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És a nossa Fé!

Democracia? Que democracia?

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Alguns alardeiam o princípio "um sócio, um voto" como expressão máxima da democracia dentro dos clubes. Respeito, mas discordo desta tese. Desde logo porque uma agremiação desportiva não é um partido político, devendo premiar a longevidade e a dedicação de quem paga quotas durante décadas, além de acautelar-se contra a possível inscrição em massa de gente vinda sabe-se lá de onde, sem qualquer relação anterior com o clube, apenas com o objectivo de condicionar um resultado eleitoral.

Veja-se o que sucede com o FCP, que embora tenha esse princípio inscrito nos seus estatutos está muito longe de poder ser apontado como modelo democrático. Não apenas por ter como presidente alguém que já ultrapassou Salazar em longevidade no poder, tendo concorrido sem rivais em 12 das 15 eleições entretanto decorridas, mas também porque PdC recusa debater com quem se atreve a apresentar-se contra ele.

Acaba de suceder isso: confrontado pela primeira vez com duas listas adversárias para a Direcção, o decano do futebol português colocou-se num patamar acima dos concorrentes, não os reconhecendo como interlocutores. Os sócios foram votar sem ter havido confronto directo de ideias por recusa categórica do velho dirigente. «Não tive tempo», limitou-se a justificar quando lhe perguntaram por que motivo vetou qualquer debate.

Foi pena. Teria sido uma excelente oportunidade de ser confrontado com a catastrófica situação financeira da SAD portista, que acumulou prejuízos na ordem dos 52 milhões de euros no primeiro semestre desta época desportiva e viu o passivo ascender a quase 450 milhões, o que a coloca em falência técnica e no limiar da insolvência.

 

ADENDA - Como o Ricardo Roque já aqui assinalou, a "eleição mais participada de sempre" no FCP teve uma afluência muito inferior à última do Sporting. PdC acaba de ser reeleito com 5.377 votos, entre 8.480 votantes. Muito abaixo dos 8.717 votos recolhidos por Frederico Varandas em Setembro de 2018, numa eleição que mobilizou 22.510 sócios.

Urbanismo

Entrou para aprovação um projecto de remodelação urbana da praça fronteira à entrada principal do Estádio da Antas designado como "glória eterna ao imortal Pinto da Costa e seu sereníssimo sucessor o grande líder Rui Moreira" que vos apresentamos aqui em primeira mão.

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Assim se vê, a força de PC?

Pinto da Costa foi reeleito pela... vez (relembrem-me porque já foram tantas e há tantos anos que perdi a conta). É bom, é mau? Não sei, mas a avaliar pelos últimos anos em termos de resultados desportivos, no futebol e nas restantes modalidades, pressente-se um prolongar de vida útil à frente do clube portista, por parte de Pinto da Costa, que não augura nada de bom para quem venha a seguir. Em sucessos desportivos e em tesouraria. Sei que com os males dos outros podemos nós bem mas, fazendo uma retrospetiva ao poder do clube nortenho no futebol e nas suas instâncias, e para tanto basta uma década, a vantagem marginal de Pinto da Costa tem diminuído significativamente. As lideranças fortes e competentes devem prever o seu termo e gerir atempadamente o seu processo de sucessório, sob pena de correr sérios riscos para o próprio clube e de criar vazios difíceis de preencher. Também é certo que não há insubstituiveis e, costuma dizer-se, o cemitério está repleto deles. Mas eu acrescentaria também que a natureza tem horror ao vazio e, por vezes, preenche-o da forma mais inesperada. Pinto da Costa (PC), 82 anos, mais de 38 à frente do FC Porto. É obra de longevidade... Reeleito com 68,65% dos votos, participaram nestas eleições mais dois candidatos e 8.480 sócios. No Sporting Clube de Portugal, as últimas eleições, em setembro de 2018, foram o ato eleitoral do clube com maior afluência de sempre, com 22.510 sócios votantes, 19.159 de forma presencial e 3.351 por correspondência, de um total de 51.009 com direito a voto, e seis candidatos. 
Comparando, temos uma força motriz no SCP baseada nos sócios que, bem potenciada ou seja com uma liderança forte e competente, pode relançar o Sporting no cimo do Olimpo. Apesar de tudo... O tempo será julgador. Voltando ao norte, no imediato não se vislumbra o significado do resultado desta reeleição do carismático presidente portista que, apesar de expressiva, contou com números abaixo do habitual no Porto. E com outros candidatos, fazendo antever mudança de regime ou fazendo pressentir que a corrida para a mudança já teve o tiro de partida.

