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És a nossa Fé!

Quente & frio

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Coates começou a central e terminou a ponta-de-lança: mudança inútil

 

Gostei muito de Adán. O nosso melhor em campo, ontem no Dragão. Sem culpa no golo sofrido, protagonizou duas grandes defesas (negando o golo a Fábio Vieira aos 57' e a Vitinha aos 72') e fez muito bem a mancha, fechando o ângulo a Zaidu, que esteve a centímetros de marcar aos 38'. Se algum dos nossos pode orgulhar-se do desempenho nesta segunda mão com o FCP que nos afasta da final da Taça de Portugal (derrota por 0-1 após perdermos em Alvalade por 1-2 no desafio da primeira mão) é o guarda-redes espanhol. Valor seguro da baliza leonina. 

 

Gostei de Matheus Reis. Exibição quase irrepreensível do lateral esquerdo, recuperando a titularidade no Porto após um jogo de castigo que o afastou da derrota anterior, para o campeonato, frente ao Benfica. Batalhador, seguro a defender e acutilante a atacar numa partida que decorreu sob chuva forte do princípio ao fim. Talvez o futebolista do Sporting que mais se valorizou nesta época.

 

Gostei pouco da primeira parte, única em que demos luta à equipa da casa. Criámos desequilíbrios e bons lances ofensivos, mas falhámos sempre no momento decisivo, lá na zona em que se resolvem os jogos. Apenas um remate enquadrado nesses 45' iniciais, sem qualquer oportunidade de golo. Mas pelo menos conseguimos manter a turma portista quase sempre afastada da nossa baliza. Uma coisa e outra explicam o empate a zero que se registava ao intervalo.

 

Não gostei dos desempenhos de vários futebolistas, que pareciam alheados do jogo ou nem sequer estar em campo. Paulinho mal tocou na bola, chegou ao fim desta partida sem fazer um só remate. Pedro Gonçalves voltou a ser um corpo estranho na equipa: não está em forma, tanto do ponto de vista físico como psicológico, e não merece tanta insistência do treinador em integrá-lo no onze inicial. Gonçalo Inácio é comido no solitário golo portista, marcado aos 82' por Toni Martínez, que tinha entrado no minuto anterior. Também não gostei da lentidão do treinador em reagir ao mau desempenho colectivo à medida que se mantinha o empate a zero e o tempo se escoava. A primeira alteração que Rúben Amorim fez, num jogo em que precisávamos de marcar pelo menos dois golos, foi uma troca de defesas ao minuto 56: saiu Neto, entrou Esgaio. Incompreensível.

 

Não gostei nada da falta de golos: pelo segundo jogo consecutivo, ficamos em branco. Nem de ver novamente o técnico mandar Coates avançar para ponta-de-lança, em desespero final, por ausência de soluções alternativas: Tiago Tomás foi emprestado, Slimani parece ter sido excluído do plantel. Nem daquela falta injustificada de Porro, que o levou a ser expulso aos 89', quando a nossa equipa já aliava o desequilíbrio defensivo à inoperância atacante. Nem de termos cedido cerca de 60 metros de terreno ao adversário durante quase toda a segunda parte: até parecia que estávamos a defender o resultado. Mas aquele resultado só interessava ao FCP, não tínhamos nada para defender assim acantonados no nosso reduto lá atrás. 

Em duas frases

Sérgio Conceição, com bloco defensivo adiantado, impedindo as saídas de bola do Sporting e acertando quando mexeu na equipa, deu um banho táctico a Rúben Amorim, muito passivo no banco. Vitória (1-0) merecida do FCP na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, que nos elimina da competição após a derrota (1-2) que já havia imposto em Alvalade.

Palermos


No controladíssimo futebol português, a questão é se o nosso Sporting foi campeão no ano passado por mérito ou porque alguém se distraiu e achou que não íamos lá e depois acordou demasiado tarde?

A derrota com o Benfica, limpa e óbvia, decorre de banho tático ou de jogadores e equipa técnica que acreditam em bruxas porque veem televisão como nós e veem certas e determinadas coisas a acontecer noutros relvados e, compreensivelmente, perdem gás emocional e motivacional porque perceberam que façam o que fizerem, jamais vão chegar ao bi?  

O futebol português continuará assim, belicoso, cheio de incidentes, pressões, intimidações, VARs repetidos tantas vezes que todos os lances são lances de gravidade máxima, árbitros e árbitros de VARs com medo físico que façam mal às suas famílias, fanáticos engravatados orgulhosos de décadas que vão deixar os historiadores do futuro perplexos e autoridades a assobiar para o ar?

Levantar a cabeça

Esta frase, de treinador ou jogador de equipa pequena, foi proferida por Ruben Amorim várias vezes na entrevista rápida, logo após o jogo de ontem, em que sofremos uma derrota clara perante o Benfica.

Irrita-me esta frase, mais ainda proferida por alguém do Sporting.

Ela pressupõe uma humilhação (baixar a cabeça) e pelo menos ontem nem os jogadores do Sporting, sequer o treinador, foram humilhados. O que de simples aconteceu foi que os jogadores foram incompetentes e o treinador abordou mal o jogo.

Pelo esquema táctico apresentado pelas equipas, quem chegasse ontem de Marte poderia entender que quem precisava de ganhar o jogo era o Sporting e quem defendia uma posição de vantagem era o Benfica. Mas não! Ao Sporting bastava fazer o que o Benfica fez (que aliás fez no jogo da primeira volta na Luz), aguardar pelo adversário e desferir-lhe os golpes que veio, ironia das ironias, a sofrer.

Eu não sei se ainda alguém acreditava na renovação do título, mas sejamos realistas, não seria mais importante manter a distância para o terceiro (um empate bastaria) do que manter a distância para o primeiro, que apesar de tudo (saltos para a piscina e outras manobras aquáticas) está a jogar muito bem e dificilmente não será(ia) campeão? 

Eu não quero arrasar os nossos jogadores, nem o treinador, mas quando eles comprometem não lhes posso "passar a mão p'lo pelo" e ontem uns e outro não estiveram bem e sinceramente o cheiro a cebola frita chegou a pairar no ar e não vinha das roullottes.

