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És a nossa Fé!

O melhor prognóstico

Se os nossos jogadores tivessem tanta pontaria no momento do disparo à baliza como os nossos leitores e comentadores, além dos meus caros colegas de blogue, o Sporting seria de longe a equipa com mais golos marcados - em vez de ser apenas a quarta, como acontece nesta Liga 2017/2018.

A título excepcional, lancei-lhes aqui um repto para anteciparem o resultado da meia-final da Taça verdadeira que disputámos contra o FC Porto. Eis quem acertou no prognóstico:

Ângelo

Black Lion

Ricardo Roque

Aplicado o critério do desempate, regista-se um claro triunfo do leitor Ângelo, que não apenas antecipou o desfecho no momento em que se concluíam os 90 minutos da partida como a existência de um prolongamento sem golos e a vitória do Sporting no desempate por grandes penalidades.

Ele, acima de todos, merece os parabéns.

Quente & frio

Gostei muito de tudo. Do jogo repleto de emoção do princípio ao fim. Das bancadas em Alvalade cheias de adeptos vibrantes. Da nossa capacidade de superar obstáculos - com 55 desafios já disputados nesta temporada, contra apenas 47 dos portistas. Da entrega dos jogadores leoninos à luta pelo segundo troféu mais cobiçado do futebol português. Da nossa superioridade durante quase toda a partida. Do nosso triunfo em campo frente ao FC Porto, por 1-0 - o primeiro clássico que terminamos nesta época com vitória no tempo regulamentar de jogo. Do nosso acesso à final da Taça de Portugal, que disputaremos a 20 de Maio no estádio do Jamor.

 

Gostei do golo de Coates, que nos permitiu empatar a eliminatória, após termos sido derrotados 0-1 na primeira mão, no Porto. O internacional uruguaio, que tinha estado no centro de todas as críticas pela desastrada exibição frente ao Atlético de Madrid, na capital espanhola, soube redimir-se esta noite em Alvalade, não apenas por ter sido o único a meter a bola nas redes adversárias mas também pela sua excelente actuação no plano defensivo, com corte soberbos aos 31', 42' e 111'. Destacou-se ainda, no desempate por penáltis, por ter convertido a nossa quarta grande penalidade. Após Bruno Fernandes, Bryan Ruiz e Mathieu, e antecedendo Montero. Nenhum deles falhou neste momento decisivo.

 

Gostei pouco do sofrimento a que fomos submetidos até este desfecho bem sucedido - o terceiro que conseguimos por marcação de penáltis, após a meia-final da Taça da Liga (contra o FCP) e a final desta competição (contra o V. Setúbal), também decididas por grandes penalidades, com a balança a pender sempre a nosso favor. Prova inequívoca da maturidade competitiva e da força mental do plantel verde e branco, por mais que o cansaço físico prevaleça. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Não gostei da ineficácia ofensiva dos nossos avançados, incapazes de marcar um só golo em lances de bola corrida ou bola parada. Bas Dost, anulado pelos centrais portistas, praticamente passou ao lado do jogo. Montero teve bons apontamentos (nomeadamente quando partiu os rins a Alex Telles, numa incursão pelo flanco direito aos 116') mas só foi bem sucedido na ronda dos penáltis finais. Doumbia entrou muito tarde, aos 105', e pouco ou nada fez no escasso tempo em que esteve em campo.

 

Não gostei nada da meia hora inicial desta meia-final em Alvalade, em que o Sporting se mostrou lento, previsível, inofensivo à frente, com notória falta de intensidade. Felizmente soubemos dar a volta por cima e melhorar muito no segundo tempo, culminando no golo aos 84' que levou a partida para prolongamento. Era já meia vitória, antecipando o bom desfecho desta difícil partida que ainda mais valoriza o triunfo leonino. Prenúncio de novas e ainda mais saborosas vitórias.

Prognósticos antes do jogo

Não costumo alargar esta janela de prognósticos a jogos que não integrem o campeonato nacional de futebol. Mesmo assim são 34 por temporada - o que perfaz 68 textos, pois faço sempre questão em assinalar quem venceu ou, se não houver vencedor, em deixar isso mesmo expresso. Até para registo futuro.

