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És a nossa Fé!

Divagações em tempo de quarentena (1)

Tenho para mim que a fórmula de sucesso para o futebol do Sporting está há muito inventada, um plantel com 1/3 de jovens de elevado potencial, 1/3 de jogadores de classe com alguns anos de casa e o resto de "carregadores de piano" que saibam compensar com a garra e força do seu carácter as suas limitações técnicas, e por cima disso tudo um treinador disciplinador, exigente e inspirador. Foi assim com Malcolm Allison, foi assim com Boloni, podia ter sido assim com Bobby Robson.

Olhamos para o plantel actual do Sporting: dos 26 contam-se 9 sub-23, dos quais se destacam Wendel e Plata, um da selecção olímpica do Brasil, outro da selecção A do Equador, entre todos imagino que tenham um valor de mercado de cerca de 50M€. O terço de jovens de elevado potencial está lá.

Já quanto aos craques, e com boa vontade, apenas posso vislumbrar quatro: Mathieu, Acuña, Coates e Vietto.

E quanto aos carregadores de piano, os que lutam até ao fim e raramente comprometem, apenas posso vislumbrar cinco: Renan, Neto, Battaglia, Sporar e Luiz Phellype.

Sobram assim 8 em 26 que se afastam desta tipificação e que em meu entender pouco acrescentam ao plantel. Já têm 23 ou mais anos, e ou não são suficientemente bons ou não são suficientemente fortes psicologicamente, raramente resolvem e muitas vezes comprometem.

É muita gente e é gente que custou muito dinheiro. Não falando no caso muito especial de Francisco Geraldes, temos Ristovski, Rosier, Ilori, Borja, Eduardo, Bolasie (emprestado) e Jesé (emprestado) que penso que custaram cerca de 25M€. Salários à parte, excepto nos emprestados.

Obviamente que, com Rúben Amorim, um ou outro destes jogadores poderá revelar qualidades nunca vistas e demonstrar a sua importância, mas quando falamos num plantel pobre para as necessidades do Sporting este é o maior problema.

O outro é que com as saídas de Bas Dost e de Bruno Fernandes ficaram apenas quatro para fazer a diferença. E se Mathieu arrumar as botas, restarão apenas três...

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 
 

Do miserável comportamento dos dirigentes leoninos. Deixaram abalar por completo o balneário, num dia totalmente dominado pela notícia de que Silas seria o quinto treinador corrido em 18 meses do Sporting por Frederico Varandas, sem a menor intervenção no espaço mediático, deixando assim a equipa entrar em campo já derrotada. Não custa adivinhar o ambiente de cortar à faca no balneário, onde um técnico que já não o era, na prática, se sentiu obviamente impotente para juntar aqueles cacos. O resultado de tudo isto viu-se em campo desde o primeiro minuto. Perdemos 1-3, no terreno do Famalicão. E vemos o acesso à Liga Europa na próxima época cada vez mais longe.

 

Desta manta de retalhos com listas verdes e brancas. A desastrada política de contratações posta em marcha por Varandas, acolitado pelo director desportivo Hugo Viana, redundou nisto: um conjunto de 11 jogadores a que mal podemos aplicar o nome de equipa. Um conjunto que em cinco meses perdeu três dos melhores titulares: Bas Dost, Raphinha e Bruno Fernandes, vitais em 2018/2019 para a conquista de dois troféus. Todos tiveram substitutos claramente inferiores, como muitos de nós alertámos aqui. O resultado está à vista.

 

De Frederico Varandas. Assiste ao naufrágio da equipa profissional de futebol do Sporting com uma passividade chocante. E prepara-se para agravar a situação trazendo do Braga, a preço insustentável, um técnico que nem treinador é: estreou-se em Dezembro na Primeira Liga, onde até ao momento só cumpriu nove jogos. Palavras como mérito, esforço e excelência, neste Sporting, parecem ter emigrado para parte incerta.

 

De Hugo Viana. O que dizer dum director desportivo que passa o tempo atrás da cortina, jamais se expondo na praça pública mesmo nos momentos de maior crise anímica da equipa, e que parece privilegiar a contratação de amigos do Braga, onde jogou, valendo-se para o efeito do claro ascendente que exerce sobre um presidente que já demonstrou nada perceber de futebol?

 

De Eduardo.  Entrou de início, na aparente tentativa - inteiramente mal sucedida - de travar as investidas ofensivas do Famalicão. Entregou a bola ao adversário, falhou passes, foi incapaz de colocar a bola a mais de cinco metros e de progredir com ela controlada. Uma nulidade. Ao ser substituído por Francisco Geraldes, aos 75', concluiu-se o óbvio sem margem para dúvidas: permaneceu 75 minutos a mais em campo.

 

De Rosier. Enquanto Ricardo Esgaio, jogador formado no Sporting, brilha como lateral direito no Braga - nosso rival directo - temos de contentar-nos com o medianíssimo Rosier, sem categoria para jogar nesta posição no Sporting. Outra "pérola" descoberta pela dupla Varandas-Viana, a preço nada módico: custou 5,3 milhões de euros, acrescidos da entrega ao Dijon do passe de Mama Baldé, outro jogador que formámos e largámos da mão. Parece que nadamos em dinheiro, não é verdade, doutor Zenha?

 

De Sporar. Tentou, mas não marcou. Nem andou lá perto. Vendo bem, mal tentou. Não é Bas Dost quem quer. Para já, podemos concluir que Sporar nem uma réplica muito longínqua de Dost consegue ser. 

 

Dos primeiros dez minutos. Foram catastróficos - prova inequívoca de que os nossos jogadores actuaram sobre brasas, arrasados psicologicamente por efeito das notícias sobre a decapitação da equipa técnica horas antes do apito inicial deste Famalicão-Sporting. Um golo sofrido logo aos 2', outro aos 8'. A sorte do jogo estava lançada.

 

Desta rendição antecipada ao Famalicão. A equipa minhota não vencia um jogo desde 11 de Janeiro. Nas últimas 13 jornadas, só tinha ganho duas partidas. Hoje desforraram-se. Levando o Sporting ao tapete, aliás à semelhança do que já sucedera na primeira mão em Alvalade.

 

De um novo recorde negativo batido. Até esta noite, nunca tínhamos perdido no estádio do Famalicão. A triste estreia aconteceu hoje.

 

Da péssima finalização. Fizemos cerca de 40 cruzamentos: nenhum deles originou golo. Só uma vez a pusemos no fundo das redes. De bola parada, num livre cobrado por Acuña, que funcionou como assistência. E foi preciso um defesa metê-la lá dentro.

 

De vermos o Braga já a quatro pontos. Mas como agora até somos um "clube amigo" deles, Varandas e Viana nem devem importar-se.

 

De termos igualado o histórico de derrotas numa temporada. Somam-se já 15 - a mesma marca que foi registada na catastrófica época 2012/2013. No campeonato, temos tantas derrotas acumuladas como o Gil Vicente, o Moreirense e o V. Setúbal.

 

 

Gostei

 

De Coates. Pareceu-me o menos mal dos sportinguistas. Por ter marcado o nosso golo solitário, aos 45'+1. E por ter feito preciosos cortes e desarmes aos 32', 60' e 63', evitando danos maiores.

 

Do apoio dos adeptos. Eram cerca de 400 concentrados numa das bancadas do estádio. Não deixaram de puxar pela equipa do princípio ao fim.

Armas e viscondes assinalados: Disseram sim à vida enquanto aprovavam a eutanásia

Sporting 3 - Basaksehir 1

Liga Europa - 1.ª mão dos dezasseis-avos de final

20 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Passou quase toda a primeira parte como um espectador, sendo praticamente o único naquele sector do estádio que conseguiu presenciar o jogo desde o apito inicial – e presumivelmente sem lhe revistarem as chuteiras. A segunda parte foi mais parecida com o registo da equipa leonina nos tempos mais recentes, e fez uma defesa providencial antes de não conseguir travar o pontapé de pénalti que tornou ligeiramente menos certo que a melhor exibição do Sporting nesta temporada garanta que não haverá Alvaladexit após a viagem à Turquia.

 

Ristovski (3,5)

Além da assistência que terminou a seca de golos de Sporar, o macedónio destacou-se pelo contributo na construção de ataques, provando conseguir ser mais perigoso no 4-3-3 ou 4-2-3-1 ou lá o que é do que no 3-5-2. Do ponto de vista defensivo viu-se acossado com a presença de muita actividade subversiva no seu quadrante ao longo da segunda parte. Mas não foi por aí que os turcos chegaram ao cuscuz.

 

Coates (4,0)

O Sporting estava à beira do abismo e o central uruguaio deu o passo em frente. No sentido em que se adiantou aos adversários, esticou a perna e desviou o pontapé de canto cobrado de forma irrepreensível por Acuña. Colocou a equipa em vantagem logo no arranque e depois esmerou-se nos passes longos e na custódia da sua grande área, acumulando mais triunfos nos duelos aéreos com os turcos do que a aviação do regime sírio. Próximo desafio, depois de não poder ajudar na recepção ao Boavista: garantir que os leões passam aos oitavos de final da Liga Europa com Tiago Ilori no onze titular.

