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És a nossa Fé!

O gigante belga

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Thibaut Courtois, campeão de Espanha e campeão europeu

 

O futebol é desporto colectivo, sim. Mas com partidas decisivas em que um só jogador pode fazer toda a diferença.

Assim foi, ontem à noite, na final da Liga dos Campeões disputada no Stade de France. A turma madrilena aguentou o ímpeto ofensivo do vice-campeão inglês, que se foi instalando no meio-campo adversário sempre de olhos na baliza. Desenhando as jogadas mais diversas. Acontece que na baliza do Real estava um gigante apostado em levar para casa o mais cobiçado troféu da modalidade a nível de clubes: Thibaut Courtois. Com os seus 2 metros de altura, parecia preencher todo o espaço disponível na linha de meta. 

É a Courtois, guarda-redes titular da selecção belga e desde 2018 em Madrid, que a larga falange de adeptos do Real deve este 14.º título europeu, arrancado a ferros na segunda parte com um fabuloso passe cruzado de Valverde para Vinicius encostar, com um Alexander-Arnold incapaz de cobrir o ágil extremo brasileiro.

Foi o segundo e último remate da turma merengue nesta final: o anterior, ainda no primeiro tempo, resultou em golo de Benzema anulado por deslocação.

 

Antes e depois do intervalo, tudo fez o Liverpool para triunfar. Mesmo sabendo que chegava muito mais desgastado a este confronto após disputa cerrada pelo título inglês, perdido mesmo ao cair do pano para o Manchester City por apenas um ponto. Muito mais tranquilos os madrilenos, com o campeonato garantido há várias semanas e a certeza de terem eliminado o City numa quase miraculosa meia-final em que fizeram o primeiro remate enquadrado só aos 90'.

Agora mantiveram a toada: dois remates, um dos quais resultou no golo solitário que decidiu o título. Na baliza, o gigante belga fechava tudo. Impediu o Liverpool cinco vezes de marcar - quatro por Salah, uma por Sadio Mané. O craque egípcio tentou de várias maneiras, em jeito e em força: foi incapaz de superar Courtois. O destino do jogo estava traçado: desilusão máxima para os pupilos de Jürgen Klopp, sem avançado fixo; júbilo sem fim para o plantel orientado por Carlo Ancelotti, que não hesitou em fazer linha defensiva com cinco para travar as investidas inglesas.

 

Não ganhou o melhor: ganhou o mais eficaz. Resultadista? Sim, à Mourinho - que há dias conquistou o seu quinto título europeu. Sem problema em "jogar feio", em conceder iniciativa ao adversário, em fazer da fraqueza força. Obedecendo à estratégia do técnico italiano, agora detentor de quatro Ligas dos Campeões - duas pelo Milan (2003, 2007), outras tantas pelo Real (2014, 2022).

E, claro, com Courtois a fazer toda a diferença. Campeão de Espanha, campeão europeu. Pena a Bola de Ouro fazer de conta que os guarda-redes não existem: em 65 edições, só uma vez distinguiu alguém nesta posição - o russo Lev Yashin, em 1963. Este ano o prémio devia ser do gigante belga.

 

ADENDA: Por cá, a maioria dos prognósticos atribuía vitória ao Liverpool. Não se confirmaram.

Prognósticos antes da final

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Stade de France, onde Portugal se sagrou campeão europeu em 2016

 

Não é meu costume estender estes prognósticos a finais europeias, mas vou abrir uma excepção. Perguntando a quem me lê qual será o resultado do decisivo desafio que vai opor amanhã, a partir das 20.00 (hora portuguesa, excepto nos Açores), o Liverpool ao Real Madrid. Naquela que se antevê como uma espectacular final da Liga dos Campeões. Chegou a estar marcada para a Rússia, mas a guerra em curso na Ucrânia desde 24 de Fevereiro levou a UEFA a trocar Sampetersburgo pelo Stade de France parisiense, onde Portugal se sagrou campeão europeu em 2016. 

