Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Pódio: Harder, Rui Silva, Trincão, Gyökeres

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Benfica (3-1), final da Taça de Portugal, por quatro diários desportivos:

 

Harder: 27

Rui Silva: 27

Trincão: 26

Gyökeres: 26

Morten: 22

Morita: 21

Gonçalo Inácio: 21 

Quenda: 20

St. Juste: 20

Maxi Araújo: 20

Fresneda: 19

Geny: 18

Pedro Gonçalves: 17

Eduardo Quaresma: 17

Debast: 15

Matheus Reis: 14

David Moreira: 8

 

ZeroZero e o Record elegeram Harder como melhor em campo. O Jogo e A Bola destacaram Trincão.

Impotência encarnada em fortaleza leonina

Benfica, 1 - Sporting, 1

descarregar.webp

Trincão tentou e conseguiu: aos 4' gelou o chamado "inferno da Luz" com um grande golo

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

O Sporting pode orgulhar-se deste percurso no campeonato, que se prepara para conquistar pela terceira vez em cinco anos. Nomeadamente nos jogos com as outras equipas consideradas grandes. Não perdeu nenhum: venceu dois e empatou outros dois. O último empate ocorreu sábado passado, há três dias, no estádio da Luz.

Foi um desafio que nos correu bem desde o apito inicial. Com um grande golo, concretizado por Trincão aos 4'. Em lance colectivo de cinco estrelas, iniciado com uma recuperação de Morten à frente do eixo defensivo, prosseguido por Pedro Gonçalves com soberbo passe de 30 metros a isolar Gyökeres. Este atraiu de imediato dois polícias, Tomás Araújo e António Silva, incapazes de travá-lo. O craque sueco faz passe lateral com precisão cirúrgica, aproveitado da melhor maneira por Trincão, que desfere remate certeiro para ângulo de defesa impossível: o gigante Trubin esticou-se em vão. Enquanto Carreras ficou nas covas, a ver navios: o avançado leonino fez o que quis, liberto de marcação.

Assim gelámos o "inferno da Luz".

 

Este foi o lance decisivo do clássico.

Lance que nos confirmou no topo do campeonato, para não destoar: comandámos a classificação em 29 das 33 jornadas decorridas. O Benfica só conseguiu precárias e esporádicas lideranças por três vezes: nenhuma delas teve sequência.

No primeiro tempo só deu Sporting. Com a nossa equipa muito bem organizada a defender: merece elogio o trio formado por Eduardo Quaresma, Diomande e Gonçalo Inácio. Anulámos por completo Di María, proclamado como maior craque benfiquista. Primeiro no corredor esquerdo, por Maxi Araújo; depois na ala oposta, em que Eduardo Quaresma tomou conta dele. O argentino perdeu 19 vezes a posse de bola, só venceu três duelos e foi inofensivo nos cruzamentos, forçando o treinador a substituí-lo ao intervalo.

Mérito nosso.

 

No segundo tempo, a equipa da casa viu-se pressionada a subir no terreno, procurando cruzar bolas sobre a área. Sem produzir resultado. Nas bancadas, com lotação esgotada, os adeptos encarnados não escondiam o nervosismo. Percebia-se porquê: à medida que os minutos se escoavam, diziam adeus à hipótese de conquistar o título. Tendo perdido em Alvalade por 0-1, o Benfica precisaria sempre de vencer: só o Sporting poderia beneficiar também com o empate em casa alheia.

E o golo do empate lá surgiu, aos 63'.

Brilhante jogada individual de Pavlidis pela ala esquerda, beneficiando de duas escorregadelas quase simultãneas no nosso reduto - primeiro Quaresma, depois Diomande. Cruzou para Aktürkoglu, que lá a meteu após ressalto em Maxi Araújo.

Único momento de infelicidade leonina no capítulo defensivo. Não houve outro até ao fim.

 

Desempenho muito positivo do Sporting, para alegria da massa adepta e frustração da tribo benfiquista. Para eles, ao contrário do que sucedeu connosco, foi um empate com sabor a derrota.

Tinham razões para se sentir frustrados, como os números confirmam. Remates enquadrados: quatro para o Sporting, apenas um para este medíocre Benfica de Bruno Lage. Posse de bola para os encarnados. 67%. Mas foi domínio consentido da nossa parte. E também inconsequente, como o empate final comprova.

O Benfica só "venceu" em faltas cometidas: 24, contra apenas 14 da nossa equipa. Até nisto digna de elogio.

 

E agora?

Vamos à última ronda. A definitiva. Sábado, às 18 horas.

Recebemos o V. Guimarães, que luta para manter o quinto posto da Liga. O Benfica vai a Braga, onde a turma local procura honrar o quarto lugar após ter perdido o acesso ao pódio perante o mais fraco FC Porto do último decénio.

Não concebemos outro cenário senão o triunfo na recepção aos minhotos. Permitindo-nos conquistar o título - primeiro bicampeonato em mais de sete décadas. Merecido e justo. Não pensamos noutra coisa.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (6) - Basta a sua presença entre os postes para transmitir segurança à equipa. Nada pôde fazer no golo deles (63').

Eduardo Quaresma (7). Anulou Aktürkoglu na primeira parte. Grande desarme aos 76'. Só não travou Pavlidis no golo por ter escorregado.

Diomande (7) - Regressou ao onze confirmando-se como pilar da defesa. Um verdadeiro líder. Ganhou todos os duelos com Pavlidis na primeira parte.

Gonçalo Inácio (7) -  Crucial na solidez defensiva da equipa. Grande desarme a Pavlidis aos 31'. Excelente corte aos 60'. Nunca tremeu.

Geny (7) - Sacou amarelo a Otamendi logo aos 15'. Deu luta cerrada a Carreras no nosso corredor direito, neutralizando o espanhol.

Morten (8) - O capitão destacou-se por ser o melhor em campo. Calibrou e pautou todo o jogo leonino, mesmo amarelado aos 19'. Recuperou 12 bolas. Inicia o nosso golo.

Debast (6) - Completou bem o trabalho de Morten, embora sem a combatividade do internacional dinamarquês. Consolida-se como médio.

Maxi Araújo (7) - Travou e venceu vários duelos. Vulgarizou Di María, que viria a sair ao intervalo. Infeliz no lance do golo encarnado: a bola tabelou nele.

Trincão (8) - Grande golo, logo a abrir o jogo. Movimentou-se muito bem sem bola e apareceu no sítio certo. Condicionou o Benfica a partir daí até ao apito final.

