Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Perdemos 3-0 contra o Porto, so what?

Alguém recordava hoje, numa rede social, que na época 1999/2000, o Sporting também foi jogar ao Porto na primeira volta e perdeu igualmente por três secos. 

E concluía a evocação notando que, no final desse campeonato, o campeão foi...o Sporting!

De 2000 para cá muita coisa mudou, mas esta idiossincracia, tipicamente sportinguista, de avistar, ao cabo de cinco pontos perdidos, o adeus ao título, ou outro qualquer desfecho catastrofista, permaneceu inalterada.

Rúben Amorim não é sportinguista, felizmente para nós!

O mister, muito habituado a ganhar e a disputar as frentes todas até ao fim, - forma de estar que trouxe para Alvalade e que tem incutido nos seus jogadores - não vai soçobrar, como o típico adepto leonino, com este arranque em falso.

Continuo a colocar as minhas esperanças na equipa. Como diria Mourinho noutros tempos, «fiquei frustrado com a derrota, já que queria ganhar. Mas alguém vai ter de pagar. Certamente será o próximo.» Portanto, não concebo outra resposta que não uma vitória categórica frente ao Chaves.

Isto só agora começou...

Adán e Porro em noite para esquecer

FC Porto, 3 - Sporting, 0

 

Primeiro clássico da temporada. Correu-nos mal. Viemos do Porto com uma derrota pesada - e que podia ter sido maior ainda se o árbitro não tivesse anulado um golo limpo à turma da casa, quase ao cair do pano. Numa partida em que as oportunidades de golo até se equivaleram. Mas a diferença fundamental esteve entre os postes: Adán fez talvez a pior exibição desde que está no Sporting enquanto o jovem Diogo Costa, novo titular da selecção nacional, brilhou na baliza portista, negando por três vezes o golo aos nossos.

Morita - para mim o melhor Leão em campo - pôs os anfitriões em sentido com um remate de pé esquerdo que levou a bola a embater no poste logo ao minuto 11. Ainda na primeira parte, o guardião azul e branco impediu que Trincão e Gonçalo Inácio marcassem. Já no declinar da partida, aos 83', travou um tiro de Fatawu que também levava selo de golo. 

 

Este foi o primeiro jogo do Sporting sem Matheus Nunes, que entretanto já se estreou pelo Wolverhampton (derrota por 1-0 frente ao Tottenham). Mas o grande problema da equipa não esteve na ausência do luso-brasileiro, que rendeu de imediato 45 milhões de euros aos cofres leoninos. Voltámos a pecar por lapsos defensivos, na linha do que já havia ocorrido nos desafios da pré-temporada. Em três jogos oficiais do campeonato, sofremos seis - dois em média por partida, números impensáveis para uma equipa que sonha com o título.

Neste aspecto, nota muito negativa para Porro. Que anteontem fez tudo mal no Dragão: perdeu a bola, errou atrás de passes, desperdiçou um golo de bandeja que Trincão lhe ofereceu e - cereja em cima do bolo - cometeu um penálti absolutamente disparatado ao desviar a bola com a mão em cima da baliza, com Adán fora dos postes. Fazendo-se expulsar pelo árbitro Nuno Almeida. Nessa altura, aos 75', o jogo estava 1-0. Foi penálti, que o FCP converteu. A partir daí, com menos um, o Sporting resvalou de mal a pior.

Desta vez nem as substituições saíram bem ao treinador, batido em termos tácticos pelo sólido losango que Sérgio Conceição instalou no meio-campo, pautando o ritmo da equipa: os da casa aceleraram quando era preciso e concederam a iniciativa ao Sporting quando lhes interessavam. Sem nunca perderem a supremacia. 

 

Confirma-se: este Sporting de início de temporada - privado de Palhinha, Tabata e agora Matheus Nunes - tem um plantel curto para as frentes em que está envolvido. O que vai notar-se sobretudo quando começarem as nossas partidas da Liga dos Campeões. Falta um central, falta um médio defensivo, falta um ponta-de-lança. E talvez falte também um bom guarda-redes suplente, como há muito venho alertando.

Algumas destas lacunas ficarão colmatadas com a promoção de jovens da formação? É duvidoso. Outras serão resolvidas até ao fecho do mercado ainda em curso? É bem provável.

Agora há que digerir esta derrota no grupo de trabalho. E pensar já no próximo desafio, contra o Chaves. Jogo a jogo, como Amorim dantes dizia. É assim que devemos pensar - e não de outra forma. Lembrando que no fim de Agosto do ano passado quem liderava o campeonato era o Benfica, com mais quatro pontos do que o Sporting e o FC Porto.

Sabemos como tudo terminou.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Lento a reagir, intranquilo entre os postes, provocou um penálti desnecessário. Parece mal recupeado da lesão sofrida no fim da pré-temporada.

Neto - Teve noite difícil por ter acorrido várias vezes a dobrar Porro, que parecia perdido em campo. Batido por Taremi no lance do primeiro golo portista.

Coates - Desta vez, ao contrário do que é costume, não se impôs nos lances aéreos. Corte precioso aos 55', mostrando bons reflexos.

Gonçalo Inácio - O mais regular dos nossos defesas - e também aquele que revelou mais precisão no passe. Ia marcando de cabeça, aos 45'+4. 

Porro - Noite de pesadelo. Entregou a bola aos 13', 23', 24', 27', 31' e 55'. Aos 57', falha o golo que Trincão lhe ofereceu. Expulso aos 75' por confundir futebol com andebol.

Ugarte - Jogou condicionado por ter visto o amarelo logo aos 16' sem qualquer necessidade. Quando era preciso, já não podia pôr o pé. Demasiado nervoso.

Morita - Precisão de passe, boa condução de bola. Capacidade de jogar entre linhas. Recebeu um amarelo injusto. Depois de sair, aos 70', aconteceu o descalabro.

Matheus Reis - Outro jogador muito intranquilo: chegou a pegar-se com um apanha-bolas, algo inaceitável. Podia ter feito melhor em dois dos golos. 

