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És a nossa Fé!

Dez anos sem Artur Agostinho

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Faz hoje dez anos, morria em Lisboa um dos mais carismáticos sportinguistas de todos os tempos - o grande Artur Agostinho, figura popularíssima do desporto, do cinema, da rádio e da televisão. Além de se distinguir na imprensa desportiva: durante mais de uma década, entre 1963 e 1974, dirigiu o jornal Record. Também esteve à frente do jornal do nosso clube. Que era o clube dele. Leão de gema, com o coração verde e branco.

Muitos de nós recordaremos para sempre os seus vibrantes relatos radiofónicos em tardes de futebol e os programas em que deu a cara anos a fio na RTP - concursos, festivais da canção, séries, telenovelas e a apresentação do saudoso Domingo Desportivo, onde se falava da modalidade que mais nos apaixona mas sem insultos nem gritos. Ao contrário do que hoje sucede, serão após serão, em canais nada recomendáveis.

No papel mais memorável de todos quantos protagonizou durante uma carreira profissional que se prolongou por sete décadas na comunicação e no espectáculo, fazia de motorista. Contribuindo para o êxito d' O Leão da Estrela original, realizado em 1947 por Arthur Duarte. Nesse filme, cheio de cenas hilariantes, há um diálogo delicioso entre António Silva, que fingia ser seu patrão, e Artur Agostinho, que fingia ser chofer do outro. 

Discutem. Às tantas, o primeiro agarra-lhe no casaco e descobre um emblema do Sporting. E logo a discórdia dá lugar a um abraço cúmplice. Com o genial António Silva (também sportinguista na vida real) a rematar assim: 

«Se é Leão, é um homem de bem!»

 E era mesmo.

 

Jorge Vieira

 

Guardo na minha memória duas fotos que em garoto tirei. Uma com o meu ídolo Manuel Fernandes, na altura o capitão da equipa e outra com Jorge Vieira, na altura o sócio n.º 1. Ambas foram tiradas num jantar, que o meu pai me levou, creio que do Núcleo Sportinguista de Coimbra. Infelizmente o meu divórcio fez com que as tivesse perdido.

 

«Um cavalheiro no desporto

“Toda a actividade física com carácter de jogo, que toma forma de uma luta consigo mesmo, ou duma competição com outros, é desporto. Se esta actividade se opõe a outrem, deve sempre praticar-se num espírito leal e cavalheiresco. Não pode haver desporto sem fair play. A lealdade da competição garante a autenticidade de valores estabelecidos sobre o estádio. Confere ao mundo desportivo uma qualidade humana. O desporto favorece os encontros entre os homens num clima de sinceridade e de alegria. Permite-lhes conhecerem-se melhor e estimarem-se, desperta neles o sentido da solidariedade, o gosto da acção generosa e desinteressada; dá uma nova dimensão à fraternidade.” (Manifesto sobre o Desporto – Unesco)

Todo este feixe de virtudes do atleta de eleição – sinónimo de equilíbrio entre o músculo e o pensamento, em que o homem se aproxima de um ideal de beleza e harmonia – tem o nosso país conhecido nalgumas figuras dessa estirpe, ao longo do seu historial. Mas uma dessa presenças exemplares, que ainda se recorda – e a sua lição não feneceu na hora da retirada – esse saudoso ‘capitão’, autêntico gentleman do nosso desporto – chama-se Jorge Vieira.

Dotado de um físico esbelto, a sua presença no estádio era a melhor garantia de lealdade e cavalheirismo ao terçar armas com o adversário. Feito no Sporting Clube de Portugal e oriundo de uma família leonina, Jorge Vieira começou a nos grupos infantis e ascendeu ao mais alto posto da sua carreira desportiva envergando sempre a camisola verde-branca, que só trocou nos jogos em que foi chamado a representar as turmas de Lisboa e da selecção de Portugal. Muito cedo lhe coube a distinção de capitanear o ‘onze’ nacional. Jogando em vários países – Espanha, França, Itália, Holanda e Brasil -, nestes tempos das morosas viagens de comboio ou barco, e de raras pugnas internacionais, Jorge Vieira, o grande defesa-esquerdo, foi o perfeito embaixador do desporto português.

Nascido oito anos antes do seu clube de sempre, (…) Jorge Vieira é um símbolo inestimável, que as novas gerações devem ter como modelo.(…)

 

Romeu Correia»

 

In.: CORREIA, Romeu -  Jorge Vieira e o futebol do seu tempo. 1ª ed. [S.l.] : R. Correia, [D.L. 1981]. pp. 7-8

João Lobo Antunes - um modo de ser sportinguista

Só conhecia João Lobo Antunes de entrevistas. Pessoas haverá muito mais habilitadas do que eu para recordarem o ilustre e notável neurocirurgião. Mas eu gostaria de recordar justamente uma entrevista – não sei onde, não sei a quem (teria sido ao DNa, suplemento do Diário de Notícias?) –, a primeira que dele li, já lá vão mais de 20 anos. Vivia-se o prolongado jejum de títulos do Sporting, e uma das perguntas da entrevista dizia respeito justamente ao sportinguismo de João Lobo Antunes, nascido e criado em Benfica e numa família de benfiquistas, alguns deles ferrenhos. A pergunta era algo como “O seu Sporting não lhe tem dado muitas alegrias...”, e a resposta, que eu nunca esqueci: “A mim o Sporting só me dá alegrias. Quando ganha é uma alegria. Quando perde é um hábito.” Pode parecer pateta recordar João Lobo Antunes por isto, mas só um homem muito sábio encara o futebol desta maneira.

