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És a nossa Fé!

Letais ao Sporting

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Num dos sítios do costume, a propósito do Lusitano Vildemoinhos-Sporting que terminou 1-4, li as seguintes apreciações à equipa leonina, todas subscritas por anónimos Letais ao Sporting, chorosos adeptos do destituído:

 

«Adormeci entre os 15 e os 35 minutos da primeira parte.»

«Parecem uma equipa de solteiros contra casados.»

«Devemos ser a equipa que marca os cantos mais ridículos no mundo.»

«Este é o Sporting manso dos notáveis…»

«Bruno Fernandes parece um jogador do distrital.»

«Jogo miserável do traidor Fernandes.»

«Fernandes está a pedir sub-23 e ser vendido em Janeiro.»

«Começo a ter saudades do Alan Ruiz.»

«O Jovane é de um nível ligeiramente inferior ao Djaló.»

«O Bas este ano é só estaleiro. É despachar em Janeiro.»

«Jefferson… Renan... B. Gaspar… Diaby… Maus de mais!»

«Estamos péssimos de guarda-redes.»

«Para quando Viviano a titular?»

«Se até o Lumor já jogou porquê não dar uma oportunidade ao Viviano?»

«O Presidente proibiu os treinadores de colocar o nosso melhor guarda-redes e estamos a jogar com suplentes.»

«Quem é aquele senhor careca acompanhado por um indonésio no banco?»

«Kaizer a cumprir com o currículo. Em Fevereiro vai de vela como foi no Ajax.»

«Devíamos ter marcado mais de dez mas o pior foi o péssimo jogo que fizemos e a vergonha do golo que sofremos.»

«"O Mundo sabe que” teve um tempo e um espaço, um estádio inteiro a cantar a uma só voz, cheio de orgulho e paixão. Hoje isso não faz sentido algum.»

«Nota negativa para já, mas não vou fazer críticas.»

 

.......................................................

 

Com "apoiantes" como estes, o Sporting não precisa de inimigos.

Esta gente precisa de tratamento

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No sítio do costume, li pérolas como estas, que passarei a citar. Escritas por ressabiados profissionais que ainda se intitulam sportinguistas mas que são incapazes de esconder um ódio visceral ao Sporting, assumindo-se como fiéis da IURB - Igreja Umbilical do Reino do Bruno:

 

..................................................................

 

«Viva o varandismo. Agora somos todos varandetes e varandistas.»

 

«Ganhou o fivelas. É uma crónica de uma vitória anunciada. Faz sentido dar uma chance ao homem mas não consigo. Vê lo a falar faz me urticária.»

 

«O varandinhas lá comecou o mandato a perder. não era de esperar outra coisa, mas é realmente uma desilucão (sic). As leoas mereciam melhor.»

 

«Depois de jogadores, agora temos um presidente que rescindiu com o clube e voltou com um ordenado bem maior.»

 

«Roma paga a traidores… Mas não te esqueças que no circo todos eram jogados aos leões.»

 

«Nunca mais terei de volta o meu orgulho de Sportinguista… porque agora conheço de que massa são feitos os Sportinguistas. Neste momento quem se diz do Sporting causa-me desconfiança.»

 

«Juntar-se ao Varandas é juntar-se a quem destruiu o clube, a quem irá vender a SAD, a quem se aliou aos nossos rivais, a quem tanto prejudicou o clube…. juntar-se ao Varandas é para os bananinhas do novo sporting.»

 

«A pressa na investidura é precisamente para agilizar tudo, para que BdC, mesmo que consiga a reversão, não consiga impedir as negociatas todas que já foram, e ainda serão, levadas a cabo. O varandas é apenas um peão, na mão do sobrinho, do ricciardi, do mendes, etc.»

 

«Bruno de Carvalho é o legítimo Presidente do Sporting, afastado de má fé por uma súcia de oportonistas (sic) que querem dominar a SAD e vender o Sporting Clube Portugal, para com isso lucrarem.»

 

«De este acto eleitoral estar ferido de nulidade que os tribunais terão de ter a coragem de declarar, não me assistem quaisquer dúvidas.»

