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És a nossa Fé!

Ecos do Europeu (23)

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A Inglaterra, no futebol, sofre um trauma profundo: não ganha nenhum título a nível de selecção principal desde 1966 - o Mundial do nosso descontentamento, em que estivemos muito perto de atingir a final mas tombámos no confronto decisivo frente aos ingleses, anfitriões nessa prova. 

Cinquenta e oito anos de jejum é muito tempo. A culpa não é dele, mas as críticas ao seleccionador inglês, Gareth Southgate, são constantes. Muitos ainda lhe cobram o facto de não ter concretizado um penálti no desempate contra a Alemanha na meia-final do Europeu de 1996 - já depois da chamada «geração de ouro» portuguesa ter caído nos quartos-de-final frente à República Checa.

Ficou-lhe daí a fama de pé frio. Acentuada há três anos, quando a Inglaterra perdeu a final, também nos penáltis, contra a Itália - no Euro "covid", realizado em 2021 com Cristiano Ronaldo a sagrar-se rei dos marcadores e autor de um dos mais belos golos do torneio. Logo houve gritos contra Southgate, exigindo a sua destituição. Como fosse dele a culpa por três jogadores (Rashford, Sancho e Saka) terem sido incapazes de converter os respectivos pontapés de penálti.

 

Este ano as críticas redobraram. Desta vez contra o excessivo calculismo e "resultadismo" (à Fernando Santos) da selecção inglesa, protagonizando um futebol pastososo e lento, nada espectacular. Nos três primeiros jogos só conseguiram marcar dois golos - Bellingham contra a Sérvia, Harry Kane contra a Dinamarca. O Eslovénia-Inglaterra terminou 0-0: deu vontade de dormir.

Contra a Eslováquia, Kane resolveu no prolongamento: vitória inglesa por 2-1. Nos quartos, exibição inferior frente à Suíça, mas sorte nos penáltis que decidiram o apuramento para a meia-final após 1-1 ao fim de duas horas (Saka empatou aos 80', cinco minutos após Embolo ter facturado pela Suíça). Foi apenas a segunda vez, na história dos campeonatos europeus, em que três partidas dos quartos-de-final se decidiram após os 90 minutos regulamentares.

 

Chegou-se enfim ao confronto com a Holanda em Dortmund. Quarta-feira, 10 de Julho. Quando já se sabia que Espanha será finalista deste Euro 2024. Quando já abundavam adeptos ingleses a clamar de novo contra o pé frio Southgate.

Aos 7', os holandeses adiantaram-se com um golaço de Simons: recuperou e disparou com força a mais de 30 metros: a bola rumou, imparável, ao fundo das redes. Um dos grandes golos do torneio.

Ao contrário dos restantes, em que as defesas se impuseram, este foi um jogo mais aberto, dando primazia aos ataques, ao ritmo de parada-e-resposta. Neste contexto, a experiência de Kane revelou-se fundamental: aos 14' foi carregado em falta numa incursão na grande área. Houve demora no vídeo-árbitro, mas quatro minutos depois lá foi assinalado o penálti, que o já veterano avançado inglês converteu com a frieza habitual.

Foden esteve prestes a aumentar a vantagem aos 23'. O desafio prosseguiu a ritmo intenso, nada bocejante. Aos 30', Dumfries, numa grande impulsão, cabeceou à trave: o 2-1 favorável aos holandeses esteve à vista. Dois minutos depois, Foden - novamente em evidência - voltou a brilhar num tiro ao poste. A defesa holandesa, marcando à zona, desguarnecia o centro, facilitando a vida ao dinâmico tridente ofensivo adversário.

O empate 1-1 ao intervalo sabia a pouco. Europeu com poucos golos, este.

 

Ambas as equipas regressaram algo apáticas ao relvado. Mas a pressão do relógio impôs-se: Simons quase marcou o segundo, aos 78', num remate picado. Pickford, com bons reflexos, impediu o golo.

No minuto seguinte, Saka meteu-a lá dentro, com assistência de Foden. Foi rebate falso: havia fora-de-jogo.

Aos 80', espanto geral: Foden e Kaen recebem ordem para sair. Deram lugar a Palmer e Watkins. E foram estes, precisamente, a construir o golo do triunfo. No minuto 90, quando já quase todos anteviam o prolongamento. O avançado do Aston Villa recebeu-a de costas e desferiu um remate cruzado, lateral, de ângulo quase impossível: a bola encaminhou-se para o poste mais avançado, passando entre as pernas de Stefan de Vrij. 

Já não havia tempo para os holandeses reagirem: a Inglaterra chegou à segunda final consecutiva. Defronta Espanha, indiscutível favorita, amanhã à noite. Southgate mantém a fama de pé frio. A verdade, porém, é que a selecção inglesa perdeu apenas um dos últimos vinte jogos oficiais em que participou. 

 

Inglaterra, 1 - Suíça, 1 (5-3 nos penáltis)

Holanda, 1 - Inglaterra, 2

O velho, o rapaz e os burros

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Estádio do Jamor, 8 de Junho de 2024, Croácia e Portugal preparam o Euro 2024. Os croatas tiveram azar com o sorteio, em vez da Geórgia saiu-lhes a Itália e em vez da Chéquia saiu-lhes a Espanha. A Croácia tinha que enfrentar selecções a sério na fase de grupos do Euro e por isso encarou o desafio com Portugal com concentração e competência. Venceria, fora de casa, com golos de Modric (38 anos) e Budimir (32 anos).

