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És a nossa Fé!

Estarei atento

Espero que a mesma Direcção-Geral da Saúde que nos proíbe de frequentar os estádios para vermos jogos pré-pagos com bilhetes de época, em lugares ao ar livre, não se lembre de autorizar a presença de público nos desafios da "final a oito" da Liga dos Campeões, que decorrerão em Lisboa.

Recuso crer que o proibicionismo decretado para os meses de Junho e Julho possa ceder passo ao permissivismo em Agosto, sempre invocando critérios sanitários. Só porque será a UEFA a organizar aqueles jogos.

Estarei atento.

Um genuíno momento de alegria

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Quatro minutos da segunda parte do Portimonense-Gil Vicente de ontem. Lucas Fernandes acaba de fazer um grande golo, num disparo em arco fora da área, carimbando a vitória tangencial da equipa algarvia. Num estádio despido de público em consequência das dúbias normas sanitárias emanadas do mesmo governo que já autorizou os portugueses a frequentar restaurantes, teatros, cinemas, salas de concerto e centros comerciais.

Acto contínuo, os colegas de equipa romperam o gelo, envolvendo Lucas em calorosos gestos de júbilo pelo golo, que lhes valeria os três pontos. Mandando assim às malvas as draconianas recomendações da Direcção-Geral da Saúde, entidade que assobia para o lado quando toca a encher voos comerciais enquanto ordena que as bancadas permaneçam vazias: «Nenhuma competição pode ocorrer com público no interior dos estádios até ao final da temporada.»  Mesmo naqueles - e são muitos - que já nem se lembram da última enchente registada.

Manda o código de conduta em vigor que se imponha o "distancimento social" (estúpida expressão) num jogo de futebol, desporto que vive do permanente contacto físico entre os protagonistas, em situações que vão da simples disputa da bola à marcação de livres ou cantos. E, claro, dos instantes que se sucedem aos golos - expoente máximo desta modalidade que apaixona o mundo.

 

Fizeram os jogadores do Portimonense muito bem. Ao contrário do que sucede na Alemanha, onde se recomenda expressamente aos profissionais do futebol que «evitem contactos com as mãos para comemorar os golos», devendo usar-se em alternativa os cotovelos ou os calcanhares. Coisa mais imbecil.

Foi um momento de genuína alegria numa partida amorfa e cinzenta que assinalou o controverso regresso às competições nesta era pandémica: um futebol "mascarado", sem emoção e sem público.

Chamar-lhe "25.ª jornada da Liga 2019/2020", que fora suspensa três meses atrás, é um embuste. Porque estamos, na prática, perante um futebol de pré-época. Num contexto tão diferente e tão cheio de condicionalismos específicos que só num exercício de profunda abstracção podemos estabelecer linhas de continuidade entre um período e outro.

 

No final do jogo, o treinador do Gil Vicente falou como de costume, sem papas na língua. Dizendo em voz alta o que quase toda a gente pensa mas evita exprimir: «Os clubes aceitaram tudo o que a DGS propôs para retomar o futebol, mas não o deveriam ter feito. Futebol sem público não é o futebol a que estamos habituados. Precisamos de público.»

Fez Vítor Oliveira muito bem.

Os jogadores de Varandas (14)

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SPORAR

Foi o último a desembarcar: a sua contratação, por seis milhões de euros, foi anunciada a 23 de Janeiro. Veio já no mercado de Inverno, quando a pandemia iniciava a sua expansão a partir da China para o resto do mundo, seis semanas antes do prolongado "apagão" que se abateu no futebol devido ao novo coronavírus, agora prestes a ser retomado, num momento em que se registam cerca de 120 mil novas infecções diárias à escala global.

Andraz Sporar é esloveno mas jogava na Eslováquia, onde foi eleito jogador do ano em 2019. Enquanto outros chegavam com "cadastro", ele chegou mesmo com currículo, trazendo boa fama como exímio marcador de golos. Ao serviço do Sporar Bratislava marcou 34 na temporada 2018/2019. Quando saiu do clube, trocando a capital eslovaca por Lisboa, já levava 21 nesta atribulada época - incluindo 12 no campeonato, liderando a lista dos melhores marcadores. E, com seis golos apontados, mantém-se no topo dos artilheiros da Liga Europa, partilhando esta posição com Visca (Basaksehir), Morelos (Rangers), Jota (Wolverhampton) e Bruno Fernandes (Sporting e Manchester United).

