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És a nossa Fé!

Sportinguista sofre

Bem-dito Tantum que é verde e tanto me alivia a língua em ferida de tão mordida. Devo confessá-lo: bem maior que o número dos que ontem estivemos em Alvalade, foi o das vezes que já mordi a língua para travar o ímpeto de exigir que rolem cabeças no Sporting. Da cúpula do clube à estrutura do futebol. 

É claro que desatarmos a degolarmo-nos uns aos outros seria a pior solução para os nossos males mas, que diabo!, que mal que nós jogamos futebol... que mal. Tão mal. 

Levar um banho de bola em casa dado por um clube que, à nossa pala, sistematicamente se põe em bicos de pés arvorado em "4.º grande" é uma afronta, mais uma, que custa mesmo a engolir. Mais ainda com a língua feita num oito.   

Ganhámos. Sim, ganhámos, mas eu é que continuo a bochechar Tantum Verde. Não paro de morder a língua para não pedir a cabeça de Keizer. 

Umas levam a outras. Como aquela que é a coisa dramática de olharmos para a nossa frente de ataque e vermos nas alas a nulidade Diaby e o mais que inconsistente Raphinha. Dois jogadores que de extremos têm apenas o facto de serem extremamente fracos na posição para a qual o Sporting, ao longo de décadas, se constituiu fábrica dos mais perfeitos produtos para aquele específico lugar no campo. 

Um comprado ao Guimarães, outro vindo do Club Brugge, os actuais titulares das alas não são formados na Academia, o mesmo acontecendo com Plata. Resta-nos Rafael Camacho que vimos a espaços na pré-época e, depois, foi um Keizer que se lhe deu. 

Umas levam a outras. E para a que se segue dispenso o Tantum Verde. A língua uso-a afiada, pronta para criticar uma Direcção (administrativa e desportiva) que se desfaz, despacha, abre mão do melhor ponta-de-lança que marcou no Sporting nos últimos anos. Um atacante eficaz, altamente produtivo e não menos temido pelos adversários, dentro e fora de campo, um líder, também ele, dentro e fora de campo; agregador, respeitador da camisola que vestia, ciente da nossa grandeza e que para ela, indiscutivelmente, contribuía.

Depois de ter sido muito mal tratado por uma chusma de grunhos ao serviço da mais vil manifestação de insanidade facciosa, Bas Dost foi desta vez mal tratado pela direcção que o foi escorraçando aos bocadinhos através de recados na imprensa, rotulado de caro e incomportável. Como se de um mero mas insustentável peso se tratasse.   

Bem sei que o mercado está aberto até ao fim do mês e que, portanto, poderá entrar outro ponta-de-lança para a equipa, mas pergunto: É assim que se prepara uma época? É assim que se começa a disputar as competições? Sai um jogador com a importância de Bas Dost com a equipa indefinida? Não era ele uma garantia de estarmos mais perto de ganhar, soubesse a equipa tirar dele proveito?

Tem feito erros esta Direcção (mais um bochecho no Tantum Verde, que a língua trituro-a para não exigir novas eleições), erros em coisas aparentemente simples ou só estúpidas, como a incompreensível nova ordem de entrada no estádio.

Há anos que entro pela porta 1 para chegar ao sector B19 e não obrigatoriamente pela porta 2 como passou a ser esta época. Resultado: percorrida uma fila que começava para lá do Pavilhão João Rocha foram precisos 45 minutos para chegar ao meu lugar. 

Ficar na ignorância é a pior das situações neste caso e para nós seria mais fácil se nos explicassem porque passou a ser esta a lógica de entrada no estádio, porque, por agora, só me ocorre falta de respeito para connosco, que continuamos a qualquer hora ou dia da semana a ir ao estádio apoiar os nossos apesar dos muitos e grosseiros erros de quem lidera o clube e a nossa equipa de futebol. 

O fosso

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De todos os disparates "taveirísticos" de Alvalade e coisas nunca vistas (lugares vendáveis onde um adulto não consegue encaixar os joelhos, lugares canibalizados pelos ecrans, pingos constantes de água quando chove, casas de banho com degraus à saída, etc, etc, etc), o fosso é talvez a maior aberração, afastando os espectadores do relvado e causando problemas vários de segurança.

