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És a nossa Fé!

No futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira

E as caganças pagam-se com língua de palmo. Infelizmente, já passámos pelo mesmo depois de ir à Luz ganhar por 3-0.

O Sporting foi muito superior ao Benfica na Supertaça durante 40 minutos. Não conseguiu marcar em três ocasiões e acabou por perder por 0-5.  Bruno Lage, bestial.

O Porto foi muito superior ao Benfica, marcou numa carambola e depois o Benfica teve de correr atrás do prejuízo. Levou 2, podia ter levado 5. Bruno Lage, uma besta.

Dizem que o Sérgio Conceição deu um banho táctico ao Bruno Lage. Pois o Marcel Keizer também deu até aos 40 minutos. O mesmo Sérgio Conceição que sempre perdeu tacticamente com Marcel Keizer.

Marcel Keizer esse que amanhã tem um teste decisivo para voltar a ser bestial, colocando o Sporting à frente da Liga, ou passar, se calhar definitivamente, a ser uma grande besta. Aquela que continua a apostar em Diaby e conseguiu pôr Bas Dost fora do Sporting. 

Amanhã se verá.

SL

Mediocridade

Ao cabo de 50 anos de bancada mal seria se me achasse capaz de saber o que faria se estivesse no banco, mas lá vou sabendo uma ou duas coisas sobre o que vejo do meu lugar.

Sinto-me por isso em condições de finalmente considerar que Keiser é um treinador medíocre. O adjectivo justifica-se pelo facto de Keiser ter um entendimento substantivamente medíocre do futebol. Em 3 jogos oficiais aplicou 3 vezes a mesma receita. E foi ela a de entrar em campo com uma qualquer marosca táctica que intrigue o adversário. Isto durou 15' contra o benfica, 20' contra o Braga, infelizmente e segundo as próprias palavras do treinador, apenas se aguentou 6'30'' contra o Marítimo. Só ontem a astúcia produziu algum resultado - marcaram-se 2 golos nesse período - posto o que se passou à fase B que foi a de pôr um autocarro à frente da baliza, chutar a bola para longe, desejar boa sorte a Renan e rezar um pai-nosso. Esta doutrina é muito útil ao Águias de Alpiarça em jogos da Taça contra as equipas mais evoluídas da 2ªB, mas pouco interessante, digo eu, para o Sporting.

É certo que alguns conceitos correntes do futebolês são brilhantes à mesa do café e dão aura de  entendido a quem deles se alivia, mas não têm qualquer correlação com a realidade do jogo. O famigerado "modelo", a sempre refrescante "ideia de futebol" e os sudokus estratégicos fazem as graças do comentariat, dão powerpoints coloridos e sedutores, embora não passem de lucubrações platónicas, abstractas e vácuas, mesmo quando se usa esse novo termo da "definição", em vez do proverbial  "chuta à baliza, porra". Porque ao fim do dia o que conta é a dinâmica que a equipa põe em campo, o modo como se entrosa e articula e, sobretudo, a capacidade de um treinador em extrapolar o melhor que um jogador tem para oferecer ao jogo. Neste Sporting tudo isto é mirífico.

É escusado recorrer ao exemplo óbvio de Diaby para ilustrar a mediocridade congénita de Keiser. Especular-se-á infinitamente sobre este mistério, mas sempre ficará por responder a questão: porque diabo esteve ele uma hora em campo?

Tome-se como menos óbvio mas talvez mais flagrante o caso de Doumbia. O ano passado andava por ali aquele rapaz Gudelj mestre no posicionamento, nulo no movimento. Este ano vemos actuar aquele jovem com alma de Bombeiro Voluntário, que corre à maluca atrás de todos os fogos e que nunca volta à posição porque não a tem. Resultado: Coates e Matthieu andam a levar de frente com sucessivas cargas de cavalaria. Ora Doumbia, potencial e vontade não lhe faltam, não evoluiu um milímetro em inteligência posicional e táctica desde o ano passado, coisa que se treina todos os dias e vê-se aqui da bancada ao fim-de-semana. E se não evoluiu é porque Keiser não o faz evoluir.

O nosso treinador deve estar mais preocupado em engendrar a artimanha para o próximo jogo, que ele designa como "fine tunning." Pode ser que dure uns 30' antes de passarmos o resto do desafio à beira de sermos esmagados por um qualquer mija na escada que, descoberto o truque, há-de de crescer sobre este Sporting como um Liverpool.

Sportinguista sofre

Bem-dito Tantum que é verde e tanto me alivia a língua em ferida de tão mordida. Devo confessá-lo: bem maior que o número dos que ontem estivemos em Alvalade, foi o das vezes que já mordi a língua para travar o ímpeto de exigir que rolem cabeças no Sporting. Da cúpula do clube à estrutura do futebol. 

É claro que desatarmos a degolarmo-nos uns aos outros seria a pior solução para os nossos males mas, que diabo!, que mal que nós jogamos futebol... que mal. Tão mal. 

Levar um banho de bola em casa dado por um clube que, à nossa pala, sistematicamente se põe em bicos de pés arvorado em "4.º grande" é uma afronta, mais uma, que custa mesmo a engolir. Mais ainda com a língua feita num oito.   

Ganhámos. Sim, ganhámos, mas eu é que continuo a bochechar Tantum Verde. Não paro de morder a língua para não pedir a cabeça de Keizer. 

Umas levam a outras. Como aquela que é a coisa dramática de olharmos para a nossa frente de ataque e vermos nas alas a nulidade Diaby e o mais que inconsistente Raphinha. Dois jogadores que de extremos têm apenas o facto de serem extremamente fracos na posição para a qual o Sporting, ao longo de décadas, se constituiu fábrica dos mais perfeitos produtos para aquele específico lugar no campo. 

Um comprado ao Guimarães, outro vindo do Club Brugge, os actuais titulares das alas não são formados na Academia, o mesmo acontecendo com Plata. Resta-nos Rafael Camacho que vimos a espaços na pré-época e, depois, foi um Keizer que se lhe deu. 

Umas levam a outras. E para a que se segue dispenso o Tantum Verde. A língua uso-a afiada, pronta para criticar uma Direcção (administrativa e desportiva) que se desfaz, despacha, abre mão do melhor ponta-de-lança que marcou no Sporting nos últimos anos. Um atacante eficaz, altamente produtivo e não menos temido pelos adversários, dentro e fora de campo, um líder, também ele, dentro e fora de campo; agregador, respeitador da camisola que vestia, ciente da nossa grandeza e que para ela, indiscutivelmente, contribuía.

Depois de ter sido muito mal tratado por uma chusma de grunhos ao serviço da mais vil manifestação de insanidade facciosa, Bas Dost foi desta vez mal tratado pela direcção que o foi escorraçando aos bocadinhos através de recados na imprensa, rotulado de caro e incomportável. Como se de um mero mas insustentável peso se tratasse.   

Bem sei que o mercado está aberto até ao fim do mês e que, portanto, poderá entrar outro ponta-de-lança para a equipa, mas pergunto: É assim que se prepara uma época? É assim que se começa a disputar as competições? Sai um jogador com a importância de Bas Dost com a equipa indefinida? Não era ele uma garantia de estarmos mais perto de ganhar, soubesse a equipa tirar dele proveito?

Tem feito erros esta Direcção (mais um bochecho no Tantum Verde, que a língua trituro-a para não exigir novas eleições), erros em coisas aparentemente simples ou só estúpidas, como a incompreensível nova ordem de entrada no estádio.

Há anos que entro pela porta 1 para chegar ao sector B19 e não obrigatoriamente pela porta 2 como passou a ser esta época. Resultado: percorrida uma fila que começava para lá do Pavilhão João Rocha foram precisos 45 minutos para chegar ao meu lugar. 

Ficar na ignorância é a pior das situações neste caso e para nós seria mais fácil se nos explicassem porque passou a ser esta a lógica de entrada no estádio, porque, por agora, só me ocorre falta de respeito para connosco, que continuamos a qualquer hora ou dia da semana a ir ao estádio apoiar os nossos apesar dos muitos e grosseiros erros de quem lidera o clube e a nossa equipa de futebol. 

Perder dinheiro

Desvalorizado pelos 93 golos apontados nas três épocas que vestiu as nossas cores, Bas Dost sai ao que parece por 9 milhões de euros, quando o Sporting tinha gasto 10 milhões na sua aquisição. 

Incompreensível decisão, porque apesar de exibições menos conseguidas nos últimos meses, há que recordar que o jogador sofreu uma lesão que o afastou durante algum tempo dos relvados.

Sou da opinião que o problema de Bas Dost, um finalizador de excelência, um verdadeiro matador, reside no facto das bolas não lhe chegarem. Diante do Benfica na supertaça, foi utilizado mas não jogámos em ataque continuado, diante do Marítimo fartámo-nos de cruzamentos quando o holandês estava no banco. 

O rendimento do avançado baixou com Marcel Keizer, timoneiro que navega à vista, quando não anda à deriva, porque está visto que não sabe mais. Enquanto o Sporting não resolver o problema do comando técnico, continuará a depender única e exclusivamente da inspiração de Bruno Fernandes, que obviamente tem limites, apesar de muitas vezes parecer que não. 

Um conselho ao presidente Frederico Varandas, se quer baixar a folha salarial e não se importa de perder dinheiro, tente vender Diaby, mesmo que seja por 2 ou 3 milhões abaixo do custo. É facilmente substituível, Gelson Dala por exemplo é superior ao maliano e custa bem menos mensalmente. De caminho livre-se do treinador, reconheça que foi uma aposta falhada e siga em frente. Se não o fizer, acabará ligando o destino da sua presidência à falta de resultados que o treinador vem apresentando...

A voz do leitor

«Diaby chegou há menos de duas semanas e está fora de forma. Entrou no jogo e passados dez minutos já nem recuava para ajudar a recuperar a bola. Mas foi Keizer que o escolheu, em vez de Plata, que fez toda a pré-temporada, está em forma e tem dado sempre muito boas indicações. Merecia ter sido convocado para este jogo. E tenho a certeza que teria mais impacto a sua entrada do que a de Diaby.»

