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És a nossa Fé!

O dia seguinte

Quando liguei a TV e vi um Pedro Gonçalves no chão a contorcer-se com dores aquando do aquecimento da equipa, fiquei com um mau pressentimento, pensei logo que as coisas não iam correr nada bem neste primeiro jogo depois da bem sucedida visita ao Dragão e da descompressão natural do plantel daí decorrente.

Começou o jogo e tudo se confirmou. Os primeiros minutos foram do Santa Clara com uma série de cantos a seu favor, e o Sporting a sair bem em construção mas sem imaginação nem soluções para criar qualquer perigo. Duma situação fortuita, um roubo de bola, um passe curto perfeito, um remate preciso, veio o golo de Pedro Gonçalves, e logo pensei que o mais difícil estava feito, seria aumentar o ritmo, marcar o segundo e fechar a loja. Mas nada disso aconteceu, a equipa continuou na mesma cadência, numa circulação de bola que cansava o adversário mas pouco mais e o intervalo chegou sem qualquer oportunidade para aumentar a vantagem.

Veio a segunda parte e nada melhorou, antes pelo contrário. Os minutos foram passando sem qualquer oportunidade de golo para ambos os lados, fui olhando para o relógio, os 90 minutos nunca mais chegavam para acabar com tão pobre jogo, mas na passagem dos 80 um contra-ataque rápido, um centro largo para o lado contrário, um centro tenso que Feddal cortou para os pés do avançado do Santa Clara e empate. Já fomos, pensei. E fizemos por isso, pensei também. E lá veio um chorrilho de asneiras em voz alta para descomprimir.

Mas o golo do adversário parece que accionou um despertador. Na equipa e em Amorim, que logo recorreu ao plano C (de Caos, de Coates, de C... vamos a eles). Com Jovane e Coates lá na frente, a equipa começou a correr, a bola a circular com critério, o adversário encostado às cordas, primeira oportunidade falhada, segunda falhada, terceira lá dentro. E lá soltei um berro que se ouviu na estação dos comboios.... Uff...

 

Mas então o que correu mal ontem para ser preciso tanto sofrimento?

Podemos falar de desgaste, da tal descompressão, da atitude, mas antes do mais existe uma questão que esta equipa continua a ter dificuldade de resolver: conjugar controlo com intensidade, é intensa quando não pensa em controlar, controla o jogo baixando de intensidade, parece que funciona a uma só velocidade. Ontem isso teve muito a ver com os dois alas que estiveram francamente mal, sem rasgarem pelo corredor nem municiarem um Tiago Tomás também ele sem sem soluções. Com esse triângulo ofensivo sem funcionar, João Mário, Tabata, Pedro Gonçalves agarravam-se à bola no meio de muitos adversários e tornavam-se inconsequentes, com excepção do primeiro golo, cozinhado entre os três. Com Matheus Reis e Nuno Santos finalmente houve flanco esquerdo, mas do lado direito Matheus Nunes foi sempre um peixe fora de água, Plata faz muitíssimo melhor o lugar.

Mas pronto, agora com a santa protectora Maria José Valério a amparar-nos, foram mais 3 pontos neste caminho das pedras para a Champions ou "algo mais".

 

Importa agora recuperar fisicamente Paulinho e Porro, E também, se calhar, mentalmente Jovane e Plata, dar descanso a alguns jovens desgastados que já muito fizeram, e ir ganhar "à minha terra", onde Coates e o Sporting já foram muito felizes também.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados em Alvalade. Desta vez o triunfo ocorreu contra o Santa Clara. Começado a construir aos 22' e consumado já no tempo extra - uma vez mais - quando estava decorrido o penúltimo dos quatro minutos de compensação concedidos pelo árbitro. Desatando assim o empate que a equipa açoriana ameaçara impor aos 84'. Este Sporting soma e segue. Com estrelinha, sim. Mas não há campeões sem sorte, nunca houve. 

 

De Coates. Foi ele quem nos valeu esta vitória. Actuando novamente como se fosse ponta-de-lança - posição que continua por preencher neste Sporting 2020/2021. Num cabeceamento letal, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de João Mário. Já antes, aos 87', fizera um amortecimento impecável, também de cabeça, para servir Jovane em zona frontal da grande área e aos 89' cabeceara ao lado após um canto. Quando a equipa peca por excesso de juventude, entra ele em cena, impondo a maturidade. Voltou a acontecer. O melhor em campo.

 

De João Mário. Outro desempenho de grande nível do campeão europeu, titular indiscutível deste Sporting que ontem deu mais um passo decisivo para vencer o campeonato nacional. Esteve nos dois golos da equipa: aos 22', recuperando lá na frente, quase junto à linha direita, uma bola que parecia perdida e metendo-a com critério nos pés de Tabata, que assistiu Pedro Gonçalves; aos 90'+3, assistindo Coates com um cruzamento tenso e teleguiado. Recuperou muitas bolas a meio-campo e soube endossá-las aos colegas com superior qualidade técnica. Que diferença para a época passada, quando tínhamos um meio-campo povoado com Eduardos e Doumbias...

 

De Pedro Gonçalves. Até esteve apagado e algo errático. Mas no momento crucial a equipa voltou a contar com ele. Ao marcar o nosso primeiro golo, num remate cruzado, rasteiro, bem assistido por Tabata. Lidera cada vez mais isolado a lista dos marcadores da Liga. Já com 15 golos.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. Uma vez mais, grande argúcia do treinador ao mexer na equipa. Matheus Reis (substituiu Nuno Mendes aos 57'), Nuno Santos (substituiu Tiago Tomás aos 70'), Daniel Bragança (substituiu Tabata aos 71') e Jovane (substituiu Feddal aos 86') mexeram com o jogo leonino, melhorando a nossa movimentação em campo. Matheus revelou muito mais acutilância no corredor esquerdo, Nuno foi vital no golo da vitória ao cruzar a toda a largura lá na frente para recepção de João Mário, Daniel destacou-se nas movimentações entre linhas e Jovane iniciou a construção do lance decisivo, culminado no cabeceamento de Coates que todos festejámos. Único reparo: o luso-caboverdiano, um dos maiores desequilibradores do plantel, devia ter entrado mais cedo.

 

Da eficácia da equipa. Ao primeiro remate, e único na primeira parte, marcámos o golo inicial, construindo o resultado que se mantinha ao intervalo. Seguiram-se mais três ocasiões, duas das quais desperdiçadas: Nuno Santos quase marcou aos 72' (defesa apertada do guarda-redes); Jovane atirou à figura aos 87' e Coates fez o 2-1 ao cair do pano. Quatro oportunidades, dois golos. Sorte? Sim. Mas talento e mérito também.

 

Do Santa Clara. Entrou muito bem no jogo, complicando a vida ao Sporting a pressionar alto e a condicionar a nossa saída de bola: aos 3', já tinha conquistado três cantos. Sem estacionar o autocarro, jogando de forma descomplexada. A equipa de São Miguel mereceu o golo marcado aos 84' (aproveitando um mau alívio de Feddal) e não teria sido injusto se tivesse saído de Alvalade com um empate. Faltou-lhe a sorte que nós tivemos.

 

Da nossa reacção ao empate. Acelerámos o ritmo, impusemos enfim a nossa superioridade no plano técnico, demonstrámos saber jogar como equipa grande - o que não tinha acontecido até ao Santa Clara empatar. Foram dez minutos de pressão constante sobre a baliza açoriana, com bons lances colectivos e evidente «união de grupo», como acentuou o capitão Coates na zona das entrevistas rápidas após o fim da partida. Frase-chave para definir este Sporting.

 

Do árbitro. Actuação meritória do juiz da partida: Manuel Oliveira impôs um critério largo, coerente do princípio ao fim, numa partida facilitada pela atitude correcta dos jogadores de ambas as equipas. Demonstrando, a outros senhores do apito, que é possível arbitrar com isenção e competência. Fica o elogio, sem favor algum. 

