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És a nossa Fé!

Orgulho de todos nós

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Ser do Sporting é, desde logo, um estado de espírito. Próprio de quem é incapaz de ganhar a todo o preço, de quem gosta de jogar limpo, de quem jamais confunde um adversário com um inimigo.

 

Alguns apontam-nos, com um desdém que mal oculta a inveja, como um clube ligado à nobreza. Não se equivocam: há, de facto, uma atitude nobre que caracteriza o adepto sportinguista, a quem repugnam a batota, o golpe baixo, o desrespeito das regras, a desconsideração pelos mais fracos.

 

O sportinguista de gema não apoia só quando a equipa está na mó de cima: está sempre com ela. Mesmo quando resmunga, mesmo quando barafusta, mesmo quando sente que se aproxima do fim outra época que será desprovida dos troféus mais cobiçados. Porque a nossa convicção clubística não depende da alternância ciclotímica das exibições nos relvados: é muito mais sólida do que a de outros, useiros e vezeiros em ausentar-se quando os triunfos escasseiam.

 

Se a nobreza norteia a nossa maneira de estar no desporto, isto não invalida que o Sporting Clube de Portugal seja um clube genuinamente popular, com milhões de adeptos espalhados pelo território nacional – no continente e nas ilhas – e nos mais diversos países estrangeiros, em todos os continentes. Falo do que vi, ao longo dos anos, ao visitar ou frequentar as sedes do Sporting Clube de Goa, do Sporting Clube de Macau e do Sporting Clube de Timor. Gente simples, pessoas de poucas posses, os chamados cidadãos comuns.

 

Do povo autêntico vieram quase todos os ídolos leoninos. Esse magnífico Carlos Lopes das grandes passadas, que assombrou o mundo ao tornar-se o primeiro herói olímpico português, arrebatando o ouro da maratona em Los Angeles – um príncipe das pistas que iniciou a carreira profissional, ainda muito jovem, como simples serralheiro em Vildemoinhos (Viseu). Tal como esse outro desportista de vontade indómita a quem chamávamos rei do pedal – o saudoso Joaquim Agostinho, único compatriota nosso que até hoje subiu, por duas vezes, ao pódio da Volta à França. Não podia ser um sportinguista mais convicto. Não podia ter origens mais humildes – oriundo da aldeia de Brejenjas, em Torres Vedras.

 

Ser do Sporting é ser um pouco de tudo isto. Local e universal. Aristocrata e popular. Intrinsecamente português, mas com a largueza de vistas própria de um cidadão do mundo. Fiel ao emblema nas horas felizes e nos momentos amargos. Ter ânimo de vitória com a noção clara de que nunca deve valer tudo para vencer. Motivo de orgulho para mim e para ti, que me lês. Motivo de orgulho para todos nós.

 

Texto meu, publicado no blogue Tribuna Leonina

O Sporting sempre primeiro!

É dito e assumido por todos os sportinguistas que o Sporting é um clube diferente. Pelo seu nascimento, pela sua história e acima de tudo pelo seu (bom) exemplo à sociedade civil e desportiva.

Todavia nada na vida acontece sem um enorme esforço. Muito menos no Sporting onde toda a gente tem, e bem acrescente-se, opinião.

Sabemos que muitos sócios têm para a palavra dedicação ao Sporting um significado diamertralmente oposto aos interesses do clube. Mas faz parte da vida e mais tarde ou mais cedo a verdade virá ao de cima.

Ao mesmo tempo há outros adeptos e sócios que olham para a nossa casa e sentem tal devoção que se sacrificam pelo clube, dando muitas vezes a cara por uma filosofia de vida, sem dele receber a compensação devida.

Finalmente sinto que este Sporting está serenamente a construir uma renovada identidade que nos levará mui brevemente à tão desejada glória.

Assim sejamos todos “feitos de Sporting

Já só lhes falta queimar cachecóis

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Bastaram duas derrotas seguidas para bolçarem cobras e lagartos dos jogadores, do treinador e da estrutura directiva, cheios de indisfarçáveis indirectas ao presidente. É vê-los e ouvi-los nas diversas televisões que lhes dão guarida durante horas intermináveis e nas colunas dos jornais onde se acoitam: falam como se o abismo estivesse a um passo de distância e rasgam as vestes entoando sofridas odes ao penta que lhes acena cada vez mais à distância.