 

Neto (2,5)

Realizou dois ou três cortes importantes “à queima”, fruto da contra-ofensiva turca na segunda parte, pelo que não deixa de ser irónico que lhe tenha sido assinalada uma grande penalidade num lance em que está muito longe de ser evidente que tenha cometido qualquer infracção. Assustou os adeptos que puderam entrar a tempo em Alvalade ao parecer tocado durante o aquecimento, numa antecipação do que será ver Ilori elevado à titularidade nos próximos dois jogos.

 

Acuña (4,0)

Executou o canto que arrombou o marcador “à patrón” e nunca mais deixou de fazer coisas acertas e de pôr tudo aquilo que é nas mais pequenas coisas que faz. Intratável apenas na conquista, manutenção de posse e endosse de bola, pareceu possuído pelo espírito de Maradona (é possível que qualquer familiar de Diego que estivesse a ver o Sporting-Basaksehir tenha corrido a aproximar um espelho da sua boca para verificar se este se havia finado) numa arrancada junto à linha. Ter o lateral-esquerdo, médio, extremo e tudo no plantel é uma das maiores alegrias que restam aos sportinguistas que preferem vencer as equipas adversárias a derrotar as suas próprias claques.

 

Battaglia (3,5)

Vincou a sua principal diferença em relação à concorrência interna: sabe o que fazer com uma bola de futebol. Mais do que ser uma primeira barreira ao ataque turco – incipiente na primeira parte, mas cada vez mais constante na segunda –, revelou-se um primeiro urdidor de futebol ofensivo, no sentido da palavra que não gera assobiadelas. E ainda voltou a ficar perto de marcar, num remate dentro da grande área que foi desviado pelo guarda-redes turco.

 

Wendel (3,0)

Foi o mais discreto da equipa na fulgurante primeira parte, sem por isso deixar de cumprir na circulação criteriosa de bola que foi uma das chaves do sucesso depois de sucessivos jogos feitos de marasmo. E o certo é que tirou proveito das reservas de energia de que ainda dispunha no final da segunda parte, altura em que diversos colegas já davam sinais de desgaste preocupantes.

 

Vietto (4,0)

Regressou à equipa titular com intenção de deixar marca e assumiu-se como o substituto de Bruno Fernandes que teria sido desde o início da temporada caso a transferência do capitão tivesse ocorrido em Agosto e Raphinha e Bas Dost ainda trajassem de leão ao peito. Rei do meio-campo ofensivo e municiador dos colegas, ficou perto de marcar logo no início do jogo, sendo atrapalhado por Bolasie. Nem por um instante esmoreceu, impondo a sua construção, tijolo por tijolo, para gáudio das bancadas e desconforto dos visitantes. Quando na segunda parte chegou a hora de marcar, vendo-se frente a frente com o guarda-redes, agiu com uma frieza difícil de encontrar em quem tantas vezes se vê legitimamente acusado de “não ter golo”. Provou que não teria de ser necessariamente assim e agradeceu com uma vénia aos milhares que o aplaudiram, sem distinguir entre “croquetes” e “escumalha”. Mantenha a qualidade de jogo, a assertividade de decisão, e a inteligente leitura do ambiente que o rodeia e poderá ser uma das chaves para um Sporting mais saudável. Juntou-se, para já, a Coates na equipa da semana da Liga Europa e, tendo até em conta que a sua transferência é desaconselhada pelo acordo que Jorge Mendes engendrou, convém que por Alvalade se mantenha por muitos e bons.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ciente de que a aura de “arma secreta” o condena a longos minutos de banco e aquecimento, acelerou o futebol leonino desde o primeiro instante, em absoluto contraste com a contemplativa placidez demonstrada por Rafael Camacho enquanto titular recorrente. Sendo verdade que nem sempre decide da forma mais perfeita, ao ponto de o seu melhor remate ter sido precisamente a recarga para o golo apenas anulado por ter sido antecedido por fora de jogo de Sporar, teve o condão de nunca se esconder e de fazer tudo para resolver a eliminatória. Detalhes como o toque de calcanhar que serviu de alicerce ao terceiro golo do Sporting impõem que seja a primeira opção, ainda que o seu tipo de desgastante movimentação desaconselhe que permaneça em campo muito mais do que uma hora.

 

Bolasie (3,0)

O “trapalhonismo” que dele irradia custou um golo cantado que teria ampliado o marcador nos primeiros minutos de jogo, pois não aproveitou a assistência de Sporar e não deixou que Vietto a aproveitasse. Também voltou a enredar-se na sua afamada finta, quase tão autofágica quanto a incapacidade de voar foi para os extintos dodós, e até a assistência que assinou para o terceiro golo teve o seu quê de mal-amanhada. Dito isto, voltou a dar o seu melhor, a impor a estampa física e a recorrer à velocidade em prol da equipa, numa exibição a todos os níveis positiva, ainda que nada se tivesse perdido caso tivesse saído mais cedo, permitindo a progressão daquele moço Gonzalo Plata que por Alvalade continuará se não for entretanto trocado por um punhado de feijões mágicos. Aquele seu remate que estremeceu os ferros da baliza como nenhuma pirotecnia conseguiria simboliza a falta de sorte que Bolasie carrega nos ombros.

 

Sporar (3,5)

A persistente seca de golos parecia destinada a terminar logo após o apito inicial, mas o esloveno preferiu contornar o guarda-redes e servir os colegas, tendo o supremo azar de haver demasiados pés para uma só bola. Mas o recado estava dado: Sporar consegue render quando a equipa agrega talento suficiente para carrilar jogo ofensivo que, mais do que cruzamentos para a cabeça (como nos tempos de goleadores trocados por feijões mágicos), assenta na bola a rolar na relva. Começou por atirar ao lado, depois rematou ao poste (em posição ligeiramente irregular, o que invalidou a recarga certeira de Jovane) e finalmente marcou o que se espera ser o melhor de muitos, tirando o melhor proveito de um cruzamento em esforço de Ristovski. Quebrado o encanto, o que lhe permitiria apanhar o melhor marcador da Liga Europa, graças aos cinco golos marcados pela anterior equipa, permaneceu envolvido nos muitos contra-ataques até ser poupado por Silas para o jogo de domingo em que poderá perceber-se quais são as hipóteses de Bruno Fernandes vir a ser suplantado como melhor marcador do Sporting na Liga NOS.

 

Pedro Mendes (2,5)

Teve direito a mais de duas dezenas de minutos para demonstrar a sua arte. Pena é que esses minutos tenham coincidido com a pior fase do Sporting, pelo que o jovem avançado teve sobretudo de ser o primeiro factor dissuasório das incursões turcas. Esteve à altura da missão, e tratou de apoiar os colegas, de costas para a baliza, a levar perigo aos visitantes.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para tentar travar o avanço do Basaksehir e não se pode dizer que tenha sido particularmente incompetente nessa missão. Mas não restam dúvidas de que não deve ser considerado como mais do que um suplente de Battaglia ou, se tudo correr melhor para o ano, de João Palhinha.

 

Gonzalo Plata (3,0)

Há que ovacionar o aproveitamento dos poucos minutos a que teve direito. Diversas acções em que mostrou velocidade e capacidade de finta serviram de aperitivo para um belíssimo remate que o desmancha-prazeres turco evitou que se convertesse num merecido 4-1.

 

Silas (3,0)

Retirou dividendos imediatos de uma ideia muito louca e inovadora chamada colocar os melhores jogadores disponíveis na equipa titular (só Bolasie poderia ter tal estatuto posto em causa pelo jovem Gonzalo Plata). É uma incógnita que tenha dado conta disto, por muito que seja difícil não reparar na diferença entre o futebol castrado e lamentável demonstrado em Vila do Conde e as jogadas empolgantes testemunhadas pelos compradores de bilhete e receptores de borlas presentes em Alvalade na tarde de quinta-feira, agarrando a equipa à vida ao mesmo tempo que a despenalização da eutanásia era aprovada na Assembleia da República. Bafejado pelo talento dos bons jogadores que restam no plantel (faltava Mathieu, mas Neto esteve à altura até ter que a arbitragem vislumbrou o pénalti sem falta que culminou no tento de honra do Basaksehir), ainda que não pela sorte (outros tantos golos ficaram por marcar), tardou a refrescar a equipa na segunda parte, o que resultou num ascendente do adversário que se vai tornando natural em quem enfrenta o Sporting. Continua, assim, na corda bamba e com a garantia de que será o próximo saco de areia a atirar por Frederico Varandas para manter acima do solo (e ao sabor do vento) o balão de uma presidência feita de ar quente.

A pior exibição da época

Pelo menos foi o que disse Silas depois do jogo. Referia-se obviamente ao período em que está à frente da equipa, mas para mim foi mesmo a de toda a época. Valeu o emprestado, limitado mas sempre esforçado Bolasie para repetir o que fez na Vila das Aves: do nada cavar um penálti e assim evitar a derrota.

Com um plantel tão desequilibrado como o do Sporting, quando faltam três dos quatro melhores jogadores num campo difícil como o de Vila do Conde seria sempre de prever dificuldades. Mas quando mais uma vez se altera o modelo de jogo e o onze em posições chave, então está-se mesmo a pedi-las.

Do 5-3-2 contra o Portimonense com Battaglia e Wendel a médios mais recuados, passámos para um 4-3-3 com Doumbia e Eduardo nas mesmas funções. Não há equipa que aguente tanta alteração, tanta improvisação, tanta falta de articulação entre colegas. Sucederam-se passes para jogadores marcados em cima e de costas para a baliza, passes para ninguém, centros para lado nenhum.