Agora com 26 anos, Sporar colmatou uma inaceitável lacuna no plantel leonino. Com a saída de Bas Dost e a não-inscrição de Pedro Mendes nas competições nacionais, um Sporting em manifesta crise de golos actuou quase meia temporada sem ponta-de-lança alternativo: só havia Luiz Phellype para esta posição.

Mais depressa chegasse, mais depressa jogava. A 27 de Janeiro, o brasileiro lesionou-se gravemente, no início de uma partida em Alvalade frente ao Marítimo, ficando fora da competição para o resto da temporada. Estavam decorridos 15 minutos, Sporar teve de equipar-se e entrar de imediato em campo. Mas só marcou quase um mês depois, a 20 de Fevereiro, na vitória caseira contra os turcos do Basaksehir, para a Liga Europa. Teve ainda tempo para fazer o gosto ao pé mais duas vezes, marcando contra Boavista e Aves - neste já sob o comando de Rúben Amorim, mesmo antes da suspensão do campeonato.

Move-se bem dentro da área, baralhando as marcações, revela faro de golo e evidencia bons dotes técnicos. Se Bas Dost tinha direito a música própria em Alvalade, Sporar pode seguir-lhe o exemplo quando o nosso estádio voltar aos dias grandes, enchendo-se de público. Ele já provou merecer. E nós também.

 

Nota: 7

Estádios, aviões e televisão

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2 de Maio:
O transporte aéreo de passageiros vai ser limitado a dois terços da lotação normalmente prevista para cada aeronave, definiu o Governo, em portaria no Diário da República.

21 de Maio:
A partir de 1 de Junho, o transporte aéreo vai deixar de ter um limite máximo de lotação, anunciou o Ministério das Infraestruturas.

 

Comecei por não entender. Agora, até julgo que entendo. E, por isso mesmo, fiquei irritado. Refiro-me ao duplo critério que o Governo tem vindo a adoptar, distinguindo o futebol de outras actividades.

Há dias, numa das suas conferências de imprensa quase diárias, a ministra da Saúde revelou-se muito firme na contínua recusa de jogos presenciados nos estádios. «Haver as habituais concentrações em determinados espaços, por ocasião das competições desportivas, é evidente que é algo que não vai poder acontecer da forma a que estávamos habituados a assistir», declarou Marta Temido.

Atalhando neste discurso cheio de rendilhados, isto significa que todos continuaremos proibidos de frequentar os estádios. Os jogos que faltam para completar a temporada 2019/2020 ocorrerão à porta fechada. E, aparentemente, não serão transmitidos pela televisão em sinal aberto. Duas espécies de encerramento, portanto.

 

Há aqui vários erros que convém denunciar desde já. Que imperiosa lógica sanitária leva o Governo a interditar em absoluto estádios com capacidade para largos milhares de lugares sentados, ao ar livre, enquanto acaba de dar o dito por não dito, autorizando que sejam retomadas viagens aéreas - em cubículos estreitos, com ar rarefeito e onde as pessoas estão a centímetros umas das outras por vezes durante horas - sem qualquer limite máximo ao número de passageiros?

Alegam os decisores políticos que é vital proteger e revitalizar a aviação civil. Pois esta mesma lógica pode e deve aplicar-se à chamada indústria do futebol, que gera cerca de 80 mil postos de trabalho, directos e indirectos em Portugal e movimenta receitas que abrangem quase 1% do PIB nacional. 

É um absurdo manter as bancadas dos estádios vazias enquanto se enchem as cabinas dos aviões, em condições sanitárias de muito maior risco. Autorizar que pelo menos um terço dos lugares sentados nos estádios fossem preenchidos - nomeadamente pelos sócios que pagaram lugares de época - seria uma opção razoável. Tanto mais que o Governo - contrariando outra intenção inicial expressa em sinal oposto - acaba de dar luz verde à utilização de 14 estádios para disputar os jogos que faltam. Na prática, só não jogará em campo próprio quem não quiser.