Estarão em confronto dois colossos europeus. Os madrilenos, vencedores de 13 títulos máximos do futebol do nosso continente - em 1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1966, 1998, 2000, 2002, 2014, 2016, 2017 e 2018. Os ingleses, seis vezes vencedores - em 1977, 1978, 1981, 1984, 2005 e 2019. Os primeiros comandados pelo italiano Carlo Ancelotti, os segundos pelo alemão Jürgen Klopp. 

Quem vencerá? E quem marcará os golos? Aguardo os vossos vaticínios.

 

Pelo Liverpool devem actuar Alisson, Alexander-Arnold, Konaté, Van Dijk, Robertson, Henderson, Thiago Alcântara, Keïta, Salah, Mané e Luis Díaz. E o Real pode apresentar Courtois, Carvajal, Éder Militão, Alaba, Mendy, Kroos, Casemiro, Modrić, Valverde, Benzema e Vinícius.

Com Fabinho e Firmino em dúvida pelos reds e o jovem brasileiro Rodrygo, estrela absoluta da épica meia-final ao marcar dois golos pelo campeão espanhol contra o Manchester City, podendo figurar no onze inicial madrileno.

Se quiserem, aproveitem também para revelar por qual destes dois clubes torcem mais.

Mourinho

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Quem sabe, nunca esquece. José Mourinho, que muitos davam já como «acabado» e varrido para um rodapé do futebol, acaba de fazer história, uma vez mais. Levando a sua Roma a vencer a edição inaugural da Liga Conferência numa final disputada na Albânia contra o Feyernood. Com exibição superlativa de Rui Patrício: o guarda-redes formado em Alcochete salvou a equipa romana de dois golos certos, segurando o 1-0.

Foi a quinta final europeia disputada pelo técnico setubalense. E o seu quinto triunfo: na hora decisiva, continua sem falhar. Como tinha acontecido na Liga dos Campeões (FC Porto, 2004; Inter, 2010), Taça UEFA (FC Porto, 2003) e Liga Europa (Manchester United, 2017). É o primeiro treinador a vencer todas as provas desportivas organizadas pela UEFA.

Está visto: merece bem mais do que um rodapé. Cada vez que inscreve outro título no seu currículo (soma já 26, em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha) lembro-me sempre que podia ter sido treinador do Sporting. Chegou a sê-lo, aliás, em tarde repleta de gritos e ameaças, num daqueles desvarios colectivos que volta e meia atingem Alvalade como um relâmpago. Contratado e descontratado no mesmo dia. 

A concorrência, lá em cima, agradeceu.

Foi você que pediu o Sporting em mais uma final da UEFA Futsal Champions League?

Pois é. O hábito começa a fazer o monge e o Sporting está na final da UEFA Futsal Champions League, após bater por conclusivos 6-2 o Asnières Villeneuve 92 (ACCS) do português Ricardinho. 

O Sporting dominou toda a partida e não fora um ato irrefletido de Panny Varela, porventura excessivamente castigado com vermelho direto aos 18´ da 1ª parte, e o Sporting teria chegado ao intervalo a vencer por 3-0. Na sequência da expulsão, a equipa francesa reduziu. Na 2ª parte, após o 2º golo francês, o Sporting não deu mais hipótese e com 2 golos de rajada fechou o resultado. 

Os marcadores dos golos leoninos foram- 1ª parte: Esteban Guerrero 5´, Tomás Paçó 11´, Merlim 12´; 2ª parte: Diego Cavinato 25´, Merlim 30´e Cardinal 33´. Pelo ACCS marcou Lutin 18´ e Galmim 28´.

Agora resta aguardar pelo resultado do jogo de hoje entre Barcelona e Benfica para saber com quem o SPORTING, campeão em título, disputa a final no domingo às 16 horas, a ser transmitido pela Sporting TV. Atualizando, haverá reedição da final do ano passado, com o Barcelona que venceu o Benfica no prolongamento por 5-4. Oxalá se repita também o resultado. Spoorting 💚🦁

 

É lidar

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Na tribuna do estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, após a final da Taça da Liga

 

Em pouco mais de três anos, desde que ascendeu à presidência do Sporting, Frederico Varandas habituou os sportinguistas a vitórias regulares e constantes. 

