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És a nossa Fé!

Fórmula Sporting

Esforço, dedicação, devoção e glória: é o Sporting!

Mas para que isso aconteça é preciso lá chegar, aproveitar os piores momentos para corrigir o rumo e prosseguir o caminho que honra o lema do Sporting, encontrar a fórmula certa para constuir atletas e equipas vencedoras de acordo com o ADN do clube, a Fórmula Sporting.

A fórmula Sporting não nasceu ontem. Desde há muito deu provas da sua validade, no futebol e nas modalidades, e trouxe para o museu muitas taças e troféus.

 

Que fórmula é essa?

 

1. Um treinador líder e formador. Tudo começa neste elemento, que poderia chamar-se Moniz Pereira, Malcolm Allison, Nuno Dias, Luís Magalhães ou Rúben Amorim: focalizar e aglutinar um plantel que conte com o que de melhor exista no momento: a formação. Aquele treinador que quando chega começa pelo que existe dentro de casa e não pelo que pode vir de fora.

 

2. Um plantel baseado em gente jovem mas com muitos anos de clube e complementado com reforços que fazem a diferença. A regra básica é não contratar igual ou pior ao que existe dentro de casa. Para vir para o Sporting terá de ser diferente ou melhor, trazer coisas que não existem no momento, ser um reforço efectivo a curto ou médio prazo. E dar tempo ao tempo: galinhas apressadas produzem pintos carecas, muitos nomes chamaram ao Yazalde, ao Acosta ou ao Coates para terem depois de engolir o que disseram.

 

3. Uma estrutura sóbria e eficaz na retaguarda, que resolva problemas e não que os invente, o que inclui trabalhar muito e falar pouco. Quanto menos melhor. Cão que ladra não morde.

 

4. Tranquilidade e confiança para enfrentar as derrotas com os Lasks desta vida e dar a volta por cima. A começar pelos sócios e adeptos, que têm de ser em todos os momentos o jogador extra de qualquer equipa do Sporting.

 

Se olharmos para a situação das equipas mais importantes do Sporting, do futebol masculino e feminino, das cinco modalidades de pavilhão masculinas, aquelas que atraem milhares de espectadores, e esquecendo as particularidades de cada uma, a começar pelo nível de investimento sustentável, vemos situações bem distintas. Numas a fórmula está bem consolidada, noutras alguns erros de casting vão custar tempo e dinheiro a serem corrigidos.

Depois dum final de temporada onde deitaram tudo a perder, o futebol feminino vive um fim de ciclo. Treinadora, capitã e algumas das melhores jogadoras vão sair: algumas para paragens bem distantes, outras com calos no rabo pela passagem pelo banco e com contas para saldar. Tudo tem de começar por um treinador a sério, masculino ou feminino, e uma nova estrutura de capitães no feminino. Qualidade continua existir na formação, o resto vem depois.

No andebol estávamos numa óptima fase antes da pandemia. Saiu o grande treinador Anti, saiu o capitão e estrela da companhia Frankis Carol, saiu o puto maravilha Frade, e as coisas nunca mais foram as mesmas. Pedro Valdez promovido a capitão tem sido inexcedível, a base da formação está lá, mas Ruesga chega ao final de carreira, os reforços são medianos e o ex-adjunto de Anti, Rui Silva, faz o que pode.  

Terminando com o exemplo do basquetebol, tivemos ontem uma magnífica vitória da equipa dum grande treinador tranquilo, Luís Magalhães, contra uma equipa muito forte comandada por um espanhol raivoso, com dois ou três americanos excelentes e que até contratou apenas para o play-off. E foi mais uma vez a estrela da companhia Travante Williams suportado por uma retaguarda de portugueses/angolanos que se transcenderam em campo a conquistar a vitória. Impressionante o discurso do americano no final.

Isto é o Sporting.

 

Fórmula Sporting. Como o 3-4-3 do Amorim, bem conhecida por todos, mas muito difícil de travar.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Esforço, Dedicação, Devoção, cada vez mais perto da Glória

Ganhámos contra o Braga, contra o árbitro, contra o VAR, contra o sistema e contra o "se tudo for normal" do Pinto Costa; ganhámos até a nós próprios, que muitos dos nossos já davam a derrota como garantida. E se despediam já da conquista do título.

