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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

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Quente & frio

Gostei muito de tudo. Do jogo repleto de emoção do princípio ao fim. Das bancadas em Alvalade cheias de adeptos vibrantes. Da nossa capacidade de superar obstáculos - com 55 desafios já disputados nesta temporada, contra apenas 47 dos portistas. Da entrega dos jogadores leoninos à luta pelo segundo troféu mais cobiçado do futebol português. Da nossa superioridade durante quase toda a partida. Do nosso triunfo em campo frente ao FC Porto, por 1-0 - o primeiro clássico que terminamos nesta época com vitória no tempo regulamentar de jogo. Do nosso acesso à final da Taça de Portugal, que disputaremos a 20 de Maio no estádio do Jamor.

 

Gostei do golo de Coates, que nos permitiu empatar a eliminatória, após termos sido derrotados 0-1 na primeira mão, no Porto. O internacional uruguaio, que tinha estado no centro de todas as críticas pela desastrada exibição frente ao Atlético de Madrid, na capital espanhola, soube redimir-se esta noite em Alvalade, não apenas por ter sido o único a meter a bola nas redes adversárias mas também pela sua excelente actuação no plano defensivo, com corte soberbos aos 31', 42' e 111'. Destacou-se ainda, no desempate por penáltis, por ter convertido a nossa quarta grande penalidade. Após Bruno Fernandes, Bryan Ruiz e Mathieu, e antecedendo Montero. Nenhum deles falhou neste momento decisivo.

 

Gostei pouco do sofrimento a que fomos submetidos até este desfecho bem sucedido - o terceiro que conseguimos por marcação de penáltis, após a meia-final da Taça da Liga (contra o FCP) e a final desta competição (contra o V. Setúbal), também decididas por grandes penalidades, com a balança a pender sempre a nosso favor. Prova inequívoca da maturidade competitiva e da força mental do plantel verde e branco, por mais que o cansaço físico prevaleça. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Não gostei da ineficácia ofensiva dos nossos avançados, incapazes de marcar um só golo em lances de bola corrida ou bola parada. Bas Dost, anulado pelos centrais portistas, praticamente passou ao lado do jogo. Montero teve bons apontamentos (nomeadamente quando partiu os rins a Alex Telles, numa incursão pelo flanco direito aos 116') mas só foi bem sucedido na ronda dos penáltis finais. Doumbia entrou muito tarde, aos 105', e pouco ou nada fez no escasso tempo em que esteve em campo.

 

Não gostei nada da meia hora inicial desta meia-final em Alvalade, em que o Sporting se mostrou lento, previsível, inofensivo à frente, com notória falta de intensidade. Felizmente soubemos dar a volta por cima e melhorar muito no segundo tempo, culminando no golo aos 84' que levou a partida para prolongamento. Era já meia vitória, antecipando o bom desfecho desta difícil partida que ainda mais valoriza o triunfo leonino. Prenúncio de novas e ainda mais saborosas vitórias.

Estes três

Três jogadores do Sporting figuram na "equipa da semana" da Liga da Europa: Coates, Montero e Rui Patrício. O colombiano, porque marcou o golo da nossa vitória em Alvalade frente ao Atlético de Madrid. O uruguaio, porque cortou tudo quanto havia para cortar e ainda proporcionou a Oblak a defesa da noite, na sequência de um cabeceamento forte e muito bem colocado. O nosso guardião, porque tornou Griezmann num anão enquanto ele se agigantava ainda mais na baliza leonina.

Precisamos de mais jogos como este. Muitos mais.

Pódio: Coates, Bas Dost, Acuña

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Tondela-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 18

Bas Dost: 17

Acuña: 16

Gelson Martins: 15

Rui Patrício: 15

William Carvalho: 15

Bruno Fernandes: 14

Doumbia: 13

Piccini: 13

Rúben Ribeiro: 12

Bruno César: 11

Mathieu: 10

Montero: 9

 

A Bola elegeu Bas Dost  como figura do jogo. O Record e O Jogo optaram por Coates.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coates evita tombadela fatal

Na antecâmara do jogo, a Assembleia Geral do Sporting foi uma espécie de Festival do Escanção. Quem tome o que ali foi dito pelo seu Face "value" arrisca-se a ficar num estado de embriaguez permanente dos sentidos que não augurará nada de bom. Como tal, degustei e absorvi o (pouco) que foi de interesse e deitei fora tudo o resto...

 

Aprendi o valor do silêncio com o ruí­do. Por isso, remeti-me ao silêncio. Quis compreender o que ali se tinha passado.

