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És a nossa Fé!

O jogo…

que no passado sábado fez trinta e oito anos.

(Sporting: 3 - Benfica: 1,  época 1981/1982)

No youtube pode encontrar um resumo deste jogo. (Ver aqui)

 

«Marques Pires apita para o jogo mais terrível da sua carreira. Os jogadores irrompem como feras acossadas e os primeiros dois minutos são disputados a alta velocidade como se a maratona se transformasse numa prova ao Sprint. Baroti e Allison, cada um em seu banco, permanecem silenciosos, como generais observando o movimento das tropas no campo de batalha. O ruído fica por conta das restantes quarenta mil gargantas.

Aos 12 minutos, numa bola junto da área do Sporting, Jordão toca para lá da linha de fundo. É pontapé de canto. Carlos Manuel marca com um pontapé sinuoso, que descreve uma curva larga, antes de se precipitar para a baliza. A bola sobrevoa Meszaros. Na linha de golo, Marinho cabeceia-a para longe, enquanto Humberto Coelho levanta os braços em festejo precoce. A trinta metros de distância, o fiscal de linha Rui Santiago levanta a bandeira e assinala ao chefe de equipa que a bola transpôs por completo a linha. Golo do Benfica.

«Garanto-lhe que a bola não entrou», exclama, ainda hoje, Marinho com indignação. «As minhas pernas estão dentro de campo e o corpo está alinhado na direcção do poste. Para mim, a validação do golo teve uma única explicação: o fiscal de linha tinha todos os adeptos do Benfica atrás de si, na bancada lateral. Assustou-se com os gritos e achou que foi golo.» A mesma percepção têm Meszaros, Lito e Eurico, jogadores próximos da jogada. Só Carlos Xavier intui que a bola terá cruzado a linha: «Em campo, fiquei com a ideia de que tinha entrado. E isso criou um ligeiro desnorte. Não é fácil entrar num jogo daqueles logo a perder na primeira ocasião do adversário.»

No Diário de Lisboa, Neves de Sousa sintetiza o sentimento geral de um derby que começa de forma tão peculiar, com um «tento que poucos viram [...], cortado de cabeça por Marinho, sem que alguém, em mundo terrestre, possa jurar pela saúde da mãezinha e com mão sobre a Bíblia, que o ex-futuro-próximo bracarense estava com a tolinha para além do risco de cal».

Eurico mora então em Ponte de Frielas e o árbitro Marques Pires gere uma pequena boutique, a Túlipa Negra, em Loures. Por acidente, encontram-se nos dias subsequentes ao jogo. «O próprio árbitro não sabia se a bola tinha entrado, mas o sinal do fiscal de linha fora categórico», lembra Eurico. «E o Marques Pires disse-me: “Por culpa desse lance, da dúvida se teria ajuizado bem, não andei seguro no resto da partida.” Julgo que esse lance interferiu com as restantes decisões porque o árbitro passou toda a primeira parte a remoer se teria validado um golo sem razão.»

Sete minutos mais tarde, com o Sporting a pressionar a equipa rival em busca da igualdade, dá-se novo lance controverso na área adversária. «O Frederico entrou de “carrinho” e derrubou-me», conta Lito. «A bola seguiu para o Manuel Fernandes que foi igualmente derrubado pelo Humberto. À segunda, o árbitro marcou mesmo penalty.»

Jordão tem agora a prova de fogo, o teste aos nervos. Pouco importam as grandes-penalidades falhadas no Inverno. Este é um dos penalties mais importantes da sua vida. E o avançado marca-o com muita calma, enganando Bento, o guarda-redes benfiquista. «Senti uma força enorme quando o Jordão empatou», acrescenta Carlos Xavier. «Acreditámos todos que éramos melhores e que ganharíamos o jogo.»

Com os nervos à flor da pele, as duas equipas precipitam-se para os balneários no intervalo. Da tribuna de honra, João Rocha despede-se por momentos dos convidados e desce à cabine. «O presidente chegou até nós, disse algumas palavras de circunstância e aumentou o prémio de jogo. Ali, naquela hora, no calor do momento», conta Nogueira.

Na segunda parte, o Sporting começa a assenhorear-se do jogo. Vem à superfície a superior preparação física dos jogadores e a capacidade de Virgílio, Ademar e Nogueira para controlar todo o meio-campo. Lito é, na opinião do Record, a «gazua que tudo abriu». O jogo fica mais partido. Menos jogadores recuperam quando as respectivas equipas perdem a posse de bola. Num contra-ataque rápido, Manuel Fernandes é lançado em profundidade. O capitão acelera até à bola ao mesmo tempo que o guarda-redes do Benfica desliza na sua direcção. O embate é inevitável. Bento chega uma fracção de segundo mais cedo e agarra a bola. O jogador do Sporting choca com o guarda-redes e toca-lhe com a bota na nuca. Segue-se uma cena que entra de rompante para a galeria do derby inesquecível da capital.

«O Bento sai desenfreado, como se estivesse louco, na direcção do Manuel Fernandes», conta Lito, o jogador mais próximo do lance. «Julgo que nem se lembrou que o jogo não fora interrompido. Ainda ouço o Manei a gritar-lhe: “Tem calma, tem calma!"» O guarda-redes do Benfica agride com um sopapo o avançado do Sporting dentro da área e depois cai em si, pontapeando a bola para fora e agarrando-se à cabeça. Muitos anos mais tarde, em 2003, Manuel Fernandes recapitulou o lance ao jornalista Luís Miguel Pereira: «Ele estava cego. Só me disse: “És sempre a mesma merda!” e bate-me na cara. Quando senti o toque, atirei-me para trás. Hoje posso confirmar que simulei um bocadinho. Percebi que aquela atitude podia “entregar-nos” um bocadinho o jogo.»

