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És a nossa Fé!

Quente & frio

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Morita e Morten brilharam no meio-campo, vulgarizando o Benfica no clássico da Taça em Alvalade

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Gostei muito da nossa vitória ontem, em Alvalade, frente ao Benfica, cumprindo a primeira mão da meia-final da Taça verdadeira. Num desmentido vivo e cabal daquela treta - propalada por alguns adeptos que são leões sem juba - de que o Sporting claudica nestes clássicos. O que se viu ontem foi o contrário disto: o Benfica a tremer durante uma hora, em que sofreu dois golos e podia ter sofrido outros tantos, incapaz de construir um lance colectivo digno desse nome, sem posse de bola, remetido ao reduto defensivo, impotente na reacção à contínua pressão atacante da nossa equipa. Basta referir que o primeiro remate deles à nossa baliza aconteceu só aos 59' quando João Mário - sempre muito assobiado cada vez que tocava na bola - atirou à figura, para defesa fácil de Israel.

 

Gostei deste triunfo por 2-1 que nos dá vantagem para o desafio da segunda mão, a disputar na Luz daqui a mais de um mês - caprichos do calendário futebolístico que está sobrecarregado de jogos nesta fase e devia ser revisto em futuras temporadas. Pusemo-nos em vantagem logo aos 9', com um surpreendente golo de Pedro Gonçalves de cabeça, quase sem tirar os pés do chão, batendo o guarda--redes ucraniano do SLB, que tem quase 2 metros de altura. Mérito inegável do melhor jogador português do Sporting, ontem excelente como segundo avançado: já fez 14 golos esta época, sendo agora o segundo artilheiro da equipa. Assim chegámos ao intervalo. O segundo golo, aos 54', foi de antologia - com Gyökeres muito bem lançado de trivela por Geny junto à linha direita, a correr com ela dominada durante 35 metros e a fuzilar Trubin. Destaco ainda a fantástica dupla Morita-Morten (com o dinamarquês a assistir no primeiro golo), que controlou as operações no meio-campo durante 65 minutos, até a fadiga se instalar. Mas sublinho acima de tudo a presença imperial de Coates no comando da defesa neste seu jogo 355 de Leão ao peito: elejo-o como melhor em campo. Cortes impecáveis aos 22', 38', 45'+2, 51' e 90'+5. Com ele ao leme, nem parecia que estávamos desfalcados de um titular naquele sector: Gonçalo Inácio, lesionado, esteve ausente do onze. Tal como Trincão, pelo mesmo motivo. 

 

Gostei pouco que algumas oportunidades de golo tivessem ficado por consumar. O campeão dos perdulários voltou a ser Edwards, que atravessa fase menos boa. Frente à baliza e com as redes à sua mercê, demorou a rematar, permitindo intercepção, aos 45'. Também muito bem colocado, aos 64', falhou o disparo: a bola saiu-lhe enrolada, perdendo-se assim a hipótese de dilatar o marcador.

 

Não gostei que o golo de Nuno Santos - obra-prima que prometia dar a volta ao mundo - tivesse sido anulado por deslocação de Paulinho. Aconteceu aos 90'+3: ainda festejámos por alguns momentos o suposto 3-1 após monumental chapéu de mais de 20 metros a desenhar um arco perfeito sobre a cabeça de Trubin com a bola a anichar-se no ninho da águia. Mas ficou sem efeito, o que deve ter causado noite de insónia ao nosso brioso ala esquerdo, que substituiu Geny aos 86' enquanto Paulinho rendera Pedro Gonçalves no minuto anterior.

 

Não gostei nada da exibição de Esgaio: entrou aos 76', rendendo um Edwards que se perdeu em fintas e fintinhas esquecendo-se de que o futebol é um desporto colectivo. Mas o substituto do inglês não esteve melhor, longe disso: voltou a revelar-se o elemento tecnicamente mais débil do plantel leonino. Aos 80', muito bem enquadrado com a baliza, em posição de disparo e sem marcação, ficou sem saber o que fazer com a bola: sentiu uma espécie de temor cénico e acabou por confundir futebol com râguebi, atirando-a muito por cima da baliza. Pior: voltou a fazer o mesmo aos 88'. Incapaz de tirar um jogador da frente, entregou-a em zona perigosa, aos 90'+1, ficando pregado ao chão e dando origem a uma rápida ofensiva dos encarnados. Tanta asneira junta em tão pouco tempo. Pior só aqueles inenarráveis "olés" que a partir da hora de jogo, num estádio com lotação quase esgotada (45.393 espectadores), começaram a escutar-se nas bancadas: bazófia burra que só contribuiu para desconcentrar os nossos e mobilizar a equipa adversária. Esta gente tarda em perceber que "olés" servem para a tourada, nada têm a ver com futebol. 

Quente & frio

 

Gostei muito da passagem do Sporting aos oitavos da Liga Europa, ontem confirmada ao eliminarmos o Young Boys, líder incontestado do campeonato suíço, que fora repescado da Liga dos Campeões. Em boa verdade a eliminatória ficara assegurada uma semana antes em Berna, onde fomos vencer sem margem para dúvida (1-3). Em Alvalade, bastou-nos gerir o resultado e dosear o esforço físico dos jogadores, que depois de amanhã voltam a competir - desta vez para a Liga portuguesa com uma difícil deslocação a Vila do Conde. Foi uma partida tranquila, dominada quase por completo pela nossa equipa, embora muito perdulária em situações de golo. 

