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És a nossa Fé!

Breve alegoria sobre uma hipotética federação

Vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e seis.

Precisamente dois anos após a Revolução, o trabalho dos deputados à Assembléia Constituinte deu um fruto que é hoje o pilar da democracia em que vivemos, com mais ou menos justiça, mas isso não vem ao caso.

Este edifício jurídico veio tornar justa a relação entre o Estado e os cidadãos e estes entre si próprios, coisa que até essa altura, por via da Constituição de 1933, não existia.

De todas as alterações que esta nova Constituição trouxe, todas elas importantes sem dúvida, a que provavelmente mais talhou fundo no sentimento dos portugueses foi a consignada no Artigo 37.º, que consagra a liberdade de expressão e informação e que por ser curto, faço questão de reproduzir:

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.

4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

Não tolero que gente que à boleia dum regime que se quer igual para todos, pelo menos ao nível do tratamento perante a justiça, se arvore o direito de, com preocupantes laivos de saudosismo, pretender fazer tábua rasa do documento que deve nortear a sua actuação, mais não fosse por dever de formação. A actuação pidesca de um detentor de um cargo num órgão de uma qualquer federação desportiva ou outra, deve ser criteriosamente escrutinada à luz do número dois do artigo supra. Que o citado no parágrafo anterior tem fortes resquícios de defesa despudorada da defunta de 1933 que faleceu, não de velhice, mas por vontade do País, é notório nas atitudes e decisões que vai tomando, desde logo aceitando, como jurista que é, fazer parte de um colectivo que se rege por regulamentos que violam claramente a ordem constitucional vigente. Fosse o citado imparcial, justo e profissionalmente competente, não estivesse ele eivado de sentimentos bafientos de saudosismo e de uma profunda vaidade e talvez até de um possível ressabiamento por ter andado anos a fio a mendigar o lugarzinho que acabou por conseguir, e seria de sua própria iniciativa chamar a atenção dos clubes para a ilegalidade constitucional que são alguns dos regulamentos porque se regem. Não, não foi isso que fez, não é isso que fará. A um proto-ditador dá sempre jeito apanhar um combóio que tem por destino a estação que lhe convém.

 

 

Perder ou empatar

Não é a primeira vez que trago o tema à baila, mas ele serve, mais uma vez,  para demonstrar que o fim pretendido aquando da aplicação da grelha pontual em vigor, não passa ainda de uma ilusão. A valorização da vitória com 3 pontos, se bem intencionada e justa como compensação do desejo de vitória versus o conformismo do empate, não atingiu os seus objectivos.

Os clubes ditos pequenos continuam, jogo após jogo, época após época, a jogar para o pontinho e isso em pouco se traduz na tabela classificativa.

Vejamos,tomando como exemplo o último classificado, o Tondela: Tem neste momento 10 pontos (2V, 4E, 12D); "bastar-lhe-ia" que tivesse lutado mais um pouco pela vitória e se tivesse convertido dois dos quatro empates em vitória, teria hoje 14 pontos (4V, 2E, 12D), não seria último.

Curiosamente o clube que está a meio da tabela, o Boavista, tem um registo sui generis: 6V, 6E, 6D, 22GM, 22GS, 24 pontos. Mais média que isto será talvez impossível. Mas facto demonstrativo de que os 3 pontos por vitória favorecem quem ganha, numa grelha pontual a 2 pontos por vitória e 1 por empate, o Boavista teria apenas 18 pontos, mais um que o Rio Ave, que teria 17, apesar de ter mais uma vitória (7V, 3E, 8D). Porque tem mais uma vitória que o Boavista e menos empates, apesar de mais duas derrotas, tem hoje o mesmo número de pontos.

Por isso é que eu defendo que sob pena de o campeonato estagnar neste particular, é necessário inventar uma nova fórmula de pontuar os resultados dos jogos. A FIFA está a estudar algumas alterações, entre elas a de impedir que os jogos terminem empatados. Não sei se o caminho terá que ser por aí, sei que, aliado à recusa da centralização dos direitos televisivos, que coartou aos chamados pequenos o acesso a maiores verbas do "bolo" das televisões, logo ao acesso a jogadores mais competitivos e à formação de equipas mais bem apetrechadas e com condições de acesso a melhores instalações de treino e de competição, a não ser feito nada para penalizar o anti-jogo, continuaremos a adormecer na bancada, ou no sofá, perante espectáculos de puro tédio em que se converteram a maior parte dos jogos da Liga Portugal.

Parece-me que, em conjunto com a arbitragem, é um problema a carecer de rápida resolução.

 

A título de curiosidade, num campeonato com uma grelha de V2, E1, D0, o Sporting teria 25 pontos, os mesmos que o Braga (que hoje tem mais 1) e menos 6 que o Benfica (que tem mais 10) que continuaria a ser primeiro com mais apenas 2 pontos que o Porto (que teria mais 4 e hoje tem mais 6) e estaria precisamente no mesmo lugar, fruto da derrota em casa com o mesmo Braga, apesar da igualdade pontual; Braga que apesar de ter mais uma derrota, tem também mais uma vitória, indo de encontro ao espírito da grelha em vigor.

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