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És a nossa Fé!

A sério que eu gostava de perceber

O futebol é um Mundo de coisas insondáveis, entre elas a forma como alguns intervenientes são pagos pelos seus serviços. Esse é um assunto que dirá respeito ao fisco, ao Estado português e no caso do seleccionador nacional, também a nossa senhora de Fátima. Mas não é para isto que aqui venho, que com o aumento da inflacção e dos combustíveis, eu quero lá saber dos 4,5 milhões de Euros...

Outra coisa insondável para mim é a forma de jogar de algumas equipas e como as comandam os seus treinadores. Eu ando a ver bola regularmente desde os 7 anos de idade, portanto há pouco mais de meia dúzia. Percebo que cada treinador tenha a sua maneira de colocar os seus jogadores a evoluir em campo, aquilo a que antigamente se chamava de "fio de jogo".

Custa-me a entender no entanto que numa equipa haja um autocarro (ia dizer carrada, mas trata-se de pessoas e o respeito é muito bonito) de extremos ( e se continue a cobrar bilhete para mais uns passageiros), da direita e da esquerda e não haja um, desculpem a boutarde, extremo do centro, ao menos, para aproveitar as bolas que, se não tiverem os pés trocados, os da esquerda e os da direita farão chegar à área do adversário.

É certo que a gente tem lá um e sabem o que eu espero? Que seja outro Acosta! Que finalmente comece a justificar o volumoso investimento que nele foi feito. Mas é pouco, há quatro competições para disputar e não se vê vontade de contratar ninguém para aquela posição.

Como digo, os treinadores têm mistérios insondáveis que o comum do adepto de bancada desconhece completamente, dos que referi um foi campeão nacional e o outro até foi campeão europeu, portanto que contam os meus 55 anos a ver bola perante esta evidência?

Mas arremedando a letra dum fado célebre, falarei até que a voz me doa!

Fernando Santos enfrenta Paulo Bento

Os dados estão lançados: a selecção portuguesa de futebol vai defrontar as da Coreia do Sul, Gana e Uruguai na fase de grupos do Campeonato do Mundo. 

Com um aliciante suplementar: será um embate entre Fernando Santos e Paulo Bento, seu antecessor à frente da equipa nacional e actual seleccionador da Coreia do Sul. A coisa promete.

Catar-22 (3)

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[Repito-me, pois na sequência dos meus Catar-22 e Catar-22 (2)]

Acabo de ver a segunda parte do Brentford-Wolverhampton (1-2). Bruno Lage colocou sete portugueses como titulares e três como suplentes. E o excelente Neto continua em recuperação de grave e prolongada lesão... Terceira vitória consecutiva da sua equipa, que está embrenhada na luta pelos lugares europeus, agora aparentemente colocada no 8º lugar - mas até poderá estar melhor, dado que entre o 4º (Manchester United) e este 8º a distância são apenas 4 pontos à 22ª jornada mas os clubes têm diferentes jogos realizados.

Ou seja, o Wolverhampton - a "alcateia portuguesa", como bem lhe chamou o locutor televisivo - está a fazer um belíssimo campeonato para um clube da sua dimensão económica e desportiva. Hoje fez mais uma segura e competente exibição, tendo ganho através de um belo golo de João Moutinho, o qual fez ainda o cerebral passe para o segundo golo - sim, exactamente João Moutinho, esse que (não me canso de o repetir) os profissionais do comentário televisivo e jornalístico insistem que "já não tem pedalada" para jogar na selecção portuguesa. Segundo golo esse que foi marcado, a dez minutos do fim, através de (mais) um magnífico remate de "meia-distância" de Rúben Neves, o qual ainda viria a fazer um passe magistral para um golo que acabaria por ser anulado devido a fora-de-jogo centimétrico.

No final do jogo exultavam nas bancadas os calorosos adeptos do clube, a viverem um verdadeiro apogeu na sua história de 150 anos. E fazem-no reconhecendo quem os conduz a tais píncaros, louvando-se no cântico "We've got Neves". E ao ver este acertados cachecóis só consigo repetir o que há anos aqui resmungo: como é possível que passem as épocas e as competições e Rúben Neves seja preterido na selecção por jogadores como William ou Danilo? Que seleccionador temos tido? Porque "não temos Neves"?

Catar-22

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Sobre o desejável apuramento para o Mundial-22 já muito foi resmungado, aquando dos últimos jogos da selecção. Ficou este travo azedo, no deslizar do mais do que acessível apuramento até esta já desfocada miragem da sua obtenção. Tudo o que bem espero não se vir a tornar verdadeiro azedume. E agora, no sprint final do campeonato de Inverno, após as qualificações nas taças europeias, com o dealbar do "mercado de Inverno" futebolístico e, ainda para mais, com a concentração de boas festas natalícias e melhores intenções, as questões da selecção estão em pousio. Até porque a Federação foi renitente a mudanças - espero que com acertada visão - mantendo a crença na fé do seleccionador Santos. Para quê vir então, agora, perturbar a quadra com tal horizonte? 