Mas existe outro fosso bem mais importante do que esse, o fosso que separa o Sporting dos seus dois principais rivais (vamos ver em que situação fica o Porto com este deslize, muito da responsabilidade do Sérgio "big balls" Conceição, o que prova mais uma vez que exigência e atitude sem competência não serve de nada), motivado pela ausência do título maior nacional, pelas ausências sucessivas da Champions, pela crise na formação e consequentemente pela disparidade de orçamentos e pelos encaixes nas vendas.

Com Bruno de Carvalho houve uma aposta no estreitamento desse fosso e de aproximação aos rivais, e a aposta em Jorge Jesus foi instrumental desse ponto de vista, facilitando o acordo com a NOS, mas teve pontos fracos evidentes como o definhar da formação e a incapacidade de relacionamento com agentes e estruturas de poder do futebol, e, como na anedota do escorpião, a sua natureza levou a melhor e conseguiu enredar-se num emaranhado de ódios e traficâncias internas que originaram o assalto terrorista à própria estrutura do futebol e um rombo financeiro e desportivo colossal na SAD.

Com Frederico Varandas assistimos a um esforço importante de recuperação da SAD e da formação, mas os resultados levam tempo a aparecer e o facto é que o fosso alargou-se, sendo o que aconteceu na Supertaça um sonoro aviso, fomos derrotados por 5-0 pelo maior rival, que apresentou cinco jovens valiosos da formação, isto depois de ter vendido mais um por uma verba impressionante, jovem esse que está a deslumbrar Madrid e os espanhóis. O que não é fácil. (Desculpem lá, mas o jovem é da "minha terra" e gosto dele). Outro aviso importante é a saída directa de jovens de Alcochete para o rival. 

E quando ouvimos falar em baixar orçamentos e vender os poucos craques que temos, Bruno Fernandes, Bas Dost e Acuña, quando olhamos para os reforços de Verão e vemos suplentes, quando olhamos para a formação e vemos a saída de quase toda a faixa 22-24 por falta de qualidade, quando olhamos para a estrutura técnica e notamos uma grande fragilidade pese embora alguns titulos já alcançados (que muito devemos agradecer e valorizar), então ficamos com a sensação que o fosso está a aumentar e que pode assumir proporções irrecuperáveis.

O ecletismo do Sporting Clube de Portugal não nos pode fazer esquecer que o futebol é a mola real do clube, e não é aceitável que fiquemos a lutar com o Braga e Guimarães pela 3.ª posição nacional, pelo que terão de ser encontradas fórmulas de investimento criterioso e responsável na SAD e uma liderança técnica que exponencie os valores existentes. 

 

PS: Trata-se dum tema e dum debate importante para o Sporting e agradecia apenas comentários de quem paga as quotas (exceptuando obviamente quem não as paga por motivos de força maior), porque a opinião dos outros pouco ou nada me interessa.

SL

Cinco Violinos

Nos poisos do costume, o habitual coro de órfãos e viúvas apressou-se a celebrar com júbilo a derrota do Sporting, por 1-2, frente ao Valência, vangloriando-se de ver na televisão o «estádio vazio» por alegada ausência de adeptos em Alvalade nesta mais recente edição do Troféu Cinco Violinos.

Um desses órfãos até veio aqui lembrar, por alegado contraste, as putativas «casas cheias» de outros tempos. 

A este e outros desmemoriados, lembro os números de espectadores presentes no nosso estádio nas últimas seis edições deste troféu.

2014: 31 mil espectadores
2015: 38 mil espectadores
2016: 30 mil espectadores
2017: 37 mil espectadores
2018: 18 mil espectadores
2019: 32 mil espectadores

Breves conclusões:

  • Este ano estiveram (estivemos) mais 14 mil do que no ano passado. Quase o dobro.
  • No tempo anterior, nunca se registou «casa cheia» no Cinco Violinos.
  • Desta vez houve mais espectadores nas bancadas do que em 2014 e 2016, anos ainda sem órfãos nem viúvas.
  • Mesmo em tempo de "pós-verdade", convém não formular opiniões com base em aldrabices nas redes que são facilmente desmentidas pelos factos.

Este ano são menos três Gamebox

É extremamente triste chegar a meados de junho e regressar ao És a Nossa Fé não para comentar o defeso, não para fazer o balanço da época e das nossas vitórias, não para renovar a esperança no que aí vem, comentar contratações, novos equipamentos, mas antes vir dizer que o meu lugar, mais o dos meus filhos, este ano será em casa. Não estou doente, não fiquei pobre, simplesmente mantenho um mínimo de amor próprio e alguns limites à emoção. Não acredito em relações desequilibradas e desrespeitosas. Ou há amor ou então não há interesse que nos valha. E, este ano, as novas gentes que comandam o Sporting ultrapassaram tudo o que era razoável na forma como remodelaram uma parte da relação.