 

Aldous Huxley - autor de "Doors of Perception" - dizia que depois do silêncio, o que mais se aproximava de expressar o inexprimí­vel era a música. Coincidência ou não, um dia depois, estava ainda eu neste estado de espí­rito quando me entra pela televisão o Festival da Canção. Hoje, enquanto assistia à  Nossa vitória em Tondela, lembrei-me dele: o Sporting ganhou e, como cantou, nos 3 minutos da praxe (não havia um presidente de AG por perto a ameaçar "cortar-lhe" o microfone ao fim de 1 minuto), a doce Catarina Miranda - canção nº5 da primeira eliminatória (espero que a vencedora final) - "não há nenhuma necessidade, hoje para sorrir eu não preciso de (mais) nada". Afinal, (en)cantar no campo é a verdadeira essência do Sporting, o clube do GRANDE e para sempre RESPEITADO João Rocha. Está dito e da forma como quis dizer, pois, parafraseando o autor de "Austrália", "quem koala consente". 

 

Vamos ao jogo: triste pelas últimas narrações que ouvi na TV decidi testar uma nova modalidade. Assim, tirei o som da televisão e liguei o meu Spotify, mais a coluna JBL. Tinha duas pré-selecções à escolha: música brasileira ou pop/rock. Optei pela primeira. 

 

A equipa foi basicamente a de sempre, com a novidade(?), face à ausência de Coentrão, de o sonolento Bruno César ter entrado em vez do sonolento Bryan Ruiz (nesse caso implicaria o recúo de Acuña), voltando JJ, uma vez mais, a privilegiar o 4-4-2 em vez de um bem mais confortável 4-3-3. A pergunta que faço é a seguinte: este último sistema, dada a acumulação de jogos, não pouparia a equipa a um maior desgaste? Estavam decorridos 12 minutos quando Miguel Cardoso abriu o marcador para o Tondela. Gilberto Gil cantava "aquele abraço". Ao som de "Burguesinha", de Seu Jorge, Acuña tirou um adversário do caminho e centrou para a cabeça do em boa hora regressado Bas, que "dostou".

 

Ao intervalo, a SportTV mostrava um anúncio da Bet.pt com um senhor com 3 olhos na face, certamente inspirado no surrealismo de Salvador Dalí...

 

Para dar sorte, mudei o som para a Playlist pop/rock. Doumbia entrou em campo quando tocava "Like a Rolling Stone", de Dylan, Mathieu foi expulso à toada de "The whole of the moon", dos Waterboys e Piccini, hoje irreconhecível, fez o seu habitual atraso arrepiante reconhecível para Patrício quando entoavam os acordes de "God only knows", dos Beach Boys.

 

Estávamos já na compensação dos descontos - os tondelenses ficaram compreensivelmente insatisfeitos, mas Capela estava só a compensar os 4 minutos que Luis Ferreira nos havia sonegado na primeira parte contra o Feirense - quando ao som de "The Unforgiven", dos Metallica, Coates ocorreu a um desvio de Dost, entretanto deflectido para o poste por um defesa do Tondela, e marcou o golo da vitória, o seu 4º da época. Uff!!!

 

Liguei o som da televisão. Em conferência de imprensa, Jorge Jesus, a propósito do apoio das claques, endereçava os parabéns à do Boavista(!?), por ter tido uma atitude que lhe ficou na "rotina". Voltei a desligar o som ao aparelho. E dei graças a Deus por não ter ficado com azia, tal o refluxo de ácido gástrico que o meu estômago deve ter produzido até ao golo salvador.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (Bas esteve nos 2 golos, Acuña seria uma boa alternativa pela combatividade, Patrício pela fiabilidade de sempre - só traído por um desvio da bola em Mathieu)

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"Não o ofendi, pois não?" e outros acontecidos

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Qual Camões, prolepsevarei para depois analepsar.

Ia começar pelo penalty (não) marcado de Coates a Casillas.

Vou começar por um diálogo num quiosque onde, habitualmente, não vou, com um vendedor que não me conhecia.

- Bom dia, queria o Record, por favor

- E quer, também, o Monopólio do Benfica?

- (foi aí que eu disse a frase do título) não o ofendi, pois não?

Rimo-nos e chegámos à conclusão que somos sportinguistas e que os gajos são seis milhões mas  os monopólios do Sporting já tinham ido todos e os do Benfica ainda lá estavam.

Como sempre nestas ocasiões, aconteceu um "espere aí que talvez se arranje, vou ao saco do Dr. Antunes".

O Dr. Antunes é um sportinguista que viaja muito mas não prescinde dos jornais em papel. Do saco onde já estavam um Expresso, um Público de sexta (por causa do Y) e outras coisas que não consegui ver, sacou-me o Monopólio, "eu depois arranjo outro para o Dr. Antunes, só vem cá buscar isto na quarta-feira".

Obrigado, caro quiosqueiro sportinguista, obrigado Dr. Antunes, voltemos, então, ao penalty de Coates.

Parece-me que Casillas não está em cima da linha de baliza mas eu não vejo muito bem (uso uma pala), digam-me, está adiantado ou não? Dever-se-ia ter repetido o penalty?

