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És a nossa Fé!

Anda tudo doido?

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Da capa do jornal A Bola, 27 de Março de 2018

 

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Como se já não bastasse vermos a Jumentude Leonina transformada em Cobradora de Fraque ao serviço de supostos credores do Sporting Clube de Portugal (acusando o clube de ser «caloteiro», o que deve ter dado imenso gozo ao trolha minhoto), agora até os núcleos entram na dança e começam a disparar para dentro, fazendo coro com empresários, empresas privadas e emblemas rivais do Sporting reclamando pagamentos que em vários casos estão a ser contestados pelo nosso Clube em tribunal. Mas para os núcleos, espantosamente, nem é preciso um veredicto de nenhum juiz: já concluíram que a SAD leonina é culpada.

Segundo leio hoje no Record, os núcleos do Sporting de Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Barcelos, Quinta do Conde e Batalha publicaram «nas respectivas páginas das redes sociais», sob o título "AcordaSporting" (que coincide com a palavra de ordem mais recente da Jumentude), a seguinte frase: «É triste saber que isto é a realidade do Sporting Clube de Portugal. Belenenses SAD: "Sporting ainda não pagou Eduardo"; Sampdoria: "Ainda não pagaram os 10% do Bruno Fernandes"; SC Braga: "Ainda não pagaram a cláusula do Rúben Amorim"; Slovan Bratislava: "Ainda não pagaram Sporar".»

Parece que anda tudo doido. Vemos, assim, núcleos leoninos assumirem-se como paquetes ao serviço da Sampdória, do Bratislava, do Belenenses SAD (difícil descer mais baixo...) e até do Braga, clube liderado por um indivíduo que alimenta um ódio patológico ao Sporting. E que é tão idóneo, em matéria de contas, que consegue estar na mira simultânea da Autoridade Tributária e do Ministério Público.

 

2

Como ontem aqui escrevi, as acusações de falta de pagamento feitas ao Sporting por clubes rivais são recorrentes, vêm de longe e têm particular impacto nesta altura do ano, em que o defeso (agora acrescido da pandemia) impõe severas restrições aos temas a abordar nas colunas jornalísticas.

Ao contrário do que alguns palermas imaginam, nada disto começou no consulado de Varandas. Ainda hoje,  a imprensa faz eco das reclamações de uma empresa denominada Football Capital, S. A., que reclama mais de 600 mil euros, acrescidos de juros, por um suposto pagamento que o Sporting lhe deverá no âmbito da transferência de Piccini para Alvalade, em Maio de 2017.

 

3

Os núcleos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Barcelos, Quinta do Conde e Batalha, que andam tão preocupados com dívidas, perderam uma excelente oportunidade para reclamar. Não junto do Sporting, partindo do princípio que ainda têm juba de leão em vez de penas de águia ou escamas de dragão, mas junto de clubes que nos devem dinheiro.

Refiro-me, por exemplo, ao Atlético de Madrid - que tem atrasado o pagamento a que se comprometeu por Gelson Martins. Ou ao Valência - que continua sem honrar o compromisso assumido perante o Sporting relativamente a Thierry Correia. Ou aos brasileiros do Sport Recife, que três anos e meio depois ainda não nos pagaram 1,2 milhões pela contratação de André. Ou ao Zamalek, do Egipto, que cinco anos depois ainda nos deve meio milhão de euros pelo anedótico Shikabala.

 

4

Os tais núcleos não protestam com nada disto. Parecem ao serviço dos inimigos do Sporting, em vez de demonstrarem apoio ao Clube.

É um comportamento execrável, como nunca vi. Espero que os sócios desses núcleos recusem ser cúmplices desta atitude vergonhosa de quem ainda os dirige.

A voz do leitor

«Uma claque implica uma liderança. Tratando-se de um grupo que vive essencialmente de homens jovens até aos 30 anos, e onde a cultura de ódio é alimentada diariamente, é relativamente fácil para criminosos chegarem ao topo da hierarquia utilizando para proveito próprio a cultura de violência que reina nas claques. Por tudo isto, não é possível reformar as claques, não é possível ter claques "boas", porque vão sempre degenerar, seja devido ao dinheiro ou à cultura de ódio dos ultras. A solução é banir as claques do estádio. A partir daí os grupos de adeptos são livres de se organizar para apoiar de forma mais ou menos organizada, mas inseridos nos adeptos em geral, e sem uma "marca".»

 

Fernandes, neste texto do António F.

Noves fora, nada...

Como a natureza tem horror ao vazio e dado o silêncio ensurdecedor dos dois candidatos derrotados mais votados, tem sido a seita do ex-presidente e as duas claques desmamadas à força, cada uma a seu jeito e muito unidas nas últimas AGs, a ajavardar o ambiente e a tornar impossível toda e qualquer discussão séria sobre os temas apresentados, a assumirem as despesas da oposição. Trata-se duma "santa aliança" bem estranha, se pensamos que foi a Juveleo que para todos os efeitos destruiu a presidência de Bruno de Carvalho, mas as coisas são como são e haverá certamente razões para o efeito.