Depois veio o primeiro jogo do euro.

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O velho Luka foi esmagado pelo rapaz Lamine. O estatuto, a bola de ouro, o passado de pouco valeu. Croácia 0, Espanha 3. Os 16 anos de Lamine derrotaram os 38 anos de Luka.

Uma derrota com a Espanha, um empate com a Albânia e um último jogo para decidir tudo, o Croácia vs. Itália.

90'+7'; a Croácia vence por um a zero e vai seguir em frente para os oitavos de final.

90'+8', Zaccagni (29 anos) empata o jogo, a Itália segue em frente e a Croácia, que venceu Portugal no Jamor, é eliminada.

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Os burros escocinharam no estádio mas o mal estava feito, a Croácia estava fora.

Foram as más decisões que eliminaram a selecção croata, a decisão de jogar com cinco velhos, Brozovic, 31 anos, Kovacic, 30 anos, Modric, 38 anos, Budimir, 32 anos e Perisic, 35 anos, seria fatal.

Já a Itália aos 81' tirou Darmian, 34 anos e Jorginho, 32 anos, deixou de ter em campo jogadores com mais de 30 anos, apostou num jogo com mais exigência física e as entradas aos 81' de Fagioli, 23 anos e de Zaccagni foram decisivas.

Este Croácia vs. Itália mostrou-nos que os jogos se ganham muitas vezes a partir do banco, com as substituições, tirando os velhos, pondo rapazes.

Whodunit

Na terminologia de Hollywood os "whodunits" são aqueles filmes sobre um crime e um "Columbo" qualquer a tentar descobrir o culpado. A estratégia básica é perceber quem é que ganhou com o assunto.

Se considerarmos a campanha da nossa selecção no Euro um crime dada a qualidade dos melhores jogadores portugueses do momento, e isso é evidente pelos silêncios envergonhados de presidente, treinador e capitão, temos seguir a mesma estratégia.

Então quem é que ganhou com o crime?

O Sporting não foi. Campeão nacional, quatro potenciais candidatos afastados da convocatória, e o Inácio afundou-se em tanto improviso. Mesmo se olharmos aos ex-jogadores mais recentes, o Matheus Nunes foi aquecer o banco. Salvaram-se o Palhinha já com o futuro assegurado e o Nuno Mendes, quanto a mim o melhor jogador do torneio, que está bem onde está. Quanto é que o Sporting lucrou com o Euro? Zero.

O Benfica também não parece que tenha sido. As duas estrelas vendáveis jogaram miseravelmente e, em termos da suposta excelência do Seixal, Félix foi um fracasso, Gonçalo Ramos foi passear à borla, o Semedo saiu como entrou. A única coisa que o Benfica ganhou com o Euro foi a desvalorização do puto fetiche do Rui Costa.

O Cristiano Ronaldo não foi. A imagem que deu de velho chorão agarrado à bengala não foi digna do melhor jogador do mundo, e foi caricaturado um pouco por todo lado, até na BBC. Querer jogar sempre, marcar todos os livres, marcar todos os golos (mesmo com duas "abébias" ao Bruno Fernandes), ter ao lado todos os "manos", tornou-se numa armadilha a que não soube escapar. E lá foi para a Arábia pensar se vale a pena continuar. 

Os mais valiosos jogadores de Portugal no momento, no topo das respectivas carreiras e figuras de proa nos respectivos clubes não foram. Rúben Dias, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Vitinha valem muito mais do que mostraram.

Para o Mendes foi "business as usual". A montra foi quase toda dele, tem para todos os gostos e todos os milhões, a comissão é sagrada.

Para o Martínez também. Está como o Schmidt, ordenado brutal, não gostam paguem que eu saio, até lá aguentem. 

Para o Porto foi uma taluda. Atolado em dívidas que andavam camufladas pelo Pinto da Costa, vai poder encaixar muitos milhões com o Diogo Costa e o Francisco Conceição, e poder fazer uma bela festa de despedida ao Pepe. E mesmo assim falhou a operação Galeno. É o que dá ter linha aberta com o seu antigo vice-presidente.

Quem foi o culpado então?

SL

Parece que salta do banco já cansado

«5 años después de la inversión, no vale la mitad»

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João Félix teve uma prestação miserável no Euro 2024. Parece que salta do banco já cansado.

Fez ontem um mês escrevi aqui sobre ele. 

Recordo dois parágrafos desse texto:

«Uma nulidade, este suplente no Barcelona, para onde foi remetido por empréstimo após escassa utilização no Atlético de Madrid, onde jogava com os olhos, na posição sentado.

Diego Simeone disse quase tudo sobre este suposto craque numa frase cruel mas verdadeira: "Perto da área joga bem, mas se tem de vir um metro para trás, custa-lhe..."»

 

.............................................................

 

Fui menos cáustico, apesar de tudo, do que o jornalista espanhol Pedro Simón, escrevendo há dias no El Mundo sobre o mesmo jogador.

Anotou ele (mantenho o idioma castelhano, sem tradução):

«La única persona que ha puesto de acuerdo a Simeone, Xavi, Roberto Martínez, Lampard y mi cuñado Ramón - cinco formas tan diferentes de ver el fútbol - es João Félix: nadie lo quiere. Hoy, el luso es como esa casa comprada en Marina D'Or justo antes de la caída de Lehman Brothers: cinco años después de la inversión, no vale la mitad.»