Dizem-se adeptos. Mas ao menor desaire, à menor sopradela de vento adverso, tratam de dar à sola, esvoaçando para longe, como se nunca tivessem entoado hossanas aos mesmos que agora criticam com azedume. Se vier uma terceira derrota, alguns são capazes de rasgar cartões de sócio - admitindo que o sejam - e de queimar cachecóis, como tantos fizeram, nas bancadas de Alvalade, naquele inesquecível dia em que o Sporting os goleou por 7-1 e o Manuel Fernandes se elevou à galeria dos heróis eternos a quem prestamos tributo.

Adeptos somos nós. Que ano após ano continuamos a apoiar sem desfalecimentos a nossa equipa - jogue com quem jogar, tenha os resultados que tiver. Que nunca apagamos as palavras "dedicação" e "devoção" do nosso lema. Que adoramos vencer mas jamais a qualquer preço. Porque sabemos que mais vale perder com honra do que ganhar com batota.

Ao contrário deles.

Feito de Sporting - um desabafo

Feito de Sporting. Somos todos. Cada um de nós tem uma história de descoberta deste amor e desta essência. Não me lembro bem quando foi, apenas sei que comecei a sentir este grande amor, e este sentido de ser numa idade muito jovem. 

Andava nos pátios da escola com a bola. Quando ocorria fazer uma jogatana contra outra turma, cada um escolhia o jogador que queria personificar em campo. Lembro-me de no ínicio não ser muito bom de bola, de dar chutos nela e cair para trás. Invariavelmente não me deixavam jogar, indo sempre parar ao banco, com direito a entrar nos últimos minutos do intervalo. Mas uma coisa era certa, escolhia sempre jogadores do Sporting Clube de Portugal.

 

Os craques eram muitas vezes escolhidos por aqueles que na época acertavam mais no esférico. Eu escolhia sempre um de dois, ou o Vidigal ou o Duscher. Para mim eram craques. Lembro-me de dizerem "se passa pelo Duscher não passa pelo Vidigal e vice-versa". Mas porquê? Hoje penso que é por eles serem combativos. Sempre gostei de jogadores combativos que deixavam o suor em campo, fosse pelo jogo ou pelo Clube.

Houve um dia que o "Vidigal" chegou feliz a casa, o jogo tinha ficado 3-2 para nós, com 4 golos do Vidigal (dois autogolos, e os dois golos que levaram ao empate). Foi nesse momento que comecei a treinar, a treinar. Primeiro no jardim de casa, depois numa escolinha. O bichinho do futebol nunca mais despareceu, mas a identidade Sportinguista estava lá:

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Mesmo sem conhecer nessa tenra idade o mote, estava dentro de mim porque já era Sportinguista. E sempre tive orgulho de dizer que o sou. Como eu existem milhões. Milhões que nunca tiveram a oportunidade de representar o Sporting Clube de Portugal em nenhuma modalidade. Nunca tiveram a oportunidade de entrar na Academia. Nunca pisaram o relvado, a pista ou o piso. Mas esses milhões sempre fizeram esforços para comprar o bilhete, fazer a viagem de carro, comprar a camisola do Leão, ser sócio do Clube, defender o nome do Clube em rixas amadoras de bate-bocas, tudo pelo Sporting.

 

O pagamento que queremos não são milhões, não são contratos milionários, vidas luxuosas, tribunas VIP em Alvalade. O único pagamento que queremos é a Glória. Não do A, B ou C, mas do Sporting Clube de Portugal. Que o Sporting seja um "clube tão grande como os maiores da Europa".

 

Somos nós, estes milhões representam verdadeiramente o clube. Treinadores passam, dirigentes passam, mas nós continuamos. Aqueles que vão ao estádio, vêem na televisão, ouvem na rádio, aguentam as falhas do streaming, ficam felizes quando se ganha cantando nas ruas, ou tristes quando se perde mantendo a esperança, são quem dá verdadeiramente tudo pelo Clube. São aqueles que já se imaginaram personificados num jogador do passado e que ainda hoje têm um pasmo na perna quando a bola vai para um dos nossos e sentimos que podíamos ser nós, a fazer o passe, o cruzamento, o corte, a simulação, a arrancada ou o golo. Seja em que parte for, seja que modalidade for. Isto é ser feito de Sporting, é ser Sporting, é viver o Sporting. Por isso somos diferentes dos outros. Não admitimos equipas banais, que não deixem tudo o que podem dar em campo. Nós deixamos nos campos em que somos titularíssimos toda a gota de energia que nos corre no corpo. É isso que pedimos, que façam o mesmo que nós. Que tenham amor ao Clube e se não têm pelo menos que respeitem a camisola que vestem e respeitem todos aqueles que fazem esforços para apoiar-vos em todos os momentos. Isto serve para os contratados e os da casa, os que são e não são Sportinguistas.

