Francamente não entendo a má-vontade de alguns comentadores deste blogue e alguns adeptos no estádio para com um jovem espanhol de 20 anos, internacional sub18 e sub19 pela Espanha, com 1775 minutos pelo Valladolid na Liga Espanhola há dois anos, estando em campo 90 minutos contra Real Madrid (2x), Barcelona e muitos outros clubes.
Um jovem alto e forte, de 1,83m. Cedric tem 1,71m, por exemplo.
Dizem até que não tem categoria para jogador do Sporting.
Como se nos últimos anos tivessem passado pelo Sporting muitos laterais direitos de classe mundial.
Nos anos de Amorim, com a equipa em 3-4-3, não jogávamos com laterais, jogávamos com alas que faziam todo o corredor. Pedro Porro jogou no Sporting nessa posição, não conta para o que vou dizer. Nem ele, nem Quenda, nem Catamo.
Antes de Amorim quem é que passou pela posição nos últimos anos?
2018/2019 - Rosier, Ristovski, Thierry
2017/2018 - Ristovski, Bruno Gaspar, Thierry
2016/2017 - Piccini, Ristovski
2015/2016 - Schelotto, João Pereira, Esgaio
2014/2015 - Schelotto, João Pereira, Esgaio
2013/2014 - Cedric, Esgaio, Miguel Lopes, Geraldes
2012/2013 - Cedric, Pereirinha, Miguel Lopes, Arias
2011/2012 - João Pereira, Arias
2010/2011 - Abel, João Pereira, Cedric
Francamente não vejo nesta lista nenhum defesa lateral direito de classe mundial.
Nenhum alto e forte, intenso nos duelos pelo chão e pelo ar, resistente fisicamente para fazer o corredor 90 minutos, com capacidade de centro pelo ar e pelo chão, remate forte e preciso, chegada à área para tentar o golo.
Nenhum como o Dalot e o Cancelo. Nenhum Nuno Mendes de pé direito.
Uns são baixinhos colocando a defesa em risco em bolas altas ao segundo poste, outros nunca souberam centrar em condições, outros pouco intensos a defender. Alguns muito pouco esclarecidos e mesmo um ou outro uns passadores de todo o tamanho.
E não vi no tal Alberto vendido pelo V. Guimarães nada de especial no jogo contra nós. O seu curriculum não tem comparação possível com o de Fresneda.
Continuo a pensar que Fresneda, seguindo a ser titular e a acumular minutos, com mais maturidade e menos sofreguidão, com mais critério na definição ofensiva dos lances, com algum golo marcado como já esteve perto de acontecer, não só se vai impor no Sporting como chegará a internacional A pela Espanha.
Tenha ele calma e nós também. Tem 20 anos o "chavalo".
Muito se falou nas últimas semanas da saída do ex-treinador - com aquela mistura de mágoa e saudosismo tão pátria como os pastéis de nata. E, ao nível das televisões e colunas de jornais desportivos, com aquela tão mal fingida compaixão dos lampiões quando sentem o cheiro do "sangue" adversário.
Eu tenho, confesso, sentido saudades, mas não da dentuça sorridente do ex-treinador. Aquela que nos fazia até perdoar quando se metia num avião à sorrelfa para ir negociar com o West Ham (!!) em vez de se concentrar no campeonato nacional que tinha para ganhar. Tenho sentido saudades sim daqueles que são para mim os dois melhores centrais que passaram pelo Sporting na última década: Mathieu e, sobretudo, Coates.
Comecei, aliás, a sentir saudades logo em agosto, na Supertaça, que o saudoso ex-treinador perdeu de maneira espectacular para o pior Porto de que me lembro, com uma defesa atarantada a consentir 4 (quatro) golos, cada um mais ridículo do que o outro, depois de estar a ganhar por três. Para o treinador do Porto, Vítor Bruno, é bem capaz de vir a ser o único troféu que ganha na carreira. Mas o ex-treinador era bom rapaz, sorria muito, e portanto estava tudo bem.
Só que não estava. Curiosamente, no último jogo de Amorim para a Liga tivemos novo descalabro na defesa, com a equipa a consentir dois golos a um Braga fraquíssimo (desta vez antes de dar a volta para 2-4). Verdade que a média de golos sofridos entre o Porto e o Braga foi baixa, e a de golos marcados bastante alta.