Esta ressabiada oposição recebeu por alturas de Março um grande "murro no estômago", por um lado com a pandemia e por outro com a substituição de Silas por Amorim e a aposta nos jovens. Subitamente desapareceram os principais argumentos para destituir Varandas e os principais palcos de contestação. Para benefício da equipa de futebol, que finalmente pode jogar em paz e sossego, com os resultados que conhecemos.

De todos os potenciais candidatos a liderarem uma oposição capaz e credível ao actual presidente e poderem vir a ser eles mesmo presidentes numa futura eleição, vem agora Nuno Sousa, sócio desde tenra idade e quadro superior na EDP,  chegar-se à frente.

Dum lider da oposição espera-se uma crítica clara e construtiva ao poder existente, dizer do que discorda e que faria de diferente. Especialmente quando o Sporting se depara com várias questões complicadas e fracturantes, nos estatutos, na governação, no plano financeiro, no relacionamento com os GOAs, no nível do ecletismo, no investimento necessário para chegar aos títulos, enfim, tanta coisa. Neste blogue temos por demais debatido e tornado públicas as nossas divergências sobre estes temas, destacando-se os textos bem assertivos e fundamentados do Pedro Azevedo, que tem uma visão muito própria sobre o futuro do clube. 

Pois Nuno Sousa apresentou-se com uma mão cheia de nada e a outra de coisa nenhuma. Tudo muito verdinho e não apenas na cor, um conjunto de lugares comuns com que qualquer um está de acordo, tudo embrulhado numa pseudo-táctica de 5-3-3 (!!!) em que o ponta de lança é o ecletismo e o futebol (reduzido à aposta na academia e formação) alinha a ponta direita. 

Se calhar é bem mais fácil arregimentar apoios nas tascas deste mundo especializadas no "bota-abaixo" do Varandas, do que saber construir e partilhar uma visão alternativa para o futuro do Sporting, e apresentar ideias fortes que poderiam agradar a uns e a desagradar a outros, mas convenhamos que assim não é nada. Bola, como diria o JJ. 

Dizem que pelo menos não é mais um "croquete". Pois não, parece mais um "queque"... com "meia de leite". Nesse aspecto, nada tem que ver com João Rocha, Roquette, Dias da Cunha ou Ricciardi: é mais um da linha de Bruno de Carvalho e Frederico Varandas, um produto do Bairro Azul ou dalgum bairro semelhante, quotas e cursos pagos pelos papás, bancada da juveleo, muita arrogância e pouco conhecimento da vida.

Temos então um candidato da bancada... da central ou da curva sul? Parece mais um candidato do... Nada.

SL

ImpuNNidade

Passaram-se 3 semanas desde que o autocarro do SLB foi apedrejado no final de um jogo. Episódio de que resultaram feridos dois jogadores, que tiveram de receber assistência hospitalar. Um deles, teve lesões numa vista. Na mesma noite, as casas de vários jogadores do SLB foram vandalizadas, bem como a do seu treinador. 

Ontem, depois de nova derrota, o autocarro foi visado por adeptos, segundo a comunicação social. Felizmente, sem consequências de maior.

Entretanto, já passou um mês desde as bárbaras e cobardes agressões que resultaram em ferimentos graves em adeptos do Sporting.

Já passaram muitos meses desde a última vez que as claques (perdão, GOAs) do Benfica (NN Boys) que entoaram o cântico do "very light", glorificando a violência contra um inocente assassinado? Está tudo gravado, não deve ser difícil identificar um ou outro...  

Resultados disto tudo? 

Zero. É a impuNNidade total.

Parece que "foram identifiados" os autores do ataque ao autocarro. Nada mais. 

Para um sportinguista, que viu o seu clube associado ao "terror" nos últimos anos, tudo isto é absolutamente extraordinário.

Onde estiveram na últimas semanas os comentadores histéricos das TV, a exigir a demissão do presidente do SLB e a responsabilizá-lo "moralmente" (ou mais...) pelo ataque? 

E as primeiras páginas, dia após dia, sobre o "terror", "terrorismo" e etc, semanas a fio?

E os directos à porta do Seixal? 

E os agentes a ameaçar a rescisão de contratos de jogadores?

Onde estiveram o Presidente, o Primeiro Ministro e o Presidente da Assembleia da República, a condenar veementemente estes actos? (O secretário de Estado do Desporto, esse reagiu uma semana depois, quando pressionado pelo FC Porto...)

Onde está a Polícia? 

Onde está o Ministério Público e as acusações de "terrorismo"? 

É que os vândalos das claques do Sporting foram acusados de terrorismo e privados de liberdade durante quase dois anos - e, grande parte deles, libertados no final - enquanto que os vândalos das claques do SLB andam à solta!

Tudo põe a nu o que já sabíamos - que, no futebol, há uma justiça para o SLB e outra para SCP. 

Mas põe também a nu algo muito mais grave - que as instituições do Estado (não do futebol, as do Estado...) agem em conformidade com os interesses do SLB. Se é preciso varrer para debaixo do tapete... varre-se. 

E um incidente gravíssimo como o do ataque ao autocarro do SLB é pura e simplesmente esquecido. 

Mais do que o futebol (ainda há esperança para esse pobre coitado?) está em causa hoje o Estado de Direito. É preciso defendê-lo contra os Donos Disto Tudo. E o pior que podemos fazer é contribuir com a nossa indiferença.

