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És a nossa Fé!

Certificado AAAAA A

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Quando compramos um frigorífico quanto mais AAs melhor, maior eficácia energética terá.

Quando escolhemos um guarda-redes para titular da selecção nacional de futebol, suponho (serei só eu?) que  menos AAs será melhor.

Os AAs do título representam os golos sofridos por Diogo nos dois últimos jogos, cinco mais um.

Está de parabéns Diogo Costa pela primeira internacionalização A, está de parabéns o engenheiro do penta, sempre a somar.

Quando a cabeça não tem juízo

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Parece que foi ontem, já passaram dez anos.

A selecção estagiava em Óbidos e houve um jogador que fugiu da "equipa de todos nós".

Anos mais tarde, há um seleccionador, adepto da bandalheira, que foi pedir desculpas a esse jogador e pedir-lhe, por favor, para regressar à selecção.

Há episódios que definem o carácter de uma pessoa, o respeito, a disciplina que um líder impõe num grupo, infelizmente, neste caso, a cabeça não tem tem juízo mas o povo é que lhe paga, o vencimento milionário (segundo AHR) de 2.5 milhões de euros anuais.

Inspirado neste postal do Carvalho, de Rui Rocha.

Obrigado, Benfica

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Este Portugal-Irlanda ficará na história. Pelo histórico record de golos em selecções, mais uma marca fenomenal de Cristiano Ronaldo, esta particularmente significante. Mas também porque foi o início da nossa caminhada para o título mundial de 2022. É certo que não foi o início do apuramento para o Catar mas foi o primeiro jogo após a  promessa de título feita pelo seleccionador, logo após o final da insuficiente campanha no último Europeu. E sendo Fernando Santos sempre parco em promessas destemperadas foi evidente que essas afirmações significaram que o título mundial é o objectivo, e que há a consciência, tanto no seleccionador como na FPF, da sua possibilidade muito efectiva. Assim sendo, tudo o que seja menos do que a final no Catar será um insucesso.

Este acentuado "levantar da fasquia" por parte de Fernando Santos deve ter sido pensado após a análise do quadro alargado de presumíveis seleccionados para o próximo ano. Em termos de jogadores já amadurecidos - grosso modo, de Cristiano e Pepe a Ruben Dias ou Palhinha, dos quase quarentões aos que têm cerca dos 25 anos. E também dos mais jovens já algo consagrados, e que já estavam na equipa do último "Euro" ou haviam estado nas cogitações do seleccionador - como são exemplos os jovens laterais Dalot e Nuno Mendes. 

Mas decerto que essa crença de Santos na obtenção do título mundial assenta em algo mais, num conhecimento exaustivo de jogadores que irão surgir aos olhos do grande público, "explodir" por assim dizer, e que nos próximos 15 meses virão a ser lançados na selecção, porventura até substituindo alguns dos nomes agora habituais.

Neste Portugal-Irlanda tivemos o primeiro exemplo dessa renovação da selecção, que tanto a reforçará. Foi uma vitória difícil, conseguida in extremis devido à já lendária codícia de Cristiano Ronaldo. Mas muito se deveu ao contributo de um outro jogador: João Mário - capaz do passe para o golo decisivo, tão cheio de classe e calma apesar do momento tardio (51º minuto da segunda parte), quando tantas vezes já predomina o "querer" e escasseia a calma para as melhores opções.

Excelente prenúncio. Nunca vira jogar este jovem, apenas lera sobre ele. De facto, foi algo falado durante a época transacta, tendo sido titular, como uma espécie de "maestro", da equipa do Benfica sub-23, a qual tão bons resultados obteve. Se isso não foi do conhecimento do "grande público" não terá escapado à observação da equipa técnica da selecção. Pelo que anunciava então e pelo que demonstra  agora presumo que João Mário não tenha então integrado a equipa do Europeu - apesar de ser a mais extensa das convocatórias, alargada a 26 jogadores devido às temidas implicações do Covid-19 - apenas devido à sua imaturidade. Mas bem esteve o Benfica ao fazê-lo agora ascender ao plantel sénior - não o emprestando para "rodar", o que nem sempre tem bons resultados principalmente em jogadores de fino recorte técnico como este é. E assim João Mário, tendo já cumprido uma pré-época com Jorge Jesus, treinador conhecido por tanto moldar os seus jogadores, potenciando-lhes as capacidades técnicas e a argúcia táctica, demonstra estar já "mais jogador", capaz de outros voos. Porventura até já apresentando outros indíces físicos, frutos de um trabalho atlético mais exigente do que aquele a que estava sujeito na época transacta.