 

Quando correm, corremos juntos. Quando estão desanimados, estamos todos desanimados. Quando festejam, festejamos mais que todos.

O Clube do Leão rampante é feito de Mulheres e Homens que o representam com brio e orgulho. É isto que se joga a cada partida, a dignidade de cada Leão anónimo, o esforço que cada um faz fora do terreno de jogo para que um de vocês, os 11, os 23, os que forem sejam intermediários da Glória do todo.

A vida contínua

No 5.º ano, devia eu ter uns dez anos, um dos temas do ano lectivo na disciplina de Português era o jornalismo. 

Os elementos básicos da notícia e da reportagem, o que destacar, como fazer, o que sublinhar.

A minha professora de Português (numa escola pública, já agora, desculpem lá o mash up dos temas), cujo nome agora se me olvida, entendeu que a melhor forma de percebermos o que estava ali em causa era nós próprios prepararmos uma peça jornalística, que apresentaríamos à turma.

Abordou-se os lixos que não eram recolhidos, o animal de estimação que era o melhor do mundo, entrevistou-se o pai, a mãe e o dono da mercearia.

Mas este que vos escreve, imbuído de espírito Sportinguista e fresquinho de ler num dos jornais que havia lá por casa que o Vasques, um dos Cinco Violinos, exercia funções na Loja Verde no antigo Estádio de Alvalade, decidiu que era esse o seu trabalho.

Convenci a minha mãe a acompanhar-me, liguei a confirmar que podia ser e lá fomos, rumo a Alvalade, para que um puto entrevistasse um dos maiores nomes de sempre do Sporting.

Não faço hoje a mais pequena ideia das perguntas e muito menos das respostas que as acompanharam, não guardei sequer um pedaço de papel que me servisse de prova deste momento triunfal, mas a memória segue comigo.

Sabem o que é que rima com memória?

Glória.

E sabem o que é que eu queria para este fim de semana.

Jackpot.

Agora vão lá pensar no que queriam para as vossas vidas desportivas e o que podem fazer para contribuir para alcançar esses objectivos.

Se este Domingo não der, outro Domingo haverá.

Lição de sportinguismo

«Uma vez, na Tapadinha, chovia tanto que éramos os únicos que não abandonámos a bancada. Saímos de lá a escorrer, mas eu achava graça. O meu avô morreu no dia de um Sporting-Sporting da Covilhã. Era suposto ele vir-me buscar de táxi e não apareceu. Eu chorei de fúria: "O avô não cumpriu."  Mas depois lá me disseram que o avô tinha desaparecido.»

Eduardo Barroso, hoje, em entrevista ao jornal i.

Esforço, Dedicação e Devoção

Ontem cumpriu-se o desígnio do nosso clube: esforço, dedicação, devoção e glória. Foi assim que a equipa de futebol encarou o jogo. No futebol é preciso correr, saltar e rematar mais do que o adversário. Muito diferente do que se havia verificado no jogo de Guimarães.

O Sporting voltou ontem a demonstrar que é a segunda melhor equipa do seu grupo na Liga dos Campeões. O jogo contra o Maribor é para ganhar. Depois é ir a Inglaterra e esperar o melhor possível. Eu acredito.

Embora Nani tenha feito ontem um grande jogo quero aqui destacar o Cédric. Correu que se fartou e foi sempre capaz de combinar bem com Nani, Mané ou Carrillo. Quando aumentar a taxa de sucesso dos seus cruzamentos será um dos melhores laterais da Europa.

Um David entre Golias.

Chegava a terça-feira. O fim-de-semana tinha sido relativamente calmo. Mas as hostes de carnide, numa alinça característica com os tripeiros, começavam o discurso: "lembram-se do Bayern..", "desta são quantos? 12?", "não envergonhem as equipas portuguesas", e por aí fora...
Usualmente não sou pessoa de virar a cara à luta, característica tão distinta do Sporting e das gentes desta família, a que chamamos Clube. Mas confesso que inicialmente tinha o meu pensamento no limbo. Por um lado queria ver o meu Sporting, por outro um receio apoderava-se de mim. Tinha medo, e assumo-o sem rodeios. No fundo íamos enfrentar o primeiro classificado da Liga Inglesa, um plantel de milhões, um dos melhores treinadores do mundo (se não o melhor). Tudo isto, com um plantel em construção, jovem, embora cheio de potencial. A caminho do Restaurante Universitário, perguntaram-me onde ia ver o jogo. O receio apoderou-se da resposta e disse: "Muito provavelmente vou estudar. Devo acompanhar o jogo pelo Ipad, no site do Record ou assim..."

