000€. 

Além disso, emprestou 11 jogadores com salários quase todos pagos pelos clubes de acolhimento. Foram então 30 jogadores que saíram da folha salarial, entrando 8. Não sei o que isto representa em poupança anual de salários, mas sairam vários jogadores de salários elevados a começar por Bas Dost e Petrovic, imagino da ordem de 30%. 

Resumindo, foi mesmo um grande apertar do cinto este verão em Alvalade. 

E ainda ficaram alguns casos para resolver:

1. Rafael Leão

2. Ruben Ribeiro

3. Mattheus Oliveira

4. Viviano

5. Irmão do Alan Ruiz, dizem que joga futebol

 

PS: As minhas contas foram as seguintes:

Saídas: 89,5
1. Gelson Martins 22,5
2. Raphinha 21,0
3. Thierry Correia 12,0
4. Matheus Pereira 10,0
5. Bas Dost 7,0
6. Podence 7,0
7. Felix Correia 3,5
8. Jonathan Silva 3,0
9. Domingos Duarte 3,0
10. Tiago Djaló 0,5
11. Salin 0,0
12. André Pinto 0,0
13. Petrovic 0,0
14. Mama Baldé 0,0
15. Wallyson 0,0
16. Jefferson 0,0
17. Ryan Gauld 0,0
18. Carlos Mané 0,0
19. Abdu Conté 0,0

Empréstimos:
1. Diaby
2. Gelson Dala 
3. Bruno Gaspar 
4. Ivanildo Fernandes
5. Lumor
6. Bragança
7. Francisco Geraldes
8. André Geraldes
9. Misic
10. Alan Ruiz
11. Leonardo Ruiz


Entradas: 23,5
1. Rosier 8,0
2. Vietto 7,5
3. Camacho 5,0
4. Eduardo 3,0
5. Neto 0,0
6. Jesé Rodríguez 0,0
7. Bolasie 0,0
8. Fernando 0,0

Saldo: 66,0

Os escarros dos papagaios

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Dada a argumentação agora em curso que alude à necessidade imperiosa de «alívio salarial» na SAD leonina para estancar o seu alegado «sufoco financeiro», vale a pena fazer algumas perguntas na expectativa de que possam ser respondidas.

Por fontes autorizadas, não por bonecos de ventríloquos.

 

- Porque dispensámos Nani - capitão do Sporting, prestigiado internacional português e campeão europeu em título - a "custo zero"?

- Porque aceitámos, no âmbito da negociação com o Atlético de Madrid como hipotética forma de compensação pela aquisição fraudulenta de Gelson Martins por aquele clube, metade do passe de Vietto avaliado em 7,5 milhões de euros, quando este jogador tem um valor global de mercado de apenas sete milhões?
- Porque adquirimos, igualmente por 7,5 milhões de euros (acrescidos da dispensa de Mama Baldé a título definitivo), o lesionado lateral direito francês Rosier, que passou 465 dias lesionado nas últimas três épocas, este ano só jogou cerca de dez minutos em Fevereiro e pretende preencher uma posição para a qual já existem pelo menos três jogadores sob contrato?

- Porque não houve prioridade máxima à contratação de um novo ponta-de-lança se é verdade que Bas Dost terá comunicado à equipa técnica a intenção de abandonar o Sporting ainda em Maio, mês em que estava recém-valorizado devido ao decisivo golo que marcou ao FC Porto na final da Taça de Portugal?

- Por que motivo - aceitando ainda a tese de que a SAD já sabia desde Maio que o jogador pretendia sair - deixámos arrastar a resolução do assunto durante três meses, acabando por estabelecer com o Eintracht, em vésperas do fecho do mercado, um acordo que fontes do clube alemão qualificam de «pechincha», pois terá baixado dos 20 milhões de euros exigidos no início para os sete milhões finais?

 

Eis vários temas que deviam justificar séria reflexão aos loquazes papagaios "multicolores" (de bico encarnado) que agora debitam suposta propaganda verde em incessante verborreia nas pantalhas.

Se eles soubessem reflectir, claro. O problema é que só sabem... papaguear.

 

São úteis a qualquer poder, enquanto estiver na mó de cima.

Quando fica na mó de baixo, acotovelam-se para figurarem na primeira fila dos que irão escarrar em quem antes serviram.

Bruno de Carvalho que o diga.

Sporting não é um banco, Dr.

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O sonho comanda a vida, como diz o povo, mas para concretizá-lo é preciso Esforço, Dedicação, Devoção e só depois vem a Glória. Que o diga Cristiano Ronaldo que mais uma vez fez um trabalho genial frente ao Atlético de Madrid para concretizar o sonho de voltar a ser reconhecido como o melhor futebolista do Mundo. Até parece que o bilhete de identidade lhe foi atribuído 10 anos antes de nascer.  

Mas ao contrário de Ronaldo, José Maria Ricciardi, um apaixonado pelo Sporting, considera que só porque sonhou ser presidente do Sporting, os sócios têm de se ajoelhar a seus pés.

Vivemos num país que ainda se rege por uma espécie de democracia e o último sufrágio aconteceu há seis meses onde, preto no branco, os sportinguistas elegeram Frederico Varandas para liderar os destinos do Sporting durante quatro anos (42,3%). Já o Dr. Ricciardi obteve apenas 14,5%, o que mostra bem que a generalidade dos sportinguistas não o quer como presidente.

Ricciardi, não satisfeito, volta novamente a pregar aos sete ventos que tem um sonho e que para concretizá-lo até está disposto a pagar 200 milhões. É verdade que os portugueses têm memória curta, mas ó Dr. os sportinguistas ainda não esqueceram Bruno de Carvalho. também ele tinha em carteira investidores russos carregados de dólares que nunca lhe pusemos a vista em cima.   

A situação financeira do Sporting não é de fácil resolução, mas com sportinguistas inimigos, que se unem aos que existem noutros clubes, a tarefa é árdua e bem mais difícil. Olhem para os rivais e vejam que até nos momentos críticos como os dos emails ou dos apitos existiu sempre união, mais ou menos coesa, e até os jornais “esquecem” que existem casos, a bem dessas nações.

Ser eleito Presidente do Sporting é uma escolha dos sportinguistas que em Setembro conferiram esse direito a Frederico Varandas. Cabe-lhe cumprir essa tarefa, mas para isso é preciso uma grande união e não sonhos vagos de certas personalidades que vivem do passado e julgam que o Sporting é um banco e que para ser líder basta haver uma nomeação.

Sonhar é livre. Mas, Dr. Ricciardi, ser Presidente do Sporting não é para qualquer um.

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