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És a nossa Fé!

Leão do Niagara

Ontem, no estádio, esteve sentado ao meu lado um emigrante português no Canadá. Vive nas cataratas do Niagara (do lado canadiano) e veio de propósito a Portugal para ver este jogo. Estivemos, antes do jogo e no longuíssimo intervalo, em amena cavaqueira, mais os meus filhos e um prosegur que era lampião mas extremamente educado. O homem repetiu várias vezes: "vim de propósito do Canadá; nem me importo de perder, mas joguem à bola". Saiu de papo cheio. No final, irradiava alegria. Fiquei sem saber o nome dele. Para mim, passa a ser o Leão do Niagara.

Um David entre Golias.

Chegava a terça-feira. O fim-de-semana tinha sido relativamente calmo. Mas as hostes de carnide, numa alinça característica com os tripeiros, começavam o discurso: "lembram-se do Bayern..", "desta são quantos? 12?", "não envergonhem as equipas portuguesas", e por aí fora...
Usualmente não sou pessoa de virar a cara à luta, característica tão distinta do Sporting e das gentes desta família, a que chamamos Clube. Mas confesso que inicialmente tinha o meu pensamento no limbo. Por um lado queria ver o meu Sporting, por outro um receio apoderava-se de mim. Tinha medo, e assumo-o sem rodeios. No fundo íamos enfrentar o primeiro classificado da Liga Inglesa, um plantel de milhões, um dos melhores treinadores do mundo (se não o melhor). Tudo isto, com um plantel em construção, jovem, embora cheio de potencial. A caminho do Restaurante Universitário, perguntaram-me onde ia ver o jogo. O receio apoderou-se da resposta e disse: "Muito provavelmente vou estudar. Devo acompanhar o jogo pelo Ipad, no site do Record ou assim..."

Muitos deles adeptos dos Andrades, sedentos de gozo, retorquiram: "Então Fred? Não vais ver o Chelsea? Vais ver o teu Sporting num site?!"

Como se eu não soubesse o que eles queriam e desejavam. Contudo, enchi-me de garra. Talvez tenha lembrado as palavras do Fundador e elas tenham ressoado no meu inconsciente,"Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa". E respondi que iria com eles ao pub da Lagoa da Conceição (Florianópolis), o Black Swan.

Fui a casa num instante. Deixei a mala e peguei no cachecol, que religiosamente trouxe comigo para além mar. Saí para a rua num estado de transe. Mas o verde e o branco brilhavam mais que nunca. Além do Esforço, Dedicação, Devoção e Glória espelhados pelo Leão, havia algo que me começava a acalentar o espírito. Cheguei à porta e já lá estavam alguns destes companheiros de jornada. Alguns, quais aúgures, vaticinavam que íamos jogar à retranca. Imbuído de espírito de jogo, respondi ao mesmo tempo que me ia sentando e pondo o "estandarte" no terreno de batalha: "Se for para perder, mais vale jogar olhos nos olhos e sem medo. Nós somos o Sporting!"

Sentei-me e comecei a cumprimentar a malta. Ao pé de mim estava um adepto do Chelsea (nacionalidade Inglesa) e outros três americanos adeptos do Liverpool. Pontas de lança no jogo do whiskey, iam perguntando sobre o Sporting num português mal amanhado. O do Chelsea com alguma sobranceria, falava pouco. Em bom português, deveria achar que eram "favas contadas". Por trás desta falange sentavam-se dois benfiquistas. Do lado direito, estava a hoste azul e branca. À minha esquerda estavam uns espanhóis do Barcelona e uns franceses do PSG. Atrás de mim estavam uns italianos a ver a Roma. E eu sentado no meio desta gente toda, calado e olhos fixos no ecrã. Entretanto, chegou a Marta, vestida a rigor para ver o Sporting, cheia de paixão, garra e uma esperança contagiante. Depois, chegou o Carapuço, calmo como quem vem desfrutar mais de uma cerveja do que do próprio futebol, e seguidamente o Morgado, paciente, muito paciente. Era um misto de emoções, que não nos atrevíamos a revelar. Receio, medo, expectativa, confiança...tudo num "melting pot" que se criava ao som do hino da Champions.

Os tripeiros começavam a entrar em pânico. Batia-se palmas ao golo do Totti, e vibravam à esquerda com o duelo hispano-gaulês. Eu continuava focado no Sporting. Apesar de tudo, e do golo gostei da primeira parte. Fui esperançoso para a segunda. Ao intervalo, perguntavam-me se o João Mário não sabia o que era errar um passe, eu respondia que muito provavelmente ele nunca tinha ouvido falar disso. A conversa com os americanos ia fluindo (o tipo do Chelsea ia roendo as unhas), eles iam elogiando muito o Marco Silva, o William, o João Mário e claro, o Rui Patrício. Eu festejei cada defesa do Patrício como se fosse golo. Gritava Sporting, vibrava com cada passe, pulava da cadeira com qualquer remate. Mas sobretudo arrepiava-me! O jogo do Sporting arriscou-se a tornar-se numa bela sinfonia ou num quadro do MoMa. A construção de jogo, a entreajuda, o espírito de abnegação, a interligação, a raça, o querer, o orgulho daqueles bravos! Mostrou-se que com estes jogadores consegue-se fazer muito, conseguiu-se fazer frente a uma das melhores equipas da Europa!