SIlas já veio dizer que não se demora cá muito, quando quiserem pega nas malas e vai à sua vida. O plantel também sabe isso mesmo, a mensagem já não passa e a equipa transforma-se num bando que corre e luta sem critério. Ontem o Coates lá foi para rua mais uma vez na tentativa de travar adversários lançados pelo seu lado, onde o Ristovski anda sempre em parte incerta e foi responsável por mais um golo (já perdi a conta aos lances por alto perdidos por ele esta época ao segundo poste que dão origem a golos ou centros para golo), não sem antes tentar fazer por ele o trabalho dos onze e quase conseguir um autogolo. Se no caminho perdesse a bola, como normalmente acontece, seria mais um contra-ataque bem perigoso do adversário.

Pelos vistos com a saída de Bruno Fernandes deixou também de haver definição sobre quem marca livres e penáltis: fica à mercê de quem agarra na bola com mais força.

Enfim, que bom seria se a temporada acabasse já. Mas ainda falta muito. O Braga (terceiro com mais um ponto) realmente descobriu um magnifíco treinador que de parecido com Silas tem a falta de habilitações mas conseguiu em pouco tempo transformar aquela equipa que entrava para perder fora de casa contra os grandes e ganhar cinco vezes seguidas aos mesmos, o Rio Ave (quatro com manos três pontos) e o Guimarães (sétimo com menos oito) jogam bem e são adversários a considerar na luta pelo pódio. 

E voltamos também à questão de andarmos a emprestar e vender jogadores a clubes que acabam por competir connosco por posições importantes no acesso às competições europeias: Palhinha e Esgaio no Braga, Dala e Mané (que ontem teve azar no remate que daria a nossa derrota) no Rio Ave. Dá que pensar, de facto.

SL

Armas e viscondes assinalados: Não têm barqueiro nem em que remar, procuram um caminho novo para andar

Sporting de Braga 1 - Sporting 0

Liga NOS - 19.ª Jornada

2 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Continua a afirmar o seu potencial como uma perseverança só comparável à da vegetação que consegue irromper por entre as fendas do asfalto. Com toda a sua defesa condicionada pela febre amarela do árbitro Jorge Sousa e com o esquema táctico com que Silas sonhou sair de Braga ainda no lugar mais miserável do pódio, Maximiano viu-se muitas vezes desamparado e deu conta do recado com defesas vistosas que adiaram o desfecho esperado. Mas quis o destino cruel que a equipa da casa marcasse na única ocasião em que perdeu o controlo dos acontecimentos, impedindo-lhe uma noite de glória que só não estava a ser melhor devido às estruturais dificuldades nos lançamentos longos.

 

Ristovski (2,0)

Aquela célebre profecia do “sem o nosso capitão estamos fodidos” acabou por ser autocumprida pelo macedónio, que abriu muitos espaços à direita com as suas incursões pela linha, o que também contribuiu para que o pânico tomasse conta da equipa. Com a agravante de que Wendel privilegiou sempre a ala esquerda, levando a que Ristovski avançasse no terreno quase sempre em vão, acabando por ser sacrificado na hora de correr atrás do prejuízo que se vai tornando tão habitual quanto a “hora Coca-Cola light”.

 

Coates (2,0)

Ainda o jogo mal havia começado e já estava amarelado, recebendo como prenda de Jorge Sousa pela subida a capitão a garantia de que poderia juntar-se ao visitante Bruno Fernandes nos camarotes se cometesse mais alguma infração. Terá sido isso, aliado a uma notória prisão de rins, que o levou a ser mais permissivo do que o habitual com os avançados contrários, compreensivelmente mais apostados em manter a bola junto à relva do que a aventurarem-se pelos ares. No final, quando tudo estava perdido, inovou no desespero, pois além de ponta de lança improvisado também chegou a aparecer na posição de lateral-direito numa ou noutra jogada.

 

Neto (2,5)

Merece mais meio ponto pelo corte que esteve quase a evitar o golo que selou a perda do terceiro lugar e, sobretudo, pelo grito de revolta na “flash interview” que decerto lhe valerá uns quantos jogos de suspensão – abrindo caminho, se a tendinite de Mathieu não melhorar, à titularidade de Ilori na recepção ao assim menos aflito Portimonense – e forçou Frederico Varandas a presentear os sportinguistas com dotes de oratória que ombreiam com os dotes para a gestão do futebol leonino. Esforçado e atento, o internacional português funcionou durante quase todo o jogo como uma espécie de libero que foi chegando para as encomendas, pese embora as limitações na saída com bola desaconselharem tal papel.

 

Borja (2,0)

Depois de uma exibição muito agradável enquanto lateral-esquerdo, face à ausência de Acuña, manteve a titularidade enquanto... falso lateral-esquerdo. Claramente empenhado em errar da melhor forma possível, o colombiano procurou ajudar Coates e Neto a afastarem o perigo da baliza do Sporting. Sabendo-se como a história terminou é evidente que não lhe correu totalmente bem. Tal como foi tragicamente expectável que, já depois da saída de Acuña, se tenha esquecido de que passava a ser ele o verdadeiro lateral-esquerdo.

 

Acuña (2,5)

Começou muito bem, combinando com Rafael Camacho para a primeira oportunidade de golo, e demonstrou que os seus cruzamentos podem servir para algo quando existe um avançado na área, mas começou a apagar-se e a enervar-se com a arbitragem. Terá sido o segundo factor que pesou numa substituição precoce, sobretudo porque o argentino é um dos cada vez mais raros activos valiosos que a presente gerência de Alvalade recebeu como pesada herança.

 

Battaglia (2,5)

Voltou a regressar a uma casa onde já foi feliz, contrabalançando o contingente de “made in Alcochete” que fez da Pedreira a sua casa, e nos primeiros minutos fez valer a qualidade na posse de bola que o distingue de Idrissa Doumbia e torna impossível que o confundam com os pinos utilizados nos treinos. Não chegou, no entanto, para assegurar a vitória na batalha a um meio-campo órfão daquele mago que trocou a crise leonina pela crise de um clube que tanto fez pela formação de Cristiano Ronaldo e Nani.

 

Eduardo (3,0)

Surpresa indigesta no onze titular, só não marcou num dos primeiros lances do jogo devido a um desvio de um defesa bracarense. Melhor esteve na construção de jogada, na medida que revelou uma rapidez na progressão com bola que chegou a parecer fora de sincronia com o futebol deste Sporting. Sem dar espectáculo, ou sequer justificar os milhões que foram gastos no seu passe, o médio brasileiro terá sido o jogador que mais entendeu a necessidade de crescer após a saída de Bruno Fernandes.

 

Wendel (3,0)

Pedia-se-lhe que assumisse a batuta do meio-campo do Sporting e o jovem brasileiro assumiu a tarefa com mais querer do que saber. Sendo legítimo perguntar o motivo de tantas vezes ter ignorado o posicionamento de Ristovski, preferindo servir a ala esquerda, ainda mais legítimo será inquirir como é que escapou a ser expulso ao gritar com Jorge Sousa a escassos centímetros da cara do árbitro. Ficou em campo e poderia ter sido herói, aparecendo na grande área servido por Sporar, mas Matheus rechaçou a tentativa de chapéu.

 

Rafael Camacho (3,0)

Cabia-lhe ser o “joker” da equipa e fez por desempenhar bem o papel, ficando na retina o cruzamento para o coração da área, onde Eduardo fez suar os adeptos da casa, e remates traiçoeiros, ainda que sem selo de golo. Mas também ele acabou por esmorecer quando o Sporting de Braga descodificou aquilo que Silas pretendeu fazer na Pedreira, perdendo protagonismo até ser retirado de campo.

 

Sporar (2,5)

Chegará o dia em que o esloveno fará mais do que deixar boas indicações e demonstrações de técnica apurada. Infelizmente, tal dia não foi o domingo passado. O guarda-redes do Sporting de Braga opôs-se bem aos seus remates e com o decorrer do jogo foi ficando cada vez mais sozinho no ataque.

 

Vietto (3,0)

Avaliado em 7,5 milhões de euros por cada perna, o argentino regressado de lesão assistiu a grande parte do jogo no banco de suplentes. Quando finalmente foi lançado por Silas foi fundamental para que o Sporting encostasse a equipa da casa às cordas, embora persista a falta de golo que ameaça deixar Bruno Fernandes como o goleador da equipa quando esta triste temporada terminar.

 

Jovane Cabral (3,0)

Merecia ter marcado o golo do empate, mas a muralha defensiva bracarense impediu que a bola se alojasse nas redes. Entrou, tarde e a mais horas, para agitar e cumpriu nesse agito. Talvez convenha apostar na sua velocidade e capacidade de execução mais cedo. Ou até desafiar a superstição que não rende absolutamente quando lhe é concedida a titularidade.

 

Gonzalo Plata (2,0)

Derradeira aposta de Silas, numa altura em que Rafael Camacho tornara gritante o quanto estava arrasado, integrou-se no ataque leonino com mais vontade do que acerto. Veja-se o pontapé assaz deficiente que teve, no entanto, o condão de servir de assistência inadvertida para o “quase empate” de Jovane Cabral.