Uma equipa que, quando não tem um jogador fixo na área, se farta de fazer cruzamentos e quando ele lá está deixa pura e simplesmente de os fazer, só pode ter duas leituras, que me perdoem: Ou estavam distraídos, ou foi propositado. Haja quem responda.

Sem querer ser derrotista e ansiando imenso por uma reviravolta na eliminatária na próxima Quinta-feira, temo que desta vez sim, haja que levantar a cabeça. Se me faço entender...

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

De perder o clássico em Alvalade. Fomos justamente derrotados pelo Benfica (0-2) no nosso estádio. Encerrando um longo período de 42 jogos sempre a marcar golos. Derrota táctica de Rúben Amorim no confronto com o técnico adversário, Nelson Veríssimo: o Sporting foi incapaz de encontrar antídoto contra uma equipa encarnada remetida a um bloco defensivo reforçado e muito eficaz nos vertiginosos lances de contra-ataque. 

 

De termos entregado o título. Acabou o sonho do bicampeonato: o FC Porto, agora a nove pontos de distância, pode sagrar-se campeão na próxima ronda, quando ainda faltam quatro jornadas para o fim da Liga 2021/2022. 

 

Das oportunidades que fomos incapazes de criar. Uma única situação de golo, da nossa parte, em todo o desafio. Mais nada.

 

Do desperdício das bolas paradas. Não soubemos aproveitar um lance de canto ou de livre - Nem um para amostra. E dispusemos de muitos neste jogo. 

 

De termos oferecido o primeiro golo. Um pontapé longo para a frente, na conversão dum livre, bastou para o Benfica inaugurar o marcador logo aos 14'. Com dois toques na bola, de Vertonghen a assistir e Darwin a marcar. Apanhando toda a nossa equipa desposicionada. 

 

Da incapacidade de sairmos em ataque rápido. Dávamos sempre um toque a mais na bola, pausávamos, retrocedíamos, quebrávamos a nossa própria dinâmica ofensiva enrolando os lances a meio-campo e permitindo que a equipa adversária se reorganizasse nos raros momentos em que assumia a iniciativa de jogo.

 

Da estéril «posse de bola». Foi de 61% a nosso favor, dizem as estatísticas. Isto serve para quê?

 

Das nossas substituições. Nenhuma delas mudou a equipa para melhor. Recapitulemos quais foram: Slimani rendeu Pedro Gonçalves (59'), Ugarte entrou para o lugar de Neto (59'), Edwards substituiu Sarabia (69'), Esgaio colmatou a saída de Palhinha (69') e Daniel Bragança preencheu a vaga de Nuno Santos mesmo ao cair do pano (89'). Foi já no período extra (90'+3) que sofremos o segundo golo.

 

Deste banho de água gelada. Mais de 40 mil adeptos compareceram em Alvalade em noite de domingo de Páscoa para ver aquele que foi o nosso pior jogo desta época em competições internas. O jogo em que entregámos de bandeja o título ao FC Porto e reabrimos a discussão para o segundo lugar na Liga, permitindo a aproximação do Benfica - agora com menos seis pontos.

 

 

Gostei

 

Da homenagem a Mathieu. Merecida, calorosa e vibrante ovação ao excelente central francês antes do início da partida. Há quase dois anos fora do Sporting, tendo abandonado a prática do futebol por opção própria, Jérémy Mathieu actuou 106 vezes com a camisola verde e branca, tendo regressado ontem, como convidado, para assistir ao clássico e ser distinguido pelo seu profissionalismo que deixou saudades. Merecia ter sido brindado com uma vitória em campo.

 

De Sarabia. Esteve muito longe de fazer uma grande exibição, mas foi o menos mau dos nossos. É dele a única oportunidade de golo do Sporting, ao fazer a bola embater na trave aos 49'. Percebe-se mal por que motivo Amorim retirou aos 69' o internacional espanhol - melhor jogador do actual plantel leonino - enquanto manteve o perdulário Paulinho até ao apito afinal. 

 

Da arbitragem. Nota positiva para Fábio Veríssimo. Ninguém poderá dizer que foi por causa dele que perdemos.

Descalabro

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Podem dizer-me que nunca o Sporting tinha ido tão longe na Liga Jovem: agora atingiu os quartos-de-final. 

Podem dizer-me que não vencemos o Benfica desde 2017 em jogos sub-19.

Podem dizer-me que houve uma expulsão injusta e sei lá que mais.

 

Quero lá saber. 

O que me interessa é isto: senti-me envergonhado, ontem à tarde, ao ver a nossa equipa (mal) orientada por Filipe Pedro ser goleada pelo Benfica no Estádio Aurélio Pereira. 

Foi um descalabro: terminou 0-4

É inaceitável. Não só pelo resultado, mas pela péssima exibição dos miúdos que vestiam de verde e banco sem honrar a camisola. Passivos, acomodados, sem pôr o pé, sem ir à luta, sem disputar a bola, sem perturbar o adversário.

Atitude inversa à que caracteriza o Leão.

 

Os nossos oscilaram entre o mau e o péssimo. E não me venham dizer, com ar condescendente, que são "meninos". Recuso desculpas de qualquer tipo, incluindo essa.

Vários destes jogadores treinam regularmente com a equipa principal e pelo menos quatro já foram lançados por Rúben Amorim em competições profissionais do primeiro escalão: Gonçalo Esteves, Nazinho, Dário e Rodrigo Ribeiro. Todos merecem nota negativa nesta cabazada sofrida em Alcochete. 

Não só eles: também os restantes. Anoto-lhes aqui os nomes para mais tarde recordar: Callai, Chico Lamba, Rafael Fernandes, Miguel Menino, Renato Veiga, Mateus Fernandes e Diogo Cabral. Mais os que saltaram do banco sem nada adiantarem: João Daniel, Lucas Dias, Chermiti, Gilberto Batista e Kiko Félix. 

 

A jogarem assim, muito poucos merecem lugar no nosso clube. Com esta falta de intensidade, com este ritmo lento em campo, com esta confrangedora ausência de mentalidade competitiva. Culpa deles, não do árbitro nem da guerra na Ucrânia nem da força gravitacional do universo. Também culpa do treinador.

