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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - A estrelinha de Santos

Muita reza deverá ter feito D. Fernando, o infante Santo(s) da lusa nação, que nunca viu a equipa por si liderada libertar-se da masmorra táctica engendrada pelos mouros comandados por Hervé Renard. Sem bola, Portugal foi para uma batalha com as pantufas de João Mário contra uns magrebinos armados até aos dentes. Nesse sentido, não foi surpreendente para ninguém assistir às constantes invasões marroquinas, que privilegiaram flanquear os portugueses pelo seu lado esquerdo, onde o nosso Guerreiro (Raphael) sentiu o poder das garras de um adversário com o diabo no corpo (Amrabat).

 

Enquanto o jogo foi jogo e não foi guerra, Portugal dominou. Assim, e para não variar, voltámos a marcar cedo. Ronaldo (quem mais?) compareceu a uma assistência de Moutinho (o melhor luso) e concretizou um "penalty" de cabeça. Pouco tempo depois, correspondendo a um passe de Raphael Guerreiro, CR7 rematou rente ao poste. O problema é que o domínio da equipa das quinas só duraria uns 10 minutos...

 

A partir daí, os avanços marroquinos seriam uma constante. Aos 11 minutos, Rui Patrício defendeu um cabeceamento perigoso e, logo depois, foi o eminente Moutinho a salvar um golo iminente. Até ao intervalo, a equipa liderada por Renard tomou conta do meio campo e Amrabat colocou a cabeça de Guerreiro a andar à roda, perfurando uma e outra vez e centrando com intenção maldosa. A excepção à regra foi um passe açucarado de Cristiano para Guedes, isolado, que se perdeu por falta de eficácia do valenciano.

 

Para a segunda parte, voltámos com os mesmos jogadores, apenas com umas "nuances" de troca de posicionamento entre João Mário e Gonçalo Guedes. O 4-4-2 luso não funcionava e Guedes, João Mário e Bernardo Silva eram totalmente inoperantes. Assim, após uma defesa salvadora de Rui Patrício, Fernando Santos tentou alterar algo, colocando Gelson (saiu Bernardo) na ala direita e alterando o esquema para um 4-3-3 ou, mais concretamente, um 4-2-3-1. Nada de significativo se alterou até porque o jovem da Formação do Sporting nunca conseguiu ter espaço para aplicar a sua velocidade. Em conformidade, o treinador português voltou a mexer, desta vez fazendo entrar Bruno Fernandes para o lugar de um desinspiradíssimo e pouco combativo João Mário. Mais uma vez, não resultaria. Desde os 70 minutos, os magrebinos instalar-se-iam nas imediações da baliza de Rui Patrício, em sucessivas vagas de ataque, e de lá não sairiam praticamente até ao fim do jogo. Adrien ainda refrescaria o miolo, substituindo o esgotado Moutinho, um homem que se entregou à luta sem vacilar.

 

Em resumo, mais uma exibição descolorida da selecção nacional. Hoje valeu a atenção e reflexos de Rui Patrício, a combatividade de Moutinho e o habitual engodo pelo golo de Cristiano Ronaldo. E, claro, a já lendária estrelinha da sorte de Fernando Santos, a qual se sobrepôs à existente na bandeira marroquina. Destaques ainda para Cedric, bem melhor a defender que Guerreiro e para Fonte, mais esclarecido que Pepe. William tentou arrumar a casa, ganhando e perdendo bolas a meio campo.

 

Triunfo muito lisonjeiro para Portugal que tem agora quatro pontos, fruto de uma vitória e de um empate, bastando uma igualdade frente ao Irão para a tão desejada qualificação para os Oitavos-de-final. 2 jogos, 4 golos marcados, todos "by CR7". Precisamos de mais, de muito mais. Temos capacidade de sofrimento mas está a faltar a magia dos desequilibradores. Sem eles, não teremos condições de ir muito mais longe. É que Ronaldo é excelente, mas nem sempre pode valer por três...

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Moutinho

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Ronaldo unlimited

Estava o jogo na sua alvorada e já Cristiano Ronaldo "comia" Nacho(s) como aperitivo para o que viria a seguir. Finta, falta, penálti e primeiro golo. De seguida, servido por Bruno Fernandes, CR7 assistiu auspiciosamente Gonçalo Guedes mas ao valenciano faltou espontaneidade. Portugal era mais perigoso mas a Espanha marcou numa jogada atípica, que foi uma traição ao seu tiki taka: lançamento longo para Diego Costa e este, sozinho contra três defesas, conseguiu empatar.

