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És a nossa Fé!

Futebol para quê?

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Primeiro fecharam o futebol. E depois a praia. E depois veio a polícia. E depois...

Na frase/poema erradamente atribuída a tantos autores (Brecht, Maiakovski, etc.), da autoria de Martin Niemöller, diz-se isto:

Um dia, vieram e levaram o meu vizinho, que era judeu. Como eu não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram o meu outro vizinho, que era comunista. Como eu não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram o meu vizinho católico. Como eu não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, levaram-me a mim. Já não havia mais ninguém para reclamar.

Niemöller (teólogo protestante), fruto dos tempos por que passou a Alemanha entre guerras, foi no início um "fervoroso" apoiante de Hitler, até que se foi apercebendo de quem era a "peça" e passou de apoiante a opositor claro, não sem antes ter tentado demover o ditador fascista da sua irracionalidade e loucura. Foi processado e enviado para o campo de concentração de Dachau, onde foi prisioneiro de 1938 até ao final da guerra. Faleceu em 1984, com 92 anos.

E o que tem isto a ver com os tempos que correm e com o título deste post, perguntarão. Pois tem tudo!

Não que o futebol seja a coisa mais importante na minha vida, de longe!

Ainda que o Sporting, e as suas idiossincrasias, me tolde por vezes o juízo e a falta de pudor de alguns agentes menos escrupulosos me deixe de cabelos em pé, o futebol tem uma importância relativa na minha vida. Mas tirarem-me o futebol?...

Isto sem um joguinho de bola já estava a ser uma seca, nem as repetições no canal da FPF disfarçavam a ressaca, mas valiam-me as caminhadas pela falésia e pela praia, antes ao fim de semana e agora, com o confinamento em casa, todos os dias ao final do período de trabalho (sim, sou daqueles que estão em teletrabalho), mas hoje, pimba!, veio a polícia e fechou-me a praia! A mim, que não tenho culpa nenhuma, que apenas faço o que o primeiro-ministro aconselha, um passeiozinho higiénico. E para que saibam, isto aqui é a bem dizer um deserto se contarmos apenas com os que cá vivem, todos juntos não fazem uma equipa de futebol (raios, o futebol outra vez, até parece...) e mesmo que saiam todos e mais os cães e mais os gatos, o mais perto que poderemos estar uns dos outros serão 9,15 metros (ups! Livre directo...), distância mais que suficiente para que os mosquitos que alguns possam projectar boca fora quando têm que gritar para se fazerem ouvir, por modos da distância, percebem, se evaporem pelo caminho e a rapaziada se mantenha sã que nem pera rocha, que é aqui vizinha. Mas isto estava calminho, o tempo estava uma merda e a gente ia fazendo os nossos passeios higiénicos, até que o sol se mostrou, a temperatura subiu um bocadinho assim e os tugas que foram mandados ficar em casa acharam por bem vir para a praia! Como se a água salgada, inda por cima fria cumó raio que a parta, fosse prima daquela coisa do gel que desinfecta e tal... Uma porra! Vinham aos magotes, uns armados em pinguins com as tábuas de engomar às costas e outros a espojarem-se na areia, a jogar futebol (ah! como eu compreendo esses...) com os putos, a obrigarem os cães a entrar na água gelada, onde eles não metiam os cotos, para irem buscar um cabrão de um pau, repetidamente...

Estava esta pouca vergonha em processo em curso e as autoridades fizeram o que se lhes exigia: Mandaram encerrar os acessos à MINHA praia. Ela não é minha, não é só minha, vocês entendem, mas vejam, eu não vou lá para a rua deles com um cão e um pau divertir-me, nem vou passar a ferro na entrada dos prédios deles. Prédios donde por acaso e atendendo ao que lhes dizem milhares de vezes por dia, não deveriam sair! E por causa destas alimárias  a minha vida está um inferno ainda um pouco mais inferno...

Primeiro acabaram-me com o futebol, mas eu como tenho um joelho de vidro fiz um enorme esforço mental e não me importei; depois fecharam a praia, mas como a água está gelada e há sempre o campo, eu condescendi, apesar de não poder ir aos ouriços; hoje logo pela manhã veio a polícia fiscalizar os abusos, mas eu, como até sou cumpridor, assisti de varanda (raios, Varandas!); depois, bem, depois ao final do dia, no tal passeio higiénico primeiro-ministró recomendado, pumba! As barreiras tinham sido afastadas e as fitas delimitadoras arrancadas e feitas desaparecer! Graças a Deus, a minha fé na humanidade renasceu! Niemöller, se fosse vivo, ver-se-ia obrigado a concluir aquele seu pensamento/poema/qualquer coisa, de outra forma. Talvez "e quando veio o vírus mortal, eu tomei medidas e fui para a praia".

Ó gentinha...

 

Também aqui.

Breve reflexão

Num destes dias li algures por aí que as datas no futuro passarão a definir-se por AC e DC, isto é, antes do Corona (AC) e depois do Corona (DC). Quase parece uma brincadeira, mas infelizmente não é.