 

Gostei que Gyökeres voltasse a marcar - e bem cedo, logo aos 13'. Infiltrou-se na grande área e disparou uma bomba, indefensável, muito perto da marca dos 11 metros. Foi o 29.º golo pelo Sporting do internacional sueco, que também já protagonizou 11 assistências na temporada. A partir daí, os quase 30 mil espectadores deste desafio ao vivo no nosso estádio ficaram com a certeza de que a passagem à fase seguinte da Liga Europa estava assegurada. Mas destaco Trincão como melhor em campo: foi dele a assistência para Viktor nesse lance, com um passe perfeito. E foi também ele a sofrer o penálti aos 55' que podia e devia ter resultado no nosso segundo golo: infelizmente Gyökeres permitiu a defesa do guarda-redes. Nunca antes tinha falhado uma grande penalidade de Leão ao peito.

 

Gostei pouco de algumas exibições. Esgaio, incapaz de ganhar duelos e sempre receoso de progredir com a bola, fez-nos sentir saudades de Geny - um dos poupados, tal como Coates e Morita (Nuno Santos só fez a segunda parte, por troca com Gonçalo Inácio, e Pedro Gonçalves entrou apenas aos 63'). Outros jogadores que não me impressionaram favoravelmente foram o recém-chegado Koba (substituiu Morten aos 63', com óbvia diminuição da dinâmica colectiva da equipa) e o recém-recuperado Fresneda (substituiu Esgaio aos 85' sem mostrar ainda os atributos que terão levado à sua contratação). 

 

Não gostei que tivéssemos desperdiçado pelo menos quatro flagrantes oportunidades de golo, além do penálti que Gyökeres foi incapaz de concretizar. Em parte devido à competência do guarda-redes e do sector defensivo suíço, onde brilhou Amenda, "polícia" do nosso goleador. Daniel Bragança destacou-se neste capítulo menos positivo com duas perdidas escandalosas, aos 63' e aos 90'+4. Mas o maior falhanço - quase digno dos "apanhados" - foi de Edwards aos 45'+1, com a baliza escancarada e a dois metros da linha de golo. Servido de bandeja por Gyökeres, trocou infantilmente os pés e deixou a bola fugir.

 

Não gostei nada do golo que sofremos, aos 84', fixando o resultado final (1-1). De penálti, a punir falta cometida por Edwards em trabalho defensivo, num lance que estava controlado e em que a bola aparentemente até se encaminhava sem perigo para a linha de fundo. Os suíços conseguiram assim empatar sem terem construído uma só oportunidade de golo em lance corrido numa partida em que, excepto naquele momento, voltámos a demonstrar muita consistência defensiva - com merecido destaque para Diomande, que não jogava de verde e branco desde 30 de Dezembro e regressou em boa forma do Campeonato Africano das Nações, ao serviço da Costa do Marfim, vencedora da prova.

Quente & frio

 

Gostei muito de ver o estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, cheio de adeptos leoninos. A esmagadora maioria dos 18.500 espectadores, que preencheram mais de 90% das bancadas, puxou pela nossa equipa na meia-final da Taça da Liga, contra o Braga. De falta de apoio nenhum dos nossos jogadores pôde queixar-se.

 

Gostei da exibição do Sporting durante mais de 60 minutos. Realço os desempenhos de Nuno Santos (para mim o melhor em campo), Eduardo Quaresma, Morten e Pedro Gonçalves. Além de um par de defesas consecutivas de Israel, aos 75', impedindo golos de Victor Gómez e Ricardo Horta. No golo solitário que sofremos, marcado por Abel Ruiz aos 65', o jovem guarda-redes uruguaio não podia fazer nada.

 

Gostei pouco de ver Gyökeres manietado durante quase todo o jogo pela defesa braguista, sobretudo por Paulo Oliveira (antigo titular do Sporting), que quase não deu espaço ao sueco para desenvolver todo o seu futebol: sem Viktor a 100%, como é sabido, a nossa equipa não rende da mesma forma. E gostei muito pouco - quase nada - da exibição de Esgaio: incapaz de criar dinâmica ofensiva no corredor direito, incapaz de provocar desequilíbrios, no lance do golo do Braga falhou por completo a marcação a Ruiz, que estava há três meses sem facturar.

 

Não gostei do festival de esbanjamento que protagonizámos nesta meia-final. Com três bolas nos ferros e outras tantas que andaram perto. Aos 13', Pedro Gonçalves fez tremer a baliza adversária com um petardo disparado de 30 metros que embateu no poste. Aos 37', Nuno Santos acertou com estrondo na barra. Aos 45', novamente Nuno, com nota artística, remata de trivela fazendo a bola chocar no ferro. Aos 54', num dos raros momentos em que conseguiu libertar-se da marcação, Gyökeres levou a bola quase a beijar o mesmo poste esquerdo. Aos 59', após boa tabelinha com Trincão, Pedro Gonçalves, encaminha-a rente ao ferro oposto da baliza à guarda de Matheus. Aos 87', Trincão imitou-o. Demasiado desperdício para um jogo só. 

 

Não gostei nada desta derrota -- a nossa quarta da época, em 30 jogos disputados. Porque nos afasta da Taça da Liga, ficando assim um objectivo por cumprir. Porque foi a primeira partida em que não marcámos nesta temporada. E porque nos quebra uma dinâmica de vitórias: vínhamos de oito desafios seguidos a vencer, três dos quais com goleadas. Resta-nos recuperá-la já no próximo embate do campeonato, frente ao Casa Pia.

Um milagre na Polónia

Há qualquer coisa que não está nada bem.

Então a rapaziada vai daqui até aos confins da Polónia com calçado inadequado? Andaram o tempo todo em pontas para não escorregarem e nem depois do intervalo a coisa melhorou , o que só se explica por não terem levado um par de botas alternativo e mais apropriado. Não há campos maus, como há 2 anos se viu no temporal da choupana, há é equipamento errado.

Na flash Amorim disse que naqueles primeiros minutos de um Sporting retraído e desconfiado, anteriores à expulsão de Gyökeres, "estavam a ver o que o jogo dava."  Por outras palavras: não conheciam o adversário, não sabiam quem estavam a defrontar. Caso primeiro dramático, depois patético, foi Esgaio. O polaco sabia como ultrapassá-lo - "tinha o pé trocado" - e ultrapassou-o sempre, sempre, sempre, ao passo que Esgaio não fazia a mínima ideia como detê-lo. Nem em vídeos o deve ter visto.