Nesse sentido, e por apreço à selecção, a sempre "equipa de todos nós", e sem clubismos exarcebados, cumpre-me agradecer ao Benfica este contributo da sua formação. E ao seleccionador agradeço a sua compenetrada atenção aos jogadores seleccionáveis. Sem ficar preso a estatutos ou idades. Nem aos clubes de pertença.

A selecção só para alguns...

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Mais de 30 jogos e dois títulos conquistados, foram insuficientes para convencer o inginheiro Nandinho cinzentão a convocar João Mário. Bastaram porém meia-dúzia de jogos com diferente camisola, para regressar à selecção nacional.

Pedro Gonçalves que não sendo propriamente um ponta-de-lança, foi o melhor marcador da época passada, lá acabou convocado para o Euro 2020, mas não foi utilizado, apesar da incapacidade da selecção em marcar golos, à excepção de um jogador.

Tendo tomado conhecimento que o médio do Sporting C.P., Matheus Nunes, acabou de adquirir nacionalidade portuguesa, o seleccionador português ignorou a oportunidade e perdeu-a para o futuro, porque o seu congénere brasileiro, que muito provavelmente não ignora a nova condição de dupla-nacionalidade, apressou-se a convocar o jovem médio para a selecção brasileira, que nunca é uma equipa de segundo plano, bem pelo contrário.

Percebe-se a hesitação do inginheiro, o patrão de quem recebe ordens, um tal a quem chamam super-agente, tem andado ocupado com uma transferência mediática à escala planetária e sem ordens superiores, o burocrata amanuense não arrisca, limita-se à sua previsível mediocridade habitual.

Claro que haverá quem vá interpretar estas linhas como ressabiamento ou clubite exacerbada, mas os factos são o que são. A chamada de Gonçalo Inácio é quase uma obrigação, afinal substitui na convocatória José Fonte, em fim de carreira e não abundam centrais portugueses disponíveis.

Deixei de me interessar pelos jogos da selecção, que normalmente nem vejo, condição que manterei enquanto a FPF mantiver o inginheiro no cargo...

Parafraseando Herman José

O artista e comediante tem uma frase emblemática que é "até que enfim que aparecem gajas boas" meio falado, meio cantado.

Fernando Santos terá dito o mesmo quando se apercebeu que no Benfica estava um jogador crucial para o jogo da selecção e segundo fontes seguras terá exclamado, atónito "mas como é que apareceu um médio tão bom e eu andei distraído?"

Ainda bem que Jorge Mendes lhe chamou a atenção...

Submissão e afirmação, 74

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Há diferenças.

O clube do regime, o clube da exclusão, o clube da submissão.

O Sporting Clube de Portugal, sinónimo de integração, onde todos são bem acolhidos, onde há pessoas.

No Sporting não há estrangeiros, não há portugueses, há seres humanos com um leão rampante no peito.

Ontem, minuto 74, o treinador acredita que com os portugueses não vai lá, com os portugueses não descobrimos o caminho para os milhões, toca a tirar os dois únicos portugueses que tinham entrado no início do jogo, João e Rafael, 'bora lá para dentro o brasileiro Cebolinha e o francês Maité.

O Benfica de ontem, lembra-me uma quadra de Sérgio Godinho:

"Esbanjaste muita vida nas apostas

E agora trazes o desgosto às costas

Não se pode estar direito

Quando se tem a espinha torta".