 

Os "nuestros hermanos" ficaram por cima do jogo e Portugal não mais conseguiu atinar com o passe/repasse espanhol. Acontece que o futebol é imprevisível e após um remate forte de Cristiano, De Gea abriu a capoeira, permitindo aos lusos irem para o intervalo na frente. 

 

No segundo tempo intensificou-se a pressão espanhola. Os portugueses defenderam um livre como se fossem uma equipa dos regionais e de uma forma simples a Espanha chegaria a nova igualdade. Quase de seguida, os comandados de Fernando Santos mostraram falta de intensidade defensiva, desperdiçaram duas/três oportunidades de aliviarem a bola das imediações da sua área e esta sobrou para Nacho que marcou um golaço. 

 

Subitamente, estávamos pela primeira vez em desvantagem no marcador e a Espanha parecia uma Armada Invencível. Mas, o nosso Francis Drake, o capitão Cristiano Ronaldo não dorme em serviço. O madeirense ganhou uma falta à entrada da área e ele próprio a converteu, aplicando um remate potente com a parte de dentro do seu pé direito que contornou sublimemente a barreira espanhola e entrou junto ao ângulo superior da baliza espanhola. De Gea, colocado do outro lado, permaneceu imóvel, olhando, qual controlador aéreo. O mundo inteiro pôs as mãos na cabeça, Florentino Perez colocou as mãos na carteira. É que tudo leva a crer que este "hat-trick" lhe vai sair muito caro.

 

E assim terminaria um jogo em que, se a Espanha foi como o ferro (Hierro, em castelhano), Ronaldo foi como o aço.

 

Portugal revelou desinspiração na frente (Guedes e Bernardo), falta de intensidade no miolo (William e Moutinho) e fragilidade na zona central (Pepe e Fonte). É justo dizer que hoje (ou quase sempre?) Cristiano foi o salvador da pátria.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo

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A ver o Mundial (2)

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O MELHOR É ELE. E MAIS NINGUÉM

 

Complexo de inferioridade? Deslumbramento? Sorte? Incapacidade de gerir uma vantagem que pareceu caída do céu? Falta de intensidade? Confiança no melhor de todos para corrigir as asneiras de vários?

Talvez um pouco de tudo isto.

Portugal estreou-se hoje no Campeonato do Mundo na Rússia defrontando uma velha rival: a selecção espanhola, campeã mundial de 2010 e bicampeã europeia (2008, 2012) antes do nosso inesquecível triunfo no Parque dos Príncipes, vai fazer dois anos. Estivemos à beira de perder, empatámos quase in extremis e podíamos até ter vencido mesmo ao cair do pano.

 

Houve de tudo nesta emocionante partida. Começámos a vencer no duelo ibérico disputado em Sochi, iam decorridos 3 minutos, com um penálti convertido por Cristiano Ronaldo a castigar uma falta que talvez o árbitro não marcasse noutra circunstância. Tivemos um período de algum protagonismo nessa primeira parte mas depressa cedemos domínio territorial aos espanhóis, que tanto apreciam a posse de bola. Exagerámos de tal maneira nesse dispositivo táctico que logo se prenunciou o golo do empate, convertido por Diogo Costa - após descalabro defensivo português de que o próprio guarda-redes não está isento.

O intervalo aproximava-se quando nos sorriu novo golpe de sorte: outro golo de Ronaldo, aproveitando um frango do  tamanho de um peru do guardião espanhol, De Gea. E assim, com vantagem por 2-1, chegámos ao segundo tempo. Em que, aí sim, levámos um banho de bola do onze que há dois dias deixou de ser dirigido por Julen Lopetegui.

A selecção espanhola - com 62% de posse de bola na totalidade do jogo - revelou-se um conjunto afinadíssimo, sob a batuta de um maestro genial chamado Iniesta. Os nossos flancos, entregues a Bruno Fernandes e Bernardo Silva, não funcionavam. A defesa tremia a cada investida castelhana. E à frente Ronaldo, único que teimava em dar luta, permanecia desacompanhado: Gonçalo Guedes revelou-se uma nulidade.