Como João Alves lembrará no próprio dia do jogo, Bento passara pelo mesmo num jogo traumático em Famalicão três anos antes, sofrendo então um pontapé que lhe rompera o couro cabeludo e o levara a desmaiar no aeroporto de Pedras Rubras. A recordação desse incidente terá sido mais forte. E é provável também que o guarda-redes internacional tenha ficado então convencido de que o árbitro assinalara grande penalidade pelo contacto original. Semanas mais tarde, ainda a quente, o capitão do Sporting reconhecerá: «Tive de me conter e lembrar-me que estava muito em jogo para não responder e não prejudicar a minha equipa.»

No final, Bento acusa de Manuel Fernandes de repetir golpe idêntico já tentado pela CUF em jogo contra o Barreirense: «Já estou farto de levar pontapés na cabeça. Ele fez um teatro dos diabos. No cinema, os actores também não se agridem e toda a gente fica com a sensação de que eles se agridem violentamente.» Marques Pires lamenta não ter tido opção e lembra para quem o quer ouvir que até é barreirense como o jogador expulso, mas não pode socorrer-se do bairrismo para salvar os compadres da terra. Nos dias seguintes, notícias fantasiosas sugerirão que a expulsão fora a estratégia do árbitro para eliminar a concorrência comercial da boutique de Bento à sua loja de decoração!

No outro extremo do campo, Eurico goza a performance. «Conheci bem os dois e garanto que não foi intencional o Manei deixar o pé para magoar o Bento, mas foi intencional ficar quietinho à espera do embate. Até parece que o estou a ouvir, com aquele grito muito dele: “Aiiiii!” Caiu «desmaiado» e depois, no solo, abria um olho para ver o que estava a acontecer e que sanção estava o Marques Pires a assinalar. É daquelas histórias que ficam para sempre. Ainda perguntou do chão para grande irritação dos adversários: “O gajo já expulsou o Bento?” E nós: “Já, já está. Podes levantar-te!”»

Também a Luís Miguel Pereira, Manuel Bento recordará, já sem amargura, a noite mais difícil da sua carreira - na sua versão, a avaliação do lance é afectada por um factor que não controlava: «Só me esqueci de uma coisa: o Marques Pires é sportinguista. Devia ter pensado nisso antes de me encostar ao Manei. Apesar de tudo, no dia seguinte, fui almoçar com o Manuel Fernandes e continuámos amigos como sempre fomos.»

O jogo define-se neste instante. Com menos um, forçado a gastar uma substituição para colocar o guarda-redes Jorge Martins em campo e ainda perante uma grande penalidade a desfavor, o Benfica cede. Com a mesma calma impassível, como se tivesse gelo a correr-lhe nas veias, Jordão bate o penalty para o lado esquerdo de Jorge, enquanto Bento percorre todo o relvado, na companhia de Júlio Borges, chefe do Departamento de Futebol do Benfica, vaiado como nunca fora na sua vida. Em A Bola, Carlos Pinhão sintetiza a estupefacção geral: «Um “Hara- -Kiri” de Bento Fez de um OK... um KO!»

Dezasseis minutos mais tarde, aos 78, Manuel Fernandes faz um passe maravilhoso para a direita, solicitando novo Sprint de Jordão. O avançado remata, Jorge defende sem nexo, mas atrapalha-se com Bastos Lopes. Sem nunca deixar de acelerar, Jordão continua a corrida e toca a bola para a baliza deserta. Está feito o resultado (3-1) no derby do «chá, porrada e alguma simpatia».

Festeja-se como nunca nos bastidores de Alvalade. Exausto pela montanha-russa de emoções, como se ele próprio tivesse devorado quilómetros sobre a relva, João Rocha segreda a Neves de Sousa: «Eu estava a precisar de uma coisa destas.» Em contrapartida, Jordão, o homem do jogo, escapa-se sem uma palavra, sem uma entrevista, enquanto os colegas celebram uma vitória épica. Do outro lado da barricada, Bento e o avançado brasileiro Jorge Gomes quase que se pegam nos corredores e a condenação do acto irreflectido é generalizada. Como grande senhor do desporto, Baroti cumprimenta todo o banco de suplentes do Sporting e reconhece o mérito da vitória - é, naquele momento, a transmissão da coroa do rei para o sucessor, mostrada por cinco câmaras de televisão.

Nos dias seguintes, o Benfica refugia-se numa fuga em frente. O derby dará que falar e antecipa uma era mais feia, de contestação aberta à arbitragem e incapacidade de isenção no comentário desportivo. O clube encarnado prepara um protesto, alegando que o árbitro, durante a refrega na área do Benfica, mostrara ao mesmo tempo o cartão vermelho a Nogueira, recuando de seguida na intenção. Marques Pires é chamado a explicar-se e lembra que, com o suor, os dois cartões - amarelo e vermelho - saíram de facto do bolso. Jorge Gomes chega a acusar o árbitro de «parecer esgazeado», sugerindo que «se Marques Pires tivesse ido a um controlo antidoping, teria dado positivo». A televisão chama Júlio Borges para uma longa exposição em directo sobre os casos do jogo - hoje, os especialistas em comunicação chamar-lhe-iam o spin da mensagem dominante. Rocha protesta e solicita idêntico tempo de antena.

No Atlântico Sul, inicia-se a Guerra das Malvinas, mas, em Portugal, nada mais importa para lá do jogo. Quando um navio de guerra britânico a caminho da Argentina se detém por algumas horas em Lisboa, os marinheiros pedem para conhecer Malcolm Allison. «Ficaram lá só um dia, mas fizeram questão de ir a Alvalade cumprimentar-me. Que emoção!», lembrou Allison a André Pipa. Uma vez mais, ao cumprimentar esses homens que em breve entrarão em combate, o treinador inglês reconhece que a vida tem problemas bem mais complexos do que um mero jogo de futebol.

Entretanto, mais de uma semana depois do derby, o Benfica organiza ainda uma conferência de imprensa inédita no Hotel Altis: pede a irradiação de Marques Pires e procura projectar num ecrã gigante os lances controversos do encontro. É a primeira aplicação genuína da imagem televisiva ao debate futebolístico, mas a exposição não corre bem. «A montagem dava-nos jogadores e bola bastante desfocados! Uma certa frustração percorre a sala», regista o repórter do Diário Popular.

