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És a nossa Fé!

Em pulgas

São agora 22:23H e estou aqui em pulgas, aguardando a decisão do ministério público, se vai tudo a julgamento no E-toupeira, ou se fica tudo em águas de bacalhau.

Pela quarta vez em pouco mais de um mês.

Ou compro  um insecticida, ou morro de sarna!

Esta coisa estranha da justiça

O ministério público, após investigação da polícia judiciária, viu-se na obrigação de proceder judicialmente contra a Benfica SAD e alguns dos seus administradores e funcionários, sendo o mais destacado Paulo Gonçalves.

O comum dos mortais, benfiquistas com dois dedos de testa incluídos, acham muito bem que a haver ilícito, o assunto vá a julgamento e a haver culpa, que os culpados sejam exemplarmente condenados.

Não deixa no entanto de haver algo de caricato neste assunto: A PJ chegou a este caso, muito por culpa de uma ilegalidade, que foi a violação de caixas de correio electrónico e divulgação de e-mails que as autoridades acharam comprometedores e com força suficiente para os levar a julgamento. Ou seja, provavelmente sem a divulgação das centenas de e-mails, fruto de uma actividade ilegal, nunca se chegaria ao ponto em que nos encontramos, prestes a condenar uma prática ilícita que durante anos vingou, com o intuito, conseguido, de elevar o Benfica ao topo do futebol em Portugal.

E agora há um mandado de captura contra o indivíduo que violou as contas de e-mail da Benfica SAD e de alguns dos seus administradores e colaboradores. 

Ou seja, o que o hacker fez está tipificado como crime e como tal deve ser presente à justiça, mas por outro lado a sua actividade ilícita permitiu que se construísse um caso, pelos vistos com pernas para andar, contra uma sociedade anónima desportiva e alguns seus dirigentes, que pode levar à descida de divisão e perda dos títulos que, a provar-se, ilicitamente conseguiu.

Perante este verdadeiro imbróglio, a minha dúvida é: Será que a PJ procura o rapaz para lhe dar emprego?...

Toupeiradas

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Quando eu era miúdo havia na minha terra, no tempo da ditadura e de grande miséria, outros que, coitados, não tendo os pais posses para lhes comprarem um par de sapatos decente, guardavam o que tinham, feito pelo sapateiro da terra com solas de rasto de pneu e gáspeas de serrubeco ("sarrueco" naquelas bandas) para usarem de inverno, quando o chão estava gelado que queimava e o acto de ir à escola era suavizado por duas pedras de seixo que haviam ficado nos  restos da lenha do fogo e que viajavam enrolados em trapos dentro de cada um dos bolsos, bastante puídos as mais das vezes, das calças aos remendos. Não estou a efabular, eu felizmente não fui vítima desta "apagada e vil tristeza", mas convivi bastante chegado com quem foi. Ora esta rapaziada, logo que chegava a Primavera e a  geada deixava os caminhos, usava o seu calçado de "eleição", pés descalços pois então, que sandálias era um luxo a que não chegavam e de quando em vez, nas correrias pelos campos fora, ou nas grandes peladas do futebol do muda aos cinco e acaba aos dez, lá acontecia uma enorme topada e lá ficava a desgraçada da vítima incapacitada para uns largos dias das férias de mais de três meses.

Mas isto tem a ver com o quê, perguntarão e muito bem. Pois havia um daqueles miúdos, um pouco desastrado para o jogo da bola e mais propenso a chutos no chão, que volta e meia mandava uma "toupeirada" (na sua concepção) no chão de tal forma que, desgraçado, andava sempre de dedão entrapado. Curiosamente aquele miúdo é hoje um belo electricista de automóveis, profissão que começou a aprender aos catorze anos logo depois de concluir a 4.ª classe aos onze e ter "estagiado" três anos nas obras, alombando com baldes de massa de vinte quilos às costas sobre andaimes cuja sustentabilidade era mais ou menos comparável à situação do Benfica no caso, precisamente e nem a propósito, apelidado de toupeira. Este "miúdo" é benfiquista, é meu amigo e as suas "enormes" actuações nos derbis de rua em que a cada muda aos cinco e acaba aos dez ele era um dos seus ídolos dos encarnados, o Eusébio, quase sempre e apesar da falta de jeito, o Coluna, o Jaime Graça que "era" tantas vezes por coincidência de apelidos e até o Zé Henriques, quando um dos dedos andava entrapado e tinha que ser remetido para o "infame" lugar de guarda-redes, este miúdo hoje homem feito com quase sessenta anos, meu amigo, benfiquista, não merece que o seu clube do coração lhe faça esta sacanice.