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos invictos à 22.ª jornada. Melhor desempenho de sempre do Sporting nesta fase, utrapassando o anterior máximo - 21 jogos seguidos sem derrotas num mesmo campeonato - estabelecido pela equipa campeã liderada por Malcolm Allison na saudosa época 1981/1982. Na Europa, só Rangers (30 jogos consecutivos sem perder) e Estrela Vermelha (23 jogos) estão melhores que nós neste aspecto.

 

De já somarmos 58 pontos. Correspondentes a 18 vitórias e quatro empates. Mais um do que o Benfica na época passada (19V - 0E -3D), mais quatro do que o FC Porto na temporada 2018/2019 (17V - 3E - 2D).

 

Que o Sporting continue a marcar, jogo após jogo. Ainda não ficámos em branco em nenhum dos jogos disputados no nosso estádio nesta Liga 2020/2021.

 

De continuarmos a ser, de longe, a equipa menos batida. Só onze golos sofridos em 22 jornadas. Média exacta: apenas meio golo por desafio. O equilíbrio defensivo é um dos segredos do nosso sucesso.

 

 

Não gostei
 

 

De Nuno Mendes. Talvez a pior exibição do jovem ala esquerdo na equipa principal. Totalmente desinspirado. Falhou passes, desperdiçou cruzamentos, foi incapaz de progredir no terreno, emperrou o jogo no seu corredor. O treinador deu-lhe ordem para sair, aos 57'. Ficou a sensação de que já saía tarde.

 

De Tiago Tomás. Outro jogador que passou ao lado da partida. Deixou-se condicionar pela marcação, foi facilmente anulado pelos centrais adversários e faltou-lhe engenho para vir buscar a bola mais atrás. Teve uma oportunidade soberana de visar as redes, aos 48', mas desperdiçou-a por deficiente recepção. Saiu aos 70', sem ter feito um só remate.

 

Da ausência de Porro. O internacional sub-21 ficou fora da convocatória, por lesão muscular. Matheus Nunes actuou no seu lugar, mas com bastante menos eficácia: foi uma solução de recurso que só confirmou como Porro é indispensável no onze titular e o recém-regressado João Pereira não chega a ser alternativa.

 

Da nossa apatia ofensiva. Tirando o lance do primeiro golo, só fizemos um segundo remate à baliza aos 72', por Nuno Santos. Cinquenta minutos sem tentar alvejar as redes adversárias. Como se a prioridade absoluta fosse defender a magra vantagem conseguida cedo. Jogo pastoso, desenrolado em poucos metros e abusando dos passes à queima para o guarda-redes Adán. Em vez de nos virarmos na direcção contrária.

 

De ouvir a Marcha do Sporting já com a voz póstuma de Maria José Valério. Se o Sporting for campeão, como quase todos desejamos, essa título deverá ser dedicado a ela.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do resultado que trouxemos do Dragão. Neste clássico, correspondente à 21.ª jornada da Liga 2020/2021, dois objectivos nos serviam: a vitória ou o empate. Prevaleceu o segundo (0-0), confirmando que os portistas são incapazes de nos vencer esta época: em três confrontos, perderam um e empataram nos restantes. Ao contrário do que sucedeu na temporada anterior. Mantemos os dez pontos de vantagem em relação ao FCP, ainda segundo. Estamos a dez triunfos de nos sagrarmos campeões nacionais de futebol. Nota a reter: não empatávamos neste estádio desde 2008/2009.

 

De Rúben Amorim. O treinador leonino montou uma estratégia para este clássico que resultou em pleno. Concedeu iniciativa ao adversário, tapando-lhe todos os acessos à nossa baliza. A espaços, alterou o habitual dispositivo táctico da equipa, fazendo o Sporting alinhar num 5-4-1 (fazendo recuar Nuno Santos e Pedro Gonçalves como reforços para o meio-campo) e anulando espaços entre linhas para os mais criativos do FCP, como Otávio e Corona. Sérgio Conceição só pode estar satisfeito com o empate. Até porque, em termos tácticos, saiu derrotado do Dragão. 

 

De Coates. Elejo o nosso capitão como o melhor em campo. Ele merece. A primeira acção digna de nota do onze visitante foi protagonizada por ele, com um desarme impecável a Marega, logo aos 4'. Antecipando, de algum modo, o que viria a ser este clássico. O internacional uruguaio é a imagem perfeita da serenidade. Lidera com extrema competência o nosso bloco defensivo, que em 21 jogos só sofreu dez golos e em 13 desafios, incluindo neste, não sofreu nenhum - melhor marca de sempre do futebol leonino. Voltou a revelar eficácia máxima neste confronto. Merece ser distinguido antes de qualquer outro.

 

De Feddal. O central marroquino, que tantas críticas injustas recebeu de alguns "verdadeiros adeptos" no início da temporada, tem-se revelado o complemento perfeito de Coates: até parece que jogam juntos há longos anos. Esta parceria voltou a funcionar na perfeição, para desespero dos portistas, incapazes de penetrar naquela muralha defensiva. O marroquino, além da exemplar disciplina posicional, tem ainda o mérito de tentar uma vez e outra o passe longo, para as costas da defesa adversária, solicitando os colegas lá mais na frente.

 

De Adán. Continua a ser um baluarte da nossa equipa: transmite segurança, evidencia personalidade, intimida os avançados contrários. Fundamental, neste jogo, a travar o mais perigoso ataque do FCP, desviando para canto um remate de Manafá aos 27' que levava selo de golo. Saiu muito bem dos postes aos 30' e aos 82'. E neutralizou um cabeceamento de Taremi, aos 89'. Merece destaque, para não variar.

 

De João Mário. Actuou como verdadeiro campeão europeu, cumprindo a missão que Amorim lhe transmitiu: arrefecer o caudal ofensivo adversário, temporizar o jogo, segurar a bola, passá-la com segurança. Missão fundamental, nem sempre compreendida pelos adeptos (os mesmos que tantas vezes assobiaram Nani no nosso estádio). O internacional formado em Alcochete revela sobriedade e maturidade, atributos fundamentais numa equipa muito jovem. Substituído aos 86' por Jovane: saiu de campo seguramente com a noção do dever cumprido. Foi um dos elementos mais em foco neste clássico.

 

De Palhinha. Amorim fez muito bem em exigir à SAD a manutenção deste jogador, que já conhecia bem de Braga: o nosso médio defensivo titular voltou a ser fundamental num confronto com os portistas. Impecável sentido posicional, em complemento perfeito com João Mário. Fundamental nas recuperações, mesmo tendo errado alguns passes. E praticamente sem necessidade de recorrer a faltas: cometeu apenas duas neste jogo. 

 

Da entrada de Matheus Nunes. De todos os jovens que vêm actuando neste Sporting 2020/2021 o que mais tem evoluído é o luso-brasileiro que em boa hora fomos buscar ao Estoril. Ontem entrou aos 64', para render Nuno Santos, e logo se fez notar com diversos movimentos de ruptura. Aos 73' protagonizou a melhor oportunidade de golo de todo o encontro, ao conduzir a bola durante cerca de 40 metros na ala direita deixando vários opositores para trás: faltou-lhe apenas pontaria certeira no momento do remate. Voltou a causar desequilíbrios aos 78' e aos 79', revelando enorme capacidade de progressão com bola e confirmando que nunca se esconde nos grandes jogos. Merece ser titular.

 

Do árbitro. Antes do jogo, lancei aqui um alerta contra João Pinheiro - responsável por anteriores arbitragens ardilosas em prejuízo do Sporting. Tenho de reconhecer, no entanto, que o árbitro se mostrou à altura da importância deste jogo: não cometeu nenhum erro digno de nota, não inclinou o campo, não teve influência no resultado.