 

Silas (2,5)

Enganou a Sport TV e o adversário durante alguns minutos, dispondo a equipa num 3-5-2 que a realidade foi transformando em 5-3-2, e mesmo as apostas em Eduardo e Rafael Camacho começaram por dar frutos no primeiro jogo após a saída de Bruno Fernandes. Mas voltou a nada conseguir alterar quando a equipa da casa se adaptou à surpresa inicial, vendo impávido e sereno como o Braga se foi acercando da baliza de Luís Maximiano até cumprir o objectivo. Tarde mexeu na equipa, desgastada pelo vírus do perdedorismo, e mais uma vez pôde constatar que a sorte não protege quem não prima pela audácia. Regressado ao quarto lugar, com Famalicão, Rio Ave e Vitória de Guimarães à espreita, com os recordes negativos de maior número derrotas e maior distância em relação ao primeiro classificado à espreita, Silas ainda teve de lidar com a presença de Leonardo Jardim na tribuna da Pedreira, mesmo atrás de António Salvador e Frederico Varandas, sendo que após a sequência de vitórias consecutivas não parece que seja Ruben Amorim quem mais deverá temer a chicotada psicológica...

 

O que o árbitro quiser

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Semana exemplificativa do que é desporto nacional por estes dias.
Na sexta-feira, o Desportivo de Aves apanhou-se a vencer no Estádio da Luz. O árbitro, Carlos Xistra, conseguiu ver um penalty que permitiu o empate e catapultou o Benfica para a vitória.


Um par de horas depois, o Moreirense marca um golo contra o Porto e meia-dúzia de minutos depois prepara-se para fazer o 2-0 quando o árbitro, Artur Soares Dias, escolhe apitar antes da bola entrar, não dando hipótese ao VAR de averiguar se o golo seria legal ou não. O Porto apanha balanço e acaba por vencer o jogo.


Já no domingo, o futebol feminino deslocou-se ao Estádio da Tapadinha para defrontar o Benfica na primeira jornada da Taça da Liga em futsal. O Sporting vencia por 2-1, graças a um golo de levantar o estádio de Diana Silva, quando a árbitra, Catarina Campos, inventa um penalty de Carole Costa e acaba por expulsar a central Sportinguista. O Benfica acabou por empatar o jogo.

O domingo não fecharia sem mais um exemplo gritante. Na final da Taça da Liga, o Benfica atinge as cinco faltas a sete minutos do final. Um minuto depois, faz a sexta falta sobre Cardinal. Em qualquer outro lado do mundo seria livre direto para o Sporting. Mas no Pavilhão do Centro de Congressos de Matosinhos, o árbitro, Rúben Santos, assinalou a falta ao contrário. Na sequência do lance, o Benfica acaba por se adiantar no marcador e vencer a partida.

Terça-feira, mais um jogo onde o Benfica se encontra a perder em casa e o árbitro, Artur Soares Dias, a "mando" de Rui Costa perdoa a expulsão a Rúben Dias. Como nenhum outro resultado é permitido em Portugal, o Benfica acabou por vencer o jogo.

Amanhã joga-se o derby da cidade de Lisboa. Um jogo histórico do qual Coates foi afastado por um árbitro, Tiago Martins.

Ferran Soriano escreveu um livro chamado “A bola não entra por acaso” e é bem verdade. Infelizmente, em Portugal, o resultado não é ditado pelo mérito, nem pela sorte do jogo ou pela estrelinha de campeão. O resultado é o que o árbitro quiser!

Os "engripados" e o inimputável

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Os "engripados" do Sado tiveram força e energia suficientes para forjarem uma falta inexistente contra Coates (encenação premiada com cartão amarelo para o nosso central, cortesia do árbitro Tiago Martins) que deixa o uruguaio fora do clássico de Alvalade e para darem sarrafada no Vietto, provocando-lhe uma lesão que vai demorar semanas a sarar.

Esta pantufada, aos 61', não foi sancionada com cartão: seria o segundo, mais que merecido, mas o dono do apito decidiu manter em campo o "engripado" Pirri - assim se chama o fulano que causou uma luxação na articulação tíbio-peroneal de Vitto (forçado a sair de Setúbal em muletas). Esse que já tinha sido amarelado aos 32', por derrubar Bruno Fernandes dentro da grande área sadina. O nosso capitão, aliás, chegou ao fim do jogo a coxear - também ele vítima da robustez física dos "engripados".

 

Espero que Bruno ainda possa defrontar o Benfica depois de amanhã e que o Acuña recupere da mialgia que o afastou do Bonfim. Caso contrário actuaríamos sem quatro pedras nucleares deste depauperado Sporting 2019-2020.

Isto enquanto um tal Rúben Dias voltou a exibir a sua inimputabilidade nos relvados portugueses, ao ser-lhe perdoado um segundo amarelo, no desafio dos quartos-de-final da Taça de Portugal, por falta ostensiva contra um jogador do Rio Ave. Cortesia, desta vez, do senhor Soares Dias, que alguns - vá lá saber-se porquê - proclamam como "melhor árbitro português".

 

O que escrevem hoje os especiaistas em arbitragem sobre o caso?

Jorge Coroado: «Rúben Dias empurrou Taremi. Lance antidesportivo, cortando jogada prometedora. Livre por assinalar e amarelo por exibir.»

José Leirós: «Erro duplo. Era livre directo que não assinalou e devia ter exibido o amarelo pois [Rúben Dias] empurrou deliberadamente e cortou jogada de ataque.»

Fortunato Azevedo: «Rúben Dias empurra o adversário, atirando-o para fora do terreno. Clara conduta antidesportiva que devia ter sido punida.»

Duarte Gomes: «Rúben Dias empurra ostensivamente Taremi quando este se preparava para o contra-ataque. Segundo cartão amarelo por mostrar ao central do Benfica.»

 

Quando até Duarte Gomes reconhece que o tal defesa encarnado devia ter ido tomar duche mais cedo, meia hora antes do fim do jogo, percebe-se até que ponto o SLB continua a beneficiar do colinho em caso de necessidade.

São coisas como estas que vão transformando o futebol português numa anedota internacional.

 

Adenda: O treinador Carvalhal, que ainda há três semanas protagonizara uma cena de histeria, anunciando a intenção (não concretizada) de abandonar o Rio Ave em protesto contra a péssima arbitragem lusa, desta vez nem reparou no lance. Razão tinha o outro: isto anda tudo ligado.

Armas e viscondes assinalados: Um vírus destinado a surtir efeito na noite de sexta-feira

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 3

Liga NOS - 16.ª Jornada

11 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (1,5)

O remate saiu forte mas de tal forma à figura que não há forma de o catalogar sem recorrer a metáforas galináceas. A abordagem extremamente deficiente ao lance que causou calafrios aos adeptos leoninos foi, no entanto, apenas um dos pontos negativos de uma exibição em que o jovem guarda-redes andou literalmente aos papéis nas raras ocasiões em que os adversários se acercavam dele e primou pela falta de critério nas reposições de bola.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio ficou ligado ao resultado com um cruzamento fulgurante que, à falta de maior acerto por parte dos colegas, acabou desviado para a baliza por um defesa do Vitória de Setúbal. Mas não só. Presente tanto na defesa como no apoio ao ataque, tem como única mancha a incapacidade de evitar, atrapalhado por Bolasie, que um adversário fosse na direcção de Coates. E o resto é história.

 

Coates (2,5)

Tinha como única missão evitar que algum adversário se aproximasse de si, o que resultaria no inevitável cartão amarelo com que o previsível Tiago Martins o afastaria do derby da noite da próxima sexta-feira. Conseguiu ser afastado do Sporting-Benfica sem cometer nenhuma falta, e muita falta fará num jogo em que os seus cortes pela relva e pelo ar poderiam pôr em causa o guião do desfecho da Liga NOS previamente aprovado em comité.

 

Mathieu (2,5)

Pareceu contaminado com o vírus gripal que supostamente dizimou o plantel dos sadinos ao dar o toque na bola que a deixou nos pés do marcador do 1-2. Tirando esse momento de desnorte foi mais uma noite à grande e à francesa de um veterano tão indestrutível que decerto poderá tentar fazer resultar a dupla com Tiago Ilori que a arbitragem lhe impôs para a próxima sexta-feira.

 

Borja (3,0)

Destacou-se na primeira parte pela forma como se integrou no ataque, auxiliado pela presença de Bruno Fernandes no flanco esquerdo, e pelo acerto na cobertura defensiva. Sendo certo que só foi titular para evitar que Tiago Martins conseguisse o pleno e afastasse também Acuña do derby, o colombiano fez dos melhores jogos ao serviço do Sporting, pertencendo-lhe a antecipação que iniciou o contra-ataque terminado no 1-3.

 

Battaglia (3,0)

Continua a parecer algo preso de movimentos, e aquém daquilo que conseguia fazer antes das graves lesões que travaram a sua afirmação na selecção argentina. Ainda assim, primou pela leitura de jogo e fez circular a bola com muito melhor critério do que consegue o castigado Idrissa Doumbia. Sem falar na assinalável quantidade de cortes e de recuperações de bola.