 

De rajada, com quatro minutos de intervalo, sofremos dois golos - mais um do hispano-brasileiro e outro de Nacho. A equipa implorava por mexidas que chegaram tarde mais felizmente ainda a tempo: entre os minutos 68 e 70 Fernando Santos fez sair Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Guedes, mandando entrar João Mário, Quaresma e André Silva. Portugal melhorou. Mas apenas Ronaldo fez a diferença. Foi ele - uma vez mais - a inventar um golo. O nosso terceiro, o do empate com Espanha, ao cavar um livre aos 88', exemplarmente marcado com o seu monumental pé-canhão.

Empate precioso, resultado lisonjeiro para as nossas cores, mas que premeia o desempenho do melhor jogador do mundo: 151 internacionalizações, 84 golos marcados com a camisola das quinas, maior marcador europeu de todos os tempos, único a marcar três a Espanha numa fase final de uma grande competição do futebol.

É ele, é ele - e mais ninguém.

 

Não festejo empates. Mas reconheço que não é nada mau empatar com Espanha na abertura de um Mundial.

Agora já podemos enfrentar com maior tranquilidade o jogo contra Marrocos, em Moscovo, na próxima quarta-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa prometeu que vai assistir in loco. Acredito que nos servirá de talismã.

 

O melhor - Cristiano Ronaldo. Marcou três golos: um de penálti, outro de bola corrida, outro de livre directo. E foi ele a sofrer as faltas que deram origem à grande penalidade e ao livre. Iguala Pelé, Seeler e Klose a marcar em quatro Mundiais. Impressionante.

O pior - Gonçalo Guedes. Fernando Santos apostou nele, em vez de André Silva, na posição mais avançada. Aposta falhada: o ex-benfiquista desperdiçou um golo cantado, a passe de CR7, aos 22', e falhou a marcação a Busquets na assistência para o segundo golo espanhol. Para esquecer.

 

Portugal, 3 - Espanha, 3

Cristiano Ronaldo

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[Cristiano Ronaldo agradecendo os aplausos dos adeptos da Juventus após o (2º) golo marcado em Turim]

 

À saída de Nelspruit não paro nos semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de "stop", pois nenhum carro se avistava no cruzamento. E logo dois policias saltam à estrada, mandando-me parar. "Estou tramado!", resmungo, antevendo os rands da multa e o atraso na viagem. Desculpo-me, explico-me, eles impávidos. Claro que viram a matrícula moçambicana, e tão habituados estão ao tráfego inter-fronteira, mas perguntam-me para onde vamos ("Maputo", respondo), de onde somos ("portugueses", digo-lhes), se viemos às compras. Que não, esmiúço, em busca de hipotética solidariedade, que ali vim para trazer a miúda ao (orto)dentista, a Carolina a comprová-lo no banco traseiro, com o aparelho dentário tão brilhante, acabado de calibrar na visita mensal. Um deles (suazi? tsonga? sotho?, não lhes consigo destrinçar a origem), inclina-se sobre a minha janela, quase enfiando a cabeça no carro e pergunta "how are you, sissi (maninha)?" e assim percebo que não pagarei multa. Depois diz-me "se você é português vou-lhe fazer uma pergunta" e eu logo que sim, dando-lhe um sorriso prestável, antevendo uma qualquer dúvida sobre ares ou gentes de Moçambique. Mas afinal "Qual é o melhor, Ronaldo ou Messi?". Eu rio-me, num "Ah, meu amigo, são ambos excepcionais, diferentes mas excepcionais", enfatizo, mas ele insiste, "mas qual é o melhor?". "Ok", e enceno-me, olhando à volta, "só vocês é que me ouvem, assim posso falar, sou português mas o maior é Messi", e estou a idolatrar o jongleur, o driblador dono da bola, alegria do povo, nós-todos miúdos de rua. "Não, você está errado" riposta ele (ndebele? zulu? khosa?, não lhe consigo destrinçar a origem), "Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!". Ri-se, riem-se, rimo-nos, e conclui num "podem ir". Avanço pela N4 e sorrio a este afinal meu espelho, apatetado europeu (armado em) intelectual com prosápias desenvolvimentistas, a levar uma lição de ética de trabalho de uma pequena autoridade (formal) africana.
 