Faço-o porque tenho visto, a espaços, jogos do campeonato inglês, no qual participam vários dos nossos habituais internacionais. É certo ser geral a tendência de mais se prezar os jogadores seleccionáveis com os quais se têm (ou imaginam) afinidades clubísticas, mas isso pode ser ultrapassado ou, pelo menos, matizado, em momentos de crise. E é também certo que no nosso campeonato também muito há para ponderar. E dessa atenção endógena três exemplos logo se realçam, denotativos do conservadorismo vero imobilismo de Santos: o relativo apagamento do habitual convocado Sérgio Oliveira; a grande época de Ricardo Horta, sempre esquecido. E a quase nula integração do campeão Matheus Nunes - ainda mais clamorosa quando o naufrágio contra a Sérvia passou pela titularidade de Sanches em nome do seu repentismo, do inesperado galopante que traz ao jogo, mesmo que seja jogador com fortes deficiências tácticas. E se são essas as características que o catapultam para os momentos decisivos bastará recordar a extrema competência táctica de Nunes e convocar o seu recente golo na Luz para perceber que o erro não é dos treinadores de sofá, pois é ele bem mais superior como centrocampista actual.

Mas vou aceitar como racionalmente prudente que não será no futuro próximo, em embate(s) tão decisivo(s), que Santos introduzirá alterações no seu naipe preferencial de trunfos. Por isso olho os consagrados que jogam nos campos ingleses. O novo treinador do M. United não só mantém a confiança no binómio atacante Fernandes-CR7 (o que tanto poderá/poderia beneficiar a selecção) como catapulta Dalot, este firmando-se como alternativa incontestável à direita podendo deixar a esquerda para um Cancelo, a jogar esplendidamente. Enquanto Bernardo Silva brilha como nunca (e muito já brilhara) e Dias se mantém um rochedo. Mas não vim fazer um postal cobrindo de A a Z os jogadores seleccionáveis. Pois o que me convocou este postal foi ter assistido ao recente Wolverhampton-Chelsea. O Wolverhampton de Bruno Lage jogou com 4 titulares portugueses e ainda fez entrar um outro. Enfrentando o campeão europeu, uma equipa que segue no topo da tabela, um dos três reais candidatos ao título (conjuntamente com o Manchester City e o Liverpool) e que se caracteriza por um futebol muito pressionante, de grande exigência física e táctica. A equipa de Lage jogou muito bem, algo consentâneo com o belo campeonato que vem fazendo (um actual 8º lugar, na senda dos dois primeiros anos após o seu regresso a esta Liga nos quais, sob Espirito Santo, obteve 7ºs lugares). O relevante é que durante aqueles 90 exigentíssimos minutos - contra o actual campeão europeu, repito - no meio-campo do Wolverhampton esteve João Moutinho, a jogar e a fazer jogar, pressionante e pausando o jogo da sua equipa.

Olhando aquele jogo lembrei-me dos comentários após o jogo da Sérvia, seja dos emproados comentadores televisivos seja dos convictos bloguistas: face ao tal naufrágio em que João Moutinho fora abandonado diante do meio-campo sérvio, dado que Danilo se afundara num quase trio de centrais e Sanches cavalgava pelo estádio da Luz, decerto que devido a instruções que ambos haviam recebido, todos - assalariados, avençados e voluntários - coincidiam na doutoral sentença de que o veterano Moutinho "já não tem pedalada" para jogos daquele quilate. Ora se há coisa que se pode afirmar é que quem arranca uma jogatana daquelas, no seu peculiar estilo quase mudo, diante do super-Chelsea tem todo o pedal necessário para jogar contra a mediana Sérvia. Precisa apenas, para não sofrer os dislates dos comentadeiros arrivistas, de estar inserido numa equipa tacticamente estruturada, nisso imaculada se possível. E não a remar sozinho contra... as divergentes correntes.

Ou seja, isto de chegarmos ao Catar não periga devido aos jogadores. (Nem aos comentadeiros). Pois há jogadores suficientes de grande qualidade para "dar a volta" à situação, veteranos como Moutinho ou Cristiano, maduros como os Silva ou Cancelo, jovens como Nunes ou Mendes. Mas o que é necessário é que Santos "dê a volta" a si mesmo, suas certezas e teimosias. Que o Pai Natal lhe traga essa flexibilidade é o que eu peço. Para a nossa alegria.

O apuramento para o Catar-22

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E para que não se resmungue que esta questão sobre o jogador da semana na Liga dos Campeões é remoque advindo de "costela sportinguista" - a qual é sempre invocada quando alguém reclama Palhinha a titular, por exemplo, mas que não se impõe quando um tipo (eu) anda há anos a reclamar que Rúben (não o Amorim sim o Neves) tem que jogar na selecção - que tal ler como Guardiola (mais uma vez) louva Bernardo Silva, quando este joga tanto que é o "homem do jogo" na vitória frente ao PSG de Mbappé, Messi, Neymar? E perguntar porque é Bernardo um jogador fulgurante na sua equipa e não engrena na equipa de todos nós? Ou até perguntar porque não são os titulares indiscutíveis campeões nacionais chamados à selecção, quando tão bons desempenhos têm tido?

Isto é um naufrágio anunciado. Lamento, mas já não tenho qualquer crença em Fernando Santos. E não serei o único. Entre os adeptos e, acredito, entre muitos jogadores.

