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És a nossa Fé!

Receio o pior

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1

Temo o pior neste curtíssimo defeso agora iniciado. Porque as decisões serão tomadas pelos mesmos que conduziram a catastrófica pré-temporada do Verão anterior. 

Sem surpresa, já se acumulam os maus indícios. Na imprensa amiga, a administração da SAD pôs a circular que Acuña e Palhinha serão vendidos. Soa a asneira.

Acuña é um dos raros internacionais que subsistem no plantel leonino. Em entrevista ao Record de hoje, Frederico Varandas sublinha a necessidade de «encontrar jogadores experientes»: isto não cola com a prioridade atribuída à saída do argentino.

Por outro lado Palhinha - que fez duas épocas de alto nível no Braga, como emprestado - preenche uma das mais gritantes lacunas do actual onze titular: a de médio defensivo posicional. Despachá-lo já constitui um duplo risco: prescindimos de mais um profissional formado na Academia de Alcochete e continuamos a precisar com urgência de alguém para aquela posição, que pode vir a ser preenchida por outro perna-de-pau importado (lembremos os maus precedentes de Idrissa e Eduardo).

 

2

Já que fiz alusão à entrevista do Record, deixo um apontamento rápido sublinhando a minha estranheza: afinal para que serve a Sporting TV? O presidente da SAD leonina manteve-se vários dias em silêncio, após o fim do campeonato, e rompe-o só agora para prestar declarações a um jornal diário quando tem à sua disposição a televisão do clube. Eis algo incompreensível.

Nesta entrevista, Varandas garante fazer «exercícios de autocrítica diariamente». Não parece. Voltou, por exemplo, a desperdiçar uma oportunidade de elogiar a Comissão de Gestão que o precedeu e conduziu o Sporting no turbulento Verão quente de 2018. Graças a essa equipa, liderada por Artur Torres Pereira no clube e Sousa Cintra na SAD, os estilhaços de Alcochete foram minorados, vários jogadores regressaram a Alvalade e foi possível formar um plantel competitivo.

Varandas já apanhou o comboio em andamento - de tal maneira que o Sporting até liderava a Liga no dia em que os actuais corpos sociais tomaram posse.

 

3

Vangloria-se o presidente de ter conseguido «vencer duas Taças no futebol» e de ter superado o difícil teste da «renovação do plantel devido às rescisões». Vai mesmo ao ponto de proclamar: «No ano passado, alcançámos a melhor época dos últimos 17 anos.»

Lamentavelmente, nem uma palavra de apreço por Sousa Cintra - obreiro dessa época que deixou um treinador (José Peseiro) despedido por Varandas quando o Sporting ia a dois pontos do primeiro já depois de termos jogado em Braga e na Luz. Outra oportunidade desperdiçada, portanto, para "unir o Sporting" - lema da candidatura à presidência do antigo director clínico do consulado Bruno de Carvalho.

A prova do algodão da actual gerência não foi a época 2018/2019: foi aquela que agora terminou, a primeira em que este presidente da SAD e este director desportivo lideraram todo o processo do princípio ao fim. Uma época em que se prometeu muito mas chegámos à meta com um recorde de derrotas numa temporada e todos os objectivos falhados: Supertaça, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Europa e campeonato.

 

4

Ainda mal se iniciou o defeso e já receio o pior.

Por serem os mesmos a liderar o processo. E por ter a plena convicção de que a actual equipa dirigente nada quis aprender com a sucessão de erros acumulados.

O que diz Roquette

«As decisões relacionadas com a construção deste estádio do Sporting e com a Academia de Alcochete foram tomadas durante a minha direcção. Uma das coisas que eu antevia era que a Academia de Alcochete deveria ser um dos suportes financeiros do Sporting. Devia produzir talentos em número suficiente para ser um factor de equilíbrio, até do ponto de vista financeiro. As coisas hoje são diferentes. Os padrões, até em termos internacionais, multiplicaram-se por muitos zeros e isso veio deixar para trás algum tipo de valores, de perspectivas, até de envolvimento das pessoas, que não é qualquer coisa que eu sinta como construtivo.»

 

«Decidi sair quando assumi que já tinha feito no Sporting aquilo que lá me tinha levado. Já eram demasiados anos da minha vida, sobretudo na faixa etária em que eu estava, e foi mais por isso do que por outras razões que eu decidi [em 2000] deixar a presidência. Que me trouxe satisfações, também desgostos. Talvez o mais pesado deles todos tenha sido o que aconteceu com o very light naquela final da Taça de Portugal no Estádio do Jamor. Foi o arranque para uma época de uma conjugação de violência e de turbulência.»

 

«Tive sempre um comportamento em relação às claques do Sporting de tentar separar aquilo que era autêntico daquilo que era indesejável, mas tenho de convir que hoje isso é muito, muito difícil.»

 

«Entendi sempre que as coisas [clube/SAD] deviam ser separada uma da outra. Que a presidência do Sporting, como accionista de referência da sociedade anónima desportiva, só se prejudicaria com os bons e maus resultados que dali viessem. Vejo o tempo dar-me alguma razão. O que interessa, nessa perspectiva, é sempre do ponto de vista estratégico: se as pessoas que lá estão não servem, outras terão de vir que sirvam. Mas a nível técnico, concreto, do futebol profissional.»

 

«A nossa capacidade financeira é muito residual, é muito pequena. Continuaremos a ser um exportador de talentos. Poderá acontecer outra vez um Campeonato Europeu como em Paris, há quatro anos, mas não é algo que possa estar no nosso menu de todos os dias.»

 

«Tenho elementos históricos da correspondência trocada entre o meu trisavô [Visconde de Alvalade, fundador e primeiro presidente do Sporting] e o meu avô [José Alvalade, fundador e terceiro presidente do SCP]. Eu e os meus irmãos já decidimos doar esse conjunto de documentos, que são duas malas grandes, ao Museu do Sporting. Vão passar a integrar o património histórico do Sporting.»

 

Trechos da entrevista de José Roquette - penúltimo presidente campeão do futebol leonino - hoje no Record

O que diz Adrien

 

«Fui campeão em todos os escalões da formação e, no meu espelho de objectivos, tinha também o de ser campeão pelo Sporting. Infelizmente, ficou por concretizar. Mas estou de consciência tranquila.»

 

«Dei tudo o que tinha ao Sporting, mas não me custa admitir que o facto de nunca ter ganhado o título é uma espinha encravada. Ainda para mais quando estivemos tão, tão perto de o conseguir.»

 

«Sinto-me triste pelo momento que o Sporting vive actualmente. Numa nova fase de reconstrução. Caiu por água abaixo tudo o que tinha sido feito de bom antes. O Sporting tinha conseguido criar uma equipa muito competitiva, uma estrutura capaz de dar continuidade. Infelizmente, desmoronou-se tudo após os acontecimentos de Alcochete. É preciso reconstruir tudo e isso não se faz de uma época para a outra. Acredito que as pessoas que estão à frente do Sporting são competentes. Mas precisam de tempo.»

 

Adrien, em entrevista à edição de ontem do Record conduzida pelo jornalista Alexandre Carvalho

João Rocha, numa entrevista ao Record…

em 15 fevereiro 2006:

 

RECORD – Está preocupado com o Sporting a cerca de quatro meses de eleições?

