Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Melhor que Eusébio e que Cristiano Ronaldo

202109144814_141748.png

Hoje tem estado tudo muito assanhado, a discutir o desempenho de Paulinho.

Percam (ou ganhem) um pouco de tempo,  passem pelo sítio da Federação Portuguesa de Futebol.

A média de golos de Paulinho, pela selecção A, é superior à de Eusébio e à de Cristiano Ronaldo, não sou eu nem o Luís Lisboa que o dizemos, são os factos, a frieza dos números.

Messianismo e Cristianismo

11111.jpeg

22222.jpeg

 

Enquanto, desmonto, encaixoto e monto (com a "ajuda" desassossegada do Leãozinho [como diria CAL]) tenho pensado nesta divisão da humanidade; todos nós somos Messis ou Cristianos.

Os Cristianos são gajos sempre inquietos, nunca estão bem em lado nenhum, ora estão no Funchal, ora vão para Lisboa, depois vão para Manchester, depois já não gostam de Manchester vão para Madrid, ai, ai, ai, "Madrid me mata" e eu não sei viver assim, vou para Turim. Ah e tal, também, já estou aborrecido de Turim vou, outra vez, para Manchester.

Quantas vezes é que Cristiano montou e desmontou os móveis?

Quantas vezes é que Cristiano teve que encaixotar e catalogar os inúmeros livros que, certamente, possui?

Quantas vezes é que teve de estar a envolver as bolas naquele plástico de bolinhas espremiveis?

Agora, enquanto eu estou repimpado, a descansar um bocado (e a escrever palermices) lá andará ele em Manchester de chave de estrela em riste com os quatro putos à volta a tentarem roubar-lhe a ferramenta e os parafusos.

Os outros, os Messis, querem estar sossegados. Uma bebida fresca no Verão, um livro, uma revista ou um jornal, uma boa companhia ou uma melhor solidão, enfim estar tranquilo.

Os Messis não têm necessidade de andar sempre a fazer coisas, a construir marquises, a saltitar de cidade em cidade.

Os Messis estão vinte anos, na mesma cidade, com os mesmos móveis, felizes, tranquilos, bem com eles próprios, sem necessidade de andarem sempre a desaparafusar e a parafusar coisas.

Um abraço para o Renan, um Messi ainda mais Messi que o próprio, como eu te compreendo, pá.

Para aqueles que previam o fim...

... de Cristiano Ronaldo, A. M. Pires Cabral tem um poema em que podem rever:

 

«VIOLA NO SACO

 

Mil luzes acendi - e a radiosa

escuridão prevaleceu intacta.

 

Mil palavras disse - e o silêncio

reboou nas longas arcadas sombrias.

 

Mil passadas dei - e o que estava longe

não ficou um milímetro mais perto.

 

... ... ... ... ... ... ...

 

Conclusão: é tempo de meter, meu caro,

a viola no saco.»

 

 

Cabral, A. M. Pires - Frentes de fogo. Lisboa: Tinta-da-china, 2019. p. 28

A voz do leitor

«Cristiano Ronaldo é, sem sombra de dúvidas, o melhor futebolista português de todos os tempos. A diferença para outro qualquer jogador português é de tal ordem assombrosa que qualquer tentativa de estabelecer comparações é uma inciativa que tende a ridicularizar o jogador comparado. No panorama mundial, Cristiano Ronaldo faz parte de um grupo de meia dúzia de jogadores que, consoante o auditório, aspiram ao ceptro de melhor jogador.»

 

Francisco Gonçalves, neste postal

Cristiano Ronaldo e os seus inimigos

 

transferir.jpg

 

Todos aqueles que detestam Cristiano Ronaldo estão a passar um mau bocado. Compreendo-os, coitados. Passaram semanas a berrar contra o melhor jogador português de todos os tempos, acusando-o de "estar acabado" e "só conseguir marcar de penálti". Como se um golo de penálti valesse menos. Como se andassem a milhas do que se passa no futebol. 

Esses fanáticos anti-Ronaldo ignoram que o capitão da selecção nacional marcou 46 golos ao longo da temporada 2020/2021, proeza rara num jogador de 36 anos. Ignoram também que se sagrou rei dos goleadores no campeonato italiano, ao serviço da Juventus. Mas, por mais que fechem os olhos e tapem as orelhas, nem eles conseguem ignorar que CR7 acaba de inscrever o seu nome no quadro de honra dos campeonatos da Europa de futebol. Como melhor marcador desta edição 2021: cinco golos em quatro jogos.

