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És a nossa Fé!

O dia seguinte

Era um jogo para ganhar contra uma equipa do 4.º escalão nacional e o Sporting ganhou tranquilamente por 4-0, o Leça não teve qualquer oportunidade de golo durante a partida.

Era um jogo para voltar ao modelo de futebol característico deste Sporting de Amorim, controlado, rigoroso e agressivo no ataque ao golo. O terceiro golo é o melhor exemplo disso: uma bola recuperada na esquerda, um passe a toda a largura de Matheus Nunes, Esgaio ameaça ir à linha arrastando a linha defensiva contrária e centra atrasado para Tabata, livre de marcação, encostar. Tudo bem feito, tudo marca Sporting. 

Era também um jogo para testar o momento de forma de alguns dos menos utilizados esta época, e se Ugarte e Tabata responderam afirmativamente - Ugarte foi o posto de controlo da equipa e Tabata o desequilibrador - Virgínia, Vinagre e TT estiveram muito aquém das necessidades do Sporting, o que é difícil de entender. Ia a dizer que Vinagre podia centrar 100 vezes que seriam todos para ninguém, quando ele lá conseguiu acertar num defesa de forma à bola ir parar à cabeça de Nuno Santos. Fantástico.

Se Feddal voltou bem da lesão, Porro ressentiu-se e assim perdemos a oportunidade de recuperarmos o melhor quinteto titular da defesa: Porro, Inácio, Coates, Feddal e Matheus Reis. E muito precisamos para o que aí vem deste quinteto a funcionar em pleno.

E que mais? Apenas dizer que Esgaio mereceu bem o aplauso que recebeu aquando da substituição, já o vi jogar melhor e pior mas sempre vi um rapaz humilde e trabalhador que gosta mesmo da camisola que veste. Pode não ser o melhor defesa direito do mundo, e não é com certeza, mas é inegavelmente aquele jogador polivalente que todos os treinadores querem ter nas suas equipas.

 

#JogoAJogo

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da conquista de mais três pontos. Desta vez num estádio tradicionalmente difícil, o de Paços de Ferreira. Um recinto de dimensões mais curtas, mas que pareceu ser enorme para a equipa da casa, sem uma oportunidade de golo. Vencemos tranquilamente por 2-0, com o jogo sempre dominado. Somamos oito vitórias seguidas - as três últimas sem qualquer golo sofrido.

 

De Coates. Voltou a dar nas vistas. Foi dele o primeiro remate com muito perigo, de cabeça, na sequência de um canto: o guarda-redes André Ferreira defendeu com dificuldade. Revelou-se decisivo aos 47' com assistência para o primeiro golo, também de cabeça. E ainda marcou (de pé direito) aos 76', mas desta vez não valeu por fora-de-jogo de Nuno Santos nesse lance. Influente na defesa e no ataque. Cumpre uma época ao mesmo nível da anterior.

 

De Gonçalo Inácio. Regressou aos golos. O primeiro foi dele, imitando Coates, com assistência do capitão. Meteu-a lá dentro de cabeça. Até parece fácil, mas não é. Merece a convocatória à selecção nacional sub-21 já anunciada pelo seleccionador Rui Jorge.

 

De Matheus Reis. Vem progredindo de jogo para jogo. Com uma polivalência digna de registo. Eficaz no corte, eficiente na recuperação. Desta vez actuou como central, do lado esquerdo, substituindo Feddal. Cumpriu com distinção, combinando bem com Nuno Santos: aquele corredor foi dominado por esta dupla do princípio ao fim.

 

De Nuno Santos. Ala com a incumbência de actuar também como extremo. Assim fez, empurrando sempre a equipa para a frente: justificou o regresso ao onze titular. Grandes cruzamentos aos 10', 16', 43' e 90'. Falhou por pouco o golo, aos 47'. Parece infatigável. 

 

De Esgaio. Por lesão de Porro, actuou desta vez como titular na ala direita. Cumprindo com distinção a missão que o treinador lhe confiou. Momento alto: a assistência para o segundo golo, num centro medido com régua e esquadro. Serviu da melhor maneira Paulinho (36') e Nuno Santos (47'). Foi dos primeiros a tentar o golo, com um disparo fortíssimo logo aos 10'. Para mim foi o melhor em campo.