JOÃO ROCHA – O Sporting está a atravessar a pior crise dos seus 100 anos. Convinha, no entanto, esclarecer, até porque os mais jovens não o sabem, que quando veio a revolução, os clubes passaram por uma crise muito grande, concretamente na altura do PREC. Eram, no fundo ‘presas’ a tomar de assalto. Criaram-se decretos e portarias à luz dos quais os jogadores se transferiam livremente, bastando uma carta. O Sporting passou essa crise colaborando em algo que era necessário, ou seja, apostando na massificação do desporto em Portugal. Não havia ginásios nem pavilhões e o Sporting começou por ter logo 15 mil atletas, um recorde. Nenhum clube da Europa o conseguia, nem o próprio Barcelona.

 

RECORD – Que acções foram levadas a cabo?

JOÃO ROCHA – Fizeram-se ginásios, pavilhões e compraram-se terrenos. Dinamizámos o desporto em Portugal. A ginástica foi de Norte a Sul do País com várias equipas. Promovemos as modalidades junto de entidades como os bombeiros, diversos tipos de associações, polícia, escolas, etc. Introduzimos em Portugal as artes marciais e a dinamização junto das instituições referidas foi a mesma.

 

RECORD – Disse-me que o clube comprou terrenos. Isso quer dizer que o património também cresceu?

JOÃO ROCHA – Começámos a ter um património invejável. Pagámos as dívidas do passado e sempre com dirigentes que nunca ganharam nada. Foram centenas de pessoas a participar neste projecto de servir o Sporting gratuitamente. O clube tem de estar grato a esses dirigentes que pagavam, inclusivamente, hotéis, e passes dos jogadores das modalidades de forma desinteressada. Com tudo isto, o Sporting passou a ter a primazia do desporto em Portugal e a ser a maior força desportiva nacional.

 

RECORD – Essa força foi consubstanciada em mais títulos do que os concorrentes?

JOÃO ROCHA – De tal forma que nos primeiros 10 anos após a revolução, o Sporting tinha 22 modalidades e ganhou 1.210 títulos nacionais e 52 Taças de Portugal. Conquistámos 8 taças europeias em 7 anos, tínhamos 105 mil sócios e, no futebol, entre campeonatos, Taças e Supertaças, o Sporting conquistou 8 títulos contra 10 do Benfica, 6 do FC Porto e 3 do Boavista. Conseguimos reconquistar o estatuto vivido, por exemplo, no tempo dos cinco violinos. Finalmente, juntando provas nacionais e europeias de alta competição, ganhámos 47 títulos contra 20 do Benfica e 13 do FC Porto, ou seja, mais do que os dois rivais juntos. Acrescente-se que mandámos uma equipa de ciclismo à Volta a França. Nenhuma equipa europeia com futebol o fez por duas vezes como nós. Foi importantíssimo para o país.

 

RECORD – Hoje em dia o panorama é, de facto, diferente. Como sente o clube?

JOÃO ROCHA – Quando saí, deixei o clube sem dívidas, com passivo zero, jogadores valorizados zero, estádio valorizado zero, tudo a preço zero e nada reavaliado. Além disso, 300 mil metros quadrados de construção aprovada, o que em termos actuais e se o Sporting tivesse sido administrado como deve ser, faziam dele hoje um dos maiores clubes da Europa. Só nesses 300 mil metros quadrados tinha um valor de 120 milhões de contos.

 

RECORD – Porque é que, na sua opinião, o Sporting não seguiu esse caminho ascendente?

JOÃO ROCHA – Eu saí. Não podia ficar, porque tinha uma doença grave. Nos últimos dois anos, já assistia deitado às reuniões da direcção. Só bebia leite e um médico americano disse-me que eu tinha de decidir entre a morte e o Sporting. Eu queria viver mais alguns anos e saí. Depois, o passivo foi aumentando ao longo dos anos, até que chegou José Roquette com o seu projecto.

 

RECORD – Um projecto que encheu de esperança todos os sportinguistas...

JOÃO ROCHA – O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Ninguém soube o que era o projecto, porque ele não dizia. Sabia-se, apenas, que era uma dezena de sociedades, dirigentes e funcionários superiores a ganhar centenas de milhares de contos. O projecto foi reduzir os sócios de mais de 100 mil para pouco mais de 30 mil, foi acabar com as modalidades amadoras, foi vender património, foram dezenas e dezenas de milhões de contos de prejuízo que não aparecem nos resultados, porque parte deles foram executados pelo Sporting. No caso da SAD deram-se informações falsas aos associados e à própria CMVM para a entrada na bolsa.

 

RECORD – Comos se explica isso?

JOÃO ROCHA – O que lhe posso dizer é que era tudo tão bom que ele próprio, José Roquette, ia subscrever capital e a primeira coisa que fez quando saiu foi vender todas as acções da SAD que tinha comprado. Isto levou os sócios a perderem quase 14 milhões de contos só na subscrição e nos resultados negativos.

 

RECORD – Você assistiu a isso sem nenhum tipo de reacção?

JOÃO ROCHA – Antes pelo contrário. Numa assembleia da SAD e para defender os interesses do Sporting, lembrei que ao abrigo do Artº 35, a Sociedade tinha de acabar, mas havia uma possibilidade que era a reavaliação dos jogadores, repondo capital necessário na SAD para esta não ser extinta.

 

RECORD – Muito objectivamente, na sua opinião, José Roquette é o responsável pelo actual passivo do Sporting?

JOÃO ROCHA – O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Disso já não restam dúvidas. Queria gerir o clube ditatorialmente e a primeira coisa que fez foi fechar as portas aos jornalistas nas assembleias gerais. No meu tempo, havia uma bancada só para os jornalistas. Não tínhamos receio de nada.

 

RECORD – Recordo-lhe que na altura da entrada de José Roquette foi dito por muitos elementos do universo leonino que o clube se encontrava em falência técnica. Lembra-se?

JOÃO ROCHA – Quando José Roquette entrou, o clube estava numa situação caótica, mas ele aceitou um passivo de 4 milhões de contos e, actualmente, ascende a 60 milhões de contos. É uma diferença enorme. Mas esse não é o grande problema. É preciso ter em conta os prejuízos, os quais foram colmatados com a venda de património e a reavaliação de todo o activo, incluindo jogadores. Esses prejuízos não foram contabilizados.

 

RECORD – Mas o clube também se valorizou patrimonialmente. Concorda?

JOÃO ROCHA – Fez-se a Academia e o estádio, mas nada disso é do Sporting. Mesmo que se venda aquilo que se está a propor vender, ainda vamos continuar a dever o estádio, que é fruto de compromissos com a banca e do contributo de alguns sócios que ajudaram em muitos milhares de contos, comprando lugares cativos.

 

RECORD – Um projecto totalmente falhado, no seu ponto de vista. Porquê?

JOÃO ROCHA – É muito simples. José Roquette julgava que o Sporting era uma operação tão fácil com a do Totta, em que ele, numa operação ilegal, ganhou 20 milhões de contos sem pagar um tostão de impostos e, ainda por cima, acabou por comprometer aquele que foi recentemente eleito Presidente da República, Cavaco Silva.

 

RECORD – Uma forte acusação. O que sabe desse processo?

JOÃO ROCHA – Não quero falar nisso neste momento, porque me interessa mais o Sporting.

