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És a nossa Fé!

Auditoria forense (2)

Durante as três temporadas em que orientou o Sporting, Jorge Jesus tornou-se o terceiro treinador de futebol mais bem pago do mundo na proporção do peso do seu salário (mais de 20 milhões de euros) face ao total das receitas da SAD.

Jesus recebia 6% das verbas disponíveis na SAD, sendo ultrapassado apenas por Diego Simeone no Atlético de Madrid e por Carlo Ancelotti no Nápoles (ambos com percentagens de 8%).

Por contraste, o peso dos salários de Rui Vitória no Benfica e de Sérgio Conceição no FC Porto, relativamente às receitas das respectivas sociedades anónimas desportivas, não ultrapassava 1%.

Auditoria forense (1)

Durante a sua passagem pelo Sporting, entre 2015 e 2018, Jorge Jesus embolsou mais de 20 milhões de euros. No último ano, recebeu quase o dobro do que Sérgio Conceição e Rui Vitória juntos - sem ter conseguido sagrar-se campeão nacional de futebol, ao contrário destes seus colegas de profissão. 

Jesus e a sua equipa técnica custaram, nas três épocas em que permaneceram sob contrato com a SAD leonina, cerca de 25 milhões de euros. Muito acima do que haviam custado Leonardo Jardim e os respectivos adjuntos, que auferiram 844 mil euros em Alvalade na época 2013/2014, ou Marco Silva e a sua técnica, que receberam conjuntamente 872 mil euros pelo desempenho na época 2014/2015. 

De salientar que tanto Sérgio Conceição, no FC Porto, como Rui Vitória, no Benfica, não ultrapassaram 2 milhões de euros por temporada. Apesar de ambos se terem sagrado campeões nacionais, enquanto Jorge Jesus apenas conquistou uma Supertaça e uma Taça da Liga nas três épocas em que orientou o Sporting.

 

Dados hoje divulgados pelo jornal Record, que agora, sob a direcção de Bernardo Ribeiro, revela crescente dinamismo e capacidade de superar a concorrência.

Monopólio

monopolio.jpg

 

Defeso activo, o Janeiro. Boas notícias? Serão boas notícias que Misic - que custou caro e quase nunca jogou - foi emprestado ao PAOK, com opção de compra? Que Viviano - que custou caro e nunca jogou - saiu, emprestado para um tal de SPAL, e sabe-se lá quem lhe pagará o lauto ordenado? Que Bruno César - que não sei se foi caro mas jogou bastante mas já não jogava - foi embora de vez, para o Vasco da Gama? Que Marcelo - que não custou muito caro, um mero apartamento topo de gama, e que nunca jogou - foi para os EUA, grosso modo, dizem os jornais, pela mesma quantia que custou? Que Gauld - que custou caro e nunca jogou - foi emprestado ao Hibernian (que nos deu 6-1 numa altura em que o Manaca jogava)? Que o Alan Ruiz - que custou caríssimo, e que ganha tanto que mal chegou comprou um Ferrari da cor errada, jogou pouco e agora nem joga lá pelas terras dele - foi emprestado a um clube médio da Argentina, pagando o Sporting o salário? Que um tal de Jatobá (quem?), que nem sei quem seja, foi emprestado para uma divisão qualquer do Brasil? E que o Castaignos - que custou caro e ganhou bem - foi mandado em paz, sem contrapartidas?

Serão boas notícias que o clube original do Acuña reclama uma fatia de dinheiro da transferência - sim, quase nada, um milhãozito e tal de euros, coisa pouca?  Que o caso Gelson afinal não se resolveu, apesar do presidente ser amigo dos jogadores, e torrando a carreira vai ser recambiado para o Milan, primeiro passo na direcção de um clube turco e, depois, de um qualquer oriente? Que o Ristovski - que custou algo e vai jogando - parece que vai lá para Itália? E que aquele Lumor - ao que se escreveu muito barato, meros três milhões de euros, e que  não joga - será emprestado? 

Boas notícias? A gente rejubila porque vem mais um Doumbia, barato, milhõeszitos de euros, coisa pouca. E porque vem um Filipe abstruso, que não há-de ser um Zandonaide, esperemos, e que não terá sido muita coisa, uns apartamentos apenas, desses de alugar a turistas. E por dois ou três milhões virá o Illori, que se baldou há uns anos, quando já jogava e foi para a bancada inglesa. De onde só agora saiu. 