Com sete pontos de avanço sobre a concorrência, o título de campeão nacional parece garantido, mas Alvalade está ainda para conhecer a última faceta de Malcolm Allison, o irreflectido.[*]»

 

[*]: Foram eliminadas as notas de rodapé que acompanham este texto.

In: ROSA, Gonçalo Pereira, 1975 - Big Mal & Companhia : a histórica época de 1981-1982, em que o Sporting de Malcolm Allison conquistou a Taça e o Campeonato. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2018. p.238-244

Começar mal, terminar pior

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Aqui fica o inventário minucioso dos erros cometidos pelos nossos jogadores no clássico de sexta-feira. Uma sucessão de disparates indignos de uma equipa com os pergaminhos do Sporting.

Justifica reflexão. Para que isto não se repita.

 

2' - Wendel, displicente, deixa que Gabriel lhe roube a bola, causando perigo.

3' - Wendel e Acuña travam-se de razões na sequência do lance anterior, claramente em conflito.

4' - Ataque prometedor do Sporting: Luiz Phellype, lento, tenta desviar com a coxa, mas a bola vai para cima. Assinalado fora de jogo ao brasileiro.

6' - Idrissa Doumbia compromete a construção ofensiva atirando a bola para fora naquilo que pretendia ser um passe mas esteve longe de o ser.

7' - Ristovski, pressionado, deixa a bola sair no início da construção.

8' - Camacho não consegue sair com a bola controlada na lateral direita, acabando por ficar sem ela.

12' - Ninguém marca Pizzi, que avança pela direita, faz duas simulações e dispara, para defesa muito apertada de Max.

15' - Wendel recebe, dá vários toques na bola sem a soltar, quase fica sem ela, e a oportunidade de ataque perde-se: o brasileiro opta por devolver ao guarda-redes.

16' - Idrissa Doumbia passa mal, atirando para fora.

20' - Atraso comprometedor de Ristovski para Max, gerando um canto absolutamente desnecessário.

21' - Idrissa Doumbia perde a bola em zona proibida.

26' - Passe longo de Ilori sem qualquer nexo, entregando a bola à linha defensiva encarnada.

28' - Passe de Ilori, mal medido, para a zona frontal. Idrissa Doumbia recebe de costas na saída de bola, ficando sem ela ao deixar-se antecipar por Gabriel.

29' - Max repõe mal, entregando a bola a um adversário.

30' - Wendel, na ala esquerda, perde a bola, deixando-se antecipar por Weigl. Força Acuña a falta que lhe custou o amarelo.

32' - Ilori volta a perder a bola no início da construção.

34' - Luiz Phellype, em clara posição de fora de jogo, leva à invalidação de um golo de Acuña.

35' - Idrissa Doumbia perde a bola no meio-campo ao atrapalhar-se com ela.

39' - Ristovski, com o corredor direito todo por sua conta, faz um passe sem qualquer sentido, entregando a bola a Vlachodimos.

55' - Ilori tenta progredir com a bola controla, mas fica rapidamente sem ela.

71' - Wendel, inexplicavelmente, perde a bola à entrada do meio-campo benfiquista.

73' - Novamente Wendel: agarra-se à bola, depois domina-a mal e desperdiça mais um lance ofensivo.

76' - Bruno Fernandes, isolado por Idrissa no corredor direito, adianta demasiado a bola e acaba desarmado.

77' - Luiz Phellype ganha a bola num confronto individual a meio-campo, mas atira-a para um lugar onde não está ninguém.

77' - Bruno Fernandes vence confronto individual e solta a bola, solicitando desmarcação de Luiz Phellype, que fica parado.

80' - Confusão na nossa grande área: Idrissa Doumbia e Mathieu falham intercepção de Vinícius, depois intromete-se Ilori, que não alivia, fazendo a bola ressaltar para Rafa. Golo do Benfica.

85' - Luiz Phellype, servido por Acuña, deixa-se desarmar por Rúben Dias.

89' - Wendel, isolado no meio-campo, perde a bola, originando ataque perigoso do SLB.

90'+2 - Mathieu entrega a bola a um adversário já perto da linha do meio-campo.

90'+4 - Plata deixa-se desarmar quando transportava a bola.

90'+9 - Corte defeituoso de Ilori possibilita o segundo golo do Benfica.

Rescaldo do jogo de ontem

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Foto minha, ontem, durante o jogo

 

 

Não gostei

 
 

De perder com o Benfica.  Segunda derrota em cinco meses frente ao nosso mais velho rival. Depois da goleada na Supertaça, no estádio do Algarve, ontem perdemos por 0-2 em Alvalade. Sete golos sofridos, nenhum marcado. Com dois treinadores. O da primeira derrota, Marcel Keizer, despediu-se praticamente com aquele péssimo resultado. Resta agora ver quanto tempo Silas irá aguentar.

 

Do onze inicial. Ter Battaglia (enfim recuperado) no banco e preferir Idrissa. Ter Neto já disponível e preferir Ilori. Ter Pedro Mendes enfim inscrito e preferir Luiz Phellype. Incompreensíveis opções do treinador para os titulares deste clássico. Nenhuma resultou.

 

Das péssimas construções ofensivas. Durante quase toda a primeira parte, a nossa saída com bola viu-se gorada em cerca de dois terços das situações devido à pressão alta exercida pelos jogadores do Benfica, obedecendo às instruções do seu treinador, Bruno Lage. Destaque pela negativa, neste capítulo, para Ilori, Wendel e Idrissa Doumbia.

 

Das substituições falhadas. Com o resultado em branco, aos 74', Lage apostou na vitória ao trocar Chiquinho por Rafa - arma secreta que saiu do banco e apontou os dois golos encarnados, aos 80' e aos 90'+9. Silas esperou demasiado para mexer na equipa, limitou-se a ser reactivo nas substituições e esteve mal nas trocas - Bolasie por Plata (79'), Idrissa por Pedro Mendes (86') e Camacho por Borja (90'+2).

