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És a nossa Fé!

O Sporting e o "sistema" azul e branco

Faleceu ontem também Reinaldo Teles, o fiel escudeiro de Pinto da Costa, e ficam aqui as minhas condolências à família e ao seu clube de sempre. O "chefinho", como era chamado, era muito querido pelas gentes do FCPorto e por quase todos os que passaram pela sua equipa de futebol, e pelos vistos tinha amigos um pouco por todo o lado que agora manifestam o seu pesar. Paz à sua alma.

Mas não nos podemos esquecer que Reinaldo Teles foi parte integrante e um dos actores principais do "sistema" mafioso que o Porto montou para dominar o futebol português, de braço dado com a Olivedesportos dos manos Oliveira que controlava economicamente os clubes, com personagens como Adriano Pinto, Lourenço Pinto e Guilherme Aguiar nos órgãos federativos.

O aparecimento e desenvolvimento desse "sistema" foi muito bem documentado por Marinho Neves no seu livro "Golpe de Estádio, o romance da corrupção do futebol português", de 1996, trocando os nomes reais por alcunhas bem apanhadas. O "Tony Balboa" (foi na secção de box que Reinaldo Teles e Pinto da Costa se tornaram amigos para a vida) é mesmo a personagem central do livro que acaba com o capítulo "O dia do juízo final",  uma previsão do que seria uns anos depois o "Apito Dourado", mas com um desfecho bem diferente. 

O livro não conheceu sequela, o autor teve azar na vida, parece que escorregou à frente da sua casa, como tiveram alguns árbitros e jornalistas desse tempo. 

Foi o tempo em que João Rocha esteve sozinho contra o tal "sistema", ganhando umas vezes, perdendo outras, com arbitragens vergonhosas, jogadores a falhar em momentos-chave (vide Manuel José) e finalmente metendo a raposa no galinheiro com os manos Oliveira.

Depois vieram outros presidentes que foram contemporizando com a situação, com umas trocas de jogadores pelo meio, e só com Dias da Cunha se ouviu de novo uma denúncia clara e assertiva do "sistema". Depois dele as coisas foram mudando, o "polvo encarnado" começou a ganhar terreno ao "sistema", a diferença de peso institucional dos dois clubes começou-se a fazer sentir e o jogo fora e dentro do campo começou a ser bem diferente.

Com Bruno de Carvalho tivemos primeiro o enxovalho público pelo vice Caldeira, a que se seguiram umas frases mal educadas sobre Pinto da Costa, depois tivemos o episódio das "nádegas", finalmente arranjou-se ali uma bela amizade que está para durar. Um dos princípios do tal "sistema" é que os dois de Lisboa nunca podem estar juntos: a ideia, que se provou de eficácia tremenda, é sempre estar a namorar com um e a lixar o outro. Por isso mesmo, no dividir para reinar, o recente apontar da bazuca ao nosso presidente e passar a mão pelo lombo ao Bruno de Carvalho e à Juveleo.

Voltando ao início, com a saída de cena gradual daquela meia dúzia de personagens que formaram o núcleo duro da equipa de Pinto da Costa, e com a do próprio a acontecer um dia destes pela força da idade, com o aperto financeiro causado por anos e anos de engorda desse núcleo, com a guerra sem quartel do tal "polvo encarnado", o "sistema" já não é o que era e o "macaco" agita-se nervosamente nos "galhos". 

Mas de certeza que não é o Sporting que lhe vai estender a mão para suavizar a queda.

 

Marinho Neves:  https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/detalhe/marinho-neves-tentaram-matar-me-944291

Manuel José: https://www.noticiasaominuto.com/desporto/1499415/manuel-jose-arrasa-f-gomes-nao-tens-vergonha-de-olhar-ao-espelho

Dias da Cunha: https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/sporting/detalhe/dias-da-cunha-e-o-sistema-no-seu-esplendor

Bruno de Carvalho: https://www.futebol365.pt/artigo/110388-bruno-de-carvalho-volta-a-acusar-pinto-da-costa-de-senilidade/

https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/fc-porto/detalhe/adelino-caldeira-nao-pronunciado-no-processo-de-bruno-de-carvalho-963919

 

PS:  Apenas publicarei comentários sobre o tema do post.

SL 

Perceber porque ele fala assim

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Em Janeiro de 2019, o Sporting venceu a Taça da Liga, derrotando na final o FC Porto.

 

Em Maio de 2019, o Sporting venceu a Taça de Portugal, derrotando na final o FC Porto.

 

Em Maio de 2019, o Sporting conquistou a Liga Europeia de hóquei em patins, numa emocionante final contra o FC Porto.

 

Em Agosto de 2020, o Sporting contratou Pedro Gonçalves, jogador que estava no topo das preferências do FC Porto para a nova temporada de futebol.

 

Em Agosto de 2020, o Sporting contratou Nuno Santos, jogador que constava da lista de prioridades do FC Porto como reforço para a nova temporada futebolística.

 

Em Outubro de 2020, o Sporting venceu a Taça de Portugal em basquetebol, derrotando na final o FC Porto, que se pretende hegemónico na modalidade.

 

Não é preciso contratar o Sherlock Holmes: eis seis motivos que levaram Pinto da Costa a dizer o que disse sobre o presidente do Sporting

 

O FC Porto levado ao colo

Como escrevi aqui, o árbitro Nuno Almeida e o vídeo-árbitro André Narciso funcionaram ontem como 12.º e 13.º jogadores do FC Porto. Não evitando, mesmo assim, a derrota dos portistas frente ao Paços de Ferreira.

A coisa foi tão evidente e tão escandalosa que os especialistas de arbitragem - deixando por uma vez de lado os corporativismos reinantes no sector - deixaram de reconhecer. Incluindo os mais conotados com os azuis-e-brancos.