 

Wendel (2,5)

A forma como comemorou o lance do primeiro golo fez desconfiar que teria sido ele a desviar o cruzamento de Ristovski, mas não passou da expressão de vontade de não deixar que a visita aos engripados de Setúbal corresse ainda pior ao Sporting. Muito mexido na primeira parte, na qual foi derrubado dentro da grande área sem que isso perturbasse um dos maiores artistas que algum dia enfiaram um apito na boca, perdeu gás no segundo tempo e adiou a tranquilidade no marcador ao fazer um (mau) passe para Vietto quando estava em posição de alvejar a baliza vitoriana.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Limitado pelo posicionamento à esquerda e pela carta branca que Tiago Martins concedeu aos jogadores do Vitória de Setúbal para testarem a consistência dos ossos das suas pernas, o capitão respondeu com intervenções como a jogada em que se isolou e foi agarrado de forma tão flagrante pelo defesa apanhado em contramão que nem um exímio desnivelador de campos pôde ignorar o pénalti que cobrou logo de seguida. Mesmo sem estar ao melhor nível, e de ter chegado a dar mostras de estar lesionado, não terminou o jogo sem bisar, concluindo um contra-ataque bem conduzido por Rafael Camacho. Espera-se que tenha guardado algumas munições para um dos seus “clientes” favoritos se até sexta-feira ainda não tiver sido despachado para Manchester, num daqueles negócios que envolvem pagamentos de supostas dívidas a Jorge Mendes e verbas destinadas a pagar protocolos de expansão da marca do Sporting na Polinésia Francesa.

 

Vietto (2,5)

Saiu lesionado num lance em que talvez tenha sofrido grande penalidade, vendo-se quase de certeza afastado do Sporting-Benfica. Encarregue durante a primeira parte de fazer as vezes de Bruno Fernandes, algo que infelizmente talvez se venha a tornar um hábito, voltou a demonstrar mais jeito para construir jogadas do que para fazer aquele detalhe que fica bem aos avançados, sejam ou não móveis.

 

Bolasie (2,5)

A excelente abertura para Ristovski foi a coroa de glória de uma exibição mexida do franco-congolês, igualmente considerado alvo a abater pelos engripados adversários. Pelo menos desta vez não foi expulso por agressões fictícias.

 

Luiz Phellype (1,5)

O cartão amarelo que lhe ofertaram logo no início do jogo, honra que na época passada foi reservada a Tiago Ilori por ter ousado tocar em João Félix, toldou os movimentos e as ideias de um avançado que também já deve ter reparado nas manchetes que atiram Sporar à cara dos sportinguistas. Foi de uma nulidade absoluta que causa calafrios a quem tenha reparado no calendário que a equipa terá nas próximas semanas.

 

Rafael Camacho (3,0)

Entrou para o lugar do lesionado Vietto e estreou-se com um bom remate cruzado após uma incursão pela esquerda, batalhando numa fase B da equipa que poderia ter acabado com mais uma humilhação. E teve a melhor recompensa para o seu esforço ao ficar ligado ao resultado final, servindo de bandeja o 1-3 a Bruno Fernandes.

 

Pedro Mendes (2,0)

A estreia na Liga NOS do avançado finalmente inscrito poderia ter sido doce caso tivesse acertado na bola ao executar um remate acrobático na grande área do Vitória de Setúbal. Mas nada melhor conseguiu do que sacar um cartão amarelo e meter a defesa contrária em respeito devido ao poderio físico.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Andou pelo campo uns quantos minutos. Ameaça voltar a repetir esse padrão em jogos vindouros.

 

Silas (2,5)

Quando se viu a ganhar por dois golos de diferença, apesar da presença de Tiago Martins, deveria ter pensado: será mesmo boa ideia deixar em campo um dos meus melhores jogadores, sendo que ele está mesmo à calha para ver o amarelo que o deixará de fora no próximo jogo, que até é contra uma equipa cujo vírus não é propriamente o da gripe? Pois que Silas não pensou nisso, apesar de ter deixado Acuña de fora, e também não é crível que seja capaz de arriscar um golpe de asa como lançar Eduardo Quaresma contra o Benfica. Mas também há que reconhecer que o treinador leonino está longe de ser o mais culpado num cenário que tem tudo para agravar-se nos próximos dias, caso se confirme a saída de Bruno Fernandes, o que forçará uma reconstituição do plantel executada por mentes que até agora deram provas de serem perigosas ao ponto de deverem ser banidas do site Transfermarkt.de.    Quanto a Silas propriamente dito, e ao jogo em apreço, lamenta-se que continue a demorar demasiado a reagir quando o paradigma do jogo muda. Só o desacerto de Guedes na recarga ao seu cabeceamento que embateu na trave impediu o Vitória de Setúbal de chegar ao empate.

Do céu ao inferno em 5 minutos

Aconteceu hoje com Silas no Bonfim, mas é um filme já muito visto no Sporting com outros treinadores e noutros relvados. Muito difícil realmente se torna explicar como é que dum jogo ganho, tranquilo e controlado, se passa, em pouco mais de 5 minutos, para um jogo com a vitória comprometida e com alguns dos melhores jogadores lesionados ou castigados com cartões e impossibilitados para os jogos seguintes.

Mas aconteceu, e acontece, por falta de liderança no banco ou de espírito de corpo no relvado. E a verdade é que torna a vida do Sportinguista, o que foi ao estádio ou o que acompanhou no sofá, bem difícil.

Quem quiser rever os golos sofridos pelo Sporting nos últimos jogos, encontra, mais que o fruto de jogadas bem elaboradas do adversário, situações criadas por descuido ou incompetência individual ou colectiva.

Hoje Mathieu esteve na origem do golo do Setúbal e Risto na origem do amarelo que afasta Coates do dérbi com o Benfica. Situações completamente evitáveis.

Sobre toda esta má sorte ou simplesmente incompetência, só o talento de Bruno Fernandes. Escondeu-se no lado esquerdo para deixar Vietto brilhar na 1.ª parte, cavou o penálti e concretizou para o segundo golo, marcou o terceiro golo depois de boa iniciativa de Camacho.

O que vai ser do Sporting quando ele sair? 

Não faço ideia, mas temo o pior.

Entretanto, para o dérbi, Vietto ficou lesionado, Coates está fora, Neto também, fica o Illloooooooooriiiiiiiiiiiiii....

SL

Quente & frio

Gostei muito  que tivéssemos seguido em frente na Liga Europa. Algo que nada teve a ver com este jogo, pois era uma meta já alcançada antes deste Lask Linz-Sporting, que terminou com uma pesada derrota: perdemos por 0-3.

 

Gostei  de ver seis jogadores da nossa formação hoje em campo. Infelizmente, o contexto não os favoreceu: integraram um colectivo sem rotinas nem automatismos. Ilori revelou-se a deesgraça do costume, com responsabilidades directas no primeiro golo. Rodrigo, em quem Silas voltou a confiar, não conseguiu ser melhor. Miguel Luís dá sempre a impressão de se esconder do jogo. Pedro Mendes - em estreia como titular da equipa principal - actuou na posição errada. Camacho teve uma exibição calamitosa, falhando um golo cantado aos 63', na única oportunidade do Sporting em todo o jogo. Restou Max, que elejo como o nosso menos mau: em campo desde o minuto 37, sofreu logo a seguir um golo de penálti, mas fez boas defesas (70', 86', 90'+1), adiando o terceiro, que só surgiu ao cair do pano.

 

Gostei pouco  de ver o inutil Jesé como titular da nossa frente de ataque. Quando até tínhamos dois pontas-de-lança convocados: um, Luiz Phellype, ficou no banco até aos 71'; o outro, Pedro Mendes, foi relegado para uma ala, onde rende muito menos. Como se o nosso treinador apostasse tudo em evitar que marcássemos.

 

Não gostei  que tenhamos jogado com menos um, por expulsão de Renan, a partir dos 34'. Nem da deficiente abordagem de Ilori e Rodrigo na cobertura do canto de que nasce o primeiro golo, nem de ver Rosier totalmente desposicionado no segundo, nem de ter sofrido o terceiro a escassos 20 segundos do apito final, com toda a nossa equipa acometida de paralisia. Também não gostei de ver Acuña, Wendel e Bolasie como suplentes não utilizados. E de confirmar que este Sporting sem Bruno Fernandes, hoje ausente por castigo, é uma equipa que roça a mediocridade.

 

Não gostei nada  que este jogo tenha sido perdido por clamoroso lapso do técnico, ao decidir mudar nove titulares em relação ao desafio contra o Moreirense do passado domingo, alterando também (uma vez mais) o sistema táctico, hoje num 4-2-3-1 inicial. O Lask, que jogou no mesmo dia, apenas mudou dois. Não há milagres, muito menos na Liga Europa: ao apostar num inédito onze, Silas abdicou desde o minuto zero de finalizar a fase de grupos no primeiro posto. Seguimos em segundo, iremos defrontar um adversário oriundo da Liga dos Campeões. O pior cenário, portanto. Não havia necessidade.

Competência e falta dela

Esta jornada dupla em Barcelos (que nos custou a aproximação perigosa do Braga e Guimarães na Liga e não nos livrou da eliminação na Taça da Liga) e aquilo que continuamos a ler e a saber do futebol do Sporting vieram ainda mais pôr a nu a incompetência da actual estrutura e o consequente estado de abandono e descontrolo emocional dos jogadores, entre os excessos de alguns e a falta de alegria e confiança e o olhar cabisbaixo doutros.