Só no futebol vencemos estes títulos e troféus:

- 1 Campeonato Nacional

- 1 Taça de Portugal

- 3 Taças da Liga

- 1 Supertaça

 

Na época em curso, já conquistámos a Supertaça e a Taça da Liga, que nos credita como campeões de Inverno pelo segundo ano consecutivo.

Ainda no futebol, transitámos para os oitavos da Liga dos Campeões, proeza só´uma vez antes alcançada.

 

E que mais? Lideramos os campeonatos nacionais de futsal, andebol e basquetebol. Estamos em segundo, colados ao primeiro, no campeonato de hóquei em patins. Nesta época já vencemos as Taças de Portugal de basquetebol e voleibol, a Taça da Liga de futsal e as supertaças de básquete e futebol feminino.

A nível internacional, somos campeões europeus de futsal e hóquei em patins. Nestes três anos ganhámos outra Liga dos Campeões de futsal, além de uma Liga Europeia e uma Taça Continental de hóquei e duas Ligas dos Campeões de judo. 

Há quem não goste? Paciência, é lidar.

O dia seguinte

Alguém disse, e com razão, que as finais não são para se jogar, são para se ganhar.

O Sporting ganhou mais esta final porque foi muito mais tudo que o Benfica. Mais equipa, mais mentalidade ganhadora, mais controlo do jogo, mais ocasiões de golo, mais individualidades a destacar-se.

O Benfica só disfarçou a coisa porque marcou na única vez em que ameaçou a baliza de Adán, um belo golo dum Cebolinha que anda a perder tempo naquela confusão de sítio quando poderia explodir no 3-4-3 de Amorim.

Tudo isto não quer dizer que o Sporting tenha feito uma grande exibição. As duas derrotas fizeram mossa, a articulação do tridente ofensivo deixou muito a desejar, voltaram a esconder-se atrás dos defesas contrários e Paulinho... mais uma na trave. Pode não ganhar a Bota de Prata, mas o Poste de Prata ninguém lho tira.

Gonçalo Inácio e Ricardo Esgaio estiveram muito bem, demonstraram mais uma vez a raça de que são feitos, e a injustiça de como foram tratados por alguma escumalha das redes sociais depois das noites infelizes que tiveram. Se calhar ao jeito que ainda ontem em plena primeira parte num sítio conhecido se desancava sem piedade nos jogadores do Sporting e se sugeria que o lampião Amorim conspirava para fugir para o outro lado da 2.ª circular.

Mais um título ganho nestes últimos três anos: 1 CN, 1 TP,  1 ST, 3 TL. E continuamos na luta para mais dois. Sabendo reconhecer quer as forças visíveis e invisíveis, algumas mafiosas, dos rivais, quer as falhas proprias, sem bazófia, concentrados, jogo a jogo.

 

#JogoAJogo

SL

É isto

Porro prepara-se para entrar, está junto a Amorim e ambos olham para o jogo. Fora do plano o Sporting aproxima-se com perigo da baliza adversária. Sabemos isto porque Porro ferra a mão no casaco de Amorim e sacode-o todo, com o fervor de quem remataria se estivesse lá. Amorim liberta-se a custo, muito sacolejado, dá um calduço paternal em Porro e manda-o lá para dentro. Mesmo antes de entrar em campo Porro estica os braços no ar em "V" como quem diz: "cá vou eu." 
É esta a imagem perfeita do meu Sporting. 

 

Superioridade

Bem sei que não há justifiça num resultado de futebol. A lei da bola é em muito subjectiva e a sentença final de qualquer jogo são os golos e o resultado final que a ditam. Mas, caramba, teria sido uma injustiça do tamanho do estádio de Leiria se o nosso Sporting não tivesse sido campeão de Inverno contra um adversário que joga tão pouco. Durante os 90 minutos só o Sporting fez por ganhar e só o Sporting se mostrou equipa e ao serviço de um plano de jogo claro de campeão.

Que a enorme superioridade que manifestámos ontem se repita nos restantes desafios que temos pela frente. 
No ano passado o título de campeão de Inverno foi um belíssimo presságio da conquista mais desejada. Que este ano se repita.

Temos equipa, jogadores, treinador, sócios e adeptos para isso. Vamos! Jogo a jogo! Essa fórmula que tanta alegria já nos deu, continua a dar e, acredito, continuará a dar.