Grande Ronaldo. Os teus inimigos, sem quererem nem saberem, ainda te fazem maior. 

Na era Ronaldo

CRonaldo.jpg

 

Há anos que ouço dizer que Cristiano Ronaldo está acabado para a selecção. Já Carlos Queiroz, quando foi seleccionador, tentou encostá-lo às cordas e mostrar quem mandava - atitude própria dos fracos.

Quem saiu pela esquerda baixa foi ele. Onde anda agora?

 

Fernando Santos é o seleccionador português que mais soube congregar os grupos de trabalho. Os jogadores adoram trabalhar com ele. Nunca teve conflito com nenhum.

Neste quadro, Cristiano Ronaldo é essencial. Sem ele não teríamos sido campeões da Europa nem vencido a Liga das Nações. Nenhuma dúvida quanto a isso.

Pepe, idem.

Um já completou 36 anos, outro está quase a fazer 39. Mas ambos teriam lugar em qualquer selecção que disputa este Campeonato da Europa. 

Apontar-lhes agora a porta de saída, como agora faz tanta gente excitada nas redes sociais, não tem o menor sentido.

Os medíocres é que devem sair, não os campeões.

 

Qualquer selecção adoraria ter um Ronaldo: 109 golos marcados com a camisola das quinas, 21 só em fases finais de Mundiais e Europeus, 48 nos últimos 46 jogos em representação de Portugal.

É neste momento ainda o melhor marcador do Euro-2021. Em Europeus, só Platini (em 1984) e Griezmann (em 2016) marcaram mais. 

Na era Ronaldo, Portugal foi campeão europeu (2016), vice-campeão europeu (2004), semifinalista num Mundial (2006) e semifinalista noutro Europeu (2012). E o capitão contribuiu como nenhum outro para a conquista da Liga das Nações (2019).

 

Sou-lhe grato. E sei bem do que falo: pertenço a uma geração que andou décadas a celebrar um terceiro lugar num Mundial e uma semifinal num Europeu.

Era o melhor que se arranjava naquela época. Felizmente esse tempo acabou. 

A ver o Europeu (19)

320 204.jpg

 

MISSÃO CUMPRIDA: VENHA A PRÓXIMA

Missão cumprida. Conquistámos ontem o quarto ponto no nosso Grupo F - mais um do que na mesma fase do Europeu de 2016. Desta vez empatando com a França em Budapeste, num início de noite muito quente e num estádio Puskás a transbordar de espectadores. Transitamos assim para os oitavos-de-final, a disputar domingo contra a Bélgica. Superando um grupo mais difícil do que aquele em que estivemos inseridos há cinco anos.

Neste desafio contra a selecção campeã do mundo e vice-campeã da Europa, em que fomos a melhor equipa no primeiro tempo, o golo inicial foi nosso. Marcado pelo suspeito do costume: Cristiano Ronaldo, que há dias se estreou como goleador contra a Alemanha e agora repetiu a proeza frente à França. Penálti muito bem convertido, aos 30', castigando derrube de Danilo pelo guarda-redes Lloris, incapaz de travar o pontapé certeiro de CR7.

 

Fernando Santos fez duas mudanças no onze titular: deixou de fora William e Bruno Fernandes, fazendo entrar João Moutinho e Renato Sanches. A equipa ganhou dinâmica e consistência com estas trocas. Ao contrário do que sucedera contra a Alemanha, equilibrámos o meio-campo e fechámos os corredores. Melhorou o jogo colectivo e diminuíram muito os erros individuais: desta vez não houve autogolos (como os de Rúben Dias e Raphael Guerreiro) nem elementos passivos na organização defensiva (como aconteceu com Rafa, transformado em medíocre espectador do quarto golo alemão).

Era dia de efeméride: fez ontem 37 anos que as duas selecções se haviam defrontado na meia-final do Europeu de 1984, ingloriamente perdida (2-3) pela equipa das quinas já no prolongamento, com dois golos do saudoso Rui Jordão. Mas não estava escrito nas estrelas que a história iria repetir-se. Desta vez registou-se um empate a duas bolas. Com Cristiano e Benzema, antigos companheiros do Real Madrid, a bisarem - cada qual para seu lado. Três dos golos resultaram de penáltis. CR7 no momento já mencionado e aos 60'. O francês, mesmo ao terminar a primeira parte (45'+2) e logo no recomeço (47'), desta vez em lance de bola corrida.

 

Melhores em campo?

