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És a nossa Fé!

Um drama em três actos

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Acto 1: Supertaça, 4 de Agosto

«Saímos do estádio do Algarve goleados por 0-5 - resultado inédito, para nós, num clássico disputado em campo neutro e 33 anos após o último desfecho por esta marca, numa partida desenrolada na Luz. Como equipa pequena, temerosa, inofensiva, irrelevante, adoptando um esquema táctico que não fora testado e um índice de aproveitamento ofensivo miserável, em comparação com o SLB. Num jogo em que podíamos ter sofrido mais dois ou três. Coroando uma desastrosa pré-temporada - a pior de que me lembro desde sempre, sem uma vitória sequer para amostra em seis jogos, com sucessivos (e inaceitáveis) colapsos defensivos e uma chocante apatia da equipa técnica, incapaz de reagir ao infortúnio.»

 

Acto 2: Taça de Portugal, 18 de Outubro

«Ainda em Outubro, já o Sporting está fora de todos os objectivos relevantes na temporada futebolística: goleados na Supertaça, excluídos sem remissão da liderança do campeonato, agora fomos eliminados da Taça de Portugal pelo Alverca, que actua no terceiro escalão do futebol luso. É uma noite de pesadelo para o desvanecido emblema leonino: a queda acaba de ocorrer no nosso jogo de estreia nesta competição. Se analisarmos com rigor, devemos concluir: entrámos em campo derrotados. Para ser mais preciso: esta época começou logo sob o signo da derrota - fruto da improvisação, do amadorismo e da incompetência da SAD leonina. Que planeou mal, contratou pior, despediu quem não devia, apostou em quem jamais devia ter apostado.»

 

Acto 3: Taça da Liga, 21 de Janeiro

«Tudo muito mau. O adeus do Sporting à Taça da Liga, nesta meia-final em Braga, após dois anos de conquista do troféu. A meio da época, todos os objectivos internos redundaram em fracasso. (...) Esta equipa cheia de fragilidades e desequilibrios. Mal construída, mal apetrechada, mal orientada, desmotivada e triste, no segundo pior Inverno de que há memória em Alvalade.»

Tudo muito mau

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A entrada do Sporting em campo contra o Braga, ontem à noite, na Taça da Liga - em casa da equipa adversária e só perante 10 mil pessoas. Concedendo total domínio territorial ao adversário.

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Os 20 minutos que Silas demorou a rectificar os erros posicionais da equipa, com sucessivos passes falhados, quando o Braga dominava por completo o encontro, impedindo a saída do Sporting. Numa dessas perdas de bola, por Battaglia logo aos 8', nasceu o golo inicial da equipa anfitriã.

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O reconhecimento tardio de que o sistema de duplo pivô da primeira parte não funcionava, como se comprovou quando o técnico trocou Idrissa Doumbia por Bolasie logo após o intervalo.

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A inoperância dos homens da frente - ao ponto de ter sido Mathieu a marcar o golo leonino, aos 44', desmarcando-se com rapidez, a solicitação de Bruno Fernandes, numa bola parada. Luiz Phellype, que esteve 69 minutos em campo, voltou a ser uma nulidade.

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A tremideira no nosso processo defensivo, exemplificada no lance que conduziu à merecida expulsão de Bolasie, aos 61'.

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A defesa com linha de cinco a partir daí, com toda a equipa remetida ao seu meio-campo durante a meia hora final, na esperança de defender o empate (1-1), cedendo toda a iniciativa ao Braga. E sem chegarmos uma só vez nesse período à baliza adversária.

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A permanente atitude de equipa pequena, como se a turma minhota metesse medo a alguém. Mesmo com um jogador a menos, não havia justificação para isso: quem abdica por completo do ataque arrisca-se ainda mais a sofrer golo. Como se viu.

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O tempo de salto errado de Mathieu no golo da vitória do Braga, aos 90', permitindo que Paulinho a metesse lá dentro.

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A nossa equipa de cabeça perdida nos minutos finais, com expulsões de Mathieu e de Eduardo (que estava no banco).

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O péssimo ensaio geral de ontem contra o Braga para o campeonato: esse jogo vai disputar-se a 2 de Fevereiro.