Nada do que era antes desta pandemia ficará igual… e, quer queiram quer não, os clubes irão ser também vítimas deste surto epidémico que vai crescendo exponencialmente.

Seria assim bom que TODOS os dirigentes desportivos aproveitassem esta contingência para reformularem prioridades para os seus clubes, associações, federações.

O mundo jamais será o mesmo após esta luta.

Reguardando os chiffres, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24

chifres1.jpg

Desalentado, não, ele não queria ficá-lo e não o ficaria desse lá por onde desse! Quantos iam no seu encalço? Centenas? Milhares?

O que não o impedia de beber o seu cálice de bagaceira e de permaner impassível vendo a chuva cair. Um homem é sempre mais forte que uma multidão, desde que conserve o seu sangue-frio

O "post" anterior desta série foi publicado em 2020.01.05, precisamente, há 11 semanas, tantas quantos os jogadores de uma equipa de futebol.

Onze semanas, dez jornadas (parece muito tempo sem futebol, na vida, na morte, tudo é relativo).

Desde esse dia jogámos dez jornadas para o campeonato, um  jogo para a Taça da Liga, dois jogos na Liga Europa.

Na Taça da Liga fomos eliminados de forma justa mas ilegal, justa, o Braga jogou melhor futebol que nós, ilegal, há uma carga à margem das leis sobre o defesa do Sporting, antes do cruzamento que impede que o jogo seja disputado através de pontapés da marca de grande penalidade.

Na Liga Europa fomos eliminados de forma injusta mas de forma mais ou menos legal, basta revermos os dois jogos (alguns de nós, infelizmente, agora têm muito tempo para isso)* o Sporting foi, inequívocamente, melhor no conjunto das duas mãos, não tivemos nos dois jogos a "sorte" do jogo; tivemos nos dois a "falta de sorte" das arbitragens. 

(quem tem dúvidas é só rever lance a lance, o jogo em Alvalade e na Turquia, quais os lances que foram marcadas faltas, quais os que foram mostrados cartões, como foram decididos os lances dentro da área e fora da área, terá existido o mesmo critério?).

Não me apetece estar a esmiuçar tudo, jornada a jornada, todas estas jornadas, tiro o meu chapéu ao Pedro Correia, ao Luís Lisboa e ao Leonardo Ralha (espero não me estar a esquecer de ninguém) que conseguem fazer análises jornada a jornada, em cima de cada um dos jogos, eu, disse que o faria mas a carne é fraca (o tofu ainda pior) e às vezes a seguir aos nossos jogos apetece-me mais chorar que escrever.

Após 24 jornadas, o Sporting é quarto, ainda assim, com os mesmos empates do primeiro classificado e menos um que o Braga (terceiro classificado), com os mesmos golos sofridos que o terceiro classificado,26,com mais cinco golos marcados que o quinto classificado, o Rio Ave.

Nesta altura o Sporting é o único clube com um treinador que conta por vitórias todos os jogos efectuados, como treinador do mesmo, Rúben Amorim.

* na sexta-feira escrevi isto:

"O meu estado de espírito não é o melhor, este fim de semana "postarei" a razão, enfim, uns estão aborrecidos por não trabalharem, eu estou aborrecido, "é chato" por ter de trabalhar; apesar de...
Abraço, Edmundo (acho que não é tempo para guerrinhas é o tempo para unir o Sporting)"

num postal do Edmundo.

Imaginemos que uma pessoa está prestes a completar 52 anos de idade. Imaginemos que essa pessoa tem quase 30 anos de trabalho numa "sociedade anónima" detida a 100% pelo Estado.

Imaginemos que essa pessoa tem a esposa em casa com uma gravidez de risco, de muito risco, a cerca de um/dois meses do final da gestação (é/será/seria o primeiro filho de ambos, filho único e neto único dos dois lados).

Imaginemos que essa pessoa tem de continuar a ir trabalhar, diariamente, contactando com pessoas no local de trabalho, de atendimento ao público e com contacto físico (a não ser que vista um fato de pintor, o que não combinaria com o terno e a gravata) enfim, tantas precauções por um lado, tanto desleixo por outro [a questão não é a pessoa imaginária, são os outros que, supostamente, estão protegidos em casa e todos os dias correm o risco de ser contaminados].

Imaginemos que a entidade patronal lhe diz algo do género: "tu é que sabes, cinco faltas injustificadas são despedimento com justa causa".

Um pedido de esclarecimento à Mesa (da AG)

Ó senhor presidente Rogério Alves, agora que o nosso presidente foi requisitado, se ofereceu, está ao serviço do Ministério da Saúde, vá, neste combate que tem que ser feroz ao vírus do nosso descontentamento e sendo nisso os estatutos omissos, não será caso para nomear um presidente interino enquanto vigorar a dispnibilidade/mobilização de Frederico Varandas?

Diga lá qualquer coisinha, o amigo que parece que engoliu um trapo e de si nem novas, nem velhas, homem!

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