Ecos do Europeu (22)

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Finalmente a França foi capaz de marcar um golo em lance corrido. Ao sexto jogo. Que foi também o último. Com Mbappé a assistir, num centro irrepreensível (repara, Rafael Leão: é assim que se faz), e Muani a erguer-se, enviando-a de cabeça na direcção do segundo poste até terminar aninhada nas redes.

Aconteceu ontem, ao minuto 8 do Espanha-França, espécie de final antecipada do Europeu de Futebol disputada em Munique. A vice-campeã mundial em título dava enfim um ar da sua graça após ter eliminado Portugal nos quartos-de-final com a colaboração do inútil João Félix, que falhou um penálti na ronda decisiva.

 

Mbappé, astro maior da França, esgotou o seu engenho naquela assistência madrugadora. Não voltou a causar perigo. Aos 57', rematou frouxo, à figura, para defesa fácil de Unai Simón. Aos 86', desperdiçou ocasião soberba despejando a bola para a bancada. Se fosse Cristiano Ronaldo a fazer tal coisa, logo a turba tuga desataria aos gritos, exigindo-lhe que metesse os papéis para a reforma.

A França, quase sempre inferior à Espanha, pareceu conformada com aquele magro avanço. Pura ilusão: em quatro minutos, nuestros hermanos viraram a meia-final a seu favor.

Aos 21', golaço de Lamine Yamal num remate em arco a meia-distância fazendo a bola embater no ferro antes de entrar. O benjamim do Barcelona, com 17 anos incompletos, tornou-se assim o mais jovem artilheiro da história dos campeonatos da Europa. Merece tal distinção: é um dos grandes obreiros do magnífico percurso espanhol no Euro 2024. 

Aos 25', consumava-se a reviravolta. Num remate cruzado de Olmo que ainda embateu no pé de Koundé. Repunha-se a justiça no marcador.

Estava construído o resultado. Na segunda parte, os espanhóis seguraram o resultado, mesmo tendo concedido a iniciativa pontual de ataque à selecção adversária. A vitória estava atada e bem atada. Com Rodri a confirmar-se como um dos melhores médios do mundo: quase toda a construção de lances ofensivos passou por ele. Olmo, desta vez titular, justificou a aposta nele feita pelo seleccionador Luis de la Fuente. E Nico Williams, embora muito policiado por Koundé, exibiu todo o seu engenho como extremo-esquerdo clássico (embora de pé trocado).

 

Nem sempre ganha a melhor equipa. Desta vez aconteceu. Espanha está na final, a sélection bleue regressa a casa. Com um triste título: foi, neste século, o semifinalista com menos golos marcados num Europeu: apenas quatro. Ficando aquém da Grécia, com seis golos no Euro 2004 que venceu à nossa custa.

Portugal está vingado? Nem por isso. Mas não restam dúvidas: os espanhóis merecem seguir em frente. Ninguém como eles exibe futebol de tanta qualidade no Europeu da Alemanha.

 

Espanha, 2 - França, 1

Viva Portugal, viva o Futebol, viva Ronaldo

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Alguns dizem que Portugal não cumpriu os objectivos com esta participação no Europeu de Futebol.

Discordo em absoluto.

Portugal caiu nos quartos-de-final, juntamente com a Alemanha e a Suíça. Figurámos entre as oito melhores equipas do continente.

À frente de outras que foram eliminadas mais cedo. Como a Itália, campeã europeia em 2021. Ou a Polónia, a Bélgica, a Croácia, a Dinamarca.

Fizemos muito melhor do que a Suécia, a Grécia ou a Irlanda - que nem sequer se qualificaram para esta fase final disputada em território alemão.

 

Pergunto: tínhamos obrigação de voltar a ser campeões, como fomos em 2016?

Respondo: não.

 

É certo que com Cristiano Ronaldo no onze nacional o patamar de exigência subiu imenso. Basta lembrar isto: com ele na selecção, nunca mais voltámos a falhar uma participação numa fase final dum Mundial ou dum Europeu.

Antes dele, durante 74 anos, só participámos em três Mundiais (1966, 1986, 2002).

Depois dele, estivemos em cinco.

Antes dele, durante 44 anos, só participámos em três Europeus (1984, 1996, 2000).

Depois dele, estivemos em seis.

 

Pergunto: em que outro sector de actividade figuramos entre os oito melhores países do continente europeu?

Respondo: nenhum. 

 

Viva Portugal.

Viva o Futebol.

Viva Cristiano Ronaldo.

Ecos do Europeu (21)

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Como jogaram há três dias os jogadores portugueses contra a selecção da França na nossa derrota por penáltis de desempate em Hamburgo, em desafio dos quartos-de-final do Campeonato da Europa:

 

Diogo Costa. Seguro. Esteve sempre bem entre os postes, defendendo remates de Mbappé (22', 50', 90'+3). Infelizmente desta vez não neutralizou nenhum dos penáltis finais.

Cancelo. Discreto. Tinha ordens rigorosas do treinador para subir pouco no seu corredor, cortando a marcha a Mbappé. Missão cumprida.

Rúben Dias. Sólido. Deu pouco nas vistas, o que é bom sinal. Mas aos 66' protagonizou um corte precisoso e decisivo, abortando um ataque rápido dos franceses.