 

«Os filhos da puta que agora pedem união são os mesmos que andaram 5 anos a dividir o clube e a denegrir tudo e mais alguma coisa.»

 

O ódio

Num dos mais populares blogues sportinguistas, a expressão do mais rancoroso ressabiamento carvalhista continua a manifestar-se ao nível das caixas de comentários.

Onde gente que se proclama simpatizante do Sporting escreve coisas sobre o nosso clube - sempre sem assinar com o nome próprio - que nem o mais fedorento lampião seria capaz de expressar na praça pública.

 

Deixo aqui apenas alguns exemplos das últimas 48 horas:

  • «Não fui, nem voltarei a Alvalade enquanto um dos tristes traidores ingratos estiver a jogar com as nossas cores.»
  • «Espero que este pesadelo termine depressa e que estes mercenários sejam vendidos já na próxima janela de mercado por um valor razoável.»
  • Não vi o jogo. À semelhança dos jogos da selecção. Ainda não arranjei espaço no estômago para ver BF em campo. Pelo que dizem, foi capitão e tudo. Há quem faça operações para reduzir o estômago. E para alargar, há?»
  • «Não consigo me imaginar sentado em Alvalade a bater palminhas à equipa como um acéfalo.»
  • «Aqueles camarotes deviam implodir tal a merda que estava lá, então o Soares Franco… the old Sporting is back.»
  • «Ver hoje as imagens dos filhos da puta que reapareceram em Alvalade mete-me nojo.»
  • «Quero é que este Xporting Sa Foda!!»

 

Por aqui se vê até que ponto Bruno de Carvalho fez mal ao Sporting. Pelas sementes de ódio viscoso e lamacento que lançou e agora germinam junto desta gente que bolça impropérios enquanto imagina inimigos em toda a parte e dispara para dentro da própria casa, torcendo por derrotas do nosso clube.

Deixaram de cultivar a insígnia «Esforço, dedicação, devoção e glória» - se é que alguma vez a tiveram - e adoptaram como lema «Quanto pior, melhor».

Que falta de nível

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Ambos viciados em Facebook, a que se agarram durante largas horas de todos os dias. Ambos sem a menor noção das conveniências, da decência, do mais elementar pudor.

Já andaram aos abracinhos. Agora que o pedestal do poder veio abaixo, tratam-se como inimigos na praça pública. Com o país inteiro - e não apenas a nação leonina - a assistir de camarote ao triste espectáculo.

 

Escreve ele: «No meu último dia na SAD, a Dra Elsa Judas entrou aos gritos no gabinete do Dr Carlos Vieira onde eu estava sentado na mesa de reuniões e, sem se aperceber imediatamente da minha presença, conversou com o então Administrador da SAD sobre quotas e uns alegados 10 mil euros... Fui apanhado de surpresa. (...)  a Dra Elsa Judas ainda procurou explicar a conversa a que eu assistira, mas o que então acrescentou, mencionando possíveis pagamentos através da empresa Plataformas S.A., cujo administrador era o Dr. José Quintela, possíveis levantamentos multibanco e putativos empregos numa universidade, aumentaram a minha confusão, tristeza e resolução.»

Escreve ela: «É triste ver a decadência dum ser humano e a sua descida ao fundo do poço da mentira para se manter à tona, refiro-me claro e tristemente a Bruno de Carvalho. Infelizmente obriga-me a fazer algo que não queria, para não o prejudicar, pela consideração que por ele tinha até hoje...e evitei; Evitei a todo o custo, apesar das insistências dos sócios, explicar a verdade, a grave verdade. Quinta feira fá-lo-ei publicamente. Só faço este post por respeito aos sócios que até hoje acreditam em Bruno de Carvalho. como eu acreditei...»

 

Que bandalheira. Que confrangedora falta de nível.

E ainda há por aí quem gostasse de os ver, a ele e a ela, em órgãos directivos do Sporting. Como se o nosso clube alguma vez devesse confundir-se com estes protagonistas de telenovela mexicana.

Quanto pior, melhor

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«Ingrato, mentiroso, desertor, bandido, merdoso, traidor.»

Bruno Fernandes, em boa hora regressado ao Sporting sem custos adicionais para o clube, é brindado com estes insultos por supostos sportinguistas em caixas de comentários como aquela que menciono acima.