Não foi só a derrota. Foi a forma como perderam perante um Benfica que conseguiu ser superior em todas as zonas do terreno e em todos os momentos do desafio.

Passes falhados, contínuas perdas de bola, incapacidade de ligar jogo, arrepiantes transições defensivas. Não faziam faltas, deixavam o adversário circular à vontadinha. Como se estivessem a cumprir mais um dia no escritório em rotina laboral.

 

Um Callai inseguro, um Chico Lamba desnorteado, um Rafael Fernandes inconsistente, um Renato Veiga desconcentrado, um Nazinho eclipsado, um Diogo Cabral apagado, um Mateus Fernandes desaparecido.

Isto pode ser um conjunto de jogadores, mas está longe de ser uma equipa.

Isto não é futebol que se apresente.

 

Frederico Varandas tem de dar um murro na mesa e alterar o que for necessário. Sem deixar isso para depois: deve agir de imediato.

Os escalões superiores da formação do Sporting não podem continuar a ser geridos desta forma. Envergonhando os adeptos. Ainda por cima com mestre Aurélio Pereira presente na bancada, o que torna tudo ainda mais intolerável.

Desculpem lá

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Sim, é muito bonito aplaudir a equipa nos momentos difíceis. Sim, também eu achei comovente a reacção dos adeptos. Sim, este é o único caminho possível para consolidarmos as conquistas dos últimos anos para que não sejam acidentais e esporádicas.

Mas, desculpem lá, no desafio de terça-feira todo o colectivo leonino pecou por absoluta falta de intensidade - e isto não merece aplauso. Chegarmos ao intervalo só com três faltas cometidas e vermos o jogo terminar sem qualquer oportunidade de golo nem termos feito sequer um remate à baliza é algo inaceitável.

 

Bem sei que existe enorme diferença de atitude competitiva entre as equipas portuguesas, ao nível de clubes, e as inglesas. Este abismo só se atenua ao nível de selecções.

Bem sei que por cá mantemos péssimos hábitos: um dos mais baixos tempos úteis de jogo de toda a Europa (59' em média e no recente FCP-Sporting jogaram-se apenas 43 minutos); partidas do campeonato com mais de 40 interrupções; futebolistas a mergulharem para o relvado com esgares de dor, simulando faltas, mal sentem um toquezinho; péssimos árbitros que fazem questão de ser protagonistas do espectáculo pelos piores motivos. 

Mas isto não justifica a fraquíssima intensidade dos nossos jogadores neste desafio dos oitavos da Liga dos Campeões. Denotaram falta de personalidade e revelaram excessivo respeitinho pelo poderoso City - ao ponto de terem parecido entrar em campo já derrotados. Foi exasperante vê-los correr o tempo todo atrás da bola. 

Por coincidência, no mesmo estádio e perante o mesmo clube que derrotámos vai fazer dez anos, para a Liga Europa.

 

É verdade que o City da temporada 2011/2012 não revelava a mesma qualidade do actual. Mas nessa equipa jogavam David Silva (campeão mundial e europeu), Agüero, Kompany, Touré, Tévez, Balotelli, Joe Hart e Nigel de Jong. Todos viriam a sagrar-se campeões de Inglaterra no final dessa época.

E o Sporting de Sá Pinto tinha uma equipa claramente inferior a este de Rúben Amorim, nem vale a pena comparar. Basta lembrar que terminámos esse campeonato em quarto lugar, só com 59 pontos - menos 16 do que o FCP, vencedor. 

Apesar das óbvias limitações, vencemos o City em casa. E batemo-nos como leões no jogo da segunda mão, que perdemos por 2-3 mas bastou para seguirmos em frente. Temos essa eliminação do campeão inglês no nosso currículo europeu.

 

Agora vi muito pouco, quase nada, desse espírito. E tive pena.

Tal como lamentei a assobiadela monstra dos adeptos ao Hino da Champions, péssimo hábito que nos custará nova pesada multa da UEFA e parece indiciar que muitos sportinguistas detestam ver a equipa na Liga dos Campeões.

E dificilmente aceito que um jogador tão talentoso como Matheus Nunes proteste com a equipa de arbitragem ao ponto de ver um amarelo que o impedirá de actuar em Manchester.

Uma vez mais, vícios do futebol português incompatíveis com a alta-roda do desporto europeu.

 

Há ainda muita coisa a mudar. Dentro e fora do relvado.

Quente & frio

Gostei muito da reacção calorosa e vibrante da massa adepta leonina no final deste Sporting-Manchester City. Grande ambiente. Comunhão plena com jogadores e equipa técnica mesmo após termos sido goleados em casa frente àquele que é hoje talvez o mais temível adversário que pode ser encontrado num estádio de futebol no continente europeu. Este é o verdadeiro espírito: para onde vai um, vão todos. Nos momentos maus como nos momentos bons. Os adeptos sabem que, apesar dos tropeções e das quedas, os jogadores campeões nacionais comandados por Rúben Amorim mantêm enorme crédito. E continuam a merecer aplausos, já a pensar no desafio seguinte.

 

Gostei de ver o nosso estádio quase com lotação esgotada: 48.129 espectadores - uma das melhores casas de sempre em Alvalade. Nisto, pelo menos, foi uma grande noite europeia. Pena só ter sido nisto.

 

Gostei pouco que tivéssemos chegado aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões para tombarmos logo na primeira mão desta eliminatória com um resultado tão negativo como foi o Sporting-Bayern de má memória, em Fevereiro de 2009, quando Paulo Bento comandava a nossa equipa. 