 

Ao contrário do que sustenta a ministra da Saúde, as concentrações de maior risco a pretexto do futebol não ocorrerão junto aos estádios, mas longe deles. Em locais públicos e numa infinidade de reuniões privadas onde irá aglomerar-se muita gente, em todos os recantos do País, para assistir aos jogos caso se mantenha a intenção de que estes só sejam exibidos em canais codificados, nada acessíveis ao actual rendimento médio dos portugueses.

E é por isto que não entendo, de todo, o sururu criado em torno de Pedro Proença, só porque o presidente da Liga se atreveu a sugerir, em carta ao Presidente da República, a intervenção do poder político para que as partidas de futebol remanescentes possam ser exibidas em canais abertos, com a devia compensação financeira proporcionada com verbas públicas aos operadores televisivos.

Caiu o Carmo e a Trindade quando afinal Proença estava cheio de razão. Como o futuro próximo demonstrará.

Calendário

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25.ª jornada: Vitória SC vs. SPORTING CP – 4 de Junho – 21h15


26.ª jornada:
 SPORTING CP vs. FC Paços Ferreira – 12 de Junho – 21h15


27.ª jornada: SPORTING CP
 vs. CD Tondela – 18 de Junho – 21h15


28.ª jornada: 
Belenenses SAD vs. SPORTING CP – 26 de Junho – 19h15* 


29.ª jornada: SPORTING CP vs. Gil Vicente FC – 1 de Julho – 21h15


30.ª jornada:
 Moreirense FC vs. SPORTING CP – 6 de Julho – 21h00


31.ª jornada: SPORTING CP
 vs. CD Santa Clara – 10 de Julho – 19h15

 

32.ª jornada: FC Porto vs. SPORTING CP – 15 de Julho – 21h30


33.ª jornada: SPORTING CP
 vs. Vitória FC – 21 de Julho – 19h00

*sujeito a alteração

Daqui

A terceira volta

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Imagine-se um estádio onde se "joga" à porta fechada, sem público, com som de "música ambiente" para evitar o silêncio e fotografias de adeptos nas bancadas para fingir que há gente a ver ao vivo.

Imagine-se um "jogo" em que os jogadores tudo fazem para manter distância física dos rivais em vez de procurarem o contacto, se abstêm de tossir, espirram sempre para a dobra do cotovelo, engolem o cuspo e fogem da bola para evitarem contagiar ou ser contagiados num lance dividido. Com receio permanente de que lhes sejam imputadas responsabilidades por opções que não tomaram, como está patente no ponto 1 do "código de conduta" elaborado pela Direcção-Geral de Saúde: se algo correr mal, a culpa será deles.

Eis a "nova normalidade" da terceira volta da Liga 2019/2020. Com regresso agora previsto para 4 de Junho, como anunciou Pedro Proença, alterando a data inicialmente apontada pelo primeiro-ministro e assinalando que se trata da "25.ª jornada".

Está equivocado: o que vai acontecer - se acontecer - será algo inteiramente novo. Com regras diferentes e sem a salvaguarda de elementares princípios da equidade desportiva, fundamentais para a credibilidade da competição.

 

Sou contra a realização desta "terceira volta", inédita no futebol português. Por ferir de forma grosseira a verdade desportiva. Na primeira divisão, ao estabelecer regras diferentes para os clubes (umas equipas jogarão nos próprios estádios e outras não voltarão a jogar em casa). Entre a primeira e a segunda divisão, ao aplicar critérios antagónicos para o desfecho das respectivas ligas profissionais (prolongando uma e anulando outra). E sobretudo ao nível do chamado "Campeonato de Portugal", como o meu colega João Goulão já escreveu neste blogue em termos inequívocos.

A situações idênticas aplicam-se princípios que não podiam ser mais diferentes. Perante o aplauso dos basbaques e com o monolitismo acrítico a imperar entre os colunistas da imprensa. Opinando em causa própria, quase todos defendem que o futebol "regresse", mesmo que as regras sejam mandadas às malvas.



