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És a nossa Fé!

As queixas do Porto e a luta do Sporting

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Passaram apenas quatro dias e eis o FC Porto - escandalosamente beneficiado pela arbitragem em três dos quatro jogos que já disputou para o campeonato nacional de futebol - aos gritos contra os senhores de apito. Desta vez contra um letão, que ontem arbitrou o Manchester City-FCP, jogo em que os portistas foram derrotados por 1-3 após terem estado dois minutos em vantagem no marcador. Alegam eles (alega o treinador Sérgio Conceição, pois Pinto da Costa desta vez meteu a viola no saco, batendo a bola baixa), e provavelmente com razão, que o apitador teve influência no resultado.

É uma espécie de partida do destino. Na noite de sábado, no clássico em Alvalade, o árbitro Luís Godinho e o vídeo-árbitro Tiago Martins tiveram uma actuação vergonhosa. Em benefício evidente da equipa visitante.

Godinho, ao deixar passar em claro uma entrada de Zaidu sobre Porro, aos 19', que podia ter deixado o nosso ala direito incapacitado para o futebol e ao expulsar o nosso treinador por ter dito a mesma palavra proferida pelo técnico do Porto minutos antes. Num estádio vazio, tudo isto se percebe muito bem - e alguns canais de televisão já demonstraram a chocante disparidade de critérios, com recurso a legendas. Faltando apenas, no caso de Conceição, a parte do vernáculo. Mas só Rúben Amorim foi castigado

Martins, ao recomendar a Godinho, já no tempo extra da primeira parte, que revertesse o penálti assinalado contra o FCP, que levou também à retirada do segundo amarelo a Zaidu - o tal jogador que devia ter sido expulso muito mais cedo com vermelho directo. Ao proceder como procedeu, o vídeo-árbitro violou de modo chocante o protocolo de intervenção do VAR, que só autoriza este a pronunciar-se sobre um lance se houver "erro claro e óbvio", o que não era manifestamente o caso.

 

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Não deixa de ser curioso - e até divertido - ver os beneficiados de sábado transfigurados em queixosos de quarta-feira. Agora com aparente razão: o letão de apito, com a bênção do VAR, fez vista grossa a um pisão sobre Marchesín (menos evidente, apesar de tudo, do que o de Zaidu a Porro), assinalou um penálti que não devia ter sido marcado e ainda inventou um livre directo em zona frontal, por falta inexistente e do qual resultou o segundo golo do City.

Qual a diferença? 

A diferença é que o FCP interfere há pelo menos 30 anos nos meandros da arbitragem nacional, mas é impotente para inclinar o campo a seu favor nas competições internacionais. Dar duas entrevistas em poucos dias - como acaba de fazer o presidente do FC Porto - com alusões nada veladas a Pedro Proença, presidente da Liga, pode bastar para que o "bafo do dragão" influencie os senhores de apito cá na terra, mas de nada serve a partir de Tui ou Badajoz.

 

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Tais entrevistas não constituem prova de força: são prova de fraqueza. O FCP perdeu cinco pontos em duas jornadas e soma três jogos consecutivos sem vencer. É quanto basta para fazer soar campainhas de alarme nas Antas. E lá voltam as cumplicidades do costume. O poderio de Pinto da Costa construiu-se nestas décadas num misto de intimidação e impunidade: eles podem dizer e fazer o que querem (no rectângulo português), contando sempre com uma comunicação social reverente - o que não admira, pois já foi tornado público que pagam viagens e hotéis a comentadores afins.

Um dos bitaiteiros que mais tempo passam nos estúdios televisivos fazia ontem e anteontem vénias ao velho crocodilo, expressando-lhe «todo o respeito», enquanto zurzia sem piedade em Frederico Varandas por se ter atrevido a «iniciar uma polémica» com o papa do Apito Dourado. Isto quando a arbitragem nacional ameaça regressar aos tenebrosos anos 90 - talvez a mais vergonhosa década das competições desportivas a nível nacional. 

 

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«A questão central no lance entre Zaidu e Pedro Gonçalves deixou de ser o possível penálti e passou a ser a de perceber se o protocolo permite que em lances de intensidade discutível possa haver intervenção. A resposta é não. By the book, essa só deve acontecer em situações em que seja cometido um erro claro e óbvio. Claro que há muitos lances subjectivos ou de intensidade que são evidentes e nesses o VAR deve actuar como já actuou. Mas o de Alvalade foi um dos tais impossíveis de carimbar.» [texto infelizmente sem ligação digital].

Palavras desassombradas de uma pena insuspeita de simpatizar com o Sporting: Duarte Gomes, em artigo publicado na edição de terça-feira do jornal A Bola. Um texto em que o ex-árbitro recomenda a divulgação das mensagens trocadas entre o árbitro e o vídeo-árbitro em lances que suscitem controvérsia. «Lá chegará o dia», assegura. Defendendo, para já, «um esclarecimento público sempre que aconteça uma situação atípica, que cause ruído e levante suspeitas». Exactamente ao contrário do que agora sucedeu, com o Conselho de Arbitragem remetido a um inaceitável silêncio.