Pois hoje vou abrir uma excepção, a poucas horas daquele que pode bem ser o nosso principal desafio da actual época futebolística. Peço os vossos vaticínios para o resultado do Sporting-FC Porto desta noite de quarta-feira, na importante segunda mão da meia-final da Taça verdadeira. Sem esquecer os nomes dos marcadores dos nossos golos, se os houver.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Da derrota. Não há volta a dar: nesta temporada somos incapazes de derrotar um dos nossos rivais. Balanço fraquíssimo: um empate com o Benfica, dois empates com o FC Porto e um par de derrotas com esta mesma equipa, que ontem voltámos a enfrentar, desta vez no Dragão, de onde saímos com novo resultado negativo: perdemos 1-2. Talvez a melhor exibição em clássicos desta época, mas o que conta são os números finais. Estes afastam-nos de vez da corrida pelo título de campeão nacional, colocando-nos a oito pontos do FCP quando faltam ainda nove jornadas. Um resultado igual ao do campeonato anterior, que nos tirou dessa corrida ainda antes, com 12 jornadas por disputar.

 

Do penálti perdoado ao Porto. Dizem que Artur Soares Dias é o melhor árbitro português: isto serve para mostrar a fraquíssima qualidade dos apitadores nacionais. Geralmente resguardado para os chamados "jogos grandes", é raro aquele em que sai com folha limpa. Desta vez prejudicou claramente - e grosseiramente - o Sporting ao perdoar uma grande penalidade cometida aos 17' pelo jovem defesa Dalot sobre Doumbia, quando o avançado leonino tinha a bola dominada e progredia dentro da área. O vídeo-árbitro, convicto da falta, alertou Soares Dias, que visionou o lance mas não deu o braço a torcer. E mesmo depois disto vão continuar a dizer que se trata do melhor árbitro português...

 

Das ausências. Se há jogo em que pesaram as ausências, foi este. Do nosso lado faltaram Bas Dost, Piccini e Podence (todos por lesão) e ainda o indispensável Gelson Martins (por castigo). Todos fizeram falta, cada qual a seu modo. É verdade que do lado do FCP Sérgio Conceição também não contou com Alex Telles (rei das assistências no campeonato), Danilo e Soares - nosso carrasco da época passada. Mas o Sporting (a)pareceu mais desfalcado neste clássico.

 

Das oportunidades perdidas. A história do jogo teria sido bem diferente se Rafael Leão, em vez de ter marcado apenas um golo, tivesse marcado dois: dispôs de oportunidade para isso, aos 89'. Antes dele aconteceu o mesmo a Doumbia (20'), Bruno Fernandes (22'), Coates (64'), Bryan Ruiz (65'), Montero (86') e novamente Coates (86'). Como noutros desafios, o Sporting tentou muito e quase conseguiu. Quase.

 

De Doumbia. Há jogadores, tal como existem alguns treinadores, que bem podem ser brindados com a alcunha de pés-frios. É o que parece ocorrer com o avançado marfinense: nem a lesão de Bas Dost o colocou como titular indiscutível do Sporting. Ele tenta bastante, mas parece ficar sempre com a tarefa por cumprir - ou por falta de jeito ou por manifesta falta de sorte. Recentemente viu dois golos limpos serem-lhe anulados, para duas competições diferentes. Agora, no Dragão, foi o chamado "melhor árbitro nacional" a negar-lhe um penálti que todo o país futebolístico viu. Aos 41', colocou mal o pé e lesionou-se sozinho, acabando substituído dois minutos depois. Alguém lhe lançou mau feitiço: Doumbia tem de ir ao bruxo.

 

De Ristovski. O jovem lateral direito não tem a mesma pedalada do ausente Piccini - isso voltou a ficar bem evidente numa exibição muito aquém daquilo que os adeptos esperavam dele. Aos 49' deixou Brahimi movimentar-se à vontade e fazer o golo da vitória portista. Nunca teve a acutilância que se impunha no apoio do ataque. Saiu aos 67', para entrar Rúben Ribeiro, ficando Battaglia no seu lugar.

 

Da estreia adiada de Wendel.  Aureolado de grande reforço, o médio que veio do Fluminense continua remetido para o banco, ainda sem um só minuto ao serviço do Sporting. O que se passará para demorar dois meses para vestir enfim de verde e branco?