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O adeus do Sporting à Taça da Liga, nesta meia-final em Braga, após dois anos de conquista do troféu. A meio da época, todos os objectivos internos redundaram em fracasso.

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Esta equipa cheia de fragilidades e desequilibrios. Mal construída, mal apetrechada, mal orientada, desmotivada e triste, no segundo pior Inverno de que há memória em Alvalade.

Começar mal, terminar pior

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Aqui fica o inventário minucioso dos erros cometidos pelos nossos jogadores no clássico de sexta-feira. Uma sucessão de disparates indignos de uma equipa com os pergaminhos do Sporting.

Justifica reflexão. Para que isto não se repita.

 

2' - Wendel, displicente, deixa que Gabriel lhe roube a bola, causando perigo.

3' - Wendel e Acuña travam-se de razões na sequência do lance anterior, claramente em conflito.

4' - Ataque prometedor do Sporting: Luiz Phellype, lento, tenta desviar com a coxa, mas a bola vai para cima. Assinalado fora de jogo ao brasileiro.

6' - Idrissa Doumbia compromete a construção ofensiva atirando a bola para fora naquilo que pretendia ser um passe mas esteve longe de o ser.

7' - Ristovski, pressionado, deixa a bola sair no início da construção.

8' - Camacho não consegue sair com a bola controlada na lateral direita, acabando por ficar sem ela.

12' - Ninguém marca Pizzi, que avança pela direita, faz duas simulações e dispara, para defesa muito apertada de Max.

15' - Wendel recebe, dá vários toques na bola sem a soltar, quase fica sem ela, e a oportunidade de ataque perde-se: o brasileiro opta por devolver ao guarda-redes.

16' - Idrissa Doumbia passa mal, atirando para fora.

20' - Atraso comprometedor de Ristovski para Max, gerando um canto absolutamente desnecessário.

21' - Idrissa Doumbia perde a bola em zona proibida.

26' - Passe longo de Ilori sem qualquer nexo, entregando a bola à linha defensiva encarnada.

28' - Passe de Ilori, mal medido, para a zona frontal. Idrissa Doumbia recebe de costas na saída de bola, ficando sem ela ao deixar-se antecipar por Gabriel.

29' - Max repõe mal, entregando a bola a um adversário.

30' - Wendel, na ala esquerda, perde a bola, deixando-se antecipar por Weigl. Força Acuña a falta que lhe custou o amarelo.

32' - Ilori volta a perder a bola no início da construção.

34' - Luiz Phellype, em clara posição de fora de jogo, leva à invalidação de um golo de Acuña.

35' - Idrissa Doumbia perde a bola no meio-campo ao atrapalhar-se com ela.

39' - Ristovski, com o corredor direito todo por sua conta, faz um passe sem qualquer sentido, entregando a bola a Vlachodimos.

55' - Ilori tenta progredir com a bola controla, mas fica rapidamente sem ela.

71' - Wendel, inexplicavelmente, perde a bola à entrada do meio-campo benfiquista.

73' - Novamente Wendel: agarra-se à bola, depois domina-a mal e desperdiça mais um lance ofensivo.

76' - Bruno Fernandes, isolado por Idrissa no corredor direito, adianta demasiado a bola e acaba desarmado.

77' - Luiz Phellype ganha a bola num confronto individual a meio-campo, mas atira-a para um lugar onde não está ninguém.

77' - Bruno Fernandes vence confronto individual e solta a bola, solicitando desmarcação de Luiz Phellype, que fica parado.

80' - Confusão na nossa grande área: Idrissa Doumbia e Mathieu falham intercepção de Vinícius, depois intromete-se Ilori, que não alivia, fazendo a bola ressaltar para Rafa. Golo do Benfica.

85' - Luiz Phellype, servido por Acuña, deixa-se desarmar por Rúben Dias.

89' - Wendel, isolado no meio-campo, perde a bola, originando ataque perigoso do SLB.

90'+2 - Mathieu entrega a bola a um adversário já perto da linha do meio-campo.

90'+4 - Plata deixa-se desarmar quando transportava a bola.

90'+9 - Corte defeituoso de Ilori possibilita o segundo golo do Benfica.