 

NOTA: colocara no postal um gráfico que mostrava os jogadores seleccionados para a equipa da semana da Liga dos Campeões, no qual constavam Gonçalo Inácio e Pedro Gonçalves. Um comentador, a quem agradeço esclareceu-me que era errado, pois a selecção oficial é algo diferente - nela está Pedro Gonçalves mas não Inácio (e está Otamendi do Benfica, entre outras diferenças). Quero crer que esse meu erro, tendo seguido um "fake graphic" não torpedeia o que quero aqui recordar, o défice que as opções do actual seleccionador vêm provocando na nossa selecção.

Falta renovação urgente na selecção

Texto de Ulisses Oliveira

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Temo que a mentalidade "pobrezinha" que temos apresentado nos venha a tramar. Itália seria um adversário péssimo para nós. Mas mesmo Polónia, Áustria, Suécia ou Rep. Checa, são difíceis.

Contudo, mais preocupante que a qualificação para o Mundial é o facto da selecção ter quase estagnado. Parou, mesmo. Continuamos a ter convocatórias com jogadores que neste momento já não acrescentam nada a uma selecção que se pretende ganhadora, lutadora e irreverente.

Sem querer ser muito injusto, jogadores como William, Danilo, Fonte ou Moutinho não deviam pertencer ao lote de convocáveis (muito menos, titulares). É que depois juntam-se a outros como Patrício, Ronaldo, Pepe, mesmo João Mário, que, sendo importantes, não podem olhar para o lado e ver jogadores que estão em fim de carreira.

Falta uma renovação, que devia ter sido feita paulatinamente logo após o último Euro (até antes). É que agora, a renovar, vai ser de forma mais radical.

 

Outra coisa que me faz alguma espécie (talvez por ser sportinguista) é que da equipa campeã do ano passado as apostas feitas foram-no quase por favor.

Nuno Mendes tinha meio mundo atrás até ser chamado, Palhinha foi a medo (nada comparado com Danilo ou William quando foram lançados), Matheus precisou do empurrão do Brasil (comparemos com Renato Sanches quando foi lançado). Outros, como Pedro Gonçalves (só o melhor marcador do campeonato) e Gonçalo Inácio, ainda não calçaram, ainda que tenham sido convocados.

Jogamos actualmente com Danilo a central (!!!), fazendo parelha com Fonte (e/ou Pepe), quando o futuro dos centrais da selecção pode estar aqui à mão de semear, seja com Inácio, seja com Domingos Duarte e outros. E haveria muitos mais exemplos.

Comenta-se à boca cheia que esta seleção é dos amigos de Fernando Santos…

 

Não podemos portanto admirar-nos que jogadores de topo mundial nos seus clubes cheguem à selecção e pareçam outros. Ronaldo lá tira um coelho de vez em quando da cartola, Bernardo Silva tem muitas dificuldades e Bruno Fernandes chega ao ponto de ficar no banco em alguns jogos... damo-nos ao luxo de pôr o Bruno Fernandes no banco!!!

Uma selecção que conta com Nuno Mendes, Cancelo (segundo FS, o melhor lateral do mundo... só para rir, certo?), Rúben Dias, Pepe, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Ronaldo - e outros que, sendo segundas linhas, são altamente cobiçados, como Palhinha, Matheus, André Silva, Renato, Otávio, Leão, etc - não pode ter a mentalidade pequenina que tem demonstrado.

 

Espanha é um bom exemplo. Deixou de lado algumas vacas sagradas e aparentemente tem conseguido evoluir bem.

Por isso, acho que Rui Jorge poderia ser um bom seleccionador. Parece-me que não tem o síndrome da clubite aguda e que que também não deve nada a empresários, caso contrário já estaria noutras paragens. Já FS tenho muitas dúvidas que não esteja numa espécie de dança do ventre promíscua (peço desculpa pela imagem, se calhar vívida demais), flexível a tudo e a todos, a ir para onde sopra o vento, sem pensar apenas e só por si.

Isto, claro, sem esquecer que foi com ele que ganhámos troféus importantes. Terá sempre o meu agradecimento. Mas tudo tem um fim… e a perpetuação das coisas leva a mais desgaste e a menor lucidez.

 

Texto do leitor Ulisses Oliveira, publicado originalmente aqui.

Fim de ciclo

Se todos concordam que o jogo de ontem foi horrível, já cada um tem a sua opinião sobre as causas e mais ainda sobre o que deveria acontecer.

Para mim, e por muito mérito que tenha tido e teve anteriormente, o fim de Fernando Santos como seleccionador nacional aconteceu com a derrota estrondosa com a Alemanha no último Euro, onde falhou em toda a linha. Devia ter mesmo sido substituído no final dessa competição.

Mas não apenas ele. Portugal teria também de agradecer o contributo de muitos dos campeões europeus em França mas dar como finda a sua participação na selecção, e apostar na nova geração (abaixo dos 30 anos) que está a fazer pela vida em Portugal e em clubes de topo europeus. Ficariam apenas Rui Patrício, Pepe e Cristiano Ronaldo que já conquistaram outro patamar, fazem parte da solução e não do problema, o problema são os outros "de barriga cheia" que não "carregam o piano" para que aqueles atrás citados possam dar o seu melhor.