 

Dos cartões amarelos. Na próxima partida teremos outra deslocação muito difícil: vamos a Chaves. Desfalcados de dois dos nossos melhores jogadores. Acuña e Bruno Fernandes viram cada qual o quinto cartão amarelo acumulado neste clássico, ficando assim impedidos de actuar em Trás-os-Montes.

 

 

Gostei

 

De Rafael Leão. Estreia de sonho do nosso jovem avançado, ainda júnior, num clássico da principal competição de futebol português. Jorge Jesus deixou-o de fora do onze inicial mas convenceu-se enfim de que ele fazia falta lá dentro após a lesão de Doumbia, mandando-o entrar aos 43'. Não podia ter começado da melhor maneira: marcou logo na primeira vez em que tocou na bola, aos 45'+1, com uma excelente mudança de velocidade, baralhando a marcação de Felipe e Dalot, e colocando muito bem a bola, que passou entre as pernas de Casillas. Fazia assim o empate, gelando o Dragão. Aos 63', noutra progressão perigosa, foi travado em falta, arrancando o amarelo a Felipe. Podia ter feito o 2-2 mesmo ao cair do pano, quando atirou por cima da baliza após bom centro de Rúben Ribeiro. Balanço muito positivo: em duas partidas, com apenas 88 minutos jogados, uma assistência e um golo. Valia a pena ter apostado nele mais cedo.

 

De Bryan Ruiz. Grande partida do costarriquenho, a melhor de verde e branco desta época. Começou como substituto de Gelson, jogando como ponta direita, mas rapidamente o treinador o remeteu para o corredor central, colocando-se atrás de Doumbia, por troca posicional com Bruno Fernandes. Foi bom na manobra ofensiva: é dele a assistência para o nosso golo. E foi bom também no momento defensivo: logo aos 12' salvou um golo quase certo do FCP, tirando a bola da linha da baliza, com Rui Patrício já batido (viria a suceder algo semelhante a Battaglia, aos 79'). Ainda ajudou a construir o lance que deu penálti (não assinalado) aos 17'. E esteve quase a marcar, num bom cabeceamento aos 65': a bola rasou o poste. Terminou o jogo novamente na ala direita, parecendo desta vez infatigável. Foi o melhor do Sporting.

 

De William Carvalho. Às vezes mal se dá por ele, mas não falha nos momentos decisivos. Voltou a ser crucial para a boa exibição leonina no Dragão, tanto na tarefa de recuperar bolas como na construção dos nossos lances ofensivos. É ele, com uma notável simulação, a iniciar o lance do golo, libertando a bola para Bryan Ruiz. Já tinha sido ele, com um passe longo, a começar a jogada que culminaria na grande penalidade (não assinalada) a Doumbia. Controlou o corredor central, sempre naquele estilo de falso lento de que alguns não gostam. Haveremos de ter saudades dele quando deixar de equipar de verde e branco.

 

De Bruno Fernandes. Começou como segundo avançado, mas por volta do minuto 10 Jesus mandou-o para a ala, com a missão de fazer incursões para o eixo do ataque. Com a transferência de Battaglia para lateral direito, aos 67', recuou para a posição 8, competindo-lhe comandar as operações ofensivas a partir daí. Jogou com a intensidade a que já nos habituou, criando linhas de passe (aos 17', numa das nossas melhores jogadas), fazendo bons centros (aos 20', para Doumbia) e tentando ele próprio o remate de meia-distância (aos 22', para defesa difícil de Casillas). Sendo um dos nossos jogadores mais utilizados, já denota algum desgaste físico. Mas nunca baixa os braços.

 

Da intensidade do jogo.  Ao contrário de outros embates entre as duas equipas já travados nesta temporada, este foi um verdadeiro clássico. Um desafio com transições rápidas, de parte a parte, quase sempre muito bem disputado, e com emoção de sobra até ao fim. Só o resultado, para nós, não esteve ao nível do resto.

Estorilgate (parte 2)

Espero que as instâncias jurisdicionais do futebol português, como se impõe, abram um processo de averiguação às declarações do ainda treinador do Estoril na sequência da miserável prestação da sua equipa na Amoreira. Num jogo que teve duas partes separadas por trinta e sete dias, o que permitiu ao FC Porto - a perder ao intervalo - fazer "seis alterações" de uma assentada na equipa.