Isto, todos os verões e agora todos os invernos, é um total absurdo. É um jogo do Monopólio, a gente a comprar a Luísa Todi e a cair na Avenida da Liberdade. Um povo sem taco a desvalorizar os milhões, como se estes se lhe fossem familiares. Quanta gente que nem mil euros mensais ganha que fala do quão barato é um Doumbia qualquer, a milhão ou dois milhões o custo do passe?

E quem não dá dinheiro para o "empréstimo obrigacionista", que alimenta esta demência estrutural? "Que vá passear", clama quem se julga moralmente superior. 

Talvez fosse interessante lembrar, todos os dias, que este Monopólio dá dinheiro a muito comissionista. E que estupidifica os jogadores. Os do Monopólio, não os futebolistas.

Todo o investimento é astrologia

Não é que interesse demasiado, mas todos os investimentos – em dinheiro, afetivos, emocionais – são investimentos de coração. E nada é garantido. Eu posso viver com uma mulher 25 anos e ela trocar-me pelo jardineiro na mesma. E posso meter o meu pé de meia em depósitos a prazo e chegar um ministro qualquer que congela o dinheiro numa sexta-feira à tarde até nova ordem. Claro que posso fingir que sou rebelde e ter o meu papá a pagar-me as contas sempre que é preciso, mas até aí o investimento não é seguro porque um dia o papá vai-se. 
Hoje no Record escreve-se que a nossa oferta de Obrigações foi sobretudo subscrita por “coração” porque os “racionais” se pisgaram todos. É irrelevante, porque dinheiro coração e dinheiro razão é dinheiro na mesma – como qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe - , mas eu diria que a probabilidade do Sporting pagar estas obrigações com a taxa de juro associada é quase de 100%. 
Os clubes em Portugal, em especial os três grandes, serão a última coisa alguma vez a fechar. O futebol é uma indústria fundamental nos direitos televisivos e nas marcas para os próximos anos. E não só aqui. Poucos ou nenhuns eventos congregam tantos públicos dos 7 aos 77 como a bola. Clubes como Benfica, Sporting e Porto, com milhões de clientes fixos (em Portugal e países lusófonos) e ainda mais milhões de clientes potenciais (em mercados tipo China ou Índia) terão sempre dinheiro para para pagar 20,30 ou 40 milhões de obrigações. Nem que tenham de lançar outras.
Isto não significa que o empréstimo obrigacionista seja bom, mau ou mais ou menos, do Varandas, do Bruno ou do Batatoon, às bolinhas ou com gelo e limão. Cinjo-me apenas ao risco em geral destas obrigações em clubes como o nosso, porquanto não me venham chatear que o Bruno é que é bom e o Varandas não faz a barba e mais não sei quê.

Deve ter sido por isso que ele desta vez quis a indemnização toda

O até anteontem técnico do Sporting foi retratado de forma magistral neste blogue, num texto antigo de José Navarro de Andrade cuja leitura eu sugiro aos nossos leitores. Farto-me de rir com as notícias de que foram o Beto e, principalmente, o Hugo Viana a comunicarem ao José Peseiro o seu despedimento, e questiono-me se o diálogo terá sido como o relatado no texto que referi.