Dum lado, um clube que está direito, que é primeiro no campeonato, que no último jogo entrou em campo com nove portugueses mas com um capitão de equipa uruguaio.

Do outro, um clube de espinha torta, que entra em campo com dois portugueses, no minuto 74, tira-os do jogo, falta pouco, os portugueses não servem para sacrifícios, que chore o Cebolinha, que corra o "franciu".

Para Jesus, João Mário e Rafa não prestam, não confiou neles no jogo mais importante da época.

Fernando Santos e tu?

Dos nove titulares do Sporting e dos dois substituídos do Benfica, quantos vais convocar?

"Aí Portugal, Portugal,

De que é que tu estás à espera?

Na era Ronaldo

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Há anos que ouço dizer que Cristiano Ronaldo está acabado para a selecção. Já Carlos Queiroz, quando foi seleccionador, tentou encostá-lo às cordas e mostrar quem mandava - atitude própria dos fracos.

Quem saiu pela esquerda baixa foi ele. Onde anda agora?

 

Fernando Santos é o seleccionador português que mais soube congregar os grupos de trabalho. Os jogadores adoram trabalhar com ele. Nunca teve conflito com nenhum.

Neste quadro, Cristiano Ronaldo é essencial. Sem ele não teríamos sido campeões da Europa nem vencido a Liga das Nações. Nenhuma dúvida quanto a isso.

Pepe, idem.

Um já completou 36 anos, outro está quase a fazer 39. Mas ambos teriam lugar em qualquer selecção que disputa este Campeonato da Europa. 

Apontar-lhes agora a porta de saída, como agora faz tanta gente excitada nas redes sociais, não tem o menor sentido.

Os medíocres é que devem sair, não os campeões.

 

Qualquer selecção adoraria ter um Ronaldo: 109 golos marcados com a camisola das quinas, 21 só em fases finais de Mundiais e Europeus, 48 nos últimos 46 jogos em representação de Portugal.

É neste momento ainda o melhor marcador do Euro-2021. Em Europeus, só Platini (em 1984) e Griezmann (em 2016) marcaram mais. 

Na era Ronaldo, Portugal foi campeão europeu (2016), vice-campeão europeu (2004), semifinalista num Mundial (2006) e semifinalista noutro Europeu (2012). E o capitão contribuiu como nenhum outro para a conquista da Liga das Nações (2019).

 

Sou-lhe grato. E sei bem do que falo: pertenço a uma geração que andou décadas a celebrar um terceiro lugar num Mundial e uma semifinal num Europeu.

Era o melhor que se arranjava naquela época. Felizmente esse tempo acabou. 

O onze que não vi

Estou com Fernando Santos quando entende a selecção como uma equipa, seleccionando conforme as necessidades da mesma e não como prémio para os bons desempenhos nos clubes, e previlegiando o espírito de equipa e o compromisso de todos. Tempos houve em que não foi assim, havia grupos e grupinhos, houve Saltillo e houve muito mais. Até aí tudo bem.

Fernando Santos fez as suas escolhas e levou para o Euro um plantel alargado, numa linha de continuidade com as escolhas anteriores, Cancelo ficou de fora definitivamente e não se percebe bem porquê, foi substituído por Dalot. Nestes quatro jogos os onze foram variando, as substituições também, e no fim alguns jogadores nem sequer calçaram.

Mas ficou evidente que houve escolhas difíceis de entender como a de William Carvalho depois duma época para esquecer, e muitos jogadores gastos por temporadas exigentes e que nunca mereceram a titularidade.

E, pelo menos para mim, ficou a frustação de nunca ter visto um onze mais coincidente com uma selecção que procurasse a felicidade em vez de esperar sentada que ela acontecesse.

O onze que gostaria de ter visto era o seguinte:

Rui Patrício; Cancelo, Pepe, Rúben Dias e Nuno Mendes; Danilo; Renato Sanches, Bruno Fernandes e Pedro Gonçalves; Cristiano Ronaldo e André Silva.