(Fica a historieta para os que acham mal resmungar com os patrícios que, sistematicamente, apoucam o labor do maior atleta em actividade. Talvez nisso ombreando com Federer, mas muito mais célebre).

Hoje giro eu - O pedal de Deus

São 21H05. Sob a luz dos projectores do antigo Delle Alpi, Cristiano Ronaldo, procurando corresponder a um passe atrasado de Carvajal, roda sobre si mesmo e, de costas para a baliza, inicia o vôo. O seu tronco está agora paralelo ao plano da relva, a uma altura aí de 1,70 m. Os jogadores à sua volta sustêm a respiração. A "máquina" começa a dar aos pedáis: primeiro o esquerdo para dar propulsão, logo o direito que vai de encontro ao esférico quasi perdido. Nunca uma bola foi tão redonda como aquela saída do pé direito de Ronaldo, cinquenta centímetros acima da cabeça de um já aí desesperado DiSiglio, também ele a subir e a procurar o Céu. Buffon, espectador privilegiado do lance, não se mexe, como que hipnotizado pela grandeza do gesto. A bola, obediente, entra inapelávelmente junto ao poste da sua baliza. Das bancadas do estádio irrompe um aplauso generalizado. Adeptos da Juventus e do Real, outrora rivais, levantam-se e batem palmas. Há um sorriso nas sua bocas. Estão agora unidos pelo mesmo sentimento: tocado por Deus, Cristiano (o nome será coincidência?) acaba de protagonizar um momento único, um sortilégio, uma recordação eterna na memória de todos. O resultado já pouco interessa. Mais do que a vitória do seu clube, todos em uníssono celebram o triunfo do futebol.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Ronaldo piramidal

Numa das cidades mundiais onde a Banca assume maior preponderância, a selecção portuguesa esteve à beira de ser alvo de um esquema em pirâmide. Não, não me refiro a qualquer escândalo financeiro, mas tão sómente à visita de uma bem estruturada equipa egípcia à cidade suiça de Zurique para jogar contra Portugal. Valeu, como quase sempre, Cristiano Ronaldo e, desta vez, a intervenção do vídeo-árbitro, duas realidades a que a selecção nacional fica muito a dever ao Sporting.

 

No pré-jogo, olhando para a constituição das equipas, verifiquei que não havia nenhum jogador actualmente a representar a equipa leonina no onze base. Em contrapartida, nos titulares estavam cinco (!) jogadores formados no Sporting. Do outro lado, o sagaz Hector Cúper (lembram-se do Maiorca?) ao comando de um time que tinha Mohamed Salah como protagonista. Dada a boa forma do egípcio, anunciava-se um duelo Ronaldo-Salah.

 

A exibição da equipa portuguesa foi globalmente muito frouxa. Fernando Santos queixou-se de que "o João e o Bernardo não fizeram movimentos interiores e não jogaram entrelinhas". Salah marcou um golo de grande classe diante de dois centrais inseguros e sem saída de bola que, se forem ao Mundial, obrigarão certamente os adeptos portugueses a um preliminar "check-up" cardíaco. Nem a FÉ do grande engenheiro - homem por quem declaro aqui a minha profunda simpatia - parecia ser suficiente face à realidade vivida no campo, onde os egípcios dominavam a meio campo com o seu futebol de toque, enquanto Portugal parecia um disco de 33 r.p.m a tocar a 45 rotações por minuto, com os jogadores a quererem fazer tudo muito depressa e sem terem as suas posições bem definidas no terreno.

 

Eis então que entraram Bruno Fernandes e Gelson. Estes, à semelhança de Cedric, João Mário ou Moutinho, só estão à espera de saír do Sporting para serem titulares absolutos da selecção, realidade a que só Rui Patrício e William parecem escapar nas últimas décadas. Bruno trouxe logo o passe longo e o remate forte e colocado com que testou Al Shenawy. Gelson imprimiu a sua velocidade estonteante de condução de bola acompanhada da sua habitual má definição do último passe (quando melhorar este aspecto valerá uma fortuna). É certo que também entraram André Gomes, Gonçalo Guedes e Ricardo Quaresma. André Gomes foi ... André Gomes. Com ele em campo os portugueses poderão não ter vontade de ir à rua após os jogos do Mundial. Gonçalo esteve abaixo daquilo que vem mostrando ao serviço do Valência, raramente usando a sua velocidade de ponta e perdendo-se em combinações sem nexo. 

