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És a nossa Fé!

Um ano depois

Há cerca de um ano estava na fila das bilheteiras de Alvalade a levantar bilhetes para ver as nossas leoas no Jamor, na final da Taça de Portugal com o Braga. E lá fomos em grupo apoiar a equipa e ajudar a erguer a Taça, ganha com raça. 

Agora, sinto que não tenho condições para repetir e assistir a nova final. Não estou sozinho. Como podem ter dividido e desmotivado assim? 

A violência, está à vista, não foi só física, como aconteceu em Alcochete, foi muito mais terrível que isso. Atingiu o coração de muitos sportinguistas. Os danos estão feitos. E tem responsáveis. E isso tem que ter consequências.

 

Foi assim que vi a final da Taça

Estive de manhã pelo Jamor, e voltei depois de almoço por motivos de “tradição de almoço em dia de Final da Taça com pai, irmão e amigos”, mas o tempo que lá andei deu para sentir o ambiente. De manhã e até à hora do jogo a atmosfera era o de Jamor, o de dia de Final da Taça: piqueniques pela mata e estacionamentos, a fan zone animada, as pessoas a viver Sporting.

A entrada foi tranquila e já no estádio, os guarda-redes do Sporting vieram aquecer e foram aplaudidos, bem como o resto da equipa. Mas assim que o jogo começou, sentiu-se na bancada como estamos cada um para seu lado, com os seus pensamentos e amarguras. Uns mais esperançosos, outros mais frustrados e irritados, foi fácil identificar pela bancada quem sentia o quê depois de uma semana de pesadelos.

Não é difícil numa Final da Taça ter uma bancada inteira a cantar, mas desta vez não pegou por todo o estádio. Apatia geral, irritação por tudo e um par de botas, alguma esperança com o nosso golo, mas o lado do Aves foi o que se ouviu mais e melhor. E bem, não ponho isso sequer em causa.

Depois de Bas Dost acertar na trave e ser assobiado por isso (não entendo, juro que não), foi sempre a descer. Infelizmente os assobios sobrepõem-se a palma, e pareciam mais. Não se assobiam os jogadores do Sporting, sempre ouvi, mas isso mudou e muito. Continuo a não achar bem e custou-me não só assistir a isso como piorou quando vi as imagens de perto, de caras tristes e ar carregado da nossa equipa. Sim, nossa.

Foi uma Final triste, como tudo foi triste a semana passada. Estamos tristes, não há volta a dar.

Tenho lido as coisas mais inacreditáveis sobre jogadores e acontecimentos, e depois de ler a descrição que está hoje na Tribuna, ao pensar nos assobios e amuos porque “Nem nos agradecem estarmos cá”, só me pergunto: quem são os mimados afinal?

Menos, pessoas. Muito menos.

A final

Começou a ser perdida terça-feira, em Alcochete, quando os jagunços da Juve Leo ali entraram como uma manada de bisontes. 

A derrota ficou ontem definitivamente pré-anunciada, quando o presidente do Sporting escolheu a véspera da final para apontar a dedo os jogadores leoninos - e em particular o capitão Rui Patrício - como autores morais das agressões contra eles próprios. «Houve atletas do Sporting que, infelizmente e pelo seu temperamento quente, não conseguiram aguentar aquilo que é a frustração dos adeptos». Foram as suas palavras textuais.

Enquanto sucedia este psicodrama - o enésimo do consulado Carvalho - o Aves cumpria o seu plano de trabalho: estagiou, treinou-se, robusteceu-se do ponto de vista físico e mental. Apoiado sem reservas pelo seu presidente e pela sua massa adepta.

Quando soou o apito inicial no Jamor, os dados estavam lançados.

Merece parabéns a equipa que hoje conquistou a Taça de Portugal.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - A Final?? Havia outra...