Aqui ficam as opiniões hoje publicadas no jornal O Jogo (a azul) e no jornal A Bola (a vermelho).

 

Sobre a expulsão a que foi poupado Uribe, por agressão a Luther Singh (minuto 15):

Fortunato Azevedo - «Uribe, de forma ostensiva, atingiu com o cotovelo a cara de Bruno Costa. Falta grosseira merecedora de cartão vermelho.»

Jorge Coroado - «O movimento do braço de Uribe não foi para ajudar a elevação. Foi para afastar o adversário. Conduta violenta merecedora de cartão vermelho.»

José Leirós - «Não assinalou falta, era livre directo e cartão vermelho. Uribe atingiu deliberadamente o rosto do adversário.»

 

Sobre a invalidação de um golo ao Paços por hipotética falta de Dor Jan sobre Mbemba (minuto 37):

Fortunato Azevedo - «Dor Jan faz um corte de forma legal, só depois de tocar na bola é que se dá o contacto com Mbemba. O golo foi mal invalidado.»

José Leirós - «Surreal. Dor Jan chegou primeiro e claramente jogou a bola. O contacto é inevitável em futebol. O golo foi mal anulado. Não culpem o VAR.»

Duarte Gomes - «Dor Jan toca na bola e, de forma inevitável e natural, choca com Mbemba, lance que o VAR entenderia, muito mal, como falta, dessa forma invalidando golo legal ao Paços.»

 

Sobre um penálti favorável ao FCP por suposta mão de Eustáquio na bola (minuto 45+5):

Fortunato Azevedo - «Quando Eustáquio estava em queda e de costas, a bola bateu-lhe involuntariamente no braço. Penálti mal assinalado.»

Jorge Coroado - «Eustáquio, de costas para o lance e a fazer a recepção ao solo, viu a bola embater-lhe no braço. Não houve motivo para penálti, a lei é clara.»

José Leirós - «Eustáquio virou o corpo à bola e, quando ia em queda, a apoiar as mãos no relvado, a bola acertou-lhe no braço. Errou [o árbitro]. Não era penálti.»

Duarte Gomes - «No penálti a favor do FCP, a bola toca no braço direito de Eustáquio quando este está em apoio natural no solo. Lance legal, que devia ter merecido intervenção do VAR.»

 

Mais que incompetência

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Já poucas coisas me surpreendem. Mesmo assim, confesso: abri a boca de espanto ao ver ontem o Paços de Ferreira-FC Porto, jogo dominado do princípio ao fim pela turma da casa. Não havia público, visto não se tratar de uma competição de fórmula 1, mas a equipa de arbitragem funcionou como "12.º jogador" dos portistas, puxando de forma inequívoca pelo onze visitante. Que mesmo assim saiu derrotado.

Valha a verdade: o desaire dos azuis-e-brancos - que já perderam oito pontos à sexta jornada - não aconteceu por culpa do árbitro. Nem do vídeo-árbitro. Ambos fizeram o que podiam para que o FCP saísse vitorioso da Capital do Móvel. O primeiro, assinalando um penálti contra o Paços que nunca existiu. O segundo, mandando o primeiro invalidar um golo limpo quando os da casa já venciam por 1-0. 

Mesmo assim, com um penálti sofrido sem qualquer base legal e tendo visto anulado um golo marcado de forma irrepreensível, o Paços de Ferreira conquistou os três pontos. Merece parabéns redobrados.

 

Em qualquer outro país supostamente civilizado, estes dois senhores não voltariam a apitar jogo algum.

Refiro-me ao nosso velho conhecido árbitro Nuno Almeida, mais conhecido por Ferrari Vermelho (e que a partir de agora pode ficar a ser conhecido também por Porsche Azul), e ao vídeo-árbitro André Narciso, um alegado "jovem promissor" do apito que há três dias, em Alvalade, amarelou Palhinha aos 36 segundos e exibiu cartões a Feddal sem que o defesa leonino tivesse sequer tocado no adversário e a Sporar por hipotética "simulação" que nunca existiu.

Mas de uma coisa podemos estar certos: estes dois continuarão a andar por aí. Cometendo atentados à verdade desportiva.

 

Nestas ocasiões, em tempos mais recuados, sentia a tentação de atribuir tudo isto à pura incompetência. Mas quando verifico que o FCP, em seis jornadas, foi escandalosamente favorecido em quatro (contra Sporting, Braga, Marítimo e Paços) e que metade desses seis desafios terminou com treinadores adversários expulsos (Rúben Amorim, Lito Vidigal e agora Pepa), tenho de concluir que se trata de algo mais. Não pode ser só incompetência.

Ontem à noite, não sei porquê, lembrei-me daquelas palavras de Frederico Varandas: «Um bandido será sempre um bandido.»

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De termos enfrentado sem temor o Porto no clássico disputado em Alvalade. Dominámos no quarto de hora inicial, em que marcámos um golo e estivemos quase a marcar outro (Marchesín, com uma grande defesa, impediu aos 7' que Matheus Nunes a metesse lá dentro), e estivemos por cima durante quase toda a segunda parte, em que o melhor jogador adversário foi de longe o veterano central Pepe. Superioridade traduzida no segundo golo, o do empate, já com os campeões nacionais encostados às cordas. O empate 2-2 acabou por nos saber a pouco.

 

De Pedro Gonçalves. Para mim, o melhor em campo. Foi o elemento mais acutilante da nossa equipa, sempre em jogo, criando sucessivos desequilíbrios. Viu Marchesín negar-lhe o golo com uma defesa muito apertada, aos 37', e foi carregado em falta dentro da grande área portista no tempo extra da primeira parte - lance que originou um penálti afinal revertido por intervenção do VAR, lesando a verdade desportiva. Incansável, foi ainda este jogador - verdadeiro reforço do Sporting - a cruzar para o nosso segundo golo, aos 87', marcado por Vietto, à ponta-de-lança.