Quando o próprio técnico, sem papas na língua, se vem queixar de que os jogadores fizeram "pouco ou nada" e aquele conjunto de 11 indivíduos (a que recuso chamar equipa) "quase dava dó", o cheiro a esturro é evidente.

Ivo Vieira é um treinador que me merece consideração e respeito. Ele sabe, melhor que ninguém, que não existe a menor correspondência entre o Estoril que ganhava ao FC Porto por 1-0 na primeira parte disputada em 15 de Janeiro (ou que derrotou o Sporting por 2-0 em 4 de Fevereiro) e a vergonhosa autoestrada ontem aberta no estádio António Coimbra da Mota em benefício dos portistas.

Já basta ter existido um Estorilgate (parte 1), numa das mais vergonhosas épocas desportivas de que há memória. O futebol português não pode continuar assim, chafurdando de lamaçal em lamaçal.

 

Factos


  • A melhor oportunidade de golo na meia-final de ontem foi do Sporting, naquele petardo do Coates, aos 64', que fez tremer o poste de Casillas.

  • O árbitro perdoou um penálti grosseiro e clamoroso de Danilo sobre Bas Dost logo aos 5 minutos de jogo.

  • Nuno Almeida perdoou ainda uma expulsão a Marega, que apertou o pescoço a Fábio Coentrão com manifesta agressividade e ficou impune.

  • Fomos mais competentes na marcação dos penáltis.

  • Estamos na final da Taça da Liga. O FC Porto foi afastado.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Chiclete, mastiga e deita fora

"E como tudo que é coisa que promete

a gente vê como uma chiclete

que se prova, mastiga e deita fora, sem demora"

- Chiclete, Taxi

 

Infelizmente, o Porto venceu o jogo. E de goleada! Pelo menos, esse foi o resultado do jogo visto por Luis Freitas Lobo. O mesmo jogo em que um Martins (Gelson) é durante todo o jogo chamado Fernandes (obrigado Pedro Correia!!) pelo narrador de serviço. Mas, não é que uma imagem vale mais do que mil palavras e eu estou a ver os jogadores do Sporting a festejar no relvado! Confusos? É simples: perdemos a partida dos comentadores, mas ganhámos o jogo real. E esse ainda é o que conta, a não ser que as regras desta competição sejam insólitas. Esperem lá, tendo em conta que estamos a falar da Taça da Liga...

O jogo iniciou-se com um "penalty" claro cometido por Danilo sobre Bas Dost, mas o AVARiado decidiu que se tratara de um acasalamento fortuito, sem intenções comprometedoras. O Sporting estava bem no jogo e a saída do mesmo Danilo, lesionado logo aos 9 minutos, era um bom prenúncio. Logo de seguida, Bruno Fernandes respondeu a uma excelente iniciativa de Fábio Coentrão e só Alex Telles evitou que os leões inaugurassem o marcador.

Subitamente, deixámos de jogar. O nosso meio campo deixou de funcionar e os alas não conseguiam dar a profundidade necessária. Com isso, o nosso jogo mastigou-se. Uma maçada, um empastelamento provocado por processos adinâmicos e previsíveis que retiraram espontaniedade aos jogadores e pela ausência de Bruno Fernandes na sua posição natural de organizador de jogo ("10"). O Porto começou a ganhar faltas no nosso meio campo, beneficiando da envergadura dos seus avançados. Numa transição rápida, acabaria por chegar ao golo, mas este viria a ser bem invalidado, por fora de jogo. Para agravar as coisas, e diminuir ainda mais a velocidade da nossa saída de bola, Gelson saiu aleijado numa coxa.

O segundo tempo foi pior. Jesus, que lançara Battaglia para render Gelson, desposicionou ainda mais Bruno Fernandes (até aí um "8"), colocando-o sobre a direita. Com o seu jogador mais influente (10 golos, 11 assistências e 12 participações decisivas) fora de posição e o recém-chegado Ruben Ribeiro a ocupar o seu lugar, ficámos sem acasalamento com Dost e sem possibilidade de explorar convenientemente a ausência de Danilo e o espaço entrelinhas. Em boa verdade, o ex-vilacondense saiu tarde (rendido pelo regressado Montero) e num momento em que a única parte do seu corpo que ainda estava oxigenada era... o cabelo.

