Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Sporting-FC Porto: balanço da década

2011/2012: 0-0

Treinador: Domingos Paciência

2012/2013: 0-0

Treinador: Jesualdo Ferreira

2013/2014: 1-0 (golo de Slimani)

Treinador: Leonardo Jardim

2014/2015: 1-1 (golo de Jonathan Silva)

Treinador: Marco Silva

2015/2016: 2-0 (golos de Slimani)

Treinador: Jorge Jesus

2016/2017: 2-1 (golos de Slimani e Gelson)

Treinador: Jorge Jesus

2017/2018: 0-0

Treinador: Jorge Jesus

2018/2019: 0-0

Treinador: Marcel Keizer

2019/2020: 1-2 (golo de Acuña)

Treinador: Silas

2020/2021: 2-2 (golos de Nuno Santos e Vietto)

Treinador: Rúben Amorim

 

Balanço destes clássicos disputados nas últimas dez temporadas no estádio José Alvalade para o campeonato nacional de futebol: três vitórias do Sporting, uma do FCP e seis empates.

Marcámos oito golos, sofremos cinco.

Melhor marcador: Slimani, com três.

 

...................................................

 

Por curiosidade, segue-se o quadro descritivo dos mesmos confrontos registados nas dez épocas anteriores:

 

2001/2002: 1-0 (golo de Niculae)

Treinador: Laszlo Boloni

2002/2003: 0-1

Treinador: Laszlo Boloni

2003/2004: 1-1 (golo de Pedro Barbosa)

Treinador: Fernando Santos

2004/2005: 2-0 (golos de Liedson e Carlos Martins)

Treinador: José Peseiro

2005/2006: 0-1

Treinador: Paulo Bento

2006/2007: 1-1 (golo de Djaló)

Treinador: Paulo Bento

2007/2008: 2-0 (golos de Izmailov e Vukcevic)

Treinador: Paulo Bento

2008/2009: 1-2 (golo de Moutinho)

Treinador: Paulo Bento

2009/2010: 3-0 (golos de Djaló, Izmailov e Miguel Veloso)

Treinador: Carlos Carvalhal

2010/2011: 1-1 (golo de Valdés)

Treinador: Paulo Sérgio

 

Balanço desses clássicos da penúltima década disputados no estádio José Alvalade para a Liga portuguesa: quatro vitórias do Sporting, três do FCP e três empates.

Marcámos doze golos, sofremos sete.

Melhores marcadores: Djaló e Izmailov, com dois.

Contra os Conformistas, Marchar, Marchar

Bem sei que os comentadores do costume, nas jornais e nas TV, estão a todo o gás a inculcar a mensagem de que o Sporting está no caminho certo e que temos de aceitar a direcção que temos, porque somos um clubezinho que já não se compara ao SLB e FCP.

Bem sei da grande influência que esta gente tem sobre os adeptos/ sócios do Sporting e de outros clubes.

Bem sei que, de tão fraquinhos que somos, é suposto aplaudir o facto de não termos perdido com o Porto em casa, no passado Sábado (foi o VAR... apesar dos dois golos infantis sofridos).

( e bem sei que isto é como lutar contra moinhos de vento...)

Ainda assim, e porque me preocupa que se instale no Clube uma espécie de conformismo derrotista, em que vamos alegremente deslizando de ano para ano rumo ao meio da tabela, gostaria de vincar aqui alguns pontos: 

1. A última época foi das piores, desportivamente, da história do Clube; os resultados são directamente imputáveis a uma direcção que vendeu todos os bons jogadores do plantel e não foi capaz de fazer uma única contratação à altura (e que agora tem de pagar X milhões por ano a jogadores que ninguém quer);

2. A julgar pelas decisões da direcção, os únicos responsáveis pela desastrosa época 2019-2020 foram os treinadores e Beto - aliás, Viana parece ter saído reforçado;

3. Ao longo de toda a época, elementos da direcção não pararam de contribuir para a instabilidade no Clube, classificando quem os critica de "anormais", "escumalha" e afins.

