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És a nossa Fé!

Triunfo leonino onde o Benfica foi abaixo

Casa Pia, 1 - Sporting, 3

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Gyökeres liderou a nossa equipa para uma vitória no mesmo estádio onde o SLB foi derrotado

Foto: Carlos Costa / AFP

 

Há jogos assim. Apresentados à partida de «enorme dificuldade» mas que acabam solucionados sem drama, nem excesso de nervosismo. Excepto para aqueles adeptos que passam o tempo a «sofrer pelo Sporting» e são incapazes de ficarem tranquilos nem que a nossa equipa esteja a vencer por três ou quatro de diferença.

A visita ao Casa Pia - que continua a jogar em Rio Maior, algo que tenho dificuldade em entender - prometia bastante sofrimento. Há menos de dois meses, o Benfica tropeçou ali, vergado ao peso de uma dolorosa derrota: 1-3. 

Mas connosco foi diferente. Rui Borges fez bem em manter o onze leonino disposto no 3-4-3 que Ruben Amorim deixou implantado com sucesso. Por coincidência ou talvez não, desde que o actual treinador mudou a agulha, abdicando do seu 4-4-2, os resultados têm sido positivos: um empate (em Dortmund, para a Liga dos Campeões) e duas vitórias (na Taça, contra o Gil Vicente, e no campeonato, contra o Estoril). 

 

A terceira foi esta, alcançada há três dias contra um competente conjunto que segue em sétimo na Liga 2024/2025 e assume o jogo, sem estacionar autocarros. O confronto prometia um bom espectáculo de futebol - e assim foi, com lances de futebol de ataque e incerteza no resultado quase até ao fim.

Desta vez a sorte sorriu-nos. Marcámos na primeira oportunidade. E na sequência imediata de um canto, algo pouco frequente. Quenda, a partir da direita, fez passe teleguiado para Gonçalo Inácio, que cabeceou com êxito em nova demonstração de supremacia no jogo aéreo. Inegável trunfo numa equipa que sonha com o bicampeonato.

Aconteceu aos 12'. Nas bancadas, houve festa. Parecia que jogávamos em casa, tantos eram os apoiantes leoninos - em muito maior número do que os hipotéticos casapianos ali presentes.

 

Com vantagem no marcador, não abrandámos. Cedo se destacou Gyökeres, enfim recuperado a cem por cento: inclinou o campo, desorganizou o esquema defensivo casapiano, atemorizou a turma adversária. Numa das suas incursões ofensivas serpenteou à entrada da área com a bola bem dominada e rematou mais em jeito do que em força - o guarda redes Patrick Sequeira colaborou, facilitando: era o 0-2, aos 34'.

Quase perfeito.

Mas ocorreu um percalço aos 45':  Larrazábal venceu o duelo com Matheus Reis na ala direita ofensiva do Casa Pia, centrou à vontade para Miguel Sousa, supostamente marcado por Esgaio. Mas o nazareno, desconcentrado, não só fez péssima cobertura como se encarregou ele próprio de a meter lá dentro. Na baliza errada.

 

O segundo tempo começou com um lance arrepiante: aos 47', Esgaio esteve quase a cometer novo autogolo. Isto deu moral aos gansos para galgarem espaço, aproveitando o notório cansaço de alguns dos nossos, como Quenda, Trincão e Morten - este vindo de lesão e ainda longe da melhor forma física.

Esteve bem Rui Borges em fazer as alterações que se impunham. Meteu Morita e Geny, depois Maxi Araújo. Não só voltámos a equilibrar o jogo, como o virámos a nosso favor. Trincão, apesar da fadiga, infiltrou-se na área sendo derrubado em falta indiscutível. O craque sueco, chamado a converter o penálti, não perdoou: saiu míssil. O seu nono golo de grande penalidade neste campeonato.

Foi aos 77': a vitória já não nos fugia. E podia até avolumar-se, por intervenção do suspeito do costume: Gyökeres quase marcou aos 79'. Um central anfitrião tirou-a in extremis da linha da baliza, já Sequeira estava batido.

Terceira vitória consecutiva de Rui Borges - o que acontece pela primeira vez desde que chegou ao Sporting. Lesionados como Morten e Morita recuperados, falta agora voltarem Pedro Gonçalves e Quaresma. Boas notícias em perspectiva. Para que o bicampeonato não nos fuja.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (7) - Enorme defesa, por instinto, a remate de José Fonte aos 52'. Confirma-se: foi o nosso grande reforço de Inverno.

Esgaio (3) - Lateral adaptado a central, sem rotinas na posição. Autogolo aos 45', ia repetindo a dose aos 47'. Para esquecer.

Diomande (6) - Começou algo nervoso, mas cedo se tranquilizou. Exibição sem grandes rasgos, mas também sem falhas.

Gonçalo Inácio (7) - Supremacia no jogo aéreo, confirmada no golo aos 12'. Sempre útil e muito atento no plano defensivo.

Fresneda (6) - Lateral projectado para a construção ofensiva, abriu várias linhas de passe e nunca deixou de ser combativo.

Debast (6) - Parece ter-se firmado como médio, potenciando a sua notável capacidade de passe. Falta-lhe só ousar mais no ataque.

Morten (5) - Ponto alto: o soberbo passe longo em que assistiu Viktor no segundo golo. Mas está ainda longe da melhor forma.

Matheus Reis (5) - Cumpriu como lateral esquerdo adaptado a ala, excepto quando deixou fugir Larrazábal no centro para o golo deles.

Trincão (5) - Acusa excesso de utilização. Mesmo assim, foi ele a conquistar o penálti ao ser derrubado: iria valer-nos um golo. 

Quenda (5) - Intervenção decisiva no primeiro golo, em que assistiu Gonçalo. Depois foi perdendo fôlego: precisa de repouso.

Gyökeres (8) - Voltou a ser o melhor em campo, marcou pelo segundo jogo consecutivo. Já marcou 27 neste campeonato. 

Morita (6). Entrou aos 64', substituindo Morten. Regresso em boa forma, controlando e organizando o nosso meio-campo.

Geny (5) - Substituiu Quenda aos 64'. Refrescou o ataque com os seus arranques em drible e o seu bom domínio da bola.