Pódio: Sarabia, Gonçalo Inácio, M. Nunes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Benfica, final da Taça da Liga, pelos três diários desportivos:

 

Sarabia: 20

Gonçalo Inácio: 19

Matheus Nunes: 17

Matheus Reis: 17

Palhinha: 17

Esgaio: 16

Feddal: 16

Porro: 15

Paulinho: 15

Adán: 15

Pedro Gonçalves: 14

Neto: 13

Nuno Santos: 7

Ugarte: 7

Tiago Tomás: 6

 

Os três jornais elegeram Sarabia como melhor em campo.

Ser benfiquista.

Como se passara na Supertaça, também ontem o Sporting foi um vencedor claro, inequívoco e justo.
Sem clubites, pode dizer-se que o adversário não foi o mais complicado que encontramos este ano e que provavelmente uma enorme maioria dos que viram o jogo não ficaram surpresos de ter sido o Sporting a vencer.

Dentro de campo, o SLB mostrou que não tem plano de jogo, ideia de futebol e que está desfocado do que é o futebol contemporâneo, onde o individual se dilui no coletivo para só aparecer naqueles momentos em que é mesmo de aparecer (Porro e Sarabia no segundo golo).

Ainda assim, os jogadores do SLB não têm culpa disso, alguns mostraram muito valor (Cebolinha, Odysseias, Weigl) e todos se bateram bem no sentido de deixarem tudo em campo. O jogo pareceu-me rijo e limpo, mal arbitrado é verdade, mas porque os nossos árbitros são o elo mais fraco da nossa competitividade.

Onde o Benfica  falhou em toda a linha foi na postura fora de campo. Os adeptos estiveram bem, Cebolinha foi muito correto e decente nas declarações, mas o treinador – cuja qualidade me parece clara – esteve péssimo, incapaz de admitir a superioridade do adversário e partilhou connosco um sonho que terá tido em que as duas equipas foram equilibradas.

Pior ainda esteve o presidente do SLB, um homem que foi aplaudido em Alvalade pelos sportinguistas quando se retirou e que demonstrou de novo o nervosismo de adepto e falta de noção das implicações de se ser figura número um da instituição SLB. Não só não esteve ali, honrado, a cumprimentar o SCP, como não esteve lá, ao lado dos seus, que deram tudo em campo.

Não vale a pena clamar por uma indústria competitiva e não sei quê, quando é este o exemplo que se dá aos adeptos.  

Quente & frio

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Gostei muito da conquista da Taça da Liga, que nos consagra como campeões de Inverno, pelo segundo ano consecutivo. É, portanto, uma reconquista. Numa competição que em 2009 nos foi sonegada contra o mesmo adversário de ontem, o Benfica, por uma equipa de arbitragem liderada por um dos mais vergonhosos apitadores que passou por relvados nacionais. Mas valeu a pena a espera. A vingança serve-se fria: nas últimas cinco edições desta prova, saímos campeões por quatro vezes. Agora a bisar, com Rúben Amorim, já com quatro títulos e troféus no seu currículo ao comando do Sporting em menos de dois anos. Esta Taça da Liga, que vencemos na final de Leiria por 2-1, é a segunda proeza leonina na temporada, após a Supertaça ganha a 31 de Julho.

 