 

Deste obstáculo felizmente superado. O FCP-Sporting de ontem era um dos três jogos à partida mais difíceis que tínhamos nesta segunda metade do campeonato. Talvez fosse até o mais complicado. Faltam o Braga-Sporting e o Benfica-Sporting. O caminho rumo ao título tornou-se menos árduo. E continuamos sem perder com os três principais rivais, o que é uma excelente notícia.

 

Que o Sporting continue invicto. Nenhuma derrota até ao momento no campeonato. Temos agora 55 pontos amealhados, o que nos garante desde já um "lugar europeu". 

 

Do caminho percorrido. Desde a já longínqua época 1981/1982 (em que fomos campeões nacionais, com o fabuloso tridente ofensivo Jordão-Manuel Fernandes-Oliveira) não estávamos há 21 jogos sem perder no campeonato. Parabéns aos jogadores, parabéns ao treinador.

 

 

Não gostei
 

 

Da ausência de Paulinho. Lesionado num treino antes do jogo anterior a este, o reforço recentemente contratado ao Braga continua fora das opções de Amorim. Viajamos ao Dragão sem nenhum ponta-de-lança de raiz: Tiago Tomás foi o elemento mais adiantado no terreno, mas não tem características de avançado posicional. O que mais valoriza este nosso resultado.

 

De Pedro Gonçalves. Sinal menos para o nosso médio criativo, que passou praticamente ao lado do jogo. Anulado pelas marcações cerradas, perdeu muitos passes, atrapalhou-se com a bola, acusou algum excesso de individualismo. Aos 14', em zona frontal, decidiu muito mal, rematando para muito longe da baliza. Redimiu-se em algumas acções defensivas, mas não o suficiente para merecer nota positiva. Esperávamos muito mais dele.

 

Da primeira parte. Jogo mastigado e monótono, que não evoluía do meio-campo, sempre com a baliza muito longe. Felizmente houve um pouco mais de emoção nos 45' finais.

 

Da ausência de golos. Futebol sem eles sabe sempre a pouco. Em 21 desafios da Liga 2020/2021, este foi o primeiro em que ficámos em branco. 

 

De ausência de público. É confrangedor olhar para as bancadas dos nossos estádios e continuar a vê-las vazias. Há quase um ano que é assim. Até quando?

Pódio: Coates, Gonçalo Inácio, Bragança

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Gil Vicente-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 21

Gonçalo Inácio: 16

Daniel Bragança: 16

Porro: 16

Nuno Santos: 15

João Mário: 14

Matheus Reis: 14

Tiago Tomás: 14

Palhinha: 14

Adán: 14

Pedro Gonçalves: 14

Matheus Nunes: 13

Antunes: 12

Feddal: 12

Paulinho: 12

Neto: 11

 

Os três jornais elegeram Coates como melhor jogador em campo.

O dia seguinte

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Foi uma noite épica em Barcelos, um jogo tremendamente complicado pela competência do adversário e pela inclemência da intempérie, que só foi possível ganhar na raça e no amor à camisola do nosso grande capitão e mais uma vez herói da noite - Seba Coates -e dos seus fiéis escudeiros. A começar por aqueles três jovens magníficos de Alcochete que aparecem na foto e saltaram do banco na segunda parte para revolucionar o futebol da equipa.

Veio Rúben Amorim dizer na conferência de imprensa que quando falta intensidade a equipa não é a mesma. Eu ia um pouco mais longe: diria que a equipa por vezes se perde no equilíbrio que é necessário ter entre controlo e intensidade. Depressa e bem não há quem, devagar e bem de pouco serve no futebol.

O Sporting entra em campo com a lição estudada, os jogadores procuram fazer bem e não errar, construir desde trás, circular a bola cansando o adversário, reagir prontamente à perda, explorar a profundidade, entrar por zonas interiores. Tenta fazer tudo isso, mas com um adversário compacto e competente vai perdendo gás, facilitando a vida ao opositor, enervando-se com o passar dos minutos e incorrendo em erros que paga caro. Foi o que aconteceu ontem na primeira parte, tendo o Sporting chegado ao intervalo com as mesmas três oportunidades de golo mas em desvantagem no marcador.

Quando se esperaria que Rúben mexesse à frente, com João Mário ou Jovane por exemplo, fez exactamente o contrário: transformou o sector da construção e foram saindo Neto, Antunes, Matheus Nunes, Palhinha e Feddal para entrarem Inácio, Tiago Tomás, Daniel Bragança, João Mário e Matheus Reis. Com isso o Sporting foi-se tornando cada vez mais intenso, a bola passou a circular bem mais rápida a toda a largura do campo, os lances de perigo foram-se sucedendo, o Gil cada vez mais encostado às cordas, e "El Patrón" sentenciou.

Foi então a explosão de alegria de todos nós: mais três pontos ganhos neste caminho das pedras infestado de serpentes e lacraus que nos há-de conduzir ao grande objectivo da época.  

E quem não salta é lampião, em Portugal, no Mónaco e em todo o mundo!

Enormes parabéns ao nosso capitão, parabéns à equipa de irmãos que sempre acreditou, ao nosso treinador e ao nosso presidente, castigado com 45 dias por ter dito o que todos sabem e que veio lembrar-nos que as bazófias e os gozos descabidos apenas servem aos poderosos e influentes rivais, o que até seria desnecessário lembrar dada a triste experiência de há cinco anos, mas há gente que não aprende de facto.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos arrancados a ferros frente ao Gil Vicente. Num campo que não costuma ser fácil (basta lembrar que na época passada perdemos 1-3 em Barcelos), impusemos o nosso futebol com domínio total na segunda parte, após 45' em que claudicámos bastante. Acreditámos sempre e virámos um resultado desfavorável (0-1, que se manteve até aos 83') conseguindo uma vitória por 2-1. Como sucedera no jogo da primeira volta, em Alvalade, quando abrimos o marcador só aos 82'. Agora, tal como então, os minutos finais tiveram recorte épico: houve emoção até mesmo ao cair do pano.

 

De Coates. O melhor em campo. Esta vitória leonina frente ao Gil Vicente - daqueles jogos que contribuem muito para conquistar ou perder campeonatos - deve-se antes de mais ninguém ao nosso capitão, autor dos dois golos. O primeiro aos 83', com um pontapé rasteiro aproveitando um ressalto na grande área, em posição frontal. O segundo aos 90'+1, de cabeça, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto apontado por Porro. O primeiro bis do uruguaio para o campeonato de Leão ao peito. Uma forma soberba de assinalar o seu 225.º jogo pelo Sporting.

 

Da capacidade de reacção de Rúben Amorim. Vendo o Sporting perder ao intervalo, o treinador tentou tudo para virar o rumo da partida. E conseguiu: esgotou as substituições e, a cada mexida que fazia, o Sporting foi ficando melhor. Saíram jogadores mais fatigados ou desinspirados, entraram outros mais velozes e acutilantes. Foi assim logo no minuto inicial da segunda parte, quando Gonçalo Inácio e Tiago Tomás renderam Neto e Antunes. A tendência reforçou-se aos 55', quando Amorim decidiu trocar Matheus Nunes por Daniel Bragança. E manteve-se aos 74', com as entradas de Matheus Reis (em estreia absoluta no Sporting) e João Mário para os lugares de Feddal e Palhinha. Saber ler o jogo é isto. E acreditar até ao fim também.

 

Da aposta na juventude. Pormenor a assinalar: quatro dos cinco jogadores que saltaram do banco são da formação leonina. Gonçalo Inácio (que talvez tenha agarrado ontem a titularidade, como central encostado mais à direita), Tiago Tomás, Daniel Bragança e João Mário. Este Sporting não se limita a ganhar jogos atrás de jogos: vai vencendo com a chamada prata da casa. Que não é prata: é ouro.