Muitos deles adeptos dos Andrades, sedentos de gozo, retorquiram: "Então Fred? Não vais ver o Chelsea? Vais ver o teu Sporting num site?!"

Como se eu não soubesse o que eles queriam e desejavam. Contudo, enchi-me de garra. Talvez tenha lembrado as palavras do Fundador e elas tenham ressoado no meu inconsciente,"Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa". E respondi que iria com eles ao pub da Lagoa da Conceição (Florianópolis), o Black Swan.

Fui a casa num instante. Deixei a mala e peguei no cachecol, que religiosamente trouxe comigo para além mar. Saí para a rua num estado de transe. Mas o verde e o branco brilhavam mais que nunca. Além do Esforço, Dedicação, Devoção e Glória espelhados pelo Leão, havia algo que me começava a acalentar o espírito. Cheguei à porta e já lá estavam alguns destes companheiros de jornada. Alguns, quais aúgures, vaticinavam que íamos jogar à retranca. Imbuído de espírito de jogo, respondi ao mesmo tempo que me ia sentando e pondo o "estandarte" no terreno de batalha: "Se for para perder, mais vale jogar olhos nos olhos e sem medo. Nós somos o Sporting!"

Sentei-me e comecei a cumprimentar a malta. Ao pé de mim estava um adepto do Chelsea (nacionalidade Inglesa) e outros três americanos adeptos do Liverpool. Pontas de lança no jogo do whiskey, iam perguntando sobre o Sporting num português mal amanhado. O do Chelsea com alguma sobranceria, falava pouco. Em bom português, deveria achar que eram "favas contadas". Por trás desta falange sentavam-se dois benfiquistas. Do lado direito, estava a hoste azul e branca. À minha esquerda estavam uns espanhóis do Barcelona e uns franceses do PSG. Atrás de mim estavam uns italianos a ver a Roma. E eu sentado no meio desta gente toda, calado e olhos fixos no ecrã. Entretanto, chegou a Marta, vestida a rigor para ver o Sporting, cheia de paixão, garra e uma esperança contagiante. Depois, chegou o Carapuço, calmo como quem vem desfrutar mais de uma cerveja do que do próprio futebol, e seguidamente o Morgado, paciente, muito paciente. Era um misto de emoções, que não nos atrevíamos a revelar. Receio, medo, expectativa, confiança...tudo num "melting pot" que se criava ao som do hino da Champions.

Os tripeiros começavam a entrar em pânico. Batia-se palmas ao golo do Totti, e vibravam à esquerda com o duelo hispano-gaulês. Eu continuava focado no Sporting. Apesar de tudo, e do golo gostei da primeira parte. Fui esperançoso para a segunda. Ao intervalo, perguntavam-me se o João Mário não sabia o que era errar um passe, eu respondia que muito provavelmente ele nunca tinha ouvido falar disso. A conversa com os americanos ia fluindo (o tipo do Chelsea ia roendo as unhas), eles iam elogiando muito o Marco Silva, o William, o João Mário e claro, o Rui Patrício. Eu festejei cada defesa do Patrício como se fosse golo. Gritava Sporting, vibrava com cada passe, pulava da cadeira com qualquer remate. Mas sobretudo arrepiava-me! O jogo do Sporting arriscou-se a tornar-se numa bela sinfonia ou num quadro do MoMa. A construção de jogo, a entreajuda, o espírito de abnegação, a interligação, a raça, o querer, o orgulho daqueles bravos! Mostrou-se que com estes jogadores consegue-se fazer muito, conseguiu-se fazer frente a uma das melhores equipas da Europa!

Eu dizia para mim, se com tanta juventude e "falta de maturidade" (com que os pasquins brindam e acusam a actual equipa), imaginem como jogarão estes miúdos e o Sporting daqui a três/quatro anos. É para dizer que será um caso sério na Europa e no campeonato Português.

