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És a nossa Fé!

Começámos mal, terminámos muito bem

FC Porto, 2 - Sporting, 2

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Gyökeres novamente o melhor em campo e o herói do clássico: 26 golos já marcados nesta Liga

Foto: Filipe Amorim / Observador

 

Ponto a ponto, mantemos a rota que nos levará à conquista do campeonato. Desta vez trouxemos um do Dragão, num clássico que confirmou a nossa superioridade nesta temporada nos embates com a equipa azul-e-branca, derrotada (0-2) em Alvalade e agora também incapaz de nos vencer. O melhor que conseguiu foi o empate (2-2) alcançado na noite de anteontem, com 2-0 ao intervalo e uma espectacular remontada leonina com dois golos em menos de dois minutos (87' e 88').

Pena a expulsão de Edwards, ao minuto 90: a nossa pressão ofensiva era de tal ordem, e o desnorte da defesa portista era tão evidente, que ainda seria possível um terceiro golo verde-e-branco para acabar por gelar as bancadas do estádio, onde havia 45.230 pessoas.

 

E o jogo até começou bem para eles. Um disparate cometido por Israel, numa entrega muito deficiente da bola com os pés, colocando-a ao dispor de Francisco Conceição, permitiu à turma anfitriã abrir o marcador logo aos 7'. Numa rápida tabelinha entre Pepê e Evanilson, com este a colocá-la no fundo das nossas redes.

Havia um problema com o nosso onze titular. Rúben Amorim fez uma experiência que não resultou. Compôs uma linha defensiva com Diomande (central à esquerda), Coates e St. Juste. Remeteu Gonçalo Inácio para a ala esquerda, com a missão de patrulhar o corredor. Missão infrutífera, desde logo por ser inédita e este clássico não propiciar experiências. Francisco Conceição fez o que quis ali, superando sem dificuldade o central transformado em lateral. Com Matheus Reis lesionado e Nuno Santos no banco.

Para agravar a situação, Diomande parecia visivelmente desconfortável por actuar na meia esquerda, longe da sua posição natural - ele que não é canhoto. E St. Juste também estava longe dos seus dias: vai-se tornando cada vez mais evidente que o titular desta posição deve ser Eduardo Quaresma, já suficientemente maduro para agarrar o lugar.

 

Lá na frente, as coisas não corriam melhor. Pedro Gonçalves ainda tentou "fazer cócegas" ao guardião Diogo Costa, titular da selecção nacional. Mas Trincão era inoperante e Paulinho parecia desaparecido, o que nem constitui novidade.

Faltava a estrela da companhia. Gyökeres, condicionado fisicamente, observou toda a primeira parte no banco de suplentes. Certamente cheio de vontade de saltar para o relvado.

Foi lá que viu abrir-se uma avenida aos 41' - falhas de marcação sucessivas de Daniel Bragança e Morten, indiciando colapso no nosso corredor central - que permitiu ao jovem portista Martim Gonçalves, lateral direito em estreia absoluta num jogo do campeonato, galopar sem oposição com a bola dominada e entregá-la a Pepê, que a meteu lá dentro.

Nunca o Sporting havia pontuado no Dragão indo para o intervalo a perder por dois golos de diferença. Temia-se o pior.

 

Mas Amorim tratou de corrigir os erros. Lançou Gyökeres no recomeço, deixando Daniel no banco. Ao minuto 50', trocou rapidamente St. Juste por Quaresma: o holandês, já amarelado, cometeu falta sobre Galeno passível de outro cartão e consequente expulsão, deixando-nos com um a menos. 

No entanto, estas trocas revelavam-se insuficientes. Faltava quem cruzasse do lado esquerdo para o craque sueco: Gonçalo não tem esse treino nem essa rotina. Impunha-se meter Nuno Santos em campo: assim aconteceu aos 61', por troca com Paulinho, que continuava a pecar por falta de comparência.

No mesmo minuto entrou Morita, para a saída de Diomande: Gonçalo era devolvido ao lugar natural, o meio-campo passou a carburar com a temível dupla formada pelo dinamarquês e pelo nipónico, municiando o ataque.

 

Deu resultado. Os portistas passaram a gerir o resultado, cedendo iniciativa com bola ao Sportins nessa meia hora final. Nenhuma substituição feita por Sérgio Conceição melhorou a prestação azul-e-branca, ao contrário do que sucedeu connosco. 

Acentuou-se a pressão atacante. Geny e Nuno Santos funcionavam como tenazes comprimindo o bloco defensivo adversário composto por Martim, Zé Pedro, Otávio e Wendell. A nossa primeira oportunidade surgiu enfim, aos 65': Morita teve oportunidade de marcar, mas a bola sofreu um desvio caprichoso na perna de um defensor.

A mera presença de Gyökeres basta para pôr os adversários em sentido. Sucederam-se os alívios atabalhoados, os desvios para canto. Os assobios que as bancadas dedicavam a Nuno pareciam ter o condão de lhe estimular a veia atacante. O que produziu estragos para o FCP: um cruzamento teleguiado a partir da esquerda encontrou a vitoriosa cabeça de Viktor, que encaminhou a bola no rumo certo: Diogo Costa tentou voar, mas ela já se fora aninhar nas redes.

 

Os nossos tiveram a atitude certa. Em vez de perderem tempo com festejos, abreviaram o recomeço. E fizeram muito bem, pois daí a um minuto nascia o nosso segundo golo. Já com Edwards em campo, desde o minuto 88. Geny endossou-lhe a bola, junto à linha direita, o inglês progrediu com ela, fez rápida tabelinha com o sueco, avançou mais uns metros com ela dominada e cruzou com o pior pé, o direito, fazendo um túnel a Zé Pedro. Gyökeres tratou da emenda à boca da baliza, empatando a partida.

Não bisávamos tão rapidamente desde Novembro de 1977, numa partida com o Feirense. Autor da proeza: Manuel Fernandes, nosso histórico n.º 9. Justamente homenageado pela equipa leonina neste momento difícil do agravamento da doença que o afecta.

Conclusão: começámos mal, terminámos muito bem. Empate que soube a vitória para nós e a derrota para eles. Trouxemos um precioso ponto do Porto: já temos 81. Basta-nos uma vitória e um empate para nos sagrarmos campeões, com três desafios ainda por disputar.

O título vai-se desenhando no horizonte, cada vez mais próximo.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Erro inadmissível na reposição de bola custou-nos o primeiro golo. Redimiu-se parcialmente com uma boa defesa aos 44'.

St. Juste - Nervoso. Viu o amarelo aos 45'+2 por falta sem bola, desnecessária. Poupado a um segundo cartão logo a abrir a segunda parte. O treinador não tardou a dar-lhe ordem de saída.

Coates - Sofreu um túnel no primeiro golo portista, poderia ter feito melhor no segundo. Mas foi ele a iniciar o nosso primeiro, com magnífico passe longo para Nuno Santos.

Diomande - Pareceu jogar sobre brasas como central à esquerda. Errou passes, falhou recuperação de bola aos 28' em lance caricato. Saiu aos 61'.

Geny - Longe de fazer a diferença em duelos com Galeno. Momento alto: oportuna recuperação, aproveitando passe disparatado de Nico, dando início ao lance do nosso segundo golo.

Morten - Não andou bem no primeiro tempo. Facilitou o segundo golo portista ao escorregar em momento crucial. Melhorou muito na segunda parte, sobretudo com Morita a seu lado.