 

Deixo este último parágrafo para Vos falar dos 2 jogadores que fizeram a diferença a noite passada: Quaresma e Ronaldo (who else?). O Mustang pareceu "fora dela" durante largos minutos, mas reapareceu com dois passes açucarados para Ronaldo. Cristiano foi ... Cristiano. Duas oportunidades, dois golos, vitória no jogo e triunfo individual sobre Salah, ao melhor estilo do número 1 mundial. Uma última palavra para destacar que não teríamos ganho este jogo se não fosse a intervenção do VAR (o auxiliar tinha assinalado erradamente fora-de-jogo) ou não fosse a influência do Sporting nesta selecção extensível também à verdade desportiva.


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Sempre ele

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Em dois minutos, já no tempo extra, Cristiano Ronaldo virou o resultado: passámos esta noite de 0-1 contra o Egipto para uma vitória por 2-1.

O melhor do mundo faz sempre a diferença. Bem assistido, em qualquer dos casos, por Ricardo Quaresma.

Num jogo em que a equipa das quinas só começou a dar réplica aos egípcios, neste desafio disputado em Zurique como treino para o Mundial da Rússia, quando Gelson Martins e Bruno Fernandes entraram em campo, a meio do segundo tempo.

Todos com a inequívoca marca de qualidade. Da Escola de Alvalade.

Hoje giro eu - CR7 ("calma, eu estou aqui!")

Cristiano Ronaldo acaba de ganhar o seu 5º "Ballon d`Or", juntando-se ao argentino Leonel Messi como os dois jogadores que mais vezes conquistaram o prestigiado troféu criado pela France Football para premiar o melhor jogador do mundo.

 

Gostaria que os nossos Leitores elencássem, por ordem de importância (da mais para a menos relevante), qual destes factores mais contribuiu para o sucesso desportivo deste fenómeno que tanto nos orgulha:

1) Formação social e desportiva recebida no Sporting Clube de Portugal;

2) A sua própria atitude comportamental, a sua resiliência e desejo de evoluir constantemente;

3) A importância de Alex Ferguson no burilar da matéria-prima que lhe chegou às mãos;

4) A projecção que um clube enorme como o Real Madrid conferiu à sua carreira.

 

Agradeço desde já as Vossas opiniões, as quais deverão ser submetidas até às 00:00 da madrugada de Domingo para Segunda-feira, momento após o qual anunciarei o resultado das votações.

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"Fogo amigo" sobre Cristiano Ronaldo

 

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Dizem-me que as "redes sociais" cá do burgo se encheram nas últimas horas de tugas indignados a disparar sarcasmos em diversos tons contra Cristiano Ronaldo, ontem eleito pela quinta vez melhor profissional de futebol do mundo. Preferiam talvez o argentino Messi, como se o nosso compatriota não tivesse conquistado só neste último ano a Liga dos Campeões, o campeonato espanhol e o Mundial de clubes, além de ter integrado a selecção portuguesa que subiu ao pódio da Taça das Confederações.

É sina nossa: quando alguém cá nascido e aqui criado se destaca, erguendo-se acima da mediania, logo sente os conterrâneos a crivá-lo de "fogo amigo", com palavras quase tão mortíferas como punhais. A inveja é uma espécie de passatempo nacional exercido com prodigalidade. E quanto mais alto está o alvo, mais se enfurece a legião de detractores.

Uma das críticas recorrentes a Cristiano Ronaldo, no vespeiro das redes, relaciona-se com o idioma: acusam-no de ter um domínio insuficiente do português. Tomaram muitos destes anónimos internautas que o apontam de dedo em riste - analfabetos funcionais - exprimirem-se tão bem não apenas na nossa língua mas também em inglês e castelhano, como se expressa o mais célebre n.º 7 do futebol à escala planetária.

Por mim, gostaria de ver muitos dos nossos políticos, que mal chegam a Badajoz desatam logo a palrar "estrangeiro", comunicar em português perante plateias internacionais como Ronaldo fez na gala da FIFA, recorrendo com orgulho ao idioma de Camões com o mundo a escutá-lo. Senti-me orgulhoso enquanto compatriota. E senti também orgulho pelo miúdo pobre do Funchal que subiu a pulso no desporto e na vida, à custa de muito talento, muito esforço e muito brio. Dando autênticas lições de tenacidade a milhões de meninos pobres que sonham conseguir o mesmo nos mais diversos recantos do planeta.