 

De Porro. Tornou-se já indiscutível como titular da ala direita leonina. Mesmo tendo sido alvo de um pisão por Zaidu logo aos 20', em lance que o deixou em evidente inferioridade física até ao intervalo, nunca virou a cara à luta nem deixou de criar perigo pelo seu flanco. Fez a assistência para o nosso golo inicial e esteve ele mesmo quase a marcar, aos 75', rematando a rasar o poste direito já com Marchesín batido.

 

De Palhinha. Regressou enfim a Alvalade, num jogo oficial, após o longo empréstimo ao Braga, durante duas temporadas. E cumpriu a missão que lhe foi pedida, funcionando como tampão do fluxo ofensivo portista no corredor central. Em excelente forma física, muito combativo, protagonizou várias recuperações de bola. Uma delas foi decisiva, aos 87', abortando a construção ofensiva da equipa adversária e dando logo início ao contra-ataque que origina o golo do empate. 

 

De Adán. Sem culpa nos golos, revelou segurança entre os postes e também a repor a bola, tanto com as mãos como com os pés. Decisivo a evitar que o Porto marcasse logo no minuto inicial, fez outra grande defesa aos 22'. Ao 85', funcionando como um líbero, saiu muito bem da baliza, gorando um ataque adversário que prometia ser perigoso.

 

Do golo de Nuno Santos. Surgiu cedo, aos 9', e foi mais um golo de grande qualidade - o segundo marcado no Sporting por este reforço leonino, correspondendo da melhor maneira a um centro de Porro: disparou ao primeiro poste, com o pé esquerdo, sem deixar a bola tocar na relva. Um golo de fazer levantar o nosso estádio - se houvesse público nas despidas bancadas de Alvalade, neste nosso primeiro jogo em casa para a Liga 2020/2021.

 

Do regresso de João Mário. Voltamos a ter um campeão europeu em título a jogar de verde e branco. Emprestado pelo Inter ao Sporting, o médio formado em Alcochete entrou em campo aos 77'. Tempo suficiente para mostrar toda a sua capacidade técnica em espaços curtos e a uma excelente leitura de jogo. Ajudou a empurrar a equipa para a frente com critério e qualidade, contribuindo para a reviravolta no marcador: conseguimos empatar a partida quando o Porto já acreditava que sairia do nosso estádio com os três pontos.

 

De ver um Sporting superior ao da época passada. Em Janeiro, perdemos 1-2 com o FCP em Alvalade. E saímos derrotados de todos os embates com Benfica e Porto nessa triste época 2019/2020. Melhorámos logo ao primeiro jogo grande da temporada em curso. Apesar de termos em campo cinco jogadores que só agora disputaram o primeiro clássico do futebol profissional em Portugal: Adán, Feddal, Pedro Gonçalves, Porro e Nuno Santos.

 

 

Não gostei
 

 

Do árbitro Luís Godinho. Fez tudo para influenciar o resultado - e conseguiu. Aos 20', poupou Zaidu a um vermelho directo por falta clamorosa sobre Porro que podia ter causado uma lesão prolongada no nosso jogador. Aos 45'+1, perdoou ao mesmo defesa do FCP - que já nem devia estar então em campo - outra expulsão por ter cometido penálti sobre Pedro Gonçalves: quando este se encontrava à sua frente, já com a posição ganha, colocou-lhe a mão no ombro, travando-lhe a impulsão no momento da recepção de uma bola na grande área. Inicialmente, o apitador exibiu o vermelho e apontou para a marca dos 11 metros. Mas foi sensível ao reparo do VAR Tiago Martins, revertendo tudo. E, para coroar este péssimo desempenho, expulsou logo de seguida Rúben Amorim, forçado a acompanhar toda a segunda parte nas bancadas, bem longe do relvado.

 

De ver o FCP marcar por duas vezes. Falhanços da nossa organização defensiva em dois momentos cruciais do jogo permitiram que a equipa adversária marcasse, por Uribe aos 25' e por Corona aos 44'. Em jogos desta importância, qualquer falta de sincronização no bloco mais recuado pode causar danos, como se comprovou.

 

De termos consentido os primeiros golos. Após duas vitórias (em casa do Paços de Ferreira e do Portimonense) sem golos sofridos, empatamos ao terceiro jogo. Ainda com um desafio em atraso - a recepção ao Gil Vicente, que vai ocorrer só no dia 28. 

 

De Jovane. Amorim apostou nele como falso ponta-de-lança, abdicando de Sporar no onze titular, mas o luso-caboverdiano - que regressou de uma lesão - parece não estar calhado para esta missão de desgaste e sacrifício, pressionado entre os centrais. Foi o elemento mais apagado da nossa equipa. Quando cedeu o lugar a Vietto, aos 56', dava a sensação de já sair tarde

 

De continuar a haver jogos sem público. Uma tristeza, vermos o nosso estádio vazio num jogo grande do campeonato. O mesmo estádio que já acolheu espectadores em dois recentes desafios da selecção nacional. Não se entende tal disparidade de critérios, com a chancela da Direcção-Geral da Saúde. Até parece que a Federação Portuguesa de Futebol é filha e a Liga de Clubes é enteada.

Prognósticos antes do jogo

Está quase a chegar o primeiro clássico do ano: o Sporting-FC Porto, que vai jogar-se depois de amanhã, sábado, a partir das 20.30. Um jogo sem público, nesta prova organizada pela Liga, apesar de ontem ter sido autorizada a presença de cinco mil espectadores no nosso estádio para assistirem ao Portugal-Suécia (3-0), prova organizada pela FPF. 

Alguém entende esta disparidade de critérios? Eu não, de todo.

 

Vai jogar-se a quarta jornada do campeonato nacional de futebol ainda com estádios vazios - embora para o Sporting esta seja apenas a terceira participação, devido ao adiamento do jogo inaugural, em que recebíamos o Gil Vicente, e que continua por disputar.