Todos anónimos, grande parte deles usando falsos perfis nas redes sociais: a tropa de choque do deposto Conselho Directivo.

Fica assim demonstrado que os órfãos de Bruno de Carvalho andam de cabeça perdida. A avaliar pelo chorrilho de injúrias que dirigem ao melhor jogador do campeonato português 2017/2018, preferiam provavelmente que ele tivesse sido contratado pelo Benfica e marcasse um par de golos ao Sporting logo à terceira jornada.

Para eles, quanto pior melhor. Por isso urram de raiva com o regresso do Bruno a Alvalade. Não o Bruno que eles queriam, mas o outro - o que marca golos.

Uma carta e peras!

A carta aberta de Pedro Proença a Rui Patrício publicada no facebook é das coisas mais demagógicas que li na minha vida. Além disso, está cheia de chantagem emocional. Resumindo: um disparate do princípio ao fim.

 

«Sim, porque a tua rescisão não foi com Bruno de Carvalho nem com qualquer elemento da anterior direção. A tua rescisão foi com o Sporting» - é proibido rescindir com o Sporting? É crime?

 

«Mais ou menos como, e fazendo fé nas tuas palavras, se tivesses fugido da casa dos teus pais, zangado, e entendendo que já não tinhas condições para viver na mesma casa» - acontece a muito boa gente e raramente (ou nunca) a culpa se encontra de um só lado.

 

«Mais ou menos como se tivesses voltado costas ao passado que a tua família te deu, às histórias de cada canto da casa em que nasceste e cresceste, como se tivesses passado uma borracha em todos os momentos do teu crescimento em que os teus pais estiveram lá, para ti, nos bons e nos maus momentos» - mas que dramalhão! Este senhor já pensou em escrever guiões para telenovelas?

 

«Esperaste ser maior de idade, esperaste ter um emprego que te permitisse a independência e a estabilidade necessárias para poderes fazer face às tuas despesas… esperaste pelo momento em que já tinhas a tua mulher, os teus filhos, para evitares ficar só…» - eu diria que se trata de um rapaz muito responsável. Pior seria se saísse menor, sem emprego, nem sítio para onde ir e andasse aí à deriva. Ainda se metia nas drogas...

 

«Pensaste em ti, sobretudo em ti. Não pensaste nem nos teus pais que te fizeram como gente, nem nos teus irmãos que cresceram contigo na mesma casa» - chantagem emocional, pura e dura!

 

«E só abandonaste a casa que te viu nascer e te fez crescer no momento que entendeste» - mas algum homem que se preze (maior de idade) está à espera da autorização do pai para sair de casa e ir à sua vida?

 

«Podias simplesmente, até num gesto de humildade e gratidão, ter pedido para sair» - idem.

 

«Tenho a certeza que os teus pais, por muito que lhes custasse, ou não fosses tu o primogénito da casa - o capitão - te deixariam ir» - mas que pais tão simpáticos! Há pais destes?

 

«Bateste com a porta. E bateste-a com tamanho estrondo que sobressaltaste toda a gente e causaste estragos quase que irreparáveis no coração de quem te fez e te criou» - chantagem emocional, parte 2.

 

Ufa! Ainda bem que eu não tenho um pai assim!

Mistério

Talvez alguém consiga esclarecer-me. Por que motivo o comunicado emitido em Dia de Santo António, feriado municipal em Lisboa, pelo "porta-voz" de Bruno de Carvalho com a enumeração dos futebolistas que integram a nossa equipa A se apressou a incluir os nomes de Battaglia, Rúben Ribeiro e Rafael Leão antes de aguardar pelo fim do prazo em que os jogadores poderiam apresentar rescisões unilaterais invocando justa causa?

A pressa foi tanta, na vã tentativa de atirar poeira para os olhos dos sportinguistas, que o tal comunicado do competentíssimo "porta-voz" já estava desactualizado - e, portanto, sem préstimo algum - 24 horas após ter sido tornado público. Assim anda, cada vez mais errática apesar dos reforços entretanto recebidos, a comunicação do Sporting...