Quem diz Coates, diz William de tudo o mesmo se diz, onde uns vêem luto e dores, outros descobrem cores (o verde e branco, claro) do mais formoso matiz... é que a carreira de William não foi toda a falhar penalties, recordo um decisivo, com Tanaka, João Mário ou Slimani em campo, que William foi chamado para converter aos noventa e tal minutos de jogo e marcou.

Para terminar, alguém avise o mister Jesus que já não é treinador do Benfica.

"O Jorge Jesus quer sempre ganhar", diz ele. Sim mister, mas dentro das regras, o Sporting, quer sempre ganhar, mas sem corromper os agentes do jogo nem praticar acções que são punidas pelos regulamentos.

Se Nelson estava atrás da baliza aquando da marcação dos penalties no jogo com o Porto e não devia estar, deve ser o Sporting, voluntariamente, a pagar a multa prevista no regulamento sem estar à espera de uma punição; tal como deviam ser outros a assumirem os "vouchers" que oferecem e os "emails" que enviam.

Quente & frio

Gostei muito das exibições de Coates e Rui Patrício em Barcelona. O internacional uruguaio - o melhor jogador leonino no Camp Nou - esteve próximo da perfeição, defendendo tudo quanto havia para defender no espaço que lhe estava confiado no eixo da defesa e ainda teve oportunidade de impulsionar os seus colegas com precisão de passe dianteiro e boas arrancadas individuais, revelando inegável domínio técnico da bola. O nosso guarda-redes, sem culpa nos golos, fez duas excelentes defesas: a primeira (24') saindo com êxito para travar Luis Suárez, a segunda (82') impedindo Messi de marcar. O Sporting, com esta derrota por 0-2, transita para a Liga Europa. Mas Coates e Patrício mereciam rumar aos oitavos da Liga dos Campeões.

 

Gostei do nulo ao intervalo, reflexo da boa organização defensiva leonina durante todo o primeiro tempo. E que tivéssemos aguentado o empate até aos 59', o que até levou o técnico do Barça, Ernesto Valverde, a fazer entrar Lionel Messi, ausente do onze inicial. Também gostei de algumas exibições individuais, além das já mencionadas. Sobretudo as de Piccini, muito competente na manobra defensiva, e Gelson Martins, que só actuou na segunda parte mas foi crucial para acelerar o ritmo e a acutilância ofensiva da equipa.

 

Gostei pouco das mexidas de Jorge Jesus no nosso onze nuclear. Se a colocação de Acuña na lateral esquerda, habitualmente confiada a Fábio Coentrão, até se compreende pelo facto de o médio-ala argentino estar habituado a essa posição na selecção do seu país, já a troca de Gelson por Ristovski deixou-me perplexo. E a inclusão do inútil Alan Ruiz como elemento mais avançado, enquanto Bas Dost ficou no banco durante todo o primeiro tempo, foi para mim incompreensível. O argentino revelou-se aquilo que já seria de esperar: uma nulidade. Sem surpresa, acabou por ir tomar duche ao intervalo.

 

Não gostei do início titubeante do Sporting, incapaz de cruzar a linha do meio-campo e acusando excesso de temor reverencial perante a equipa anfitriã nos primeiros 20 minutos, em parte devido à falta de rotinas do onze que Jesus colocou em jogo. Também não gostei do já habitual golo sofrido mesmo ao cair do pano - desta vez um autogolo, provocado já no tempo extra por Mathieu, que joga em Alvalade oriundo do Barcelona e parece ter acusado excesso de pressão psicológica neste regresso esporádico ao Camp Nou.

 

Não gostei nada da falta de capacidade concretizadora do Sporting. Fomos incapazes de marcar de uma forma ou de outra - nem com incursões na área nem com remates de meia-distância. Bruno Fernandes, que é bom nisso, limitou-se a dois tiros frouxos que mais pareceram passes ao guarda-redes, aos 16' e aos 36'. Bruno César, que tem a alcunha de "Chuta-Chuta", desta vez esqueceu-se de chutar. Alan Ruiz não existiu em campo, o que não surpreendeu ninguém. Mas quem mais me irritou foi Bas Dost: teve duas oportunidades soberanas de marcar, desperdiçando ambas. Na primeira (62'), servido por um centro milimétrico de Bruno Fernandes, tinha toda a baliza à sua mercê e acabou por atirar à figura do guardião. Na segunda (83'), após um grande cruzamento de Fábio Coentrão, fez voar a bola acima da barra. A história do jogo teria sido muito diferente sem estes exasperantes falhanços do ponta-de-lança holandês. 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - "Pasteleiro" Dost e a nata dos goleadores

Durante 30 minutos só houve uma equipa no relvado. O Belenenses, durante esse período, limitou-se a correr atrás da bola e a grande-área leonina mais parecia um gigante Adamastor, a aconselhar a prudência recomendada pelos Velhos do Restelo. No entanto, à passagem da meia-hora, os leões começaram a confundir circulação de bola com gestão de esforço, o jogo empastelou e a equipa de Domingos levantou a cabeça e viu que a vida poderia ser mais do que a versão escravizante da mesma que o Sporting até aí lhe tinha imposto.