Gosto muito da final da Taça. Mais ainda, gosto muito de ganhar a Taça, aquela competição verdadeiramente democrática, de feitos épicos e de “tomba gigantes”. E depois, disputa-se em “mata-mata”, ou seja, tem tudo a ver com o nosso clube, vivemos assim há anos…

 

Os últimos dias tinham sido de pouco sono, de dormir mal e de ter pesadelos, mas mal o jogo se iniciou, comecei a sonhar acordado: Jesus tinha esboçado um plano maquiavélico para enganar José Mota. Nesse sentido, um bando de caracterizadores invadiu Alcochete e atirou-se aos nossos principais jogadores. Bas Dost era o mais bem maquilhado, com umas assustadoras cicatrizes pintadas na sua testa. As televisões ajudaram a criar um clima dramático, passando a ideia de um intolerável ataque terrorista. De seguida, o treinador leonino suspendeu os treinos e sócios e adeptos desataram a desvalorizar a final da Taça. Mota, ao ver as notícias, convenceu-se de que seriam “favas contadas”. Mandou a equipa deliberadamente para o ataque, impondo um ritmo forte, convencido de que com isso desgastaria uma equipa muito cansada, física e psicologicamente. No meu sonho, com o que o treinador avense não contaria era que o descanso forçado, a que o plano de Jesus obrigou, limparia e libertaria a mente dos jogadores. Uma táctica dinamarquesa…

 

A primeira parte parecia dar razão ao técnico avense. Após um bom início, com 2 cantos logo no primeiro minuto e duas oportunidades perdidas por Gelson na cara de Quim (boas defesas), o Aves marcou, por Alexandre Guedes. Estavam decorridos 16 minutos. Até ao intervalo, o jogo entrou numa toada de equilíbrio, com uma maior agressividade sobre a bola dos nortenhos e maior classe por parte do Sporting, sob a batuta de um Bruno Fernandes cansado mas a fazer belos passes à distância, embora tivesse ficado claro para todos a já tristemente habitual indefinição de posições entre William e Battaglia.

 

O Sporting voltou para a segunda parte com Montero no lugar de William. Bas Dost substituiu o penso pela touca e tentou o golo de pé esquerdo, a passe de Montero. Mathieu, de livre, testou Quim e, de seguida, Vitor Gomes e Bruno Fernandes quase metiam a bola na gaveta. Jesus alterou para uma espécie de 3-5-2, entrando Misic para o lugar de Coentrão, mas Alexandre Guedes, um produto da Formação que nos últimos anos temos vindo a desprezar, marcou o segundo para o Aves.  O jogo parecia sentenciado, mais ainda quando Dost perdeu um golo cantado, acertando na barra sem ninguém à frente. Até que Montero ganhou espaço na área e marcou com uma pontapé volley. Até ao fim, o Sporting tentou, tentou, mas não conseguiu obter o golo que levasse o jogo para prolongamento.

 

O jogo acabou e deixei de sonhar. Acordei para a dura e hedionda realidade. Perdemos. Mas, afinal, o amor à camisola ainda existe, a fazer lembrar outros tempos, época em que não havia claques, nem ameaças de faxes e/ou emails, mas sim o amor genuíno dos adeptos comuns que os jogadores retribuíam de igual forma. Hoje, eles reagiram à “carta” entregue no Jamor por todos os sócios que têm as suas quotas em dia, pagam a sua gamebox anual e mostram uma determinação notável em, de uma forma anónima, nos estádios, no trabalho, em família ou entre amigos, colocar o Sporting sempre acima de vaidades pessoais. Um amor em forma de “nós” e não de pouco mais do que duas dúzias de “eu(s)” (como se já não bastasse o múltiplo “eu” presidencial). Tentaram os nossos jogadores, mas a disposição em campo foi caótica, feita de mais querer do que de organização. E não chegou. Adicionalmente, a equipa ressente-se de, do meio-campo para a frente, só ter um jogador veloz, pelo que os processos são desesperantemente lentos e não existe contra-ataque (desculpem os "técnicos da bola" não falar em transições, mas estou a transitar um mau bocado).