Daniel Bragança - Médio com aptidão ofensiva, tem dificuldade em recuar. Deu espaço no segundo golo deles. Pôs a equipa em risco com perda de bola aos 44'. Já não veio do intervalo.

Gonçalo Inácio - Peixe fora de água como ala esquerdo adaptado. Sem conseguir centrar, desposicionou-se com facilidade. Esqueceu-se de fechar o corredor no segundo golo deles. 

Trincão - Muito macio, foi presa fácil para os adversários. Protagonizou lance vistoso, mas inconsequente, na grande área portista aos 25'.

Pedro Gonçalves - O mais inconformado do nosso trio atacante inicial. Enviou a bola à malha lateral (9'), rematou ao lado (39'), atirou rasteiro à figura (70'). Insuficiente.

Paulinho - Alinhou de início. Mal se deu por ele: entregou-se à marcação, sem conseguir abrir linhas de passe. Cabeceou por cima após canto (16'), falhou emenda (25'). Saiu aos 61'.

Gyökeres - Fez toda a segunda parte. Marcou aos 87' e aos 88', primeiro com a cabeça, depois com o pé: foi a figura do encontro. Bisou pela 11.ª vez na temporada. Já marcou 26 na Liga.

Eduardo Quaresma - Substituiu St. Juste (50'). Atento, concentrado, dinâmico. Pressionou bem atrás, passou com critério. Aos 76', sacou amarelo a Wendell. Merece ser titular.

Nuno Santos - Substituiu Paulinho aos 61'. Grande diferença, para melhor. Deu trabalho incessante aos adversários. Assistência brilhante no nosso primeiro golo, que inicia a reviravolta.

Morita - Entrou aos 61', rendendo Diomande. Ajudou a arrumar o meio-campo, organizando-o com eficácia. Foi dele a nossa primeira oportunidade, aos 65': podia ter marcado. Muito útil.

Edwards - Rendeu Pedro Gonçalves (86'). Dois minutos depois, na primeira vez em que tocou na bola, assistiu para o segundo golo. Expulso aos 90', após ter encostado a mão na cara de Galeno.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Do empate alcançado no Porto. Fomos ao Dragão empatar 2-2 (no mesmo estádio onde o Benfica foi goleado a 3 de Março por 5-0) e demos outro passo firme na conquista do título. Confirmando a nossa superioridade nos clássicos disputados esta época: vencemos dois (triunfos inequívocos sobre Benfica e FCP em casa), empatámos um (o de ontem, testemunhado ao vivo por 45.230 espectadores) e perdemos outro, tangencialmente, no estádio da Luz mesmo ao cair do pano quando jogávamos havia cerca de 40 minutos com um a menos. Esta superioridade confirma a minha tese de que os títulos conquistam-se nos chamados "jogos grandes". A propósito: há oito anos que não ganhávamos quatro pontos à turma portista na Liga.

 

De Gyökeres. Voltou a fazer a diferença - e de que maneira. Foi ele a marcar os nossos dois golos, um com o pé e outro de cabeça, ambos absolutamente decisivos para virar o resultado negativo que se registava ao minuto 87. Afastado do onze titular por estar condicionado no plano físico, mudou totalmente a equipa assim que foi lançado, na segunda parte. Devemos-lhe este ponto que trouxemos do Porto. Vamos dever-lhe, mais do que a qualquer outro jogador, a conquista do campeonato - onde já tem 26 golos no seu registo. Melhor em campo, claro.

 

Da reviravolta. Muitos adeptos do Sporting já tinham desligado os olhos das imagens televisivas ou apagado o som radiofónico. Outros, ainda mais pessimistas, anteviam uma derrota por 0-3, vaticinando que os portistas ainda apontariam mais um. Fizeram mal. Marcámos dois golos de rajada, em pouco mais de um minuto, aos 87' e aos 88'. Da forma mais simples e eficaz, aproveitando duas das três oportunidades que tivemos nesta partida. No primeiro, Nuno Santos centrou da esquerda. No segundo, Edwards centrou da direita, já na grande área - e de pé direito. Para o craque sueco dar o melhor caminho à bola. Como se fosse a coisa mais fácil deste mundo. Na oportunidade anterior, Morita poderia ter marcado, aos 65'. Não tivemos outra. Mas foi quanto bastou para o empate.

 

Das substituições. Grande argúcia de Rúben Amorim, que operou a reviravolta a partir do banco: todas as trocas mudaram a equipa para melhor, empurrando a equipa anfitriã para o seu reduto defensivo. E conferindo agilidade, velocidade, maturidade e qualidade ao Sporting. Após o intervalo, Gyökeres rendeu Daniel Bragança. Aos 50', St. Juste deu lugar a Eduardo Quaresma. Aos 61', dupla substituição: Diomande e Paulinho saíram para a entrada de Morita e Nuno Santos. Aos 86', Pedro Gonçalves trocou com Edwards. Todas resultaram. Os golos foram construídos por três destes que saltaram do banco.

 

De estarmos há 18 jogos sem perder na Liga. Marca extraordinária: a nossa última derrota aconteceu na já distante jornada 13, disputada em Guimarães, a 9 de Dezembro. Há quase cinco meses. 

 

De já termos marcado 133 golos em 2023/2024. Destes, 89 foram nas 31 jornadas da Liga até agora disputadas. Há precisamente meio século, desde a época 1973/1974, que não fazíamos tantos golos num campeonato. 

 

Dos 81 pontos já conquistados. A três jornadas do fim, o Benfica tem menos cinco - e com desvantagem comparativa num suposto caso de igualdade pontual, pois estamos muito melhor no decisivo critério da maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos. Basta-nos, portanto, uma vitória e um empate para sermos campeões. Alguém duvida?

 

Da despedida de Pinto da Costa da poltrona presidencial. Último jogo visto pelo vetusto dirigente do cadeirão de comando lá do estádio. Irá abandoná-lo em definitivo, dentro de dias, por vontade soberana dos sócios. Já vai tarde.

 

 

Não gostei

 

Da primeira parte. Demasiados erros cometidos, não apenas no plano colectivo mas sobretudo a nível individual. Com um golo sofrido muito cedo, logo aos 7', e outro aos 41'. Talvez os nossos piores 45 minutos iniciais deste campeonato. O 2-0 ao intervalo premiava a superioridade portista perante um onze leonino desfalcado de Gyökeres: a estrela da equipa só entrou no segundo tempo.

 

De Israel. Inacreditável fífia no primeiro golo, entregando a bola em má reposição com o pé. Francisco Conceição interceptou-a sem problema e a passou-a de imediato a Pepê, que a entregou a Evanilson. O FCP agradeceu o brinde.

 

De Gonçalo Inácio. Com Matheus Reis ainda lesionado, Rúben Amorim apostou nele como ala esquerdo, confiando-lhe a missão (quase inédita) de subir no corredor. Não resultou: incapaz de centrar com qualidade, os passes longos também não lhe saíram bem. Passividade total no lance do segundo golo, deixando Francisco Conceição movimentar-se à vontade no seu sector.

 

De Diomande. Exibição muito irregular do internacional marfinense. Errou vários passes, pareceu intranquilo e com falta de confiança como central na meia esquerda. Aos 28', teve um deslize quase caricato, em zona defensiva, falhando uma recepção de bola - o que poderia ter proporcionado golo ao FCP. Substituído aos 61', não se notou a sua falta.