 

De Pedro Gonçalves. Primeira parte apagada. Despertou na segunda, voltando a exibir as qualidades que bem lhe conhecemos. A principal está ao nível do remate, sempre mais em jeito do que em força. Assinou o segundo golo leonino, sentenciando a partida aos 70'. E vão sete, marcados em várias competições nesta temporada, apesar da longa lesão que o afastou dos relvados.

 

De Tabata. Entrou aos 68', substituindo o apagado Sarabia. Apesar de não ser aposta frequente de Amorim para a equipa-base, não parece perder motivação. Pelo contrário: no minuto seguinte, foi dos pés dele que começou a jogada do nosso segundo golo, com um passe certeiro para Esgaio assistir. Aos 90' esteve quase a marcar, num remate desviado para canto pelo guardião pacense.

 

Do nosso bloco defensivo. Irrepreensível, uma vez mais. Domínio total - ao ponto de Adán não ter feito uma só defesa digna desse nome. Estes jogadores (Coates, Gonçalo, Matheus Reis) parecem jogar de olhos fechados, antecipando as movimentações uns dos outros. Com Palhinha a confirmar-se como imprescindível à frente da defesa: o bloqueio das acções ofensivas adversárias começa sempre nele. Em 11 jogos, temos apenas quatro golos sofridos: a nossa melhor marca em 31 anos à décima jornada.

 

Do reencontro com Antunes. O lateral do Paços de Ferreira, campeão nacional pelo Sporting, foi o melhor em campo pela sua equipa. Demonstrando que aos 34 anos mantém intactas várias das qualidades que noutros tempos o conduziram à selecção nacional. Foi bom revê-lo: é um excelente profissional.

 

Do apoio incessante dos adeptos. Na noite fria de Paços de Ferreira, nunca esmoreceram. Melhor assistência do estádio da Capital do Móvel nesta época, com mais de cinco mil nas bancadas. Sportinguistas em evidente maioria. As restrições provocadas pela pandemia ficaram felizmente para trás.

 

De continuarmos lá em cima, na classificação. Em segundo, mas em igualdade pontual com o FC Porto. E um ponto acima do Benfica. Somamos 29 pontos à 11.ª jornada - um terço da prova principal do futebol português já cumprida. Tantos como na época anterior pela mesma altura. O caminho faz-se caminhando rumo ao bicampeonato.

 

 

Não gostei

 

Do empate a zero que se registava ao intervalo. Era decepcionante, atendendo ao domínio total do Sporting em campo. Felizmente foi desbloqueado logo após o reatamento, dois minutos depois. A partir daí o destino da partida estava selado. 

 

De Sarabia. O internacional espanhol esteve muito apagado, acabando por dar lugar a Tabata. Em contraste com a partida de quarta-feira, contra o Besiktas. Estaria já a pensar nos confrontos que irão seguir-se ao serviço da selecção espanhola?

 

De ver Paulinho a claudicar de novo. Sempre incentivado pelos adeptos, o nosso avançado-centro voltou a falhar um golo cantado: isolado face ao guarda-redes, aos 73', desperdiçou esta excelente oportunidade de ampliar a vantagem tentando fazer um chapéu ao guarda-redes que este prontamente neutralizou. Onze jogos, apenas um golo marcado no campeonato.

 

Das paragens. Típico futebol à portuguesa: ao menor toque, os jogadores atiram-se para o chão, ficando a contorcer-se com supostas dores que cortam ritmo ao jogo e vão estragando o espectáculo. Não vemos nada disto nos melhores campeonatos europeus. É tempo de começarmos a pôr fim a estas más práticas, que vão contando com a contemporização dos árbitros.

Sporting sinfónico

Para apreciar melhor o segundo golo do Sporting de ontem será de vistas curtas reparar apenas no estupendo passe de Esgaio que leva a bola até aos pés daquele que fabrica algoritmos com a ponta da bota, pois os seus remates saem de geometria perfeita na curva do arco, na altura do voo, na direcção inevitável  que levam. 