A quatro vitórias de nós sagramos o clube vitorioso desta temporada, acredito ainda mais que esta equipa vai ganhar o campeonato, vai ser campeã nacional e eu campeão com ela.

Que orgulho imenso neste fantástico grupo que representa como vi poucos de leão peito com Esforço, Dedicação, Devoção rumo à Glória deste monumental clube. 

Devoção...

... uma palavra do universo sportinguista, vista por Louise Glück, Prémio Nobel de Literatura 2020.

 

«UM MITO DE DEVOÇÃO

 

Decidido a amar aquela rapariga,

Hades construiu-lhe um duplicado da terra,

tudo igual, até o prado,

mas com uma cama no meio.

 

Tudo igual, incluindo a luz do sol,

pois não seria fácil a uma rapariga nova

passar tão bruscamente da luz intensa à completa escuridão.

 

Aos poucos, pensou ele, faço entrar a noite,

primeiro as sombras das folhas agitadas.

Depois a lua, depois as estrelas. Depois sem lua, sem estrelas.

Que Perséfone se habitue lentamente ao escuro.

No fim, pensou ele, ser-lhe-á reconfortante.

 

Uma réplica da terra,

mas com uma excepção: amor.

Não é amor o que toda a gente deseja?

 

Ele esperou muitos anos,

construiu um mundo, observou

Perséfone no prado.

Perséfone, que amava os cheiros, os sabores.

Quem tem um apetite, pensou ele,

tem todos.

 

Não é o que toda a gente deseja sentir à noite —

o corpo amado, bússola, estrela polar,

ouvir a respiração tranquila, que significa

estou vivo, que significa ainda

estás vivo, porque me escutas,

porque estás aqui comigo. E quando um se volta,

volta-se o outro também —

 

Era o que ele pensava, o senhor das trevas,

ao contemplar o mundo que

construíra para Perséfone. Nunca lhe ocorreu

que já nada haveria ali para cheirar,

muito menos para comer.

 

Culpa? Terror? Medo de amar?

Nada disto podia ele conceber;

nenhum amante o concebe.

 

Ele sonha, pergunta-se que nome há-de pôr àquele lugar.

Primeiro pensa: O Novo Inferno. Depois: O Jardim.

Finalmente decide chamar-lhe

A Mocidade de Perséfone.

 

Uma luz ténue ergue-se acima do prado liso,

por detrás da cama. Ele toma-a nos braços.

Deseja dizer-lhe amo-te, nada te ferirá

 

mas compreende

que é mentira, e acaba por dizer

estás morta, nada te ferirá

o que lhe parece

um começo mais auspicioso, mais verdadeiro.»

 

Poemas de Louise Glück traduzidos por Rui Pires Cabral

In: Telhados de vidro, n. 12, maio 2009. Lisboa: Averno, 2009. pp. 79 - 81. ISSN: 1646-334-X

Há décadas que não temos glória no futebol

Não falo em nós mas neles. Não fomos nós sportinguistas mas sim eles - os nossos representantes - que no campo e fora dele violaram e destrataram as premissas e promessas do Sporting. Mais uma vez.

Como mais uma vez de Esforço, Dedicação, Devoção, só mesmo da nossa parte. Fomos nós em frente à televisão quem se esforçou, suou as estopinhas e resisistiu ao apelo tentador de desistir à chamada perante a miséria que nos era oferecida. Estóicos assistimos à distância (física) e guerreiros em espírito àquela vergonha de noite europeia em Alvalade. Provámos de novo a nossa dedicação e devoção ao clube. No fim, como acontece há décadas no futebol sénior, ficámos a ver passar a Glória dos outros.

Já eles, os que nos representam, dentro e fora de campo, demonstraram outra vez que o nosso slogan não se aplica mesmo às equipas de futebol leoninas há tempo demais. 

O filme, sempre avesso ao happy end, repete-se época após época. Por isso não rasgo logo as vestes pedindo a cabeça de quem dirige o clube. Desgraçadamente, no que toca à glória, os desgraçados que nos desgraçam fazem igual aos que os precederam. É assim há décadas.