Uma selecção não é uma colecção de cromos. Não se colocam a jogar 11 Bernardos Silvas, só um deles tem lugar no onze e no lugar dele e não noutro qualquer para acomodar outro Bernardo. Não se escolhem jogadores por prémio pelo que fizeram nos clubes, e muito menos para reabilitar jogadores que falharam nos clubes. Escolhem-se porque fazem falta à equipa de acordo com o modelo de jogo ou sistema táctico que se tenha.

Por outro lado, uma selecção terá sempre de apoiar-se em rotinas que vêm dos clubes, não pode passar ao lado de pequenas sociedades em plena laboração como a de Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo no ManUnited, de Cancelo e Bernardo Silva no ManCity ou a de Palhinha e Matheus Nunes no Sporting.

Fernando Santos foi um grande seleccionador, campeão europeu em França, vencedor da Taça das Nações, não soube retirar-se a tempo, se calhar depois do último Euro onde falhou rotundamente, agora está a estragar a boa imagem que conquistou, resume-se a um critério de selecção errático e impossível de entender e às tristes figuras que faz nas conferências de imprensa, especialmente quando lhe perguntam "Porque é que Portugal com tanto talento joga tão pouco futebol?

Precisamos dum seleccionador nacional com grande experiência, espírito de missão e capacidade para lutar contra a clubite, contra a "empresarite", contra a "amiguite", mas também com capacidade de pôr a selecção a jogar futebol, fazer do todo muito mais do que a soma das individualidades.

Precisamos mesmo dum novo seleccionador nacional, mas para fazer diferente, para fazer melhor. Se é para baralhar e dar de novo conforme as viciadas regras, não vale a pena.

SL

Obrigado e até sempre, Fernando Santos

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1

Um dos maiores defeitos da espécie humana é a ingratidão. Por mim, estou e estarei agradecido a três seleccionadores nacionais de futebol: Luiz Felipe Scolari, que nos levou à primeira final de um Campeonato da Europa e ao quarto lugar do Mundial 2006; Paulo Bento, que comandou a equipa das quinas até às meias-finais do Euro-2012 (perdida nos penáltis frente à Espanha de Casillas, Sergio Ramos, Busquets, Xavi Alonso, Iniesta e David Silva que viria a sagrar-se campeã); e Fernando Santos, que nos conduziu enfim a duas vitórias em provas de selecções - o Euro-2016 e a Liga das Nações 2019. 

Serei sempre grato a estes seleccionadores, que lideraram a equipa nacional em grande parte destes últimos 20 anos - o período em que Portugal transformou a excepção em regra. Durante décadas, só nos qualificávamos para fases finais de campeonatos do Mundo e da Europa em períodos excepcionais ou acidentais; desde 2000 (ainda com Humberto Coelho), temos ido lá sempre. 

Todos foram contestadíssimos desde o primeiro minuto. A inveja, a maledicência, o mero passatempo do dizer-mal praticam-se com desenvoltura neste país de dez milhões de seleccionadores de bancada, sempre à espera do senhor que se segue para dizerem dele o que disseram do anterior. Foi assim com Scolari, foi assim com Bento, é assim com Santos. Será assim com o sucessor do actual.

Como gosto de remar contra a maré, apoiei todos sem reservas. Sem ilusões, no entanto: nesta era das redes sociais, os ciclos de poder no futebol, tal como acontece na política, são cada vez mais curtos. Porque a gritaria é constante e tudo se exige para ontem. Haver ou não títulos, é indiferente. Haver ou não valorização constante dos jogadores portugueses no mercado internacional (veja-se, a título de exemplo, a quotação de João Mário no pós-Europeu de 2016), é irrelevante. 

 

2

Feito este prelúdio, reafirmando o que sempre pensei, é inegável que o ciclo de Fernando Santos ao comando da nossa principal selecção de futebol terminou ontem, em atmosfera tristemente simbólica, ao minuto 90 do Portugal-Sérvia, num estádio cheio de fervorosos apoiantes da equipa nacional. Coroando uma semana de pesadelo após um empate a zero com sabor a derrota na Irlanda em que jogámos "para o pontinho", como critiquei aqui.

«A maneira mais estúpida de perder, muitas vezes, é mesmo essa: quando se joga só para o pontinho», alertei. Antevendo o desastre que viria a ocorrer no relvado da Luz. Com a equipa das quinas alinhada num 3-5-2 nunca testado, incapaz de controlar a bola, incapaz de sustentar uma jogada digna desse nome, incapaz de resistir à pressão sérvia. A ganhar desde o minuto 2, graças a Renato Sanches, os nossos jogadores comportaram-se a partir daí como se receassem ser goleados. Recuaram linhas, assumiram-se perante os sérvios (em 29.º lugar na tabela classificativa da FIFA) como equipa de terceira.