 

De Ilori. Definitivamente, este jogador não tem categoria para integrar o plantel do Sporting. Os dois golos que sofremos nascem de erros dele - o primeiro ao propiciar que Rafa se apoderasse da bola numa série de ressaltos em zona proibida, o segundo ao entregá-la com um corte defeituoso. Há sete anos, fez questão de abandonar o Sporting, mostrando extrema ingratidão pelo clube que o formou. Agora somos nós que fazemos questão de que ele saia. Quanto mais cedo melhor.

 

De Idrissa Doumbia. Andou errante no primeiro tempo, parecendo sempre fora de posição, e demonstrou muita dificuldade em receber a bola e distribuí-la com critério. Impressiona, a sua debilidade no capítulo técnico - sobretudo num jogo desta dimensão, contribuindo para a intranquilidade da equipa. Tentou o golo, aos 63', mas sem pontaria.

 

De Wendel. Terá sido ontem o campeão dos passes falhados, em zonas cruciais do terreno. Silas mandou-o posicionar-se em linha com Idrissa na posição de médio defensivo - missão que não parece agradar ao brasileiro. Logo aos 2', numa perda de bola, permitiu que Gabriel se infiltrasse na nossa área. Aos 30', ao desinteressar-se de um lance junto à ala esquerda, foi ele a forçar Acuña a fazer falta para cartão amarelo. Revela défice de combatividade, sobretudo nas situações de bola disputada, em que parece fugir do contacto físico.

 

De Luiz Phellype. Voltou a ser uma nulidade, como já tinha acontecido frente ao FC Porto e ao V. Setúbal. Parece esconder-se do jogo: está sempre onde não é necessário e falha nos momentos cruciais. O cúmulo da sua ineficácia aconteceu aos 34', quando estava em claríssimo fora-de-jogo: procurou desviar a trajectória da bola disparada por Acuña, que foi certeira para o fundo das redes, sem conseguir tocá-la, mas interferindo no lance ao ponto de tornar ilegal o golo. Aos 57', viu um cartão amarelo (que bem podia ter sido vermelho) por uma falta absolutamente desnecessária muito longe de uma zona de perigo. Lento, apático, pesado, é sem dúvida um dos protagonistas deste fracassado Sporting 2019/2020 no terreno de jogo.

 

Do pavor que se apodera da equipa em cada lance de bola parada defensiva. Quase todos os jogadores do Sporting tremem nestas ocasiões, algo absolutamente incompreensível. Apetece perguntar o que fazem nas sessões de treino. E onde estão os especialistas em motivação competitiva e apoio psicológico prometidos pelo presidente da SAD no início da época.

 

Do árbitro Hugo Miguel. Deixou sem punir dois jogadores encarnados em faltas muito duras sobre Bruno Fernandes: primeiro o inimputável Pizzi, aos 38', que travou à margem das leis de jogo uma arrancada do nosso capitão que prometia terminar em golo; depois Gabriel, que agrediu Bruno com a mão no baixo ventre. A impunidade do costume: em termos disciplinares, o Benfica continua a ser um caso à parte, eternamente protegido pela arbitragem portuguesa. O caso só muda de figura quando joga nas competições da UEFA.

 

Da insegurança no Estádio José Alvalade. É inadmissível que os agentes policiais proíbam os espectadores que pagam os seus bilhetes de entrarem com bolos e sandes enquanto fazem vista grossa à entrada de material pirotécnico, como ontem sucedeu, levando à interrupção do jogo durante quase seis minutos e à debandada de muita gente que se encontrava nas bancadas, sobretudo com filhos menores, enquanto o relvado ardia e milhares de pessoas eram forçadas a inalar fumos tóxicos.

 

Da segunda derrota consecutiva em casa. Após termos cedido os três pontos frente ao FCP, aconteceu agora o mesmo contra o SLB. E ainda só estamos na primeira volta. Na segunda, teremos de ir a Braga, a Guimarães, a Vila do Conde, a Famalicão, ao Dragão e à Luz. De momento temos mais derrotas do que Benfica, Porto, V. Guimarães, Famalicão, Gil Vicente, Boavista, Marítimo e V. Setúbal.

 

 

Gostei

 

De Rafael Camacho. Exibição muito positiva do jovem extremo de 19 anos que veio do Liverpool no Verão passado. Desta vez actuou como titular e fez jus à prova de confiança que o técnico nele manifestou. Imperou no corredor direito, sobretudo na primeira parte, destacando-se igualmente em tarefas defensivas. Foi protagonista das duas únicas ocasiões de golo do Sporting: aos 13', levou a melhor no duelo com Ferro e rematou com força, levando a bola a embater no poste; aos 33', cabecou como mandam as regras à boca da baliza, forçando Vlachodimos a uma grande defesa. No segundo tempo, aos 65' e 66', protagonizou excelentes jogadas de ataque do Sporting.

 

De Acuña. Mesmo condicionado por um cartão amarelo quando ainda faltava mais de uma hora de jogo, não esmoreceu nem deixou de se entregar à luta. Foi sempre um dos elementos mais desequilibradores da nossa equipa e um dos raros que se mantiveram em bom nível do princípio ao fim. Merecem destaque uma recuperação de bola aos 6', um cruzamento perfeito para a cabeça de Camacho aos 33' e o golo que chegou a marcar no minuto seguinte, também num centro a partir da esquerda, invalidado por fora de jogo posicional de Luiz Phellype. Infelizmente, o cartão amarelo que o argentino viu nesta partida deixa-o fora da meia-final com o Braga para a Taça da Liga, já na próxima quarta-feira.

 

De Mathieu. Persiste em ser uma das escassas referências de qualidade no onze titular leonino. Destacou-se numa sucessão de cortes providenciais - aos 8', 29', 37', 56', 62' e 79'. Mesmo ao cair do pano, já aos 90'+8, tentou o golo com um remate acrobático que saiu ao lado. O internacional francês bem o teria merecido.

