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És a nossa Fé!

O "Félix" da Amoreira

 

Dizia-me ontem um amigo adepto do Estoril que o nosso Daniel Bragança tem sido consistentemente o melhor jogador da equipa. Pelo estilo e inteligência de jogo, no Estoril já lhe chamam o "João Félix". Foi o homem do jogo. Já o vejo jogar há vários anos e acho que pode ser bem melhor que o Félix (este hiper-inflacionado pela nossa imprensa desportiva sempre subserviente ao agente que manda no futebol português). A mim, lembra-me o Dani (dos primeiros tempos, antes de se perder no West Ham, depois no Ajax e depois no clube rival de Lisboa). Sobre Bragança, é um talento puro e a única coisa que não entendo é porque não está nos AA. Não seria titular de caras, mas poderia ganhar minutos e rodagem nos jogos das taças, para se ir assumindo como futuro titular. Por favor, dr. Varandas, não deixe que Bragança seja mais um Geraldes...

Os destaques: Renan, Bruno, Jovane

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Quarto jogo da pré-temporada: continuamos sem vencer. Derrota e empate no estágio suíço; derrota (0-1) contra o Estoril em Alcochete, há quatro dias. Desta vez (ontem à noite) o adversário foi o Club Brugge, no estádio desta equipa belga. O desafio chegou aos 90 minutos empatado.

Marcel Keizer fez alinhar um onze titular só com dois portugueses e um par de jogadores claramente fora de posição: Ilori, que é central de raiz, actuou como lateral direito (havendo Thierry no banco), e Vietto voltou a ser encostado à linha, como hipotético ala esquerdo (que nunca foi enquanto esteve em campo, durante toda a primeira parte), posto em que o técnico belga insiste em colocá-lo apesar de o argentino já ter declarado que prefere alinhar como segundo avançado.

 

Com uma defesa improvisada (na lateral esquerda estava Conté, face às ausências de Borja e Acuña, enquanto o reforço Luís Neto rendia Coates, ainda em férias), sucederam-se os lapsos no sector mais recuado. De um deles resultou o golo inaugural dos belgas, logo aos 16'. Culpa dobrada de Conté: primeiro perde o confronto individual com o extremo, depois coloca-o em jogo quando os colegas avançam em bloco.

À frente as coisas não corriam melhor, com a equipa a depender do talento e do esforço de Raphinha e sobretudo de Bruno Fernandes. Num lance de articulação entre ambos resultou o golo do empate, após carga sobre o brasileiro que mereceu o castigo máximo. O capitão, chamado a converter já no período extra do primeiro tempo, meteu-a lá dentro. É o terceiro golo que aponta nesta pré-época.

 

Keizer soube detectar os pontos fracos da equipa. Ao intervalo, retirou os piores elementos em campo, o atarantado Vietto e um inútil Bas Dost, e mandou avançar Jovane e Luiz Phellype. A diferença notou-se de imediato: um ataque mais móvel, maior pressão sobre a construção ofensiva do Brugge e sobretudo preenchimento da ala esquerda, que permanecera desaguarnecida durante todo o primeiro tempo, o que sobrecarregou a tarefa de Conté (Vietto, está visto, detesta participar no processo defensivo).

Bastaram oito minutos: servido pelo inevitável Bruno Fernandes, Jovane marcou o nosso segundo. Um belo golo, misto de técnica e força, em que fez sentar um defesa adversário antes de desferir um potente remate com o seu pé direito. 

Infelizmente foi também o jovem caboverdiano a cometer o penálti de que resultaria o golo do empate do Brugge, aos 62'. Renan, ainda em campo, foi incapaz de travar a bola. Mas fez três enormes defesas: duas consecutivas aos 65', outra aos 71', pouco antes de ceder o lugar a Maximiano e Keizer ordenar uma catadupa de substituições. Sem o guarda-redes brasileiro, teríamos perdido 2-4 em vez de empatarmos 2-2. Voto nele como melhor em campo.