Valeu ao Sporting a eficácia de Bas Dost. O holandês marcaria aos "pastéis", na execução perfeita de uma grande penalidade, o golo 50 pelo Sporting, número redondo conseguido em apenas 15 meses de actividade e que perspectiva a sua futura colocação entre a nata dos goleadores leoninos.

Jesus montou um esquema de apenas dois médios interiores, preterindo Battaglia em detrimento de um segundo avançado, no caso Podence. Na tentativa de que a equipa não perdesse a batalha do meio-campo o plano de jogo do treinador leonino pareceu conter instruções a Acuña para que este jogásse mais interiormente do que é costume, constituindo-se muitas vezes como o terceiro homem do miolo.

JJ acertou desta vez nas substituições, desde logo quando mandou entrar Battaglia (retirando Podence), aos 60 minutos, alteração que lhe permitiu retomar o controlo do meio campo e que conduziu William a uns últimos 30 minutos vibrantes em que impulsionou o Sporting para a frente.

Quem é fã dos Monty Phyton sabe que a vida de Bryan decorre paralelamente à de Jesus e que ambos têm Belém como indelével ponto de partida. Vem isto a propósito da estreia oficial em Alvalade, esta época, contra o Belenenses, do costa-riquenho Ruiz, em jogo que marcou o regresso da equipa de JJ à liderança do campeonato da 1ªLiga. Assim, Jesus não foi insensato, não deixou o jogador mirrar e, agora, fica à espera que ele o cubra de ouro.

Entre os destaques, sobressaíu Coates: o Ministro da Defesa, para além de ter bloqueado todas as tentativas de invasão do espaço defensivo leonino pelas forças de Domingos, ainda encontrou tempo e vigor para duas arrancadas até à trincheira azul, uma em cada parte, semeando o pânico no último reduto belenense. O uruguaio foi muito bem coadjuvado pelo seu Secretário de Estado, o gaulês Mathieu, complemento ideal na dissuasão da ofensiva adversária.

Também em relevo esteve Bruno Fernandes. Perdulário, falhou golos e passes diversos, mas fica ligado aos melhores e mais esclarecidos apontamentos do jogo do Sporting, nomeadamente o passe a isolar Podence na direita, em lance que acabaria por nos dar o "penalty", a finta, o levantar de cabeça e o passe a encontrar Acuña para uma oportunidade ingloriamente desperdiçada pelo argentino e, finalmente, a forma inteligente como chamou a si 3 adversários e ofereceu o golo em bandeja de prata a Bryan Ruiz.

Em resumo, jogo sofrido, mas com a compensação de, dado o empate verificado entre Porto e Benfica, termos agarrado os dragões na liderança do campeonato (para além de que o Benfica agora está mais longe). 

 

Os nossos jogadores, um a um:

 

Rui Patrício - As grandas querelas da humanidade têm usualmente Observadores no campo, a avaliar os danos causados por esses conflitos. Consta que o "marrazes" apresentará no seu relatório significativos desperdícios de munição, tal a má pontaria evidenciada pelas tropas leoninas perante o último reduto belenense. Do seu posto de observação (P.O.) limitou-se a apreciar as movimentações no terreno, pois as ofensivas da equipa de Belém jamais o incomodaram.

Nota: Sol

 

Piccini - É o "simplex" da equipa leonina. Aparenta uma enorme facilidade em qualquer movimento defensivo, seja fechar o espaço no meio quando tal é requerido, caír em cima do adversário junto à linha ou saír com a bola dominada da zona de pressão. Sempre sem complicar. Adicionalmente, mostrou instinto atacante, indo até à última linha de defesa adversária para executar cruzamentos ou assistindo primorosamente Bruno Fernandes pela meia direita, em lance que seria perdido nos pés de Acuña.

Nota: Sol

 

Coates - O Ministro da Defesa, em conjugação com o seu Secretário de Estado (Mathieu) e apoiado no General William, deu todos os meios às forças no terreno para que a refrega tivésse um saldo positivo para as nossas hostes, começando pela defesa intransigente dos 16,5 metros (grande-área) que constituíram a nossa inviolável última linha de defesa. Não contente com isso, ele próprio se juntou às tropas, devolvendo "granadas" adversárias com recurso a uma bicicleta e, por duas vezes, atacando mesmo as trincheiras inimigas, as quais, inibidas pelo factor surpresa, quase sucumbiam perante a sua acção. 

Nota: Si

 

Mathieu - A sua parceria com Coates faz pensar que actuam juntos há muitos anos, tal o grau de identificação que os une. No seu estilo em "souplesse", para o francês parece não haver tarefas impossíveis, mesmo que envolvam engolir 3 pastéis provenientes de Belém de enfiada, sem precisar de meter água na sua digestão. Um defesa central que é um centro cultural da arte de bem defender.