Esquizofrenia e falta de paciência

Texto de Rui Miguel

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O problema do comportamento esquizofrénico de alguns adeptos leoninos tem uma razão muito profunda nestes mesmos adeptos, mais emocionais, nervosos e ruidosos, ao não permitirem um elemento fundamental na maturação de jovens atletas e na criação de uma equipa competitiva onde a principal base é a formação.

Esse elemento tem um nome: paciência.

 

Em Alvalade, a falta de títulos e o desejo de sermos finalmente campeões - e, diria também, a falta de controlo emocional ao vermos os rivais à frente de nós - tem feito com que, em vez de definirmos uma estratégia bem pensada e irmos dando os passos certos para sermos competitivos (veja-se a recente entrevista do Bruno Fernandes ao canal 11 em que diz esperar "que o Sporting venha a crescer e a estar mais perto daquilo que é a dimensão do clube, a estar perto de títulos a nível nacional, e que consiga lutar com os rivais para ser campeão"), andamos todos os anos em continuadas ilusões (tipo gestão à Sousa Cintra, que achava que era campeão depois da hecatombe de Alcochete) e num profundo desespero nos adeptos (à primeira falha de um jovem jogador, ou até mesmo de um jogador mais consagrado, o "tribunal" de Alvalade não tolera e rapidamente passa ao assobio e até ao insulto).

Com isto, não dá para fazê-los crescer. As direcções, ao gerirem para a bancada tentando dar cenouras para os adeptos se entreterem, procuram novos "craques de atacado" que ofuscam o crescimento dos mais jovens.

Com isto, é mais um ano que passa sem ganhar nem solidificar uma estratégia a médio / longo prazo.

 

Por isto, na minha óptica, esta pandemia do Covid-19 está a ser benéfica para o clube.

Jogar sem adeptos - que, convenhamos, por vezes atrapalham mais do que ajudam - permite ao Sporting mais tranquilidade, o que seria de todo impossível nos jogos com equipas matreiras, como Paços de Ferreira e Tondela.

 

Texto do nosso leitor Rui Miguel, publicado originalmente aqui.

A claque em guerra com o clube

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O Sporting teima em ser original em vários aspectos. E também neste: alberga uma claque que tem como principal desígnio, assumidamente, denegrir e depor o presidente eleito livremente pelos sócios, no escrutínio mais participado de sempre.

Quem ainda tivesse dúvidas, já as desfez ao tomar conhecimento das mais recentes declarações proferidas por um tal Nuno Mendes, mais conhecido por Mustafá. É ele quem hoje encabeça aquele que foi o primeiro grupo organizado de adeptos, fundado em 1976 pelos filhos do então presidente João Rocha. Nessa altura as claques no Sporting apoiavam o clube: não há sequer outro motivo para que devam existir. Agora não: existem para derrubar presidentes. 

Mustafá, que tem mais protagonismo mediático do que muitos jogadores do Sporting, veio há dias declarar, num canal youtube, que «os protestos contra a Direcção vão continuar, claro que sim», mesmo em tempo de pandemia e de severas restrições impostas pelas autoridades sanitárias.

 

«Temos de dar um murro na mesa e acabar com isto uma vez por todas.» Vejam só o nível desta expressão, contida na mesma entrevista, e que - na prática - equipara o que resta da referida claque a um gangue de marginais. O que não admira, pois vários dos seus membros foram condenados pelos crimes cometidos em Alcochete e muitos outros estiveram cá fora, mostrando-se solidários com os invasores da Academia leonina e agressores de jogadores e de membros da equipa técnica.

Mustafá - que não foi eleito para coisa nenhuma nem jamais revela se é sócio do clube, com as quotas em dia - insurge-se contra o presidente, porque «está a acabar com o Sporting». E também com o treinador, soltando isto: «Quando o Sporting assinou com o Rúben Amorim foi como se levássemos um murro no estômago. Mas está tudo maluco? O Rúben Amorim? A nossa estrutura? Aquilo é o quê? Onde vamos parar?»

 

É a minha vez de perguntar, usando as palavras do entrevistado: Está tudo maluco? Onde vamos parar, com uma putativa claque que assume estar na linha da frente do combate ao presidente e ao treinador do próprio clube?

Espero que os filhos de João Rocha e outros fundadores da legítima Juventude Leonina - não desta contrafacção espúria que lhe tomou o nome enquanto lhe renega o espírito - se demarquem de tudo isto, vindo a público declarar que uma claque, quando se declara em guerra permanente aos dirigentes que os sócios escolhem, não serve para nada. Excepto para favorecer os inimigos do Sporting.

Sinais positivos no horizonte...

Três jogos não são suficientes para alterar o que penso e muito já escrevi sobre a liderança de F. Varandas e H. Viana no futebol leonino, nem tão pouco para formar opinião sobre Ruben Amorim, mas dá para perceber que algo está a mudar para melhor no reino do leão:

- Para o treinador não parecem existir vacas sagradas. Clara como água a mensagem enviada ao plantel, mas com elevação, sem fanfarronice desnecessária e injustificada, pelo contrário, mantendo elevação.