Depois há alternativas óbvias, Palhinha podia muito bem ter alternado com Danilo na posição de trinco, embora Danilo funcione melhor na articulação com os centrais, Raphael Guerreiro em vez de Nuno Mendes em momentos de reforçar o ataque, Dalot em qualquer dos lados para defender ou Pedro Gonçalves e André Silva a alternar com Jota, Bernardo Silva ou João Félix. Mas Renato Sanches e Bruno Fernandes, como Pepe e Rúben Dias, e obviamente Cristiano Ronaldo, seriam sempre titulares e a sair só por cansaço. 

Quem não tinha lugar nem no onze nem no banco eram William Carvalho, João Moutinho, Nelson Semedo e Rafa. 

Mas isto sou eu a pensar.

Qual seria o onze que gostariam de ter visto no Euro?

SL

Tantos jogadores em má forma física

Texto de Miguel

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Qualquer equipa pode perder com a Bélgica, a propósito disso nada a dizer.

O único remoque que faria ao engenheiro seria a propósito de uma certa falta de imaginação: não haveria maneira de alargar o jogo, conseguir fazer chegar à linha de fundo mais amiúde de modo a que os avançados recebessem a bola de frente para a baliza para, no mínimo, obter mais cantos

Juntar o Nuno Mendes e o Raphaël Guerreiro à esquerda, avançar o Dalot (bela estreia) no apoio ao Bernardo Silva ou outro, guardando uma linha de três defesas que ontem [anteontem] aliás fez um excelente final de jogo?

Bem, isto vale o que vale, é muito fácil mandar bitaites de fora.

 

De qualquer modo, com tantos dos jogadores principais em má condição física é muito difícil fazer valer o argumento de que esta equipa sendo tão forte devia fazer muito melhor do que fez.

A conclusão não segue da premissa. Ou alguém imagina a França a jogar pelo título com o Griezmann, o Kanté, o Pogba e o Mbappé sentados no banco e com os jogadores do Lille em campo?

 

Texto do leitor Miguel, publicado originalmente aqui.

Perder ou ganhar, tempo

"Todos os ciclos têm o seu fim. O do seleccionador Fernando Santos - que prescindiu de Nuno Mendes e Pedro Gonçalves, campeões nacionais pelo Sporting que nunca calçaram neste Euro-2021 - aproxima-se do epílogo. Mas esse é outro debate: haverá tempo e espaço para o fazer. Talvez só após o Mundial que vai disputar-se no Catar em 2022."

Esta frase é de Pedro Correia no post abaixo e tem toda a pertinência.

Para mim é mais que evidente que o ciclo de Fernando Santos na selecção terminou. Tenho todo o apreço pelo cidadão Fernando Santos e pelos títulos que ajudou a conquistar para o futebol português, mas como tudo na vida, chegou ao fim o seu tempo. As razões já lá estavam há largo tempo, a insistência em jogadores-fetiche que nada acrescentam(taram) ao colectivo, antes o diminuem (William Carvalho, Danilo, Bernardo Silva, João Moutinho, Raphael Guerreiro) e o facto de não ter conseguido a qualificação num grupo perfeitamente acessível no primeiro lugar, atirou-o para o tal grupo da morte na fase final, de onde a equipa saiu chamuscada e ferida de asa.

Não teria sido grave, se o técnico campeão europeu tivesse dado ouvidos ao imenso rumor dos adeptos. Eu bem sei que isto não se comanda de fora, mas que diabo, passará pelo cabeça de Fernando Santos que ao convocar para não utilizar Nuno Mendes e Pedro Gonçalves, privou a selecção de dois excelentes executantes e mais, privou a equipa de sub-21 de uma possível vitória no Euro que recentemente disputou? Rui Jorge parece ser um homem calmo, mas fosse comigo e haveria um tornado em Oeiras...

A questão que se coloca aqui é simples: Vai a federação esperar mais um ano com Fernando Santos ao leme, prosseguindo este com a sua teimosia a insistir nos mesmos jogadores que já se viu que nada acrescentam, ou conversa com o engenheiro e acertam uma despedida do seleccionador/treinador, de forma a garantir uma transição calma e uma aposta em quem realmente merece fazer parte do grupo?

