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És a nossa Fé!

Mbappé, digno herdeiro de Ronaldo

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Delírio entre os madridistas: Kylian Mbappé foi ontem apresentado perante 80 mil adeptos no estádio Santiago Bernabéu. Vai formar uma equipa galáctica com Courtois, Alaba, Modric, Bellingham e Vinicius.

Chega ao Real, aos 25 anos, beneficiando do maior "prémio de assinatura" de que há memória: uma quantia entre 117 milhões e 150 milhões de euros. São para ele, pois estava livre de qualquer vínculo anterior: havia chegado ao fim o seu contrato com o PSG, clube onde manifestamente não foi feliz. Como já houve quem titulasse, com manifesta ironia, é «a transferência gratuita mais cara da história» do futebol.

Na apresentação, Mbappé falou num castelhano fluente - prova inequívoca de que este foi um passo preparado com a devida antecedência. E repetiu as palavras de Cristiano Ronaldo, no mesmo local, quando foi apresentado em 2009 aos sócios do Real Madrid. 

«Assisti a todos os jogos do meu ídolo Cristiano Ronaldo. É um prazer ser uma criança que teve um sonho e que agora está aqui. É um privilégio porque agora é a minha vez.»

Palavras eloquentes.

Em Madrid, Mbappé manterá 80% dos seus direitos de imagem. O outro único astro do Real que ali teve este estatuto foi precisamente Cristiano Ronaldo, em 2009. Contrariando a prática habitual: os jogadores do Real costumam partilhar os seus direitos de imagem em partes iguais com o clube.

Com uma fonte de inspiração como esta, o craque francês acaba de dar o passo mais adequado na sua carreira. Não custa vaticinar que irá ainda muito mais longe. Ele merece.

 

ADENDA: Mbappé sobre CR7: «Europeu foi difícil para Ronaldo, mas não muda a lenda que é»

Comparar Ronaldo a Eusébio

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Não é nada fácil compararmos jogadores de épocas diferentes. Porque as mudanças registadas em cada década no futebol - do plano da organização táctica das equipas à preparação física, passando pelo acompanhamento clínico - é totalmente diferente.

Mesmo assim, continuamos a assistir às incessantes comparações entre Eusébio e Cristiano Ronaldo com vista à designação do melhor futebolista português de todos os tempos. Com muitas opiniões favoráveis ao antigo goleador do Benfica, infelizmente já falecido. Sobretudo pela sua brilhante prestação no Campeonato do Mundo de 1966, em que Portugal surpreendeu tudo e todos com a conquista do terceiro lugar.

Não consigo acompanhar estas teses.

 

Eusébio conseguiu uma única proeza a nível de selecção. Essa mesmo, em 1966. De resto, com ele no activo, a selecção nacional falhou o apuramento para os Mundiais de 1962, 1970 e 1974. E falhou as presenças em todas as fases finais de europeus (1964, 1968, 1972). 

Além disso Eusébio jogou na selecção praticamente com a equipa do Benfica: as rotinas estavam mais que firmadas, os automatismos estavam mais que estabelecidos. Nada a ver com os tempos actuais, em que a selecção é uma manta de retalhos, com jogadores das mais diversas proveniências, alguns dos quais nem chegaram a jogar em Portugal.

 

Cristiano Ronaldo participou em cinco Mundiais - chegando num deles, em 2006, às meias-finais, tal como Eusébio, mas com mais equipas em competição na fase final. E actuou em seis Europeus: num deles sagrámo-nos campeões (2016), noutro fomos à final (2004), noutro atingimos as meias-finais (2012).

Não há comparação possível.

 

Com Eusébio, a regra era falharmos o apuramento.

Com Ronaldo, a regra é conseguirmos o apuramento. 

Aos Mundiais de 1930, 1934, 1938, 1950, 1954, 1958, 1962, 1970, 1974, 1978, 1982, 1990, 1994 e 1998 nem lá chegámos. Antes de Cristiano Ronaldo.

Aos Europeus de 1960, 1964, 1968, 1972, 1976, 1980, 1988, 1992 nem lá chegámos. Antes de Cristiano Ronaldo.

Depois de Ronaldo, não falhámos um.

Ronaldo: a homenagem dos idiotas

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Uma ruidosa minoria de adeptos tugas celebra e festeja o ocaso de Cristiano Ronaldo.

Nem um único desses idiotas é capaz de indicar um nome para candidato a candidato a candidato a sucessor do Ronaldo.