Com a instabilidade após a saída abrupta do ex-treinador, e evidente efeito anímico nos jogadores, ficou mais ainda à vista o problema que temos lá atrás, sem a inteligência, serenidade e voz de comando de Coates. Os golos sofridos com o Boavista creio que nem os centrais da equipa B sofriam. Moreirense e Brugges idem. Com uma defesa eficaz, a nova equipa técnica teria ganho todos os jogos.
Debast é muito bom a lançar jogo, mas acumula erros posicionais. Quaresma idem. Diomande é excelente no corpo a corpo, mas falta-lhe alguma frieza. Inácio quando em boa forma acrescenta muito, mas tem sido muito inconstante. St. Juste parece receoso do contacto físico, talvez pela questão das lesões. Ou seja, não temos nenhum central completo como era Coates. Nem de perto, nem de longe.
Além disso, acho que nos falta um jogador de meio campo fisicamente muito forte, capaz de destruir jogo adversário (sobretudo quando é preciso segurar um resultado, como foi em Brugge). Alguém com as características do João Palhinha (ou, já agora, de um jogador que acho um erro enorme ter sido emprestado - Dário Essugo).
Os guarda-redes também não dão qualquer tranquilidade à equipa. Chego a (quase) sentir saudades de Adán. Mais valia apostar no Diego Callai, de quem vi grandes jogos nos sub-23. Esse ao menos poderia tornar-se um GR de topo. Tenho pena, mas parece-me que Israel e Kovacevic nunca passarão de GR medianos.
Há em Portugal uma tendência para fulanizar as questões. A culpa é de sicrano ou beltrano. Acho que tem a ver com o peso da culpa. Como o sentimos, descarregamos noutro. No futebol, isso é extremado pelas emoções que rodeiam o jogo. O ex-treinador deixa troféus ganhos - o que sempre foi e sempre será normal no Sporting. Mas deixa também os perdidos. E muitos problemas para resolver no plantel.
Talvez fosse melhor concentrarmo-nos também na resolução destes. Eric Dier, que encaixaria como uma luva na nossa defesa, está encostadíssimo em Munique e poderia bem vir terminar a carreira em Alvalade.
Temos neste momento três centrais lesionados: Diomande, Matheus Reis e o "eterno" St. Juste. O mais recente é o internacional marfinense, agora com entorse no tornozelo esquerdo: vai ficar pelo menos três semanas fora dos relvados.
Dois outros, Gonçalo Inácio e Eduardo Quaresma, pararam antes, também devido a lesões. A nossa defesa está presa por arames.
O que deve ser feito já a pensar no jogo deste sábado contra o Casa Pia?
O lema olímpico Citius, Altius, Fortius, que em latim significa "mais rápido, mais alto, mais forte", penso que foi introduzido pelo barão Pierre de Coubertin nos Jogos Olímpicos de Verão de 1924 de Paris.
No que respeita ao futebol, obviamente que isso não é suficiente para vencer. Mas ajuda muito...
Rúben Amorim percebeu isso da pior maneira, quando a sua ideia de ataque móvel, talvez inspirado no Man.City de Guardiola e na selecção de Espanha de Sarabia, com atacantes como Pote, Trincão, Edwards, Rochinha e Arthur Gomes, fracassou na primeira metade da 3.ª época. E assim logo chegou Diomande e se promoveu Chermiti. Depois vieram Gyökeres e Hjulmand.
Mesmo assim, na época passada, foi visível a dificuldade de defrontar na Liga Europa uma equipa italiana como o Atalanta, que acabou por vencer a prova, como agora foi defrontar o Lille na Champions e na Youth League (aqui a diferença ainda era mais marcada), que contava com vantagem física evidente nos onzes apresentados.
Neste bom momento da época, em que toda a gente fala dos três vikings louros, rápidos, altos e fortes, é preciso não esquecer as "torres" da defesa, Diomande, Debast e Inácio.
Coates foi para mim, e expliquei porquê, o melhor defesa central do Sporting dos últimos 50 anos. Se ninguém chora a sua saída, é porque o substituto é mesmo fora-de-série. Diomande é exactamente isso, e quase 15 anos mais novo, com uma capacidade de crescimento impressionante. Não é um viking louro? Pois não, e qual é o problema ?
Debast tem visão de jogo e qualidade de passe incríveis, mas também altura e rapidez.