O homem que não empata

Depois de 19 jogos de Silas à frente do Sporting, ganhámos 13 e perdemos 6. Média de golos marcados: 1,7. Média de golos sofridos: 1,0. Se não me enganei em nada.

Um registo nada favorável. E vendo o jogo de hoje percebe-se bem porquê. Uma construção de jogo a partir do guarda-redes pretensamente inteligente mas que expõe os defesas e os médios mais recuados aos erros mais primários, coisa que acontece dez vezes mais com Iloris do que com Mathieus mas acontece com todos, depois se o médio consegue pegar na bola e virar-se para a frente sem ser desarmado, começa-se a ver um futebol ofensivo que cria oportunidades e que depois aproveita ou desperdiça de acordo com o talento de quem o devia ter para pôr a bola lá dentro.

Um futebol muito de meio-campo, muita ênfase na construção, incompetência acentuada nas duas áreas de decisão, a começar pelos cantos e livre laterais, sempre um perigo num lance contra, desperdício total nos lances a favor. Bruno Fernandes disfarça muita coisa muitas vezes, mas não disfarça tudo todas as vezes.

Por alguma coisa os pontas de lança são normalmente os mais bem pagos do plantel. O Sporting tinha um grande ponta de lança e vendeu-o pelo que custou contratar o... defesa direito suplente. Claro que há a questão do salário, mas... quem não marca, não ganha e muitas vezes perde.

E o Sporting... mais uma vez perdeu.

SL

Não me venham com as claques!

Não são as claques que escolhem os jogadores.

Não são as claques que os compram.

Não são as claques que contraram os treinadores.

Não são as claques que escalam quem vai a jogo.

Não são as claques quem determina a táctica.

Não são as claques que encomendam arbitragens "inteligentes".

Não são as claques que têm falta de qualidade, empenho e raça.

Apesar de as claques serem uma bela e valente merda!

E hoje mais uma vez fizeram merda (não terão gostado do testemunho do Max, digo eu...).

Mas foram as claques que perderam o jogo?

Foram as claques?

Não, não foram!

Quem perdeu o jogo foi a falta de qualidade de quase todos os que estavam lá dentro, desde Ilori  ao "ponta de lança" que tem um cu que pesa uma tonelada. E o Wendel, que é exímio no "para trás e para o lado", tão característico do nosso futebol, há anos... e do Ristovsky, que não sabe parar uma bola em condições e do Doumbia que parece que tem molas quando tem a bola nos pés e invariavelmente a perde e do Bolasie que em quarenta oportunidades de golo não marca uma. E quando assim é, não colhe o "número" das claques. Ainda que as claques sejam efectivamente uma valente merda. E que eu me envergonhe de ter umas claques de merda no meu clube e de se ter que entregar os cabecilhas daquilo às autoridades e impedi-los de entrar em recintos desportivos, sob pena de nunca mais termos paz em Alvalade.

O assunto claques é um caso de polícia (que aliás não entendo como não actuou naquela bancada como actuou nas outras), sendo um problema que tem que ser resolvido, mas não é, longe disso, o maior problema do Sporting.

Temos ainda que ir ao Dragão, à Luz, a Braga e a... Famalicão.

Ou se resolve o grave problema que afecta o Sporting, ou nem à Liga Europa vamos.

O nome da doença? Tem nome de médico: Frederico Varandas!

E só há um remédio para ela. Tenhamos coragem para aplicar o tratamento!

 

Quando chegámos a equipa estava em nono lugar...

E agora, depois de cinco derrotas em diferentes palcos, estamos em quarto lugar na Liga... e fora da Taça de Portugal. A 16 pontos do Benfica e a 12 pontos do Porto. 

Ontem contra o Porto, também ele muito pressionado pelo seu atraso na corrida ao título, tivemos talvez os melhores 25 minutos da época, com uma asa esquerda composta pelos dois argentinos, Acuña e Vietto, que no início da segunda parte fez miséria. Só com mesmo muita falta de sorte, de cinco grandes oportunidades não conseguimos os golos que nos dariam a vitória. Mas depois a habitual incompetência da equipa na defesa dum canto deitou tudo a perder. 

E assim perdemos um jogo mais importante do que os três pontos em disputa, porque serviria de conforto a todo o universo verdadeiramente Sportinguista nestes tempos complicados.