Os lenços brancos

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Já se agitam lenços brancos, fenómeno cíclico no Sporting. Mas é de elementar bom senso que o presidente aguarde para ver o que este treinador vale com o plantel completo. Ou seja, com Mathieu e Bas Dost ifinalmente de regresso.
Frederico Varandas tem duas prioridades imediatas, ambas pelo mesmo motivo: chegar a acordo com ingleses e espanhóis sobre as rescisões de Rui Patrício e Gelson por valores considerados aceitáveis pelo Sporting e preparar o novo empréstimo obrigacionista, para que não redunde em novo fiasco.
O motivo é o mesmo: o Sporting precisa de uma robusta injecção financeira de curto prazo. Só assim a SAD leonina pode atacar o mercado de Inverno para colmatarmos as evidentes falhas neste plantel. E negociar enfim a saída de jogadores que não interessam: Viviano, Misic, Castaignos, Bruno César, Petrovic, Marcelo, Lumor, Ristovski, talvez Wendel (8,5 milhões e continua sem jogar?), provavelmente Bruno Gaspar. Já sem falar noutros casos que permanecem enguiçados, como os de Douglas e Alan Ruiz. Alguém acredita que com o actual plantel outro treinador faria muito diferente?
Altura também para trazer de volta Gelson Dala, que nesta jornada marcou um grande golo pelo Rio Ave, impondo um empate ao Braga na Pedreira - a passe de Fábio Coentrão, outro que recusámos. Passamos o tempo a disponibilizar talentos à concorrência enquanto insistimos em importar jogadores que não valem nada. Ou em mandá-los para o banco, como José Peseiro fez ontem durante toda a primeira parte com Nani, capitão da equipa e único campeão europeu que permanece em Alvalade. Aqui, sim, acredito que com outro treinador seria bem diferente: se o plantel realmente válido é curto, não há a menor justificação para o encurtarmos mais ainda.

Mercenários...

Alguns adeptos acusam os nossos jogadores, refiro-me, particularmente, ao Rui Patrício e ao William Carvalho, de serem mercenários.

Devolvo a pergunta:

Não será “mercenária” a postura da actual direcção, face à realidade que o clube vive?

 

Ontem, o João (peço desculpa pela familiaridade do tratamento) perguntava: Como nos livramos de Bruno de Carvalho?

Parece óbvia, para mim, a resposta:

Pagando... só pagando, ou superando, a “cláusula de rescisão”.

Nada disto tem a ver com desporto

Neymar posa para fotos em apresentação no Paris Saint-Germain

 

Os 222 milhões de euros pagos pelo Paris Saint-Germain (nome de santo ironicamente patrocinado por um país islâmico) para desviar Neymar do Barcelona cavam ainda mais fundo o fosso que separa o futebol enquanto actividade económica da genuína competição desportiva: deixaram de ser mundos complementares para se tornarem realidades antagónicas.
Este inédito montante adultera os princípios de transparência do mercado desportivo cotado em bolsa e transforma os jogadores em mera mercadoria à mercê dos capitães da fortuna fácil. Desde logo, parece colidir com as normas da concorrência vigentes na União Europeia e as regras de fair play financeiro da UEFA: qualquer resquício de equidade evapora-se de vez quando os Estados começam a investir em força nos clubes - neste caso o do Catar, com base nos seus lucros petrolíferos. E provoca um sério choque inflacionário na indústria do futebol: os preços vão disparar, a espiral da dívida aumentará em flecha, avizinham-se as mais desvairadas loucuras financeiras no horizonte.
Convém entretanto seguir em pormenor a origem e o rasto desta verba astronómica, que faz subir para 700 milhões de euros o orçamento anual do PSG para o futebol. À atenção das autoridades jurisdicionais - do desporto e não só.
Finalmente, está por demonstrar que um único jogador - e desde logo Neymar, com desempenho em campo inferior a Cristiano Ronaldo ou Messi - justifique estas cifras galácticas. O dinheiro pago por ele para o transformar em emblema de um clube sem tradição na alta-roda do futebol duplica o seu justo valor, nada tendo a ver com genuínos "preços de mercado". 
Ao dar este passo, o futebol de alta competição transforma-se num jogo de fortuna e azar - uma espécie de roleta russa para usufruto de caprichos milionários. O desporto, digam o que disserem, nada tem a ver com isto.

 

Publicado originalmente aqui

Money for nothing?

Não me importo nada que o Sporting tenha dinheiro. Adoraria, aliás, que tivesse, por exemplo, o dinheiro que tem o Bayern Munique. Ia-se buscar o Guardiola e a rapaziada que por lá anda a dar pontapés na bola e montava-se uma coisa gira em Alvalade. Acontece que, até há 24 horas, o Sporting era um clube sem dinheiro: sujeito a uma espécie de troika dos bancos, com os euros todos contadinhos, com tectos salariais de jogadores, com um treinador apesar de tudo baratucho. De repente, descobre-se que é possível contratar um treinador por um preço europeu. Então uma das questões este ano (e que deve estar na lista de alegações da justa causa) não foi o facto de o Marco Silva querer jogadores experientes e feitos para atacar o campeonato e o presidente mandá-lo ir buscar esses jogadores à equipa B?