Não há aqui conformismo ou fatalismo, só realismo. No Sporting, no que toca ao futebol, Esforço, Dedicação, Devoção, só mesmo da nossa parte que sofremos e desesperamos como nunca. De Glória nem nós e muito menos eles. 

 

Primeiro (não) jogo – Liga 2020-2021

 

Verde e branca é a paixão

Que ao relvado quer voltar!

Fogo traz ao coração,

Por tudo querer ganhar!

 

Hoje ter eu quereria

O meu Sporting a jogar

E certamente eu veria

O meu Sporting a marcar!

 

Tal não vai acontecer,

Pois foi o jogo adiado…

Estão todos a adoecer,

Não era isto o esperado.

 

O estádio está fechado

E a bancada vazia.

Tudo está controlado,

P’ra travar a pandemia.

 

Em vez de “Golo!” gritar

E jogadas aplaudir,

É infetados somar,

Com outros por descobrir!

 

A pandemia maldita

O futebol nos tira,

À quarentena obriga

E maltrata-nos a vida!…

Amar o Sporting

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Amar o Sporting é cultivar alguns dos valores que mais prezo. Ser fiel às origens, às tradições, à devoção clubística – antónimo de clubite. Praticar a lealdade em campo e fora dele, rejeitando golpes baixos. Gostar muito de vencer, sim – mas sem batota. Recusar ódios tribais a pretexto da glória desportiva. Nunca confundir um adversário com um inimigo, sabendo de antemão que o futebol (só para invocar o desporto que entre nós mobiliza mais paixões) é a coisa mais importante das coisas menos importantes, como Jorge Valdano nos ensinou.

 

Amo o Sporting pela marca inconfundível do seu ecletismo.

Os meus primeiros heróis leoninos, ainda em criança, eram Leões de corpo inteiro sem jogarem futebol. Foi o Joaquim Agostinho a brilhar nos Alpes e a vencer etapas na Volta à França depois de ter sido o maior campeão de ciclismo de todos os tempos em Portugal. Foi o António Livramento, artista exímio com um stick nas mãos, campeão europeu de verde e branco, além de campeão mundial a nível de selecções. Foi o Carlos Lopes, recordista absoluto do corta-mato europeu, brioso herói da estrada, medalha de prata nos 10 mil metros em Montreal, primeiro português a subir ao pódio olímpico, de ouro ao peito, naquela inesquecível maratona de 1984 em Los Angeles.

Amar o Sporting é abraçar o universalismo que fez este nosso centenário clube transbordar os limites físicos do País e galgar fronteiras. Conheci fervorosos sportinguistas nas mais diversas paragens do planeta. Nos confins de Timor, no bulício de Macau, na placidez de Goa – lá estão, com a nossa marca inconfundível, sedes leoninas que funcionam como agregador social naqueles países e territórios, assumindo em simultâneo uma ligação perene a este recanto mais ocidental da Europa.

 

Amar o Sporting é cultivar a tenacidade de quem nos soube ensinar, de legado em legado, que nunca se vira a cara à luta.

João Azevedo a jogar lesionado entre os postes, só com um braço disponível, enfrentando o Benfica num dos clássicos cuja memória perdurou através das gerações. Fernando Mendes, um dos esteios do onze que conquistou a Taça das Taças em 1964, alvo de uma lesão no ano seguinte que o afastou para a prática do futebol, mas capaz de conduzir a equipa, já como treinador, ao título de 1980. Francis Obikwelu, nigeriano naturalizado português e brioso atleta leonino que saltou da construção civil onde modestamente ganhava a vida para o ouro nas pistas europeias em 2002, 2006 e 2011.

Campeões com talento, campeões com garra, campeões inquebrantáveis – mas também campeões humildes, conscientes de que nenhum homem é uma ilha e um desportista, por mais aplausos momentâneos que suscite, é apenas uma parcela de um vasto arquipélago já existente quando surgiu e destinado a perdurar muito para além dele. Na Academia de Alcochete, no Estádio José Alvalade, no Pavilhão João Rocha, somos conscientes disto: ninguém ganha sozinho. Antes de Cristiano Ronaldo havia um Aurélio Pereira, antes de Livramento havia um Torcato Ferreira, antes de Carlos Lopes havia um Mário Moniz Pereira.