 

Para efeitos de atribuição de um troféu, houve marcação de grandes penalidades após o apito final. Aqui perdemos: só conseguimos converter três em seis - por Luiz Phellype, Plata e Jovane (que assim bisou). Falhanços consecutivos de Miguel Luís, Eduardo e Daniel Bragança (em estreia absoluta pela equipa principal).

Há que rever prioridades e processos, evitando a repetição dos mesmos erros - algo que analisarei noutro texto: este já vai demasiado longo. E há que começar a testar sem demora o onze titular para a mais que previsível ausência de Bruno Fernandes. Esta equipa leonina está tão dependente dele que sofrerá uma crise de orfandade no dia em que o nosso capitão rumar a outras paragens. Quanto mais cedo se perceber isto, melhor.

 

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Os jogadores, um a um:

 

Renan (29 anos).

Mais: três enormes defesas, duas das quais ao nível do solo - costumam ser as mais difíceis.

Menos: fez falta no final, para defender os penáltis da equipa belga.

Nota: 8

 

Ilori (26 anos).

Mais: impediu in extremis a bola de entrar, aos 65'.

Menos: foi lateral adaptado: torna-se evidente o seu desconforto nesta posição.

Nota: 5

 

Neto (31 anos).

Mais: com Coates ausente, transmite segurança no eixo da defesa: desarme impecável aos 39', travando investida adversária.

Menos: aliviou para zona de alto risco no lance do primeiro golo belga.

Nota: 6

 

Mathieu (35 anos).

Mais: acorreu a inúmeras dobras do desastrado Conté.

Menos: começa a enturmar-se com Neto, mas ainda não faz esquecer a excelente parceria com Coates.

Nota: 7

 

Conté (21 anos).

Mais: muito voluntarioso e esforçado, embora sem esconder a ansiedade.

Menos: revelou défice técnico e posicional: o golo inicial dos belgas nasce de uma perda de bola no seu flanco e abriu uma avenida aos 40', que culminou numa bola ao poste.

Nota: 3

 

Idrissa Doumbia (21 anos).

Mais: boa disciplina táctica, ocupando a zona que lhe está destinada sem inventar nem improvisar.

Menos: algum receio de progredir com a bola dominada.

Nota: 6

 

Wendel (21 anos).

Mais: tentou pôr a boa técnica individual ao serviço da equipa, como se viu num bom passe para Bruno aos 74'.

Menos: demora a soltar a bola, ainda não recuperou a boa forma do final da época anterior.

Nota: 5

 

Bruno Fernandes (24 anos).

Mais: marcou o primeiro golo, aos 45'+2, de grande penalidade, e foi dele a assistência para o golo de Jovane. Um grande livre apontado aos 27'.

Menos: falhou mais passes do que nos tem habituado.

Nota: 7

 

Raphinha (22 anos).

Mais: carregado em falta após receber a bola de Bruno Fernandes, é deste lance que nasce a grande penalidade - e o nosso primeiro golo. Também participou na construção do segundo.

Menos: eclipsou-se na segunda parte, provavelmente por fadiga.

Nota: 6

 

Vietto (26 anos).

Mais: alguns apontamentos, demasiado esparsos, que denotam capacidade técnica do argentino que é apresentado como reforço do Sporting.

Menos: ainda não demonstrou capacidade de remate bem colocado. Nulo nas tarefas defensivas, o que dificultou a missão de Conté na ala esquerda.

Nota: 4

 

Bas Dost (30 anos).

Mais: fez duas tabelinhas.

Menos: praticamente não se deu por ele, andou sempre escondido, parece desligado da equipa.

Nota: 2

 

Jovane (21 anos).

Mais: jogou a segunda parte, rendendo Vietto. Marcou um grande golo, aos 53', neutralizando as marcações. Nos penáltis finais, também não vacilou.

