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És a nossa Fé!

Isto está tudo ligado

O Pedro Oliveira aqui em baixo já fala e bem sobre o fim da quaresma e do jejum motivado pela Covid e do recomeço das homilias com coro e música de órgão e ainda só vamos na quinta jornada.

Mas explicando o título acima, vocemessês lembrar-se-ão do Bobi, ou do Tareco, já não sei bem qual deles era ele ou seria os dois, sei lá, mas o Teles, Reinaldo de seu nome, começou na secção de boxe. Alguma coisa haveria de restar do legado do gão ou do cato (uma mistura de gato com cão ou vice-versa), que se perpetuaria pelo "bicho" e pelo insofismável Paulinho que para disfarçar tinha como apelido Santos.

Ontem sete gajos, a saber: O Ferrari vermelho e sus dos muchachos, o quarto árbitro e o VAR e seu ajudante, o AVARiado, não viram uma agressão do tamanho da Torre dos Clérigos de Coates a Pepe, que numa clara tentativa de ludibriar estas sete alimárias, amandou suas enormes queixadas contra o punho de Pepe que coitado, não conseguiu evitar o contacto. Felizmente o douto juíz da partida estava atento, a mais os seus seis auxiliares e deixou a jogada seguir. Estiveram  estas sete figurinhas mal, no entanto. Deveria ter sido admoestado o jogador do Sporting por teatro. Assim, exige-se um sumaríssimo, de modo a colocar as coisas no seu lugar e que Coates veja na secretaria o castigo que Nuno Almeida descaradamente lhe perdou, com a conivência de mais seis pilantras.

Se não acreditam no que escrevi, vejam as imagens!

Nota 1: Que me desculpem pela fonte das imagens, mas é o que há...

Nora 2: Vai sendo tempo de o Sporting começar a mandar recados de que não tolerará regabofes como os de ontem nos Açores e em Lisboa, Alvalade. Se possível ao mais alto nível.

Balanço (8)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre COATES:

 

- Pedro Oliveira: «No futebol, capitão é a patente mais elevada. No futebol o capitão não é um oficial de baixa patente. No futebol um capitão vale mais que um marechal.» (23 de Novembro)

José Navarro de Andrade: «Um defesa que não teme o choque.» (26 de Janeiro)

- Luís Lisboa: «É um dos melhores defesas centrais que o Sporting alguma vez teve, um leão de raça que nunca se esconde do jogo e ruge nos momentos críticos. Na final da Taça da Liga esteve simplesmente imperial, fez uma das melhores exibições de sempre com a camisola do Sporting, repetindo o que tinha feito na última Taça de Portugal ganha no Jamor.» (26 de Janeiro)

Pedro Boucherie Mendes: «Adán, Coates, Feddal, Neto, Palhinha são os bravos do pelotão.» (2 de Fevereiro)

Edmundo Gonçalves: «O patinho feio Coates e o mal-amado Neto fazem hoje parte da defesa menos batida do campeonato, de uma equipa que se apresenta com um goal average de +27, coisa que nem nos sonhos mais húmidos qualquer sportinguista imaginaria quando a época arrancou.» (6 de Fevereiro)

- JPT: «Ao ver este Coates-21, capitaneando com excelência a caravana do jogo a jogo, carregando-a em momentos mais tempestuosos, alentando-a diante de maus ventos, tenho que me retractar, injusto, e retratar, ignóbil.» (16 de Março)

CAL: «Adán, Feddal, Antunes, João Pereira, Luís Neto e até Coates estão à procura de dar o salto para onde, excepto (alguns) para os quadros formativos do Sporting?» (3 de Abril)

Eu: «Um gigante. Se o Sporting conquistar o título de campeão nacional, como quase todos desejamos, ele será o principal obreiro dessa proeza. Imperial nas alturas, assumindo por inteiro as operações defensivas, com notável maturidade quando alguns colegas pareciam à beira do descontrolo emocional, ele transmitiu força e consistência à nossa organização defensiva, funcionando como muralha intransponível.» (26 de Abril)

José Cruz: «Apesar da grande época de Coates, todos os jogadores foram importantes na devida altura.» (12 de Maio)

- Pedro Belo Moraes: «Olhei para o nosso capitão Coates e ele olhou para mim. Acredito que houve cumplicidade entre os dois. Que ele percebeu o quanto lhe estou grato. Igual ao que dele vemos em campo, mesmo no meio do rebuliço, do gigantesco alvoroço, Coates mantinha-se Coates. Discreto, sem bazófia ou vaidade, ele era mais uma vez a figura de referência, o comandante.» (17 de Maio)

Ordem de Mérito Liga 1ª Liga

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Finalizada esta edição da 1ª Liga, com base nas apreciações dos três jornais desportivos diários que o Pedro Correia aqui nos traz, e se não me enganei a transcrever alguma pontuação, podemos então estabelecer a seguinte ordem de mérito:

1. Pontuação Total:

Pedro Gonçalves523
Coates519
Palhinha489
Adan486
Porro457
Nuno Santos438
Nuno Mendes432
Feddal411
Tiago Tomás405
10 João Mário399
11 Matheus Nunes389
12 Jovane304
13 Neto299
14 Daniel Bragança265
15 Inácio233
16 Tabata203
17 Paulinho200
18 Matheus Reis181
19 Sporar167
20 Antunes95
21 Plata95
22 João Pereira53
23 Wendel45
24 Vietto44
24 Max33
25 Eduardo Quaresma23
26 Borja15
27 Tomás Silva13
28 André Paulo 12
29 Dário Essugo11

 

2. Desempenho Médio:

Max16,5
Pedro Gonçalves16,3
Coates15,7
Palhinha15,3
Porro15,2
Adan15,2
Wendel15,0
Nuno Mendes14,9
Feddal14,7
10 Vietto14,7
11 Paulinho14,3
12 João Mário14,3
13 Nuno Santos14,1
14 Inácio13,7
15 Neto13,6
16 Tiago Tomás13,5
17 João Pereira13,3
18 Tomás Silva13,0
19 Matheus Nunes13,0
20 Sporar12,8
21 Tabata12,7
22 Jovane12,7
23 Daniel Bragança12,6
24 Matheus Reis12,1
25 André Paulo 12,0
26 Antunes11,9
27 Plata11,9
28 Eduardo Quaresma11,5
29 Dário Essugo11,0
30 Borja7,5

 

3. Número de vezes os Melhores em campo :

Pedro Gonçalves12
Coates 6
Porro4
Palhinha4
Adán3
Nuno Mendes3
Matheus Nunes2
Jovane2
Nuno Santos2
10 Wendel1
11 Tabata1
12 Feddal1
13 Paulinho1

 

Os números não mentem. No pódium têm de estar e por esta ordem Pedro Gonçalves, Sebastián Coates e João Palhinha.

Tirando o caso de Luís Maximiniano, com a pontuação média inflacionada pelo pequeno número de jogos efectuado, Pedro Gonçalves surge como o melhor em tudo, melhor pontuação global, melhor pontuação média, mais vezes melhor em campo a grande distância dos seguintes, tudo complementado com o título de melhor marcador. Contratação assim, só mesmo a de Bruno Fernandes. 

Depois vem Sebastián Coates. Já falei tanto dele que não sei mais o que dizer. Respect! O captain! My captain!

E depois João Palhinha. Uma época que começou de forma atribulada, uma mistura de situações e indefinições, e acabou da melhor forma, foi o pêndulo da equipa, o homem dos equilíbrios, o garante da estrutura táctica, muitas vezes penalizado injustamente por arbitragens sem dimensão europeia. Um jogador de nível Champions.

Note-se também que nos dez primeiros da pontuação total estão sete contratações / regressos desta época. Se recuarmos ao plantel vencedor da Taça de Portugal de há dois anos, então desses dez só um integrava o plantel. O capitão. Uma prova do excelente trabalho realizado este ano pelo director desportivo Hugo Viana.

Depois temos a maior riqueza deste plantel: os jovens da academia de Alcochete, do Nuno Mendes ao Max, uns que chegaram mais novinhos outros mais tarde, uns nascidos em Portugal outros não. São muitos, são mesmo bons, e muito melhores vão ainda ser. Até porque contam com Rúben Amorim que acredita neles e lhes dá todas as oportunidades. E assim se constrói o futuro do Sporting.