Gostei do domínio claríssimo da nossa equipa. Esta superioridade foi manifesta mesmo após sofrermos um golo, aos 22', contra a corrente do jogo. Soubemos manter-nos coesos e acutilantes, nunca perdendo de vista o objectivo: havia que levar a taça para casa. As estatísticas confirmam esta superioridade: 61% de posse de bola leonina, 13-2 em remates, com óbvia vantagem para o nosso lado. Estivemos sempre mais perto do 3-1 (Paulinho mandou uma bola à barra, aos 73') do que o Benfica de empatar. Foi a quinta reviravolta da temporada, o que indicia robustez psicológica. E também uma evidente injecção de moral na equipa, demonstrando que a derrota em casa contra o Braga não passou de acidente de percurso. Vale a pena assinalar o onze titular verde-e-branco neste clássico em Leiria: Adán; Neto, Gonçalo Inácio, Feddal; Esgaio, Palhinha, Matheus Nunes, Matheus Reis; Pedro Gonçalves, Sarabia e Paulinho. Entraram ainda Porro (66') para substituir o amarelado Neto, passando Esgaio para central, Ugarte (85') para render Matheus Nunes, e Tiago Tomás e Nuno Santos (88'), para os lugares de Paulinho e Sarabia. Este último foi, para mim, o herói do jogo: faz de canto a assistência para o primeiro golo, num cabeceamento de Gonçalo (49'), e marca o segundo, o decisivo, fuzilando Vlachodimos de pé esquerdo após uma espectacular recepção de bola em que demonstrou toda a sua classe (78'). Destaques também para Palhinha, sempre superior ao adversário como médio de contenção, e o reaparecido Pedro Porro, autor da assistência para o golo da vitória com um passe de 30 metros muito bem medido. Gonçalo e Matheus Reis também merecem realce, tal como Matheus Nunes, que auxiliou Palhinha no domínio do meio-campo, onde o adversário actuava com três elementos.

 

Gostei pouco que só no segundo tempo tivéssemos traduzido em números a nossa manifesta superioridade no terreno. Mas até nisto se comprovou a maturidade da equipa, funcionando como verdadeiro colectivo: nunca nos desorganizámos nem perdemos o fluxo ofensivo apesar de termos menos um dia de descanso do que o adversário, que disputou a meia-final 24 horas antes. Embalados pelo entusiástico apoio que vinha das bancadas, onde os aplausos eram quase todos para o Sporting. Os benfiquistas passaram grande parte da segunda parte a assobiar a própria equipa. No fim, brindaram-na com uma monumental vaia, enquanto Rui Costa fumava nervosamente na tribuna do estádio, gesto que lhe fica muito mal. Mas percebe-se o nervosismo: em dois confrontos com o Sporting nesta temporada, registam-se já duas derrotas encarnadas. Com 5-2 em golos, primeiro no campeonato e agora nesta final.

 

Não gostei da ausência de Coates, o nosso inabalável capitão, que se encontra ao serviço da selecção do Uruguai. Mas foi bem substituído no centro da defesa por Gonçalo Inácio (que até marcou um golo à Coates) e certamente se associou em espírito à bonita festa da vitória no relvado, com justos vencedores e dignos vencidos - desta vez ninguém atirou medalhas para as bancadas, imitando o imperdoável gesto de Sérgio Conceição numa final perdida contra o Sporting. 

 

Não gostei nada de ver num camarote VIP do estádio o arguido Luís Filipe Vieira, que ali esteve certamente a convite da Liga. É preciso muito descaramento e perda total de noção das conveniências para ter a lata de se exibir entre os assistentes desta final. Se pensava reabilitar-se, estava muito enganado: os adeptos encarnados rodearam-no no final com insultos e ameaças. Foi necessária a protecção de mais de uma dezena de elementos da unidade especial da PSP presente no local para regressar à viatura que o transportou.

A ver o Europeu (29)

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FESTA ITALIANA NA CHUVA LONDRINA

Nem sempre costuma haver justiça no futebol. Mas desta vez houve. O Campeonato da Europa 2021, realizado um ano depois da data inicialmente prevista, acaba de ser conquistado pela Itália - que não vencia um Euro desde 1968.

squadra azzurra foi, de longe, a melhor selecção deste torneio. E foi também a melhor desta final, disputada num estádio de Wembley cheio, com mais de 60 mil adeptos nas bancadas, sob chuva fina mas persistente. 

 

Os ingleses até começaram da melhor maneira, com um golo de Shaw logo aos 2', coroando um lance muito rápido de futebol colectivo. E dominaram durante a meia hora inicial. Os italianos acusaram muito o golo: aos 30' ainda não tinham conseguido um só remate enquadrado.

O primeiro sinal de perigo partiu do pé esquerdo de Chiesa, uma das grandes figuras da selecção campeã. Aconteceu aos 35', com um forte disparo a rasar o poste. Único lance de perigo da squadra antes do intervalo.