 

É que, se há dinheiro, pergunto-me: ir buscar o Jesus era o melhor a fazer com ele? Uma coisa é pensar nos termos de um clube que está a fazer a sua "reestruturação financeira", outra é pensar nos termos de um clube que pode andar a gastar. Tudo o que tivemos este ano me pareceu razoavelmente correcto para um clube a reconstruir-se. Mas se, afinal, se trata de um clube que pode andar aí pelo mercado, a coisa é diferente. Estamos a falar de outro clube. Passámos de contar os cêntimos para fazermos as maiores loucuras. E então tudo deveria, e deverá, ser pensado de outra maneira. É que, com esta aposta, só temos duas opções: ganhar ou ganhar. Daí a pergunta: começar por Jesus é a melhor maneira de lá chegar ou é apenas uma loucura disparatada? Daqui a um ano veremos.

 

O que nos leva à questão de saber como é que um clube vagamente a sair da falência arranja este dinheiro. Estamos ainda dentro do que era o projecto desta direcção ao início ou estamos já noutra coisa? Mas agora tenho de ir trabalhar, coisa que devia estar a fazer em vez de escrever isto. Fica para outra ocasião.

Costa ajuda a pagar uma perna do Talisca

MAS ANDA TUDO BÊBADO OU QUÊ?

Então a mim e a centenas de milhares de tugas contribuintes vão-nos ao bolso e a estes é assim?

 

1- E lembrar-me que um presidente do nosso Clube fez o mesmo ou pior...

2- Sendo António Costa putativo candidato a primeiro-ministro, gostava que tivéssemos a fineza de ver isto fora do âmbito da luta política, p.f.

It's all about money

Na essência, o que distingue a tão pouco criticada saída de Leonardo Jardim da tão criticada saída de jovens jogadores como Dier, Ilori e Bruma?

Nada.

Pode-se discutir a forma como agiram, a integridade das declarações, os comportamentos mais ou menos adequados, e afins, mas no fim de contas, todos sairam pelo mesmo motivo. Dinheiro!

Inclusivamento considero que qualquer um dos três jogadores referidos tomou uma melhor opção de carreira que Leonardo Jardim (que neste momento treina um plantel de qualidade inferior ao do Sporting). Se foi enganado só tem que se demitir.

O dinheiro nunca dorme

 

"A equipa tem tido um desempenho ridículo"

 

"A equipa B está praticamente em primeiro lugar [na 2ª Liga] e custa um valor insignificante quando comparado com a equipa A. A equipa A custa o dobro da equipa do Sp. Braga"

 

"Há jogadores que, pelo dinheiro que ganham, não estão a fazer nada no Sporting"

 

"Não temos tido a melhor gestão desportiva"

 

"O Sporting está em situação muito difícil para entrar nos lugares de acesso à Liga dos Campeões"

 

Godinho Lopes "está a aprender"

 

Frases proferidas por algum cirurgião, psiquiatra ou ex-campeão nacional que integra a frenética oposição ao actual presidente da Direcção do Sporting? Nada disso. Quem fala assim, demolindo sem papas na língua a gestão desportiva do clube, é José Maria Ricciardi, vice-presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting, administrador executivo do Banco Espírito Santo e um dos mais notórios apoiantes da candidatura de Godinho Lopes em Fevereiro de 2011.

Fosse outro a fazer tais críticas e Godinho Lopes mandá-lo-ia servir refeições ou mostrar-se-ia horrorizado por ver "cem médicos todos os dias à volta de Alvalade".

O banqueiro, porém, fala com a certeza antecipada de que não será contestado. No fundo, este é mais um marco no processo de aprendizagem de Godinho Lopes, fazendo fé no que dele diz Ricciardi. Se isto fosse um filme, poderia chamar-se O Dinheiro Nunca Dorme. Já houve outro com esse nome. E, se bem me lembro, o protagonista terminou mal.

Comprem, comprem

Se não circularem, os activos deixam de ser activos. Se não houver movimento de capital não há tesouraria, o negócio estagna e os activos ficam passivos e desvalorizam-se. Além de que não podem ser cobradas as percentagens, o ganha-pão dos empresários.