Com Silas, o Sporting é essencialmente uma equipa de meio-campo, se calhar à imagem do Silas jogador. Preocupa-se com a construção, com a posse de bola, não quer ter pressa, joga bem quando tem espaço e tempo para isso, tem Mathieu, Coates, Bruno Fernandes, Acuña e Vietto, que resolvem por si mesmos muita coisa, mas falha nas duas áreas, sofre golos mais que evitáveis e precisa de muitas oportunidades para marcá-los. 

Com Silas, o Sporting não joga para o ponta de lança. Parece preferir um esquema com avançados móveis, sem um ponta de lança declarado e muitos centros para ninguém. Ontem entrou o LP, mas o Pedro Mendes (médio esquerdo na Áustria) ficou na bancada. Quando foi preciso correr atrás do prejuízo, entraram três avançados móveis. E o Porto passou a gerir tranquilamente o jogo. No Jamor, com Keizer, entrou Bas Dost como segundo ponta de lança que logo complicou a marcação dos centrais do Porto e marcou.

No final do jogo ouvi Silas falar mais uma vez na necessidade de mais gente para ajudar, para aumentar a competitividade interna do plantel, e francamente continuo a achar que está a ver o filme errado. O Sporting não precisa de mais "Jesés" para tornar os treinos mais interessantes e irem rodando no onze. 

Sem grandes hipóteses de chegar aos lugares de acesso à Champions, o Sporting precisa é de rever em baixa os objectivos para este ano, concentrar-se na conquista do terceiro lugar da Liga, no acesso a uma fase avançada da Liga Europa, na reconquista da Taça da Liga pelo menos para moralizar tudo e todos, e, bem importante, preparar o plantel do próximo ano. Precisa de manter até ao final da época os craques existentes, apostar todas as fichas disponíveis num qualquer Acosta/Jardel/Liedson que marque mesmo muitos golos, e transforme positivamente a equipa, e dar minutos a jogadores como Camacho, Plata, Pedro Mendes, Matheus Nunes, Rodrigo, e algum outro mais dos sub-23.

Como Jesualdo Ferreira já se foi e Leonardo Jardim e Marco Silva nada têm de malucos, então que fique Silas a fazer o melhor que pode e sabe. Oxalá tenha também internamente toda a ajuda de que necessita (que Keizer não teve), mas o que aí vem não augura nada de bom, e podemos então ler que "e quando partimos a equipa estava em ... "

O que pouco ou nada interessa, se aqueles objectivos não forem cumpridos.

SL

2019 em balanço (7)

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DERROTA DO ANO: SUPERTAÇA

Há jogos que definem uma época. Foi de algum modo o que sucedeu na Supertaça, disputada a 4 de Agosto no Estádio do Algarve. Um desafio que, contrariando os nossos desejos e os prognósticos de muitos, redundou na vingança do Benfica face à derrota que havíamos imposto ao velho rival, na mesma competição, quatro anos antes. E essa desforra foi-nos cobrada com juros.

Esse reduto que foi palco do nosso triunfo por 1-0 em 2015 (golo de Slimani) funcionou desta vez como cenário de um pesadelo para a massa adepta leonina. E viria a custar ao cargo, como depois se saberia, ao técnico Marcel Keizer.

O pior não foi a derrota, mas os expressivos números em que se traduziu: uma goleada por 0-5. Sucumbimos numa segunda parte aterradora e saímos do Algarve vergados perante um SLB sem as duas estrelas da época anterior (Jonas e João Félix).

Parecia o que acabou por ser: uma partida de péssimo agoiro para o conjunto da época. Chegamos ao fim do ano civil em terceiro no campeonato, mas já a 13 pontos do Benfica. Fomos eliminados da Taça de Portugal pelo Alverca, clube da terceira divisão. E começámos da pior maneira a defesa do título na Taça da Liga com uma derrota em casa frente ao Rio Ave. Em quatro meses, vamos no terceiro técnico: Silas, após Keizer e o interino Leonel Pontes (incapaz de vencer um jogo).