Defender a todo custo o empate (1-1 ao intervalo) foi a palavra de ordem. Nunca tinha visto tantos excelentes jogadores actuarem tão mal: Rui Patrício, Cancelo, Nuno Mendes, Jota, o próprio Cristiano Ronaldo. Moutinho funcionando a gasóleo, como há longos anos acontece. Palhinha, espantosamente, fora do onze titular. Danilo como central improvisado, entre Fonte e Rúben Dias, abrindo uma clareira a meio-campo onde os adversários circularam como quiseram. O desespero apossando-se da equipa, que terminou o jogo com três trincos de origem: Danilo, Palhinha e Rúben Neves. 

A derrota de ontem começou a construir-se em Dublin. Quando o seleccionador, improvisando sempre, decidiu mudar seis jogadores da equipa-base, que actuou sem qualquer esquerdino. Dalot, Danilo, Matheus Nunes, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes (fora da convocatória inicial) e André Silva alinharam de início. Ontem, nova alteração radical com sete outros titulares: Cancelo, Fonte, Rúben Dias, Nuno Mendes, Renato, Moutinho e Jota.

 

3

Consumada a derrota, Bernardo Silva disse logo tudo numa curta frase: «Péssimo jogo de Portugal.» Não adianta iludir as evidências: são palavras dirigidas, antes de mais ninguém, ao seleccionador.

É, portanto, um ciclo que chega ao fim. 

Tal como defendi a saída de Paulo Bento - que sempre havia merecido o meu aplauso - após a nossa humilhante derrota em casa frente à Albânia, no início da campanha para o apuramento do Euro-2016, que tanta alegria nos haveria de dar, concluo agora que o mandato de Fernando Santos se esgotou na prática. É um seleccionador cansado, resignado e cuja ambição se confina ao tal "pontinho" que nos fez resvalar para uma confrangedora mediocridade e um humilhante fracasso em quatro dias. 

 

4

No final de Março haverá um mini-torneio de apuramento que ainda poderá repescar a equipa das quinas para o Mundial do Catar, a disputar em Novembro e Dezembro: serão qualificadas três selecções em doze. Ignoro ainda quem teremos como adversários. Mas estou convicto de que o seleccionador deve ser diferente.

Se eu mandasse - e ele quisesse - promoveria Rui Jorge dos escalões mais jovens à selecção A. Esse é o debate que deve abrir-se a partir de agora.

Reitero a minha consideração, o meu apreço e a minha gratidão por Fernando Santos. E digo-lhe, com toda a sinceridade: chegou o tempo de sair de cena e dar lugar a outro. A vida é assim, o futebol também.

Estou sem tema

O José da Xã e o jpt já fizeram o meu papel de maldizente (ou maledicente, Pedro Oliveira?) com excelentes apontamentos. De modo que eu, que vinha aqui para dizer mal de sua excelência o engenheiro Fernando Santos, só posso vir aqui dizer mal (perdoa-me José da Xã) da santinha. Não é bem dizer mal, é dar-lhe voz, que é coisa nunca feita.

A derrota de ontem, com uma equipa/selecção bem mais modesta que a nossa em valores individuais, é tão mais grave que se viu a determinada altura do jogo a boa da santinha a, sorrateiramente, abandonar o bolso do engenheiro.

Jornalista sagaz, José Maria Pincel, que decidiu e muito bem não perder tempo com exibição tão inútil, logo se apressou a abandonar o seu lugar na ponta esquecida da bancada de imprensa e conseguiu um inédito exclusivo, ouvir o que tinha a dizer a própria da santinha sobre tudo o que lhe aprouvesse sobre o engenheiro.

Do que se poderá reproduzir (esta coisa da auto-censura no jornalismo é um péssimo hábito, mas atenta a função da senhora entende-se) fica apenas isto: " Esse f...36fk%&=#ç*+ do /&%?=50og" que vá treinar prá %&#/(=()/& que o ;?()/&jt$50$"!" "Mas senhora, as queixas são a que nível?", perguntou Zé Maria, enfático e algo receoso por nova resposta acalorada. "Ao nível do básico! Aquela besta aperta-me de tal forma de cada vez que um jogador dos dele dá uma fífia, que tenho a coluna toda feita em picadinho, nem Deus nosso Senhor me safa. E o suor? Não sente o pivete que eu exalo? Aquela manápula sapuda hora e meia a suar de cagufa (o Senhor me perdoe, mas já não aguento mais!), que tenho as vestes todas ensopadas. E já não aguento os tiques do gajo, $&)#/%$%%»?! De cada vez que torce o queixo, dá-me um apertão nas mamas que até vejo estrelas".

- Então, Senhora, o que está a pensar fazer agora que ainda faltam dois jogos para tentar chegar ao Qatar?

- Eu por mim só peço a Deus que me leve para junto Dele, já apresentei a minha resignação ao cargo, nem um santo aguenta isto!

- Mas assim provavelmente ficará ainda um pouco mais difícil...

- Difícil, mas não impossível. Sempre podemos ampatar os dois jogos por 5-0!

Vá-se catar, engenheiro!

Fosse Portugal um país de gente digna e competente, provavelmente o resultado de hoje na Luz originaria diversas demissões.

A principal do seleccionador e restante equipa técnica e quiçá do próprio Presidente da FPF.