Na mesma linha, esteve bem o Sporting ao difundir ontem um comunicado anunciando que apresentará medidas, na sede própria, para a adopção de «critérios claros e inequívocos» no âmbito da intervenção do vídeo-árbitro. Eis um: «Os diálogos entre o VAR e o árbitro, com o jogo parado, [devem ser] divulgados em directo, durante a transmissão do encontro, à semelhança do que acontece noutros desportos em que as decisões de VAR e equipas de arbitragem são transparentemente explicadas a todos os intervenientes do espectáculo e aos espectadores.»

 

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O FC Porto - escandalosamente beneficiado nos jogos que já travou com Braga, Marítimo e Sporting - não aceitará, sou capaz de apostar. Embora seja, também ele, prejudicado nos desafios que disputa além-fronteiras. Como ontem aconteceu.

Isto não deve inibir, de forma alguma, o presidente do Sporting de lutar pelo primado da transparência. Com a certeza prévia de que, nesta matéria, qualquer graçola de Pinto da Costa constitui uma espécie de medalha. Sinal evidente de que Varandas está a incomodar um dos maiores protagonistas de atentados à verdade desportiva desde sempre cometidos no futebol português.

Sporting-FC Porto: balanço da década

2011/2012: 0-0

Treinador: Domingos Paciência

2012/2013: 0-0

Treinador: Jesualdo Ferreira

2013/2014: 1-0 (golo de Slimani)

Treinador: Leonardo Jardim

2014/2015: 1-1 (golo de Jonathan Silva)

Treinador: Marco Silva

2015/2016: 2-0 (golos de Slimani)

Treinador: Jorge Jesus

2016/2017: 2-1 (golos de Slimani e Gelson)

Treinador: Jorge Jesus

2017/2018: 0-0

Treinador: Jorge Jesus

2018/2019: 0-0

Treinador: Marcel Keizer

2019/2020: 1-2 (golo de Acuña)

Treinador: Silas

2020/2021: 2-2 (golos de Nuno Santos e Vietto)

Treinador: Rúben Amorim

 

Balanço destes clássicos disputados nas últimas dez temporadas no estádio José Alvalade para o campeonato nacional de futebol: três vitórias do Sporting, uma do FCP e seis empates.

Marcámos oito golos, sofremos cinco.

Melhor marcador: Slimani, com três.

 

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Por curiosidade, segue-se o quadro descritivo dos mesmos confrontos registados nas dez épocas anteriores:

 

2001/2002: 1-0 (golo de Niculae)

Treinador: Laszlo Boloni

2002/2003: 0-1

Treinador: Laszlo Boloni

2003/2004: 1-1 (golo de Pedro Barbosa)

Treinador: Fernando Santos

2004/2005: 2-0 (golos de Liedson e Carlos Martins)

Treinador: José Peseiro

2005/2006: 0-1

Treinador: Paulo Bento

2006/2007: 1-1 (golo de Djaló)

Treinador: Paulo Bento

2007/2008: 2-0 (golos de Izmailov e Vukcevic)

Treinador: Paulo Bento

2008/2009: 1-2 (golo de Moutinho)

Treinador: Paulo Bento

2009/2010: 3-0 (golos de Djaló, Izmailov e Miguel Veloso)

Treinador: Carlos Carvalhal

2010/2011: 1-1 (golo de Valdés)

Treinador: Paulo Sérgio

 

Balanço desses clássicos da penúltima década disputados no estádio José Alvalade para a Liga portuguesa: quatro vitórias do Sporting, três do FCP e três empates.

Marcámos doze golos, sofremos sete.

Melhores marcadores: Djaló e Izmailov, com dois.

Um empate improvável

Começando pelo aspecto pessoal da coisa, foram muitos kms na estrada para chegar a casa a tempo de alapar no sofá e ver o jogo, com o pressentimento que muito iria sofrer e com muita azia iria ficar. Foi assim logo no início, depois a coisa ficou risonha para ficar outra vez triste e depois foi aquela situação no final do primeiro tempo, quando já não consegui ver mais e fui a certo sítio dando tempo para ouvir o comentador anunciar o golo do empate. Mas como sabemos regressei do tal sítio sem ouvir nada, foi mais uma fantochada desta arbitragem que temos, com um lance dúbio que nunca poderia ter tido intervenção do VAR. Nem ele, nem nós, nem ninguém pode ter a certeza que a decisão do árbitro tenha sido errada. Nem a visão pela TV do árbitro lhe pode ter demonstrado a 100% que a decisão que tinha antes tomado tinha sido errada. E em igualdade no marcador e com um a mais no relvado, a vitória estava facilitada.

 

Foi mesmo mais uma fantochada. E depois foi sofrer até ao fim, numa segunda parte com muita porrada e pouco futebol, sem grande esperança de alguma coisa que não fosse mais uma derrota, até mesmo no final, de pouca coisa tivesse surgido um empate que teve tanto de improvável como de saboroso. E logo pelo "pé-frio" do plantel.