A rapaziada treina os passes? Ou sou só eu a achar assombrosa a quantidade de passes mal medidos, mal direccionados, mal executados? Fora a atitude diletante e displicente de alguns artistas que enquanto não produzem maravilhas de vez em quando só fazem asneiras, isto para quem está toda a semana junto é sumamente intrigante.

O jogo foi horrível e só por milagre não levamos uma trepa das antigas. Mas os sinais dados pelo Sporting são preocupantes, parecem ir para além da circunstância de um fim de tarde mal passado.

"Fora-de-jogo" milimétrico: fim à vista

 

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Ricardo Esgaio, ao introduzir a bola na baliza do Moreirense no jogo de domingo à noite, não estava em fora-de-jogo: estava em jogo.

Cinco centímetros equivale a um fragmento de segundo - período em relação ao qual não existe a menor certeza científica a validá-lo.

Esta pseudo-tecnologia anticientífica mata o golo, essência do futebol.

Cinquenta milímetros é metade de um dedo: nenhuma "verdade desportiva" pode ser evidenciada com medições destas.

 

Daí a alteração que a FIFA está já a pôr no terreno com a intenção de alterar a chamada cláusula 11 da Lei do Jogo: «A alteração faria com que só fosse considerado fora-de-jogo se todo o corpo do atacante estivesse para lá da linha traçada na posição do penúltimo atleta da equipa que está a defender.»

Pretende-se, como titulava há meses o ABC em Espanha, «declarar guerra ao fora-de-jogo milimétrico». Daí haver já experiências-piloto em curso nos campeonatos secundários da Suécia, da Holanda e da Itália.

Isto faz todo o sentido, em defesa activa e drástica do futebol enquanto espectáculo.

 

Ver sportinguistas - como tenho visto desde segunda-feira - sair em defesa do statu quo que a própria FIFA quer alterar, sabendo que colidem com a verdade desportiva de um jogo que o Sporting acaba de disputar, é para mim totalmente incompreensível.

É, no fundo, mais um exemplo da tal autofagia que tanto mal tem feito ao nosso clube nas últimas décadas.

Não imagino benfiquistas ou portistas concordarem com a anulação «por 5 centímetros» de um golo marcado por qualquer jogador deles. Fazem bem. Se procedessem ao contrário colidiam com a verdade desportiva. E estariam a ser péssimos adeptos das suas cores.

 

ADENDA: Sobre esta matéria, recomendo a leitura deste apontamento do confrade Sol Carvalho, um sábio Leão: https://sporting.blogs.sapo.pt/os-melhores-do-mundo-9056727?thread=104417751#t104417751

Os melhores do Mundo

Quem faz o favor de perder algum tempinho a ler os meus gatafunhos por aqui (embora seja em letra de imprensa), sabe que sempre considerei, apesar das críticas a maior parte das vezes merecidas, que os nossos jogadores são os melhores do Mundo, Esgaio incluído.

Esgaio que ontem fez uma óptima partida (Sporting 3-0 Moreirense), coroada com um golo pleno de oportunidade*, que revela que o nazareno não sendo um portento tecnicamente, que não é, é um jogador que dá tudo e é bastante útil neste sistema de jogo de Amorim. Não brinco se disser que o espanhol Fresneda terá que mostrar muito empenho para agarrar o lugar. 

Prometi que viria aqui falar de aquisições após o fecho do mercado e aqui estou, porque não gosto de comentar mentideros e "supônhamos". Assim, se em demais anos critiquei de forma clara a direcção, Hugo Viana e Amorim por alguns flops e tiros completamente ao lado, coerentemente não posso deixar de lhes reconhecer o mérito de este ano terem feito o pleno (falta ver actuar o espanhol Fresneda ainda, mas estou com a esperança de que não desiluda) nas contratações mais ou menos cirúrgicas que fizeram e felicitá-los por isso.

Para uns pode ainda faltar um defesa, para outros um médio, para outros um avançado, mas a confirmação dessas lacunas ver-se-á em Janeiro. Seria interessante não haver necessidade de contratar ninguém nesse período, o que quereria dizer que as coisas estariam a correr bem e que se aplicaria a máxima de "em equipa que ganha não se mexe". Seria também importante que ninguém saísse, claro!

A forma em crescendo como a equipa vem evoluindo perspectiva uma época que nos pode trazer boas alegrias, se entretanto os factores externos, como a habilidosa arbitragem de ontem à noite, mais uma, não nos forem aqui e ali, cirurgicamente, prejudicando. Ontem, que o VAR tenha conseguido descortinar um fora de jogo de 5cm eu até dou de barato, mesmo sabendo que 5cm é uma fracção ínfima de segundo, ou seja, muito subjectivo. Já que o bandeirinha tenha olho de lince para ver o mesmo é que é surpreendente, se até a regra e a recomendação que tem é que deixe o lance andar, deixando para o VAR a tarefa de o analisar. É disto que eu tenho receio e é contra isto que temos que lutar, a começar pela direcção. Ontem o central do Moreirense deveria ter ido tomar banho mais cedo, porque o senhor de azul lhe perdoou um amarelo alaranjado ainda o jogo ia no adro e o que lhe mostrou mais tarde dava-lhe guia de marcha para o balneário.

Temos hoje talvez a melhor equipa do campeonato e pedindo a todos os santinhos que não sejamos prejudicados, podemos ter a forte e fundada esperança de chegar na frente lá para Maio. E se porventura não chegarmos na frente, há uma certeza que é clara: Os reforços são mesmo de gabarito e não havendo factores esquisitos, tratar-se-ia de azar, incompetência do técnico, ou aquilo que por vezes acontece, os outros seriam melhores.