 

De Max. Sem responsabilidade nos golos sofridos, esteve em bom nível ao travar um tiro de Pizzi aos 12' e ao desviar para cima da baliza um cabeceamento de Gabriel, à queima-roupa, na sequência de um canto, aos 21'.

 

De Bruno Fernandes. Terá sido o seu último jogo de verde e branco em Alvalade? Se foi, merecia seguramente outro cenário. Sem tochas arremessadas para o relvado nem incêndios nas bancadas, sem greve aos aplausos promovida pelas duas claques leoninas durante o primeiro tempo, sem as faltas impunes que foi sofrendo ao longo da partida e sobretudo sem este triste resultado, que em nada se coaduna com o seu valor.

O inimigo dentro de casa

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Imagens do estádio José Alvalade, esta noite, no início da segunda parte do Sporting-Benfica. Na curva sul, local cada vez mais mal frequentado, assim que soou o apito para o recomeço da partida começaram a voar petardos, tochas e potes de fumo sobre o relvado, caindo junto à baliza à guarda de Luís Maximiano.

 

Parecia a reedição do ataque contra Rui Patrício, em Maio de 2018 - por coincidência ou talvez não, também num Benfica-Sporting. Houve incêndios nas bancadas e no relvado, o estádio cobriu-se de densos fumos tóxicos e o árbitro viu-se forçado a suspender a partida durante quase seis minutos. Quando as duas equipas estavam empatadas a zero. No extremo oposto, os adeptos benfiquistas gozavam o prato, como se estivessem de visita à aldeia dos macacos. Naquele momento ficou bem evidente que não precisamos de inimigos externos: o maior inimigo está dentro de casa.

Os jogadores do Sporting, ao verem que os supostos adeptos os brindavam novamente daquela forma incendiária durante o confronto com os nossos mais velhos rivais, não esconderam o seu desalento, bem patente na linguagem corporal durante o interminável interregno, enquanto se combatiam as chamas e se procurava dissipar parte do fumo. Eles sabem, melhor do que qualquer de nós: estes actos criminosos que ameaçam a tranquilidade e a segurança de milhares de cidadãos civilizados que pagam bilhete para verem um espectáculo desportivo derivam do mesmo caldo de cultura que originou o ataque à Academia de Alcochete. Onde o ovo da serpente foi chocado.

 

De alguma forma, o jogo terminou naquele momento. Muitas pessoas - várias com filhos menores - abandonaram prematuramente o estádio, onde o Sporting acabaria por sair derrotado (0-2). Mas desta vez a derrota em campo, perante o sucedido nas bancadas, é o que menos interessa. O que importa sublinhar é este deplorável facto: há um grupo ultra-minoritário ligado a uma claque entretanto extinta que insiste em transformar cada partida de futebol do nosso clube num cenário de guerra. Para esta escumalha, que aposta literalmente na política de terra queimada, quanto pior melhor.

Não estamos já só perante um problema do Sporting: este é um problema do desporto português e da sociedade portuguesa ao qual o Governo, a Federação de Futebol e a Liga de Clubes não podem continuar a fechar os olhos, assobiando para o ar. A menos que estejam à espera que um dia destes ocorra uma tragédia num estádio para desatarem todos a chorar lágrimas de crocodilo.

Hoje à noite em Alvalade

Hoje à noite e na sua casa, a equipa do Sporting entra em campo para ganhar mais um clássico e dar uma grande alegria aos milhões de sócios e adeptos espalhados pelo mundo.

Silas ainda não tornou pública a lista de convocados, imagino que seja mais ou menos a seguinte:


Guarda-redes: Luís Maximiano e Diogo Sousa.

Defesas: Ristovski, Ilori, Mathieu, Quaresma, Borja e Acuña.

Médios: Battaglia, Eduardo, Bruno Fernandes, Wendel e Doumbia.

Avançados: Plata, Camacho, Jesé, Bolasie, Luiz Phellype e Pedro Mendes.

 

Assim, enquanto esperamos pela noite de hoje, gostaria de vos perguntar o seguinte:

Silas à parte, e com os jogadores convocados, qual seria o vosso onze e qual a disposição do mesmo em campo?

SL

Não chamem "derby" ao clássico

Não há jogo mais clássico no futebol português do que um Sporting-Benfica. É um disparate chamar-lhe derby, preferindo uma expressão inglesa (aliás originalmente relacionada com corridas de cavalos), desgraduando-o desse nobre patamar de clássico.

Um disparate ainda maior quando proferido por sportinguistas. Ao justificarem a designação derby por envolver "duas equipas da mesma cidade", cometem dois erros: equiparam o Sporting-Benfica a um Boavista-FC Porto; e esquecem que o Sporting não é um clube de bairro, nem de cidade: como o nome indica, é um clube de Portugal.

Vamos lá deixar-nos de estrangeirismos. Se este jogo não for um clássico, nenhum outro é.

Quando chegámos a equipa estava em nono lugar...

E agora, depois de cinco derrotas em diferentes palcos, estamos em quarto lugar na Liga... e fora da Taça de Portugal. A 16 pontos do Benfica e a 12 pontos do Porto. 

Ontem contra o Porto, também ele muito pressionado pelo seu atraso na corrida ao título, tivemos talvez os melhores 25 minutos da época, com uma asa esquerda composta pelos dois argentinos, Acuña e Vietto, que no início da segunda parte fez miséria. Só com mesmo muita falta de sorte, de cinco grandes oportunidades não conseguimos os golos que nos dariam a vitória. Mas depois a habitual incompetência da equipa na defesa dum canto deitou tudo a perder. 

E assim perdemos um jogo mais importante do que os três pontos em disputa, porque serviria de conforto a todo o universo verdadeiramente Sportinguista nestes tempos complicados.