Pedro Gonçalves estava nesse momento isolado próximo do segundo poste. E estava sozinho porque foi ali ter em resultado de uma longa jogada em que toda a equipa havia antes, por duas vezes, tomado de assalto a linha defensiva do Vizela por todos os flancos. Duas vezes a bola é rechaçada e de imediato recuperada quase à entrada na área e quando na terceira investida chega aos pés de um Esgaio livre e com espaço à direita, já os adversários estavam completamente desbaratados e desnorteados. 

O segundo golo do Sporting é de antologia: o futebol é um jogo colectivo e dinâmico, onde cada peça deve saber onde estar e o que fazer. O segundo golo do Sporting foi um puro produto do treino e de quem o administra. Pode ser viciante o hábito de se irem vendo maravilhas destas em Alvalade.

Felizmente temos Esgaio

Pedro Porro lesionou-se ontem, no amigável do Algarve contra o Belenenses SAD, e tem o início da época comprometido. Paragem prevista até dois meses

Felizmente temos Esgaio para a mesma posição. O que talvez cale enfim todos aqueles, até nas caixas de comentários do nosso blogue, que têm urrado contra esta contratação a pedido de Rúben Amorim. Talvez agora mordam a língua. Só lhes faz bem.

Que filho da puta, pá, incrível!

Como dizia e muito bem um brunista rugista, isto agora é muito estranho. No Sporting quase tudo se ganha no maior silêncio quando dantes quase tudo se perdia no maior "basqueiro", andamos no melhor dos mundos com o maior empresário do mundo, no Norte o padrinho/papa está cada vez mais a perder discernimento relativamente ao outro papa, agora até se lembrou que o regresso do Jardel foi vetado por um tal Rodrigues Dias, adjunto do Octávio, no Sul o padrinho local anda às voltas com a justiça, amargurado e revoltado por lhe andarem a tentar fazer a cama no próprio clube. Tudo isto é mesmo muito estranho. 

No mesmo Sul, o clube que tem o presidente entalado vem tentando entalar o campeão português em exercício, desviando o João Mário do que seria um processo normal de troca de salário por tempo de contrato. Aparentemente vai ficar com ele, sujeitando-se à obrigatória reacção jurídica do Sporting, mas para o João Mário jogar alguém terá de sair, chame-se Weigl, Pizzi, Taarabt, ou... Krovinovic.

Jorge Jesus ´é assim mesmo: parece ter desejos de mulher grávida. O Gil Dias destruiu o Sporting de Jorge Jesus em Vila do Conde em 18/09/2017, dias depois da jornada da Champions de Madrid. Anos depois, o Jesus quis... o Gil Dias. O João Mário destruiu o Benfica de Jorge Jesus em Alvalade, sem Palhinha nas costas, e na Luz foi fundamental vindo do banco para pôr o Benfica à rasca. O Jesus agora quer... o João Mário.

Que lhe façam bom proveito. Também como não é ele que vai pagar os 20 e tal milhões do João Mário, mais um anito e vem a reforma, tudo lhe vai saber a Moet & Chandon. Claro que com todos esses desejos os melhores do Seixal fazem contas de sumir e os da casa ou com mais tempo dela que se vão mantendo no plantel têm vontade de dizer o que disse o Krovinovic.

Quem não disse isso em seu tempo, porque são bem educados, foram o Palhinha e o Esgaio. Também por isso gostei imenso do seu regresso ao Sporting. E só tenho pena que Ryan Gauld não regresse também.

 

#OndeVaiUmVãoTodos 

SL

Os primeiros reforços

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Quatro anos depois, Ricardo Esgaio regressa ao Sporting onde fez quase toda a formação, actuou na equipa B e no onze principal entre as épocas 2006/2007 e 2016/2017. Já está integrado no grupo de trabalho. Pode actuar como ala, lateral ou até central. No corredor direito é hoje, aos 28 anos, um dos melhores profissionais do futebol português.

 

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Gonçalo Esteves, jogador oriundo do FC Porto, assinou contrato de formação com o Sporting, tendo já participado nos primeiros treinos em Alcochete Com apenas 17 anos, este talentoso lateral direito - com 11 internacionalizações pela selecção sub-16 - acredita que terá oportunidade de singrar sob a orientação de Rúben Amorim. 