Do nosso lado, uma vez mais, Cristiano Ronaldo: já fez cinco golos em três jogos, lidera a lista de artilheiros do Europeu e acaba de igualar o iraniano Ali Daei como rei dos goleadores da história do futebol ao nível das selecções (109, no total). Também superou o alemão Klose como goleador n.º 1 em fase finais de Mundiais e Europeus (soma agora 20).

Mas também Rui Patrício, gigante na baliza lusitana: protagonizou aquela que é até agora a melhor defesa deste Euro-2021, aos 68', desviando um tiro de Pogba e travando logo de seguida um pontapé de recarga. Confirma-se, onze anos depois: continua imprescindível como titular nesta posição.

Destaque igualmente para Renato Sanches, o melhor dos nossos médios ofensivos, justificando a condição de titular. E para o nosso João Palhinha, que jogou toda a segunda parte como médio defensivo com o mesmo grau de eficácia que bem lhe conhecemos do Sporting.

 

O seleccionador promoveu as mudanças adequadas. Viria a trocar Bernardo Silva por Bruno Fernandes, Moutinho por Rúben Neves, Nelson Semedo por Diogo Dalot (em estreia absoluta pela selecção nacional) e Renato Sanches por Sérgio Oliveira. Sempre com o objectivo - em grande parte conseguido - de nunca perder o controlo do meio-campo. Isto explica o facto de raras vezes os astros da selecção gaulesa (Mbappé, Dogba, Griezmann) terem conseguido criar desequílibrios. 

Balanço provisório: já cumprimos os mínimos. Oito presenças consecutivas em campeonatos da Europa, oito qualificações para os jogos a eliminar. Com um aliciante suplementar: desde 1996 que não marcávamos dois golos à selecção francesa.

Conclusões? Palhinha merece ser titular, Renato também. Dalot (52.ª estreia na selecção A promovida por Fernando Santos) justificou a convocatória de emergência, por João Cancelo ter testado positivo à Covid-19. Sérgio Oliveira merece igualmente nova oportunidade. E vai sendo tempo de apostar enfim em Pedro Gonçalves: o melhor marcador do campeonato português não pode continuar de fora.

 

França, 2 - Portugal, 2

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Brilhou entre os postes ao defender um remate que levava selo de golo, disparado aos 68' por Pogba. Já tinha confirmado estar na sua melhor forma aos 16', quando impediu Mbappé, isolado, de rematar com êxito. Um baluarte do onze nacional.

 

Nelson Semedo - Fez a sua melhor partida do Euro-2021 neste confronto com os campeões do mundo. Sem as falhas posicionais que havia revelado no jogo contra a Alemanha. Tinha missão difícil: cumpria-lhe policiar o irrequieto Mbappé. Foi bem-sucedido. Saiu lesionado aos 79'.

 

Pepe - Outra missão de enorme desgaste. Mas o internacional de 38 anos, campeão europeu, não virou a cara à luta neste dia em que cumpriu a 118.ª internacionalização. Mostrou-se atento às movimentações de Benzema. Bom nos passes longos. Terminou o jogo exausto.

 

Rúben Dias - Discreto. Não complicou nem procurou inventar. Mas aos 47' cometeu um deslize que nos saiu caro: deixou Benzema ganhar posição e rematar com sucesso, fazendo o segundo golo dos franceses. Tarda em mostrar o que vale neste Campeonato da Europa.

 

Raphael Guerreiro - Tinha ordem para subir pouco pela sua ala e seguiu à risca a orientação do seleccionador. Aventurou-se só pelo seguro, evitando abrir clareiras no flanco esquerdo. Melhor momento, aos 49': um passe teleguiado para Cristiano Ronaldo, que o capitão desperdiçou.

 

Danilo - Boa primeira parte, desta vez actuando sozinho à frente da nossa linha defensiva. Cumpriu a tarefa com zelo e determinação. E até ousou incursões às linhas avançadas. Num desses lances levou uma cotovelada de Lloris que gerou penálti e o forçou a abandonar o jogo.

 

João Moutinho - Novidade no onze titular português sete jogos depois, substituindo William. Deu segurança ao meio-campo, assegurando ligação à linha ofensiva. Tentou sem êxito, por duas vezes, o remate de meia-distância. Falta-lhe condição física para durar 90': saiu ao minuto 73.

 

Renato Sanches - Desta vez foi titular, chamado a render Bruno Fernandes. Aposta certeira de Fernando Santos: o médio ofensivo do Lille merece alinhar de início. Dinâmico, combativo, recuperou bolas, acelerou o jogo, deu luta constante a Kanté, seu adversário directo. Saiu aos 87'. 