Maxi Araújo (5). Rendeu Matheus Reis aos 78'. Na fase em que o Sporting já vencia por 3-1: o principal era controlar o jogo. Cumpriu.

Felicíssimo (5) - Entrou aos 88' para substituir Esgaio. Devia ter saltado mais cedo do banco.

Harder (5) - Substituiu Trincão aos 88'.  Quase só teve tempo para ganhar um canto.

Rescaldo do jogo de ontem

 
 

Gostei

 

Da nossa vitória de ontem. Terceiro triunfo consecutivo leonino sob o comando de Rui Borges, o que acontece pela primeira vez desde a chegada do actual técnico, no final de Dezembro. Como visitantes, vencemos o Casa Pia por 3-1. Na senda do desafio em que eliminámos o Gil Vicente em Barcelos nos quartos-de-final da Taça de Portugal e da vitória sobre o Estoril em casa, para o campeonato. Caso mesmo para dizer: o Sporting soma e segue.

 

De ter começado a ganhar cedo. Concretizámos na primeira oportunidade disponível - e logo após um lance de bola parada, algo pouco frequente. Isto ajudou muito a tranquilizar a equipa e os próprios adeptos.

 

De Gyökeres. Que mais se pode dizer sobre o craque sueco? Voltou ontem a deslumbrar os adeptos, bisou pelo segundo desafio consecutivo e voltou a ser o melhor em campo, deixando qualquer outro a larga distância. Foi dele o nosso segundo golo, apontado aos 34' após uma das velozes arrancadas a que já nos habituou, e o terceiro surgiu também do pé direito dele, aos 77', convertendo de modo exemplar uma grande penalidade - a nona que concretiza neste campeonato. Já a meteu 27 vezes lá dentro na Liga 2024/2025. Já marcou 39 em todas as competições de Leão ao peito na presente temporada - em 40 jogos. E 12 vezes em 2025. Esteve ontem muito perto de apontar mais um, aos 79', com o central Tchamba a salvar em cima da linha de golo, já com o guarda-redes Patrick Sequeira batido.

 

De Gonçalo Inácio. Segundo jogo consecutivo a marcar, impondo-se como o nosso futebolista mais capaz no jogo aéreo. Abriu o marcador aos 12', bem servido por Quenda na sequência de um canto. E nem se mostrou condicionado por um absurdo cartão amarelo que lhe foi exibido logo aos 7' pelo árbitro Helder Malheiro. Revelou fibra leonina.

 

De Rui Silva. Confirma-se: foi o nosso grande reforço de Inverno, quando tínhamos apenas Vladan, entretanto emprestado ao Légia de Varsóvia, e Israel, que ontem nem no banco de suplentes se sentou. Enorme defesa aos 52', anulando remate de José Fonte. Outra boa defesa aos 57'. Foi um dos obreiros desta vitória.

 

Do regresso de Morten. Voltou ao meio-campo, após lesão, o que é desde logo boa notícia. Ainda longe do ritmo competitivo a que nos habituou, e sem a forma física que lhe conhecíamos, mostrou no entanto toda a sua classe num soberbo passe longo, em diagonal, isolando Gyökeres no início do segundo golo. É um dos imprescindíveis deste Sporting campeão.

 

Do regresso de Morita. Voltou às opções do técnico após três jogos de paragem no campeonato - e veio em boa forma, como se percebeu na meia hora final, quando foi chamado à equipa com a missão de orientar as transições entre o meio-campo e o ataque, mantendo-se Debast mais posicional no meio-campo. Outra boa notícia. Agora falta recuperar Pedro Gonçalves e Eduardo Quaresma.

 

Do treinador. Rui Borges fez muito bem em manter o 3-4-3 que passou a adoptar, com sucesso, nos jogos mais recentes - recuperando o modelo em boa hora implantado no futebol leonino por Ruben Amorim. Saldo muito positivo: duas vitórias na Liga e uma na Taça - não será coincidência. E mexeu com muito acerto no onze, trocando jogadores fatigados e desgastados por outros que acentuaram a dinâmica da equipa e reforçaram a nossa mobilidade colectiva: Morten por Morita (64'), Quenda por Geny (64'), Matheus Reis por Maxi Araújo (78'), Trincão por Harder (88') e Esgaio por Felicíssimo (88'). 

 

Do incessante incentivo do público. Havia muito mais adeptos do Sporting do que da alegada equipa "da casa" (que, sendo de Lisboa, assentou praça em Rio Maior). Todos em vibrante apoio ao onze leonino do princípio ao fim. Como se jogássemos em Alvalade.

 

Do Casa Pia. Tem uma boa equipa, sem dúvida. Não por acaso, segue em sétimo na Liga. Não por acaso, estava há sete meses sem perder "em casa" para o campeonato. Conta com Fonte, veterano campeão europeu formado no Sporting, o ex-leão João Goulart também como central, o lateral direito Larrazábal (tem 27 anos, não me importaria de vê-lo em Alvalade) e o ponta-de-lança Cassiano, que ontem não jogou - felizmente para nós - por continuar lesionado. Sem esquecer que perdeu Nuno Moreira, um dos maiores talentos do plantel (também oriundo do viveiro de Alcochete), há dias transferido para o Vasco da Gama.

 

Da nossa liderança reforçada. Continuamos isolados em primeiro. Com 59 pontos. Conseguimos 18 vitórias nestas 25 rondas. Só faltam nove para concretizarmos o maior sonho: a conquista do bicampeonato que nos foge há mais de sete décadas.

 

 

Não gostei

 

De Esgaio. Foi ele a marcar o golo solitário do Casa Pia num lance de total desconcentração, em que tinha toda a possibilidade de ganhar o duelo a Miguel Sousa mas acabou por fazer aquilo que o adversário não conseguiu, traindo Rui Silva. Aconteceu aos 45': por causa dele, fomos para o intervalo a ganhar só 2-1. Reafirmo o que já escrevi: não tem nível para integrar o plantel leonino - mesmo com a desculpa de ser lateral adaptado a central. Aliás, esteve quase a marcar um segundo autogolo, em tudo semelhante ao primeiro, no reatar da partida, logo aos 47'. Arrepiante.