Pedro Gonçalves (6) - Ainda longe da melhor forma física. Mas faz excelente passe para Gyökeres no nosso golo. E sofre falta de Otamendi aos 17': penálti por assinalar.

Gyökeres (7) - Desta vez não marcou. Mas assistiu Trincão no golo, mesmo condicionado por Tomás Araújo e António Silva. Remate bem colocado aos 85': Trubin defendeu.

Morita (5) - Substituiu Debast aos 57'. Pouco intenso: falta-lhe recuperar a forma anterior à lesão. Aos 70', levou Aktürkoglu a fazer-lhe falta para amarelo.

Quenda (5) - Entrou aos 72', rendendo Pedro Gonçalves. Boa vontade, mas revelando problemas na definição.

Harder (5) - Substituiu Trincão aos 82'. Dinâmico, enérgico. Vai lutando para poder ascender a titular na próxima época.

Matheus Reis (5) - Entrou aos 82, substituindo Maxi Araújo. Vinha com instruções para trancar o corredor esquerdo e cumpriu.

Sr. Juste (5) - Substituiu Eduardo Quaresma aos 82'. Entrou com ganas suficientes para neutralizar Schjelderup. Kokçu foi amarelado ao travá-lo em falta (90'+3).

O que diz Iturralde González

Penálti cometido por Otamendi?

SIM

«É penálti e segundo amarelo para Otamendi, que atinge com o joelho direito a coxa esquerda de Pote [Pedro Gonçalves]. É a perna de apoio do jogador do Sporting, o que o faz desequilibrar-se.»

 

Penálti cometido por Debast?

NÃO

«Não vejo um movimento dos braços que empurre Otamendi. Este está a correr para trás, em direcção à bola, e quando vê que não chega deixa-se cair. Para mim não é penálti.»

 

Há falta de Gyökeres?

SIM

«Depois do guarda-redes do Benfica defender o remate, Gyökeres quer voltar a disputar a bola, mas avança por trás do defesa, não chega à bola e o que faz é derrubar António Silva antes do golo de Pote [Pedro Gonçalves].»

 

Morten merecia segundo amarelo?

NÃO

«É apenas falta. Não é para amarelo, que neste caso seria o segundo. O cotovelo de Hjulmand atinge a cara de Atürkoglu, mas não é uma jogada temerária, é imprudente. Portanto, é falta, mas sem admoestação.»

 

Opiniões do antigo árbitro internacional espanhol Iturralde González, hoje no Record

Rescaldo do jogo de anteontem

transferir.webp

Otamendi, bem ao seu estilo, tenta travar Trincão. Mas o minhoto destacou-se ao marcar o golo leonino

Foto: Tiago Petinga / Lusa

 

Gostei

 

Deste empate (1-1) que soube a vitória na Luz com lotação esgotadaCumpriu-se a tradição desta época: o Sporting não perdeu nenhum dos chamados jogos grandes. Vencemos Benfica e FC Porto em Alvalade, e empatámos com ambos nas deslocações aos estádios deles. No sábado, viemos do reduto encarnado com um ponto precioso: temos agora 79. Há seis desafios seguidos que eles não conseguem vencer-nos em campo. Sinal dos tempos.

 

De começar a vencer. Inferno? Vulcão? Nada disso: a Luz gelou logo aos 4', com o golo leonino, concretizado na primeira oportunidade. Grande arrancada de Gyökeres na meia-esquerda, como ele tanto gosta. Atraiu Tomás Araújo e António Silva, sem nenhum deles conseguir roubar-lhe a bola, e centrou para Trincão, que fuzilou de pé esquerdo, para o ângulo mais inatingível. Trubin tentou voar, sem sucesso. E Carreras, do outro lado, limitou-se a marcar com os olhos. Estava escrito nas estrelas: a sorte iria sorrir-nos.

 

De Morten. Grande partida do internacional dinamarquês, melhor em campo. Mesmo tendo visto muito cedo o cartão amarelo, aos 19', não se deixou intimidar. Combativo, foi o maior obstáculo às incursões ofensivas da equipa da casa. E não apenas no corredor central: parecia estar um pouco em todo o lado. No segundo tempo, reforçou com eficácia a linha defensiva. E foi campeão nas recuperações de bola: doze, só à conta dele.

 

De Rui Silva. Quando foi preciso, estava lá. No sítio certo. Impedindo o golo de Aktürkoglu, aos 28'. Sem essa extraordinária defesa, a história do jogo teria sido diferente. No lance do empate (63'), sem hipótese de defesa ao remate enrolado do mesmo jogador que tabelou na cabeça de Maxi Araújo e entrou caprichosamente nas nossas redes. Exibição muito positiva. Confirma-se: foi o nosso grande reforço de Inverno.

 

De Trincão, já mencionado acima. Melhor época como profissional do avançado leonino. Os números confirmam: dez golos e 16 assistências na temporada. No campeonato, destaca-se como rei do último passe. Os letais detestam-no, mas qualquer outra equipa gostaria de contar com ele nas suas fileiras.

 

Da nossa organização defensiva. Impecável, excepto no golo sofrido, fruto de grande trabalho individual de Pavlidis. Gonçalo à esquerda, Diomande no meio, Eduardo Quaresma à direita cumpriram com distinção, num esforço bem complementado por Maxi Araújo na ala esquerda, sem hipóteses para Di María, e no corredor direito por Geny, que deu luta cerrada a Carreras.

 

Do treinador. Rui Borges continua invicto como responsável máximo da equipa leonina em competições nacionais. Cinco meses sem perder. 

 

De chegar à última jornada no comando. Em 33 rondas disputadas, só não liderámos em quatro desde o início da prova. Sinal inequívoco da hegemonia leonina. Dependemos de nós, em exclusivo. Faltam-nos 90 minutos para concretizarmos um sonho que nos foge há mais de 70 anos: ser bicampeões.

 

 

Não gostei

 

Do golo sofrido. Durante 63 minutos, enquanto se manteve a nossa vantagem, fomos campeões virtuais. A festa poderia ter sido feita na Luz. Mas é melhor esperar mais uma semana e fazê-la em nossa casa, com o estádio cheio.

 

Do amarelo a Morten. Por acumulação de cartões, não poderemos contar com ele na recepção à turma vimaranense. Mas teremos certamente um excelente onze em campo nessa partida decisiva.

 

Que Gyökeres ficasse em branco. Mas trabalhou muito, sobretudo na primeira parte, pondo sempre os defensores encarnados em sentido. Essencial na construção do nosso golo - a sua oitava assistência na Liga. Já soma 13 no conjunto da temporada.