Trincão - Exibiu classe num remate em arco que levava selo de golo (45'+3) e num passe de calcanhar para Porro dentro da área que merecia melhor desfecho (57').

Pedro Gonçalves - Combinou bem com Morita no lance em que a bola vai ao poste. Ao recuar no terreno, na segunda parte, tornou-se menos influente.

Edwards - Falso 9: não é avançado-centro. Muito marcado, foi incapaz de fazer as movimentações de que tanto gosta, da direita para o meio.

Nuno Santos - Substituiu Morita aos 70'. Tentou cruzamentos mas não havia ninguém para receber a bola. E andou algo perdido nos apoios defensivos.

Rochinha - Em campo desde os 70', substituindo Neto. Tentou penetrar na área, recorrendo à finta, mas esbarrou na muralha defensiva portista.

St. Juste - Rendeu Matheus Reis aos 79', passando Gonçalo para central à esquerda. Entrou para estabilizar a defesa, mas ainda não parece em grande forma.

Fatawu. Deu mais nas vistas desde que entrou, aos 79', do que Edwards até então. Podia ter marcado, aos 83', mas permitiu a defesa na cara do guarda-redes.

Esgaio. Entrou aos 90'+1, aparentemente só para evitar que Ugarte recebesse um segundo amarelo que o impedisse de alinhar no próximo jogo. Mal tocou na bola.

O dia seguinte

O Sporting sofreu ontem no Dragão uma derrota pesada, por números que não fazem justiça ao desempenho e à atitude demonstradas pela equipa em campo. O Sporting acaba por perder por 3-0 num jogo em que teve o mesmo número de oportunidades que o adversário, quatro, mas enquanto dum lado Diogo Costa fez três grandes defesas e o poste resolveu a restante, do outro Adán fez talvez a pior a exibição desde que chegou ao Sporting, disputando atrasado os três lances que deram golos e sem capacidade de resolver a situação criada nos dois penáltis.

De qualquer forma, num estádio lotado duma massa adepta vibrante e muito alinhada com o “futewrestling” do Conceição, o Porto sempre se mostrou confortável no jogo e com argumentos que o poderiam conduzir à vitória. Foram um onze muito entrosado de jogadores que transitaram da época passada, a permanente vontade de conduzir o jogo para duelos físicos constantes, a teatralização dos lances e a permanente pressão sobre a equipa de arbitragem para arrancar amarelos e expulsões, a muito bem trabalhada exploração das bolas paradas ofensivas.

 

Ao Sporting sempre faltou capacidade física para equilibrar a situação no eixo central, nenhum dos três avançados defendia lá na frente como o faziam os dois do Porto, os dois médios cedo ficaram limitados pelos amarelos, nas bolas paradas o Pepe ao segundo poste era marcado por Trincão e esteve quase a acontecer o que aconteceu em Braga. Uma coisa é entrarmos em campo com Paulinho e Palhinha, outra coisa bem diferente com Edwards e Morita. Só não vê quem não quer.

Além disso, a falta dum ponta de lança é determinante no processo ofensivo da equipa. Não existe jogo aéreo ofensivo, os defesas centrais contrários ficam sem ninguém para lhes condicionar os movimentos, e os nossos avançados a desgastar-se muitas vezes ingloriamente em slaloms individuais, tentando entrar na defesa contrária com a bola dominada.

 

Se lá no Dragão, a sete filas do relvado, fiquei com sérias dúvidas sobre os lances capitais, revendo pela TV já em casa tenho de aceitar a decisão dum árbitro que “já virou muitos frangos” e não precisou de repetir a vergonhosa actuação do seu colega de Braga João Pinheiro para que a equipa da casa ganhasse.

Esteve bem também na gestão do empurrão de Matheus Reis a uma criança apanha-bolas já bem “instruída” na escola da batotice que o obstruiu na tentativa de marcar rápido uma reposição de bola pela linha lateral, aproveitada pelo Pepe para uns minutos depois tentar armar outra peixeirada ao seu jeito.

Ver a selecção de Portugal entrar em campo com expoentes do anti-desportivismo como Pepe e Otávio realmente custa muito, mas é o que temos. Se calhar é melhor não protestar muito, senão o Fernando Santos ainda naturaliza o Taremi.

 

Concluindo, o Sporting até teve um desempenho bem razoável no Dragão mas isso não chegou para impedir a derrota e segue já a 5 pontos do Porto. Mas também já passou por dois dos mais difíceis estádios da Liga e continua a poder reverter a situação em Alvalade.

O grande problema é a extrema falta de recursos do plantel. Ontem foram a jogo todos os seniores não lesionados com excepção de Esgaio e Jovane, e… não há mais ninguém.

Morita não aguenta 90 minutos, Ugarte joga sempre no limite do amarelo, médios no banco… ninguém. Saiu Morita, recuou o goleador quando o que era preciso era marcar golos. E lá voltámos a ver Coates a fazer o que não deve, abandonar a defesa e tentar o impossível.

 

Uma palavra final para Rúben Amorim. Precisará com certeza de rever determinadas situações técnicas e tácticas, mas continua a demonstrar toda a sua enorme capacidade enquanto treinador.

A grande questão é que o plantel é curto, muito curto. Já o era com Tabata e Matheus Nunes, sem eles ainda o é muito mais. E não cabe a Amorim justificar o injustificável, será sempre ele o primeiro a ser responsabilizado. Reforços, precisam-se. Para ontem.

SL

Faltas e falhanços

Rúben Amorim resumiu o jogo no Dragão - vulgo estômago leonino esmurrado - com uma verdade: o FC Porto concretizou as oportunidades que teve, o Sporting não. Mesmo que concorde que o resultado não reflecte o medir de forças entre rivais a que assistimos e apesar de considerar verdadeira a síntese do "Mister", na minha opinião a dita peca por defeito. Não resume tudo.

O Sporting - diria La Palice - sofreu golos e não os marcou devido a faltas na equipa e falhanços da mesma. A conclusão é portanto simples: faltam jogadores, uns que concretizem, outros que melhor defendam e os criativos e que carreguem a bola com capacidade para desmontar a defesa adversária (assim de repente lembro-me de um craque que há uma semana vestia a listada embelezada com o leão e hoje anda de camisola amarela lobina).