 

RECORD – Lembro-me que durante o mandato de José Roquette, você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?

JOÃO ROCHA – Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.

 

RECORD – Vai concretizar ou continuar a guardar trunfos?

JOÃO ROCHA – Não digo mais nada sobre isso. Foi falado no Conselho Leonino e eu disse ao líder da AG para mandar calar sobre essa informação, que foi longe demais. Disse-lhe ainda que o resumo do acordo com o FC Porto devia ser gravado de tão grave que era, porque talvez fosse necessário que essa gravação viesse a ser pública na defesa dos interesses do Sporting e dos seus sócios. Não vejo o desporto assim.

Abandonar o barco

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Frederico Varandas regressou esta noite às entrevistas televisivas para uma longa "conversa" (o termo foi utilizado por um dos entrevistadores) ao canal 11, da FPF.

Fez algumas revelações que merecem registo. Destaco duas: o Sporting voltará a ter equipa B já a partir da próxima época e pelo menos um terço do plantel da temporada 2020/2021 será composto por jogadores da formação. Boas notícias.

E assegurou que o principal objectivo do clube, até 2022, é marcar presença na Liga dos Campeões. Haja optimismo.

 

Arriscou também fazer previsões, nadando para fora de pé.

Sobre Rúben Amorim, o técnico que foi buscar ao Braga por uma quantia astronómica escassos dias antes da prolongada paragem do futebol a nível mundial: «Não tenho a menor dúvida de que o treinador do SCP muito dificilmente dentro de três ou quatro anos não estará num dos melhores clubes europeus.»

Sobre Matheus Nunes, o jovem médio-centro adquirido ao Estoril em Janeiro de 2019: «Não tenho dúvida nenhuma de que só o Matheus vai pagar o Rúben Amorim.»

Oxalá os dotes divinatórios do presidente do Sporting tenham melhorado muito desde Setembro do ano passado, quando garantiu noutra entrevista televisiva que Jesé, Fernando e Bolasie - todos já remetidos à procedência - iriam singrar no clube. 

 

Mas o que mais retive desta entrevista - exibida no dia em que se registaram duas novas baixas no Conselho Directivo do Sporting - foi a revelação, feita pela boca do próprio Varandas, de que o vice-presidente Filipe Osório de Castro e o vogal Rahim Ahmad já estavam demissionários desde o início de Março.

O clube enfrentou assim este período de severa crise com uma Direcção mutilada, sem que os sócios tivessem sido informados. Algo que considero inaceitável por violar as normas de transparência que qualquer Direcção leonina deve manter com os associados, a quem tem de prestar contas em todas as circunstâncias.

Estas demissões - que se seguem à saída do ex-vogal do CD Francisco Rodrigues dos Santos, em Dezembro, para concorrer à presidência do CDS, e do administrador da SAD leonina Miguel Cal, em Março, por alegados motivos pessoais - são provas inequívocas do desgaste desta equipa directiva, empossada apenas há 20 meses. Os dois dirigentes agora substituídos, segundo o próprio Varandas, alegaram a necessidade de se concentrarem a tempo inteiro nas respectivas actividades empresariais, sem mais disponibilidade para o Sporting. Vão longe os tempos dos abraços eufóricos na tomada de posse destes titulares dos órgãos sociais, em 9 de Setembro de 2018.

Ficámos portanto a saber que no preciso momento em que a nau leonina exigia maior coesão e concentração para enfrentar a tempestade provocada pela pandemia, logo houve quem preferisse abandonar o barco. É uma conduta que só pode merecer censura da massa adepta. E um péssimo indício para os tempos que vão seguir-se.

O que diz Varandas

«Se o futebol português não pode avançar, que empresa em Portugal pode avançar? Não há nenhuma empresa onde os trabalhadores tenham tão pouco factor de risco e tão boas condições para desempenharem as suas funções.»

 

«O risco existe, vai existir e vamos ter que viver com o vírus. O que não pode haver é uma pessoa precisar duma cama de cuidados intensivos e não a ter. Isto o Governo conseguiu, com cem por cento de sucesso.»

 

«Vamos continuar a ter as pessoas paradas, o mundo parado, Portugal parado? Não. Temos de começar, de forma progressiva, a adquirir a imunidade da população.»

 

«O Covid afectou a indústria do futebol europeu mas, dentro dos países afectados, Portugal é se calhar o mais afectado.»

 

«O grande problema vai ser o mercado de transferências: 50% das receitas vêm da venda de jogadores. O mercado português é exportador de jogadores.»

 

«O Bruno Fernandes foi vendido por 65 milhões de euros no mercado de Janeiro. Hoje vale quanto? Trinta? Vinte? Ninguém sabe.»

 

«Vai demorar anos para que os clubes grandes voltem a ter a capacidade financeira que tinham antes do Covid.»

 

«Para o ano, se calhar, vamos ter de vender só um quarto da capacidade do estádio. Isso significa só um quarto da receita bilhética, um quarto dos patrocínios, dos parceiros... Vai ser uma nova realidade e um problema gravíssimo.»

 

«Se não defendemos a indústria do futebol numa altura destas, não vamos estar cá muito tempo.»

 

Frederico Varandas, em entrevista emitida ontem à noite na SIC

Voz(es)

Enquanto saio do posto de abastecimento olho o José Alvalade, atentamente, uma última vez. Conduzo agora ao seu encontro, à saída da Rotunda mergulho em direcção a casa.

É assim que gosto de deixá-lo. De luzes acesas. Talvez por conhecê-lo apenas e só, assim. Talvez por escolher guardá-lo assim. Fonte inesgotável de vida que se renova a cada visita. Que existe, apenas e só, para nos acolher. Imponente, intransponível, cheio de luz.

O palco dos sonhos, o confessionário de todas as amarguras, o purgatório de todos os dissabores. Aquele que, não nos conhecendo de lugar algum, acolhe todas as nossas idiossincrasias, por igual.

Conhece-nos… a voz. Mistura-a com mestria, devolve-nos a acção combinada de todas. Diz-nos quão alinhados estamos. Diz-nos, uma e outra vez, quão audíveis somos, quando somos um só.

A alegria que se exponencia, a desilusão que se dilui. A comunhão plena do que nos é comum. É a certeza da força comum.

É aqui que ao somarmo-nos, somos apenas e só, um. O um que se opõe verdadeiramente a quem e ao que defrontamos, muito para além dos atletas em campo. Muito para além do um que somos.

O um que é, afinal de contas, ilusório. Não existe, não pode existir. Somos Sporting. E o Sporting não é, nem foi nunca, um só. Dizem-mo. Di-lo, até e recentemente, quem se propôs fazê-lo. Torná-lo um só.

Desconcertante somatório de partes, aparentemente, inconciliáveis.

Desconcertantes palavras, as da voz de comando. Desconcertantes momentos, aqueles em que nos vimos… sem voz de comando.

Comanda-me, contudo, uma convicção pronfunda e inabalável. A voz de comando a que respondo, é aquela que habita em mim e que procuro pôr ao serviço do todo. O todo, que é somatório de todas as - aparentemente inconciliáveis - partes.