Fariam bem melhor os clubes em montar estruturas desportivas que atenuassem os efeitos de uma potencial segunda vaga desta pandemia, estabelecer regras de competição em reforço da transparência e salvaguardar os seus direitos numa altura em que se aproxima o fim do vínculo contratual de muitos jogadores. 

Acima de tudo, fariam bem melhor em rever de alto a baixo as suas precárias bases financeiras. O que vale para o conjunto da indústria futebolística, que tem movimentado fortunas muito mal distribuídas e tornou-se prisioneira de uma rede de intermediários sem escrúpulos. Estes agem como verdadeiros parasitas dos clubes ao ponto de lhes determinarem as prioridades orçamentais enquanto arruinam as carreiras de muitos futebolistas promissores, alvos de indecorosos leilões que mais parecem versões actualizadas das antigas "praças de jorna" para recrutar mão-de-obra.

E não adianta varrer a porcaria para debaixo do tapete: é cada vez mais evidente que o negócio não gera liquidez suficiente para manter tanta prosperidade de fachada e tanta ostentação postiça. Que sirvam de alerta peças jornalísticas como a da Eurosport, que há dias aludia ao FC Porto como «monumento em perigo».

 

Se este período de paralisia forçada imposto pela pandemia não serviu para reflectir sobre tudo isto, não serviu para nada.

Tem tudo para correr mal

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A Direcção-Geral de Saúde acaba de estabelecer um extenso rol de proibições como condição para o reinício das competições profissionais do primeiro escalão desta malograda época 2019/2020, ainda com cerca de 30% dos jogos por disputar. Este protocolo sanitário ameaça tornar inviável o recomeço do calendário desportivo, que já devia ter sido dado como concluído - à semelhança do que aconteceu em França, Holanda e Bélgica. 

Desde logo, o documento atira para cima dos clubes e dos próprios atletas toda a responsabilidade por um eventual surto de infecções que possa ocorrer no futebol português. O ponto 1 do documento negociado entre o Governo e os responsáveis federativos aponta-lhes de antemão o dedo acusador: qualquer malogro que ocorra no campo sanitário ser-lhes-á imputado. Daqui, o poder político lava literalmente as mãos, imitando um gesto que ficou célebre há dois mil anos.

Este extenso manual de procedimento, ontem divulgado em simultâneo pela Federação e pela Liga Portugal, impõe severas condições aos jogadores, incluindo o prolongamento do regime de reclusão domiciliária até ao fim das competições, a realização de contínuos testes de despistagem ao novo coronavírus e o estrito cumprimento das normas de distância sanitária em quase todas as etapas de treino.

Na prática, só deixarão de usar máscara durante os jogos. E viverão largas semanas numa espécie de prolongamento da quarentena antes imposta ao conjunto da população mesmo já não estando o País sob estado de emergência, sendo muito duvidoso o fundamento legal destas normas, aliás extensivas aos membros das equipas de arbitragem.

Alguns profissionais do FC Porto - incluindo o capitão Danilo - acabam de tornar público que rejeitam tais medidas, tornando ainda mais impraticável a imensa trapalhada em que o poder político e as autoridades federativas se envolveram para "devolver o futebol ao povo" e satisfazer os anseios financeiros de operadores televisivos e alguns emblemas desportivos.

Isto numa altura em que pelo menos oito jogadores estão comprovadamente infectados: três do V. Guimarães, três do Famalicão, um do Moreirense e um do Benfica. Sendo o futebol um desporto de intenso e constante contacto físico, aliás prolongado nos balneários, este prelúdio faz recear o pior quando faltam menos de três semanas para o anunciado recomeço do campeonato - que, caso ocorra, será sempre uma prova diferente da que se disputou até 8 de Março, embora mantenha o nome. 

Ou seja, tem tudo para correr mal. E se a Lei de Murphy prevalecer, vai correr mesmo.

E agora como vai ser?

Três jogadores do Vitória de Guimarães infectados com Covid-19. A três semanas do recomeço daquilo a que alguns ainda ousam apelidar de "campeonato". Num modelo que fere elementares regras de equidade da competição, dando a umas equipas a garantia antecipada de jogarem em casa enquanto outras sabem de antemão que só farão jogos fora.