Eu por mim estou satisfeito e repito: Belo trabalho de pesquisa!

 

* O golo, como já referi no texto, foi anulado por 5cm. A FIFA está a realizar jogos piloto em que o fora-de-jogo só será assinalado quando todo o corpo do atacante estiver para além do último defesa. Em abono e favor do futebol espectáculo, o meu aplauso veemente.

Balanço (4)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre ESGAIO:

 

- António de Almeida: «Quando Ricardo Esgaio substituiu Pedro Porro, entrou em campo aplaudido pelos sportinguistas nas bancadas, que mostraram aos energúmenos que espalham ódio e insulto nas redes sociais, o Sporting que somos, não o gang de rufias que gostariam que fôssemos.» (14 de Agosto)

- Luís Lisboa: «Apostar na formação também implica defender sem reservas, e ter uma tolerância bem superior relativamente a quem vem de fora para com um jogador nado e criado em Alcochete chamado Ricardo Esgaio.» (3 de Outubro)

- Edmundo Gonçalves: «Não joga no próximo jogo, o que quer dizer que se não entrar o Paulinho, iremos começar com onze.» (13 de Outubro)

- Francisco Almeida Leite: «Não pode ser por pura teimosia que Rúben Amorim insiste num jogador como o Ricardo Esgaio, em má forma e psicologicamente devastado, devido a uma sucessão de erros (alguns infantis) que prejudicaram o clube e causaram derrotas e perda de pontos em várias competições.» (13 de Outubro)

- Pedro Boucherie Mendes: «Tanto Adán, como Esgaio, como Pote, tiveram lances estúpidos, próprios de escola secundária.» (13 de Outubro)

- Zélia Parreira: «No primeiro ano, Rúben tinha "a estrelinha". Agora, o talismã é Esgaio. Compreende-se a diferença de resultados.» (14 de Outubro)

- Eu: «Uma das figuras do jogo. Marcou o golo da vitória, aos 60' - o primeiro como profissional do Sporting. Saiu sob fortes aplausos aos 82'.» (2 de Maio)

- Vítor Hugo Vieira: «Num grupo de jogadores a que chamaria "se fizermos 2 milhões por cada um já é bom", coloco Jovane, Esgaio, Sotiris e Rochinha. Não lhes vejo grande futuro no clube, mas ao mesmo tempo temos de começar a fazer algum dinheiro com este tipo de atletas.» (11 de Maio)

Esgaio na baliza certa, Coates na errada

Sporting, 2 - Famalicão, 1

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Edwards foi o melhor em campo contra os minhotos em Alvalade: esteve nos dois golos

Foto: Miguel A. Lopes / Lusa

 

Quem pensava que seria apenas para cumprir calendário, enganou-se. Foi um bom jogo de futebol, muito emocionante sobretudo na segunda parte, com um Famalicão confirmando anteontem em Alvalade por que motivo se encontra num lugar confortável do campeonato (sétima posição) e chegou a semifinalista da Taça de Portugal.

Houve oportunidades para os dois lados. Mas com óbvia supremacia da equipa da casa. O Sporting voltou ao "ataque móvel", sem grande sucesso (duas unidades, Trincão e Pedro Gonçalves, não estiveram à altura da aposta do treinador), Nuno Santos no habitual vaivém junto à linha esquerda e Esgaio na nova missão que Rúben Amorim lhe vem indicando, de fazer movimentos como interior direito em complemento de Edwards. De uma tabelinha entre ambos nasceu o nosso primeiro golo, aos 18', por Morita. E foi o próprio Esgaio, aproveitando uma bola de ressaca, também após bom trabalho do inglês, a marcar o segundo. Que nos valeu três pontos - temos agora 64.

Houve festa no estádio, onde estiveram quase 30 mil espectadores. Prémio merecido a um dos mais esforçados elementos do plantel leonino, várias vezes criticado pelos adeptos - e com razão - mas que tem evoluído muito ao longo desta época. E que, ao contrário do que alguns temiam, não deixou a nossa ala direita desguarnecida com a partida de Porro, em Janeiro. Pelo contrário, tem demonstrado mais eficácia a partir daí.

 

Esta foi a parte melhor do jogo. A menos boa, uma vez mais, situou-se no nosso reduto defensivo. Com Diomande como protagonista pela negativa em dois momentos que puseram à prova os bons reflexos de Adán (um dos melhores em campo) e Coates muito infeliz num corte que devia ter sido para canto mas acabou por encaminhar a bola para dentro da baliza, traindo o guarda-redes. Há muito que o nosso capitão não marcava um autogolo. Pela minha parte, confesso: disto não tinha saudades.

Foi a única forma de o Famalicão não ficar em branco no nosso estádio. Em boa verdade, mereceu esse golo solitário. Por ser uma equipa bem organizada, bem orientada, tecnicamente bastante evoluída e que pratica um futebol acima da média para os padrões nacionais. Merece o sétimo lugar, merece ter chegado onde chegou na Taça. É, além disso, uma equipa que vem mantendo boas relações institucionais com o Sporting - algo que justifica uma palavra acrescida de saudação.

 

Resta-nos agora o quê?

Vencer os quatro jogos que faltam para concluir o campeonato. E aproveitar estes desafios, desde já, como etapa preliminar da época que irá seguir-se. Sem facilitar, sem cometer os erros de sempre. Sabendo progredir, sabendo evoluir.

A temporada 2023/2024 pode, de algum modo, começar ainda com esta a decorrer. Há toda a vantagem nisto. Nós, adeptos, não exigimos menos que isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sem deslizes digno de nota, fez duas boas intervenções impedindo golos do Famalicão.

Diomande - Noite azarada para o jovem marfinense. Dois lapsos, aos 30' e aos 52'. Saiu aos 56'.

Coates - Autogolo aos 69': só assim o Famalicão conseguiu marcar. Quis aliviar, mas foi mal-sucedido.