Em termos de jogo, foi uma grande primeira parte: duas equipas com diferentes argumentos a procurar a vantagem, o que se traduziu em boas jogadas, três belos golos e diversas oportunidades desperdiçadas, com Pedro Gonçalves em evidência nesse aspecto. Depois o cansaço ditou leis, saiu e entrou muita gente, o futebol foi piorando, o Porto foi jogando com o cronómetro e com a certeza que com árbitros e VARs deste tipo teria sempre as costas bem quentes, Amorim foi pondo a carne toda no assador, o molho também, Coates já atacava à maluca, e fomos recompensados num corte senhorial do Palhinha e dum belo centro do tal Pedro Gonçalves.

 

Que balanço fazer deste encontro? 

O Sporting conta com um grande treinador, conseguiu fazer este ano boas contratações e construir um plantel que conta com muito talento. Falta-lhe no entanto algumas coisas essenciais, fora e dentro do campo, para ter condições para atingir os objectivos: lutar com os dois rivais e conseguir a entrada na Champions.

Faz-me muita confusão como não existe no banco alguém mais velho, um novo Manolo Vidal, para gerir as emoções e ser o único a reagir para o árbitro, e deixar o treinador à mercê das suas emoções. E depois de Amorim, os jogadores, alguns de nervos em franja, a receber amarelos completamente escusados. Os jogadores em campo têm que jogar com o árbitro, por muito ranhoso que seja, e não contra ele, o que apenas serve para lhe aumentar a ranhosice.

Também me faz muita confusão que não exista um ponta de lança inquestionável no plantel, e que tenhamos de entrar com um extremo adaptado, e depois prosseguir com um falso ponta de lança, até finalmente entrar Sporar para enfim intervir decisivamente no lance do golo.

 

Melhor em campo do Sporting para mim foi mesmo o Pote, Pedro Rodrigues, que em três ou quatro ocasiões tentou sempre atirar para o golo, ainda que sem sorte, e que depois fez o centro decisivo. 

Quanto a João Mário, vai ter de trabalhar muito para encontrar o seu lugar, porque Palhinha e Matheus Nunes são simplesmente imprescindíveis no meio-campo e mais à frente há talento para dar e vender.

SL

Bravo, rapazes!

Pois eu gostei do que vi. Desde o primeiro ano de Jesus que não via um Sporting assim. É verdade que Jovane amua e só sabe jogar de uma maneira, que Feddal é um enterra em potência e que eu gosto mais de Neto do que ele gosta de mim, mas todos os demais têm uma vontade e são de uma entrega ao jogo que impressiona. Querem provar o que valem e mostram que valem.

Mas o bandalho de amarelo fez tudo para inquinar o jogo. O Porto marcou dois golos limpos mas usou táctica inspirado no Canelas tal como anunciavam os penteados à moda de Custoias que aqueles animas do meio-campo exibiam. Foi um arraial de cacetada sempre à vontadinha que o árbitro estava lá para fechar os olhos. E depois a roubalheira do penálti. O porco sujo descaiu-se a apitar quando viu as goelas de Pote a serem arrepanhadas pela gola, mas borrou-se logo de medo com o atrevimento. Será que vamos ter outra época à Mirko Jozic?

Vale tudo

O FC Porto, campeão nacional, foi ontem ao tapete: perdeu (pela primeira vez na sua história) em casa, por 2-3, contra o Marítimo.

Humilhado no Dragão, à terceira jornada da Liga 2020/2021. Mas não por falta de ajuda da arbitragem e da vídeo-arbitragem. O apitador de turno, um tal Rui Costa, validou o primeiro golo portista, marcado por Pepe mas precedido de evidente falta ofensiva cometida por Danilo. Fez vista grossa a uma grande penalidade cometida por Sérgio Oliveira. E ofereceu de bandeja um penálti à equipa da casa, transformando uma falta ofensiva de Marega em castigo máximo contra o Marítimo. Que Alex Telles não conseguiu converter.

Como se tudo isto não bastasse, o tal apitador ainda proporcionou dez minutos(!) de tempo extra, quando o FCP perdia por 1-2, apesar de nada no jogo justificar mais que cinco minutos para além dos 90. Surpresa: nesse período os visitantes ampliaram a vantagem. Ao minuto 99 os jogadores comandados por Sérgio Conceição lá conseguiram reduzir, mas foram incapazes de evitar a derrota, mesmo com tantos brindes do árbitro.

E a tudo isto o que disse o VAR? Rigorosamente nada: deixou andar. Nome deste incompetente? Luís Ferreira.

A coisa promete: já se percebeu que vai valer tudo. Este ano o campo começa a ficar inclinado demasiado cedo. Sempre para o lado dos mesmos. Aqueles que há anos andam a manchar a verdade desportiva e a conspurcar o futebol em Portugal.

Já esquecidos de Alcácer-Quibir

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Fotograma do filme Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira (1990)

 

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Nas dez temporadas anteriores a esta, o Sporting perdeu nove vezes no estádio do Dragão para a Liga portuguesa de futebol. Com treinadores tão diversos como Paulo Bento, José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus e Marcel Keizer. A excepção ocorreu na época 2015/2016, a primeira das três em que Jesus liderou a equipa técnica.

Basta este registo estatístico para comprovar que a nossa crise de resultados no clássico já vem de longe.