Porque falo disto? Precisamente porque este foi um desabafo do meu amigo, um destes dias quando fui a Tomar, à aldeia, à volta dum petisco e dum belo tinto. Foi aí que me lembrei das suas "toupeiradas" e a resposta foi "mas aí era a brincar, ó Edmundo, isto envergonha qualquer benfiquista que se preze."

Haverá muitos como ele e com o mesmo sentimento. 

Pataca a ti, pataca a mim

Não bastava ter promovido o antigo administrador da Benfica Multimédia, Vitor Pataco, e ex-vice presidente do IPDJ a presidente deste instituto e que segundo Augusto Baganha escondeu processos relativos às claques do Benfica (debaixo dos papeis da última gaveta da secretária, direi eu), nomeou o governo para vice-presidente uma indefectível benfiquista dos quatro costados, Sónia Paixão, vereadora sem pelouros do Partido Socialista em Loures, que deixou o cargo de directora do desporto da câmara de Lisboa, para se mudar para o IPDJ. Curiosamente Pataco já havia estagiado no mesmo cargo na mesma câmara de Lisboa. Boa rampa de lançamento, pelos vistos.

Depois das notícias recentes no Record de que também os computadores do IPDJ foram acessados indevidamente com o intuito de saber sobre processos do Benfica, provavelmente assim não será preciso recorrer ao ciber-crime para se saber de processos do "toupeirame". Provavelmente até deixará de haver processos. Digo eu...

O futuro foi ontem!

Vi ontem, com atenção, o debate entre os candidatos à presidência do nosso clube. Não vou sintetizá-lo, escrever o que penso sobre cada um, ou sequer afirmar publicamente o meu apoio a qualquer um deles. O objectivo, hoje, é ligeiramente diferente.

Para mim ficou ontem claro (talvez já o tivesse percebido, mas não daquela forma tão límpida) qual a grande justificação para o fenómeno de balcanização do nosso futebol. E parece-me também evidente que a generalidade dos candidatos também o percebeu.

O futebol mudou muito nas últimas duas décadas. É evidente, o futebol sempre foi um desporto de massas e apaixonante, capaz de arrastar multidões e de movimentar muito dinheiro. No entanto, a Lei Bosman (de 1995), a substituição da Taça dos Clubes Campeões Europeus pela Liga dos Campeões, a compra de clubes europeus por multimilionários, a trasmissão mundial de todas as competições, a aceleração da globalização, o desenvolvimento da Internet e das redes sociais amplificou de forma exponencial o negócio futebol. Hoje o futebol é uma das maiores indústrias do mundo e os seus intervenientes são figuras globais, geradores de fluxos de capital extraordinários. No entanto, apenas alguns, muito poucos, fazem parte dessa elite. Uma elite que está espalhada (principalmente) nos principais campeonatos europeus (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália). Quando observamos a lista dos vencedores da Liga dos Campeões, o último que não pertenceu a um destes cinco campeonatos foi o F.C. Porto quando ganhou em 2003/2004. Mesmo no que ao campeonato francês diz respeito, o último campeão que produziu foi o Marselha em 1992/1993. A ideia de que pode haver um vencedor da Liga dos Campeões fora de um destes campeonatos é, hoje, quase um absurdo.