 

Bernardo Silva - Melhorou um pouco relativamente à partida anterior, mas continua sem justificar a presença no onze titular. Isolado em posição frontal, falhou o ataque à baliza aos 41'. Bateu muito mal um livre aos 63', atirando-a para fora. Saiu aos 72'. Merece ficar no banco. 

 

Diogo Jota - Demasiado discreto, parecendo fatigado, o avançado do Liverpool perdeu uma oportunidade de se mostar em grande nível com a camisola da selecção. Conduziu bem um ataque aos 42'. Constantes trocas posicionais com Cristiano. Foi-se apagando sem tentar o golo.

 

Cristiano Ronaldo - Novamente o homem do jogo. Sem vacilar na marca dos 11 metros, marcou duas vezes de grande penalidade - uma das quais ocorrida quando protagonizava um lance de ataque junto à linha de fundo. Com a energia habitual, destacou-se até em missões defensivas. 

 

Palhinha - Tardou, mas apareceu. E merece ficar no onze titular. Fernando Santos chamou-o ao intervalo para render Danilo, lesionado. O campeão nacional cumpriu com distinção. Na recuperação, no desarme, no passe de ruptura. Dois carrinhos consecutivos aos 71'. Excelente.

 

Bruno Fernandes - Só entrou aos 72', rendendo Bernardo Silva. Continua muito longe do fulgor a que nos habituou no Sporting e no Manchester United. Perdeu bolas aos 89' e aos 90'. Fez um corte temerário aos 90'+2 que deu a sensação de poder gerar penálti. Tem decepcionado.

 

Rúben Neves - Em campo desde o minuto 73, com a missão de substituir João Moutinho, cumpriu no essencial. Pausando o jogo, segurando a bola, ligando sectores, transmitindo tranquilidade numa altura em que a equipa precisava dela. 

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta na selecção A do ex-defesa portista, recém-sagrado vice-campeão europeu sub-21. Entrou aos 79' para o lugar de Nelson Semedo, preenchendo a lateral direita, e cumpriu no essencial.

 

Sérgio Oliveira - Último a entrar em campo, estavam decorridos 87'. Rendeu Renato Sanches, já muito desgastado, e teve como missão essencial contribuir para fechar o nosso corredor central. Assim aconteceu.

Imbecis

EjzNjuGXgAEg7xv.jpg

 

Depois destes dois jogos do Euro-2021, com Cristiano Ronaldo a marcar três golos e a dar mais um a marcar, ainda há (supostos) portugueses a desancar o homem nas cloacas sociais. 

Devem ser os mesmos que quando o vêem por aí, nos esporádicos regressos dele a Portugal, desatam aos gritinhos "Messi, Messi!"

Cambada de imbecis. Não merecem ser contemporâneos do melhor futebolista português de todos os tempos.

Sim, ele está velho!

«[Cristiano Ronaldo] cortou de cabeça na sequência de uma bola parada da seleção alemã e correu, correu, até fazer o 1-0. Em apenas 14 segundos voltou a fazer história e marcou pela 1.ª vez à Alemanha.

Cristiano Ronaldo colocou Portugal a vencer frente à Alemanha, este sábado, numa jogada que fica marcada, imagine-se, por mais um sprint fantástico do capitão da seleção nacional.

Na sequência de um pontapé de canto dos alemães, Ronaldo (em 14 segundos!) corta a bola de cabeça e faz o caminho de uma área à outra, a tempo de transformar em golo a jogada conduzida por Bernardo Silva e Diogo Jota. E até desacelerou para acompanhar a jogada.»

 

cr-0a.jpg

cr-0b.jpg

cr-0c.jpg

cr-01.jpg

cr-10.jpg

cr-22.jpg

cr-31.jpg

cr-40.jpg

cr-51.jpg

cr-60.jpg

cr-71.jpg

cr-80.jpg

cr-91.jpg

cr-97.jpg

cr-99.jpg

Fotogramas retirados deste vídeo: https://twitter.com/RuiMatosPereira/status/1406323130528931840

A ver o Europeu (14)

320 204.jpg

 

PÉSSIMA EXIBIÇÃO CONTRA A ALEMANHA

Tudo quanto podia correr mal, correu mesmo à selecção portuguesa no embate contra a selecção alemã, que hoje conseguiu os primeiros pontos no Euro-2021. Dois autogolos (primeiro por Rúben Dias, depois por Raphael Guerreiro), exibições desastrosas dos nossos flanqueadores, incapacidade total de garantir a vantagem obtida cedo no marcador, dois golos sofridos em quatro minutos ainda no primeiro tempo, quando parecíamos jogar sem lateral direito. Para cúmulo, um monumental tiro de Renato Sanches a embater com estrondo no poste quando ainda era possível uma reviravolta no resultado.