 

Ângelo, neste texto do Luís Lisboa

Balanço (22)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre DIABY:

 

JPT: «Um avançado prometedor.» (12 de Janeiro)

- Edmundo Gonçalves: «É sina do Sporting jogar sempre com um jogador a menos. Hoje foi Diaby que não esteve em campo 80 minutos.» (13 de Janeiro)

Eu: «O treinador reagiu da melhor forma, não baixando os braços: mandou sair o médio defensivo, Gudelj, trocando-o pelo extremo Diaby. Seis minutos depois, a ousadia do técnico foi recompensada: o jovem maliano deu profundidade ao nosso ataque, acabando por ser derrubado em falta na grande área azul e branca: por indicação do vídeo-árbitro, João Pinheiro apontou para a marca de penálti. Era o momento decisivo da final, que nos abria o caminho do troféu.» (26 de Janeiro)

Duarte Fonseca: «Não joga o Jovane porque se aposta num tal de Diaby que não sabe dar um chuto numa bola...» (1 de Fevereiro)

- Francisco Chaveiro Reis: «Petrovic, Gudelj ou Diaby são teimosias do holandês que parece agora trair-se, com cautelas demasiadas.» (4 de Fevereiro)

Francisco Vasconcelos: «É limitado mas voluntarioso: parece-me pouco para quem quer ser vencedor.» (8 de Março)

Luís Lisboa: «Prefiro mil vezes ver um Jovane a titular do que um Diaby.» (8 de Maio)

Leonardo Ralha: «Merecem respeito, pois não duvido por um instante que ambos dão o melhor que podem e que conseguem, mas acredito que me lembrarei desta Taça de Portugal como aquela que o Sporting conquistou com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular.» (25 de Maio)

- José Navarro de Andrade: «É uma carta fora do baralho. Com os ansiados regressos de Mama Baldé, Gelson Dala e Matheus Pereira (terá aprendido a lição?) o maliano torna-se redundante.» (28 de Maio)

Primeiras notas

Merecem respeito, pois não duvido por um instante que ambos dão o melhor que podem e que conseguem, mas acredito que me lembrarei desta Taça de Portugal como aquela que o Sporting conquistou com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Mérito a Marcel Keizer por ter desviado o maliano para a esquerda, impedindo que uma ala inteira ficasse entregue a dois profissionais tão dignos de respeito quanto de qualidade técnica manifestamente inferior ao que se deve exigir de um futebolista leonino.

Armas e viscondes assinalados: Luiz Phellype evitou o calvário

Nacional da Madeira 0 - Sporting 1

Liga NOS - 30.ª Jornada

19 de Abril de 2019

 

Salin (3,0)

Arriscou-se a passar por turista, tão poucas foram as jogadas de ataque da equipa da casa, mas quando foi preciso mostrar serviço conseguiu estar à altura dos acontecimentos. Seja antecipando-se a quem procurava isolar-se, seja defendendo com os punhos os melhores de entre os raros cruzamentos.

 

Ristovski (3,0)

Teria sido uma viagem ainda melhor à Madeira caso controlasse melhor a bola ao ser desmarcado na grande área por Bruno Fernandes. Ainda que bastante recuado em relação a Acuña, integrou-se bem nas jogadas de ataque sem deixar de tapar os caminhos para a equipa da casa. Um seu corte “in extremis” travou o que seria a melhor jogada do Nacional da Madeira.

 

Coates (3,0)

Uma ou duas perdas de bola comprometedoras foram compensadas com a habitual dose de cortes providenciais. Como aquele em que travou sem falta um adversário que procurava acercar-se da baliza de Salin após um disparate de Jovane Cabral.

 

Mathieu (3,5)

Além do contributo para a inexpugnabilidade da baliza leonina, fenómeno raro nas deslocações, o central francês voltou a desbloquear marcações e tibiezas alheias com incursões pelo meio-campo contrário – tanto pelo corredor esquerdo como pelo centro do terreno – das quais resultou muito perigo. Ficou perto de voltar a marcar em duas ocasiões, sendo a segunda um remate cruzado, na ressaca de um canto, mesmo ao lado do poste. Há decerto quem pondere oferecer-lhe um contrato vitalício.

 

Acuña (3,5)

Um amarelo aos sete minutos condicionaria alguém menos competitivo do que o argentino. Não foi o caso do lateral-esquerdo que muitas vezes subiu até à linha para realizar os seus famosos cruzamentos. Viu todos desperdiçados até que a meio da segunda parte surgiu a emenda de Luiz Phellype a um livre que cobrou à entrada da área. Mais uma assistência para juntar à colecção de um dos mais incansáveis futebolistas da história do Sporting.

 

Gudelj (3,5)

Mesmo o amarelo que o afasta do próximo jogo foi uma demonstração de inteligência, na medida em que evitou o mal maior de um contra-ataque perigoso após perda de bola de Coates (outro dos muitos titulares leoninos à beira do jogo de castigo). O sérvio fez de longe a sua melhor exibição, com enorme influência na tranquilidade que fez de Salin mero espectador quase até ao fim. Implacável nos cortes, desarmes e antecipações, mesmo na saída com bola esteve muito melhor do que a sua (baixa) fasquia habitual.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Titular devido à excursão de Wendel a Turim, não rendilhou o futebol leonino como o jovem brasileiro costuma. Certo é que se fez valer da rapidez e da capacidade de choque para ajudar a manietar a equipa da casa e integrou-se em algumas jogadas de ataque, mantendo-se em campo até ao fim.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Rematou pela primeira vez ao segundo minuto de jogo e pouco depois isolou Ristovski  na grande área. Parecia que voltaria a ser decisivo para o triunfo do Sporting, mas o golo que baterá todos os recordes ficou guardado para o próximo jogo, em Alvalade, contra a Vitória de Guimarães. Sempre empenhado em dar instruções aos colegas, combinou bem com Acuña, esbanjou passes com Diaby e até desperdiçou uma boa assistência de Luiz Phellype, mesmo no final do jogo, faltando-lhe pernas para avançar para a baliza.

 

Diaby (2,0)

Cinco remates fez o maliano, sendo o melhor de todos, forçando o guarda-redes a esticar-se todo para evitar o golo, aquele que de mais difícil execução parecia ser. Adepto de estar no sítio certo à hora certa, pena é que tenha feito sempre a coisa errada, rematando contra defesas ao receber cruzamentos de frente para a baliza, ou permitindo a mancha do guarda-redes. Se dependesse de Diaby o Sporting teria saído da Madeira com um ponto tão mísero quanto o seu acerto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Um remate em arco que permitiu a melhor defesa do atarefado Daniel Guimarães, uma arrancada pela direita culminada com um remate à figura e um passe de rotura para Diaby foram o lado A de uma exibição em que o extremo terá batido recordes de passes errados e decisões erráticas. A arma secreta de José Peseiro terá de recalibrar-se para sobreviver ao possível regresso ao plantel de Mama Baldé (que voltou a marcar pelo Aves) e Matheus Pereira, bem como a total integração de Gonzalo Plata.

 

Luiz Phellype (3,5)

Ficou perto de se candidatar ao Prémio Puskas, correspondendo com um toque de calcanhar acrobático a um cruzamento de Acuña, mas a bola saiu ao lado do poste. Em vez disso, já na segunda parte, acorreu a novo cruzamento do argentino, na cobrança de um livre, e evitou o calvário dos sportinguistas ao garantir três pontos com o seu quinto golo em quatro jogos. À parte isso, primou pela luta com os defesas – dificultado pela carta branca que os centrais do Nacional receberam de Carlos Xistra para o carregarem pelas costas – e ainda fez uma assistência para o que poderia ter sido um golo histórico de Bruno Fernandes. Há dias felizes.

 

Jefferson (2,0)

Resgatado da lei do esquecimento pela lesão de Borja, e lançado para o jogo devido à progressiva inépcia de Jovane Cabral, entrou com ordens para ficar à frente de Acuña. A sua interpretação daquilo que é suposto um extremo fazer ainda chegou para um belo cruzamento que acrescentou mais um capítulo ao manual de desperdícios de Diaby.

 

Miguel Luís (2,0)

Dez minutos de jogo que serviram de prova de vida, ainda que parte desse tempo tenha servido para entender a sua posição em campo.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Cinco minutos à Sporting concedidos pelo treinador permitiram-lhe fazer uma boa combinação com aquele senhor que se chama Bruno Fernandes e o ofusca com a sua omnipresença, omnisciência e omnipotência. E algumas demonstrações de domínio de bola junto à linha lateral que serviram de aperitivo para melhores dias que vão tardando.

 

Marcel Keizer (3,0)

Conquistou mais três pontos num autêntico festival de desperdício que se traduz numa taxa de sucesso abaixo dos cinco por cento, tendo mérito na forma como dispôs uma equipa sem os castigados Renan e Raphinha, o castigado interno Wendel e os lesionados Battaglia e Bas Dost. Pronto a perdoar as ofensas dos seus jogadores aos adeptos, adiou as substituições ao limite, guardando-as para quando já tinha vantagem no marcador. Saiu feliz, mas ficou credor de uma goleada que os seus jogadores não souberam fazer.

Armas e viscondes assinalados: “This shit is a joke” (tirando o resultado e os primeiros 15 minutos)

Sporting 3 - Portimonense 1

Liga NOS - 24.ª Jornada

3 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Reencontrou o adversário que lhe permitiu conquistar a titularidade, naquela terrível algarvia em que a cabeça de Salin embateu no poste e as bolas rematadas pelos adversários tendiam a embater no fundo das redes. Voltou a ter muito trabalho na primeira parte, apesar de o Portimonense já não contar com Nakajima, Manafá e (nesse caso por castigo) Jackson Martínez. Depois de um primeiro quarto de hora inicial magnífico, que deixou o Sporting a vencer por 2-0, coube ao brasileiro salvar a equipa de si mesma. Chegando a fazer duas grandes defesas na mesma jogada, só nada conseguiu fazer no lance do golo da equipa visitante, merecendo a sorte de ver a barra devolver a bola ao relvado do lado certo da linha de golo e a relativa acalmia ao longo da segunda parte.

 

Ristovski (2,5)

Aquele cruzamento que deu origem ao pénalti sobre Bruno Fernandes foi a melhor forma de terminar uma exibição pouco conseguida do macedónio, incapaz de fazer a diferença no ataque (para o que contribuiu a costumeira violência dos adversários, sob o contemplativo beneplácito do árbitro João Capela) e muitas vezes ultrapassado nas missões defensivas.

