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És a nossa Fé!

Faz hoje um mês

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Faz hoje um mês, o Sporting virou a página. Afundava-se num abismo de consequências imprevisíveis, com um presidente totalmente descontrolado, que viu dezenas de elementos da principal claque do clube assaltarem e destruírem instalações da academia em Alcochete, agredindo jogadores e elementos da equipa técnica em lamentáveis imagens que deram a volta ao mundo, enquanto ele encolhia os ombros, declarando que fora «chato», e rumava a um jantar num restaurante fino da capital.

Dias depois, com a mesma impotência resignada e negligente, via nove elementos do plantel leonino rescindirem contrato por decisão unilateral, alegando justa causa. E começava a ver desmoronar-se o elenco dos órgãos sociais que haviam sido eleitos apenas um ano antes.

Tudo isto enquanto tentava por todos os meios impedir a expressão da vontade dos sócios em assembleia geral - recorrendo até à designação de uma putativa "Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral" não prevista nos estatutos, em flagrante violação da legalidade, em alucinada fuga para lugar nenhum.

 

Para azar dele, e para bem do nosso clube, a vontade dos sócios fez-se mesmo ouvir. E de forma inequívoca, na reunião magna do Pavilhão Atlântico, ocorrida a 23 de Junho. Resistindo corajosamente à turba que ali se instalou durante largas horas para injuriar todos os membros da Mesa da Assembleia Geral e diversos sócios, numa clara manobra de intimidação felizmente condenada ao fracasso.

Ao fim da noite, confirmou-se aquilo em que muitos de nós acreditávamos: Bruno de Carvalho foi destituído nessa assembleia revogatória - algo inédito na centenária história do Sporting. Por 71,36% dos votos recolhidos nas urnas, tendo a seu favor apenas 28,64%.

Perdeu de goleada.

 

Na véspera dessa data memorável, escrevi aqui estas palavras: «É o momento de votar. Para destituir o responsável pelo maior descalabro da história do Sporting. Por eleições imediatas para todos os órgãos sociais. Por uma auditoria de gestão urgente ao Sporting. Pelo regresso inadiável da legalidade ao clube.»

Perto da meia-noite do Dia D - de Destituição - fui ainda mais sintético: «Agora há que colar os cacos. Com urgência.»

É isso que tem sido feito de então para cá. Numa autêntica missão de resgate, encabeçada por um grupo de dirigentes apostados em salvar o Sporting, com o aplauso generalizado de sócios, adeptos e simpatizantes desta grande instituição de reconhecida utilidade pública.

 

Parece ter sido há mais tempo. Mas decorreram apenas trinta dias. Tanta coisa já mudou de então para cá.

O exemplo de Mandela

No dia em que se cumpre o centenário do sócio de mérito do Sporting, recordo o filme "Invictus" onde é contada a forma como, através do desporto, já como presidente eleito e depois de tudo por aquilo que passou, conseguiu unir um país desavindo com fraturas profundas, recusando sempre o caminho da vingança. Recomendo este filme bastante inspirador, esperando que sirva de exemplo aos futuros dirigentes do Sporting, já que não serviu aos anteriores.

 

Peyroteo: o melhor de sempre

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Nasceu faz hoje cem anos: Fernando Baptista de Seixas Peyroteo de Vasconcelos, o homem-golo dos "cinco violinos". O maior goleador de que há memória no futebol português.

Vencedor de cinco campeonatos nacionais, quatro Taças de Portugal e sete campeonatos de Lisboa para o Sporting. Disputou 393 jogos com a camisola leonina em 12 épocas (1937-49), tendo marcado 635 golos (média de 1,61 por jogo, imbatível até hoje). Ao longo da carreira disputou 432 jogos marcando 700 golos (1,62 por jogo). Só no campeonato nacional de 1947/48 marcou 43 - recorde que durou mais de um quarto de século, até aos 46 golos de outro sportinguista, Yazalde, no campeonato 1973/74.