Com Silas, o Sporting é essencialmente uma equipa de meio-campo, se calhar à imagem do Silas jogador. Preocupa-se com a construção, com a posse de bola, não quer ter pressa, joga bem quando tem espaço e tempo para isso, tem Mathieu, Coates, Bruno Fernandes, Acuña e Vietto, que resolvem por si mesmos muita coisa, mas falha nas duas áreas, sofre golos mais que evitáveis e precisa de muitas oportunidades para marcá-los. 

Com Silas, o Sporting não joga para o ponta de lança. Parece preferir um esquema com avançados móveis, sem um ponta de lança declarado e muitos centros para ninguém. Ontem entrou o LP, mas o Pedro Mendes (médio esquerdo na Áustria) ficou na bancada. Quando foi preciso correr atrás do prejuízo, entraram três avançados móveis. E o Porto passou a gerir tranquilamente o jogo. No Jamor, com Keizer, entrou Bas Dost como segundo ponta de lança que logo complicou a marcação dos centrais do Porto e marcou.

No final do jogo ouvi Silas falar mais uma vez na necessidade de mais gente para ajudar, para aumentar a competitividade interna do plantel, e francamente continuo a achar que está a ver o filme errado. O Sporting não precisa de mais "Jesés" para tornar os treinos mais interessantes e irem rodando no onze. 

Sem grandes hipóteses de chegar aos lugares de acesso à Champions, o Sporting precisa é de rever em baixa os objectivos para este ano, concentrar-se na conquista do terceiro lugar da Liga, no acesso a uma fase avançada da Liga Europa, na reconquista da Taça da Liga pelo menos para moralizar tudo e todos, e, bem importante, preparar o plantel do próximo ano. Precisa de manter até ao final da época os craques existentes, apostar todas as fichas disponíveis num qualquer Acosta/Jardel/Liedson que marque mesmo muitos golos, e transforme positivamente a equipa, e dar minutos a jogadores como Camacho, Plata, Pedro Mendes, Matheus Nunes, Rodrigo, e algum outro mais dos sub-23.

Como Jesualdo Ferreira já se foi e Leonardo Jardim e Marco Silva nada têm de malucos, então que fique Silas a fazer o melhor que pode e sabe. Oxalá tenha também internamente toda a ajuda de que necessita (que Keizer não teve), mas o que aí vem não augura nada de bom, e podemos então ler que "e quando partimos a equipa estava em ... "

O que pouco ou nada interessa, se aqueles objectivos não forem cumpridos.

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 
 

De termos sido derrotados pelo FC Porto no nosso estádio (1-2). Fomos superiores à turma portista, mas a equipa visitante foi mais feliz. Marcou logo aos 6', no primeiro lance ofensivo que protagonizou, e fechou o resultado aos 73', num lance de bola parada. Beneficiando, em ambos os casos, de graves erros defensivos do Sporting.

 

Que o árbitro tivesse perdoado um penálti ao Porto.  Aos 23', Alex Telles travou Bolasie à margem das leis, em zona proibida. O senhor Jorge Sousa fez vista grossa. Nada que deva surpreender-nos. O coração deste apitador só tem duas cores: azul e branco.

 

De ver tantas oportunidades desperdiçadas. A nossa segunda parte foi um festival de golos falhados. Aos 49, lançado por Bruno Fernandes, Vietto rematou ao ferro lateral. Aos 55', a centro de Acuña, Luiz Phellype cabeceou a rasar o poste antecipando-se aos centrais portistas. Aos 58', correspondendo a novo cruzamento do compatriota, Vietto rematou de primeira também ligeiramente ao lado. Aos 62', outro desperdício de Vietto, a rematar cruzado levando a bola a fazer uma tangente ao segundo poste. Aos 63', perante nova solicitação de Acuña, o protagonista pela negativa voltou a ser Vietto, fazendo a bola sobrevoar a trave. Aos 85', na sequência de um canto apontado por Bruno Fernandes, Coates falhou por centímetros, cabeceando à barra. Não há volta a dar: sem meter a bola lá dentro as vitórias são impossíveis.

 

Da ausência de Pedro Mendes. O ponta-de-lança alternativo a Luiz Phellype está enfim inscrito nas competições nacionais. Mas Silas decidiu prescindir dele, devolvendo-o à Liga Revelação, onde Pedro Mendes voltou a destacar-se, marcando mais um golo - o 15.º nessa competição. Leva já 16 marcados nesta temporada, contando com o que fez ao PSV para a Liga Europa. Estranhamente, permanece fora da equipa principal.

 

De Ristovski. Má exibição, com responsabilidade evidente no primeiro golo, deixando Marega movimentar-se como quis. Foi pelo seu flanco que o FCP fez sempre as incursões mais perigosas, nomeadamente por intermédio de Nakajima. O macedonio foi, de longe, o elemento mais permeável do nosso quarteto defensivo. Enquanto Acuña brilhava no corredor contrário.

 

Da reacção de Silas. Ao contrário do que tem sucedido noutros jogos, desta vez o técnico leonino demorou a mexer na equipa e nenhuma das substituições que fez resultou. Trocar Ristovski por Camacho e Idrissa por Plata aos 79', fazendo recuar Bruno Fernandes para a posição de médio defensivo, nada trouxe de positivo. É certo que estes suplentes utilizados funcionaram como talismã contra o Portimonense, mas não há dois jogos iguais.

 

De Jesé. Continua a ser um mistério, a contratação deste espanhol que parece ter um brilhante futuro atrás das costas. Entrou aos 87', substituindo o dinâmico Bolasie, e destacou-se apenas por ter visto um cartão amarelo por falta absolutamente desnecessária, contra um adversário que até tinha perdido a bola. Uma falta que em nada abona a favor da inteligência táctica do espanhol. Podemos chamar-lhe muita coisa, menos um reforço.

 

Que se tenha quebrado a tradição. Há 12 anos que o FC Porto não vencia um jogo em Alvalade. Quando Jesualdo Ferreira comandava a equipa azul e branca e Paulo Bento treinava o Sporting. Terminou esse enguiço, infelizmente para nós.

 

Da descida na classificação. Fomos ultrapassados no terceiro lugar pelo Famalicão. Vemos agora o Benfica a 16 pontos e o FCP a 12.