 

Do sururu final. Deu direito a quase tudo: até a invasão de campo por parte de um adepto mais fanático do SLB, que se dirigiu ao árbitro João Pinheiro com a clara intenção de injuriá-lo e agredi-lo. Espero que seja devidamente punido - e que o clube acabe responsabilizado por esta inadmissível falha de segurança. Com multa a sério, não a fingir.

Está quase

 

Faltam poucos dias para nos sagrarmos bicampeões nacionais de futebol. Basta vencermos o V. Guimarães em casa.

Cumprimos aquilo que sempre esperei: o Benfica foi incapaz de nos derrotar na Luz. Mantém-se a igualdade pontual, mas a vantagem comparativa é nossa.

Continuamos no topo. Assim será até ao fim. Já falta pouco para a festa leonina, tão justa quanto merecida. O rugido do Leão vai soar em Portugal e em todas as parcelas do globo onde existem portugueses.

O pavor

descarregar.webp

 

Vamos ter a equipa na máxima força no decisivo clássico da tarde de sábado.

Diomande limpou cartões, estará de volta. Morten, com irrepreensível profissionalismo, rumou ao balneário mal soou o apito final do Sporting-Gil Vicente, não fosse algum pupilo do benfiquista César Peixoto envolvê-lo em escaramuças que pudessem custar-lhe um amarelo - e a falta de comparência na Luz. Harder evitou gritar «ié!», o que também o salvaguardou de eventual punição disciplinar, ao contrário do que aconteceu após o recente jogo com o Santa ClaraGyökeres começou a ser cercado por elementos do Gil Vicente com a clara intenção de o provocarem para que fosse admoestado, mas mal chegou a correr tal risco devido à pronta intervenção de elementos da estrutura técnica do Sporting, que o encaminharam de imediato para fora dali. 

Peixoto pode desejar imenso que o amigo Lage seja campeão, como já lhe confidenciou com o País inteiro a perceber, mas a ajuda que tentou dar-lhe anteontem em Alvalade de nada serviu. 

 

Volto ao mesmo: vamos lá na máxima força. Já recuperados Pedro Gonçalves e Morita, e com o nosso Eduardo Quaresma mais moralizado que nunca.

Há pavor do lado de lá. Daí tentarem tudo, começando por estas provocações. Bem os compreendo. É caso para isso.

Clássico emotivo e empolgante até ao fim

FC Porto, 1 - Sporting, 1

descarregar.webp

Fresneda eufórico no estádio do Dragão: decorria o minuto 42, acabara de marcar ao Porto

Foto: José Coelho / EPA

 

Foi um clássico emotivo e empolgante, do primeiro ao último minuto. Um clássico com duas partes muito distintas. Na primeira com domínio do Sporting, que silenciou o público do Dragão aos 42', quando Fresneda a meteu lá dentro. Lateral dextro rematando de pé canhoto, como ponta-de-lança improvisado, sem marcação visível, com Quenda a servi-lo no mais belo lance individual do desafio.

Instalava-se o nervosismo nas bancadas portistas. Era caso para isso: o Sporting vencia ao intervalo, o Porto não conseguira melhor do que um remate de Eustáquio que embateu no ferro. Brinde de Gonçalo Inácio que podia ter-nos custado caro.

 

Vale a pena assinalar que este era um Sporting com remendos. Além das ausências de Nuno Santos e Pedro Gonçalves, lesionados de longa duração, também não pudemos contar com Geny, igualmente lesionado. Enquanto Morita e Gyökeres, já recuperados mas longe da forma ideal, se sentavam no banco e de lá só saíram ao minuto 69.

Para agravar a questão, aos 23' ficámos com outro futebolista fora de combate: João Simões saiu em lágrimas, com lesão traumática, após choque violento com Eustáquio, oito minutos antes. Foi assistido, ainda tentou retomar a partida, mas não conseguiu. Teve de ser substituído à pressão por Debast, central direito adaptado a médio-centro.

Andamos assim: tapa-se de um lado, destapa-se de outro. Rui Borges continua a aparentar calma. Mas a tarefa dele está longe de ser fácil.

 

Tudo isto ajuda a explicar o motivo por que a nossa equipa se retraiu no segundo tempo, abandonou a intensa pressão ofensiva dos 45 minutos essenciais e começou a recuar linhas, talvez em excesso, concedendo iniciativa ao adversário.

O Porto, vendo-se a perder e sentindo os adeptos à beira de um ataque de nervos, atirou-se para a frente quase em desespero. Ao ponto de o novo treinador, Anselmi, ter desfeito a linha dos três centrais e ordenado aos jogadores para avançarem no terreno. A ausência de Gyökeres facilitou-lhes a tarefa. Harder é combativo, mas não ataca a profundidade com a mesma intensidade do craque sueco.

O técnico leonino esperou demasiado a mexer no onze, para além da alteração forçada do primeiro tempo. Percebeu-se porquê quando Viktor e Morita entraram, acusando falta de ritmo competitivo: nenhum deles esteve à altura do que já nos habituou. Mesmo assim o ponta-de-lança ofereceu o golo a Quenda aos 70', infelizmente sem resultado: bastou-lhe um minuto em campo para dar nas vistas. Mas o seu primeiro remate digno desse nome só aconteceu aos 90'+3: levava força, mas foi à figura. Diogo Costa defendeu sem dificuldade.

Entre os nossos postes brilhou Rui Silva, aos 68', voando para impedir um cabeceamento de Pepê. Acabaram-se as dúvidas: temos mesmo reforço na baliza.

 

Houve muita pressão nervosa nos minutos finais. O Sporting mostrava-se compacto e competente a defender, o Porto tentava explorar todas as vias de acesso à nossa baliza, destacando-se o jovem Rodrigo Mora, sem dúvida um talento equivalente ao nosso Quenda.

Aos 90' mantinha-se o 0-1. Que só se desfez quando faltava cumprir minuto e meio do tempo extra concedido pelo árbitro. Samu cruzou sem pressão, colocado em jogo por Diomande, e à boca da baliza surgiu Damaso - que Gonçalo Inácio deixou movimentar-se à vontade - metendo-a lá dentro. Rui Silva nada pôde fazer aqui.

 

Mas nos instantes seguintes poderia ter havido nova reviravolta. Com energia inesgotável, em novo lance individual, Quenda infiltrou-se na área portista e acabou derrubado por Zé Pedro em tacle deslizante. O defesa azul e branco tocou na bola, mas derrubou o jovem extremo leonino. Era lance para vídeo-árbitro, mas o VAR Tiago Martins não deu sinal de vida e João Pinheiro deixou passar.