 

Do golo que sofremos. Desde 25 de Janeiro, dia da recepção ao Nacional, que não chegamos ao fim de uma partida, em desafios do campeonato, com as nossas redes intactas. Daí já não sermos a equipa com menos golos sofridos, embora continuemos a ser a que contabiliza mais golos marcados. Mais onze do que o Benfica, concretamente. E mais dezoito do que o péssimo FC Porto.

 

Do quinto amarelo de Gonçalo Inácio. Este cartão deixa-o fora da próxima partida, em Alvalade, contra o Famalicão. Debast pode recuar para central, deslocando-se do meio-campo, mas não deixa de ser uma baixa importante.

Rui Borges, o pragmático

Rúben Amorim foi de longe o melhor treinador do Sporting dos últimos 50 anos, transformou o seu futebol, ganhou dois títulos nacionais em quatro épocas, além doutros, e este ano estava em óptimas condições de ganhar o terceiro.

De Rúben Amorim, que defino como visionário, muito lamentamos a saída extemporânea, mas agradecemos todas as conquistas e recordamos a visão clara do caminho a seguir para o sucesso, a obsessão pela perfeição, o espírito de equipa, a capacidade de decisão nas maiores dificuldades, a sua enorme capacidade de comunicação. 

Depois duma aposta falhada em João Pereira, veio Rui Borges do V. Guimarães, e são já 16 jogos, com 7V 6E 3D, sendo as três derrotas uma no desempate por penáltis na final da Taça da Liga com o Benfica, e duas em jogos fora da Champions League (Leipzig, Dortmund), vitórias na Liga com Benfica e Porto, com o Porto na Taça de Liga. O saldo de golos está em 26-18, bem longe dos números de Amorim.

Rui Borges apanhou um bólide em alta velocidade a soluçar e perder peças, e não tem sido nada fácil mantê-lo em pista rumo à vitória final. Nunca contou com Pedro Gonçalves, teve de gerir o físico de Gyökeres, deixou de contar para o resto da temporada com Daniel Bragança e João Simões, muitas lesões aconteceram num calendário muito intenso que cortaram o ritmo de muitos e impediram o consolidar dum onze.

O primeiro elogio que posso fazer a Rui Borges é que percebeu o que o esperava e soube muito bem atacar os problemas existentes, conjugando um novo sistema táctico 4-4-2 com o respeito pelos grandes princípios do modelo de jogo treinado por Amorim, recolocando os jogadores nas suas zonas de conforto e dando-lhes todo o protagonismo nos pequenos sucessos que foram acontecendo.

 

Sempre entendi que um bom treinador não é apenas aquele que ganha mas é também aquele que pela sua capacidade de liderança projecta os jogadores de que dispõe para outros patamares de rendimento. Fresneda e Debast são dois casos de subida tremenda de rendimento sob o comando de Rui Borges, com Maxi, Quenda e João Simões logo a seguir. E os maiores craques do plantel (Diomande, Hjulmand e Gyökeres) não estão piores do que antes. Esgaio acaba de fazer o melhor jogo de que me lembro dele no Sporting.

Um bom treinador é também alguém comprometido com o clube, cuja escolha de jogadores vai bem além do curto prazo, mas obedece a um perfil e um projecto. Rui Silva e Biel vão nesse sentido, vêm preencher espaços vazios no plantel e não existem na B jogadores com esse perfil/maturidade, nos jovens tem promovido a rotatividade de oportunidades para os conhecer a todos. Falta saber que reforços vamos ter para o próximo ano e que repescagem vai fazer dos emprestados.

Tendo quase sempre a equipa entrado bem em campo e dominado as primeiras partes dos jogos, o ponto fraco de Rui Borges tem sido a demora a reagir quando a equipa começa a derrapar pelo cansaço ou pela força do adversário, ou porque não consegue antecipar os problemas, ou porque o banco não lhe dá garantias de mudança para melhor. Jogadores que sofreram amarelos duvidosos acabaram por ser expulsos, jogadores que entraram comprometeram a equipa.

No que respeita a bolas paradas, defensivas e atacantes, não tendo feito as contas, não me parece que a situação actual seja pior do que a que existia com Amorim, digamos que seja idêntica e pode bem melhorar.

No que respeita à Comunicação, ainda se nota imenso a falta de Amorim. O Sporting está a falar por várias vozes, o que se diz no balneário salta para os jornais, as lesões não são explicadas, existem jogadores que desmentem boatos. Amorim sozinho dava conta do recado. Rui Borges não tem essas valências, muita falta faz um novo Octávio Machado na estrutura.

 

Resumindo, Rui Borges é o pragmático que sucedeu ao visionário. Prático, objectivo, sensato, funciona por tentativa e erro. Não tem médios para o 4-4-2? Vai em 3-4-3 e "siga a marinha". 

Isso pode dar a ideia, aqui e ali, de falta de convicções, de vistas curtas, de falta do "golpe de asa" que define os  treinadores de topo.

Mas se calhar é o treinador certo no momento certo para conduzir o Sporting ao sucesso esta época.

E se com todos os problemas que tivemos a época acaba por correr bem?

Eu confio em Rui Borges!

SL

Balanço (4)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre ESGAIO:

 

- Edmundo Gonçalves: «Fez uma óptima partida (Sporting 3-0 Moreirense), coroada com um golo pleno de oportunidade [anulado por deslocação de 5 cm], que revela que o nazareno não sendo um portento tecnicamente, que não é, é um jogador que dá tudo e é bastante útil neste sistema de jogo de Amorim. Não brinco se disser que o espanhol Fresneda terá de mostrar muito empenho para agarrar o lugar.» (18 de Setembro)

- José Navarro de Andrade: «Caso primeiro dramático, depois patético, foi Esgaio. O polaco sabia como ultrapassá-lo - "tinha o pé trocado" - e ultrapassou-o sempre, sempre, sempre, ao passo que Esgaio não fazia a mínima ideia como detê-lo. Nem em vídeos o deve ter visto.» (27 de Outubro)

- Luís Lisboa: «Com todas as suas limitações em termos de definição de lances atacantes, cumpre o que lhe é pedido.» (16 de Janeiro)

- Eu: «Gostei muito pouco - quase nada - da exibição de Esgaio: incapaz de criar dinâmica ofensiva no corredor direito, incapaz de provocar desequilíbrios, no lance do golo do Braga falhou por completo a marcação a Ruiz, que estava há três meses sem facturar.» (24 de Janeiro)