Foram 11 anos de compra ininterrupta de gamebox ao que somo mais alguns de gamebox adepto. Este seria o ano em que iria comprar a 4ª Gamebox cá de casa para completar a promessa à totalidade da prole de pequenos leões.

Sucede que num ato completamente desfasado da realidade e que acredito ser genuinamente atentatório dos interesses do clube de curto, médio e longo prazo, descobri que teria de praticamente duplicar o investimento de um ano para o outro só para conseguir manter os três lugares e juntar-lhe uma quarta gamebox de criança.

54, 45, 96 e 189. São os números mágicos. Os três primeiros são o aumento dos preços das renovações para o setor B1. Adulto, Mulher (no Sporting as crianças do sexo feminino pagam bilhete de mulher a partir dos 12 anos) e criança. O quarto número é o novíssimo preço para criança nesse setor. Saltou de €93 para €189, mais €96.

Bem sei que somos diferentes, tão diferentes que deixamos de ser crianças aos 11 anos quando os lampiões ali ao lado têm bilhetes com 50% de desconto até aos 17 anos, desde que acompanhados por um dos pais. E eu este ano vou também ser diferente, premiando a genialidade do novíssimo marketing do Sporting. Mantendo-me fiel a mim mesmo. Há limites. Houve limites com o descontrolado e parece que tem que haver limites, de novo, agora por uma surpreendente questão de finanças, mal desenhada, mal comunicada e completamente ofensiva.

Não me vou alongar mais. Retiro as minha conclusões e votarei (para já) com os pés, abandonando Alvalade e reservando-a para idas esporádicas, à boleia de alguma "ativação de marcas" ou de alguma "nova forma de experienciar" a ida ao Estádio que certamente irão surgir como grandes novidades este ano. Talvez, até, bem mais interessantes do que as ofertas que vejo concedidas a quem quer insistir (podendo ou não podendo) em ser fiel ao Estádio. 

Não sei de que planeta aterraram estes seres do novo marketing do Sporting, mas vai ser uma experiência certamente interessante se prosseguirem por aqui.

Venha de lá o clube das elites e veremos quanto tempo mais sobreviveremos sem campeonatos ganhos e com um "all in" na produtização total da experiência Sporting.

Entretanto, as crianças não irão para nenhum sector gueto, ficarão em casa, tal como eu, solidariamente. Não tenho cara para ir sozinho sem eles, depois do que lhes prometi. É a vida. É a procura e a oferta de sabonetes, pura e dura.

Meninos com dinheiro, há uns lugares porreiros no B1 que vão vagar. Talvez haja croquetes para acompanhar.

Divirtam-se.

De Tondela a Alvalade

Num dia de glória do hóquei do nosso Sporting no Pavilhão João Rocha, não deixo de colocar aqui algumas reflexões sobre o que se passou ontem no nosso Estádio.

Em primeiro lugar, é reconfortante saber que enquanto aguardavam pelo início do encontro com o Tondela, muitos jogadores iam passando os olhos sobre o que se passava no pavilhão, já vi Acuña a beber um chá de mate num encontro de andebol, não sei quantos atletas das amadoras estiveram no estádio, mas é isto que deve ser acarinhado e incentivado, o encontro entre quem veste e defende a camisola do Sporting, seja qual for a modalidade.

Em segundo o óptimo ambiente que se viveu ontem num Alvalade muito bem composto, com gente de todas as idades, muitas senhoras e crianças, sem cânticos ordinários das claques, e terminando o encontro a aplaudir a equipa e a reconhecer o seu desempenho em campo. É este ambiente que queremos ver em Alvalade. Não é o das tochas, dos potes de fumo nauseabundo, dos petardos e da ordinarice.

Mas tendo estado em Tondela a ver o Sporting perder contra um adversário cedo reduzido a 10 elementos, e agora empatar tendo também o Sporting cedo ficado reduzido a 10 elementos, que conclusões posso eu tirar?

1. O Sporting de ontem está a jogar MUITOOOOO melhor do que jogava na altura da visita a Tondela, com fio de jogo, sabendo ter posse, temporizar e acelerar, meio campo muito rotinado e solidário, mesmo com 10 esteve muito próximo de ganhar vantagem confortável e matar o jogo. Desperdiçou 3-4 oportunidades claras e veio o castigo. Depois, o jogo partiu-se, porque o Sporting queria ganhar e arriscou com Bas Dost, o Tondela também, e qualquer um podia ter ganho.

