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És a nossa Fé!

Assim está bem

A 19 de Julho, insurgi-me aqui contra o facto de a TVI24 incluir, no seu painel fixo de comentadores, em representação do Sporting, o mandatário de Bruno de Carvalho. Concluindo que isso não fazia qualquer sentido, em termos editoriais, nesta fase de pré-campanha para o escrutínio de 8 de Setembro.

Foi por isso com muito agrado o que vi há pouco: o tal arauto do proto-candidato deixou de integrar o referido painel, entretanto regressado de férias. Estando agora o Sporting representado por Rodrigo Roquette. 

Assim está bem.

Faz hoje um ano

 

Há precisamente um ano, o vídeo-árbitro estreava-se no estádio José Alvalade. Foi no jogo Sporting-Fiorentina, no âmbito do Troféu Cinco Violinos, que conquistámos ao vencermos por 1-0 a equipa italiana com a qual mantemos uma sólida relação de cumplicidade. 

Bas Dost marcara o golo, iam decorridos 28', quando o árbitro interrompeu a partida para consultar as imagens antes de validar o disparo certeiro do holandês. Ao princípio estranhámos, por falta de hábito. Mas não tardaríamos a confirmar que o vídeo-árbitro é um poderoso auxiliar da verdade desportiva. 

Éramos 37 mil espectadores ali presentes para saudar os jogadores e a equipa técnica, com a esperança sempre renovada. «Gostei do que vi. Uma equipa mais consistente e confiante, com maior solidez defensiva e uma apreciável qualidade de passe, desenhando boas jogadas no relvado de Alvalade e revelando capacidade de pressão sobre os adversários», escrevi aqui nesse dia 29 de Julho de 2017. Destacando as exibições de William Carvalho (a defesa central improvisado), Battaglia, Podence, Acuña e Gelson Martins. 

 

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Comentando no mesmo dia a introdução do vídeo-árbitro no futebol português, o Pedro Azevedo lembrava que este recurso tecnológico para a análise de lances controversos já existia noutras modalidades - designadamente o ténis, o râguebi e o futebol americano. 

E anotava aqui a reacção hostil de alguns "Velhos do Restelo" instalados nas pantalhas que logo se apressaram a contestar a nova medida. Com destaque para Ribeiro Cristóvão e Jorge Baptista. «Jogadores fazem grandes festas e depois não valeu... futebol é um jogo de erro, e o erro serve de discussão... para os jogadores é um quebra-cabeças, um bico-de-obra», objectou o primeiro. «Estão a matar emocionalmente o jogo, a pouco-a-pouco. Agora não, mas daqui a dez anos se calhar ninguém vai ao futebol», insurgiu-se o segundo.

Convém termos memória: estes comentadores, entre vários outros, militaram contra o vídeo-árbitro. E a favor do erro. Apetece perguntar, um ano depois, se algum deles já faz a indispensável autocrítica.

Enfim, sensatez

Após reunião entre o presidente do Sporting e a esmagadora maioria dos comentadores leoninos que costumam marcar presença em canais de televisão, ficou assente que "é fundamental defender o Clube perante uma comunicação social que, genericamente, tem desrespeitado de forma sistemática a Instituição e o bom nome dos seus dirigentes". Neste pressuposto, existe acordo para que todos se mantenham nas estações televisivas a que já habituaram sócios e adeptos enquanto espectadores dos programas desportivos.

Enfim, sensatez: nem poderia ser de outra forma. Congratulo-me muito com isto.

Obviamente

«Obviamente, qualquer comentador sportinguista - incluindo aqueles que estão ligados ao clube enquanto funcionários - não irá abandonar os seus programas ou dizer que não aos convites que têm. Pelo contrário, isso é uma forma de o Sporting estar presente e ter uma voz activa. Porque se, por absurdo (é evidente que isso jamais aconteceria em três milhões e meio de sportinguistas), todos dissessem que não, o Sporting deixaria de ter voz activa para se autodefender nesses programas e nessa forma de comunicação.»

Jaime Mourão-Ferreira, sábado à noite, na CMTV

 

«Não fujo aos meus compromissos. Naturalmente que não vou abandonar para já o Dia Seguinte. Tenho um compromisso com a SIC Notícias e tenho muito gosto em estar no Dia Seguinte. (...) Fui apanhado de surpresa, não fui informado da situação. Seria natural que eu fosse previamente informado que poderia haver esta decisão. Não fui ouviido nem achado, portanto, numa decisão em que cada um de nós tem as suas responsabilidades e assume os seus compromissos. Naturalmente, penso que devíamos todos ter tido uma conversa prévia sobre esta matéria. Mas não houve.»

