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És a nossa Fé!

O David renovou

Enquanto o rival da 2.ª circular anda a tratar do autocarro anual de reforços e os jovens do Seixal fazem contas de sumir, o Sporting trata da almofada de Alcochete para o plantel A.

David Moreira, que na final do Jamor desarmou o DiMaria e lançou o contra-ataque que deu o terceiro golo, renovou agora por mais três anos.

O Sanches e o Fiorentino que fracassaram no Jamor são passeados pelo Rui Costa na Flórida, onde o Belotti cometeu aquilo que segundo ele é uma agressão bárbara sobre a cabeça dum adversário. Foi expulso e levou dois jogos. 

Matheus Reis merece o mesmo que o Belotti porque basicamente fez a mesma coisa, tentou jogar e atingiu na cabeça o adversário.

Voltando ao David, vi-o várias vezes a fazer de Inácio na equipa B, falho de altura para a função, mas sempre intenso nos duelos. Sei que tem a aprovação de Tomaz Morais. "Uma máquina", diz ele. Um grande defesa esquerdo em potência.

Já agora, do lado direito o Diogo Travassos merece aposta também.

A aposta na formação não é fazer tudo para ganhar títulos nos iniciados, juvenis e juniores. É fazer tudo para fazer chegar os melhores jovens à equipa A.

Como aconteceu com o Gonçalo Inácio, o Nuno Mendes, o Tiago Tomás e muitos outros.

SL

Quente & frio

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Gostei muito desta final da Taça de Portugal, conquistada com todo o mérito pela nossa equipa. Talento, competência, brio, sacrifício, espírito de grupo, fibra de campeões. Foi uma final dinâmica, emotiva, com resultado incerto até quase até ao fim. Grande em qualidade e quantidade: jogaram-se mais de 130 minutos. Com o Sporting a protagonizar uma das mais épicas reviravoltas de que tenho memória: já no final do tempo extra concedido pelo árbitro Luís Godinho, ao minuto 90'+11', quando perdíamos 0-1, Gyökeres protagoniza lance de génio ao passar por António Silva e prosseguir em ritmo avassalador até ser carregado em falta por Renato Sanches em zona proibida. Foi ele a converter o penálti - mais um - e a tornar inevitável o prolongamento. Com o Benfica arrasado psicologicamente, marcámos mais dois nessa etapa suplementar. Fazendo jus por inteiro ao nosso lema: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. A anterior Taça de Portugal fora conquistada em 2019, com Marcel Keizer ao leme da equipa. Rui Borges conseguiu em seis meses um título que Ruben Amorim foi incapaz de ganhar em cinco épocas. E torna-se o primeiro treinador português do Sporting a vencer neste século a dobradinha. A anterior conquista teve como técnico o romeno Laszlo Bölöni, em 2002.

 

Gostei de Trincão, para mim o melhor em campo. Incompreendido por tantos adeptos, e alvo do injurioso sarcasmo dos letais durante toda a época, voltou a demonstrar como foi imprescindível nesta gloriosa caminhada rumo aos dois títulos supremos do futebol português. Jogador mais utilizado durante a temporada, com 4682 minutos de leão ao peito, esteve ontem envolvido em todos os nossos golos: é ele a isolar Gyökeres num soberbo passe de 30 metros, ultrapassando a débil resistência de Florentino no lance do penálti; foi ele a assistir no segundo, aos 98', com um belo passe em arco para a cabeça de Harder; e é ele quem fecha a contagem, aos 121', num túnel ao inepto António Silva e disparo perante o impotente Samuel Soares após o dinamarquês lhe ter retribuído a gentileza num passe cirúrgico. Lance de génio, golaço para ver e rever. Ilustra bem o que é este Sporting bicampeão de 2024/2025 na frente de ataque, temível para qualquer adversário: trio de luxo composto por Francisco Trincão, Conrad Harder e Viktor Gyökeres. Também gostei da estreia de David Moreira na equipa principal: o lateral esquerdo, de 21 anos, entrou aos 115', ainda a tempo de contribuir para anular Di María. Estreia de sonho.

 

Gostei pouco da primeira parte, que terminou empatada a zero. Consentimos demasiado domínio territorial à equipa adversária e quase não soubemos critar situações de perigo. Aí brilhou Rui Silva, confirmando aos últimos cépticos que foi um dos nossos melhores reforços da temporada. Sobretudo aos 20', negando o golo a Pavlidis num voo em que desviou a bola para o ferro. Intervenções decisivas também aos 81' e aos 90'+8, bloqueando remates de Belotti e Leandro. Gigante entre os postes, sem culpa no golo encarnado, aos 47', num eficaz remate de meia distância de Kokçu. 