Critério largo? Nem por isso. Logo a seguir "avermelhou" dois dos nossos. Matheus Reis com dois amarelos por protestos com escassos segundos de intervalo, algo pouco compreensível. E Diomande por ter encostado a cabeça a Fábio Vieira numa picardia entre ambos com o portista a atirar-se para o chão como se tivesse fractura exposta.

Maneira feia de terminar um clássico que teve lances bonitos. Mantemos oito pontos de vantagem sobre o Porto - que serão nove para eventuais efeitos de desempate. Mas Rui Borges tem a certeza antecipada de ter dois jogadores a menos no próximo desafio, contra o Arouca. E poderão ser três caso João Simões não recupere até lá.

 

Breve análise dos jogadores:

Rui Silva (6) - Seguro na baliza, excepto num lance em que Samu o apanhou adiantado e quase marcava de chapéu. Enorme defesa aos 68'. Bom jogo de pés.

Fresneda (6) - Brilhou pelo segundo jogo consecutivo ao marcar novamente à ponta-de-lança. O golo valeu-nos um ponto. Quebrou fisicamente a partir dos 60'. 

Diomande (5) - Esteve muito bem durante quase todo o jogo. Impôs-se na defesa, em diversos cortes. Claudicou no golo portista e viu um vermelho escusado a segundos do fim.

Gonçalo Inácio (4) - Exibição oscilante. Desconcentrado, entregou a bola aos 27': quase nos custou um golo. E deu margem de manobra para Namaso marcar aos 90'+4.

Maxi Araújo (6) - Articulou-se bem com Quenda no corredor esquerdo: teve ponto alto no lance do nosso golo, iniciado por ele. Bom corte aos 74'. Saiu esgotado.

Morten (7) - Pendular, como já nos habituou. É ele a controlar e pautar o nosso jogo, tanto ofensivo como defensivo. O primeiro remate com perigo, de cabeça, foi dele logo aos 4'.

João Simões (4) - Azarado. Estava a combinar bem com Morten no meio-campo quando se lesionou após choque com Eustáquio. Saiu em lágrimas.

Daniel Bragança (4). Muito apagado. Longe da influência no plano táctico e da robustez no plano físico que as suas movimentações como médio ofensivo exigem.

Trincão (6) - Tentou o golo aos 35': saiu ligeiramente ao lado. Construiu para Harder marcar, aos 52'. Foi o melhor que fez. Mas soube trabalhar para a equipa, à frente e atrás.

Quenda (8) - Lance de génio em progressão, sentando três portistas. Daí resultou o passe para golo. Podia ter marcado no último lance quando foi rasteirado na área. Melhor em campo.

Harder (5) - Fez o que pôde, mas foi insuficiente. Falhou o golo aos 52'. Esteve mais perto de marcar aos 57', após canto apontado por Quenda, mas também sem conseguir. 

Debast (5) - Entrou aos 23', rendendo João Simões. Numa posição em que não está rotinado. Cumpriu os mínimos, sem brilho. Faltou-lhe dinâmica a complementar Morten.

Gyökeres (6) - Só saltou do banco aos 69', substituindo Harder. Mais acutilante, logo a seguir ofereceu golo a Quenda. Remate forte aos 90'+3. Derrubado por Djaló na área em lance duvidoso.

Morita (5) - Substituiu Bragança aos 69'. Contribuiu para fechar o corredor central, mas percebe-se que está longe do fulgor físico que evidenciava antes da lesão mais recente.

Matheus Reis (3) - Entrou aos 86, substituindo Maxi Araújo. Perdeu a cabeça nos instantes finais, protestando sem parar, o que lhe valeu dois amarelos e a expulsão. Fica fora do próximo jogo.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

De impor ao FC Porto um empate no Dragão. Quando faltava um minuto e meio para o apito final vencíamos por 1-0. 

 

De ampliar a distância para a turma portista. Antes deste clássico tínhamos oito pontos de vantagem sobre o FCP, actual terceiro na classificação. Continuamos assim, mas na prática levamos agora nove pontos de avanço, pois no confronto directo eles ficam a perder connosco. Em Alvalade, vencemos 2-0. Lá, ontem à noite, registou-se empate (1-1). Resultado mais positivo para nós do que para os da freguesia da Campanhã, naturalmente.

 

De Quenda. Melhor em campo, confirmando-se como o grande desequilibrador da nossa equipa. Aos 42' protagonizou um lance genial, junto à linha esquerda, deixando sucessivamente para trás João Mário, Zé Pedro e Neuhén, impotentes para o travar. Foi à linha final e cruzou com precisão para a grande área, oferecendo a oportunidade que Fresneda não desperdiçou. Sempre envolvido no compromisso defensivo sem nunca desperdiçar uma oportunidade de contra-ataque. Podia ter marcado no minuto final: ia embalado para a baliza quando Zé Pedro o ceifou em zona proibida, ficando impune.

 

De Fresneda. Quando o nosso grande goleador não está, improvisa-se outro. Por vezes o mais inesperado. Pela segunda jornada consecutiva o jovem lateral espanhol faz a diferença passando de defesa direito a ponta-de-lança. Foi assim que apareceu na área aos 42', aproveitando da melhor maneira a oferta de Quenda. Remate sem preparação, de pé esquerdo, sem hipóteses para Diogo Costa. Assim fixou o resultado ao intervalo: 1-0. E até já se exprime num português quase fluente, como demonstrou nas declarações após o jogo. Confirma-se: deixou de ser peça descartável no plantel leonino.

 

De Morten. Parece estar em todo o lado. Incansável, infatigável. Toda a construção ofensiva passou por ele. Fundamental também no trabalho sem bola, controlando as operações no plano táctico como prolongamento do treinador em campo. Oportuníssimo corte aos 45'+5, notáveis recuperações aos 74' e aos 75'. 

 

De Diomande até aos dois minutos finais. Impressionante, o seu domínio do terreno defensivo, sobretudo no jogo aéreo. Cortou tudo quanto havia para cortar numa alucinante sucessão de lances de elevado risco, sobretudo na segunda parte. Aos 54', 63', 82', 83', 89 e 90'+1. 

 

De uma excelente defesa de Rui Silva. Teste aos seus reflexos entre os postes superado: aos 68' voou para a esquerda impedindo um cabeceamento de Pepê que levava selo de golo. São momentos como este que definem os grandes guarda-redes. No golo sofrido, nada podia fazer.