2. O Sporting continua a ser penalizado por lapsos incompreensíveis deste ou daquele seu jogador, lapsos esses que deitam a perder todo o esforço do colectivo. Em Tondela foi Bruno Gaspar que se deixou ultrapassar infantilmente por Xavier, ontem foi Ristkovski que se fez expulsar (este pela 3.ª vez!). Contra o Villarreal, e com a eliminatória em aberto, foi Jefferson. Contra o Estoril foi André Pinto a oferecer dois golos, e lá se foi Peseiro. Isto no que respeita a defender. No que respeita à incompetência na hora de marcar, foi Diaby em Tondela (e quase sempre), e foi o LP9 ontem. E podia continuar... Assim não há táctica nem treinador que resistam. 

3. O Sporting continua a sofrer golos de pontapé de canto, e a não conseguir criar perigo nenhum com os que consegue. Também assim não há táctica que resista.

Na minha opinião, a equipa está na melhor fase desta época, e se não fosse a expulsão teríamos uma vitória confortável e uma preparação efectiva para o Jamor (Como se viu, o Porto passeou na Choupana). Mas agora sem Coates (nas Antas) e Ristovski (nas Antas e no Jamor) como vai ser? Com Ilori a entrar ontem mal no jogo e com Bruno Gaspar no estaleiro? Vamos ver.  

Com muita confiança neste treinador, neste capitão e nesta equipa.

 

PS1: Que chatice ver o clube da (dos meus pais) Terra de Besteiros não deixar de ser uma grande "besta negra" do Sporting na Liga. Este ano foram 5 pontos. Ao nível do Benfica.

PS2: Ouvir o inefável ressabiado Dr. Mascarenhas na TV3 criticar com a maior das ligeirezas as opções de Keizer contra o Tondela só me lembrou as do seu ex-chefe aos jogadores depois do Atl. Madrid. 

SL

Desculpem lá, mas hoje eu sinto-me mesmo assim

 

Começou a caminho do estádio. Em cima da hora para o jogo, cruzava apressado o campus da Faculdade de Ciências quando me apercebi de um homem - vestido à Sporting, mas isso é o menos importante - a cambalear e a sentir-se mal. Procurei ajuda e felizmente consegui alertar para a situação um grupo de polícias que se encontravam nas redondezas, certamente por ser um local de afluência ao estádio num dia de jogo. Os polícias dirigiram-se prontamente para o local onde o adepto se encontrava, e com certeza terão prestado a melhor ajuda possível.
Tinha levado uma contribuição em géneros alimentícios, modesta mas de boa vontade, para o povo de Moçambique, conforme havia sido solicitado pelo clube. Num passado recente já havia participado noutras ações de solidariedade como esta, da iniciativa do Sporting, nomeadamente de auxílio aos bombeiros. À volta do estádio, procurei pontos de recolha, como das outras vezes. Não encontrei nenhum. Dada a enorme fila de adeptos para entrar, acabei por me colocar na mesma, decidido a procurar os pontos de recolha no fim do jogo. Afinal, pensei ingenuamente, talvez até houvesse pontos de recolha no interior do estádio.
Aqui faço um parêntesis na minha história, para lamentar profundamente toda a desorganização envolvida nesta operação de recolha de auxílio para o povo de Moçambique, quando comparada com a organização de eventos semelhantes anteriores. Compreendo que talvez fosse difícil, se não mesmo impossível, compatibilizar uma organização eficiente com os requisitos de segurança de um jogo como o de hoje. Talvez fosse melhor, por isso, esta campanha ter sido feita num jogo previsivelmente mais tranquilo como o do próximo fim de semana. O que não faz sentido foi fazer sportinguistas que responderam ao apelo do clube passarem pela situação que eu e muitos outros passámos.
Voltando à história. Estava eu na fila para entrar quando, finalmente, ao chegar a minha vez de ser inspecionado, o segurança me diz que não posso entrar com nenhum tipo de comida no estádio. Nem mesmo para o auxílio a Moçambique. Esta deve ser uma regra geral e justificável, mas que não me passou pela cabeça. Perguntei-lhe onde era a recolha de géneros, e ele disse-me que era só na Porta 1, do outro lado do estádio. Perguntei-lhe se ele ou os colegas não poderiam guardar o que eu trazia, nem que fosse até ao fim do jogo e depois eu levá-la-ia à porta 1. O segurança repetiu que eu não poderia entrar assim. Quanto muito poderia abandonar os géneros que tinha trazido à porta do estádio, mas ninguém se poderia responsabilizar por eles. Faltando pouco tempo para o início do jogo, ainda pensei em abandonar ali a modesta contribuição que tinha trazido, mas desistir nunca foi comigo. Dirigi-me a correr à porta 1 do Estádio. Procurei por algum ponto de recolha e não encontrei nenhum. Perguntei a outro segurança que disse que não sabia e não tinha nada a ver com isso. Em desespero de causa, perguntei a uma senhora junto do bengaleiro ao lado da entrada VIP, que me informou que afinal a recolha era, não na porta 1, mas junto ao Pavilhão João Rocha. Já mesmo sem tempo para lá ir, perguntei-lhe se ela própria não poderia responsabilizar-se por recolher a doação. Ela respondeu-me que excecionalmente poderia aceitar, e que já tinha feito o mesmo a pedido de outros adeptos.
Neste ponto da história volto a fazer outro parêntesis: por respeito pelos adeptos que aderem a estes apelos, estas iniciativas, a serem feitas, devem ter um mínimo de organização. A organização desta iniciativa, desta vez, foi uma vergonha, e o que mais me entristeceu esta noite.
Voltei a correr para a minha porta de entrada, sujeitei-me mais uma vez à fila de adeptos (felizmente já bem mais pequena). Não encontrei o segurança da primeira vez, ou ter-lhe-ia dito que espero que ele nunca venha a estar numa situação como aquela em que se encontra o povo da Beira. Consegui entrar mesmo a tempo do início do jogo, e com a agradável sensação de que tinha feito tudo o que deveria. E quando é assim nada mais se pode exigir. Em campo, a equipa do Sporting hoje também fez tudo o que deveria fazer. E quando é assim é mais fácil conseguir-se o que se quer. Mesmo como se tem a sensação, que eu tive hoje, de que deve ter sido com a colaboração de algum anjo. Talvez chamado Bruno.