- Opção pelo modelo de jogo em que acredita.

- Aposta clara em jovens, é certo que beneficia das bancadas sem adeptos, assobiando ao primeiro erro, colocando desnecessária pressão nos jogadores mais inexperientes. E. Quaresma, Jovane Cabral, Matheus Nunes e Max parecem alguns furos acima dos colegas, Coates foi ontem um verdadeiro patrão como há muito não o via, Wendel também mostrou bom futebol.

- Mas nem tudo está bem. Após o golo e com as substituições, o meio-campo do SCP desapareceu, o Paços de Ferreira aproximou-se da nossa baliza e deixámos de conseguir sair a jogar. O treinador tem ainda muito trabalho pela frente, precisa fazer crescer alguns jogadores e observar os que apesar de representarem outros emblemas por empréstimo, pertencem aos quadros do Sporting Clube de Portugal. Estão nesta condição João Palhinha, Gelson Dala, Daniel Bragança ou Ivanildo Fernandes.

- A aposta nos jovens da formação tornou evidente o que há muito vínhamos aqui escrevendo, a desnecessária e errada opção pela compra de jogadores em campeonatos periféricos, que pouco ou nada acrescentaram, demasiado caros, com elevada massa salarial e desperdiçando dinheiro em comissões. Para no final da época obter resultado idêntico.

 

Mas não existem leões sem hienas a rondar a área. Ontem mesmo alguns imbecis, nas redes sociais, se mostravam satisfeitos pela lesão de Vietto. Alguém que se afirme sportinguista e fique feliz com a lesão de qualquer jogador que envergue a verde e branca não é digno de ser considerado um leão. No máximo será uma hiena, ou talvez um abutre...

Impossibilitado de praticar a piro-javardice na bancada sul, um dos gangs que ali se alberga colocou tarjas junto à academia. Nada de novo, mas não merece relevância. O clube não deve oferecer protagonismo a quem não o justifica, tal como às declarações do cabecilha do gang vizinho, os cães ladram, mas a caravana passa...

Apesar de crítico da direcção de Frederico Varandas, estarei com ele se comunicar ao Estado que o Sporting Clube de Portugal deixa de ter grupos organizados de adeptos. Não precisamos de arruaceiros, nem queremos ter algo a ver com a violência no desporto ou actividades ilícitas em benefício de cadastrados que infiltraram organizações que nasceram com o único propósito de apoiar o clube. Obviamente que os adeptos que se movem única e exclusivamente pelo amor ao clube saberão distinguir e continuarão nas bancadas, os outros, não lhes sentiremos a falta, pelo contrário, talvez se consiga tornar o estádio de Alvalade num lugar mais aprazível, trazendo ao espectáculo desportivo crianças, famílias e pessoas que verdadeiramente gostem de assistir ao jogo. Ninguém joga sozinho, do outro lado estará sempre um adversário e nunca um inimigo, tal como ao nosso lado estarão sempre outros adeptos, com quem partilhamos vitórias e sofremos derrotas, jamais cúmplices ou comparsas de qualquer seita ou tribo guerreira imbecil.

Grupos criminosos, obscuros e marginais

Texto de João Gil

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A primeira coisa que tem de acontecer para haver ordem e prenderem-se os criminosos é os clubes deixarem cair definitivamente os vínculos que mantém com as “suas” claques.

As claques hoje não passam de grupos criminosos, obscuros e marginais que não servem o propósito com que foram constituídas há 30 anos.

O Sporting, que é o que me interessa, devia abandonar totalmente a ideia de colaboração, sustentação, apoio, o que quer que seja, às claques (todas e quaisquer umas) que habitam o/no clube.

Depois disso, e só depois disso, os seus membros e os actos que praticam passam a ser um problema do estado. Só nessa altura o estado e as autoridades públicas porão a mão no tema e o resolverão do ponto de vista da segurança pública, da protecção da ordem, do património e da vida dos cidadãos.

O resto é pura fantasia que não se entende muito bem como é que ainda há quem defenda.

 

As claques que temos em Portugal são um factor de enfraquecimento e destruição dos clubes e dos ideais do desporto e da competição.

Apoiá-las é um acto de duvidoso sentido de responsabilidade e duvidosa clareza de intenções.

 

Texto do nosso leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Futebol infiltrado por criminosos

Há vários anos que os clubes, com a conivência por omissão do poder político, albergam rufias, arruaceiros e até criminosos cadastrados, que tomaram de assalto as claques de apoio e passaram a funcionar numa lógica de gang, em benefício próprio. Quando necessário, porque há que sobreviver e precisam retribuir as facilidades recebidas, prestam serviço aos dirigentes dos clubes, funcionando como guarda pretoriana para o que der e vier.

O sistema lá vai funcionando em delicado equilíbrio, mas de vez em quando descarrila, sai do controlo, em rigor, ninguém, tem mão nos energúmenos que integram o gang, nem sequer os cabecilhas, porque apesar de existirem líderes, também são compostos por várias células e até infiltrados de circunstância.