 

Não gostei que Rúben Amorim tivesse mantido inalterado o seu habitual sistema de jogo, planeando o embate com o City como se estivesse a enfrentar o Vizela ou o Tondela na noite de ontem. Nem da justificação que deu após a derrota, em conferência de imprensa: «Eu não quis tirar as rotinas aos jogadores.» Se há desafio que não podia ser encarado como rotineiro, à semelhança de mais um dia no escritório, era precisamente este, contra um dos maiores colossos do futebol europeu e mundial. Também não gostei do onze inicial, com Esgaio claramente deslocado como lateral esquerdo sem ser canhoto, perdendo quase todos os confrontos com Mahrez e cruzando lá na frente de forma defeituosa. Nem que o treinador tivesse feito apenas uma substituição (troca de Pote por Ugarte) antes do minuto 75, quando já perdia 0-5. Nem das exibições desastrosas de alguns jogadores, como Pedro Gonçalves, incapaz de travar João Cancelo ou Bernardo Silva, incapaz de fazer um passe bem medido. Toda a equipa derrapou perante o City - de Adán a Paulinho. O menos mau acabou por ser Porro, que ensaiou alguns lances ofensivos no seu corredor, ainda no primeiro tempo.

 

Não gostei nada que tivéssemos chegado ao intervalo com apenas três faltas cometidas e ao fim do jogo com nove: a estatística parece demonstrar que queríamos facilitar a vida ao adversário. Quando soou o apito final, não tínhamos um só remate enquadrado nem sequer conquistado um pontapé de canto. Na baliza do City, o ex-benfiquista Ederson foi mero espectador, sem nunca ter sido solicitado: neste capítulo, não cumprimos os mínimos. Na defesa, outro descalabro - pior ainda que na goleada em casa contra o Ajax, que se deveu em larga medida a erros individuais de Vinagre na ala esquerda. Desta vez o falhanço foi colectivo. Coates, Gonçalo Inácio e Matheus Reis, que compunham a linha de três centrais, estiveram irreconhecíveis. Adán tremeu em duas ocasiões. E Neto, que entrou aos 82' para render Porro, ia marcando um autogolo, evitado in extremis pelo guarda-redes três minutos depois. Se as "bombas" de Bernardo Silva aos 17' (golo 2) e de Sterling aos 58' (golo 5) eram absolutamente indefensáveis em qualquer estádio, Mahrez dispôs de imenso espaço para a meter lá dentro aos 7' (golo 1) enquanto Reis e Esgaio paravam de braço no ar alegando fora-de-jogo, o mesmo jogador centrou sem que Esgaio, Reis e Coates conseguissem interceptar a bola, empurrada por Foden em zona frontal aos 32' (golo 3) e Bernardo, novamente, viu Sterling chegar à linha de fundo e servi-lo sem que ambos tivessem sido importunados aos 44' (golo 4).

O dia seguinte

Este ano de 2022 não está a começar nada bem para a equipa do Sporting. Foram duas derrotas em três jogos para a Liga e as duas tiveram muito em comum: começar por ter o domínio do encontro, vantagem no marcador, surge do nada um golo muito consentido, a equipa intranquiliza-se, perde o controlo do jogo, as substituições nada acrescentam e na ânsia de ganhar oferece-se um golo que dita a derrota.

Portanto e antes do mais há aqui uma "questão de nervos" que é preciso identificar e resolver. A equipa tem de voltar a mostrar-se tranquila e confiante no seu processo de jogo, não cometer erros na defesa e deixar que os avançados a metam lá dentro. Tem sido uma época muito desgastante, covid, lesões e castigos estúpidos do "sistema" sempre a atrapalhar, estamos em período de mercado de inverno que sempre baralham a cabeça dum ou doutro, mas isto não vai lá com estados de ansiedade. Tranquilidade precisa-se. Já dizia o Paulo Bento.

Um empate são dois pontos perdidos, a derrota são três. Mas a derrota tem um peso completamente diferente na moral e confiança de todos. Sendo assim, e com a equipa empatada (e não a perder) a 15 minutos do final, deslocar o patrão da defesa para o centro do ataque, o que já aconteceu várias vezes, é uma coisa que tem de ser revista. Vale mesmo a pena? 

 

A equipa sai a jogar desde trás, atraindo os avançados contrários para encontrar espaço no meio-campo para colocar a bola e daí partir em velocidade para o ataque. Mas, para isso, os dois defesas "centrais laterais" têm de ter uma solução de emergência, despachar a bola ao longo da lateral. E Gonçalo Inácio a jogar de pé contrário junto à bandeirola de canto não a tem. Comete erros que custam muito caro. Ontem Adán milagrosamente resolveu o primeiro, o segundo deu um livre indirecto que podia ter dado logo, o terceiro deu mesmo golo.

E assim chegamos ao que sempre temos dito e repetido aqui no blogue. O plantel é curto, falta um defesa central de pé direito, falta um ponta de lança com bom jogo de cabeça. Falta um "Mathieu de pé direito", falta um "Bas Dost". Claro que Marcus Edwards será bem vindo e faz sentido em termos futuros, mas não é a solução para as lacunas do plantel.

 

Bom, mas voltando ao jogo. Amorim preparou bem o encontro, trocou Sarabia de lado e com um Matheus Nunes descaído para a esquerda, canalizou muito jogo por aí, com variações oportunas para o lado contrário onde surgiam Esgaio e Pedro Gonçalves lançados em velocidade. Foi assim que surgiu o golo e algumas ocasiões em que os centros perigosos mereciam melhor sorte. O Braga apenas viveu de erros e ressaltos na construção. Já agora aquele corte em carrinho de Palhinha em direcção à própria baliza é disparatado, como disparatado foi o tal carrinho contra o Santa Clara que deu o segundo golo. Um Palhinha que não disfarça o mau momento que atravessa, golo do outro jogo à parte.

Na segunda parte, o Braga mudou para melhor, com um ponta de lança muito agressivo na marcação e um Matheus Nunes controlado de perto, conseguiu o golo na sequência dum erro de Coates, deu-se ao luxo de tirar o artista-palhaço para entrar mais um miúdo para correr e pressionar, deixou partir o jogo porque nada tinha a perder, podia ter perdido se Paulinho (3), Pedro Gonçalves (2) e Tabata tivessem aproveitado as oportunidades que tiveram, trouxe do banco mais um miúdo que no minuto final marcou um enorme golo depois de mais um erro do Gonçalo.