Nenhum dos sectores leoninos esteve bem no Dragão. Houve falhas e falhanços na defesa, no  meio-campo e no ataque. O alarme tem de ser esse. Não vale a pena crucificar o Adán (que já nos deu muitos pontos!) e menos ainda o Rúben Amorim. Afinal, foi uma semana atípica porque corolário da inconsequente pré-época. O período de preparação da temporada foi feito com jogadores que já cá não estão. E esse, com o mercado a fechar e as equipas cada vez mais montadas, deve ser outro sinal de alarme. 

Também não devemos trucidar, querer abater a Direcção. Não cometamos os erros do costume e que nos levaram ao desnorte de décadas, provocado pelo radicalismo de tudo exigir que se mude à primeira pesada derrota.

E digo isto criticando com veemência as faltas e falhanços a que assistimos na comunicação do clube, em concreto da equipa que mais nos faz vibrar no apoio ao nosso clube. Porque os mesmos denunciam aquilo que aparentemente surge como a primeira brecha num núcleo coeso entre Direcção e líder da equipa técnica que nos levou à conquista do tão desejado título de campeão nacional e que foi revelando um rumo claro, coerente e consequente.

E este é outro sinal de alarme.

Por fim, um apelo. Não nos deixemos tomar pela falta de esperança. São "apenas" 5 pontos de atraso para os rivais, mas ainda só decorreram três jornadas. Há muito campeonato pela frente. Não falhemos nós no apoio à equipa.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Dos três golos sofridos no Dragão. Derrota no confronto da noite passada frente ao campeão em título num estádio com 49.430 espectadores. Dois golos sofridos de penálti em noite desastrosa para a nossa organização defensiva, guarda-redes incluído. 

 

De Adán. Noite péssima para o guardião espanhol que tantas alegrias nos tem dado. Preso de movimentos, sai tarde em duas ocasiões - primeiro aos 42', acorrendo ao choque com Taremi sem evitar o golo em lance corrido, depois aos 85', ao cometer grande penalidade - totalmente escusada, quando Galeno está já sem ângulo propício ao remate. Para esquecer.

 

De Porro. Também ele com exibição desastrosa. Na primeira parte entregou a bola cinco vezes aos adversários. Voltou a fazê-lo uma sexta vez, na etapa complementar. E faz-se expulsar de forma infantil aos 75', quando meteu a mão à bola na linha da baliza, com Adán fora do lance, como se fosse guarda-redes. Alegadamente para evitar um golo. Que acabou por acontecer de qualquer modo logo a seguir (78'), num penálti convertido por Uribe, passando o Sporting a jogar só com dez por expulsão do lateral espanhol. Iniciou-se aí o descalabro.

 

Do cartão exibido a Ugarte. O médio uruguaio viu o amarelo muito cedo, logo aos 15', por entrar de sola em riste numa bola disputada sem qualquer necessidade. Passou a jogar o resto da partida condicionado, com receio de ver um segundo que o fizesse sair de campo. Tem responsabilidade, por isso, no início da construção do lance de que resultará o 3-0: não podia meter o pé.

 

Das oportunidades falhadas. Tivemos quatro ocasiões flagrantes para marcar. Na primeira, aos 11', Morita atirou ao poste. Nas outras, Diogo Costa - a figura deste clássico, comprovando ser o melhor guarda-redes português da actualidade - evitou golos de Trincão (45'+3), Gonçalo Inácio (45'+4) e Fatawu (83'). Cumprindo-se um dos princípios básicos do futebol: quem não marca, arrisca-se a sofrer. E a perder jogos - e até campeonatos.

 

Do nosso descalabro defensivo. Seis golos sofridos nos três primeiros desafios da Liga 2022/2023 - à média de dois por jogo. Nunca tinha acontecido na era Amorim, com lances imperdoáveis, como o do golo de Evanilson, aos 42', em que o brasileiro se movimenta sem a menor oposição na nossa área. É caso para soarem todas as campainhas de alarme. Algo insólito porque a única baixa da defesa entretanto ocorrida foi a saída de Feddal, que não participou na maioria dos desafios do campeonato anterior. Isto significa que é necessário rever processos também ao nível do meio-campo. E reforçá-lo com urgência máxima.

 

Das substituições. Desta vez creio que Rúben Amorim mexeu mal na equipa, ao fazer uma enorme alteração na linha defensa aos 70'. Saíram Neto e Morita, entraram Rochinha e Nuno Santos. Voltou-se à confusão gerada noutras partidas: Gonçalo passou de central à esquerda para central à direita e Matheus transitou de lateral para central, com a instabilidade daí decorrente. Por coincidência ou talvez não, a partida deixou de estar equilibrada e sofremos o segundo golo escassos minutos depois.

 

Das ausências. Está a ser um início de temporada muito complicado para o Sporting - aliás na linha do que já havia sido detectado nos desafios da pré-época. Perdemos três titulares da época passada (Sarabia, Palhinha e agora Matheus Nunes), além de Tabata, que tinha golo e dava mais uma opção ao treinador para o corredor central. Estranho seria que sem estas baixas tudo ficasse como se nada tivesse acontecido. Mas a verdade é que o FCP perdeu três jogadores nucleares da época passada (Vitinha, Mbemba e Fábio Vieira, além de Luis Díaz, que havia saído em Janeiro) sem ter sofrido qualquer abalo.

 

De uma espécie de regresso ao passado. Desde 2015 que não sofríamos três golos do FC Porto, na condição de visitantes, para o campeonato. Derrota pesada, que pode ter consequências no estado anímico da equipa.

 

De termos ficado em branco tendo um goleador sob contrato. Slimani ainda está no Sporting, mas proscrito. Dava-nos jeito? Claro que sim. Ontem disputámos o clássico sem um avançado centro no onze. Cenário absurdo numa equipa que sonha ser campeã.