 

Tiago Ilori (2,0)

Mais do que aquilo que não conseguiu fazer no lance do golo do Portimonense, o que mais sobressai da exibição do ”made in Alcochete” é a quantidade de bolas que passou directamente para os pés dos avançados algarvios. Nenhum desses lances teve consequências gravosas, mas o filho pródigo tarda em justificar o regresso.

 

Mathieu (3,0)

Voltou em boa hora, recuperado de mais uma lesão, e substituiu o ausente Coates enquanto patrão da defesa leonina. Ao longo da sufocante primeira parte fez cortes preciosos e deu literalmente o corpo à bola para evitar um golo, embora não tenha sido imune ao disparate, permitindo um contra-ataque perigoso ao hesitar se deveria ser ele ou Acuña a afastar uma bola. Na segunda parte fez por acalmar a equipa e ainda se integrou no ataque, sendo avistado a fazer cruzamentos junto à bandeirola de canto, o que contrasta com a aparência física de quem já atingiu a idade da “retraite”.

 

Acuña (3,5)

Partes houve deste jogo em que muitos dos vinte e poucos mil que estavam nas bancadas de Alvalade se ofereceriam de bom grado como testemunhas do argentino se ele quisesse processar os colegas pela disparidade de empenho demonstrado. Relegado a lateral-esquerdo com o regresso do 4-3-3, trabalhou muito e bem no corredor, revelando-se um muro intransponível para os adversários e um artífice capaz de aproveitar meio metro quadrado de relvado para ganhar o espaço de que necessita para fazer cruzamentos como aquele Bruno Fernandes desperdiçou, adiando o sossego do Sporting até ao final do tempo regulamentar.

 

Gudelj (2,0)

Está ligado ao lance do golo do Portimonense, tanto pela perda de bola (que recebeu “à queima” e quis controlar, em vez de chutar com o pé que tinha mais à mão) como pelo mau posicionamento. E também voltou a emperrar a fase de construção do futebol leonino, sobrecarregando Wendel e Bruno Fernandes com uma ineficácia novamente premiada por Marcel Keizer com a permanência em campo até ao apito final.

 

Wendel (3,0)

Muito lutou o jovem brasileiro, incansável acelerador do meio-campo do Sporting, mas o maior impacto que teve na ficha de jogo foi o cartão amarelo mostrado por João Cajuda, numa dualidade montypythoniana de critério que nada fez por sossegar a equipa da casa. Saiu na segunda parte, exausto e claramente necessitado de descanso. 

 

Bruno Fernandes (3,5)

Fez duas assistências para golo, marcou o pénalti que fez o resultado final, punindo falta cometida sobre ele próprio, e ultrapassou António Oliveira como o meio-campista do Sporting que mais golos marcou numa só época. Será, por tudo isto, muito injusto escrever que não esteve na sua noite mais inspirada? Retraído em algumas fases do jogo, falhou um golo feito com um cabeceamento desastroso e nem tentou marcar de livre directo. Mas também é verdade que, além das assistências e do pénalti, pertenceu-lhe a melhor jogada do Sporting na segunda parte, defendida “in extremis”, pelo que o estatuto de “ele e mais dez” está cada vez mais consolidado.

 

Raphinha (3,0)

Começou muitíssimo bem e quando fez aquele imparável remate para o 2-0, tirando doce fruto de um passe extraordinário de Bruno Fernandes, já tinha ficado perto de inaugurar o marcador numa jogada semelhante. Ainda assistiu Bas Dost, que reencaminhou a assistência para Diaby, mas depois começou a perder protagonismo e desapareceu do jogo bem antes do embate que forçou a sua substituição.

 

Diaby (2,5)

Inaugurou o marcador com um excelente golo de cabeça que só o maliano poderá confirmar se nasceu de um cabeceamento deficiente. Certo é que esgotou nessa jogada o seu engenho e sorte, mostrando-se igualmente incapaz de tirar partido da velocidade para causar problemas aos adversários. Para a história da sua passagem por Alvalade fica o lance em que a simulação de Bas Dost o deixou com a bola controlada, dentro da grande área, mas conseguiu demorar tanto a decidir que permitiu o desvio num defesa. Menos escandalosa, mas ainda assim sintomática, foi a oportunidade desperdiçada na segunda parte, cabeceando mal e porcamente (e desta vez sem sorte) uma bola oferecida por Acuña.

 

Bas Dost (2,0)

Mesmo antes do intervalo isolou-se, a passe de Bruno Fernandes, e viu-se cara a cara com o guarda-redes. E o que fez o avançado holandês? Um passe curto para o lado, onde a olho nu ninguém se discernia, talvez destinado a fazer uma abnegada assistência para o golo que esperava ver concretizado pelo fantasma de Peyroteo. Ainda ficou em campo um quarto de hora na segunda parte, cada vez mais afastado das ocorrências, até que o compatriota decidiu poupá-lo a mais 30 minutos de demonstração de irrelevância. Na primeira parte fez uma única coisa certa, numa simulação destinada a permitir que Diaby fizesse o 3-1, o que teria sucedido em condições normais, e muitas tremendamente erradas. Um cabeceamento mais apropriado ao râguebi e a incapacidade de esticar a cabeça para um cruzamento de Raphinha foram as provas de vida. Má vida, neste caso.

 

Luiz Phellype (1,5)

Teve meia hora para demonstrar que é capaz de ser ainda mais irrelevante do que o actual Bas Dost. Membro do clube dos amarelados por Capela, deixou novamente a impressão de que se trata de um Castaignos lusófono com um passe mais barato e que recebe menos.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Muito mais mexido do que Gudelj, tirou o meio-campo do Sporting do ponto morto. Caso estivesse inspirado no passe poderia ter deixado marca.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Entrou para os seis minutos de tempo de compensação, o que bastou para ser amarelado e fazer um ou dois toques do tipo de classe que merecia ser vista antes do minuto 90.

 

Marcel Keizer (2,5)

Ele próprio admite que o Sporting esteve mal a partir dos 15 minutos de jogo, faltando-lhe confessar que também a segunda parte não foi flor que se cheire. Expulso no jogo anterior devido ao desabafo “this shit is a joke”, levou a que os escassos adeptos que aceitaram deslocar-se a Alvalade saíssem a pensar o mesmo. Com o Sporting de Braga a três pontos, e um calendário razoavelmente simpático até à última jornada, urge que deixe de confiar tanto no génio de Bruno Fernandes e na raça de Acuña, melhorando os processos defensivos e encontrando solução (ou, vá lá, remendo) para o fraquíssimo desempenho dos recorrentes titulares nas posições 6 e 9. Curiosos números esses, como diria Mota Amaral...

Armas e viscondes assinalados: Nem o VAR impediu um tremendo keizercídio

Sporting 2 - Benfica 4

Liga NOS - 20.ª Jornada

3 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,0)

Será que o brasileiro só carregou o jogador do Benfica pelo prazer de tentar defender uma grande penalidade, claramente o tema da sua dissertação na universidade pontifícia dos goleiros? Ficou a centímetros de voltar a  superiorizar-se ao marcador, mas lá foi buscar a bola ao fundo das redes. Algo que fez seis vezes em cerca de 100 minutos, valendo-lhe que um dos golos do Benfica foi anulado por fora de jogo e outro por uma falta no início da jogada que o videoárbitro forçou Artur Soares Dias a assinalar apesar de o árbitro portuense estar tão interessado nisso quanto a Rússia e a China estão interessadas em reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela. (Diga-se, em abono da verdade, que Renan Ribeiro fez algumas defesas providenciais, contribuindo para que a goleada ficasse aquém do estatuto de humilhação histórica.)

 

Bruno Gaspar (1,5)

Esforça-se sempre muito, o que por vezes permite disfarçar a sua gritante falta de apresentação formal à arte do futebol. Não foi o caso deste jogo, pois abriu avenidas para o ataque benfiquista mais largas do que aquelas que Albert Speer iria construir em Berlim caso os nazis vencessem a II Guerra Mundial. Mas felizmente os boches acabaram da mesma forma que os lances de perigo do Sporting tendem a acabar sempre que passam pelos pés do lateral-direito a quem Hélder Malheiro, artista convidado do Vitória de Setúbal-Sporting, ofereceu a titularidade neste e no seguinte derby lisboeta – já na quarta-feira, no Estádio da Luz, e a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal –, ao expulsar o macedónio Ristovski.

 

Coates (2,0)

A tarde de pesadelo voltou a terminar com o uruguaio enquanto único central leonino, numa variação dos tempos em que Jorge Jesus o forçava a tornar-se ponta de lança nos últimos minutos. Mais lento a reagir do que o habitual, o que indicia aquele cansaço físico que lhe é sempre negado, deu excessiva liberdade aos avançados adversários e contribuiu para o 0-1, melhorando à medida que o jogo avançava para o fim. Só que entretanto a equipa já tinha sofrido quatro golos.

 

André Pinto (1,0)

Entrou em campo com uma máscara a proteger-lhe o nariz, após ter feito uma cirurgia na sequência daquele banho de sangue que valeu a Taça da Liga ao Sporting. E é bem possível que a dita máscara lhe tenha prejudicado a percepção do tempo e do espaço, tendo em conta a forma como deixou Seferovic e Ruben Dias cabecearem para golo – sem falar na incapacidade de cortar a bola rasteira que isolou João Félix. Foi substituído quando Marcel Keizer acordou, tarde e a más horas, para a hipótese de ainda virar o resultado, e com um pouco de sorte ninguém o reconhecerá sem a máscara, como tantas vezes sucede nos livros de banda desenhada.

 

Jefferson (2,5)

Tinha Borja no banco e Acuña ainda longe da Rússia, mas foi de longe o único elemento da linha defensiva do Sporting que sabia minimamente o que estava a fazer. Sempre lutador, fez diversos cruzamentos de qualidade, um dos quais poderia perfeitamente resultar em golo se Diaby não tivesse desviado para a baliza, estando em fora de jogo, a bola que iria chegar a Bas Dost.

 

Gudelj (1,5)

A derrota leonina na batalha do meio-campo passou em grande parte pelo elemento que deveria ter maior capacidade de impor o físico a Samaris, Gabriel e Pizzi. Não só não conseguiu como voltou a demonstrar extrema debilidade na saída com bola, ao contrário de Idrissa Doumbia (aquele reforço que passou de titular a não-convocado em menos de uma semana), e fraquíssima eficácia nos remates de longa distância. Muito do que tem de mudar no futebol do Sporting passa por esta posição.