O silêncio desses idiotas, sem eles fazerem ideia de tal coisa, acaba por ser uma inequívoca - embora involuntária - homenagem ao melhor futebolista português de sempre.

Viva Portugal, viva o Futebol, viva Ronaldo

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Alguns dizem que Portugal não cumpriu os objectivos com esta participação no Europeu de Futebol.

Discordo em absoluto.

Portugal caiu nos quartos-de-final, juntamente com a Alemanha e a Suíça. Figurámos entre as oito melhores equipas do continente.

À frente de outras que foram eliminadas mais cedo. Como a Itália, campeã europeia em 2021. Ou a Polónia, a Bélgica, a Croácia, a Dinamarca.

Fizemos muito melhor do que a Suécia, a Grécia ou a Irlanda - que nem sequer se qualificaram para esta fase final disputada em território alemão.

 

Pergunto: tínhamos obrigação de voltar a ser campeões, como fomos em 2016?

Respondo: não.

 

É certo que com Cristiano Ronaldo no onze nacional o patamar de exigência subiu imenso. Basta lembrar isto: com ele na selecção, nunca mais voltámos a falhar uma participação numa fase final dum Mundial ou dum Europeu.

Antes dele, durante 74 anos, só participámos em três Mundiais (1966, 1986, 2002).

Depois dele, estivemos em cinco.

Antes dele, durante 44 anos, só participámos em três Europeus (1984, 1996, 2000).

Depois dele, estivemos em seis.

 

Pergunto: em que outro sector de actividade figuramos entre os oito melhores países do continente europeu?

Respondo: nenhum. 

 

Viva Portugal.

Viva o Futebol.

Viva Cristiano Ronaldo.

Uma oportunidade perdida

A selecção de Portugal foi eliminada anteontem pela da França nas grandes penalidades, depois do 0-0 nos 120'. Exactamente como tinha sido apurada contra a Eslovénia. 

E Portugal foi eliminado sem razão de queixa de seja o que for. O jogo foi repartido, as oportunidades de golo aconteceram para ambos os lados, cada equipa tinha a sua forma de ferir o adversário, uma demorando mais com a bola outra menos, os guarda-redes e as defesas conseguiram manter as balizas invictas até ao fim. Depois vieram as grandes penalidades. Se alguém ainda pensa que as grandes penalidades são questão de sorte, que veja a forma como Ronaldo marcou a sua e o Félix falhou a dele. 

 

Portugal foi eliminado por uma França com a qual sempre poderia ser eliminado, mas depois duma campanha que deixou muito a desejar contra adversários de menor estatuto, que incluiu uma derrota humilhante contra a Geórgia. Foram 2-1, 3-0, 0-2, 0-0 e 0-0 os resultados, 5-3 em golos, sendo que, dos cinco, dois foram autogolos, outro um ressalto num defensor e outro um escorreganço dum defesa contrário que quebrou a linha de fora de jogo.

A selecção portuguesa dispunha dum meio-campo de luxo. Com Palhinha (agora Bayern de Munique), Bruno Fernandes (Man. United), Vitinha (PSG) e Bernardo Silva (Man. City) e dois alas perfurantes de grande classe como Nuno Mendes (PSG) e Cancelo (Barcelona). E depois Diogo Costa, Rúben Dias (Man. City), Pepe, Cristiano Ronaldo e Rafael Leão (Milan). Como é que com tanta qualidade não se consegue ter uma jogada colectiva que resulte num golo numa sequência de cinco jogos?

Não é difícil adivinhar a resposta.

 

Sendo assim, a selecção fracassou na Alemanha. Não há minutos de posse de bola nem choros convulsivos nem conversa da treta que prove o contrário. Para mim o grande responsável chama-se Roberto Martínez e a selecção Ronaldo & Pepe que montou sob o alto patrocínio de Jorge Mendes. Como é que um João Félix, a acumular fracassos por onde passa, que se ausenta para "jogar às cartas" enquanto a Itália joga, é seleccionado, joga pessimamente e mesmo assim vai marcar um penálti decisivo? 

No final do jogo, enquanto os dois manos choravam agarradinhos, alguns outros passavam ao lado de tanta ternura. Pepe fez um grande jogo de facto, mas a selecção já podia estar em casa à conta dele contra a Eslovénia. Ronaldo fez um péssimo jogo contra a França, também é um facto, mas tanto minuto de jogo e tanto livre marcado dá cabo do melhor jogador do mundo. Ainda assim converteu dois penáltis nos desempates finais.

