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És a nossa Fé!

Quente & frio

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Ugarte, aqui enfrentando o ex-campeão mundial Mario Götze, não merecia esta derrota

 

Gostei muito da exibição de Ugarte no jogo de ontem, em que recebemos o Eintracht no mais decisivo embate da Liga dos Campeões. Jogou à campeão: ele e Porro foram dos nossos raros jogadores que mereciam seguir em frente na prova milionária. Mesmo com notórios problemas físicos, aguentou-se durante mais de uma hora. Saiu aos 63', claramente diminuído mas como exemplo de robustez psicológica para alguns colegas. O melhor Leão neste jogo já de má memória, com mais de 41 mil espectadores nas bancadas. O jovem uruguaio ganhou confrontos, fez recuperações, bloqueou o acesso da equipa adversária ao nosso reduto defensivo. E ainda foi dele a assistência para o nosso golo solitário, marcado por Arthur aos 39' - havia 1-0 favorável ao Sporting quando soou o apito para o intervalo. Estivemos a vencer durante 23 minutos graças a esse golo - o segundo do brasileiro ex-Estoril na Champions, também ele com actuação positiva. Se o nosso médio defensivo pudesse continuar até ao fim, mas em boa forma física, talvez a sorte desta partida tivesse sido outra.

 

Gostei do jeito que nos deu o Tottenham ao apontar o golo da vitória (1-2) em Marselha, no último lance do desafio, já com sete minutos extra de jogo. Golo que ocorreu escassos minutos após o fim do Sporting-Eintracht, com a nossa equipa fora das competições europeias quando havia entrado para a segunda parte em primeiro lugar no grupo D. Mas derrapámos ao permitirmos o empate (62', de penálti) e o triunfo da turma germânica (72', com Gonçalo Inácio batido em corrida numa fracassada tentativa de travar cavalgada de Muani). Dez minutos que nos levaram do céu estrelado ao fundo do poço, tombando do primeiro para o último posto. O golo salvador da equipa londrina colocou-nos no terceiro lugar, que dá acesso ao playoff da Liga Europa. Do mal, o menos.

 

Gostei pouco de confirmar que a nossa equipa só dura 45 minutos. Depois rebenta, no plano físico e anímico. Voltou a acontecer, mesmo tendo desta vez o treinador apostado num inédito onze titular (Adán; St. Juste, Coates, Gonçalo Inácio; Porro, Ugarte, Pedro Gonçalves, Nuno Santos; Edwards, Arthur e Paulinho). Daí a desorganização táctica em que mergulhou o Sporting após sofrer o segundo golo, nuns penosos 20 minutos finais em que o lema parecia ser «tudo ao molho e fé em Deus». Coates lá foi picar o ponto à frente, em desespero, como ponta-de-lança improvisado, e até Adán lhe imitou o exemplo no minuto que antecedeu o fim do jogo. Uma caricatura de futebol.

 

Não gostei do árbitro, que assinalou penálti a Coates aos 60' num lance em que o nosso capitão sofreu falta de Kamada - que viria a converter o castigo máximo. E permitiu que Jakic continuasse em campo mesmo tendo cometido segunda falta para cartão amarelo - que lhe valeria a consequente expulsão. Mas há que reconhecer: o Eintracht foi superior, sobretudo na segunda parte, que dominou por completo. Após o intervalo, o Sporting concedeu toda a iniciativa de jogo aos alemães, recuando 30 metros e remetendo-se como equipa pequenina ao reduto defensivo, procurando aliviar a bola de qualquer maneira. Uma vez mais, pecámos no capítulo ofensivo: só três remates, dois enquadrados, em toda a partida - nenhum na segunda parte. Incapazes de aproveitar um canto ou um livre. Sempre a perder no jogo aéreo. Alguns jogadores passaram ao lado da partida, com destaque novamente para Trincão: entrou aos 63' (rendendo um Edwards bastante apagado) e voltou a ser uma nulidade. Amorim insistiu em remeter Pedro Gonçalves ao meio-campo, retirando dele todo o potencial como goleador. Paulinho esteve quase a marcar... na própria baliza, logo aos 12', mas felizmente Adán impediu a bola de entrar com a melhor defesa da noite. Destaque ainda, pela negativa, para Nuno Santos. Mas só porque saiu lesionado, aos 32'. Outro jogador leonino no estaleiro.