Mas o mais estranho neste comunicado é a omissão dos nomes de dois jogadores: nada consta ali sobre Iuri Medeiros nem Domingos Duarte. Será que a SAD leonina, apesar das nove baixas já registadas no plantel ainda antes do início da temporada, se dará ao luxo de prescindir destes dois profissionais formados no Sporting?

Mistério. Responda quem souber.

Agora os visados somos todos nós

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O presidente do Sporting desceu à sala da imprensa no final do jogo contra o Paços de Ferreira para criticar os adeptos leoninos. Todos. Os da bancada central, os da curva nascente, os da curva poente. Todos quantos saíram de casa nesta noite chuvosa e fria para apoiar a equipa. Com alusões rascas a quem vai "divertir-se para as rulotes antes dos jogos".

Enquanto o País ia escutando estas atoardas...

 

De caminho, foi lançando farpas também a outros membros dos órgãos sociais. Atirando assim ainda mais achas numa fogueira desencadeada por ele próprio e que ameaçam incendiar por inteiro a actual direcção leonina.

Sem uma palavra de apaziguamento, sem um pedido de desculpas, sem sequer uma referência à vitória alcançada pela equipa minutos antes no relvado do nosso estádio, sem um elogio aos jogadores que tiveram uma briosa actuação em campo apesar de se encontrarem quase todos sob a ameaça de processos disciplinares.

Numa demonstração patética - mais uma - de descontrolo emocional.

 

Torna-se cada vez mais evidente que este homem que só parece alimentar-se de conflitos e já quase ninguém defende deixou de ter condições para continuar no cargo.

Transtornado

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 Foto Reuters

 

Sinceramente, não sei quem são Pedro Paulino e Rui Morgado. O Carlos Severino, sei quem é: escutei-o durante alguns anos enquanto utente habitual da secção do desporto da TSF, que sempre gozou de merecido prestígio. Sei que abandonou o jornalismo, nomeadamente para dirigir o gabinete de comunicação do Sporting, há uns anos bem medidos. E concorreu depois à presidência do clube.

Não faço a menor ideia do presente valor eleitoral destes três sócios do Sporting. Em conjunto, não reunirão muito mais do que 1% - a percentagem que o Carlos Severino conseguiu na eleição de 2013, em que foi remetido para um distantíssimo terceiro lugar, esmagado em simultâneo por Bruno de Carvalho e José Couceiro. Num confronto eleitoral de boa memória, marcado pelo fair play e pelo diálogo entre os dois principais adversários internos, sem anular as divergências que mantinham.

 

Nesse ano, o actual presidente do Sporting ascendeu a estas funções com 53,6% dos votos alcançados nas urnas. Percentagem sábia, que os sócios leoninos lhe atribuíram, e que muito contribuiu para esse mandato globalmente positivo, sabendo-se ele sob apertado escrutínio interno. Fez-lhe muito pior a percentagem alcançada na reeleição, em Março de 2017: aqueles 86,1% subiram-lhe irremediavelmente à cabeça.

A culpa não foi dos sócios, mas do fraquíssimo adversário que Bruno enfrentou então nas urnas. Pedro Madeira Rodrigues, o blogueiro envergonhado com pseudónimo "amaricano", foi um antagonista muito inferior a José Couceiro - personalidade por quem mantenho o maior respeito e foi um digno vencido no escrutínio de 2013. Tivesse o actual presidente enfrentado na recente corrida eleitoral alguém muito mais credível do que o caricato "City" Madeira, a história destes últimos onze meses seria bem diferente.

 

Apesar de tudo, não me espanta agora que Bruno de Carvalho, na sua insaciável bulimia, pretenda ampliar a maioria dos votos alcançada a 4 de Março de 2017. A história humana está repleta destes líderes: tudo querem, tudo perdem.

O que verdadeiramente me surpreende é o palco e o tempo de antena que ele dá ao trio Paulino, Morgado e Severino. Qualquer deles, graças ao ainda presidente do Sporting, vive desde sábado um mediatismo jamais sonhado.

Isto basta para perceber até que ponto o dirigente leonino anda transtornado. Questiono-me seriamente se alguém, oriundo da pequena tribo que o rodeia, é capaz de lhe dizer com desassombro, olhos nos olhos, aquilo que ele precisa urgentemente de escutar.