Depois veio Martínez a falar no exemplo de Pepe para os portugueses. Qual Pepe? Aquele do murro ao Coates, da bofetada ao Matheus Reis, aquele do pontapé ao adversário caído no chão quando ao serviço no Real Madrid, aquele que colecciona expulsões e goza com os árbitros, o Pepe exemplo de quê? De que alguém pode ser um santo na selecção e um bandido no clube? De alguém já despedido do clube pelo novo presidente e que vai não sei para onde e que se calhar a Portugal não volta, já facturou o que pôde? Se gosta tanto, que compre o livro da história da vida dele quando for publicado. Já agora, se tivesse apostado de início numa dupla de centrais Rúben Dias-Gonçalo Inácio, com Nuno Mendes a lateral esquerdo e Rafael Leão a extremo, não teríamos outro desenvolvimento de jogo pela esquerda?

Sobre Rafael Leão, prometo nunca mais dizer mal dos cruzamentos do Nuno Santos. Nunca mais. 

 

Tínhamos jogadores de elite para muito mais. E no que respeita ao lançamento duma nova geração, Gonçalo Inácio, António Silva e João Neves vão precisar de psicólogos, como os dois guarda-redes suplentes, e o Gonçalo Ramos vai precisar de psiquiatra. Safou-se mesmo assim o Francisco Conceição que, com alguma trapaceirice "genética", conseguiu demonstrar a sua utilidade. O seu a seu dono.

Porque é que foram convocados Rúben Neves e Danilo? Para proteger o Pepe? E Pedro Neto? Para recuperar o valor de mercado do rapaz?

E pronto. Lendo e ouvindo o que se diz nos jornais e nas tvs, já temos um bode expiatório, o Cristiano Ronaldo, é malhar à vontade. Eu ofereço-me para ocupar a mansão na Quinta da Marinha. E não o deixo entrar.

 

PS: Se vier algum morcão a dizer que perdemos o Europeu pela falta do Otávio e do Galeno... ou do Evanilson... faça favor.

SL

A viola enfiada no saco

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No jogo contra a Eslovénia, Cristiano Ronaldo respondeu em campo, mostrando a todos como se dá a volta por cima. No futebol tal como na vida.

Falha um penálti. Ou melhor: não falha, pois o penálti foi bem marcado, mas com defesa excelente de Oblak. Um quarto de hora depois, volta a marcar - sem tremer, sem vacilar, sem virar a cara ao desafio.

E mete-a lá dentro.

Oblak, ex-Benfica, deixou de ser herói daquele desafio dos oitavos no Euro 2014.

O herói foi também guarda-redes, mas português. Compatriota de Cristiano Ronaldo. Nosso compatriota.

E lá teve a tribo do Ódio ao Ronaldo, uma vez mais, de enfiar a viola no saco. Temos pena.

Llorando Dolores

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Não há nada mais humano que o choro. O momento mais feliz, mais gratificante, mais impactante (já cá faltava uma palavra da moda) da minha vida foi ver o meu bebé nascer e ouvi-lo chorar. Chorou ele e chorei eu.

Já chorei com o Sporting, também, de tristeza e de alegria.

Não sei a razão das lágrimas de Cristiano Ronaldo (provavelmente nem ele) o Record diz que Ronaldo chorou ao ver Dolores no écran do estádio, penso que as dores (dolores em castelhano) seriam outras, julgo que não será difícil perceber quais.

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Estamos no dia 27 de Junho de 2012, os ponteiros já quase apontam as dez e meia da noite, vão bater-se penalties na Dunbass Arena, em Donetsk, cerca de 28 000 pessoas no estádio e milhões pela televisão, preparam-se para ver quem seguirá em frente.

O "bates bem", bateu mal, Bruno Alves bateu na trave, Cristiano Ronaldo não bateu, nem bem nem mal e abandonámos a Ucrânia.

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Parece que temos Cristiano Ronaldo de volta. A atitude do capitão ao pegar na bola e bater o primeiro penalty mostrou-nos que não se deixou abater pelo falhanço anterior e que as lágrimas não eram de desespero.

Teria sido muito mais fácil para Cristiano deixar que fosse Bruno Fernandes a bater o primeiro penalty mas os grandes campeões forjam-se nas dificuldades, remam contra as marés.

Critico Cristiano quando penso que o devo fazer (a questão do arremesso da braçadeira de capitão, por exemplo) mas elogio quando é para elogiar.