Temos um director desportivo que não dá a cara e que sonha em "encaixar no mercado de Janeiro para reforçar o plantel", e ouvimos que Acuña, Coates, Wendel e agora Palhinha estão à venda por tuta e meia e o Sporting anda à procura de Olas Johns algures, temos um team-manager que assiste impávido e sereno às provocações e pancadas sobre Acuña e não levanta o traseiro do banco para o defender, temos um treinador que mete a viola no saco quando o treinador contrário desvaloriza os seus jogadores, tem de ser chamado à razão pelos jogadores para se deixar de mudanças constantes que apenas os desorientam,  e se queixa (muito se queixa ele) que o Bruno Fernandes conhece o plantel melhor que ele, que os jogadores fazem o que querem em campo, e que não tem tempo, nunca tem tempo para treinar como deve ser. E fica enfadado, protestando com o adjunto quando o Bruno tenta um chapéu longo ao guarda-redes adversário.

Que chatice ser treinador do Sporting. No Belenenses não era assim?

 

O que ainda vai valendo é a competência do capitão de equipa, que vai marcando e dando a marcar golos decisivos, puxando pelos colegas e exigindo atitude, levando pancada mais ou menos tolerada pelos árbitros (no Bessa foi uma caça ao homem) mas não deixando de meter o pé sem medo mesmo incorrendo em faltas e cartões, ou seja, fazendo o trabalho dele e às vezes os dos outros. Se estamos assim com ele, o que seria do Sporting esta época sem Bruno Fernandes?

E se ele se aleija? Nem quero pensar nisso...

 

Confesso que não entendo como há gente do Sporting (do Benfica e do Porto entendo) que acha que o problema do Sporting é o que diz ou o que faz Bruno Fernandes, e que até advoga que devia deixar a braçadeira. Para ficar tudo nivelado na incompetência.

Por mim, e já que se dispôs a assinar um novo contrato, pelo menos era promovido já a treinador-jogador. Como no caso do Tiririca, pior não fica. 

Entretanto, amanhã, mais um confronto crucial em Alvalade: o penúltimo para a Liga antes dos embates com os dois rivais. Por muito desagradado e pessimista que esteja, lá estarei a apoiar nos 90 minutos e convido todos a fazer o mesmo.

 

PS: Hoje no João Rocha, às 15h, temos o dérbi do andebol. Na primeira volta ganhámos na Luz e temos todas as condições para vencer de novo. A não perder. 

SL

Armas e viscondes assinalados: “Fast-forward” para o minuto 88

Gil Vicente 0 - Sporting 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Acabou por ter uma noite de relativo sossego, apesar do lamentável e já expectável ascendente que os suplentes da equipa da casa chegaram a ter na primeira parte, e até foi o guarda-redes brasileiro a encarregar-se de arranjar calafrios, cabeceando à entrada da área uma bola directamente para os pés de um avançado do Gil Vicente que teve a infelicidade de sair do Seixal antes do complexo futebolístico-mediático encarregue de produzir “golden boys” estar devidamente oleado. Certo é que chegou ao apito final sem ir buscar a bola ao fundo das redes, o que por estes dias passa por ser um homem que mordeu o cão.

Ristovski (3,0)

É combativo, aparenta sentir o peso da camisola bem mais do que a média do plantel e não tem culpa de não haver um lateral-direito melhor do que ele, transformando-o naquilo que é: um profissional digno, com talento quanto baste, que dá o melhor que tem - e até aparenta ter abandonado a maré de azar e descontrolo que lhe valeu tantas expulsões na época passada.

Coates (3,5)

O xerife uruguaio voltou à equipa e impôs a sua lei aos galos de Barcelos, anulando sucessivas tentativas de ataque pelo ar e ainda mais pela relva, demonstrando um “timing” perfeito nos muitos cortes que se encarregou de fazer. Ter um dos poucos jogadores de elevado nível que restam no plantel em campo é sempre uma garantia.

Neto (3,5)

Espera-se que tenha retirado de vez qualquer dúvida quanto à ordem hierárquica dos centrais leoninos. Em vez da calamidade protagonizada por Tiago Ilori no domingo, Neto distinguiu-se pela voz de comando, por alguns cortes incisivos e bem arriscados e até pela forma como suplicou em vão a Rui Costa que não expulsasse Acuña.

Acuña (2,0)

Ultrapassado em velocidade por Romário Baldé, e provocado de modo sistemático pelos jogadores do Gil Vicente ao longo do jogo, o argentino depressa se viu à cunha do segundo amarelo. Descontrolado como há muito não se via, conseguiu manter-se no relvado bem mais do que seria expectável, sendo já em tempo de descontos que selou o destino – que o excluirá da recepção ao Moreirense no domingo – ao berrar com o quarto árbitro após ser esbofeteado por um adversário. No outro prato da balança está a garra de um dos raros elementos do plantel que nenhum Vítor Oliveira consegue rebaixar.

Idrissa Doumbia (2,5)

Aguentou melhor os suplentes do Gil Vicente do que tinha controlado os titulares no jogo anterior, o que também não quer dizer muito. Mas o certo é que desta vez não houve golos contrários a registar.

Miguel Luís (2,5)

Talvez tenha regressado à equipa titular por motivos estritamente regulamentares, pois não abundam formados na Academia de Alcochete que não tenham rescindido contrato ou entrado no carrossel dos empréstimos com cláusula de compra manhosa, mas não demorou a fazer-se notar. Pena é que tenha sido por um lance a que só um laureado com o Nobel da Paz pode chamar remate e por levar uma reprimenda do capitão de equipa. Melhorou ao longo do jogo, destacando-se um bom cruzamento para a cabeça de Luiz Phellype, o que não impediu que fosse o candidato óbvio à saída logo que Silas percebeu o impasse que por ali ocorria.

Wendel (3,0)

Tem mais talento do que tende a demonstrar, ainda que provavelmente menos do que considera ter, o que voltou a ser demonstrado neste segundo jogo da fase de grupos da Taça da Liga. Ganha pontos pela dinâmica que procurou dar ao anémico fio de jogo da equipa e por uma desmarcação genial que Bruno Fernandes encontrou forma de desperdiçar à boca da baliza.

Bruno Fernandes (4,0)

Falhou dois grandes golos, um dos quais numa tentativa de surpreender o guarda-redes do Gil Vicente ainda aquém da linha de meio-campo e o outro num excesso de confiança que o levou a tentar um toque acrobático quando bastava empurrar a bola para a linha de golo mesmo em frente. Pelo meio ainda fez a bola balançar as redes, só que em posição irregular, e serviu Luiz Phellype para um daqueles “expected goals” de que o inferno sportinguista está cheio. Pouco importa: façamos “fast forward” para o minuto 88, quando foi carregado por um adversário junto à grande área, encarregando-se de desfazer com um livre directo impecável o empate que retirava ao Sporting qualquer hipótese (ainda que remota) de defender os dois títulos consecutivos de “campeão de Inverno” na fase final da Taça da Liga. Não satisfeito, numa altura em que a equipa tinha menos um em campo, serviu Vietto para o argentino fazer o resultado final. Não tem o número 31 na camisola, mas tal como no célebre fado como ele não há nenhum.

Bolasie (3,0)

Chegou a ser o melhor da equipa na primeira parte, devendo-se-lhe um excelente remate que poderia ter desbloqueado o marcador, e lutou com todas as forças que tinha contra a desgraça que mais uma vez se anunciava. Ninguém lhe pode questionar o empenho, mesmo sem se traduzir necessariamente em resultados práticos.

Luiz Phellype (2,0)

Atravessa uma má fase e mesmo quando cabeceou como mandam as regras a bola cruzada por Miguel Luís não impediu a boa defesa do guardião do Gil Vicente. Pior foi a sua tentativa de inaugurar o marcador com um toque de calcanhar que lhe saiu truncado, num símbolo cruel das limitações técnicas que já deu provas de conseguir ultrapassar com força de vontade e capacidade de trabalho.

Rafael Camacho (2,5)

Continua a ser o talismã de Silas, sendo apenas triste que raras vezes traga sorte. Desta vez teve mais minutos, aproveitando-os melhor do que é hábito, tanto nas alas como no miolo.

Jesé Rodríguez (3,0)

Entrou para o lugar do infeliz Luiz Phellype, numa lógica “és avançado-centro e não sabias” que lembra um cartaz do Iniciativa Liberal, e não se lhe pode negar impacto no resultado final. No lance de contra-ataque que culminou no livre directo cobrado por Bruno Fernandes foi ceifado por um adversário (que recebeu um amarelo do daltónico Rui Costa) quando se encaminhava para a baliza, e a jogada do 0-2 começa com uma recuperação de bola quando a equipa lidava com a expulsão de Acuña.

Vietto (3,0)

Entrou, viu e venceu. Muito bem servido por Bruno Fernandes, não hesitou perante a tentativa de mancha do guarda-redes e sossegou os corações leoninos.

Silas (3,0)

Os trejeitos que fez quando Bruno Fernandes tentou marcar de antes da linha de meio-campo ficaram-lhe mal, mas há que reconhecer que montou a equipa melhor do que no embate anterior com o Gil Vicente, assumindo o objectivo de manter a esperança na qualificação para a “final four” da Taça da Liga. Dito isto, não há motivos para optimismo quando falta um mês para os embates com o FC Porto e o Benfica, restando-lhe sobreviver aos próximos jogos, pois como tantas vezes se diz em Portugal, “depois mete-se o Natal”...