Estou curioso para ver

Dadas as notícias de hoje, já assinaladas no blogue, e considerando a situação que recentemente aqui relatei, fico mesmo curioso à espera de saber se, nas semanas antes do Portugal-Luxemburgo, haverá anúncios do tipo "venha ao Estádio José Alvalade" nos placares publicitários do Estádio da Luz. Mesmo considerando que o nosso estádio não se chama "Estádio do Sporting Clube de Portugal", e a cor do patrocinador da seleção responsável por tais anúncios é o encarnado.

Do que eu não gostei mesmo nada hoje

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Não gostei mesmo nada de estar periodicamente a ser bombardeado com a publicidade que a fotografia ilustra, durante um jogo do Sporting no estádio de Alvalade. Era propaganda do hipermercado "Continente", e dizia respeito a um jogo da seleção nacional, é certo. Mas não deixa de ser muito perturbador para a vista de um sportinguista - tal como os fumos da Juve Leo. (A questão de por que joga a seleção nacional no "Estádio do Sport Lisboa e Benfica" se o estádio é "do Sport Lisboa e Benfica" é relevante mas não a quero discutir agora.) A intenção provocatória, num evento oficial (um jogo da liga), é evidente e não deveria ser aceite por um clube que se dá ao respeito. Esta publicidade é muito mais grave que outras polémicas mesquinhas (por serem privadas e só dizerem respeito a privados) em que o Sporting se envolveu, como a cor dos carros dos futebolistas e das sapatilhas que eles usam, ou o equipamento que convidados de crianças sportinguistas usam nas suas festas de anos.

 

Do vício de ir ao estádio. Golos precisam-se.

Esta época já estive apreensiva, esperançosa, animada qb com os infelizmente breves momentos de keizerball, apreensiva novamente, para voltar a estar mais triste que outra coisa qualquer. No estádio tudo foi triste na quinta, tudo.

Mesmo assim, amanhã não saberia estar noutro lado à hora do jogo. Não faz de mim mais nem menos que os outros, tenho o lugar pago e sei que estaria com o sentido no jogo estivesse onde estivesse. Não consigo não estar, nem quero. 

Sei que o futsal hoje já ganhou, fico contente, quero o Sporting sempre a ganhar. Por vezes vou ao pavilhão ver outra rapaziada das modalidades e admito que é muito diferente e mais feliz. Sente-se no público também. Mas é o futebol que me dói e vicia. Cada um vive o clube como vive.