Inácio alia alta qualidade de passe a um excelente jogo de cabeça e sentido de baliza. Quando algum dos três tiver de fazer de ponta de lança como Coates, será ele o "homem" para a função.
Resumindo, e isto é válido para a A, para a B, para a C/sub23, para o misto da Youth League ou para qualquer outra, é preciso assegurar a maioria de jogadores assim no onze, de forma a estar confortável nos lances disputados nas duas áreas e criar espaço fora delas para os "baixinhos" e "levezinhos", para o Pote e os outros brilharem também.
Continuo a teimar que ainda fazia falta outro assim no meio-campo... já que Koindredi não provou e Essugo foi rodar para Espanha. Se já temos um Gyökeres-2 chamado Harder, se calhar podia ser um Hjulmand-2. Ou um Diomande-2 centro-campista, porque não?
PS: Entretanto a nossa brilhante equipa de andebol segue imparável. Esmagou ontem no João Rocha uma das duas favoritas à conquista da Champions da modalidade. Também nessa equipa as "torres" Salvador Salvador, Moga e Edy Silva foram determinantes.
Para mim o branco e alto Sebastián Coates foi o mehor defesa central do Sporting, pelo menos nos últimos 50 anos. Estão aí os números de jogos, títulos e golos para o demonstrar.
Mas o facto é que teve de sair, pelas razões que se conhecem.
Na defesa a três de Amorim, quem é mais parecido e tenta fazer o mesmo que Coates é um preto e alto chamado Diomande. Para mim é o novo Coates, aquele que não pode mesmo sair seja por que razão for. E se ficar no Sporting os anos que o Coates ficou até poderá superar os números dele. Classe não lhe falta, mas duvido.
Ao lado de Diomande, existem várias opções. À frente Hjulmand, lá na frente Gyökeres, atrás Kovacevic. Será esta a coluna vertebral da equipa do Sporting para a próxima temporada.
Depois existem os Veríssimos desta vida, atrevidos e incompetentes em doses iguais, peões de brega para quem os saiba controlar. Como o fizeram no Jamor. Olé!!! Se o vermelho o retirar da Supertaça então é mesmo caso para investigar.
De resto este Sporting-Sevilha foi um jogo por demais táctico: marcações em cima, poucas oportunidades de golo e essas a surgir de lances casuais.
O resultado de 2-1 contra o Sevilha apenas reflecte a actual inteligência táctica deste Sporting de Amorim.
O que deve ser feito sem demora para colmatar este eventual rombo - que promete ser quase irreparável - no já curto plantel leonino 2022/2023?
A Bola noticiou ontem com destaque, na sua edição digital, a contratação iminente de Tariq Lamptey, lateral ganês de 22 anos (1,63m) formado no Chelsea e agora no Brighton - em sexto na Premier League. Internacional A pelo Gana, que recentemente defrontou a nossa selecção no Mundial do Catar, pode vir por empréstimo.
Por sua vez o Record garantia há três dias, com manchete de capa quase inteira, que o escolhido seria Van Ewijk, também de 22 anos (1,77m), oriundo do Heerenveen e internacional sub-21 pela Holanda.
Convém recordar que a SAD leonina mandou entretanto regressar a Alvalade Gonçalo Esteves, de 18 anos (1,71m) que esteve meia época emprestado ao Estoril, onde teve utilização residual. Este jovem formado no FC Porto é hoje apresentado como «aposta a longo prazo», faltando saber-se em que moldes.
Chegou a falar-se noutro regresso: o de Tiago Santos, agora com 20 anos (1,75m), formado na Academia de Alcochete mas que renovou em Setembro com o Estoril, onde é titular como lateral direito. Tiago cumpriu quase todos os escalões de formação no Sporting, tendo sido cedido há um ano aos estorilistas.
Claro que há Esgaio. Mas será sempre um pálido sucessor de Porro. Daí a pergunta que renovo: deve ser feito o quê? E outra, que se segue a esta: alguém acredita que mudaremos para melhor?
Convém lembrar também: nesta Liga 2022/2023, em nove jogos, já tivemos quatro centrais do lado direito. Neto (Rio Ave, FC Porto, Chaves, Portimonense, Estoril), Gonçalo Inácio (Braga, Boavista, Gil Vicente, Santa Clara), Esgaio (Boavista) e St. Juste (Estoril, Santa Clara).
Tanta falta de estabilidade ajuda certamente a explicar por que motivo temos hoje a quinta defesa mais batida do campeonato.