Assim se vê, a força de PC? A ver vamos!

Pela regeneração do futebol português

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No início da década de 80, Benfica e FC Porto firmaram uma aliança para destruir o Sporting como clube vencedor de títulos no futebol profissional. A aliança foi estabelecida, ao mais alto nível, pelos dois presidentes: Fernando Martins, que liderou os encarnados entre 1981 e 1987, e Pinto da Costa, que ainda se encontra à frente da agremiação azul e branca. Ultrapassando Salazar em permanência no poder.

Infelizmente, os factos demonstram que essa aliança acabou por ser bem-sucedida. Num primeiro passo, em 1986, conduziu à demissão de João Rocha: foi o último presidente leonino que conseguiu mais do que um título de campeão. Desde então Sporting só venceu dois campeonatos - apenas um conquistado já neste século.

Hoje, havendo lugar só para dois na caça aos milhões da Champions, menos ainda aqueles clubes abdicam das enormes parcelas de poder que têm. Como se confirma de várias formas - desde logo por um deles ter sido escandalosamente beneficiado pela arbitragem em metade dos jogos já disputados nesta Liga 2019/2020, em que começou com uma inesperada derrota. É a "lei das compensações" logo a funcionar, mal soa um ténue sinal de alarme: nunca falha, para uns e outros.

Motivo acrescido para haver união no Sporting: sabemos que as forças são desiguais, o que nos deve incutir motivação extra para superar os obstáculos, reabilitando a verdade competitiva em nome da regeneração do futebol. Esse será mais um bom serviço que prestaremos ao desporto português.

Precisamos de árbitros como estes

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Precisamos de um árbitro como Rui Costa (e do vídeo-árbitro Vasco Santos), que no jogo Portimonense-FC Porto assinalou um penálti inexistente, confundindo o peito com o braço do defesa Jadson, permitindo assim que os azuis e brancos se adiantassem no marcador. E no fim, estando o desafio empatado 2-2, prolongou-o durante oito minutos suplementares até que surgisse o golito que valeu três pontos à equipa de Pinto da Costa.

Precisamos de um árbitro como Carlos Xistra (e do vídeo-árbitro António Nobre), que no jogo FC Porto-V. Guimarães expulsou Tapsoba, um defesa visitante, aos 40 segundos, exibindo-lhe um vernelho directo por suposta falta sobre o mergulhador Marega que nunca existiu. Mesmo assim, a equipa da casa só conseguiu vencer quando já jogava contra nove (cortesia de Xistra, que expulsou mais um).

Precisamos de um árbitro como Luís Godinho (e do vídeo-árbitro Rui Oliveira), que ontem, no FC Porto-Santa Clara, poupou Uribe a uma expulsão, indiferente à agressão deste digno sucessor de Paulinho Santos a um avançado açoriano que ficou a jorrar sangue, estendido na grande área. Nem o facto de o portista ter aberto o sobrolho a Fábio Cardoso com uma trancada de cotovelo levou o apitador a mostrar-lhe o vermelho e a marcar penálti contra o FCP.

 

Este ano a equipa que está a ser levada ao colo é a do FC Porto. Obviamente, depois da derrota inicial frente ao Gil Vicente, havia que lhe dar a protecção adequada para evitar traumas psicológicos no Dragão. Aí a temos, protagonista dos mais escandalosos casos de arbitragem desta ainda embrionária Liga 2019/2020: três, em seis jornadas. Agora, ao contrário do que sucedia na década de 90, nem é preciso recorrerem aos préstimos do guarda Abel.

Com VAR ou sem VAR, a verdade desportiva emigrou para parte incerta. Dão-se alvíssaras a quem a encontrar. Talvez num beco de má fama.

Conceição fora do Jamor

As últimas imagens não deixam margem para quaisquer dúvidas: Sérgio Conceição não só tentou como conseguiu agredir Renan. Como tal, aguarda-se a apresentação de uma exposição por parte do SCP ao Conselho de Disciplina da FPF. Conceição não sabe estar, não é a primeira vez e não será certamente a última que participa em cenas deploráveis.

 

Nós já tivemos o presidente-adepto, de má memória, parece que o FCP agora tem um treinador-adepto que merece ser alvo de sanção e ficar fora da final da Taça de Portugal. A bem do futebol e da urbanidade.