 

De ver seis portugueses no onze titular. Foram estes: Rui Silva, Gonçalo Inácio, João Simões, Trincão, Daniel Bragança e Quenda. Há quem considere isto irrelevante. Não é o meu caso, como adepto do Sporting Clube de Portugal. 

 

De registar 51 pontos à 21.ª jornada. Superado outro obstáculo na rota do título. E na conquista do bicampeonato que nos foge há 74 anos. 

 

De Rui Borges. Empate em terreno sempre difícil após três triunfos consecutivos - contra Rio Ave, Nacional e Farense. Continua sem conhecer o sabor da derrota em partidas do campeonato. 

 

 

Não gostei

 

Do empate consentido quando só faltava minuto e meio para o fim do jogo. Dois erros individuais perturbaram a dinâmica colectiva, retirando-nos dois pontos que já pareciam garantidos. Algo que se costuma pagar caro em alta competição. 

 

Da lesão de João Simões. Em cada jogo, perdemos um elemento do plantel. Desta vez foi logo aos 22': o jovem médio magoou-se seriamente num joelho em disputa de bola com Eustáquio. Ainda tentou prosseguir, mas três minutos depois sentou-se no chão, já em lágrimas: teve de ser substituído por Debast, central improvisado como médio de recurso. Não foi a mesma coisa. 

 

Das ausências iniciais de Gyökeres e Morita. Ambos ainda sem condição física para jogarem 90 minutos. Começaram sentados no banco, de onde só saltaram aos 69'. Naturalmente sem a influência revelada noutros desafios

 

De Gonçalo Inácio. É um central muito acima da média, mas tem inexplicáveis lapsos de concentração nos momentos mais inoportunos. Ontem, aos 27', ofereceu a bola a Samu, o que nos ia custando um golo de Eustáquio: felizmente a bola foi ao ferro. Aos 90'+4, quase à boca da baliza, permitiu que Namaso se movimentasse livre de marcação no golo do empate. 

 

De Harder. Não era a noite dele. Maxi Araújo ofereceu-lhe o golo aos 52', mas desaproveitou com um remate desajeitado, muito por cima. Cinco minutos depois, após pontapé de canto por Quenda, tentou dar o melhor caminho à bola em lance acrobático, sem conseguir. Teve estas duas hipóteses, sem concretizar nenhuma. Saiu aos 69', certamente frustrado. 

 

De Diomande nos dois minutos finais. É ele a pôr Samu em linha na jogada do golo portista. Depois, na baliza contrária, descontrolou-se em absoluto quando já estava amarelado cedendo às provocações de Fábio Vieira. Recebeu o segundo amarelo, foi expulso e falha o jogo contra o Arouca. Tornando ainda mais difícil a vida a Rui Borges.

 

De Matheus Reis. Rendeu um esgotado Maxi Araújo aos 86'. Mais valia não ter entrado. Excedeu-se em protestos aos 90'+6, acabando expulso. Outra baixa no desafio contra o Arouca. E não pode sequer invocar a extrema joventude como atenuante: já tem 29 anos.

 

De terminar só com nove em campo. Como se não bastassem as lesões prolongadas de Nuno Santos e Pedro Gonçalves, a lesão recente de Geny e a lesão de João Simões já no decurso do jogo, além de termos Morita e Gyökeres muito longe da melhor forma.

 

Da arbitragem. João Pinheiro abandonou o critério largo protagonizando um festival de cartões: começou por arbitrar "à inglesa", acabou por apitar à pior maneira tuga. O mais grave foi ter feito vista grossa a dois penáltis: um sobre Gyökeres, agarrado por Tiago Djaló em posição frontal à baliza, outro sobre Quenda, derrubado por Zé Pedro em lance que prometia golo. Culpas repartidas, em qualquer dos casos, com o vídeo-árbitro Tiago Martins. Um dos piores árbitros portugueses não se torna competente quando passa a VAR, longe disso - como estas situações comprovam.

Soma e segue

Acabamos de empatar (1-1) no Dragão. 

Há cinco jogos seguidos que os portistas não conseguem vencer no campeonato. Algo que não lhes acontecia desde 1981.

Nas últimas oito partidas que disputaram, só ganham uma.

Temos agora 51 pontos, mais oito do que o FCP. Que, na prática, são nove. Porquê? Na primeira volta, em Alvalade, vencemos a turma azul e branca por 2-0

O Sporting soma e segue, rumo ao bicampeonato. Faltam 13 jornadas.

O dia seguinte

Custa empatar assim, mais fruto do desgaste da nossa equipa do que do mérito da equipa contrária, e custa mais com estas valentes Pinheiradas no lombo. Dois penáltis escamoteados e depois um árbitro de má consciência completamente desvairado e a disparar cartões em todos os sentidos.

Se esta personagem é o melhor árbitro português então como são os outros? E não foi por competência ou falta dela: foi mesmo por canalhice, não aceitou sentenciar por penálti a derrota do clube do Pinto da Costa, a quem no passado prestou muitos favores e pelos vistos ainda tem contas por saldar.

 

Na primeira parte o Sporting foi muito superior mas não soube definir lances de contra-ataque perigosos. Um disparate do Inácio deu bola na trave do adversário, um belo lance de Quenda deu golo de Fresneda. Pelo meio João Simões foi posto fora de jogo numa entrada dura do Eustáquio.

Na segunda parte o Porto entrou forte e o desgaste foi-se acentuando. Gyökeres e Morita entraram em serviços mínimos e o Sporting foi-se encostando à defensiva até sofrer um golo bem conseguido pelo adversário. Pelo meio, Gyökeres foi agarrado na grande área contrária quando estava em 1x1, Quenda esqueceu-se de que Morita estava isolado para empurrar para golo e foi derrubado também na grande área. O palhaço Vieira fez o seu número a que o Pinheiro bateu palmas.

São assim os jogos do Sporting no Dragão, com Pinto da Costa ou Villas-Boas. Os hábitos e o ambiente estão consolidados, os árbitros entram com chumbo azul nos miolos, e o resultado é sempre bem melhor para eles do que podia ser.

 

Melhor em campo? Hjulmand, não digo o Quenda porque foi estupidamente egoísta naquele lance que sentenciava o jogo.

Arbitragem? Este Pinheiro é o escorpião da parábola, por muito que tente ser um árbitro, sempre estraga tudo no final.