As coisas mudaram no segundo tempo. Sobretudo com as trocas operadas pelo treinador Roberto Mancini aos 54': saíram Immobile e Barella, entraram Berardi e Cristante. Itália acelerou o jogo, encurtou linhas e demonstrou o seu maior trunfo: superioridade técnica, fazendo recuar os ingleses.

Previa-se o golo do empate a qualquer momento. E acabou por acontecer, marcado pelo artilheiro menos provável: o central Bonucci, aos 67', na sequência de um canto.

Chiesa saiu lesionado aos 86': outra magnífica exibição do ponta direita da Juventus, que já brilhara contra austríacos e espanhóis. É um dos heróis desta equipa, tal como o ausente Spinazzola, forçado a abandonar o Euro-2021 cedo de mais.

O melhor talento individual da equipa anfitriã continuou a ser Sterling, mas com um notório defeito: tem o vício de cavar penáltis. Assim fez aos 44', 48' e 90', tentando ludibriar o árbitro, como conseguiu na meia-final frente à Dinamarca que permitiu o passaporte inglês para o jogo decisivo. Mas este juiz da partida não foi na cantiga do médio ofensivo do City. Faltou exibir-lhe o amarelo por simulação.

 

Muito disputado, o prolongamento não desfez o empate registado aos 90 minutos. A final decidiu-se por penáltis.

Aqui primou a incompetência do seleccionador inglês, Gareth Southgate, que para a série de cinco grandes penalidades escolheu dois jogadores muito jovens: Sancho, de 21 anos, e Saka, de 19. Ambos permitiram que Donnarumma - outro herói da noite e do torneio - parasse as bolas na linha de meta. Rashford, de 23 anos, atirou ao poste. E assim a Inglaterra foi atirada fora, para imensa decepção dos milhares de apoiantes ali presentes. Desde 1966 que os ingleses não vencem um grande torneio a nível de selecções.

Também dois italianos falharam: Belotti e Jorginho. Mas prevaleceu a experiência do veterano Leonardo Bonucci, de 34 anos: chamado a converter, não claudicou. Tal como Berardi e Bernardeschi.

A partir daí, foi a festa italiana - que ainda dura. Justíssima festa debaixo da chuva londrina.

 

Inglaterra, 1 - Itália, 1 (nos penáltis finais, os italianos venceram 3-2)

A voz do leitor

«Também lá estava, era a oitava final em que estava presente com o meu Sporting. Três ou quatro filas abaixo dois adeptos discutiram todo o jogo acaloradamente, quase a chegar a vias de facto, se era melhor o Cédric ou o Miguel Lopes, infelizmente estiveram os dois mal neste jogo. Deixaram de discutir no 2-1, aproximaram-se no 2-2 e acabaram abraçados com a vitória.»

 

António Pereira, neste texto do Francisco Melo

O péssimo hábito de despedir treinadores

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Marco Silva venceu Taça e foi afastado quatro dias depois

 

Há dois dias o Francisco Melo trouxe-nos aqui uma bela recordação. Lembrando um dos mais épicos jogos que recordo desde sempre enquanto adepto (e sócio) do Sporting: a final da Taça de Portugal que vencemos em 2015, derrotando o Braga, que tinha estado a jogar com mais um em campo desde a fase inicial da partida.

Infelizmente o técnico vencedor, Marco Silva, viria a ser despedido quatro dias depois dessa proeza - era o primeiro título da era Bruno de Carvalho e o Sporting não vencia uma Taça verdadeira desde 2008, ainda com Paulo Bento ao leme da equipa.

Parece sina no Sporting. Aconteceu o mesmo com vários outros treinadores que ganharam campeonatos e Taças: Joseph Szabo (1954), Juca (1963), Anselmo Fernandez (1964), Otto Glória (1966), Mário Lino (1974), Rodrigues Dias (1978), Fernando Mendes (1980), Malcolm Allison (1982), Augusto Inácio (2000) e Marcel Keizer (2019).

Felizmente esta péssima tradição parece esgotada. Sabemos que Rúben Amorim continuará a orientar a nossa equipa, com vista aos próximos objectivos nas competições internas - Supertaça, bicampeonato e dobradinha - e a uma participação digna na Liga dos Campeões.

Sem paciência, persistência e resistência aos obstáculos nada se consegue.

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