Mesmo assim, a mais recente derrota do Sporting fora de casa, contra o novo campeão nacional, bastou para fazer emergir a pior faceta de alguns adeptos: em vez de se congregarem em torno das nossas cores, quando há ainda pelo menos um objectivo a cumprir nesta época (um lugar no pódio do campeonato) e falta defrontarmos o nosso mais velho rival, desatam a dizer mal de tudo agitando os fantasmas de sempre enquanto bradam pelo regresso de D. Sebastião. Já esquecidos de Alcácer-Quibir.

 

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Uns exigem "demissões já", frase que vêm gritando há dois anos com o sucesso que todos conhecemos.

Outros invocam com fingida saudade nomes de jogadores que deixaram de pertencer ao clube como exemplos de excelência - omitindo agora os insultos que lhes dirigiam quando eles vestiam de verde e branco - só para rebaixarem e desmoralizarem os miúdos que hoje despontam na equipa principal do Sporting.

Não falta também quem urre contra o "excesso de jovens" quando antes clamava pela indispensável "aposta na formação".

Há ainda aqueles que procuram sem cessar o brilho dos holofotes atrevendo-se a falar em nome do universo leonino quando afinal são incapazes de trocar a palavra "eu" pela palavra "nós". Este é o teste do algodão, que nunca engana.

 

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Tudo isto, repito, na sequência do 0-2 registado quarta-feira no Dragão - a nossa primeira derrota desde Fevereiro, e quando falta cumprir dois jogos para a conclusão desta atribulada Liga 2019/2020.

Para azar de tal gente, nestas alturas todos percebemos quem é genuinamente adepto e quem apenas se serve do Sporting como pretexto para insuflar o ego à boleia de um desaire.

É nos momentos adversos que se avalia com maior rigor o verdadeiro calibre leonino de quem proclama amor incondicional ao Clube. Quando se ganha, qualquer um trauteia o hino e agita o cachecol.

Mas é bom que uns e outros se convençam disto: a grande maioria da massa adepta, farta até aos cabelos de profetas da desgraça e já imunizada contra ególatras de todo o género, não se deixa iludir.

Formações

Façam o favor de reparar que pela equipa do FCP que ontem nos derrotou "naturalmente" passaram Fábio Vieira (o único destes a alinhar de início), Diogo Leite, Romário Baró, João Mário, Victor Ferreira, e ficaram no banco Tomás Esteves e Fábio Silva. Todos com 20 anos ou menos. Alguns deles protagonizaram a equipa de sub19 campeã europeia em 2018 na qual o Sporting estava representado por Thierry Correia, vendido à pressa ao Valência onde vem comprometendo a sua evolução, Miguel Luís, misteriosamente desaparecido em combate, e Elves Baldé, a rodar lá longe no Feirense. 
Permitam-me então concluir que formação têm todos, não há que embandeirar demasiado em arco com ela. A diferença está no modo como cada um cuida dela e como a vai integrando na equipa principal. Ou seja, não a deitando fora por troca com alguma contratação de pacote, não a vendendo ao desbarato em acertos de contas, nem exigindo-lhe uma responsabilidade para a qual não está preparada e que só vai criando desânimo e um espírito conformista se não mesmo de derrota.

Amanhã à noite no Dragão

Depois da sexta vitória da era Amorim, o Sporting volta a defrontar o provável futuro campeão, agora num Dragão despido de público. Na primeira volta, perdemos em casa por 1-2, num jogo que até teria merecido outro resultado, mas o jogo de amanhã, pela situação em que se encontra o Porto e pelos ausentes das duas equipas, pouco terá a ver com o anterior. Será mais um jogo de tripla.

Na última semana, pela aposta em Acuña a defesa central esquerdo e no mal-amado e sempre azarado Doumbia a médio-centro (conseguiu levar um amarelo por uma falta mal assinalada e acertar na baliza logo depois de o árbitro ter erradamente apitado falta atacante), voltámos a não ter prognósticos certos.

 

Vamos então a nova ronda, sem conhecimento dos convocados. Estão à vontade para alterar o vosso prognóstico conforme os imprevistos. Convocados esses que devem ser mais ou menos os seguintes:

Guarda-redes: Maximiano e Renan.

Defesas Centrais: Coates, Neto, Quaresma, Borja e Ilori.

Alas: Camacho, Ristovski, Nuno Mendes.

Médios Centro: Battaglia, Wendel, Doumbia, Matheus Nunes.

Avançados: Jovane, Plata, Vietto (?), Sporar e Tiago Tomás.

 

Mais uma vez será complicado adivinhar o onze que Rúben Amorim vai pôr em campo. O Porto é uma equipa "italiana", de muita luta e matreirice, bem perigosa nos lançamentos em profundidade e nas bolas paradas, pelo que será importante ter experiência, peso e altura na zona central do terreno. Mas Amorim se calhar prefere testar os jovens que lançou frente a um grande. Partindo do princípio que Vietto estará apto, faz falta para um jogo desta natureza e Ruben Amorim continua a preferir um canhoto a defesa central do lado esquerdo, aposto então no onze seguinte:

Max; Quaresma, Coates e Borja; Ristovski, Matheus Nunes, Wendel e Nuno Mendes; Jovane, Sporar e Vietto.

