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És a nossa Fé!

"Ses" da treta

Da ameaça à robustez e à união do balneário, passando pela potencial desautorização de Rúben Amorim e à destruição da sua mais que provada capacidade de liderança, já perdi a conta aos "ses" justicados por um eventual regresso de Cristiano Ronaldo ao Sporting. 

Deixem-se de tretas. 

Se o Cristiano voltar a jogar com a camisola do Sporting será o simples porque arrebatador  corolário de uma das maiores escolas de formação de talentos de futebol do mundo e da qual ele é o exemplo maior. O regresso a casa do filho mais prodigioso entre tantos outros prodígios nela nascidos, formados e crescidos teria certamente lugar nos livros de história, seria um dos seus capítulos mais comoventes e inspiradores. Emblema e talento por ele criado reencontrados, lado-a-lado, ambos puxando para o mesmo lado, o da glória, a do Sporting, com os dois unidos mais próxima ainda de alcançar.

Se Cristiano Ronaldo voltar a jogar pelo Sporting teremos o melhor ataque da Liga e um fortíssimo ataque para atacar olhos nos olhos os adversários que viermos a ter pela frente na Liga dos Campeões. Prova na qual CR7 é rei e senhor, o campeão entre campeões.

Se CR7 voltar (desconfio que a venda de Tabata é já para libertar o número para o craque) se CR7 voltar a jogar com a verde e branca será bom para Rúben Amorim, sim, claro que sim. Seria difícil aceitar o contrário, aliás. Como fã, admirador e muito grato que sou de Rúben Amorim ficaria altamente decepcionado se o nosso notável treinador fizesse a vontade às picaretas falantes e não soubesse tirar proveito do potencial inigualável do CR7 em prol da equipa já construída e que mais bem construída ficaria. 

E a projecção do clube internacionalmente? E as vendas de camisolas? Bilhetes de época? De jogo? Se Cristiano cá regressar, o Sporting com ele passará para outra dimensão.

Se o Cristiano voltar ao Sporting, meus caros, aquelas centenas de golos que não cantámos quando eram cantados, esses golos vamos cantá-los muitas e muitas vezes. Cantaremos esses e os outros que só o Cristiano sabe que existem porque é ele quem os cria e inventa, ainda nós sequer percebemos o que o melhor do mundo vai fazer, quanto mais estarmos já preparados para cantar golo. Isso vem depois como brinde, prémio, tesouro inesperados e por isso os mais saborosos. Golo, golo, goloooooo! E o speaker: É do SPORTING!!!! CRISTIANO... e nós 40.000/50.000 em júbilo completando RONALDO!

Aposta na formação

A cerimónia de comemoração dos 20 anos da Academia de Alcochete deixou claro nas intervenções realizadas e nos projectos de desenvolvimento apresentados que, depois dum período de estagnação e de completa ultrapassagem pelo Seixal marcado pelo desleixo e falta de visão estratégica, o Sporting regressou ao projecto inicial centrado no jogador imaginado pelo mestre Aurélio Pereira.

E se a Academia de Alcochete, bem como o Pólo da EUL, são fundamentais na aposta firme e sustentada do Sporting na formação, o treinador principal não deixa de ser uma peça fundamental nessa aposta também.

Curiosamente a relação entre Aurélio Pereira e Rúben Amorim vem de longe. Já em 1998 o teria convidado a vir treinar ao Sporting, depois a coisa não se concretizou, se calhar por isso deve ser com grande orgulho que disse agora: "Há uma estratégia da administração e o treinador é funcionário do clube, tem de responder a essa chamada. Rúben Amorim é um rapaz que se interessa pela formação, muito acessível. Sai do treino dos seniores e vem logo direito aqui aos campos para ver o que se passa. Está sempre atento."

Outra peça essencial na aposta é o recrutamento. Na Academia não podem existir lugares cativos, a sua porta tem de estar permanente aberta ao talento nacional e internacional, dentro dum quadro de integração e respeito pelos valores do clube. Foi assim e terá de ser assim que jogadores como Nani, Palhinha, Jovane ou Matheus Nunes se formaram no Sporting, cada um chegando na idade que chegou e integrando-se da melhor forma com quem lá estava desde tenra idade.