Eu penso que é este o tempo de não se perder tempo. Esperar é deixar continuar o declínio de uma equipa que joga cada vez menos, dá cada vez menos espectáculo e pior, obtem cada vez mais, piores resultados.

 Termino com um sincero obrigado a Fernando Santos, mas com um convicto pedido de que pense seriamente na qualificação e na fase final deste Euro 2020 e nas suas consequências e se despeça enquanto o descalabro não é mais retumbante. 

 

Nota: Para que não restem dúvidas, Cristiano Ronaldo continuará a ser, por mais algum tempo e se não tiver lesões, imprescindível à selecção.

 

A ver o Europeu (21)

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BÉLGICA ELIMINA PORTUGAL

No primeiro jogo do tudo-ou-nada, houve um tropeção. Que nos foi fatal. Frente à selecção belga, classificada como número 1 do mundo pela FIFA. Derrota tangencial em Sevilha, perante 14 mil espectadores nas bancadas: os belgas marcaram na única verdadeira oportunidade que tiveram num brilhante lance individual de Thorgan Hazard, aos 42'. Enquanto nós fomos incapazes de a meter lá dentro: houve 24 remates, grande parte dos quais por cima ou ao lado. O melhor - por Raphael Guerreiro, de pé direito - embateu no poste, aos 83', já com Courtois batido. Aos belgas, com apenas 44% de posse de bola e sem um só canto a seu favor, bastou rematar seis vezes para vencer.

Claro domínio português na segunda parte que foi crescendo de intensidade até ao apito final. Mas que só se tornou indiscutível quando Fernando Santos, com manifesto atraso, fez as substituições que se impunham: tirou Bernardo Silva e João Moutinho, os elementos mais fracos do onze titular, metendo em campo João Félix e Bruno Fernandes, que refrescaram a equipa e lhe deram alguma acutilância. Sobretudo só a partir daí os nossos flancos passaram a funcionar em dinâmica ofensiva. 

Bernardo nunca conseguiu acelerar o jogo e foi incapaz de fazer a diferença lá na frente. E teve também responsabilidade no golo belga: Thorgan bateu-o em velocidade e o avançado do City ficou a marcar com os olhos, consentindo o remate de meia-distância. Também Rui Patrício pareceu algo lento a reagir e mal posicionado, apesar de a bola ter entrado no centro da baliza.

 

Dos onze que entraram de início, neste jogo em que tivemos menos 48 horas para descansar do que os "diabos vermelhos", havia seis campeões europeus: Rui Patrício, Pepe, Guerreiro, Moutinho, Renato Sanches e Cristiano Ronaldo. O capitão português, muito marcado, desta vez foi incapaz de fazer a diferença - excepto num livre directo que levava selo de golo mas acabou interceptado por Courtois, o melhor em campo. Estavam decorridos 25 minutos: era o nosso primeiro remate enquadrado. O que resume em larga medida a nossa primeira parte, em que abdícámos da iniciativa atacante, sobretudo pelos corredores laterais. E só despertámos para a pressão no segundo tempo, correndo atrás do prejuízo.

Tivemos 88% de eficácia de passe. Mas a finalização, do nosso lado, parecia ter rumado a parte incerta. Palhinha, João Félix, Bruno Fernandes e o próprio Ronaldo falharam neste capítulo. Bernardo nem tentou. Mas o destaque pela negativa vai para Diogo Jota, uma autêntica nulidade. Isolado por Renato logo no minuto 6, num passe em lance corrido que cheirava a assistência para golo, o avançado do Liverpool rematou muito torto, bem para longe da baliza. Titular absoluto neste Europeu, nunca demonstrou ter qualidade para merecer a confiança que o seleccionador lhe deu. Aos 58', voltou a falhar com estrondo - desta vez assistido por Cristiano.