4. Esta época começou com uma eliminação da Liga Europa pelo 5º classificado do campeonato austríaco, ainda por cima com uma goleada em casa; esta época estamos ao nível do Rio Ave e do Famalicão, já nem do Braga;

5. Apesar de a época de 2019 ter terminado em Fevereiro do ano passado, dando 6 meses de preparação da nova época, o plantel do Sporting revela lacunas enormes, sobretudo na defesa (6 golos sofridos em 2 jogos em casa) e no ataque, não tendo opções para jogo dentro da área adversária (apenas Luiz Phellype); daquilo que vi até agora, o Sporting não tem jogadores para o sistema que o treinador quer implementar.

6. Ao longo de 3 anos, esta direcção fez zero (repito: ZERO) para contrariar o domínio das instituições de arbitragem pelos dois principais clubes; estava mais concentrada em atacar as claques do Clube e os sócios que criticavam a direcção; agora, indigna-se com decisões do VAR.

7. Com esta direcção o desrespeito pelo Clube atingiu limites inimagináveis, devido aos resultados desportivos e às peripécias de não pagamento de contratações ao Braga, ou de supostas tentativas de contratar metade do plantel do Braga - que este clube explora mediaticamente a seu favor, apresentando o Sporting como uma estrutura de tontos.

No meu post de ontem - https://sporting.blogs.sapo.pt/4-anos-sem-ganhar-ao-fcp-e-5-anos-sem-5900046 - chamei atenção para o facto de, com esta direcção, o Clube não ter ganho nenhuma vez um derby ou um clássico para a Liga. Que me recorde, nunca tal aconteceu com outra direcção. 

A maioria das críticas foram no sentido de "isto não é de agora, há muito tempo que é tudo uma porcaria". As últimas décadas não são famosas, é um facto, mas não foi assim há tanto tempo que disputamos taco-a-taco o último campeonato e demos 3-0 na Luz... ou ganhamos a SuperTaça ao SLB. No desporto, às vezes ganha-se e outras perde-se. Mas perder tantas vezes seguidas como nos últimos anos (várias de goleada...) não é aceitável para um sportinguista que se preze.

Um dos últimos comentários ao meu post, deixou-me pasmo, mas diz tudo: é preciso "enaltecer o trabalho que se está a tentar fazer". Sim, temos de de nos dar por contentes por não termos perdido com o Porto em casa e "enaltecer" a direcção. Isto de um adepto do Sporting, não do Marítimo ou do Farense.

O problema está aqui: muita gente no Sporting, começa a pensar como adepto de Clube de meio da tabela. E os verdadeiros sportinguistas não podem aceitar esse miserabilismo. Não podem aceitar ver o clube definhar de ano para ano, em apenas 4 anos ir de golear na Luz a festejar não perder em casa com o Porto.

Bem sei que estas opiniões são minoritárias, mas diz bem do que é a lavagem cerebral a que os sportinguistas estão hoje sujeitos, numa das fases mais negras da existência do Clube - que já nem europeu é - e em que nos prometem "alegrias". Todos os dias, promessas de alegrias. Mas só se "enaltecermos" a direcção. Se não, somos "anormais".

É meu dever de consciência, enquanto sportinguista, não deixar que este pensamento medíocre tome conta do Clube, tornando irremediável a pronunciada trajectória descendente em que nos encontramos. E a primeira coisa a fazer é remover quem, por total e manifesta incompetência, colocou o Clube nessa espiral para fora da Europa e dos topos das tabelas.

4 anos sem ganhar ao FCP (e 5 anos sem ganhar ao SLB para a Liga)

Ora então lá extraímos um pontinho ontem do Clássico de Alvalade. Podia ser pior.

Na ressaca, achei interessante partilhar convosco o que é o pano de fundo dos confrontos com os nossos dois rivais. 

A nossa última vitória sobre o FCP para a Liga foi a 28 de Agosto de 2016, no início da época 2016-17. Na época anterior, curiosamente, ganhamos os 2 clássicos (3-1 no Dragão, um recital de João Mário e Slimani, jogo a que tive o prazer de assistir na bancada de sócios do clube rival):
https://www.futebol365.pt/equipa/818/comparar-com/300/confrontos/?federation_competition=392&pagina=1

A última vitória sobre o SLB para a Liga foi a 25 de Outubro de 2015 - portanto, há quase 5 anos. Uns meses antes tínhamos ganho a SuperTaça ao SLB:
https://www.futebol365.pt/equipa/101/comparar-com/818/confrontos/

Em 3 anos de direcção Varandas, registamos apenas uma vitória contra um rival: 1-0 contra o SLB em Alvalade, nas meias finais da Taça de Portugal 2018-19. Inesquecível bailado de Bruno Fernandes, a terminar com um míssil ao canto superior esquerdo da baliza vermelha. 

