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És a nossa Fé!

Joguem à bola, pá!

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Não perdemos, mas foi a pior exibição do Sporting esta época - exceptuando o jogo em Alverca, de péssima memória, que nos afastou da Taça.

O Rio Ave-Sporting terminou apenas com dez da nossa equipa em campo, devido à expulsão (mais uma) do capitão Coates, e um sofrido empate 1-1 graças a um penálti aos 84' bem convertido por Jovane, um dos raros que fugiram à mediocridade.

 

Para se perceber melhor como foi confrangedora a exibição dos pupilos de Silas, vou descrever aqui, detalhadamente, quatro minutos terríficos em que o onze das riscas horizontais - um Sporting quase irreconhecível - acabou por ser protagonista pelos piores motivos.

 

Minuto 2

Filipe Augusto faz um cruzamento longo, da ala direita, a variar o flanco ofensivo. Ristovski, na sua zona de cobertura, falha o tempo de salto permitindo a Al Musrati cruzar para a área. Piazón, totalmente solto à boca da baliza, mete-a lá dentro. Coates estava junto ao primeiro poste, no segundo não havia ninguém. O estático Eduardo Henrique deixou-se antecipar por dois rivais, que baralharam marcações, e Neto limitou-se a ver.

Não tinha ainda decorrido minuto e meio de jogo e já perdíamos em Vila do Conde.

 

Minuto 27

Bolasie, sentindo-se bloqueado na ala direita do nosso meio-campo, atrasa para Ristovski e este endossa a Coates, que lateraliza para Neto. Este tenta progredir mas prefere devolver ao uruguaio, que deixa em Eduardo, com Ristovski desmarcado lá adiante. O ex-Belenenses toca a bola para Idrissa Doumbia, que logo a devolve. Eduardo deposita-a então em Neto, que avança três ou quatro metros antes de deixar em Idrissa, que não tarda a passá-la a Coates, como se ela lhe queimasse as chuteiras. Sem progredir com a bola, o capitão toca-a para Eduardo, que dá para Idrissa. Este, sempre de costas para a baliza, deposita-a nos pés do uruguaio, que volta a tocar para Neto, que torna a despejar para Eduardo.

Com tudo isto passou um minuto inteirinho. O Sporting perdia por 0-1 e mostrava-se incapaz de avançar no terreno.

 

Minuto 34

Neto atrasa para Max, que entrega com o pé a Eduardo. Este, colocado no corredor central, toca para Ristovski, que a restitui ao guarda-redes. Max passa a bola a Neto, que volta a confiá-la à guarda de Eduardo. Incapaz de progredir, o médio que veio de Belém devolve-a a Neto, que a entrega a Camacho, entretanto recuado na ala esquerda. Camacho roda e repõe em Neto, que logo volta a depô-la em Max. O guardião toca para Eduardo, que trota uns metros com ela mas ainda na meia-lua do nosso meio-campo deposita-a nos pés de um adversário. Rápida ofensiva vilacondense conduzida por Nuno Santos, solto no lado esquerdo, com Ristovski perdido lá na frente e Wendel incapaz de fechar o corredor.

O Sporting continuava a perder, mostrando-se totalmente incapaz de uma atitude competitiva. Havia "posse de bola", sim, como Silas tanto gosta. Mas não servia para nada.

 

Minuto 76

O Sporting, ainda a perder, precisa de procurar o empate. Borja, junto à linha já no meio-campo adversário, não consegue melhor do que atrasar para Neto. Este lateraliza para Ristovski, colocado junto à linha divisória do terreno. O macedónio coloca em Wendel, que atrasa para Battaglia. O argentino passa a Borja, que atrasa para Neto, no nosso meio-campo defensivo. O português toca para Wendel, que logo a devolve. Depois coloca-a em Plata, que devolve também. Neto volta a pô-la em Wendel, que insiste em atrasá-la no corredor central, parecendo alheado de qualquer desígnio atacante. Metro a metro, a equipa vai recuando. Neto ensaia então um passe longo, esticando a bola para Sporar, que não consegue dominá-la.

Perdeu-se mais um minuto, perdeu-se mais um lance que se pretendia ofensivo.

 

Para mais tarde recordar

Lembro qual foi o onze inicial escolhido por Silas para este jogo: Max; Ristovski, Coates, Neto, Borja; Idrissa, Eduardo, Wendel; Camacho, Bolasie, Sporar.

Sete destes jogadores já foram contratados pela actual administração da SAD.

Incapacidades

Penso que é o termo certo para definir o estado actual do futebol do Sporting, uma incapacidade física, uma incapacidade anímica, uma incapacidade de marcar golos, uma incapacidade de chegar ao fim e não ter um jogador expulso ou um jogador precocemente substituído por receio de ser expulso.

Não acho que Keizer, especialmente reconhecendo as conquistas da época passada e o desempenho da equipa na altura, seja o principal ou único responsável pela situação, a novela da saída de Bruno Fernandes e a chegada tardia dos jogadores das selecções são questões bem difíceis de gerir, mas a verdade é que Keizer tem falhado em aspectos críticos, como sejam a questão física (a equipa acabou mais uma vez de rastos), a organização defensiva que teima em não ter um trinco assumido e assentar numa pressão alta que conduz a faltas e a cartões, a de encontrar um modelo de jogo que valorize o artilheiro do plantel, a de ter uma equipa eficaz nas bolas paradas ofensivas e defensivas.

Mas há coisas que não dependem de Keizer. A formação tem a qualidade que tem, e hoje Thierry Correia mostrou as suas limitações, os reforços têm a qualidade que têm, e hoje Eduardo e Vietto demonstraram isso mesmo. O plantel continua a ter um deficit pronunciado de quantidade de qualidade, e precisava de 2-3 reforços a sério (nada que ver com Viettos) para poder ter ambições ao título. 

A começar por um n.º 6 de topo. Custa a entender como começamos a época sem um jogador no plantel com essas características. Jogamos com um ou dois médios de construção que recuam quando necessário. Não tem nada a ver, que o digam Coates e Mathieu.

Reconhecendo esta incapacidade traduzida num péssimo arranque de época, Keizer está do lado do problema ou da solução? 

Sinceramente vejo um Keizer cansado e desiludido, muito contido para não falar claro e dizer tudo o que lhe vai na alma, e parece cada vez mais um problema dentro do problema que é o futebol do Sporting.

Bas Dost tem de jogar e marcar golos. Ponto. Com Keizer ou sem ele.

SL

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