A atitude de Cristiano Ronaldo de querer ser ele a marcar o primeiro penalty não foi valorizada, nem elogiada, assim fica aqui registada.

Obrigado, Cristiano, vamos precisar de ti na sexta-feira.

Ecos do Europeu (18)

Temos uma das oito melhores selecções da Europa

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Há jogos épicos. Ontem à noite vimos um deles. Um jogo que parecia interminável: durou duas horas (prolongamento incluído) e terminou empatado a zero. Enfrentámos a Eslovénia, em Frankfurt, nos oitavos-de-final do Campeonato da Europa e seguimos em frente. Com muito esforço, muito suor, muita ansiedade - mas valeu a pena.

Graças a um herói em campo: o melhor guarda-redes português da actualidade, Diogo Costa. Super-herói. Foi decisivo para esta vitória em vários momentos. Primeiro, ao minuto 115 com uma defesa extraordinária após suicida perda de bola de Pepe, que parecia querer rivalizar com António Silva na partida contra a Geórgia: o nosso guardião não se atemorizou perante o esloveno que se isolara à sua frente. Depois, superando-se a si próprio, ao defender três penáltis sucessivos: voou uma vez para o seu lado esquerdo e duas para o lado direito. A selecção adversária não marcou nenhum.

Devemos-lhe o triunfo. Devemos-lhe o passaporte para o próximo desafio, a disputar na sexta-feira contra a França. Foi o melhor em campo. Superior até ao gigante Oblak, que pontificava na outra baliza. 

 

Terminou bem, milhões de portugueses festejam. Caso para isso: a equipa das quinas confirma-se como uma das oito melhores da Europa.

Mas antes da festa houve drama: aconteceu aos 105', quando Cristiano Ronaldo, chamado a converter um penálti sobre Diogo Jota, permitiu a defesa do guarda-redes esloveno que já alinhou no Benfica. Ficou de rastos, incapaz de conter as lágrimas. Raras vezes lhe aconteceu tal coisa ao longo de 21 anos de carreira como futebolista profissional.

Felizmente as lágrimas duraram pouco. Um quarto de hora depois, Ronaldo redimiu-se ao regressar à marca dos 11 metros, por vontade própria: foi ele a bater o primeiro da ronda final. E desta vez não falhou. Seguiram-se Bruno Fernandes e Bernardo Silva, que também a meteram lá dentro.

Fomos mais fortes, mais competentes. Fizemos sempre mais por vencer nesta partida quase por inteiro disputada no meio-campo defensivo da Eslovénia. Tentámos muito, mas faltou-nos maior rapidez na circulação de bola e melhor pontaria no disparo final. Os números são concludentes: fizemos 20 remates, mas apenas quatro à baliza.

A França, nossa adversária daqui a três dias em Dusseldorf, não fez melhor também ontem, contra a Bélgica: 20 remates, só um dirigido à baliza. E apurou-se graças a um autogolo belga, de  Vertonghen, aos 85'. O nono autogolo neste Euro 2024. 

Além da Bélgica, também a Itália e a Croácia - outras das mais cotadas - já ficaram pelo caminho.

 

Regressando ao Portugal-Eslovénia: boas exibições de Palhinha, Cancelo, Nuno Mendes, Rafael Leão. Tivemos sempre superioridade nos corredores laterais.

Substituições tardias decididas pelo seleccionador: até ao minuto 117 só haviam entrado Diogo Jota (para render Vitinha aos 65') e Francisco Conceição (que entrou para o lugar de Rafael Leão aos 76'). A três minutos dos penáltis finais, Roberto Martínez trocou o desastrado Pepe por Rúben Neves, com Palhinha a recuar para central, e Cancelo por Nelson Semedo.

Não só tardias, mas algumas até incompreensíveis: Vitinha era o maior acelerador no corredor central e Leão desequilibrava na ala esquerda, onde Conceição passou a jogar, fora da zona em que mais rende. Como se não tivéssemos a ambição de marcar um golo antes dos penáltis finais. Como se não tivéssemos avançados no banco de suplentes.

Mas o que importa é valorizar o magnífico desempenho de Diogo Costa, primeiro guarda-redes a defender três penáltis em jogos de fases finais de Europeus. Fica imortalizado a partir de agora em imagens que já dão a volta ao mundo. E na gratidão dos adeptos portugueses.