«A agressividade faz parte da vida de um central. Tem que se deixar marca. O central tem de ser um bocado assassino, não há hipótese. A pior coisa que pode haver é um avançado sentir que o central não lhe bate. Se o avançado sentir o bafo na nuca nunca mais está tranquilo.»
Digam o que disserem, Sebastián "Seba" Coates é um dos melhores defesas centrais que o Sporting alguma vez teve, um leão de raça que nunca se esconde do jogo e ruge nos momentos críticos. Na final da Taça da Liga esteve simplesmente imperial, fez uma das melhores exibições de sempre com a camisola do Sporting, repetindo o que tinha feito na última Taça de Portugal ganha no Jamor.
Desde os tempos do meu ídolo Hector "Chirola" Yazalde, e os defesas centrais daquele tempo não eram extraordinários, que o Sporting contou com magníficos jogadores na posição, como Luisinho, Marco Aurélio, Naybet, André Cruz, Beto ou Mathieu. Tal como Damas "dava frangos" e fazia defesas milagrosas, todos eles tiveram momentos menos bons e momentos de glória, todos eles tinham qualidades e defeitos, todos eles deixaram saudades quando partiram. Nenhum deles pode apresentar, nem de perto nem de longe, os números e as conquistas que Coates conseguiu já ao serviço do Sporting do qual é capitão de equipa desde há cerca de um ano: foram 221 jogos, 16 golos marcados, uma Taça de Portugal, três Taças da Liga. "And counting", como dizem os ingleses, porque pode vir aí muito mais.
O uruguaio Sebastián Coates formou-se no Nacional de Montevideo e já internacional A do seu país mudou-se para o Liverpool, onde não foi feliz: foram quatro anos marcados por lesões e empréstimos. Chega ao Sporting em Janeiro de 2016 nessa condição de emprestado, e com a desconfiança decorrente dos problemas anteriores, mas logo convence e em Fevereiro de 2017 o Sporting adquire o seu passe por cerca de 5 milhões de euros, assinando com ele um contrato até 2022, ficando com uma cláusula de rescisão de 45 milhões de euros.
Em 2018 surge visado estupidamente e desde o sofá pelo presidente que o contratou com a bonita frase "vi Coates e Mathieu a fazerem o que os avançados do Atlético não conseguiam." Vê-se envolvido como todos os colegas na guerra aberta entre presidente e plantel, assiste impotente à vergonhosa e cobarde invasão da Academia de Alcochete, sofre a humilhação da derrota no Jamor e os insultos igualmente cobardes dos idiotas das claques nas escadarias do mesmo. Mesmo assim aguenta e não desiste, do clube e do país que não é o seu, obteve em devido tempo as garantias necessárias e com os que ficaram, regressaram e vieram, ajudou o futebol do Sporting a reeguer-se.
A recompensa veio logo nessa época com duas Taças. Em 2020 recebeu o Prémio Stromp de Futebolista do Ano. Não podia ter havido melhor escolha, que premiou o que de longe me parece ser um grande homem, introspectivo, calmo e sossegado, resiliente, nervos de aço, como demonstrou naquele momento em que interpretou prontamente a asfixia de Salin e lhe evitou males maiores desenrolando-lhe a língua.
Além de tudo isto, Coates é presença constante na selecção do seu país, pela qual conta 40 jogos e um golo, estando presente no Mundial da Rússia de 2018 onde chegaram à meia-final eliminando Portugal nos oitavos. Por isso mesmo sofre um desgaste incrível durante a temporada, muitas horas passadas em viagens intercontinentais, mudanças de clima e alimentação, etc. Nem sempre consegue voltar como partiu. O que valoriza ainda mais o seu desempenho.
Coates é um defesa central do antigamente, alto e pesado, que sabe impor respeito nas duas áreas, excelente leitura de jogo e capacidade de comando, mas também é muito forte tecnicamente, tem boa finta curta, sabe passar curto e à distância, sabe bem cabecear e marcar penáltis. Para ser perfeito falta-lhe apenas saber marcar livres como André Cruz ou Mathieu e ter a velocidade de recuperação de alguém menos pesado do que ele, que mais parece um pivot do andebol. E já agora refrear aquele seu ímpeto de entrar com a bola pela baliza dentro depois de fintar meia equipa adversária, duvido até que o falecido Maradona alguma vez o tenha feito.