A minha voz, não é a de quem viu acabar-se-lhe a mama. A minha voz, não se calou quando obviou a existência do que parecia ser um conjunto de hienas apontadas às jugulares. Às jugulares, da voz de comando. A minha voz, não se calou, quando pedia uma aberta à vida, quando achou que havia uma improvável sucessão de azares, a dificultar a afimação da voz de comando. A minha voz, não se calou quando sugeriu que fosse dado devido enquadramento à voz de comando. Enquadramento amigo, familiar, que permitisse que a verdadeira voz de comando pudesse fazer-se ouvir. E afirmar-se, como voz de comando.

A minha voz calou-se há dias, no meio de muitas vozes. Escolhi calar a minha voz, no meio de muitas vozes, por desejar preservá-la como aquilo que é, a minha voz, coincidente com as de uns, diferente da de outros. Não me conhecem o timbre, seria muito fácil ser tomada por voz ao serviço de outra(s), que não a minha voz.

Fiquei sem voz, quando vi que a voz de comando, deu voz, àquele a quem tentei dar voz, a 8 de Setembro de 2018.

Ouvi-lhe a voz, compreendi-lhe o timbre.

Ouvi a voz daquele a quem, agora, gostaria de dar voz. Compreendo-lhe o timbre.

Oiço a voz, da voz de todos os sócios. Suspiro de alívio por constatar que não deu voz a quem queria tê-la, sem ter discernimento.

Peço, à voz de todos os sócios, que tenha discernimento e que estude, com a voz de comando, forma de nos ouvir a voz. A de todos. A de todos que faz o todo. O somatório de todas as vozes. Não só as que são abafadas pelos décibeis, ou pelas contra- vaias, mas as que, como eu, olham para o todo.

A minha voz, não se fez ouvir em Alvalade, no dia 9 de Fevereiro de 2020. A minha voz, acha, contudo, que é tempo de se assumir que a voz de comando não consegue, nem conseguirá, pôr-nos a uma só voz. Aquela que, soma da de cada um de nós, exponencia a alegria e dilui a tristeza.

Tem sido… uma tristeza.

Gostava que a imponência e intransponibilidade, fossem apenas as do betão que dá forma ao palco de todos os sonhos, confessionário de todas as amarguras, purgatório de todos os dissabores. Interessa, sim, a luz que lá dentro existe. A vida que lá existe e que quer renovar-se a cada quinze dias. Não agastar-se e desgastar-se a cada nova visita.

Às vozes que querem ser de comando, saibam que compreendo-vos o timbre. Mas que não serei voz de quem quer ser chamado a sê-lo, em vez de convictamente apresentar-se voz, no meio de todo o sofrível ruído. De ser convictamente voz, em detrimento de ser publicamente reconhecido enquanto possível voz de comando. A convicção, terá de ser vossa e à margem de todas as vozes. A vontade de ser interruptor, que nos devolve a luz, terá de ser afirmativamente vossa.

Enquanto saio do posto de abastecimento olho o José Alvalade, atentamente, uma última vez. Conduzo agora ao seu encontro. À saída da Rotunda do Leão, mergulho em direcção a casa.

É assim que gosto de lembrá-lo. É assim que gosto de vê-lo. De luzes acesas e a uma só voz.

Entrevista de Varandas: dez reflexões

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1.

Frederico Varandas tem um problema de base que ameaça tornar-se irresolúvel: não sabe comunicar. É um problema que se vai agravando à medida que o presidente do Sporting se vê acossado de diversos lados. Após meses de silêncio, voltou a dar uma entrevista - desta vez ao jornal Record, que lhe concedeu um espaço muito generoso: quase toda a capa da edição de hoje e seis páginas interiores. Prometendo outro tanto para amanhã, quando será publicada a segunda parte deste diálogo com os jornalistas Bernardo Ribeiro, Ricardo Granada e Vítor Almeida Gonçalves.

O que direi desta entrevista? Que chega no tempo errado. Talvez fizesse sentido no início do mandato. Agora, 17 meses depois, ele equivoca-se no tom, no tema e nos propósitos. Parece quase uma entrevista de campanha eleitoral, combatendo adversários internos e ajustando contas com o passado. Como se Varandas não se tivesse apercebido que a campanha terminou a 7 de Setembro de 2018.

 

2.

Em síntese, trata-se de uma oportunidade perdida. Mais uma, somada a várias outras que o presidente do Sporting tem desperdiçado.

Varandas não estende pontes - cava trincheiras. Não procura apaziguar - mantém a via fracturante. Evita acender focos de ânimo - prefere a lamúria e o miserabilismo. Já esquecido de que, ao tomar posse, prometeu títulos. Já esquecido de que há seis meses garantiu estar «chateado mas não preocupado».

Tropeça nas próprias palavras, transmitindo a imagem de alguém que tenta aparentar segurança enquanto caminha com rota errática, em busca de um fio condutor que ninguém descortina.

 

3.

É uma entrevista em que o líder leonino não hesita em depreciar dirigentes, técnicos e jogadores. Abre uma excepção para Hugo Viana, seu braço direito para a gestão do futebol - alguém que já não devia estar em funções pois falhou em toda a linha na preparação desta catastrófica temporada 2019/2020, que promete ser a pior de sempre. Como é possível segurar quem não merece enquanto vai sacrificando quase todos em seu redor? Basta recordar que já teve cinco técnicos a trabalhar na equipa principal. E que no onze leonino que defrontou o Braga, na passada segunda-feira, só subsistiam três titulares da vitoriosa final da Taça de Portugal 2019.

 

4.

A última coisa de que o Sporting precisa é de Calimeros. Lamentavelmente, Varandas comporta-se como o Calimero-Mor nestas declarações transcritas pelo Record. Lamenta-se da herança que recebeu, alerta vezes sem conta para o panorama calamitoso das finanças leoninas (matéria que ignorou durante a campanha eleitoral) e mostra-se incapaz de acender um farol de esperança que possa iluminar a massa adepta.

Um exemplo: reconhece que foi impossível contratar Malinovsky, Robertone e Dabbur por falta de verba. Mas teve interesse em adquirir Galeno, que Pinto da Costa não queria no Dragão. «Questionei-o por SMS mas nunca obtive resposta», revela. Quis resolver o assunto por mensagem em vez de ligar ao homólogo do FCP, o que é uma confissão de inépcia. O jogador acabou no Braga.

É uma entrevista deprimente, própria de um médico que se confina ao diagnóstico sem prescrever a terapia. Ignorando que um clube em quebra psicológica é muito mais propenso a somar derrotas em campo.

 

5.

Boa parte é preenchida com a novela Bruno Fernandes. Com o presidente do Conselho Directivo e da Sociedade Anónima Desportiva a enrolar-se em contradições. Começa por declarar, em jeito de mea culpa, que «o momento de Bruno Fernandes ser vendido era no mercado de Verão». Reconhecendo que nessa altura recusou uma oferta [do Tottenham] de 45 milhões de euros fixos, mais 20 milhões por objectivos: «Olhando para trás, de forma fria, [isso] hipotecou muito a época de futebol deste ano.»

Dúvidas dissipadas? Não. Mais adiante, exprime raciocínio inverso: «Com a venda em Janeiro, por 63 milhões praticamente certos, ficou demonstrado que fizemos bem em resistir e não ter aceitado a proposta do Tottenham.» Ninguém entende.

 

6.