 

Fernando Peyroteo jogou vinte vezes pela selecção nacional, marcando 14 golos. É, ainda hoje, o português com melhor média de golos na selecção: 0,7 por jogo.

Outros máximos:

- É o jogador português com mais golos registados na história do nosso campeonato: 331.

- Foi ele quem mais golos marcou desde sempre num só jogo do campeonato: nove contra o Leça, em Fevereiro de 1942.

- Autor de mais golos consecutivos numa só partida do campeonato: cinco ao Vitória de Guimarães, também em Fevereiro de 1942.

- Marcou quatro golos num só jogo 17 vezes.

- Marcou cinco golos num só jogo 12 vezes.

 

Foi um dos melhores do mundo da sua geração. E só não se distinguiu ainda mais no capítulo internacional devido à II Guerra Mundial (1939-45).

Merece o Panteão, ninguém duvida.

Eleito há dois anos

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 Uma sondagem com a marca inequívoca... da Eurosondagem

 

Contrariando as sondagens feitas durante a campanha pela empresa Eurosondagem, Bruno de Carvalho era anunciado como 42º presidente leonino faz hoje dois anos. Com a equipa de futebol na pior situação de sempre, relegada para o décimo posto do campeonato, e vários comentadores futebolísticos nacionais a sagrarem já o Braga como "terceiro grande" do futebol português.

Nas declarações iniciais aos adeptos, na madrugada de 24 de Março de 2013, o novo dirigente disse uma frase que de imediato funcionou como uma espécie de linha de rumo: "O Sporting é nosso outra vez."

 

A primeira reacção aqui no blogue veio do José Manuel Barroso. Com estas palavras: «Um sonho de menino, um projeto de vida, um trabalho ciclópico, um Sporting dividido e frágil - passado e futuro. Uma responsabilidade imensa. Até Julho, estado de graça. Primeira reação do novo presidente: comedida, palavras sensatas. Reação de [José] Couceiro: sportinguismo. Reação de [Carlos] Severino: "ponho tudo do meu programa ao serviço do Sporting" - bonito e que pena não ter sido assim sempre. Um presidente para todos os sportinguistas e para todo o Sporting. Bruno de Carvalho sabe bem que isso vai ser vital. Parabéns.»

A segunda veio do Tiago Loureiro e foi assim: «É a primeira vez que o digo em toda a minha vida: o meu Presidente. Amo-te Sporting!»

 

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A vitória, no entanto, não foi oficialmente confirmada nesse dia. Porque, embora com mais sete mil votos do que o seu principal antagonista, José Couceiro, o indigitado sucessor de Godinho Lopes teria ainda de aguardar mais 48 horas pelo apuramento dos votos por correspondência. Sem esperarem pelo veredicto definitivo das urnas, alguns comentadores ferozmente antibrunistas apressaram-se logo nesse dia a lamentar a legítima opção dos sócios, declarando que Bruno de Carvalho jamais os representaria e antevendo um destino negro para o clube. Num sintoma evidente de mau perder.

Reacções localizadas que não se confundiam com a sensação de júbilo maioritária entre os sportinguistas por esta saudável jornada de participação democrática. E que procurei de algum modo resumir nestas linhas: «Bruno de Carvalho é o novo presidente do Sporting - o meu presidente também. Um clube que é dos sócios e não de nenhuma clique. Cumprimentado de imediato com fair play pelos candidatos derrotados, personifica um novo ciclo que arranca sem demora. Agora há que começar a edificar o futuro em Alvalade. Unidos como nunca. E sem olhar para trás.»

Cherba, 20 anos depois

 

Apesar do trauma que foi a temporada 2012/2013, por muitos considerada a pior época de sempre do Sporting, pessoalmente, houve uma época que me deixou ainda mais marcas. Falo da temporada de 1993/1994. 

Tinha 10 anos, e do meu grupo de amigos e colegas de escola, era o único que ainda não tinha visto o seu clube campeão. «O Sporting nunca chega ao Natal», era sentença que gostavam de me atirar à cara com frequência.