 

Do hino alternativo que ficou por tocar. A Direcção leonina decidiu esperar pelo apito inicial do árbitro para fazer soar os acordes iniciais d' O Mundo Sabe Que, aliás logo interrompidos, levando os adeptos a entoar este cântico sem suporte musical nem a respectiva letra reproduzida nos ecrãs do estádio, tudo isto enquanto o jogo já decorria. Uma imbecilidade sem nome.

 

Dos energúmenos da Curva Sul. Assobiaram os jogadores, insultaram o presidente, negaram incentivo à equipa durante toda a primeira parte. E no segundo tempo divertiram-se a mandar tochas incendiárias para o relvado, com o jogo a decorrer, confirmando as tendências pirómanas que já lhes conhecíamos. São os mesmos de sempre. Letais ao Sporting.

 

 

Gostei

 

Da nossa exibição. Os erros pontuais, com destaque para os que nos custaram os dois golos, não invalidam que o Sporting tivesse sido a melhor equipa em campo. O resultado é lisonjeiro para o FC Porto, que dispôs de menos oportunidades e sai de Alvalade como um vencedor feliz.

 

De Luís Maximiano. Podia ter feito mais nos lances dos golos sofridos, mas teve intervenções absolutamente decisivas em dois momentos, aos 75' e aos 90'+2, impedindo Luis Díaz de rematar com sucesso em ambas as ocasiões.

 

De Acuña. O melhor em campo. Se alguém não merecia perder este jogo, foi ele. Autor do solitário golo do Sporting, aos 44', fuzilando Marchesin num remate indefensável, de um ângulo muito difícil, após assistência de Vietto. A recuperação de bola, neste lance, foi dele também. Tal como dos pés dele nasceram os cruzamentos mais perigosos da nossa equipa. No capítulo defensivo, o craque argentino cumpriu igualmente com distinção.

 

Da assistência. Apesar do frio, apesar das péssimas arbitragens que teimam em desequilibrar os campos, apesar de não vencermos um campeonato profissional de futebol há quase 18 anos, não desistimos. Hoje estivemos mais de 41 mil em Alvalade.

Estamos nisto sozinhos?

Hoje o Sporting perdeu. Jogou o suficiente para não perder mas perdeu. É a dura realidade. Acabamos esta jornada de volta ao quarto lugar, a dezasseis pontos do primeiro lugar e a doze do segundo. Não faz sentido atirar a toalha ao chão mas também não faz sentido andar a fazer sugar coating.

Para mim, a grande derrota da noite não foi em campo. Foi no momento imediatamente a seguir. Alex Telles devia ter sido expulso ainda na primeira parte. Nem falta Jorge Sousa assinalou. E nós nem um piu. Silêncio, calados, resignados, vergados.

 

Eu, como outros Sportinguistas, não preciso que a direção critique a arbitragem para saber se foi boa ou má. Mas, depois de um fim-de-semana onde há um penalty não assinalado de Rúben Dias e uma expulsão perdoada a Alex Telles, é deprimente ver Sportinguistas a dar o peito, olhar para trás e não ver ninguém. É deprimente perceber que não exigimos que nos respeitem.

Eu acredito que esta direção ainda pode dar muitas alegrias ao Sporting. Mas não é aceitável que não exija o respeito dos restantes stakeholders do futebol português. Termos Sportinguistas lixados (com F) com isto e ver a direção calada é pior que um murro no estômago. É uma chapada da dura realidade. Estamos nisto sozinhos?

Sporting 2020

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O nosso Sporting chegou ao final de 2019 um pouco como começou, numa instabilidade permanente decorrente das sequelas do assalto a Alcochete, algumas das quais estão ainda longe de terminar, mas, apesar de tudo, com um conjunto de títulos importantes, no futebol e nas modalidades, que muito nos alegraram e valorizaram o museu do clube.

A vitória na Taça de Portugal, derrotando no caminho os rivais Benfica e Porto, foi a maior dessas conquistas no que ao futebol diz respeito. Teríamos de andar muito para trás no tempo para encontrar maiores conquistas, o último campeonato ganho data de 2002 com Lazlo Boloni como treinador e Dias da Cunha como presidente, e a última taça europeia de 1964 (estivemos quase quase em 2005, com Peseiro e Dias da Cunha, de ganhar ambas...).

O Sporting arranca para este novo ano numa posição excelente ao nível das modalidades,  com as quatro grandes modalidades de pavilhão a bater-se pelos títulos internos e bons desempenhos nas competições europeias, e alguns treinadores, capitães e atletas de eleição, do melhor que alguma vez tivemos.

Mas no que respeita ao futebol estamos naquela situação que não é carne nem é peixe, num 3.º lugar quase igualmente afastado dos dois primeiros que lutam pelo título e pela Champions, e dos outros dois que lutam pela Liga Europa, no fundo o lugar que reflecte os orçamentos em presença e a estabilidade directiva e técnica dos respectivos clubes. Suspeito que, com mais ou menos dificuldades e mais ou menos pontos, será assim que terminaremos a época, quanto a títulos talvez a Taça da Liga, ou se calhar nem isso. E mais uma vez fora da Champions.

Estamos nesta situação porque não houve capacidade financeira nem competência na gestão para reforçar a equipa que levantou a Taça no Jamor, simplesmente se deixou o treinador vencedor entregue à sua sorte, retirando-lhe peças que julgava importantes, e se foi tomando à sua revelia decisões estranhas e aparentemente divorciadas dos técnicos contratados para terem uma opinião na matéria.

Vamos então ter um início de 2020 bem complicado. Defrontamos quase de seguida Porto, Benfica, Braga, Porto (talvez) e outra vez Braga. E vamos defrontar também um mercado de Inverno do qual pouco de bom se pode esperar. Com este treinador e este plantel, não vale a pena agora "bater mais no ceguinho".

Vamos esperar que todos honrem o lema do Sporting, façam das fraquezas forças e consigam as vitórias de que muito precisamos.