Gonçalo Inácio - Discreto. Começou como central à esquerda, aos 56' passou para a direita. Já está habituado.

Esgaio - Uma das figuras do jogo. Marcou o golo da vitória, aos 60' - o primeiro como profissional do Sporting. Saiu sob fortes aplausos aos 82'.

Ugarte - Útil como sempre, na vigilância do nosso meio-campo. Segundo golo começa com uma recuperação dele. Amarelado, saiu aos 73'.

Morita - O nosso melhor reforço em 2022/2023 voltou a dar nas vistas. Autor do primeiro golo, aos 18'. Já marcou mais do que Paulinho na Liga.

Nuno Santos - Dinâmico, veloz, cheio de energia. Mas neste seu 90.º jogo no campeonato português não cruzou com êxito. 

Edwards - O melhor em campo. Está nos dois golos. Grande trabalho oferecendo de bandeja a Morita e é ele próprio a rematar no segundo com a bola a ressaltar para Esgaio.

Pedro Gonçalves - Muito apagado. Podia ter marcado aos 29' e aos 45', mas faltou-lhe poder de fogo. Substituído aos 56'.

Trincão - Amorim colocou-o como avançado-centro - falso ponta-de-lança. Não se sente à vontade ali, está demonstrado. Saiu aos 82'

Chermiti - Substituiu Pedro Gonçalves aos 56'. Não marcou, mas incomodou muito a defesa forasteira. Móvel, ele sim. Vai evoluindo a cada nova oportunidade que o técnico lhe dá.

Matheus Reis - Substituiu Diomande aos 56'. Com vantagem para a equipa: mais seguro e mais sólido.

Tanlongo - Entrou aos 73', rendendo Ugarte. Está convocado para o Mundial sub-20 pela Argentina, mas continua sem exibir grandes dotes de verde e branco.

Bellerín - Substituiu Esgaio aos 82'. Teve ainda tempo para um remate bem colocado à baliza dos minhotos.

Arthur - Em campo desde os 82', por troca com Trincão. Já em fase de contenção ofensiva da equipa. Não deu nas vistas.

Quanto ao jogo de domingo, é isto

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Imagem roubada ao JJ Bóçe

Rúben Amorim pediu desculpa ao Esgaio. Porquê? Só se for por não saber o que anda a fazer. Cada vez mais é essa a impressão que eu tenho. Se for isso, as desculpas justificam-se, mas não resolvem o problema. Não digo que Rúben Amorim seja um problema, atenção (sinceramente creio que não é, e uma sua eventual saída seria um problema muito maior). Mas deveria pensar melhor no que anda a fazer. Não é nada bom ter-se um líder de um grupo que não sabe o que faz.

Notas breves sobre o jogo de hoje

Antes de mais, grande jogo. A apreciação ficará a cargo dos especialistas do blogue.

Ste Juste é, como já defendi bastas vezes, um excelente defesa. Falta-lhe ritmo e fugir às lesões. Hoje fez o jogo todo, o que é boa notícia;

Chermiti fez uma excelente partida, com uma assistência para Edwards marcar. Esteve muito bem na luta com os "cavalões" do Braga, acho que temos jogador;

Pedro Gonçalves sem se dar muito por ele fez andar a equipa e acabou por fazer duas assistências e um golo, de penalti;

Esgaio, hoje muito acarinhado pelo público e bem, fez a melhor exibição desde que regressou ao Sporting;

A equipa esteve bem como um todo, mas Morita foi o nosso melhor, hoje. Levou o prémio de homem do jogo merecidamente;

Ao contrário, uma vez mais Trincão esteve ausente, uma parte no banco e outra fora do banco;

O marcador dos penaltis é o Pedro Gonçalves e acho que fez muito bem em marcar o penalti que deu o quinto da noite. Gostei muito que todos puxassem por Esgaio para marcar (Chermiti também se estava a pôr a jeito...), mas se pensarmos todos bem... E se o rapaz falhasse? Foi melhor assim, o jogador fica com a satisfação da ovação e do reconhecimento da sua bela exibição e Pedro Gonçalves soma mais um. Eu confesso que dei por mim a imaginar uma defesa do GR do Braga e Esgaio a marcar na recarga, também teria sido engraçado;

Uma nota e pergunta final: Porque é que não jogamos sempre com o Braga?

O futebol é o momento

Bastou uma vitória caseira por 5-0 contra um clube que é o melhor de Portugal tirando os 3 grandes para que tudo o que de pior aconteceu até agora nesta temporada fosse esquecido, para que o Paulinho fosse o maior e não importasse o que custou, para que o Trincão afinal até seja um bom jogador, para que Amorim seja um génio táctico do 3-4-3 e não o burro e teimoso doutros momentos.

E no entanto o que aconteceu nesse e nos últimos jogos apenas reflecte o tempo e a tranquilidade que existiu para treinar, e a evolução dos jogadores dentro do modelo de jogo e de treino, especialmente daqueles que chegaram esta temporada. E como Trincão e Edwards já conquistaram o seu espaço, também outros lá chegarão.

Mas tudo o que de bom aconteceu não pode servir para esquecer os problemas que continuam a afectar o plantel, nomeadamente a escassez de soluções para determinadas posições e a falta global de envergadura física. Basta tentar alinhavar um onze alternativo ao que entrou em campo em Alvalade no último jogo para perceber quais as posições em causa.

Bragança infelizmente parece que perdeu a época, e logo esta que poderia ter sido a da sua afirmação. Neto também a perdeu naquela entrada descuidada do jogador do Portimonense. Quanto a St.Juste, a lesão sofrida na pré-época condicionou tudo o resto, e agora tem de ser gerido "com pinças". 

Depois há aqueles como Esgaio, Jovane e Rochinha, que quanto mais querem menos conseguem. Algum deles poderá dar a volta, mas duvido.