Com o novo mundo mesmo ali ao lado

"Com o novo mundo mesmo ali ao lado", cantavam os xutos quando ainda o eram ... basta cruzar a Segunda Circular, digo agora eu, pois é mesmo "ali ao lado" .... Sim, sei que é um postal nada popular para um ambiente sportinguista. Quando no ano passado, ou coisa assim, um qualquer certame árabe premiou a formação futebolística benfiquista logo se elevou um coro indignado a protestar, que seria coisa da influência da Cofina ou isso ... Está à vista que os árabes não estavam tão enganados assim, ou ao serviço dos pelos vistos abundantes petrodólares da tal Cofina.

O Benfica segue com uma equipa cheia de miúdos da sua formação, comandados por um treinador formado e saído da suas equipas juniores. Joga bem, e alegre. Tem sucesso. O treinador tem um discurso civilizado. Os seus jovens não verbalizam ou executam o desejo de sair já do clube. Nem o invectivam após sair. Um bom ambiente, uma boa escola, uma boa transição para o contexto sénior. O modelo que os sportinguistas queriam, podiam ter tido e desbarataram - muito pela azeda relação com os jogadores da formação, óbvia deriva de um clube que não conquista o título há tempo demais: o exemplo da "maçã podre" João Moutinho, década após ter saído do clube sendo até considerado o melhor de sempre do histórico Wolverhampton e reclamado como modelo de profissional pelos jovens jogadores do clube é sintomático de um desvario interno. E da patética massa adepta, que o continua a invectivar. Foi João Moutinho mas também inúmeros jogadores do clube, que vão saindo sem que o Sporting tenha os lucros necessários com isso, e sem que eles fiquem como símbolos de referência do clube, alimentando o clubismo das novas gerações. 

O Benfica sedimentou este modelo assente nas "toupeiras", "emails", "vouchers", "joões capelas"? É possível. O Benfica foi campeão, nisso sossegou adeptos e estrutura interna, e teve acesso a recursos económicos, através da manipulação da federação e da liga? Sim, os casos dos túneis, com o Porto e o Braga, são das coisas mais vergonhosas da história do futebol português, muito mais do que Calabote, Inácio de Almeida, Francisco Silva ou coisas similares. Mas convém lembrar que o Sporting entregou agora a coordenação da formação a um dos principais implicados nessa monumental aldrabice.

Ou seja, uma simples contratação que retira qualquer argumento moral ao clube para criticar hipotéticas más-práticas alheias. Mas esse fim de uma hipotética "autoridade moral" (e a ver vamos o que dá o "cashball") é bom. Para que as gentes do clube se deixem de centrar nas invectivas contra isto-e-mais-aquilo e possam, com a civilidade dos civilizados, aprender com o que se passa "mesmo ali ao lado". Pois esse é o único futuro de um clube português na economia do futebol actual global.

E tudo o resto, "as viúvas", o "bruno", os "croquettes", "as claques", vale nada e só faz apodrecer. A ver se a gente percebe bem isto. 

(Entretanto, e até ao fim deste ano, sou filho do meu pai, portuense - que nunca ligou ao futebol. A ver se os andrades são Dragões, e que derrubem os malditos lampiões de Carnide).

9 coisas sobre a Taça da Liga

BOAS E MÁS IMPRENSAS

1. Com pior plantel que no ano transato e contra um clube com melhor plantel que no ano transato, ganhamos a Taça da Liga, sem que eu visse qualquer remoque a JJ na media.
Além de mestre da tática, o homem também tem uma cauda longa que inibe comentadeiros e jornaleiros de se referirem a ele em certos momentos. 

2. A agressividade infantil e possuída da pessoa que treina o Braga e nunca se cansa de perder largo com o Benfica continua a ser tolerada a 100% por comentadeiros e jornaleiros. Até quando?

3. O mau perder do Porto é ridículo e muito elucidativo de como é o futebol português. Mensagens positivas quando se está na mó de cima, comportamentos patéticos e mesquinhos quando se perde.

4. A tolerância da opinião publicada para com este comportamento de Conceição e das suas tropas envergonha-me

5. Mesmo jogando com o nariz partido e não cometendo nenhum erro, Petrovic teve nota negativa. Um pensamento dedicado a quem tem a mania que luta contra o preconceito.

6. A outra pessoa que preside ao Braga e que também nunca se cansa de perder com o Benfica é outro cuja margem de crédito junto da opinião publicada me envergonha.