 

Não gostei nada de vermos fugir mais um objectivo da época com esta derrota (1-2) em Alvalade frente à equipa de Frankfurt. Ao contrário do que sucedeu na temporada anterior, caímos na fase de grupos da Liga dos Campeões. Aqueles adeptos que adoram assobiar o hino da Champions devem estar felizes: não o ouviremos no nosso estádio durante o resto da temporada e provavelmente na próxima também não. Este tombo sucede após termos sido eliminados pelo Varzim da Taça de Portugal e quando a conquista do campeonato não passa de miragem, com o Benfica 12 pontos acima de nós e quatro outras equipas agora à nossa frente. Pior ainda: registámos esta noite o oitavo desaire da temporada em 18 jogos. Balanço: oito vitórias, dois empates, oito derrotas. Com 29 golos marcados e 24 (!) sofridos. É mau? Não: é péssimo.

Vou aprender a assobiar

Se calhar para o ano, é o mais certo, não vamos à Liga dos Campeões.

Mas melhor ainda, terei mais tempo para treinar aquele assobio estridente que até fere os tímpanos, que o gajo que está na fila atrás de mim faz soar aqui junto da minha orelha direita quando começa o hino da champions.

A gente não joga nada, é certo; Jogamos sempre com um a menos (hoje foram o Edwards na primeira parte e o Trincão na segunda), também é verdade, mas de vez em quando calha-nos um artista que nos faz a folha com uma limpeza das antigas. Hoje o Pinheiro que nos calhou inventou um penalti, perdoou um segundo amarelo a um alemão a meia hora do final e nas faltas e faltinhas foi condicionando o jogo.

Não me apetece falar das deficiências da equipa, nem das mais uma vez más substituições de Amorim.

Hoje falo de um filho da puta que a UEFA nos atravessou no caminho.

Fora de tudo

Não há campeonato, não há taça e por pouco não havia competições europeias (estamos apenas no play-off da Liga Europa). Ao dia 1 de Novembro.

Estamos perante um desastre total. O Sporting Clube de Portugal foi desvalorizado de todas as formas e está remetido a uma posição muito frágil. Isto é inconcebível e inaceitável.

É preciso uma solução para tudo isto. A direção, a estrutura do futebol e o treinador (um bom treinador, mas teimoso) que resolvam: são eles os "culpados", em conjunto, e são eles que terão de ver uma saída porque têm especiais responsabilidades ao terem montado um plantel desequilibrado e sem qualidade para 2022/2023, ao terem vendido Matheus Nunes e, sobretudo, ao terem toda esta sobranceria a lidar com as coisas do clube. Não se admite.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Não gostei

 

Da derrota. Mais uma. Agora contra o Arouca: foi a nossa quarta, em 11 jogos deste campeonato. E a sétima derrota em 17 jogos disputados nesta temporada em três competições. Pior ainda: nunca tínhamos perdido pontos em Arouca. Resultado histórico, portanto, pela negativa. Como tinha sido a derrota em casa contra o Chaves. E a recente humilhação frente ao Varzim, que nos afastou da Taça de Portugal.

 

Do onze inicial que o treinador pôs em campo. Rúben Amorim mudou meia equipa titular. Fazendo entrar Esgaio, Dário, Nazinho, Arthur e Rochinha enquanto mantinha Porro, Nuno Santos, Ugarte e Edwards no banco. Nem o facto de o FC Porto ter perdido dois pontos horas antes reforçou a ambição do técnico: Amorim abdicou do lema "jogo a jogo" e do princípio "jogam sempre os melhores". Fatal para as aspirações do Sporting, que podia ter saído de Arouca com apenas menos um ponto do FCP e veio de lá com menos quatro. E estamos agora a 12 do Benfica, líder da prova.