Valores emergentes para o resto da temporada, sempre disponíveis para aproveitar da melhor forma as oportunidades que surgirem, parecem-me Marsà, Essugo, Fatawu e Arthur.

Quem poderia vir no mercado de inverno para reforçar o plantel? Para mim o principal problema está no eixo central e nas posições 6, 8 e 9, os seja os 2 médios-centros e o ponta de lança, pela falta de alternativas válidas para as posições de alto desgaste de Ugarte, Morita e Paulinho. Virá mesmo alguém? Não sei.

O futebol é o momento. Vem aí um conjunto de desafios muito complicados, outra vez as competições europeias no meio da semana, e podemos depressa voltar a uma situação pouco desejável e nessa altura lá virão os bota-abaixo do costume, os ressabiados com contas para saldar, os candidatos da treta, as claques a insultar os jogadores, etc.

Importa ter confiança mas importa também cuidar do escoamento de águas da casa enquanto não chove...

SL

Ricardo Esgaio e Cristiano Ronaldo

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Eu sou suspeito.

Pesquisem a série "Os nossos jogadores", número 17, Novembro de 2013, a minha escolha: Ricardo Esgaio.

Tenho lido tanta (faltam-me as palavras) parvoíce? estupidez? malvadez?ignorância? sobre a carreira de Ricardo Esgaio no Sporting, que vou lançar um pequeno desafio; comparar os títulos do jogador da Nazaré, nas camadas jovens, com os títulos conquistados pelo maior produto da formação leonina (que dá nome à Academia) um tal Cristiano Ronaldo.

Nem tudo está perdido

Um pouco mais a frio, lá vai a minha análise ao jogo de ontem:

Positivo

Israel - Não é tão mau como a gente temia e até pode sair dali um belo guarda-redes; não comprometeu e teve até um punhado de boas e algumas difíceis intervenções. Para quem não tem jogado esteve muito bem.

Os outros miúdos todos - Lançados às feras, conseguiram empatar com o OM, o que não é nada mau.

Esgaio - Não joga no próximo jogo, o que quer dizer que se não entrar o Paulinho, iremos começar com onze.

Pedro Gonçalves - Ver cromo anterior.

Presidente - Não fala e bem (convém não piorar o que já de si é a antevisão de uma tragédia).

Negativo

A reacção dos sócios ao questionarem as opções do treinador. Onde já se viu a malta a mandar bitaites sobre a constituição da equipa e a criticar as substituições? Deve ser o único clube do mundo onde isto acontece!

O recado velado, ou ensurdecedor entendam como quiserem, do treinador, para dentro, nas declarações deploráveis que entendeu proferir no final do jogo. Se está mal, resolva a coisa no gabinete do presidente.

A casmurrice do treinador, que estando num processo de aprendizagem, terá de ir tirando apontamentos dos erros que vai cometendo para daí concluir que só evoluirá tentando ultrapassar esses erros. Por enquanto tem crédito para ir aprendendo, vai tendo pouco, cada vez menos, para ser casmurro. Daqui até ao assobio e à contestação é um "tirinho" e a gente sabe como é na bola, hoje génio, amanhã um falhado e eu gostava que Amorim crescesse no Sporting por alguns anos, que potencial tem ele.

Conclusão

Ainda estamos nas quatro competições da época apesar de duas delas ainda não terem começado e de outra não haver notícia de que desistamos, independentemente do lugar na tabela (já ficámos em sétimo, convém ter presente na memória). Na Liga dos Campeões estamos fortes, basta ganhar os dois jogos que faltam. Eu confio que sem Esgaio e Pedro Gonçalves a coisa até se dê, para nossa satisfação. Como diria o outro, pínares...

Amorim: uma provocação ou um desafio?

A derrota de ontem por 0-2 com o Marselha, sendo má e evitável, foi o menos. O pior foi mesmo perceber, e com tanta clarividência, que algo se passa com a nossa equipa, com o treinador e a estrutura. Não pode ser por pura teimosia que Rúben Amorim insiste num jogador como o Ricardo Esgaio, em má forma e psicologicamente devastado, devido a uma sucessão de erros (alguns infantis) que prejudicaram o clube e causaram derrotas e perda de pontos em várias competições.
Tal como aconteceu na situação de Paulinho, um ponta-de-lança que não marca golos e que tem certamente o seu valor mas que está com um problema de confiança há meses, Amorim teima em incluir Esgaio nas opções, mesmo tendo Pedro Porro recuperado.
Isto não se explica, como não se explicam as declarações de ontem dirigidas aos adeptos. Amorim é inteligente, sabe comunicar (com algumas excepções já aqui abordadas) e é um excelente treinador de futebol, como já o demonstrou inúmeras vezes, elevando o jogo do Sporting a outro patamar. Mas está a provocar alguma coisa ou alguém. A lançar um desafio. Não se pode dizer o que Amorim disse ontem de ânimo leve. O que têm os adeptos e sócios do SCP contra os jogadores que vêm do Braga? Zero. Desde que joguem à bola são muito bem-vindos. Não é Amorim que agora vem rebaixar o clube inventando uma rivalidade com o clube minhoto que nunca existiu. O Braga, com todo o respeito, e mesmo agora que irá ter investidores endinheirados, não está, nunca esteve e não vai estar nunca ao nível do Sporting. 
Se Amorim não está satisfeito no seu lugar que informe a direção do clube, este caminho que agora escolheu, e que me parece propositado, não é bom para nenhuma das partes. Tem que aceitar que erra, errou ao colocar Esgaio nas opções de ontem e de todas as últimas vezes que o colocou em campo. Errou ao insistir tanto em Paulinho no passado recente. Errou, talvez, ao não tentar uma reintegração de Islam Slimani. Espero que Amorim fique no Sporting por muito tempo, desde que seja justo, menos teimoso e que não ataque os adeptos e sócios com "bocas" que não lhe ficam bem. O Sporting está acima dele e irá continuar a ser o clube enorme quando um dia decidir sair. Ficamos por aqui.