 

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Está confirmado o regresso de Rúben Vinagre, que chega por empréstimo do Wolverhampton. Este lateral esquerdo, agora com 22 anos, cumpriu cinco épocas de formação no Sporting, desde os 12 anos. Foi campeão europeu sub-17 em 2016. Depois actuou no Mónaco, Wolverhampton e Olympiacos. Na época passada jogou no Famalicão, também emprestado.

Dizer mal de tudo

Alguns adeptos do Sporting parece não perceberem nada disto.

Reagem agora ao regresso de Esgaio como reagiram há um ano à vinda de Porro e Feddal e Adán e Nuno Santos e Pedro Gonçalves.

Enfim, mais do mesmo. O Sporting pode ser campeão nacional mas a mentalidade tacanha e maledicente não abandona o clube.

Às vezes convenço-me de que esta é a única forma de alguns adeptos darem prova de vida: passarem todo o tempo a dizer mal de tudo.

Os nossos inimigos agradecem.

Favoritos? São os outros!

Começou a nova época em Alcochete, e os plantéis A e B preparam-se afincadamente sob o comando das mesmas equipas técnicas da época passada para os desafios tremendamente exigentes desta, a começar pelo regresso à principal competição de clubes, a Champions. Não esquecer também a participação na Youth League dalguma equipa construída a partir dos sub23.

Enquanto a equipa A aguarda o regresso dos internacionais A das selecções de Portugal, Uruguai e Equador e conta com muitos miúdos que irão depois competir nas equipas B e sub23, a equipa B que vai competir na 3.ª Liga foi grandemente reestruturada, saindo muita gente em fim de linha como promessas, e abrindo lugares para talento mais novo, algum recrutado exteriormente, no Barcelona, na Roma, no Gana, etc. Parece que o scouting finalmente começa a funcionar, vamos ver os resultados.

 

Mas voltando à equipa A, onde se pretendeu mexer o mínimo possível numa equipa campeã nacional, a grande novidade para já é a "troca" de João Mário por Ricardo Esgaio, dois jogadores da mesma idade, duas excelentes pessoas, tantas vezes os vi jogar juntos pela B e algumas pela A, apenas separados por muitos milhões de euros.

Feitas as contas à duração do contrato, manter João Mário custa tanto como contratar Esgaio, Vinagre e Ugarte. Eu, francamente, prefiro a segunda alternativa, e ainda fico mais satisfeito se Ryan Guald for incluído no pacote.

Quanto ao João Mário, está na idade de fazer o contrato da vida dele, e entendo que queira ir para onde mais lhe pagam. Obviamente que existem cláusulas no contrato que protegem o Sporting nesta escolha. O Sporting terá de defender os seus interesses.

 

O mercado de Verão ainda está longe de terminar. O Sporting terá sempre de considerar as propostas que surgirem, e obviamente que não será para Ilori que virão. Poderão vir para aqueles que farão muita falta, e haverá que resistir à venda até onde for possível.

Somos candidatos ao título? Claro que sim, como somos todos os anos.

Somos favoritos? Obviamente que não. Não temos treinador com o "nível" dos outros, não temos o orçamento dos outros, não temos alguns árbitros no bolso como os outros, não temos ex-jogadores a facilitar como treinadores ou jogadores das equipas adversárias, não temos "malas ciao" a circular para que contra nós as outras equipas façam o jogo da vida delas, não temos Unilabs a "controlar" infecções, apenas podemos confiar na competência do nosso treinador e na nossa equipa, na força do nosso símbolo e no apoio de todos nós.

Favoritos são os outros. 

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

O que pensam deste regresso?

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Ricardo Esgaio, jogador formado na Academia de Alcochete e vice-campeão europeu de sub-21 em 2015, está em vias de regressar ao Sporting.

O que eu penso deste jogador - que em 2020/2021 foi o segundo melhor ala direito do campeonato português - está bem expresso em vários textos que fui publicando no És a Nossa Fé.

 

Eis alguns excertos:

17 de Novembro de 2016: «Muito dinâmico e bem entrosado com a ala ofensiva. Revelou maturidade e vontade de mostrar serviço.»

5 de Agosto de 2017: «Não ficaria nada mal explicar o que levou a equipa técnica do Sporting a não considerar Ricardo Esgaio sequer como segunda opção para a lateral direita nesta nova época, preferindo num primeiro momento improvisar até Bruno César nessa posição - com as consequências que seriam de supor.»