 

Da ausência de um ponta-de-lança. Paulinho está novamente lesionado - pela segunda vez em menos de três meses. Como não há outro avançado-centro na equipa A leonina, aparentemente por opção do treinador, Amorim montou uma linha ofensiva composta por... três extremos. Tal como não há omeletes sem ovos, também é difícil haver golos sem pontas-de-lança. Sobretudo contra dois terços das equipas portuguesas, que sabem aquartelar-se muito bem nos redutos defensivos - à semelhança do que nós fizemos há dias contra o Tottenham. A experiência do técnico não resultou: daí esta derrota (1-0) em Arouca.

 

Do recuo de Pedro Gonçalves. O melhor artilheiro da Liga 2020/2021 torna-se banal quando é forçado a jogar nas linhas médias. Perde o seu principal atributo, revelado no Sporting: marcar golos. Ao fazer o nosso n.º 28 actuar vários metros mais atrás, Amorim retirou-lhe essa característica sem obter nada de valioso em troca. Não é a primeira vez que comete este erro, mas vai insistindo nele. Sem que se perceba porquê.

 

Da "falta de eficácia". Assim chama o treinador leonino à nossa incapacidade de jogar com a baliza, metendo a bola lá dentro. Contabilizei oito oportunidades de golo, divididas por igual entre as duas partes: Trincão aos 8'; Gonçalo Inácio aos 18'; Rochinha aos 23'; Esgaio aos 42'; Porro aos 64'; Pedro Gonçalves aos 75' e aos 90'+1; Coates aos 90'. Umas vezes não resultou devido a boas intervenções do guarda-redes adversário, outras simplesmente por inabilidade dos nossos jogadores. De meia-distância, nem uma: Ugarte tentou, mas chutou duas vezes para a bancada.

 

De ver Coates lá na frente. Pensava que não voltaria a acontecer, mas enganei-me: a cerca de um quarto de hora do fim, Amorim lá mandou o nosso capitão plantar-se na grande área ao Arouca, como ponta-de-lança improvisado - precisamente a posição que o treinador não quis preencher quando este plantel foi planeado. Esforço inútil: o internacional uruguaio continua em branco nesta Liga 2022/2023. Mas quase marcou, num disparo de cabeça após um canto, no último minuto de tempo regulamentar, dando origem à defesa da noite, protagonizada pelo seu compatriota Arruabarrena.

 

Das bolas paradas defensivas. Esta equipa treme a cada canto, a cada livre, até a cada lançamento da linha lateral. Voltou a tremer ontem, aos 47': de um canto nasceu o golo do Arouca, com Dário e Nazinho batidos na altura por João Basso. Nós, pelo contrário, fomos incapazes de criar perigo em nove dos dez cantos de que beneficiámos. 

 

Do festival de passes falhados. Não consultei os dados estatísticos, nem necessito deles para concluir que ao nível da precisão do passe voltámos a falhar neste Arouca-Sporting, por consecutivas entregas da bola ao adversário. Pior: abdicámos de a disputar vezes a mais, concedendo a iniciativa à equipa da casa. Ficou evidente que precisamos de um patrão no meio-campo - é uma das várias lacunas deste decepcionante Sporting 2022/2023. 

 

De termos dado 53' de avanço ao Arouca. Amorim, mesmo percebendo que nada estava a carburar bem, manteve a equipa intocável ao intervalo, que chegou com 0-0. Só depois de termos sofrido o golo logo no recomeço, aos 47', decidiu fazer alterações mandando entrar Ugarte para o lugar de Dário, Porro para o lugar de Esgaio e St. Juste para o lugar do amarelado Gonçalo Inácio. Podia ter dado certo, mas as falhas de finalização persistiram, agravadas pelo descontrolo emocional dos jogadores: a partir de certa altura a consistência colectiva deu lugar a tentativas individuais de resolver o problema. Que permaneceu sem solução.

 

Da sucessão de lesões. Temos mais dois jogadores fora de combate: Morita e Paulinho. Nunca me recordo de tantos profissionais declarados inaptos para jogar em escassos três meses numa época futebolística. Nem sequer nos conturbados tempos da pandemia. 