Fica então aqui aberta a discussão sobre estas pontuações.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

O dia seguinte

E ganhando em Vila do Conde e o Porto não passando na Luz, nem o Godinho nos impediu de ser campeões. Ainda tentou, fez por não ver todos os contactos na grande área adversária, administrou os amarelos da forma incompetente que o caracteriza, mas não conseguiu adiar a nossa felicidade.

Foi um jogo que tinha tudo para conduzir a outro tipo de resultado, um 5-1 ou coisa que o valha, mas em que os postes da baliza contrária e a alta ansiedade do momento foram tornando a coisa muito de acordo com o que tinha sido a época, foi sofrer até ao fim a contar os minutos que faltavam até ao final, sempre com o Sporting a dominar os acontecimentos, mas sempre a temer uma daquelas situações improváveis em que a bola caprichosamente entra na nossa baliza. Gato escaldado de água fria tem medo.

Foi um jogo em que, se toda a equipa esteve excelente, o seu capitão Coates esteve mais uma vez excepcional. Mais uma vez "El patron" foi imperial a defender, conseguiu lançamentos em profundidade magistrais e ainda teve pulmão para arrancadas de costa a costa magníficas. Simplesmente EXCEPCIONAL. 

Mais uma vez também, o sistema "out-of-the-box" para a realidade portuguesa que Rúben Amorim trouxe para o Sporting. O tal 3-4-3, muito mal compreendido e desconsiderado por alguns, liquidou o adversário, que quase não conseguiu jogar e limitou-se a uma oportunidade de golo, enquanto o Sporting teve mais duma dúzia. Foi com este sistema que o Sporting dominou quase todos os adversários que defrontou, nalgumas vezes esse domínio não foi suficiente para ganhar, outras vezes podiamos não ter ganho mas ganhámos mesmo ao cair do pano, mas não há dúvida que foi um instrumento essencial nesta conquista.

Para estes brilhantes jogadores, a começar pelo seu capitão, o seu enorme treinador em todos os aspectos, toda a estrutura técnica e organizativa, para Hugo Viana que conseguiu ser unha com carne com o treinador e ir de encontro aos seus desejos, e obviamente para o presidente Frederico Varandas, que fez uma aposta de alto risco num treinador sem curriculum e que enfrentou fora do campo com sucesso as forças mafiosas que dominam o futebol português, desde Pinto da Costa à FPF/Unilabs/CD, nunca esquecendo o enorme Paulinho roupeiro, o meu MUITO OBRIGADO.

Foi muito bonito ver Palhinha, Quaresma, Plata e Jovane vibrarem como campeões, depois de todos eles, uns por isto outros por aquilo, passarem por períodos conturbados que poderiam conduzir a desfechos diferentes.

E agora... não basta chegar à Luz de cabelo pintado de verde, por muito que isso nos dê um gozo descomunal. Temos é de lá ir ganhar. Obviamente. 

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Ordem de Mérito Liga (30ª jornada)

Sebastian-Coates-1.jpg

 

Concluídas as primeiras trinta jornadas da Liga, com base nas apreciações dos três jornais desportivos diários que o Pedro Correia aqui nos traz, e se não me enganei a transcrever alguma pontuação, podemos então estabelecer a seguinte ordem de mérito:

1. Pontuação Total:

Coates455
Pedro Gonçalves447
Porro444
Adan440
Palhinha421
Tiago Tomás392
Nuno Santos388
Nuno Mendes381
Feddal378
10 João Mário351
11 Matheus Nunes335
12 Neto278
13 Jovane248
14 Daniel Bragança221
15 Tabata203
16 Inácio189
17 Sporar167
18 Matheus Reis145
19 Paulinho132
20 Antunes79
21 Plata77
22 Vietto44
23 Wendel29
24 Eduardo Quaresma23
24 Max17
25 Borja15
26 Dário Essugo11
27 João Pereira10

 

2. Desempenho Médio:

Max17,0
Pedro Gonçalves16,0
Coates15,7
Porro15,3
Adan15,2
Palhinha15,0
Vietto14,7
Nuno Mendes14,7
Feddal14,5
10 Wendel14,5
11 João Mário14,0
12 Neto13,9
13 Nuno Santos13,9
14 Tiago Tomás13,5
15 Inácio13,5
16 Paulinho13,2
17 Daniel Bragança13,0
18 Matheus Nunes12,9
19 Sporar12,8
20 Tabata12,7
21 Jovane12,4
22 Matheus Reis12,1
23 Eduardo Quaresma11,5
24 Antunes11,3
25 Plata11,0
26 Dário Essugo11,0
27 João Pereira10,0
27 Borja7,5

 

3. Número de vezes os Melhores em campo :

Pedro Gonçalves10
Coates 6
Porro4
Palhinha4
Adán3
Nuno Mendes2
Matheus Nunes2
Jovane2
Wendel1
10 Tabata1
11 Nuno Santos1
12 Feddal1

 

Os números não mentem. Coates está a fazer a melhor época de sempre ao serviço do Sporting, e as contratações de Verão - com Pedro Gonçalves, Porro e Adán à cabeça - conseguem uma regularidade de alto desempenho completamente extraordinária para quem tinha acabado de chegar ao clube. Depois vem a malta da casa: Palhinha, Nuno Mendes, Tiago Tomás, João Mário e outros, também eles fundamentais neste Sporting.

Se considerarmos os 20 melhores na pontuação total, Coates consegue também ser o único "sobrevivente" dos finalistas das Taças de Portugal de 2018 e 2019. Todos os outros foram à sua vida, uns duma forma, outros doutra. A transformação do plantel foi radical.

Fica aqui aberta a discussão sobre estas pontuações.

SL

Pódio: Coates, Adán, Matheus Nunes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Braga-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 23

Adán: 21

Matheus Nunes: 19

Feddal: 17

Neto: 16

Nuno Mendes: 16

Matheus Reis: 15

Tiago Tomás: 15

Porro: 15

Palhinha: 14

João Mário: 13

Pedro Gonçalves: 13

Plata: 12

Paulinho: 10

Nuno Santos: 9

Gonçalo Inácio: 5

 

Os três jornais elegeram Coates como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do resultado deste Braga-Sporting. Terceiro embate da época entre as duas equipas, terceiro triunfo leonino. Não pode ser coincidência, numa temporada em que a esmagadora maioria dos comentadores antevia a turma minhota "já como equipa grande" e até "a praticar o melhor futebol" do campeonato português. Palavras que foram levadas pelo vento: agora derrotado por 0-1, o Braga segue na quarta posição da Liga 2020/2021, com menos 15 pontos que o Sporting. 

 

Do golo da vitória. Marcado por Matheus Nunes aos 81', numa combinação perfeita com Porro, na conversão de um livre junto à lateral direita, logo à entrada do meio-campo braguista. Rápido pontapé vertical do internacional espanhol, muito bem colocado, e desmarcação exemplar do luso-brasileiro, que rematou cruzado, fuzilando a baliza à guarda do seu homónimo do Braga. Era o nosso primeiro remate enquadrado, era a nossa primeira oportunidade de golo - e foi golo mesmo. Aproveitamento máximo.

 

De Coates. Um gigante. Se o Sporting conquistar o título de campeão nacional, como quase todos desejamos, ele será o principal obreiro dessa proeza. Imperial nas alturas, assumindo por inteiro as operações defensivas, com notável maturidade quando alguns colegas pareciam à beira do descontrolo emocional, ele transmitiu força e consistência à nossa organização defensiva, funcionando como muralha intransponível. Impecável no corte, no desarme, na recuperação. O melhor em campo. 

 

De Adán. Cometeu um erro primário que nos custou dois pontos na jornada anterior, frente ao Belenenses SAD. Mas redimiu-se, e de que maneira, neste embate em Braga. Impediu por quatro vezes o golo da equipa anfitriã, travando ou desviando remates de Fransérgio (36' e 80') e Galeno (39' e 62'). Elemento nuclear da nossa coesão defensiva. Nota máxima para o espanhol, outro baluarte do onze titular leonino.

 

De Feddal. Fala-se pouco dele, mas o marroquino é o complemento perfeito de Coates: jogam juntos apenas há oito meses mas até parece que se conhecem há oito anos. Fundamental para completar a tarefa do uruguaio na manobra defensiva do Sporting numa partida em que jogámos mais de 70' com apenas dez jogadores, o que comprometeu todo o dispositivo táctico que Rúben Amorim havia montado para este jogo.