Neste momento existem por lá, além de africanos das ex-colónias, dois ou três noruegueses, mas se calhar faria sentido haver mais talento estrangeiro do tipo Plata, Duscher ou Ugarte, dentro dos condicionalismos FIFA existentes. Para isso é necessário um scouting eficaz. Para descobrir Catena ou Marsà não é preciso grande scouting.

Por último, não podia deixar de falar da equipa B, que mais uma vez vai ser completamente remodelada e ainda mais jovem que a anterior. Ao contrário do que eu gostaria, a B vai continuar a não ter nem plantel nem estatuto próprio de acordo com a responsabilidade de defender o clube nas ligas profissionais. Prevejo que vá mais uma vez ter dificuldades para se manter na Liga 3.

Era um debate que gostava de ver feito, se faz sentido continuarmos assim ou apostarmos (e gastarmos) para ter a equipa a bater-se com os rivais na Liga 2.

SL

Sonho numa noite de Verão

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Neste período difícil de absoluta inactividade futebolística de interesse, quando há que arregaçar as mangas da imaginação para especular algo de jeito que cative o leitor ávido de futebol, usam-se as peripécias mais manhosas para encher os chouriços que são as páginas de jornais desportivos e os painéis televisivos sobre bola. Das diárias notícias sobre promessas de contratações sonantes e vendas milagrosas há uma em especial que me consegue desviar a atenção dos meus afazeres: a promessa do retorno a Alvalade de Cristiano Ronaldo. Confesso-vos uma coisa: o meu maior sonho era ver o Sporting Campeão Nacional com Cristiano Ronaldo na equipa e Ruben Amorim aos comandos. Já pensaram bem o que seria? Uma época com o estádio cheio sempre a cantar.

CX7 e os mutantes

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Gosto de banda desenhada, "comics" ou novelas gráficas como lhes chamam agora.

Gosto de Charles Xavier, o professor X, gosto de pessoas que pensam.

Gosto da ideia de mutantes, pessoas diferentes que tentam viver/sobreviver da melhor forma possível num mundo normal.

Gosto de música mas não gosto quando me tentam dar música.

Olho para a segunda imagem e para mim as pessoas de pé respiram sportinguismo, principalmente, Paulinho e Manel, LF7 nem por isso.

O regresso de Ronaldo a Alvalade

Melhor do mundo bisa contra a Suíça (4-0)

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Foi uma das melhores exibições da selecção nacional nos últimos anos. Na noite de ontem, em Alvalade - confirmando que o nosso estádio funciona como talismã da equipa das quinas. Cilindrámos a Suíça por 4-0 e poderíamos ter duplicado a goleada, tão deslumbrante foi a exibição portuguesa, com bola a circular ao primeiro toque, em progressão acelerada, numa demonstração viva de futebol de ataque. Perante o aplauso entusiástico de mais de 42 mil espectadores.

Figura da partida? O suspeito do costume: o melhor jogador do mundo. Cristiano Ronaldo bisou, aos 35' e aos 39', perante a visível emoção da sua mãe, presente na tribuna. Leva já 117 golos ao serviço da selecção - marca extraordinária num profissional que aos 37 anos regressou ao estádio onde começou a ser feliz, quase duas décadas volvidas.

Voltando a silenciar os idiotas que nunca perdem uma oportunidade de repetir que ele está «acabado» e «já deu o que tinha a dar».

 

Grandes exibições também de William Carvalho (que marcou o primeiro, aos 15'), Nuno Mendes, Rúben Neves e João Cancelo (que fechou a conta, aos 68', numa jogada de antologia, iniciada e concluída por ele).

Mas todo o onze nacional esteve muito bem. Segredo? O excelente desempenho colectivo potenciado pelas seis alterações que o seleccionador fez entre o desafio anterior, contra a Espanha (1-1), e este, que redundou na nossa maior goleada de sempre frente à Suíça. Que já tinha sofrido contra nós, fez ontem três anos, na meia-final da Liga das Nações. Com outra exibição sublime de CR7, autor dos três golos nesse triunfo por 3-1.