- Pedro Boucherie Mendes: «Os outros, como Matheus Reis, Israel, Esgaio, Geny, St. Juste. Em muitas fases da época, o Sporting foi uma equipa com 15 ou 16 titulares.» (6 de Maio)

Quente & frio

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Morita e Morten brilharam no meio-campo, vulgarizando o Benfica no clássico da Taça em Alvalade

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Gostei muito da nossa vitória ontem, em Alvalade, frente ao Benfica, cumprindo a primeira mão da meia-final da Taça verdadeira. Num desmentido vivo e cabal daquela treta - propalada por alguns adeptos que são leões sem juba - de que o Sporting claudica nestes clássicos. O que se viu ontem foi o contrário disto: o Benfica a tremer durante uma hora, em que sofreu dois golos e podia ter sofrido outros tantos, incapaz de construir um lance colectivo digno desse nome, sem posse de bola, remetido ao reduto defensivo, impotente na reacção à contínua pressão atacante da nossa equipa. Basta referir que o primeiro remate deles à nossa baliza aconteceu só aos 59' quando João Mário - sempre muito assobiado cada vez que tocava na bola - atirou à figura, para defesa fácil de Israel.

 

Gostei deste triunfo por 2-1 que nos dá vantagem para o desafio da segunda mão, a disputar na Luz daqui a mais de um mês - caprichos do calendário futebolístico que está sobrecarregado de jogos nesta fase e devia ser revisto em futuras temporadas. Pusemo-nos em vantagem logo aos 9', com um surpreendente golo de Pedro Gonçalves de cabeça, quase sem tirar os pés do chão, batendo o guarda--redes ucraniano do SLB, que tem quase 2 metros de altura. Mérito inegável do melhor jogador português do Sporting, ontem excelente como segundo avançado: já fez 14 golos esta época, sendo agora o segundo artilheiro da equipa. Assim chegámos ao intervalo. O segundo golo, aos 54', foi de antologia - com Gyökeres muito bem lançado de trivela por Geny junto à linha direita, a correr com ela dominada durante 35 metros e a fuzilar Trubin. Destaco ainda a fantástica dupla Morita-Morten (com o dinamarquês a assistir no primeiro golo), que controlou as operações no meio-campo durante 65 minutos, até a fadiga se instalar. Mas sublinho acima de tudo a presença imperial de Coates no comando da defesa neste seu jogo 355 de Leão ao peito: elejo-o como melhor em campo. Cortes impecáveis aos 22', 38', 45'+2, 51' e 90'+5. Com ele ao leme, nem parecia que estávamos desfalcados de um titular naquele sector: Gonçalo Inácio, lesionado, esteve ausente do onze. Tal como Trincão, pelo mesmo motivo. 

 

Gostei pouco que algumas oportunidades de golo tivessem ficado por consumar. O campeão dos perdulários voltou a ser Edwards, que atravessa fase menos boa. Frente à baliza e com as redes à sua mercê, demorou a rematar, permitindo intercepção, aos 45'. Também muito bem colocado, aos 64', falhou o disparo: a bola saiu-lhe enrolada, perdendo-se assim a hipótese de dilatar o marcador.

 

Não gostei que o golo de Nuno Santos - obra-prima que prometia dar a volta ao mundo - tivesse sido anulado por deslocação de Paulinho. Aconteceu aos 90'+3: ainda festejámos por alguns momentos o suposto 3-1 após monumental chapéu de mais de 20 metros a desenhar um arco perfeito sobre a cabeça de Trubin com a bola a anichar-se no ninho da águia. Mas ficou sem efeito, o que deve ter causado noite de insónia ao nosso brioso ala esquerdo, que substituiu Geny aos 86' enquanto Paulinho rendera Pedro Gonçalves no minuto anterior.

 

Não gostei nada da exibição de Esgaio: entrou aos 76', rendendo um Edwards que se perdeu em fintas e fintinhas esquecendo-se de que o futebol é um desporto colectivo. Mas o substituto do inglês não esteve melhor, longe disso: voltou a revelar-se o elemento tecnicamente mais débil do plantel leonino. Aos 80', muito bem enquadrado com a baliza, em posição de disparo e sem marcação, ficou sem saber o que fazer com a bola: sentiu uma espécie de temor cénico e acabou por confundir futebol com râguebi, atirando-a muito por cima da baliza. Pior: voltou a fazer o mesmo aos 88'. Incapaz de tirar um jogador da frente, entregou-a em zona perigosa, aos 90'+1, ficando pregado ao chão e dando origem a uma rápida ofensiva dos encarnados. Tanta asneira junta em tão pouco tempo. Pior só aqueles inenarráveis "olés" que a partir da hora de jogo, num estádio com lotação quase esgotada (45.393 espectadores), começaram a escutar-se nas bancadas: bazófia burra que só contribuiu para desconcentrar os nossos e mobilizar a equipa adversária. Esta gente tarda em perceber que "olés" servem para a tourada, nada têm a ver com futebol. 

Quente & frio

 

Gostei muito da passagem do Sporting aos oitavos da Liga Europa, ontem confirmada ao eliminarmos o Young Boys, líder incontestado do campeonato suíço, que fora repescado da Liga dos Campeões. Em boa verdade a eliminatória ficara assegurada uma semana antes em Berna, onde fomos vencer sem margem para dúvida (1-3). Em Alvalade, bastou-nos gerir o resultado e dosear o esforço físico dos jogadores, que depois de amanhã voltam a competir - desta vez para a Liga portuguesa com uma difícil deslocação a Vila do Conde. Foi uma partida tranquila, dominada quase por completo pela nossa equipa, embora muito perdulária em situações de golo. 

 

Gostei que Gyökeres voltasse a marcar - e bem cedo, logo aos 13'. Infiltrou-se na grande área e disparou uma bomba, indefensável, muito perto da marca dos 11 metros. Foi o 29.º golo pelo Sporting do internacional sueco, que também já protagonizou 11 assistências na temporada. A partir daí, os quase 30 mil espectadores deste desafio ao vivo no nosso estádio ficaram com a certeza de que a passagem à fase seguinte da Liga Europa estava assegurada. Mas destaco Trincão como melhor em campo: foi dele a assistência para Viktor nesse lance, com um passe perfeito. E foi também ele a sofrer o penálti aos 55' que podia e devia ter resultado no nosso segundo golo: infelizmente Gyökeres permitiu a defesa do guarda-redes. Nunca antes tinha falhado uma grande penalidade de Leão ao peito.