Nota:

 

Fábio Coentrão - Destacou-se por algumas arrancadas na primeira meia-hora, a lembrar o jogador que já foi noutros tempos. Cumpriu os 90 minutos e esteve menos tempo do que é costume deitado no chão, sinal de que se aproxima da sua melhor forma ou de que começa a mostrar compaixão pelo coração dos adeptos.

Nota: Sol

 

William Carvalho - Com as costas protegidas pelo intratável Battaglia, arrancou para o seu melhor período de jogo, os últimos 30 minutos. Aí, avançou em sucessivas cavalgadas pelo miolo do terreno, acções que deixaram em estado de alerta as defesas do sub-aquartelamento lampiânico, sitas ali para os lados do Restelo. Teve nos pés a rendição do exército oponente, mas falhou o remate final. Durante o resto do tempo especializou-se num novo tipo de passe: o Passe Social, simples, económico, mas que não abrange todo o território (a linha lateral, infelizmente, sim).

Nota:

 

Bruno Fernandes - Destacou-se pela forma como rompeu perante as linhas oponentes, solicitando colegas nos flancos a fim de melhor as contornar ou avançando em penetração até ao último reduto adversário. Esteve na origem de inúmeras oportunidades de golo e o que melhor se pode dizer dele é que, mesmo quando não especialmente inspirado, mostra sempre aquele toque distintivo de classe que o torna no maestro da organização ofensiva sportinguista.

Nota:

 

Gelson Martins - O seu jogo assemelha-se cada vez mais ao Bolero de Ravel, excepto na parte que Fernando Gomes, o "bi-bota", definia sentir aquando da obtenção de um golo (marca poucos para o futebol que tem no corpo). É uma música repetitiva, uma sucessão de partituras que regressa sempre a um ponto-de-partida, composta por uma batida forte e persistente que transforma o palco de Alvalade numa "rave" e que, se por um lado nos desperta os sentidos, por outro nos deixa à beira da insanidade.

Nota: Sol

 

Acuña - O argentino tem aquele estilo de nunca virar a cara à luta e de deixar o corpo no relvado. Ontem, apesar de as coisas não lhe terem corrido de feição, manteve-se fiél a esse padrão comportamental, embora tenha aparentado  incomodidade (compreensivelmente) perante os (injustos) assobios provenientes da bancada.

Nota:

 

Podence - Parafraseando o poeta Régio, Podence é "o átomo a mais que se animou", o ião que electriza as bancadas de Alvalade. Enquanto teve energia deixou a "cabeça à roda" à defensiva azul, nomeadamente - momento importante do jogo - no lance em que sofreu um "chega para lá" e que motivou a equipa de arbitragem a assinalar "penalty" a nosso favor. 

Nota: Sol

 

Bas Dost - A um ponta-de-lança exigem-se golos e o holandês não destuou, aliás "dostou", como de costume. No resto do tempo notabilizou-se pela renovada e vã tentativa de assistir companheiros em (suposta) melhor posição. Assim seria quando um defensor de Belém tentou clonar a mítica assistência de Secretário para Acosta e o deixou na cara do golo. Mas, em vez de rematar à entrada da área, preferiu contemporizar e assistir William.

Nota: Sol

 

Battaglia - Não se viu muito no campo, sinal de que imediatamente impôs respeito nos adversários, os quais preferiram percorrer caminhos bem distantes daqueles calcorreados pelo médio argentino. Ainda assim, quando testado, notabilizou-se nos desarmes. A sua entrada permitiu essencialmente extraír o melhor de William e isso, seguramente, foi positivo para a equipa.

Nota:

 

Bryan Ruiz - A classe, o virtuosismo, a elegância em movimento, qualidades bem visíveis quando perante a saída do guarda-redes belenense efectuou um chapéu brilhante, o qual acabaria por ser desviado na linha de golo por um defensor azul. Não deu golo, mas o perfume do seu futebol ficou bem patente nesse lance, bem como a sua incapacidade goleadora, "pormaior" que o vem mantendo afastado do estrelato à escala planetária.

Nota:

 

Bruno César - Apenas o tempo suficiente em campo para merecer o duche final.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates (melhor em campo)

 

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Os nossos jogadores, um a um

Conseguimos o mais importante: os três pontos. Contra uma equipa com manifestas insuficiências, o Sporting foi no entanto demasiado perdulário. Adiantou-se cedo no marcador, com um penálti convertido aos 13' por Bas Dost, mas revelou-se incapaz de ampliar a vantagem durante o resto da partida, fazendo aumentar o nervosismo e a irritação entre os 46 mil adeptos leoninos que se deslocaram nesta noite fria a Alvalade para acompanhar a partida frente ao Belenenses.

Fizemos bem melhor do que na época passada, quando a equipa de Belém nos derrotou por 3-1 no nosso estádio. Mas o público leonino está bastante mais exigente este ano: não se contenta com os pontos, reivindica também bom espectáculo. E desta vez não houve nota artística.