 

Concluindo,

Amanhã à noite o Sporting entra em campo no Dragão para garantir os 3 pontos e manter o 3.º lugar na Liga (a única coisa que depende de nós).

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

SL

Democracia? Que democracia?

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Alguns alardeiam o princípio "um sócio, um voto" como expressão máxima da democracia dentro dos clubes. Respeito, mas discordo desta tese. Desde logo porque uma agremiação desportiva não é um partido político, devendo premiar a longevidade e a dedicação de quem paga quotas durante décadas, além de acautelar-se contra a possível inscrição em massa de gente vinda sabe-se lá de onde, sem qualquer relação anterior com o clube, apenas com o objectivo de condicionar um resultado eleitoral.

Veja-se o que sucede com o FCP, que embora tenha esse princípio inscrito nos seus estatutos está muito longe de poder ser apontado como modelo democrático. Não apenas por ter como presidente alguém que já ultrapassou Salazar em longevidade no poder, tendo concorrido sem rivais em 12 das 15 eleições entretanto decorridas, mas também porque PdC recusa debater com quem se atreve a apresentar-se contra ele.

Acaba de suceder isso: confrontado pela primeira vez com duas listas adversárias para a Direcção, o decano do futebol português colocou-se num patamar acima dos concorrentes, não os reconhecendo como interlocutores. Os sócios foram votar sem ter havido confronto directo de ideias por recusa categórica do velho dirigente. «Não tive tempo», limitou-se a justificar quando lhe perguntaram por que motivo vetou qualquer debate.

Foi pena. Teria sido uma excelente oportunidade de ser confrontado com a catastrófica situação financeira da SAD portista, que acumulou prejuízos na ordem dos 52 milhões de euros no primeiro semestre desta época desportiva e viu o passivo ascender a quase 450 milhões, o que a coloca em falência técnica e no limiar da insolvência.

 

ADENDA - Como o Ricardo Roque já aqui assinalou, a "eleição mais participada de sempre" no FCP teve uma afluência muito inferior à última do Sporting. PdC acaba de ser reeleito com 5.377 votos, entre 8.480 votantes. Muito abaixo dos 8.717 votos recolhidos por Frederico Varandas em Setembro de 2018, numa eleição que mobilizou 22.510 sócios.

Urbanismo

Entrou para aprovação um projecto de remodelação urbana da praça fronteira à entrada principal do Estádio da Antas designado como "glória eterna ao imortal Pinto da Costa e seu sereníssimo sucessor o grande líder Rui Moreira" que vos apresentamos aqui em primeira mão.

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Assim se vê, a força de PC?

Pinto da Costa foi reeleito pela... vez (relembrem-me porque já foram tantas e há tantos anos que perdi a conta). É bom, é mau? Não sei, mas a avaliar pelos últimos anos em termos de resultados desportivos, no futebol e nas restantes modalidades, pressente-se um prolongar de vida útil à frente do clube portista, por parte de Pinto da Costa, que não augura nada de bom para quem venha a seguir. Em sucessos desportivos e em tesouraria. Sei que com os males dos outros podemos nós bem mas, fazendo uma retrospetiva ao poder do clube nortenho no futebol e nas suas instâncias, e para tanto basta uma década, a vantagem marginal de Pinto da Costa tem diminuído significativamente. As lideranças fortes e competentes devem prever o seu termo e gerir atempadamente o seu processo de sucessório, sob pena de correr sérios riscos para o próprio clube e de criar vazios difíceis de preencher. Também é certo que não há insubstituiveis e, costuma dizer-se, o cemitério está repleto deles. Mas eu acrescentaria também que a natureza tem horror ao vazio e, por vezes, preenche-o da forma mais inesperada. Pinto da Costa (PC), 82 anos, mais de 38 à frente do FC Porto. É obra de longevidade... Reeleito com 68,65% dos votos, participaram nestas eleições mais dois candidatos e 8.480 sócios. No Sporting Clube de Portugal, as últimas eleições, em setembro de 2018, foram o ato eleitoral do clube com maior afluência de sempre, com 22.510 sócios votantes, 19.159 de forma presencial e 3.351 por correspondência, de um total de 51.009 com direito a voto, e seis candidatos. 
Comparando, temos uma força motriz no SCP baseada nos sócios que, bem potenciada ou seja com uma liderança forte e competente, pode relançar o Sporting no cimo do Olimpo. Apesar de tudo... O tempo será julgador. Voltando ao norte, no imediato não se vislumbra o significado do resultado desta reeleição do carismático presidente portista que, apesar de expressiva, contou com números abaixo do habitual no Porto. E com outros candidatos, fazendo antever mudança de regime ou fazendo pressentir que a corrida para a mudança já teve o tiro de partida.

Assim se vê, a força de PC? A ver vamos!

Pela regeneração do futebol português

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No início da década de 80, Benfica e FC Porto firmaram uma aliança para destruir o Sporting como clube vencedor de títulos no futebol profissional. A aliança foi estabelecida, ao mais alto nível, pelos dois presidentes: Fernando Martins, que liderou os encarnados entre 1981 e 1987, e Pinto da Costa, que ainda se encontra à frente da agremiação azul e branca. Ultrapassando Salazar em permanência no poder.