Um escarro

De facto, a Liga cobre-se de rídículo e desacredita ainda mais o futebol português ao fazer aprovar articulados destes, com absurda menção à "saliva". Fazem-me lembrar a primeira vez que desembarquei em Macau, em meados da década de 80: por toda a parte, na ponte-cais, havia letreiros a dizer "favor não cuspir".

Que tal aprovarem também uma alteração ao regulamento disciplinar do campeonato proibindo expressamente a venda de droga por parte de directores de departamentos de "apoio aos jogadores"? Eu se fosse aos responsáveis do Sporting teria avançado de imediato com esta adenda. E queria ver o Benfica votar contra: dava-me algum gozo. Se é para brincar, brinquemos todos.

Quanto à interdição dos cigarros electrónicos, que de resto a legislação portuguesa já equipara aos cigarros tradicionais, não posso estar mais de acordo. Por maioria de razão, tendo o futebol a projecção social que tem, os agentes desportivos devem dar o bom exemplo.

Contra a apologia das vitórias morais

O fascínio adolescente pelas redes sociais tem levado o Sporting na era de Bruno de Carvalho a multiplicar-se em copiosos textos no facebook que nunca deviam ter sido escritos. Desde a lamentável vergastada desferida publicamente contra jogadores e equipa técnica há dois anos, quando fomos perder 0-3 a Guimarães, à recente apologia das vitórias morais que se seguiu à nossa derrota tangencial no estádio Santiago Bernabéu.

Do oito para o oitenta. Mal, nos dois casos.

No último mês, têm-se sucedido os comunicados com a chancela leonina - num verdadeiro desperdício de energia anímica, como se a gritaria mediática forjasse equipas campeãs. A verdade é que, por coincidência ou talvez não, desde aquela mensagem presidencial a enaltecer a derrota alcançada em Madrid nunca mais a nossa equipa jogou nada de jeito.

Que sirva de meditação. Ao menos isso.

Os nostálgicos de Vercauteren

Dizem-me que alguns adeptos, talvez nostálgicos de Domingos ou Vercauteren, já defendem em blogues leoninos o despedimento imediato de Mauro Silva.

A falta de memória é tramada. E a incapacidade de aprender com os erros também.

Foi por causa de adeptos como estes, capazes de exigir títulos para anteontem e de reivindicar chicotadas psicológicas para a manhã seguinte, que o Sporting só conquistou dois títulos de campeão nacional de futebol nas últimas três décadas.

O que não escreveriam eles se a nossa equipa, ainda antes do Natal, já tivesse falhado dois dos quatro objectivos traçados no início da época?

Não se enxergam

Os mesmos que criticaram a "megalomania" de Bruno de Carvalho quando disse que o Sporting era candidato ao título nacional apressam-se agora a culpar Marco Silva da nossa derrota contra o Chelsea em Stamford Bridge como se o Sporting fosse um candidato natural à vitória na Liga dos Campeões.

Megalómanos são eles afinal. E não se enxergam.

 

Os do costume

Há pouco tempo lamentavam que o Sporting tivesse uma equipa "curta", sem "um banco em condições". Agora, já esquecidos dos queixumes anteriores, protestam contra o treinador por manter Carlos Mané no banco. Sem arriscarem, nesse caso, quem deveria sair do onze-base.

São os do costume. Imaginam perceber muito de futebol mas não passam de vulgares bitaiteiros de bancada.

Os mesmos

Ando a ouvir maus augúrios desde o início do campeonato. Ainda antes de a bola começar a rolar já havia espaços blogosféricos, de verde e branco, onde não faltavam os mais negros vaticínios. Prognosticando uma época horrível para o Sporting devido à política de contratações e à gestão do plantel e sei lá que mais.

Suprema ironia: alguns que hoje dizem mal da equipa a cada vitória, por ser suada ou "sofrida", eram os mesmos que aplaudiam as derrotas da época anterior.

O que alguns escreveram sobre Montero

 

Releio a prosa elogiosa que os principais jornais especializados em futebol dedicaram a Montero após a vitória fulminante contra o Alba na Taça de Portugal. São textos que não escondem a admiração pelo atacante colombiano que em boa hora Bruno de Carvalho trouxe para o Sporting.