 

De St. Juste. Amarelado desde os 45'+2, por falta sem bola absolutamente desnecessária, protagonizou lance imprudente, com pisão a Galeno, logo a abrir a segunda parte. Nuno Almeida, com critério largo, foi amigo: o holandês podia ter visto ali o segundo amarelo e consequente expulsão. Amorim percebeu o risco que corria e tratou de o substituir de imediato.

 

Da expulsão de Edwards. É verdade que o inglês fez uma assistência para golo, mas logo a seguir envolveu-se em empurrões e encosto de testas com Galeno, vendo o vermelho ao minuto 90'. Mal tinha começado a suar a camisola. O árbitro aqui errou: faltou expulsar também o jogador portista.

O dia seguinte

Com o empate no clássico ficou o Sporting com mais 5 pontos do que o Benfica, tendo vantagem no desempate pela diferença de golos previsível no final do campeonato. Em princípio, basta então 1V e 1E para o Sporting ser campeão, pode muito bem acontecer que o seja no Estoril. Sabe então mesmo a vitória este empate de hoje no estádio do FC Porto. 

Para Rúben Amorim talvez ainda mais. A verdade é que tudo o que podia correr mal estava a correr neste jogo, como tinha corrido durante a semana: a viagem a Londres, a conferência de imprensa surrealista, um onze desconxavado pela deslocação de Inácio para a ala esquerda e pelas adaptações daí resultantes, incapacidade de controlar o jogo e acumulação de asneiras nunca visto. O 0-2 ao intervalo era até lisonjeiro face ao domínio do Porto. Na 2.ª parte o Porto achou que podia gerir, e Amorim foi metendo a melhor carne no assador, até que já com Nuno Santos e Edwards a assistir Gyökeres, vieram os dois golos quase seguidos. Tempo ainda para uma cena canalha dum dos rufias do Porto que fez expulsar Edwards e que podia ter comprometido o empate.

Foi assim: resultado melhor do que a exibição. Mas quem tem um grande ponta de lança está sempre mais próximo de ter dias assim.

Melhor em campo? Gyökeres.

Arbitragem? O Conceição montou o circo, treinou os palhaços, o árbitro foi tentando apitar futebol até não conseguir mais e ser mais um palhaço como eles. Galeno teria de ir para a rua como foi o Edwards. E primeiro.

E agora? Portimonense em Alvalade, e logo se vê o resto.

SL

Prognósticos antes do jogo

Vai ser o jogo da jornada. E promete ser um dos jogos deste campeonato, a quatro rondas do fim. Jogamos no Dragão, a partir das 20.30 de amanhã, com as aspirações intactas para conquistar o título. 

Recordo que no desafio da primeira volta, a 18 de Dezembro, a turma portista saiu de Alvalade derrotada: foi ao tapete, com dois golos sem resposta. Marcados por Gyökeres e Pedro Gonçalves, os suspeitos do costume.

Há um ano, o jogo homólogo foi para esquecer: perdemos 0-3 na Invicta. Nenhum de nós quer a repetição desse desaire, muito longe disso.

Aguardo os vossos prognósticos para este clássico.

Cada vez mais próximos do título máximo

Sporting, 2 - Benfica, 1

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Jogadores leoninos festejam justa vitória frente ao Benfica, que tem agora menos quatro pontos

Foto: Miguel A. Lopes / Lusa

 

Isto sim, é futebol a sério. Com emoção, ansiedade, incerteza no resultado, explosões de júbilo no fim de tudo. O segundo clássico em poucos dias. O primeiro tinha sido para a Taça de Portugal, no estádio da Luz, culminando num empate - que para nós equivaleu a vitória, pois afastámos o Benfica da final no Jamor. 

O segundo foi há três dias. No nosso estádio. Que continua invicto neste feliz ano de 2024. Houve despique aceso, mas tudo terminou da melhor maneira. Com novo triunfo nosso. Como quase todos desejávamos.

 

Valha a verdade: o Benfica havia sido superior na segunda mão da meia-final da Taça e na noite de sábado voltou a estar por cima em diversos períodos da partida, sobretudo na primeira parte, tendo reagido bem ao golo sofrido ainda a frio, no primeiro lance ofensivo do Sporting.

Isto corresponde à realidade. E só valoriza ainda mais o triunfo leonino.

Ao contrário do que alguns imaginam, "ser sportinguista" não é supor que os nossos são cem por cento excelentes e os outros todos são cem por cento péssimos e só conseguem ganhar graças a roubo, ladroagem, tráfico, corrupção, etc.

Não é assim.

Termos adversários com valor dignifica mais os nossos triunfos e as nossas conquistas.

E esta foi mesmo uma conquista. De um grupo de trabalho, de um colectivo, de uma equipa digna desse nome.

Mas foi também o jogo da vida de um novo herói: Geny Catamo, 23 anos, natural de Moçambique, só desde Julho na equipa principal do Sporting.

 

Em boa hora este talentoso canhoto foi contratado pelo Sporting, em 2020, vindo do Amora. Tem-se revelado um jogador em evolução constante. Há dois anos andava na nossa equipa B, há um ano andou em empréstimos inconsequentes ao Vitória e ao Marítimo.

Cresceu imenso nesta época - fruto de uma aposta consistente do treinador. Bem o vimos agora em Alvalade, ao marcar os nossos dois golos ao Benfica: um logo aos 46 segundos de jogo, o outro aos 90'+1.

Já sentou Esgaio como titular, já tornou o ausente Fresneda irrelevante. Tem pinta de craque, joga como um craque.

É extremo de raiz adaptado a ala, cumprindo assim também a função de lateral. E é um esquerdino a actuar no corredor direito, o que o obriga a moldar o seu modo instintivo de se relacionar com a bola em função dos desígnios tácticos da equipa. Tem passado nos dois testes, muito exigentes.

Na brava ousadia da sua juventude, Geny atreveu-se até a mostrar a Gyökeres, seu camarada sueco, que também pode levar a nossa equipa rumo à vitória mais sonhada.

 

Até agora só tenho mencionado aspectos positivos. Mas toda a medalha tem o seu reverso. Este reverso do Sporting-Benfica teve um reverso de apito na boca.

Artur Soares Dias - creio já o ter escrito algures - é para mim o pior árbitro português. Porque congrega quase todos os defeitos mais clamorosos de sinal contrário: arrogante, pedante, soberbo, manifestamente incompetente em lances cruciais. E pusilânime, acima de tudo. Forte com os fracos, fraco com os fortes - característica desprezível.

Menciono dois exemplos, para não me ficar pela abstracção inconsequente ou pela indignação típica das conversas de café.

Minuto 4: Dias exibe cartão amarelo por alegada simulação ao suposto "fraco" Geny, que viria a ser a figura da partida e o herói da noite.

Forte com os fracos.

Minuto 33: Dias perdoa uma agressão do campeão mundial argentino Di María, do SLB, a Pedro Gonçalves. Devia ter sido vermelho directo, como nas últimas 48 horas todos os analistas de arbitragem reconheceram, mas nem amarelo lhe mostrou. Lance tão evidente e tão escandaloso que não acredito na tese de que o VAR Luís Godinho evitou alertá-lo. Isso cheira a patranha. Dias recusou ver as imagens e armou-se em Nero do apito. Só lhe falta a toga de imperador romano - e a lira para entoar uns acordes enquanto tudo arde.

Fraco com os fortes.

Este senhor voltou a demonstrar que não merece um décimo dos elogios que certa imprensa reverente e servil ainda lhe faz.

 

Vencemos e convencemos.

Superámos um obstáculo que quase todos anteviam como decisivo. Nem faltou até quem o considerasse o jogo mais determinante do campeonato.