Na análise imediata a esta Supertaça de má memória, escrevi isto: «Marcel Keizer, mostrando a sua pior face de treinador medroso, fez entrar em campo na Supertaça um onze hiperdefensivo contra um Benfica desfalcado de vários titulares da época passada e cheio de miúdos da formação, um dos quais em estreia, de pé trocado, pela ausência do habitual lateral direito. Medroso, repito. Como se o Sporting fosse o Paços de Ferreira a jogar na Luz.»

Causou perplexidade o facto de termos entrado apenas com um reforço - Luís Neto, por sinal o único adquirido a "custo zero" - apesar dos 25 milhões de euros em aquisições já desembolsados. E custou-nos ver em campo só um jogador da nossa formação - Thierry, que não tardaria a abandonar Alvalade. Em flagrante contraste com os históricos rivais. «Também no capítulo do aproveitamento da formação e dos reforços saímos derrotados do Algarve», foi outra amarga conclusão que extraí desse confronto.

No final, numa das mais infelizes declarações proferidas nestes 16 meses que leva de mandato, Frederico Varandas aproximou-se por instantes dos jornalistas para lhes comunicar que estava «chateado, mas não preocupado». Ao naufrágio em campo, somava-se o desastre comunicacional. Há dias em que mais vale ficar em casa.

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio) 

Silas, os titulares e a formação

Mudar nove titulares duma vez só não faz qualquer sentido. Como se este jogo que ontem perdemos contra o Lask Linz fosse a feijões. Não era. Estavam em jogo o primeiro lugar no grupo, pelo menos um milhão de euros e o prestígio internacional do Sporting.

Não é assim que se promove a formação. Os jogadores mais jovens devem jogar com os mais experientes: só assim aprendem, só assim evoluem.

Meter miúdos à molhada, também o ex-treinador Marcel Keizer fazia: pôs isso em prática durante a pré-temporada, como sabemos. Com os péssimos resultados que também sabemos.

Depois, de consciência aliviada por ter "apostado na formação", mandava os miúdos às malvas e recorria aos mesmos de sempre. Pelo menos em relação a Silas o holandês tinha essa vantagem: ser previsível.

Com Silas, ninguém consegue adivinhar quem são "os mesmos de sempre". Sou capaz de apostar que por vezes ele próprio também não.

A pior equipa técnica de sempre?

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Em todos estes anos que acompanho a cores e ao vivo o Sporting Clube de Portugal (e comecei muito mal habituado, com Mário Lino, Yazalde e a dobradinha) dificilmente consigo identificar uma equipa técnica tão fraca como esta que Frederico Varandas, Hugo Viana (e/ou seja quem for), escolheram para suceder a um treinador holandês minimamente competente e vencedor de duas taças, Marcel Keizer. Talvez Vercauteren. Talvez Carlos Manuel. Talvez outros. Talvez.

E já tivemos plantéis bem piores do que este, que conta com internacionais A de Portugal, França, Argentina, Uruguai, Colômbia e Macedónia. 

O lider desta equipa técnica, Jorge Silas, consegue aliar falta de habilitações e falta de experiência com atrevimento de quem pensa pela sua cabeça e se sente dono da verdade. A sua atracção por um "futebol de posse" arredio da cultura do clube, pela mudança constante, de jogadores e esquemas de jogo, pelas adaptações de última hora de jogadores a posições fora da sua zona de conforto, traduzem-se em exibições deprimentes de onzes sempre novos, sem rotinas e automatismos, apenas disfarçadas pelos momentos de excelência dos poucos craques que temos no plantel.

Hoje na Áustria tivemos um novo caso Alverca. Com Bruno Fernandes e Neto impossibilitados, Mathieu, Vietto, Acuña, Wendel, Doumbia e o LP9 ficaram de fora do onze inicial e foram as segundas linhas (as antigas reservas), reforçadas com Coates e Renan, que tentaram vender cara a derrota e evitar a goleada, ficando-se pelos 0-3, quando facilmente poderia ter ocorrido qualquer coisa bem pior.

Tudo isso para os poupar, não para um clássico com Benfica ou Porto, mas para o desafio com o Santa Clara quatro dias depois, e em seguida para um jogo com um Portimonense que não servirá para nada se o Rio Ave ganhar, e as férias de Natal. O que não deixa de ser um atestado de incompetência à preparação física da equipa, da responsabilidade do técnico.