 

Pepe anulou bem Lukaku, o adversário mais temível. Palhinha neutralizou De Bruyne, um dos melhores jogadores do mundo. Guerreiro chegou e sobrou no confronto individual com Meunier. O problema da nossa equipa residia lá na frente: demasiados nervos à solta, demasiada intranquilidade, demasiada incompetência.

Campeões europeus desde 2016, cinco anos depois vamos ceder o título a outra selecção. Que bem pode ser a belga, embora também italianos e franceses sejam sérios candidatos. É verdade que nunca a Bélgica apresentou uma equipa tão forte num Campeonato da Europa. Mas não é menos certo que esta é a primeira vez em que somos afastados em fase tão prematura de um Europeu. Os nossos piores desempenhos antes deste aconteceram em 1996 e 2008, quando caímos nos quartos-de-final.

Todos os ciclos têm o seu fim. O do seleccionador Fernando Santos - que prescindiu de Nuno Mendes e Pedro Gonçalves, campeões nacionais pelo Sporting que nunca calçaram neste Euro-2021 - aproxima-se do epílogo. Mas esse é outro debate: haverá tempo e espaço para o fazer. Talvez só após o Mundial que vai disputar-se no Catar em 2022.

 

Bélgica, 1 - Portugal, 0

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Frente à selecção n.º 1 da FIFA, acabou por ter pouco trabalho. O golo belga foi a única ocasião em que enfrentou verdadeiro perigo. Infelizmente teve reflexos mais lentos do que Courtois na baliza contrária ao negar golos a Cristiano Ronaldo e André Silva.

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta a titular pela selecção A. No essencial, cumpriu no capítulo defensivo. Mas foi demasiado tímido nas incursões ofensivas, sobretudo no primeiro tempo. Comportamento infantil aos 51', chutando a bola com o jogo parado: custou-lhe o cartão amarelo.

 

Pepe - O mais velho jogador de campo do Euro-2021, com 38 anos, voltou a ser pedra basilar. Imbatível no eixo da defesa, enfrentou com êxito Lukaku. Corte exemplar aos 66', negando o golo ao artilheiro do Inter. No quarto de hora final foi jogar lá na frente, como se fosse avançado.

 

Rúben Dias - Fez boa parceria com Pepe. Ambos tinham pela frente uma selecção que marcou 40 golos na fase de apuramento e não se deixaram atemorizar por isso. Cabeceou com perigo, aos 82', após canto de Bruno Fernandes. Com outro guarda-redes talvez tivesse entrado.

 

Raphael Guerreiro - A sua melhor exibição do Europeu ocorreu neste desafio. Corte impecável aos 40'. Redobrou de protagonismo ofensivo na segunda parte, com vários cruzamentos bem medidos. Esteve quase a marcar aos 83': Courtois já estava batido mas a bola foi ao poste.

 

Palhinha - Ganhou estatuto na selecção, como ficou comprovado neste jogo - o seu primeiro como titular no Europeu. Infelizmente, foi também o último. Não merecia voltar já para casa: bom desempenho na recuperação e no desarme. Só falhou no disparo de meia-distância.

 

João Moutinho - Incompreensível, esta reiterada aposta do seleccionador. Precisávamos de um acelerador de jogo no eixo do terreno: rápido, vertical, incisivo. Moutinho não tem nenhuma destas características. Saiu aos 56', comprovando que o tempo dele na selecção acabou.

 

Renato Sanches - Com 91% de eficácia de passe, talvez o melhor português neste jogo. No primeiro tempo foi o que mais tentou remar contra a maré: desequilibrou, transportou com qualidade, nunca deu um confronto por perdido. Quase assistiu para golo aos 6'. Saiu aos 78'.

 

Bernardo Silva - Outro mistério: como é que foi titular nos quatro jogos de Portugal neste Europeu? Voltou a ter uma exibição medíocre, tanto no flanco direito ofensivo como em missão defensiva: tem clara responsabilidade no golo belga, ao deixar fugir Hazard. Saiu só aos 56'.