Paulo Andrade, sábado à noite, na SIC Notícias

 

«Aqui na RTP, eu não sou comentador do Sporting. Sou um comentador desportivo, sou um comentador independente, sou um comentador livre. Nunca recebi cartilhas ou recados para falar neste programa para agradar a este ou agradar àquele. Sou um comentador independente e ajo pela minha cabeça, não ajo pela cabeça dos outros.»

Augusto Inácio, domingo à noite, na RTP 3

 

«Trabalho em televisão há 25 anos. Este é o meu métier, é aqui que eu estou. A TVI convidou-me para mais este programa de televisão, tenho compromissos profissionais, tento respeitá-los. A essência do meu trabalho, a essência da minha vida, é a criatividade, é o pensamento próprio. Sou eu que decido os programas em que participo ou não. Não sou funcionário do clube, só passo recibos verdes à minha consciência e à minha liberdade. Não concordo com tudo quanto o presidente diz. Neste caso não concordo.»

José de Pina, domingo à noite, na TVI 24

Uma noite com muita azia

 

Jorge Baptista, SIC Notícias: «Não há grandes motivos para grandes celebrações do Sporting.»

 

Diamantino Miranda, TVI 24: «O Sporting foi feliz durante os 90 minutos.»

 

Manuel Queiroz, Antena 1: «O Sporting não foi a melhor equipa em campo. (...) Ainda se vai discutir muito o golo do empate.»

 

Ribeiro Cristóvão, SIC Notícias: «A haver um vencedor, o Vitória de Setúbal era o mais justo vencedor.»

 

Os zaragateiros

Já vai sendo tempo de alguém o dizer. Seja com Rui Vitória, Conceição ou JJ, começa a ser demasiado grave o que repórteres, pivots e comentadores fazem pelas audiências. Ignorando jogo, as opções estratégicas ou táticas, a escolha de jogadores, fazem uma pergunta geral inicial sobre o jogo, para logo depressa passarem a escarafunchar a ferida que estiver mais aberta – a substituição do Soares, a ida para os balneários, o diabo a 7 – fingindo-se de sonsos e anjinhos, jornalistas impolutos que procuram a verdade, quando o que querem é molho.
A verdade é que procuram picar e espicaçar os intervenientes no jogo, para logo de seguida moralizarem. Provocam, provocam, provocam, perguntando o que o outro perguntou há dois minutos, insistem, teimam em temas que sabem ser polémicos e de resposta tensa, à espera que Vitória, JJ ou Conceição se passem dos carretos, para depois dizerem “Ontem Vitória, JJ ou Conceição, reagiu assim quando lhe perguntaram não sei o quê”.
O que a abundância de televisões em diretos manhosos de pré-match, pós-match e comentário de bola estão a fazer é indigno da profissão de jornalista.
Ainda por cima muito criticam, em textos de opinião e outras intervenções, o “Guerra”, ou o “Serrão” (e demais comentadores que só lá estão uma vez por semana), quando são eles quem rega com gasolina todo o ambiente de modo intensivo e sistemático à espera da primeira faísca.  

 

O coro da lavandaria

«O Benfica fez uma excelente primeira parte (os melhores 45 minutos da época) e nada fazia prever o que se viu após o golo do empate do Rio Ave. (...) O 4x3x3 do Benfica tem um excelente comportamento com bola.»

Nuno Farinha, no Record

 

«O Benfica fez ontem uma grande primeira parte. O Benfica reduziu praticamente à insignificância o Rio Ave.»

Carlos Janela, na CMTV

 

«Não há crise na Luz. (...) Foi muito azar.»

Diamantino Miranda, na TVI 24

Ficaram em estado de choque

«A exibição do Benfica não teve ponta por onde lhe pegar. O Benfica foi enxovalhado pelo Basileia.»

Joaquim Rita, SIC N

 

«Foi escrita, no estádio St. Jakob-Park, uma das páginas mais negras na história do Benfica.»

Nuno Farinha, Record

 

«É uma vergonha. O Benfica podia ter perdido por sete ou oito!»