Os tristes acontecimentos de Alcochete não serviram de emenda, tal como vários outros episódios de violência, das agressões ao plantel do Vitória de Guimarães, incidentes entre adeptos de diferentes clubes ou invasão do centro de treino dos árbitros. Ontem, após um mau resultado da sua equipa, alguns grunhos que julgam apoiar o SLB, arremessaram pedras contra o autocarro que transportava a equipa no regresso ao Seixal. Por sorte, apenas dois jogadores sofreram ligeiros ferimentos, mas não custa imaginar que o episódio poderia ter tido outras proporções, se por exemplo, tivessem estilhaçado o para-brisas, uma vez que circulava na auto-estrada.

O presidente do SLB já veio pedir às autoridades para encontrarem e levarem à justiça os autores da barbárie, mas estará disposto a erradicar a escumalha das bancadas do estádio da Luz? Não me parece, tal como não acredito que o governo queira mexer neste vespeiro. Até ao dia em que, algures no futuro, o país se indigne perante uma tragédia que estes animais imbecis acabarão por causar. Resta saber quando e onde ocorrerá...

Terror no Seixal - A que horas se pronuncia a Liga? A procuradoria vai abrir inquérito?

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A que horas se pronuncia a Liga? O Presidente vai fazer declarações em directo? E o secretário de Estado do Desporto, já está a caminho da Luz para uma reunião de emergência? A procuradoria vai abrir inquérito?

A propósito, já foi identificado ou detido algum dos elementos das claques (perdão, GOAs) do Benfica responsável pelas bárbaras e cobardes agressões das últimas semanas a adeptos do Sporting?

Já foi identificado ou detido algum dos elementos das claques (perdão, GOAs) do Benfica que costuma entoar o cântico do "very light", glorificando a violência contra um inocente assassinado? Está tudo gravado, não deve ser difícil identificar um ou outro...  Se houver vontade, claro!

Enquanto continuarem a agir - Liga, Governo, Vieira - como se o problema da brutal e impune violência das claques do Benfica não existisse (desde o "very light" do Jamor até aos dias de hoje, passando pelo assassinato de Marco Ficcini), apenas contribuirão para tornar o futebol português ainda mais perigoso. MUITO mais perigoso, como se tem visto nas últimas semanas.

Já o nosso Dr Varandas, enquanto desastrado paladino do "combate" às claques do Sporting, desempenha em todo este processo o papel de oportunista (na melhor das hipóteses, vendo aí uma distracção do desastre que tem sido a sua gestão) e/ou de idiota útil (na pior das hipóteses, por acreditar realmente que o caminho é tratar como criminoso qualquer "ultra" do Sporting, mesmo um adolescente ou um universitário), centralizando no Sporting as atenções em torno da violência no futebol, com as suas entrevistas chorosas em "prime time" na TVI. 

Como sportinguista e, sobretudo, amante do futebol e do desporto, lamento profundamente este caso e desejo rápidas melhoras aos jogadores do SL Benfica. E desejo também, já agora, que quem manda pense pela sua cabeça e tenha algum juízo. 

A noite em que Alvalade foi diferente de todas as outras noites

O entendimento de qualquer realidade depende muito da experiência de cada um sobre a mesma e da percepção que conseguiu obter.

Por exemplo, o entendimento da Covid19 é muito diferente entre quem se viu forçado ao lay-off ou confinado ao teletrabalho "aturando" filhos irrequietos, ou quem esteve nos Cuidados Intensivos ou viu morrer familares sem lhes poder valer. Muito diferente. Como em muitos outros casos.

O meu entendimento do que seria a desgraça de Bruno de Carvalho, que conseguiu depois aliar a completa deserção do comando do futebol do Sporting ao descontrolo da situação com a Juveleo, ao que se seguiu o não pedido imediato de demissão depois do assalto a Alcochete e a teimosia de se agarrar ao poder que conduziu às rescisões e a atropelos vários aos estatudos e regulamentos do clube, teve muito a ver com a recepção ao Paços de Ferreira em Alvalade, em que por cinco ou seis vezes durante o jogo se ouviu um coro de (mais ou menos, a julgar do sítio onde eu estava) 50% do estádio, a clamar "Bruno, cabrão !!! Pede a demissão !!!"

A minha percepção foi a de quem lá esteve, mas muitos não estiveram e nunca perceberão o que foi naquele dia a repulsa duma grande fatia dos sócios presentes pelo descontrolo completo da personagem que muitos tinham ajudado a reeleger poucos meses antes.

Tentando recuperar na Net o que foi esse dia, encontro esta descrição na TVI24 (https://tvi24.iol.pt/sporting/liga/a-noite-em-que-alvalade-foi-diferente-de-todas-as-outras-noites):

"O Estádio José Alvalade viveu neste domingo uma situação pouco habitual. Durante o jogo entre Sporting e Paços de Ferreira, os cerca de 40 mil espectadores presentes nas bancadas fizeram questão de manifestar de que lado estão na «guerra» guerra entre jogadores e presidente.

Bruno de Carvalho assistiu ao jogo no banco de suplentes e foi notório que, se a relação entre dirigente e jogadores está longe de ser saudável, a aceitação no seio dos adeptos também já viveu melhores dias.