 

Wendel (2,5)

Bom de bola, e mexido ao ponto de compensar a falta de poder de choque, o jovem brasileiro procurou levar a equipa a melhor destino do que aquele que lhe estava reservado. Mas nada resultou como planeado, muitos passes foram interceptados e o cansaço acumulado nas pernas, sobretudo desde que Miguel Luís deixou de contar para as contas do Keizer, impediu-o de chegar mais longe.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Levou os sportinguistas a sonharem com uma improvável reviravolta quando fez o 1-2, através de um remate magnífico em força e colocação, mesmo no final da primeira parte. Antes e depois disso distinguiu-se sempre pela vontade indomável de enfrentar um adversário que muitos colegas encararam como um adamastor, lutando por cada bola como se fosse a última. Mas nem ele está imune à desconcentração. Perdido que está o título, tal como provavelmente o lugar de acesso à pré-eliminatória da Champions, talvez até o terceiro lugar, é hora de gerir melhor o seu talento. Indispensável nas meias-finais da Taça de Portugal e na Liga Europa, será que tem mesmo de aguentar todos os minutos de todos os jogos?

 

Nani (2,5)

Fez a excelente assistência para o golo de Bruno Fernandes e recebeu como recompensa... ser substituído no intervalo. Não estava a ser o pior de entre os verdes e brancos, combinando muito melhor com Jefferson na esquerda do que Raphinha com Bruno Gaspar na direita, mas Keizer optou por sacrificá-lo numa jogada estratégica que implodiu logo após o reatamento, com o terceiro golo do Benfica.

 

Raphinha (2,0)

Todo o seu inegável talento revelou-se infrutífero num jogo em que pareceu contaminado pelos desajustes estruturais do colega de ala. Manteve-se ainda assim no relvado quase até ao fim, tendo como melhor momento um livre directo que embateu no poste.

 

Bas Dost (2,5)

Teve de ser o videoárbitro a permitir-lhe cobrar com sucesso a grande penalidade a castigar o guarda-redes do Benfica que não tem cara de adolescente de género fluido, expulso (muito) “a posteriori” por derrubar o holandês. Traumatizado com a indiferença de Artur Soares Dias, sempre disposto a deixar que os adversários o carregassem pelas costas, o avançado começou a resguardar-se nos duelos aéreos, rubricando mais uma exibição que leva os adeptos a suspirarem pelos bons tempos de há um ou dois meses.

 

Diaby (2,5)

Lançado ao intervalo para mexer com o ataque leonino, cumpriu melhor a missão do que tem vindo a ser seu hábito. Na retina ficou um lance em que se embrenhou na grande área adversária, junto à linha de fundo – pena é que o árbitro já tivesse decidido marcar canto –, tal como uma diagonal em que o remate saiu torto e fraco. Ainda fez abanar as redes, reagindo ao cruzamento de Jefferson, mas estava (mesmo) em posição irregular.

 

Jovane Cabral (-)

Reapareceu na equipa perto do final do tempo regulamentar, jogando dez minutos que na era Peseiro bastariam para marcar golo, sofrer penálti ou assistir um colega. Mas a ausência prolongada secou-lhe a aura de salvador e pouco ou nenhum efeito teve a sua entrada.

 

Luiz Phellype (-)

Entrou depois da expulsão do guarda-redes do Benfica, sem nada conseguir demonstrar nos sete minutos de descontos.

 

Marcel Keizer (1,0)

Deve ao videoárbitro João Pinheiro, capaz de impedir Artur Soares Dias de se envergonhar tanto quanto a esmagadora maioria dos jogadores do Sporting, não ter ficado associado a um dos piores desaires caseiros frente ao Benfica. E não se pode dizer que tenha merecido a relativa salvação, pois o keizercídio começou logo na convocatória, na qual Petrovic era a única opção para o meio-campo, e continuou ao longo de toda a segunda parte, adiando a segunda e terceira substituição enquanto o adversário fazia o terceiro e o quarto golo da mesma forma que poderia perfeitamente ter feito o quinto e o sexto. Ultrapassada a fase da euforia, directamente para o Inverno do descontentamento dos sportinguistas, o treinador holandês vem de uma sucessão de jogos mal conseguidos, quase sem rotação de titulares cada vez mais exaustos, e precisa de procurar no espelho o principal responsável pelo adeus definitivo ao principal objectivo da temporada. Volta a encontrar o Benfica na quarta-feira, espetando-se que algo mude e que, já agora, não seja para tudo ficar igual.

Que diaby, foi bom!

Não se perdeu o jogo, foi bom, que diaby! Objectivo alcançado. Keizer mostrou que não é completamente suicida - só quando nunca tinha ouvido falar dos clubes com os quais vai jogar. Sorte nossa, o Porto já ganhou a Liga dos Campeões, há trinta anos até ganhou a Taça dos Campeões Europeus, e o homem já teria ouvido falar do clube. Assim, e já mais ambientado, terá pensado "cautela e caldos de galinha ...", lá língua dele. O Sporting fez o que lhe competia: jogar devagar (aos 64 minutos Renan levou mais de 30 segundos para marcar um pontapé de baliza, por exemplo; depois Danilo lesionou-se e saiu de campo, dois minutos depois ainda não fora substituido e a bola, que ficara com Renan, ainda estava na linha de meio-campo), respeitando o Pacto de Não-Agressão que comandou o jogo. 

Foi um bom resultado, numa boa jornada: o Braga empatou e não desgrudámos do terceiro lugar, um belo objectivo; no final da primeira volta estamos apenas a três pontos do segundo lugar, o grande objectivo da época; e o Moreirense perdeu, cavando uma distância mais reconfortante entre o Sporting e o traiçoeiro quinto lugar.

Algumas conclusões sobre a equipa: Jefferson não jogou tão mal como sempre dizem, prejudicando a sua titularidade no posto de bode expiatório; Wendell mostrou que aprendeu chinês neste último ano, pois deve ter cumprido exemplarmente o posto táctico de que foi incumbido (com a bola nos pés nada fez, mas isso não inibe que tenha jogado bem, ainda que eu não tenha reparado nisso, aqui a olhar para o computador).

Uma coisa não percebo e Keizer deveria ser questionado sobre isso. O Sporting está numa grande crise financeira. Ainda assim fez contratações, com grande esforço e até risco. A mais cara foi Diaby, um avançado prometedor. Não está lesionado. Porque será que o treinador não o põe a jogar?

 

Pódio: Diaby, Miguel Luís, Nani

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Belenenses pelos três diários desportivos:

 

Diaby: 16

Miguel Luís: 16

Nani: 15

Bruno Gaspar: 15

Gudelj: 15

Renan: 15

Wendel: 14

Mathieu: 14

Acuña: 13

Petrovic: 12

Coates: 12

Raphinha 11

Bas Dost: 11

Jovane: 1

 

A Bola  elegeu  Miguel Luís  como melhor jogador em campo. O Record  optou por  Nani.  O Jogo escolheu Diaby.

Armas e viscondes assinalados: Pesadelo antes do Natal

Vitória de Guimarães 1 - Sporting 0

Liga NOS - 14.ª Jornada

23 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (4,0)

Poderia muito bem ter sido uma noite memorável para o brasileiro, convertido no gato de Schrodinger dos guarda-redes, na medida em que viu o cartão vermelho e não viu o cartão vermelho no mesmo lance. Expulso por derrubar um adversário que seguia isolado, valeu-lhe o videoárbitro, que detectou um fora de jogo no início da jogada, para continuar a tentar evitar o inevitável: o primeiro desaire do Sporting na era de Marcel Keizer. Teve uma exibição que só ficou aquém da perfeição devido a uma abordagem deficiente a um cruzamento perigoso e à incapacidade de evitar o único golo do jogo, acumulando excelentes defesas, tanto a mísseis disparados de longe quanto a remates disparados de perto. O Sporting voltou de Guimarães com zero pontos apesar de Renan e bastaria que mais alguns dos outros 13 que jogaram estivessem ao seu nível para evitar o pesadelo antes do Natal.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Mal vão as coisas quando o lateral-direito contratado à Florentina não é o elo mais fraco da equipa leonina. Longe de ter sido muito mais eficaz do que costuma, apesar das ligeiras melhoras na hora de atacar, não foi o principal culpado e ainda se pode queixar de ter sido amarelado cedo e sem motivo.

 

André Pinto (2,0)

Costuma ser um bom suplente de Mathieu, tanto quanto Bruce Wayne pode ser bom suplente de Batman. Algo que talvez explique as maiores dificuldades sentidas a substituir Coates, com quem costuma formar uma dupla de centrais menos propensa a deixar escapar tantos adversários na direcção da baliza.

 

Mathieu (2,5)

É bem verdade que fica ligado ao resultado final, pois o remate de Tozé alterou a trajectória ao embater no seu pé, mas o francês deu o corpo à bala num lance em que Renan Ribeiro dificilmente poderia evitar o 2-0 e integrou-se várias vezes no esforço ofensivo dos leões. 

 

Acuña (2,5)

Nem sempre a pessoa mais esperta na sala leva a sua avante e nem sempre o melhor lateral do Sporting deixa a sua marca. Algo limitado no um contra um (ou contra dois, ou contra três), o argentino também ficou aquém do que sabe nos cruzamentos e viu os colegas desperdiçarem aquilo que criou com o suor do seu rosto. Do ponto de vista defensivo destacou-se uma ocasião na primeira parte em que só lhe faltou estender uma passadeira vermelha para que um adversário entrasse na grande área do Sporting.

 

Gudelj (2,0)

Ouviu das boas de Renan numa das jogadas em que permitiu incursões vimaranenses junto à baliza do Sporting e foi um dos maiores responsáveis pelo domínio que os da casa exerceram. Teria sido um herói caso Bruno Fernandes tivesse começado a correr um segundo antes para o passe longo que o sérvio fez, logo no início do jogo, para a entrada da grande área do Guimarães.

 

Miguel Luís (1,5)

Entre a macieza na cobertura das movimentações dos adversários e a desinspiração nas trocas de bola com os colegas andou a noite aziaga da nova coqueluche de Alcochete. A melhor memória que pode guardar é o passe muito longo a servir o recém-entrado Raphinha.