 

De Matheus Nunes. Já mencionado acima como autor do golo, saltou muito bem do banco logo a abrir a segunda parte e confirmou que não treme em circunstância alguma: volta a marcar ao Braga, tal como também já tinha marcado ao Benfica. De olhos na baliza e com vocação para se agigantar nos desafios mais decisivos. Merece integrar o onze titular do Sporting. Acredito que assim acontecerá até ao final do campeonato.

 

Das mudanças operadas pelo treinador. Ao intervalo, com menos um em campo, mandou sair Nuno Santos e Paulinho, trocando-os por Neto e Matheus Nunes. Aos 65', deu ordem de saída a João Mário e Pedro Gonçalves, fazendo entrar Matheus Reis e Tiago Tomás. No fim, já aos 90'+1, trocou um magoado Nuno Mendes pelo regressado Plata só para congelar a bola, tarefa que o jovem colombiano desempenhou na perfeição. O essencial foi cumprido, prevalecendo a palavra de ordem: para onde vai um, vão todos. O colectivo é sempre mais importante do que o individual.

 

De termos cumprido o 29.º jogo seguido sem perder. Conquista atrás de conquista nesta equipa orientada por Rúben Amorim. Desta vez igualamos um recorde já com meio século de existência, igualando o máximo estabelecido em duas épocas consecutivas (1969/1970 e 1970/1971) pelo Sporting de Fernando Vaz. Somos, há muito, o único emblema invicto no campeonato em curso.

 

Do nosso palmarés defensivo. Apenas 15 golos sofridos em 29 partidas já disputadas. Praticamente apenas um sofrido de dois em dois jogos - notável estatística que diz muito do comportamento em campo da nossa equipa. Que lidera isolada a LIga 2020/2021 há 23 jornadas. 

 

Dos 73 pontos somados até agora. Quando faltam ainda cinco jornadas, garantimos o terceiro lugar que nos fugiu in extremis na época anterior. Estamos a seis pontos de conseguir o acesso directo à Liga dos Campeões. E a quatro vitórias do título. Continuamos a depender só de nós, neste momento em que levamos sete pontos acima do FC Porto e mais 13 do que o Benfica, equipas que só hoje jogarão.

 

Do balanço muito positivo no confronto com os principais adversários. Até agora, nesta época, enfrentámos sete vezes FC Porto, Benfica e Braga. Balanço: cinco vitórias, dois empates e nenhuma derrota. É assim que se conquistam títulos.

 

 

Não gostei

 

 

Do desempenho do árbitro. Começo a acreditar que não é coincidência: o Sporting tem sempre azar com Artur Soares Dias. Voltou a acontecer: houve uma chocante dualidade de critérios do juiz portuense já destacado para apitar no Campeonato da Europa. Estragou de vez o espectáculo desportivo logo aos 18', fazendo expulsar Gonçalo Inácio ao exibir-lhe o segundo amarelo quando no minuto anterior tinha perdoado uma entrada de pitons em riste de Fransérgio a derrubar Palhinha e aos 60' fez vista grossa a uma grande penalidade cometida pelo intratável Raul Silva contra Coates. Dois pesos, duas medidas. Mau no capítulo técnico, péssimo no capítulo disciplinar. Dizem que é "o melhor árbitro português". Por aqui já se percebe o nível dos restantes.

 

De ver o nosso treinador fora do banco. Não aconteceu com nenhum outro neste campeonato, nem sequer com os maiores arruaceiros reconhecidos e comprovados: Rúben Amorim esteve três jogos seguidos impedido de orientar a equipa na sua área técnica, cumprindo o terceiro em Braga. É assim a nossa "justiça desportiva", que continua sem penalizar Sérgio Conceição por ter dirigido graves injúrias ao seu colega Paulo Sérgio, com quem quase se envolveu à pancada no decurso do Portimonense-FC Porto, disputado há mais de um mês.

 

De Gonçalo Inácio. Entrou extremamente nervoso, como se lhe pesassem as pernas e o emblema do Braga fosse um bicho-papão. Ser esquerdino a alinhar como central mais deslocado à direita não ajuda: diminui-lhe os reflexos e a capacidade de reacção quando o adversário o apanha de pé trocado. Fez falta a justificar amarelo logo aos 10', num derrube a Gaitán, e oito minutos depois viu o segundo cartão, que o afastou do jogo, ao tocar em Galeno - a quem momentos antes entregara a bola. Soares Dias exagerou na admoestação, pois o lance desenrolava-se ainda longe da nossa baliza e Palhinha estalava lá também, a controlar o portador da bola. Mas Gonçalo foi imprudente por excesso de intranquilidade, aliás já revelada no jogo anterior. Neto saltou do banco para o seu lugar e cumpriu.

 

De João Mário. Voltou a demonstrar que está fora de forma e merece uma cura de banco. Continua a actuar com extrema lentidão, incapaz de verticalizar e agilizar o jogo. O primeiro cartão exibido a Gonçalo surge na sequência de um passe à queima do campeão europeu, virado para a baliza errada. Matheus Nunes e Daniel Bragança espreitam-lhe o lugar.

 

De Paulinho. Esteve toda a primeira parte em campo e novamente quase não se deu por ele. Mesmo no quarto de hora inicial, em que mantínhamos onze em campo, o ex-artilheiro do Braga só deu nas vistas aos 14', quando falhou uma emenda na sequência de um canto. Depois, sem bola disponível, desapareceu de vez do jogo e já não voltou do intervalo.

 

Do cartão exibido a Adán. Deve ser caso único: o nosso guarda-redes fica fora do próximo jogo por acumulação de amarelos. É quanto basta para se perceber como o Sporting é alvo preferencial da arbitragem. O quinto foi ontem exibido por Soares Dias, aos 90'+6, tendo o juiz portuense mostrado também cartão a Pedro Gonçalves, então já devolvido ao banco de suplentes. Na próxima partida, em que recebemos o Nacional, Max será pela primeira vez titular da baliza nesta Liga 2020/2021. Ausente estará também Tiago Tomás (que ontem viu igualmente o quinto cartão), além de Gonçalo Inácio.

 

Do campo inclinado. Soares Dias matou o desafio como espectáculo competitivo aos 18', fazendo expulsar Gonçalo. Isto condenou o Sporting a fechar-se no seu reduto, praticando apenas jogo defensivo enquanto aguardava a oportunidade de conseguir pontos - como viria a acontecer - em lance de bola parada. Um teste à resistência física e psicológica do onze leonino, que actuou mais de uma hora num inédito 5-4-0. Nove jogadores atrás da linha da bola. Um teste também à resistência anímica dos adeptos.

O dia seguinte

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Ontem foi 25 de Abril, e em 1974 com o 25 de Abril veio a liberdade, e veio também a dobradinha do Sporting com um argentino, Hector "Chirola" Yazalde, a ser de longe o melhor jogador do campeonato, além de bota de ouro com 46 golos em 30 jogos.

E ontem foi um uruguaio, Sebastián "El patrón" Coates a ser crucial na vitória épica em Braga, a jogar com menos um desde os 15 minutos devido a uma arbitragem parcial dum habilidoso árbitro do Porto que já nos tinha prejudicado enquanto VAR em Famalicão.

O Sporting entrou mal no jogo, a entrada de Nuno Santos no onze inicial que eu tanto preconizava não resultou. O Braga manobrava à vontade no meio-campo criando situações de superioridade numérica e partindo com a bola dominada para cima da defesa. De duas situações assim saíram dois amarelos para o mesmo e consequente expulsão, Fransérgio entrou de sola e só viu amarelo, e lá ficámos a jogar 10 contra 11.

Rúben aguentou a vontade de mexer na equipa, ela soube recompor-se dentro do campo num 5-4-0 de muito trabalho que conseguiu aguentar a pressão do Braga até ao intervalo. A segunda parte foi mais do mesmo, a equipa foi sendo refrescada de acordo com o desgaste dum ou doutro, o Braga teve uma ou outra oportunidade para marcar e não conseguiu. Dum lance estudado o Matheus correspondeu â solicitação de Porro e marcou, repetindo o que tinha acontecido para a Taça da Liga com outros actores, no caso Inácio a solicitar e Porro a marcar.

Depois disso foi segurar a vitória, praticamente sem conceder qualquer oportunidade ao Braga.