7. Varandas esteve muito bem nas suas declarações.

8. Bruno Fernandes revelou huevos a criticar o Porto abertamente (por não terem assistido ao SCP a receber o caneco).  

9. Admito a seguinte fraqueza: quase quero que o Sporting perca logo todos os jogos e mais alguns, para não ter de aturar os personagens do futebol indígena, do mau perder dos supostos profissionais e protagonistas à tibieza de 90% dos comentadeiros. 

Viva o treinador adjunto do Porto

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Diamantino Figueiredo, treinador adjunto de Sérgio Conceição (é o Nelson deles) tentou agredir adepto(s) com a medalha recebida no final do jogo (filme aqui).

Toda a cena me lembrou a final da Taça de 2018. Sabe-se o ambiente tétrico em que o Sporting foi jogar, não o descrevo. No final do jogo a equipa subiu à tribuna para receber as medalhas de finalistas vencidos. As imagens televisivas chocaram-me imenso: hordas de adeptos sportinguistas juntos à escadaria do Jamor insultavam os jogadores (e técnicos). Não foi só o vociferar insano que me espantou, foi o fel, o desespero daquela gente por uma mera derrota de futebol, ainda para mais tida naquele surreal contexto pós-Alcochete. Um desespero ululante de uma merda de gente que leva uma vida de merda e que na merda de intelecto que tem ainda sim pressente, de modo difuso, a merda que é e a merda que vive. E que uiva essa verdadeira desgraça - desgraçados desengraçados que são - nos campos da bola.

Da sucessão de acontecimentos daquela época terá sido este o que mais me chocou - não a da invasão de Alcochete por um grupo de profissionais da economia paralela, apaniguados (avençados?, por via de bilhetes de futebol ...) da economia do crime em que se tornou o "futebol". Mas sim aquelas dezenas ou centenas de amadores, gritando impropérios aos jogadores junto à tribuna.  

O que esse período mostrou é que a turba infecta, irracional, não é um oligopólio do Porto e do Benfica, com franchisings em Guimarães e Braga. Mas que o Sporting, o tal "clube diferente" que julgávamos ser, ufanos, está preenchido com esta ralé insultuosa.

Ontem mais um episódio. Sob a tribuna - onde os bilhetes até costumam ser mais caros - descem os jogadores e treinadores do Porto. Na zona na escadaria estão concentrados adeptos do "nosso" Sporting. Destinam aos profissionais portistas um incessante coro de "cabrões", "vão para o caralho" e afins. O decano portista, mais velho do que eu, aparenta-o, no calor do pós-jogo irrita-se e estanca. Um dos "nossos" manda-o para a "cona da tua mãe". O homem, como qualquer homem digno, sente-se. E tenta, porque dele algo distante, atingir o "nosso" energúmeno com a porcaria da medalha. Infelizmente desconsegue, até porque logo afastado por um segurança.

O ambiente do futebol é este. Muito acicatado pelo "comunicação social", esse meio profissional (os co-bloguistas do métier que me aturem) que é um lumpen dos letrados. Mas a "comunicação social" tem o nível que tem porque é isso que o seu público "desportivo" quer. É. Um lixo de gente. Um lixo de gente que são estes energúmenos vociferadores, e os holigões mais físicos. Mas também todos os que com eles se sentam, vestindo as mesmas cores e imaginando e proclamando uma qualquer comunhão clubística - "somos todos Sporting", farto-me de ouvir e de ler. Isto apesar do clube ter nos estatutos, explicitamente, que é vedado aos seus associados ofender a moral pública. Qual será a noção de moral pública que os sportinguistas têm, aceitando décadas de comunhão com tanta e tamanha escumalha? Perdão, quero dizer, assim aceitando décadas de ser tanta e tamanha escumalha. Pois se se proclama uma qualquer comunhão com isto de gente, é-se também isto de gente.

Não é curial mas também não é legítimo, no sentido que não é legal, insultar trabalhadores. Não podemos ir à Caixa Geral de Depósitos (apesar do que fizeram com o crédito sem garantias) em grupo mandar para a cona da mãe e para o caralho os seus trabalhadores. Chamarão a polícia. Nem ao Pingo Doce. Nem ao restaurante do bairro. Nem mesmo à loja do desgraçado indocumentado bangladesche. Nem às obras de um prédio (aí levaríamos uma sova de porrada, bem merecida). Ou seja, não é legítimo (legal) ir a um local de trabalho insultar os trabalhadores. Como um campo de futebol. E é tão javardo, imundo, abjecto - "filhodaputa" para usar a linguagem de estádio - o tipo que vocifera, face-a-face com o trabalhador futebolista escudado na mole humana (a "moldura humana" na poética da ralé futeboleira), como aquele que só ombreia, partilha as cores, vai ao estádio. E comemora junto, uno à escumalha vociferadora.