 

Do árbitro Nuno Almeida. Actuação irrepreensível do juiz da partida, desta vez numa demonstração clara de competência. Vários dos seus colegas - João Pinheiro, Luís Godinho, Fábio Veríssimo - deviam seguir-lhe o exemplo.

 

De termos consolidado a nossa liderança à 18.ª jornada. Nesta entrada na segunda volta da Liga 2020/2021, amealhámos sete pontos: os três agora conquistados em Barcelos somados aos quatro que FC Porto e Braga perderam, em partes iguais, no confronto que terminou empatado 2-2 na capital do Minho. Neste momento, com 48 pontos, temos oito de avanço sobre o FCP, que segue em segundo, e estamos com mais onze do que Braga e Benfica, que disputam o terceiro posto. E destacamo-nos também como a equipa com melhor registo pontual fora de casa: 28 conseguidos em 30 possíveis (a excepção foi o empate 2-2 em Famalicão).

 

De continuarmos invictos. Dezoito partidas, nem uma derrota. E levamos 18 jogos sempre a marcar: até agora nunca ficámos em branco. Temos o segundo melhor ataque do campeonato (38 golos, menos três do que o FCP) e a melhor defesa (dez golos sofridos, menos quatro do que Paços de Ferreira e V. Guimarães). 

 

Da esperança que se reforça. Ninguém duvida: somos neste momento a equipa favorita para conquistar o campeonato nacional de futebol, que lideramos há 12 jornadas. Faltam-nos 16 jogos que serão para nós verdadeiras finais. Nove dessas partidas serão disputadas no Estádio José Alvalade.

 

 

Não gostei
 

 

Da nossa primeira parte. Exibição medíocre do onze leonino, acusando falta de intensidade e ausência de soluções ofensivas, com vários elementos em claro défice de rendimento: Neto, Antunes, Feddal, Palhinha, Matheus Nunes (bem substituídos). Também Pedro Gonçalves esteve bastante abaixo do nível a que nos habituou, embora tenha sido fundamental para a conquista dos três pontos: é ele quem sofre a falta aos 90' de que resultou o livre e o nosso golo da vitória.

 

Do golo sofrido aos 36'. O lado esquerdo da nossa defesa permitiu livre circulação ao japonês Fujimoto, que se infiltrou com rapidez na área e rematou à queima-roupa, sem hipótese para Adán. Décimo golo sofrido pelo Sporting no campeonato: ainda assim continuamos com uma média baixíssima. Mas não evitámos ir para o intervalo a perder - algo que já não nos sucedia há quatro meses no campeonato, desde que recebemos o FCP em Alvalade.

 

Das péssimas condições atmosféricas. O futebol, reza o chavão, é um desporto de Inverno. Mas o mau tempo vem-se prolongando jornada após jornada, prejudicando a qualidade do espectáculo. Ontem, em Barcelos, houve chuva diluviana, vento, granizo e até trovoada. Em certas ocasiões arrepiava só de olhar. Felizmente não há novas lesões a registar no plantel leonino.

El patrón

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Digam o que disserem, Sebastián "Seba" Coates é um dos melhores defesas centrais que o Sporting alguma vez teve, um leão de raça que nunca se esconde do jogo e ruge nos momentos críticos. Na final da Taça da Liga esteve simplesmente imperial, fez uma das melhores exibições de sempre com a camisola do Sporting, repetindo o que tinha feito na última Taça de Portugal ganha no Jamor. 

Desde os tempos do meu ídolo Hector "Chirola" Yazalde, e os defesas centrais daquele tempo não eram extraordinários, que o Sporting contou com magníficos jogadores na posição, como Luisinho, Marco Aurélio, Naybet, André Cruz, Beto ou Mathieu. Tal como Damas "dava frangos" e fazia defesas milagrosas, todos eles tiveram momentos menos bons e momentos de glória, todos eles tinham qualidades e defeitos, todos eles deixaram saudades quando partiram. Nenhum deles pode apresentar, nem de perto nem de longe, os números e as conquistas que Coates conseguiu já ao serviço do Sporting do qual é capitão de equipa desde há cerca de um ano: foram 221 jogos, 16 golos marcados, uma Taça de Portugal, três Taças da Liga. "And counting", como dizem os ingleses, porque pode vir aí muito mais.

O uruguaio Sebastián Coates formou-se no Nacional de Montevideo e já internacional A do seu país mudou-se para o Liverpool, onde não foi feliz: foram quatro anos marcados por lesões e empréstimos. Chega ao Sporting em Janeiro de 2016 nessa condição de emprestado, e com a desconfiança decorrente dos problemas anteriores, mas logo convence e em Fevereiro de 2017 o Sporting adquire o seu passe por cerca de 5 milhões de euros, assinando com ele um contrato até 2022, ficando com uma cláusula de rescisão de 45 milhões de euros.

Em 2018 surge visado estupidamente e desde o sofá pelo presidente que o contratou com a bonita frase "vi Coates e Mathieu a fazerem o que os avançados do Atlético não conseguiam."  Vê-se envolvido como todos os colegas na guerra aberta entre presidente e plantel, assiste impotente à vergonhosa e cobarde invasão da Academia de Alcochete, sofre a humilhação da derrota no Jamor e os insultos igualmente cobardes dos idiotas das claques nas escadarias do mesmo. Mesmo assim aguenta e não desiste, do clube e do país que não é o seu, obteve em devido tempo as garantias necessárias e com os que ficaram, regressaram e vieram, ajudou o futebol do Sporting a reeguer-se.

A recompensa veio logo nessa época com duas Taças. Em 2020 recebeu o Prémio Stromp de Futebolista do Ano. Não podia ter havido melhor escolha, que premiou o que de longe me parece ser um grande homem, introspectivo, calmo e sossegado, resiliente, nervos de aço, como demonstrou naquele momento em que interpretou prontamente a asfixia de Salin e lhe evitou males maiores desenrolando-lhe a língua.

Além de tudo isto, Coates é presença constante na selecção do seu país, pela qual conta 40 jogos e um golo, estando presente no Mundial da Rússia de 2018 onde chegaram à meia-final eliminando Portugal nos oitavos. Por isso mesmo sofre um desgaste incrível durante a temporada, muitas horas passadas em viagens intercontinentais, mudanças de clima e alimentação, etc. Nem sempre consegue voltar como partiu. O que valoriza ainda mais o seu desempenho.

Coates é um defesa central do antigamente, alto e pesado, que sabe impor respeito nas duas áreas, excelente leitura de jogo e capacidade de comando, mas também é muito forte tecnicamente, tem boa finta curta, sabe passar curto e à distância, sabe bem cabecear e marcar penáltis. Para ser perfeito falta-lhe apenas saber marcar livres como André Cruz ou Mathieu e ter a velocidade de recuperação de alguém menos pesado do que ele, que mais parece um pivot do andebol. E já agora refrear aquele seu ímpeto de entrar com a bola pela baliza dentro depois de fintar meia equipa adversária, duvido até que o falecido Maradona alguma vez o tenha feito.

Pela tal natural falta de velocidade de recuperação, Coates sofre numa táctica de quatro defesas quando tem ao seu lado uma barata tonta como lateral, sempre ausente em parte incerta, e foi muito isso que Coates teve ao longo do seu percurso no Sporting. Com Rúben Amorim encontrou finalmente uma táctica em que se sente de faca e garfo com uma bela picanha uruguaia à frente e o copo do mate ao lado, finalmente não tem de ir ao encontro de Galenos embalados e soltos de marcação. 