Da nossa parte, há ainda 21 pontos por disputar. Se vencermos todos os jogos, chegaremos ao fim com recorde absoluto: 92 pontos.

Após este clássico, estamos quatro pontos acima do Benfica (que poderão ser sete). O Porto já nem conta, após outra derrota - agora em casa, frente ao Vitória.

O nosso acesso à próxima Liga dos Campeões está garantido. Na prática, faltam-nos cinco vitórias em sete jogos para chegarmos ao título - isto se o Benfica não voltar a tropeçar, o que bem pode acontecer.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Vai ganhando maturidade e segurança de jogo para jogo. Excepcional voo, aos 81', impedindo golo de Di María. Só tem de melhorar a saída de bola com os pés.

St. Juste - Completou dois jogos seguidos de leão ao peito. Atento às dobras, ganhou duelos em velocidade. Pena a falta desnecessária que fez aos 45'+2: desse livre nasceu o golo solitário do SLB

Coates - Um gigante. Evitou golo de Neres aos 65', cortou um passe perigoso de Rafa muito perto da baliza aos 68'. Às vezes parece um segundo guarda-redes.

Gonçalo Inácio - Fica estranho quando defronta o Benfica. Voltou a acontecer. Entregou três vezes a bola, sem razão aparente - aos 51', 60' e 65'. Difícil entender tanta insegurança.

Geny - Herói do jogo. Marcou o golo mais madrugador num clássico em Alvalade desde 1992. Conquistou os três pontos ao cair do pano com um belo disparo de pé direito. Um craque.

Morten - Amarelado logo aos 27', não se deixou atemorizar, vencendo a maior parte dos duelos com Aursnes. Arriscou muito ser expulso aos 73'. O treinador retirou-o de campo pouco depois.

Morita - Continua longe da boa forma exibida antes da mais recente convocatória para a selecção nipónica. Perda de bola comprometedora aos 14': podia ter causado dano sério. Saiu aos 54'.

Matheus Reis - Tentou, com pouco sucesso, travar o passo a Di María no seu corredor. O pior foi ter deixado Bah movimentar-se sem marcação no livre de que resultou o solo sofrido.

Pedro Gonçalves - Regressou após lesão. Não tardou a protagonizar lance de génio em incursão como extremo-esquerdo - bola sempre dominada, cruzamento perfeito para o primeiro golo.

Trincão - Demasiado discreto, desta vez foi incapaz de fazer a diferença. Aos 25', desperdiçou um passe soberbo de Gyökeres que noutras circunstâncias poderia ter terminado em golo.

Gyökeres - Deu baile a António Silva (11'). Venceu duelos com Aursnes. Ofereceu golo que Trincão desperdiçou. Atirou petardo à barra (52'). Não marca há três jogos. Mas lutou imenso.

Daniel Bragança - Substituiu Morita neste seu 100.º jogo oficial pelo Sporting. Melhorou jogo interior da equipa com a qualidade de posse habitual. Mas falhou emenda à boca da baliza (88').

Diomande - Rendeu Gonçalo Inácio aos 72'. Com vantagem, apesar de cumprir o Ramadão. Precioso corte cirúrgico aos 90'+6: essa acção enérgica impediu o Benfica de empatar.

Edwards - Substituiu Pedro Gonçalves aos 72'. Com fraco desempenho excepto na marcação do canto de que resultou o golo da vitória.

Paulinho - Entrou para o lugar de Trincão aos 80'. Desta vez sem fazer a diferença após três jogos consecutivos a marcar.

Koba - Rendeu Morten ao minuto 80. Continua sem mostrar qualidades no Sporting. Indolente, sem atitude, perdeu duas vezes a bola - numa das quais provocando perigo.

A tradição ainda é o que era

Uma máxima que Artur Soares Dias faz por manter bem viva a cada jogo que vai assobiando por esses relvados.

Com olímpica desfaçatez, ASD ignorou descaradamente uma agressão de Di Maria, o fiteiro-mor da liga portuguesa de futebol profissional, a Pedro Gonçalves, quando o agraciou com um pero no nariz, digno de um pugilista sem classe e amor à nobre arte, tipo mordidela de orelha a la Myke Tayson, à falsa fé, como ser rasteiro que tem demonstrado ser, pelo menos dentro de campo.

Não lhe faltou ajuda do VAR, que pelo que nos apercebemos o terá chamado por entender ser lance para vermelho, pois só nesta situação o VAR pode intervir, se for caso de amostragem de cartão vermelho.

Tratou a coisa com uma "reprimenda", o que o fez enterrar-se ainda mais na semvergonhice que foi a sua péssima actuação no clássico de ontem.

Agora respondam-me, se conseguirem: Como estaríamos se Franco Israel não tem feito uma defesa do outro Mundo naquele remate do argentino e o Benfica tivesse ganho o jogo?

É por isto que no próximo Europeu não vai estar ninguém do apitadeiro ludopédio.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória de ontem no clássico contra o Benfica. Abrimos com chave de ouro, fechámos da mesma forma: com dois golos decisivos. O mais madrugador do século num clássico em casa frente ao velho rival, apontado logo aos 46 segundos desta partida intensa, disputada sempre num ritmo muito rápido. E aquele que poderá ter decidido o desfecho do campeonato, ocorrido no minuto inicial do tempo extra. Segunda ocasião na temporada em que vencemos os encarnados no nosso estádio - primeiro para a Taça, agora para  Liga 2023/2024.

 

De Geny. Partida de sonho para o moçambicano de 23 anos nesta sua primeira época como titular leonino. Foi ele o autor dos dois golos que nos proporcionaram os ambicionados e preciosos três pontos nesta recepção ao Benfica. Ele fez por isso, não só a marcar mas a jogar, criando sempre perigo na sua ala, pondo a defesa encarnada em sobressalto, vencendo sucessivos duelos com Aursenes, um dos melhores do onze adversário.

 

De Coates. Gigante na defesa. Transmitiu serenidade e segurança neste seu 255.º jogo na Liga de leão ao peito. Evitou dois golos - de Neres, aos 65', e Rafa, aos 68'. Um pilar.

 

De Israel. Havia muitas dúvidas sobre o seu estatuto como titular da baliza leonina. Que terão ficado desfeitas, em definitivo, quando voou entre os postes para impedir aquele que seria um golo monumental de Di María. Falta-lhe agora, sobretudo, melhorar a reposição de bola com os pés, mas é indiscutível: o sucessor legítimo de Adán está encontrado.

 

De Gyökeres. Terceiro jogo consecutivo do internacional sueco sem marcar de leão ao peito. Nunca tinha acontecido. Mas voltou a dar forte contributo ao colectivo leonino. Sempre dinâmico, sempre inconformado, sempre em jogo. Aos 25' ofereceu a Trincão um golo que o canhoto desperdiçou. Aos 52', disparou um tiro com o seu pé-canhão que foi embater com estrondo na barra. Pelo segundo desafio seguido. Vai ter de marcar em Barcelos para desfazer o enguiço.

 

De Pedro Gonçalves. Fez-nos falta na recente meia-final da Taça, quando fomos à Luz empatar 2--2 com ele ainda a recuperar de lesão. Ninguém trabalha tão bem entre linhas no Sporting, sem posição constante, muito difícil de marcar - tanto funciona como um 10 à antiga, como um segundo avançado ou como um médio com propensão ofensiva. Foi ele o criador do nosso golo inicial: recuperou a bola na meia esquerda, serpenteou em slalom pela defesa benfiquista e cruzou com classe para Geny finalizar. Fazia-se a festa em Alvalade 46 segundos após o apito inicial, no nosso golo mais rápido num embate com o SLB desde um disparo certeiro de Balakov em 1992.