A Federação e a Liga devem tomar consciência. O público que têm é constituído por esta mole de javardos. Os que mandam os trabalhadores para a cona da mãe deles, imensos. E os que se sentam ao lado destes e se calam, ombreando, se as conas aludidas forem as das mães da rapaziada de outros clubes. Dos "outros". E podiam, pelo menos, a tal federação e a liga, acabar com estas "subidas à tribuna". E passarem a entregar os troféus e medalhas no campo de jogo. Onde eles são ganhos. E onde se está longe desta escumalha. Benfiquista. Portista. Sportinguista. Portuguesa.

Que diaby, foi bom!

Não se perdeu o jogo, foi bom, que diaby! Objectivo alcançado. Keizer mostrou que não é completamente suicida - só quando nunca tinha ouvido falar dos clubes com os quais vai jogar. Sorte nossa, o Porto já ganhou a Liga dos Campeões, há trinta anos até ganhou a Taça dos Campeões Europeus, e o homem já teria ouvido falar do clube. Assim, e já mais ambientado, terá pensado "cautela e caldos de galinha ...", lá língua dele. O Sporting fez o que lhe competia: jogar devagar (aos 64 minutos Renan levou mais de 30 segundos para marcar um pontapé de baliza, por exemplo; depois Danilo lesionou-se e saiu de campo, dois minutos depois ainda não fora substituido e a bola, que ficara com Renan, ainda estava na linha de meio-campo), respeitando o Pacto de Não-Agressão que comandou o jogo. 

Foi um bom resultado, numa boa jornada: o Braga empatou e não desgrudámos do terceiro lugar, um belo objectivo; no final da primeira volta estamos apenas a três pontos do segundo lugar, o grande objectivo da época; e o Moreirense perdeu, cavando uma distância mais reconfortante entre o Sporting e o traiçoeiro quinto lugar.

Algumas conclusões sobre a equipa: Jefferson não jogou tão mal como sempre dizem, prejudicando a sua titularidade no posto de bode expiatório; Wendell mostrou que aprendeu chinês neste último ano, pois deve ter cumprido exemplarmente o posto táctico de que foi incumbido (com a bola nos pés nada fez, mas isso não inibe que tenha jogado bem, ainda que eu não tenha reparado nisso, aqui a olhar para o computador).

Uma coisa não percebo e Keizer deveria ser questionado sobre isso. O Sporting está numa grande crise financeira. Ainda assim fez contratações, com grande esforço e até risco. A mais cara foi Diaby, um avançado prometedor. Não está lesionado. Porque será que o treinador não o põe a jogar?

 

Rui, Viviano, Salin, Renan, Maximiano

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Esta noite acompanhei na televisão a magnífica exibição do veterano Casillas, que defendeu um penálti aos 10', enchendo de confiança o onze portista, que a partir daí embalou para uma vitória folgada (por 3-1) frente ao Lokomotiv em Moscovo. Arrecadando 2,7 milhões de euros e qualificando-se praticamente para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Enquanto via o jogo ia reflectindo na importância crucial de um guarda-redes na edificação de uma equipa com aspirações a títulos e troféus. E dei por mim a pensar que, embora tenhamos hoje quatro jogadores disponíveis para ocupar essa posição, todos somados não compensam a ausência de Rui Patrício.

As coisas são o que são. Não adianta iludi-las.

Do que estou a gostar no Sporting deste ano

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Ainda não demos oportunidade a ninguém para vir com a piadinha costumeira: "jogaram como nunca, perderam como sempre". Claro que ainda temos de passar pelo Edinho, a mais recente angústia sportinguista (só o Sporting para ter angústias deste género), a que se tem de juntar a velha angústia de termos perdido a primeira Taça Lucílio com estes mesmos cromos, há dez anos. Não se riam: ontem, quando vi o William avançar para marcar o último penálti, pensei: "boa Jesus, isto de o William falhar sempre o penálti não dura sempre. Hoje marca e acaba-se o trauma". Pois foi.

Por outro lado, o Bryan Ruiz marcou um golo decisivo.