Logo à noite vamos mais uma vez desfrutar com "El patrón" a liderar a equipa do Sporting na corrida pelos primeiros lugares da Liga. Que seja mais um dia de sorte e de sucesso para ele, para a equipa e para todos nós.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL 

Pódio: Coates, Porro, Gonçalo Inácio

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Braga (final da Taça da Liga) pelos três diários desportivos:

 

Coates: 19

Porro: 18

Gonçalo Inácio: 18

Adán: 16

Feddal: 15

Palhinha: 15

Pedro Gonçalves: 15

Matheus Nunes: 13

João Mário: 13

Nuno Mendes: 13

Tiago Tomás: 12

Sporar: 12

Nuno Santos: 11

Jovane: 10

Neto: 1

 

A Bola e o Record elegeram  Coates  como melhor jogador em campo. O Jogo optou por  Porro.

Quente & frio

Gostei muito desta conquista da Taça da Liga - o nosso terceiro título de campeões de Inverno em quatro temporadas, primeiro conseguido sem recurso ao desempate por grandes penalidades. Uma vitória que culmina a excelente organização colectiva do futebol leonino, com reflexos dentro e fora do campo. E que é um triunfo, acima de tudo, do actual treinador. Rúben Amorim, em apenas 11 meses, conseguiu renovar por completo a equipa, incutindo-lhe dinâmica e força competitiva sem perder qualidade técnica. Apostou nos jovens, acreditou na formação, trouxe ambição para Alvalade. Não por acaso, lideramos o campeonato, onde somos o único emblema sem derrotas à 14.ª jornada. Não por acaso, deixámos para trás o FC Porto nas meias-finais desta competição que voltamos a ganhar após um ano de interregno, batendo o Braga na final disputada em Leiria. Uma final com exibição magnífica de Coates, pilar da nossa estrutura defensiva, verdadeiro patrão do onze, capaz de travar todo o fluxo ofensivo adversário. Neste jogo decisivo protagonizou 14 recuperações de bola e quatro intercepções. Um gigante. Sem favor, o melhor em campo.

 

Gostei do desempenho de Porro, autor do único golo da partida, que carimbou a conquista do título. Golo marcado aos 41', com um soberbo remate cruzado após magnífica assistência de Gonçalo Inácio, hoje alinhando como central descaído para a direita apesar de ser esquerdino: aquele livre convertido em passe vertical de 35 metros para o internacional sub-21 espanhol equivaleu a meio golo. Palhinha foi outro pilar desta conquista, incansável nas acções de cobertura do nosso meio-campo defensivo: é de uma falta indiscutível que sofreu, junto à linha divisória, que surge aquele livre. Lá atrás, Feddal complementou muito bem o trabalho de Coates. Adán - cada vez mais indiscutível na baliza - fez quatro grandes defesas (26', 69', 90'+4, 90'+6). Nuno Mendes revelou acerto e acutilância como ala esquerdo neste regresso à titularidade. Já na frente, Pedro Gonçalves fez magia numa jogada individual ao findar a primeira parte, com Matheus a rubricar a defesa impossível da noite. E Tiago Tomás, muito castigado por faltas que ficaram sem sanção (ao ponto de o árbitro ter marcado contra ele uma cotovelada que lhe abriu o sobrolho e o forçou a sair do campo por estar a sangrar), mostrou-se inexcedível nos duelos lá na frente. Estes foram os jogadores que mais se distinguiram numa final que infelizmente não contou com um relvado à altura e ficou manchada por uma actuação medíocre do árbitro, que tudo fez para estragar o espectáculo.

 

Gostei pouco novamente de João Mário. Numa partida em que se impunha muito esforço físico, muita luta tenaz pela posse de bola, muita capacidade de choque, o campeão europeu voltou a revelar défice competitivo: quando foi substituído por Matheus Nunes, aos 69', dava a sensação de que já saía demasiado tarde. Outro jogador que ficou aquém do que lhe era exigido foi Nuno Santos: actuou em toda a segunda parte, rendendo Jovane, mas transmitiu a ideia de que nunca chegou a entrar verdadeiramente na partida, talvez por inadaptação àquele lodaçal a que só por ironia alguém poderia chamar relvado. Finalmente, uma vez mais, nota nada positiva para Sporar, que aos 59' entrou para o lugar de Tiago Tomás. O esloveno não pressiona, não rouba a bola, não ganha uma dividida, não causa perigo. E, pior que tudo, continua sem marcar golos. Ontem, servido por Matheus Nunes num cruzamento atrasado em que só lhe bastaria empurrar a bola, aos 81', matou o lance com um passe ao guarda-redes. Para esquecer.

 

Não gostei que esta final tivesse sido disputada quase sempre sob chuva incessante e num terreno em condições impróprias para a prática desportiva. É difícil compreender como é que a Liga de Clubes escolhe para palco de uma final um ervado que vira charco, sem um sistema de drenagem eficaz: a bola não rolava, ficava presa nas covas que se iam cavando à medida que chovia, potenciando eventuais lesões e prejudicando de modo irreversível a qualidade do espectáculo, transformado num festival de chutões sem passes de ruptura nem dribles. Algo inaceitável num país que é detentor do título de campeão da Europa em futebol. Os jogadores não mereciam isto. E nós, espectadores, também não.

 

Não gostei nada da miserável actuação do árbitro Tiago Martins, nosso velho conhecido, que fez tudo para tirar brilho a esta final - como se já não bastasse aquela lama outrora chamada relva. Aos 24' este senhor exibiu um cartão amarelo a Jovane num lance em que a falta ocorre ao contrário: foi o nosso jogador a ser empurrado e pisado, passando a jogar condicionado até ao intervalo, quando Amorim decidiu prescindir dele. Deixou passar impunes duas agressões a Tiago Tomás - uma delas, com um murro na face, devia ter valido a expulsão imediata de Fransérgio. Mas o momento mais negro ocorreu aos 33': assumindo-se como protagonista da final, Martins expulsou em simultâneo o nosso treinador e o técnico braguista, Carlos Carvalhal, por palavras que trocaram entre eles e lhe terão ferido os delicadíssimos tímpanos - ambos foram brindados com vermelho directo. É a terceira expulsão de Amorim desde que está ao comando do Sporting - ele que nunca tinha visto um cartão desta cor em toda a sua carreira como jogador nem no anterior percurso enquanto técnico, o que diz quase tudo sobre a perseguição que nos move esta gente do apito. Mais esclarecedoras ainda são as estatísticas do jogo: o Sporting fez 22 faltas, que geraram sete amarelos e dois vermelhos; o Braga, com 24 faltas, ficou-se por dois amarelos e um vermelho. Números que dizem tudo sobre a chocante disparidade de critérios. 

As costas de Coates

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Estas imagens são do momento, imediatamente, anterior ao golo (mal) anulado.

O defesa mais afastado de Coates (na primeira imagem) está a olhar para cima acompanhando o percurso da bola, o nosso capitão, também. Agora, atentem na postura corporal do defesa mais próximo, está desinteressado do percurso da bola, o seu único interesse é empurrar o uruguaio como podemos ver na segunda imagem.

Deve ter sido isso que Artur Soares Dias viu, as costas de Coates agrediram com violência o braço direito do famalicense.

Uma equipa competente

Ontem em Paços de Ferreira vimos uma equipa do Sporting que, embora atravessando as maiores dificuldades em termos de disponibilidade do plantel, treinador incluido, para treinar e jogar, entrou em campo lançada ao ataque para resolver o jogo bem depressa. Assim deverá ser sempre: contra as equipas pequenas o tempo joga sempre a desfavor.