 

Portugal, 0 - Eslovénia, 0 (3-0 nos penáltis)

Bélgica, 0 - França, 1

A selecção de todos nós

Portugal encerrou ontem com a Geórgia a sua fase de grupos com uma derrota humilhante por 2-0 (que podia ser até mais pesada), conquistando mesmo assim o 1º lugar do grupo mais fraco em competição. Aquilo que podia ter sido uma oportunidade de afirmação das segundas linhas da selecção, considerada uma dos melhores de sempre, transformou-se numa das maiores vergonhas duma selecção portuguesa numa fase final. Agora segue-se uma selecção "menor" como a Eslóvénia, mas depois seguir-se-ão provavelmente a França, a Espanha, na final talvez a Itália, isto se lá chegarmos.

Depois de tudo o que se passou no Catar, Martínez recebeu a tarefa de construir uma selecção à volta de Cristiano Ronaldo e do seu fiel escudeiro, o Pepe, e tudo o resto passou para segundo plano. Inclusivamente a pouca vergonha de naturalizar a martelo brasileiros do balneário do Porto e tão arruaceiros em campo como ele ao serviço do seu clube. Felizmente Otávio e Galeno ficaram fora desta selecção que ignorou alguns dos melhores jogadores da Liga deste ano, por acaso do Sporting. Mas ficou o conceito, que o Paulo Futre bem explicou, o "animal" tem de jogar sempre para estar feliz e contente, se o Gonçalo Ramos calha entrar e marcar três golos lá se vai a felicidade, por muito que o Pepe lhe faça massagens e calce os chinelos, e o balneário entra em crise. E o Pepe para fazer feliz o Ronaldo também tem de estar feliz e contente, por isso tem lá o Danilo, o Conceição, o Diogo Costa e muitos outros. Uma corte.

 

Depois temos o 3-4-3, sistema táctico que passámos a conhecer muito bem com Rúben Amorim, mas com outra interpretação: extremos agarrados à linha e alas a explorar espaços anteriores. Um sistema que precisa de muito tempo e muitos jogos para articular movimentos e permitir à equipa atacar com muitos e defender com muitos também. E porquê o 3-4-3 na selecção com tamanha riqueza de médios? Para o Pepe não ser comido em velocidade por falta de rins, e tê-lo sempre de frente para o jogo? Ontem a mesma coisa com o Danilo?

Porquê o 3-4-3 com extremos na selecção quando não temos nenhum de topo, Conceição, Neto ou Rafael Leão sem espaço pouco rendem, e quando o centro sai está o Ronaldo sózinho na área? Quantas vezes ontem entrou um médio nas costas do lateral para receber a bola do extremo? A única forma de Portugal criar perigo foi explorar os remates de meia-distância de Palhinha e Dalot. O resto foi o agarrão ao Ronaldo.

Podemos falar também dos mega-craques produzidos no Seixal: João Félix, António Silva, João Neves, João Cancelo, Gonçalo Ramos, todos endeusados pela comunicação social e pela máquina de propaganda lampiónica. A diferença entre o que dizem deles e o que demonstram em campo é colossal. Infelizmente Gonçalo Inácio já parece contaminado pelo virus "Félix".

 

Bom, e agora? É deixar de inventar e voltar ao "pão com manteiga", o 4-3-3 que todos conhecem, com um extremo mais fixo do lado esquerdo e dando liberdade a Bernardo Silva para vagabundear pelo lado direito, e tendo Vitinha e Bruno Fernandes na organização de jogo. E ajustar as outras peças ao adversário em questão. 

Aquele que me parece ser o melhor onze de Portugal, e pondo lá os obrigatórios Ronaldo e fiel escudeiro, que nesta altura já deveria ter tido minutos e jogos que criassem rotinas colectivas que não se vislumbram, é o seguinte:

Diogo Costa; Nelson Semedo (Cancelo), Rúben Dias, Pepe e Nuno Mendes; Vitinha, Palhinha e Bruno Fernandes; Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Rafael Leão (Jota).

Enfim, é assim que vejo esta selecção: muita experiência internacional, muito talento, muita capacidade de improvisação, muitos jogadores parecidos uns com os outros, sete ou oito jogadores de topo mas pouca capacidade física, poucas rotinas de jogo, pouca capacidade de sofrimento. Uma selecção acomodada pela sucessão de vitórias com adversários de menor valia, pela comunicação social enfeudada aos grandes interesses e pelo "lançar das canas antes da festa" de todos nós.

 

Oxalá consiga aprender com esta bofetada na cara, porque senão vai conhecer o outro lado de ser português.