Queria poder dizer lá para dentro - não me ouviriam, já sei - o que é para nós o clube, o jogo, o estádio, o verde às riscas. O leão rampante. Que não nos impressionam a nós que já vimos tantos outros por ali passarem, mas que são os nossos e é com eles que contamos e com quem queremos estar num só objectivo. Que sabemos reconhcer a raça, a eficácia, gostamos de ver bom futebol e é isso que esperamos época após época. O que é celebrar um golo do Sporting, que percebessem o que é um golo do Sporting para nós. Alguns o entenderão, quero acreditar que quase todos. Não tem a ver com profissionalismos e essa conversa formatada que se faz, isso já sabemos de cor nós também. É tudo muito diferente de há vinte anos, do jogo ao público, mas alguma coisa tem de passar para o lado de lá. 

Sou uma pessoa calada por natureza, vejo jogos quieta no meu lugar. Mas um golo faz-me levantar, gritar, aplaudir e urrar sem sequer pensar no assunto (tanto que celebrei efusivamente o belo golo de Raphinha, depois anulado, frente ao Moreirense. Mas enquanto não o foi, vibrei bastante). 

São golos que vos pedimos. 

O drama das escadas

São 16 e 59 quando saio do meu trabalho já devidamente equipado para o jogo. O Metro vai quase repleto de adeptos. Vinte minutos depois estou a entrar no estádio após ter passado os seguranças e os torniquetes.

E é aqui que tudo se inicia. São diversos lances de escadas, inúmeros degraus, diversos andares sempre a subir.

Faço-o com calma e serenidade, pois ainda é cedo. Já escuto o "speaker" mas não percebo o que diz.

Continuo a subir. O drama adensa-se.

Passo a passo, degrau a degrau, vou-me aproximando do cimo.

Sinceramente não há drama como este.

Chego ao último patamar, onde encontro outro segurança.

Não há mais escadas para subir a não ser as dentro do estádio que dão acesso ao lugar.

Respiro fundo.

O drama resume-se finalmente: como descerei as escadas depois do jogo?

Alegre e feliz?

Triste e cabisbaixo?

Entre ambos?

Estas dúvidas assistem-me em todos os jogos.

Esta noite não foi diferente!

 

Também aqui!

Orgulho em nós

Começo por confessar: gritei, assobiei e vaiei Bruno de Carvalho. Tinha de o fazer. Não ficaria de consciência tranquila se não o fizesse. Era, à luz do meu sportinguismo, uma obrigação. Um imperativo cívico, também.

Avalio o comportamento que adoptei no arranque do jogo, no fim da primeira parte do mesmo, no reatamento da partida e no apito final do desafio, interpreto os assobios e  apupos que dirigi ao ainda presidente como uma necessidade moral. Era para mim urgente repudiar, rejeitar e exigir o fim da actual liderança daquela que é uma das maiores instituições sociais do país. 

Vê-lo subir ao relvado foi a gota de água. Em fracções de segundo fui tolhido por uma estupefacção que me assaltou em catadupa de interrogações: Então o homem vai para o banco? Senta-se, ali, ao lado dos jogadores? Ele que agora é deles o maior opositor, desestabilizador, o principal inimigo do plantel? Foda-se, como é que é possível? Que provocação desmedida. Insana. Estaferma exibição de egocentrismo tão doentio. 

Fiz ouvir a minha indignação, na hora devida, portanto. E tinha de ser em Alvalade. No Facebook, mesmo que aí tivesse conta, não faria sentido desabafar o meu chumbo, a minha insanável desaprovação do comportamento e da gestão do ainda presidente. Tinha de fazer ouvir-me ao lado dos jogadores. Claro que tinha! Eles que na praça pública foram enxovalhados, desacreditados, perseguidos, desautorizados, desvalorizados, maltratados, traídos e totalmente desrespeitados por aquele que devia ser o seu líder. Aquele que, mais uma vez, além da condenação de carácter que lhe faço, revelou ser um péssimo gestor da "marca" Sporting, revelou ser, definitivamente, um péssimo comandante de homens. Claro que eu tinha de estar ao lado dos jogadores. 

Foi um orgulho pertencer ao coro, musicar a volta olímpica dada por jogadores e equipa técnica, gritar com raiva mas também com paixão e abnegação: "Sporting, Sporting, Sporting...!" 