 

Bruno Fernandes (2,0)

Rematou muito, como quase sempre, mas o melhor que conseguiu foi acertar na cara de um defesa. Também os passes raramente lhe saíram bem e até conseguiu, mesmo ao cair do pano, ver um amarelo por protestos que o retira da equação na próxima jornada da Liga NOS, já em 2019, frente ao Belenenses. Espera-se que Francisco Geraldes volte cheio de energia do exílio que lhe terá permitido aprimorar o estudo da Escola de Frankfurt.

 

Diaby (3,0)

Fez o único remate digno desse nome que o Sporting conseguiu na primeira parte, e depois do intervalo serviu Raphinha antes de tentar novamente o golo, sem grande pontaria. Ainda provocou um autogolo, num lance anulado por flagrante fora de jogo, e é pena que isto baste para se destacar dos demais.

 

Jovane Cabral (2,5)

Sofreu uma carga logo no início da partida, quando acabara de recuperar a posse de bola com o guarda-redes adversário a tentar recuar para a baliza. A falta não mereceu amarelo, sabe-se lá porquê, tal como as incursões do jovem extremo pela esquerda não mereceram seguimento dos colegas. Não voltou para o relvado na segunda parte, reconhecidamente o seu melhor habitat.

 

Bas Dost (2,0)

Dois remates de cabeça, um muito torto e outro directo para as mãos do guarda-redes, constituíram o fraco pecúlio do goleador holandês, ligeiramente mais útil a fazer combinações com os colegas.

 

Raphinha (3,0)

Regressou de lesão num jogo em que voltou ao estádio do antigo clube e, tendo entrado após o intervalo, protagonizou a fase menos má dos leões. Excelente a dominar a bola lançada por Miguel Luís, livrou-se de um adversário antes de rematar quase à figura, tal como noutra ocasião para dar início à reviravolta perdida ficou a centímetros do poste. Tê-lo pronto a jogar é uma das poucas boas notícias que o Sporting recebeu nesta noite.

 

Carlos Mané (2,0)

Entrou para servir de segundo avançado e o melhor que conseguiu foi amortecer o cruzamento de Mathieu para um remate disparatado de Diaby a poucos metros da baliza.

 

Petrovic (1,5)

Cumpriu os últimos minutos de jogo na posição de Gudelj e não conseguiu reverter a má situação.

 

Marcel Keizer (2,0)

Bem avisou que este dia chegaria e no final do jogo ainda agradeceu a Renan pela contida dimensão da vitória da equipa da casa. Nada disto desculpa a incapacidade de levar os seus jogadores a reconquistarem o meio-campo perdido, mas também é verdade que a vaga de lesões limitou as opções que tinha no banco. Caído dos céus para uma realidade complexa, trazendo do Minho os mesmos zero pontos que José Peseiro, cabe-lhe tentar o milagre da qualificação para a fase final da Taça da Liga e a preparação das duas primeiras jornadas da Liga disputadas em 2019. Tudo o que for chegar ao Sporting-FC Porto com cinco ou mais pontos de desvantagem soa a missão impossível.

Armas e viscondes assinalados: Premissas diferentes para o mesmo resultado

Sporting 5 - Rio Ave 2

Taça de Portugal - Oitavos de final

19 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Voltou a sofrer dois golos sem culpa, pois um autogolo com nota artística e uma grande penalidade nunca seriam propriamente fáceis de defender. Talvez também não conseguisse chegar à bola no livre directo que embateu na barra, mas esteve bem nas manchas, uma das quais impediu Fábio Coentrão de ter um regresso a casa ainda mais feliz.

 

Bruno Gaspar (1,5)

O autogolo vistoso que cometeu pouco antes do intervalo, numa tentativa de corte que resultou num chapéu perfeito ao seu guarda-redes, foi a principal nota de destaque de uma exibição marcada, mais uma vez, pela incapacidade de ajudar o ataque leonino. Se a extinção do dodó foi consequência directa da incapacidade que essa ave demonstrava no momento de voar, o que poderá estar reservado a um lateral que não sabe fazer cruzamentos? 

 

Coates (3,0)

Mesmo a indignação com que reagiu ao pénalti marcado por João Pinheiro, após um ressalto ter levado a bola a embater na sua mão, serve para mostrar a classe do central uruguaio. Nada convencido da justiça da decisão, insistiu de forma insistente mas civilizada com o árbitro, e não deixou que o episódio abalasse a sua concentração. Ficou bem perto de marcar o tantas vezes adiado golo de cabeça, encaminhando a bola para o poste mais distante no lance em que a recarga de Bas Dost selou o 2-0. E manteve a média de cortes de jogadas perigosas que faz de si um ausência muito notada na deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,0)

Uma desatenção que permitiu ao irrequieto Gelson Dala rematar para fora dentro da grande área foi o pior momento do francês, desta vez incapaz de marcar de livre directo. Acabou por ter direito a alguns minutos de descanso necessários a dar rotina de jogo ao homem com quem irá formar dupla de centrais no próximo jogo do Sporting.

 

Acuña (3,5)

Duas assistências para golo e o incansável contributo para o domínio sobre uma equipa tão perigosa e bem organizada quanto o Rio Ave mereceriam melhor nota não fosse a faceta patologicamente contestatária do argentino. Empenhado em tentativas de comunicação com o auxiliar que mereceram vaias dos poucos mais de 12 mil presentes no estádio, acabou por ver o amarelo devido a uma sucessão de faltas enumeradas pelo árbitro.

 

Gudelj (3,0)

Tinha pela frente adversários valiosos e deu boa conta de si na maior parte do tempo. Sem sorte a rematar de longe, ainda sofreu um toque e viu-se forçado a sair do relvado mais cedo.

 

Miguel Luís (3,5)

As mesmas chuteiras de lã com que ganhou lugar na equipa de Marcel Keizer serviram-lhe para pautar a ligação entre defesa e ataque no meio-campo leonino. Já lhe chamam o novo Adrien, o que é uma péssima notícia para o Adrien propriamente dito.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Um golo e uma assistência não chegam para traduzir aquilo que o capitão na ausência de Nani fez neste jogo. Apesar de o 3-0 ter sido o melhor do jogo, num míssil teleguiado com força, efeito e precisão, e apesar de a assistência para Diaby ser uma obra de arte. Todos os seus toques de bola foram excelentes e a assistência que fez para o potencial hat-trick de Bas Dost deveria contar mesmo sem ter sido concretizada. A exibição só não foi perfeita pelas duas ou três ocasiões em que insistiu em passar a bola para a direita quando tinha Jovane Cabral a isolar-se na esquerda.

 

Diaby (4,0)

Mais dois golos plenos de oportunidade, daqueles que o revelam como um avançado capaz de estar no sítio certo à hora certa, fazem pensar onde é que o maliano terá andado durante os seus primeiros meses em Alvalade. 

 

Jovane Cabral (3,5)

Voltou a não estar isento de trapalhadas ao longo de um dos raros jogos que fez do primeiro ao último minuto, mas integrou-se bem na fábrica de fazer goleadas leonina e ainda fez um cruzamento tão perfeito para o segundo golo de Bas Dost que quase dispensou o holandês de tirar os pés do chão no momento de cabecear.

 

Bas Dost (4,0)

Desta vez não sofreu nem converteu pénaltis, dedicando-se à sua especialidade de marcar golos que, sem serem de m..., não são para emoldurar e pendurar na parede. Rápido a encaminhar a bola para as redes no 2-0 e a arrastar os defesas consigo no 3-0, bisou de cabeça e só não chegou ao hat-trick devido ao excesso de ética protestante que lhe mandou devolver a bola a Bruno Fernandes sem que o colega estivesse à espera.

 

Petrovic (3,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e interpretou bem o papel de unidade menos criativa de uma equipa concebida para criar. Consciente das suas limitações técnicas, o sérvio contorna essas dificuldades de modo a poder ser útil e a justificar o seu lugar no plantel.

 

André Pinto (2,5)

Teve direito a alguns minutos no relvado como ensaio para a deslocação a Guimarães no próximo domingo. Podia ter corrido melhor, pois ficaram patentes as dificuldades na hora de lidar com avançados velozes.

 

Ristovski (3,0)

Outro que recebeu alguns minutos para ganhar ritmo de jogo. Aproveitou-os bastante bem, nomeadamente nas missões defensivas, ainda que o grau de comparação fosse uma das piores actuações de Bruno Gaspar.

 

Marcel Keizer (4,0)

Repetiu o mesmo resultado do último jogo, ainda que sem o susto dos dois golos iniciais sofridos com o Nacional, e empolgou os poucos sportinguistas que fizeram uma pausa nos afazeres natalícios. Totalmente ganha a aposta em Miguel Luís e as substituições destinadas a dar minutos a jogadores que precisa de ter como opções válidas para o que der e vier. Mas o mais importante é a liberdade que concede aos criativos da equipa e que torna menos relevante a fase em que se encontra o trabalho defensivo.

Armas e viscondes assinalados: Nem com um a menos se repetiu o Jamor

Sporting 4 - Desportivo das Aves 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

9 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,5)

Sabia que o último guarda-redes do Sporting a sofrer dois golos do Desportivo das Aves num só jogo é agora titular de um clube da Premier League, mas nem assim o brasileiro consentiu que a bola voltasse a transpor a linha de golo após o tento que abriu o marcador em Alvalade. Sem nada poder fazer para desviar o cabeceamento de Defendi, Renan Ribeiro cobriu bem o ângulo para evitar que Amilton fizesse o 0-2 num contra-ataque muito rápido, e voltou a dificultar a missão de Elhouini, servido por um péssimo atraso de Coates, mesmo antes de o intervalo chegar e de Nani selar a reviravolta. Manteve-se atento na segunda parte, encaixando remates perigosos e controlando o tráfego aéreo na sua grande área de jurisdição.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Ficou a dever o 5-1 a Bas Dost, sendo incompreensível como conseguiu cruzar mal ao ponto de os metros de avanço do holandês em relação à linha defensiva de nada servirem. Por essa altura já era evidente que o lateral-direito assumira o papel de coveiro de jogadas prometedoras, tão manifesta a sua incapacidade de conseguir desequilíbrios ou de sequer fazer chegar a bola aos colegas de equipa. Melhor defensivamente, distinguiu-se por um alívio milagroso que evitou um segundo golo capaz de levar a que também Renan Ribeiro fosse para o Wolverhampton. Muito pouco, ainda assim, para justificar titularidade (até a presença) numa equipa que luta para ser campeã.