Quando o presidente dos leões subiu ao relvado, instantes antes do apito inicial da partida, a grande fatia das bancadas (à exceção da zona das claques) dirigiu-lhe um enorme coro de assobios e, entre insultos pelo meio, exigiu a sua demissão. Após o jogo, Bruno de Carvalho não deixou passar o momento e deixou um aviso em declarações aos jornalistas: «Alguns adeptos do Sporting vão, mais cedo ou mais tarde, perceber a gravidade moral daquilo que fizeram hoje. Têm todo o direito de chamar nomes, mas chamarão às pessoas da família deles e não a mim.»

Ao longo da noite, houve lenços brancos, muito apoio aos jogadores mas também contestação: a Juve Leo, ao lado do presidente Bruno de Carvalho, desfraldou duas tarjas com a seguinte mensagem: «Jogadores: amar e sentir o clube. Tudo o que vocês não sentem.»

Os incentivos à equipa contrastaram com os apupos dirigidos a Bruno de Carvalho, que voltaram a subir de tom ao intervalo e após o apito final, altura em que o presidente do Sporting, com claras limitações físicas, precisou do auxílio de alguns elementos do staff leonino e de um segurança para se levantar do banco de suplentes e sair do relvado pelo túnel de acesso aos balneários.

Nessa altura, a equipa de Jorge Jesus trocava cumprimentos com adversários e agradecia pouco depois o apoio das claques junto à bancada sul. De seguida, os jogadores deram uma volta ao relvado e agradeceram o apoio dos restantes adeptos, com Alvalade ao rubro e, pela primeira vez na noite, em aparente plena comunhão de espírito."

Video:
 

https://tribunaexpresso.pt/multimedia/video/2018-04-09-O-filme-de-uma-noite-diferente-assobios-insultos-dores-de-costas-e-uma-marquesa

Conferência de imprensa:

https://maisfutebol.iol.pt/videos/5aca8fcc0cf29778fd1ec823/bruno-de-carvalho-foi-a-sala-queixar-se-de-insultos

Acho que estes documentos ficam muito aquém do que foi aquela noite. Quem tiver melhores que os refira, mas já dão uma ideia.

Bruno de Carvalho quer mesmo voltar a ser presidente do Sporting? 

SL

Os crimes de Alcochete

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«Isto não é amor ao clube. É crime. É crime.»

Sílvia Pires, presidente do colectivo que julgou os arguidos de Alcochete

 

Confiar na justiça.

Esta é a atitude certa, em qualquer circunstância. Julgo que neste blogue, onde há pessoas que pensam de modo muito diferente em quase tudo quanto se relaciona com o Sporting, nunca houve ninguém que exprimisse opinião diferente desta: confiar na justiça.

Esta sexta-feira, dia 29, é, portanto, um dia tão bom como qualquer outro para reafirmar este princípio. O dia que se segue ao da sentença proferida, em primeira instância, pelo colectivo de juízas que determinou 41 penas condenatórias e três absolvições no chamado processo de Alcochete - investigado e concluído dentro dos prazos legais e com uma celeridade muito superior ao que estamos habituados.

 

Há dois aspectos neste acórdão - que ainda não li e, portanto, só consigo comentar a partir de notícias escritas com base na súmula lida na sessão de ontem pela juíza-presidente, Sílvia Rosa Pires - que convém salientar.

O primeiro é o facto de cerca de quatro dezenas de adeptos do Sporting - vários deles igualmente sócios, ao que presumo - terem ousado invadir e destruir as instalações da Academia leonina, até há poucos anos considerada um centro de excelência máxima em matéria de formação no futebol. Estes indivíduos protagonizaram um "ataque bárbaro" (palavras da magistrada) a um local que devia ser uma espécie de santuário para toda a massa adepta. Ali cometeram-se crimes graves - e não foram provocados pelos habituais "inimigos do Sporting", mas por sportinguistas. Com imagens que voltaram a colocar a Academia literalmente nas bocas do mundo, desta vez não por motivos de excelência mas de indecência.

A partir deste acórdão, portanto, deixaremos de falar em "alegados crimes" relacionados com Alcochete: a palavra "alegados" cai com esta sentença condenatória. Houve mesmo ilícitos penais, agora punidos com penas diversas - incluindo nove casos de prisão efectiva.

Entre os que cumprirão pena de prisão inclui-se o líder histórico da Juventude Leonina que permaneceu cerca de duas décadas à cabeça desta claque. Que, de algum modo, fica assim simbolicamente decapitada. Não por capricho de comentadores ou arbítrio de jornalistas, mas por solene decisão judicial.

 

Além dos 41 arguidos que acabaram condenados em graus diversos, o acórdão determina ainda três absolvições, considerando que nas audiências de julgamento foi impossível fazer prova da suposta "autoria moral" dos crimes de Alcochete, invalidando a controversa tese inicial do Ministério Público. Neste reduzido número de arguidos agora absolvidos incluem-se o ex-presidente Bruno de Carvalho e o actual dirigente máximo da JL, Mustafá. Também aqui, como no resto, imperou o princípio que nunca deixámos de defender: acreditar na justiça. Por ser uma das traves mestras do sistema democrático que nos rege.