Há quatro dias, a propósito desta pandemia que abala o mundo, interrogava-me aqui: «Na Alemanha surgiram agora dez jogadores infectados com o coronavírus. O que vai suceder se o mesmo acontecer cá?»

Não tardaremos a saber a resposta.

Eis-me a concordar com um benfiquista

INSENSATA, INJUSTA, ASSIMÉTRICA, POPULISTA

«Esta agora considerada e chamada retoma da época futebolística é insensata, injusta, assimétrica e populista. Insensata, porque vai decorrer com tais restrições que é tudo menos o futebol que sempre existiu: treinos multicondicionados, jogos à porta fechada, restrição de campos seleccionados, riscos de aglomeração fora dos estádios, etc. Clamorosamente injusta, porque a falsa rentrée favorece uns poucos em detrimento de todos os outros. (...) Assimétrica, não em função das questões desportivas, mas do todo poderoso dinheiro, com tomada de decisões diferentes para situações desportivas idênticas. Populista, porque é a cedência à excepção por medida, fortemente impulsionada pela simpatia política de dar "coisas boas" ao povo (...).»

 

CASOS SIMILARES, DECISÕES DIFERENTES

«É incompreensível que os desportos colectivos tenham sido dados como concluídos e o futebol não. Bem sei que parte deles - hóquei, andebol, basquetebol, futsal, voleibol - se realizam em recintos fechados, mas nestes casos também seriam à porta fechada. Alguns, por exemplo, como o voleibol até nem têm contacto físico. E há ainda o râguebi ao ar livre, também suspenso, não se compreendendo como é que para casos similares se decide tão diferentemente.»

 

PROFISSIONAIS DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA

«Mas a assimetria não é só com outros desportos associativos. É, igualmente, dentro do omnipresente futebol. A FPF decidiu - e bem - dar por terminadas todas as provas, ou seja, o chamado Campeonato de Portugal (3.º escalão), todos os escalões não seniores e o futebol feminino. Agora a Liga resolve dar por concluído o campeonato da 2.ª divisão (desculpem-me, mas nunca sei dizer as novas designações). Mas porquê? Percebo que haja menos condições logísticas para prevenir contaminações, mas, pelos vistos, a decisão foi tomada de chofre, sem se dar uma cabal e completa justificação. Reconhece-se assim que há profissionais de primeira e de segunda, clubes grandes, pequenos e miseráveis.»

 

BATOTA ANTI-REGULAMENTAR

«Tenho lido que se estão a avaliar os campos elegíveis para este torneio, sendo que uma das hipóteses é apenas a de considerar os estádios do Europeu 2004 (dos oito, quatro - Coimbra, Aveiro, Leiria e Algarve - não têm clubes na 1.ª Divisão...) Ora se assim for, estamos perante uma distorção da prova e das regras regulamentares do campeonato. Uma batota apriorística e anti-regulamentar. Ou seja, o conceito de jogar em casa ou jogar fora estará posto em causa, pelo que não há ligação com as 24 jornadas já realizadas. Assim se desvirtuará a verdade desportiva regulamentar. (...) Que grande confusão e contorcionismo para se concluir um agora nado-morto.»

 

Excertos de um artigo de opinião de António Bagão Félix ontem publicado no jornal A Bola. Os subtítulos são da minha responsabilidade.

Irão passar a jogar de máscara?

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Há coisas que custam a entender. Uma delas foi o anúncio, feito ontem pelo Governo, do regresso (sem espectadores) das competições referentes à primeira liga a partir do último fim de semana do mês que agora começa. É uma excepção dentro da excepção, pois os campeonatos das restantes modalidades colectivas (andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins, voleibol) já tinham sido declarados concluídos por via administrativa, sem haver campeão designado. Se esta disparidade já era digna de suscitar críticas, maior contestação deve merecer o duplo critério reservado ao futebol profissional: as regras agora anunciadas aplicam-se apenas ao primeiro escalão e não ao segundo.

Em nome de que equidade desportiva?

 

O mais incompreensível, para mim, é que este anúncio seja divulgado no mesmo pacote de medidas que reforçam as acções profilácticas no combate ao coronavírus.