Erros de casting

No futebol os erros de casting são mais que frequentes. Quantas vezes vimos chegar um jogador que "parecia que" e afinal fomos de desilusão em desilusão até ao fim?

Mas também muitas vezes os julgamentos são precipitados e aqueles que pareciam uns flops nos supreendem e temos que engolir as nossas palavras.

O futebol é assim. Alguém disse, e com muita razão, que no futebol "o que hoje é verdade, amanhã é mentira".

Portanto, obviamente o que vou dizer em seguida vale o que vale, é apenas a minha opinião de hoje, muito avinagrada pelas últimas exibições, que aliás muito espero que seja desmentida no futuro próximo.

Esta estrutura de futebol do Sporting está contaminada por erros de casting mais do que evidentes, no relvado e fora dele, pessoas e profissionais que não correspondem ao que o Sporting precisava no momento actual, e que comprometem e destroem o trabalho daqueles poucos que se destacam e necessitam duma rectaguarda sólida e comprometida.

O Sporting com Jorge Silas, mudando de sistema e de jogadores em posições nucleares todos os jogos, sistematicamente joga mal e às vezes pessimamente. Contra equipas sempre de categoria inferior, tem ganho mais do que tem perdido, mas apenas isso. Tem sobrevivido à custa de rasgos individuais dos poucos artistas do plantel.

O Sporting precisa de mais profissionais de topo como Mathieu, Coates, Acuña e Bruno Fernandes.

Precisa dum treinador de guarda-redes como Nelson Pereira.

Precisa dum preparador físico de topo como Roger Spry ou Radisic.

Precisa dum treinador experiente e com grande capacidade de liderança como vários que já tivemos, cujos nomes todos conhecemos.

Mathieu colocou como condição para continuar a presença de Coates. Faz todo o sentido. O que não faz sentido nenhum é ver um Coates ao lado dum Ilori.

Bruno Fernandes se calhar não colocou condição nenhuma. Mas devia ter colocado. Um treinador de nível equivalente ao melhor que treine em Portugal. No mínimo com habilitações para orientar a equipa desde o banco.

Quanto ao director desportivo, o máximo responsável pelo "casting", chame-se ele Hugo Viana ou outra coisa qualquer, estamos conversados.

SL

Armas e viscondes assinalados: O melhor ataque é a defesa

Rosenborg 0 - Sporting 2

 Europa - 4.ª Jornada da Fase de Grupos

7 de Novembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Regressa da Noruega com aquilo a que uma tradução selvagem chamaria um “lençol lavado” e deve a ausência de golos sofridos não só à profusão de colegas com missões defensivas e à incapacidade dos adversários para fazerem melhor. Sempre que foi chamado a intervir esteve mais do que à altura e na segunda parte fez defesas essenciais para impedir que o Rosenborg sonhasse com outro resultado.

Rosier (2,5)

Tem físico e até alguma velocidade, mas cada uma das suas exibições leva o contabilista viciado em Football Manager que vive em cada um de nós a calcular quanto custaria resgatar Cédric Soares ao Southampton. Até porque conviria ter um lateral-direito menos permeável em jogos em que haja menos de cinco defesas.

Neto (3,0)

A frase “Neto fez o cruzamento que deu origem ao primeiro golo” pode parecer tão indecifrável quanto uma profecia dos maias. Mas é a mais pura verdade e a assistência do central português, na ressaca de um canto cobrado por Bruno Fernandes, poderia ser apresentada como exemplo de trajectória de bola para os laterais do plantel. Nas missões defensivas esteve seguro, embora não se tenha esquecido de somar faltas disparatadas, vendo numa delas um cartão amarelo prematuro.

Coates (3,5)

Desbloqueou o jogo com uma cabeçada que não ficaria mal a Bas Dost e foi o esteio de uma defesa marcadamente superpovoada. O uruguaio fez uma exibição “à patrão” e ainda teve a sorte de ver um adversário rematar para os fiordes, estando a poucos metros da baliza de Renan, na única jogada em que se deixou ludibriar.

Tiago Ilori (2,5)

Graves problemas de coordenação com Borja potenciaram os moderados calafrios sentidos pelos sportinguistas na segunda parte. Mas nem algumas perdas de bola disparatadas tiveram efeitos irreversíveis no resultado.

 

Borja (2,0)

É interessante que tenha protagonizado a primeira jogada de perigo do ataque leonino, avançando pela ala esquerda até fazer um cruzamento que foi desviado para canto. Mas logo se apagou o engano ledo e cego, seguindo-se mais uma demonstração das limitações técnicas e tácticas que fazem do colombiano um corpo estranho no futebol leonino.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Voltou a ser o “pivot” bipolar do meio-campo do Sporting, tão capaz de fazer cortes e lançar de imediato o contra-ataque – assim nasceu o 0-2 de Bruno Fernandes – como de fazer toques disparatados que os adversários agradecem como se fossem pães quentes, ou neste caso bacalhaus secos.

 

Eduardo (2,0)

Wendel foi reabilitado e voltou a integrar a convocatória. No entanto, foi o seu compatriota a manter a titularidade no meio-campo, sem no entanto demonstrar valor suficiente para ser uma opção válida.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Parecia fadado para mais um jogo aquém das suas possibilidades, com várias tentativas de remate descalibradas, até que recebeu a bola de Idrissa Doumbia e fez o que quis dos adversários que encontrou pela frente. Prejudicado pelos esquemas tácticos experimentados por Silas, o capitão da equipa luta para voltar a dar nas vistas e os três tentos em quatro jogos permitem colocá-lo no grupo de perseguidores ao melhor marcador da Liga Europa.

 

Vietto (2,5)

Andou ligeiramente às aranhas enquanto um dos dois avançados móveis do sistema táctico engendrado por Silas. Melhor na segunda parte, foi carregado de forma escandalosa dentro da grande área do Rosenborg sem que a equipa de arbitragem desse conta. Poderia vingar-se da injustiça aproveitando melhor uma bola que interceptou na grande área contrária, mas em vez de fazer golo vingou-se acertando no nariz do guarda-redes, provocando-lhe uma hemorragia.

 

Bolasie (2,0)

Mais mexido e intervertido do que o colega de ataque na primeira parte do jogo, o franco-congolês também não conseguiu deixar marca. E quando saiu esgotara há algum tempo a sua vontade de fazeramigos, influenciar pessoas e trazer pontos para o Sporting e para Portugal.

Rafael Camacho (2,0)

Cerca de 20 minutos em campo permitiram-lhe fazer um remate em arco que saiu perto da baliza e algumas boas movimentações. Mas ainda se encontra a longa distância de justificar os milhões quero seu passe custou aos cofres do Sporting.

 

Rodrigo Fernandes (2,0)

Pouco tempo teve para demonstrar que é uma opção válida para o meio-campo. Certo é que em nada comprometeu, alimentando a ideia de que poderá ser uma alternativa válida a Doumbia.

 

Pedro Mendes (2,0)

Tentou repetir o golo marcado em Eindhoven, mas desta vez o remate potente e de fora da área passou ao lado. Para quem saltou do banco de suplentes aos 90 minutos...

 

Silas (3,0)

Louve-se-lhe a coragem de deixar em Lisboa dois dos quatro melhores jogadores do plantel – precavendo o cansaço muscular de Mathieu e o possíveli amarelo que afastaria Acuña da recepção ao PSV – e de deixar iioutrios dois muito razoáveis (Wendel e Luiz Phellype) a enregelarem no bancio de suplentes. E ainda a aposta num 5-3-2 que não só disfarçou as fragilidades defensivas da equipa como abriu espaços para que os raros jogadores mais adiantados no terreno pudessem fazer a sua arte. Com o Sporting agora na liderança do seu grupo da Liga Europa, necessitando apenas de uma vitória nos próximos dois jogos para seguir em frente. No outro prato da balança está o facto de o futebol do Sporting ainda estar a anos-luz do mínimo exigível a um candidato ao título

Pódio: Coates, Bruno, Neto, Renan

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Rosenborg-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 18

Bruno Fernandes: 17

Neto: 17

Renan: 17

Idrissa Doumbia: 16

Ilori: 16

Vietto: 16

Rosier: 15

Bolasie: 14

Borja: 14

Eduardo: 14

Camacho: 13

Pedro Mendes: 6

Rodrigo Fernandes: 6

 

O Jogo e A Bola elegeram  Coates  como melhor em campo. O Record optou por  Bruno Fernandes.

Quente & frio

Gostei muito da nossa vitória de hoje na Noruega, frente ao Rosenborg, tetracampeão desse país nórdico. Terceiro triunfo consecutivo do Sporting na Liga Europa, desta vez por 2-0, com golos obtidos por Coates, de cabeça, na sequência de um centro de Neto (aos 16'), e por Bruno Fernandes, num tiro de pé esquerdo (aos 38'), dando a melhor sequência a um surpreendente passe de ruptura de Idrissa Doumbia, que julgo estrear-se em assistências para golo de Leão ao peito. Um resultado que nos coloca no primeiro lugar do Grupo D desta competição da UEFA, com mais dois pontos do que o PSV, hoje derrotado pelo Lask Linz (1-4). Acredito que este bom desempenho europeu do Sporting elevará os índices anímicos e motivacionais dos nossos jogadores. E contribuirá decerto para uma reaproximação entre a equipa e os adeptos.