 

Da distância face ao FC Porto. Em nove pontos disputados, já perdemos cinco. Isto significa que deixámos de depender só de nós para lutarmos pelo título de campeão nacional. Quando ainda faltam 31 jornadas. Isto pode ter algo de positivo? Só o facto de acontecer tão cedo: há tempo de sobra para darmos a volta. Mas precisamos de aguardar erros dos nossos principais adversários nesta corrida de longo curso.

 

 

Gostei

 

De Morita. Não é Matheus Nunes, claro: tem características muito diferentes. Mas não foi por ele que saímos derrotados do Dragão. Pelo contrário, o primeiro sinal de perigo neste clássico saiu dos pés do japonês, num lance de infiltração na grande área portista culminado num potente pontapé que embateu no poste direito da baliza. Mais uns centímetros ao lado e toda a história deste jogo teria sido diferente. Talvez mereça ser considerado o melhor Leão em campo.

 

De Fatawu. Entrou bem, embora só aos 79', quando Rúben Amorim decidiu retirar Edwards. O jovem internacional ganês anda com vontade de mostrar serviço como profissional do Sporting e percebe-se que sente atracção pela baliza. Quatro minutos depois de saltar do banco esteve quase a marcar, isolando-se perante o guarda-redes, num lance que Diogo Costa abortou com excelente defesa.

 

Do tempo extra na primeira parte. Duas oportunidades de golo nesta fase, em que o FCP esteve em contínuo sobressalto. Só faltou concretizá-las.

 

Do início do segundo tempo. Domínio claro do Sporting nos 20 minutos iniciais deste período, procurando desfazer o 1-0 que se registava ao intervalo, com o FCP a conceder-nos iniciativa de jogo. Boas subidas pelos flancos, sobretudo no esquerdo, em que Matheus Reis ganhou consecutivos confrontos individuais. Só faltou traduzir este domínio em golos.

 

Que desta vez não houvesse chavascal no Dragão. Certas tradições começam a perder-se. Se forem péssimas, como esta, é um excelente sinal.

Prognósticos antes do jogo

Primeiro clássico da temporada. É neste sábado, às 20.30, no estádio do Dragão. O Sporting, como visitante, vai tentar superar a turma anfitriã, que na ronda anterior venceu com inegável dificuldade o Vizela, quase à beira do apito final. 

Na época passada registou-se um empate a duas bolas no FCP-Sporting - jogo em que os portistas foram vergonhosamente levados ao colo pelo árbitro João Pinheiro, que tudo fez para lhes assegurar o pontito em casa. 

E agora, como será? Aguardo os vossos prognósticos.

Palermos


No controladíssimo futebol português, a questão é se o nosso Sporting foi campeão no ano passado por mérito ou porque alguém se distraiu e achou que não íamos lá e depois acordou demasiado tarde?

A derrota com o Benfica, limpa e óbvia, decorre de banho tático ou de jogadores e equipa técnica que acreditam em bruxas porque veem televisão como nós e veem certas e determinadas coisas a acontecer noutros relvados e, compreensivelmente, perdem gás emocional e motivacional porque perceberam que façam o que fizerem, jamais vão chegar ao bi?  

O futebol português continuará assim, belicoso, cheio de incidentes, pressões, intimidações, VARs repetidos tantas vezes que todos os lances são lances de gravidade máxima, árbitros e árbitros de VARs com medo físico que façam mal às suas famílias, fanáticos engravatados orgulhosos de décadas que vão deixar os historiadores do futuro perplexos e autoridades a assobiar para o ar?

Amanhã à noite no Dragão

descarregar.jpg

Depois duma derrota em casa marca Soares Dias - qualquer dia tem um Dragão de Ouro à sua espera - voltamos amanhã ao Dragão para tentar chegar à final do Jamor, se calhar agora com os superdragões a fazer de apanha-bolas ao jeito que foi descrito pelo Diogo Dalot e que representa bem a forma batoteira de estar no desporto do clube na era do Pinto da Costa.

O último dérbi, não tanto pelo resultado mas muito mais pela exibição, pôs à evidência a bipolaridade de muitos Sportinguistas, aqueles que já saltavam nas bancadas aos 8 minutos de jogo eram os mesmos que assobiavam e diziam do pior no final, e pelo que fui lendo e ouvindo, enquanto os benfiquistas ficaram com uma sensação agridoce, dizem que ganharam mas não a jogar à Benfica, alguns sportinguistas já acham que o Sporting só sabe jogar para trás e para os lados, Amorim tem muito que aprender e levou um banho táctico do Veríssimo. Como se para baixar linhas para proteger a óbvia falta de pernas dos dois excelentes veteranos defesas centrais, defender com 10 e contar com um super-Darwin lá na frente fosse preciso um Guardiola ou um Klopp.

O futebol do Sporting de Amorim é o mesmo desde que chegou. Foi com ele que ganhámos muita coisa em muito pouco tempo, e é com ele que ganharemos ainda mais. Construção deste trás, controlo do jogo, circulação da bola a toda a largura do campo, variações de flanco, ataque à profundidade. A questão é o momento de forma dos jogadores, e alguns parecem de facto esgotados pela exigência da campanha e pelas pancadas que vão sofrendo, com árbitros que inclinam o campo a nosso desfavor e com clubes que contra nós fazem o jogo da vida deles e contra os rivais baixam as calças.

Pedro Gonçalves é o caso mais flagrante desse esgotamento. Nada lhe sai bem, desde os dribles até aos remates, simplesmente não parece o mesmo jogador que ainda há poucos meses deu cabo do Dortmund.

Paulinho, a mesma coisa. Aquele jogador que não parava em campo e se constituia como um pivot ofensivo de qualidade agora parece um pinheiro plantado na área, incapaz de fugir às marcações e a falhar as poucas bolas a que consegue chegar.

Dum trio que parecia há tempos que ia dar cartas, sobra apenas Sarabia, jogador muito mais de momentos do que de rendimento contínuo. E por aqui passa muito do problema do Sporting neste momento, com Slimani em baixo pelo Ramadão e pela eliminação da Argélia do mundial, e Edwards um jogador de engate, depende da lua.

Que onze então apresentar no Dragão?

Bom, guarda-redes não há questão, é o Adán.