Fomos derrotados por 4-2, para gáudio dos cerca de 20 mil espectadores nas bancadas do estádio de Munique - segundo confronto consecutivo que travamos em casa da selecção adversária. E no entanto até fomos os primeiros a marcar, estavam decorridos 15', num rápido contra-ataque iniciado por Bernardo junto à linha direita e a centrar cruzado para Diogo Jota, que recebeu bem e assistiu para Cristiano Ronaldo, com Neuer impotente para impedir o golo. O nosso capitão marcou assim o seu terceiro no Euro-2021. Que é também o 107.º da sua carreira na equipa das quinas. E o 12.º que marca em fases finais de campeonatos da Europa.

 

Os quatro golos da Alemanha ocorreram na esquerda após passes a partir do flanco oposto aproveitando uma exibição desastrosa de Nelson Semedo, que foi um passador na posição de lateral direito: Gosens, ala esquerdo alemão e titular da Atalanta, fez dele o que quis. Marcou um golo, assistiu para dois e participou na construção do outro, impondo-se como melhor em campo. 

Os erros defensivos da selecção nacional começaram a partir da linha do meio-campo: Bernardo Silva nunca recuou em apoio do sector mais recuado e foi bem substituído ao intervalo, dando lugar a Renato Sanches. Mas do lado oposto as coisas não estiveram melhor: Raphael Guerreiro foi sempre muito frágil a defender e quase inexistente a atacar, destacando-se pela negativa ao marcar um autogolo aos 39'. Rúben Dias oscilou igualmente entre o mau e o péssimo, marcando também na própria baliza, aos 35'.

Incompreensível foi o facto de Portugal só ter feito cinco faltas em toda esta partida. Como se quiséssemos facilitar a vida à equipa anfitriã.

 

Reduzimos para 2-4, aos 67', com Ronaldo e Jota a inverterem papéis: o melhor do mundo assistiu, dominando muito bem a bola junto à linha de fundo, e o avançado do Liverpool encostou. 

Abria-se uma ténue luz de esperança, reforçada com o petardo de Renato ao poste. O médio do Lille implora por titularidade no onze nacional. Foi o nosso segundo melhor em campo, com o terceiro posto a ser ocupado por Pepe - único elemento do bloco defensivo com nota positiva. O melhor, para não variar, foi Cristiano: em muitos períodos do jogo, dava a sensação que só mesmo ele queria virar o resultado. Não merecia, de todo, esta derrota. 

Esperemos que a exibição e o resultado sejam muito melhores no próximo embate. Será na quarta-feira contra a poderosa França, campeã mundial, que hoje empatou 1-1 com a Hungria. O que baralha ainda mais as contas do nosso Grupo F.

 

Alemanha, 4 - Portugal, 2

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Sofreu quatro golos, marca inédita na selecção desde que é conduzida por Fernando Santos. Sem culpa em nenhum deles. E ainda impediu pior, aos 44' e aos 45'+3. Má reposição de bola em diversas ocasiões.

 

Nelson Semedo - Gosens ganhou-lhe sistematicamente todos os duelos. Os quatro golos alemães nasceram ou concretizaram-se na zona que lhe estava confiada. Ter recebido pouco ou nenhum apoio do colega da frente serve-lhe de atenuante, mas não o desculpa.

 

Pepe - Acorreu a várias situações, procurando corrigir erros posicionais dos colegas. Bons cortes aos 23' e aos 36'. E ainda foi lá à frente tentar o golo, em bola parada, aos 89'. Inesgotável energia anímica. Mas não pôde evitar os erros dos colegas, nomeadamente nas situações de autogolo.

 

Rúben Dias - Pareceu perdido neste jogo. Aos 24', fez um corte defeituoso que podia ter gerado uma situação de perigo. Aos 34', marcou na própria baliza, facilitando a vida aos alemães. Muito intranquilo, continuou sem sombra de inspiração. Entregou a bola aos 65', voltando a errar.