Vários jogadores estiveram aquém do que se esperava. Acuña, desde logo. Mas também Piccini, Coentrão, William, Bruno Fernandes - e o próprio Bas Dost, apesar da conversão da grande penalidade. Alguns deram a sensação, sobretudo no segundo tempo, de que já estavam com a cabeça em Barcelona, onde o Sporting tentará na terça-feira prosseguir para os oitavos da Liga dos Campeões.

O melhor, para mim, jogou atrás. Foi Coates, irrepreensível a defender e com capacidade de lançar a equipa para a frente. Ele, sem dúvida, queria ter vencido por margem mais dilatada. Ele, sem dúvida, fez tudo para valorizar o espectáculo.

 

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RUI PATRÍCIO (6). Noite relativamente tranquila do nosso guarda-redes, que pareceu sempre atento e concentrado, impondo a sua autoridade natural.

PICCINI (5). Continua a revelar alguma bicefalia: muito eficaz na missão defensiva, pouco ousado nas incursões ofensivas. Precisa de se soltar mais.

COATES (7).  Exibição irrepreensível do internacional uruguaio, um dos raros jogadores que nunca se acomodaram à vantagem inicial. Soube empurrar a equipa para a frente em bons lances individuais. O melhor em campo.

MATHIEU (7). Seguro, pendular, bem posicionado, com visão de jogo. Eficaz no jogo aéreo. Combina bem com Coates como se jogassem juntos há anos.

FÁBIO COENTRÃO (5). Mais contido do que se esperava frente a um adversário que quase não atacou no primeiro tempo, esteve preso de movimentos. Prejudicado pela má forma de Acuña.

WILLIAM CARVALHO (5). Ressentiu-se da ausência de Battaglia no onze titular, parecendo demasiado só em diversas fases do jogo numa área nevrálgica do terreno. Faltou-lhe o passe longo e pecou por falta de velocidade.

BRUNO FERNANDES (5). Exibição demasiado oscilante. Falhou demasiados passes e desperdiçou três ocasiões de golo. O melhor que fez foi dois bons cruzamentos pela direita, desperdiçados pelos colegas na grande área.

GELSON MARTINS (6). Tentou muito, mas nem sempre bem. Mal acompanhado nos lances em que acelerava rumo à baliza contrária, teve o mérito de se integrar na manobra defensiva quando a equipa recuava no terreno.

ACUÑA (4). Nem parece ser o mesmo jogador combativo e provocador de desequilíbrios a que nos habituou durante os primeiros meses em Alvalade. Arrastou-se em campo, denotando má condição física. Saiu aos 70', tarde de mais.

PODENCE (6). Mostrou merecer este regresso à titularidade. Muito influente na primeira parte, com dois cruzamentos primorosos. Carregado em falta na grande área, conseguiu um penálti. Apagou-se após o intervalo, saindo aos 61'.

BAS DOST (6). Melhor momento aos 13', quando converteu o penálti: o seu 50.º golo pelo Sporting. Trabalhou para a equipa. Mas desperdiçou bons cruzamentos medindo mal o espaço ou o tempo de intervenção. Podia ter feito mais.

BATTAGLIA (6). Entrou aos 61', substituindo Podence, quando já se escutavam muitos assobios em Alvalade. Sem brilhantismos, conseguiu tornar mais compacto o nosso meio-campo, sacudindo algum marasmo da equipa.

BRYAN RUIZ (4).  Em campo desde os 70', mostrou-se pouco dinâmico, sem criatividade nem rasgos individuais. Podia ter marcado, com um chapéu ao guarda-redes, aos 85', mas a bola foi travada in extremis por um adversário.

BRUNO CÉSAR (-).  Percebe-se mal que só tenha entrado no último minuto do tempo regulamentar. Não teve tempo de revelar a sua habitual utilidade à equipa.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Dos três pontos hoje conquistados em Alvalade. Vencemos o Belenenses por 1-0. Bastante melhor o resultado do que a exibição global da nossa equipa, que chegou a exasperar o público, sobretudo na medíocre segunda parte.

 

Dos nossos primeiros 30 minutos. Neste período a equipa engrenou bem, dominou, criou oportunidades, revelou dinâmica, conseguiu o golo solitário. Pena não ter prolongado o esforço: no resto do tempo foi uma sombra de si própria.

 

Do décimo golo de Bas Dost nesta Liga. Chamado a converter uma grande penalidade, logo aos 13', o holandês não vacilou. Foi irrepreensível nesta marcação.

 

De Coates. Para mim, o melhor em campo nesta noite. Impecável a defender, formando uma sólida parceria com Mathieu, teve o mérito suplementar de procurar empurrar a equipa para a frente sempre que possível. Foi assim num lance individual ao cair do primeiro tempo, foi assim também na segunda parte, quando os assobios já ecoavam no estádio: o internacional uruguaio mostrou ser o mais inconformado. Grande corte aos 11'.