Mas estou novamente a dispersar-me. O que eu pretendo é conhecer os vossos prognósticos para este clássico. Lembrando que o anterior Sporting-FC Porto ocorreu a 5 de Janeiro: fomos os melhores em campo, mas cometemos erros defensivos imperdoáveis, acabando por sair derrotados (1-2). Com o nosso golo a ser iniciado e concluído por alguém que já não está: Marcos Acuña. E com um penálti perdoado aos portistas pelo "categorizado" árbitro Jorge Sousa, entretanto retirado dos relvados, a bem do futebol.

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira

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«O presidente do Benfica juntou uma lista de 22 juízes que convidou para ver um jogo da Champions, na maior parte desembargadores nos Tribunais da Relação, à sua defesa no processo judicial Lex. Esta iniciativa de Luís Filipe Vieira procura demonstrar que convidar magistrados para os camarotes do estádio da Luz não é mais do que uma prática corrente.»

 

«Pinto da Costa foi sempre o mais inteligente. Sempre teve a seu lado meia Relação do Porto ou de Guimarães. Sempre utilizou as viagens ao estrangeiro, em competições da Champions ou da antiga Taça dos Campeões Europeus, para comprar cumplicidades selectivas. E teve-as sempre que precisou, nos tribunais, na polícia, na política.»

 

«Vieira fez, afinal, o que é uma evidência no futebol. Os 22 juízes do Benfica têm apenas a força metafórica de simbolizar a enorme atracção do futebol na classe mas, também, a enorme vulnerabilidade que isso gera em profissões que têm a sua matriz na independência e no distanciamento social.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, no Record

Uma treta

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A crise aperta? Afinal parece que não. Pelo menos para alguns. 

 

O Benfica saca por 24 milhões de euros um jogador uruguaio da segunda liga espanhola, com um arrepiante historial de lesões e apenas 20 golos marcados em competições oficiais seniores. Uma espécie de Cavani dos pequeninos. É quanto basta para se tornar de imediato o jogador mais caro do futebol português e a quantia envolvida constituir recorde absoluto na segunda divisão do país vizinho.

 

Entretanto um jogador de segunda linha do Porto acaba de rumar ao Wolverhampton. Currículo do rapaz? Anotem estes números impressionantes: jogou uma vez como titular na Liga, tem um golo marcado no campeonato e menos de 800 minutos ao serviço da equipa principal. "Argumentos" que bastaram para que "o clube mais português de Inglaterra" abrisse generosamente os cordões à bolsa, libertando 40 milhões de euros para os depauperados cofres do FC Porto. O que torna o rapaz no terceiro sub-18 mais caro do futebol mundial, ultrapassado apenas por duas contratações do Real Madrid.

 

Verbas astronómicas como estas, em tempos de severa contracção das receitas financeiras a nível mundial devido às incertezas da pandemia, deviam ser rastreadas como o novo coronavírus. Investigadas até ao último cêntimo.

Mas sou capaz de apostar que isso não vai acontecer. Conclusão: o chamado fair play financeiro no futebol continua a ser uma treta.

Aprender com quem sabe

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O meu amigo Eduardo Hilário é muito mais benevolente do que eu na sua avaliação do plantel leonino. Embora eu perceba a defesa intransigente que faz de jogadores com um mínimo de qualidade para vestir de verde e branco, considero que leva a generosidade longe de mais.

A SAD não chegaria longe, em termos contabilísticos, se apenas vendesse Renan, Ilori, Rosier, Eduardo e Mattheus Oliveira: tudo junto, mal daria uns trocos. Apesar da minha reiterada simpatia pelo guarda-redes brasileiro, a quem devemos duas taças.

A incómoda verdade é que, para salvar a época em termos financeiros, o Sporting terá de recorrer novamente a receitas extraordinárias - e, excluindo a indesejável antecipação de nova fatia dos proventos da NOS, isto só se consegue vendendo jogadores pelo melhor preço de mercado possível. Não a preço de saldo, como aconteceu há um ano com Bas Dost, ou de borla, como acontecera pouco antes com Nani. Quando não havia sequer a crise pandémica a funcionar como desculpa.

 

Já sem Bruno Fernandes nem Raphinha, e com Mathieu agora retirado, resta-nos ver partir pelo menos três ou quatro jóias da coroa - jogadores com presença internacional ao serviço das selecções dos seus países ou um par de talentos da nossa formação.

Preparemo-nos, portanto, para a despedida de Acuña - sem dúvida aquela que mais nos custará, entre os jogadores estrangeiros. Creio que também Battaglia, Borja, Doumbia e Ristovski estarão junto à porta de saída.

O pior, para nós, será vermos partir Jovane, Joelson ou até Max: andando as coisas como andam, já nada me admira. Dou por adquiridas as saídas de Miguel Luís, Pedro Mendes e Rodrigo Fernandes, que não pesarão muito em termos contabilísticos. E só espero que pelo menos Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Matheus Nunes se mantenham. Embora sem fazer apostas, atendendo ao que foi a calamitosa gestão do mercado de transferências em Agosto-Setembro de 2019.

 

O que eu gostaria era de ver replicada no Sporting a capacidade de gestão revelada pelo FC Porto na época desportiva há pouco terminada. Tendo perdido - por motivos semelhantes aos nossos - jogadores da craveira de Brahimi, Herrera, Óliver, Felipe e Militão, além de ficar sem Casillas por doença do guarda-redes que foi campeão europeu e mundial, a agremiação portista conseguiu reinventar-se ao ponto de vencer o campeonato. Obteve êxito desportivo sem descurar a componente financeira. Mudou, sim, mas para melhor.