 

Raphael Guerreiro - Lento, sem confiança, totalmente desinspirado a defender. Aos 39', comete dois erros capitais: coloca um adversário em jogo e logo a seguir é ele a introduzir a bola na própria baliza. Pondo a Alemanha pela primeira vez em posição favorável neste encontro.

 

Danilo - Médio defensivo posicional, acabou por prestar pouco apoio ao bloco mais recuado. Muito macio, evitando recorrer a faltas, sem iniciativa na construção. Faltou-lhe acutilância, intensidade e capacidade de reacção para fechar o corredor central.

 

William Carvalho - De uma lentidão exasperante, revelando má condição física, permitiu que se abrissem clareiras no nosso meio-campo. Competia-lhe assegurar a transição para as linhas dianteiras, mas foi incapaz de cumprir esta missão. Deu lugar a Rafa aos 58'.

 

Bruno Fernandes - Outra partida muito apagada do melhor jogador da Liga inglesa. Precisa de jogar mais de frente para a baliza. Faltou-lhe bola, revelou défice na iniciativa atacante e nem fez a diferença nas bolas paradas. Saiu aos 64', dando lugar a João Moutinho. 

 

Bernardo Silva - Só jogou o primeiro tempo, com apenas uma acção positiva: o início da construção do primeiro golo português, que nos colocou em vantagem entre os 15' e os 35'. De resto, uma nulidade. Não fechou o flanco, não ajudou a defender. Já não regressou do intervalo.

 

Diogo Jota - Exibição positiva, apesar de tudo. Serviu muito bem Cristiano Ronaldo no primeiro golo, com excelente recepção de bola e assistência com um toque lateral do pé direito. CR7 retribuiu-lhe aos 67'. Substituído por André Silva aos 83'.

 

Cristiano Ronaldo - O capitão voltou a demonstrar que é indispensável na equipa das quinas. Marcou (15'), deu a marcar (67') e foi o mais inspirado e clarividente. O livre que propicia o nosso segundo golo resulta de uma falta sobre ele. Protagonizou bons lances aos 21', 70' e 90'+4.

 

Renato Sanches - Primeiro a saltar do banco, rendendo Bernardo na segunda parte. Está em boa forma, entende-se mal por que motivo não é titular neste Europeu. Bom na condução de bola, sólido nos confrontos individuais. Grande remate de meia-distância, disparando um tiro ao poste. 

 

Rafa - Entrou aos 58'. Desta vez não funcionou como talismã da equipa, ao contrário do que tinha sucedido contra a Hungria. Incapaz de fazer a diferença à frente, também deficiente a defender: permitiu Gosens fazer o que quis no quarto golo alemão (60').

 

João Moutinho - Em campo a partir dos 64', substituindo Bruno Fernandes. Teve tempo para perder várias bolas e errar vários passes. De positivo, o livre que marcou aos 67': daí viria a nascer o nosso segundo golo.

 

André Silva - Entrou só aos 83', substituindo Jota. Fazia todo o sentido ter alinhado como titular, pois sagrou-se segundo melhor marcador da Liga alemã. Pareceu algo desconcentrado, mas em boa verdade mal teve tempo para mostrar o que vale.

Os melhores prognósticos

Dois leitores do És a Nossa Fé estão de parabéns: Leãocabril e Verde Protector. Ambos acertaram em cheio no resultado do Hungria-Portugal. Mérito maior ainda por terem antecipado que Cristiano Ronaldo marcaria dois dos nossos três golos em Budapeste. Numa partida em que foi a figura do jogo, com aproveitamento de metade das oportunidades de que dispôs. Aos 36 anos, na quinta fase final de um Europeu, continua a ser o craque que sempre conhecemos. Não por acaso, em 2020/2021 foi o melhor marcador da Liga italiana. Depois de ter sido melhor marcador nos campeonatos inglês e espanhol.

Cada vez entendo menos quando vejo compatriotas tentarem denegrir este grande campeão, cujo profissionalismo é inatacável. Infelizmente, continua a ser um dos passatempos preferidos de muitos portugueses: encontrar defeitos em quem tem sucesso. Sem perceberem que a inveja faz muito mal à saúde.

Eficácia é isto

 

Um golo construído com 32 passes certeiros: os jogadores húngaros ficam a ver a bola passar durante um minuto e dez segundos. Um dos melhores golos jamais alcançados pela selecção nacional. Foi o 106.º golo na carreira de Cristiano Ronaldo - demonstração suprema de futebol colectivo.

O mundo inteiro tem revisto esta jogada exemplar. E aplaude-a sem reservas. Eficácia é isto.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D