 

De Mathieu. Uma vez mais, segurança e solidez. A ele e ao colega do eixo da defesa devemos a nossa estabilidade defensiva - e também o facto de o Belenenses raras vezes se ter aproximado da nossa baliza com verdadeiro perigo. Mérito suplementar: coloca sempre a bola à sua frente com critério e pontaria.

 

De Gelson Martins. Nem sempre as coisas lhe saíram bem. Mas nunca deixou de tentar, com louvável espírito de equipa e entrega ao jogo. Sem nunca descurar as missões defensivas. Nota positiva.

 

De Podence. Primeira meia hora de grande dinamismo, conseguindo desequilíbrios constantes na nossa linha avançada. Fez dois cruzamentos primorosos, desperdiçados por Bas Dost aos 2' e aos 7'. E foi ele a conseguir a grande penalidade que, convertida pelo holandês, nos valeu três pontos.

 

Da arbitragem de Nuno Almeida. Os jogadores facilitaram, é certo. Mas o árbitro acompanhou sempre bem as jogadas, deixou jogar, usou critério uniforme e revelou boa forma física. Oxalá fosse sempre assim.

 

De ver o estádio quase cheio. Apesar da noite fria, apesar do fim de semana prolongado, apesar da tentação de um serão caseiro com boa programação televisiva, Alvalade recebeu 46.881 espectadores.

 

De entoar o hino nacional. Em dia de feriado nacional, comemorativo da independência portuguesa, saúde-se a decisão da direcção leonina de pôr as bancadas a cantar A Portuguesa. Nada mais adequado, na casa de um clube com genuína implantação nacional.

 

Da homenagem aos paraolímpicos. Merecido aplauso, ao intervalo, aos nossos atletas portadores de deficiência que nos dão um excelente exemplo de tenacidade, desportivismo e amor à vida.

 

De termos alcançado o FC Porto no topo da classificação. O mais importante é isto.

 

 

 

Não gostei

 

 

Da nossa incapacidade de marcar um golo de bola corrida. Sem o penálti convertido por Bas Dost, teríamos sido incapazes de conseguir os três pontos em Alvalade.

 

Dos falhanços. Incrível sequência de golos falhados - imperdoável numa equipa com aspirações ao título. Uma série iniciada logo aos 2' por Bas Dost, prosseguida aos 7' pelo holandês, que voltaria a falhar aos 87'. Acunha teve uma perdida escandalosa aos 23'. Mas o mais perdulário foi Bruno Fernandes, que falhou golos quase cantados em três ocasiões, aos 58', aos 62' e aos 65'.

 

De Acuña. Desde que veio da lesão o argentino tem-se revelado muito abaixo daquilo a que nos habituara. Enquanto esteve em campo pareceu que jogávamos só com dez.

 

De Bryan Ruiz. Muito aplaudido pelas bancadas neste seu regresso a Alvalade seis meses depois, o costarriquenho não correspondeu às expectativas. Apático, sem mobilidade quando a equipa exigia um suplemento de vitalidade, voltou a revelar a sua pior faceta ao desperdiçar uma das melhores oportunidades de golo em toda a partida, ao minuto 85. Um filme já nosso conhecido.

 

Da entrada tardia de Bruno César. Jorge Jesus esperou pelo minuto 90 para trocar o infeliz Bruno Fernandes por Bruno César. O brasileiro, que só esteve quatro minutos em campo, podia ter sido útil se tivesse mais oportunidades de experimentar o seu já célebre pontapé de meia-distância.

 

Dos assobios. Monumentais vaias - que chegaram a ser quase ensurdecedoras - sublinharam o desempenho de vários jogadores, com o "tribunal de Alvalade" claramente insatisfeito com a prestação da equipa na etapa complementar. Compreendo a irritação, mas não havia necessidade. E alguns dos mais assobiados, como Piccini e William Carvalho, não mereciam isto.

Balanço (6)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre COATES:

 

- Francisco Chaveiro Reis: «Coates, Semedo e Oliveira dão garantias. Acredito que são os laterais os maiores culpados pelos golos sofridos.» (20 de Dezembro)

- Eu: «Grande partida do internacional uruguaio, sempre muito concentrado, sem um só deslize, antecipando-se sempre aos adversários. Voltou a demonstrar que é o líder absoluto da defesa leonina.» (22 de Abril)

- Rui Cerdeira Branco: «Coates, que também fez uma pré-época de susto, depressa regressou ao estatuto conquistado no ano anterior, assumindo-se como o nosso melhor defesa.» (14 de Maio)

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De ganhar o jogo.  Da vitória em Arouca, sem discussão, por 2-1. Foi o nosso sétimo triunfo fora de casa no campeonato e a sexta vitória nos últimos sete desafios.

 

Da reviravolta. Antes dos dez minutos, já perdíamos. Mas soubemos dar bem a volta ao marcador, em menos de dois minutos, de forma determinada e autoritária. Depois soubemos também segurar a vantagem, pensando muito mais nos três pontos em disputa do que no espectáculo.