Se não houver casos do jogo, arbitragens duvidosas, jogadores a reclamarem contra os treinadores, dirigentes lançando farpas obtusas e candidatos derrotados a proclamarem que se estava mesmo a ver, enfim, se não houver campeonato como habitualmente, as folhas de couve dos jornais desportivos fenecem à míngua de chamariz.

É a associação de interesses entre uns e outros que levanta todos os anos pelo verão a tenda de circo das transferências. É um estranho, cheio de equilibristas e palhaços, só com elefantes brancos.

Tomemos o caso de Lelé, jogador brasileiro do Scheiser da Bundesliga. Há dois anos que Lelé foi despachado do Curitiba para a Europa por 1 Milhão. O Scheiser precisa de capitalizar e o seu empresário, o célebre M. Landro, quer dinamizar a sua carteira.

M. Landro é a “fonte” de Valentim Becil, jovem e valoroso jornalista do diário “O Esférico”, que só subirá na carreira se continuar a fornecer cachas ao editor

Num dos cafezinhos que periodicamente tomam, Landro confidencia a Becil: o Desportivo tem enviado olheiros aos jogos do Scheiser para observar Lelé. No dia seguinte “O Esférico” ostenta em gordas: “Lelé debaixo de olho do Desportivo”.

O director do jornal concorrente “Sprint” chama o jornalista Alacre Tino ao seu gabinete e dá-lhe um responso. Como lhe pôde escapar aquela cacha?

Contactados os dirigentes do Scheiser estes garantem que Lelé só sairá por uma verba de 5 milhões, nem menos um tostão. À pergunta de Tino se já receberam alguma proposta, fecham-se em copas: não é ético revelar detalhes do negócio.

No dia seguinte, título do “Sprint”: “Desportivo em negociação por Lelé: 5 milhões em cima da mesa”.

Lelé, a leste disto, quando lhe perguntam, acha que é melhor não estragar o quer que seja e responde taxativamente: “Neste momento só penso no Scheiser”. Mais adiante: “Seria uma honra representar o Desportivo”.

Um exclusivo de “O Esférico”: “Lelé honrado em jogar pelo Desportivo”.

Alarmados, os dirigentes do União, arqui-rival do Desportivo, telefonam a M. Landro: “o rapaz é assim tão bom?”. ”É”, responde o agente, “mas as notícias são uma treta. Por quaisquer 4 milhões ele assina. Para mais o Desportivo está encanar a perna à rã. Despachem-se.”

Os dirigentes do União falam com o Desportivo. Nunca houve qualquer negociação. Lelé só não fica no Scheiser porque entretanto um clube polaco comprou o seu passe por 3 milhões – uma pechincha.

Para a semana parece que Totó, promissor avançado do campeonato búlgaro, está na calha do União.

O desespero financeiro do Sporting

João Pereira foi transferido para o Valência por 3,684 milhões de euros (mais 526 mil variáveis), assinando um contrato com três anos de validade, mais um de opção. O jogador foi adquirido ao SC Braga em Janeiro de 2010 por 3 milhões de euros.

É fácil comentar de fora para dentro, sem verdadeiramente sentir a real necessidade do Sporting de gerar receitas neste momento, no entanto, parece evidente que o montante da venda, para o actual melhor lateral direito português, ainda com 28 anos, é muito baixo. Esperamos explicações do Conselho Directivo mas não é difícil de antecipar que o caso apenas reflecte o desespero financeiro do Sporting. 

Sporting: uma lição suplementar

Só a contratação de Agüero custou 45 milhões de euros aos cofres do Manchester City. Nasri foi contratado por 27,5 milhões. Compare-se: todos os reforços do Sporting para esta época custaram pouco mais de 30 milhões. São números que ilustram bem o abismo entre as duas equipas em termos financeiros. Mas nada disto se reflectiu esta tarde, em termos desportivos, no relvado de Alvalade: ao vencer o City com um fabuloso golo de Xandão, o nosso clube manteve intacta a esperança de ultrapassar os oitavos-de-final da Liga Europa.