Foi mesmo uma vitória épica. Ficar reduzido a 10 em Braga, a precisar de ganhar para poder prosseguir em boas condições na corrida para o título, e a conseguir mesmo ganhar não é para todos, é mesmo para muito poucos.

Foi uma vitória feliz no único remate à baliza do adversário? Foi. Mas então o que dizer da infelicidade nos três jogos que deram empate, em que fomos bastante superiores e nos fartámos de rematar para nada? Foram 6 pontos perdidos assim, com golos anulados, penaltis desperdiçados, golos doutro mundo dos adversários, infelicidade do guarda-redes... E ontem só ganhámos 3. Fica a estrelinha a dever-nos outros 3...  

Se Coates foi mais uma vez o herói, e Adán fez uma defesa soberba, muito bem estiveram os que foram entrando: Matheus Nunes, Neto, Matheus Reis, Plata. Acabando o primeiro por marcar o golo decisivo, mais uma prova da união e solidariedade existentes no plantel, mesmo os que menos minutos jogam se sentem importantes para ajudar o Sporting a vencer. E, como ontem, fazem mesmo a diferença.

Assim ficam a faltar cinco finais. Como diz o Rúben só temos mesmo de ir ganhando o próximo jogo, que o resto vê-se no fim. E o próximo é contra o Nacional, com o grande Max na baliza.

Voltando ao início, se calhar algures lá em cima o grande "Chirola" está a proteger-nos.

Fica aqui também uma palavra de muita saudade para outro argentino de muita fibra, que veio para o Sporting recomendado pelo "Chirola": Sérgio Saucedo, que nos deixou sexta-feira com 61 anos. Paz à sua alma.

 

PS: Percebem agora porque adoro argentinos e uruguaios? Até do Alan Ruiz era incapaz de dizer mal...

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

 

Rescaldo do jogo de anteontem

Não gostei

 

 

Do resultado do Sporting-Belenenses SAD. Terminou empatado 2-2: foi o nosso terceiro empate nos últimos quatro jogos, indício evidente de quebra global da equipa. Mas pior foi a exibição: só por volta dos 70' os nossos jogadores parecem ter despertado da letargia que se apoderou deles em campo. Jogando sem ritmo, falhando passes, abusando dos atrasos ao guarda-redes, com lentíssima circulação de bola. Pareciam estar a cumprir uma tarefa burocrática na repartição. Como se não quisessem ser campeões. 

 

De Adán. Tinha brilhado no jogo anterior. Desta vez borrou a pintura, com um erro inadmissível, daqueles que podem custar campeonatos: apertado por Cassierra, hesitou quanto ao pé a utilizar na saída de uma bola e acabou por chutar no ar, desequilibrando-se. Ofereceu assim ao Belenenses SAD o segundo golo. Iam decorridos 54', passávamos a perder 0-2. Nos minutos imediatos instalou-se o descontrolo emocional na equipa. A partir daí foi tremideira até ao fim.

 

De João Mário. Exibição apática do campeão europeu, que abusou de jogar a passo e das lateralizações sem rasgo, incapaz de queimar linhas ou de um passe de ruptura. Pior ainda: ao ser chamado para converter um penálti, aos 42', permitiu a defesa de Kritciuk. Foi substituído aos 67', tendo saído tarde de mais.

 

De Gonçalo Inácio. O pior jogo do jovem central desde que ascendeu à nossa equipa principal. Está de algum modo envolvido nos dois golos: no primeiro, logo aos 13', deixou-se fintar por Miguel Cardoso, que colocou a bola na área; no segundo, quando o Sporting precisava de construir um rápido lance ofensivo, optou por mais um burocrático atraso a Adán num passe de risco, que precipitou o erro do guarda-redes.

 

De Tiago Tomás. Outra exibição para esquecer. Aos 4' já estava a ser amarelado por uma entrada negligente, por trás, no meio-campo defensivo do Belenenses SAD, sem qualquer necessidade. Depois falhou três vezes a possibilidade de atirar com sucesso às redes azuis: aos 18' chutou para a bancada; aos 23', saiu-lhe um remate frouxo; aos 28', bem servido, desperdiçou a melhor oportunidade. Péssimo no capítulo da finalização. Foi bem substituído ao intervalo.

 

De Paulinho. Uma nulidade. Sucedem-se as jornadas com o nosso ponta-de-lança sem demonstrar em campo as qualidades que fizeram dele a contratação mais cara do Sporting. Atravessa uma evidente crise de confiança: nunca está no sítio certo quando é necessário. Foi preciso Coates, um central, ir lá à frente mostrar-lhe como se faz. O ex-artilheiro do Braga já parece ter esquecido. E nem serve para marcar penáltis. Como se implorasse ao treinador para o deixar fora do onze titular.

 

De Palhinha e Porro. Dois dos nossos melhores jogadores nesta época 2020/2021 vieram irreconhecíveis da mais recente pausa para desafios das selecções A em que ambos se estrearam. Em nítida quebra de forma, contribuíram ambos para a apagada exibição da equipa. 

 

Dos ataques inconsequentes. Em remates, o desequilíbrio neste dérbi lisboeta dificilmente podia ter sido maior: 28 do nosso lado e apenas três do Belenenses SAD. Problema: os nossos foram quase todos muito ao lado ou resultaram em pontapés frouxos que o guarda-redes deles facilmente interceptou. 

 

Das substituições tardias. Este desafio, contra uma equipa que defende com linhas muito baixas, pedia desequilibradores e criativos. Mas eles estavam quase todos no banco. E só foram lançados na segunda parte, por esta ordem: Nuno Santos (46'), Tabata (61'), Jovane (67'), Daniel Bragança (67') e Matheus Nunes (77'). Foi quanto bastou para o empate, alcançado no último lance do desafio. Mas já não chegou para a reviravolta que se impunha: ficaram mais dois pontos pelo caminho.

 

Das hesitações do treinador. Rúben Amorim, ausente do banco por castigo, demorou muito a desmanchar o sistema dos três centrais que já não fazia qualquer sentido com a nossa equipa a perder por 0-2 e o Belenenses SAD totalmente remetido ao seu reduto defensivo. Impunha-se reforçar as linhas dianteiras, o que só aconteceu aos 77', quando Coates - quase em desespero táctico - passou de central a ponta-de-lança improvisado. Lá atrás ficavam Gonçalo e Matheus Reis, que chegaram e sobraram. Não fazia falta mais nenhum.

 

 

Gostei

 

De Coates. Voltou a fazer a diferença, marcando o seu sétimo golo desta temporada. Este Sporting 2020/2021 - que já conquistou nove pontos no tempo extra - deve muito ao internacional uruguaio, não apenas no domínio defensivo, onde é um baluarte, mas também quando é preciso desatar os nós lá na frente. O nosso primeiro golo resultou de um forte cabeceamento do nosso capitão, elevando-se acima da muralha defensiva azul, aos 83'. Voto nele como melhor em campo.

 

De Jovane. Parece ser uma espécie de patinho feio no Sporting de Rúben Amorim. A verdade, porém, é que costuma corresponder quando é chamado. Voltou a acontecer: entrou aos 67', rendendo Palhinha, e funcionou como talismã leonino. Aos 90'+4 ganhou um penálti que ele próprio converteu num pontapé imparável. Valeu-nos um ponto e mostrou a João Mário como se faz. 

 

De Nuno Santos. Faltava quem soubesse cruzar com critério e qualidade. E foi do pé esquerdo dele que saiu esse centro que tanta falta nos fazia. Com precisão cirúrgica, a partir da linha, para a cabeça de Coates. Outra assistência para golo de um jogador que tão útil nos foi na primeira volta mas deixou de ser titular com a chegada de Paulinho. Tem de voltar ao onze inicial. O Sporting precisa dele em campo, não no banco.

 

De Nuno Mendes. Foi o único que na primeira parte sobressaiu da mediocridade e da mediania. Se alguém merecia a vitória, era ele. Bom nos duelos individuais, sem ter medo de transportar a bola, aos 41' foi ele a sofrer a falta que deu origem ao primeiro penálti de que beneficiámos neste jogo - o tal que João Mário foi incapaz de converter.

 

De termos cumprido o 28.º jogo seguido sem perder. Outro máximo ultrapassado: continuamos a ser a única equipa invicta na Liga 2020/2021. A seis jornadas do fim. 