Numa longa entrevista ontem concedida ao Jornal das 8 da TVI, perante um interlocutor impreparado, timorato e gaguejante, o antigo presidente leonino admitiu a possibilidade de instaurar um processo por indemnização ao Estado português que pode chegar às instâncias jurídicas internacionais. É inteiramente livre de proceder assim, no exercício de um direito de cidadania, se considerar que não lhe foi feita justiça, o que não parece muito consentâneo com a absolvição que acaba de lhe ser decretada.

Entretanto, não deixa de ser irónico ver agora vários dos seus apoiantes mais indefectíveis - com a linguagem incendiária que todos lhes conhecemos, integrada no caldo de cultura que degenerou nos crimes de Alcochete - celebrarem nas redes sociais a "vitória da justiça" depois de andarem anos a alimentar teses conspiranóicas contra o poder judicial, que seria parte integrante de uma vasta operação universal destinada a derrubar aquele que continuam a venerar com cega idolatria. 

 

Afinal não havia conspiração alguma: houve crimes, houve punições, houve absolvições, haverá recursos para outros patamares judiciais se assim for decidido por advogados e Ministério Público.

Prevaleceu a justiça. Confirmando assim que devemos acreditar nela. Não apenas quando nos é conveniente, mas em todas as circunstâncias. Antes, durante e depois.

Quem não acredita na justiça, não acredita na democracia. Já passou para o lado de lá ou nunca de lá saiu.

Nesse lado eu jamais estarei.

Vandalismo, onde?

(foto CM)

Leio esta notícia, num qualquer site de jornal (sem registo Nónio, que melga!) «adeptos do Benfica respondem a vandalização de mural com novas pinturas de glórias do clube» e, confesso, fico com uma grande dúvida:

Esta pintura mural não representa, ela própria, um acto de vandalismo?

Reparo que se trata de um espaço público e não acredito que nenhum poder público tenha dado qualquer autorização para ela existir.

Assim sendo onde está o acto de vandalismo?

Pintar aqueles retratos ou colocar, sobre eles, umas boas bigodaças.

O fim das claques?

A pandemia modificou por completo a face do futebol. Entre as incontáveis alterações já em curso ou que acontecerão num futuro muito próximo, inclui-se a drástica redução do papel das claques. Num mundo paralisado face ao medo da propagação de vírus (este e outros), em estádios sem público, com o futebol tendencialmente transformado em reality show só para consumo televisivo, a claque organizada deixa de fazer sentido.

Não sei se já pensaram como isto traça uma fronteira cronológica em clubes como o Sporting. Também nesta matéria o Covid-19 impõe uma mudança. Nada do que virá depois será como foi até agora.

Varandómetro

Quando José Peseiro foi despedido, na véspera do Dia de Finados de 2018, por pressão das claques e dos lenços brancos, o Sporting ia a dois pontos do líder - já depois de ter jogado na Luz e em Braga. Agora, o sucessor do sucessor do sucessor do sucessor de Peseiro deixa a equipa a 20 pontos do primeiro. Quando ainda faltam disputar onze jornadas.

Bancada Sul A

Percebo as razões que levaram à revista minuciosa dos espectadores que pretenderam entrar em Alvalade na passada quinta-feira, mas discordo da sua implementação. Bem sei que foi na bancada Sul A que gangs sem qualquer vergonha brindaram todos os espectadores do estádio com sucessivos “festivais” de piro-javardice. Mas há que separar o trigo do joio, o estádio tem câmaras, autoridades presentes durante o jogo e não vi até hoje uma detenção. Faltou coragem para identificar e retirar os energúmenos da bancada?

É para mim inaceitável fazer pagar o justo pelo pecador, submetendo todos os que assistem aos jogos na referida bancada a tratamento vexatório, como obrigar pessoas a descalçarem-se. Para cúmulo, ao que parece também é ineficaz.

Vamos ser sérios, coisa que a actual direcção apesar do muito que apregoa, não parece ser, querem mesmo combater a turba infame? Comecem por higienizar as instalações do clube, retomando a posse das áreas sob controlo dos gangs. Em seguida, se necessário, encerrem a bancada Sul A. Durante alguns jogos, ou mesmo até final da época. Porque existem direitos adquiridos, aos detentores de GB, ofereçam lugares de categoria superior, mas dispersos pelo estádio. Os restantes frequentadores habituais terão que adquirir um lugar disponível no estádio.

Não cabe aos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal autorizar ou não a existência de claques, porque a Constituição da República permite o livre direito à associação. Mas podem perfeitamente não as reconhecer, facilitar o seu funcionamento ou estabelecer qualquer tipo de relação institucional ou de apoio às mesmas.

Enquanto sócio, não estou minimamente satisfeito com o desempenho do actual Conselho Directivo, em particular do presidente Frederico Varandas. Mantenho a convicção que o mandato não chegará ao fim, muito provavelmente nem sequer irá além do presente ano de 2020.

Sinais de desespero

Primeiro foi o ataque descabido a João Benedito. Se há virtude que deve ser reconhecida em João Benedito é a de saber estar calado, gerir o seu silêncio, só falar quando deve e jamais, até hoje - e espero que continue sempre assim - ter contribuído para alimentar a instabilidade no Sporting.