Independentemente de quem seja o presidente, de quem seja o treinador, de quem sejam os empresários dos jogadores e da "macacada" que se autoproclama claque, estamos todos com a Selecção Nacional, a selecção de todos nós.

SL

Ecos do Europeu (9)

Vencer e convencer, silenciando adeptos turcos

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Queriam uma exibição categórica da selecção nacional neste Campeonato da Europa? Pois tiveram-na. Queriam uma vitória clara da equipa das quinas neste certame? Registou-se ontem em Dortmund, num estádio que abarrotava sobretudo de adeptos turcos. Durante a meia hora inicial assobiaram estrondosamente todos os nossos jogadores cada vez que tocavam na bola. Em decalque ampliado do pior que vemos nas bancadas portuguesas.

Antes do jogo diziam que a Turquia iria ser um "sério adversário", temível, capaz de nos travar o passo. Depois do jogo, afinal, alguns dos tais passaram a dizer que enfrentámos um onze menor, correspondente à segunda divisão do futebol europeu, portanto ao vencê-lo não teremos revelado grande mérito.

Há gente em Portugal assim, sempre pronta a denegrir o futebol que praticamos. Esteja o seleccionador que estiver, a música é sempre a mesma. Por mais elogios que nos façam lá fora.

 

Lamento contrariar tal gente, mas superámos com brilhantismo esta prova. Os tais assobios foram-se calando e no estádio onde se disputou o Portugal-Turquia, já perto do fim, apenas se ouviam aplausos às nossas cores. 

Qual o segredo? Superioridade total do princípio ao fim. Maturidade até no plano psicológico: aquelas estrondosas vaias entraram a cem, saíram a mil. Até emudecerem. Primeiro com o golo de Bernardo Silva, aos 21', culminando excelente lance colectivo. Depois, aos 28', com um autogolo turco que entrou de imediato no anedotário do futebol: Akaydin, central do Fenerbahce, jamais esquecerá esta humilhação. Finalmente, aos 56', quando Bruno Fernandes fixou o 3-0, emudecendo de vez os turcos. Até porque quem o assistiu neste golo foi um gigante: Cristiano Ronaldo, aos 39 anos, voltou a cumprir 90 minutos em campo numa inédita sexta participação em fases finais de campeonatos da Europa.

Nunca ninguém participou em tantos, nunca ninguém marcou em tantos, ninguém assistiu mais do que ele. Silenciando até aqueles que tentam denegrir o astro maior da formação leonina por ser supostamente incapaz de "futebol associativo". Revejam este golo em que Ronaldo recupera, progride com bola, se isola perante o guardião e a endossa ao companheiro que surge entretanto à sua esquerda, ainda mais bem colocado.

Pensar em movimento é isto. Um hino ao futebol como verdadeiro desporto de equipa.

 

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Criança interrompeu jogo para se fotografar com CR7: jogo deu para tudo, até para isto

 

Este segundo triunfo colectivo, após o 2-1 aos checos, transporta-nos de imediato à liderança do Grupo F e consequente qualificação automática para a partida dos oitavos-de-final, a 1 de Julho, contra um adversário ainda incerto. Dois jogos, duas vitórias, cinco marcados e só um sofrido. Enquanto Chéquia e Geórgia empatavam

Do nosso lado, além dos jogadores já mencionados, quase todos os outros justificam destaque. Cancelo subiu de rendimento, Vitinha manteve o nível da partida anterior, Palhinha mostrou que merece muito mais um lugar no onze do que Dalot, entretanto excluído. Todo o bloco defensivo funcionou na perfeição, desta vez numa linha de quatro da qual emergiu um talento superior: Nuno Mendes, para mim o melhor em campo. Mais talentoso ala esquerdo português da actualidade, sempre em rotação, sempre como seta apontada à baliza adversária sem temor de qualquer espécie.

O mais fraco foi novamente Rafael Leão. Segundo cartão amarelo por simulação grosseira - os árbitros têm instruções da UEFA para serem implacáveis nestes casos. Tal como simulou ter sido agredido em Maio de 2018, no assalto dos bisontes à Academia de Alcochete.

Já não regressou para a segunda parte. Fica fora do próximo desafio, por demérito próprio.

 

Outra nota insólita: pelo menos cinco espectadores invadiram o campo para se fazerem fotografar com Ronaldo. O astro português ainda sorriu ao primeiro, uma criança. Mas deixou de achar graça à invasão. Actos deste género podem constituir séria ameaça aos jogadores, além de lesarem o espectáculo.