Menos: cometeu a falta que originou o penálti belga por estar pouco rotinado na manobra defensiva.

Nota: 7

 

Luiz Phellype (25 anos).

Mais: melhorou o nosso jogo de área em comparação com Bas Dost, que rendeu na segunda parte. 

Menos: continua sem marcar, embora pudesse tê-lo feito aos 47' e aos 59'.

Nota: 5

 

Thierry (20 anos).

Mais: em campo desde o minuto 66', mostrou mais aptidão atacante do que Ilori.

Menos: demasiado retraído a defender, com deficiente abordagem em vários lances, o campeão europeu sub-19 tarda em mostrar na primeira equipa os dotes que o projectaram enquanto júnior.

Nota: 4

 

Miguel Luís (20 anos).

Mais: substituiu Idrissa aos 67', terminando o jogo com braçadeira de capitão: foi tacticamente disciplinado enquanto médio de contenção.

Menos: abordagem negligente do penálti, que falhou para efeitos de desempate após o apito final.

Nota: 4

 

Eduardo Quaresma (17 anos).

Mais: rendeu Matheu aos 76', revelando personalidade e confiança no eixo da defesa.

Menos: ficou a sensação de que merecia ter jogado mais tempo.

Nota: 5

 

Eduardo (24 anos).

Mais: substituiu Wendel aos 76', com a missão de reforçar o sector intermédio, tendo procurado cumprir este objectivo com desequilíbrios pontuais.

Menos: falhou penálti no fim.

Nota: 4

 

Maximiano (20 anos).

Mais: em campo desde os 79', transmitiu confiança à equipa e defendeu um penálti na roleta que deu o troféu ao Brugge.

Menos: continua a revelar deficiências na reposição de bola.

Nota: 6

 

Daniel Bragança (20 anos).

Mais: coube-lhe a responsabilidade de substituir Bruno Fernandes, aos 79', nesta estreia na equipa principal em que teve boas movimentações no centro do terreno.

Menos: chamado a converter um dos penáltis finais, mandou a bola ao poste.

Nota: 5

 

Plata (18 anos).

Mais: mexeu com o jogo ao substituir um extenuado Raphinha, aos 79'. Merece jogar mais.

Menos: demasiado individualista em certos lances.

Nota: 5

 

Nuno Mendes (17 anos).

Mais: substituiu Conté aos 80', mostrando-se mais concentrado e acutilante do que Thierry do outro lado.

Menos: teve poucos minutos de jogo: merecia mais.

Nota: 5

 

João Silva (20 anos).

Mais: outra estreia: aparição fugaz, ao render Neto aos 80', merecendo nota positiva.

Menos: falhou um passe, mas sem comprometer a avaliação global.

Nota: 5

Hoje giro eu - Não há coincidências

Ontem, em Alcochete, a equipa de juniores do Sporting recebeu e venceu o Vitória de Setúbal, tradicionalmente uma equipa forte neste escalão, por 5-0 (4-0 ao intervalo), em mais uma partida do campeonato nacional da categoria. Pouco antes, no mesmo local, em jogo a contar para a Liga Revelação, a nossa equipa de sub-23 havia batido o mesmíssimo adversário por 3-2. 

 

Mais do que os resultados em si, percebeu-se a motivação dos miúdos, subitamente tomados por um novo suplemento de alma. Jogadores muito promissores e que têm estado apagados, como Diogo Brás (1 golo e duas assistências), Bernardo Sousa (2 golos, a juntar aos 3 da semana passada) ou os mais velhos Elves Baldé (hat-trick) e Daniel Bragança apareceram em grande nível.