 

De Trincão. Começa a ser exasperante a falta de intensidade competitiva deste jogador que tem bons atributos técnicos mas é incapaz de se revelar como reforço na dinâmica colectiva. Ou está sempre uns metros à frente ou mais atrás do que devia, ou dá um toque a mais na bola ou se perde em virtuosismos de futsal. Voltou a acontecer.

 

Do sexto jogo seguido fora de casa a sofrer golos. A nossa defesa continua em estado calamitoso. Em 11 jornadas, sofremos 14 golos. E nos 17 desafios já disputados nesta temporada, encaixámos 23. São números de equipa do meio da tabela, não de equipa grande.

 

Do árbitro Rui Costa. Aos 68', fez vista grossa a uma biqueirada apontada por David Simão ao rosto de Edwards, em claro jogo perigoso - falta digna de amarelo, o que faria o jogador arouquense sair por acumulação de cartões. O mais idoso árbitro do futebol português beneficiou claramente a equipa da casa neste lance.

 

 

Gostei

 

De Adán. Único jogador do Sporting que merece nota positiva. Sem a menor culpa no golo sofrido, ainda impediu dois do Arouca - que podia ter vencido por 2-0 ou até 3-0. Merecem destaque estas defesas, aos 40' e aos 51'.

 

De Porro. Dos que saltaram do banco, só ele foi capaz de agitar o jogo. Entrou cheio de ganas de dar a volta ao resultado, embora nem sempre com o discernimento que se impunha. Quase marcou aos 64', assistido por Ugarte. Devia ter jogado de início.

 

Dos adeptos leoninos. Não foi por falta de apoio que o Sporting saiu derrotado de Arouca. Nunca faltou incentivo das bancadas - mesmo à chuva, nos minutos finais, mesmo com o resultado desfavorável, mesmo vendo vários dos nossos a arrastar-se em campo por cansaço ou falta de inspiração.

A culpa foi de Amorim

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Foto: Miguel Pereira / Global Imagens

 

Haverá quem diga que a culpa é dos árbitros, das claques, do mega-empresário Mendes, do seleccionador Santos, da conspiração universal. Mas hoje o Sporting atirou a toalha ao chão em definitivo no campeonato ao deixar-se perder em Arouca. Na linha das derrotas frente ao Chaves e ao Boavista, além da eliminação frente ao modesto Varzim, do terceiro escalão, para a Taça de Portugal.

Não vale a pena inventar responsáveis. A culpa, desta vez, é toda de Rúben Amorim. Num desafio que precisávamos mesmo de vencer, aproveitando os dois pontos perdidos pelo FC Porto frente ao Santa Clara, o técnico leonino entendeu escalar um onze sem cinco titulares - e ainda neutralizou um sexto, Pedro Gonçalves, ao mandá-lo recuar no terreno. Como se não fosse o nosso melhor marcador de golos.

Esta brincadeira deu 53 minutos de avanço ao Arouca - todo o primeiro tempo acrescido de oito minutos da segunda parte, quando Amorim decidiu enfim mexer na equipa, quando já perdíamos 0-1 desde o minuto 47. 

Saímos de Arouca com a quarta derrota em onze jogos da Liga 2022/2023. Temos apenas 19 pontos em 33 possíveis. Vemos o líder, Benfica, agora a 12 pontos de distância. E corremos o risco de cair para o sexto lugar após esta ronda.

Deixem lá as teorias da conspiração. Rúben Amorim deve uma desculpa aos adeptos. Sobretudo aos que se deslocaram a Arouca e levaram em cima com a chuva, com a péssima exibição da equipa e com mais três pontos desperdiçados.

Tem a palavra o presidente

Se conseguir verbalizar duas frases seguidas, claro.

Claro que não é ele que falha os golos, não é ele que dá casas na defesa, não é ele que passa noventa minutos a fazer que joga mas não joga, não é ele que escala a equipa, mas os sócios têm que ouvir a sua voz transmitindo o seu inconformismo.

Um presidente almofadinha não serve os interesses do clube.