Outra flagrante contradição: adianta que se viu forçado a vender Bas Dost praticamente a preço de saldo - por cerca de metade do valor de mercado do artilheiro holandês - devido a prementes necessidades de tesouraria a meio do ano. Mas como explicar então as contratações de jogadores que têm alternado o banco com a bancada ou se revelaram autênticos fiascos mesmo quando actuam de verde e branco? Casos de um Rosier (5,3 milhões de euros mais a cedência do passe de Mama Baldé), um Tiago Ilori (2,4 milhões de euros por apenas 60% do passe) ou um Idrissa Doumbia (4,3 milhões de euros).

Isto já para não falar nas anedóticas aquisições por empréstimo de Jesé e Fernando. No caso deste último, aliás já devolvido à procedência, Varandas reconhece que «foi uma contratação falhada», mas matiza: «A operação no total custou 600 mil euros, em salários». Seiscentos mil euros volatilizados num clube tão carente de recursos financeiros e que, diz agora o presidente, chegou a correr «risco de falência».

 

7.

Uma entrevista deste género, nas circunstâncias em que o Sporting está, devia ser uma oportunidade para apontar um rumo e limar arestas internas. Varandas faz ao contrário. Não reserva um elogio à Comissão de Gestão do Sporting, que pegou no clube em circunstâncias tão difíceis, é incapaz de expressar uma palavra de apreço por Torres Pereira ou Sousa Cintra, omite qualquer referência a José Peseiro, alude a Marcel Keizer (treinador escolhido por ele) com gélida indiferença, menciona Leonel Pontes sem um átomo de consideração e praticamente deixar antever que se prepara para deixar cair Silas (outro treinador escolhido por ele).

 

8.

Pior ainda: critica os jogadores da formação. Parecendo invejar Bruno de Carvalho, que ao assumir funções tinha um manancial de talentos oriundos da cantera de Alcochete (Rui Patrício, Adrien, William, Cédric, Esgaio, Eric Dier, Rúben Semedo, João Mário e Bruma), dispara: «Dos 18 aos 23 anos, que jogador tenho eu preparado para ajudar a equipa? Um? Max?»

Sim, Max. Sobre quem Varandas, totalmente fora de propósito, declara: «Não sei se vai continuar a ser titular ou não.» Mas também Matheus Pereira, que a administração da SAD irresponsavelmente despachou para Inglaterra com uma cláusula de opção de 10 milhões que não deixará de ser accionada. «É um negócio bom para a realidade do Sporting», diz Varandas. Só ele parece pensar assim, olhando para o rendimento desportivo do jogador no Championship: cinco golos e dez assistências.

Mas também Francisco Geraldes, Ivanildo e Gelson Dala, que têm andado de empréstimo em empréstimo sem oportunidade de provarem o que valem no Sporting. Mama Baldé foi atirado fora, no negócio da vinda de Rosier. Pedro Mendes, melhor marcador da Liga Revelação, ficou por inscrever nas competições internas da equipa A em tempo útil. E Domingos Duarte, um dos melhores defesas formados em Alcochete, vendido ao Granada por 3 milhões de euros - quase de borla.

Assim tem cuidado o Sporting da sua formação na era Varandas. Ele queixa-se de quê?

 

9.

Falando ainda em legados: o presidente do Sporting esquece que ele próprio herdou um sobredotado como Bruno Fernandes que, não trazendo a marca da nossa Academia, se revelou mais valioso do que qualquer outro profissional leonino antes dele - incluindo Cristiano Ronaldo, Quaresma e Nani.

Cada qual deve administrar da melhor maneira as heranças que recebe, de nada adiantando lançar anátemas sobre o que ficou para trás. Mas teria ficado bem a Varandas uma palavra de agradecimento a Sousa Cintra por haver resgatado o jogador num momento muito difícil da história do clube. Não o faz. Além disso, atira-se sem qualquer propósito a José Eduardo Bettencourt, invocando águas passadas, quando declara: «É sempre uma falha quando um capitão sai com o rótulo de maçã podre».

 

10.

É uma entrevista que deixa demasiadas questões em aberto. Acuña talvez renove, mas a incógnita subsiste. Adrien talvez regresse ou talvez não. Silas pode sair só em Junho, pois «a época do futebol falhou», mas ninguém se admire que seja afastado antes. Talvez haja uma proposta de um novo nome para o Estádio José Alvalade, mas se calhar nada irá por diante. «Vamos ver se conseguimos materializar isso numa coisa boa para o Sporting»: palavra de Varandas. Puro jargão presidencial.

De positivo, retive apenas que a equipa B será recuperada (mas falta saber em que circunstâncias) e Palhinha regressará do longo empréstimo ao Braga. Pouco, muito pouco, quase nada.

Concluindo: é uma entrevista que desvaloriza a "marca" Sporting, isola Varandas no seu labirinto e deprime ainda mais os adeptos. Não havia necessidade.

 

2019 em balanço (10)

 

FRASE DO ANO: "UM CLUBE DE MALUCOS"

Não parece, mas esta frase foi proferida pelo presidente do Sporting, aludindo ao próprio clube e atribuindo-a a um treinador português com prestígio europeu cujo nome não especificou. Numa desastrada entrevista ao Jornal da Noite da SIC em que pretendia incutir tranquilidade aos adeptos, Frederico Varandas espalhou-se ao comprido logo no início, proferindo estas palavras que relegaram para segundo plano qualquer outra mensagem que pretendesse transmitir. Palavras que a partir daí se colaram a ele: será difícil libertar-se delas.

«Ao despedir Keizer, procurámos um treinador português e com um grande currículo europeu. Tentámos. Um mostrou que desejava ter projectos onde pudesse lutar pela Champions. E outro também recusou e até me disse: "Gabo muito a sua coragem, gabo muito a sua paciência, mas eu não tenho a mesma para aturar um clube de malucos, como é o Sporting." Isto [sic] é a visão que muitos treinadores têm hoje do Sporting.» Declarações textuais de Varandas, mencionando José Mourinho e Leonardo Jardim entre os técnicos conceituados que procurou (em vão) trazer para Alvalade.

Foi a 28 de Setembro - um dia em que o sucessor de Torres Pereira e Sousa Cintra certamente recordará pela negativa. Ao declarar o que declarou, Varandas confirmou que Silas esteve muito longe de ser a primeira escolha para orientar o futebol profissional do Sporting - facto que só pode quebrar-lhe a autoridade no balneário. Deixando claro, ao mesmo tempo, que não faltam treinadores que recusam trabalhar em Alvalade - algo nada abonatório para o emblema leonino. Além disso, ficou-lhe mal tornar públicas conversas do foro privado. Ficou-lhe ainda pior admitir insultos ao clube a que preside, venham de quem vierem.

Varandas não parece ter reparado que, se o Sporting é um clube de malucos, ninguém será tão doido como o primeiro na hierarquia. Ele.

No dia seguinte, em conferência de imprensa, Silas deu-lhe a resposta: «Sou o mais maluco de todos.» Demonstrando, com muito menos palavras, maior eficácia comunicacional do que o presidente.

 

Frase do ano em 2013: «O Sporting é nosso outra vez»

Frase do ano em 2014: «Estamos em casa»

Frase do ano em 2015: «Temos de acordar o Leão adormecido»

Frase do ano em 2016: «Pelo teu amor eu sou doente»

Frase do ano em 2017: «Feito de Sporting»

Frase do ano em 2018: «Foi chato»

O que diz Bruno

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«Muitas vezes os meus colegas reclamam, ou vão reclamar, e eu meto-me à frente para poder ser eu a falar, para que não aconteça o amarelo, mas o amarelo acontece na mesma. E não se vê essa parte, vê-se que o Bruno está a falar, está a reclamar, está a dizer. E passa sempre uma imagem muito negativa.»