Faz algum sentido decretar-se o uso obrigatório de máscaras no comércio, nos transportes públicos e em muitos locais de trabalho para prevenir a expansão da pandemia e autorizar-se em simultâneo o regresso da principal competição de futebol, desporto de permanente contacto físico e sem possibilidade de imposição de regras de "distanciamento social", desde logo nos balneários?

Antecipo a resposta: não, não faz.

Que exemplo dá o futebol à sociedade, com o beneplácito do Governo? Antecipo também a resposta: um péssimo exemplo. A menos, claro, que os futebolistas passem a jogar de máscara. 

 

ADENDA - Recordo que em França, na Holanda e na Bélgica o futebol profissional terminou antes de concluído o calendário previsto para as competições. E a Itália prepara-se para seguir o mesmo rumo, enquanto a Juventus antecipa que renunciará ao título sem mais jornadas disputadas em campo.

O FC Porto deve ser proclamado campeão?

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Começa a desenhar-se uma tendência: o coronavírus apressou mesmo o fim das competições futebolísticas europeias.

A 2 de Abril, a liga belga de futebol deixou-se de rodeios e anunciou o fim prematuro da temporada 2019/2020, quando haviam sido disputadas 29 jornadas: o Clube Brugge, que liderava o campeonato com 15 pontos de vantagem, foi declarado campeão, confirmando-se o Gent no segundo posto e consequente entrada na próxima Liga dos Campeões.

A 24 de Abril, foi a vez de a federação holandesa dar por finda a época 2019/2020. Neste caso adoptando um modelo diferente, como eu já tinha anotado aqui: sem atribuição de título de campeão, quando faltavam disputar nove rondas do campeonato. Com Ajax e Alkmaar em igualdade pontual no topo da classificação.

Já ontem, o Governo de Paris dissipou as dúvidas que restavam: o campeonato francês não será retomado, à semelhança de todas as competições desportivas referentes à época 2019/2020. Estádios e pavilhões permanecerão encerrados até Setembro. Não haverá sequer desafios à porta fechada, como a liga francesa de futebol havia sugerido, entre 17 de Junho e 25 de Julho. Ficam por jogar dez rondas, quando o Paris Saint-Germain liderava por larga margem - vantagem de 12 pontos com um jogo a menos - sobre o Marselha, segundo classificado.  

Parece vir a ser diferente o desfecho em países como Alemanha (com o possível regresso do futebol no fim de Maio) e em Espanha (onde as competições talvez possam retomar-se na primeira quinzena de Junho, algo ainda incerto).

Quanto a Portugal, saberemos provavelmente na próxima quinta-feira. Mas nesta fase já poucos se admirarão que as partidas do futebol profissional tenham mesmo chegado ao fim, o que abrirá um rombo financeiro em todos os emblemas desportivos portugueses envolvidos na alta competição.

Como escrevi há mais de um mês no És a Nossa Fé, só antevejo duas opções: ou o FC Porto é proclamado vencedor ou não haverá título de campeão nacional na temporada 2019/2020.

Chegou a altura de vos perguntar qual destes cenários preferem. 

O fim das claques?

A pandemia modificou por completo a face do futebol. Entre as incontáveis alterações já em curso ou que acontecerão num futuro muito próximo, inclui-se a drástica redução do papel das claques. Num mundo paralisado face ao medo da propagação de vírus (este e outros), em estádios sem público, com o futebol tendencialmente transformado em reality show só para consumo televisivo, a claque organizada deixa de fazer sentido.

Não sei se já pensaram como isto traça uma fronteira cronológica em clubes como o Sporting. Também nesta matéria o Covid-19 impõe uma mudança. Nada do que virá depois será como foi até agora.

O exemplo holandês

Enquanto noutros países europeus a indecisão prevalece, a federação holandesa de futebol já desfez as dúvidas: a época 2019/2020 terminou sem chegar ao fim, o que invalida a atribuição do título de campeão nacional. Isto porque não havia garantia de que, em tempo útil, as nove jornadas que estavam em falta pudessem disputar-se em circunstâncias idênticas às anteriores. Qualquer outro cenário violaria as regras básicas de equidade da competição.