Pepe. Incansável. Exibição portentosa como comandante da nossa defesa. Ninguém diria que tem 41 anos ao vê-lo correr 50 metros aos 91' para bloquear Thuram. Digno de aplauso.

Nuno Mendes. Desequilibrador. Dínamo dominando a nossa ala esquerda, mais como extremo do que como lateral. Mesmo extenuado, ainda marcou penálti no fim. Melhor em campo.

Palhinha. Influente. É hoje um dos melhores médios defensivos da Europa. Atento e competente a distribuir jogo, com variações de flancos. Muito útil nas recuperações.

Vitinha. Pendular. A maioria dos passes verticais da nossa equipa saiu dos pés dele. Teve uma actuação em crescendo no jogo. Ninguém consegue roubar-lhe a bola.

Bruno Fernandes. Irregular. Teve um dos desempenhos mais discretos da equipa nacional neste Europeu. Nem nas bolas paradas fez a diferença. Bateu mal vários cantos e um livre.

Bernardo Silva. Apático. Mais de uma hora encostado à linha, sem tentar desequilíbrios, sem iniciativa. Melhorou com a saída de Bruno, ao assumir o jogo interior. Marcou penálti no fim.

Rafael Leão. Veloz. Autorizado a concentrar-se apenas em tarefas atacantes, ganhou quase todos os duelos a Koundé. Foi driblando e cruzando, mas quase sempre para ninguém. 

Cristiano Ronaldo. Perdulário. Tentou marcar de calcanhar (63'). De cara para a baliza, atirou para a bancada (93'). Nem parecia ele. Pelo menos converteu primeiro penálti da ronda final.

Francisco Conceição. Inconformado. Mexeu com o jogo quando entrou, aos 74', rendendo Bruno Fernandes. Atacou a linha de fundo para servir Ronaldo (93') e ofereceu golo a João Félix (108').

Nelson Semedo. Dinâmico. Substituiu Cancelo aos 74', sem afectar o rendimento da equipa. Desarme irrepreensível a Mbappé (92'). Assegurou a cobertura defensiva à direita.

Rúben Neves. Apagado. Entrou aos 90'+2 substituindo Palhinha, já amarelado: o treinador quis assim prevenir outro cartão. Foi sempre muito menos influente do que o colega.

João Félix. Nulo. Rendeu Leão (106'). Entrou para os penáltis finais. Desperdiçou golo ao cabecear à malha exterior (108'). No fim, mandou a bola ao poste, atirando Portugal para fora do Euro.

Matheus Nunes. Invisível. Rendeu Vitinha aos 119'. Ninguém percebeu o motivo desta entrada tão a destempo: seria para marcar um penálti no fim? Acabou por nem tocar na bola.

A voz do leitor

«Fizemos um jogo muito melhor [do] que eu antecipava. Ao mesmo nível dos franceses. Caímos de pé. Como tem sempre de ser. Não houve tremedeira do antigamente. Se o esquema contemplasse um segundo avançado perto de Ronaldo teria sido ainda melhor. Mesmo o penálti falhado não foi daqueles que eu chame de incompetente. Foi pena. Espero que o seleccionador sacuda as influências externas e continue a melhorar.»

 

Manuel Cunha, neste meu texto

Uma oportunidade perdida

A selecção de Portugal foi eliminada anteontem pela da França nas grandes penalidades, depois do 0-0 nos 120'. Exactamente como tinha sido apurada contra a Eslovénia. 

E Portugal foi eliminado sem razão de queixa de seja o que for. O jogo foi repartido, as oportunidades de golo aconteceram para ambos os lados, cada equipa tinha a sua forma de ferir o adversário, uma demorando mais com a bola outra menos, os guarda-redes e as defesas conseguiram manter as balizas invictas até ao fim. Depois vieram as grandes penalidades. Se alguém ainda pensa que as grandes penalidades são questão de sorte, que veja a forma como Ronaldo marcou a sua e o Félix falhou a dele. 

 

Portugal foi eliminado por uma França com a qual sempre poderia ser eliminado, mas depois duma campanha que deixou muito a desejar contra adversários de menor estatuto, que incluiu uma derrota humilhante contra a Geórgia. Foram 2-1, 3-0, 0-2, 0-0 e 0-0 os resultados, 5-3 em golos, sendo que, dos cinco, dois foram autogolos, outro um ressalto num defensor e outro um escorreganço dum defesa contrário que quebrou a linha de fora de jogo.

A selecção portuguesa dispunha dum meio-campo de luxo. Com Palhinha (agora Bayern de Munique), Bruno Fernandes (Man. United), Vitinha (PSG) e Bernardo Silva (Man. City) e dois alas perfurantes de grande classe como Nuno Mendes (PSG) e Cancelo (Barcelona). E depois Diogo Costa, Rúben Dias (Man. City), Pepe, Cristiano Ronaldo e Rafael Leão (Milan). Como é que com tanta qualidade não se consegue ter uma jogada colectiva que resulte num golo numa sequência de cinco jogos?

Não é difícil adivinhar a resposta.

 

Sendo assim, a selecção fracassou na Alemanha. Não há minutos de posse de bola nem choros convulsivos nem conversa da treta que prove o contrário. Para mim o grande responsável chama-se Roberto Martínez e a selecção Ronaldo & Pepe que montou sob o alto patrocínio de Jorge Mendes. Como é que um João Félix, a acumular fracassos por onde passa, que se ausenta para "jogar às cartas" enquanto a Itália joga, é seleccionado, joga pessimamente e mesmo assim vai marcar um penálti decisivo? 