E agora? O Porto passou a lutar com o Braga para o 3.º lugar e a corrida para o título vai ser a dois, sendo que vamos ficar sem jogadores para os próximos encontros pelas Pinheiradas.

SL

Prognósticos antes do jogo

Amanhã, às 20.15, vamos ao Dragão. Defrontar o clube que segue em terceiro no campeonato nacional de futebol. O mesmo clube que na primeira volta derrotámos em Alvalade por 2-0, com golos de Gyökeres e Geny.

O moçambicano estará ausente, por lesão, mas o sueco já recuperou: Rui Borges irá apostar nele como titular. Má notícia para o FC Porto, agora desfalcado de Nico González (vendido ao Manchester City) e Galeno (vendido ao Al-Ahli, da Arábia Saudita). 

Na época passada empatámos lá 2-2: foi no final de Abril, quando estávamos muito próximos da conquista do título.

Como vai ser desta vez? Aguardo os vossos prognósticos.

2024 em balanço (7)

aaaaaaaaaaaaa.jpg

 

DERROTA DO ANO: 3-4 CONTRA O FC PORTO NA SUPERTAÇA

À quinta tentativa, o FC Porto conseguiu enfim: a 3 de Agosto venceu o Sporting, conquistando a Supertaça, disputada no estádio municipal de Aveiro.

Vista do nosso lado, esta derrota soou a pesadelo. Estivemos a vencer por 3-0 e deixámos que os portistas conseguissem a reviravolta, triunfando por 4-3 já no prolongamento. 

Nada fazia prever este desfecho.

Marcámos o primeiro logo aos 6', por Gonçalo Inácio. O segundo surgiu aos 9', por Pedro Gonçalves.

O terceiro - fantástico golo - aconteceu aos 24', pelo jovem Quenda, em estreia simultânea como titular e artilheiro da equipa principal. Justificando elogio, tal como Gyökeres: o sueco não marcou, mas fez duas assistências.

Aos 28', Galeno reduziu. Fixando o resultado ao intervalo: 3-1.

 

E depois? Acentuou-se o naufrágio defensivo do onze leonino, que assim se estreou da pior maneira na temporada oficial 2024/2025. Sofremos dois outros golos, aos 64' e aos 66'. Aos 101', consumou-se o descalabro.

Pecámos por desconcentração e excesso de confiança. A soberba é má conselheira - no futebol como na vida. Não afectou só os jogadores e a equipa técnica, mas muitos adeptos. Incluindo alguns imbecis das claques que ao minuto 36 ou 37 desataram a atirar tochas e a fazer estalar fogo de artifício como se tivessem ganho alguma coisa.

O nosso treinador esteve inexplicavelmente passivo: nem parecia ele. Ruben Amorim só se dignou fazer a primeira substituição aos 83': mandou sair Trincão, mandou entrar Edwards. Mera troca posicional, que nada alterou para melhor. Num desafio em que tivemos dois estreantes com prestação negativa: Vladan, com culpas no primeiro e no quarto golo; e Debast, envolvido em duas "assistências" à turma adversária.

Mas vale a pena acrescentar: foi a única vitória do actual treinador portista, Vítor Bruno, contra a nossa equipa. Depois disso o FCP já nos defrontou duas vezes - e perdeu sempre, tanto para a Liga 2024/2025 como para a Taça da Liga, em que foi eliminado pelo Sporting. 

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

           Derrota do ano em 2019: Supertaça (4 de Agosto)

Derrota do ano em 2020: 1-4 contra o Lask Linz em casa (1 de Outubro)

Derrota do ano em 2021: 1-5 contra o Ajax em casa (15 de Setembro)

Derrota do ano em 2022: 1-4 contra o Marselha em França (4 de Outubro)

Derrota do ano em 2023: 1-2 contra o Benfica na Luz (12 de Novembro)

Depois do Benfica, o Porto

Dois jogos muito complicados, dois testes superados. Parabéns, Rui Borges.

Acabamos de eliminar o FC Porto na meia-final da Taça da Liga. Bastou 1-0, golo de Gyökeres, para remetermos a turma portista para a borda do prato - a mesma equipa que já tinha sido eliminada da Taça de Portugal pelo Moreirense.

Nove dias depois de termos derrotado o Benfica em Alvalade, para o campeonato. No desafio de estreia do novo técnico à frente da nossa equipa.

Que diferença entre este ciclo do Sporting e o que antecedeu a chegada do actual treinador. Repito o que já escrevi: Rui Borges chegou com 44 dias de atraso. Mas ainda a tempo, cada vez estou mais convicto disto.

Sem complexos, sem receio: Leão é assim

Sporting, 1 - Benfica, 0

descarregar.webp

Geny fez a diferença ao marcar o golo. Garantiu três pontos e o regresso do SCP ao comando

Foto: Lusa

 

Foi uma das melhores primeiras partes do Sporting nesta época que vai quase a meio. Foi também a primeira com o novo treinador no banco: Rui Borges.

Alguém acredita em coincidências?

Pois eu também não. A nossa equipa, que vinha definhando e protagonizando pálidas exibições nas semanas precedentes, ressurgiu no momento certo, contra o adversário mais difícil. Dando a resposta mais adequada.

O Benfica, fruto da nossa pressão constante, fez a pior primeira metade da temporada a nível nacional. E sofreu a primeira derrota em 2024/2025 sob o comando de Bruno Lage para o campeonato.

Foi a Alvalade e naufragou. Chegou lá pouco depois de ter assumido o comando da prova, saiu de lá em terceiro.

"É a vida" - dirão alguns, crentes nos insondáveis caprichos do destino. É a competência - digo eu.

 

Este Sporting que entrou em campo no domingo à noite, 29 de Dezembro, era-nos familiar. Mas, ao mesmo tempo, pareceu irreconhecível. Por vários motivos.

Desde logo por se ter apresentado em campo com uma linha defensiva formada por quatro jogadores: Diomande e St. Juste ao meio, Quaresma à direita, Matheus à esquerda. Depois, por ter dois alas que funcionaram como extremos: Geny à direita, Quenda à esquerda. Finalmente, terá sido o onze leonino com menos canhotos dos últimos quatro anos. Contei quatro: Matheus, Geny, Quenda e Trincão. 

Dir-se-á: foi mudança subtil. Mas demonstra como Rui Borges, com apenas três dias de treino, não hesitou em imprimir a sua marca neste Sporting que continua a sonhar com o bicampeonato. Os quatro jogos sob a batuta de João Pereira, com oito pontos perdidos, foram fugaz percalço neste percurso.

