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És a nossa Fé!

Estarei atento

Espero que a mesma Direcção-Geral da Saúde que nos proíbe de frequentar os estádios para vermos jogos pré-pagos com bilhetes de época, em lugares ao ar livre, não se lembre de autorizar a presença de público nos desafios da "final a oito" da Liga dos Campeões, que decorrerão em Lisboa.

Recuso crer que o proibicionismo decretado para os meses de Junho e Julho possa ceder passo ao permissivismo em Agosto, sempre invocando critérios sanitários. Só porque será a UEFA a organizar aqueles jogos.

Estarei atento.

Estádios às moscas agora vazios

A Liga de futebol portuguesa é a mais radical, ou, se quisermos descarada, pois dá um lição de transparência a todas as que por essa Europa fora organizam os jogos. A existência daquela entidade tão esotérica quanto imaterial que é o "clube" (haverá melhor designação, mas agora não ocorre) conhecido como "B" prova à puridade que sócios e adeptos, mais as concomitantes receitas de bilheteira, são uma excrescência à economia da bola. Não há nada igual em qualquer outra Liga europeia e é por demais significativo que tal aberração não seja um escândalo nem o futebol português se sinta envergonhado.
Um breve passeio por alguns sites informativos asseguram que o "B" é apenas um exagero, pois outros "clubes" supostamente representativos de suas terras e suas gentes com ele competem em rarefacção nas bancadas. Frenética deve ser a indústria de entretenimento na Vila da Aves (pop: 8.458) para que os seus habitantes só frequentem o campo de futebol da povoação à média de 1.969 espectadores por jogo. Em Braga, a idolátrica, só 10.587 dos seus 136.885 residentes arriscam quinzenalmente as constipações naquele trambolho de betão que tem o significativo nome de Pedreira. E isto quando por méritos salvadorenhos anda a agremiação por aí a fazer brilharetes.
O público nos estádios, demonstra-o a nossa Liga, não é mais do que cenografia. Ele está lá para dar cor e barulho às transmissões televisivas que, dizem ser, a par das transações bovinas de jogadores, as verdadeiras fontes de receitas desta actividade. Nada que não se resolva com uns pack shots.
Donde que recomeçar o campeonato com estádios vazios consiste, na maior parte dos casos, em mandar ver na Tv nas tascas das redondezas a meia-dúzia de maduros que lá iam. 
De qualquer maneira este recomeço é meramente perfunctório, serve só para um ajuste de contas entre os gajos do costume.

 

Estádios, aviões e televisão

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2 de Maio:
O transporte aéreo de passageiros vai ser limitado a dois terços da lotação normalmente prevista para cada aeronave, definiu o Governo, em portaria no Diário da República.

21 de Maio:
A partir de 1 de Junho, o transporte aéreo vai deixar de ter um limite máximo de lotação, anunciou o Ministério das Infraestruturas.

 

Comecei por não entender. Agora, até julgo que entendo. E, por isso mesmo, fiquei irritado. Refiro-me ao duplo critério que o Governo tem vindo a adoptar, distinguindo o futebol de outras actividades.

Há dias, numa das suas conferências de imprensa quase diárias, a ministra da Saúde revelou-se muito firme na contínua recusa de jogos presenciados nos estádios. «Haver as habituais concentrações em determinados espaços, por ocasião das competições desportivas, é evidente que é algo que não vai poder acontecer da forma a que estávamos habituados a assistir», declarou Marta Temido.

Atalhando neste discurso cheio de rendilhados, isto significa que todos continuaremos proibidos de frequentar os estádios. Os jogos que faltam para completar a temporada 2019/2020 ocorrerão à porta fechada. E, aparentemente, não serão transmitidos pela televisão em sinal aberto. Duas espécies de encerramento, portanto.

 

Há aqui vários erros que convém denunciar desde já. Que imperiosa lógica sanitária leva o Governo a interditar em absoluto estádios com capacidade para largos milhares de lugares sentados, ao ar livre, enquanto acaba de dar o dito por não dito, autorizando que sejam retomadas viagens aéreas - em cubículos estreitos, com ar rarefeito e onde as pessoas estão a centímetros umas das outras por vezes durante horas - sem qualquer limite máximo ao número de passageiros?

Alegam os decisores políticos que é vital proteger e revitalizar a aviação civil. Pois esta mesma lógica pode e deve aplicar-se à chamada indústria do futebol, que gera cerca de 80 mil postos de trabalho, directos e indirectos em Portugal e movimenta receitas que abrangem quase 1% do PIB nacional. 