 

Dos 70 pontos já atingidos. Estamos a três vitórias de conseguir o acesso directo à Liga dos Campeões.

 

De Nuno Almeida. Actuação impecável do árbitro algarvio, com critério largo e sem hesitar nos momentos potencialmente mais controversos, apontando duas vezes para a marca da grande penalidade. 

 

Da atitude da equipa nos 20 minutos finais. A perder por 0-2, os nossos jogadores encheram-se de brios, carregaram no acelerador e fizeram enfim enorme pressão sobre o Belenenses SAD, que passou a aliviar de qualquer maneira. Só foi pena terem esperado tanto tempo para mostrarem como se deve fazer. Não podiam ter despertado mais cedo?

 

De termos contrariado Petit. O benfiquista que treina o falso Belenenses, com a boçalidade que o caracteriza, tinha expressado na véspera do jogo o desejo de «tirar a virgindade» ao Sporting. A ele é que ninguém consegue tirar a grunhice. Trata-se de um caso irrecuperável.

Coates

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Coates não jogará na próxima jornada, por suspensão devida ao seu quinto amarelo no campeonato - não é muito, para um defesa-central após vinte e tal desafios. Julgo que o seu substituto, porventura Neto, cumprirá a preceito o papel diante do Vitória de Guimarães, o jogo mais importante do ano, pois todos o são neste tão salutar ideário do "jogo a jogo".

Recordo o que várias vezes aqui botei, em postais próprios ou em comentários a alheios. Durante as últimas épocas abominei Coates. Tanto que o considerei maldição, avatar de Anderson Polga, o quase eterno central titular que me causou pesadelos infindos, stress traumático, destrambelhamentos para a vida. Julguei-o, a Coates, uma verdadeira reencarnação, enviada pelos demónios manipulados pelos hediondos xamãs das Antas em conúbio com os pérfidos imãs de Carnide.

Agora, ao ver este Coates-21, capitaneando com excelência a caravana do jogo a jogo, carregando-a em momentos mais tempestuosos, alentando-a diante de maus ventos, tenho que me retractar, injusto, e retratar, ignóbil. Por isso - e não pela primeira vez - aqui anuncio que como o meu chapéu, em versão invernal, para me punir pelas palavras que em tempos proferi contra o nosso para sempre Seba.

O dia seguinte

Quando liguei a TV e vi um Pedro Gonçalves no chão a contorcer-se com dores aquando do aquecimento da equipa, fiquei com um mau pressentimento, pensei logo que as coisas não iam correr nada bem neste primeiro jogo depois da bem sucedida visita ao Dragão e da descompressão natural do plantel daí decorrente.

Começou o jogo e tudo se confirmou. Os primeiros minutos foram do Santa Clara com uma série de cantos a seu favor, e o Sporting a sair bem em construção mas sem imaginação nem soluções para criar qualquer perigo. Duma situação fortuita, um roubo de bola, um passe curto perfeito, um remate preciso, veio o golo de Pedro Gonçalves, e logo pensei que o mais difícil estava feito, seria aumentar o ritmo, marcar o segundo e fechar a loja. Mas nada disso aconteceu, a equipa continuou na mesma cadência, numa circulação de bola que cansava o adversário mas pouco mais e o intervalo chegou sem qualquer oportunidade para aumentar a vantagem.

Veio a segunda parte e nada melhorou, antes pelo contrário. Os minutos foram passando sem qualquer oportunidade de golo para ambos os lados, fui olhando para o relógio, os 90 minutos nunca mais chegavam para acabar com tão pobre jogo, mas na passagem dos 80 um contra-ataque rápido, um centro largo para o lado contrário, um centro tenso que Feddal cortou para os pés do avançado do Santa Clara e empate. Já fomos, pensei. E fizemos por isso, pensei também. E lá veio um chorrilho de asneiras em voz alta para descomprimir.

Mas o golo do adversário parece que accionou um despertador. Na equipa e em Amorim, que logo recorreu ao plano C (de Caos, de Coates, de C... vamos a eles). Com Jovane e Coates lá na frente, a equipa começou a correr, a bola a circular com critério, o adversário encostado às cordas, primeira oportunidade falhada, segunda falhada, terceira lá dentro. E lá soltei um berro que se ouviu na estação dos comboios.... Uff...

 

Mas então o que correu mal ontem para ser preciso tanto sofrimento?

Podemos falar de desgaste, da tal descompressão, da atitude, mas antes do mais existe uma questão que esta equipa continua a ter dificuldade de resolver: conjugar controlo com intensidade, é intensa quando não pensa em controlar, controla o jogo baixando de intensidade, parece que funciona a uma só velocidade. Ontem isso teve muito a ver com os dois alas que estiveram francamente mal, sem rasgarem pelo corredor nem municiarem um Tiago Tomás também ele sem sem soluções. Com esse triângulo ofensivo sem funcionar, João Mário, Tabata, Pedro Gonçalves agarravam-se à bola no meio de muitos adversários e tornavam-se inconsequentes, com excepção do primeiro golo, cozinhado entre os três. Com Matheus Reis e Nuno Santos finalmente houve flanco esquerdo, mas do lado direito Matheus Nunes foi sempre um peixe fora de água, Plata faz muitíssimo melhor o lugar.

Mas pronto, agora com a santa protectora Maria José Valério a amparar-nos, foram mais 3 pontos neste caminho das pedras para a Champions ou "algo mais".

 

Importa agora recuperar fisicamente Paulinho e Porro, E também, se calhar, mentalmente Jovane e Plata, dar descanso a alguns jovens desgastados que já muito fizeram, e ir ganhar "à minha terra", onde Coates e o Sporting já foram muito felizes também.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados em Alvalade. Desta vez o triunfo ocorreu contra o Santa Clara. Começado a construir aos 22' e consumado já no tempo extra - uma vez mais - quando estava decorrido o penúltimo dos quatro minutos de compensação concedidos pelo árbitro. Desatando assim o empate que a equipa açoriana ameaçara impor aos 84'. Este Sporting soma e segue. Com estrelinha, sim. Mas não há campeões sem sorte, nunca houve. 

 

De Coates. Foi ele quem nos valeu esta vitória. Actuando novamente como se fosse ponta-de-lança - posição que continua por preencher neste Sporting 2020/2021. Num cabeceamento letal, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de João Mário. Já antes, aos 87', fizera um amortecimento impecável, também de cabeça, para servir Jovane em zona frontal da grande área e aos 89' cabeceara ao lado após um canto. Quando a equipa peca por excesso de juventude, entra ele em cena, impondo a maturidade. Voltou a acontecer. O melhor em campo.

 

De João Mário. Outro desempenho de grande nível do campeão europeu, titular indiscutível deste Sporting que ontem deu mais um passo decisivo para vencer o campeonato nacional. Esteve nos dois golos da equipa: aos 22', recuperando lá na frente, quase junto à linha direita, uma bola que parecia perdida e metendo-a com critério nos pés de Tabata, que assistiu Pedro Gonçalves; aos 90'+3, assistindo Coates com um cruzamento tenso e teleguiado. Recuperou muitas bolas a meio-campo e soube endossá-las aos colegas com superior qualidade técnica. Que diferença para a época passada, quando tínhamos um meio-campo povoado com Eduardos e Doumbias...

 

De Pedro Gonçalves. Até esteve apagado e algo errático. Mas no momento crucial a equipa voltou a contar com ele. Ao marcar o nosso primeiro golo, num remate cruzado, rasteiro, bem assistido por Tabata. Lidera cada vez mais isolado a lista dos marcadores da Liga. Já com 15 golos.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. Uma vez mais, grande argúcia do treinador ao mexer na equipa. Matheus Reis (substituiu Nuno Mendes aos 57'), Nuno Santos (substituiu Tiago Tomás aos 70'), Daniel Bragança (substituiu Tabata aos 71') e Jovane (substituiu Feddal aos 86') mexeram com o jogo leonino, melhorando a nossa movimentação em campo. Matheus revelou muito mais acutilância no corredor esquerdo, Nuno foi vital no golo da vitória ao cruzar a toda a largura lá na frente para recepção de João Mário, Daniel destacou-se nas movimentações entre linhas e Jovane iniciou a construção do lance decisivo, culminado no cabeceamento de Coates que todos festejámos. Único reparo: o luso-caboverdiano, um dos maiores desequilibradores do plantel, devia ter entrado mais cedo.