 

Nunca tinha visto um SLB tão frágil este ano, a nível interno.

Durante toda a primeira parte, a turma visitante esteve sufocada pela intensa pressão dos nossos jogadores. Pelos flancos e pelo corredor central, onde Morita várias vezes actuou como quinto elemento na manobra ofensiva, forçando o erro dos encarnados, que mal saíam dos primeiros 30 metros.

Num destes lances colectivos nasceu o golo do triunfo que nos valeu três pontos e o regresso à liderança do campeonato.  Lançamento lateral, à esquerda: Quenda dirige a bola para Gyökeres, que conquista o espaço a Tomás Araújo, deixa o central encarnado para trás e leva a bola a percorrer em largura quase todo o reduto benfiquista com Geny, vindo de trás, a  metê-la lá dentro. Perante um Carreras atónito com tanta eficiência leonina.

 

Este foi o momento do jogo. Também o momento que definiu o herói da partida: Geny, que já no campeonato anterior havia bisado frente ao Benfica, aliás com um golo muito semelhante a este, mas com Pedro Gonçalves no papel de Gyökeres.

Assim culminou o virar de página: Rui Borges mostrou ser possível fazer muito com o que há. Sem culpar lesões, postes ou arbitragens. 

Nesse primeiro tempo o Sporting esteve sempre por cima. E aproximou-se pelo menos duas vezes do 2-0. Por Quenda, aos 17'. E por Gyökeres, aos 40'. Nenhum deles falhou. Quem brilhou foi Trubin, com duas espectaculares defesas entre os postes. O guardião ucraniano foi, de longe, o melhor elemento benfiquista.

Os números confirmam: nos 45 minutos iniciais roubámos cinco vezes a bola ao adversário nos primeiros 30 metros a contar da baliza encarnada. Nada de semelhante se passou na situação inversa. Nem andou lá perto.

 

Na segunda parte houve mais equilíbrio. O Sporting atenuou a pressão: não havia condições para manter aquele ritmo tão intenso. A quebra física de Morita por volta da hora de jogo, primeiro, e do excelente Eduardo Quaresma, cerca de dez minutos depois, ditaram novo rumo à partida. Mas a nossa equipa jamais se desorganizou nem recuou linhas sem manter o controlo das operações. Consentindo o domínio ao rival sem nunca se desconcentrar.

É verdade que neste período o Benfica teve uma grande oportunidade de golo, por Amdouni. Mas só essa. No quarto de hora final, já com eles cansados, tivemos duas. Num ataque fulminante de Geny, aos 85', e num tiro de Gyökeres, aos 88'.

Mais importante ainda: com o novo sistema posto em prática no Sporting, Rui Borges surpreendeu Bruno Lage e vulgarizou os desequilibradores da equipa rival. Os números comprovam: Di María perdeu 22 vezes a bola, Akturkoglu ficou sem ela 16 vezes.

 

Em suma: acabamos de derrotar o Benfica pela terceira vez consecutiva, em duas provas, o que não sucedia desde 1994-1996. Recuperámos a liderança da Liga que só nos fugiu durante cinco dias, naquele interregno que não passou de um equívoco. 

Mantemos os mesmos 40 pontos que tínhamos na Liga 2023/2024. Mas agora com mais golos marcados (44, contra 37 há um ano) e menos golos sofridos (apenas 10, contra 17 na mesma fase do campeonato anterior).

Melhor que tudo: os jogadores adaptaram-se muito bem ao novo sistema táctico que Rui Borges trouxe para Alvalade. Sem complexos, sem receio, sem pedir licença a ninguém.

Leão é mesmo assim.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel (7) - Cumpriu: duas grandes defesas, aos 26' e aos 56'. Teve muito menos trabalho do que Trubin.

Eduardo Quaresma (7) - Adaptou-se bem a lateral: sete desarmes, 91% de passes certos. Notável a sair, conduzindo a bola. Saiu exausto, aos 71'.

Diomande (8) - Comandante-em-chefe da defesa leonina: desempenho impecável. Aos 67, num movimento veloz, anulou incursão de Di María: comemorou como um golo.

St. Juste (7) - Formou súbita parceria com o jovem marfinense. Combinaram muito bem no centro da defesa. Veloz nas dobras, como se impunha.

Matheus Reis (7) - Tinha como missão anular a dinâmica ofensiva de Di María no corredor direito encarnado. Missão bem-sucedida, forçando o argentino a procurar outras paragens.

Geny (8) - Voltou a fazer a diferença, como na época anterior contra o SLB e já nesta Liga contra o FCP. Marcou o golo decisivo (29'). Encostou Carreras às cordas. Rende mais neste sistema.

Morten (8) - Um gigante: parece sentir prazer especial em jogos grandes. Impôs-se a Florentino, venceu o duelo no meio-campo, distribuiu em várias direcções. Nove recuperações são dele.

Morita (7) - Regressou ao onze, após lesão, como joker de Rui Borges. Excelente primeira parte, a ligar sectores com notável precisão de passe. Compreensível quebra física no segundo tempo.

Quenda (7) - Na posição em que menos rende, à esquerda, foi essencial na pré-assistência (lançamento lateral) para o golo. Anulou Bah. O mais jovem leão de sempre a jogar contra SLB.

Trincão (6) - Em dia de aniversário, actuou próximo de Gyökeres como interior direito, ajudando a baralhar marcações. Não marcou nem deu a marcar, mas pôs Otamendi em sentido.

Gyökeres (7) - Combativo, voltou a atacar a profundidade, como tanto gosta. Num desses lances, fez o excelente passe para o golo. Mais um. Venceu por completo o duelo com Tomás Araújo.

Maxi Araújo (5) - Entrou aos 71' para render Quenda. Sem mostrar mais atributos técnicos e tácticos do que o benjamim da equipa. 

João Simões (5) - Substituiu Morita aos 71'. Cumpriu no essencial, sem rasgo, numa altura em que se impunha sobretudo contenção ofensiva e retenção de bola.

Fresneda (4) - Saltou do banco para render Quaresma (71'). Lateral de origem, não potenciou este atributo. Ganhou um duelo mas perdeu três. Não parece ter qualidade para este plantel.

Harder (4) - Substituiu Trincão aos 81'. Não foi feliz nestes escassos minutos em que pôde disputar o clássico. Falhou um cruzamento aos 86'.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

 

Gostei

 

Da estreia de Rui Borges ao leme da equipa. Entrada à campeão, vencendo o Benfica em nossa casa (1-0). Depois de apenas três sessões de treino com a equipa, que correspondeu da melhor maneira ao desafio de trabalhar com o terceiro técnico da temporada. Após Ruben Amorim (onze jogos, onze vitórias) e João Pereira (quatro jogos, uma vitória, um empate e duas derrotas). 