Parabéns, Fernando Correia

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Este senhor, nascido a 16 de Julho de 1935, faz hoje 80 anos. Todos os portugueses (re)conhecem a sua voz inconfundível. Voz magnífica, que tantos golos relatou ao longo de uma carreira longa e frutuosa. E que continua em boa forma, nomeadamente aos microfones da Sporting TV.

Daqui vai um abraço a Fernando Correia, um dos melhores profissionais da nossa rádio e da comunicação em geral. Um homem desde sempre ligado ao desporto português e em particular ao Sporting, seu - e nosso - clube do coração.

Muitos parabéns, Fernando.

Jaime Graça


Jaime Graça é dos poucos sobre quem se pode dizer que, mais do que um enorme futebolista, foi um herói, pois foi ele quem salvou a equipa do benfica de morrer electrocutada numa banheira, num acidente que só malogrou o infeliz Luciano.

Os pêsames para a família e para o Vitória de Setúbal, onde ele nasceu e se formou, a grande cantera do futebol dos anos 60 e 70, donde além de Jaime Graça e Vítor Batista para o benfica, saíram para o Sporting Casaca, Pedras, José Mendes, Tomé, Vagner e mais tarde Chiquinho Conde. Treinado, primeiro pelo "nosso" Fernando Vaz e depois por Pedroto, o Vitória teve uma equipa sensacional onde além dos referidos, brilharam os formidáveis Conceição, José Maria e Jacinto João. 

Regresso ao passado em Alvalade

 

Passei alguns anos sem ver um jogo ao vivo, nem sequer no estádio do meu clube. Quebrei  o jejum -- em Alvalade, como não podia deixar de ser -- a 2 de Março de 2008, num Sporting-Benfica. O desafio até foi fraquito -- saldou-se num empate 1-1, com o árbitro a tornar-se a figura do jogo ao perdoar escandalosamente um penálti cometido pelo Benfica que todos no estádio viram menos ele.

Mas o que menos me interessou foi a exibição das duas equipas ou mesmo o resultado. Aquilo de que mais gostei foi do momento em que vi passar por mim, na bancada VIP do estádio, quatro grandes ídolos da minha infância: Alexandre Baptista, Carvalho, Hilário e Pedro Gomes. Coleccionei os cromos com imagens de todos na idade em que comecei a apaixonar-me pela bola, ouvi as melhores referências à participação de três deles na grande campanha do Mundial-66, em Inglaterra. E por momentos senti quase o impulso de estender uma folha de papel a pedir-lhes as assinaturas para a minha colecção de autógrafos. Revivendo a emoções que tive quando era um miúdo de seis ou sete anos.

Não há comida como aquela a que nos habituámos na infância. Nem ídolos do futebol como os primeiros que contribuiram para nos tornarmos adeptos de um determinado clube. Foi o que nesse dia senti na bancada de Alvalade durante aquele jogo que um senhor chamado Paulo Paraty fez tudo para estragar.

Imagem: Alexandre Baptista, Hilário e Carvalho (ao alto) na selecção nacional de 1966

Parabéns a você!

 

 

 

 

 

 

A nossa sócia mais antiga, Maria de Lurdes Borges de Castro, festeja hoje os seus 89 anos de idade e de sócia do Sporting. Todos lhe desejamos um dia feliz e votos de festejarmos os seus 100 anos no Estádio de Alvalade. Bem haja por toda a sua dedicação e amor pelo Sporting. Viva o Sporting!!!

89 anos de sócia

 

Fui íntimo amigo de Humberto Borges de Castro, um dos fundadores do Sporting e mais tarde sócio número 1. Um homem extraordinário, de um amor ao clube inimaginável. Quando a sua idade já era avançada tinha uma satisfação enorme ao ver-me chegar a sua casa, na Parede, para lhe dar as últimas notícias do nosso clube. Na mesma residência moravam a sua filha Maria de Lurdes e o neto Humberto, o qual era meu cunhado. Eram tardes de um sportinguismo profundo em que o velhote Borges de Castro me descrevia todas as dificuldades que se geraram para a fundação do Sporting e toda a paixão que um punhado de homens dispensou à criação do clube.

Esta introdução serve para vos falar de uma Senhora que adoro. Maria de Lurdes Borges de Castro, poetisa de 5 estrelas com vários livros publicados, é a sócia número 6 do nosso Sporting. Nunca faltou aos jogos, recentemente saltou de pára-quedas e diariamente navega na net. Está registada no Facebook como Maria de Castro e no próximo dia 21 completará 89 anos de idade e de sócia do Sporting, sendo a mulher com mais anos de associada.

Viva a Maria de Lurdes!

Quando nasceu, em 1923, o pai inscreveu-a imediatamente como sócia do Sporting. Ela mesma explica esse facto:

"A minha ligação ao Sporting é da exclusiva responsabilidade do meu pai, que faz parte da fundação do clube, porque quando nasci fez-me de imediato sócia do Sporting. Esta iniciativa foi uma revolução na família, porque para a época o meu pai era uma pessoa com ideias muito largas e avançadas e contra a vontade de toda a família inscreveu-me como sócia. A minha mãe chegou mesmo a zangar-se com ele, porque dizia que não era possível inscrever uma menina num clube de homens. Na altura, isto foi muito falado na família e para terem ideia do quão avançado era o meu pai, ele inscreveu-me numa escola oficial, enquanto as minhas primas andavam todas a estudar num colégio de freiras".

 

O nosso blogue quer aqui prestar uma grande homenagem a esta Senhora que tem dado ao longo da vida um grande exemplo de amor ao Sporting.

 

{ Blog fundado em 2012. }

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