 

O desporto com a genuína marca leonina não cava trincheiras: estende pontes, transmitindo a pedagogia da tolerância e cultivando a convivência entre mulheres e homens de diferentes culturas, ideologias, crenças e gerações.

É também por isto que amo o Sporting: fez-me sempre descobrir mais pontes que trincheiras. O que assume relevância não apenas no desporto: é igualmente uma singular lição de vida.

 

Publicado originalmente no blogue Castigo Máximo, por amável convite do Pedro Azevedo.

Orgulho de todos nós

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Ser do Sporting é, desde logo, um estado de espírito. Próprio de quem é incapaz de ganhar a todo o preço, de quem gosta de jogar limpo, de quem jamais confunde um adversário com um inimigo.

 

Alguns apontam-nos, com um desdém que mal oculta a inveja, como um clube ligado à nobreza. Não se equivocam: há, de facto, uma atitude nobre que caracteriza o adepto sportinguista, a quem repugnam a batota, o golpe baixo, o desrespeito das regras, a desconsideração pelos mais fracos.

 

O sportinguista de gema não apoia só quando a equipa está na mó de cima: está sempre com ela. Mesmo quando resmunga, mesmo quando barafusta, mesmo quando sente que se aproxima do fim outra época que será desprovida dos troféus mais cobiçados. Porque a nossa convicção clubística não depende da alternância ciclotímica das exibições nos relvados: é muito mais sólida do que a de outros, useiros e vezeiros em ausentar-se quando os triunfos escasseiam.

 

Se a nobreza norteia a nossa maneira de estar no desporto, isto não invalida que o Sporting Clube de Portugal seja um clube genuinamente popular, com milhões de adeptos espalhados pelo território nacional – no continente e nas ilhas – e nos mais diversos países estrangeiros, em todos os continentes. Falo do que vi, ao longo dos anos, ao visitar ou frequentar as sedes do Sporting Clube de Goa, do Sporting Clube de Macau e do Sporting Clube de Timor. Gente simples, pessoas de poucas posses, os chamados cidadãos comuns.

 

Do povo autêntico vieram quase todos os ídolos leoninos. Esse magnífico Carlos Lopes das grandes passadas, que assombrou o mundo ao tornar-se o primeiro herói olímpico português, arrebatando o ouro da maratona em Los Angeles – um príncipe das pistas que iniciou a carreira profissional, ainda muito jovem, como simples serralheiro em Vildemoinhos (Viseu). Tal como esse outro desportista de vontade indómita a quem chamávamos rei do pedal – o saudoso Joaquim Agostinho, único compatriota nosso que até hoje subiu, por duas vezes, ao pódio da Volta à França. Não podia ser um sportinguista mais convicto. Não podia ter origens mais humildes – oriundo da aldeia de Brejenjas, em Torres Vedras.

 

Ser do Sporting é ser um pouco de tudo isto. Local e universal. Aristocrata e popular. Intrinsecamente português, mas com a largueza de vistas própria de um cidadão do mundo. Fiel ao emblema nas horas felizes e nos momentos amargos. Ter ânimo de vitória com a noção clara de que nunca deve valer tudo para vencer. Motivo de orgulho para mim e para ti, que me lês. Motivo de orgulho para todos nós.

 

Texto meu, publicado no blogue Tribuna Leonina

O Sporting sempre primeiro!

É dito e assumido por todos os sportinguistas que o Sporting é um clube diferente. Pelo seu nascimento, pela sua história e acima de tudo pelo seu (bom) exemplo à sociedade civil e desportiva.

Todavia nada na vida acontece sem um enorme esforço. Muito menos no Sporting onde toda a gente tem, e bem acrescente-se, opinião.

Sabemos que muitos sócios têm para a palavra dedicação ao Sporting um significado diamertralmente oposto aos interesses do clube. Mas faz parte da vida e mais tarde ou mais cedo a verdade virá ao de cima.