Mais uma vez a falta dum artilheiro fez-se sentir. Se contra os escoceses foi Jovane, agora foi Tiago Tomás que esteve particularmente desastrado em frente à baliza adversária e foi preciso o apitador de serviço, no intervalo da sinfonia de amarelos com que brindou o Sporting, descortinar um penálti pelo facto de Tanque ter levado com uma bolada no braço, para nos adiantarmos no marcador. Valha a verdade que pelo menos estava de frente para a bola: em Portugal já vimos muitas vezes coisas semelhantes e em Inglaterra a coisa foi ainda bem pior, com o nosso Eric Dier, de costas para o adversário, a levar também com a bola no braço, o Mourinho a perder dois pontos nos descontos e o treinador adversário a dizer que "é um total disparate... isto tem de acabar". Isto é a lei da "bola na mão" ou a interpretação da mesma feita pelos árbitros. 

O golo, a lesão de Jovane poucos minutos depois e o teatro constante dos jogadores do Paços acabaram por desconcentrar o Sporting. Tiago Tomás foi egoísta e estragou uma jogada de golo. Chegámos ao intervalo com a vantagem mínima. O intervalo fez bem à equipa e passámos a controlar o adversário sem grandes problemas, ganhando tranquilamente. Adán, que esteve muito bem a desfazer dois centros do Paços e a colocar a bola à distância, não teve um remate enquadrado para defender.

Se a equipa valeu pelo todo, com Coates "el patron" imperial, os dois alas, Porro e Nuno Mendes, estiveram particularmente bem. Matheus Nunes é aquele jogador de que muitos não gostam, mas luta que se farta, varia jogo com qualidade, tem sido o carregador do piano que Wendel toca naquele meio-campo.

Bragança dá gosto ver jogar. Com Palhinha, Matheus Nunes, Wendel e também Pote temos um meio-campo com muitas soluções, sendo que Wendel se assume como titular indiscutível.

No ataque Amorim tem procurado tirar o melhor partido do plantel disponível e fisicamente capaz. Esta ideia de alinhar com três avançados móveis bem perto uns dos outros está a dar frutos, retirando referências e baralhando marcações às equipas adversárias, mas não chega para o que aí vem. Embora reconhecendo o esforço de Sporar, falta mesmo alguém que do pouco faça golos.

 

PS: Entretanto parece que se confirma que Ristovski é uma carta fora do baralho de Amorim. Depois de Plata, ontem foi Nuno Mendes que substituiu Porro na ala direita. A Bola fala na possível promoção de Bruno Gaspar. Já que ninguém pega num jogador que custou 5M€...

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De começar o campeonato com uma vitória. Três pontos conquistados, num estádio sempre difícil: triunfo claro e sem margem para discussão do Sporting frente ao Paços de Ferreira, na Mata Real, por 2-0. Mais expressivo do que o suado 2-1 que lá conseguimos na época anterior, num onze que ainda integrava Bruno Fernandes, Mathieu e Acuña.

 

Da nossa organização defensiva. As equipas começam a construir-se de trás para a frente. É o que tem vindo a acontecer neste Sporting 2020/2021. Sem esquecer que a manobra defensiva, para ter sucesso, deve iniciar-se na zona mais adiantada do relvado. Os números confirmam que estamos no bom caminho: dois jogos oficiais disputados com apenas três dias de diferença, nenhum golo sofrido e apenas uma defesa do guardião Adán (no desafio anterior, em Alvalade, frente ao Aberdeen). Já quer dizer alguma coisa.

 

De Coates. Incansável na posição de libero, em que comanda o sector mais recuado, o nosso capitão insiste em marcar presença nas bolas paradas ofensivas e até consegue marcar em lance corrido, como desta vez aconteceu, ao sentenciar a vitória com um remate certeiro, aos 63', às redes do Paços. Foi o nosso segundo golo, pondo fim às dúvidas sobre o desfecho da partida. Voto nele como melhor em campo.

 

De Nuno Mendes. É um caso muito sério de talento, energia e disponibilidade criativa posta ao serviço da equipa. Com apenas 18 anos, assenta-lhe como uma luva a função de titular da ala esquerda neste sistema táctico, cabendo-lhe a pesada responsabilidade de suceder a Acuña nesta posição. Teve intervenção directa no segundo golo e fez uma sucessão de excelentes cruzamentos. O primeiro, logo aos 2', foi a régua e esquadro para Tiago Tomás, que desperdiçou a oportunidade isolado perante o guarda-redes. A partir dos 79', com a entrada de Antunes, fixou-se na ala direita, onde continuou a dar boa conta do recado.

 

De Wendel. Nem sempre se dá por ele, mas é um elemento pendular no onze do Sporting. Pauta o ritmo e o modo do ataque com a sua visão de jogo e a sua inegável capacidade técnica: com a  bola nos pés, é talvez o melhor elemento do plantel leonino. Isto permite-lhe pausar e acelerar o jogo, adequando-o às prioridades tácticas da equipa, e fazer variações de flanco com uma capacidade de passe muito acima da média. Desempenho positivo, uma vez mais.

 

De Daniel Bragança. O jovem médio entrou aos 65', rendendo Vietto, e posicionou-se no eixo do trio de avançados, contribuindo para a eficácia ofensiva da equipa, que nunca cessou de pressionar a saída de bola do Paços. Grande pormenor aos 75', deixando pregado ao chão um adversário com o seu virtuosismo técnico. Merecia uma ovação das bancadas, que continuam lamentavelmente vazias por incompreensível discriminação da Direcção-Geral da Saúde contra o futebol.

 

Dos reforços. Dos que jogaram hoje de início, todos aprovados. Adán muito seguro na baliza, com bons reflexos e competente a jogar com os pés. Porro, dono e senhor do corredor direito, confirmando a excelente impressão que já causara no jogo contra o Aberdeen. Feddal fazendo boa parceria com Coates - o que até ficou confirmado no lance do segundo golo. Nota positiva também para Nuno Santos, que entrou aos 31', substituindo o lesionado Jovane.

 

Do nosso jogo colectivo. A equipa joga mais ligada, mais organizada e até com mais alegria do que na época anterior. Exemplo disto é o lance do nosso segundo golo: Nuno Santos toca para Tiago Tomás junto à linha direita, o jovem avançado dribla um adversário e cruza em arco para o segundo poste, com a bola a ser aliviada em esforço e a sobrar para Nuno Mendes, que mesmo de pé direito a devolve à área, onde Feddal a recolhe e assiste de cabeça para Coates, que se liberta de marcação e a mete lá dentro. Este lance ilustra a magia do futebol como desporto colectivo.

 

Da contínua aposta em jovens. Média de idades do conjunto leonino neste jogo: 24 anos. Com seis jogadores sub-23 no onze titular: Porro, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Wendel, Jovane e Tiago Tomás. Três deles oriundos da nossa formação. E ainda contámos com um quarto elemento da Academia de Alcochete: Daniel Bragança.

 

 

Não gostei
 

 

Da ausência de Rúben Amorim. O técnico leonino, diagnosticado com Covid-19, mantém-se de quarentena, afastado fisicamente da equipa. Um obstáculo que já deve ser superado na próxima jornada da Liga, a 4 de Outubro, quando nos deslocarmos a Portimão.

 

Do curto intervalo entre o jogo anterior e este. Decorreram apenas 69 horas entre o fim da partida em Alvalade frente ao Aberdeen, na passada quinta-feira, e o apito inicial deste Paços de Ferreira-Sporting. Sem sequer serem cumpridas as 72 horas recomendadas nos manuais para atenuar os índices de fadiga física. E segue-se outro desafio, já na quinta-feira: vamos receber o Lask Linz na campanha de pré-qualificação para a Liga Europa.

 

De Vietto. O argentino teve bons apontamentos ocasionais, mas foi o que esteve menos em evidência na nossa frente atacante: o melhor que fez foi um passe de calcanhar para Tiago Tomás aos 38'. Continua mal adaptado ao sistema táctico de Rúben Amorim - à semelhança do que sucede com Sporar, que ontem só entrou aos 79' (substituindo TT). E parece estar longe da melhor condição física: aos 65', visivelmente esgotado, foi rendido por Daniel Bragança.