 

Gostei pouco de algumas exibições. Esgaio, incapaz de ganhar duelos e sempre receoso de progredir com a bola, fez-nos sentir saudades de Geny - um dos poupados, tal como Coates e Morita (Nuno Santos só fez a segunda parte, por troca com Gonçalo Inácio, e Pedro Gonçalves entrou apenas aos 63'). Outros jogadores que não me impressionaram favoravelmente foram o recém-chegado Koba (substituiu Morten aos 63', com óbvia diminuição da dinâmica colectiva da equipa) e o recém-recuperado Fresneda (substituiu Esgaio aos 85' sem mostrar ainda os atributos que terão levado à sua contratação). 

 

Não gostei que tivéssemos desperdiçado pelo menos quatro flagrantes oportunidades de golo, além do penálti que Gyökeres foi incapaz de concretizar. Em parte devido à competência do guarda-redes e do sector defensivo suíço, onde brilhou Amenda, "polícia" do nosso goleador. Daniel Bragança destacou-se neste capítulo menos positivo com duas perdidas escandalosas, aos 63' e aos 90'+4. Mas o maior falhanço - quase digno dos "apanhados" - foi de Edwards aos 45'+1, com a baliza escancarada e a dois metros da linha de golo. Servido de bandeja por Gyökeres, trocou infantilmente os pés e deixou a bola fugir.

 

Não gostei nada do golo que sofremos, aos 84', fixando o resultado final (1-1). De penálti, a punir falta cometida por Edwards em trabalho defensivo, num lance que estava controlado e em que a bola aparentemente até se encaminhava sem perigo para a linha de fundo. Os suíços conseguiram assim empatar sem terem construído uma só oportunidade de golo em lance corrido numa partida em que, excepto naquele momento, voltámos a demonstrar muita consistência defensiva - com merecido destaque para Diomande, que não jogava de verde e branco desde 30 de Dezembro e regressou em boa forma do Campeonato Africano das Nações, ao serviço da Costa do Marfim, vencedora da prova.

Quente & frio

 

Gostei muito de ver o estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, cheio de adeptos leoninos. A esmagadora maioria dos 18.500 espectadores, que preencheram mais de 90% das bancadas, puxou pela nossa equipa na meia-final da Taça da Liga, contra o Braga. De falta de apoio nenhum dos nossos jogadores pôde queixar-se.

 

Gostei da exibição do Sporting durante mais de 60 minutos. Realço os desempenhos de Nuno Santos (para mim o melhor em campo), Eduardo Quaresma, Morten e Pedro Gonçalves. Além de um par de defesas consecutivas de Israel, aos 75', impedindo golos de Victor Gómez e Ricardo Horta. No golo solitário que sofremos, marcado por Abel Ruiz aos 65', o jovem guarda-redes uruguaio não podia fazer nada.

 

Gostei pouco de ver Gyökeres manietado durante quase todo o jogo pela defesa braguista, sobretudo por Paulo Oliveira (antigo titular do Sporting), que quase não deu espaço ao sueco para desenvolver todo o seu futebol: sem Viktor a 100%, como é sabido, a nossa equipa não rende da mesma forma. E gostei muito pouco - quase nada - da exibição de Esgaio: incapaz de criar dinâmica ofensiva no corredor direito, incapaz de provocar desequilíbrios, no lance do golo do Braga falhou por completo a marcação a Ruiz, que estava há três meses sem facturar.

 

Não gostei do festival de esbanjamento que protagonizámos nesta meia-final. Com três bolas nos ferros e outras tantas que andaram perto. Aos 13', Pedro Gonçalves fez tremer a baliza adversária com um petardo disparado de 30 metros que embateu no poste. Aos 37', Nuno Santos acertou com estrondo na barra. Aos 45', novamente Nuno, com nota artística, remata de trivela fazendo a bola chocar no ferro. Aos 54', num dos raros momentos em que conseguiu libertar-se da marcação, Gyökeres levou a bola quase a beijar o mesmo poste esquerdo. Aos 59', após boa tabelinha com Trincão, Pedro Gonçalves, encaminha-a rente ao ferro oposto da baliza à guarda de Matheus. Aos 87', Trincão imitou-o. Demasiado desperdício para um jogo só. 

 

Não gostei nada desta derrota -- a nossa quarta da época, em 30 jogos disputados. Porque nos afasta da Taça da Liga, ficando assim um objectivo por cumprir. Porque foi a primeira partida em que não marcámos nesta temporada. E porque nos quebra uma dinâmica de vitórias: vínhamos de oito desafios seguidos a vencer, três dos quais com goleadas. Resta-nos recuperá-la já no próximo embate do campeonato, frente ao Casa Pia.

Um milagre na Polónia

Há qualquer coisa que não está nada bem.

Então a rapaziada vai daqui até aos confins da Polónia com calçado inadequado? Andaram o tempo todo em pontas para não escorregarem e nem depois do intervalo a coisa melhorou , o que só se explica por não terem levado um par de botas alternativo e mais apropriado. Não há campos maus, como há 2 anos se viu no temporal da choupana, há é equipamento errado.

Na flash Amorim disse que naqueles primeiros minutos de um Sporting retraído e desconfiado, anteriores à expulsão de Gyökeres, "estavam a ver o que o jogo dava."  Por outras palavras: não conheciam o adversário, não sabiam quem estavam a defrontar. Caso primeiro dramático, depois patético, foi Esgaio. O polaco sabia como ultrapassá-lo - "tinha o pé trocado" - e ultrapassou-o sempre, sempre, sempre, ao passo que Esgaio não fazia a mínima ideia como detê-lo. Nem em vídeos o deve ter visto.

A rapaziada treina os passes? Ou sou só eu a achar assombrosa a quantidade de passes mal medidos, mal direccionados, mal executados? Fora a atitude diletante e displicente de alguns artistas que enquanto não produzem maravilhas de vez em quando só fazem asneiras, isto para quem está toda a semana junto é sumamente intrigante.