As substituições de Amorim foram completamente inconsequentes. Tabata não fez melhor que Matheus Reis na posição, Ugarte anormalmente desastrado, Jovane em modo "zombie". Porque não entrou Daniel Bragança e Matheus Nunes passou a atacante vagabundo confundindo as marcações? Não entendi.

Perder daquela forma custou mesmo. Foi um regresso ao passado mais triste, às derrotas em Alvalade a cair o pano, ao morrer na praia.

 

E agora? Tal como nós perdemos pontos, os outros vão perder também, mesmo com todas as ofertas que vão tendo, pelo que só temos de ir jogo a jogo, vencendo os jogos, voltando a uma sequência de vitórias. Vem aí a final da Taça da Liga, que pode muito bem servir para a equipa se reencontrar com o sucesso. 

Nós acreditamos em vocês!!!

 

#JogoAJogo

SL

Há dias assim

Sporting 1-2 SC Braga: Leões permitem reviravolta e podem ver o FC Porto fugir na liderança

 

Há maus dias.

Hoje foi o dia mau do Gonçalo Inácio. Perdemos muito por culpa dele.

Em São Miguel o Esgaio teve um mau dia. Perdemos muito por causa dele.

Que raio de equipa que tem fama (e o proveito, o proveito durante muitos jogos) de ter uma defesa de ferro e quando um dos seus elementos "dá raia", se esboroa como pão podre?

Há maus dias, sim, mas também para quem lá à frente vai com uma regularidade assombrosa falhando golos atrás de golos.

E também há maus dias para o treinador, que hoje não deu uma para a caixa.

Até há maus dias para o Hugo Miguel e companhia.

Retirando este último parágrafo, pode concluir-se do meu escrevinhar que o Braga mereceu a vitória. E pode concluir-se muito bem!

Lamento dizer isto, mas o Braga, que eu detesto para que conste como declaração de interesse, foi a única equipa em campo que correu. Os nossos também correram, claro, provavelmente até mais, mas nisto da bola há que correr com método e hoje o método andou arredio do nosso jogo.

As substituições que eles fizeram acrescentaram ao jogo da equipa. As nossas pelo contrário, diminuiram. Ver jogadores com os pés trocados era coisa que já não via desde Keiser e sabe-se o que aquilo deu...

E depois Jovane. Nada contra o moço, mas meter em jogo um miúdo que não consegue fazer chegar a bola à área na marcação de um canto, define o que o rapaz ali andou a fazer. Nada!

E como muito bem diz o nosso jpt ali abaixo meio a brincar, há um que também demonstrou não estar bem, neste mês de Janeiro em que já perdemos seis pontos (por "culpa" do Inácio e do Esgaio, lambram-se?), de seu nome Frederico Varandas. A gente sabe que não é ele que joga, que marca, que falha, que treina, mas tem que ser ele, que já resolveu o problema do "treinar", a resolver o problema de "marcar". Não, não é ir lá para dentro fazer companhia ao Coates lá na frente, coitados um e outro, é contratar alguém que para além de libertar Coates desta missão "criminosa" e o deixe ficar onde ele é preciso, que é a evitar golos dos adversários, marque uns golitos de que tanto temos precisão. Isso mesmo, um avançado centro, doutor! Veja lá se consegue rapar o fundo ao tacho e antes que a gente perca o segundo lugar, traga lá alguém que a meta lá dentro sem muitos rodriguinhos, que o Paulinho esta época, vai ganhar o troféu de melhor quase marcador. Antecipadamente grato!

Mentalidade ganhadora/perdedora

Nestes tempos esquisitos de pandemia e teletrabalho associado, durante a tarde a televisão faz-me companhia, depois de a "acender" à hora do almoço para ver o "telejornal". Em regra, depois das notícias mudo para o canal 11, que é muito interessante e vou dando uma olhadela, para limpar a vista dos ecrãs dos portáteis. Há por lá uma rubrica/programa de nome "Sagrado Balneário", apresentada por Toni (um senhor!) e António Carraça. Dedicada a antigos jogadores, com o objectivo de contarem de forma descontraída as suas carreiras e principalmente peripécias acontecidas durante a dita cuja. Já por lá passaram muitos, uns craques outros nem tanto. Há relato de situações hilariantes e caricatas, no fundo é um espaço despretensioso, leve, alegre, que tem por objectivo criar durante o seu tempo de emissão, empatia entre o "entrevistado" e os espectadores.

Alguns dos que por lá já passaram jogaram em grandes clubes em Portugal (nos três) e no estrangeiro e onde quero chegar com toda a ladainha que atrás rascunhei é que todos, sem excepção, os que passaram pelo FCPorto referiram a pressão que é ter que ganhar; Dentro e fora do balneário. Um exemplo de quem jogou nos três grandes: "Um simples pedido de autógrafos. No Sporting ou Benfica pedem(iam) um autógrafo, dá cá o papel e a caneta, como é que te chamas, assinar e toma. Obrigado, resposta do adepto. No Porto? No Porto era igual, mas no final o adepto não agradecia, dizia: Temos que ganhar no Domingo, cara...!"

Vem isto a propósito da derrota, eu diria desleixada, do Sporting nos Açores, na última jornada.

Concordando inteiramente com o Pedro Correia no post abaixo e tendo toda a confiança no técnico e nos jogadores, não perdemos nada em ser exigentes, antes pelo contrário. Já é tempo de esquecer o "levantar a cabeça e pensar no próximo jogo" tão usado e abusado durante anos a fio no nosso clube.

Cultura de exigência precisa-se, o apoio passa muito por aí e quem a confundir com desapoio andará completamente desajustado daquilo que deve ser o Sporting.

Quero eu com isto afirmar que a mentalidade ganhadora deve ser pressionante, a vontade de vencer devendo estar no balneário, deverá ser alimentada por uma exigência de excelência em todos os jogos e nunca por uma atitude fatalista após um desaire.

Outro jogador dos referidos lá em cima, relatando duas viagens de avião de regresso de jogos das competições europeias, após derrota: "Num avião conversava-se, ria-se, mostravam-se as compras. No voo do FCPorto o silêncio era sepulcral."