 

Da lesão de Jovane. O luso-caboverdiano saiu aos 31', com muitas queixas musculares, agarrado a uma coxa. Já depois de ter marcado o nosso primeiro golo, convertendo da melhor maneira um penálti, logo aos 23'. Esperemos que não seja nada de grave. Este Sporting precisa de um Jovane na melhor forma.

 

Do árbitro Fábio Veríssimo. Típico apitador à portuguesa. Interrompeu o jogo a todo o momento e demonstrou uma chocante dualidade de critérios, aliás bem expressa nas estatísticas: os jogadores do Paços cometeram 18 faltas e só viram dois cartões, enquanto os do Sporting, com apenas 12 faltas, foram brindados com seis amarelos. Entre eles, um a Adán por "retardar" a reposição de bola (aos 48') e outro a Porro por falta inexistente. Estes árbitros que teimam em dar nas vistas pelos piores motivos deviam ver muitos jogos do campeonato inglês. Para aprenderem como e quando devem apitar.

A rede

Sem argumentos físicos para aguentar com os matulões escoceses durante 90 minutos, o Sporting lançou-lhes uma rede feita de passes e temporizações de que eles quase nunca se souberam libertar.

Assim Adán chegou ao fim sem qualquer intervenção digna desse nome, se excluirmos ter enviado para canto um centro de longe, mais ou menos transviado, que se dirigia para o canto superior direito da baliza.

Já o Sporting teve quatro oportunidades flagrantes. Tiago Tomás concretizou uma e falhou outra na sequência dum grande centro de Porro (jogo de cabeça precisa-se), e Jovane desperdiçou ingloriamente as duas que teve.

O melhor em campo do Sporting foi mesmo Porro. Bem a defender, incisivo a atacar, centros por alto e por baixo bem medidos, temos finalmente um defesa/ala direito em condições.

Coates, "el patrón", esteve imperial. Sempre o considerei como um dos craques do plantel, andou sempre num enquadramento que muito o prejudicava, sempre a ter de sair da posição para dobrar um defesa direito ausente em parte incerta, sem rins para aguentar a velocidade dos extremos contrários. Agora bem no meio da defesa é simplesmente imprescindível.

Tiago Tomás, mau jogo de cabeça à parte, continua a surpreender. Não se dá muito por ele, mas naquela posição de interior direito luta, assiste e marca. E neste sistema do Amorim é isso que se pede àqueles dois jogadores mais próximos do ponta de lança.

Depois deles, e com tudo o que tem acontecido, muita gente sem ritmo competitivo para os 90 minutos, jogadores que já vimos fazer bem melhor. Vietto é o melhor exemplo. 

Depois do Paços vem já aí o Lask, e muito há que melhorar para ultrapassarmos os austríacos, basta lembrarmo-nos daquela primeira parte em Alvalade na época passada onde nos livrámos por pouco de ir para o intervalo com três ou quatro golos sofridos. Depois acabámos por dar a volta ao resultado e ganhar o jogo, e na Áustria foi o que se conhece, muito por culpa da rotação de jogadores que Silas resolveu promover.

Mas esta equipa do Sporting não é a barata tonta desse tempo, mesmo desfalcado dos melhores jogadores de então entra em campo com a lição bem estudada, sabe o que quer fazer e o que não quer deixar o adversário fazer, e luta pela vitória. E acredito que vamos conseguir entrar na Liga Europa.

Finalmente, chamou-me a atenção a entrada de Plata para render Porro. Ristovski cada vez mais está na porta de saída? Porque também acho que o melhor lugar para Plata é mesmo esse, e não em zonas mais interiores do terreno. Tem o físico e a concentração que Camacho não tem. Com Porro a jogar assim e Plata a especializar-se na posição se calhar estamos finalmente bem servidos à direita. Um tema a acompanhar.

SL

Quente & frio

Gostei muito  que tivéssemos começado a época oficial de futebol 2020/2021 com uma vitória, ao contrário do que aconteceu na temporada anterior. Ontem, em Alvalade, contra o Aberdeen: vencemos por margem mínima, mas bastou para superarmos esta pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. Segue-se, no próximo dia 1, um embate com o Lask Linz, equipa bem nossa conhecida. Este triunfo foi importante não apenas por motivos financeiros e reputacionais, mas sobretudo para criar motivação e sedimentar espírito de equipa num grupo que teve só agora o primeiro confronto a sério - incluindo jogadores em estreia absoluta nas competições europeias, como Tiago Tomás (marcador do golo solitário do Sporting), Matheus Nunes, Nuno Mendes, Daniel Bragança e Gonzalo Plata.

 

Gostei  das exibições de vários jogadores. Desde logo, Tiago Tomás, que sentenciou o resultado logo aos 7 minutos, a passe de Vietto: com apenas 18 anos, jogou solto e descomplexado, revelando ambição de agarrar um lugar no onze titular. Mas também Pedro Porro, em estreia oficial na nossa equipa, confirmando que é realmente um reforço na nossa ala direita: fez excelentes cruzamentos aos 18', 56' (quase originou o segundo golo, para a cabeça de Tiago Tomás) e 59', além de um espectacular slalom de 50 metros, na ala oposta à sua, que permitiu travar uma perigosa ofensiva escocesa aos 72'. Coates foi capitão não só de braçadeira mas também de todo o sector defensivo, sempre muito sincronizado na linha de fora de jogo, desposicionando os adversários, e fez cortes impecáveis aos 66', 90' e 90'+1. Destaque ainda para Wendel: foi ele quem recuperou a bola no lance de golo, entregando-a para a assistência de Vietto, e também soube pensar o jogo, articular sectores e criar desequilíbrios a meio-campo. Também apreciei a contínua aposta na formação (Matheus Nunes, Nuno Mendes, Tiago Tomás e Jovane no onze titular, Bragança e Plata suplentes utilizados) e na juventude (os nossos sete jogadores mais avançados no terreno tinham apenas 21,5 anos de idade média).

 

Gostei pouco  que Daniel Bragança não tivesse entrado mais cedo: Emanuel Ferro - ontem no comando efectivo da equipa por impedimento de Rúben Amorim, confinado com Covid-19 - só o mandou entrar para o lugar do esgotado Wendel aos 86'. Também me pareceu tardia a troca de Tiago Tomás por Sporar (aos 77'). E custou-me entender por que motivo Jovane - ontem o nosso jogador com sinal menos, ao ponto de se poder dizer que passou ao lado da partida - permaneceu em campo até ao apito final. Falhou a aposta de o colocar como avançado-centro, deixando Sporar no banco: aquele não é o terreno ideal para potenciar as qualidades do luso-caboverdiano.

 

Não gostei  da falta de ritmo competitivo da nossa equipa, em comparação com a turma escocesa, que fez agora o seu nono jogo oficial enquanto o Sporting não actuava sequer numa partida de preparação desde 9 de Setembro. Este notório défice de capacidade física começou a notar-se a partir da meia hora, forçando a nossa equipa a gerir com inteligência o ritmo de jogo e mantendo o controlo de bola, tanto mais que a iniciativa atacante competia ao Aberdeen, a perder desde o minuto 7. À falta de ritmo somaram-se as ausências forçadas, devido ao Covid-19: nove jogadores continuam de quarentena, incluindo Pedro Gonçalves, Nuno Santos e João Palhinha. Felizmente já poderemos contar com eles no confronto com a equipa austríaca.

 

Não gostei nada  de esperar 61 dias pelo regresso do futebol leonino aos jogos oficiais. E menos ainda que este tardio início da temporada tenha ocorrido sem público, à porta fechada, com os sócios banidos do estádio. Quando touradas, circos, comícios, celebrações políticas e religiosas, espectáculos teatrais, sessões de cinema, provas hípicas, corridas de automóveis, shows humorísticos e festarolas diversas já podem contar com público. O futebol - que gera tantas receitas fiscais para o Estado e cria pelo menos 80 mil postos de trabalho directos e indirectos em Portugal - continua a ser tratado como inaceitável filho de um deus menor.