O jogo foi horrível e só por milagre não levamos uma trepa das antigas. Mas os sinais dados pelo Sporting são preocupantes, parecem ir para além da circunstância de um fim de tarde mal passado.

"Fora-de-jogo" milimétrico: fim à vista

 

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Ricardo Esgaio, ao introduzir a bola na baliza do Moreirense no jogo de domingo à noite, não estava em fora-de-jogo: estava em jogo.

Cinco centímetros equivale a um fragmento de segundo - período em relação ao qual não existe a menor certeza científica a validá-lo.

Esta pseudo-tecnologia anticientífica mata o golo, essência do futebol.

Cinquenta milímetros é metade de um dedo: nenhuma "verdade desportiva" pode ser evidenciada com medições destas.

 

Daí a alteração que a FIFA está já a pôr no terreno com a intenção de alterar a chamada cláusula 11 da Lei do Jogo: «A alteração faria com que só fosse considerado fora-de-jogo se todo o corpo do atacante estivesse para lá da linha traçada na posição do penúltimo atleta da equipa que está a defender.»

Pretende-se, como titulava há meses o ABC em Espanha, «declarar guerra ao fora-de-jogo milimétrico». Daí haver já experiências-piloto em curso nos campeonatos secundários da Suécia, da Holanda e da Itália.

Isto faz todo o sentido, em defesa activa e drástica do futebol enquanto espectáculo.

 

Ver sportinguistas - como tenho visto desde segunda-feira - sair em defesa do statu quo que a própria FIFA quer alterar, sabendo que colidem com a verdade desportiva de um jogo que o Sporting acaba de disputar, é para mim totalmente incompreensível.

É, no fundo, mais um exemplo da tal autofagia que tanto mal tem feito ao nosso clube nas últimas décadas.

Não imagino benfiquistas ou portistas concordarem com a anulação «por 5 centímetros» de um golo marcado por qualquer jogador deles. Fazem bem. Se procedessem ao contrário colidiam com a verdade desportiva. E estariam a ser péssimos adeptos das suas cores.

 

ADENDA: Sobre esta matéria, recomendo a leitura deste apontamento do confrade Sol Carvalho, um sábio Leão: https://sporting.blogs.sapo.pt/os-melhores-do-mundo-9056727?thread=104417751#t104417751

Os melhores do mundo

Quem faz o favor de perder algum tempinho a ler os meus gatafunhos por aqui (embora seja em letra de imprensa), sabe que sempre considerei, apesar das críticas a maior parte das vezes merecidas, que os nossos jogadores são os melhores do Mundo, Esgaio incluído.

Esgaio que ontem fez uma óptima partida (Sporting 3-0 Moreirense), coroada com um golo pleno de oportunidade*, que revela que o nazareno não sendo um portento tecnicamente, que não é, é um jogador que dá tudo e é bastante útil neste sistema de jogo de Amorim. Não brinco se disser que o espanhol Fresneda terá de mostrar muito empenho para agarrar o lugar. 

Prometi que viria aqui falar de aquisições após o fecho do mercado e aqui estou, porque não gosto de comentar mentideros e "supônhamos". Assim, se em demais anos critiquei de forma clara a direcção, Hugo Viana e Amorim por alguns flops e tiros completamente ao lado, coerentemente não posso deixar de lhes reconhecer o mérito de este ano terem feito o pleno (falta ver actuar o espanhol Fresneda ainda, mas estou com a esperança de que não desiluda) nas contratações mais ou menos cirúrgicas que fizeram e felicitá-los por isso.

Para uns pode ainda faltar um defesa, para outros um médio, para outros um avançado, mas a confirmação dessas lacunas ver-se-á em Janeiro. Seria interessante não haver necessidade de contratar ninguém nesse período, o que quereria dizer que as coisas estariam a correr bem e que se aplicaria a máxima de "em equipa que ganha não se mexe". Seria também importante que ninguém saísse, claro!

A forma em crescendo como a equipa vem evoluindo perspectiva uma época que nos pode trazer boas alegrias, se entretanto os factores externos, como a habilidosa arbitragem de ontem à noite, mais uma, não nos forem aqui e ali, cirurgicamente, prejudicando. Ontem, que o VAR tenha conseguido descortinar um fora de jogo de 5cm eu até dou de barato, mesmo sabendo que 5cm é uma fracção ínfima de segundo, ou seja, muito subjectivo. Já que o bandeirinha tenha olho de lince para ver o mesmo é que é surpreendente, se até a regra e a recomendação que tem é que deixe o lance andar, deixando para o VAR a tarefa de o analisar. É disto que eu tenho receio e é contra isto que temos que lutar, a começar pela direcção. Ontem o central do Moreirense deveria ter ido tomar banho mais cedo, porque o senhor de azul lhe perdoou um amarelo alaranjado ainda o jogo ia no adro e o que lhe mostrou mais tarde dava-lhe guia de marcha para o balneário.

Temos hoje talvez a melhor equipa do campeonato e pedindo a todos os santinhos que não sejamos prejudicados, podemos ter a forte e fundada esperança de chegar na frente lá para Maio. E se porventura não chegarmos na frente, há uma certeza que é clara: Os reforços são mesmo de gabarito e não havendo factores esquisitos, tratar-se-ia de azar, incompetência do técnico, ou aquilo que por vezes acontece, os outros seriam melhores.

Eu por mim estou satisfeito e repito: Belo trabalho de pesquisa!

 

* O golo, como já referi no texto, foi anulado por 5cm. A FIFA está a realizar jogos piloto em que o fora-de-jogo só será assinalado quando todo o corpo do atacante estiver para além do último defesa. Em abono e favor do futebol espectáculo, o meu aplauso veemente.