Todavia Portugal é um país pequeno. Em tamanho físico e acima de tudo mentalidades. Talvez por isso países europeus mais pequenos que nós, já nos tenham ultrapassado. Desta postura amorfa e tristemente saudosista advém aquele sentimento de “coitadinhos” ao qual tanto gostamos de apelar.

Em futebol, como em qualquer outro desporto, ganhar é fundamental e sempre muito melhor que empatar ou perder. Desde que se queira ou lute por isso.

O que se passou esta noite em Lisboa foi uma autêntica vergonha. Não interessam agora as desculpas, porque estas não se pedem… simplesmente se evitam!

Hoje os jogadores foram os menos culpados… O problema é que o timoneiro desta pobre barcaça percebe tanto de futebol como eu percebo de dinossauros. Afundou a equipa e com esta  a maioria dos portugueses.

Pena que o senhor Engenheiro Fernando Santos nunca tenha conseguido perceber o que estava hoje verdadeiramente em causa. Mas também não lhe explico…

 

Também publicado aqui

O Catar-22 e o Covid-19

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1. No último Europeu escrevi três postais sobre os jogos da selecção: Portugal-Hungria, Portugal-Alemanha, Portugal-França. Em todos coloquei, repetindo-me: "Como é óbvio contestei com vigor e sageza veterana o pendor conservador do nosso engenheiro seleccionador, antevendo uma deslustrada campanha sob tal "motorista". E elogiei a extrema capacidade do nosso engenheiro seleccionador - sempre avesso à fugaz embriaguês do espectáculo - montando uma equipa tacticamente irrepreensível, delineada para enfrentar os gigantes que se sucederão, e clarividente nas letais e oportunas alterações que decidiu, mostrando que iremos longe sob tal "motorista".".

Tal enfática repetição impôs-se, por um lado, para enfrentar o ferino diagnóstico do nosso lendário Otto Glória: "(Em Portugal) quando se perde o treinador é chamado de "Besta". Quando vence, de "Bestial".". Mas, por outro lado, e muito mais importante, porque gosto de Fernando Santos. Estou-lhe grato - como estará a esmagadora maioria dos portugueses, mesmo os que não são adeptos de futebol e até aqueles que estão fartos da orgia futebolística na imprensa e na sociedade - pelo enorme e esfuziante alegria de 2016, um momento lindo no país. E também pelo torneio que posteriormente ganhou, ainda que esse secundário mas que também nos alegrou. Alguns dirão que os triunfos se deveram à sorte do jogo, mas isso quer apoucar a boa condução da equipa nacional e fazer esquecer a competência do seleccionador - que foi eleito "treinador da década" na Grécia, coisa que não é de somenos - e tem uma longa e rica carreira. Mas gosto de Santos não só por gratidão, aprecio-lhe o perfil público, educado, simpático ainda que sempre tenso sob pressão, tão contrastante com o insuportável perfil abrasivo, e até gabarola, de alguns outros treinadores portugueses de sucesso, que todos conhecemos.

2. Dito tudo isto parece-me que a época de Santos na selecção está esgotada. Portugal tem um plantel seleccionável bastante bom, excelentes jogadores titulares em excelentes equipas de excelentes campeonatos, orientados por excelentes técnicos. E esse "ínclita geração" de jogadores preenche todos os sectores, ainda que talvez escasseie a verdadeira excelência em extremos puros e duros, "à antiga". E a selecção portuguesa joga mal, desde há muito, quantas vezes em repelões desordenados, numa quase demissão táctica, como se inacção racional face à esperança nos talentos que ali abundam. E muito do que vem ganhando se deve à fabulosa codícia de Cristiano Ronaldo.

Afirmar a fraca qualidade do futebol da selecção não é maledicência, nesta hora de derrota. Há tanto futebol na televisão, de clubes e de selecções, que a comparação torna evidente essa mediocridade. Vemos selecções jogar ordenamente, mesmo que tenham tão pouco tempo de treino como a portuguesa. Este deficiente futebol da selecção vem causando um enorme desperdício, um quase "deitar fora" desta(s) geração(ões) de futebolistas. Tal mostrou-se na medíocre campanha no Mundial-18, concluída nuns meros oitavos-de-final - numa equipa abúlica, pressionada, e tanto que incapaz de ganhar até ao modesto Irão e assim desperdiçar o acesso a uma sequência de sorteio mais fácil que a poderia ter conduzido tão longe, até porque galvanizando-a. Tal e qual se mostrou no Euro-20(1), também culminado nuns medíocres oitavos-de-final, num percurso desde logo prejudicado dado ter a equipa calhado num "grupo da morte" inicial (com Alemanha e França), exactamente devido à sequência de maus resultados que a fez tombar no "ranking" que ordena os sorteios.

Nesses dois grandes torneios torneios a abundância de bons jogadores, as extraordinárias exibições dos veteranos Cristiano Ronaldo e Pepe, o arreganho colectivo e alguma boa sorte, evitaram o péssimo. Mas conduziram - sempre - a resultados medíocres, ao tal desperdício de tombarmos apenas entre os melhores 16, manifestamente pouco para a qualidade do potencial do ror de seleccionáveis. Qualquer adepto, qualquer "treinador de sofá"  percebe isto, a sequência de resultados menores do que o possível. E mais ainda, Fernando Santos é seleccionador há já 7 anos. E todos podemos perceber que a equipa não flui, não joga sequer "à Santos". Pura e simplesmente, joga pouco. Dá a sensação, nada malévola, que Fernando Santos já não contribui. Já não tem soluções, é assim ele o problema.