 

Da eficácia da equipa. Ao primeiro remate, e único na primeira parte, marcámos o golo inicial, construindo o resultado que se mantinha ao intervalo. Seguiram-se mais três ocasiões, duas das quais desperdiçadas: Nuno Santos quase marcou aos 72' (defesa apertada do guarda-redes); Jovane atirou à figura aos 87' e Coates fez o 2-1 ao cair do pano. Quatro oportunidades, dois golos. Sorte? Sim. Mas talento e mérito também.

 

Do Santa Clara. Entrou muito bem no jogo, complicando a vida ao Sporting a pressionar alto e a condicionar a nossa saída de bola: aos 3', já tinha conquistado três cantos. Sem estacionar o autocarro, jogando de forma descomplexada. A equipa de São Miguel mereceu o golo marcado aos 84' (aproveitando um mau alívio de Feddal) e não teria sido injusto se tivesse saído de Alvalade com um empate. Faltou-lhe a sorte que nós tivemos.

 

Da nossa reacção ao empate. Acelerámos o ritmo, impusemos enfim a nossa superioridade no plano técnico, demonstrámos saber jogar como equipa grande - o que não tinha acontecido até ao Santa Clara empatar. Foram dez minutos de pressão constante sobre a baliza açoriana, com bons lances colectivos e evidente «união de grupo», como acentuou o capitão Coates na zona das entrevistas rápidas após o fim da partida. Frase-chave para definir este Sporting.

 

Do árbitro. Actuação meritória do juiz da partida: Manuel Oliveira impôs um critério largo, coerente do princípio ao fim, numa partida facilitada pela atitude correcta dos jogadores de ambas as equipas. Demonstrando, a outros senhores do apito, que é possível arbitrar com isenção e competência. Fica o elogio, sem favor algum. 

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos invictos à 22.ª jornada. Melhor desempenho de sempre do Sporting nesta fase, utrapassando o anterior máximo - 21 jogos seguidos sem derrotas num mesmo campeonato - estabelecido pela equipa campeã liderada por Malcolm Allison na saudosa época 1981/1982. Na Europa, só Rangers (30 jogos consecutivos sem perder) e Estrela Vermelha (23 jogos) estão melhores que nós neste aspecto.

 

De já somarmos 58 pontos. Correspondentes a 18 vitórias e quatro empates. Mais um do que o Benfica na época passada (19V - 0E -3D), mais quatro do que o FC Porto na temporada 2018/2019 (17V - 3E - 2D).

 

Que o Sporting continue a marcar, jogo após jogo. Ainda não ficámos em branco em nenhum dos jogos disputados no nosso estádio nesta Liga 2020/2021.

 

De continuarmos a ser, de longe, a equipa menos batida. Só onze golos sofridos em 22 jornadas. Média exacta: apenas meio golo por desafio. O equilíbrio defensivo é um dos segredos do nosso sucesso.

 

 

Não gostei
 

 

De Nuno Mendes. Talvez a pior exibição do jovem ala esquerdo na equipa principal. Totalmente desinspirado. Falhou passes, desperdiçou cruzamentos, foi incapaz de progredir no terreno, emperrou o jogo no seu corredor. O treinador deu-lhe ordem para sair, aos 57'. Ficou a sensação de que já saía tarde.

 

De Tiago Tomás. Outro jogador que passou ao lado da partida. Deixou-se condicionar pela marcação, foi facilmente anulado pelos centrais adversários e faltou-lhe engenho para vir buscar a bola mais atrás. Teve uma oportunidade soberana de visar as redes, aos 48', mas desperdiçou-a por deficiente recepção. Saiu aos 70', sem ter feito um só remate.

 

Da ausência de Porro. O internacional sub-21 ficou fora da convocatória, por lesão muscular. Matheus Nunes actuou no seu lugar, mas com bastante menos eficácia: foi uma solução de recurso que só confirmou como Porro é indispensável no onze titular e o recém-regressado João Pereira não chega a ser alternativa.

 

Da nossa apatia ofensiva. Tirando o lance do primeiro golo, só fizemos um segundo remate à baliza aos 72', por Nuno Santos. Cinquenta minutos sem tentar alvejar as redes adversárias. Como se a prioridade absoluta fosse defender a magra vantagem conseguida cedo. Jogo pastoso, desenrolado em poucos metros e abusando dos passes à queima para o guarda-redes Adán. Em vez de nos virarmos na direcção contrária.

 

De ouvir a Marcha do Sporting já com a voz póstuma de Maria José Valério. Se o Sporting for campeão, como quase todos desejamos, essa título deverá ser dedicado a ela.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do resultado que trouxemos do Dragão. Neste clássico, correspondente à 21.ª jornada da Liga 2020/2021, dois objectivos nos serviam: a vitória ou o empate. Prevaleceu o segundo (0-0), confirmando que os portistas são incapazes de nos vencer esta época: em três confrontos, perderam um e empataram nos restantes. Ao contrário do que sucedeu na temporada anterior. Mantemos os dez pontos de vantagem em relação ao FCP, ainda segundo. Estamos a dez triunfos de nos sagrarmos campeões nacionais de futebol. Nota a reter: não empatávamos neste estádio desde 2008/2009.

 

De Rúben Amorim. O treinador leonino montou uma estratégia para este clássico que resultou em pleno. Concedeu iniciativa ao adversário, tapando-lhe todos os acessos à nossa baliza. A espaços, alterou o habitual dispositivo táctico da equipa, fazendo o Sporting alinhar num 5-4-1 (fazendo recuar Nuno Santos e Pedro Gonçalves como reforços para o meio-campo) e anulando espaços entre linhas para os mais criativos do FCP, como Otávio e Corona. Sérgio Conceição só pode estar satisfeito com o empate. Até porque, em termos tácticos, saiu derrotado do Dragão. 

 

De Coates. Elejo o nosso capitão como o melhor em campo. Ele merece. A primeira acção digna de nota do onze visitante foi protagonizada por ele, com um desarme impecável a Marega, logo aos 4'. Antecipando, de algum modo, o que viria a ser este clássico. O internacional uruguaio é a imagem perfeita da serenidade. Lidera com extrema competência o nosso bloco defensivo, que em 21 jogos só sofreu dez golos e em 13 desafios, incluindo neste, não sofreu nenhum - melhor marca de sempre do futebol leonino. Voltou a revelar eficácia máxima neste confronto. Merece ser distinguido antes de qualquer outro.

 

De Feddal. O central marroquino, que tantas críticas injustas recebeu de alguns "verdadeiros adeptos" no início da temporada, tem-se revelado o complemento perfeito de Coates: até parece que jogam juntos há longos anos. Esta parceria voltou a funcionar na perfeição, para desespero dos portistas, incapazes de penetrar naquela muralha defensiva. O marroquino, além da exemplar disciplina posicional, tem ainda o mérito de tentar uma vez e outra o passe longo, para as costas da defesa adversária, solicitando os colegas lá mais na frente.

 

De Adán. Continua a ser um baluarte da nossa equipa: transmite segurança, evidencia personalidade, intimida os avançados contrários. Fundamental, neste jogo, a travar o mais perigoso ataque do FCP, desviando para canto um remate de Manafá aos 27' que levava selo de golo. Saiu muito bem dos postes aos 30' e aos 82'. E neutralizou um cabeceamento de Taremi, aos 89'. Merece destaque, para não variar.

 

De João Mário. Actuou como verdadeiro campeão europeu, cumprindo a missão que Amorim lhe transmitiu: arrefecer o caudal ofensivo adversário, temporizar o jogo, segurar a bola, passá-la com segurança. Missão fundamental, nem sempre compreendida pelos adeptos (os mesmos que tantas vezes assobiaram Nani no nosso estádio). O internacional formado em Alcochete revela sobriedade e maturidade, atributos fundamentais numa equipa muito jovem. Substituído aos 86' por Jovane: saiu de campo seguramente com a noção do dever cumprido. Foi um dos elementos mais em foco neste clássico.

 

De Palhinha. Amorim fez muito bem em exigir à SAD a manutenção deste jogador, que já conhecia bem de Braga: o nosso médio defensivo titular voltou a ser fundamental num confronto com os portistas. Impecável sentido posicional, em complemento perfeito com João Mário. Fundamental nas recuperações, mesmo tendo errado alguns passes. E praticamente sem necessidade de recorrer a faltas: cometeu apenas duas neste jogo. 