 

O nosso próximo desafio será na quinta-feira, também em Alvalade, contra os checos que ontem impuseram um empate (2-2) à selecção espanhola.

Feitas as contas, vamos em primeiro no grupo A. Uma vitória, um empate, cinco golos marcados e apenas um sofrido. E capazes de dar espectáculo, ao contrário do que alguns temiam. Os mesmos que aparecem sempre na hora dos desaires e se eclipsam quando há triunfo nacional. Como se tivessem vergonha de ser portugueses, algo que jamais entenderei.

Como se o tempo não passasse por ele

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Aos 37 anos, Cristiano Ronaldo continua em grande forma. Acaba de ser eleito melhor jogador da Premier League de Abril, pela segunda vez nesta temporada 2021/2022, após ter merecido a mesma distinção em Setembro. 

Com seis troféus individuais como este já conquistados no futebol inglês, Ronaldo igualou Steven Gerrard em votações de melhor do mês da Premier League. Só Sergio Agüero e Harry Kane estão à frente dele.

Nesta temporada o craque português já marcou 24 golos (e fez três assistências) em 38 jogos, ao serviço do Manchester United. Como se o tempo não passasse por ele.

O melhor do mundo. O melhor de sempre. Formado no Sporting, claro.

A voz do leitor

«Ronaldo, um tipo mais inteligente do que a média, sem dúvida. Porque tem de se ser inteligente para chegar lá. Não basta ter jeito. O mundo está cheio de pessoas com jeito para qualquer coisa que nunca passam da cepa torta e nunca são donos do seu próprio destino. Não nasceu num bairro chique de Lisboa ou do Porto... ainda mais digno de admiração, por isso.»

 

João Gil, neste meu texto

Do desportivismo inglês à canalhice tuga

Cristiano Ronaldo homenageado por adeptos rivais

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Como é diferente a cultura desportiva em Inglaterra comparada com a existente em Portugal. Ontem, ao minuto 7 do jogo Arsenal-Manchester United, o público de todas as bancadas levantou-se num vibrante aplauso a Cristiano Ronaldo, de luto por ter perdido há dias um filho bebé. Repetindo o que já sucedera em Liverpool.

A equipa londrina venceu 3-1, com CR7 a marcar o golo do United. O melhor jogador do mundo não festejou: benzeu-se e apontou para o céu, como esta imagem testemunha. Comovendo adeptos e adversários.

O que menos importa é o resultado. Interessa, sim, salientar este exemplar gesto de desportivismo, acima da clubite doentia. Culminando uma semana em que por cá, nas redes sociais, se vomitou toda a espécie de ódio contra o campeão português. «Miséria moral», chamou-lhe o Rui Calafate na sua coluna do Record, também ontem. Aludindo aos canalhas que «celebraram a perda de uma vida humana para mostrar a inveja sobre o jogador, a sua mulher e respectiva família». 

Que muitos desses canalhas tenham cidadania portuguesa torna este lixo humano ainda mais desprezível. E torna a nobre atitude do público inglês, aplaudindo um jogador rival, ainda mais louvável.

Questiono-me se algo semelhante poderia acontecer num estádio em Portugal. Vendo e lendo tantas expressões de intolerância e rancor, cada vez mais generalizadas, sinto-me inclinado a concluir que não.

O maior de todos

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Cristiano Ronaldo, mais três golos. Seguidos. Num só jogo. Aconteceu ontem, em Old Trafford. Na vitória do United contra o Norwich. Aos 7', aos 32' e aos 76'. O último, de livre, foi um petardo disparado de 30 metros.

Sucedeu-lhe pela 60.ª vez na carreira como futebolista profissional, este terno numa partida só. 

Leva 15 golos apontados nesta edição da Premier League. É o terceiro melhor marcador da prova. Soma 21 na temporada.

