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És a nossa Fé!

Mais uma crónica na Estação Tola

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Se há altura do ano em que a conversa fiada e a especulação sobre a bola é legítima e até recomendável é nesta época estival, também conhecida como tola, em que as equipas se preparam e os adeptos se enchem de expectativas para as competições que tardam em recomeçar. Na verdade por estes dias o calendário futebolístico inicia-se cada vez mais cedo, um fenómeno que também vem acontecendo com o ano lectivo que roubou o mês de Setembro aos nossos miúdos que nem sonham como era ocioso e estruturante o longo Verão dos seus pais. Este ano o Campeonato Nacional que modernamente se chama “Liga” (os portugueses são peritos em mudar os nomes às coisas convencidos que dessa forma as mudam) começa na primeira semana de Agosto, entrando pelas nossas férias adentro, quando os adeptos deviam estar, não nas bancadas dos estádios, mas à beira-mar a ler preguiçosamente novidades sobre reforços milagrosos e as tácticas inexpugnáveis que dizimarão os adversários, atrasando a leitura do clássico que estava prometida para estas férias. 

Mas a verdadeira e grande novidade da época futebolística que se avizinha é sem dúvida o vídeo-árbitro. Este novo actor, mais do que revolucionar o futebol que passará a ter mais uma ou outra paragem inócua, que estou convencido trará mais justiça e transparência à disputa, acima de tudo promete incendiar ainda mais a indústria do comentário futebolístico em grande expansão nos canais da televisão por cabo. A coisa promete, pela simples razão de que muitas das decisões dos árbitros, mesmo com a ajuda do vídeo, continuarão a ser subjectivas e falíveis, dependendo da perspectiva (da cor da camisola) do observador: o milímetro a mais ou a menos do fora de jogo indefinido, a bola na mão ou a mão na bola dentro da grande área - ou a milímetros do seu limite; já para não falar da apreciação à intensidade do contacto do defesa que derruba – ou não - o atacante e da (in)justiça do consequente castigo máximo. Com a agravante das decisões de agora em diante provirem de uma análise ponderada. Por isso não vão faltar teorias da conspiração e toda a sorte de condenações e pressões sobre… o vídeo-árbitro. Se é previsível que o uso das tecnologias irá beneficiar a justeza das decisões em campo e o futebol atacante em geral, o vídeo-árbitro passará ele próprio a ser mais um inevitável protagonista do espectáculo, condenado umas vezes, exaltado outras tantas, em debates insanos por essas televisões afora.
Pela parte que me toca, continuarei a privilegiar o espectáculo do futebol dentro das quatro linhas, onde ele possui uma inegável e entusiasmante beleza. O seu prolongamento será feito à maneira antiga, ao vivo e com alma, à boa conversa ao balcão do café com os vizinhos, ou com os amigos numa aprazível esplanada. Venha daí então o campeonato que desta vez é que vamos ganhar.

 

Publicado originalmente por simpático convite no blogue Delito de Opinião

Porta Rui Patrício

Há pouco mais de um ano, quando concorri ao lugar em que agora trabalho, tive que mudar a minha residência para Évora. Com pouquíssimo tempo disponível, procurei uma casa que tivesse o número de quartos necessário (tenho 3 filhos e muitos livros) e um quintal para o Stromp, tudo isto dentro do centro histórico. Numa das agências que contactei, a senhora acabou por me falar numa casa com as condições que pretendia, embora com muitos receios, porque os senhorios estavam interessados apenas na venda. Chamou logo a atenção para a impossibilidade de usar a garagem por estar cheia com o mobiliário e outros bens dos donos da casa. Sem problemas.

Combinámos encontrar-nos no local. Descemos a rua, à procura de uma casa que correpondesse à descrição e com uma garagem ao lado. A única que encontrámos tinha a porta vermelha. E as janelas vermelhas. E o portão da garagem vermelho. Olhámos uns para os outros, até que um deles se atreveu:

- Mãe... porta vermelha...?

- Calma, ainda não vimos a casa, pode ser que valha a pena.