O jogo acabou. O resultado era enganador, 0-1. Mas podia ter sido 1-1. Levantei-me, e peguei no cahecol. Pu-lo no ombro e cumprimentei o adversário. Cumprimentei o resto dos Sportinguistas. Mas houve algo que vi no olhar, e certamente o meu também espelhava. Todos tinhamos um grande orgulho nesta equipa! Todos nós vimos um jogo à Sporting, onde jogámos para vencer. Olhos nos olhos. Onde o adversário nos respeita e nos teme (o Mourinho tirou dois atacantes de jogo, e colocou o Obi Mikel). Mostrámos que das três equipas nacionais temos o futebol mais digno de uma noite Europeia, pois jogamos com amor ao Clube e aos Adeptos incansáveis. 

Levantei-me e peguei no cachecol. Dirigi-me para a porta. Olhei o sol que já se punha, e pensei para mim, "O Sporting é grande, tão grande como os maiores da Europa, e isso ficou demonstrado alí dentro." Não havia lugar para receios, e isso é algo que levo comigo para o futuro. Ninguém me conseguia tirar um sorriso da boca. Tinha perdido, mas estava feliz. Voltei a ver alma no nosso jogo, voltei a ter alma, e voltei a ver os Sportinguistas felizes e esperançosos. 

O caminho é duro, mas é nosso, como o Sporting.

Viva, mas viva senpre o Sporting Clube de Portugal! Que as palavras do Visconde de Alvalade ecoem na Eternidade do tempos!

Saudações Leoninas!

P.S: Li que o João Mário acertou 41/42 passes, 98% de eficácia. Mais que o Fábregas, Matic, Óscar, Hazard...é caso para dizer "é Leão!"

O que é que é? É que têm que dar sempre tudo em campo!

Durante uma boa parte do jogo com o Gil Vicente senti um desconforto que durou praticamente 88 minutos: a partir do 2º minuto e até ao 90°. Como exprimir esse aborrecimento que vinha de dentro do campo, com algumas exceções de jogadores empenhados? Tenho que agradecer ao Luciano Amaral que aqui já explicou no comentário "O que é que é?". Ele não sabe, mas eu pensei o que ele escreveu, o que só acrescenta mérito à sua capacidade de interpretar os sentimentos, meus e de certamente muitos Sportinguistas. Mas eu ainda acrescentaria mais qualquer coisa que também pensei e comentei no jogo. Depois de uma época trágica, a equipa elevou imenso a fasquia, sem que lhe tivesse sido pedido tamanha altura. O que veio trazer maior responsabilidade aos jogadores face às expetativas criadas aos milhares e milhares de adeptos leoninos que se ergueram pelo país fora numa demonstração de que não há só "preto e branco" (e encheram estádios). Mas, lá aparece sempre o terrível mas, como referiu o Luciano, de repente, quando nós nos vemos no 2º lugar a 7 pontos do Olimpo (e nós sabemos porque são tantos...), começámos a pisar o relvado só para prestar serviços mínimos. Sobretudo em Alvalade. E ontem, quando vi os muitos milhares de Sportinguistas nas bancadas, em particular na B, pensei quantos daqueles não tiveram que fazer sacrifícios para pagar quotas, comprar bilhete ou ter a gamebox da época. E depois olhei para dentro do campo e não vi o mesmo espírito do dar tudo por parte de alguns jogadores, a dar o litro para estarem ali nas quatro linhas e merecerem o apoio, os gritos e as ovações de quem, estando de fora, fez das tripas coração para dizer presente, cantando o Sporting nunca vai acabar. Por isso não chega ganhar. Nem ganhar é tudo. Honrar a camisola e merecer o entusiasmo e dedicação dos milhões de adeptos em qualquer circunstância, sim, sem nunca desistir. Faltam 3 jogos para terminar uma época surpreendente. Talvez se os jogadores perceberem isto, todos como equipa, a próxima época ainda traga maiores surpresas. O que é que é? É que têm que dar sempre tudo em campo! Não é por acaso que a nossa divisa é "esforço, dedicação, devoção e glória".

Condensado de desabafo. Os senhores não me liguem não?

Eu já sei que estamos todos muito irritados com o Vasco Santos, que foi um incompetente sem descrição. Indiscutível.

Também já sei que toda a gente tem também muito mais anos de Sporting e de (alegadamente) roubalheira que eu. E sou muitas vezes a que não percebe, "oh tu não percebes", dizem-me. E se calhar não, mas por isso falo do que e quando me apetece.