Ontem, ainda antes de nova e penosíssima conferência de imprensa de BdC, o Sporting Clube de Portugal assegurou a vitória.  Esmagou o adversário da batalha para a qual tinha sido arrastado por uma personalidade que eu, porra, caneco, chiça, cheguei a apoiar.

Que fique claro. Nada há aqui de pessoal contra Bruno de Carvalho. Aceito mesmo que BdC esteja doente e que essa seja a principal razão para tamanho desnorteio, errância, auto-flagelação e, mais importante, delapidação do Sporting Clube de Portugal.

Devo-lhe alegrias. E boas. Reconheço que o ainda presidente fez muitas coisas positivas no clube. Que recuperou, revitalizou e reforçou o lugar do Sporting entre rivais, demais adversários e no todo do desporto nacional. 

É sempre fácil falar depois do jogo, mas é mesmo de balanço que se trata este texto. Por isso tenho a perguntar-vos: No passado, na altura em que votei em Bruno de Carvalho para presidente do meu clube, se nesse momento, me tivessem dito que ele viria a fazer o que está a fazer, qual é a dúvida que nunca por nunca lhe daria os meus votos?

Tenho a certeza que o ciclo chegou ao fim, como fechá-lo em definitivo vai trazer-nos ainda mais dor. Todos sabemos que BdC vai dar luta, nunca se demitirá. Vive numa bolha. Rodeado de espelhos. "Espelho meu, espelho meu, haverá algum presidente de clube melhor do que eu?" Imaginamo-lo perguntar-se ao acordar, ao deitar-se.

No entanto, é certo que o ciclo brunista terminou, é já um defunto. Termina de forma triste, sim, mas também proporciona uma orgulhosa alegria. 

Ontem, saído das bancadas, todos ouvimos aquele ruidoso rugido do leão. A garantia de que a força do nosso Sporting somos nós. O clube é nosso. E se alguém traiu esta verdade, esta bela e profícua pertença, se alguém nos traiu, não foram os nossos jogadores, foi aquele que nos devia liderar a todos.

Ter-lhe dito basta. Ter-lhe gritado: O lugar que ainda ocupas já não é teu! Foi uma vitória do Sporting Clube de Portugal. E isso é o que conta. Diria mesmo, isso é aquilo que nos une e unirá até morrermos. E Vivó Sporting!  

 

Feito de Sporting - CAL(*)

"No dia em que fiz 30 anos, houve um Sporting-Benfica, inicialmente previsto para outra data. Ora... celebrar entre amigos, ou percorrer 300km (+300km) e ver a nossa equipa? 
Claro que a minha decisão foi ir para o estádio, acompanhada por amiga sportinguista.

Joguei futebol na década de 90, jogos informais inter municí­pios durante o Verão.

Aos 10 anos, primeiro teste feito, de Francês... fotografia do Ruud Gullit!!! Única menina na sala que sabia de quem se tratava. (risos)

 

Presentemente, já não acompanho o nosso campeonato e os europeus como fazia (queira crer... já fui um pequeno poço de inesperado conhecimento futebolí­stico). 


Ainda assim, vi-me perante a inevitabilidade de 'aflorar a memória' a um sportinguista do sexo oposto quanto àquele que foi o nosso desempenho frente ao Tondela... este ano. (sorriso)

O ambiente no nosso Estádio é... como sabe. :) Fico de sorriso nos lábios só de me lembrar e quase me arrepio. Não estranho o comportamento da senhora que refere (nota do redactor: história por mim contada de senhora adepta do Barcelona, presente no jogo da Champions contra a equipa catalã, que gostou tanto do ambiente do estádio que se fez sócia do Sporting).

De resto, o universo feminino do nosso clube também é de elevadí­ssima qualidade (cof cof cof). Sem bigode e a vibrar (verdadeiramente) mantendo classe sem confundir intensidade com ausência de... 'qualquer coisa'.

Os senhores... cavalheiros. Os últimos, de resto!" 

 

 

(*) inicio hoje mais uma rubrica, a sexta - Feito de Sporting - que pretende recuperar pequenas estórias de envolvimento, de amor, de estoicismo e de resiliência dos nossos adeptos com o clube, relatadas nas nossas caixas de comentários. Para começar, "noblesse oblige", nada melhor do que uma senhora: CAL.

Seja benvinda!

Quente & frio

 

Gostei muito do aplauso tributado nas bancadas de Alvalade ao grande Iniesta - bicampeão mundial e um dos melhores futebolistas que vi jogar desde sempre - no momento em que foi substituído. São instantes como este, em que mesmo a perder somos capazes de prestar tributo ao talento alheio, que me enchem ainda mais de orgulho por ser sportinguista.