Escreveu A Bola, em texto assinado por Pedro Soares:

«Foi exemplo de rigor, profissionalismo e seriedade, atributos que o convocaram para uma exibição magnífica, de encher o olho, a barriga e tudo o resto. Foi letal com a bola nos pés, dentro da grande área do Alba, e quase sempre fez o que quis dos seus opositores, movimentando-se de forma furtiva entre as linhas, o que fez com que os adversários andassem muitas vezes à sua procura... sem o ver.»

Escreveu o Record, em texto assinado por João Soares Ribeiro:

«Um matador encara a sua vítima de forma fria e, na hora da estocada final, não hesita. Foi exactamente o que fez Montero frente ao Alba, onde alcançou o seu segundo hat trick com a camisola leonina. Pelo meio ainda assistiu Wilson Eduardo (1-0), Slimani (7-1) e fez o túnel que permitiu a Vítor fazer o 6-0.»

 

Não pode ser maior o contraste entre estes apontamentos jornalísticos que sublinham com inteira justiça a excelente prestação do nosso avançado e as reacções de absurdo cepticismo com que uma parte da opinião pública sportinguista brindou a notícia da sua chegada a Alvalade, no final de Julho.

Na altura, a escolha de Bruno de Carvalho foi duramente criticada em blogues que dizem ser leoninos e cujas caixas de comentários reflectem o desvario que por vezes se apodera de certos adeptos do Sporting.

Mantenho o meu arquivo sempre actualizado. E do arquivo desenterro frases como estas, então publicadas nesses blogues:

«O Ghilas é dez vezes superior a este Montero. Este dá uma comissão maior.»
«Parece um jogador mediano, penso que será mais para fazer número.»
«Ao contrário do que diziam, ele não é craque, longe disso.»
«Dado que Montero não é um jogador de área, temos aqui alguns problemas.»
«Para mim não é um verdadeiro goleador e tenho dúvidas que faça 15/20 golos numa época.»
«Troco Montero pelo Bruma, esse é craque, é o único que me vai levar a ir a Alvalade.»
«Montero não mostrou instinto goleador.»

«Não vale a pena andar a contratar por contratar, sem dinheiro muito dificilmente se consegue qualquer acréscimo de qualidade.»

«No dia em que o Bruno [de Carvalho] contratasse mesmo um jogador a sério punha o Sporting nas primeiras páginas de toda a imprensa internacional.»


Gostaria de saber o que os ressabiados que escreveram tudo isto pensarão de Montero agora. São os mesmos que diziam que o Wilson Eduardo não tinha lugar na nossa equipa principal, que o Jefferson não sabia defender e que o Bruma era absolutamente indispensável para o sucesso do Sporting na nova época.

Razão tinha Churchill quando assinalou que os maiores inimigos estão muitas vezes do nosso lado da barricada...

Asneira em dose dupla

       

 

É, provavelmente, uma questão de conflito de interesses mal resolvida. Ser administrador de uma empresa que elabora sondagens eleitorais e ao mesmo tempo apoiante declarado de uma candidatura a esse mesmo escrutínio são condimentos certos para dar asneira. Cumprindo os preceitos da Lei de Murphy, neste caso a asneira aconteceu mesmo. E em dose dupla. José Couceiro, derrotado nas eleições de ontem, só conseguiu sagrar-se "vencedor" nas sondagens da empresa desse seu apoiante, numa afirmação viva do antigo preceito "não basta querer - é preciso poder".

As sondagens falharam redondamente. Nada que não tivesse ocorrido noutras eleições, nada que não se adivinhasse nestas também. Admira-me é haver quem persista em encomendar estudos de opinião a quem é recorrente no erro, talvez confundindo desejos com realidades. Se não é, parece. E no futebol, como na política, o que parece é.

Na altura, entre as hostes de Couceiro, houve quem tivesse embandeirado em arco. Sem motivo, como agora se vê. As referidas sondagens só iludiram quem gosta de ser tomado por parvo. Vistas à distância, têm apenas a vantagem de nos fazer rir. Num clube onde o riso escasseia, valha-nos ao menos isso.

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