 

Só não quero adormecer agora. Receio o dia de amanhã. Gostava que o sonho pudesse continuar, mas o presente que eu aqui não vou maquilhar é feito de uma intolerável falta de bom senso. Desde logo de quem ainda está à frente do clube e continua a não ver o essencial, preferindo viver uma realidade paralela, mas também de todos aqueles que publicamente produzem declarações que quase incitam a que os jogadores rescindam, mostrando inequivocamente que motivações e ódios pessoais se sobrepõem uma vez mais ao interesse do Sporting Clube de Portugal. Merecemos mais do que isto! Para todos eles, e parafraseando os The National (um forte abraço, Romão), o sistema só sonha na escuridão total. Estamos assim perante um dilema: não podemos ser um clube de “mortos-vivos”, mas não queremos servir para chancelar prova de vida de ninguém que só tem estado distante do clube neste ciclo. “Another day, another dollar”, esta é a história dos últimos 32 anos do clube, qual a surpresa, afinal? Enfim, hoje perdemos e quem gosta do Sporting tem de estar triste. Amanhã renasceremos, uma vez mais. SPORTING !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero. Uma palavra a Acuña e Battaglia que lutaram até à exaustão.

sportingavestaça.jpg

 

Viva o Sporting Clube de Portugal

Tendo a certeza que o sentimento é partilhado com todos os leões, dos que tomarão o Jamor aos que vibrarão pelas nossas cores frente à televisão; muito gostaria que todos nós e os nossos jogadores, o nosso plantel, o principal destinatário da mensagem, víssemos nas bancadas do Estádio Nacional escrita com letras garrafais a palavra: Perdão! Vergiffenis! Pardon! Perdón! 

Tenho uma fé enorme na sabedoria, na maturidade e na sensibilidade de Jorge Jesus. Um homem que se tem revelado verdadeiro líder. Um "Pater familias". Um pai cheio de autoridade.

Muitos dos relatos que nos chegaram daquela tarde negra em Alcochete apontam para um Jorge Jesus protector, dando o corpo aos bastões, soqueiras, barras de ferro, facas e cintos. Sofreu na pele por ter tentado barrar o acesso dos bárbaros aos jogadores. Um homem valente, corajoso e altruísta. 

Os alvos do acto hediondo eram e são miúdos. Muitos acabados de chegar à idade adulta. A protecção que lhes deu o líder do balneário continuou até à final da Taça de Portugal. Tenho a certeza.

O meu desejo é que todos joguem bem, seguros, cheios de força, unidos! E quero muito que o Dost marque e de cabeça os golos que darão a vitória, a ele, claro, à equipa dele, claro, e a todos nós, que sem eles não ganhamos nada no futebol. 

O meu desejo é ver no Jamor uma demonstração inequívoca de paixão e união sportinguistas. Que nos leve a acreditar que este será mesmo o primeiro dia da vida regenerada do clube. Um virar de página. Um retomar da nossa gloriosa história. 

Viva o Sporting Clube de Portugal!

Stress pré-final da Taça

O meu stress no que respeita a aquisição de bilhetes para a Final da Taça de Portugal continua. No sítio da FPF apareceu entretanto a notícia que a partir do dia 2 (hoje) os bilhetes ficariam à venda.

Registei-me antecipadamente e esta noite pelas 0 horas acedi.

No local da bilheteira virtual estavam à venda unicamente bilhetes para dois jogos da seleção. Aguardei até à uma da madrugada à espera que aparecesse alguma referência à Final. Nada, zero, nem um pio.

Fui-me deitar. Perto das seis da manhã levantei-me e fui ao portátil, que ficara toda a noite ligado, poupando assim tempo para aceder. Também não apareceu nada.

Só às seis e 52 surgiu a referência à Final da taça já com a indicação de estava no lugar 2507. Por baixo havia um aviso para não fazermos actualizações à página pois ela fá-lo-ia automaticamente.

Fiquei sempre atento à informação e perto das sete já estava abaixo do número 2000. Continuei ligado até chegar ao lugar 1663.

Às sete e um quarto aparece um quadrado verde a dizer que a minha sessão fecharia daí a 8 minutos.