No final do jogo, enquanto os dois manos choravam agarradinhos, alguns outros passavam ao lado de tanta ternura. Pepe fez um grande jogo de facto, mas a selecção já podia estar em casa à conta dele contra a Eslovénia. Ronaldo fez um péssimo jogo contra a França, também é um facto, mas tanto minuto de jogo e tanto livre marcado dá cabo do melhor jogador do mundo. Ainda assim converteu dois penáltis nos desempates finais.

Depois veio Martínez a falar no exemplo de Pepe para os portugueses. Qual Pepe? Aquele do murro ao Coates, da bofetada ao Matheus Reis, aquele do pontapé ao adversário caído no chão quando ao serviço no Real Madrid, aquele que colecciona expulsões e goza com os árbitros, o Pepe exemplo de quê? De que alguém pode ser um santo na selecção e um bandido no clube? De alguém já despedido do clube pelo novo presidente e que vai não sei para onde e que se calhar a Portugal não volta, já facturou o que pôde? Se gosta tanto, que compre o livro da história da vida dele quando for publicado. Já agora, se tivesse apostado de início numa dupla de centrais Rúben Dias-Gonçalo Inácio, com Nuno Mendes a lateral esquerdo e Rafael Leão a extremo, não teríamos outro desenvolvimento de jogo pela esquerda?

Sobre Rafael Leão, prometo nunca mais dizer mal dos cruzamentos do Nuno Santos. Nunca mais. 

 

Tínhamos jogadores de elite para muito mais. E no que respeita ao lançamento duma nova geração, Gonçalo Inácio, António Silva e João Neves vão precisar de psicólogos, como os dois guarda-redes suplentes, e o Gonçalo Ramos vai precisar de psiquiatra. Safou-se mesmo assim o Francisco Conceição que, com alguma trapaceirice "genética", conseguiu demonstrar a sua utilidade. O seu a seu dono.

Porque é que foram convocados Rúben Neves e Danilo? Para proteger o Pepe? E Pedro Neto? Para recuperar o valor de mercado do rapaz?

E pronto. Lendo e ouvindo o que se diz nos jornais e nas tvs, já temos um bode expiatório, o Cristiano Ronaldo, é malhar à vontade. Eu ofereço-me para ocupar a mansão na Quinta da Marinha. E não o deixo entrar.

 

PS: Se vier algum morcão a dizer que perdemos o Europeu pela falta do Otávio e do Galeno... ou do Evanilson... faça favor.

SL

Hora de (uma pequena) renovação na selecção

Finda a honrosa participação no Euro 2024, é altura de olhar para os jogadores que fizeram parte da convocatória e começar a pensar no próximo ciclo, que começa com a fase de grupos da Liga da Nações na primeira metade da época 2024/2025, seguindo-se a fase de apuramento para o Mundial 2026 na segunda metade da época.

Esta pequena "pausa" para a Liga da Nações era uma excelente altura para excluir os jogadores em fim de linha, caso não se excluam eles próprios, e chamar algum sangue novo.

 

Assim, divido os jogadores em seis grupos, que são:

  • Jogadores em fim de linha:
    • Rui Patrício (36 anos)
    • Pepe (41 anos)
    • Cristiano Ronaldo (39 anos)
  • Jogadores de médio prazo (estarão quase todos no Mundial 2026, mas muitos já não estarão no Euro 2028):
    • José Sá (31 anos)
    • Nélson Semedo (30 anos)
    • João Cancelo (30 anos)
    • Danilo (32 anos)
    • Bruno Fernandes (29 anos)
    • Bernardo Silva (29 anos)
    • João Palhinha (28 anos)
    • Ruben Neves (27 anos, mas já está a jogar nas Arábias)
  • Jogadores com os melhores anos ainda pela frente:
    • Diogo Costa (24 anos)
    • Ruben Dias (27 anos)
    • Diogo Dalot (25 anos)
    • Vitinha (24 anos)
    • Matheus Nunes (25 anos)
    • Rafael Leão (25 anos)
    • João Félix (24 anos)
  • Jogadores com futuro risonho:
    • Gonçalo Inácio (22 anos)
    • António Silva (20 anos)
    • Nuno Mendes (22 anos)
    • João Neves (19 anos)
    • Francisco Conceição (21 anos)
    • Gonçalo Ramos (23 anos)
  • Erros de casting/ fretes:
    • Pedro Neto (24 anos)
    • Otávio (29 anos) (não esquecer que estava convocado para o Euro, tendo saído por lesão)
  • Jogadores que podem/devem entrar nas convocatórias futuras:
    • João Mário (o do Porto) (24 anos)
    • Florentino (24 anos)
    • Fábio Vieira (24 anos)
    • Pote (26 anos)
    • Francisco Trincão (24 anos)
    • Jota Silva (24 anos)
    • André Silva (28 anos)

Ecos do Europeu (20)

Caímos de pé frente à vice-campeã mundial

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Foi um jogo muito dividido, este dos quartos-de-final do Europeu entre Portugal e França - vice-campeã mundial - ontem disputado em Hamburgo.

O nosso melhor jogo do Euro 2024.

Tivemos mais "posse de bola" (63%), mais remates, mais cantos, mais oportunidades de golo. Mas não bastou para seguirmos em frente, rumo à meia-final do Euro 2024.