Exige-se uma posição do presidente sobre esta desgraçada entrada na época em curso.

Não é preciso berrar, nem dar pontapés na parede do balneário.

Exige-se que fale e que exija comprometimento e que diga ao treinador que os jogos se ganham com golos e que só depois de se estar a ganhar é que se pode defender resultados.

Hoje a culpa é toda de Amorim, por não querer começar com os melhores. Se não é intencional, parece. E dos jogadores, que se estão cagando (perdoem o meu francês) para os resultados. A inflacção para eles passa ao lado e os milhares, centenas nalguns casos, pingam sempre ao final do mês. Faltam dois dias.

O meu apelo a Rúben Amorim

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Outros farão os mais diversos apelos aos responsáveis directivos do Sporting, à equipa técnica e aos jogadores.

O meu é muito simples e tem Rúben Amorim como destinatário. Peço-lhe para pôr a nossa equipa a vencer.

Começando no desafio deste sábado frente ao Casa Pia.

 

Já basta o que ficou para trás. O Sporting vem de três derrotas consecutivas e de seis jogos seguidos a sofrer golos.

É tempo de inverter o rumo.

É tempo de começar a ganhar.

 

Até agora, nesta época tão atribulada, fomos incapazes de virar um resultado desfavorável - algo que custa a entender.

Levamos 24 golos marcados e 19 sofridos em 14 jogos - números medíocres.

E perdemos 42% das partidas realizadas - estatística inaceitável para uma equipa com os pergaminhos do Sporting.

 

Daí eu aproveitar este espaço para renovar o tal apelo que fiz no início.

Façam o favor de ser felizes. E de nos fazerem felizes também. 

O pesadelo

Dez notas sobre o Varzim-Sporting (1-0)

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O Sporting disse ontem adeus à Taça de Portugal no próprio jogo em que se estreava nesta competição. Caiu com justiça perante o Varzim - que actuava supostamente "em casa", mas em estádio emprestado, na cidade de Barcelos. Adversário da Liga 3, uma competição dois escalões abaixo da nossa.

Foi o "momento Silas" de Rúben Amorim neste início de época que se transformou num doloroso pesadelo. Vamos em quinto no campeonato à nona jornada, disputamos o quarto posto com o Casa Pia, acabámos de ser humilhados pelo Marselha na Liga dos Campeões, sofremos seis derrotas em 14 desafios já disputados em três competições.

Agora, somos despejados da Taça. Num jogo em que nada fizemos sequer para empatar, quanto mais para vencer.

Equipa apática, desinteressada, sem chama nem alma. Treinador assistindo fora das quatro linhas, com atitude de insólita resignação. Como se uns e outros já desconfiassem desde o início que o pior poderia acontecer.

E aconteceu mesmo.

 

Algumas notas que este jogo me suscitou:

1. Os nossos futebolistas passaram o tempo a atirar bolas para a bancada. Pareciam disputar um concurso a ver quem seria o primeiro a pontapear uma para fora do estádio. Neste lamentável "campeonato" distinguiu-se Trincão (8', 12', 32', 60', 65'). Uma inutilidade.

2. Beneficiámos de 19 pontapés de canto. Nenhum foi aproveitado - nem andou perto disso. Desperdício quase chocante. Enquanto junto à baliza leonina os escassos lances de bola parada favoráveis ao Varzim faziam o nosso "bloco defensivo" tremer. O golo da equipa da casa, aos 70', surgiu na sequência de um livre em zona lateral.

3. Houve desempenhos individuais catastróficos. Mas a falha principal deste Sporting 2022/2023 é a nível colectivo. Como se o lema "para onde vai um, vão todos" funcionasse agora ao contrário. No pior sentido do termo.

4. O conjunto leonino parece entrar em campo à beira da exaustão física, actuando em câmara lenta, quase a passo. Vários jogadores continuam lesionados, outros vieram de lesões mal curadas, alguns andam presos por arames. Para cúmulo, surgiu agora um surto de "virose" que deixou outros fora de combate. Mas a principal quebra é no plano anímico. Amorim nada ajudou com a polémica declaração sobre jogadores "preferidos". Algo capaz de fracturar um balneário.