Já no carro deixei de ter acesso. Página em branco para meia hora depois aparecer a indicação que já não havia eventos com bilhetes disponíveis. Nem da selecção.

Imagino que a procura ultrapasse, e muito, a oferta, mas a FPF deveria ter uma forma mais amiga de explicar as coisas aos interessados.

Digo eu… que não percebo nada disto.

Taça da Liga: três palavras

Passada que foi a conquista da Taça da Liga três palavras convém reter:

 

- Lastimável

Lastimável a narração dos jogos feita pela RTP.

Nem os jornalistas, nem tão pouco os comentadores de serviço, conseguiram descortinar numa primeira análise aquilo que em casa todos vimos: o golo em fora-de-jogo do Porto e o penalty do jogador do Setúbal.

(Não falo sobre o penalty, claro, que foi cometido pelo Danilo, no jogo contra o Porto, pois não vi esse momento do jogo)

 

- Vergonha

Vergonha a actuação dos árbitros. Felizmente existiu vídeo-árbitro, caso contrário em momento algum teríamos vencido este troféu.

Lucílio Baptista esteve sempre presente.

 

- Coragem

Coragem dos jogadores William Carvalho e Coates e do treinador na marcação das grandes penalidades contra o V. Setúbal.

Seis ideias extraídas da Final

O fim de semana desportivo trouxe ao Sporting a primeira Taça da Liga, mais conhecida na tribo leonina (eu incluído) como Taça Lucílio Baptista ou taça da Carica.

Vi o jogo todo e deste retirei meia dúzia de ideias:

1 – A equipa leonina deu uma parte de avanço ao adversário. Não fosse o VAR e provavelmente estaríamos aqui a discutir outros assuntos;

2 – O Sporting, para conquistar este troféu, ganhou somente um jogo, por seis a zero, ao União da Madeira. Os outros quatro jogos corresponderam a empates;

3 – O futebol praticado pela nossa equipa varia entre o muito bom (a segunda parte da Final!) e o muito mau (a primeira parte);

4 – É certo que prefiro maus jogos mas ganhar do que ver a equipa praticar bom futebol e perder, pois o que conta é o resultado, mas nem sempre será assim;

5 – Jorge Jesus confia demasiado numa variante que não controla. Chama-se sorte. A questão é saber o que acontecerá quando esta deixar de existir;

6 – Se continuarmos a jogar desta forma dificilmente traremos o caneco do campeonato para Alvalade. Seria bom que JJ percebesse isso quanto antes.

Todos a queriam

Arrancada a ferros ou não, não quero saber. Como diria a Teresa Guilherme "isso agora não interessa nada". Jogámos pedras, na Pedreira, dizem uns. As finais só as safámos nos penáltis, rematam outros. Sim, foi isso tudo mas "ca sa lixe". Festejo. E cheio de ganas por mais. Ambicioso. Ganhar leva a ganhar mais e nós ganhámos o troféu que todos queriam. Sem se pouparem aos esforços usaram as melhores armas para conquistá-lo. Não conseguiram. Não, isso só nós, no entanto ao lutarem por isso dignificaram a competição. Valorizaram ainda mais o nosso título. 

Qual taça da carica, qual quê? Para a história ficará isto: uns apanharam-nos pela frente e ficaram para trás. O Porto, que ainda não tinha caído nas competições internas, connosco foi ao tapete na meia-final da prova. Sofrida? Sim. Mas vitoriosa! Outros ficaram-se pelo caminho, batidos por aqueles que batemos na final.

Ganhar leva a ganhar mais. É coisa de hábito. Talvez por isso um tipo tenha tendência para relativizar, desvalorizar, até, a proeza de ontem, em vez de lhe dar valor. Afinal, a coisa é estranha. Nos últimos anos fomo-nos habituando a perder.

Tudo bem, percebo quem não queira embandeirar em arco, também sei que somos apenas "Campeões de Inverno", estou com os pés assentes no chão; mas estou também com o poeta, que esse é que sabia da coisa. Dizia ele que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". E a memória tenho-a entranhada com aquelas imagens dos nossos, todos eles dentes, de espumante na mão, correndo pelo campo, saltando para as cavalitas do que está logo ali ao lado, posando para a fotografia de família, debaixo de intensa chuva de confetis brilhantes.