É um absurdo manter as bancadas dos estádios vazias enquanto se enchem as cabinas dos aviões, em condições sanitárias de muito maior risco. Autorizar que pelo menos um terço dos lugares sentados nos estádios fossem preenchidos - nomeadamente pelos sócios que pagaram lugares de época - seria uma opção razoável. Tanto mais que o Governo - contrariando outra intenção inicial expressa em sinal oposto - acaba de dar luz verde à utilização de 14 estádios para disputar os jogos que faltam. Na prática, só não jogará em campo próprio quem não quiser.

 

Ao contrário do que sustenta a ministra da Saúde, as concentrações de maior risco a pretexto do futebol não ocorrerão junto aos estádios, mas longe deles. Em locais públicos e numa infinidade de reuniões privadas onde irá aglomerar-se muita gente, em todos os recantos do País, para assistir aos jogos caso se mantenha a intenção de que estes só sejam exibidos em canais codificados, nada acessíveis ao actual rendimento médio dos portugueses.

E é por isto que não entendo, de todo, o sururu criado em torno de Pedro Proença, só porque o presidente da Liga se atreveu a sugerir, em carta ao Presidente da República, a intervenção do poder político para que as partidas de futebol remanescentes possam ser exibidas em canais abertos, com a devia compensação financeira proporcionada com verbas públicas aos operadores televisivos.

Caiu o Carmo e a Trindade quando afinal Proença estava cheio de razão. Como o futuro próximo demonstrará.

Será sensato terminar a época?

A decisão de retomar à pressa as competições de futebol, agendando o regresso para a última semana de Maio, apenas se percebe pela necessidade dos clubes receberem as verbas contratualizadas com os operadores televisivos pelos direitos de transmissão televisiva, mas coloca mais problemas e dificuldades que certezas, senão vejamos:

- Vários jogadores terminam contrato a 30 de Junho. O prazo até pode ser prorrogado por decisão FIFA, mas sabemos que vários atletas têm salários em atraso. Será legítimo obrigá-los a jogar? E se não jogarem, não estaremos a desvirtuar a competição? E caso alguém se lesione gravemente? Imaginemos que Trincão do S.C.Braga por exemplo se lesiona para lá de 30 de Junho, irá o F.C.Barcelona pagar a verba acordada pela transferência? Ou João Palhinha por exemplo, que estaria a jogar para lá do período de empréstimo acordado, como seria o Sporting C.P. ressarcido caso não tenha o atleta à disposição para o início da próxima época? Utilizei o SCB como exemplo, nada contra o clube e atletas mencionados a quem desejo as maiores felicidades.

- Discute-se se os jogos devem ser transmitidos em sinal aberto ou fechado. Estarão os detentores dos direitos disponíveis para ceder os mesmos, o que implica perda de receita e ainda assim pagar? Ou vai ser considerado serviço público pelo governo e uma vez mais o dinheiro dos portugueses é desrespeitado, chegando-se a RTP à frente?

- Outra questão em discussão é que estádios serão utilizados para disputar os jogos que faltam. Qualquer solução diferente da utilização dos estádios dos clubes coloca em causa a verdade desportiva. Bem sei que falamos do futebol português, onde tal não é historicamente o mais importante, mas convém apesar de tudo não abusar.

- As duas equipas insulares, Marítimo e Santa Clara, têm tanto direito de jogar em casa como as outras, o que implica deslocações aéreas entre continente e ilhas. Pelo menos a TAP, ao que se sabe, irá continuar a realizar voos regulares e existe sempre a hipótese de recurso a voos privados. Pensam subjugar os direitos destes clubes ao interesse dos outros? É que pode acabar por influenciar a classificação, várias equipas jogaram e perderam pontos naqueles campos.

- O plano aponta para terminar a época em Julho e começar a próxima em Setembro. Não se podem alongar porque existem Europeu de selecções, competições europeias e jogos de apuramento para o Mundial 2022. Não seria preferível dar a actual época por terminada, antecipar o início da próxima e ganhar margem de manobra para gerir eventuais dificuldades que possam surgir? Por exemplo uma eventual nova vaga de covid19.

- Bem sei que todos os atletas estão testados, até podem entrar em estágio durante o período da competição, mas que farão as entidades responsáveis caso um atleta teste positivo? Mandam toda a equipa para quarentena? Isso implica alterações no calendário e prazo para concluir a competição. Isolam apenas o que testou positivo?