Há coisas que, apesar da relatividade da importância de um jogo de futebol tão bem descrita por Bill Shankly, quando afirma que "algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Posso assegurar que futebol é muito, muito mais importante[", se achamos que devemos abraçar, deveremos copiar. Esta cultura de vitória, esta mentalidade ganhadora, esta cultura de exigência poderá ajudar a que deixemos de dizer que "temos que jogar três vezes mais que eles para ganhar" e a largarmos a nossa tão querida fatalidade. Talvez assim só duas vezes passem a ser suficientes...

Dia de anticiclone

Veio-me à memória Anthimio de Azevedo, cara célebre do "tempo" na RTP, que nos explicava com palavras que todos entendíamos, os letrados e os menos, os segredos do tempo para o dia seguinte.

Aquilo podia dar as voltas que desse, mas lá aparecia sempre o anticiclone dos Açores, que em regra nos trazia vento e chuva, um tempo desgraçado portanto, ainda que a chuva faça muita falta, excepto nas minhas costas, que sem chuva a sério nem vinho de jeito há.

E hoje então, veio-me à memória o anticiclone.

Um anticiclone que deu cabo dos neurónios ao Neto. Ao Esgaio. Ao Pedro Gonçalves. Ao Nuno Santos. Ao Paulinho. Ao Tabata. E quando uma tempestade destas toma conta de uma equipa, e no banco o meteorologista não percebe patavina de prever o tempo, a alta pressão passa a baixa pressão e o facto de ter estado duas vezes acima das nuvens, não foi suficiente para evitar uma enxurrada das antigas.

Mau tempo no (canal)s Açores, diria Vitorino com a sua voz calma e reconfortante.

Mas hoje nem isso, não há bonança que salve esta tempestade.

E sem paninhos quentes, isto não foi apenas uma brisa, foi um fdp dum furacão!

O dia seguinte

Começando pelo fim, foi uma derrota merecida a do Sporting hoje em Ponta Delgada, contra um Santa Clara que deve ter feito o melhor jogo desde há muito, e sem muito que reclamar da arbitragem. 

Patrão fora, dia santo na loja. E até foi um jogo em que o Sporting teve tudo para ganhar, com dois golos bem cedo em cada uma das partes, que em vez de servirem para trazer tranquilidade e confiança, vieram trazer desatenções e asneiras descabidas.

Tudo começou na zona direita da defesa, com Neto e Esgaio numa noite para esquecer, que falhando passes destruiam a saída a jogar habitual do Sporting, e, sem grande ajuda de Sarabia, eram uns passadores a defender. Assim, a bola saía demasiado depressa pelos médios sempre em desvantagem numérica na zona do meio-campo, o Sporting lançava-se no ataque, criava de facto oportunidades, mas deixava partir o jogo, e as bolas perdidas no ataque depressa se transformavam em ocasiões perigosas para o Santa Clara. Marcando primeiro por um remate improvável de Palhinha, ainda mais se acentou esse "jogo de matraquilhos", maravilha para os espectadores da TV mas um monte de nervos para o desgraçado que ficou de fora. 

 

Veio a segunda parte, esperava-se que a excelente primeira parte do Santa Clara tivesse deixado marcas e que o Sporting tivesse outro domínio no terreno do jogo, parecia que as coisas iam nesse sentido, Sarabia marca e normalmente o jogo terminaria ali, mas o que veio foi um falhanço colectivo tremendo, tudo a ver jogar o adversário e o golo do empate. 

E aqui temos que parar para pensar. Tirando Adán, Coates, Palhinha (e este já andava a meio gás) e Sarabia, quem é que estava a justificar a titularidade? E, olhando para o banco, quem é que lá estava para dar a volta ao texto? O plantel é curto ou não é? 

Sim, estavam lá Ugarte e Bragança. Mas quem iria sair? Palhinha ou Matheus Nunes?

Sim estava lá TT. Para sair quem? Sarabia ou Pote?

E quem é que lá estava mais? Algum outro Paulinho, Pote ou Sarabia? 

 

A substituição que se seguiu, habitual em Amorim, nada resolveu. Se Neto estava péssimo do lado direito da defesa, Esgaio péssimo ficou no mesmo sítio e Tabata, de pé contrário sem capacidade de centro à primeira, pouco adiantou. Com o lado direito coxo, o lado esquerdo retraía-se e a despesa ficava por conta dum Matheus Nunes que transportava muito mas sempre falhava no último passe.

O golo do empate deu cabo da equipa. Passou de estar a ganhar e poder gerir o jogo, já na 2.ª parte, para estar empatada um minuto depois e a ter de voltar a sair atrás do prejuízo. Tudo passou a ser feito mais com o coração do que com a cabeça: lá foi Coates para ponta de lança, oportunidades ainda existiram mas outro erro colossal de Esgaio esteve na origem de mais um golo sofrido e a derrota. Cereja em cima do bolo do Santa Clara, Paulinho falha com a baliza escancarada em plenos descontos. 

 

Há quem diga que a equipa não teve atitude, que não correu, que não lutou. Eu acho é que correu de mais e jogou de menos. Faltou confiança, faltou frescura mental, têm sido muitos jogos, muito covid, passagem do ano a distrair um ou outro, desgaste acumulado, e são sempre os mesmos que têm de resolver. Não são de ferro. 

E agora? Agora perdemos três pontos, se tivéssemos empatado perdíamos dois, pelo menos no final desta jornada estaremos em segundo. Os rivais já perderam e vão perder pontos também. Analisar o que correu mal, treinar, focalizar e voltar ao normal. Um Sporting que joga e não deixa jogar. Um Sporting que sofre muito poucos golos.

As grandes equipas são aquelas que depressa recuperam das quedas. Este Sporting de Amorim é uma grande equipa. 

 

PS: O segundo golo do Santa Clara tem de ser visto, revisto e trevisto. O Santa Clara reinicia o jogo com passe para trás, o trio avançado corre à pressão, Nuno Santos também, bola por alto para onde o Nuno devia estar e não estava, quando Matheus Reis lá chega a bola já circulou para o lado contrário, Palhinha falha o corte de carrinho e fica fora do lance, a bola regressa a esse jogador e remate para o golo. Inacreditável... Mas não estávamos a ganhar??? Está alguém farto de ganhar por 2-1???