 

Não gostei nada da sonora vaia de vários adeptos ao hino da Liga dos Campeões. Esta reacção quase pavloviana aos acordes musicais que confirmam o estádio José Alvalade como um dos palcos da prova máxima do futebol mundial continua a ser para mim incompreensível. Assobiamos o hino, mas guardamos o cheque: não é atitude à Sporting.

Vamos pôr fim aos assobios?

Vamos receber duas grandes equipas europeias na fase de grupos da Liga dos Campeões. Messi, Iniesta, Suárez, Buffon, Higuain, Dybala, Cuadrado, Piqué, Busquets, Chiellini, Khedira, Umtiti e Rafinha vão jogar em Alvalade. Perante casa cheia, seguramente.

É mais que tempo, portanto, de pôr fim aos sonoros assobios ao hino da Champions no nosso estádio. A menos que os sócios e adeptos que assim se comportam preferissem que o Sporting estivesse fora da competição máxima do futebol mundial a nível de clubes.

Guardem lá os assobios para os nossos velhos rivais e os árbitros incompetentes. E deixem-se de exibir complexos de inferioridade. É bom sinal ouvirmos o hino em Alvalade - sinal que o Sporting está onde merece. Entre os melhores.

Gostei

Gostei do desportivismo, da recepção aos jogadores do Fiorentina, de escutar o belo hino deles, dos cinco violinistas a tocar O Mundo Sabe Que, do aplaudido regresso do Matías Fernández a Alvalade agora com camisola violeta, do sol, do calor, das famílias, de ver cada vez mais mulheres nas bancadas (e cada vez mais bonitas), da alegria colectiva, do vídeo-árbitro a repor a verdade desportiva no nosso estádio pelo segundo jogo consecutivo, do golo do Bas Dost.
Gostei até das 13 ou 14 pombas pousadas na nossa lateral direita durante a segunda parte, petiscando sem receio nem temor as sementes da relva fresca.
Tudo isto faz parte da festa do futebol.

Recuo ao tempo de gesto de boa vontade...

Por razões profissionais e quando pesquisava matéria relacionada com navios, deparei-me com um blogue denominado "Restos de Colecção", de José Leite. Provavelmente não será desconhecido por quem demanda blogues, mas tem um interesse histórico assinalável. E, claro, porque tem uma Etiqueta Sporting que nos transporta aos primórdios do primeiro campo de futebol do Sporting e até conta a história do nosso gesto de boa vontade para com o clube da luz, quando lhes cedemos um campo, que já nem isso tinham... Recheado de fotografias antigas, vale a pena. Aqui fica o link: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/search/label/Sporting

1907-Primeiro-estadio5

"Stadium do Lumiar" com as bancadas em construção

(fotografia extraída do blogue "Restos de Colecção")

 

Há muitos anos, era eu grande fã de Luis Figo

 em Alvalade, tinha discussões na Superior Sul com outros sócios, sobre a sua performance.

- Só pensa no penteado!

- Passa o tempo no chão!

- Ele quer é saber do cabelo! 

E eu que não fossem parvos, que vissem mais que isso, que chatos e velhos do Restelo-mas-em-Alvalade. 

O Sporting não ganhava, e lá vinha o cabelo do Figo à conversa. É facto (e pena) que Figo não foi campeão no Sporting, mas a culpa não foi certamente do cabelo.

Não mudámos muito. Só que hoje, em vez de cabelo, são os cães de um, o restaurante de outro, no instagram. Divido-me. Os rapazes têm direito às suas redes sociais, oficiais ou não, têm direito a divulgar os seus projectos e tempos livres. Se acho que podia haver algum recato, ou demonstração de insatisfação? Acho, percebo perfeitamente que custe passar um domingo a pensar que perdemos 1-3 com o Belenenses, e vê-los (aparentemente) de ânimo leve partilhar as suas vidas tranquilas.

Mas assim como não temos nada a ver com a vida pessoal do presidente - não tenho mesmo, quero não saber nada disso se puder - podemos não ver estas partilhas. Há um botão de unfollow ao alcance de cada indignado. 

Eu cá divirto-me bastante com os videos do Francisco Geraldes. E mesmo com os cães do William. E distingo isso do que possam demonstrar pelo Sporting. 

{ Blog fundado em 2012. }

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