 

De Rúben Amorim. Por um lado soube tirar as devidas conclusões do embate anterior com o Benfica, quatro dias antes, mudando metade dos jogadores de campo no onze inicial. Além disso voltou a ler muito bem o jogo, operando as substituições que se impunham ao trocar Morita por Daniel Bragança (54') e Gonçalo Inácio por Diomande (72').  

 

Da nossa eficácia. Não só por termos marcado na primeira oportunidade que criámos, ainda no minuto inicial do clássico, mas pelo que as estatísticas do jogo nos indicam: produzimos três remates enquadrados dos quais saíram dois golos. Índice elevadíssimo de aproveitamento, agora já com a estrelinha de campeão a reluzir- nos.

 

De ver as bancadas cheias. Números oficiais: 48.103 espectadores presentes em Alvalade. Melhor casa da temporada para acompanhar ao vivo o jogo que nos pode ter valido o título três anos depois da última conquista - mas desta vez já sem pandemia.

 

Da nossa 24.ª vitória consecutiva em casa na Liga. Alvalade é talismã para a equipa desde a época passada. Fizemos o pleno no campeonato em curso, até agora com folha limpa.

 

De ver o Sporting marcar há 36 jornadas seguidas. Sempre a fazer golos, desde o campeonato anterior. Reforçamos a nossa posição no topo das equipas goleadoras. Basta comparar: temos 79 marcados, mais 17 do que o Benfica, com menos um jogo disputado. E cumprimos ontem o 14.º desafio consecutivo sem perder na Liga 2023/2024.

 

De mantermos a liderança isolada. Agora com 71 pontos - que podem passar a ser 74 quando se cumprir finalmente o jogo ainda em atraso com a nossa visita a Famalicão. Prossegue a contagem decrescente para a conquista do troféu máximo do futebol português. Cada vez estou mais convicto de que vamos lá chegar.

 

 

Não gostei

 

Do golo sofrido, aos 45'+3. Mesmo no fim do primeiro tempo: o SLB reduziu para 1-1, fomos empatados para o intervalo. Na cobrança de um livre junto à nossa linha direita, por Di María em pontapé cruzado que encontrou Bah sem marcação: Matheus Reis ficou nas covas. Nas bancadas de Alvalade sentia-se repetir o espectro do Benfica-Sporting da primeira volta, quando sofremos dois golos em três minutos do tempo extra, passando de vencedores virtuais a derrotados reais. Mas a história desta partida acabaria por ser diferente.

 

Do árbitro. Artur Soares Dias protagonizou novo festival de sobranceria, arrogância e mediocridade, evidenciando-se como rei dos cartões. Mas manteve no bolso aquele que mais se impunha: o vermelho, aos 33', a punir Di María por agressão a Pedro Gonçalves com um soco no nariz. Terá sido alertado pelo vídeo-árbitro Luís Godinho, mas recusou ver imagens do lance e limitou-se a um suposta advertência verbal ao argentino, que nem amarelo viu. Confirmando a incompetência do mesmo apitador que não hesitou em amarelar Geny logo aos 4', por alegada simulação. Como pode um sujeito destes ser considerado "melhor árbitro português"?

 

Do cartão a Morten. O dinamarquês viu o nono amarelo, aos 27', o que o impede de participar no próximo jogo. Baixa importante contra o Gil Vicente.

 

Do cartão a Nuno Santos. Exibido por Soares Dias aos 90'+1, aparentemente por protestos quando estava sentado no banco (não foi utilizado neste Sporting-Benfica). São os cartões mais inúteis e desnecessários, que apenas prejudicam a equipa. Por causa disto, também o ala esquerdo fica impedido de participar na partida de Barcelos.

 

De Gonçalo Inácio. Voltou a tremer frente ao Benfica. O que se passará com ele? Inacreditável, a sucessão de lapsos com passes falhados, entregas de bola, duelos perdidos. Teria sido uma catástrofe se o parceiro Coates não andasse muito atento aos deslizes do colega. Aos 72', deu lugar a Diomande. Já foi tarde.

 

De Morita. Em quebra de forma, incapaz de suster o meio-campo encarnado, comprometeu com perda de bola que deu origem a um ataque perigoso. Saiu cedo, aos 54'.

 

Do inacreditável falhanço de Daniel Bragança. Mesmo em cima da linha de golo, na extremidade esquerda da baliza que tinha um metro à sua frente, enrolou-se com a bola e foi incapaz de a meter lá dentro numa emenda após canto, aos 88'. Parecia o fantasma de Bryan Ruiz em 2016 revivido em Alvalade. Felizmente Geny, três minutos depois, viria a dissipar as dúvidas: o pesadelo não iria repetir-se.

Eu estive lá!

Ver um clássico ao vivo dá outra "pica"! Então se no primeiro minuto o Sporting marcar um golo, mais ainda.

Cheguei cedo ao estádio, mas este já estava composto. Não é que estivesse cheio como veio a ficar, mas ainda assim já com alguma gente.

Tomei assento no meu costumado lugar e como sempre atrás de mim aquela "trécula" (como se diz na aldeia) que nunca, mas nunca se cala durante qualquer jogo. Nós a vermos as incidências do jogo e a estuporada adepta a envergonhar alguma vendedora do Bolhão, com a sua linguagem sempre assertiva.

A verdade é que o apoio à equipa naquela zona norte é quase permanente.

Após o empate, segundos antes do intervalo, fez crescer o nervosismo e a incerteza do resultado para a segunda metade. Quem pagou todo este meu nervosismo foram as unhas que ficaram por lá na bancada.

Quando veio o segundo golo quase ao final do jogo, o estádio veio abaixo e mais dois espectadores, que depois vim a saber, estavam muitas filas acima de mim. Só que com a euforia do segundo golo acabaram literalmente por aterrar nos bancos da fila à minha frente. Vi algo a passar, é certo, mas nunca pensei que fossem sportinguistas... porque normalmente os leões não voam. De tal forma foi o trambolhão que tiveram de chamar os paramédicos. Finalmente um deles, o que terá ficado pior, recuperou da alegria e deve ter muito que contar à família este serão.

E nos serões seguintes! Nomeadamente nódoas negras!

Clássico sim, dérbi não

Sporting-Benfica é um clássico. O maior de todos.

Só seria dérbi se opusesse dois emblemas de Lisboa. Como o Belenenses, o Oriental, o Atlético, o Casa Pia e o Benfica.

Ou um Boavista-FC Porto, lá na Invicta.

O Sporting é de Portugal.

Um Sporting-Benfica é tanto "dérbi" como um Sporting-FC Porto. Ou seja: não é.

Aliás, se o Sporting-Benfica não fosse clássico, nenhum outro jogo em Portugal mereceria tal designação.

Prognósticos antes do jogo

Quatro dias depois, novo clássico em perspectiva - não lhe chamo dérbi porque o Sporting é de Portugal inteiro, não de Lisboa. Dérbi é o Belenenses-Benfica. Dérbi é o Boavista-FC Porto.

Outro embate entre os dois mais antigos rivais do futebol português. Vamos receber a turma encarnada amanhã, a partir das 20.30. 