Ao chegar, a senhora da imobiliária fez-nos sinal:

- É mais para baixo, nem é bem nesta rua, é aqui numa travessa.

Dobrámos a esquina e..."É aqui." Olhámos outra vez uns para os outros:

- Mãe! As portas são verdes! E mãe, é o número 1, é a porta do Rui Patrício!

Ficámos com a casa. Até tinha quintal para o Stromp!

Em calhando...

Lembro-me bem, Filipe: vinha eu ontem de Alvalade a digerir o melão do empate com o Moreirense enquanto pelo relato da telefonia escutava os comentadores de serviço a tecer rasgados elogios à equipa azul e branca, que já falhara várias ocasiões de golo, na exacta medida em que depreciavam a postura constrangida do Benfica, esmagados que estavam com a autoridade dos donos da casa. Até que o Lima marcou o primeiro golo, julgo que pouco depois da meia hora de jogo. “Olha-me a sorte dos lampiões… calhou!” Foi o que eu pensei. Confesso que não vi o resto do jogo, que esta coisa de um pai de família quando chega a casa tem outras prioridades e contrapartidas a prestar, principalmente quando passou a tarde de Domingo precisamente na bola. 

Vem isto a propósito do estranho e súbito veredicto repetido mil vezes pelas sumidades da bola que enxameiam os canais por cabo e os jornais da especialidade ou nem por isso, que a malta consome na ânsia de prolongar o gozo da vitória ou encontrar bodes expiatórios que amenizem a depressão da derrota:  a vitória do Carnide reflectia afinal uma exibição brilhante e uma extraordinária estratégia por parte de Jorge Jesus
Ora acontece que, tão certo quanto Jorge Jesus ser um bom treinador, os resultados do futebol dependem em grande medida do factor “calhar”, que os portugueses tão bem exprimem com o “em calhando”. Acontece que "em calhando" uma ou duas bolas na trave, um montículo de relva que desvia a bola, podem custar três pontos. Não, não é só do campo inclinado pelo árbitro vendido, da capacidade de liderança do treinador, da qualidade táctica e técnica de um mais ou menos harmonioso conjunto de jogadores que depende um resultado da bola. Em calhando num dia mau ou num dia feliz, perde-se ou ganha-se um jogo, essa é que é essa! Com a regra do “em calhando” perdem-se campeonatos e despedem-se treinadores. A regra do "em calhando" é preponderante e obviamente não é a única com influência no resultado, mas é precisamente essa que dá magia ao futebol: o Benfica ontem jogou pouco, mas calhou ganhar - ficaram felizes os lampiões, não há quem os ature. E a segunda parte do Sporting seria suficiente para a vitória... mas não calhou. De resto, caro Filipe, se não sabes ficas a saber que esta regra é verdade cientifica, excepto com os chatos dos alemães.

Crónica de uma noite de quinta-feira

Quase duas horas de sofrimento, às voltas com a evolução das bibliotecas na Áustria, enquanto o Rui Patrício defendia bolas impossíveis. Capel fez o passe, Wolfswinkel marcou e eu descobri que em 2007 os austríacos desenvolveram esforços de preparação de uma nova lei de bibliotecas. Xiiii... foi cá uma alegria! O pior foi depois, não consegui encontrar a lei porque não percebo nada de alemão, e o Genk marcou o golo do empate.

 

É aborrecido, percebem? Há pessoas que se conseguem desenrascar bem com a ajuda do árbitro, perdão, do google tradutor, e conseguem marcar uns penalties, que é como quem diz, perceber qualquer coisita. Eu já tentei, confesso, mas no produto final acontece-me ter num mesmo texto uma afirmação e o seu contrário. Umas vezes é falta para segundo amarelo e outras não, estão a ver?

 

De forma que vou tentando, palavra a palavra, mas há dias assim como este, em que tento perceber o que estou a ler e só me saem bolas à barra, ou pr'as bancadas... Também havia um barulho estranho no auricular. Parecia um relato, mas era só um manifesto anti-Schaars.

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