A conquista da Taça da Liga foi sofrida mas nada, em tempo algum, sofrível. Ganhar leva a ganhar e é coisa de hábito. Habituem-se!

Pódio: Bas Dost, Battaglia, Bruno

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-V. Setúbal - na final da Taça da Liga - pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 18 

Battaglia: 17

Bruno Fernandes: 17

Rui Patrício: 16

Acuña: 15

Mathieu: 15

William Carvalho: 15

Fábio Coentrão: 14

Piccini: 13

Coates: 12

Doumbia: 11

Rúben Ribeiro: 10

Bryan Ruiz: 9

Montero: 9

 

A Bola e o Record elegeram Bas Dost como figura do jogo. O Jogo optou por Battaglia.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o Carteiro toca sempre duas vezes

Na antecâmara da partida para a Taça CTT, duas ideias me assaltaram o espírito: a primeira, relacionava-se com as declarações de Jorge Jesus no final do jogo anterior, a contar para as meias-finais. Nessa Conferência de Imprensa, Jesus queixara-se de que faltava velocidade à equipa. Eu discordei. Afinal de contas, ultrapassar um Ferrari Vermelho não está ao alcance de qualquer um. A segunda, prendia-se com o facto de a Liga ter disponibilizado a tecnologia do VAR para a "Final Four": um desperdício de dinheiro, pensei eu na altura, porque para o nosso primeiro jogo o Vídeo-Árbitro havia ignorado aquilo que dez milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove (10.999.999) portugueses viram e, para a final, tinha sido designado o árbitro que em Alvalade, contra o Chaves, não aquiescera aos sucessivos apelos que lhe chegaram ao ouvido para que fosse apontada uma grande penalidade por falta sobre Gelson. Em suma, umas grandes "encomendas".

Em Taça dos CTT, o carteiro Dost não poderia faltar. O carteiro toca sempre duas vezes e o holandês também, ainda que o último toque tenha sido já após o horário de expediente. Bas Dost é cada vez mais um investimento seguro, um certificado de aforro, com rendimento garantido. Nessa linha, carimbou 2 selos num envelope de Correio Verde com destino a um código postal de Setúbal. Dost devia ser elevado a sí­mbolo de promoção dos Correios: nunca falha, entrega a sua correspondência sempre a tempo, faz horas extraordinárias se necessário e ainda distribui abraços por todos com que se cruza no caminho.

Com a Via Verde activa, e sem portagens em dívida, a comitiva leonina não necessitou de visitar um balcão dos Correios, a Taça foi entregue na Tribuna. Tal como este Postal, mais Vale tarde que nunca e, à  11ª edição, lá ganhámos o troféu. Curioso é o facto do vencedor crónico desta competição patrocinada pelos correios portugueses nunca ter optado por receber a sua correspondência mais sensível através da segura Caixa do Correio CTT...

Agora o jogo em si: na primeira parte, Jorge Jesus levou um banho táctico de José Couceiro. Um golo sadino logo aos 4 minutos, marcado por Gonçalo Paciência (o tal que JJ não queria ver em campo), deixou a equipa leonina à beira de um ataque de nervos. William provou mais uma vez não ter intensidade para segurar um meio campo a dois (a 3, fá-lo bem) e Coates cometia erro sobre erro. Sem meio campo e com o Vitória a pressionar bem à frente, a nossa equipa desorientou-se e poderia ter chegado ao intervalo a perder por mais.