5. Paulinho, um dos jogadores preferidos do treinador, continua sem marcar. Na nossa baliza. Mas foi dele a "assistência", de cabeça, para o golo poveiro. Momento infeliz? Sem dúvida. Mais um, a somar a outros. 

6. Amorim inovou do ponto de vista táctico quando chegou a Alvalade. Mas o que era novo tornou-se velho: qualquer equipa, do Marselha ao Varzim, conhece de cor e salteado os automatismos do onze leonino e as suas notórias fragilidades, neutralizando o Sporting. Nomeadamente no capítulo defensivo, onde se sucedem arrepiantes falhas de marcação porque os três centrais estão sempre mais preocupados em definir linhas de fora-de-jogo. E acabam, várias vezes, a defender com os olhos.

7. Faz pouco ou nenhum sentido manter o modelo táctico seja qual for o adversário, seja qual for o estádio, seja qual for a competição, seja qual for o objectivo em vista. Amorim gaba-se de ser teimoso. Quando a teimosia se torna casmurrice passa a ser defeito.

8. O treinador voltou a errar ao mexer na equipa. Já em desespero, aos 85', mandou sair Nuno Santos, único dos nossos que teimava em remar contra a maré, acutilante do princípio ao fim. Quando mais precisávamos de a meter lá dentro.

9. Tombámos ao cumprirem-se os 90 minutos regulares. Mas pairou a sensação de que se tivéssemos ido a prolongamento e aos penáltis para efeito de desempate, ficaríamos também pelo caminho - de tal modo esta equipa está arrasada no plano anímico e motivacional.

10. Se há frase que detesto é «temos de levantar a cabeça». Uma espécie de lema dos derrotados. O nosso treinador pronunciou-a no final do jogo. Péssimo sinal. Como se a "síndrome Silas" voltasse a pairar no horizonte.

 

Leitura complementar:

Abalo sísmico (28 de Agosto)

A hecatombe (13 de Outubro)

Noites de pesadelo

Quando  se começa a escrever, às vezes temos muitas coisas para dizer, outras vezes nem sabemos por onde começar. Estou mais virado para a segunda hipótese. Sei  que estou   KO. Foi como se tivesse acabado de fazer uma corrida e nem me consigo aguentar nas pernas. Acho que corri mais hoje, durante os 95 minutos, tempo que durou o Varzim / Sporting, do que todos os jogadores juntos do Sporting. Que vergonha, uma lástima completa o que se passou em Barcelos. Equipa sem garra, a jogar lentamente, previsível em todas as ações, com um treinador completamente baralhado sem acertar quando mexe na equipa. Não temos táctica, nem fio de jogo. Quaquer defesa do campeonato distrital, já nem digo da Liga 3, sabe o que os nossos avançados fazem. O que fazem??? Lateralizam a bola, jogam para trás, novamente para o lado e outra vez para trás... e asssim sucessivemante até nos chatearmos, porque aquilo não dá resultado nenhum, como hoje mais uma vez se provou.

O nosso Sporting não é isto

É apenas a terceira vez na sua História que o Sporting Clube de Portugal cai na Taça de Portugal perante um adversário da terceira divisão. É o que temos quando há falta de ambição e uma preparação inadequada da época.


Estamos fora da Taça, com o campeonato comprometido e com a Champions em risco. E agora? Há quem vá pedir a cabeça de Amorim, outros irão pedir a de Varandas, eu acho que é tempo de reflexão porque há muitas outras coisas que precisam de ser mudadas também. Por um Sporting Clube de Portugal muito melhor, diferente disto e muito mais ambicioso.

Por qué no te callas?

Eu havia discorrido aqui, a propósito da humilhante exibição e consequente derrota contra o Marselha, que um dos factores positivos a retirar dessa jornada que nos irá ficar na memória por muitos anos, foi o presidente não ter falado.

Pois falou hoje e melhor fora que continuasse calado. Seria um enorme poeta!