Bruno ainda teve dois momentos em que se amotinou e procurou a zona central. Instantaneamente, causámos perigo. Após um canto, uma vez mais, Coentrão centrou e Coates cabeceou para a trave. Foi sol de pouca dura.

As substituições não alteraram o "status-quo". Voltámos a mastigar e, desta vez, deitámos mesmo fora a possibilidade de ganhar o jogo no tempo regulamentar. Aliás, não fora a atenção de Patrício e poderia ter sido pior.

Sem demora, chegámos à lotaria das penalidades e aí dá muito jeito ter São Patrício. Rui defendeu dois castigos máximos bem marcados, ao contrário de Casillas que teve pelo menos uma oferta (de Coates). Valeu o remate ao poste de Brahimi para, ao segundo "match point", o ressuscitado Bryan Ruiz, incrivelmente, não falhar perante um Casillas com a baliza, perdão, a porta escancarada (para sair).

Num jogo em que as circunstâncias nos foram favoráveis, valeu o triunfo para evitar a "lapidação" de JJ na Pedreira. Quem nunca errou que atire a primeira pedra - dirá Jesus - , mas hoje as asneiras provenientes do banco foram demais. Até a decisão de pôr William - reconhecidamente um não especialista - a marcar o quinto e sempre potencialmente decisivo "penalty" foi para esquecer. Além disso, o nosso jogo assemelha-se cada vez mais a uma chiclete: mastiga, mastiga, enrola, enrola, faz balão e, um destes dias, ainda explode.

Destaques pela positiva para Fábio Coentrão (o melhor em campo), Piccini (abafou Brahimi), Coates (cortes providenciais), Mathieu (impressionante aquele lance, na primeira parte, ganho em velocidade a Marega) e, obviamente, São Patrício, o guardião da nossa FÉ.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fábio Coentrão

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Quente & frio

Gostei muito da qualificação do Sporting para a final da Taça da Liga - algo que acontece pela terceira vez. Derrotámos esta noite o FC Porto, que nos deu muita luta e foi um digno vencido. Mas a melhor oportunidade de golo, ao longo dos 90 minutos, foi nossa: Coates, muito bem servido por Fábio Coentrão, cabeceou ao poste no minuto 64. Com 0-0 no tempo regulamentar, o acesso à final decidiu-se por penáltis. Convertidos, da nossa parte, por Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu e Bryan Ruiz (Coates e William Carvalho falharam). E com Rui Patrício a defender dois (parando remates de Herrera e Aboubakar), confirmando que é o melhor guarda-redes português e um dos melhores da Europa. Aos 74', já tinha feito uma defesa monumental, travando com êxito um disparo de Aboubakar: voto nele como figura deste jogo que funciona como forte tónico psicológico para a equipa. Agora falta disputar a final: será já neste sábado, frente ao V. Setúbal.

 

Gostei do regresso de Montero à equipa do Sporting, dois anos após ter saído, naquela fatal segunda volta do campeonato 2015/2016 em que muita falta nos fez. Jorge Jesus fê-lo entrar aos 78' deste desafio, disputado na Pedreira de Braga. O avançado colombiano ficou certamente satisfeito pela calorosa ovação que escutou ao entrar em campo. Fez pouco nesta partida, mas promete ser um elemento decisivo neste assalto ao título que perseguimos cheios de convicção.

 

Gostei pouco que não tivéssemos conseguido marcar um golo nos 90 minutos regulamentares e gostei ainda menos que saíssemos para o intervalo sem fazer um só remate à baliza. Bas Dost, muito isolado, foi incapaz de se libertar da marcação simultânea de Felipe e Marcano. Bruno Fernandes tentou a meia-distância, mas sem sucesso. Rúben Ribeiro esteve pelo segundo jogo consecutivo aquém das expectativas. Em compensação, podemos congratular-nos por continuarmos invictos no conjunto das competições internas já disputadas nesta época.

 

Não gostei de ver Gelson Martins em má condição física - ao ponto de ter sido forçado a abandonar o campo, coxeando, aos 43', para dar lugar ao banal Battaglia. O jovem ala ofensivo é um jogador imprescindível no onze titular leonino. Esperamos que recupere em tempo útil para continuar a dar o seu contributo ao Sporting nos desafios para o campeonato: sem ele, a equipa é sempre inferior em capacidade de ataque. E por falar em ataque: também não gostei que Doumbia não constasse sequer da ficha do jogo. O clube já o terá dispensado de vez?