Na segunda parte, Jesus mexeu logo de iní­cio, colocando Battaglia para dar músculo ao meio campo e Acuña para dar profundidade (retirando os inoperantes Ruben Ribeiro e Bryan Ruiz). Um exemplo de como, com um passo atrás, se pode dar dois em frente. Após uma primeira oportunidade do Vitória (49 minutos), o Sporting teria a sua primeira ocasião, desperdiçada por Coates à  boca da baliza. Desde aí­ e até aos 64 minutos, o Sporting pressionou muito, com Montero finalmente a encontrar espaço entre linhas. Eis senão quando JJ voltou a mexer, substituindo o colombiano (não jogava desde o início de Novembro e poderia estar no limite) por Doumbia e perdemos a ligação ao ataque. Até aos 75 minutos, com o costa-marfinense posicionado ao lado de Dost e Bruno Fernandes fora do centro da acção (desviado para a direita), o jogo tornou-se incaracterí­stico.

A partir daí,­ jogámos mais com o coração do que com a cabeça. A táctica tornou-se um efectivo "tudo ao molho e fé em Deus". Ganhávamos com facilidade a bola a meio campo e despejávamo-la  sucessivamente para a área setubalense. Num desses lances, e após insistência de Bas Dost, a bola foi desviada com a mão sobre a linha de golo por Tomás Podstawski. Depois de visionadas as imagens, dez milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove (10.999.999) portugueses aperceberam-se logo que foi "penalty", vídeo-árbitro incluí­do. Rui Costa - como São Tomé, "ver para crer" - teve dúvidas e foi consultar as imagens. Mesmo a ver continuou indeciso. Demorou tanto tempo que na cabeça de todos estava a repetição da rábula do jogo contra o Chaves. Em todo o processo perderam-se 4 minutos e 36 segundos, mas ficou para todos evidente a importância do recurso ao VAR. 

Bas Dost, chamado a marcar a grande penalidade, não perdoou, marcando o seu primeiro da noite. Com tantas substituições, jogadores lesionados, simulações e atrasos na reposição de bola, o árbitro não deu qualquer compensação adicional e o jogo chegou ao fim.

A partida decidiu-se nas penalidades e, uma vez mais, fomos mais eficazes. Marcaram Dost (pela segunda vez), Bruno, Mathieu (outra boa exibição, alternativa para melhor em campo) e Coates e William (mérito deles que não se escondem e mostraram nervos de aço) que Jesus entendeu voltar a chamar para marcar. Falhou Tomás Podstawski, o do "penalty", que não tinha sido expulso (duvidosa decisão, embora houvesse uma mão de Trigueira por detrás). Ganhámos a competição com 10 "penalties" (só um no tempo regulamentar) na Fase Final e apenas uma vitória nos cinco jogos disputados. Mas, nos livros da história, o que constará é que o Sporting venceu a Taça da Liga de 2017/18, o 3º troféu da era Bruno de Carvalho.

No final, JJ disse que há gente com "sapos na garganta". Eu estou muito feliz, quero sempre que ganhemos e não desprezemos qualquer competição, Taça da Liga incluí­da. Já era do Sporting muito antes de Jesus ser o nosso treinador e continuarei a sê-lo enquanto tiver saúde, que é coisa que meio maço de tabaco consumido a ver estes jogos não garante de todo. Por isso, desejo ardentemente que este dia seja o primeiro (de glória) do resto das nossas vidas desportivas.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost 

taçadaliga.jpg

 

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça da Liga - a primeira que vencemos após duas frustradas presenças em finais deste certame. Ainda mais saborosa porque a final hoje disputada em Braga foi contra o V. Setúbal, precisamente a equipa que nos derrotou na versão inaugural desta competição. Vingámos essa frustrante derrota de 2008 agora num estádio que congregou mais de 20 mil adeptos leoninos, incansáveis no apoio aos jogadores treinados por Jorge Jesus. É oficial: somos os campeões de Inverno da temporada 2017/18.

 

Gostei da nossa segunda parte, em que dominámos por completo e só não marcámos mais de um golo devido à soberba exibição de Trigueira, o guarda-redes sadino. Os últimos 45 minutos desta partida contrastaram em absoluto com a apagada e até medíocre primeira parte do Sporting, em que sofremos um golo logo aos 4'. Entre os nossos jogadores que se revelaram decisivos neste volte face, destaco uma vez mais Bas Dost, o melhor de verde e branco. Foi ele o marcador do penálti que empatou a partida, aos 78', e lançou o onze leonino para o desempate após o apito final do árbitro. Foi também ele a fazer dois grandes remates aos 75' - um dos quais seria travado em cima da linha da baliza, com um braço, pelo defesa sadino Postawski, que devia ter sido expulso de imediato mas acabou por se manter em campo. Foi ainda Dost a converter a primeira das cinco grandes penalidades da ronda do desempate que ditou a equipa vencedora.