E no domingo todos a Alvalade !!!

SL

Keizer ou não, eis a questão (parte 2)

A final do Jamor vai decidir tudo, mas ontem Keizer demonstrou mais uma vez que merece continuar como treinador do Sporting e que nos pode conduzir aos sucessos.

Até ao disparate de B. Gaspar/Borja só deu Sporting. Depois disso ainda conseguimos o golo numa bela jogada ao primeiro toque mas os minutos foram passando demasiado devagar.

Mas não é só por isso.

É também porque Keizer é um senhor. Como também Lage tem demonstrado que o é.

Sérgio Conceição é um labrego de mau perder, que ontem tentou pôr fora do Jamor, à má fila, Acuña e Bruno Fernandes, e que pôs a mão na cara ao nosso Renan (se calhar lembrando-se da segunda parte do Estoril-Porto do ano passado, onde foi Renan contra 11).

Azar dele. Ficou o Corona de fora. Péssimo actor, de facto.

Que se repita a cena canalha de Braga na final da Taça da Liga, é o que eu lhe desejo.

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 
 

De terminar o campeonato com uma derrota. Podíamos ter saído do Dragão com três pontos. Esteve quase a acontecer: aos 79', vencíamos por 1-0. Infelizmente deixámos a equipa adversária dar a volta ao resultado, com golos de Danilo e Herrera quase ao cair do pano. Do mal o menos: estávamos em terceiro antes deste clássico, mantivemo-nos em terceiro na despedida do campeonato 2018/2019. Na primeira volta, em Alvalade, tinha-se registado um empate a zero frente ao FCP. Falta o mais importante: a final da Taça, daqui a uma semana. Também contra o Porto.

 

De jogar com menos um durante mais de uma horaFábio Veríssimo, em decisão do vídeo-árbitro Luís Ferreira, exibiu o cartão vermelho a Borja aos 19', desfalcando ainda mais a nossa defesa - já sem Coates e Ristovski, ausentes por castigo. Apesar disto, a equipa deu uma boa resposta, unindo-se no essencial e adiando o mais possível o resultado negativo que se registou no final.

 

De Bruno Gaspar. Voltou a ser titular, após longa lesão, entrando no onze devido à ausência forçada de Ristovski. Muito intranquilo nos minutos iniciais, em que se viu ultrapassado mais de uma vez por Soares e Marega, cometeu um enorme disparate aos 17', num atraso mal medido e totalmente desnecessário: deixou a bola à mercê de Corona, obrigando Borja a cometer a falta que levou à expulsão. Voltou a demonstrar que não tem categoria para integrar o plantel leonino.

 

Da nossa inoperância ofensiva na primeira parte. Nem um só remate leonino à baliza da equipa anifitriã. Nem o facto de termos jogado mais de metade desse tempo com menos um pode servir de desculpa.

 

Do quarto de hora final. Fomos incapazes de segurar a vitória tangencial no momento de maior pressão do FC Porto, quando Danilo já tinha feito embater uma bola na barra, aos 73': seis minutos depois, numa jogada de insistência, o internacional português marcou mesmo e aos 87' o capitão mexicano dos portistas virou o resultado, fixando o 2-1 final. Destaque pela negativa, neste último lance, para Ilori, então a actuar como lateral direito, perdendo o duelo com Herrera.

 

Da agressão de Corona a Acuña, quase no fim. Felizmente o árbitro mostrou-lhe o vermelho: o mexicano ficará fora da final no Jamor.

 

Das poupanças em dose mínima. Marcel Keizer limitou-se a deixar no banco Raphinha, substituído por Diaby, e Wendel, que deu lugar a Petrovic. Podia ter evitado que outros jogadores se desgastassem - nomeadamente Acuña e Bruno Fernandes. Já a pensar na final da Taça - objectivo supremo do Sporting para culminar a época.

 

Deste fim de ciclo. Com esta derrota, pusemos fim a um longo período de 14 jogos sem perder.

 

 

 

Gostei

 

 

De Mathieu. Exibição impecável do central francês, novamente o melhor Leão em campo. Patrão incontestado da nossa defesa, cortou tudo quanto havia para cortar (30', 59', 65', 70', 71'). Aos 85', salvou um golo na linha de baliza, num salto providencial que lhe permitiu travar de cabeça uma bola que se encaminhava para o canto superior esquerdo das nossa redes. Espero que permaneça em Alvalade na próxima temporada.

 

De Renan. Três enormes defesas do nosso guarda-redes foram adiando os golos do FCP e enervando a equipa treinada por Sérgio Conceição. Aos 42', voou para impedir que Herrera concretizasse de livre directo. Aos 78', impediu Danilo de marcar num remate rasteiro. Aos 84', travou com o pé esquerdo um tiro de Aboubakar à queima-roupa. Sem culpa nos golos. Exibição muito positiva.

 

De Luiz Phellype. Confirma-se: temos goleador. O brasileiro que foi reforço de Inverno marcou o oitavo, iam decorridos 61', pondo o Sporting em vantagem. Saiu aos 68', dando lugar a Bas Dost, para evitar maior desgaste físico. Mas parece certo que será ele o titular como ponta-de-lança na final da Taça.

 

De Acuña. O argentino voltou a fazer duas posições. Começou como ponta esquerda e recuou para lateral após a expulsão de Borja. Mais contido do que é habitual, manteve no entanto a qualidade técnica e posicional a que nos habituou. É ele quem constrói o nosso golo, em dois tempos: ao recuperar a bola e iniciar a manobra atacante e ao assistir para o remate vitorioso de Luiz Phellype. Seria óptimo que - ele também - permanecesse de verde e branco na próxima época.

 

Que Raphinha e Wendel tivessem sido poupados. Antes assim: estarão mais frescos para alinhar no sempre difícil relvado do Jamor.

 

Do nosso grau de aproveitamento ofensivo. Uma oportunidade, um golo concretizado. Oxalá esta percentagem acontecesse com muito mais frequência.

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