Balanço (4)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre ESGAIO:

 

- António de Almeida: «Quando Ricardo Esgaio substituiu Pedro Porro, entrou em campo aplaudido pelos sportinguistas nas bancadas, que mostraram aos energúmenos que espalham ódio e insulto nas redes sociais, o Sporting que somos, não o gang de rufias que gostariam que fôssemos.» (14 de Agosto)

- Luís Lisboa: «Apostar na formação também implica defender sem reservas, e ter uma tolerância bem superior relativamente a quem vem de fora para com um jogador nado e criado em Alcochete chamado Ricardo Esgaio.» (3 de Outubro)

- Edmundo Gonçalves: «Não joga no próximo jogo, o que quer dizer que se não entrar o Paulinho, iremos começar com onze.» (13 de Outubro)

- Francisco Almeida Leite: «Não pode ser por pura teimosia que Rúben Amorim insiste num jogador como o Ricardo Esgaio, em má forma e psicologicamente devastado, devido a uma sucessão de erros (alguns infantis) que prejudicaram o clube e causaram derrotas e perda de pontos em várias competições.» (13 de Outubro)

- Pedro Boucherie Mendes: «Tanto Adán, como Esgaio, como Pote, tiveram lances estúpidos, próprios de escola secundária.» (13 de Outubro)

- Zélia Parreira: «No primeiro ano, Rúben tinha "a estrelinha". Agora, o talismã é Esgaio. Compreende-se a diferença de resultados.» (14 de Outubro)

- Eu: «Uma das figuras do jogo. Marcou o golo da vitória, aos 60' - o primeiro como profissional do Sporting. Saiu sob fortes aplausos aos 82'.» (2 de Maio)

- Vítor Hugo Vieira: «Num grupo de jogadores a que chamaria "se fizermos 2 milhões por cada um já é bom", coloco Jovane, Esgaio, Sotiris e Rochinha. Não lhes vejo grande futuro no clube, mas ao mesmo tempo temos de começar a fazer algum dinheiro com este tipo de atletas.» (11 de Maio)

Esgaio na baliza certa, Coates na errada

Sporting, 2 - Famalicão, 1

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Edwards foi o melhor em campo contra os minhotos em Alvalade: esteve nos dois golos

Foto: Miguel A. Lopes / Lusa

 

Quem pensava que seria apenas para cumprir calendário, enganou-se. Foi um bom jogo de futebol, muito emocionante sobretudo na segunda parte, com um Famalicão confirmando anteontem em Alvalade por que motivo se encontra num lugar confortável do campeonato (sétima posição) e chegou a semifinalista da Taça de Portugal.

Houve oportunidades para os dois lados. Mas com óbvia supremacia da equipa da casa. O Sporting voltou ao "ataque móvel", sem grande sucesso (duas unidades, Trincão e Pedro Gonçalves, não estiveram à altura da aposta do treinador), Nuno Santos no habitual vaivém junto à linha esquerda e Esgaio na nova missão que Rúben Amorim lhe vem indicando, de fazer movimentos como interior direito em complemento de Edwards. De uma tabelinha entre ambos nasceu o nosso primeiro golo, aos 18', por Morita. E foi o próprio Esgaio, aproveitando uma bola de ressaca, também após bom trabalho do inglês, a marcar o segundo. Que nos valeu três pontos - temos agora 64.

Houve festa no estádio, onde estiveram quase 30 mil espectadores. Prémio merecido a um dos mais esforçados elementos do plantel leonino, várias vezes criticado pelos adeptos - e com razão - mas que tem evoluído muito ao longo desta época. E que, ao contrário do que alguns temiam, não deixou a nossa ala direita desguarnecida com a partida de Porro, em Janeiro. Pelo contrário, tem demonstrado mais eficácia a partir daí.

 

Esta foi a parte melhor do jogo. A menos boa, uma vez mais, situou-se no nosso reduto defensivo. Com Diomande como protagonista pela negativa em dois momentos que puseram à prova os bons reflexos de Adán (um dos melhores em campo) e Coates muito infeliz num corte que devia ter sido para canto mas acabou por encaminhar a bola para dentro da baliza, traindo o guarda-redes. Há muito que o nosso capitão não marcava um autogolo. Pela minha parte, confesso: disto não tinha saudades.

Foi a única forma de o Famalicão não ficar em branco no nosso estádio. Em boa verdade, mereceu esse golo solitário. Por ser uma equipa bem organizada, bem orientada, tecnicamente bastante evoluída e que pratica um futebol acima da média para os padrões nacionais. Merece o sétimo lugar, merece ter chegado onde chegou na Taça. É, além disso, uma equipa que vem mantendo boas relações institucionais com o Sporting - algo que justifica uma palavra acrescida de saudação.

 

Resta-nos agora o quê?

Vencer os quatro jogos que faltam para concluir o campeonato. E aproveitar estes desafios, desde já, como etapa preliminar da época que irá seguir-se. Sem facilitar, sem cometer os erros de sempre. Sabendo progredir, sabendo evoluir.

A temporada 2023/2024 pode, de algum modo, começar ainda com esta a decorrer. Há toda a vantagem nisto. Nós, adeptos, não exigimos menos que isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sem deslizes digno de nota, fez duas boas intervenções impedindo golos do Famalicão.

Diomande - Noite azarada para o jovem marfinense. Dois lapsos, aos 30' e aos 52'. Saiu aos 56'.

Coates - Autogolo aos 69': só assim o Famalicão conseguiu marcar. Quis aliviar, mas foi mal-sucedido.

Gonçalo Inácio - Discreto. Começou como central à esquerda, aos 56' passou para a direita. Já está habituado.

Esgaio - Uma das figuras do jogo. Marcou o golo da vitória, aos 60' - o primeiro como profissional do Sporting. Saiu sob fortes aplausos aos 82'.

Ugarte - Útil como sempre, na vigilância do nosso meio-campo. Segundo golo começa com uma recuperação dele. Amarelado, saiu aos 73'.

Morita - O nosso melhor reforço em 2022/2023 voltou a dar nas vistas. Autor do primeiro golo, aos 18'. Já marcou mais do que Paulinho na Liga.

Nuno Santos - Dinâmico, veloz, cheio de energia. Mas neste seu 90.º jogo no campeonato português não cruzou com êxito. 

Edwards - O melhor em campo. Está nos dois golos. Grande trabalho oferecendo de bandeja a Morita e é ele próprio a rematar no segundo com a bola a ressaltar para Esgaio.

Pedro Gonçalves - Muito apagado. Podia ter marcado aos 29' e aos 45', mas faltou-lhe poder de fogo. Substituído aos 56'.