Infelizmente, os factos demonstram que essa aliança acabou por ser bem-sucedida. Num primeiro passo, em 1986, conduziu à demissão de João Rocha: foi o último presidente leonino que conseguiu mais do que um título de campeão. Desde então Sporting só venceu dois campeonatos - apenas um conquistado já neste século.

Hoje, havendo lugar só para dois na caça aos milhões da Champions, menos ainda aqueles clubes abdicam das enormes parcelas de poder que têm. Como se confirma de várias formas - desde logo por um deles ter sido escandalosamente beneficiado pela arbitragem em metade dos jogos já disputados nesta Liga 2019/2020, em que começou com uma inesperada derrota. É a "lei das compensações" logo a funcionar, mal soa um ténue sinal de alarme: nunca falha, para uns e outros.

Motivo acrescido para haver união no Sporting: sabemos que as forças são desiguais, o que nos deve incutir motivação extra para superar os obstáculos, reabilitando a verdade competitiva em nome da regeneração do futebol. Esse será mais um bom serviço que prestaremos ao desporto português.

Precisamos de árbitros como estes

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Precisamos de um árbitro como Rui Costa (e do vídeo-árbitro Vasco Santos), que no jogo Portimonense-FC Porto assinalou um penálti inexistente, confundindo o peito com o braço do defesa Jadson, permitindo assim que os azuis e brancos se adiantassem no marcador. E no fim, estando o desafio empatado 2-2, prolongou-o durante oito minutos suplementares até que surgisse o golito que valeu três pontos à equipa de Pinto da Costa.

Precisamos de um árbitro como Carlos Xistra (e do vídeo-árbitro António Nobre), que no jogo FC Porto-V. Guimarães expulsou Tapsoba, um defesa visitante, aos 40 segundos, exibindo-lhe um vernelho directo por suposta falta sobre o mergulhador Marega que nunca existiu. Mesmo assim, a equipa da casa só conseguiu vencer quando já jogava contra nove (cortesia de Xistra, que expulsou mais um).

Precisamos de um árbitro como Luís Godinho (e do vídeo-árbitro Rui Oliveira), que ontem, no FC Porto-Santa Clara, poupou Uribe a uma expulsão, indiferente à agressão deste digno sucessor de Paulinho Santos a um avançado açoriano que ficou a jorrar sangue, estendido na grande área. Nem o facto de o portista ter aberto o sobrolho a Fábio Cardoso com uma trancada de cotovelo levou o apitador a mostrar-lhe o vermelho e a marcar penálti contra o FCP.

 

Este ano a equipa que está a ser levada ao colo é a do FC Porto. Obviamente, depois da derrota inicial frente ao Gil Vicente, havia que lhe dar a protecção adequada para evitar traumas psicológicos no Dragão. Aí a temos, protagonista dos mais escandalosos casos de arbitragem desta ainda embrionária Liga 2019/2020: três, em seis jornadas. Agora, ao contrário do que sucedia na década de 90, nem é preciso recorrerem aos préstimos do guarda Abel.

Com VAR ou sem VAR, a verdade desportiva emigrou para parte incerta. Dão-se alvíssaras a quem a encontrar. Talvez num beco de má fama.

Conceição fora do Jamor

As últimas imagens não deixam margem para quaisquer dúvidas: Sérgio Conceição não só tentou como conseguiu agredir Renan. Como tal, aguarda-se a apresentação de uma exposição por parte do SCP ao Conselho de Disciplina da FPF. Conceição não sabe estar, não é a primeira vez e não será certamente a última que participa em cenas deploráveis.

 

Nós já tivemos o presidente-adepto, de má memória, parece que o FCP agora tem um treinador-adepto que merece ser alvo de sanção e ficar fora da final da Taça de Portugal. A bem do futebol e da urbanidade.

Com o novo mundo mesmo ali ao lado

"Com o novo mundo mesmo ali ao lado", cantavam os xutos quando ainda o eram ... basta cruzar a Segunda Circular, digo agora eu, pois é mesmo "ali ao lado" .... Sim, sei que é um postal nada popular para um ambiente sportinguista. Quando no ano passado, ou coisa assim, um qualquer certame árabe premiou a formação futebolística benfiquista logo se elevou um coro indignado a protestar, que seria coisa da influência da Cofina ou isso ... Está à vista que os árabes não estavam tão enganados assim, ou ao serviço dos pelos vistos abundantes petrodólares da tal Cofina.

O Benfica segue com uma equipa cheia de miúdos da sua formação, comandados por um treinador formado e saído da suas equipas juniores. Joga bem, e alegre. Tem sucesso. O treinador tem um discurso civilizado. Os seus jovens não verbalizam ou executam o desejo de sair já do clube. Nem o invectivam após sair. Um bom ambiente, uma boa escola, uma boa transição para o contexto sénior. O modelo que os sportinguistas queriam, podiam ter tido e desbarataram - muito pela azeda relação com os jogadores da formação, óbvia deriva de um clube que não conquista o título há tempo demais: o exemplo da "maçã podre" João Moutinho, década após ter saído do clube sendo até considerado o melhor de sempre do histórico Wolverhampton e reclamado como modelo de profissional pelos jovens jogadores do clube é sintomático de um desvario interno. E da patética massa adepta, que o continua a invectivar. Foi João Moutinho mas também inúmeros jogadores do clube, que vão saindo sem que o Sporting tenha os lucros necessários com isso, e sem que eles fiquem como símbolos de referência do clube, alimentando o clubismo das novas gerações. 