 

O dia seguinte

Depois de duas derrotas consecutivas contra um Marselha que até então contava por derrotas os jogos efectuados, a sensação que fica é que em condições normais teriamos sempre muita dificuldade em vencer uma "colecção de cromos" musculada e experiente, sempre a apostar no erro do adversário e a tentar jogar com o árbitro para impedir o adversário de jogar. Nada que ver com Tottenham e Eintracht, que talvez joguem colectivamente melhor que o Marselha, mas também deixam jogar. 

Claro que, marcando primeiro, recuando linhas e libertando espaço para o ataque móvel e a capacidade individual de Edwards, Pedro Gonçalves e Trincão virem ao de cima, o Sporting sempre teria fortes chances de vencer, mas num jogo repartido a muito superior capacidade física do Marselha viria sempre ao de cima.

Mas com Adán e Esgaio a fazerem-se estupidamente expulsar nos dois jogos depois de oferecerem um golo cada um, na prática pouco tempo houve nas duas partidas de jogo taco a taco. Rúben Amorim aproveitou e se calhar muito bem para lançar um conjunto de jovens muito interessantes, Israel, Marsá, Fatawu, Sotiris, Nazinho tiveram minutos na Champions e mostraram que existe ali muito potencial para explorar.

 

Não vale a pena comentar um jogo que quase não houve. Vale mais a pena abordar algumas questões que julgo cruciais:

1. Quem apostou mal ou bem num plantel curto tem de viver com ele, ou seja, respeitar o tempo de recuperação das lesões duns dando oportunidades a outros, mesmo correndo o risco de não conseguirem corresponder. Depois do que tem acontecido com St.Juste, hoje não pareceu que Coates ou Porro estivessem em condições de ir a jogo. E foram para quê?

2. Proteger um jogador às vezes é não o pôr a jogar. Talvez Esgaio, depois de falhas clamorosas nos últimos jogos, não estava em condições psicológicas de ir a jogo. Amelhor prova é o primeiro amarelo que leva, por uma sarrafada ao mesmo jogador que já tinha "aviado" em Marselha, nesse caso correndo o risco dum vermelho imediato, e que minutos antes o tinha rasteirado. O caricato é que estava no banco a alternativa mais indicada para o lugar, Fatawu, que logo demonstrou que vale dez vezes mais do que aquele manhoso do Marselha que fala português. Ficou melhor o Esgaio, agora do que estava? Ou perdeu-se de vez o jogador para o Sporting?

3. Jogar contra o árbitro na Champions é meio caminho andado para a derrota. Faltas grosseiras e protestos birrentos são completamente desnecessários numa equipa com os objectivos do Sporting. O banco é talvez o melhor lugar para repensar o comportamento. Seja de quem for, por muito importante que seja na equipa.

 

E agora?

Agora com Tottenham 7, Marselha e Sporting 6, Eintracht 4 continua tudo em aberto no grupo, mas perdemos toda a vantagem inicial. Se calhar o Eintracht vai decidir quem é quem. Essencial é recuperar - mas recuperar mesmo - Coates e Porro.

Toda a confiança em Amorim, mas a falta de recursos "seniores" está a fazer-se sentir e não vale a pena iludir a questão. Que bem vindos seriam Mbemba, Guendouzi e Harit, por exemplo. Quanto valem? Pelo Transfermarkt, uns 55M€...

 

PS: Amorim falou em más vontades de alguns relativamente a jogadores vindos do Braga, podia ter acrescentado más vontades dos mesmos relativamente ao técnico, que veio de lá também. Mas se calhar essas más vontades decorrem apenas de quem promoveu a sua vinda. Qualquer jogador que tenha vindo nos últimos tempos ou que venha seja lá de onde for tem a cabeça a prémio, e vai ser achincalhado pelos mesmos à primeira oportunidade, esquecendo por completo o que foram cinco anos de autocarros anuais bem repletos de reforços para muito pouco se ganhar. Por isso o melhor é não pensar mais no assunto, eles que rendam em campo, que as más vontades logo se reduzem à mais ínfima expressão.

SL

A hecatombe

Doze notas sobre o Sporting-Marselha (0-2)

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O Sporting foi derrotado ontem à noite, em Alvalade, pelo Marselha: 0-2. Há nove anos que a equipa francesa não marcava fora na Liga dos Campeões. 

Em apenas uma semana, passámos do primeiro lugar no nosso grupo da liga milionária para o terceiro posto. Com apenas um golo marcado e seis sofridos frente à turma gaulesa, numa dupla jornada que constituiu um pesadelo.

Esta noite terminámos com apenas nove jogadores em campo, após expulsões de Esgaio e Pedro Gonçalves. Expulsões que denotam absoluta instabilidade emocional dos jogadores leoninos. Somada à péssima condição física: Coates voltou a lesionar-se, sendo forçado a sair aos 35'.

Foi jogo de sentido único, com o Sporting largamente remetido aos primeiros 30 metros, sem passar dali.

Aos 30', o resultado estava feito. Com o primeiro golo na conversão do penálti provocado por Esgaio e o segundo num rápido lance ofensivo, com Gonçalo Inácio a colocar o adversário em posição legal. Quase houve um terceiro sofrido, quando Marsà esteve a milímetros de marcar na própria baliza, aos 84': a bola esbarrou no poste.

Enfim, uma hecatombe. 

 

Algumas notas que este jogo me suscitou:

1. Erro inconcebível de Rúben Amorim ao escalar o onze. Por incluir Esgaio como lateral direito tendo Porro no banco. Nem dá para acreditar.

2. Esgaio comete duas faltas dignas de amarelo em dois minutos, vendo o vermelho aos 18'. Enterrou a equipa, tal como Adán tinha feito em Marselha. Só o técnico ainda consegue ver alguma utilidade neste jogador que mandou vir de Braga.