E para bem da minha e nossa sanidade mental, nem vou comentar a enormidade dos disparates que achou por bem dizer.

Ainda assim um recado: Senhor presidente, leve lá o seu mandato até ao fim e dê apenas aquela entrevista anual que compra ao Record, que é prova de vida suficiente e a gente agradece o demais recato.

Nem tudo está perdido

Um pouco mais a frio, lá vai a minha análise ao jogo de ontem:

Positivo

Israel - Não é tão mau como a gente temia e até pode sair dali um belo GR; Não comprometeu e teve até um punhado de boas e algumas difíceis intervenções. Para quem não tem jogado esteve muito bem.

Os outros miúdos todos - Lançados às feras, conseguiram empatar com o OM, o que não é nada mau.

Esgaio - Não joga no próximo jogo, o que quer dizer que se não entrar o Paulinho, iremos começar com onze.

Pedro Gonçalves - Ver cromo anterior.

Presidente - Não fala e bem (convém não piorar o que já de si é a antevisão de uma tragédia).

Negativo

A reacção dos sócios ao questionarem as opções do treinador. Onde já se viu a malta a mandar bitaites sobre a constituição da equipa e a criticar as substituições? Deve ser o único clube do Mundo onde isto acontece!

O recado velado, ou ensurdecedor entendam como quiserem, do treinador, para dentro, nas declarações deploráveis que entendeu proferir no final do jogo. Se está mal, resolva a coisa no gabinete do presidente.

A casmurrice do treinador, que estando num processo de aprendizagem, terá que ir tirando apontamentos dos erros que vai cometendo para daí concluir que só evoluirá tentando ultrapassar esses mesmos erros. Por enquanto tem crédito para ir aprendendo, vai tendo pouco, cada vez menos, para ser casmurro. Daqui até ao assobio e à contestação é um "tirinho" e a gente sabe como é na bola, hoje génio, amanhã um falhado e eu gostava que Amorim crescesse no Sporting por alguns anos, que potencial tem ele.

Conclusão

Ainda estamos nas quatro competições da época apesar de duas delas ainda não terem começado e de outra não haver notícia de que desistamos, independentemente do lugar na tabela (já ficámos em sétimo, convém ter presente na memória). Na Liga dos Campeões estamos fortes, basta ganhar os dois jogos que faltam. Eu confio que sem Esgaio e Pedro Gonçalves a coisa até se dê, para nossa satisfação. Como diria o outro, pinares...

A hecatombe

Doze notas sobre o Sporting-Marselha (0-2)

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O Sporting foi derrotado ontem à noite, em Alvalade, pelo Marselha: 0-2. Há nove anos que a equipa francesa não marcava fora na Liga dos Campeões. 

Em apenas uma semana, passámos do primeiro lugar no nosso grupo da liga milionária para o terceiro posto. Com apenas um golo marcado e seis sofridos frente à turma gaulesa, numa dupla jornada que constituiu um pesadelo.

Esta noite terminámos com apenas nove jogadores em campo, após expulsões de Esgaio e Pedro Gonçalves. Expulsões que denotam absoluta instabilidade emocional dos jogadores leoninos. Somada à péssima condição física: Coates voltou a lesionar-se, sendo forçado a sair aos 35'.

Foi jogo de sentido único, com o Sporting largamente remetido aos primeiros 30 metros, sem passar dali.

Aos 30', o resultado estava feito. Com o primeiro golo na conversão do penálti provocado por Esgaio e o segundo num rápido lance ofensivo, com Gonçalo Inácio a colocar o adversário em posição legal. Quase houve um terceiro sofrido, quando Marsà esteve a milímetros de marcar na própria baliza, aos 84': a bola esbarrou no poste.

Enfim, uma hecatombe. 

 

Algumas notas que este jogo me suscitou:

1. Erro inconcebível de Rúben Amorim ao escalar o onze. Por incluir Esgaio como lateral direito tendo Porro no banco. Nem dá para acreditar.

2. Esgaio comete duas faltas dignas de amarelo em dois minutos, vendo o vermelho aos 18'. Enterrou a equipa, tal como Adán tinha feito em Marselha. Só o técnico ainda consegue ver alguma utilidade neste jogador que mandou vir de Braga.