O Benfica sedimentou este modelo assente nas "toupeiras", "emails", "vouchers", "joões capelas"? É possível. O Benfica foi campeão, nisso sossegou adeptos e estrutura interna, e teve acesso a recursos económicos, através da manipulação da federação e da liga? Sim, os casos dos túneis, com o Porto e o Braga, são das coisas mais vergonhosas da história do futebol português, muito mais do que Calabote, Inácio de Almeida, Francisco Silva ou coisas similares. Mas convém lembrar que o Sporting entregou agora a coordenação da formação a um dos principais implicados nessa monumental aldrabice.

Ou seja, uma simples contratação que retira qualquer argumento moral ao clube para criticar hipotéticas más-práticas alheias. Mas esse fim de uma hipotética "autoridade moral" (e a ver vamos o que dá o "cashball") é bom. Para que as gentes do clube se deixem de centrar nas invectivas contra isto-e-mais-aquilo e possam, com a civilidade dos civilizados, aprender com o que se passa "mesmo ali ao lado". Pois esse é o único futuro de um clube português na economia do futebol actual global.

E tudo o resto, "as viúvas", o "bruno", os "croquettes", "as claques", vale nada e só faz apodrecer. A ver se a gente percebe bem isto. 

(Entretanto, e até ao fim deste ano, sou filho do meu pai, portuense - que nunca ligou ao futebol. A ver se os andrades são Dragões, e que derrubem os malditos lampiões de Carnide).

9 coisas sobre a Taça da Liga

BOAS E MÁS IMPRENSAS

1. Com pior plantel que no ano transato e contra um clube com melhor plantel que no ano transato, ganhamos a Taça da Liga, sem que eu visse qualquer remoque a JJ na media.
Além de mestre da tática, o homem também tem uma cauda longa que inibe comentadeiros e jornaleiros de se referirem a ele em certos momentos. 

2. A agressividade infantil e possuída da pessoa que treina o Braga e nunca se cansa de perder largo com o Benfica continua a ser tolerada a 100% por comentadeiros e jornaleiros. Até quando?

3. O mau perder do Porto é ridículo e muito elucidativo de como é o futebol português. Mensagens positivas quando se está na mó de cima, comportamentos patéticos e mesquinhos quando se perde.

4. A tolerância da opinião publicada para com este comportamento de Conceição e das suas tropas envergonha-me

5. Mesmo jogando com o nariz partido e não cometendo nenhum erro, Petrovic teve nota negativa. Um pensamento dedicado a quem tem a mania que luta contra o preconceito.

6. A outra pessoa que preside ao Braga e que também nunca se cansa de perder com o Benfica é outro cuja margem de crédito junto da opinião publicada me envergonha.

7. Varandas esteve muito bem nas suas declarações.

8. Bruno Fernandes revelou huevos a criticar o Porto abertamente (por não terem assistido ao SCP a receber o caneco).  

9. Admito a seguinte fraqueza: quase quero que o Sporting perca logo todos os jogos e mais alguns, para não ter de aturar os personagens do futebol indígena, do mau perder dos supostos profissionais e protagonistas à tibieza de 90% dos comentadeiros. 

Viva o treinador adjunto do Porto

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Diamantino Figueiredo, treinador adjunto de Sérgio Conceição (é o Nelson deles) tentou agredir adepto(s) com a medalha recebida no final do jogo (filme aqui).

Toda a cena me lembrou a final da Taça de 2018. Sabe-se o ambiente tétrico em que o Sporting foi jogar, não o descrevo. No final do jogo a equipa subiu à tribuna para receber as medalhas de finalistas vencidos. As imagens televisivas chocaram-me imenso: hordas de adeptos sportinguistas juntos à escadaria do Jamor insultavam os jogadores (e técnicos). Não foi só o vociferar insano que me espantou, foi o fel, o desespero daquela gente por uma mera derrota de futebol, ainda para mais tida naquele surreal contexto pós-Alcochete. Um desespero ululante de uma merda de gente que leva uma vida de merda e que na merda de intelecto que tem ainda sim pressente, de modo difuso, a merda que é e a merda que vive. E que uiva essa verdadeira desgraça - desgraçados desengraçados que são - nos campos da bola.

Da sucessão de acontecimentos daquela época terá sido este o que mais me chocou - não a da invasão de Alcochete por um grupo de profissionais da economia paralela, apaniguados (avençados?, por via de bilhetes de futebol ...) da economia do crime em que se tornou o "futebol". Mas sim aquelas dezenas ou centenas de amadores, gritando impropérios aos jogadores junto à tribuna.  

O que esse período mostrou é que a turba infecta, irracional, não é um oligopólio do Porto e do Benfica, com franchisings em Guimarães e Braga. Mas que o Sporting, o tal "clube diferente" que julgávamos ser, ufanos, está preenchido com esta ralé insultuosa.