Será pedir de mais algo semelhante no Sporting? Não: seria reivindicar o mínimo num clube com a dimensão do nosso. Infelizmente, o nível de exigência vai baixando de ano para ano em Alvalade e a gestão das expectativas tornou-se tão baixa que já quase nada esperamos ainda antes de soar o apito inicial da temporada.

O melhor prognóstico

Um leitor que assina apenas António, sem apelido, foi o único vencedor da anterior ronda de palpites. Antecipando aqui a derrota por 2-0 do Sporting no Dragão - nona vez que perdemos nos dez últimos jogos ali efectuados para o campeonato nacional de futebol, algo impensável num clube que sonha com o título. Sem vencer nestes chamados jogos grandes, ou clássicos, continuaremos a vê-lo por um canudo.

 

Rescaldo do jogo de anteontem

Não gostei
 
 

Da derrota do Sporting no Dragão por 0-2. Resistimos durante mais de uma hora, mas aos 64' um lance de bola parada - a cobrança dum canto, seguida de cabeceamento de Danilo, impondo-se perante um Sporar que falhou a marcação nesse momento crucial - sentenciou este clássico, em que o empate bastaria para o FCP se sagrar campeão duas jornadas antes do fim. O segundo golo sofrido, já no tempo extra, ocorreu num rápido contra-ataque, quando a nossa equipa estava quase toda lá na frente, procurando conseguir um ponto, com um apático Borja a deixar Marega em jogo. Dois lapsos individuais num jogo desta importância revelaram-se fatais para as nossas cores. 

 

De Sporar. O internacional esloveno leva cinco jogos consecutivos sem marcar. Persiste em não se adaptar ao modelo táctico posto em prática pelo actual técnico leonino e perde bolas por falhas de recepção. Preso de movimentos, rendendo-se às marcações, lento na decisão, voltou a ficar muito aquém daquilo que o Sporting deve exigir a um ponta-de-lança. No primeiro lance da partida, meteu-a lá dentro, aproveitando um ressalto, mas o golo foi anulado por flagrante fora de jogo. Isolado aos 7', demorou tanto a decidir que permitiu o corte. Aos 81', falhou o desvio num canto bem cobrado por Joelson. Teve culpas no primeiro golo portista. Nada lhe anda a correr bem.

 

De Ristovski. A pior exibição de verde e branco: até parecia que estávamos a jogar com dez. Aos 3', passou para ninguém. Aos 9', um mau cruzamento. Aos 20', aos 22' e aos 33', entregou a bola aos adversários. Falhou um passe longo aos 51'. Batido sistematicamente nos duelos com Luis Díaz, numa dessas ocasiões (aos 25') esteve quase a surgir um golo do Porto. É difícil compreender por que motivo Rúben Amorim demorou 73' a retirá-lo do campo.

 

De Plata. O jovem internacional equatoriano nunca se entendeu com o seu colega de ala: foi algo que se percebeu muito cedo neste clássico. Houve um lance emblemático desta falta de articulação entre ambos, quando aos 52' Plata tentou servir Ristovski de calcanhar, já dentro da grande área, matando assim um lance promissor, o que lhe valeu uma dura reprimenda do macedónio. Anulado por Pepe, nada trouxe de útil à equipa. Foi o primeiro a ser substituído, logo aos 54'. 

 

Do nosso ataque. Começámos bem, com ímpeto ofensivo, mas as pilhas esgotaram-se demasiado cedo. Na segunda parte, o Sporting só concretizou dois remates à baliza adversária. Nenhum clássico consegue ser vencido com números destes.

 

Das substituições. Amorim tentou revitalizar a equipa, que acusava quebra física e anímica após o empate a zero registado ao intervalo, mas desta vez o banco não ajudou muito. Francisco Geraldes (entrou para o lugar de Plata), Rafael Camacho (rendeu Ristovski) e Tiago Tomás (em campo desde o minuto 78', substituindo Jovane) pouco ou nada contribuíram para o rendimento da equipa. A excepção foi Joelson, de quem falarei mais abaixo.

 

Do fim da estrelinha do treinador. Amorim, que se estreou como técnico do principal escalão do futebol português no início do ano, conheceu agora a primeira derrota, ao fim de 18 jogos. Como ele próprio já tinha avisado, algum dia havia de ser. 

 

Da má tradição que se cumpriu. Nos últimos dez campeonatos, o Sporting só conseguiu vencer uma vez no Dragão: na temporada 2015/2016, quando ali derrotámos o FCP por 3-1. De resto, nove derrotas. Com treinadores tão diferentes como José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus, Marcel Keizer e agora Rúben Amorim.

 
 

Gostei

 

Da boa entrada em campo. Surpreendemos a equipa anfitriã logo no primeiro lance da partida, com um excelente slalom de Nuno Mendes que fez tremer toda a defensiva portista. Esta dinâmica inicial estendeu-se por 20 minutos: nessa fase tínhamos concretizado dois remates (contra zero do FCP) e superávamos a equipa adversária em número de cantos (3-1). Infelizmente não voltámos a ter superioridade neste clássico, excepto por breves minutos da segunda parte numa boa mas efémera reacção ao primeiro golo.

 

De Coates. O nosso capitão fez jus à braçadeira, revelando-se o melhor sportinguista em campo. Com Max já batido, evitou um golo portista logo aos 25' com um corte providencial junto à linha de baliza. Fez impor a sua presença nos lances aéreos, não apenas no sector defensivo (bons cortes aos 16' e 22') mas também junto à baliza adversária, nas bolas paradas. Aos 19', anulou as marcações na trincheira portista, embora cabeceando por cima. Muito eficaz no controlo da profundidade excepto nos minutos finais, em que já estava mais à frente por indicação técnica, na fase do tudo-por-tudo. No golo de Danilo, não tem qualquer responsabilidade: a parte que lhe cabia estava bem coberta.