 

Coates (2,5)

Dizer que não foi a melhor noite da carreira do central uruguaio é pouco. O golo do Desportivo das Aves teve o seu aval, tamanha a liberdade que permitiu a Defendi, mas também abusou da sorte em contactos com adversários na grande área e fez um passe disparatado a Renan que poderia ter levado a um pesadelo semelhante àquele que viveu na final da Taça de Portugal. Claro que a isto pode contrapor uma sucessão de cortes providenciais e de outras resoluções de problemas, bem como uma incursão pelo meio-campo adversário (em trocas de bola com Bas Dost) menos  fútil do que é habitual, ainda que tão pouco frutífera quanto as anteriores. Mas a ele exige-se sempre mais. 

 

Mathieu (3,0)

Forçado a trabalhar muito na fase inicial de construção de jogadas, devido à apertada vigilância que os adversários impuseram ao meio-campo leonino, o francês deu o que tinha. E ainda lhe sobrou muito para fazer cortes e antecipações que evitaram maiores dissabores ao Sporting.

 

Acuña (2,0)

Viu dois amarelos, o segundo dos quais por derrubar um adversário que se iria isolar, e deixou os colegas com menos um em campo durante quase 40 minutos. Já não seria grande cartão de visitas, mas a parte pior é que a sua exibição ficou mais marcada pelos conflitos com a equipa de arbitragem (sobretudo o fiscal de linha a quem terá declamado alguns dos mais belos versos da poesia em língua castelhana), e pelas picardias que lhe valeram o primeiro amarelo, do que pelo futebol praticado. Tendo recolhido mais cedo ao balneário, talvez tenha podido assistir ao prolongamento da final da Taça Libertadores da América.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo totalmente manietado pela táctica do Desportivo das Aves, demorando a ganhar espaço. Conseguiu-o sobretudo na segunda parte e revelou-se útil na missão de não se reparar tanto na inferioridade numérica dos jogadores verdes e brancos.

 

Wendel (3,0)

Vítima de uma entrada a puxar para o assassino, mesmo que nem sequer sancionada com falta, o jovem brasileiro regressou ao relvado com uma ligadura e com prioridade na ordem de substituições, sendo descansado por Marcel Keizer quando se tornou evidente que estaria tocado. Até então fizera o possível para assegurar circulação de bola no meio-campo. Mas não tão bem quanto nos jogos anteriores.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Chamar assistência ao passe que fez para Nani antes do 2-1 poderá ser uma tecnicalidade, mas o cruzamento perfeito, tirado da cartola mesmo junto à bandeirola de canto para Bas Dost cabecear para o 3-1, tal como o passe rápido e cheio de efeito que serviu Diaby no 4-1, são obras de arte só ao alcance de um grande jogador. Tão eficaz a construir como solidário a defender, voltou a provar que o melhor jogador da última temporada não se encontra num retiro espiritual tendo deixado um sósia no seu lugar.

 

Nani (3,0)

Marcou um golo magnífico, num remate de fora da área que não perde mérito por ter beneficiado do toque num adversário, daqueles golos que dá valor ao preço que se paga para ver um jogo. Foi o ponto mais alto de uma noite em que andou muitas vezes desaparecido, foi pouco influente na equipa e poderia ter saído mais cedo para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Diaby (4,0)

Podia ter entrado na história do jogo mais cedo, pois dominou bem a bola dentro da grande área do Aves e rematou com muita força, só que a bola tentou furar as redes pela parte de fora. Precisou de esperar pelo lance em que foi abalroado quando procurava servir Bas Dost de cabeça, valendo o pénalti que permitiu o empate. E mais tarde selou o resultado final, pouco depois da expulsão de Acuña reavivar fantasmas de jogos passados, controlando muito bem a bola oferecida por Bruno Fernandes, flectindo rapidamente em direcção à baliza e fazendo um remate indefensável. Saiu do relvado com a sensação do dever cumprido.

 

Bas Dost (4,0)

O grau de confiança de Bas Dost ficou patente na firmeza com que agarrou a bola quando o árbitro ainda se dirigia para os monitores nos quais reviu várias vezes a falta sobre Diaby. A mesma confiança que lhe permitiu cobrar a grande penalidade de forma simples e eficaz, ou que serviu para cabecear como mandam as regras o cruzamento inesperado que Bruno Fernandes lhe endereçou. Sendo certo que talvez abuse do tempo que passa longe da baliza, nomeadamente em combinações com os colegas, não ficou longe de somar uma assistência para golo à contabilidade, descobrindo o recém-entrado Bruno César em boa posição para marcar.

 

Jefferson (2,5)

Foi chamado ao jogo na sequência da expulsão de Acuña, e foi útil sem deslumbrar, numa eficácia desprovida de brilhantismo que ajudou a assegurar tranquilidade à noite dos mais de 35 mil que foram a Alvalade. Chegou para ser o melhor lateral da equipa.

 

Bruno César (2,5)

Entrou para o lugar de Diaby, mas com a verdadeira missão de substituir Wendel, por sua vez sacrificado para a entrada de Jefferson. Devolveu critério na posse de bola e ficou a centímetros de fazer o 5-1, num remate à entrada da grande área, após uma assistência de Bas Dost.

 

Marcel Keizer (3,5)

Estreou-se no Estádio de Alvalade com uma exibição que não foi isenta dos sustos a que os sportinguistas se devem ir habituando. Desta vez não obteve resultados tão positivos do meio-campo, mas os violinos da orquestra estiveram afinados quanto baste para assegurar bons momentos de futebol e um caudal de golos que coloca o Sporting à beira de ter o melhor ataque da Liga. Bem a reagir à expulsão de Acuña, ainda que a dois tempos, só pecou por não refrescar a equipa com a terceira substituição. Tanto Jovane Cabral como Montero poderiam aproveitar o balanceamento dos adversários para o ataque nos últimos minutos de jogo.

Armas e viscondes assinalados: O azar dos azeris veio à meia-dúzia de Alvalade

Qarabag 1 - Sporting 6

Liga Europa - 5.ª Jornada

29 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Nem no Azerbaijão se livrou de sofrer um golo sem ter grande culpa disso. Depois de ter as redes arrombadas, com o Qarabag a repor a igualdade que pouco tempo durou, pôs trancas à porta da grande área, de onde saiu em duas ocasiões, e com grande estilo, para travar ataques da equipa da casa. Mesmo assim, e apesar de ser um espectador pouco participante na maior parte do jogo, quase sofreu um segundo golo que só não existiu devido à rapidez de raciocínio e de execução demonstrada por Bruno Fernandes. É possível que o brasileiro emprestado pelo Estoril-Praia seja um guarda-redes à altura do Sporting, mas raramente tem oportunidades para o provar.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou em grande, fazendo o cruzamento que Bas Dost transformou no lance do pénalti que abriu o marcador, mas ficou marcado pelo lance do golo do Qarabag, no qual nada pôde fazer contra dois adversários que apareceram sozinhos na grande área. Primou pela mediania esforçada e pela ausência de novos cruzamentos, voltando a mostrar que o Sporting tem um problema na direita tanto grande quanto as sondagens do PSD.

 

Coates (3,5)

Habituado a ser o patrão da defesa leonina, patrão continuou a milhares de quilómetros de Lisboa. Começou por resolver todos os problemas aéreos e terrestres na sua área de intervenção, mas com o passar do tempo integrou-se cada vez mais no ataque. Só lhe faltou o golo que deveras mereceria.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a interpretar na perfeição o papel de suplente de Mathieu. O central português é o mais próximo de um bom ‘understudy’ da Broadway que se pode encontrar nos relvados, pois raramente ou nunca desilude quem nunca pagaria bilhete para o ver jogar. Assim voltou a fazer e os azeris foram postos em respeito.

 

Jefferson (2,0)

Todas as boas indicações deixadas no jogo anterior, aquele em que fez duas assistências para golos de Bas Dost, não chegaram a embarcar no avião que transportou a comitiva leonina. Inofensivo no ataque, e incapaz de fazer um cruzamento que fosse, o brasileiro só não foi pior porque não comprometeu por aí além nas missões defensivas. Felizmente haverá Acuña ao luar de Vila do Conde na segunda-feira.

 

Gudelj (3,5)

Começou o jogo algo manietado pelos jogadores do Qarabag, incapaz de participar na construção do ataque. Mas depressa se impôs na floresta do meio-campo e foi um dos intérpretes da nova filosofia de jogo que Marcel Keizer veio trazer ao Sporting. Outro ponto positivo: num festival de cartões amarelos, em que os azeris foram admoestados a torto e a direito, escapou incólume.

 

Wendel (4,0)

Outro que demorou alguns minutos a encontrar o seu lugar no relvado, até porque jogar ao primeiro toque é mais complicado do que o futebol mastigado e contemplativo dos tempos do outro senhor. Quando encontrou o lugar trouxe ilimitado azar aos azeris, acumulando assistências para golo e contribuindo de todas as formas para um resultado que poderia ser ainda mais impressionante se não tivesse cabeceado de olhos fechados, mesmo em frente da baliza, de uma forma equivalente à do célebre e infausto falhanço de Bryan Ruiz.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tranquilizou as hostes com o remate de meia-distância que resultou no 1-2, contando com força, colocação, ressalto na relva e alguma ajuda do guarda-redes. Déspota iluminado do meio-campo ofensivo, combinou com os colegas de um modo que merece nota artística elevada, e bisou na segunda parte, numa desmarcação rápida e decidida ao passe de Wendel. É verdade que foi o único sportinguista amarelado, mas compensou-o ao chutar para longe a bola que ameaçava reduzir a desvantagem do Qarabag para 2-3.

 

Nani (4,0)

Venceu em drible e velocidade metade da equipa da casa para fazer um golo espantoso e claramente merecedor de ser comemorado com o salto mortal que deve provocar calafrios às seguradoras. Antes disso já se fazia notar pela forma como recuava no relvado para construir jogadas. Saiu alguns minutos antes para a ovação dos poucos adeptos leoninos sentados numas bancadas que também não tinham muito mais adeptos do Qarabag.