Na defesa/alas, Porro-Inácio-Coates-Matheus Reis-Nuno Santos ou Porro-Neto-Coates-Inácio-Matheus Reis?  Aqui a grande questão é a cobertura / articulação do defesa com o ala do mesmo lado. Porro-Inácio combinam muito bem, Matheus Reis-Nuno Santos também no momento ofensivo, Porro-Neto mal, quer a defender quer a atacar, Inácio-Matheus Reis assim assim. 

No meio campo, Ugarte tem que jogar, ponto. Quem fica ao lado, Palhinha ou Matheus Nunes? Porque não Palhinha com Matheus Nunes mais avançado do lado esquerdo?

No ataque, Paulinho volta a ser o pivot ofensivo ou joga Sarabia como fez em Tondela e como faz na sua selecção? E quem o acompanha?

No jogo de Alvalade o Sporting alinhou com um onze com Nuno Santos no seu melhor lugar:

Adán; Neto, Coates e Inácio; Porro, Ugarte, Matheus Nunes e Matheus Reis;  Sarabia, Paulinho e Nuno Santos.

Se calhar amanhã vamos ter a repetição desse onze.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo no Dragão para conquistar o acesso à final da Taça no Jamor.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

 

#JogoAJogo

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

De perder o clássico em Alvalade. Fomos justamente derrotados pelo Benfica (0-2) no nosso estádio. Encerrando um longo período de 42 jogos sempre a marcar golos. Derrota táctica de Rúben Amorim no confronto com o técnico adversário, Nelson Veríssimo: o Sporting foi incapaz de encontrar antídoto contra uma equipa encarnada remetida a um bloco defensivo reforçado e muito eficaz nos vertiginosos lances de contra-ataque. 

 

De termos entregado o título. Acabou o sonho do bicampeonato: o FC Porto, agora a nove pontos de distância, pode sagrar-se campeão na próxima ronda, quando ainda faltam quatro jornadas para o fim da Liga 2021/2022. 

 

Das oportunidades que fomos incapazes de criar. Uma única situação de golo, da nossa parte, em todo o desafio. Mais nada.

 

Do desperdício das bolas paradas. Não soubemos aproveitar um lance de canto ou de livre - Nem um para amostra. E dispusemos de muitos neste jogo. 

 

De termos oferecido o primeiro golo. Um pontapé longo para a frente, na conversão dum livre, bastou para o Benfica inaugurar o marcador logo aos 14'. Com dois toques na bola, de Vertonghen a assistir e Darwin a marcar. Apanhando toda a nossa equipa desposicionada. 

 

Da incapacidade de sairmos em ataque rápido. Dávamos sempre um toque a mais na bola, pausávamos, retrocedíamos, quebrávamos a nossa própria dinâmica ofensiva enrolando os lances a meio-campo e permitindo que a equipa adversária se reorganizasse nos raros momentos em que assumia a iniciativa de jogo.

 

Da estéril «posse de bola». Foi de 61% a nosso favor, dizem as estatísticas. Isto serve para quê?

 

Das nossas substituições. Nenhuma delas mudou a equipa para melhor. Recapitulemos quais foram: Slimani rendeu Pedro Gonçalves (59'), Ugarte entrou para o lugar de Neto (59'), Edwards substituiu Sarabia (69'), Esgaio colmatou a saída de Palhinha (69') e Daniel Bragança preencheu a vaga de Nuno Santos mesmo ao cair do pano (89'). Foi já no período extra (90'+3) que sofremos o segundo golo.

 

Deste banho de água gelada. Mais de 40 mil adeptos compareceram em Alvalade em noite de domingo de Páscoa para ver aquele que foi o nosso pior jogo desta época em competições internas. O jogo em que entregámos de bandeja o título ao FC Porto e reabrimos a discussão para o segundo lugar na Liga, permitindo a aproximação do Benfica - agora com menos seis pontos.

 

 

Gostei

 

Da homenagem a Mathieu. Merecida, calorosa e vibrante ovação ao excelente central francês antes do início da partida. Há quase dois anos fora do Sporting, tendo abandonado a prática do futebol por opção própria, Jérémy Mathieu actuou 106 vezes com a camisola verde e branca, tendo regressado ontem, como convidado, para assistir ao clássico e ser distinguido pelo seu profissionalismo que deixou saudades. Merecia ter sido brindado com uma vitória em campo.

 

De Sarabia. Esteve muito longe de fazer uma grande exibição, mas foi o menos mau dos nossos. É dele a única oportunidade de golo do Sporting, ao fazer a bola embater na trave aos 49'. Percebe-se mal por que motivo Amorim retirou aos 69' o internacional espanhol - melhor jogador do actual plantel leonino - enquanto manteve o perdulário Paulinho até ao apito afinal. 

 

Da arbitragem. Nota positiva para Fábio Veríssimo. Ninguém poderá dizer que foi por causa dele que perdemos.

Prognósticos antes do jogo

Conseguiremos repetir o resultado da primeira volta? A 3 de Dezembro fomos ao estádio da Luz vencer a equipa da casa por concludentes e categóricos 3-1. Com golos de Sarabia, Paulinho e Matheus Nunes.

Jogo sem discussão: ninguém negou a superioridade do Sporting. 

Na época passada, a 1 de Fevereiro, vencemos em Alvalade a mesma equipa, por 1-0, também com golo de Matheus Nunes. Num desafio que pôs fim a nove anos de jejum: desde 2012 que não derrotávamos os encarnados no nosso estádio.

Como será neste Domingo de Páscoa, a partir das 20.30? Aguardo os vossos prognósticos para o Sporting-Benfica, clássico dos clássicos do futebol português. 

É para ganhar

Nestes dias, por motivos que sabemos, confirma-se aquela velha máxima de que o futebol é a mais importante das coisas menos importantes. 

Mas falemos então de futebol. Mais logo, pela 20.45, dá-se o pontapé-de-saída da meia-final da Taça de Portugal: vamos receber o FC Porto, no desafio da primeira mão. Seguramente de modo bem mais civilizado do que o miserável acolhimento que eles nos concederam há três semanas no Dragão.