Os turcos, estranhamente, iniciaram a partida mantendo no banco duas das suas maiores estrelas, Yildiz (Juventus, 19 anos) e Güler (Real Madrid, 19 anos). Quando ambos entraram, no segundo tempo, já era tarde: a equipa estava partida, extenuada, desmoralizada. Nas bancadas quase só se escutavam cânticos portugueses.

Çalhanoglu, centrocampista que organiza o jogo turco, quase passou despercebido, engolido pela vertigem ofensiva lusa. O benfiquista Kokçu "assistiu" Bernardo no primeiro e limitou-se a fazer cócegas a Diogo Costa, seguro entre os postes.

Mas gostei de rever um central formado na nossa Academia: Demiral, que entrou aos 75'. Hoje com 26 anos, actua no Al-Ahli da Arábia Saudita. Ainda lamento que só tenha cumprido um jogo oficial pelo Sporting. Tanto prometia, tão cedo saiu. 

 

E pronto. Página virada, objectivo cumprido, seguimos em frente. O jogo contra a Geórgia, pela nossa parte, servirá apenas para cumprir calendário. Tomem nota: será na próxima quarta-feira, dia 26.

Espécie de intervalo nas conversas de café, orais ou escritas. Convém sempre fazer uma pausa, até nesse passatempo nacional que é dizer mal da selecção.

 

Portugal, 3 - Turquia, 0

Altruísta?

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Ao fazer a assistência para o golo que Bruno Fernandes marcou, o terceiro do jogo de ontem com a Turquia, Cristiano Ronaldo bateu mais um record: Tornou-se no jogador com mais assistências em fases finais de Europeus (a par de Karel Poborsky que jogou em Portugal no Benfica e Porto, salvo erro), demonstrando que, mais que capitão, é mais um jogador de e para a equipa.

Eu sei que lá virão as carpideiras do costume dizendo que "mais golo, menos golo para ele é igual, o que lhe interessa são os recordes". Essas alimárias são as mesmas que no restante tempo em que nada mais fazem, o perdem a chamar Cristiano de egoísta. Enfim...

Quem não liga muito a isto são os que verdadeiramente gostam de bola e de quem é o melhor praticante deste jogo desde sempre. Com as crianças à frente, como agora mais uma vez aconteceu.

Quanto ao resto, deixai-os falar, de preferência sozinhos.

Ecos do Europeu (4)

Portugal vence checos: aves agoirentas têm azar

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Bernardo e Cristiano nunca deram descanso à defesa adversária: foram recompensados

 

Em 1984, quando chegámos ao pódio no primeiro Europeu em que participámos, começámos com um empate a zero contra a Alemanha. Em 2004, quando nos sagrámos vice-campeões, o início foi pior: derrotados pela selecção grega. No Euro-2016, que vencemos, o desafio inaugural acabou empatado 1-1 com a Islândia.

Desta vez começámos melhor, bem melhor. Em Leipzig, debaixo de chuva, com milhares de portugueses nas bancadas. Derrotando a República Checa (agora denominada Chéquia) no nosso encontro de abertura do Grupo F deste Campeonato da Europa que se desenrola na Alemanha. Jogo quase de sentido único contra uma selecção que chegou a defender com nove: ao intervalo, que terminou 0-0, tínhamos 73% de posse de bola e os checos nem uma oportunidade haviam conseguido. Ao contrário da equipa das quinas, em duas ocasiões, por Cristiano Ronaldo (32' e 45').

 

Contra a corrente de jogo, num rara incursão ofensiva, a turma adversária marcou após mau alívio de Pepe (62'). Roberto Martínez refrescou o onze português trocando o apagado Dalot por Gonçalo Inácio e o trapalhão Rafael Leão por Diogo Jota. 

Deu certo. Aos 69', após forte cabeceamento de Nuno Mendes (um dos melhores em campo), o central checo Hranac fez autogolo, marcando com a canela. Continuámos a pressionar, indiferentes à chuva que caía. Aos 87', CR7 rematou ao ferro e na recarga Jota meteu-a lá dentro. Mas não valeu: houve fora-de-jogo milimétrico de Ronaldo.

Faltava pouco para terminar, mas Martínez não se conformou: nova troca de jogadores. Semedo rendeu Cancelo, Nuno Mendes cedeu vez a Pedro Neto e um extenuado Vitinha (excelente exibição também) deu lugar a Francisco Conceição.

Decorria o minuto 88. Voltou a dar certo.