 

Diaby (3,5)

Encaminhava-se para mais um festival de inconseguimentos, embora tivesse participado na jogada que deu origem ao primeiro golo, oscilando entre perdas de bola e falhas de cobertura (a mais flagrante conduziu ao golo do empate), mas não só voltou a marcar um golo como, já depois de passar a referência atacante para o descanso de Bas Dost, ainda sucedeu que bisasse. 

 

Bas Dost (3,5)

Não muito distante do Azerbaijão, Jorge Jesus também decerto exclamou ter sido ele a ensinar o holandês a dominar a bola como dominou, forçando um adversário a derrubá-lo, e a marcar o penálti com uma perfeição maquinal. Não satisfeito com isso, o ponta de lança voltou a empenhar-se nas combinações com os colegas, compensando a falta de novas oportunidades de golo provocada pela ausência de cruzamentos dos desinspirados laterais. Teve direito a descanso antecipado, pois na segunda-feira há três pontos para amealhar frente ao Rio Ave.

 

Jovane Cabral (3,0)

Chegou, viu e assistiu para golo. Wendel desperdiçou um cruzamento perfeito, mas Diaby mostrou ser bem-agradecido e facturou. Pena que tenha entrado para o lugar de Bas Dost, pois o holandês teria finalmente quem lhe colocasse bolas na cabeça. Pena também que numa belíssima jogada individual não tenha rematado melhor.

 

Thierry Correia (2,0)

Teve direito à estreia na equipa principal e, sem nunca deslumbrar, esteve à altura da responsabilidade e não destoou do substituído Bruno Gaspar - o que também não é dizer assim tanto. Se o campeão europeu de sub-17 e sub-19 se consciencializar que é o elemento dos sub-23 para quem as circunstâncias do plantel do Sporting são mais favoráveis, tudo terá para ser um caso sério.

 

Carlos Mané (2,0)

Já passava dos 90 minutos quando fez uma arrancada pelo meio-campo adversário que fez recordar as esperanças que nele depositavam antes do advento de Jesus, do exílio alemão e das lesões recorrentes. Foi pena não ter um pouco mais de energia.

 

Marcel Keizer (4,5)

Disse que o Sporting não fez o jogo perfeito, ainda que a goleada à antiga, tão grande quanto as maiores da Europa, e a exibição muito bem conseguida tenham sido uma boa aproximação. Parece evidente que os jogadores estão a assimilar bem as suas ideias, algo que não deixa de ser verdadeiro só por soar ao pior tipo de futebolês. E se conseguir solucionar os problemas laterais do Sporting poderá ser um caso sério.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Carrossel em Baku

A semana europeia começou com o jogo entre o Hoffenheim e o Braga, perdão, entre o Bayern e o Benfica, ou seja, entre o quinto classificado do campeonato alemão e o quarto do campeonato português. Todavia, julgo que há que dar desconto à derrota do Benfica: depois do Black Friday tivemos o Benfica Tuesday, uma mão-cheia de presentes de fazer corar qualquer e-Toupeira, que veio confirmar que o Benfica não se dá bem com arianos, pois já no Jamor - where the teams have no name - havia perdido com uma SAD de marca branca. A continuar assim, iremos ouvir mais o "venham mais cinco" do Zeca que o "papoilas saltitantes..." (Ser Benfiquista) do Piçarra...

 

De seguida, o Porto não alinhou em brindes  venceu o Schalke, qualificando-se para a próxima fase da Champions. E chegámos a Quinta-feira e ao jogo dos leões. O Sporting é um clube "sui-generis", onde se discute mais o número de horas que um presidente deve dormir do que se os jogadores estão acordados em campo. Mas a verdade é que com Keizer eles parecem bem despertos. Há quem diga que jogamos fácil, mas no futebol o mais difícil é jogar fácil, ao primeiro/segundo toque, com movimentação constante dos jogadores a darem linhas de passe e com a baliza sempre na mira. Tal exige recepção de bola, leitura de jogo e passe, capacidade de remate e muita disponibilidade física.

 

Hoje, de um lado estava o Qarabag, do outro um clube que quer "bago". E a verdade é que a jogar assim estamos mais próximos de melhorarmos as nossas finanças. O jogo praticamente começou com o golo de Bas Dost: Bruno Gaspar foi solicitado na direita por Diaby, olhou, e não vendo ninguém na área centrou atrasado para Dost. O holandês rodou sobre a bola e foi carregado já na grande área. Na conversão do "penalty" dostou como de costume. Um-azeri para o Sporting. O Qarabag não acusou o toque e aproveitou uma falha de Bruno Gaspar, que não respeitou a linha de fora-de-jogo, para igualar o marcador. Temia-se a tremideira, mas a partir daí só deu Sporting: Bruno Fernandes, a passe de Wendel e com a colaboração do guarda-redes islandês dos azeris, marcou o segundo, e Nani, num grande trabalho individual (iludiu 4 azeris), novamente servido por Wendel, o terceiro. De referir que essa jogada teve ainda a participação de Coates, Diaby e Dost e que foi feita sempre em progressão. Ainda houve tempo para o brasileiro perder o quarto e para Bruno Fernandes salvar sobre o risco um golo da equipa do Azerbeijão. No segundo tempo, Wendel (sempre ele) serviu Diaby para o poker de golos e voltou a aparecer (uff) para servir Bruno Fernandes para a "manita". Pelo meio voltou a desperdiçar uma boa oportunidade. Finalmente, numa jogada iniciada por Bruno Fernandes e continuada por Jovane Cabral, Diaby facturou o sexto com um bom apontamento técnico. 

 

Respira-se ar fresco hoje em Alvalade. Em muito pouco tempo, Keizer conseguiu pôr o Sporting a jogar à bola. Um futebol fuido, de passe e desmarcação, num carrossel mágico assente no centro do terreno. Para além disso, a reacção à perda de bola melhorou bastante desde Viseu, o que mostra que os jogadores estão a assimilar bem os processos. Todavia, há um aspecto que cumpre melhorar e que se prende com a deficiente cobertura do segundo poste, aquando dos cruzamentos.

O treinador leonino deu ainda durante o jogo oportunidade a miúdos saídos da nossa Formação, fazendo entrar o renascido Mané, Jovane Cabral e o estreante Thierry Correia. E depois há o caso Wendel: um jogador "lost in translation" de mandarim, mas que parece ter aprendido bem o holandês...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel

qarabagsporting.jpg

 

Armas e viscondes assinalados: Nove minutos para as ambições do Keizer

Lusitano de Vildemoinhos 1 - Sporting 4

Taça de Portugal - 4.ª Eliminatória

24 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

O Boavista e o Arsenal mantiveram-se isolados no que toca à capacidade de não marcarem golos ao guarda-redes brasileiro, último a ficar mal na fotografia (após Bruno Fernandes, Gudelj, Coates e Bruno Gaspar) na jogada em que o Lusitano de Vildemoinhos empatou. Antes disso fizera uma boa defesa e tornara-se observador pouco participante do desafio disputado no sempre deslumbrante estádio do Fontelo. Pior balanço da tarde só poderia ter ocorrido se a equipa dos arredores de Viseu tivesse feito o segundo golo, mesmo ao cair do pano (certamente molhado de levar com tanta chuva) num lance de insistência em que o remate saiu muito por alto e Renan aparentava estar batido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito em jogo na primeira parte, ao ponto de ter sofrido um toque dentro da grande área adversária que poderia ter levado à marcação de um pénalti, ganhou várias vezes a linha e cruzou para zonas lamentavelmente desprovidas de camisolas verdes e brancas. Do ponto de vista defensivo sobressaiu uma dobra em que afastou a bola na hora H, mas no instante I observou o cabeceamento de Diogo Braz para a baliza do Sporting. Para piorar, muitas foram as ocasiões durante a segunda parte em que se tornou evidente que não fazia a menor ideia do que deveria fazer à bola.

 

Mathieu (3,0)

Começou com uma perda de bola que teria sido assaz comprometedora não fosse o caso de o próprio ter recuperado terreno e impedido o golo que inauguraria o marcador. Foi esse o mote de uma actuação segura, mesmo quando recorria à classe para solucionar os seus próprios erros, ainda que no lance do golo do Vildemoinhos seja o menos culpado.

 

Coates (3,0)

Três vezes reincidiu nas incursões pelo meio-campo contrário, sem quaisquer consequências práticas, o que talvez deva levar a repensar essa prática perante adversários mais complicados. Mas no resto, tirando o posicionamento no lance do empate, foi de uma competência tão absoluta que quase se pode esquecer por um instante que os adversários eram de um escalão muito inferior.

 

Jefferson (3,5)

Na ausência de Acuña coube-lhe ser o cruzador-mor do Sporting, e o balanço final de duas assistências para golo mostra que não desaproveitou a oportunidade. Na primeira parte fez um cruzamento rasteiro e muito rápido para o encosto de Bas Dost e na segunda parte fez um cruzamento aéreo e em que a bola demorou a fazer o arco para o pontapé de Bas Dost. Ambos deram resultado e fizeram com que o brasileiro não ficasse à espera de uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão ao novo treinador.

 

Gudelj (3,0)

Entre as suas culpas no cartório estão o cartão amarelo algo escusado que o condicionou desde cedo e a displicência com que permitiu o cruzamento para o golo dos adversários. Mas voltou a provar que é um poço de força que utiliza para varrer o meio-campo de ameaças à integridade territorial da sua equipa.

 

Wendel (3,0)

Foi o melhor do Sporting na primeira parte, e não apenas por ter dado início à jogada que inaugurou o marcador. Muita luta, qualidade de passe e capacidade de ler o jogo só não surtiram melhores efeitos porque não afinou a pontaria na hora de rematar. Na segunda parte começou a decair, com a falta de ritmo e o cansaço nas pernas a virem ao de cima, pelo que foi substituído por um compatriota que entrou no relvado já mais cansado do que ele.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Estava a ser mais uma tarde mal-aventurada para o melhor jogador da Liga em 2017/2018, capaz de rematar para as bancadas, em posição frontal, após uma defesa incompleta do guarda-redes, para de seguida perder a bola que permitiu o golo que anulou a vantagem obtida por Bas Dost. Mais recuado do que Wendel, e com instruções para iniciar a construção das jogadas, andava perdido no jogo. Tudo mudou na segunda parte, mais concretamente no momento de pura magia em que recebeu a bola de costas para a baliza, fez um passe de calcanhar para Bas Dost, recebeu a tabelinha do holandês e num toque seco de primeira dirigiu a bola para o fundo das redes, dando início aos nove minutos que levaram o Sporting do sufoco do 1-1 à tranquilidade do 1-4. Mais influente ao longo dos últimos 45 minutos, deixou a esperança de que os bons tempos estejam para voltar.