E assim perdeu o Sporting alguns milhões de euros que lhe fazem muito jeito, entre os directamente decorrentes desta partida e os decorrentes da possível passagem à eliminatória seguinte defrontando uma equipa menos forte.

Voltando ao início, que equipa técnica é esta???

SL

Regresso à normalidade

O normal do Sporting com Silas tem sido isto. Entrar a passo, construir pastosamente com muitos passes para trás e para o lado, abusar nas entradas pelo meio, centrar sem saber para onde, e, a cereja em cima do bolo, ter alguém com a maior displicência a oferecer os golos ao adversário. O anormal foi o jogo de quinta-feira.

Em modo normal, quando a sorte não ajuda e/ou os craques não compensam as incompetências individuais e colectivas,  a derrota acontece. Hoje Bruno lá fez a assistência para o golo do costume, mas não chegou.

Aos 10 minutos Ilori já me estava a enervar falhando sistematicamente os passes verticais e os duelos individuais. Depois ofereceu o primeiro, e esteve na raiz do segundo falhando a disputa da bola aérea. No resto do tempo, parece que em tempos idos terá sido o jogador mais veloz da academia nos 100 metros, mas hoje é o jogador mais lento da 1.ª liga com a bola nos pés. Mas não tem culpa. Culpa tem quem o recuperou da 2.ª liga inglesa e quem o põe a jogar, em vez de Neto, Eduardo Quaresma, ou qualquer central dos sub-23 ou escalão abaixo.

SL

Triste

No Tondela-Sporting, os nossos centrais - Ilori e Coates - fizeram 66 passes um ao outro. Deviam estar a trabalhar para o campeonato das estatísticas e da "posse de bola" a que Silas fez referência no final do jogo.

Basta este número para se perceber a mentalidade de equipa pequena que o Sporting apresentou no frustrante embate de Tondela. E as notórias dificuldades de construção ofensiva frente ao onze beirão. Não podendo ou não querendo verticalizar o jogo, horizontaliza-se. A tão curta distância, há fortes probabilidades de o passe ser bem dirigido e melhorar assim os dados estatísticos.

Tudo isto até daria vontade de rir se não fosse tão triste.

De Tondela, com azia

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Foi sensivelmente desde este mesmo local que vi o Sporting de Keizer fazer uma das piores exibições da temporada e perder com o Tondela de Pepa. Se calhar devia ter ido para o lado das claques, de onde vi o Sporting de Jesus golear com três ou quatro golos de Bas Dost, ou ganhar já depois da hora com um golo de Coates.

Juntando a isso, um onze do Sporting com o Ilori a defesa central do lado esquerdo (ele que já é tão mauzinho do lado direito) e os pés-frios Ristovski e Miguel Luís (três golos falhados e um sofrido à conta dos dois), só mesmo com aquela sorte que Silas tem tido o Sporting sairia de Tondela com os três pontos.

Silas está a dar o que tem e o que não tem no comando do Sporting. Ele experimenta, inventa, modifica, transforma, quer o Sporting do futuro, de posse, de construção, de inteligência. Não quer heróis, quer uma equipa. Para alguém que acabou de chegar a treinador, que nunca jogou num grande a sofrer para ganhar a equipas pequenas, e que apanha o clube à beira duma guerra civil, se calhar esforça-se demasiado. Um 4-3-3 com ponta de lança a tempo inteiro e Bruno Fernandes vagabundo a resolver o assunto se calhar chegava, como chegou a Keizer para ganhar duas Taças e conquistar o 3.º lugar da Liga.

Mas enfim. O mal está feito, foi feito na preparação da época e no fecho do periodo de transferências, ninguém se assume como responsável, se calhar fui eu e não dei por isso, agora é aguentar. Até.

 

PS: Em Tondela, numa região de Sportinguistas, com as bancadas repletas de verdes,  brancos e amarelos, de um lado e doutro, estavam estacionadas sete carrinhas do corpo de intervenção da GNR, dois de cavalos, mais um de cães polícias, mais uns tantos spotters da polícia. Digamos que era um verdadeiro cenário de guerra. Tudo isto para que as claques se sintam em casa e ajarvadarem com segurança. Quanto custou o exército? Quem paga? Quantos sócios do Sporting deixaram de ir apoiar o Sporting por este estado de coisas?