Venho só perguntar-vos se estão optimistas e como encaram este jogo. Pela minha parte, nem hesito: é mesmo para ganhar.

Caro Bruno Tabata,

IMG_20220213_095841.jpg

estive a ver alguns vídeos do pós jogo no Estádio do Dragão. Vi-o enquanto se manteve a longa distância (vídeo a partir das bancadas disponível no desportivo diário conhecido por ser muito sensível ao FCP), vi a relativa distância que guardou do aglomerado maior e enquanto caminhava, calmamente, na direcção do que veio a ser um foco de tensão no qual teve uma intervenção directa. O que vejo? Interviu com um movimento que procurou afastar um agressor de um colega seu. Exactamente assim: não tentou agredir alguém, realizou um movimento que permitiu retirar os dois braços, de um dirigente desportivo, do corpo do seu colega Gonçalo Inácio, mais concretamente, da área correspondente ao pescoço. Também não escapou à minha observação que o dirigente manteve os seus braços em cima do corpo de Gonçalo Inácio enquanto este era deslocado do espaço onde se deu o confronto inicial, sem evidenciar sinal visível de, expontaneamente, ou por intervenção daqueles que o acompanhavam, querer interromper a consumação das suas intenções. 

Para além daquilo que as leis da física explicam, gostaria de chamar a vossa atenção para  o momento capturado aos 1:41. Concentrem a vossa atenção na zona dos pés. O movimento que o corpo do dirigente  faz após intervenção de Bruno Tabata, e a queda para trás do dirigente portista. Que a "propulsão à retaguarda" não escape à vossa observação, ainda que precisem de concentrar a vossa atenção e rever os frames várias vezes.

Analise-se o comportamento de Bruno Tabata ao longo dos vídeos disponíveis e contextualize-se devidamente o sucedido: manteve um comportamento não provocador, evitou focos de tensão e quando agiu, fê-lo no sentido de pôr fim a uma agressão em curso, a um seu colega de equipa. O movimento realizado não visa infligir dor/sofrimento ao visado, menos ainda agiu, intencionalmente, de forma que pode representar a extinção da vida do seu interlocutor. Visou, sim, impedir a prossecução de uma agressão a uma zona especialmente crítica de qualquer animal, o pescoço.

Tabata, estamos cá para o que houver, esclarecidos quanto ao jogador que é e ao contexto alargado em que se verifica a sua expulsão.  

Podres de espírito


Incrível como Rúben Amorim e a sua equipa técnica são tão melhores que os outros treinadores na nossa Liga. Menos incrível como a fraqueza das instituições permite que eventos pós-jogo como os de ontem se repitam. A sensação de impunidade de muitos dos indivíduos deve-se apenas e só a isso. Pensemos quem tem sido favorecido nas últimas décadas por tanta tibieza e podridão nas decisões de arbitragem, castigos e organização e chegamos depressa à resposta. Achar que um árbitro pode, sozinho, parar esta maré, é ingenuidade.

Nunca supus que o jogo de ontem viesse a ser fácil, disputado ou pacífico. Não me admira nada do que aconteceu, muito menos a simplicidade com que um fulano de colete azul, que não faz parte da ficha de jogo, dá um soco num dos jogadores. Já cá ando há muito anos e nada daquilo espanta, como não espantará que o castigo seja uma multinha ou uma interdição quando já não houver risco de afetar nada. Nada lhe vai acontecer, zero. O mais certo é estar a receber palmadas nas costas e promessas de almoços pagos. Apostaria bom dinheiro em como está a viver um dos melhores dias da sua vida, feito herói da esperteza, rei dos pobres do espírito, efémero herói da barbárie. Não ganhará centenas de milhar de euros ao longo de décadas, mas estas migalhas de importância vão valer ouro na sua existência.

Há várias razões para sermos um país pobre. Esta podridão e impunidades de décadas numa atividade tão importante para a população como é o futebol é tanto um sintoma como uma causa.   

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De ver a nossa equipa bater-se contra doze. Fomos ao Dragão arrancar o empate mais difícil e suado deste campeonato. Não por causa do poder de fogo do adversário - que perdeu ontem os primeiros dois pontos em casa - ou da sua superioridade técnica ou táctica, mas porque ficámos reduzidos a dez durante mais de 45 minutos, quase toda a segunda parte acrescida de 12 (!) minutos de tempo complementar. E enfrentámos doze: não apenas o onze portista, que se manteve incólume até ao apito final, como seria de esperar sobretudo em casa, mas também o inefável João Pinheiro, um dos mais incapazes e incompetentes árbitros portugueses.

 

De começar o clássico com eficácia máxima. Duas ocasiões de golo, ambas concretizadas antes do minuto 35. Em ataque rápido, muito bem organizado, com a bola de pé para pé, perante o descalabro da defensiva portista, que nos concedeu imenso espaço. Nós aproveitámos da melhor maneira. Balanço final: quatro remates, dois golos. Difícil conseguir melhor.

 

Dos nossos dois golos. Jogadas magistrais, que merecem ser revistas. O primeiro, aos 8', começa a ser construído com um magnífico passe longo de Esgaio lá atrás, junto à linha direita, cruzando para Matheus Reis no flanco oposto. O nosso ala esquerdo progride com ela e faz um cruzamento perfeito para a cabeça de Paulinho, que muito bem colocado, à ponta-de-lança, dispara de cabeça para o fundo das redes, inutilizando o esforço de Diogo Costa para a deter. O segundo, aos 34', merece ser inscrito em compêndios e revela como é competente o treino de Rúben Amorim nas sessões de trabalho em Alcochete: 42 segundos de puro futebol, com a bola a transitar de baliza a baliza sempre ao primeiro toque, com toda a equipa envolvida (14 toques no total). O desfecho foi assim: Matheus Nunes coloca-a em Matheus Reis (novamente ele), que a leva a sobrevoar a área portista para Sarabia, atento ao segundo poste, cruzar recuado e ali surgir Nuno Santos a encostar sem contemplações. Tudo bem feito. 