3. Todos os ciclos se encerram. Quero crer que depois do triunfo do Euro-16 e da Liga das Nações, Santos teria completado o seu percurso de seleccionador após o Euro-20. Seria o normal em termos de selecção, após dois Europeus e um Mundial. Um outro seleccionador teria sido indicado - talvez Rui Jorge, se num rumo federativo, talvez um outro consagrado que estivesse disponível. Acontece que o Covid-19 atrasou o Europeu-20 e encavalitou-o no apuramento para o Mundial-22. Tornou-se assim difícil, até impraticável, mudar de seleccionador - até pelo prestígio e simpatia de Santos. Estamos então diante de uma situação serôdia, um verdadeiro anacronismo. A equipa pouco joga, segue em deriva táctica e sofre desajustadas opções de jogadores, como mostrou o atrapalhado percurso do meio-campo titular no último Europeu e, talvez ainda mais, no desastre de ontem. E assim já perde o que não seria de perder.

Fernando Santos, usualmente contido em declarações, tanto sente este rumo negativo, a sua incapacidade real, já impotência, em potenciar o material que tem, que já algo desatina em expressões públicas: imediatamente após a derrota no Europeu prometeu o título mundial no Catar, prosápia algo desajustada ao seu perfil. E agora, neste término da classificação para o Mundial, vem não só somar más decisões tácticas como fazer proclamações que demonstram "stress", desajuste: ser "igual empatar ou ganhar 5-0" à Irlanda é realidade pontual mas um tiro no pé sob o ponto de vista moral. E o descalabro, táctico mas também psicológico, neste jogo com a Sérvia é demonstrativo de um seleccionador exausto. Que acumula desperdícios.

4. Há três meses para preparar uma equipa para o apuramento ao Mundial. É tempo suficiente, ainda por cima com tão rico plantel. É também tempo para decisões corajosas. E respeitosas. Escolha-se um novo seleccionador - que dado o momento complicado não poderá vir dos quadros da federação, terá de ter não só competência mas também peso simbólico. E que esteja adequado, actualizado, com as tácticas dominantes no actual topo do futebol mundial, que de nada serviria apelar  a um consagrado em nome de um passado bem-sucedido, aportado para encerrar a carreira em lugar honorífico. Trata-se de chamar um Jardim (se sair das Arábias), um Fonseca, um Vilas-Boas, para exemplos, gente que esteja no topo da carreira. E então poderemos dizer, com respeito, com carinho, com desportivismo, com gratidão: "Fernando, Obrigado pelas memórias, mas é tempo para dizermos Adeus"!

5. Nesta noite em que a Sérvia veio ganhar a Lisboa, apurando-se para o Catar-22 e remetendo-nos para um insondável "play-off", e em que todos resmungamos com o seleccionador Santos e com (alguns) jogadores, será avisado lembrar um facto que causou esta situação. Portugal foi jogar à Sérvia para o apuramento do Mundial. A Federação Portuguesa de Futebol não requereu o funcionamento do VAR nesse jogo, como lhe competia. O jogo terminou empatado devido à invalidação de um golo limpo de Cristiano Ronaldo que lhe teria dado a vitória, e que a tecnologia teria validado. E muito provavelmente o apuramento directo. 

Ou seja, é totalmente incoerente pedir a demissão de Santos e não exigir a essa instituição de utilidade pública que assuma a sua inenarrável incúria. E que anuncie a demissão dos quadros directivos responsáveis por tamanha incompetência.

 

Certificado AAAAA A

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Quando compramos um frigorífico quanto mais AAs melhor, maior eficácia energética terá.

Quando escolhemos um guarda-redes para titular da selecção nacional de futebol, suponho (serei só eu?) que  menos AAs será melhor.

Os AAs do título representam os golos sofridos por Diogo nos dois últimos jogos, cinco mais um.

Está de parabéns Diogo Costa pela primeira internacionalização A, está de parabéns o engenheiro do penta, sempre a somar.

Quando a cabeça não tem juízo

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Parece que foi ontem, já passaram dez anos.

A selecção estagiava em Óbidos e houve um jogador que fugiu da "equipa de todos nós".

Anos mais tarde, há um seleccionador, adepto da bandalheira, que foi pedir desculpas a esse jogador e pedir-lhe, por favor, para regressar à selecção.

Há episódios que definem o carácter de uma pessoa, o respeito, a disciplina que um líder impõe num grupo, infelizmente, neste caso, a cabeça não tem tem juízo mas o povo é que lhe paga, o vencimento milionário (segundo AHR) de 2.5 milhões de euros anuais.

Inspirado neste postal do Carvalho, de Rui Rocha.