Diamantino Miranda, TVI 24

 

«Foi uma humilhação. O Benfica teve erros defensivos primários.»

Álvaro Magalhães, CMTV

 

«O Benfica não tem meio-campo. O Fejsa é uma peça que não resolve os jogos, o Pizzi desapareceu de circulação.»

Fernando Guerra, SIC N

 

«Foi uma das mais humilhantes páginas da história europeia do Benfica.»

José Manuel Delgado, A Bola

 

«Noite negra para os encarnados na Suíça. Somaram a derrota mais pesada da história do clube na Champions.»

Mário Figueiredo, Correio da Manhã

 

«É um pesadelo. É uma das páginas mais negras da história europeia do Benfica.»

Rui Pedro Brás, TVI 24

O erro, a mentira, a fraude

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Os inimigos do vídeo-árbitro devem ter-se congratulado: esta tecnologia esteve ausente do Manchester United-Real Madrid de ontem, em disputa da Supertaça Europeia. Vitória tangencial do Real, por 2-1, com um golo (o primeiro) marcado por Casemiro em nítido fora de jogo não assinalado pela equipa de arbitragem.

Mas, pensem eles o que pensarem, não podia haver maior cartaz de propaganda do vídeo-árbitro perante esta nova demonstração de falsidade desportiva traduzida em título para os merengues, ontem sem Cristiano Ronaldo a titular. O melhor jogador do mundo só saltou do banco aos 81 minutos, com o resultado já feito.

Espantosamente, no  canal público que transmitiu em directo a partida houve quem celebrasse a mentira, varrendo o rigor dos factos para debaixo do tapete. Foi o caso do comentador Bruno Prata, que num primeiro momento admitiu ter visto o jogador brasileiro "claramente adiantado" para depois conceder que "a diferença [face ao último defesa do Manchester] é muito pequena". Acabando por sentenciar: "Neste tipo de casos não podemos ser muito severos."

É assim que os comentadores de turno encaram a verdade desportiva: algo muito relativo. Por isso são quase todos contra a introdução do vídeo-árbitro. Um deles, com visível desdém, dizia há dias nem saber se esta tecnologia já está a ser aplicada em mais algum país da Europa além de Portugal. Ignorando que na Holanda, por exemplo, não só vigora mas foi vital para restabelecer a verdade desportiva na Supertaça disputada entre o Feyernoord e o Vitesse. Ignorando que já foi introduzida no Brasil e na Alemanha, por exemplo.

Ao contrário desses comentadores, não consigo compreender um futebol que convive tão bem com o erro grosseiro, que coabita de forma tão descontraída com a mentira, que pactua sem abalos de consciência com a fraude. Alguém se aproveita disto, seguramente. Mas não o desporto, que nada tem a ver com isto.

Direito à transparência

Janela "não confirma nem desmente" ser autor da cartilha lampiónica.

Nem precisa: o estilo, os temas e até o vocabulário utilizado denunciam-no. Como uma impressão digital.

Confessa entretanto o sujeito que tem uma empresa que trabalha "com vários clubes, nacionais e internacionais". Ora aí está um excelente início de conversa: saber quais são os clubes que lhe pagam, através da tal empresa. Com a certeza antecipada de que não é o Sporting, sobre o qual tem bolçado frases cheias de ódio vesgo e rancoroso. Falta esclarecer se isso também se insere no âmbito da relação de "trabalho" que mantém com outros clubes, servindo neste caso a estação de TV como involuntária barriga de aluguer.

Os telespectadores que assistem aos debates sobre futebol têm o direito - e até o dever - de exigir às empresas televisivas que esclareçam eventuais conflitos de interesses dos comentadores que contratam para os seus painéis.

Não basta reclamar transparência para o futebol em abstracto: é preciso fazê-lo no concreto. Começando precisamente por aqui.

 

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Adenda.

Oportuna pergunta do Mestre de Cerimónias: quantos jornalistas receberão os briefings e os usarão no seu trabalho?

As pitonisas

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«Madeira Rodrigues mostrou um discurso agregador. Não tenho a menor dúvida que Bruno de Carvalho foi goleado [no debate televisivo].»

Bruno Prata, na RTP 3 (23 de Fevereiro)

 

«Madeira Rodrigues pode ganhar as eleições. Bruno de Carvalho deixa o Sporting em cacos.»

Carlos Janela, na CMTV (23 de Fevereiro)

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