Aos 37 anos, alguns imbecis dizem que está velho. Coitados, ainda terão de aturá-lo por bastante tempo. 

Para orgulho de quase todos nós.

Que gente esta

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Enquanto escrevo estas linhas, oiço dois comentadores televisivos desancar Cristiano Ronaldo minutos após a vitória sobre a Macedónia (2-0) que carimbou a ida da selecção portuguesa ao Campeonato do Mundo. A nossa oitava participação de sempre numa fase final de um Mundial, a nossa sexta consecutiva.

Vitória para a qual Ronaldo contribuiu claramente com uma primorosa assistência para o golo inicial, de Bruno Fernandes, aos 32'.

Mesmo assim lá se dedicam eles à sua modalidade favorita: o tiro ao Ronaldo. Deve dar-lhes um prazer enorme, este de se atirarem ao melhor futebolista português de todos os tempos - com 115 golos marcados em 143 desafios pela selecção, recorde absoluto na história da modalidade - e prestes a marcar presença no seu quinto Mundial, algo que até hoje só sucedeu a dois outros jogadores de campo: o alemão Lothar Matthäus e o mexicano Rafa Márquez.

Que gente esta. Questiono-me se na televisão da Argentina também haverá comentadores deste calibre, sempre prontos a pôr em causa o mérito, a qualidade e o talento de Lionel Messi.

O mais importante

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29 de Março de 2022.

Um dia muito importante para o futebol português.

Para A Bola e para o Record é o dia do aniversário do jogador que se fez expulsar em Berlim, no dia 6 de Setembro de 1997.

Impediu Sérgio Conceição de entrar em campo (entraria mais tarde para substituir o Will Smith, português, João Vieira Pinto) impediu Portugal de ir ao Mundial de França.

É esse jogador que A Bola e o Record celebram hoje, o jornal espanhol Marca optou por dar protagonismo a outro.

 

(postal inspirado num comentário do leitor Vítor Hugo Vieira)

O melhor de sempre

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Espetou três ao Tottenham, selando o triunfo do United (3-2) no encontro de ontem da Premier League. O nosso campeão, Cristiano Ronaldo. Aos 37 anos, mostrando como se faz a jovens futebolistas com idade para serem seus filhos.

Sentimos um orgulho imenso. Como desportistas, como portugueses, como sportinguistas. Lembrando que foi no Sporting que ele nasceu para o futebol profissional já com um sonho a motivá-lo: ser o melhor de sempre.

Sonho tornado realidade. Foi e é. Com 807 golos registados em jogos oficiais - 450 no Real Madrid, 136 no Manchester United, 115 na selecção nacional, 101 na Juventus e cinco no Sporting. 

Mais um registo para o Guinness Book. E não pára aqui: vai continuar a somar. Até terminar a carreira com a mesma camisola do início. A verde e branca.

Superlativo, único, inimitável

Texto de Francisco Gonçalves

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Luanda, 19 de Novembro de 2013.

 

Tinha acabado, há poucos minutos, aquela que, para mim, foi a melhor exibição de Cristiano Ronaldo ao serviço da seleção nacional.

Na Friends Arena, nos arredores de Estocolmo, na Suécia, a selecção portuguesa acabara de vencer os suecos, por 3-2, e dessa forma, acabara de carimbar a passagem para a fase final do Mundial que iria realizar-se no ano seguinte, no Brasil.

Cristiano Ronaldo rubricou uma exibição épica e, por três vezes, disse ao estádio inteiro que estava ali para mostrar ao mundo que nem só de Descobrimentos vive a História de Portugal.

Aquele hat-trick foi, porventura, a melhor obra-prima que vi ser cinzelada, diante dos meus olhos. Como um cirurgião que maneja, habilmente, o bisturi, como um pintor que escolhe, criteriosamente, as cores que embelezam a sua tela, Cristiano Ronaldo emprestou àquele jogo toda a sua classe ímpar e encheu de orgulho todos os protugueses que, lá no Estádio em Estocolmo, ou no mundo inteiro, através da televisão, puderam confirmar a destreza única daquele que, hoje, é o melhor marcador mundial ao nível de selecções e o jogador europeu com mais internacionalizações.