3. Porro acabou por entrar, mas só aos 59' - algo que de todo não se entende, depois de Amorim ter inventado Fatawu como defesa direito com a missão teórica de percorrer todo o corredor, desdobrado em ala. Algo que não chegou a acontecer pois o jovem extremo ganês ficou quase só remetido a posições defensivas até o espanhol chegar.

4. Como foi a exibição do onze leonino? Vergonhosa. Primeiro e único remate enquadrado (frouxo, de Trincão) só aos 37'. Primeiro canto aos 44'. Nenhuma oportunidade de golo. Sucessivos passes falhados. Jogadores incapazes de atacarem o portador da bola, de imprimirem intensidade e velocidade ao jogo.

5. Amorim não soube adaptar-se à pressão do Marselha, que dominou o meio-campo fazendo avançar as linhas e encurralando a nossa saída de bola. Manteve-se «fiel aos seus princípios e à sua ideia de jogo», como é costume dizer-se à laia de elogio. Neste caso nada há a elogiar. Começou aí a nossa derrota, nessa incapacidade do treinador em abandonar o seu rígido esquema táctico.

6. Inacreditável, ver Pedro Gonçalves fazer-se expulsar por uma falta inútil lá na frente e palavras dirigidas ao árbitro quando já tínhamos um a menos: recebeu dois amarelos de rajada nesse fatal minuto 60. Comportamento disciplinar inaceitável. Passámos a jogar só com nove na última meia hora, em que quase nunca saímos dos primeiros 30 metros. 

7. Substituições incompreensíveis. Só com dez a partir do minuto 19, o treinador faz sair consecutivamente os nossos maiores desequilibradores: Morita, Edwards, Trincão e Nuno Santos. O campo ficou ainda mais inclinado para o lado do Marselha.

8. Arthur, que marcou contra o Tottenham, não voltou a jogar. Alguém entende porquê? Eu não consigo.

9. Onde estava St. Juste? Não estava. O defesa mais caro da história do Sporting encontra-se novamente lesionado. Ainda não completou um jogo desde que chegou.

10. Onde estava Paulinho? A ver a partida fora das quatro linhas. O avançado mais caro da história do Sporting nem saiu do banco.

11. Chega a ser atroz, a nossa inépcia defensiva. Os números desta triste época não deixam lugar a dúvidas: 18 golos sofridos em 13 jogos.

12. Com estas duas derrotas consecutivas na Liga dos Campeões, desperdiçámos o acesso a cerca de 5,6 milhões de euros.

Bons princípios

E boas práticas em campo daquilo que delineou o treinador para este jogo.

Melhor não poderia ter começado, com aquele golaço de Trincão aos 50''. E logo a seguir com outra oportunidade flagrante falhada infantilmente por Pedro Gonçalves.

Depois aconteceu aquilo que todos os que vamos ao estádio principalmente, porque é ali ao pé, irrita mais, andamos a temer há muito tempo: Aquela troca de bola ali mesmo em cima da baliza um dia tinha que dar cagada. Hoje deu! E aquele que nos tem dado algumas vitórias hoje enterrou e em dez minutos deu cabo da equipa, fazendo-se inclusive expulsar como nem um puto dos infantis. Acontece aos melhores, foi pena, porque a estratégia gizada pelo treinador estava a funcionar na perfeição.

Não foi apenas Adán a estar mal, infelizmente. Ugarte perdeu a maior parte das disputas, inclusive a que deu o segundo golo do Marselha e apenas Morita deu conta do recado naquela zona do terreno. Lamento bater no ceguinho, mas mais uma vez Esgaio demonstrou que anda completamente fora dela e parece-me que só o treinador é que não vê. Mistério...

De amanhã a oito dias há outro jogo com o mesmo adversário. Não tenho a menor dúvida de que Amorim, se calhar já com Porro e com Coates, haverá de encontrar forma de vencer o encontro, para continuarmos na frente do grupo.

E nesse jogo veremos o que vale Israel.

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