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És a nossa Fé!

O dia em que Portugal "caiu fora"

Acabo de chegar da Casa de Portugal em São Paulo. Fui assistir sozinha ao jogo entre Portugal e o Gana.

Gosto de exercitar a dúvida - será que é mesmo assim? será que tudo está perdido? - e sou por natureza uma optimista. Acredito que há sempre um novo dia, vinte quatro horas em que nos podemos reinventar. E por isso quis acreditar num milagre. O taxista bem disposto lá foi dizendo "Portugal vai marcar, nê? Tem que" e me dá tchau com um sorriso do tamanhão do Brasil.

 

Embrulhada na bandeira, rodeada por "patricios", fiz promessas cabeludas - se a selecção se qualificasse beijaria todos os Manueis, os protagonistas das piadas sobre portugueses Brasil, que conheço - , coloquei um chapéu ridículo com um galo de Barcelos na cabeça - se todas as cartas de amor são ridículas o que dizer dos fanáticos (as) pelo futebol -  e desejei muito a vitória.

Desejar, verbo intransitivo, é a insatisfação que nos faz mover, estar a caminho. Mesmo sabendo que o Happy End pode não se concretizar resta a hipótese. Ainda que os momentos de felicidade escorram por entre os dedos como areia, sejam auto-golos, ou aqueles que o Ronaldo não celebrou (infelizmente porque aqueles abdominais deixam saudades). Aprendi com o meu pai, que chorava a cada golo, que os sonhos não devem ser desperdiçados.

 

Tantos se esquecem de viver o quotidiano, as pequenas alegrias, em troca dessa quimera chamada perfeição. Se a vida fosse um "comercial", um desses geniais da Skol, o "craque", transportando  a esperança de tantos na ponta dos pés, teria marcado, um e outro e outro golo fantásticos, levando ao êxtase as arquibancadas. Porém na vida, aquela a sério, não a do photoshop, há mais príncipes encantados a transformarem-se em sapos do que sapos a transformarem-se em príncipes encantados. Ou dito de outra forma, os dias são imperfeitos, como as famílias, os filhos - surpreendo-me sempre com o que sinto quando me despeço da minhas filhas e sobre como é possível gostar tanto, tanto - ou um grande amor. É essa imperfeição, são esses cantos que às vezes ferem que nos recordam que estamos vivos e nos fazem mover. Desejar, verbo intransitivo. Escolher como olhamos para a vida é um acto de liberdade.

 

E o que é isto tudo tem a ver com a Copa? Tudo. Porque "futebol se joga na alma./ A bola é a mesma: forma sacra/para craques e pernas-de-pau. /Mesma a volúpia de chutar /na delirante copa-mundo/ ou no árido espaço do morro".

 

O futebol é assim. Cheio de desimportâncias. 

 

Enfim, reconciliei-me com o Ronaldo. Lembro-me que o Baggio, o melhor do mundo em 1993, falhou o penalti decisivo contra o Brasil, Ronaldinho, o melhor do mundo 2005, não fez um único golo na Alemanha em 2006, Messi, o melhor do mundo(gassppp como me custa escrever isto) passou o Mundial da África do Sul sem marcar e viu a Argentina ser afastada pela Alemanha por 4 a 0. Para o Ronaldo "aquele abraço" e agora só tenho de resolver um dilema, uma vez que vou estar até à final no Brasil: apoiar esse amável Brasil (que amo tanto), apoiar a rainha má Alemanha (a minha pátria afectiva) ou torcer por um underdog ou uma underbitch (a Grécia não, a Grécia não).

 

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