 

Do resultado ao intervalo. Vencíamos por 2-1 em casa do adversário. E convencíamos nesta partida em que nos colocámos em vantagem logo aos 8'. Quando os jogadores se dirigiam para o balneário tinham reduzido em três pontos a diferença face à equipa anfitriã, líder do campeonato.

 

De Adán. Uma vez mais, imprescindível. Se saímos com um ponto do Dragão, neste desafio de dez contra doze, em boa parte se deve ao nosso guarda-redes. Sem responsabilidade nos golos sofridos aos 38' e 78', fez uma defesa magistral a uma cabeçada de Grujic num dos últimos lances da partida, aos 90'+10, impedindo a vitória portista que seria totalmente injusta.

 

De Matheus Reis. Elejo-o como melhor em campo. Não apenas por ter intervenção directa - e fundamental - na construção dos nossos golos, e por ter sido competentíssimo nas duas posições em que actuou (foi lateral e central). Mas sobretudo pela garra e pelo brio revelados num dos estádios mais difíceis do País, sem se deixar condicionar pelos 45 mil espectadores que puxavam pela equipa da casa, nem pelas provocações do banco adversário, nem sequer pelo tendencioso desempenho do senhor de apito que inclinou o campo. Quando foi preciso cerrar fileiras e defender em desequilíbrio de forças, ele valeu por dois.

 

De Ugarte. Amorim apostou nele como médio de contenção em vez de Palhinha, desta vez fora do onze titular. Aposta ganha: o jovem internacional uruguaio bateu-se como um verdadeiro Leão no relvado portista. Vencendo vários duelos, recuperando a bola, nunca dando um lance por perdido. Já com Palhinha em jogo, a partir do minuto 55, formou com ele uma parede eficaz contra o ímpeto ofensivo do adversário que beneficiava de vantagem numérica. Saiu só aos 90'+2, exausto, dando lugar a Tabata. Dever cumprido.

 

De Matheus Nunes. Trabalho mais discreto do luso-brasileiro, mas não menos eficaz na elaboração da teia leonina no corredor central, sobrepondo-se com frequência aos adversários directos naquela zona do terreno. Fundamental no início da construção do segundo golo, obra-prima de organização colectiva.

 

De termos disputado o 27.º jogo seguido sempre a marcar. A última partida em que ficámos em branco foi o Borussia-Sporting, para a Liga dos Campeões, em 28 de Setembro.

 

De termos anulado a vantagem do FCP. Após este 2-2, o desempate será a nosso favor em caso de igualdade pontual no fim da Liga 2021/2022. No jogo da primeira mão, a turma azul e branca foi empatar 1-1 a Alvalade.

 

 

Não gostei

 

Do árbitro. João Pinheiro inaugurou novo método de apitar os jogos: primeiro exibe o cartão amarelo sem qualquer justificação, depois pede desculpa aos amarelados talvez para aliviar a má consciência. Teve influência directa não apenas no desfecho da partida como no caos disciplinar subsequente, num espectáculo lamentável que todo o País presenciou pelas imagens televisivas. Aos 27' mostrou amarelo a Coates na disputa de uma bola com Taremi em que o agredido foi o nosso capitão leonino, vítima de um pisão do iraniano, que escapou sem castigo. Sabendo que errara (e após pedir desculpa, sem retirar o cartão), Pinheiro volta a exibir o cartão ao uruguaio, expulsando-o aos 49'. Manifesta injustiça, delito de lesa-futebol. Viria também a amarelar Palhinha por falta inexistente, aos 71'. Se houvesse um mecanismo justo e sério de avaliação dos árbitros, este não voltava a apitar desafios da Liga principal até ao fim da época.

 

De termos jogado só com dez durante mais de metade do clássico. Devido à injustíssima expulsão de Coates, Amorim teve de organizar a equipa num 5-3-1 de emergência, fazendo sair Sarabia e reforçando o meio-campo defensivo com a inclusão de Palhinha. Aos 66', Neto substituiu Nuno Santos, regressando Matheus Reis à lateral esquerda. Do mal, o menos: deu para minimizar os estragos.

 

Do empate. Os portistas só por duas vezes conseguiram furar a nossa muralha defensiva. Infelizmente para nós, foi quanto bastou para perdermos dois pontos no Dragão. E mantermos assim a distância de seis face à turma anfitriã. Estamos agora dependentes de duas derrotas - ou de três empates - do FCP para conquistarmos o bicampeonato. Não é impossível, mas tornou-se mais difícil. E não podemos voltar a ter percalços, como aconteceu com as derrotas sofridas contra Santa Clara e Braga.

 

De não termos contado com Porro e Pedro Gonçalves. Ficaram preservados para o próximo embate do campeonato, a recepção ao Estoril. Males que vieram por bem. E há que reconhecer: Esgaio e Nuno Santos foram substitutos à altura, dando boa conta do recado.

 

De vermos mais de meia equipa excluída do próximo desafio. Coates, Tabata e Palhinha por expulsões (os médios já no sururu que se seguiu ao jogo), Esgaio por ter visto o quinto amarelo e provavelmente Nuno Santos e Matheus Reis por alegado "comportamento antidesportivo" (um disse um palavrão e outro fez um gesto obsceno, coisas jamais vistas em estádios de futebol). Pelo menos estes. Falta saber como estarão os restantes jogadores no capítulo físico. 

 

Do péssimo final do jogo. Simplesmente vergonhoso. E totalmente inaceitável, até com agressões de elementos da estrutura portista a jogadores do Sporting. O "dragão" no seu pior: merecia ser interditado se houvesse coragem para enfrentar esta gente ao nível da justiça desportiva portuguesa. Mas não há, como bem disse Frederico Varandas nas desassombradas palavras que proferiu depois do jogo, sujeitando-se ele próprio a ser agredido por aquela turba sempre impune.

O meu Porto-Sporting

gettyimages-1370018689-1024x1024.jpg

Um almoço com dois amigos de infância, 3 tipos da safra de 64 face a um choco frito diante do Sado, a fruir a frescura daquela aragem tão contrastante com a malvada estiagem que me assola nas colinas circundantes. Segue-se uma chinchada aos citrinos - "bio", dizem-nos os burguesotes -, uma sacada deles conquistada. Depois avanço, cruzo o Tejo na ânsia do Trancão, e culmino com uma imperial na tasca operária que bordeja o Fernando Pessoa. 