 

Da entrada de Matheus Nunes. De todos os jovens que vêm actuando neste Sporting 2020/2021 o que mais tem evoluído é o luso-brasileiro que em boa hora fomos buscar ao Estoril. Ontem entrou aos 64', para render Nuno Santos, e logo se fez notar com diversos movimentos de ruptura. Aos 73' protagonizou a melhor oportunidade de golo de todo o encontro, ao conduzir a bola durante cerca de 40 metros na ala direita deixando vários opositores para trás: faltou-lhe apenas pontaria certeira no momento do remate. Voltou a causar desequilíbrios aos 78' e aos 79', revelando enorme capacidade de progressão com bola e confirmando que nunca se esconde nos grandes jogos. Merece ser titular.

 

Do árbitro. Antes do jogo, lancei aqui um alerta contra João Pinheiro - responsável por anteriores arbitragens ardilosas em prejuízo do Sporting. Tenho de reconhecer, no entanto, que o árbitro se mostrou à altura da importância deste jogo: não cometeu nenhum erro digno de nota, não inclinou o campo, não teve influência no resultado.

 

Deste obstáculo felizmente superado. O FCP-Sporting de ontem era um dos três jogos à partida mais difíceis que tínhamos nesta segunda metade do campeonato. Talvez fosse até o mais complicado. Faltam o Braga-Sporting e o Benfica-Sporting. O caminho rumo ao título tornou-se menos árduo. E continuamos sem perder com os três principais rivais, o que é uma excelente notícia.

 

Que o Sporting continue invicto. Nenhuma derrota até ao momento no campeonato. Temos agora 55 pontos amealhados, o que nos garante desde já um "lugar europeu". 

 

Do caminho percorrido. Desde a já longínqua época 1981/1982 (em que fomos campeões nacionais, com o fabuloso tridente ofensivo Jordão-Manuel Fernandes-Oliveira) não estávamos há 21 jogos sem perder no campeonato. Parabéns aos jogadores, parabéns ao treinador.

 

 

Não gostei
 

 

Da ausência de Paulinho. Lesionado num treino antes do jogo anterior a este, o reforço recentemente contratado ao Braga continua fora das opções de Amorim. Viajamos ao Dragão sem nenhum ponta-de-lança de raiz: Tiago Tomás foi o elemento mais adiantado no terreno, mas não tem características de avançado posicional. O que mais valoriza este nosso resultado.

 

De Pedro Gonçalves. Sinal menos para o nosso médio criativo, que passou praticamente ao lado do jogo. Anulado pelas marcações cerradas, perdeu muitos passes, atrapalhou-se com a bola, acusou algum excesso de individualismo. Aos 14', em zona frontal, decidiu muito mal, rematando para muito longe da baliza. Redimiu-se em algumas acções defensivas, mas não o suficiente para merecer nota positiva. Esperávamos muito mais dele.

 

Da primeira parte. Jogo mastigado e monótono, que não evoluía do meio-campo, sempre com a baliza muito longe. Felizmente houve um pouco mais de emoção nos 45' finais.

 

Da ausência de golos. Futebol sem eles sabe sempre a pouco. Em 21 desafios da Liga 2020/2021, este foi o primeiro em que ficámos em branco. 

 

De ausência de público. É confrangedor olhar para as bancadas dos nossos estádios e continuar a vê-las vazias. Há quase um ano que é assim. Até quando?

Pódio: Coates, Gonçalo Inácio, Bragança

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Gil Vicente-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Coates: 21

Gonçalo Inácio: 16

Daniel Bragança: 16

Porro: 16

Nuno Santos: 15

João Mário: 14

Matheus Reis: 14

Tiago Tomás: 14

Palhinha: 14

Adán: 14

Pedro Gonçalves: 14

Matheus Nunes: 13

Antunes: 12

Feddal: 12

Paulinho: 12

Neto: 11

 

Os três jornais elegeram Coates como melhor jogador em campo.

O dia seguinte

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Foi uma noite épica em Barcelos, um jogo tremendamente complicado pela competência do adversário e pela inclemência da intempérie, que só foi possível ganhar na raça e no amor à camisola do nosso grande capitão e mais uma vez herói da noite - Seba Coates -e dos seus fiéis escudeiros. A começar por aqueles três jovens magníficos de Alcochete que aparecem na foto e saltaram do banco na segunda parte para revolucionar o futebol da equipa.

Veio Rúben Amorim dizer na conferência de imprensa que quando falta intensidade a equipa não é a mesma. Eu ia um pouco mais longe: diria que a equipa por vezes se perde no equilíbrio que é necessário ter entre controlo e intensidade. Depressa e bem não há quem, devagar e bem de pouco serve no futebol.

O Sporting entra em campo com a lição estudada, os jogadores procuram fazer bem e não errar, construir desde trás, circular a bola cansando o adversário, reagir prontamente à perda, explorar a profundidade, entrar por zonas interiores. Tenta fazer tudo isso, mas com um adversário compacto e competente vai perdendo gás, facilitando a vida ao opositor, enervando-se com o passar dos minutos e incorrendo em erros que paga caro. Foi o que aconteceu ontem na primeira parte, tendo o Sporting chegado ao intervalo com as mesmas três oportunidades de golo mas em desvantagem no marcador.

Quando se esperaria que Rúben mexesse à frente, com João Mário ou Jovane por exemplo, fez exactamente o contrário: transformou o sector da construção e foram saindo Neto, Antunes, Matheus Nunes, Palhinha e Feddal para entrarem Inácio, Tiago Tomás, Daniel Bragança, João Mário e Matheus Reis. Com isso o Sporting foi-se tornando cada vez mais intenso, a bola passou a circular bem mais rápida a toda a largura do campo, os lances de perigo foram-se sucedendo, o Gil cada vez mais encostado às cordas, e "El Patrón" sentenciou.

Foi então a explosão de alegria de todos nós: mais três pontos ganhos neste caminho das pedras infestado de serpentes e lacraus que nos há-de conduzir ao grande objectivo da época.  

E quem não salta é lampião, em Portugal, no Mónaco e em todo o mundo!

Enormes parabéns ao nosso capitão, parabéns à equipa de irmãos que sempre acreditou, ao nosso treinador e ao nosso presidente, castigado com 45 dias por ter dito o que todos sabem e que veio lembrar-nos que as bazófias e os gozos descabidos apenas servem aos poderosos e influentes rivais, o que até seria desnecessário lembrar dada a triste experiência de há cinco anos, mas há gente que não aprende de facto.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos arrancados a ferros frente ao Gil Vicente. Num campo que não costuma ser fácil (basta lembrar que na época passada perdemos 1-3 em Barcelos), impusemos o nosso futebol com domínio total na segunda parte, após 45' em que claudicámos bastante. Acreditámos sempre e virámos um resultado desfavorável (0-1, que se manteve até aos 83') conseguindo uma vitória por 2-1. Como sucedera no jogo da primeira volta, em Alvalade, quando abrimos o marcador só aos 82'. Agora, tal como então, os minutos finais tiveram recorte épico: houve emoção até mesmo ao cair do pano.

 

De Coates. O melhor em campo. Esta vitória leonina frente ao Gil Vicente - daqueles jogos que contribuem muito para conquistar ou perder campeonatos - deve-se antes de mais ninguém ao nosso capitão, autor dos dois golos. O primeiro aos 83', com um pontapé rasteiro aproveitando um ressalto na grande área, em posição frontal. O segundo aos 90'+1, de cabeça, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto apontado por Porro. O primeiro bis do uruguaio para o campeonato de Leão ao peito. Uma forma soberba de assinalar o seu 225.º jogo pelo Sporting.

 

Da capacidade de reacção de Rúben Amorim. Vendo o Sporting perder ao intervalo, o treinador tentou tudo para virar o rumo da partida. E conseguiu: esgotou as substituições e, a cada mexida que fazia, o Sporting foi ficando melhor. Saíram jogadores mais fatigados ou desinspirados, entraram outros mais velozes e acutilantes. Foi assim logo no minuto inicial da segunda parte, quando Gonçalo Inácio e Tiago Tomás renderam Neto e Antunes. A tendência reforçou-se aos 55', quando Amorim decidiu trocar Matheus Nunes por Daniel Bragança. E manteve-se aos 74', com as entradas de Matheus Reis (em estreia absoluta no Sporting) e João Mário para os lugares de Feddal e Palhinha. Saber ler o jogo é isto. E acreditar até ao fim também.