 

Diogo Jota - Divide com Bernardo o "prémio" de pior em campo. Pedia-se goleador - e falhou em toda a linha. A ala esquerda, onde actuou, ficou sempre desequilibrada: quase não ganhou um confronto individual e parecia até fugir da bola. Espantosamente, esteve em campo até aos 70'.

 

Cristiano Ronaldo - Nem ele conseguiu fazer a diferença. Mas se há jogador que não merecia ir mais cedo para casa é precisamente o capitão. A primeira clara oportunidade de golo foi dele, na marcação de um livre, aos 25': Courtois defendeu in extremis. Aos 58', assistiu para Jota falhar.

 

João Félix - Saltou do banco (56'), rendendo Bernardo. Procurou a bola mas faltou-lhe talento na zona da decisão. Cabeceou à figura, aos 61'. Atirou por cima aos 82', rematou ao lado aos 90'+4. Tentou mergulhar para a piscina, cavando um livre. O árbitro não se deixou enganar.

 

Bruno Fernandes - O que se passa com o melhor jogador da Liga inglesa? Desta vez só entrou aos 56', por troca com Moutinho. Aos 82', marcou bem um canto que podia ter dado golo. Mas falhou remates quando se exigia mais precisão: atirou muito por cima aos 62' e aos 90'+2.

 

André Silva - Imperdoável, a escassíssima utilização neste Europeu do segundo melhor artilheiro da Liga alemã. Neste jogo entrou aos 70', substituindo o inútil Jota. Desperdiçou um bom passe de Bruno Fernandes (80'). Mas quase marcou aos 88': Courtois, atento, impediu o empate.

 

Sérgio Oliveira - Entrou aos 78', para refrescar o meio-campo, substituindo um exausto Renato Sanches. Tentou dar consistência e acutilância às nossas acções ofensivas, infelizmente sem oportunidade para testar o seu famoso pontapé de meia-distância.

 

Danilo - Entrou aos 78', rendendo Palhinha, já amarelado. Útil nas dobras defensivas, numa fase em que Pepe já actuava lá na frente, como se fosse um avançado. Desarmou Lukaku aos 86'. Esteve melhor ainda, abortando uma ofensiva muito perigosa de Carrasco, aos 90'+4.

Patinho feio

 

Neste momento estamos a perder por 1-0. Fernando Santos resolveu mexer na equipa e efectuou uma dupla subsituição, entraram Bruno Fernandes e o "menino 120 milhōes".

Interrogo-me: será Pedro Gonçalves o patinho feio desta equipa? Não será o melhor marcador do campeonato português digno de jogar nesta equipa?

 

P.S.-1: Entrou agora, para reforçar o que digo, na equipa portuguesa, o melhor marcador do campeonato alemão.

P.S.-2: Agora entraram Danilo e Sérgio Oliveira...

 

P.S.-3: Adeus, até à próxima!

E se o Rúben fosse seleccionador?

Vou lendo por aqui e por ali diversas e diferentes opiniões sobre os jogadores que foram convocados, mas acima de tudo sobre as tácticas usadas por Fernando Santos. Não faço qualquer juízo de valor sobre o trabalho do seleccionador até porque, como disse o Edmundo, sou outrossim dono de um nível zero de treinador.

Posto isto gostaria de perguntar ao "nosso" treinador Rúben Amorim que jogadores colocaria em campo e, mais do que tudo, qual a táctica que colocaria em campo?.

Digam o que disserem, Rúben Amorim foi o único que conseguiu fazer de um conjunto de jogadores uma boa e temível equipa.

E logo à tarde/noite deveria estar em Sevilha uma equipa e não só um conjunto de meros jogadores de futebol

Porque não joga quem está melhor?

Texto de João Rafael

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Fernando Santos levou-nos a uma conquista inédita em 2016, com um conjunto de jogadores muito inferior, em qualidade, quando comparado com o actual. Tivemos a sorte que não tivemos em 2000 e 2004; os deuses da bola já estavam em dívida para connosco. O que não lhe dá crédito infinito.