Ao mesmo tempo há outros adeptos e sócios que olham para a nossa casa e sentem tal devoção que se sacrificam pelo clube, dando muitas vezes a cara por uma filosofia de vida, sem dele receber a compensação devida.

Finalmente sinto que este Sporting está serenamente a construir uma renovada identidade que nos levará mui brevemente à tão desejada glória.

Assim sejamos todos “feitos de Sporting

Já só lhes falta queimar cachecóis

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Bastaram duas derrotas seguidas para bolçarem cobras e lagartos dos jogadores, do treinador e da estrutura directiva, cheios de indisfarçáveis indirectas ao presidente. É vê-los e ouvi-los nas diversas televisões que lhes dão guarida durante horas intermináveis e nas colunas dos jornais onde se acoitam: falam como se o abismo estivesse a um passo de distância e rasgam as vestes entoando sofridas odes ao penta que lhes acena cada vez mais à distância.

Dizem-se adeptos. Mas ao menor desaire, à menor sopradela de vento adverso, tratam de dar à sola, esvoaçando para longe, como se nunca tivessem entoado hossanas aos mesmos que agora criticam com azedume. Se vier uma terceira derrota, alguns são capazes de rasgar cartões de sócio - admitindo que o sejam - e de queimar cachecóis, como tantos fizeram, nas bancadas de Alvalade, naquele inesquecível dia em que o Sporting os goleou por 7-1 e o Manuel Fernandes se elevou à galeria dos heróis eternos a quem prestamos tributo.

Adeptos somos nós. Que ano após ano continuamos a apoiar sem desfalecimentos a nossa equipa - jogue com quem jogar, tenha os resultados que tiver. Que nunca apagamos as palavras "dedicação" e "devoção" do nosso lema. Que adoramos vencer mas jamais a qualquer preço. Porque sabemos que mais vale perder com honra do que ganhar com batota.

Ao contrário deles.

Feito de Sporting - um desabafo

Feito de Sporting. Somos todos. Cada um de nós tem uma história de descoberta deste amor e desta essência. Não me lembro bem quando foi, apenas sei que comecei a sentir este grande amor, e este sentido de ser numa idade muito jovem. 

Andava nos pátios da escola com a bola. Quando ocorria fazer uma jogatana contra outra turma, cada um escolhia o jogador que queria personificar em campo. Lembro-me de no ínicio não ser muito bom de bola, de dar chutos nela e cair para trás. Invariavelmente não me deixavam jogar, indo sempre parar ao banco, com direito a entrar nos últimos minutos do intervalo. Mas uma coisa era certa, escolhia sempre jogadores do Sporting Clube de Portugal.

 

Os craques eram muitas vezes escolhidos por aqueles que na época acertavam mais no esférico. Eu escolhia sempre um de dois, ou o Vidigal ou o Duscher. Para mim eram craques. Lembro-me de dizerem "se passa pelo Duscher não passa pelo Vidigal e vice-versa". Mas porquê? Hoje penso que é por eles serem combativos. Sempre gostei de jogadores combativos que deixavam o suor em campo, fosse pelo jogo ou pelo Clube.

Houve um dia que o "Vidigal" chegou feliz a casa, o jogo tinha ficado 3-2 para nós, com 4 golos do Vidigal (dois autogolos, e os dois golos que levaram ao empate). Foi nesse momento que comecei a treinar, a treinar. Primeiro no jardim de casa, depois numa escolinha. O bichinho do futebol nunca mais despareceu, mas a identidade Sportinguista estava lá:

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Mesmo sem conhecer nessa tenra idade o mote, estava dentro de mim porque já era Sportinguista. E sempre tive orgulho de dizer que o sou. Como eu existem milhões. Milhões que nunca tiveram a oportunidade de representar o Sporting Clube de Portugal em nenhuma modalidade. Nunca tiveram a oportunidade de entrar na Academia. Nunca pisaram o relvado, a pista ou o piso. Mas esses milhões sempre fizeram esforços para comprar o bilhete, fazer a viagem de carro, comprar a camisola do Leão, ser sócio do Clube, defender o nome do Clube em rixas amadoras de bate-bocas, tudo pelo Sporting.