 

Diaby (3,0)

Começou por fazer várias boas arrancadas pela direita, não raras vezes coroadas com cruzamentos bastante decentes, e desta vez não executou os inconseguimentos futebolísticos que borram habitualmente as suas pinturas. Tão especial era o dia que até marcou um golo à ponta de lança, servido por Nani, recebendo um voto de confiança de Marcel Keizer ao ser desviado para a posição de avançado centro quando Bas Dost teve direito a merecido repouso.

 

Nani (3,0)

Outro que andou à espera do comboio na paragem do autocarro numa primeira parte em que deixou como principal marca o desperdício de um dos melhores cruzamentos de Jefferson. Voltou do intervalo com mais garra, ainda que a velocidade que vai faltando dificulte boa parte daquilo que se espera de um extremo. Mas isso não o impediu de servir Diaby para o golo que selou o resultado final.

 

Bas Dost (3,5)

Agarrado pela camisola num lance em que o árbitro decidiu não marcar grande penalidade, o avançado holandês mostrou-se sempre muito dinâmico a trocar a bola com os colegas e não desperdiçou a ocasião que teve para fazer o primeiro golo num toque precioso junto ao relvado. Só precisou de metade da segunda parte para bisar, novamente com o pé, e para fazer um assistência primorosa. Se a cabeça tivesse mais juízo, o Vildemoinhos é que pagaria.

 

Jovane Cabral (2,0)

O elemento do plantel do Sporting que mais tem a agradecer a José Peseiro não aproveitou a quinzena de minutos no relvado para recuperar a aura de talismã. Mas ainda assim fez duas boas incursões pela direita, numa lógica de depressa e (mais ou menos) bem até existe quem.

 

Bruno César (1,5)

Entrou e logo começou a perder bolas e fazer passes errados. Se a ideia era provar que tem lugar no plantel, dir-se-ia que a resposta não foi a melhor.

 

Petrovic (1,5)

Deu descanso a Gudelj nos últimos minutos e dedicou-se a fazer um número de faltas desproporcional ao tempo passado no relvado. 

 

Marcel Keizer (3,0)

Tinha a estreia mais desejável, enfrentando um adversário de escalão inferior, mas não arriscou descansar titulares além de Acuña. Também mostrou o seu dedo ao apostar em Wendel para um 4-3-3 sem flúor de duplo pivot defensivo, mas a verdade é que também passou por um belo sufoco quando o Vildemoinhos empatou logo a seguir ao 1-1. Aos 60 minutos não tinha nenhum suplente a aquecer, pelo que os nove minutos de bom futebol que permitiram a maior goleada leonina dos tempos mais recentes caíram do céu e da qualidade individual de alguns jogadores daquele plantel que não escolheu. O sinal mais interessante foi a aposta em Diaby para terminar o jogo na posição para a qual terá sido contratado, em troca de meia-dúzia de milhões de euros. Mas os próximos embates, com Qarabag e Rio Ave, darão sinais mais claros quanto à evolução do futebol do Sporting do que a passagem em frente na Taça de Portugal.

Armas e viscondes assinalados: Salto mortal para perto da liderança

Sporting 3 - Boavista 0

Liga NOS - 8.ª Jornada

28 de Outubro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

À quarta tentativa, e à terceira titularidade, chegou ao fim de um jogo sem sofrer golos. Se grande parte do mérito pertence ao ataque do Boavista, capaz de ser mais dócil do que o do Loures, a verdade é que o brasileiro esteve sempre atento às ocorrências, ficando na retina uma defesa apertada na cobrança de um livre. Foi bem substituído pelo poste na única ocasião em que não deu conta do recado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Promovido a único lateral-direito do plantel devido à lesão de Ristovski - embora Carlos Mané tenha feito muito boa figura na última final da Taça de Portugal vencida pelo Sporting -, entre alguns cruzamentos descalibrados e incursões sem critério lá conseguiu fazer um jogo acima das suas capacidades e contribuiu de forma decisiva para o 3-0.

 

Coates (3,0)

O erro que custou a derrota contra o Arsenal terá assombrado o uruguaio, assaz atreito a pequenas e médias falhas na primeira parte. Melhorou na segunda, sucedendo-se cortes providenciais, superioridade aérea e tudo aquilo que faz dele quem é. Só não conseguiu a tradicional arrancada pelo meio-campo (ao contrário do tradicional cabeceamento ao lado...) porque um sadversário fez o favor de o travar, agarrando-lhe a camisa.

 

Mathieu (3,5)

Retomou a titularidade e trouxe mais do que classe e poder de antecipação. A sua presença no relvado fez-se sentir na qualidade de saída com bola, com boas consequências na construção de jogo. Ainda ficou perto de marcar na cobrança de um livre directo e só não tem nota mais elevada porque nos últimos minutos de jogo, quando foi desviado para lateral-esquerdo (o que terá levado o não-convocado Luxor a perceber que, afinal, não é a terceira e sim a quarta escolha para a posição), demonstrou alguma displicência na marcação dos adversários.

 

Acuña (3,5)

Sobressaiu menos do que no jogo contra o Arsenal, mas nem por isso foi menos importante na esquerda, combinando melhor com Montero do que com Nani. Além da excelência dos cruzamentos foi tão intransigente como sempre nas missões defensivas e só Battaglia evitou que fizesse Carlos Xistra pagar caro a ousadia de lhe mostrar uma cartolina amarela. Saiu perto do final, para o muito aguardado regresso de Bas Dost, e uma percentagem das palmas também foram para ele.

 

Battaglia (3,5)

Além de ter sido o autor do primeiro lance de golo, com um remate de fora da área que testou os reflexos do guarda-redes boavisteiro, e de impedido que os forasteiros fizessem uma gracinha, oferecendo o corpo a uma bala disparada na grande área, dominou por absoluto o meio-campo ao longo do jogo inteiro.

 

Gudelj (3,0)

Cumpriu os seus deveres conjugais de duplo pivot defensivo (desfeita que foi a relação polidefensiva em que também havia lugar para Petrovic), assegurando-se de que a equipa visitante não vinha ali estragar uma noite que, segundo padrões menos corajosos do que os praticados na Sérvia, estava bastante gelada.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Resgatado da ala direita para o meio do terreno, onde a sua magistratura de influência é exercida de forma mais natural, parecia condenado a manter-se fora da ficha de jogo. Já tinha rematado sem sombra de pontaria na primeira parte, pelo que os gritos que largou ao ver a barra devolver-lhe um livre directo vinham do fundo da alma e só foram aplacados devidamente quando, mesmo importunado pela presença de Carlos Xistra, desferiu um pontapé que transformou o cruzamento rasteiro de Diaby no tranquilizador 2-0. Com o parceiro Bas Dost de volta tudo poderá melhorar.

 

Nani (4,0)

Houve um regresso ao passado quando o capitão do Sporting inaugurou o marcador, cabeceando de cima para baixo, como mandam as regras, e passou ao lado do assistente Montero para celebrar o golo com um salto mortal nada apropriado num cavalheiro com mais de 30 anos. Antes disso já estivera quase a fazer o primeiro golo com outro cabeceamento, desviado para canto pelo guarda-redes, que era de cima para cima, como não mandam as regras. Os colegas já não o deixaram repetir o mortal quando bisou, num remate enrolado à entrada da grande área. Passou os últimos minutos a tentar fazer assistências para Bas Dost.

 

Diaby (3,0)

Foi preciso chegar ao final de Outubro para haver provas palpáveis da utilidade do avançado maliano no plantel do Sporting. Não tanto na primeira parte, pois a surpreendente titularidade não se traduziu em melhor do que um remate para as bancadas a poucos metros da baliza e uma assistência para Bruno Fernandes rematar para as bancadas. Depois do intervalo houve um lance em que recorreu à aceleração e ao descaso para com agarrões e tentativas de desarme para chegar à grande área adversária, mas acabou por bloquear por motivos só explicáveis por psiquiatras. E a verdade é que a velocidade permitiu-lhe conquistar a linha de fundo pela ala direita e centrar atrasado para Bruno Fernandes fazer o 2-0. Ele próprio esteve quase a marcar numa jogada individual de contra-ataque mas o chapéu que fez ao guarda-redes foi curto, lento e ao alcance do defesa que fez a dobra. Fica para a próxima?

 

Montero (3,5)

Mais um jogo de muita luta para o avançado colombiano, coroado com o cruzamento com que ofereceu o primeiro golo da partida a Nani. Também esteve na jogada do 3-0, antes de sair para a entrada de Bas Dost, cujo regresso acarretará certamente mais tardes e noites passadas no banco.

 

Bas Dost (2,5)

Voltou de lesão sem medo de lutar por cada lance. Ficou perto do golo num remate de cabeça, mas o certo é que o seu regresso ao relvado foi (golos à parte) um dos raros momentos em que os 27 mil espectadores se entusiasmaram.

 

André Pinto (2,5)

Entrou para reocupar o lugar que tem sido seu, ao lado de Coates, sem que Mathieu tenha saído de campo, numa situação só comparável ao avistamento em simultâneo de Bruce Wayne e Batman. Em poucos minutos fez dois belos cortes que ajudaram à parte do zero no 3-0.

 

Bruno César (-)

Foi colocado no meio-campo, pouco antes do apito final, talvez só para o pobre Lumor perceber que nunca terá um único minuto de jogo.

 

José Peseiro (3,0)

Há noites assim. Inventou uma improvável ala direita que resultou melhor do que a encomenda, repôs Bruno Fernandes onde mais rende, e recuperou Mathieu (a tempo inteiro) e Bas Dost para a equipa. Aproveitou da melhor forma os resultados do Sporting de Braga e do Benfica, e está agora a apenas dois pontos da liderança. E pensar que não faltaram assobios quando o seu nome foi anunciado pelo speaker antes do início do jogo...

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