 

«O chuto na porta no Bessa não é negativo só para mim. Como é que as imagens vêm a público sem que ninguém se responsabilize por nada, como se fosse completamente normal?»

 

«O Boavista sabia que tinha sido eu a partir a porta e disse que não se iria escrever nada no relatório, porque não faria sentido, era um momento normal, do calor do jogo. Foi essa a mensagem que passaram. E depois as imagens saem cá para fora. As pessoas com quem eu falei do Boavista dizem que não foram elas, que não foi o Boavista, porque quem tem acesso é a [empresa] CCTV. O que mais me magoa é a Liga. As imagens saem quando não podem sair, porque isso não é permitido [por lei], e a Liga nada faz.»

 

«Vieram os áudios, continuei a marcar, a assistir, a aumentar os meus números. Depois de tudo o que se falou, o arranque deste ano foi muito melhor do que o do ano anterior.»

 

«Aquelas palavras [do áudio] foram aquilo que eu disse no balneário. Não só eu. Houve outros jogadores que referiram essas ou outras palavras, mas com o mesmo intuito. Daí aqueles áudios não terem impacto no grupo.»

 

«Tentamos sempre corrigir um erro de um colega. Às vezes ele não quer ser corrigido, mas são coisas que se resolvem e sempre se resolveram no balneário.»

 

«Conversei com o míster [Silas] após a discussão com o Eduardo e ele disse-me: "Quero que tu continues a corrigir os teus colegas, a ajudá-los, porque é uma das coisas que fazes bem e eu gostaria de ter mais como tu a fazer isso." Todos os jogadores têm um temperamento e eu como capitão tenho de saber levá-los a todos, e a todos de maneira diferente, assim como o treinador tem de o fazer.»

 

«Sou um  jogador que precisa de responsabilidade, gosto de assumir, de saber que tenho de fazer mais. Não de fazer mais do que os outros, mas fazer mais para demonstrar que, a cada dia que passa, estou melhor.»

 

«Quando chego a casa, pode ser às 3h, 4h ou 5h da manhã, a primeira coisa que faço é pegar no comando da televisão, puxar [a emissão] atrás, rever o jogo, rever todos os lances em que toco na bola, onde podia fazer melhor, onde a decisão foi má. (...) É uma coisa que já faço há alguns anos.»

 

«Se os jogadores não conseguirem dar um bom espectáculo, as pessoas estão no direito de assobiarem ou até de dizerem que os jogadores não merecem o apoio delas. Mas nós tentamos tudo para que os adeptos tenham alegrias. Ninguém sai do relvado feliz por perder.»

 

«Há gente que vai ver o jogos dos sub-19 e dos sub-23 e diz: "Como é que este não está na equipa principal?!" Mas não é igual. O ritmo é muito mais elevado. Independentemente de mostrarem muita qualidade, na equipa principal tudo tem de ser feito duas vezes mais rápido. E às vezes, quando os miúdos se treinam connosco, sentem dificuldade nos tempos, nos momentos de decisão.»

 

«Para quem tinha dúvidas, mostrámos [em Portimão] que temos uma equipa com muitas soluções e grande vontade de ganhar. Fomos todos grandes leões, à altura do Sporting. Podemos estar orgulhosos uns dos outros. Existiu uma entreajuda enorme.»

 

«Treinar é algo que eu penso fazer. Por acaso, ainda há uns dias estive a pensar como seria melhor fazer esse percurso de treinador. Se devia começar já e ir tirando o curso aos poucos, com mais tranquilidade. Ou se deixava tudo para o final da carreira. Vou tirar o curso, isso é certo.»

 

Excertos da entrevista de Bruno Fernandes ao Record conduzida pelo jornalista Alexandre Carvalho

Cento e quinze vezes Teresa

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Teresa Dimas, jornalista da SIC, certamente nunca teve nem talvez volte a ter pela frente um entrevistado que, em 32 minutos, pronuncie tantas vezes o nome dela.

Pelas minhas contas, Frederico Varandas disse 115 vezes «Teresa» ao ser entrevistado por ela no Jornal da Noite de sábado. Se não for recorde nacional, anda lá muito perto. A merecer medalha. E talvez menção no Guinness.

És uma celebridade, Teresa.

Imperdoável

Lamento que Frederico Varandas não tenha ontem aproveitado a entrevista de 32 minutos em horário nobre à SIC para dizer, sem esperar por pergunta alguma, que abdicará do aumento salarial que lhe foi proposto pela comissão de accionistas da SAD.
Mais que lamentável: é imperdoável. Como dizia o outro, não há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

Precisamos de um novo presidente?

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Frederico Varandas perdeu ontem mais uma oportunidade para dar confiança aos sportinguistas? Sim... Teresa. De entrevista em entrevista, FV parece cada vez menos ambicioso para o Sporting? Infelizmente, sim. A este ritmo, daqui a dois meses já se dá por contente com a manutenção na primeira liga. A direcção que FV encabeça planeou esta época de forma amadora? Sem qualquer dúvida. Devemos estar preocupados, ao contrario do que FV diz? Ó, se devemos.

Agora... Precisamos de um novo presidente e de uma nova direcção? Bem, entendo quem diz que sim, mas acho que não neste momento. E dou cinco razões para isso:

1. Mal ou bem, FV conseguiu dois títulos na primeira época.

2. Não se pode avaliar uma direcção por um ano de trabalho, quando foi eleita para quatro.

3. Esta direcção é jovem, inexperiente. Era óbvio desde o início que ia cometer muitos erros, até porque herdou uma situação complicada.

4. Quem/qual é a alternativa, e o que nos garante que não será pior?

5. Mais importante que tudo, será que queremos que os presidentes, tal como os treinadores, passem a estar dependentes de ciclos de sete ou oito jogos? Cada ciclo mau, um novo presidente e uma nova receita?

Os títulos que a entrevista gerou

A Bola

«Frederico Varandas explica opção por Silas»

 

Correio da Manhã

«Frederico Varandas confidencia: "Um treinador disse-me que não estava para aturar um clube de malucos"»

 

Diário de Notícias

«Varandas: "Houve treinadores que recusaram porque não querem aturar um clube como este"»

 

Expresso

«Frederico Varandas: Um treinador disse-me "gabo muito a sua coragem, mas não estou para aturar um clube de malucos como o Sporting"»

 

O Jogo

«"Um treinador disse-me que não queria aturar um clube como o Sporting"»

 

Público

«Frederico Varandas garante que Mourinho não quis treinar "clube de malucos"»

 

Rádio Renascença

«Frederico Varandas. Treinador recusou Sporting porque "não tem paciência para aturar malucos"»

 

Record

«A perplexidade de Mourinho, a recuperação de Silas e a contratação: Varandas falou de tudo»

 

SIC

«Treinador recusou o Sporting porque "não queria aturar clube de malucos"»

 

Sol

«Varandas critica "minoria" que prefere o caos: "São burros e vão provar do próprio veneno"»

 

TSF

«"Clube de malucos." Varandas diz que é difícil levar treinadores para o Sporting»

 

TVI

«Sporting: Varandas confirma ter convidado Jardim e Mourinho»

De improviso em improviso

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Nenhuma entrevista de um dirigente político, empresarial ou desportivo deve ser feita de improviso, sem preparação. Sobretudo quando se trata de uma entrevista a um canal televisivo, em sinal aberto, à hora de maior audiência.