 

Cristiano Ronaldo é superlativo. Cristiano é único. Cristiano Ronaldo é inimitável.

 

Assisti a esse momento inolvidável, via televisão, em Angola, com meia dúzia de amigos portugueses. O final do jogo trouxe uma euforia geral que foi aumentando à medida que as Cucas – muitas saudades da cerveja Cuca – iam encontrando aconchego nas gargantas de todos aqueles que não se pouparam a esforços para, ao seu jeito, apoiarem os nossos jogadores.

E o inevitável aconteceu: os constantes elogios ao nosso craque, nos quais vinham à baila a sua escola de formação, levou a que alguns benfiquistas, ali presentes, entendessem que havia espaço para comparações. Comparações estéreis, já se vê. Não havia necessidade, era um momento de festa, mas, diga-se, o despropósito da conversa não encontra culpas exclusivas naqueles benfiquistas.

Um dos benfiquistas presentes – amigo de longa data e do qual guardo momentos de indesmentível amizade – lembrou-nos o jogo da Coreia do Norte, do Mundial de 66, para enaltecer a qualidade de Eusébio e eu afiancei-lhe que o momento Coreia, de Cristiano Ronaldo, tinha acabado de acontecer.

As comparações iam-se acentuando e, no calor da conversa, são chamados à colação o número de golos de Eusébio, na selecção nacional (41 golos) – nessa noite de Estocolmo, Cristiano Ronaldo tinha acabado de igualar Pauleta, com 47 golos –, e as internacionalizações de Rui Costa (94 vezes internacional).

 

A argumentação e a contra-argumentação iam surgindo à mesma velocidade que a cerveja ia arrefecendo o calor daquela inofensiva refrega.

– O Rui Costa é dos jogadores portugueses mais internacionais! - asseverava o meu amigo benfiquista, todo entusiasmado com tal façanha e exigindo respeito pela singularidade daquele feito.

– Caro amigo, o Cristiano Ronaldo há de duplicar isso! – respondi-lhe, com a convicção de quem não tem certeza de nada, mas quer dar ênfase ao jogador formado em Alvalade.

– O Eusébio marcou 41 golos. Foi uma marca muito importante para o futebol português, ou não foi? – insistia o meu amigo benfiquista, numa tentativa de inverter o entusiasmo que pairava nos sportinguistas.

– O Cristiano Ronaldo há de triplicar isso! – arremessei eu, com a mesma convicção da resposta acerca das internacionalizações de Rui Costa.

 

E foi nesse momento que a coisa se deu. O meu amigo benfiquista olhou-me nos olhos, meio incrédulo, meio abananado, os olhos arregalados e os cantos da boca com uma ligeira baba que atribuí ao destempero da conversa. Cheguei a recear uma síncope, o que não vinha nada a propósito, dado tratar-se de um excelente amigo.

Os seus olhos foram franzindo como quem não está a enxergar bem e, após um momento de acalmia, disparou, muito baixinho, mas com muita convicção:

– O Cristiano Ronaldo vai duplicar as internacionalizões do Rui Costa e triplicar os golos de Eusébio?

– Podes ter a certeza. – retorqui, para não dar parte de fraco e, afinal, correndo bem, na manhã seguinte, ninguém se lembraria dos pormenores da conversa.

– E quanto queres apostar? – O tom de voz transportava, agora, uma carga formal, como se naquela proposta de aposta tivesse a prova – sim ou não – da genialidade de Cristiano Ronaldo.

A pergunta apanhou-me de surpresa, mas o momento não recomendava recuos e como, à época, Cristiano Ronaldo ainda tinha muitos anos pela frente, para marcar golos pela selecção – a confirmação do vencedor da aposta ainda iria demorar alguns anos –, respondi com toda a convicção possível para aquele momento de surpresa.

– Aposto o que tu quiseres, caro amigo.

– Fica apostado um jantar, em Lisboa. Quem ganhar escolhe o restaurante e não há constrangimentos na despesa! – impôs o meu amigo benfiquista.