 

Da adaptação táctica. Durante cinco anos vimos a equipa organizada a partir de uma linha de três centrais. Mas o novo treinador não hesitou em impor as suas ideias, claramente bem acolhidas. Com Diomande e St. Juste no centro, Eduardo Quaresma e Matheus Reis como defesas laterais. Lá na frente, os médios-ala projectados em extremos - Quenda pela esquerda, Geny pela direita. Com sucesso. Confirmando que Rui Borges é um profissional com personalidade e tem plena confiança no seu critério.

 

De Geny. Tornou-se o nosso talismã nos chamados "jogos grandes". Bisou na recepção aos encarnados no campeonato anterior e marcou ao FC Porto já na Liga 2024/2025. Anteontem à noite foi ele a desfazer as dúvidas ao marcar um golaço quando decorria o minuto 29'. Culminando excelente jogada colectiva do Sporting iniciada com um lançamento lateral de Quenda e prosseguida por Gyökeres, que sentou Tomás Araújo, competente defesa benfiquista mas que neste clássico esteve irreconhecível. O craque moçambicano foi o melhor em campo, ganhando sucessivos duelos com Carreras, o lateral adversário que tentou travá-lo, quase sempre sem sucesso. 

 

De Gyökeres. Não marcou, mas continua a trabalhar imenso para a equipa. E voltou a contribuir para um golo, com o passe para o centro da área a solicitar a bem-sucedida desmarcação de Geny. Ainda tentou o golo por duas vezes, aos 40' e aos 88': só não aconteceu devido a grandes defesas de Trubin, o melhor da turma visitante.

 

De Morten. Impõe-se cada vez mais como esteio no meio-campo leonino. Grande recuperador e distribuidor de jogo, exibe resistência sem limites. Vulgarizou completamente Florentino, que foi acumulando disparates, ofuscado pelo nosso capitão no confronto a meio-campo.

 

De Diomande. Mostrou-se à altura de Coates, como seu sucessor enquanto patrão da defesa, sem acusar a súbita mudança operada no sistema táctico. Fez eficaz parceria com St. Juste e soube manter sob vigilância o mais imprevisível dos benfiquistas, Di María. Só uma vez foi ultrapassado, mas acelerou ainda a tempo de anular o lance ofensivo, aos 67'. Um corte que mereceu aplauso das bancadas como se tivesse sido golo. 

 

De Eduardo Quaresma. Trabalhador incansável. É um dos símbolos deste Sporting que sonha com o bicampeonato e vai fazer tudo para que esta meta se torne realidade. Pelo menos três cortes preciosos, no momento exacto - aos 43', 52' e 54'. E atreveu-se um par de vezes a progredir com a bola, queimando linhas, semeando o pânico no meio-campo defensivo dos encarnados.

 

Do regresso de Morita. O internacional nipónico voltou após lesão. E comprovou-se em toda a primeira parte - totalmente dominada pelo Sporting - a falta que fazia. A abrir espaços, a ligar linhas, a colocar a bola com precisão cirúrgica. Quando começou a claudicar, por cansaço físico, a equipa ressentiu-se.

 

Da lotação esgotada. Mais de 48 mil espectadores em Alvalade na noite de domingo. Casa cheia para ver um bom espectáculo. A maior afluência de público da temporada ao nosso estádio.

 

Do árbitro. Boa actuação de Fábio Veríssimo. Deixou jogar, aplicando critério largo sem apitar por tudo e por nada. E manteve critério uniforme, o que merece registo.

 

Da homenagem a Nani antes do jogo. Formado em Alvalade, grande figura do futebol internacional, o campeão europeu não esquece as raízes. Foi brindado com merecida e sentida ovação. Aos 38 anos, certamente ainda gostaria de calçar num clássico como este.

 

Da subida do Sporting na classificação. Entrámos para este jogo em terceiro lugar, com o FC Porto no comando à condição, saímos em primeiro. De novo no topo, retomando a liderança que tínhamos até há escassos dias.

 

 

 

Não gostei

 

Da saída de Quaresma, com lesão muscular. Teve de abandonar o relvado amparado, aos 71', após ter dado tudo em campo. Felizmente parece ser lesão sem gravidade.

 

De Fresneda. Entrou aos 71', substituindo Quaresma. Fez um corte providencial aos 83'. Mas perdeu-se em acções inconsequentes, atirando duas vezes a bola para fora, oferecendo-a uma vez a Carreras (81') e claudicando no início da construção. Tarda em impor-se no plantel leonino.

 

Da frase batida "dérbi eterno". Os comentadores e relatores usam e abusam deste chavão, que se tornou insuportável lugar-comum. O Sporting é de Portugal inteiro, não é clube de Lisboa. Dérbi é um Benfica-Casa Pia ou um Benfica-Oriental. E nada em futebol é eterno.

Feliz Ano Novo

Desfeitas as dúvidas: precisávamos mesmo de um treinador.

Na estreia de Rui Borges à frente da nossa equipa, acabamos de vencer o Benfica em Alvalade. Golo de Geny, aos 29'. Confirma-se: o craque moçambicano tem especial apetência por marcar aos encarnados.

Começámos este jogo em terceiro, com o FC Porto no comando provisório da Liga, e terminamos novamente em primeiro.

Não podia haver melhor notícia para a massa adepta leonina.

Derrotamos os encarnados pela segunda época consecutiva em nossa casa. Entramos em 2025 no topo. E com vantagem competitiva sobre os nossos dois rivais, ambos batidos em Alvalade. Pormenor a considerar, num cenário de igualdade pontual.

Feliz Ano Novo.

Prognósticos antes do jogo

Terminamos um mês alucinante com o clássico dos clássicos: o Sporting-Benfica que irá disputar-se amanhã, a partir das 20.30. 

Será um teste decisivo para o novo treinador do Sporting, Rui Borges. Estreia com jogo grande após escassos três dias de treinos.

Desafio-vos a deixarem aqui os vossos prognósticos. Lembrando que há oito meses vencemos o SLB em nossa casa. Por 2-1, com bis de Geny, astro maior dessa noite vitoriosa. Chamei-lhe "herói do jogo", com toda a justificação. Graças ao craque moçambicano, demos aí um passo de gigante para conquistar o título. 

{ Blogue fundado em 2012. }

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D