E por isto tudo só ao um quarto para as oito chego a casa, já ladeado por um outro velho amigo, este lampião - ácido, agreste, malvado, "espero que vocês percam"... "ainda que o Porto..." - e jovem "sobrinho", lagarto, algo nervoso. Ali tristonhos, pois condenados a ouvir o relato, e nesta horrorosa versão televisiva de agora. "Que se lixe", resmungo eu, de súbito em modo estroina, "um dia não são dias" e tiro quinze euros ao rancho, mais do que gasto eu em carne por semana, mais do que duas garrafas do elixir Queen Margot, cinco dias de assinatura dos canais da bola, "isch, é dia de festa!", saúda o meu amigo enquanto o puto esfrega as mãos...

Abro uma aprazível "Argus" do Lidl (como podereis ver, continuo - "como quem não quer a coisa" - sempre em busca do patrocínio desta cadeia comercial) e começa o jogo. Aos 40 e tal segundos já o árbitro dá um cartão amarelo ao nosso Matheus Reis, apenas por um viril encontrão. Clamo a consabida indecência do comportamento sexual da mãe do apitador e, reconhecido áugure que sou, faço o resumo do que acontecerá: "o gajo já perdeu o controlo do jogo". O adepto de Carnide ri-se e ao miúdo, ainda inexperiente nisto, sai-lhe um "achas?", ao que o lecciono, saber de experiência espectadora feito, "claro, quando começam assim acabam com tudo estragado".

Segue o jogo, o Porto muito melhor, pressionante, ágil, dominante, os nossos algo estuporados, atarantados, atrapalhados, "que é isto!!" vou resmungando em dialecto de caserna, pois "o Porto está como naquele jogo com o Benfica!", "a estrafegar-nos", "vamos levar uma sova". De súbito o nosso 1-0, naquele magnífico movimento - amortecimento no ar, cruzamento imediato sem deixar a bola cair no chão - de Matheus Reis ("não tem capacidade técnica para jogar no Sporting", afiançámos), cabeceamento perfeito de Paulinho ("não joga nada" dizem os intelectuais da bola).

O Porto não treme, continua, justiça lhe seja feita, a jogar mais.  E eu resmungo, constantemente, "onde está o Palhinha, falta o Palhinha, porque não joga o Palhinha, o que é que deu ao Rúben, que tirou o Palhinha, isto com o Palhinha era diferente, estão a dormir sem o Palhinha, não ganham uma bola no meio-campo sem o Palhinha, mete o Palhinha, pá!". Mas vem o nosso 2-0, excelente jogada de futebol - na qual também muito participa o tal Reis (sim, esse que não tem qualidade para jogar no Sporting). Entretanto viera um cartão amarelo mesmo despropositado para Coates. Logo repeti, porque o julguei relevante, o que sei de fonte segura sobre a indecência sexual da progenitora do árbitro bem como aludi à consabida volúpia anal que a este sempre acomete. Antes e depois dos jogos.

Enfim, no meio daquela confusão que vai medrando, tudo cada vez mais arisco e desabrido, Pinheiro, o tal árbitro que alguém bem sabido para ali atirou, faz uma coisa raríssima em Portugal - e também "lá fora" - e muito louvável, "à râguebi". Chama os capitães da equipa e convoca uma responsabilização destes para a acalmia disciplinar. Louvo de imediato, a inusitada mas regulamentar acção. Mas logo me desato a rir. Pois o desgraçado tem aquela boa intenção mas é incapaz de afastar os outros jogadores, como é necessário nestes momentos, que em massa rodeiam aquele colóquio, entre óbvias interjeições verbais e imprecações corporais. E para cúmulo dos cúmulos, para total funeral da personalidade de Pinheiro, os dois capitães - Coates e Pepe - saem dessa conversa com o árbitro em evidente desatino mútuo. Desato-me a rir, "eu não dizia? o gajo não tem qualquer controlo dos jogadores, ninguém o respeita!", "olhem para isto!, chama os capitães e eles saem dali aos gritos e ele dá-lhes as costas".

O Porto faz 2-1, num atrapalhada jogada em que eu desespero "o meu reino por um Palhinha". Esgaio leva um amarelo antes do intervalo. Levanto-me do suplício "temos três defesas com amarelo, pelo menos um deles vai ser expulso, e deve ser o Coates". E avanço "até logo". "Onde vais?", interrogam-me. "Vou ao aeroporto, buscar a miúda, que chega agora, uma semana de férias escolares". "E ela não pode apanhar um táxi?", diz o mais-velho, pai tarimbado. "Mas tu achas que eu não vou esperar a minha princesa?", sorrio pai babado e amoroso. "Então assinaste os canais para ver o jogo e agora não vês a bola?". "Que se foda", concluo, até magnânimo "até porque vamos perder, este filhodaputa está a fazer tudo por isso".

E lá vou até ao aeroporto da Portela ("Generalíssimo Humberto Delgado", chamaram-lhe os mariolas e ignorantes que mandam no país). Há já dois meses que não ia lá. E deparo-me com o átrio das "Chegadas" apinhado e animado, como naqueles "velhos tempos" pré-pandémicos, e nisso me animo num "está visto, acabou o Covid!!", e é isso que é importante. Na desembocadura está uma multidão de negros e nisso tenho esperança que seja um avião de Maputo que esteja a chegar, se calhar até apanho caras conhecidas, quiçá um abraço ou outro, mas não, é de Bissau que aterrou um outro. Desliguei os dados móveis do telefone e folheio, distraidamente, o "de bolso" que levei.

Toca-me o telefone, julgo que é a minha filha a dizer-me "já aterrei", mas não. É o "sobrinho", lá em casa: "tinhas razão, o Coates foi expulso". Repito um palavrão, e digo-lhe "Aprende, que eu não duro para sempre".

A minha filha chegou, bem-disposta, encantando o seu pai. Abraçamo-nos. Que se lixe a taça. E toda aquela pantomina. Esta.

{ Blogue fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D