Até que, de repente, um senhor inglês com ar de avôzinho simpático, e que falava um português muito engraçado, pôs a "jogar à bola" aquela que, na opinião de muitos, e na minha também, foi a melhor equipa do Sporting dos últimos 20 anos: dos campeões mundiais sub-21 Nélson, Paulo Torres, Capucho, Luís Figo e Peixe, bem como o melhor marcador desse mundial Cherbakov, passando por Paulo Sousa, Cadete, Valckx, Balakov, Iordanov e Juskowiak. Que equipa!

O Sporting nessa temporada chegou ao 1.º lugar, a jogar o melhor futebol, e era uma equipa imbatível. O mito do Natal mostrava-se, manifestamente, exagerado. 

Pela primeira vez na vida, deparava-me com um Sporting que vencia e convencia, e que se revelava a equipa melhor preparada para conquistar o tão desejado título que lhe fugia para mais de 10 anos.

Até que um jogo mal conseguido na Áustria, onde de uma situação de 2-0 na 1ª mão, o Sporting vê-se eliminado da taça UEFA, origina o impensável: a demissão do treinador! José Eduardo Bettencourt não o poderia ter descrito melhor: foi uma precipitação à Sporting!

Com treinador despedido, que o rival nortenho, rapidamente, trataria de aproveitar a seu favor (com as consequências que se conhecem...), e ainda a digerir uma eliminatória perdida de forma incrível, eis que somos surpreendidos com mais um acto da tragédia que se apoderara de Alvalade: um brutal acidente de viação atira Cherbakov para uma cadeira de rodas!!!

“Cherba” era um dos meus jogadores favoritos da equipa. Não só jogava muito à bola, como tinha uma forma especial de marcar os golos: saíam sempre "golaços". Era um jogador que prometia muito na equipa do Sporting.

O trágico final da sua carreira, no espaço de poucos dias em que o Sporting é eliminado das competições europeias e o treinador despedido, constituiu um duro golpe para a equipa e para o trajecto que vinha fazendo, e que não mais voltou a ser o mesmo.

Ontem assinalaram-se 20 anos desde o horrível acidente que interrompeu, de forma definitiva, a promissora carreira de Cherbakov. Perdeu-se um grande talento, um grande jogador, e um campeonato. Salvou-se a sua vida, no que é o mais importante, afinal de contas.

Mas ninguém me tira da cabeça o que teria sido o Sporting nesse campeonato, e nas épocas seguintes também, se Bobby Robson não tivesse sido despedido precipitadamente, e Cherba não tivesse tido o acidente… 

Faz amanhã um ano

 

A melhor maneira de percebermos como estamos é recordarmos de onde partimos. Vem a isto a propósito de uma lamentável efeméride que assinalo aqui só para combater algum possível caso de amnésia: faz amanhã um ano, o Sporting perdia 3-0, na Hungria, humilhado perante o modestíssimo Videoton. Um jogo de triste memória que começou a ditar o prematuro afastamento do nosso clube da Liga Europa e pôs fim ao breve consulado de Sá Pinto como técnico principal (o segundo de quatro com Godinho Lopes).

Desse onze que se arrastou em campo constavam Gelson Fernandes, Boulahrouz, Pranjic, Izmailov, Jeffrén, Labyad e Valentín Viola -- entretanto dispensados ou excluídos do plantel principal do Sporting. Jogaram também Wolfswinkel e Schaars, ambos igualmente já fora de Alvalade.

Capel ficou em Lisboa, Cédric e Insúa mantiveram-se no banco. Adrien entrou a meia hora do fim, quando o resultado já estava estabelecido.

Convém não esquecer este pesadelo. Para evitar repetir os erros cometidos. Agora e no futuro.

 

ADENDA - O que escrevi sobre o jogo, logo após ter terminado, em 4 de Outubro de 2012.

{ Blog fundado em 2012. }

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