 

Creio estarmos a assistir aos primeiros sinais daquilo que denominaria como Efeito Keizer. Muito se tem falado no decréscimo de qualidade da nossa Formação e vários são os sócios a ecoá-lo, inclusivé aqueles que nunca viram um jogo da Formação, os que conciliam tal opinião com um saudosismo mais ou menos disfarçado a Jorge Jesus e ainda alguns politiqueiros com interesse evidente em espalhar a teoria do caos, mas creio que erramos ao abordar o tema numa perspectiva "bottom-up", em detrimento de "top-down".

 

Se do ponto-de-vista físico e táctico parece evidente que ficamos a perder face ao Benfica, é também verdade que continuamos a produzir jogadores com muita criatividade e liberdade para criar. Nota-se que o jogador encarnado é geralmente mais desenvolvido muscularmente, que tem outra leitura do jogo, mas os nossos continuam a ser mais desequilibradores e imprevisíveis. São, essencialmente, duas escolas de Formação diferentes que, apesar disso, têm um número de títulos praticamente equivalente nas camadas jovens nos últimos 5 anos. 

 

O que eu penso ter acontecido nos últimos dois anos da Formação foi uma grande desmotivação. Havendo um fúnil demasiado apertado nos séniores e sabendo-se da pouca disponibilidade do treinador do nosso principal escalão em apostar em jovens, estes começaram a perder a fé em chegar lá acima. Viram o que aconteceu aos seus colegas hoje nos seus 22/23 anos, uma geração perdida de empréstimo em empréstimo, e perceberam que essa viria a ser a sua realidade brevemente, pois por muito que mostrassem tal nunca seria suficiente. A chegada de Marcel Keizer a Alvalade, técnico que não teve rebuço em reforçar a aposta que Peter Bosz, seu antecessor, tinha feito nas escolas do Ajax, tem tudo para ser o detonador de uma nova crença dos nossos jovens jogadores. Será por isso com renovada expectativa que Bragança, Elves, Brás ou "Benny" encararão o futuro próximo. Perspectivando oportunidades, certamente trabalharão mais e melhor. A vantagem de uma política desportiva alicerçada na Formação é essa e os nossos jovens jogadores saberão que a partir de agora, esforçando-se para isso, verão chegada a sua hora de provar ao mais alto nível. E os pais também terão isso em mente na hora de escolherem o clube que os seus filhos, ainda crianças ou adolescentes, irão representar. 

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Mais um OCNI que passa ao lado da FPF

Francisco Geraldes já tem substituto à altura na Academia de Alcochete. Ignoro se na predilecção pela leitura de romances de nobelizados, sei que não na área predilecta do meio-campo (o ‘sucessor’ costuma exercer a sua influência alguns metros mais atrás), mas não me restam dúvidas de que existe um novo OCNI na formação leonina.

 

Tal como Geraldes passou a adolescência com o estatuto de objectivamente craque não internacionalizável, somando três míseros jogos pelos sub-18 (e, segundo os dados da FPF, apenas mais cinco desde então, nos sub-20 e sub-21), agora é Daniel Bragança que escapa aos radares de quem decide as convocatórias das selecções jovens. Tanto assim que a última (de entre duas) internacionalização data de Fevereiro de 2017, ficando desde então dispensado de acompanhar aos treinos na Cidade do Futebol colegas de equipa como Luís Maximiano, Thierry Correia, Miguel Luís ou Elves Baldé.

 

A Daniel Bragança podem apontar falta de centímetros e de peso para ser o muro de betão que é estereótipo da posição seis. Mas tudo isso compensa com inteligência no posicionamento, rapidez nos movimentos e critério na execução. Sabe fazer da bola o que quer, construindo jogadas, ao lado de Miguel Luís, que levam a carta aos Garcias lá mais à frente. Embora não se coíba de aplicar o remate de longa distância, não raras vezes destinado a balançar as redes do guarda-redes adversário...

 

Que Daniel continue a ser um OCNI é problema da FPF. Mas que essa falha de ‘currículo’ não atrapalhe a sua legítima candidatura a integrar, mais tarde ou mais cedo, o plantel principal do Sporting.

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