Compreendo, portanto, o que leva os holandeses a decidir: não haverá subidas nem descidas de divisão e o título de campeão fica por atribuir. Como se esta temporada futebolística nunca tivesse existido.

O pior, por vezes, acaba por ser a indecisão.

Fumo verde?

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Também já tinha saudades de vos ver num relvado. 

Diz-nos Eduardo Quaresma que todas as medidas de segurança foram cumpridas. Quais serão?

Dizem-nos, Nuno Mendes e Eduardo Quaresma, que devemos ficar em casa.

Não sei quanto a quem lê, mas pela parte que me toca, gostei de ver sinais de retoma de alguma normalidade, trazidos pelo futuro: dois promissores leõezinhos que, acredito, ainda nos farão dizer muitas vezes... só eu sei, porque não fico em casa!

(Imagens: captura de ecrã efectuada nos respectivos perfis Instagram)

Futebol também é economia

Texto de Pedro Sousa

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As duas mais importantes batalhas que a sociedade tem que enfrentar nos próximos tempos sãoa luta contra o vírus invisível e a luta pela manutenção dos postos de trabalho e do respectivo "ganha-pão".

Não sendo o futebol produtor de um bem de primeira necessidade, teve a possibilidade de suspender a sua actividade por algum tempo. Mas tal como as outras actividades, ainda que adaptado aos tempos que vivemos, terá que voltar em breve. Isto se os agentes desportivos (jogadores, treinadores, dirigentes e demais pessoas que vivem directamente do futebol) quiserem defender a sua entidade patronal e, por consequência, a manutenção do seu "ganha-pão".

Um jogador de futebol profissional não é mais importante que um caixa ou repositor de supermercado, ou um trabalhador fabril, que ganham valores a rondar o salário mínimo e têm todos os dias de enfrentar o vírus por todos nós, mas também pela sua entidade patronal e pela manutenção do seu posto de trabalho.

 

O futebol profissional não é só desporto. É um importante produto económico (por isso, a necessidade de ganhar a qualquer custo que transforma isto em qualquer coisa pantanosa, que não é desporto) que movimenta milhões de euros e emprega milhares de pessoas.

Assim que os mais velhos e os que têm uma saúde mais frágil estiverem isolados e protegidos, mal surja uma melhor capacidade de enfrentar o vírus (material de combate e protecção disponível no mercado) a sociedade económica será reaberta (continuando, ainda assim, as normas de distanciamento social, entre outras) para que não aconteça uma crise económica, já esperada, de patamares catastróficos. Poderia surgir algo pior e mais mortal do que a pandemia que enfrentamos.

Quem assenta uma grande fatia dos seus orçamentos em contratos televisivos não tem outra hipótese que não continuar a vender o seu produto, ainda que sem o sal dos adeptos no estádio.

 

Olhamos para as declarações do presidente da Liga de Clubes. Ouvimos as "ameaças" que a UEFA faz às federações de não deixar os clubes participarem nas competições europeias se os campeonatos não terminarem em campo. E chegamos à conclusão de que quem manda quer salvar os clubes e os seus agentes. E a melhor forma de o fazer é competir. Também temos a noção de que os futebolistas, sendo também cidadãos comuns, são por princípio jovens saudáveis, rodeados de estruturas médicas capazes.

O jornal O Jogo fala de uma reunião entre Pedro Proença e os presidentes dos clubes para que o campeonato se conclua em seis semanas. O espaço temporal deverá ser os meses de Junho e Julho.

Notem que o nosso primeiro ministro nos encoraja a programar as nossas férias para o Verão (cá dentro). Mais uma vez a economia a sobrepor-se a um vírus que ainda andará cá em Agosto. Mais um sinal de que o factor económico, mais cedo ou mais tarde, irá prevalecer.

Por outro lado, o Benfica nunca deixaria o campeonato terminar assim. Só se estivesse em primeiro lugar. Mais do que a soma de uma taça ao museu é o prestigio que está em causa. Pode ser a diferença entre vender um Rúben Dias por 30 milhões ou 40 milhões.