 

De Nuno Mendes. Tem só 18 anos, mas mostra em campo uma maturidade muito superior à idade que consta dos seus documentos de identificação. Pôs a funcionar a ala esquerda leonina, em notório contraste com a inoperância do nosso flanco oposto. O primeiro sinal de perigo, no minuto inicial, partiu dos pés dele. Ganhou vários duelos individuais (nomeadamente com Fábio Vieira) e nunca se mostrou intimidado por se estrear num clássico da primeira divisão. Não custa vaticinar-lhe um futuro muito promissor.

 

De Matheus Nunes. Foi a melhor exibição do jovem médio brasileiro desde que joga no primeiro escalão. Seguro, com personalidade, articulando bem os lances com Wendel no meio-campo defensivo e sem fugir aos confrontos individuais, destacou-se a roubar bolas aos adversários e foi um dos nossos raros jogadores a arriscar passes de ruptura, servindo os colegas de ambas as alas. Bom também no transporte de bola. E ainda tentou o remate de meia-distância, embora sem sucesso.

 

De Joelson. Entrada fulgurante do júnior recém-estreado por Amorim na equipa principal: aos 17 anos e quatro meses, tornou-se o mais jovem jogador de sempre a actuar num clássico do nosso futebol. Substituiu Eduardo Quaresma aos 78' quando o técnico leonino desmanchou o seu habitual dispositivo táctico para imprimir uma toada mais ofensiva na procura do golo do empate. Actuando como um extremo puro, sobretudo na ala esquerda, aos 81' fez um bom cruzamento infelizmente não aproveitado, aos 88' sacou um livre muito perigoso e ainda tentou o remate aos 90'+5. Devia ter entrado mais cedo.

 

De ver em construção uma equipa com futuro. Neste jogo, seis jovens leões estrearam-se num clássico. E sete dos nossos onze titulares no Dragão são sub-23. Mesmo derrotados, todos eles aproveitaram seguramente a experiência para colherem lições que lhes serão muito úteis já na próxima temporada futebolística. Dá gosto vê-los com verdadeiras oportunidades de mostrarem o que valem, confirmando a vocação do Sporting para ser um clube formador. O caminho faz-se caminhando.

Prognósticos antes do jogo

Volta um clássico ao futebol português. Desta vez é um FC Porto-Sporting.

Disputa-se a partir das 21.30 (hora absurda para um jogo desta importância), à porta fechada (se fosse um espectáculo de um humorista em voga tinha centenas ou até milhares de espectadores, autorizados pela DGS) e pode ser decisivo para as contas do campeonato. 

 

Recordo que a partida da primeira volta, no nosso estádio e perante mais de 40 mil pessoas nas bancadas, realizou-se a 5 de Janeiro. Com as claques a fazerem "greve" de apoio aos jogadores durante toda a primeira parte e a arremessarem tochas incendiárias para a baliza de Max no início da segunda.

Já na recta final do curto período de Silas à frente da equipa, então com manifestas fragilidades no plano defensivo apesar de contar com Mathieu, perdemos 1-2. Com golo solitário de Acuña (ausente da partida desta noite, por acumulação de amarelos) e Bruno Fernandes desperdiçado ao cair do pano na missão de médio defensivo para a qual o indicara o medroso técnico na esperança de aguentar o empate.

Fomos então ultrapassados pelo Famalicão no terceiro lugar do campeonato e já víamos o Benfica a 16 pontos e o FCP a 12. Silas só aguentou mais um mês em Alvalade.

 

Mas isto são águas passadas. Quais são os vossos prognósticos para o confronto desta noite?

Pinto da Costa e o seu ungido

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Já houve vários presidentes da Câmara de Lisboa sócios do Sporting. Nas últimas três décadas, lembro-me de Jorge Sampaio, Pedro Santana Lopes e António Carmona Rodrigues.

Imaginem a gritaria que não haveria, lá mais para Norte, se o presidente da Câmara de Lisboa, estando no exercício destas funções, aceitasse encabeçar uma lista concorrente a um órgão social do FC Porto. Não faltaria gente a rasgar as vestes, urrando contra a «promiscuidade entre a política e o futebol», exigindo imediata separação de águas.

Pois isso mesmo acaba de acontecer no FC Porto, com o actual alcaide da Invicta a encabeçar a lista para o Conselho Superior da agremiação azul e branca, sem que isso pareça perturbar as boas almas que reclamam linhas divisórias entre bola e política.

Rui Moreira aceitou o encargo, consciente de que isso o coloca na primeira linha dos ungidos, como presumível sucessor de Pinto da Costa, agora reeleito para o 15.º mandato à frente do clube, onde já leva 38 anos como dirigente máximo. Um mandato que, por vontade própria, poderá não levar até ao fim.

O astuto PdC, que nunca dá ponto sem nó, não apenas vence de forma categórica (com mais de dois terços dos votos expressos, 68,7%) a eleição para presidente da Direcção como suplanta a percentagem alcançada por Moreira (65%) na votação para o Conselho Superior. Numa espécie de aviso à navegação interna que evoca os dramas de Shakespeare: convém que o protegido nunca seja mais popular do que o seu mentor.

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 
 

De termos sido derrotados pelo FC Porto no nosso estádio (1-2). Fomos superiores à turma portista, mas a equipa visitante foi mais feliz. Marcou logo aos 6', no primeiro lance ofensivo que protagonizou, e fechou o resultado aos 73', num lance de bola parada. Beneficiando, em ambos os casos, de graves erros defensivos do Sporting.

 

Que o árbitro tivesse perdoado um penálti ao Porto.  Aos 23', Alex Telles travou Bolasie à margem das leis, em zona proibida. O senhor Jorge Sousa fez vista grossa. Nada que deva surpreender-nos. O coração deste apitador só tem duas cores: azul e branco.