 

Gostei pouco que tivéssemos de esperar pelo desempate por grandes penalidades, repetindo-se o que já acontecera há três dias na meia-final frente ao FC Porto. Mas desta vez estivemos ainda melhor: nenhum dos nossos jogadores falhou no momento decisivo. Vale a pena deixar aqui os seus nomes, pela ordem da conversão dos penáltis: Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates e William Carvalho. Pormenor a reter: o Sporting continua invicto nas competições internas disputadas nesta temporada.

 

Não gostei que o árbitro Rui Costa demorasse três minutos a reconhecer o óbvio: que Postawski tinha impedido a bola de entrar na baliza do Vitória ao estender o braço quase em cima da linha de baliza. Foi necessária a intervenção do vídeo-árbitro, que impôs a verdade desportiva. Mesmo assim o árbitro voltou a estar péssimo ao exibir apenas o cartão amarelo ao defesa sadino, que devia ter sido expulso.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte, com o lesionado Gelson Martins ausente do onze e Montero de regresso à titularidade dois anos depois. Entrámos nervosos, sem conseguirmos ligar os sectores nem ganhar segundas bolas. Consentimos um golo logo no início da partida e deixámos o Vitória impor o seu sistema táctico neste período, em que as nossas alas ofensivas nunca funcionaram e os adeptos leoninos, impacientes, já assobiavam os jogadores. Bryan Ruiz (reincidente na falta de intensidade) e Rúben Ribeiro foram os elementos com exibição mais negativa. O treinador reconheceu isto mesmo ao remetê-los para o duche ao intervalo, fazendo entrar Acuña e Battaglia para aquelas posições. Com vantagem para a equipa, como rapidamente se comprovou: a segunda parte foi de sentido único, apenas com o Sporting em busca do golo. Felizmente conseguido.

Francamente... primeiros 45m

Não sei como vão ser os segundos 45m, mas se isto é a nossa equipa custa muito a acreditar. Não jogámos absolutamente nada nesta primeira parte, não conseguimos ganhar uma bola dividida, jogar para o lado e para trás começa a ser um hábito já demasiado enraizado. Muita lentidão na reposição das bolas pelas linhas laterais... não conseguimos fazer uma jogada completa. Muito mau... mesmo muito mau. Remates nem vê-los, a não ser aquele remate do Montero, que mais parecia um ensaio de rugby... Por favor tenham brio, garra, e ponham em campo a vontade para mudar isto no segundo tempo.

Falta-nos um nome para isto

Vencer na Mata Real tem sempre um sabor especial. Sem consultar estatísticas, diria que é difícil mais pelas adversidades regulares, época após época, no decorrer dos jogos, do que propriamente pelo resultado final dos mesmos. Jogar contra o Paços caseiro faz-me recordar como, por norma, os nossos rivais costumam golear facilmente a equipa na cidade do Móvel. É um elemento curioso. O Sporting teve uma grande vitória, mais especial quando olhamos para o calendário da próxima ronda, mas é desnecessário terminar os jogos assim. É uma sina. O Sporting a vencer por 2 ou 3 golos acaba sempre com um golo manhoso sofrido entre os 80/85, e a sofrer até ao apito final. Às vezes, a coisa acaba mesmo por correr mal. Braga na penúltima jornada é um exemplo. Não sei se estas coisas se treinam, mas se há realidade a mudar é esta. Nem sei se tem nome, devíamos arranjar um conceito para os finais sofridos do Sporting. E é importante mudar porque é recorrente, não-ocasional e custa pontos e títulos. Afinando isto de forma a evitar embaraçosos empates, ainda vamos lá. 

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