14 de Setembro de 2017: «Sei que ele já não é nosso. Mas sei também, paradoxalmente, que continua a ser nosso. Daí o meu orgulho por esta brilhante actuação dele. Daí o abraço que daqui endereço ao Ricardo Esgaio.»

20 de Março de 2018: «À medida que o tempo passa, cada vez mais me interrogo se Ricardo Esgaio não deveria ter lugar, por mérito próprio e sem favor algum, neste plantel leonino 2017/18. Na posição em que agora joga, como médio-ala, e não como lateral direito (e esquerdo), a que foi remetido enquanto andou por cá.»

26 de Outubro de 2019: «No onze titular braguista, três jogadores formados no Sporting. Todos ocupam posições em que agora seriam titular indiscutíveis no onze titular leonino: João Palhinha, médio defensivo; Ricardo Esgaio, lateral direito; Wilson Eduardo, ala ofensivo.»

25 de Janeiro de 2020: «Quanto mais talento vamos ver desperdiçado a vencer títulos por outros clubes?»

24 de Março de 2021: «Esgaio distinguiu-se nos escalões de formação e ao serviço da equipa B do Sporting, tendo actuado várias vezes na equipa principal. Infelizmente, quando o "mestre da táctica" aterrou em Alvalade viu a sua progressão interrompida e acabou dispensado. Aconteceu-lhe o que sucedeu a tantos como ele, daquela geração intermédia que transita dos escalões juniores para o futebol profissional. Toda uma geração perdida devido ao nefasto papel de quem proclama que um jovem tem de "nascer dez vezes" para singrar num onze titular.»

 

Chegou o momento de pedir a opinião dos caríssimos leitores deste blogue. Como encaram a hipótese de ver novamente Esgaio de verde e branco?

A voz do leitor

«Ricardo Esgaio é dos melhores a actuar na posição. Está um jogador feito e de imenso andamento. Não admira que os rivais o queiram. Foi chão que deu uvas para o Sporting, infelizmente. Hoje seria titularíssimo neste Sporting. E nas camadas jovens além do mais tinha muita propensão para marcar golos. (...) Agora o Sporting tem de cuidar dos que estão a despontar dentro de portas para não ver repetido o descaminho sucessivo dos seus melhores valores, como aconteceu no passado.»

 

João Gil, neste meu texto

Esgaio e a geração perdida

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Leio, com assumida tristeza, que o FC Porto quer contratar Ricardo Esgaio. Não me surpreende a escolha: considero Esgaio o melhor português a actuar como ala direito no campeonato nacional. Formado naquele que é um dos mais competentes núcleos de formação desportiva do continente europeu - a Academia leonina, de onde saíram dois Bolas de Ouro (Luís Figo e Cristiano Ronaldo) e um Bola de Prata (Paulo Futre). 

Esgaio distinguiu-se nos escalões de formação e ao serviço da equipa B do Sporting, tendo actuado várias vezes na equipa principal. Infelizmente, quando o "mestre da táctica" aterrou em Alvalade viu a sua progressão interrompida e acabou dispensado. Aconteceu-lhe o que sucedeu a tantos como ele, daquela geração intermédia que transita dos escalões juniores para o futebol profissional. Toda uma geração perdida devido ao nefasto papel de quem proclama que um jovem tem de "nascer dez vezes" para singrar num onze titular.

 

Assim perdemos Esgaio, para o Braga. Como perdemos João Palhinha, em boa hora resgatado ao mesmo clube - com os excelentes resultados que sabemos. Como perdemos Iuri Medeiros, Ryan Gauld, Matheus Pereira, Francisco Geraldes, Domingos Duarte, Carlos Mané, Mehdi Demiral e Gelson Dala. Jogadores que têm hoje entre 23 e 27 anos: alguns nunca chegaram a estrear-se na nossa equipa principal.

Reparo nisto e sublinho o contraste: que diferença em relação ao que se passa agora. Com um treinador como Rúben Amorim que nestes 13 meses como treinador do Sporting já lançou oito elementos da formação, apostando neles na equipa A leonina - três deles na época em curso: Gonçalo Inácio, Daniel Bragança e agora o benjamim Dário, apenas com 16 anos. O mais jovem de sempre a jogar entre os grandes no futebol português.