Caímos de pé nas grandes penalidades finais - como nos tinha acontecido frente à Espanha na meia-final do Campeonato do Mundo de 2012. Não caímos como a Alemanha, derrotada horas antes pela selecção espanhola. Eliminada em sua própria casa por um adversário claramente superior.

Saímos de cena num desafio com grandes exibições de Nuno Mendes (melhor em campo), Vitinha, Palhinha, Pepe, Diogo Costa, Rafael Leão, Rúben Dias. 

Bastou no entanto um caso de incompetência na marcação de penáltis para nos pôr fora do Europeu. E desta vez, infelizmente, Diogo Costa não defendeu nenhum.

Não caímos porque a França tivesse sido superior ou tivesse mais solidez colectiva. Longe disso.

Ficamos nos quartos-de-final por erro manifesto de um jogador português. Que estava fresco, repousado, tinha entrado dez minutos antes.

Os franceses irão disputar a meia-final com os espanhóis, na próxima terça-feira, sem um golo marcado por mérito próprio. Beneficiaram de dois autogolos adversários e de um penálti mais que duvidoso.

Em cinco jogos, só isto. É pouco, quase nada.

 

Portugal, 0 - França, 0 (3-5 nos penáltis)

É dia de jogo

E eu vou lá estar... a apoiar via TV.

Chegados aqui já não merece a pena estar a agoirar o pior, pela fórmula do Martinez ou por outra qualquer, França em dez jogos ganha sete ou oito contra Portugal, são fisicamente superiores, muito mais objectivos ou cínicos na forma de entender o jogo, para eles o que importa é o resultado e apenas isso. Os outros que levem a taça do bom futebol, para eles isso vale tanto como a cerveja quente num dia de Verão. Por tudo isto é que ainda têm atravessada aquela derrota em 2016 em Paris e nunca perdoaram ao Éder por aquele pontapé improvável.

E para ganhar é preciso defender bem, o que não é difícil com seis ou sete "armários" no onze, e esperar que dois ou três artistas resolvam a questão.

Portugal é tudo ao contrário, é quase tudo artista da bola na melhor "colecção de cromos" de sempre. Quase todos têm mostrado que querem marcar o golo da carreira e são incapazes de assistir na perfeição para o golo fácil, o experimentalismo do Martínez convida a isso mesmo, e sobra o Palhinha para tapar as aventuras dos outros e evitar que o Pepe escorregue e ajoelhe uma vez mais.

Estando as duas equipas mais confortáveis a jogar com as linhas juntas e aproveitar as transições, quem marcar primeiro vai ficar com o jogo a seu gosto. E mais perto de ganhar.

Que seja Portugal e já agora Cristiano Ronaldo a marcar. Por todos os motivos que já conhecem.

E que a vitória sorria a Portugal, que grande alegria para todos os Portugueses mas muito em particular para os emigrantes na França e em todos os países ali à volta. 

Até mais logo e viva Portugal!

SL

A viola enfiada no saco

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No jogo contra a Eslovénia, Cristiano Ronaldo respondeu em campo, mostrando a todos como se dá a volta por cima. No futebol tal como na vida.

Falha um penálti. Ou melhor: não falha, pois o penálti foi bem marcado, mas com defesa excelente de Oblak. Um quarto de hora depois, volta a marcar - sem tremer, sem vacilar, sem virar a cara ao desafio.

E mete-a lá dentro.

Oblak, ex-Benfica, deixou de ser herói daquele desafio dos oitavos no Euro 2014.

O herói foi também guarda-redes, mas português. Compatriota de Cristiano Ronaldo. Nosso compatriota.

E lá teve a tribo do Ódio ao Ronaldo, uma vez mais, de enfiar a viola no saco. Temos pena.

Llorando Dolores

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Não há nada mais humano que o choro. O momento mais feliz, mais gratificante, mais impactante (já cá faltava uma palavra da moda) da minha vida foi ver o meu bebé nascer e ouvi-lo chorar. Chorou ele e chorei eu.

Já chorei com o Sporting, também, de tristeza e de alegria.

Não sei a razão das lágrimas de Cristiano Ronaldo (provavelmente nem ele) o Record diz que Ronaldo chorou ao ver Dolores no écran do estádio, penso que as dores (dolores em castelhano) seriam outras, julgo que não será difícil perceber quais.

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Estamos no dia 27 de Junho de 2012, os ponteiros já quase apontam as dez e meia da noite, vão bater-se penalties na Dunbass Arena, em Donetsk, cerca de 28 000 pessoas no estádio e milhões pela televisão, preparam-se para ver quem seguirá em frente.

O "bates bem", bateu mal, Bruno Alves bateu na trave, Cristiano Ronaldo não bateu, nem bem nem mal e abandonámos a Ucrânia.

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Parece que temos Cristiano Ronaldo de volta. A atitude do capitão ao pegar na bola e bater o primeiro penalty mostrou-nos que não se deixou abater pelo falhanço anterior e que as lágrimas não eram de desespero.

Teria sido muito mais fácil para Cristiano deixar que fosse Bruno Fernandes a bater o primeiro penalty mas os grandes campeões forjam-se nas dificuldades, remam contra as marés.

Critico Cristiano quando penso que o devo fazer (a questão do arremesso da braçadeira de capitão, por exemplo) mas elogio quando é para elogiar.