- Falta um parecer da DGS, que será fortemente pressionada pela estrutura do futebol para permitir o regresso da competição. Ou percebermos o que acontecerá nas quatro principais ligas europeias, Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália, bem como a decisão da UEFA sobre o que resta das competições europeias desta época. Porque apesar de não termos já clubes envolvidos, existem implicações para Portugal, que terá clubes envolvidos nas pré-eliminatórias da próxima época e terá que competir em pé de igualdade.

- A meu ver, seria preferível seguir o exemplo das modalidades de pavilhão, não haver campeão e utilizar a classificação actual para efeitos de qualificação para as provas europeias, subidas e descidas.

Uma enorme incógnita

Em Itália, já decidiram: não haverá jogos de futebol com público nas bancadas até estar comercializada uma vacina contra o novo coronavírus. 

Na Alemanha, a ordem é clara: todos os eventos que possam atrair multidões permanecem rigorosamente interditos pelo menos até ao dia 20 de Agosto.

Não custa vaticinar que em Portugal as restrições não andarão muito longe do modelo alemão. Podendo, no limite, seguir o modelo italiano. 

Cada vez se impõe mais esta evidência: o futebol, como espectáculo que conhecemos até agora, não volta a ser o mesmo. Isto provoca efeitos catastróficos num modelo de negócio que parece condenado para sempre. O que virá depois é uma enorme e angustiante incógnita.

E o nosso dinheiro de volta?

Os jogos das competições de futebol profissional e de futsal serão realizados à porta fechada já na jornada que vem aí. Uma decisão da Federação Portuguesa de Futebol hoje anunciada como medida para evitar a propagação do coronavírus - mesmo não havendo por enquanto notícia de qualquer dirigente desportivo infectado por cá, ao contrário do que sucede com o presidente do Benfica grego.

Em comunicado difundido há um par de horas, a FPF admite que estas restrições podem ser ampliadas e prolongadas. Falta esclarecer o que tencionam fazer com os lugares de época adquiridos pelos sócios até ao fim da corrente temporada. Estão já a ser estudadas medidas para reaver o dinheiro que gastámos para jogos que seremos impedidos de ver ao vivo?

É bom que nos esclareçam sem demora. Isto não é um pedido: é uma exigência.

Estádio nacional

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Inaugurado em 1944, o velhinho estádio nacional no Jamor tem uma lotação de 37 mil lugares, manifestamente insuficientes para a procura no jogo da final da taça de Portugal, à excepção das épocas em que por um qualquer acaso fortuito do destino, nenhum dos chamados grandes chega à final.

Portugal investiu fortemente no Euro 2004, não importa aqui discutir a opção política e consequência económica de ter apresentado candidatura à organização de tal evento, mas uma vez que o país foi chamado a organizá-lo, houve um caderno de encargos a cumprir, entre os quais a reabilitação dos estádios. E aqui foi para mim incompreensível que  se tenha perdido uma oportunidade, deixando de fora o estádio nacional, quando em minha opinião deveria ter sido o palco dos jogos de abertura e encerramento do torneio. E também deveria ser hoje o estádio onde a selecção nacional de futebol disputa os jogos oficiais, cumprindo o desígnio que fundamenta a sua própria existência.

Apenas a lógica clientelar, favores políticos e tradicional incompetência lusa, permitiram chegar à bizarra situação presente, em que mantemos a final da taça no Jamor para justificar a existência do estádio nacional, mas a selecção joga noutros palcos, porque dá jeito a alguns. A Espanha não tem estádio nacional, agendando o local da final da taça do rei em função das equipas que disputam a final. A selecção vai rodando pelo país. Já a Inglaterra não dispensa que a época abra e encerre em Wembley, palco que também é utilizado para os jogos da selecção. Quando o estádio ameçava ficar obsoleto, foi temporariamente encerrado e reabilitado, voltando a cumprir a função que justifica a sua existência.

Aproveito a semana da final da taça para lançar esta discussão, sobre a qual não tenho à partida uma posição final definida, mas sou frontalmente contra o híbrido que temos. Para mim das duas uma, ou não precisamos de estádio nacional de todo, ou temos um estádio nacional, mas então que sirva para cumprir todas as suas funções, assim o exige o interesse público. E se optarmos pela manutenção do estádio nacional no Jamor, então há que ponderar a sua modernização, respeitando a sua história e arquitectura, mas ampliando a lotação e promovendo uma utilização regular. A actual situação de procurar servir a vários, na realidade não me parece servir ao país...

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