SL

A moda da posse de bola...

Começa a ser confrangedor o futebol jogado pelo Sporting. Não queria trazer aqui ao blog mais achas para a fogueira, mas cada fim  de semana que passa, mais tristeza envolve-nos a todos, principalmente aqueles que vivem o clube. O futebol que praticamos é uma lástima completa. Agora a moda com este pseudo-treinador (desculpem, mas para mim não é treinador) está na  posse de bola, nem que para isso façamos trinta passes ou mais para trás ou para o lado... e devagar, antes de iniciar uma jogada de ataque. Parece que o staff de treinadores fica maravilhado a olhar para a estatística e a dizer que tivemos 64% de posse de bola. Mas essa posse de bola talvez seja o escape para transmitir a ineficácia e a falta de objetivos que  norteia a nossa equipa. Os passes para o lado e para trás, no jogo de hoje, foram então por demais. Ilori e Coates parece que brincavam com essa situação, Eduardo quando entrou ainda somou mais passes para trás e para o lado... enfim é esta a moda do nosso jogo, esperando que o tempo passe sem sofrer golos e que surja um lance esporádico para marcar um golo.

Foi pena

O futebol é cruel. Foi o jogo mais organizado e ligado do Sporting desde há muito tempo. Agora só falta ter alguns jogadores que não tropecem na bola e que os habilidosos da equipa não falhem tantos passes e não se ponham às biqueiradas estratosféricas mesmo com tanta gente em melhor posição. Já há caminho para andar, percorrê-lo é que será mais difícil.

O que é isto???

Foi o que eu e Manuel José (ver Record) pensámos quando vimos o onze que Silas fez alinhar em Alverca, com três craques no banco, três tristes trincos que nada trincavam, e coxo do lado esquerdo.

Depois viemos a saber que Silas não quer heróis, quer uma equipa, e que considerou que a primeira parte foi bem melhor do que a segunda. Parece que depois do intervalo só queriam ganhar o jogo e não tentar repetir os elaborados esquemas tácticos que tinha andado a treinar.

Como se não tivesse sido um dos tais heróis o principal responsável pelas duas vitórias anteriores e não as desconchavadas tácticas que Silas se lembrou de apresentar.

Manuel José fala em imprudência, em desaproveitamento duma oportunidade de carreira que lhe caiu do céu. Eu falo de impreparação e deslumbramento

Agora leio que Silas, Viana e Beto foram para cima dos jogadores, já mais que à beira dum ataque de nervos (vide o Neto), e confundidos com tanta táctica e modelo de jogo novo para aprender.

Isto está a ir de mal a pior...

E se os três, todos juntos, desamparassem a loja e deixassem o Bruno Fernandes tratar da coisa?

SL

A confrangedora mediocridade

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Ainda em Outubro, já o Sporting está fora de todos os objectivos relevantes na temporada futebolística: goleados na Supertaça, excluídos sem remissão da liderança do campeonato, agora fomos eliminados da Taça de Portugal pelo Alverca, que actua no terceiro escalão do futebol luso. É uma noite de pesadelo para o desvanecido emblema leonino: a queda acaba de ocorrer no nosso jogo de estreia nesta competição.

Se analisarmos com rigor, devemos concluir: entrámos em campo derrotados. Para ser mais preciso: esta época começou logo sob o signo da derrota - fruto da improvisação, do amadorismo e da incompetência da SAD leonina. Que planeou mal, contratou pior, despediu quem não devia, apostou em quem jamais devia ter apostado.

 

O resultado está à vista: é uma confrangedora mediocridade. Do pior que tenho visto desde sempre neste meu clube do coração. Com jogadores sem intensidade, sem classe, sem categoria mínima para integrar os nossos quadros. Aqui ficam os nomes dos que agora se arrastaram sem préstimo em campo: Rosier, Neto, Ilori, Borja, Doumbia, Miguel Luís, Eduardo, Jesé e Luiz Phellype. Todos juntos, formaram uma absoluta nulidade. Perante a apatia silenciosa e resignada de um técnico recém-contratado, sentado no banco por não ter habilitações para actuar como treinador principal.