E percebo que golo anulado após golo anulado a irritação cresça e o discernimento seja difícil. Percebo que se vá perdendo a paciência mas vejo que também a objectividade.

O que eu não percebo é onde passou a ser preferível não se distinguirem as coisas e partir-se para a acusação generalizada. E o que isso nos trará de bom. Pior, a desresponsabilização total que isso traz ao discurso das pessoas.

Outra coisa que eu sei é que poucos se lembram onde estávamos há um ano. Eu sei, estava lá. E no ano anterior. E outros. E não foi culpa de árbitros, lamento, o sétimo lugar. Lamento porque era muito mais simples justificá-lo. Atribuir resultados a erros de arbitragem é redutor para o que vi. E se eu gosto do Sporting, por Deus eu ainda perco o sono com o Sporting. Ainda espumo se me perguntam quem prefiro que seja campeão, "o Benfica ou o Porto?", mesmo quando o Sporting não está entre os três primeiros.

Eu não gosto do Porto nem do Benfica. Nem de Vitória nenhum. Abomino o Paços de Ferreira. Não gosto do Belenenses. Nem de ninguém, nesta matéria sou intolerante. Não me interessa se os favorecidos são sempre os mesmos, não consigo ver objectividade nisso quando é dito semana após semana. Eu pouco ou nada vejo jogos de outros aliás. Acho bem que se fale e até que se esperneie. Os outros ficam a ver, a gozar o prato. No fundo nisto dos clubes as reacções são como as das pessoas porque também delas vivem, quando se está bem não se quer saber dos outros. Tudo bem, são as regras com que a sociedade se entretém e há coisas mais graves que o futebol, e é-me indiferente quem está ou não ao lado do Sporting, ou o que pensam os outros.

Interessava-me sim que isso (costuma ser aqui que entra o não perceber disto) desse alento ao Sporting para fazer sempre mais e melhor. Este por-agora-segundo-lugar devia ser aproveitado, e lutado até ao fim. Sê-lo-á, espero, mas não devia ficar sujo pela generalização que já perdeu o controlo. Pode ser que resulte em indignação e raiva, motivação na equipa para se superar (aqui também costumo ouvir uns "mas isso não é assim"). Se assim for dou a mão à palmatória. De bom grado.

Acho bem que se reclame e se faça barulho. Dizer que este ou aquele lugar nos pertencia sem os erros não, não me revejo nessa postura. Porque se se fossem ver erro a erro provavelmente a tabela desandava toda, mas ninguém se vai dar ao trabalho, digo eu. Eu não estou a dizer que não há erros, e sei lá eu quem encomenda o quê. Eu sei que houve as escutas e que existe corrupção. Mas para insinuar e apontar o dedo sem certezas, expor todo um clube assim, não posso perceber.

"Eu não choro" costumo dizer. E não. Eu, se vejo um lance como o do Cedric com o Belenenses ou o golo em fora-de-jogo do Montero prefiro pensar (literalmente assim) "tá dito tá dito", por troca dos erros contra o Sporting. E não acho que isso seja compactuar com sistema nenhum, há erros que o são e pronto (não estou a falar consigo, Vasco Santos).

Detestaria que o futebol para mim fosse semana após após semana o árbitro, eu nem os fixo nem quero fixar. Vejo o copo meio cheio, sou ingénua talvez, mas vivo melhor assim. E não me vejo mudar.

Desde Setembro ou Outubro leio e ouço que "a equipa do Sporting ainda não chega lá", e não o discuto. Mas o não chega, e os erros se quiserem, trouxeram-nos a Março em segundo lugar depois de um ano como o passado (e não me digam que é por estarmos fora da outras competições porque há um ano onde é que elas já iam todas). Se isso é mau e motivo para tudo isto então sim, eu não percebo nada do assunto. Eu acreditei e até fiz campanha pelo não sermos candidatos ao título e de repente só se fala no primeiro lugar. O Pedro Correia fez a análise certa a Setúbal num post mais abaixo, e há uma crónica do Carlos Daniel no DN que diz o que penso sobre esta semana: o Sporting tem sido prejudicado sim, mas se for pelo futebol praticado também não merecia o primeiro lugar. E isto custa-me muito dizer, não se pense que não.

Denuncie-se a incompetência alheia, mas tenha-se o discernimento para ser objectivo e ver o que está mal connosco.

 

Posto isto, domingo lá estarei grandamando e a torcer para que o Porto continue sem ganhar em Alvalade.

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