O dinheiro não é tudo, o dinheiro não compra tudo. Esta foi uma lição suplementar que os esforçados jogadores leoninos deram hoje aos 34 mil espectadores que assistiam nas bancadas e aos largos milhões que acompanharam o desafio pela televisão.

Proposta

Proponho que o Sporting, em vez do BCP e do BES, passe a trabalhar com o banco do M. City, neste jogo com o Bolton: David Silva, Kun Aguero, Dzeko, Kolarov, Micah Richards, De Jong, Milner... e etc. Será que resultaria?

Viver na lua ou ter os pés na terra?

As contas do primeiro semestre, das SAD's dos três grandes são claras: Sporting negativo em cerca de 19 milhões, Porto negativo em cerca de 9, Benfica positivo em cerca de 8. Num semestre em que o Porto vendeu o Falcão por 40 milhões e o Benfica o Coentrão por 30 - operações de uma envergadura a que o Sporting não chegou. Mesmo assim, o passivo da SAD encarnada aumentou em 6,3 por cento. Quer dizer, a situação está preta, para os três grandes (e preta está para os restantes, quase todos). Os financiamentos bancários, para investir em jogadores que reforcem os plantéis e/ou para resolver problemas de tesouraria (o dinheiro de que se necessita para fazer face ao dia a dia), são torneira que fechou. Esse oxigénio foi substituído, em parte, pelo recurso tópico aos fundos de jogadores e não há outra volta a dar-lhe, para manter salários em dia (ou quase em dia). A outra fonte de oxigénio, a dos patrocinadores, vai ser reduzida a curto prazo, dada a situação geral de contenção de custos por parte das empresas. É que, para além dos custos correntes (salários, operação, fisco, segurança social, etc.), os clubes têm de ir pagando à banca os enormes empréstimos que foram conseguindo, em tempo de vacas mais ou menos gordas. E daqui não há como fugir.

No caso do Sporting, o investimento na equipa de futebol foi elevado, como reclamavam os adeptos, para fazer crescer a competitividade a médio prazo (comprar jogadores não é o mesmo que comprar uma equipa) e descobrir talentos que gerem um bom retorno, também a médio prazo. Algo que outros clubes fizeram, antes de nós. No nosso caso, tentando diversificar as fontes de um retorno futuro: talentos descobertos em mercados estrangeiros e talentos oriundos da nossa formação. Sendo elevado esse investimento e sem termos nenhuma venda significativa que contrabalance, é normal que, numa primeira fase, o saldo negativo aumente - e aumentará sempre se não houver receitas extraordinárias das competições europeias e uma melhoria das receitas de patrocínios e de quotas e gameboxes e se não houver maneira de reduzir a dívida. Na verdade, os clubes grandes têm custos de duas equipas ( não é apenas o Sporting que está neste baile): a que joga e a dos juros.

Sporting e Benfica poderiam estar melhor, se tivessem ambos aceitado a disponibilidade da Câmara de Lisboa em construir um estádio municipal, palco de exibição das duas equipas (como sucede, por exemplo, com Milan e Inter). O presidente Dias da Cunha lutou bravamente por isso - ele sabia a carga que para o Sporting seria a construção e a manutenção de um estádio - e teve uma primeira reação positiva de Luis Filipe Vieira. Mas este, afirmando não ter condições internas para fazer passar a solução, desistiu depois. Quer-se exemplo mais claro de quanto a pressão dos sócios e dos adeptos força os dirigentes a solucões meramente de clubite aguda, irracionais do ponto de vista de gestão, depois se divorciando das suas consequencias e resumindo tudo a uma frase oca: 'onde gastaram eles o dinheiro'?

Significa isto, dito assim de forma tão singela, que resolver o problema de capitalização da SAD do Sporting é algo de vital para o futuro do futebol do Sporting. E é algo de vital para AGORA. Algo que não foi descoberto pela auditoria, esta apenas confirmou o que vinha de um passado recente.

Ou seja: não é possível continuarmos, por muito mais tempo, a querer a lua (equipa competitiva, menos passivo, modalidades amadores sustentadas pelo futebol, etc.). É bem mais sensato, e indispensável a meu ver, firmarmo-nos na terra: o Sporting precisa de capital, para conter o seu passivo em níveis controláveis e... para crescer de forma sustentada.

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