Eu dizia para mim, se com tanta juventude e "falta de maturidade" (com que os pasquins brindam e acusam a actual equipa), imaginem como jogarão estes miúdos e o Sporting daqui a três/quatro anos. É para dizer que será um caso sério na Europa e no campeonato Português.

O jogo acabou. O resultado era enganador, 0-1. Mas podia ter sido 1-1. Levantei-me, e peguei no cahecol. Pu-lo no ombro e cumprimentei o adversário. Cumprimentei o resto dos Sportinguistas. Mas houve algo que vi no olhar, e certamente o meu também espelhava. Todos tinhamos um grande orgulho nesta equipa! Todos nós vimos um jogo à Sporting, onde jogámos para vencer. Olhos nos olhos. Onde o adversário nos respeita e nos teme (o Mourinho tirou dois atacantes de jogo, e colocou o Obi Mikel). Mostrámos que das três equipas nacionais temos o futebol mais digno de uma noite Europeia, pois jogamos com amor ao Clube e aos Adeptos incansáveis. 

Levantei-me e peguei no cachecol. Dirigi-me para a porta. Olhei o sol que já se punha, e pensei para mim, "O Sporting é grande, tão grande como os maiores da Europa, e isso ficou demonstrado alí dentro." Não havia lugar para receios, e isso é algo que levo comigo para o futuro. Ninguém me conseguia tirar um sorriso da boca. Tinha perdido, mas estava feliz. Voltei a ver alma no nosso jogo, voltei a ter alma, e voltei a ver os Sportinguistas felizes e esperançosos. 

O caminho é duro, mas é nosso, como o Sporting.

Viva, mas viva senpre o Sporting Clube de Portugal! Que as palavras do Visconde de Alvalade ecoem na Eternidade do tempos!

Saudações Leoninas!

P.S: Li que o João Mário acertou 41/42 passes, 98% de eficácia. Mais que o Fábregas, Matic, Óscar, Hazard...é caso para dizer "é Leão!"

O adeus final ao jovem «leão»

 
Todos os jovens atletas «leoninos» e restantes elementos da Academia de Futebol do Sporting Clube Português de Toronto prestaram homenagem ao seu malogrado colega e capitão da equipa  de sub-16, Christopher McCurbin-Parkin, que morreu subitamente em pleno relvado com as cores verde-e-branco ao peito, no passado dia 4 de Junho, desfilando em silêncio na parada comemorativa do Dia de Portugal, realizada na cidade de Toronto. Parte integral desta homenagem foi a anunciada criação de uma bolsa de estudo em seu nome. Na sequência desta infeliz fatalidade tem surgido uma manifesta expressão de sentimento e apoio de inúmeras outras academias de futebol, tanto do Canadá com de outras partes do mundo, extensível, como não podia deixar de ser, à SAD e Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal. 

Fatalidade no universo sportinguista

Uma ocorrência muito triste no universo sportinguista. Um jovem de 14 anos que militava na Academia de Futebol do Sporting Clube Português de Toronto, filial do Sporting Clube de Portugal, faleceu ontem, dia 5 de Junho, pela 21:30, hora local.
Christopher Mccurbin-Parkin, natural do Canadá e descendente de famílias da ilha da Jamaica, nas Caraíbas, sofreu uma paragem cardíaca em pleno relvado durante um jogo-treino na Academia e morreu subitamente. Pelo seu reconhecido talento, estava já bem referenciado para se juntar à Academia do Sporting em Portugal.
No local onde a tragédia ocorreu encontra-se uma placa rodeada por muitas flores com as seguintes palavras: «Sentimos imenso a tua precoce saída deste mundo, mas nunca serás esquecido - O teu sorriso estará eternamente preservado nos nossos corações - Descansa em paz.»  

Curandeirismo

Sérgio Zimba é o mais popular cartoonista moçambicano, habitual presença nos jornais, e já carregando uma larga obra publicada em livro. O seu humor, traço e tom, será bastante localizado. Mas ao regressar ao seu livro "Mafenha", de 1999, reparei nesta sua deliciosa referência ao nosso Sporting. Espero que os mais arreigados não se zanguem, isto é muito mais denotativo da "globalização" do nosso clube e suas venturas e desventuras. E, quem sabe, se um bom conselho ...

Manchester City-Sporting: a minha promessa

As promessas não podem ter "ses...". Assim sendo aqui fica a minha promessa, feita agora, já em estágio para hoje à noite. Depois de "passarmos" o pérfido Manchester City, de "ganharmos" a eliminatória, vou de Maputo a Nampula cortar cabelo e barba nesta barbearia desvendada ao mundo pelo blog Beijo de Mulata. E quando para o ano ("para o ano é que é!", pois "In Sporting We Trust...", como afirma a bandeira hoje içada por um vizinho, daqueles de rija têmpera) formos campeões voltarei lá.

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