O Mundial de 2018 foi péssimo (para um campeão europeu) e o apuramento para este Euro também não foi espectacular: ficámos em segundo, atrás da Ucrânia, e isso colocou-nos na rota de Alemanha e França. Mas, muito honestamente, há coisas que não compreendo: porque não jogam os jogadores em melhor forma?

Bernardo, aos 15 minutos, estava cansado; William e Danilo parecem dois velhinhos de 80 anos; Bruno Fernandes, que comanda uma das melhores equipas do mundo, com números astronómicos, anda sempre perdido em campo porque é utilizado fora de posição.

 

O problema não está em perder com a Alemanha.

É alguma vergonha? Não, não é.

A questão tem a ver com a maneira como se perde, denotando, aqui e ali, falta de de organização e, sobretudo, de adaptação às vicissitudes do jogo.

Os quatro golos dos alemães foram praticamente iguais! Qual a razão para isto não ser corrigido logo após o primeiro golo, recuando Danilo para central e juntando Bruno Fernandes a William?

Temos dos jogadores que melhor tratam a bola, a nível mundial, e o nosso sistema de jogo passa por... não ter bola! Como se não bastasse, os dois médio-centros são pouco agressivos na recuperação da mesma. Nesta circunstância, Palhinha e Renato faziam um serviço muito melhor!

Bruno nas costas de CR7 para visar a baliza, como tanto gosta.

 

Mas concordo que há portugueses que gostam de torcer a faca e provavelmente até cantarão "A Marselhesa" na quarta-feira... 

 

Texto do leitor João Rafael, publicado originalmente aqui.

Sim, eu apoio a selecção

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Não idolatro treinador algum. Nem sequer Rúben Amorim. Nem Pep Guardiola.

Mas recuso ler uma vitória por 3-0 contra a Hungria da mesma forma que uma derrota por 2-4 contra Alemanha. Usando exactamente as mesmas palavras e os mesmos argumentos. Só porque não ou só porque sim.

 

Também recuso recorrer a chavões, próprios das conversas de café.

Alguns exemplos:

- "Ah e tal, eu não apoio a selecção porque não estão lá a jogar os jogadores do Sporting." Mas se estivessem, quem fala assim já apoiava. São princípios de geometria muito variável. Não são os meus. Desde logo porque não confundo Clube com selecção.

- "Ah e tal, eu detesto a selecção porque é a do Mendes e não é de Portugal." Mas quando esta "selecção do Mendes" venceu o título europeu em 2016, maior proeza de sempre do nosso futebol, muitos dos que falam assim andaram a exibir bandeiras e a cantar o hino. Até neste blogue isso ficou patente, designadamente nas caixas de comentários.

- "Ah e tal, quando Portugal ganha é sempre com sorte." Levando este raciocínio à letra, concluímos então que não perdemos por erros próprios frente à Alemanha: só perdemos porque tivemos azar. O que não explica coisa nenhuma. E deixa o debate no grau zero.

 

Só para concluir, sem rodeios: eu apoio sempre a selecção.

Seja quem for o seleccionador.

Haja ou não jogadores do Sporting no onze titular.

 

No fim, aplaudo ou critico. Mas antes e durante estou sempre a apoiar.

Era assim com António Oliveira, com Humberto Coelho. Foi assim com Scolari, continuou a ser assim com Paulo Bento. É assim com Fernando Santos.

Será assim com o próximo seleccionador, chame-se ele como se chamar.

Até pode chamar-se Jorge Jesus, como alguns parecem desejar cada vez mais.

Eficácia

Oiço dizer por aí que a selecção portuguesa, com Fernando Santos ao leme, «não é eficaz».

Ignoro o que esses tais entendem por eficácia. 

Para mim, ser eficaz é (por exemplo) espetar três golos à Hungria, em Budapeste, sem sofrer nenhum. A mesma marca aplicada ontem pela Itália à Suíça - com a diferença de jogar em casa, no Estádio Olímpico de Roma. Enquanto nós, na terça-feira, jogámos em casa da selecção adversária.

Quem tiver definição melhor, dê um passo em frente.

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