 

De Coates. Hoje foi para mim o melhor jogador em campo. Com uma exibição irrepreensível. Patrão da defesa, desarticulou vários lances ofensivos do Arouca. Fez um bom cabeceamento, na sequência de um canto, aos 18'. E foi ele a iniciar o primeiro golo, com um passe em profundidade para Gelson Martins recolher na ala direita. Merece aplauso.

 

De Gelson Martins. Novamente em bom plano, para não destoar, o jovem internacional leonino ajudou a construir o golo que iniciou a nossa reviravolta fazendo a assistência para Alan Ruiz. Foi muito castigado pelo jogo faltoso do Arouca, que o árbitro não sancionou como devia - desde logo com a marcação de um penálti aos 6'.

 

Dos marcadores dos nossos golos. Alan Ruiz aos 34', Bruno César minuto e meio depois. Quem disse que no Sporting só Bas Dost sabe marcar?

 

Da vantagem ao intervalo. Consumada a reviravolta, os jogadores puderam ir tranquilos para os balneários. Aliás só pecaram na segunda parte por isso mesmo: excesso de tranquilidade.

 

De ver diminuída a distância face aos dois primeiros. Pela segunda jornada consecutiva, conquistamos quatro pontos ao SLB e ao FCP devido aos tropeções destas duas equipas. O Benfica tem agora mais oito pontos, o FC Porto está com mais sete. E estamos com mais dez do que o V. Guimarães e o Braga.

 

 

Não gostei

 

Do penálti perdoado ao Arouca pelo árbitro Luís Godinho. Gelson Martins foi claramente derrubado na grande área, logo aos 6', num lance em que o defesa arouquense nem quis tocar na bola.

 

Da segunda parte. Jogo pastoso e sonolento no período complementar, em que o Sporting não fez qualquer remate à baliza nem dispôs sequer de um canto. Esperamos e exigimos sempre mais dos nossos jogadores.

 

Do jejum de Bas Dost. Partida com qualidade abaixo da média do nosso habitual goleador, que hoje ficou em branco.

 

Da ausência prolongada de Adrien. O nosso capitão faz muita falta à equipa, que precisa de um verdadeiro n.º 8, com a missão de ligar os sectores e dinamizar o ataque.

 

De Schelotto. Corre tanto para quê?

 

Da troca de Alan Ruiz por Palhinha. Entendi mal esta substituição, concretizada aos 70'. Para quê reforçar o nosso meio-campo defensivo, desperdiçando a oportunidade de marcar um terceiro golo perante uma equipa tão desorganizada e débil?

 

De ver o estádio quase vazio. Consequência dos inaceitáveis preços dos bilhetes praticados pela família Pinho, que ainda gere o futebol do Arouca.

 

Pódio: Coates, Gelson Martins, Schelotto

Só por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Nacional-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 14

Gelson Martins: 14

Schelotto: 14

Bruno César: 13

Rúben Semedo: 13

Rui Patrício: 13

Campbell: 11

Bryan Ruiz: 11

Bas Dost: 11

Markovic: 10

William Carvalho: 10

Marvin: 9

Alan Ruiz: 8

Elias: 6

 

A Bola elegeu Gelson Martins como melhor sportinguista neste jogo. O Record optou por Coates. O Jogo não escolheu nenhum.

Pódio: Coates, Adrien, Rúben Semedo

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Paços de Ferreira-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 18

Adrien: 17

Rúben Semedo: 16

Alan Ruiz: 15

Gelson Martins: 15

Rui Patrício: 15

João Pereira: 15

Bruno César: 15

Slimani: 15

Bryan Ruiz: 14

William Carvalho: 14

Marvin: 12

Carlos Mané: 11

Bruno Paulista: 1

 

O Record elegeu Coates como figura do jogo. A Bola e O Jogo optaram por Adrien.

Balanço (8)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre COATES:

 

- Francisco Chaveiro Reis: «Agastado com o uso prolongado de vermelho no Liverpool e com o facto de jogar em casa num Stadium of Light, Coates deve estrear-se hoje com a camisola 13 (número do azar aqui é o 7, nada temam!) do Sporting. Com claro sucesso com o branco do Nacional e com o celeste do Uruguai, está visto que foi o tom avermelhado das indumentárias inglesas que lhe toldou a sorte. Alto, forte, experiente mas com muito a provar na Europa, quer parecer-me que temos ali homem para acabar com as vias… verdes da nossa defesa.» (8 de Fevereiro) 

- Eu: «Parece sentir-se muito à-vontade como patrão da defesa leonina. Atento, concentrado, fazendo bom uso da sua elevada estatura (1,96m). Foi decisivo ao cabecear no lance do primeiro golo, dando até a sensação de ter sido ele a marcar.» (19 de Março)

- José da Xã: «Sei que vieram Bruno César, Coates e Zeegelaar, tendo também regressado Rúben Semedo. Mas todos eles insuficientes para as reais aspirações do Sporting.» (16 de Maio)

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