Na preparação de qualquer entrevista, que inclui a simulação de perguntas com uma equipa de assessores especializados e a preparação das respostas mais indicadas a essas questões, com particular incidência naquelas com maior potencial polémico, a preocupação deve ser de forma mas sobretudo de mensagem. Desde logo, antecipando o título jornalístico que se pretende transmitir.

Recuso acreditar que a equipa de assessores de Frederico Varandas lhe tenha sugerido que a ideia-força a emergir desta entrevista fosse esta de o Sporting ser «um clube de malucos», associada à noção de que nenhum técnico credenciado aceita treinar em Alvalade. Nem a equipa mais incompetente e amadora prepararia uma entrevista nestes moldes.

Resta, portanto, a hipótese alternativa: a de que a declaração inicial de Varandas - e que marcou esta deplorável entrevista ao Jornal da Noite, da SIC, matando à nascença o seu potencial enquanto factor de motivação dos sportinguistas - tenha resultado do improviso. Na linha do que sucedeu com a abortada venda de Bruno Fernandes, com a saída de Bas Dost a preço de saldo, com a desastrada preparação da época, com a não-inscrição de Pedro Mendes nas provas organizadas pela Liga, com as apostas malogradas em sucessivos técnicos, com o pior arranque de uma época futebolística registado desde sempre no Sporting.

Há quatro dias escrevi aqui: terminou a tolerância dos sócios perante tanto improviso. Tendo sucedido o que sucedeu ontem à noite, reitero agora isso ainda com mais convicção.

"Em cima do joelho"

Entre vários aspetos lamentáveis da entrevista de Frederico Varandas, já referidos por colegas de blogue, gostaria de destacar a admissão de que muitas decisões relativas à equipa de futebol foram tomadas "em cima do joelho". Isto já a gente desconfiava; por isso, esta parece-me ser a época mais mal planeada desde o tempo do Bettencourt (aliás, cada vez mais o presidente do Sporting me faz lembrar José Eduardo Bettencourt). A novidade está no tom apologético, como se quem é responsável pela estrutura não conhecesse os prazos e não tivesse culpa de não ter tomado as decisões a tempo. Não houve aqui nada que não pudesse ser controlado. Admitiram que "tomaram decisões em cima do joelho". Muito bem. E a culpa é de quem? É admissível uma época ser preparada assim?

Outras frases da entrevista

«Fazer uma analogia: uma prova de maratona. O Sporting, na partida, tropeçou, caiu, caiu. Eu caí, é verdade. Caiu. O Sporting caiu. Levantou-se e temos ainda 30 quilómetros para recuperar.»

 

«Caiu no Algarve, caiu em Famalicão, caiu com o Rio Ave. Caiu. Caiu. Tropeçou. Mas ficamos deitados no chão? Não. Hoje duvidamos da valia daquele grupo? Não.»

 

«Tivemos a liquidez da última operação a 26 de Março. A 30 de Março... a 30 de Março... o Sporting entrava em incumprimento do fair play financeiro e não entrávamos nas competições europeias. Esta é a realidade que na altura... se calhar hoje sou acusado... mas devia ter dito isso.»

 

«Nós não estávamos em posição de ir para a praça pública e dizer realmente a verdade. Que era negra. Negra! Mas muito negra! Não era cinzenta: era negra!»

 

«Falando de futebol. Época brilhante? Não. Época razoável? Para mim, não. Época boa? Para mim, não. Época muito boa? Para mim, sim. E vou-lhe dizer porquê. Fizemos melhor há dois anos? Não. E há três? Não. E há quatro? Não. E há cinco? Não. E há sete? Não. E há dez? Não. E há onze? Não.»

 

«Em Novembro de 2018 tivemos a mesma dificuldade em escolher um treinador. A mesma dificuldade. As pessoas têm de perceber que a realidade do Sporting não é muito atractiva. Hoje está melhor, mas não era muito atractiva.»

 

«Escolhemos um treinador [Keizer] que apostava nos jovens, que tinha um futebol de equipa grande, atacante. Resultou. Resultou inicialmente. Tivemos dois títulos. O que é que para mim falhou? Para nós falhou, estrutura? Marcel Keizer teve dificuldades em adaptar-se ao futebol português. Na verdade, teve.»

 

«Eu ando... eu ando na rua. Muitas vezes os adeptos do Sporting viram-se: "Presidente, olhe... olhe... olhe... olhe para os nossos rivais, olhe para a máquina... olhe para a máquina que o nosso rival da Segunda Circular tem montada.»

 

«Não é numa época... não é numa época... não é numa época... não é numa época... não é numa época... não é numa época que isso se corrige.»

 

«A grande vitória desta direcção foi o que já foi conseguido este ano. Foi evitar a falência deste clube... evitar a falência deste clube, conseguir investir como estamos a investir na formação para voltarmos a ter, aí sim, a estrutura, as ferramentas, para podermos olhar olhos nos olhos os nossos rivais.»

 

«É preciso ter coragem... coragem de tomar medidas... coragem... coragem para tomar medidas que eu admito que não são para me perpetuar muitos anos.»

 

«Silas é um treinador que joga como uma equipa grande, que é como o Sporting tem de jogar. É um treinador sem medo, um treinador que vai procurar tirar o melhor daqueles jogadores. Um treinador que, quando eu tive a primeira conversa, disse: "Presidente, a qualidade nesse grupo não falta".»

 

«Marcel Keizer não apostava em Pedro Mendes. Marcel Keizer não acreditava em Pedro Mendes. Decisão... uma opinião... Quando Marcel Keizer sai... quando Marcel Keizer sai... e sai no último dia da apresentação das listas... essa decisão... houve inúmeras decisões em cima da mesa nesse dia, a contra-relógio. É óbvio... é óbvio que para nós... para nós... se tivéssemos as condições ideais... se tivéssemos tido o tempo essencial de tirar o treinador, pôr o treinador, mudar a lista, obviamente teria todo o sentido Pedro Mendes estar nessa lista.»

 

«Paz? Eu tenho paz para trabalhar? Acha que o Leonel tem paz para trabalhar? Acha que os jogadores... acha que os jogadores que conquistaram aquele... que conquistaram o que conquistaram no último ano têm paz quando jogam em Alvalade?»

 

«As pessoas não são burras. Os sportinguistas não são burros. Os sportinguistas sabem distinguir o protesto genuíno do protesto meditado. Do protesto premeditado, desejado. Do protesto de pessoas que preferem o caos, que preferem dividir para reinar. De grupos que preferem que as coisas corram mal para manter as coisas como estavam.»

 

«Preferem dividir para reinar. E isto é uma política autodestrutiva. E até são burros, porque no dia em que [es]tiverem lá vão perceber que o clube está dez vezes pior! E vão provar do veneno que [es]tão a cultivar.»