Pela tal natural falta de velocidade de recuperação, Coates sofre numa táctica de quatro defesas quando tem ao seu lado uma barata tonta como lateral, sempre ausente em parte incerta, e foi muito isso que Coates teve ao longo do seu percurso no Sporting. Com Rúben Amorim encontrou finalmente uma táctica em que se sente de faca e garfo com uma bela picanha uruguaia à frente e o copo do mate ao lado, finalmente não tem de ir ao encontro de Galenos embalados e soltos de marcação.
Logo à noite vamos mais uma vez desfrutar com "El patrón" a liderar a equipa do Sporting na corrida pelos primeiros lugares da Liga. Que seja mais um dia de sorte e de sucesso para ele, para a equipa e para todos nós.
Zouhair Feddal será jogador do Sporting. Quem o diz são os jornais e o atual clube do marroquino. Central experiente e economicamente acessível, chega para ajudar meninos como Quaresma e Inácio a crescer. Que tenha a mesma qualidade e sorte do que os seus compatriotas: Naybet, Saber e Hadji.
Noureddine Naybet, hoje com 50 anos, passou duas épocas por cá, antes de rumar à Galiza. Marcou 6 golos em 73 partidas e ajudou nas conquistas de uma Taça de Portugal e de uma Supertaça, fazendo dupla com o brasileiro Marco Aurélio.
Abdelilah Saber, lateral direito, chegou em 1997, já Naybet não morava cá. Até 2000, teve tempo de ser campeão, já como suplente de César Prates. Ainda assim, chegou a Nápoles, com 75 jogos de leão ao peito. E convenhamos, acrescentou mais do que Gil Baiano ou Patacas, concorrentes na altura. Por fim, Mustapha Hadji. Esteve ano e meio em Alvalade, antes de se juntar a Naybet (o ponta de lança Bassir, igualmente marroquino, também lá andava, tal como os portugueses Hélder e Pauleta). Com 58 jogos e 8 golos, não teria sido má ideia que ficasse mais tempo por cá. Até porque nada ganhou.
Juntos, estes três marroquinos, representaram a sua seleção no Mundial de 1998 (já só Saber era leão), juntamente com El-Hadrioui, Tahar e Chippo, que na altura atuavam em Portugal. Hassan e Hajry, provavelmente os mais míticos marroquinos do nosso futebol, ficaram-se por Faro.
Mas voltemos a Sevilha. Feddal não é um nome que entusiasme os adeptos. Mas é um central sólido e experiente com passagens por Espanha, desde muito novo, Itália onde esteve no Parma (encontrou por lá Pedro Mendes, central das nossas escolas), Siena e Palermo. Em 2015, voltou à La Liga para jogar por Levante, Alaves e Bétis. Aguarda a vigésima internacionalização pela sua seleção e nós aguardamos pela sua chegada, assim a sua experiência seja o bom sinal que se espera que seja.
Laterais competentes, um médio defensivo capaz de dar conta do recado e sobretudo um ponta-de-lança. Decorridas dez jornadas do campeonato, o Sporting carece de reforços nestas posições.
Lamento que Frederico Varandas tenha acreditado no que lhe recomendou Hugo Viana. Sem homem-golo não vamos lá.
No Tondela-Sporting, os nossos centrais - Ilori e Coates - fizeram 66 passes um ao outro. Deviam estar a trabalhar para o campeonato das estatísticas e da "posse de bola" a que Silas fez referência no final do jogo.
Basta este número para se perceber a mentalidade de equipa pequena que o Sporting apresentou no frustrante embate de Tondela. E as notórias dificuldades de construção ofensiva frente ao onze beirão. Não podendo ou não querendo verticalizar o jogo, horizontaliza-se. A tão curta distância, há fortes probabilidades de o passe ser bem dirigido e melhorar assim os dados estatísticos.
Tudo isto até daria vontade de rir se não fosse tão triste.