Na primeira volta, quando fomos à Luz, tivemos o pássaro na mão mas deixámo-lo fugir mesmo à beira do fim, com dois golos sofridos na segunda metade do tempo extra, quando vencíamos 0-1 ao minuto 90.

Como será desta vez? Adiantem lá os vossos prognósticos.

Prognósticos antes do jogo (especial)

Costumo reservar estas rondas de prognósticos para os nossos jogos do campeonato. Mas toda a regra tem excepção. Venho, pois, desafiar-vos a vaticinar o resultado do clássico de amanhã, às 20.45, no estádio do Benfica: os encarnados recebem o Sporting para a segunda mão da meia-final da Taça de Portugal. Recordo que na primeira mão, disputada ainda em Fevereiro, vencemos por 2-1, o que nos dá vantagem na eliminatória.

Resultado e marcadores - se os houver, claro.

Quente & frio

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Morita e Morten brilharam no meio-campo, vulgarizando o Benfica no clássico da Taça em Alvalade

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Gostei muito da nossa vitória ontem, em Alvalade, frente ao Benfica, cumprindo a primeira mão da meia-final da Taça verdadeira. Num desmentido vivo e cabal daquela treta - propalada por alguns adeptos que são leões sem juba - de que o Sporting claudica nestes clássicos. O que se viu ontem foi o contrário disto: o Benfica a tremer durante uma hora, em que sofreu dois golos e podia ter sofrido outros tantos, incapaz de construir um lance colectivo digno desse nome, sem posse de bola, remetido ao reduto defensivo, impotente na reacção à contínua pressão atacante da nossa equipa. Basta referir que o primeiro remate deles à nossa baliza aconteceu só aos 59' quando João Mário - sempre muito assobiado cada vez que tocava na bola - atirou à figura, para defesa fácil de Israel.

 

Gostei deste triunfo por 2-1 que nos dá vantagem para o desafio da segunda mão, a disputar na Luz daqui a mais de um mês - caprichos do calendário futebolístico que está sobrecarregado de jogos nesta fase e devia ser revisto em futuras temporadas. Pusemo-nos em vantagem logo aos 9', com um surpreendente golo de Pedro Gonçalves de cabeça, quase sem tirar os pés do chão, batendo o guarda--redes ucraniano do SLB, que tem quase 2 metros de altura. Mérito inegável do melhor jogador português do Sporting, ontem excelente como segundo avançado: já fez 14 golos esta época, sendo agora o segundo artilheiro da equipa. Assim chegámos ao intervalo. O segundo golo, aos 54', foi de antologia - com Gyökeres muito bem lançado de trivela por Geny junto à linha direita, a correr com ela dominada durante 35 metros e a fuzilar Trubin. Destaco ainda a fantástica dupla Morita-Morten (com o dinamarquês a assistir no primeiro golo), que controlou as operações no meio-campo durante 65 minutos, até a fadiga se instalar. Mas sublinho acima de tudo a presença imperial de Coates no comando da defesa neste seu jogo 355 de Leão ao peito: elejo-o como melhor em campo. Cortes impecáveis aos 22', 38', 45'+2, 51' e 90'+5. Com ele ao leme, nem parecia que estávamos desfalcados de um titular naquele sector: Gonçalo Inácio, lesionado, esteve ausente do onze. Tal como Trincão, pelo mesmo motivo. 

 

Gostei pouco que algumas oportunidades de golo tivessem ficado por consumar. O campeão dos perdulários voltou a ser Edwards, que atravessa fase menos boa. Frente à baliza e com as redes à sua mercê, demorou a rematar, permitindo intercepção, aos 45'. Também muito bem colocado, aos 64', falhou o disparo: a bola saiu-lhe enrolada, perdendo-se assim a hipótese de dilatar o marcador.

 

Não gostei que o golo de Nuno Santos - obra-prima que prometia dar a volta ao mundo - tivesse sido anulado por deslocação de Paulinho. Aconteceu aos 90'+3: ainda festejámos por alguns momentos o suposto 3-1 após monumental chapéu de mais de 20 metros a desenhar um arco perfeito sobre a cabeça de Trubin com a bola a anichar-se no ninho da águia. Mas ficou sem efeito, o que deve ter causado noite de insónia ao nosso brioso ala esquerdo, que substituiu Geny aos 86' enquanto Paulinho rendera Pedro Gonçalves no minuto anterior.

 

Não gostei nada da exibição de Esgaio: entrou aos 76', rendendo um Edwards que se perdeu em fintas e fintinhas esquecendo-se de que o futebol é um desporto colectivo. Mas o substituto do inglês não esteve melhor, longe disso: voltou a revelar-se o elemento tecnicamente mais débil do plantel leonino. Aos 80', muito bem enquadrado com a baliza, em posição de disparo e sem marcação, ficou sem saber o que fazer com a bola: sentiu uma espécie de temor cénico e acabou por confundir futebol com râguebi, atirando-a muito por cima da baliza. Pior: voltou a fazer o mesmo aos 88'. Incapaz de tirar um jogador da frente, entregou-a em zona perigosa, aos 90'+1, ficando pregado ao chão e dando origem a uma rápida ofensiva dos encarnados. Tanta asneira junta em tão pouco tempo. Pior só aqueles inenarráveis "olés" que a partir da hora de jogo, num estádio com lotação quase esgotada (45.393 espectadores), começaram a escutar-se nas bancadas: bazófia burra que só contribuiu para desconcentrar os nossos e mobilizar a equipa adversária. Esta gente tarda em perceber que "olés" servem para a tourada, nada têm a ver com futebol. 

2023 em balanço (7)

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DERROTA DO ANO: 1-2 CONTRA O BENFICA NA LUZ

Aconteceu a 12 de Novembro. Esteve para ser noite de festa, terminou em noite de pesadelo. Na casa do nosso mais velho rival, cheia para apreciar um dos clássicos do ano. Partida com desfecho absolutamente decepcionante para nós.

Ao intervalo, vencíamos 1-0. Congelando as bancadas do estádio da Luz, onde já ferviam palavras de impaciência e até indignação contra o treinador Roger Schmidt. Autor do golo, o suspeito do costume: Viktor Gyökeres, imparável, fuzilou a baliza encarnada ao conseguir libertar-se do espartilho duplo de Otamendi e António Silva. Foi no final da primeira parte, o que nos abria felizes expectativas.

Também Edwards esteve em grande. «Primoroso passe para golo aos 33', isolando Pedro Gonçalves após neutralizar a defesa encarnada. E excelente passe vertical que lançou o internacional sueco para o primeiro golo da partida, aos 45», escrevi aqui nos apontamentos sobre o jogo, pouco depois do apito final.

Aos 52', ficámos reduzidos a dez. Por segundo amarelo exibido pelo árbitro Soares Dias a Gonçalo Inácio. O que forçou a saída de Edwards. Mas aguentámo-nos. Até ao descalabro do tempo extra, em que sofremos dois golos de rajada, aos 90'+4 e aos 90'+6.

Confesso não me lembrar de algo assim. No termo do tempo regulamentar, tínhamos mais 6 pontos virtuais do que o Benfica, reforçando a nossa liderança isolada do campeonato. Quando a partida terminou, estávamos em igualdade pontual - mas abaixo deles no critério do desempate. O SLB virou o resultado quando nas bancadas já esvoaçavam centenas de lenços brancos, acenando à despedida prematura do técnico alemão. 