A atitude de Cristiano Ronaldo de querer ser ele a marcar o primeiro penalty não foi valorizada, nem elogiada, assim fica aqui registada.

Obrigado, Cristiano, vamos precisar de ti na sexta-feira.

Ecos do Europeu (19)

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Como actuaram os jogadores portugueses contra a selecção da Eslovénia no desafio de anteontem em Frankfurt que terminou empatado a zero - e que desempatámos (3-0) nos penáltis ao fim de duas horas de embate no relvado.

 

Diogo Costa. Decisivo. Protagonizou a melhor partida da sua vida até agora. Ao evitar um golo quase certo (115') e ao defender três penáltis no fim.

Cancelo. Criativo. Responsável pelos maiores desequilíbrios da nossa equipa, como médio-ala direito. Serviu muito bem Ronaldo aos 30'.

Rúben Dias. Certinho. Arriscou pouco, jogando pelo seguro, preferindo manter-se na sua zona de patrulhamento. Podia ter feito mais.

Pepe. Titubeante. Dominou nas alturas, impondo a sua experiência no quarteto defensivo. Mas entregou a bola em zona proibida aos 115': ia-nos custando a derrota.

Nuno Mendes. Dinâmico. Funcionou sobretudo como médio-ala, avançando para além da posição de lateral esquerdo. Foi sempre uma seta apontada ao reduto esloveno.

Palhinha. Pendular. Impôs-se em 21 duelos, nove dos quais recuperando bolas. Atirou ao poste (45'+3). Quase marcou um grande golo aos 108': Oblak desviou in extremis.

Vitinha. Útil. Foi um dos poucos jogadores portugueses que tentaram verticalizar o jogo, imperando no corredor central. Quase todos os ataques passaram por ele.

Bruno Fernandes. Resistente. Pareceu um dos nossos jogadores mais desgastados. Mas aguentou firme até final, quando marcou um penálti de forma irrepreensível.

Bernardo Silva. Apagado. Demasiado colado à linha, sem ousar lances de ruptura, não fez um drible nem ultrapassou a mediania. Bem ao marcar um penálti no fim.

Rafael Leão. Irregular. Conduziu bem o ataque, na ala direita, durante o primeiro tempo. Sacou dois amarelos aos adversários. Apagou-se na  segunda parte até sair.

Cristiano Ronaldo. Oscilante. Desperdiçou penálti aos 105', permitindo defesa de Oblak. Mas redimiu-se um quarto de hora depois, invertendo o que se passara.

Diogo Jota. Enérgico. Entrou aos 65', substituindo Vitinha. Recupera, constrói e oferece golo a CR7 (89'). Sacou um penálti aos 105' num raro movimento de ruptura.

Francisco Conceição. Desperdiçado. Substituiu Rafael Leão aos 76'. Mas entrou para o local errado, como ponta esquerda: ali rende pouco ou nada. 

Rúben Neves. Inútil. Substituiu Pepe aos 117', fazendo Palhinha recuar para central. Aos 120' mandou uma charutada para as nuvens. Soava a desespero.

Nelson Semedo. Tardio. Rendeu Cancelo aos 117', sem que se percebesse bem porquê. Faltavam três minutos para o fim e não consta que seja especialista em penáltis.

Eficácia à portuguesa e mulheres alemãs

Nunca tinha visto sessão de penáltis tão rápida, até os meus nervos aguentaram.

Não costumo assistir a este tipo de desempate, esteja Portugal envolvido. E já me preparava para sair da sala, quando me apercebi de que seriam os eslovenos a inaugurar a sessão. Pensei: “OK, eles marcam golo e eu saio”. Mas Diogo Costa fez a sua primeira defesa! Quando vi que seria Ronaldo o primeiro português, estive novamente para sair, considerando a tragicidade que o envolvera neste jogo. Mas pensei: “Enfim, os eslovenos falharam o primeiro; se ele não marcar, desta vez, não é tragédia nenhuma”. Mas ele marcou! “Pronto, ainda aguento ver o próximo esloveno”. E o Diogo Costa tornou a defender! Já não havia desculpa para sair e o resto foi o que se sabe: tudo acabado em três tempos, com vitória de Portugal por 3-0. Era esta a eficácia que se esperava durante o tempo normal de jogo. Enfim, estamos nos quartos. E Diogo Costa escreveu a primeira página digna de registo na História deste Euro.

Bem, e onde entram as alemãs no meio disto tudo? Na transmissão televisiva do ARD, onde elas estiveram em maioria.

Christina Graf.jpg

A locutora desportiva Christina Graf foi a voz-off de todo o desafio. Não pela primeira vez, é ela a responsável por muitos jogos do Euro transmitidos pelo ARD. Christina Graf foi igualmente jogadora de futebol, mas uma lesão grave no tornozelo obrigou-a a abandonar a carreira com apenas 23 anos. Enfim, ganhou-se uma excelente locutora e jornalista.

Ao intervalo e no fim do jogo, tivemos as análises de Sebastian Schweinsteiger, ao lado de outra mulher, Esther Sedlaczek, também já habitual nestas andanças.