 

Um escorraçava-os. Outro acredita neles, confia neles, coloca-os a jogar e valoriza-os. Valorizando também o clube que os formou.

Não pode haver, também nisto, maior diferença entre o ciclo Jesus e o ciclo Amorim.

Inútil perguntarem-me quem eu prefiro: já todos conhecem a resposta. Gostaria de saber também qual é a vossa.

Foi você que pediu um Esgaio? Por 10 milhões?

Noutros tempos, teria lido esta notícia, dado uma gargalhada e virado a página:

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Mas, nesta era em que pagamos 10 milhões de euros (mais IVA, mais juros de mora...) por um treinador sem experiência, sou mesmo forçado a levar isto a sério. 

Será que vamos mesmo voltar a encher os cofres do Empreiteiro Salvador, o maior amigo de Luís Filipe Vieira? Por um jogador que no passado não teve sucesso no Sporting, com vários treinadores? Logo agora que finalmente se encontrou coragem para dar oportunidades aos melhores da formação no plantel principal é que se vão tapar talentos como o lateral-direito SUB23 João Oliveira? Jogador que, aliás, viu renovado, e bem, o seu contrato em 2019

Nem quero acreditar em tal coisa. Mas, depois do desastre que tem sido a política de contratações recente do Clube, sou forçado a admitir a hipótese. Corrijo: não há política de contratações, há um tapar de buracos criados pelas vendas dos jogadores mais valiosos, de Raphinha a Bruno Fernandes.

As coisas são o que são e bem sei que, se o objectivo for mesmo encher os cofres do Empreiteiro Salvador, então o negócio far-se-á, por mais absurdo que seja. Por 10 milhões seria um escândalo. Mas se calhar por 5 mais um ou outro jogador da formação passa.

Eu dou-te o frustrante

Frustrante mesmo é dar uma oportunidade para o indivíduo que nos últimos anos mais tem gozado com o Sporting ainda se armar em vítima. Por culpa do Sporting. Espero que ele devolva o Palhinha, e se quiser devolver o Esgaio, não seja por isso. O Wilson Eduardo não está em fim de contrato? (Refiro-me ao topo direito desta capa deste jornal que também adora colocar o Sporting ao nível dos clubes regionais.)

 

Braga vence Taça da Liga com ajuda de Bruno de Carvalho e Sousa Cintra

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O Sporting de Braga acaba de se sagrar campeão de Inverno, conquistando a Taça da Liga. E não vale a pena dizer que é uma competição menor pois ainda está para nascer o título do qual nós podemos abdicar.

O onze inicial do Braga contou com João Palhinha e Ricardo Esgaio. No banco esteve Wilson Eduardo. Três jogadores que o Sporting ofereceu, de borla, ao Sporting de Braga.

Estes três jogadores hoje conquistaram um título enquanto nós estamos no sofá. Obrigado, Jorge Jesus e José Peseiro. Obrigado, Sousa Cintra e Bruno de Carvalho. Reforçaram um rival, goste-se ou não, e contribuiram directamente para esta conquista.

Uma lição para a maneira como gerimos os nossos recursos. Quanto mais talento vamos ver desperdiçado a vencer títulos por outros clubes?

Até dói

O Braga brilha na Liga Europa. Anteontem foi ganhar ao Besiktas, na Turquia - um país onde nunca é fácil disputar uma competição internacional.

No onze titular braguista, três jogadores formados no Sporting. Todos ocupam posições em que agora seriam titular indiscutíveis no onze titular leonino: João Palhinha, médio defensivo; Ricardo Esgaio, lateral direito; Wilson Eduardo, ala ofensivo.

 

.............................

 

O que disseram os jornais desportivos da exibição deste trio na vitória alcançada em Istambul que contribuiu para aumentar a pontuação portuguesa em comparação com a Rússia no quadro de honra da UEFA?