 

De ver tantas oportunidades desperdiçadas. A nossa segunda parte foi um festival de golos falhados. Aos 49, lançado por Bruno Fernandes, Vietto rematou ao ferro lateral. Aos 55', a centro de Acuña, Luiz Phellype cabeceou a rasar o poste antecipando-se aos centrais portistas. Aos 58', correspondendo a novo cruzamento do compatriota, Vietto rematou de primeira também ligeiramente ao lado. Aos 62', outro desperdício de Vietto, a rematar cruzado levando a bola a fazer uma tangente ao segundo poste. Aos 63', perante nova solicitação de Acuña, o protagonista pela negativa voltou a ser Vietto, fazendo a bola sobrevoar a trave. Aos 85', na sequência de um canto apontado por Bruno Fernandes, Coates falhou por centímetros, cabeceando à barra. Não há volta a dar: sem meter a bola lá dentro as vitórias são impossíveis.

 

Da ausência de Pedro Mendes. O ponta-de-lança alternativo a Luiz Phellype está enfim inscrito nas competições nacionais. Mas Silas decidiu prescindir dele, devolvendo-o à Liga Revelação, onde Pedro Mendes voltou a destacar-se, marcando mais um golo - o 15.º nessa competição. Leva já 16 marcados nesta temporada, contando com o que fez ao PSV para a Liga Europa. Estranhamente, permanece fora da equipa principal.

 

De Ristovski. Má exibição, com responsabilidade evidente no primeiro golo, deixando Marega movimentar-se como quis. Foi pelo seu flanco que o FCP fez sempre as incursões mais perigosas, nomeadamente por intermédio de Nakajima. O macedonio foi, de longe, o elemento mais permeável do nosso quarteto defensivo. Enquanto Acuña brilhava no corredor contrário.

 

Da reacção de Silas. Ao contrário do que tem sucedido noutros jogos, desta vez o técnico leonino demorou a mexer na equipa e nenhuma das substituições que fez resultou. Trocar Ristovski por Camacho e Idrissa por Plata aos 79', fazendo recuar Bruno Fernandes para a posição de médio defensivo, nada trouxe de positivo. É certo que estes suplentes utilizados funcionaram como talismã contra o Portimonense, mas não há dois jogos iguais.

 

De Jesé. Continua a ser um mistério, a contratação deste espanhol que parece ter um brilhante futuro atrás das costas. Entrou aos 87', substituindo o dinâmico Bolasie, e destacou-se apenas por ter visto um cartão amarelo por falta absolutamente desnecessária, contra um adversário que até tinha perdido a bola. Uma falta que em nada abona a favor da inteligência táctica do espanhol. Podemos chamar-lhe muita coisa, menos um reforço.

 

Que se tenha quebrado a tradição. Há 12 anos que o FC Porto não vencia um jogo em Alvalade. Quando Jesualdo Ferreira comandava a equipa azul e branca e Paulo Bento treinava o Sporting. Terminou esse enguiço, infelizmente para nós.

 

Da descida na classificação. Fomos ultrapassados no terceiro lugar pelo Famalicão. Vemos agora o Benfica a 16 pontos e o FCP a 12.

 

Do hino alternativo que ficou por tocar. A Direcção leonina decidiu esperar pelo apito inicial do árbitro para fazer soar os acordes iniciais d' O Mundo Sabe Que, aliás logo interrompidos, levando os adeptos a entoar este cântico sem suporte musical nem a respectiva letra reproduzida nos ecrãs do estádio, tudo isto enquanto o jogo já decorria. Uma imbecilidade sem nome.

 

Dos energúmenos da Curva Sul. Assobiaram os jogadores, insultaram o presidente, negaram incentivo à equipa durante toda a primeira parte. E no segundo tempo divertiram-se a mandar tochas incendiárias para o relvado, com o jogo a decorrer, confirmando as tendências pirómanas que já lhes conhecíamos. São os mesmos de sempre. Letais ao Sporting.

 

 

Gostei

 

Da nossa exibição. Os erros pontuais, com destaque para os que nos custaram os dois golos, não invalidam que o Sporting tivesse sido a melhor equipa em campo. O resultado é lisonjeiro para o FC Porto, que dispôs de menos oportunidades e sai de Alvalade como um vencedor feliz.

 

De Luís Maximiano. Podia ter feito mais nos lances dos golos sofridos, mas teve intervenções absolutamente decisivas em dois momentos, aos 75' e aos 90'+2, impedindo Luis Díaz de rematar com sucesso em ambas as ocasiões.

 

De Acuña. O melhor em campo. Se alguém não merecia perder este jogo, foi ele. Autor do solitário golo do Sporting, aos 44', fuzilando Marchesin num remate indefensável, de um ângulo muito difícil, após assistência de Vietto. A recuperação de bola, neste lance, foi dele também. Tal como dos pés dele nasceram os cruzamentos mais perigosos da nossa equipa. No capítulo defensivo, o craque argentino cumpriu igualmente com distinção.

 

Da assistência. Apesar do frio, apesar das péssimas arbitragens que teimam em desequilibrar os campos, apesar de não vencermos um campeonato profissional de futebol há quase 18 anos, não desistimos. Hoje estivemos mais de 41 mil em Alvalade.

Hoje em Alvalade

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O plantel do Sporting tem muitas lacunas, não está à altura da exigência que a história e tradição do clube impõe. Mas hoje, a perder logo no início do jogo, fomos para cima do FCP e dominámos grande parte do encontro. Foi nossa a 1.ª parte, tenho muitas dúvidas no lance sobre Bolasie, ainda não tive oportunidade de ver a repetição em televisão. Uma vez mais o padre Sousa mostrou os seus dotes na habilidosa homilia que apresentou em Alvalade, ao perdoar o segundo amarelo claríssimo a Alex Telles, que colocaria os dragões a jogar com 10.