 

Não gostei do desempenho de Pedro Gonçalves, que perdeu várias bolas e foi presa fácil para Otamendi: sem surpresa, saiu aos 75', dando lugar a Harder, que esteve num plano muito superior. Aliás Rui Borges derrotou o treinador rival, Bruno Lage, também nisto: o Sporting, ao contrário do Benfica, foi melhorando a cada substituição. Rendimento mais fraco revelaram também Eduardo Quaresma (substituído por Fresneda aos 83'), que perdeu um duelo aos 81' com Schjeldrup, e Debast (cedeu lugar a Morita aos 58'), que facilitou a tarefa ofensiva de Pavlidis aos 20'. Mas não gostei sobretudo de pressentir que esta 18.ª final da Taça de Portugal conquistada pelo Sporting era a última ocasião para todos vermos Gyökeres de verde-e-branco. Ainda está e já nos desperta saudades: é um dos nossos melhores goleadores de todos os tempos.

 

Não gostei nada daqueles canalhas que nas bancadas onde se concentrava a maioria dos adeptos benfiquistas desataram a imitar o criminoso som do very light, numa aparente glorificação do assassino que noutra final da Taça, naquele mesmo palco, em 1996, roubou a vida ao sportinguista Rui Mendes, de 36 anos. Esta escumalha já fez o mesmo vezes sem conta no pavilhão encarnado, quando o Sporting lá joga, perante a indiferença cúmplice dos responsáveis desse clube. Merecem bem a derrota que acabam de sofrer em campo. Merecem mil derrotas enquanto continuarem a comportar-se desta forma miserável

O dia seguinte

E aconteceu a dobradinha, 23 anos depois daquela do tempo do Boloni.

Foi um jogo muito complicado pela exibição do Benfica até se colocar em vantagem no marcador. Muito forte nas transições, com Carreras e Bruma a criarem muitos problemas nas suas arrancadas, enquanto o Sporting circulava a bola mas não criava verdadeiras situações de golo e as bolas paradas eram lançamentos para as mãos do Samuel. Depois do golo, veio outro felizmente anulado, e o Lage armou o circo: simulações de lesões, perdas de tempo constantes, substituições da treta convencido que a taça estava no bolso. Teve azar. Trincão teve uma nesga e arrancou, Gyökeres correspondeu e o recém-entrado Sanches ofereceu um penálti. Que o pobre Samuel que pouco tinha jogado na época não conseguiu defender.

No prolongamento só deu Sporting. As substituições de Rui Borges refrescaram mesmo a equipa, que passou a correr e a lutar a todo o campo. Trincão centrou para a cabeçada fulgurante de Harder e ainda marcou o terceiro numa bela jogada colectiva. 

 

E foi assim. Frederico Varandas passou a ser o presidente mais titulado da história do Sporting. São já três campeonatos nacionais, duas taças de Portugal, três taças da Liga e uma Supertaça em sete anos de mandato.

Julgo que até o Bruno de Carvalho, o Augusto Inácio e o Nuno Sousa o irão aclamar. No caso do Inácio até o departamento médico e a unidade de performance que colocou em condições o Pedro Gonçalves e o St.Juste para a final serão elogiados. O melhor presidente de sempre, dirão eles, e que os sócios que os destituiram ou recusaram tiveram carradas de razão.

Por outro lado, Rui Borges demonstrou hoje que é o legítimo sucessor de Rúben Amorim. Pela forma como mexeu na equipa, substituindo os defesas para atacar melhor, arriscando na estreia dum jovem da B que esteve na intercepção que começou a jogada que deu o golo final.

 

Melhor em campo? Trincão, pelo que fez nos três golos. Despertou a tempo da soneca.

Arbitragem? Critério uniforme. Deixou jogar, teve de ser alertado pelo VAR da patada sobre o Trincão. Só não entendi o porquê dos sucessivos "lesionados" do Benfica nunca saírem do terreno de jogo depois das intervenções demoradas da equipa médica.

E agora? Descansar e preparar o ataque ao tricampeonato. Gyökeres poderá sair, um ou outro também, mas financeiramente estaremos ainda mais fortes e o plantel poderá ser menos curto e mais equilibrado do que este ano.

 

PS: Já no final do jogo, na saída atrás da tribuna, passou por mim o Tomaz Morais. Aproveitei para o cumprimentar e agradecer o seu desempenho em Alcochete e a subida da equipa B. Ele respondeu dizendo que iria ser mais um desafio e lembrou o grande desempenho do David Moreira que tenho visto na B a central. Uma "máquina", diz ele que o conhece melhor que eu. Temos lateral esquerdo de futuro.

SL

{ Blogue fundado em 2012. }

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