Bem sei que a tendência em momentos como o actual é ceder ao sentimento de frustração. Quando não ao insulto (aos jogadores, direcção, etc)... Mas talvez seja mais útil trocar umas ideias sobre o jogo de ontem. Continuamos sem defesa, dois meses depois do desastre da supertaça no Algarve. Ontem, o Rio Ave fez 2 (dois) remates à baliza (mais um livre à figura do GR). Dois golos em duas jogadas de perigo. No segundo golo, o jogador do RA remata sem oposição. No primeiro, Ilori fica a ver o jogador do RA rematar, a três metros da baliza. Depois de Rosier ficar nas covas... Ilori, muito inseguro, e Neto, esforçado mas com pouco poder físico, mostram que não são solução. Coates, cuja última época foi a pior no SCP, agora é um mono caro. Logo, temos um central que cumpre - Mathieu. É preciso coragem para mudar de protagonistas lá atrás. E trabalhar processos defensivos, que não há. Sem querer recriminar, não se pode deixar aqui de lembrar as vendas de Demiral (hoje na Juve...), Domingos Duarte (hoje no Granada, surpresa da La Liga) e o enésimo empréstimo de Ivanildo (depois de uma excelente temporada emprestado). Já nem falo de Tobias ou Tiago Djaló. O SCP criou mais do que oportunidades para marcar ontem. Falhou muito. Agora, ou começa a marcar três ou quatro golos por jogo ou, a sofrer em média dois golos por jogo, vai continuar sem ganhar.
José Peseiro, confrontado com a prolongada lesão de Mathieu e a evidente inaptidão de Marcelo para prestar bons serviços ao Sporting (foi uma das contratações mais disparatadas do último Inverno), clama por um novo central. Lamento que só agora o técnico leonino pense nisto, pois já tinha esse central e deu luz verde para que saísse: refiro-me a Demiral - que chegou a Lisboa ainda júnior e completou a formação na nossa Academia -, há pouco despachado para o futebol turco, com direito a cláusula de opção para o clube onde actua. Acontece que o desempenho do jogador é tão bom que, segundo noticia O Jogo, essa cláusula acaba de ser pré-anunciada, com três meses de antecedência.
E assim vemos partir mais um talento que ajudámos a formar, a preço irrisório para o seu real valor e sem ter conseguido uma oportunidade de mostrar o que verdadeiramente vale vestido de verde e branco: limitou-se a exibir classe durante três épocas na nossa equipa B, entretanto extinta. Tudo isto ajuda a explicar 16 anos consecutivos de insucessos no Sporting.
E vão onze: acaba de ser anunciada a contratação do lateral direito macedónio Stefan Ristovski, que há meses se sagrou bicampeão croata, ao serviço do Rijeka. Tem 25 anos e chegou a actuar também como lateral esquerdo e médio direito. Já foi 32 vezes internacional pelo seu país.
Os outros nove reforços já recebidos são André Pinto, Fábio Coentrão, Battaglia, Mattheus Oliveira, Piccini, Bruno Fernandes, Doumbia, Mathieu, Acuña e Salin.
Julgo que a direcção leonina deve uma palavra de justificação aos adeptos. Como é do conhecimento público, andamos ansiosamente à procura do 11.º reforço do ano, um lateral direito. Isto enquanto se mantém sob contrato um jogador para esta mesma posição que não caiu do céu aos trambolhões mas resultou da escolha directa do treinador Jorge Jesus. Ninguém conseguiu perceber ainda por que motivo o técnico passou do oito para o oitenta: faz agora um ano, o ítalo-argentino era apontado como elemento indispensável do plantel, tanto assim que se manteve como titular durante a época inteira; subitamente, não serve sequer como segunda escolha para a mesma posição.
Estou à vontade porque nunca fui entusiasta de Schelotto, como aqui escrevi em tempo oportuno. Mas das duas uma: ou Jesus admite que cometeu um grave erro de avaliação ao pedir o jogador ou fonte próxima do técnico devia explicar à nação leonina por que razão o lateral passou de bestial a besta, sem merecer uma segunda oportunidade.
Já agora, não ficaria nada mal explicar também o que levou a equipa técnica do Sporting a não considerar Ricardo Esgaio sequer como segunda opção para a lateral direita nesta nova época, preferindo num primeiro momento improvisar até Bruno César nessa posição - com as consequências que seriam de supor. Como o Edmundo já assinalou aqui, esta nossa perplexidade é reforçada pelo excelente desempenho do defesa formado na nossa academia no desafio frente ao AIK que permitiu ao Braga seguir em frente nas pré-eliminatórias da Liga Europa. Esgaio, titular da posição, foi um dos melhores em campo. O que não deixou de entristecer todos aqueles que, como eu, preferiam que tivesse continuado de verde-e-branco.
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