Selámos a aposta com um aperto de mão e como bons amigos que éramos – continuamos a ser, obviamente –, continuámos a refrescar as gargantas, mantendo aquelas conversas que caracterizam os amigos divergentes nas opções clubísticas e que o tema selecção bem poderia dispensar.

 

Faltam seis jogos e oito golos.

Ai, vou jantar, vou. E quando chegar o menu, irei lembrar-me de que não há constrangimentos na despesa.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui e aqui.

Imparável

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Há vários anos que muitos se apressam a escrever-lhe o epitáfio. Não lhes gabo a função. Muito menos lhes gabo a sorte: Cristiano Ronaldo continua a ser uma máquina de fazer golos, contrariando todos os obituários desportivos dessa gente cheia de pressa em vê-lo afastado do futebol.

Agora, frente ao Luxemburgo, marcou mais três - proeza cumprida pela décima vez com a camisola das quinas. Incluindo em jogos épicos, como aquele inesquecível Suécia-Portugal de 19 de Novembro de 2013 que nos garantiu o bilhete para o Campeonato do Mundo do ano seguinte, ou o Portugal-Espanha disputado a 15 de Junho de 2018, na fase de grupos do Mundial. 

Soma já 115 golos ao serviço da selecção - recorde mundial absoluto. Marcou três golos em 58 desafios e, no total, já apontou mais de 800 numa carreira iniciada em 14 de Agosto de 2002 como profissional do Sporting.

Parece que foi ontem, mas já decorreram quase duas décadas. Ele continua imparável nesta sua vigésima temporada como sénior. Acredito que voltará a vestir de verde e branco. Para imensa alegria de sua mãe, Dona Dolores. E para orgulho renovado de quase todos nós.

Melhor que Eusébio e que Cristiano Ronaldo

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Hoje tem estado tudo muito assanhado, a discutir o desempenho de Paulinho.

Percam (ou ganhem) um pouco de tempo,  passem pelo sítio da Federação Portuguesa de Futebol.

A média de golos de Paulinho, pela selecção A, é superior à de Eusébio e à de Cristiano Ronaldo, não sou eu nem o Luís Lisboa que o dizemos, são os factos, a frieza dos números.

Messianismo e Cristianismo

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Enquanto, desmonto, encaixoto e monto (com a "ajuda" desassossegada do Leãozinho [como diria CAL]) tenho pensado nesta divisão da humanidade; todos nós somos Messis ou Cristianos.

Os Cristianos são gajos sempre inquietos, nunca estão bem em lado nenhum, ora estão no Funchal, ora vão para Lisboa, depois vão para Manchester, depois já não gostam de Manchester vão para Madrid, ai, ai, ai, "Madrid me mata" e eu não sei viver assim, vou para Turim. Ah e tal, também, já estou aborrecido de Turim vou, outra vez, para Manchester.

Quantas vezes é que Cristiano montou e desmontou os móveis?

Quantas vezes é que Cristiano teve que encaixotar e catalogar os inúmeros livros que, certamente, possui?

Quantas vezes é que teve de estar a envolver as bolas naquele plástico de bolinhas espremiveis?

Agora, enquanto eu estou repimpado, a descansar um bocado (e a escrever palermices) lá andará ele em Manchester de chave de estrela em riste com os quatro putos à volta a tentarem roubar-lhe a ferramenta e os parafusos.

Os outros, os Messis, querem estar sossegados. Uma bebida fresca no Verão, um livro, uma revista ou um jornal, uma boa companhia ou uma melhor solidão, enfim estar tranquilo.

Os Messis não têm necessidade de andar sempre a fazer coisas, a construir marquises, a saltitar de cidade em cidade.

Os Messis estão vinte anos, na mesma cidade, com os mesmos móveis, felizes, tranquilos, bem com eles próprios, sem necessidade de andarem sempre a desaparafusar e a parafusar coisas.

Um abraço para o Renan, um Messi ainda mais Messi que o próprio, como eu te compreendo, pá.

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