2024-07-01 Schweinsteiger & Esther Sedlaczek.jpg

Não gostava de Sebastian Schweinsteiger como jogador. Excelente, sem dúvida, mas bastante agressivo e impaciente, muitas vezes, arrogante. Desde que casou, em 2016, com a antiga tenista sérvia Ana Ivanović, modificou-se, está um outro homem. Ponderado, calmo e simpático, nem sequer pratica o chamado “mansplaining”, com Esther Sedlaczek, do estilo: “até podes ser competente, mas eu sou homem, fui um os melhores jogadores do mundo e vai dar-me um gozo enorme pôr a nu as tuas deficiências nesta matéria”. Uma atitude muito comum em homens, mesmo não sendo estrelas e tendo uma mulher competente a seu lado. Schweinsteiger limita-se a opinar e a analisar o solicitado por Esther Sedlaczek, falando bem, sem hesitações, nem interrupções, mantendo um semblante simpático. Um comentador de grande classe.

Que diferença dos debates futeboleiros portugueses, entre homens! Mesmo não sabendo alemão, tentem ver um pouco do vídeo da análise final do jogo de ontem, uma análise dinâmica e descontraída (espero que os direitos permitam a visualização do vídeo em Portugal). Os dois começam aliás por falar da Eslovénia e, só depois, se dedicam à nossa seleção.

Mais mulheres no futebol português, fora das quatro linhas, precisam-se!

Sebastian Schweinsteiger e Ana Ivanović têm três filhos. O mais novo nasceu no ano passado.

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Foto Gala

Ecos do Europeu (18)

Temos uma das oito melhores selecções da Europa

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Há jogos épicos. Ontem à noite vimos um deles. Um jogo que parecia interminável: durou duas horas (prolongamento incluído) e terminou empatado a zero. Enfrentámos a Eslovénia, em Frankfurt, nos oitavos-de-final do Campeonato da Europa e seguimos em frente. Com muito esforço, muito suor, muita ansiedade - mas valeu a pena.

Graças a um herói em campo: o melhor guarda-redes português da actualidade, Diogo Costa. Super-herói. Foi decisivo para esta vitória em vários momentos. Primeiro, ao minuto 115 com uma defesa extraordinária após suicida perda de bola de Pepe, que parecia querer rivalizar com António Silva na partida contra a Geórgia: o nosso guardião não se atemorizou perante o esloveno que se isolara à sua frente. Depois, superando-se a si próprio, ao defender três penáltis sucessivos: voou uma vez para o seu lado esquerdo e duas para o lado direito. A selecção adversária não marcou nenhum.

Devemos-lhe o triunfo. Devemos-lhe o passaporte para o próximo desafio, a disputar na sexta-feira contra a França. Foi o melhor em campo. Superior até ao gigante Oblak, que pontificava na outra baliza. 

 

Terminou bem, milhões de portugueses festejam. Caso para isso: a equipa das quinas confirma-se como uma das oito melhores da Europa.

Mas antes da festa houve drama: aconteceu aos 105', quando Cristiano Ronaldo, chamado a converter um penálti sobre Diogo Jota, permitiu a defesa do guarda-redes esloveno que já alinhou no Benfica. Ficou de rastos, incapaz de conter as lágrimas. Raras vezes lhe aconteceu tal coisa ao longo de 21 anos de carreira como futebolista profissional.

Felizmente as lágrimas duraram pouco. Um quarto de hora depois, Ronaldo redimiu-se ao regressar à marca dos 11 metros, por vontade própria: foi ele a bater o primeiro da ronda final. E desta vez não falhou. Seguiram-se Bruno Fernandes e Bernardo Silva, que também a meteram lá dentro.

Fomos mais fortes, mais competentes. Fizemos sempre mais por vencer nesta partida quase por inteiro disputada no meio-campo defensivo da Eslovénia. Tentámos muito, mas faltou-nos maior rapidez na circulação de bola e melhor pontaria no disparo final. Os números são concludentes: fizemos 20 remates, mas apenas quatro à baliza.

A França, nossa adversária daqui a três dias em Dusseldorf, não fez melhor também ontem, contra a Bélgica: 20 remates, só um dirigido à baliza. E apurou-se graças a um autogolo belga, de  Vertonghen, aos 85'. O nono autogolo neste Euro 2024. 

Além da Bélgica, também a Itália e a Croácia - outras das mais cotadas - já ficaram pelo caminho.

 

Regressando ao Portugal-Eslovénia: boas exibições de Palhinha, Cancelo, Nuno Mendes, Rafael Leão. Tivemos sempre superioridade nos corredores laterais.

Substituições tardias decididas pelo seleccionador: até ao minuto 117 só haviam entrado Diogo Jota (para render Vitinha aos 65') e Francisco Conceição (que entrou para o lugar de Rafael Leão aos 76'). A três minutos dos penáltis finais, Roberto Martínez trocou o desastrado Pepe por Rúben Neves, com Palhinha a recuar para central, e Cancelo por Nelson Semedo.

Não só tardias, mas algumas até incompreensíveis: Vitinha era o maior acelerador no corredor central e Leão desequilibrava na ala esquerda, onde Conceição passou a jogar, fora da zona em que mais rende. Como se não tivéssemos a ambição de marcar um golo antes dos penáltis finais. Como se não tivéssemos avançados no banco de suplentes.

Mas o que importa é valorizar o magnífico desempenho de Diogo Costa, primeiro guarda-redes a defender três penáltis em jogos de fases finais de Europeus. Fica imortalizado a partir de agora em imagens que já dão a volta ao mundo. E na gratidão dos adeptos portugueses.

 

Portugal, 0 - Eslovénia, 0 (3-0 nos penáltis)

Bélgica, 0 - França, 1

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