Houve outros momentos maus em 2023, mas este foi o que mais me doeu. Ao ponto de ter desabafado deste modo na crónica do jogo: «Soçobrámos mesmo ao cair do pano. Foi traumático - ao nível daquele monumental falhanço de Bryan Ruiz a dois metros da baliza também frente ao Benfica, em Alvalade, que nos custou o campeonato de 2016.»

Não terei sido o único a pensar assim.

 

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

           Derrota do ano em 2019: Supertaça (4 de Agosto)

Derrota do ano em 2020: 1-4 contra o Lask Linz em casa (1 de Outubro)

Derrota do ano em 2021: 1-5 contra o Ajax em casa (15 de Setembro)

Derrota do ano em 2022: 1-4 contra o Marselha em França (4 de Outubro)

Sem receio algum

«É para ganhar, claro - digam os adeptos medrosos o que disserem. Como serão também para vencer o Sporting-Braga, o Sporting-Benfica e o Sporting-V. Guimarães da segunda volta do campeonato. Não admito outro cenário.»

Palavras minhas, antes do Sporting-FC Porto - que vencemos de facto, por 2-0. E convencemos, vulgarizando por completo a turma portista.

Aos leitores que aqui comentaram cheios de maus presságios e acusando temor reverencial perante a agremiação nortenha, aconselhei-os a comprarem um cão. 

Leão a sério não teme nada. Os jogos são para vencer, sem receio algum.

Como Rúben venceu duelo com Conceição

Sporting, 2 - FC Porto, 0

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Pedro Gonçalves acaba de marcar o segundo golo, apontando para Gyökeres, que o assistiu

Foto Miguel A. Lopes / Lusa

 

Foi um clássico que nos correu muito bem. O melhor desde que afastámos o FC Porto das meias-finais da Taça da Liga, está quase a fazer três anos. Vencemos anteontem a turma azul-e-branca em Alvalade. E convencemos, sem margem para discussão.

Desmentindo os prognósticos das aves agoirentas que piavam por aí, o Sporting dominou com toda a naturalidade, foi claramente a equipa mais pressionante. Derrotámos o adversário por 2-0 (golos de Gyökeres e Pedro Gonçalves), poderíamos ter ganho por 4-0, estivemos sempre mais próximo de ampliar a vantagem do que os portistas de a reduzirem. 

 

O FCP marcou um golo ilegal, bem anulado, em flagrante deslocação. Nós marcámos quatro limpos: num deles o vídeo-árbitro Tiago Martins transformou uma tentativa de falta defensiva em falta atacante, anulando um belíssimo golo de Gyökeres - e anulando também o magnífico trabalho de Eduardo Quaresma na construção desse lance.

O jovem central bem merecia que tivesse sido validado. Não apenas em respeito à verdade desportiva, mas para recompensar a excelente exibição neste que foi o seu primeiro jogo como titular leonino em três anos.

Ele secou Galeno, o mais perigoso e competente dos portistas.

Pepe - expulso com vermelho directo por flagrante agressão a Matheus Reis, aos 51' - nunca conseguiu travar (sem falta) Gyökeres, o nosso abre-latas, com impressionante dinâmica do princípio ao fim. Claramente o melhor em campo. Claramente o homem do jogo. Claramente o grande jogador desta Liga 2023/2024.

 

Resultado e exibição confirmam que Rúben Amorim preparou melhor a partida, leu melhor o jogo, esteve superior ao colega do FC Porto. E contornou com talento a súbita dificuldade nascida da lesão de Coates, afectado por mialgia na última sessão de treino antes deste clássico. Parecia um golpe de azar, mas não foi.

O infortúnio de uns propicia oportunidades a outros. Vamos precisar de Quaresma nos difíceis meses de Janeiro e Fevereiro, mesmo que venha novo defesa (Eric Dier?) neste mercado de Inverno. Convém lembrar que Diomande e Geny estarão ausentes, ao serviço das respectivas selecções, enquanto St. Juste é um lesionado crónico e Coates, em bom rigor, anda preso por arames há muito tempo.

 

Enfim, fomos superiores em todos os processos de jogo. Na manobra defensiva, na construção apoiada, nos lances em profundidade, no controlo do corredor central, no domínio das alas - e até na finalização, algo que costumava desequilibrar estes clássicos a nosso desfavor.

Vitória não só dos jogadores: também do treinador, nomeadamente ao incluir sem receio Eduardo Quaresma no onze inicial. Arriscou, foi recompensado.

Conclusão: Rúben Amorim venceu no duelo muito particular que mantém com Sérgio Conceição. Foi outro triunfo que celebrámos em Alvalade. Nós, os que desejamos mesmo ver o Sporting novamente campeão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Capitão por ausência do uruguaio, só fez duas defesas com elevado grau de dificuldade (45'+4 e 64'), respondendo bem. Assim transmitiu confiança redobrada aos companheiros.

Eduardo Quaresma - No primeiro jogo como titular da equipa principal em três anos, secou Galeno, o melhor portista. Sete duelos ganhos, seis desarmes conseguidos. Grande exibição.

Diomande - Voltou a passar com distinção o difícil teste de substituir Coates como comandante do nosso bloco defensivo, apesar de ter apenas 20 anos. Vencedor absoluto nos duelos aéreos.

Gonçalo Inácio - Aos 22 anos, era o mais idoso dos nossos centrais neste clássico. Cumpriu a missão que lhe cabia na meia esquerda. Ao ver um quinto amarelo, fica fora do próximo jogo.

Geny - Ala titular pela direita, ajudou a anular Galeno. Vem melhorando no processo defensivo, preenchendo bem os espaços. Com um belo passe vertical, foi ele a iniciar o segundo golo.

Morten - Talvez a sua melhor exibição de leão ao peito. Excelente nas recuperações (20' e 82'), protagonizou um desarme perfeito na nossa grande área (42'). Exímio nos passes longos.

Morita - Combinação perfeita com o internacional dinamarquês, seu parceiro no domínio do meio-campo: graças a eles, o corredor central foi nosso. Essencial para neutralizar Pepê.

Matheus Reis - Vem-se revelando mais influente. Com toque de classe, assistiu Gyökeres no primeiro golo. Anulou João Mário. Agredido por Pepe aos 49', levou o FCP a jogar só com dez.

Pedro Gonçalves - Voltou aos golos, marcando o segundo aos 60', neste seu jogo 150.º pelo Sporting. Mas permitiu defesa (64') e rematou ao lado (82') quando podia fazer bem melhor.

Edwards - Agarrou-se demasiado à bola, com pouca propensão colectiva. Aos 58', porém, esteve à beira de marcar um grande golo, de pé direito: Diogo Costa fez a defesa da noite neste lance.

Gyökeres - Outra exibição superlativa. Marcou (11'), deu a marcar (60'), viu um golo limpo ser anulado (44'). Balanço provisório: 17 golos e sete assistências em 20 jogos. Uma máquina.

Nuno Santos - Quando entrou (61'), substituindo Quaresma, já estava amarelado: portou-se mal no banco ao reter uma bola. Quis redimir-se com um centro perfeito para Pedro Gonçalves (64').

Esgaio - Entrou aos 75', rendendo Geny, já exausto. Também teve sucesso a neutralizar Galeno, seu competidor directo. Viu um cartão amarelo desnecessário aos 90'+6.

Paulinho - Em campo desde o minuto 75, por troca com Edwards, até marcou um golo, aos 90'+3. Que o vídeo-árbitro Tiago Martins deu indicação para anular, de modo errado. Era golo limpo.

Daniel Bragança - Substituiu Morita aos 84'. Envolvido no lance do nosso segundo golo anulado, erradamente invalidado por suposta falta que não cometeu.