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

 

2021 em balanço (7)

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DERROTA DO ANO: 1-5 CONTRA O AJAX EM CASA

O impensável aconteceu: fomos cilindrados em Alvalade pelo Ajax. Por números humilhantes: 1-5. Acabou por ser a derrota que mais nos custou ao longo de 2021, ano em que apenas perdemos dois jogos nas competições internas.

É verdade que o adversário impunha respeito, tem um longo historial europeu e se transformou numa máquina de fazer golos, como ninguém ignora. Mas também é um facto que este Sporting comandado por Rúben Amorim nos habituou a elevadíssimos padrões de exigência. Daí a decepção ter sido maior. 

 

Se há jogos que correm mal desde o início, este foi um deles. O primeiro golo foi sofrido logo aos 2'. Aos dez, já perdíamos 0-2. Com o corredor direito do campeão holandês a actuar num ritmo alucinante, desorganizando a nossa linha defensiva, onde Rúben Vinagre, em estreia absoluta numa partida da Liga dos Campeões, teve exibição para esquecer. De tal maneira que foi substituído ao intervalo. 

Mas o problema não foi só dele. Se aos 33' tínhamos conseguido reduzir para 1-2, com Paulinho a marcar, ainda na primeira parte sofremos o terceiro. Na segunda, outros dois fixaram o resultado, com Haller e Antony exibindo todo o seu talento em campo.

Era também a estreia do nosso treinador numa partida da Champions: as recordações que conservou dela não são nada agradáveis, com toda a certeza. Tornou-se a nossa segunda pior prestação de sempre na Liga dos Campeões, onde não actuávamos desde 2017/2018. Pior só a derrota frente ao Bayern por 0-5 em 2009.

 

Valha a verdade que houve atenuantes. Desde logo, jogámos desfalcados. Com Coates ausente por castigo, Pedro Gonçalves de fora por lesão, Sarabia excluído por opção técnica. Nuno Mendes, titular absoluto do Sporting 2020/2021, saíra duas semanas antes para o PSG, deixando o nosso flanco esquerdo desguarnecido nessa noite de 15 de Setembro.

No banco de suplentes sentavam-se três futebolistas da equipa B: Geny, João Goulart e Gonçalo Esteves. O plantel parecia curto para tantas frentes competitivas.

Ainda por cima Gonçalo Inácio viu-se forçado a sair aos 21', lesionado.

 

Mas convém sublinhar que apesar da goleada não se escutaram assobios nas bancadas do nosso estádio - com apenas metade da lotação devido às restrições impostas pela pandemia. Pelo contrário, o apoio foi constante. Como há muito não se via. Prova inequívoca da confiança que os adeptos depositam na equipa.

Outro aspecto positivo: os jogadores cresceram com esta derrota. De tal modo que acabámos por superar com sucesso a fase de grupos da Liga dos Campeões, algo que não nos sucedia desde 2008/2009. Conclusão: a experiência adquirida, mesmo numa derrota pesada, acabou por ser um lado menos mau deste Sporting-Ajax. O caminho faz-se caminhando.

 

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

           Derrota do ano em 2019: Supertaça (4 de Agosto)

Derrota do ano em 2020: 1-4 contra o Lask Linz em casa (1 de Outubro)

Obrigado e até sempre, Fernando Santos

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1

Um dos maiores defeitos da espécie humana é a ingratidão. Por mim, estou e estarei agradecido a três seleccionadores nacionais de futebol: Luiz Felipe Scolari, que nos levou à primeira final de um Campeonato da Europa e ao quarto lugar do Mundial 2006; Paulo Bento, que comandou a equipa das quinas até às meias-finais do Euro-2012 (perdida nos penáltis frente à Espanha de Casillas, Sergio Ramos, Busquets, Xavi Alonso, Iniesta e David Silva que viria a sagrar-se campeã); e Fernando Santos, que nos conduziu enfim a duas vitórias em provas de selecções - o Euro-2016 e a Liga das Nações 2019. 

Serei sempre grato a estes seleccionadores, que lideraram a equipa nacional em grande parte destes últimos 20 anos - o período em que Portugal transformou a excepção em regra. Durante décadas, só nos qualificávamos para fases finais de campeonatos do Mundo e da Europa em períodos excepcionais ou acidentais; desde 2000 (ainda com Humberto Coelho), temos ido lá sempre. 

Todos foram contestadíssimos desde o primeiro minuto. A inveja, a maledicência, o mero passatempo do dizer-mal praticam-se com desenvoltura neste país de dez milhões de seleccionadores de bancada, sempre à espera do senhor que se segue para dizerem dele o que disseram do anterior. Foi assim com Scolari, foi assim com Bento, é assim com Santos. Será assim com o sucessor do actual.

Como gosto de remar contra a maré, apoiei todos sem reservas. Sem ilusões, no entanto: nesta era das redes sociais, os ciclos de poder no futebol, tal como acontece na política, são cada vez mais curtos. Porque a gritaria é constante e tudo se exige para ontem. Haver ou não títulos, é indiferente. Haver ou não valorização constante dos jogadores portugueses no mercado internacional (veja-se, a título de exemplo, a quotação de João Mário no pós-Europeu de 2016), é irrelevante. 

 

2

Feito este prelúdio, reafirmando o que sempre pensei, é inegável que o ciclo de Fernando Santos ao comando da nossa principal selecção de futebol terminou ontem, em atmosfera tristemente simbólica, ao minuto 90 do Portugal-Sérvia, num estádio cheio de fervorosos apoiantes da equipa nacional. Coroando uma semana de pesadelo após um empate a zero com sabor a derrota na Irlanda em que jogámos "para o pontinho", como critiquei aqui.

«A maneira mais estúpida de perder, muitas vezes, é mesmo essa: quando se joga só para o pontinho», alertei. Antevendo o desastre que viria a ocorrer no relvado da Luz. Com a equipa das quinas alinhada num 3-5-2 nunca testado, incapaz de controlar a bola, incapaz de sustentar uma jogada digna desse nome, incapaz de resistir à pressão sérvia. A ganhar desde o minuto 2, graças a Renato Sanches, os nossos jogadores comportaram-se a partir daí como se receassem ser goleados. Recuaram linhas, assumiram-se perante os sérvios (em 29.º lugar na tabela classificativa da FIFA) como equipa de terceira.