3. Porro acabou por entrar, mas só aos 59' - algo que de todo não se entende, depois de Amorim ter inventado Fatawu como defesa direito com a missão teórica de percorrer todo o corredor, desdobrado em ala. Algo que não chegou a acontecer pois o jovem extremo ganês ficou quase só remetido a posições defensivas até o espanhol chegar.

4. Como foi a exibição do onze leonino? Vergonhosa. Primeiro e único remate enquadrado (frouxo, de Trincão) só aos 37'. Primeiro canto aos 44'. Nenhuma oportunidade de golo. Sucessivos passes falhados. Jogadores incapazes de atacarem o portador da bola, de imprimirem intensidade e velocidade ao jogo.

5. Amorim não soube adaptar-se à pressão do Marselha, que dominou o meio-campo fazendo avançar as linhas e encurralando a nossa saída de bola. Manteve-se «fiel aos seus princípios e à sua ideia de jogo», como é costume dizer-se à laia de elogio. Neste caso nada há a elogiar. Começou aí a nossa derrota, nessa incapacidade do treinador em abandonar o seu rígido esquema táctico.

6. Inacreditável, ver Pedro Gonçalves fazer-se expulsar por uma falta inútil lá na frente e palavras dirigidas ao árbitro quando já tínhamos um a menos: recebeu dois amarelos de rajada nesse fatal minuto 60. Comportamento disciplinar inaceitável. Passámos a jogar só com nove na última meia hora, em que quase nunca saímos dos primeiros 30 metros. 

7. Substituições incompreensíveis. Só com dez a partir do minuto 19, o treinador faz sair consecutivamente os nossos maiores desequilibradores: Morita, Edwards, Trincão e Nuno Santos. O campo ficou ainda mais inclinado para o lado do Marselha.

8. Arthur, que marcou contra o Tottenham, não voltou a jogar. Alguém entende porquê? Eu não consigo.

9. Onde estava St. Juste? Não estava. O defesa mais caro da história do Sporting encontra-se novamente lesionado. Ainda não completou um jogo desde que chegou.

10. Onde estava Paulinho? A ver a partida fora das quatro linhas. O avançado mais caro da história do Sporting nem saiu do banco.

11. Chega a ser atroz, a nossa inépcia defensiva. Os números desta triste época não deixam lugar a dúvidas: 18 golos sofridos em 13 jogos.

12. Com estas duas derrotas consecutivas na Liga dos Campeões, desperdiçámos o acesso a cerca de 5,6 milhões de euros.

Aposta na formação

Anteontem o mestre Aurélio Pereira pôde comemorar os seus 75 anos de vida e foi mais que justamente homenageado. Trata-se duma figura incontornável quando se quer fazer a história da formação no futebol do Sporting: descobriu e projectou jovens que foram muito longe no futebol profissional, a começar por aquele que é um dos melhores futebolistas de todos os tempos, o nosso Cristiano Ronaldo.

Também os principais jornais desportivos aproveitaram a oportunidade para o entrevistar. Quando questionado em "A Bola" sobre o actual momento do Sporting, saíram dele as seguintes frases:

Sobre Rúben Amorim: "Não tem vergonha de lançar jovens. Devolveu-nos a alegria dos campeonatos e o Sporting sente orgulho no treinador que tem. Falo com ele com frequência e não gostaria de o ver sair um dia do clube."

Sobre Frederico Varandas: "Tenho de estar orgulhoso por todo o trabalho que tem feito. No futebol profissional e formação, o investimento na Academia tinha de ser feito para não fugirmos dos nossos adversários. Isso é saber gerir."

 

Este início de época tem demonstrado que todo o investimento em termos de infraestruturas e capital humano em Alcochete está a conseguir recolocar o Sporting no topo da formação em Portugal. Enquanto nos anos anteriores o Benfica passeava a sua superioridade nos diferentes escalões, agora as nossas equipas de iniciados, juvenis e juniores estão no topo das séries e campeonatos respectivos e somam vitórias (e até goleadas) contra o rival.

A equipa B, libertada do lastro duma geração que ganhou campeonatos mas estagnou na sua evolução, voltou a ser uma unidade de preparação de talento para a equipa A. Qualquer deles poderá amanhã entrar em campo no onze inicial, como aconteceu com Marsà. Se me perguntarem qual será o seguinte vou ter dificuldade em responder.

Nessa equipa temos talento recrutado externamente com 18-19 anos, como Diogo Abreu, Alcantar e Marsà, e outro nado e criado em Alcochete, como Callai, Essugo e Chermiti. Treinam muitas vezes com a A, competem numa Liga 3 muito mais exigente do que possa parecer e que, juntamente com os jogos da Youth League, lhes dá o "calo" necessário para triunfarem.

 

Quem conhece minimamente o que se passa nas modalidades, verifica que esta aposta na formação acontece transversalmente a todo o universo desportivo do Sporting, com as especificidades inerentes a cada uma, quer em termos de exigências competitivas quer em termos de especificidades regionais em termos de captação e formação. 

Sempre encontramos plantéis curtos e com muitos anos de casa suportados pela formação, e recrutando com conta, peso e medida.

A continuidade desta política é essencial para o futuro do clube e da sua SAD. Estarei sempre na luta contra autocarros anuais de reforços que pouco tempo depois se traduzem em muito entulho para despachar. 

 

PS: Apostar na formação também implica defender sem reservas, e ter uma tolerância bem superior relativamente a quem vem de fora para com um jogador nado e criado em Alcochete chamado Ricardo Esgaio. Para alguns parece que os únicos jovens de Alcochete que prestam são os que já sairam, de Demiral a Domingos Duarte, mas os que lá estão agora, como Inácio, Marsà e Alcantar, em nada são inferiores ao que eles eram com a mesma idade.

SL

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