 

Gostei da exibição de Coates, para mim o melhor em campo. Não apenas por ter marcado o golo inaugural do Sporting, incutindo assim confiança à equipa, mas por ter liderado a nossa organização defensiva, que se portou em bom nível global apesar da ausência de Mathieu e com a excepção que anotarei abaixo. Gostei da exibição de Vietto na segunda parte, quando conduziu vários lances ofensivos e se revelou o melhor no passe longo. Gostei ainda de ter visto o Sporting concluir este jogo com quatro jogadores da formação: Tiago Ilori, Rafael Camacho, Rodrigo Fernandes e Pedro Mendes. Este é o caminho mais correcto e Silas está a singrá-lo.

 

Gostei pouco das aves agoirentas que poisaram nas pantalhas minutos antes do início de jogo, traçando negros vaticínios para o desfecho desta partida disputada na cidade de Trondheim. Felizmente o Sporting demonstrou em campo ser uma equipa claramente superior ao onze adversário. A vitória foi categórica. E poderia ter sido mais dilatada: ficou um penálti claríssimo por marcar quando Vietto foi derrubado à margem das leis, aos 62', na grande área do Rosenberg.

 

Não gostei  dos dez minutos iniciais, em que se sucederam os passinhos curtos no nosso reduto defensivo, com o Sporting a revelar receio na progressão com bola. Apesar de Silas ter formado uma muralha defensiva constituída por três centrais (Coates, Ilori e Neto) e dois laterais (Rosier e Borja), acrescida de um duplo pivô no meio-campo (Idrissa e Eduardo), abdicando de um ponta-de-lança (Luiz Phellype ficou no banco e Pedro Mendes só entrou aos 90'). Parecia a repetição do jogo medíocre com o Tondela, mas felizmente não durou muito. Também não gostei de ver a nossa equipa recuar em excesso as linhas a meio da segunda parte, num período em que o perigo rondou a nossa baliza e só não originou golo do Rosenborg devido a uma defesa excepcional de Renan, aos 85'.

 

Não gostei nada da exibição de Borja, hoje titular por lesão de Acuña, que nem viajou para a Noruega. Se há posição que necessita de ser reforçada no plantel leonino é a de lateral esquerdo. O colombiano foi incapaz de fechar o corredor em momentos cruciais, raras vezes conseguiu entender-se com Ilori (o central que jogava mais perto da sua ala), provocou uma falta desnecessária que originou um livre muito perigoso aos 68' e entregou a bola aos 65' e aos 85'. Nesta última circunstância, só Renan - muito atento e de reflexos rápidos - foi capaz de corrigir a asneira. Apetece perguntar como é que Borja conseguiu tornar-se internacional pela Colômbia.

Coates, Coates, Coates!

Grande jogo finalmente, perante um adversário que deu muita luta e com imensa qualidade.

Para a apreciação individual cá virá o Leonardo Ralha, mas para mim o melhor em campo foi sem dúvida Vietto e Coates mereceu tanto aquele golo! Por tudo o que de bom lhe pode trazer e à equipa.

(eu disse ao Pedro Correia que acredito que Silas dará a volta a "isto". O que eu o desejo...)

Sportingggggggggggggg

Armas e viscondes assinalados: Quem não tem solução caça com carambola

Sporting 1 - Rosenborg 0

Liga Europa - Fase de Grupos 3.ª Jornada

24 de Outubro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

É provável que já no balneário, terminado o duche, tenha sentido aquela impressão de ter deixado algo por fazer. Mas a verdade é que desta vez não foi preciso ir buscar a bola ao fundo das redes, algo que não sucedia em Alvalade há demasiado tempo. O brasileiro contribuiu para tão inusitado desfecho com a sua competência, contando com Coates para resolver a mais evidente ocasião de golo dos noruegueses, criada por um desvio do próprio Coates contra Idrissa Doumbia.

 

Rosier (2,0)

A forma infantil como deixou que uma bola se perdesse pela linha lateral quase a meio do terreno não teve consequências gravosas devido à distância em relação à baliza, mas serve às mil maravilhas enquanto metáfora das limitações de um lateral que custou mais dinheiro do que Mário Centeno consegue cativar num dia em que tenha muitas reuniões na agenda. O francês pode ter muito potencial e convirá demonstrá-lo ainda durante esta legislatura, pois até agora o melhor argumento para a sua titularidade é a falta de inscrição de Ristovski.

 

Coates (3,0)

Terminada a fase dos autogolos, ficou perto de inaugurar a fase das assistências para autogolo, no tal alívio providencial que embateu em Idrissa Doumbia e quase traiu Renan. Mas eis que desta vez o uruguaio corrigiu o erro, retirando a bola da linha de golo com um pontapé digno de bailarina de can-can. Não foi a única ocasião em que desfez os sonhos mais lindos dos noruegueses, contribuindo de forma decisiva para a ausência de golos alheios.

 

Mathieu (3,0)

Um ou outro tropeção no relvado não puseram minimamente em causa a dedicação do francês em cada lance que passou pela sua área de jurisdição, ficando perto de marcar num livre directo ao seu melhor estilo. Há que aproveitá-lo enquanto existe, até porque os putativos substitutos foram todos vendidos ao desbarato.

 

Acuña (3,0)

 

Dono e senhor da ala esquerda, onde nenhum adversário conseguiu fazer-lhe frente, traçou cruzamentos como se tivesse um compasso escondido nas chuteiras. Pena é que a falta de pontaria dos colegas e a miopia do árbitro não tenham dado o devido seguimento às suas iniciativas, tal como se pode lamentar que volte a enveredar por um registo quezilento que esteve prestes a retirá-lo das contas para o próximo jogo da Liga Europa.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Aproveitou da melhor forma as limitações técnicas do adversário para garantir o sossego no meio-campo que não conseguiu com uma equipa do terceiro escalão do futebol português. Marcou alguns pontos com a velocidade e capacidade de antecipação, o que lhe vem mesmo a calhar numa altura em que Battaglia estará quase recuperado e Rodrigo Fernandes foi promovido ao plantel principal.

 

Wendel (2,5)

Mais um jogo em que o jovem brasileiro não conseguiu ter a influência na construção de jogadas de ataque leoninas que se exige a quem tem artistas como Bruno Fernandes e Vietto por perto. A melhoria do Sporting para níveis dignos dA sua camisola depende de muitos factores, mas o desempenho de quem tem a cargo a posição 8 é um dos principais.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Voltou a fazer tremer a barra da baliza adversária num livre directo, o que só valia pontos num programa televisivo, valendo-lhe o facto de o Rosenborg ser muito menos perigoso do que o Alverca. Sem nunca conseguir o melhor “timing” na hora de rematar, até porque os adversários estão mais do que avisados quanto à sua arma secreta, limitou-se a empurrar os colegas para a frente com o critério de sempre e a servir de alvo para as recorrentes entradas faltosas dos noruegueses. Aberrante só o facto de não ser o melhor da equipa em vários jogos consecutivos.

 

Vietto (3,0)

Começou com um cabeceamento perigoso e não mais desistiu de deixar marca no resultado. Acabou por consegui-lo, indirectamente, pois o ressalto de um dos seus remates sobrou para Bolasie decidir o resultado.

 

Bolasie (3,0)

Assume o “um contra um” com uma coragem difícil de encontrar no resto do plantel, recorrendo à força e ao engenho para ganhar a linha e cruzar. Embora tal aptidão pudesse trazer maiores dividendos caso Bas Dost não tivesse sido vendido em saldo, o certo é que o franco-congolês esteve no sítio certo à hora certa, cabeceando a bola de modo a bater no pé de um defesa e trair o guarda-redes do Rosenborg. Certo é que as vitórias obtidas por carambola valem o mesmo que as vitórias conseguidas com golos dignos do Prémio Puskas.

 

Luiz Phellype (2,0)

Houvesse VAR na Liga Europa e o seu momento mais próximo da glória, num remate de cabeça desviado pelo braço de um adversário, daria origem a uma grande penalidade. É possível que a injustiça tenha marcado a sua exibição, que esteve longe de ser brilhante, não obstante a capacidade de trabalho que demonstra em todos os jogos.

 

Pedro Mendes (2,5)

Recebido pelas bancadas de Alvalade com uma enorme ovação, o goleador dos sub-23, acabado de promover ao plantel principal - embora só possa jogar na Liga Revelação até janeiro, visto que a inigualável preparação desta temporada incluiu a sua não-inscrição na Liga –, não repetiu o feito do golo-relâmpago de Eindhoven. Fica, no entanto, ligado à vitória pelo bloqueio digno de Jorge Jesus que permitiu o cabeceamento de Bolasie.

 

Borja (2,0)

Entrou para proteger a magra vantagem e ajudou a que esta não desaparecesse.

 

Eduardo (-)

 

Mal deu para fazer jus ao “que a camisola é para suar” dos novos bodes expiatórios da direcção leonina.

 

Silas (3,0)

Lançou para o relvado uma equipa apostada em dominar, o que se traduziu numa percentagem de posse de bola esmagadora. Mas ainda há muito a melhorar na finalização, pois receber o Vitória de Guimarães promete ser mais complicado.

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