Trincão - Amorim colocou-o como avançado-centro - falso ponta-de-lança. Não se sente à vontade ali, está demonstrado. Saiu aos 82'

Chermiti - Substituiu Pedro Gonçalves aos 56'. Não marcou, mas incomodou muito a defesa forasteira. Móvel, ele sim. Vai evoluindo a cada nova oportunidade que o técnico lhe dá.

Matheus Reis - Substituiu Diomande aos 56'. Com vantagem para a equipa: mais seguro e mais sólido.

Tanlongo - Entrou aos 73', rendendo Ugarte. Está convocado para o Mundial sub-20 pela Argentina, mas continua sem exibir grandes dotes de verde e branco.

Bellerín - Substituiu Esgaio aos 82'. Teve ainda tempo para um remate bem colocado à baliza dos minhotos.

Arthur - Em campo desde os 82', por troca com Trincão. Já em fase de contenção ofensiva da equipa. Não deu nas vistas.

Quanto ao jogo de domingo, é isto

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Imagem roubada ao JJ Bóçe

Rúben Amorim pediu desculpa ao Esgaio. Porquê? Só se for por não saber o que anda a fazer. Cada vez mais é essa a impressão que eu tenho. Se for isso, as desculpas justificam-se, mas não resolvem o problema. Não digo que Rúben Amorim seja um problema, atenção (sinceramente creio que não é, e uma sua eventual saída seria um problema muito maior). Mas deveria pensar melhor no que anda a fazer. Não é nada bom ter-se um líder de um grupo que não sabe o que faz.

Notas breves sobre o jogo de hoje

Antes de mais, grande jogo. A apreciação ficará a cargo dos especialistas do blogue.

Ste Juste é, como já defendi bastas vezes, um excelente defesa. Falta-lhe ritmo e fugir às lesões. Hoje fez o jogo todo, o que é boa notícia;

Chermiti fez uma excelente partida, com uma assistência para Edwards marcar. Esteve muito bem na luta com os "cavalões" do Braga, acho que temos jogador;

Pedro Gonçalves sem se dar muito por ele fez andar a equipa e acabou por fazer duas assistências e um golo, de penalti;

Esgaio, hoje muito acarinhado pelo público e bem, fez a melhor exibição desde que regressou ao Sporting;

A equipa esteve bem como um todo, mas Morita foi o nosso melhor, hoje. Levou o prémio de homem do jogo merecidamente;

Ao contrário, uma vez mais Trincão esteve ausente, uma parte no banco e outra fora do banco;

O marcador dos penaltis é o Pedro Gonçalves e acho que fez muito bem em marcar o penalti que deu o quinto da noite. Gostei muito que todos puxassem por Esgaio para marcar (Chermiti também se estava a pôr a jeito...), mas se pensarmos todos bem... E se o rapaz falhasse? Foi melhor assim, o jogador fica com a satisfação da ovação e do reconhecimento da sua bela exibição e Pedro Gonçalves soma mais um. Eu confesso que dei por mim a imaginar uma defesa do GR do Braga e Esgaio a marcar na recarga, também teria sido engraçado;

Uma nota e pergunta final: Porque é que não jogamos sempre com o Braga?

O futebol é o momento

Bastou uma vitória caseira por 5-0 contra um clube que é o melhor de Portugal tirando os 3 grandes para que tudo o que de pior aconteceu até agora nesta temporada fosse esquecido, para que o Paulinho fosse o maior e não importasse o que custou, para que o Trincão afinal até seja um bom jogador, para que Amorim seja um génio táctico do 3-4-3 e não o burro e teimoso doutros momentos.

E no entanto o que aconteceu nesse e nos últimos jogos apenas reflecte o tempo e a tranquilidade que existiu para treinar, e a evolução dos jogadores dentro do modelo de jogo e de treino, especialmente daqueles que chegaram esta temporada. E como Trincão e Edwards já conquistaram o seu espaço, também outros lá chegarão.

Mas tudo o que de bom aconteceu não pode servir para esquecer os problemas que continuam a afectar o plantel, nomeadamente a escassez de soluções para determinadas posições e a falta global de envergadura física. Basta tentar alinhavar um onze alternativo ao que entrou em campo em Alvalade no último jogo para perceber quais as posições em causa.

Bragança infelizmente parece que perdeu a época, e logo esta que poderia ter sido a da sua afirmação. Neto também a perdeu naquela entrada descuidada do jogador do Portimonense. Quanto a St.Juste, a lesão sofrida na pré-época condicionou tudo o resto, e agora tem de ser gerido "com pinças". 

Depois há aqueles como Esgaio, Jovane e Rochinha, que quanto mais querem menos conseguem. Algum deles poderá dar a volta, mas duvido.

Valores emergentes para o resto da temporada, sempre disponíveis para aproveitar da melhor forma as oportunidades que surgirem, parecem-me Marsà, Essugo, Fatawu e Arthur.

Quem poderia vir no mercado de inverno para reforçar o plantel? Para mim o principal problema está no eixo central e nas posições 6, 8 e 9, os seja os 2 médios-centros e o ponta de lança, pela falta de alternativas válidas para as posições de alto desgaste de Ugarte, Morita e Paulinho. Virá mesmo alguém? Não sei.

O futebol é o momento. Vem aí um conjunto de desafios muito complicados, outra vez as competições europeias no meio da semana, e podemos depressa voltar a uma situação pouco desejável e nessa altura lá virão os bota-abaixo do costume, os ressabiados com contas para saldar, os candidatos da treta, as claques a insultar os jogadores, etc.

Importa ter confiança mas importa também cuidar do escoamento de águas da casa enquanto não chove...

SL

Ricardo Esgaio e Cristiano Ronaldo

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Eu sou suspeito.

Pesquisem a série "Os nossos jogadores", número 17, Novembro de 2013, a minha escolha: Ricardo Esgaio.

Tenho lido tanta (faltam-me as palavras) parvoíce? estupidez? malvadez?ignorância? sobre a carreira de Ricardo Esgaio no Sporting, que vou lançar um pequeno desafio; comparar os títulos do jogador da Nazaré, nas camadas jovens, com os títulos conquistados pelo maior produto da formação leonina (que dá nome à Academia) um tal Cristiano Ronaldo.

{ Blogue fundado em 2012. }

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