Agora foi esta capa lamentável do Jornal Sporting, já referida noutros textos aqui no blogue. Mais uma, depois da que ignorava o título mundial de judo do sportinguista - mas "incómodo" - Jorge Fonseca. Não estou de forma nenhuma a defender quem intimidou física e verbalmente os dirigentes do Sporting e da sua família, mas essa lamentável e condenável ocorrência não justifica essa capa. Uma capa assim justificar-se-ia depois do ataque à Academia: "Isto não é o Sporting". Estou certo de que tal capa, nessa altura, refletiria o que pensava a maioria dos sportinguistas. Não há comparação entre a gravidade dos acontecimentos dessa altura e os atuais, pelo que da mesma forma estou certo que a maioria dos sportinguistas também não se revê nesta capa, nesta altura.

A luta desta direção do Sporting contra os malfeitores presentes nas claques é justíssima, mas deve ser travada com o clube unido. Esta direção só está a dividir o clube. Mesmo que ganhe a guerra contra as claques, só fragiliza o Sporting. Equiparar sportinguistas insatisfeitos e membros das claques é de uma profunda desonestidade. Mas é isso que a atual direção tem vindo a fazer. Dá ideia de que trava esta luta não por convicção, mas por uma tentativa desesperada de ganhar alguma popularidade. Não o vai conseguir. E assim compromete esta luta justa, e o resultado final pode ser desastroso.

«E achavam que era com medo que os jogadores iam começar a jogar mais, era isso?»

«– Mas entraram lá de cara tapada e com essa atitude numa de dar o tal ‘aperto’, para criar medo. E achavam que era com medo que os jogadores iam começar a jogar mais, era isso?
– Hoje em dia tenho a certeza que o medo não motiva as pessoas. Na altura o que podia pensar, e que é estúpido, era que os jogadores teriam de dar o máximo mas de facto não tenho direito de pedir satisfações a ninguém…
– Sim mas o medo, o bato, o ameaço, o vou a casa, o que é que isso pode motivar?
– Sim, tem toda a razão…
– Porque isso do estamos muito ofendidos são balelas… Sabe, guardei aqui duas frases da conversa: ‘Honra a quem foi a Alvalade’ e ‘Deus perdoa, a Juve Leo não’… Portanto, ainda foram glorificados até perceberem que tinha dado barraca… O que é que motivava? Um pai dá uma grande tareia um filho porque em vez de passar teve muito bom, ajuda alguma coisa? Motiva?
– Acho mesmo que na altura… Não queria de todo amedrontar os jogadores… Ia pedir justificações…
– Mas pelo que ouvimos aqui ninguém perguntou nada, foi logo a virar… Foi entrar, agir e sair…
– Falo por mim, só queria mesmo encontrá-los no campo e falar… Sei que as vítimas aqui são eles, não sou eu. Como tem dimensão, quero pedir desculpa e às vezes meto-me no lugar deles e pensar… Quando fui preso pensei nisso, nas conversas que tive com a minha família, comentava com a minha tia, que é médica, porque tem casos desses… Não querendo voltar atrás que não posso, que me mudou a vida, a única coisa que posso fazer é pedir desculpa e afastar-me destes fenómenos. Não venho aqui dizer que sou inocente, participei nos grupos, estive lá…»

Não me recordo se alguma vez cheguei a escrever sobre o que aconteceu em Alcochete. Na verdade, durante algum tempo creio que fiz tudo para ignorar ou tentar esquecer o que fui lendo nos jornais e redes sociais e vendo na televisão. É complicado, as notícias (fruto da exploração jornalística) foram e têm sido permanentes. E tentar ignorar não permite apagar o que aconteceu.

As declarações de Tiago Neves (um dos arguidos do processo Alcochete) que li reproduzidas no jornal Observador são um retrato, não apenas na sua experiência individual, mas de um modo de estar em sociedade. A juíza que o interroga pergunta de forma lapidar «E achavam que era com medo que os jogadores iam começar a jogar mais, era isso?» Quão fanáticos temos de ser para acreditar numa coisa destas? Quão alienados da realidade temos de estar para nos transformarmos em mitomanos? Quem acredita que este é um fenómeno exclusivo do futebol ou sequer do desporto?

A minha relação com o futebol (e de certa forma, com o próprio Sporting) mudou naquele dia. Não consigo deixar de ir a Alvalade ou de seguir os jogos na televisão quando jogamos fora de casa, mas sinto que perdi a alegria e a paixão pelo jogo. Comecei a ver futebol na televisão em 1991 (campeonato do mundo de júniores em Lisboa) e a frequentar estádios de futebol em 1992 (no estádio da Medideira a ver o Amora). Alvalade, acompanhado pelo meu pai e, mais tarde, pelo meu irmão, começou a ser uma visita quinzenal a partir de 1999. O meu avô, que nunca conheci, era um apaixonado tão grande pelo seu Piedade que faleceu enquanto assistia a um jogo.

Não tenho filhos, mas se algum dia os tiver não estou certo que os queira ver num estádio de futebol. Tudo isto porque leio e oiço diariamente gente que não só acredita em teorias da conspiração, como defende que um jogador de futebol com medo joga mais.

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