 

Não gostei nada que tivesse ficado impune uma falta cometida por Danilo logo aos 5', quando agarrou Bas Dost na grande área do FCP. Um penálti que Nuno Almeida deixou por assinalar, com a conivência de Artur Soares Dias, hoje de piquete como vídeo-árbitro. O Sporting foi claramente prejudicado neste lance: essa grande penalidade daria com muita probabilidade um rumo bem diferente a esta meia-final da Taça da Liga. E o senhor Almeida não tinha seguramente qualquer deficiência no apito, pois interrompeu a partida 53 vezes(!) para assinalar faltas, reais ou imaginárias. Uma, em média, a cada 25 segundos: quem repare nesta estatística sem ter visto o jogo, talvez imagine que aquilo fosse uma batalha campal. Nada disso: houve apenas incontinência do apito do árbitro Almeida. Que só emudeceu quando não devia. E foi péssimo no capítulo disciplinar, poupando cartões amarelos a pelo menos três jogadores do Porto: Oliver, Soares e Alex Telles. Além de um vermelho a Marega, que apertou o pescoço a Fábio Coentrão.

Nem me passa pela cabeça

Nem me passa pela cabeça que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que no início da época fez uma vistoria exaustiva ao estádio António Coimbra da Mota e validou a sua utilização para as competições desportivas da temporada, venha agora punir o Estoril por alegadas deficiências estruturais nesse mesmo esse edifício, entregando de bandeja os três pontos ao FC Porto num jogo em que esta equipa perdia ao intervalo.

Já vimos quase de tudo no futebol português. De putativas "vitórias na secretaria" como esta ainda não. Tenho esperança que continuemos sem ver.

Hoje giro eu - O momento Mourinho de Sérgio Conceição

Estava a época 2002/2003 no seu início quando um jovem José Mourinho tomou a decisão de afastar Vitor Baía após um incidente disciplinar protagonizado pelo guardião. Com esta decisão, o treinador portista conseguiu afirmar-se perante o grupo, acabando por vencer a Taça UEFA nesse ano (já com Baia a titular), a que adicionaria a conquista da Champions no ano seguinte.

A decisão tomada hoje por Sérgio Conceição - que tem excedido largamente as expectativas, tanto na liderança do grupo como no nível de jogo apresentado - de optar por José Sá em detrimento de Iker Casillas "cheira" a tentativa de afirmação por parte do técnico dos dragões. Independentemente de ter havido ou não algum motivo de ordem disciplinar - algo puramente especulativo neste momento - o promissor treinador admitiu publicamente que escolheu Sá porque produz as suas escolhas através dos treinos e o jovem guardião lhe dava mais garantias para este jogo. A verdade é que, ao contrário de Mourinho, Sérgio começa a perder esta aposta: a equipa jogou bastante mal, foi claramente dominada pelo Red Bull Leipzig - ao ponto de o resultado ter sido lisonjeiro - e a sua aposta para a baliza falhou clamorosamente, abrindo caminho ao primeiro golo dos alemães. Para além disso, coincidência ou não, a defesa portista pareceu sempre pouco confortável e, fundamentalmente, o Porto foi derrotado e está neste momento fora dos lugares de qualificação para a próxima fase da Champions.

Casillas é um jogador difícil de ter no banco. Está habituado a ter protagonismo e à sua volta existe sempre imenso mediatismo. Quem ganha tem sempre razão, mas o Porto perdeu. E agora, Sérgio?

 

P.S. Existe um tipo de técnico, de que o melhor exemplo será Manuel Machado, que permanentemente ajusta o seu modelo de jogo ao adversário. Outros, como Mourinho ou Jesus, não perdendo a sua identidade, produzem algumas adaptações face à observação dos adversários. Sérgio Conceição parece pertencer a uma terceira estirpe, a dos treinadores que não prescindem das suas ideias, do ADN do seu futebol, independentemente do adversário, um pouco ao estilo da escola do Ajax. Posso estar a ser injusto - Sérgio até disse que tinha avisado para os movimentos interiores dos alas -, mas ficou a ideia de que o Porto não estudou suficientemente o Leipzig, algo que já tinha transparecido aquando da visita do Besiktas.

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