Defender a todo custo o empate (1-1 ao intervalo) foi a palavra de ordem. Nunca tinha visto tantos excelentes jogadores actuarem tão mal: Rui Patrício, Cancelo, Nuno Mendes, Jota, o próprio Cristiano Ronaldo. Moutinho funcionando a gasóleo, como há longos anos acontece. Palhinha, espantosamente, fora do onze titular. Danilo como central improvisado, entre Fonte e Rúben Dias, abrindo uma clareira a meio-campo onde os adversários circularam como quiseram. O desespero apossando-se da equipa, que terminou o jogo com três trincos de origem: Danilo, Palhinha e Rúben Neves. 

A derrota de ontem começou a construir-se em Dublin. Quando o seleccionador, improvisando sempre, decidiu mudar seis jogadores da equipa-base, que actuou sem qualquer esquerdino. Dalot, Danilo, Matheus Nunes, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes (fora da convocatória inicial) e André Silva alinharam de início. Ontem, nova alteração radical com sete outros titulares: Cancelo, Fonte, Rúben Dias, Nuno Mendes, Renato, Moutinho e Jota.

 

3

Consumada a derrota, Bernardo Silva disse logo tudo numa curta frase: «Péssimo jogo de Portugal.» Não adianta iludir as evidências: são palavras dirigidas, antes de mais ninguém, ao seleccionador.

É, portanto, um ciclo que chega ao fim. 

Tal como defendi a saída de Paulo Bento - que sempre havia merecido o meu aplauso - após a nossa humilhante derrota em casa frente à Albânia, no início da campanha para o apuramento do Euro-2016, que tanta alegria nos haveria de dar, concluo agora que o mandato de Fernando Santos se esgotou na prática. É um seleccionador cansado, resignado e cuja ambição se confina ao tal "pontinho" que nos fez resvalar para uma confrangedora mediocridade e um humilhante fracasso em quatro dias. 

 

4

No final de Março haverá um mini-torneio de apuramento que ainda poderá repescar a equipa das quinas para o Mundial do Catar, a disputar em Novembro e Dezembro: serão qualificadas três selecções em doze. Ignoro ainda quem teremos como adversários. Mas estou convicto de que o seleccionador deve ser diferente.

Se eu mandasse - e ele quisesse - promoveria Rui Jorge dos escalões mais jovens à selecção A. Esse é o debate que deve abrir-se a partir de agora.

Reitero a minha consideração, o meu apreço e a minha gratidão por Fernando Santos. E digo-lhe, com toda a sinceridade: chegou o tempo de sair de cena e dar lugar a outro. A vida é assim, o futebol também.

Estou sem tema

O José da Xã e o jpt já fizeram o meu papel de maldizente (ou maledicente, Pedro Oliveira?) com excelentes apontamentos. De modo que eu, que vinha aqui para dizer mal de sua excelência o engenheiro Fernando Santos, só posso vir aqui dizer mal (perdoa-me José da Xã) da santinha. Não é bem dizer mal, é dar-lhe voz, que é coisa nunca feita.

A derrota de ontem, com uma equipa/selecção bem mais modesta que a nossa em valores individuais, é tão mais grave que se viu a determinada altura do jogo a boa da santinha a, sorrateiramente, abandonar o bolso do engenheiro.

Jornalista sagaz, José Maria Pincel, que decidiu e muito bem não perder tempo com exibição tão inútil, logo se apressou a abandonar o seu lugar na ponta esquecida da bancada de imprensa e conseguiu um inédito exclusivo, ouvir o que tinha a dizer a própria da santinha sobre tudo o que lhe aprouvesse sobre o engenheiro.

Do que se poderá reproduzir (esta coisa da auto-censura no jornalismo é um péssimo hábito, mas atenta a função da senhora entende-se) fica apenas isto: " Esse f...36fk%&=#ç*+ do /&%?=50og" que vá treinar prá %&#/(=()/& que o ;?()/&jt$50$"!" "Mas senhora, as queixas são a que nível?", perguntou Zé Maria, enfático e algo receoso por nova resposta acalorada. "Ao nível do básico! Aquela besta aperta-me de tal forma de cada vez que um jogador dos dele dá uma fífia, que tenho a coluna toda feita em picadinho, nem Deus nosso Senhor me safa. E o suor? Não sente o pivete que eu exalo? Aquela manápula sapuda hora e meia a suar de cagufa (o Senhor me perdoe, mas já não aguento mais!), que tenho as vestes todas ensopadas. E já não aguento os tiques do gajo, $&)#/%$%%»?! De cada vez que torce o queixo, dá-me um apertão nas mamas que até vejo estrelas".

- Então, Senhora, o que está a pensar fazer agora que ainda faltam dois jogos para tentar chegar ao Qatar?

- Eu por mim só peço a Deus que me leve para junto Dele, já apresentei a minha resignação ao cargo, nem um santo aguenta isto!

- Mas assim provavelmente ficará ainda um pouco mais difícil...

- Difícil, mas não impossível. Sempre podemos ampatar os dois jogos por 5-0!

Choque com a realidade

Entre o picado e o empapado inclino-me para o segundo. Sem dúvida.

Era feito em papa que estava o meu ego sportinguista quando ontem deixei a Alvalade. Afinal, com a mesma consistência da nossa equipa perante o bulldozer vindo das Terras Baixas que jogou sempre em cima de nós, com altivez e superioridade.

Não quero crucificar ninguém, claro que não. No entanto, perante aquela coça vergonhosa que sofremos em casa na estreia da maior prova de futebol do mundo, fui incapaz de aplaudir os nossos jogadores no fim daqueles 90 minutos infernais.

Também não os vaiei. Nunca o faço. Mas bater palmas à equipa pareceu-me o mesmo que espancar o meu amor próprio. E um tipo tem de se dar ao respeito para memória futura. 

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