Estes cinco campeonatos são de países muito populosos (o menos populoso é a Espanha, mas ainda assim tem dois super clubes que extravasam a realidade espanhola) e extraordinariamente ricos. E por isso, os seus clubes têm orçamentos multimilionários, na ordem nas muitas centenas de milhões de euros por ano. Por conseguinte, conseguem contratar os melhores jogadores (Lei Bosman) e os melhores treinadores. A moderna Liga dos Campeões (devido à quantidade de dinheiro que gera e movimenta) veio amplificar esta realidade. Não há espaço para cento e cinquenta grandes clubes na Europa, apenas para uns dez ou quinze. Um pouco à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América com a NBA, a NFL ou a NHL.

Porque é que isto é importante para Portugal e para aquilo que se passa com o nosso futebol? Neste momento, no início de Agosto, Portugal tem apenas três equipas a participar nas competições europeias de clubes: Porto e Benfica na Liga dos Campeões e Sporting na Liga Europa. Braga e Rio Ave foram já eliminados. Ora, todos sabemos que a Liga Europa é a segunda divisão das competições europeias de clubes e que a diferença de dinheiro envolvido em comparação com a Liga dos Campeões é abissal. Daí a importância de participar na Liga dos Campeões. Não participar significa cavar um fosso cada vez maior em relação aos grandes clubes europeus.

Este é, estou em crer, um dos grandes motivos para a balcanização do nosso futebol. Ganhar, nos dias de hoje, não representa apenas a soma de mais um troféu para os museus. Representa a sobrevivência dos clubes (que estão brutalmente endividados). E para ganhar - pelo que temos visto nos últimos anos - vale tudo! 

É por tudo isto que, ao contrário do que tenho visto nos últimos dias a propósito da discussão sobre a acusação ao nosso maior rival no caso e-toupeira, que não considero absurdo (isto, sem conhecer, de forma rigorosa o teor da acusação e sem ignorar que o Benfica tem agora direito a apresentar a sua defesa e que o Ministério Público tem o ónus de fazer a prova) que o Benfica possa vir a condenado ao nível desportivo. A ser demonstrado que a SAD tinha conhecimento do conteúdo de processos judiciais que envolvem o próprio Benfica e os seus rivais, bem como informações sobre a vida de árbitros de futebol e que corrompeu funcionários judiciais para obter essa informação, não acho impossível que daí decorram sanções desportivas.

Mas, e finalmente, outro dos motivos para que valha tudo é a ausência de sanções. Todos conhecemos o conteúdo do processo Apito Dourado. Basta procurarmos no Youtube e podemos ouvir as escutas do processo. Não houve qualquer consequência. A ideia que transparece é a de total impunidade. Muitos pensarão: se não há penalização, porque não prevaricar?

Os candidatos à presidência perceberam o problema. Não sei é se têm uma solução para ele. Aliás, nem sequer sei se este problema tem solução. É que o futuro foi ontem! E nós ficámos fora dele!

Voar voa, mas voa baixinho...

Há eleições no Sábado, eu sei, mas isto não pode passar em claro:

 

https://sicnoticias.sapo.pt/desporto/2018-09-04-Tudo-o-que-o-Benfica-ridicularizou-afinal-era-verdade

https://sicnoticias.sapo.pt/fb-instant-articles/2018-09-05-Benfica-em-risco-de-ficar-fora-das-competicoes#

https://sicnoticias.sapo.pt/especiais/operacao-e-toupeira/2018-09-05-As-reacoes-a-acusacao-do-Ministerio-Publico-no-caso-e-toupeira

https://sicnoticias.sapo.pt/especiais/operacao-e-toupeira/2018-09-05-O-Benfica-tem-reagido-muito-mal-a-esta-situacao

Revista de imprensa

 

Observador: «Benfica já foi notificado: SAD acusada de 30 crimes.»

 

Expresso: «E-toupeira: oficial de justiça foi pago com acesso ao anel VIP do Benfica.»

 

Record: «SAD encarnada responde por dois crimes e Paulo Gonçalves por 79.»

 

Rádio Renascença: «Conselho de Disciplina da FPF abre inquérito disciplinar ao Benfica.»

 

Jornal de Notícias: «Ministério Público quer Benfica fora das competições.»

 

TSF: «Benfica arrisca ser afastado das competições entre seis meses e três anos.»

 

Correio da Manhã: «Troca de 'mails' liga Luís Filipe Vieira à corrupção.»

 

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