Esgaio

«Alguns sobressaltos a defender foram largamente compensados pelo papel importantíssimo que teve no ataque: foi numa das muitas arrancadas pelo corredor direito que, com Galeno, construiu o golo da vitória.» (O Jogo)

«Em termos defensivos, foi sempre muito seguro, mas deram-lhe liberdade e aproveitou para tocar a bola para a frente. Exemplo disso mesmo foi o lance do 2-1.» (A Bola)

«Rapidíssimo a descobrir Galeno na direita na origem do golo da vitória.» (Record)

Palhinha

«Grande jogo do médio que tomou conta do meio-campo bracarense com enorme classe. Esteve em todo o lado: fez as dobras dos centrais, esticou o jogo até lá à frente e ainda tentou o golo, tudo com uma disponibilidade exemplar e determinante no domínio do jogo.» (O Jogo)

«Fechou vias a meio-campo e não teve espaço para outras acções. No segundo tempo houve um período em que passou por mais problemas.» (A Bola)

«Presença de força no meio-campo.» (Record)

Wilson Eduardo

«Chamado no momento mais difícil da partida, teve duas excelentes oportunidades de golo. Marcou à segunda, a passe de Galeno, e foi o suficiente para garantir a vitória do Braga. Está a regressar em grande.» (O Jogo)

«Saltou do banco e resolveu o jogo com mais um golo. Excelente o momento que atravessa, somando golos e boas exibições.» (A Bola)

«Decisivo a fazer o golo do triunfo, fugindo com esperteza a Vida.» (Record)

 

.............................

 

Estupidamente, cedemos estes três profissionais de matriz leonina ao clube minhoto - dois por venda, outro por empréstimo (de dois anos!).

Qualquer deles nos faria muita falta hoje.

As minhas felicitações ao Braga

Por aproveitar mais e melhor a formação leonina do que o Sporting. Refiro-me concretamente ao seguinte trio: Wilson Eduardo (que já tinha marcado um grande golo ao Moreirense, na primeira jornada do campeonato), Ricardo Esgaio e João Palhinha (este a abrir o marcador) pelo desempenho que tiveram na vitória de ontem contra o Brondby, por 3-1. Este triunfo coloca a equipa bracarense - agora comandada por Ricardo Sá Pinto, que enquanto jogador do Sporting venceu um campeonato, uma Taça de Portugal e duas supertaças - no play off de acesso à fase de grupos da Liga Europa.

Recordo que o Sporting, sob a gerência de Bruno de Carvalho, cedeu Wilson Eduardo em definitivo ao Braga em Agosto de 2015 e abdicou de Esgaio para o mesmo clube no âmbito do negócio com António Salvador que trouxe Battaglia para Alvalade em Junho de 2017. Já no breve mandato da Comissão de Gestão encabeçada por Sousa Cintra, em Agosto de 2018, Palhinha foi cedido por empréstimo até 2020, igualmente ao Braga.

Nós formamos os jogadores, eles beneficiam deles. É para isto que vai servindo, afinal, a Academia de Alcochete.

"Uma máquina de criar golos"

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Mais uma assistência para golo ao serviço do Braga, onde é titular absoluto. Desta vez na goleada em Chaves (outras duas foram de Jefferson, emprestado pelo Sporting).

É o vice-rei das assistências para golo do campeonato português, já com nove, apenas ultrapassado pelo portista Alex Telles. E leva quatro marcados. "Uma máquina de criar golos", como lhe chama o Mais Futebol. Em Chaves, só no primeiro tempo, colocou três vezes os colegas em situações de golo.

Sei que ele já não é nosso. Mas sei também, paradoxalmente, que continua a ser nosso. Por ter sido formado na Academia de Alcochete.

À medida que o tempo passa, cada vez mais me interrogo se Ricardo Esgaio não deveria ter lugar, por mérito próprio e sem favor algum, neste plantel leonino 2017/18. Na posição em que agora joga, como médio-ala, e não como lateral direito (e esquerdo), a que foi remetido enquanto andou por cá.

E a minha resposta é positiva. Naturalmente.

Sem espinhas e sem desculpas

Lembram-se da nossa derrota no campo do Estoril, por 0-2, há um mês? Foi um dos jogos que nos custaram o campeonato 2017/18. Nesse mesmo estádio, nesta noite de chuva impiedosa, o Braga acaba de vencer a turma da casa por seis golos sem resposta.

O primeiro marcado pelo "nosso" Wilson Eduardo. E dois outros com assistências dos "nossos" Esgaio e Jefferson. Sem espinhas. E sem que ninguém se atrevesse a invocar o mau tempo como desculpa para não praticar bom futebol.

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