 

O pagamento que queremos não são milhões, não são contratos milionários, vidas luxuosas, tribunas VIP em Alvalade. O único pagamento que queremos é a Glória. Não do A, B ou C, mas do Sporting Clube de Portugal. Que o Sporting seja um "clube tão grande como os maiores da Europa".

 

Somos nós, estes milhões representam verdadeiramente o clube. Treinadores passam, dirigentes passam, mas nós continuamos. Aqueles que vão ao estádio, vêem na televisão, ouvem na rádio, aguentam as falhas do streaming, ficam felizes quando se ganha cantando nas ruas, ou tristes quando se perde mantendo a esperança, são quem dá verdadeiramente tudo pelo Clube. São aqueles que já se imaginaram personificados num jogador do passado e que ainda hoje têm um pasmo na perna quando a bola vai para um dos nossos e sentimos que podíamos ser nós, a fazer o passe, o cruzamento, o corte, a simulação, a arrancada ou o golo. Seja em que parte for, seja que modalidade for. Isto é ser feito de Sporting, é ser Sporting, é viver o Sporting. Por isso somos diferentes dos outros. Não admitimos equipas banais, que não deixem tudo o que podem dar em campo. Nós deixamos nos campos em que somos titularíssimos toda a gota de energia que nos corre no corpo. É isso que pedimos, que façam o mesmo que nós. Que tenham amor ao Clube e se não têm pelo menos que respeitem a camisola que vestem e respeitem todos aqueles que fazem esforços para apoiar-vos em todos os momentos. Isto serve para os contratados e os da casa, os que são e não são Sportinguistas.

 

Quando correm, corremos juntos. Quando estão desanimados, estamos todos desanimados. Quando festejam, festejamos mais que todos.

O Clube do Leão rampante é feito de Mulheres e Homens que o representam com brio e orgulho. É isto que se joga a cada partida, a dignidade de cada Leão anónimo, o esforço que cada um faz fora do terreno de jogo para que um de vocês, os 11, os 23, os que forem sejam intermediários da Glória do todo.

A vida contínua

No 5.º ano, devia eu ter uns dez anos, um dos temas do ano lectivo na disciplina de Português era o jornalismo. 

Os elementos básicos da notícia e da reportagem, o que destacar, como fazer, o que sublinhar.

A minha professora de Português (numa escola pública, já agora, desculpem lá o mash up dos temas), cujo nome agora se me olvida, entendeu que a melhor forma de percebermos o que estava ali em causa era nós próprios prepararmos uma peça jornalística, que apresentaríamos à turma.

Abordou-se os lixos que não eram recolhidos, o animal de estimação que era o melhor do mundo, entrevistou-se o pai, a mãe e o dono da mercearia.

Mas este que vos escreve, imbuído de espírito Sportinguista e fresquinho de ler num dos jornais que havia lá por casa que o Vasques, um dos Cinco Violinos, exercia funções na Loja Verde no antigo Estádio de Alvalade, decidiu que era esse o seu trabalho.

Convenci a minha mãe a acompanhar-me, liguei a confirmar que podia ser e lá fomos, rumo a Alvalade, para que um puto entrevistasse um dos maiores nomes de sempre do Sporting.

Não faço hoje a mais pequena ideia das perguntas e muito menos das respostas que as acompanharam, não guardei sequer um pedaço de papel que me servisse de prova deste momento triunfal, mas a memória segue comigo.

Sabem o que é que rima com memória?

Glória.

E sabem o que é que eu queria para este fim de semana.

Jackpot.

Agora vão lá pensar no que queriam para as vossas vidas desportivas e o que podem fazer para contribuir para alcançar esses objectivos.

Se este Domingo não der, outro Domingo haverá.

Lição de sportinguismo

«Uma vez, na Tapadinha, chovia tanto que éramos os únicos que não abandonámos a bancada. Saímos de lá a escorrer, mas eu achava graça. O meu avô morreu no dia de um Sporting-Sporting da Covilhã. Era suposto ele vir-me buscar de táxi e não apareceu. Eu chorei de fúria: "O avô não cumpriu."  Mas depois lá me disseram que o avô tinha desaparecido.»

Eduardo Barroso, hoje, em entrevista ao jornal i.

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