Sobraram Vietto - único elemento do onze titular capaz de pensar o jogo e que nunca desistiu de procurar o golo - e o jovem guarda-redes Luís Maximiano, que se destacou numa defesa do outro mundo aos 45'. Dos suplentes utilizados, Bruno Fernandes e Bolasie - que deviam ter entrado de início - cumpriram os mínimos. Pouco mais havia a fazer: Bas Dost, Nani e Raphinha - importantes na conquista do troféu em 2018/2019 - já não integram o plantel.

Enfim, uma exibição calamitosa em noite de imensa chuva. Sofremos dois golos de uma equipa com um orçamento incomparavelmente inferior mas muito mais bem organizada do que a nossa. E não marcámos sequer um golito para compensar a imensa desolação dos adeptos que se deslocaram a Alverca.

 

Na bancada do estádio, de olhar errante e vago, estava um homem mais isolado que nunca: o presidente Frederico Varandas, que já teve cinco treinadores desde que iniciou funções, há apenas 13 meses. Despediu - e foi incapaz de contratar melhor. Quis assumir a tutela do futebol - e falhou em toda a linha. Prometeu recolocar o Sporting no trilho das vitórias e das alegrias - e tem acumulado derrotas que só nos proporcionam tristezas.

Lamento escrever estas linhas, mas é tempo de concluir: a confrangedora mediocridade tem um nome. O dele.

Outono

Ficaram provadas várias coisas. No estado em que isto está talvez nem um Klopp conseguiria melhor. Borja não sabe o que faz nem o que fazer com a bola; Doumbia nem o corpo consegue equilibrar; Eduardo, que é feito do Eduardo do Belenenses?; Miguel Luís e Ilori não existem. Ou seja são jogadores abaixo do nível de um Alverca da 3.a divisão. Jesé foi bom há 10 quilos atrás; Filipe das consoantes caiu numa estranha apatia e Rosier já deve ter sido melhor. 

Em resumo, o Sporting deve ter o pior meio-campo da sua história. Há portanto que pedir responsabilidades a quem, ó Teresa, montou esta traquitana que nada tem a ver com uma equipa, chame-se Varandas ou Hugo Viana.

Tudo isto no ano em que aumentou o preço dos lugares e em que a administração aumentou os seus vencimentos. 

E agora? Agora não há outro remédio senão dar tempo a Silas e aguentar. Lá para Março será tempo de acertar as contas com os bandalhos que nos puseram nesta situação, a nós sócios, ao pobre do treinador e até alguns dos jogadores. Este veneno bebe-lo-emos ao fim.

Só uma palavra de compreeensão para a contenção de Neto, senti que na pele dele eu teria desatado à chapada a tudo que me aparecesse à frente. 

Sem Defesa

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Bem sei que a tendência em momentos como o actual é ceder ao sentimento de frustração. Quando não ao insulto (aos jogadores, direcção, etc)... Mas talvez seja mais útil trocar umas ideias sobre o jogo de ontem. Continuamos sem defesa, dois meses depois do desastre da supertaça no Algarve. Ontem, o Rio Ave fez 2 (dois) remates à baliza (mais um livre à figura do GR). Dois golos em duas jogadas de perigo. No segundo golo, o jogador do RA remata sem oposição. No primeiro, Ilori fica a ver o jogador do RA rematar, a três metros da baliza. Depois de Rosier ficar nas covas... Ilori, muito inseguro, e Neto, esforçado mas com pouco poder físico, mostram que não são solução. Coates, cuja última época foi a pior no SCP, agora é um mono caro. Logo, temos um central que cumpre - Mathieu. É preciso coragem para mudar de protagonistas lá atrás. E trabalhar processos defensivos, que não há. Sem querer recriminar, não se pode deixar aqui de lembrar as vendas de Demiral (hoje na Juve...), Domingos Duarte (hoje no Granada, surpresa da La Liga) e o enésimo empréstimo de Ivanildo (depois de uma excelente temporada emprestado). Já nem falo de Tobias ou Tiago Djaló. O SCP criou mais do que oportunidades para marcar ontem. Falhou muito. Agora, ou começa a marcar três ou quatro golos por jogo ou, a sofrer em média dois golos por jogo, vai continuar sem ganhar.

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