Trincão - Entrou aos 84', substituindo Pedro Gonçalves. Teve o mérito de ajudar a suster jogo quando já tínhamos uma vantagem confortável: o resultado estava construído.

Pódio: Gyökeres, Morten, Quaresma

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-FC Porto pelos três diários desportivos:

 

Gyökeres: 20

Morten: 20

Eduardo Quaresma: 19

Matheus Reis: 19

Geny: 17

Adán: 17

Morita: 17

Edwards: 16

Pedro Gonçalves: 16

Diomande: 16

Gonçalo Inácio: 16

Esgaio: 15

Nuno Santos: 15

Trincão: 13

Daniel Bragança: 13

Paulinho: 13

 

Os três jornais elegeram Gyökeres como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

De derrotar o FC Porto, em Alvalade, por-2-0. Quem disse que este Sporting de Rúben Amorim era incapaz de vencer equipas do seu escalão, como o SLB e a turma portista, equivocou-se. Como já se enganou em tantas outras matérias. Não triunfámos apenas: superámos largamente a equipa adversária, que no campeonato anterior nos tinha derrotado em casa por 1-2. Desta vez nem sequer fizeram nada para estar ao nosso nível: este clássico foi dominado em toda a linha pelo onze leonino.

 

De Gyökeres. Que gigante! Voltou a ser a figura do jogo, voltou a ser o melhor em campo. Marcou o primeiro, logo aos 11', com assistência de Matheus Reis: leva já mais golos marcados nesta temporada do que todo o ataque do FC Porto. Além disso assistiu Pedro Gonçalves no segundo, aos 60'. E ainda interveio em outros dois que acabaram anulados sem motivo válido: é ele quem a mete lá dentro aos 44' e constrói o lance que culmina com Paulinho a marcar aos 90'+2. Pepe tentou anulá-lo, sem conseguir.

 

De Morten. Outro excelente jogo do internacional dinamarquês, que funcionou como pêndulo colectivo, neutralizando o caudal ofensivo portista no corredor central. Impecável nos desarmes, utilíssimo nas recuperações. De jogo para jogo, vai dando cada vez mais consistência à nossa equipa.

 

De Diomande. Rúben Amorim apostou num trio de jovens centrais: à esquerda, Gonçalo Inácio (22 anos); à direita, Eduardo Quaresma (21 anos); ao meio, Diomande (20 anos). Ninguém diria que o internacional marfinense é tão novo, dada a maturidade que exibe em campo, tendo ocupado neste clássico a posição habitual do capitão uruguaio. Ganhou todos os lances aéreos, foi decisivo para banalizar o ataque portista.

 

De Eduardo Quaresma. Foi a grande surpresa do nosso onze: há três anos que não actuava como titular no Sporting. A súbita lesão de Coates proporcionou-lhe esta oportunidade - e o central formado na Academia de Alcochete correspondeu à aposta que o treinador fez nele, exibindo-se em grande nível. Venceu quase todos os confrontos com Galeno, o melhor extremo portista. Oportunos cortes e desarmes aos 14', 15', 22' e 24'. No corredor esquerdo, protagonizou magnífico lance individual que culminou lá na frente com assistência para golo de Gyökeres, anulado por indicação do VAR Tiago Martins. Injustiça manifesta: não havia motivo para esta invalidação. Já amarelado, saiu aos 61', sob forte e merecida ovação.

 

Do 1-0 registado ao intervalo. Resultado provisório que só pecava por escasso - e também injusto, pelo segundo golo anulado a Gyökeres sem motivo válido. Mas merecido, numa partida em que soubemos fechar bem os corredores e fomos claramente superiores no jogo interior. Com apenas uma intervenção de Adán, aliás decisiva: aos 45'+4, defendendo por instinto, com os pés, um remate de Galeno que levava selo de golo.

 

Da expulsão de Pepe. Já amarelado pelo árbitro Nuno Almeida, viria a receber ordem de saída aos 51'. Não com segundo amarelo mas com vermelho directo por óbvia agressão a Matheus Reis, que ficou a sangrar do rosto. Passámos a jogar com mais um durante os 50 minutos finais (incluindo 9 de tempo extra).

 

De ver o estádio cheio. Melhor casa até agora, nesta época 2023/2024: 44.385 espectadores nas bancadas. Condimento fundamental para a festa do futebol. 

 

De não sofrer golos. Tem sido facto raro, daí merecer destaque: mantivemos as redes intactas pelo segundo jogo consecutivo após a vitória contra o Sturm Graz, por 3-0, também em Alvalade. 

 

De ver o Sporting novamente isolado no comando do campeonato. Conservamos a liderança, mas agora sem nenhuma outra equipa em igualdade pontual. Com mais um ponto do que o Benfica (que ainda terá de jogar em Alvalade), mais três do que o FC Porto ontem derrotado e mais cinco do que o Braga. Rumo à conquista do campeonato: sempre acreditei que iríamos conseguir, acredito agora mais que nunca.

 

Do Natal verde. Quem disse que esta quadra festiva não é doce para nós? Enganou-se redondamente.

 

 

Não gostei

 

Da lesão de Coates. Uma súbita mialgia na perna esquerda, mesmo no fim do último treino antes do clássico, forçou o nosso capitão a ver o jogo da tribuna de Alvalade. Baixa de vulto que preocupou alguns adeptos. Mas sem necessidade. Diomande deu boa conta do recado.

 

De Pedro Gonçalves. É certo que marcou um golo, construído com Gyökeres, em que ele quase só teve de encostar. Mas falhou escandalosamente outros dois, revelando uma displicência que o torna irreconhecível para quem se lembra das suas exibições da saudosa época 2020/2021. Aos 64', permitiu a defesa de Diogo Costa. Aos 82', novamente muito bem servido pelo sueco, rematou ao lado. Nem parece o mesmo jogador.

 

Dos amarelos a Gonçalo Inácio e Morten. Estavam tapados com cartões, ficarão impedidos de participar na próxima jornada, em que visitamos o Portimonense. Duas baixas importantes no onze titular.

 

Dos dois golos anulados. Gyökeres aos 44', Paulinho aos 90'+2: ambos por intervenção do vídeo-árbitro, sem que se vislumbrasse qualquer justificação. Só assim o FC Porto evitou sair goleado de Alvalade.

 

Do comportamento rufia do FCP. Pepe agrediu Matheus Reis à cotovelada, acabou expulso. Taremi fez o mesmo com Gonçalo Inácio, ficando impune. Exemplos evidentes de conduta antidesportiva da turma portista, à imagem e semelhança do treinador Sérgio Conceição. Alguns adeptos do Sporting, totalmente baralhados, atrevem-se a chamar "intensidade" a coisas destas. Andam a ver o filme errado: isto nada tem a ver com desporto.

 

Dos "olés" nas bancadas, no segundo tempo. Não gosto nada destas manifestações de arrogância, por vezes vindas dos mesmos que logo rasgam a equipa ao menor desaire. Ganhámos um jogo importante, sim. Vencemos um clássico. Mas ainda não vencemos nada: apenas cumprimos a jornada 14. Convém ter o sentido das proporções. Toda a arrogância é má conselheira.

 

De Navarro. Jogou uns minutos pelo FC Porto, sem fazer nada. Inútil, uma vez mais. É o tal jogador que alguns exigiam, aos berros, que Frederico Varandas e Rúben Amorim trouxessem para o Sporting. Ainda bem que não veio.

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