 

«O Sporting vem de duas décadas... duas décadas... a história do Sporting vem... de esqueletos... de pessoas que torcem... torcem.. que desaparecem nas vitórias e que aparecem nas derrotas... que aparecem nas derrotas.»

 

«Não é num ano, não é em dois, não é em dois, que se vai apagar este gap, este fosso. Não é, não é, não é, não é, não é, não é, não é.»

 

«Nós acreditamos... com Silas... com Silas... com a qualidade deste grupo, vamos recuperar da época que demos no início da época.»

 

«O Silas... Silas... Silas... Silas... é treinador do Sporting. E é um treinador escolhido... escolhido por nós. Escolhido por nós. Por nós. Silas... Silas... Silas... Silas... Silas tem que fazer a equipa crescer. E sabe disso. E vai-o fazer. E vai-o fazer.»

 

«Nós cometemos vários erros. Vários. Vários.»

 

«Nós estamos a cavar as fundações. E não é fácil ter de tomar estas medidas. Porque muitas medidas não se vêem.»

 

«Eu não tive culpa do abandono que a formação sofreu nos últimos cinco anos. Eu não tenho nenhuma varinha mágica para hoje fazer assim e um miúdo de 16 anos passar a ter 21!»

 

«O insulto... o insulto... aquelas pessoas insultarem ou dizerem que eu sou o maior, é indiferente para mim. Vale zero. Vale zero! Vale zero! Vale zero! Vale zero! Insultarem-me vale zero!»

 

Frederico Varandas, esta noite, em entrevista ao Jornal da Noite da SIC

«Um clube de malucos»

«Ao despedir Keizer, procurámos um treinador português e com um grande currículo europeu. Tentámos. Um mostrou que desejava ter projectos onde pudesse lutar pela Champions. E outro também recusou e até me disse: "Gabo muito a sua coragem, gabo muito a sua paciência, mas eu não tenho a mesma para aturar um clube de malucos, como é o Sporting. Isto [sic] é a visão que muitos treinadores têm hoje do Sporting.»

 

Esta foi a primeira resposta de Frederico Varandas, há minutos, na entrevista ao Jornal da Noite da SIC.

Ouvi isto e confesso: nem queria acreditar. Como é que se diz tanta asneira em tão poucas palavras?

 

Com esta declaração, Varandas admitiu que:

1. Silas esteve muito longe de ser a primeira escolha - foi "apenas" a última;

2. Não faltam treinadores que recusam convites do Sporting (o facto de ter havido seis técnicos no último ano e meio em Alvalade não ajuda, certamente);

3. O Sporting é «um clube de malucos», na definição de um desses treinadores «com grande currículo europeu» (José Mourinho?) agora difundida de modo insólito pelo próprio presidente da SAD leonina, parecendo imitar Coates na marcação de um autogolo;

4. Torna públicas, em entrevistas televisivas, conversas do foro privado;

5. Dialoga com treinadores que insultam o clube enquanto lhe chamam corajoso a ele;

6. O Sporting não luta por um lugar na Champions;

7. Silas, muito provavelmente, é «maluco».

 

Verdadeiramente inacreditável.

Palavras sábias de Aurélio Pereira

Excelente, a entrevista hoje publicada no jornal A Bola com Aurélio Pereira, o maior descobridor de talentos da história do futebol português. Incluindo dois jogadores distinguidos com a Bola de Ouro - Luís Figo e Cristiano Ronaldo.

Actual conselheiro para a formação leonina, esta figura quase mítica há meio século ligada ao nosso clube faz muitas afirmações que merecem destaque e reflexão.

Deixo aqui alguns trechos, com a devida vénia. A entrevista foi conduzida pela jornalista Marta Fernandes Simões, que aproveito para felicitar.

 

.............................................

 

«O foco é no jogador e nos seus comportamentos; o acompanhamento, quer social, quer escolar, somos nós que fazemos. Isso é um trabalho altamente complexo. Tomar conta dos filhos dos outros é muito pior do que os nossos. Temos de estar preparados para isso.»

 

«Há duas coisas que têm de caminhar lado a lado: o recrutamento e a área técnica. São dois pilares de uma academia, sem esses pilares conscientes não há trabalho de nível tão elevado. Temos nesta altura essa simbiose, está a crescer dia a dia. Falamos a mesma linguagem. O novo director técnico, o Miguel Quaresma, tem sido um homem certo no lugar certo.»

 

«Em 1988 iniciei um trabalho de recrutamento. Todos estes jogadores que estavam na selecção dos campeões europeus vieram para o Sporting aos 11/12 anos [Rui Patrício, Cédric, Fonte, William Carvalho, Adrien, João Mário, Moutinho, Nani, Quaresma e Ronaldo], foram precisos 30 anos para que isso acontecesse. E fartámo-nos de trabalhar. Essa malta veio para aqui aos 11/12 anos. Um do Algarve, outro de Arcos de Valdevez...»

 

«Temos um jogador fantástico e a partir da altura em que começam a aparecer empresários, pais para aqui e para acolá, a cabeça deixou de pensar. (...) É muito doloroso ver partir jogadores que ficariam por aqui se não fossem mal aconselhados, Joelson é um miúdo que está a crescer, é preciso algum cuidado.»

 

«Raramente um jogador que traz o pai para empresário, o que acontece também com o Neymar, dá certo. Porque a vontade que ele tem é de ganhar dinheiro primeiro que os outros. Os maus conselheiros, o pai quando se está a discutir contratos, é uma coisa impressionante.»

 

«Do Ronaldo esperamos tudo. Porque o Ronaldo já não é talento. É supertalento. É um jogador que nunca está satisfeito. Há dias mandei-lhe uma mensagem, de parabéns por um jogo, e a resposta dele foi "Estou top." Esta sempre top...»

 

«Daqui [pescoço] para baixo os jogadores são todos iguais. Daqui para cima é que são diferentes. Cabecinha. Paixão pelo treino, pelo jogo, pela profissão. São três coisas de um jogador deste nivel e ele [Ronaldo] ainda tem paixão pelo treino. Vejo quando ele está a jogar, ainda com a Lituânia, num momento ou outro, com os pés ainda faz aquilo que fazia quando tinha 12 anos.»

 

«No pólo EUL trabalhamos miúdos dos seis aos 13. São 190. É ali que tudo começa e ali apercebemo-nos que os prodígios de futebol são tudo miúdos africanos, os nossos irmãos africanos. É o futebol de rua que está a regressar aos bairros. Sem o futebol de rua não há jogadores fantásticos.»

 

«Aos 13 já há empresários a ver... começam logo cedo a serem pressionados e os pais depois vão atrás e é uma situação chata. Temos de ter cuidado naquilo que dizemos aos miúdos. Auto-estima e disciplina são fundamentais.»

 

«Hoje, qualquer miúdo com sete anos tem um empresário. É extraordinária a dificuldade que nós temos. Desde que tenha empresário e bom telemóvel, está tudo arrumado. Nós é que sofremos na pele. Pessoas que não têm dignidade, que levam jogadores para o estrangeiro que sabem que vão falhar na carreira. Raramente há um jogador que sai daqui aos 16 ou 17 anos que vá ter sucesso.»

 

«As pessoas de fora falam de formação mas não têm a mínima noção do que trabalhamos aqui, nomeadamente no acompanhamento dos jovens residentes. Foi o que fizemos e continuaremos a fazer.»

 

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