Zidanes e Pavones

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Na era dos “galácticos”, com Carlos Queiroz como treinador, o presidente do Real Madrid prometeu uma equipa de “Zidanes y Pavones”, que misturava craques feitos com jovens talentos da academia. A ideia não resultou.

Nesta nova era do Sporting, com Rúben Amorim a substituir um desorientado e desorientador Jorge Silas como treinador, a promessa do presidente tem alguma coisa de parecido com a do Real Madrid, só que os Zidanes são quase todos Ristovskis, não é bem a mesma coisa. E só com Pavones, por muito bons que sejam e são, a coisa não vai lá, como se viu nos recentes confrontos com os rivais.

Não vai lá pelo menos em termos desportivos, porque a jogarem assim daqui a um ano estamos a falar de muitas dezenas de milhões de euros de valorização do plantel. O Sporting conseguiu ontem pôr em campo toda uma equipa de jogadores abaixo dos 23 anos de grande potencial: Max, Porro, Quaresma, Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Pedro Gonçalves, Wendel, Plata, Tiago Tomás, Jovane,  Daniel Bragança e Rodrigo Fernandes (este parece primo do Ilori, precisa duma lavagem ao cérebro).

O problema é que, dos mais velhos, apenas Coates está noutro nível. Todos os outros são iguais ou piores que os putos, e nalguns casos muito teriam que aprender com eles se tivessem idade para isso.

Alguns dos dispensados ou colocados no mercado seriam titulares nesta equipa? Acuña, claramente, mas a jogar mais à frente do que ia acontecendo com Amorim, a ala ou interior esquerdo. Mas existe Nuno Mendes e veio Nuno Santos.

Palhinha tirava o lugar a Wendel ou a Matheus Nunes? Nem pensar. Seria um suplente para determinados jogos, como seriam Battaglia ou Doumbia se ficassem.

Algum outro? Diaby, Bruno Gaspar, Misic? Francamente não vejo.

Enfim. Zidanes (ou novos Slimanis) precisam-se. 

SL

Balanço (5)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre COATES:

 

- José Navarro de Andrade: «Saí com a sensação de que poderia ter sido eu se estivesse no lugar de Coates. Levar de frente com tudo, assim à bruta, porque quem estava à minha frente devia ter tapado alguma coisa e não tapou nada é coisa que mói o discernimento do mais maduro.» (1 de Setembro)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «O capitão, Coates (sim, era ele quem usava a braçadeira de Stromp, Damas, Travassos) é bem o espelho dessa equipa desgarrada, sem brio, medrosa. Que desorganiza à primeira contrariedade. Que nos envergonha a todos.» (24 de Setembro)

Edmundo Gonçalves: «Coates mereceu tanto aquele golo! Por tudo o que de bom lhe pode trazer e à equipa.» (27 de Outubro)

Eu: «Para mim o melhor em campo. Não apenas por ter marcado o golo inaugural do Sporting, incutindo assim confiança à equipa, mas por ter liderado a nossa organização defensiva, que se portou em bom nível global apesar da ausência de Mathieu.» (7 de Novembro)

Leonardo Ralha: «O xerife uruguaio voltou à equipa e impôs a sua lei aos galos de Barcelos, anulando sucessivas tentativas de ataque pelo ar e ainda mais pela relva, demonstrando um “timing” perfeito nos muitos cortes que se encarregou de fazer. Ter um dos poucos jogadores de elevado nível que restam no plantel em campo é sempre uma garantia.» (6 de Dezembro)

Luís Lisboa: «Encontrou enfim a sua verdadeira posição e esteve imperial. Agora sim, "El patron".» (19 de Junho)

JPT: «Eu continuo a pensar que Coates é insuficiente para uma equipa com aspirações grandes, para mim ele é o novo Polga, com o qual ainda tenho pesadelos. Para se perceber melhor, se Polga é meu inverso de Damas, Coates é o meu inverso de Jordão.» (12 de Julho)

Pódio

Como sabem, o Pedro Correia tráz aqui jornada a jornada a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores pelos três diários desportivos, que eu acompanho fazendo as contas agregadas.

Já com algum atraso, partilho aqui convosco o agregado final deste campeonato.

Pontuação Total:

1 Coates 402
2 Wendel 389
3 Acuña 344
4 Vietto 336
5 Max 328
6 Bruno Fernandes 280
7 Mathieu 274
8 Doumbia 262
9 Borja 256
10 Ristovski 255
11 Plata 242
12 Jovane 236
13 Sporar 220
14 Luiz Phellype 202
15 Camacho 201
16 Bolasie 190
17 Battaglia 183
18 Neto 174
19 Eduardo 171
20 Renan 163
21 Jesé 135
22 Matheus Nunes 132
23 Nuno Mendes 128
24 Quaresma 111
25 Rosier 97
26 Francisco Geraldes 94
27 Ilori 93
28 Raphinha 60
29 Tiago Tomás 53
30 Thierry 48
31 Joelson 42
32 Pedro Mendes 37
33 Miguel Luis 26
34 Rodrigo Fernandes 19
35 Diaby 11
36 Bas Dost 9

Desempenho Médio:

1 Bruno Fernandes 16,5
2 Jovane 15,7
3 Raphinha 15,0
4 Renan 14,8
5 Mathieu 14,4
6 Acuña 14,3
7 Max 14,3
8 Nuno Mendes 14,2
9 Vietto 14,0
10 Wendel 13,9
11 Quaresma 13,9
12 Coates 13,9
13 Sporar 13,8
14 Bolasie 13,6
15 Matheus Nunes 13,2
16 Miguel Luis 13,0
17 Ristovski 12,8
18 Plata 12,7
19 Luiz Phellype 12,6
20 Neto 12,4
21 Battaglia 12,2
22 Rosier 12,1
23 Thierry 12,0
24 Doumbia 11,9
25 Francisco Geraldes 11,8
26 Borja 11,6
27 Ilori 11,6
28 Eduardo 11,4
29 Jesé 11,3
30 Camacho 11,2
31 Diaby 11,0
32 Tiago Tomás 10,6
33 Joelson 10,5
34 Rodrigo Fernandes 9,5
35 Pedro Mendes 9,3
36 Bas Dost 9,0

Melhores em campo (Num. jornadas):

1 B.Fernandes 9
2 Jovane 4
3 Vietto 4
4 Max 4
5 Plata 3
6 Acuna 3
7 Sporar 2
8 Nuno Mendes 2
9 Mathieu 2
10 Bolasie 2
11 Tiago Tomás 1
12 Coates 1
13 Ristovski 1
14 Raphinha 1
15 Wendel 1
16 Renan 1
17 Eduardo 1
18 Borja 1
19 Neto 1


Os números são estes, salvo qualquer erro de contagem. 

E olhando para estes números, parece-me que nalguns casos não damos o devido valor a quem demonstra com números a sua qualidade ao serviço do Sporting. Por exemplo, Coates, Wendel, Acuña e Vietto.

E honra a Rúben Amorim que conseguiu colocar Max (4x), Jovane (4x), Plata (3x), Nuno Mendes (2x) e Tiago Tomás (1x) na lista dos melhores em campo. E é isso que penso que temos de valorizar. Quanto poderão valer estes cinco ? Com Plata à cabeça ?

O MVP do Sporting neste campeonato, o jogador que mais rendeu de princípio ao fim do campeonato, excluindo os que entretanto sairam e os que acabaram a carreira, para mim foi:

Seba Coates

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Os meus parabéns, Seba. Que continues por muito tempo ao serviço do Sporting.

SL

 

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