Ontem mais um episódio. Sob a tribuna - onde os bilhetes até costumam ser mais caros - descem os jogadores e treinadores do Porto. Na zona na escadaria estão concentrados adeptos do "nosso" Sporting. Destinam aos profissionais portistas um incessante coro de "cabrões", "vão para o caralho" e afins. O decano portista, mais velho do que eu, aparenta-o, no calor do pós-jogo irrita-se e estanca. Um dos "nossos" manda-o para a "cona da tua mãe". O homem, como qualquer homem digno, sente-se. E tenta, porque dele algo distante, atingir o "nosso" energúmeno com a porcaria da medalha. Infelizmente desconsegue, até porque logo afastado por um segurança.

O ambiente do futebol é este. Muito acicatado pelo "comunicação social", esse meio profissional (os co-bloguistas do métier que me aturem) que é um lumpen dos letrados. Mas a "comunicação social" tem o nível que tem porque é isso que o seu público "desportivo" quer. É. Um lixo de gente. Um lixo de gente que são estes energúmenos vociferadores, e os holigões mais físicos. Mas também todos os que com eles se sentam, vestindo as mesmas cores e imaginando e proclamando uma qualquer comunhão clubística - "somos todos Sporting", farto-me de ouvir e de ler. Isto apesar do clube ter nos estatutos, explicitamente, que é vedado aos seus associados ofender a moral pública. Qual será a noção de moral pública que os sportinguistas têm, aceitando décadas de comunhão com tanta e tamanha escumalha? Perdão, quero dizer, assim aceitando décadas de ser tanta e tamanha escumalha. Pois se se proclama uma qualquer comunhão com isto de gente, é-se também isto de gente.

Não é curial mas também não é legítimo, no sentido que não é legal, insultar trabalhadores. Não podemos ir à Caixa Geral de Depósitos (apesar do que fizeram com o crédito sem garantias) em grupo mandar para a cona da mãe e para o caralho os seus trabalhadores. Chamarão a polícia. Nem ao Pingo Doce. Nem ao restaurante do bairro. Nem mesmo à loja do desgraçado indocumentado bangladesche. Nem às obras de um prédio (aí levaríamos uma sova de porrada, bem merecida). Ou seja, não é legítimo (legal) ir a um local de trabalho insultar os trabalhadores. Como um campo de futebol. E é tão javardo, imundo, abjecto - "filhodaputa" para usar a linguagem de estádio - o tipo que vocifera, face-a-face com o trabalhador futebolista escudado na mole humana (a "moldura humana" na poética da ralé futeboleira), como aquele que só ombreia, partilha as cores, vai ao estádio. E comemora junto, uno à escumalha vociferadora.

A Federação e a Liga devem tomar consciência. O público que têm é constituído por esta mole de javardos. Os que mandam os trabalhadores para a cona da mãe deles, imensos. E os que se sentam ao lado destes e se calam, ombreando, se as conas aludidas forem as das mães da rapaziada de outros clubes. Dos "outros". E podiam, pelo menos, a tal federação e a liga, acabar com estas "subidas à tribuna". E passarem a entregar os troféus e medalhas no campo de jogo. Onde eles são ganhos. E onde se está longe desta escumalha. Benfiquista. Portista. Sportinguista. Portuguesa.

Que diaby, foi bom!

Não se perdeu o jogo, foi bom, que diaby! Objectivo alcançado. Keizer mostrou que não é completamente suicida - só quando nunca tinha ouvido falar dos clubes com os quais vai jogar. Sorte nossa, o Porto já ganhou a Liga dos Campeões, há trinta anos até ganhou a Taça dos Campeões Europeus, e o homem já teria ouvido falar do clube. Assim, e já mais ambientado, terá pensado "cautela e caldos de galinha ...", lá língua dele. O Sporting fez o que lhe competia: jogar devagar (aos 64 minutos Renan levou mais de 30 segundos para marcar um pontapé de baliza, por exemplo; depois Danilo lesionou-se e saiu de campo, dois minutos depois ainda não fora substituido e a bola, que ficara com Renan, ainda estava na linha de meio-campo), respeitando o Pacto de Não-Agressão que comandou o jogo. 

Foi um bom resultado, numa boa jornada: o Braga empatou e não desgrudámos do terceiro lugar, um belo objectivo; no final da primeira volta estamos apenas a três pontos do segundo lugar, o grande objectivo da época; e o Moreirense perdeu, cavando uma distância mais reconfortante entre o Sporting e o traiçoeiro quinto lugar.

Algumas conclusões sobre a equipa: Jefferson não jogou tão mal como sempre dizem, prejudicando a sua titularidade no posto de bode expiatório; Wendell mostrou que aprendeu chinês neste último ano, pois deve ter cumprido exemplarmente o posto táctico de que foi incumbido (com a bola nos pés nada fez, mas isso não inibe que tenha jogado bem, ainda que eu não tenha reparado nisso, aqui a olhar para o computador).

Uma coisa não percebo e Keizer deveria ser questionado sobre isso. O Sporting está numa grande crise financeira. Ainda assim fez contratações, com grande esforço e até risco. A mais cara foi Diaby, um avançado prometedor. Não está lesionado. Porque será que o treinador não o põe a jogar?

 

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