Obrigado, Benfica

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Este Portugal-Irlanda ficará na história. Pelo histórico record de golos em selecções, mais uma marca fenomenal de Cristiano Ronaldo, esta particularmente significante. Mas também porque foi o início da nossa caminhada para o título mundial de 2022. É certo que não foi o início do apuramento para o Catar mas foi o primeiro jogo após a  promessa de título feita pelo seleccionador, logo após o final da insuficiente campanha no último Europeu. E sendo Fernando Santos sempre parco em promessas destemperadas foi evidente que essas afirmações significaram que o título mundial é o objectivo, e que há a consciência, tanto no seleccionador como na FPF, da sua possibilidade muito efectiva. Assim sendo, tudo o que seja menos do que a final no Catar será um insucesso.

Este acentuado "levantar da fasquia" por parte de Fernando Santos deve ter sido pensado após a análise do quadro alargado de presumíveis seleccionados para o próximo ano. Em termos de jogadores já amadurecidos - grosso modo, de Cristiano e Pepe a Ruben Dias ou Palhinha, dos quase quarentões aos que têm cerca dos 25 anos. E também dos mais jovens já algo consagrados, e que já estavam na equipa do último "Euro" ou haviam estado nas cogitações do seleccionador - como são exemplos os jovens laterais Dalot e Nuno Mendes. 

Mas decerto que essa crença de Santos na obtenção do título mundial assenta em algo mais, num conhecimento exaustivo de jogadores que irão surgir aos olhos do grande público, "explodir" por assim dizer, e que nos próximos 15 meses virão a ser lançados na selecção, porventura até substituindo alguns dos nomes agora habituais.

Neste Portugal-Irlanda tivemos o primeiro exemplo dessa renovação da selecção, que tanto a reforçará. Foi uma vitória difícil, conseguida in extremis devido à já lendária codícia de Cristiano Ronaldo. Mas muito se deveu ao contributo de um outro jogador: João Mário - capaz do passe para o golo decisivo, tão cheio de classe e calma apesar do momento tardio (51º minuto da segunda parte), quando tantas vezes já predomina o "querer" e escasseia a calma para as melhores opções.

Excelente prenúncio. Nunca vira jogar este jovem, apenas lera sobre ele. De facto, foi algo falado durante a época transacta, tendo sido titular, como uma espécie de "maestro", da equipa do Benfica sub-23, a qual tão bons resultados obteve. Se isso não foi do conhecimento do "grande público" não terá escapado à observação da equipa técnica da selecção. Pelo que anunciava então e pelo que demonstra  agora presumo que João Mário não tenha então integrado a equipa do Europeu - apesar de ser a mais extensa das convocatórias, alargada a 26 jogadores devido às temidas implicações do Covid-19 - apenas devido à sua imaturidade. Mas bem esteve o Benfica ao fazê-lo agora ascender ao plantel sénior - não o emprestando para "rodar", o que nem sempre tem bons resultados principalmente em jogadores de fino recorte técnico como este é. E assim João Mário, tendo já cumprido uma pré-época com Jorge Jesus, treinador conhecido por tanto moldar os seus jogadores, potenciando-lhes as capacidades técnicas e a argúcia táctica, demonstra estar já "mais jogador", capaz de outros voos. Porventura até já apresentando outros indíces físicos, frutos de um trabalho atlético mais exigente do que aquele a que estava sujeito na época transacta.

Nesse sentido, e por apreço à selecção, a sempre "equipa de todos nós", e sem clubismos exarcebados, cumpre-me agradecer ao Benfica este contributo da sua formação. E ao seleccionador agradeço a sua compenetrada atenção aos jogadores seleccionáveis. Sem ficar preso a estatutos ou idades. Nem aos clubes de pertença.

A selecção só para alguns...

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Mais de 30 jogos e dois títulos conquistados, foram insuficientes para convencer o inginheiro Nandinho cinzentão a convocar João Mário. Bastaram porém meia-dúzia de jogos com diferente camisola, para regressar à selecção nacional.

Pedro Gonçalves que não sendo propriamente um ponta-de-lança, foi o melhor marcador da época passada, lá acabou convocado para o Euro 2020, mas não foi utilizado, apesar da incapacidade da selecção em marcar golos, à excepção de um jogador.

Tendo tomado conhecimento que o médio do Sporting C.P., Matheus Nunes, acabou de adquirir nacionalidade portuguesa, o seleccionador português ignorou a oportunidade e perdeu-a para o futuro, porque o seu congénere brasileiro, que muito provavelmente não ignora a nova condição de dupla-nacionalidade, apressou-se a convocar o jovem médio para a selecção brasileira, que nunca é uma equipa de segundo plano, bem pelo contrário.

Percebe-se a hesitação do inginheiro, o patrão de quem recebe ordens, um tal a quem chamam super-agente, tem andado ocupado com uma transferência mediática à escala planetária e sem ordens superiores, o burocrata amanuense não arrisca, limita-se à sua previsível mediocridade habitual.

Claro que haverá quem vá interpretar estas linhas como ressabiamento ou clubite exacerbada, mas os factos são o que são. A chamada de Gonçalo Inácio é quase uma obrigação, afinal substitui na convocatória José Fonte, em fim de carreira e não abundam centrais portugueses disponíveis.

Deixei de me interessar pelos jogos da selecção, que normalmente nem vejo, condição que manterei enquanto a FPF mantiver o inginheiro no cargo...

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