No início da 2.ª parte falhámos sucessivas oportunidades de golo, mas sensivelmente a meio começámos a sentir dificuldades físicas, Sérgio Conceição refrescou a equipa, tem soluções que Jorge Silas não tem e ganhou o jogo com um pontapé de canto, numa altura em que o jogo já estava equilibrado. Até final, muita garra e pouca lucidez. Apesar de tudo o empate teria sido um resultado mais justo, mas justiça e futebol nem sempre andam de mãos dadas.

Última palavra para alguns javardos na bancada Sul, que uma vez mais mostraram a sua bestialidade, com tochas e artefactos incendiários. Um grunho será sempre um grunho. Até quando iremos continuar a assistir nos estádios de futebol a cenas lamentáveis, sem que as autoridades policiais retirem das bancadas estes energúmenos? Se dúvidas existiam sobre a razão da direcção na atitude que tomou sobre as claques, hoje tivemos mais uma prova. A quem não esteve em Alvalade, deixo a triste imagem dos hooligans em delírio...

13 Reasons why este mercado foi bom e há todos os motivos para se estar otimista

  1. Ontem, no canal 11, o presidente do Marítimo disse com ar simpático que acertara tudo com Vieira para que João Félix e Ferro fossem para a Madeira no mercado deste janeiro que passou. Só a troca de treinador na Luz fez abortar o negócio. Para dizer o quê? Que há muito, mas mesmo muito, de oportunidade, sorte e azar no mundo da bola.

  2. O Sporting foi objetivamente prejudicado no último jogo. Há um penalty sobre Raphinha não assinalado (árbitro e VARs coniventes) e pelo menos um dos que foram marcados a Coates é de gargalhada. O Porto foi beneficiado objetivamente por uma das expulsões mais abstrusas de que me lembro. O Benfica foi a Braga receber vários presentes de Natal, não tendo a equipa sido sequer testada, depois do baile que levou do Porto. Para dizer o quê? Que Deus e o demónio estão nos detalhes e que na bola é igual.  

  3. O mercado do Sporting foi dos melhores que me lembro. Falo desta fase, do fecho. Só no fim da época saberemos, mas eu sou do tempo de César Prates, Mpenza e André Cruz, que não excitaram ninguém quando apareceram. Sobre Acosta é melhor nem falar. Não houve videirinho do comentário da altura que não se risse da ciática.

  4. Porque é que foi dos melhores? Porque se faturou e imagino que seja necessário para fazer face aos encargos. Eu, para poder comprar a minha casa atual, também vendi a que tinha. E era uma casa do caraças.

  5. E foi dos melhores porque muita “tralha” se foi embora. Jogadores decentes, boa gente, mas cuja qualidade futebolística foi mais do que posta à prova, ficando claro que com eles jamais o SCP seria campeão. Acontece em todos os clubes ter “tralha” e o nosso não é exceção.

  6. Também foi dos melhores, porque os wild cards (sobretudo o playboy Jese) vieram emprestados, o que permite ao clube ganhar mais um ano para que haja produto da formação à altura e/ou scouting eficiente. Ou seja, não se gastou uma pipa de massa em Jese (como se gastou em Diaby, por exemplo) e vieram alguns jogadores “maduros” que podem ajudar. Podem ser flops? Podem. Mas também podem não ser.

  7. Foi dos melhores, porque se chegou a acordo sobre mais um jogador do caso Alcochete. É provável que Podence valha mais do que 7 milhões, mas é sempre melhor encaixar agora do que talvez mais daqui a uns anos valentes, mais as custas judiciais e o diabo a sete. Além disso, houve o bónus de Bruno Gaspar ter sido emprestado à boleia deste deal.

  8. Sobre “estratégias de comunicação” é difícil falar. Muitas vezes, na vida, as pessoas não estão dispostas para ouvir a chamada verdade. Nós, portugueses, somos especialistas nisso, basta ver o que dizem as sondagens eleitorais. Somos adeptos de quimeras, cenários idílicos, achamos que se acreditarmos muito no Pai Natal este passa a existir. Mas chega sempre um tempo em que a mensagem e quem a quer ouvir estão compatíveis. 

  9. A equipa de Varandas foi às compras com um saco de caramelos. O lateral francês talvez seja bom, Rafael Camacho talvez dê num negócio Raphinha, Eduardo talvez permita que se possa vender Wendel mais cedo. Mas fazer compras com saco de caramelos implica isto mesmo: apostar que talvez aquele restaurante com aspeto assim assim nos vá servir uma bela refeição. 

  10. Entretanto, a ideia que dá é que os sub-23 representam os “good old days” da formação a voltar devagarinho. Cada mês, cada seis meses, cada ano que passam, os garotos estarão mais próximos da equipa. 

  11. Há razões para otimismo? Fifty, fifty. Por exemplo, a jornada passada foi uma azia de todo o tamanho, mas Guimarães e Braga também perderam. Não ir à Champions é mau, mas não ir à Liga Europa seria uma tragédia. Thierry, que parecia verde como um abacate, acabou por render uns milhões. Vietto às tantas é craque. Bruno Fernandes ficou. 

  12. O que estou para aqui a dizer? Que o Sporting ainda está a ressacar a gestão Bruno de Carvalho. Essa gestão esticou a corda, foi ao limite, contratou dezenas de jogadores, pagando-lhes bem, teve um dos treinadores mais caros do mundo, com a obsessão do título que, é preciso dizer, quase vencemos. Eu, se vou de férias e gasto mais dinheiro, nos meses seguintes tenho de andar mais regrado.

  13. É uma perda de tempo acreditar na “união”. Os meus amigos do Benfica, mal empatam dois jogos seguidos, começam a dizer que o Vieira tem de dar lugar a outro. Mas também é inútil estar pessimista. A vida é feita de fases. O Sporting é o Sporting. Milhares de miúdos e miúdas são do Sporting e choram pelo clube, independentemente do número de campeonatos. Os seus filhos farão a mesma coisa.

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