Tento imaginar os adeptos argentinos a torcer por Ronaldo enquanto lançam impropérios a Messi. Não consigo: esta é uma originalidade cá do torrão, nada transmissível. Padecemos de endémica alergia ao mérito enquanto prestamos tributo recorrente à mediocridade mais rasteira. Se existe sintoma do nosso atraso estrutural, no capítulo das mentalidades, é precisamente este. Que nos tem levado, geração após geração, a marcar golos consecutivos na própria baliza.

 

Texto publicado originalmente aqui

Como tudo começou

Cristiano Ronaldo foi ontem coroado pela FIFA como o Melhor Jogador do Mundo em 2017.

Sendo um jogador a quem se reconhece uma vontade inaudita para o trabalho, o seu trabalho, convém não esquecer o talento. E quando se fala no seu talento futebolistico retenho sempre o seu primeiro golo.

Este golo.

 

Se o Pedro Correia me autorizar vou, no dia de hoje, recuperar este seu texto:

 

«Golo de CRISTIANO RONALDO

Sporting - Moreirense, 3-0

7 de Outubro de 2002, Estádio José Alvalade

 

O melhor jogador do mundo, formado na academia leonina, começou com pé direito a sua extraordinária carreira como profissional do futebol. De verde e branco. Muitos de nós ainda nos lembramos de testemunhar ao vivo este fantástico golo do jovem atacante, então com apenas 17 anos.

O astro madeirense era ainda júnior de primeiro ano quando se estreou como titular da equipa principal à sexta jornada do campeonato 2002/03, disputada no histórico Estádio José Alvalade. O Sporting, campeão em título, derrotou o Moreirense neste encontro, em que Ronaldo marcou dois golos.

O primeiro tornou-se inesquecível. Para ele e para nós. O futuro Bola de Ouro recebeu a redondinha a meio-campo, com um passe de calcanhar de Toñito, e correu com ela, caminhando para a glória. Deixou três adversários pelo caminho e fuzilou o guarda-redes forasteiro, desencadeando calorosos aplausos e entusiásticas expressões de euforia em todo o estádio. Era o prenúncio de um dos mais brilhantes destinos já registados no desporto-rei. Com a nossa marca de origem.

"Minha Nossa Senhora! Que golo magistral de Cristiano Ronaldo!", exclamou o narrador do jogo, em vibrante e espontânea homenagem à capacidade técnica do jovem funchalense, que não escondia a pressa em tornar-se monarca coroado do reino do futebol.

"Quem viu, viu; quem não viu, visse!": podemos dizer isto hoje, ao recordar este golo, parafraseando António Oliveira. No final da temporada, despedimo-nos do velho estádio, que viria a ser demolido, e de Ronaldo, que rumou a Manchester. Por uma quantia tão ridícula que devia envergonhar quem tratou desse negócio: só 8,2 milhões de euros chegaram aos cofres leoninos, como depois se saberia.

Mas essa é uma história triste, que não me apetece aprofundar agora. Fiquemo-nos pela feliz memória daquele golo inicial do adolescente de raízes modestas que não tardaria a ser conhecido nos mais recônditos recantos do globo.»

Ainda o Ronaldo - não aconselhável a não fãs

Uma nota muito breve, para guardar o momento em que - apesar de quase toda a gente já ter recebido mensagens ou ter visto na net - o estádio ouviu que Cristiano Ronaldo estava em Alvalade no sábado.

"Esta noite, em Alvalade: 42,400 espectadores... e Cristiano Ronaldo". Foi assim que o speaker o anunciou. Logo se fizeram ouvir aplausos pelo estádio inteiro, e um "SIIIIIIII!" colectivo, vindo do topo Sul. Cantou-se e aplaudiu-se ainda por breves instantes. 

São momentos destes, o reconhecimento do "SIIII!" dele por quem acompanha futebol, a manifestação num estádio que será também sempre seu, numa altura em que tanto lixo circula, que me fazem não deixar de gostar de futebol. As referências conseguem de facto, ser uma parte muito importante de tudo isto. 

Isso, livres bem marcados, e golos Bruno Fernandescos, claro está!

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