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És a nossa Fé!

"Esta sujeira de empresários"

«O fundador do Benfica era o grande Cosme Damião, um homem que tinha a quarta classe e que morreu cedo com uma tuberculose. Vivia numa casa muito modesta e fazia de tudo. Dizia que no dia em que o Benfica se tornasse um clube profissional acabava. Depois, quando se vê esta sujeira de empresários, isto e aquilo e do dinheiro que deixou de ter valor. O Benfica nasce de uma vontade do povo. Era impensável que o Águas ou o Coluna fossem jogar para outro lado ou que o Travassos viesse jogar para o Benfica. Havia um amor genuíno ao clube. Agora não, com estes presidentes, mediocridade e coisas que não me parecem sérias. Não sei se são ou não, mas não me parecem. Quero lá saber desses mercenários de merda.»

 

António Lobo Antunes, adepto do Benfica, em entrevista à edição de ontem do Diário de Notícias

Um apelo a Bruno de Carvalho

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 Cosme Damião à direita, na fila do meio, com o belo equipamento Stromp (Agosto de 1910)

 

Noto um traço em comum entre Cosme Damião e Eusébio da Silva Ferreira: ambos vestiram com orgulho a nobre camisola verde e branca.

Dois briosos Leões, portanto. Leão uma vez, Leão para sempre.

 

Cosme Damião jogou de verde e branco naquele histórico dia 27 de Agosto de 1910 em que o Sporting, em representação do futebol português, derrotou o Recreativo de Huelva naquele que foi o nosso primeiro desafio internacional.

Vencemos por 4-0, sem surpresa. Numa equipa que, além de Cosme Damião, integrou outras figuras míticas do universo leonino, como João Bentes e os irmãos António e Francisco Stromp (este marcador de dois dos golos).

 

Os benfiquistas contemporâneos devem seguir o exemplo de Cosme Damião, que treinou no Sporting, vestiu a camisola do Sporting, jogou pelo Sporting.
E gostou.

 

Daqui faço, portanto, um apelo ao presidente Bruno de Carvalho: é tempo de termos um espaço no museu do Sporting Clube de Portugal dedicado ao sportinguista Cosme Damião. Com imagens fotográficas, todos os recortes da imprensa da época e a camisola que esse denodado jogador envergou naquele desafio inesquecível. Ainda por cima com o nosso belo equipamento pioneiro - o equipamento Stromp, que bem merece tal destaque.

É mais que justo.

 

 

ADENDA: O Museu ficará também enriquecido com a camisola usada pelo Eusébio no Sporting Lourenço Marques e a reprodução do cartão de L. F. Vieira, sócio sportinguista.

Os postais do Martinho de Arcada

Ontem transcrevi um texto sobre Cosme Damião como atleta do Sporting. Este texto gerou algumas “borbulhas” para alguém que o vê como imagem imaculada de um outro clube qualquer. Resta-me somente dizer: paciência.

Segundo a lógica daqueles que padecem desta variante de urticária, o facto de Cosme Damião vestir a camisola do Sporting era sinónimo de representar Portugal.

Pois nós. sportinguistas, sabemos isso. Para os mais desatentos relembro que este clube se designa Sporting Clube de Portugal e não representa um qualquer bairro de uma qualquer cidade deste país. Repito: Sporting Clube de Portugal.

Sobre este clube, o nosso clube, hoje transcrevo um texto de uma das suas referências maiores: Francisco Stromp.

 

«Ao fim da tarde [Francisco Stromp] aparecia no Café Martinho, umas vezes à paisana outras vezes fardado. Como “capitão” de equipa, era responsável pelo envio de muitas dezenas de postais convocando os jogadores para os jogos e para os treinos. Muitas vezes a mesa do Café Martinho se transformou em secretária do Sporting...

Enquanto à volta brilhavam os escritores e políticos do tempo (Machado Santos, Rocha Martins, Brito Camacho, Fialho de Almeida, Gualdino Gomes e D. João da Câmara) no Café Martinho, Francisco Stromp apenas se preocupava com o expediente do futebol “leonino”. Como diziam os colegas: “Nem namoro em política - a sua amante é o Sporting”»...

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 29

Cosme Damião

«Cosme é convidado (juntamente com outros jogadores do Benfica) pelo Sporting para se deslocar a Huelva para um jogo contra esta equipa. (…) Por isso, [o Sporting] reforçou-se com alguns dos melhores futebolistas da capital. João Bentes, capitão do clube de Alvalade, convidou cinco jogadores das fileiras de outros clubes, incluindo Cosme Damião, jogador que se tinha vindo a destacar no panorama lisboeta, não só como futebolista, mas como desportista, capitão e organizador. (…). Foram convocados para essa aventura espanhola: Augusto Freitas; Henrique da Costa e Francisco Bellas; Cosme Damião (jogou a médio-direito), António do Couto e António B. da Costa; João Bentes (cap.), Luiz Vieira, Francisco Stromp, António Rosa Rodrigues e António Stromp.

O grupo português saiu do Barreiro no dia 25 de Agosto (sexta-feira), às 18:30, e chegou a Huelva, após uma longa viagem, no dia 26 (sábado), às 20:30. Equipados com o equipamento verde e branco leonino, o grupo (...) entra em campo no domingo, às 17 horas, vencendo com facilidade o conjunto espanhol por 4-0. A imprensa elogia a linha média dizendo que estes "ajudaram muito bem os forwards". E foi assim que Cosme Damião, provavelmente o maior símbolo do Benfica dos primeiros 50 anos da colectividade, vestiu a camisola do Sporting. Envergou-a com todo o respeito e dignidade, servindo o desporto e o país. Servindo, claro está, também o Sporting. Com integridade

 

Resta-nos a nós, sportinguistas, somente dizer: Obrigado!

 

In: SERRADO, Ricardo - Cosme Damião : o homem que sonhou o Benfica. 1ª ed. Lisboa : Zebra, 2010. p. 79

(nota: o sublinhado é meu)

{ Blog fundado em 2012. }

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