 

Da aposta na juventude. Pormenor a assinalar: quatro dos cinco jogadores que saltaram do banco são da formação leonina. Gonçalo Inácio (que talvez tenha agarrado ontem a titularidade, como central encostado mais à direita), Tiago Tomás, Daniel Bragança e João Mário. Este Sporting não se limita a ganhar jogos atrás de jogos: vai vencendo com a chamada prata da casa. Que não é prata: é ouro.

 

Do árbitro Nuno Almeida. Actuação irrepreensível do juiz da partida, desta vez numa demonstração clara de competência. Vários dos seus colegas - João Pinheiro, Luís Godinho, Fábio Veríssimo - deviam seguir-lhe o exemplo.

 

De termos consolidado a nossa liderança à 18.ª jornada. Nesta entrada na segunda volta da Liga 2020/2021, amealhámos sete pontos: os três agora conquistados em Barcelos somados aos quatro que FC Porto e Braga perderam, em partes iguais, no confronto que terminou empatado 2-2 na capital do Minho. Neste momento, com 48 pontos, temos oito de avanço sobre o FCP, que segue em segundo, e estamos com mais onze do que Braga e Benfica, que disputam o terceiro posto. E destacamo-nos também como a equipa com melhor registo pontual fora de casa: 28 conseguidos em 30 possíveis (a excepção foi o empate 2-2 em Famalicão).

 

De continuarmos invictos. Dezoito partidas, nem uma derrota. E levamos 18 jogos sempre a marcar: até agora nunca ficámos em branco. Temos o segundo melhor ataque do campeonato (38 golos, menos três do que o FCP) e a melhor defesa (dez golos sofridos, menos quatro do que Paços de Ferreira e V. Guimarães). 

 

Da esperança que se reforça. Ninguém duvida: somos neste momento a equipa favorita para conquistar o campeonato nacional de futebol, que lideramos há 12 jornadas. Faltam-nos 16 jogos que serão para nós verdadeiras finais. Nove dessas partidas serão disputadas no Estádio José Alvalade.

 

 

Não gostei
 

 

Da nossa primeira parte. Exibição medíocre do onze leonino, acusando falta de intensidade e ausência de soluções ofensivas, com vários elementos em claro défice de rendimento: Neto, Antunes, Feddal, Palhinha, Matheus Nunes (bem substituídos). Também Pedro Gonçalves esteve bastante abaixo do nível a que nos habituou, embora tenha sido fundamental para a conquista dos três pontos: é ele quem sofre a falta aos 90' de que resultou o livre e o nosso golo da vitória.

 

Do golo sofrido aos 36'. O lado esquerdo da nossa defesa permitiu livre circulação ao japonês Fujimoto, que se infiltrou com rapidez na área e rematou à queima-roupa, sem hipótese para Adán. Décimo golo sofrido pelo Sporting no campeonato: ainda assim continuamos com uma média baixíssima. Mas não evitámos ir para o intervalo a perder - algo que já não nos sucedia há quatro meses no campeonato, desde que recebemos o FCP em Alvalade.

 

Das péssimas condições atmosféricas. O futebol, reza o chavão, é um desporto de Inverno. Mas o mau tempo vem-se prolongando jornada após jornada, prejudicando a qualidade do espectáculo. Ontem, em Barcelos, houve chuva diluviana, vento, granizo e até trovoada. Em certas ocasiões arrepiava só de olhar. Felizmente não há novas lesões a registar no plantel leonino.

El patrón

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Digam o que disserem, Sebastián "Seba" Coates é um dos melhores defesas centrais que o Sporting alguma vez teve, um leão de raça que nunca se esconde do jogo e ruge nos momentos críticos. Na final da Taça da Liga esteve simplesmente imperial, fez uma das melhores exibições de sempre com a camisola do Sporting, repetindo o que tinha feito na última Taça de Portugal ganha no Jamor. 

Desde os tempos do meu ídolo Hector "Chirola" Yazalde, e os defesas centrais daquele tempo não eram extraordinários, que o Sporting contou com magníficos jogadores na posição, como Luisinho, Marco Aurélio, Naybet, André Cruz, Beto ou Mathieu. Tal como Damas "dava frangos" e fazia defesas milagrosas, todos eles tiveram momentos menos bons e momentos de glória, todos eles tinham qualidades e defeitos, todos eles deixaram saudades quando partiram. Nenhum deles pode apresentar, nem de perto nem de longe, os números e as conquistas que Coates conseguiu já ao serviço do Sporting do qual é capitão de equipa desde há cerca de um ano: foram 221 jogos, 16 golos marcados, uma Taça de Portugal, três Taças da Liga. "And counting", como dizem os ingleses, porque pode vir aí muito mais.

O uruguaio Sebastián Coates formou-se no Nacional de Montevideo e já internacional A do seu país mudou-se para o Liverpool, onde não foi feliz: foram quatro anos marcados por lesões e empréstimos. Chega ao Sporting em Janeiro de 2016 nessa condição de emprestado, e com a desconfiança decorrente dos problemas anteriores, mas logo convence e em Fevereiro de 2017 o Sporting adquire o seu passe por cerca de 5 milhões de euros, assinando com ele um contrato até 2022, ficando com uma cláusula de rescisão de 45 milhões de euros.

Em 2018 surge visado estupidamente e desde o sofá pelo presidente que o contratou com a bonita frase "vi Coates e Mathieu a fazerem o que os avançados do Atlético não conseguiam."  Vê-se envolvido como todos os colegas na guerra aberta entre presidente e plantel, assiste impotente à vergonhosa e cobarde invasão da Academia de Alcochete, sofre a humilhação da derrota no Jamor e os insultos igualmente cobardes dos idiotas das claques nas escadarias do mesmo. Mesmo assim aguenta e não desiste, do clube e do país que não é o seu, obteve em devido tempo as garantias necessárias e com os que ficaram, regressaram e vieram, ajudou o futebol do Sporting a reeguer-se.

A recompensa veio logo nessa época com duas Taças. Em 2020 recebeu o Prémio Stromp de Futebolista do Ano. Não podia ter havido melhor escolha, que premiou o que de longe me parece ser um grande homem, introspectivo, calmo e sossegado, resiliente, nervos de aço, como demonstrou naquele momento em que interpretou prontamente a asfixia de Salin e lhe evitou males maiores desenrolando-lhe a língua.

Além de tudo isto, Coates é presença constante na selecção do seu país, pela qual conta 40 jogos e um golo, estando presente no Mundial da Rússia de 2018 onde chegaram à meia-final eliminando Portugal nos oitavos. Por isso mesmo sofre um desgaste incrível durante a temporada, muitas horas passadas em viagens intercontinentais, mudanças de clima e alimentação, etc. Nem sempre consegue voltar como partiu. O que valoriza ainda mais o seu desempenho.

Coates é um defesa central do antigamente, alto e pesado, que sabe impor respeito nas duas áreas, excelente leitura de jogo e capacidade de comando, mas também é muito forte tecnicamente, tem boa finta curta, sabe passar curto e à distância, sabe bem cabecear e marcar penáltis. Para ser perfeito falta-lhe apenas saber marcar livres como André Cruz ou Mathieu e ter a velocidade de recuperação de alguém menos pesado do que ele, que mais parece um pivot do andebol. E já agora refrear aquele seu ímpeto de entrar com a bola pela baliza dentro depois de fintar meia equipa adversária, duvido até que o falecido Maradona alguma vez o tenha feito.

Pela tal natural falta de velocidade de recuperação, Coates sofre numa táctica de quatro defesas quando tem ao seu lado uma barata tonta como lateral, sempre ausente em parte incerta, e foi muito isso que Coates teve ao longo do seu percurso no Sporting. Com Rúben Amorim encontrou finalmente uma táctica em que se sente de faca e garfo com uma bela picanha uruguaia à frente e o copo do mate ao lado, finalmente não tem de ir ao encontro de Galenos embalados e soltos de marcação. 

Logo à noite vamos mais uma vez desfrutar com "El patrón" a liderar a equipa do Sporting na corrida pelos primeiros lugares da Liga. Que seja mais um dia de sorte e de sucesso para ele, para a equipa e para todos nós.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL 

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