 

Quatro minutos depois, a dois do apito final: a sorte sorriu ao seleccionador, à equipa nacional e a todos quantos puxamos por ela: rápida incursão de Neto pelo flanco esquerdo, cruzamento para o coração da área, a bola pinga com a defesa checa aos papéis e Francisco Conceição - dando o melhor uso aos três anos de aprendizagem na Academia de Alcochete - finalizou de modo irrepreensível, selando o triunfo.

Este já ninguém nos tira. Esta alegria já ninguém nos rouba num jogo em que concretizámos 74 ataques e 19 remates: fomos a equipa com maior posse de bola na primeira jornada deste Europeu.

Péssima noite para as aves agoirentas que cá no burgo já vaticinavam o nosso desaire, como se tivessem vergonha da nacionalidade portuguesa.

Azaradas criaturas: durante um par de dias vão perder o pio. Tomem Kompensan.

 

Chéquia, 1 - Portugal, 2

Cristiano Ronaldo, absolutamente

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Continuas a bater recordes. Esta será a tua noite de estreia no sexto Campeonato da Europa em que participas. É outro marco superado, em valor absoluto: nunca jogador algum actuou em tantas fases finais desta competição - a segunda mais valiosa à escala planetária.

A tua estreia aconteceu há 20 anos exactos. E começaste em grande, sagrando-te vice-campeão. O título mais cobiçado viria em 2016, quando subimos ao primeiro lugar do pódio.

Tens outro máximo em perspectiva: o de ampliares o teu comando a marcar golos em fases finais de Europeus: já são 14, em 25 jogos. No segundo posto, a larga distância, está um aposentado de longa duração: Michel Platini, nosso carrasco no Euro-84. 

Precisamos de ti, Cristiano. Acreditamos em ti.

Prepara-te: o embate será logo.

A voz do leitor

«Cristiano Ronaldo impressiona não só pela idade, mas pela qualidade com que ainda faz a diferença, tanto na grande área como fora dela, pois a pontaria afinada e a ambição extraplanetária que exibe não deixam dúvidas de que quer ser campeão da Europa mais do que todos os portugueses juntos ou não fosse ele o melhor jogador de todos os tempos que tem todo o orgulho de gritar o hino de Portugal no lugar mais alto do pódio.»

 

Tiago Oliveira, neste meu texto

Cristiano Ronaldo soma e segue sempre

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Entrou finalmente em campo, na terceira partida de preparação do Europeu, jogou os 90 minutos e fez toda a diferença. Um exemplo para os outros que lá andam. Foi o grande obreiro desta nossa vitória por 3-0 frente ao onze da Irlanda. Que dia antes vencera a Hungria por 2-1, quebrando uma série invicta de 14 desafios dos magiares.

Cristiano Ronaldo, ele mesmo. Aos 39 anos. Duas décadas depois de se estrear pela selecção nacional de futebol. Ontem, no estádio municipal de Aveiro, marcou dois golos (o segundo e o terceiro, aos 50' e aos 60'), foi dele a pré-assistência para o primeiro, aos 18', e ainda mandou uma bomba ao ferro, na espectacular conversão de um livre directo.

Com esta particularidade: os dois golos do capitão português foram apontados com o seu pé menos privilegiado, o esquerdo. O que não lhes roubou brilho - sobretudo ao primeiro, autêntica capela sistina do futebol, comprovando que esta modalidade desportiva pode equiparar-se à melhor produção artística. 

Estamos ainda hoje perante o maior finalizador do futebol mundial.

Alguém duvida?

 

Os números dizem tudo: após este seu jogo n.º 207 pela equipa das quinas, CR7 contabiliza agora 130 golos. São, no total, 895 em 1225 partidas oficiais desde que iniciou a carreira, no nosso Sporting.

Outro número mágico - o n.º 900 - está aí ao virar da esquina.

Tudo isto pouco depois de se ter sagrado melhor marcador do campeonato saudita, apontando 35 golos ao serviço do Al Nassr: bateu o recorde de golos nessa Liga. Com um total de 52, além de 13 assistências em todos os desafios da temporada. 

Outro recorde batido com essa proeza: é o primeiro jogador a destacar-se como rei dos artilheiros em quatro campeonatos diferentes. Como se fosse mais um dia no escritório na fantástica carreira de Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, nosso compatriota, nosso consórcio - tão sportinguista como qualquer de nós.

O que nos enche ainda mais de orgulho.

{ Blogue fundado em 2012. }

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