O fascinante mundo da matemática

Não haja dúvidas de que a matemática é uma actividade fascinante, que tanto dá para descobrir qual é o acorde inicial de A Hard Day's Night quanto para esclarecer alguns aspectos engraçados das contas do nosso campeonato. Por exemplo, o leitor Mário João escreveu o seguinte comentário neste post do Pedro Correia: "a verdade é que o Sporting, ao contrário do Benfica, deixou de depender de si próprio para ser campeão". Tão verdadeiro quanto falso. Senão repare-se: é verdade que o Sporting já só pode disputar três pontos directamente com o Porto, estando a quatro de distância, enquanto o Benfica ainda vai disputar seis, estando a cinco. Mas basta o Benfica ganhar uma vez esses três pontos (e admitindo que tudo o resto se mantém igual) para isso deixar de ser verdade: o Sporting também só passará então a depender de si próprio para ser campeão e com vantagem de um ponto sobre o Benfica. Ou seja, a dependência do Benfica apenas dos seus próprios resultados para ser campeão implica voltar a fazer o Sporting depender apenas dos seus próprios resultados para ser campeão. Por isso, força Benfas, dá cabo deles!

 

O estado do futebol português

Perante o caso dos mails, o benfiquismo tem reagido sobretudo de duas maneiras:

1) Aquilo não é nada. Quem assim responde são os "cartilheiros" ou, então, são os crédulos (nos cartilheiros) em estado de negação. Note-se que mesmo o caso do bruxo Nhaga, que é usado pelo cartilheirismo para desvalorizar as revelações tripeiras, é bastante sério: se eu fosse accionista da Benfica SAD (cruzes credo!) não gostaria nada de ver usada aquela quantidade de dinheiro em bruxaria. Não sou advogado, mas pergunto-me se não se tratará mesmo de um caso de gestão danosa. Isto assumindo que estamos a falar realmente de bruxaria e não de linguagem cifrada para outro assunto qualquer.

2) O que o Benfica faz todos fazem, seguido de um choro copioso sobre o "estado a que chegou o futebol português". Estes não são cartilheiros e são forçados a admitir que há ali gato (ou galinha). Também têm graça: até o Porto ter começado com as suas revelações, viviam encantados com o estado do futebol português. Afinal, aí estava o Benfica como há muito não se via. Os outros eram queixinhas, que "jogassem à bola". Antigamente, era tudo uma roubalheira do Porto. Agora, já "são todos iguais". É evidente que esta lamentação genérica significa uma coisa muito simples: deixar tudo como está. O problema pode ser genérico (não sei se é e, sendo, de que maneira se distribuirá pelos vários clubes), mas neste momento os indícios apontam só para um lado. Não precisamos de carpideiras sobre o estado do futebol português. Precisamos é de esclarecer isto bem esclarecido.

Doente terminal

Como já aqui disse a propósito da "cartilha", o que as diversas revelações a seu respeito vêm fazendo é demonstrar como o Benfica é um clube doente. A doença do Benfica chama-se obsessão de ganhar por quaisquer meios, mesmo os ilegítimos. Como também já disse, o confronto de estruturas em curso apenas revelou aquilo que todos sabíamos mas faltava provar. Como se percebe melhor agora que o árbitro não tenha visto penálti na jogada seguinte e que, mais incrível ainda, o Conselho de Arbitragem da FPF, depois de visionadas as imagens, continuasse a não ver:

Estamos, portanto, perante uma excelente oportunidade para os dois grandes monumentos do falseamento desportivo em Portugal (SLB e FCP) se destruírem mutuamente. Nesse sentido, não gostei que a nossa comunicação viesse logo pedir o anulamento dos campeonatos do Benfica, ainda a procissão vai no adro. Sempre a nossa comunicação... Parece um departamento em alta voltagem, em que cada pessoa excita mais a seguinte (o célebre mata-e-esfola). O momento não é para andar a fazer chavasco. É para fazer jus à fama predatória do leão: observar bem e, depois, abocanhar na altura certa.

Equipa pequena

Leio na imprensa de hoje que adeptos, jogadores e dirigentes do FC Porto festejaram o empate de ontem da sua equipa na Luz.

Digam o que disserem, não me convencem: festejar empates é uma atitude própria de equipas pequenas. De resto, quando o treinador Nuno Espírito Santo deixou no banco André Silva - que vinha de marcar um golo e fazer uma assistência frente à Hungria, pela selecção nacional - num desafio desta dimensão deu logo sinal que vinha jogar para o empate.

Balanço do clássico: chegaram ao bairro de São Domingos de Benfica só a dependerem deles próprios. Saíram de lá sem essa condição e esse privilégio. E mesmo assim festejaram.

Contentam-se com muito pouco.

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