 

Já tinha comentado aqui no blogue que achava, que o campeonato se iria disputar até ao fim. Continuando a ser do contra, ferindo, provavelmente susceptibilidades mais sensíveis, o mundo não acabou e, muito menos, o Sporting acabará. O futuro será mais risonho quanto mais cedo e melhor nos prepararmos.

O vírus não distingue homens. Mas a crise distingue os preparados dos impreparados.

 

Texto do nosso leitor Pedro Sousa, publicado originalmente aqui.

O futebol vai mudar de vez

Texto de JG

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O Covid veio obrigar a sociedade a repensar a forma como funcionamos. Haverá aqueles que aproveitam a oportunidade e aqueles que estão sedentos de voltar a "viver" como habitualmente.

Uns ganharão e outros continuarão na mesma apagada e vil tristeza.

 

No futebol vai ter que ocorrer uma revolução. Haverá um antes e um depois do Covid-19. O modelo económico em que assentava o futebol a nível global é insustentável no contexto de uma recessão destas proporções bíblicas.

Os grandes clubes, cujo poder assentava na forma como beneficiavam dos colossais fluxos de dinheiro - muito dele de origens mais do que duvidosas -, deixarão de ser veículos úteis para a continuação do negócio. Alguns sairão de cena. As grandes ligas, expressão de uma globalização supostamente imparável, irão encolher significativamente.

 

O nível local e regional vai readquirir muita da importância perdida. Os pequenos clubes podem ser grandes outra vez. A dimensão futebolística vai readquirir importância. A formação, a cultura desportiva, a implantação regional - todas irão sofrer uma revalorização.

Os jogadores, a pequena elite que ganhava em 3-4 anos dezenas de milhões de euros limpos, vai encolher de forma drástica. Há mercados que nunca mais voltarão a ser tão magnânimos: o chinês, acima de todos. Os super-agentes vão ter que passar a olhar para a "pequena gestão dos condomínios" em vez de apenas deitarem atenção aos "mega-projectos".

 

Vai haver uma enorme oportunidade para quem for capaz de navegar com tino nestes novos mares.

Não estou seguro de que tenhamos capital humano para esta empreitada.

 

Texto do nosso leitor JG, publicado originalmente aqui.

À porta fechada é a negação do jogo

Texto de João Gil

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O futebol à porta fechada nem como castigo devia ser legítimo nem legitimado. É a negação do jogo, do desportivismo e do negócio. Absolutamente contra, seja em que circunstância for, portanto.

O campeonato tem dois terços já jogados. Não choca declarar o campeão com base nas classificações à data da interrupção das provas. A alternativa seria a anulação das competições e isso parece pior.

Nenhuma é boa, é apenas uma questão de encontrar a menos injusta.

Vamos ter mais 15 dias de quarentena forçada, o que atira qualquer retoma de parte das actividades económicas para fim de Maio. Quer dizer que em Junho se verá onde anda o futebol no meio dos essenciais.

Os clubes se calhar serão obrigados a aceitar o que parece já difícil de contrariar (o fim prematuro da prova), preparar a próxima época e não hesitarem em ajustar-se rapidamente à realidade. Bom exemplo do aperto, como sempre, é o nosso SCP.

O Sporting, acaba de saber-se, não pagou a primeira tranche da indemnização devida ao Braga pela contratação do treinador. A pandemia é a desculpa. É mau sinal e certamente vai ter desenvolvimentos que vão diminuir a posição do Sporting na relação com o Braga.

O dinheiro (ou a falta dele) é que vai decidir como termina o campeonato.

 

Texto do nosso leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Uma enorme incógnita

Em Itália, já decidiram: não haverá jogos de futebol com público nas bancadas até estar comercializada uma vacina contra o novo coronavírus. 

Na Alemanha, a ordem é clara: todos os eventos que possam atrair multidões permanecem rigorosamente interditos pelo menos até ao dia 20 de Agosto.

Não custa vaticinar que em Portugal as restrições não andarão muito longe do modelo alemão. Podendo, no limite, seguir o modelo italiano. 

Cada vez se impõe mais esta evidência: o futebol, como espectáculo que conhecemos até agora, não volta a ser o mesmo. Isto provoca efeitos catastróficos num modelo de negócio que parece condenado para sempre. O que virá depois é uma enorme e angustiante incógnita.

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