Outra tendência, para mim altamente preocupante, é o desnível dos resultados... Na época 2018-19 sofremos 4 golos em casa contra o SLB e poucos meses depois foi o desastre da SuperTaça no Algarve - a que tive o desprazer de assistir na bancada. 

É claro que o Sporting de 2015-2016 ou 2016-2017 não tem nada a ver com o Sporting das 3 últimas épocas. Dir-me-ão que foram as recisões. Pois, mas foi possível trazer de volta vários jogadores, incluindo o mais influente das últimas épocas, Bruno Fernandes. E os que saíram geraram receitas (à excepção de Rafael Leão), que foram esbanjadas num camião de jogadores inúteis e caros, que a actual direcção, naturalmente, não consegue colocar. Dir-me-ão que o plantel perdeu qualidade. Mas Leonardo Jardim herdou um plantel também paupérrimo, depois do desastre da última época de Godinho Lopes. E deixou o clube na Champions... 

Para mim, a diferença está na estrutura. Nos últimos 3 anos, o Sporting passou a ser um clube gerido por miúdos (Varandas e amigos), desde 2020 com um treinador "miúdo" e com uma equipa agora também essencialmente de miúdos.

Ganhamos? Grandes miúdos! 

Empatámos? Há que acreditar nos miúdos!

Perdemos? São uns miúdos... 

(Já agora, que miúdos? Os da direcção, os da equipa técnica ou os do relvado?)

E enfim, cá estamos nós com as ambições mais baixas dos últimos anos, a festejar o facto de a maior potência desportiva nacional ter "conseguido" empatar em casa, no final do jogo, com um FCP que acabou de perder dois dos seus três jogadores mais influentes.

Este é, para mim, o Novo Sporting, um clube com o palmarés de FCP e SLB, mas com a ambição de um clube de meio da tabela:
https://sporting.blogs.sapo.pt/user/blogprimario48152

Este não é, definitivamente, o clube de João Rocha. E cabe-nos a nós decidir se queremos o Sporting dos 7-1 contra o SLB ou um clube que não é capaz de ganhar aos seus rivais.

Dir-me-ão que sou pessimista. Por isso tive o cuidado de colocar acima o histórico recente dos nossos confrontos com rivais. Os números são como o algodão - não enganam.

Dir-me-ão que não tenho confiança. Numa estrutura sem currículo, e que atirou o Clube para fora da Europa? Claro que não tenho. Numa estrutura que, depois de perder 1-4 em casa com um clube austríaco num jogo decisivo para o resto da época, manda uma figura de segunda linha cometer declarações sobre as alegrias que esta equipa vai dar no futuro? 

Não nos iludamos: confiança, sem exigência e saber, é fé cega.

 

PS (5 horas depois) - Extrarordinário verificar que aqueles que tanto criticam a agressividade dos "brunistas" e/ou das claques, venham com impropérios e insultos comentar um post de alguém que tem uma visão diferente da sua. Mais, pondo em causa o sportinguismo de quem critica as opções da actual direcção. Naturalmente, não o admito e não publicarei comentários com esse teor, que em nada acrescentam à discussão e em nada beneficiam o Clube. A mim, ensinaram-me desde pequeno a pensar pela minha própria cabeça, não pela dos outros. Ensinamento esse que me tem servido sempre bem e recomendo. Se não se pode agradar a gregos ou troianos, pois bem, é a vida.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De termos enfrentado sem temor o Porto no clássico disputado em Alvalade. Dominámos no quarto de hora inicial, em que marcámos um golo e estivemos quase a marcar outro (Marchesín, com uma grande defesa, impediu aos 7' que Matheus Nunes a metesse lá dentro), e estivemos por cima durante quase toda a segunda parte, em que o melhor jogador adversário foi de longe o veterano central Pepe. Superioridade traduzida no segundo golo, o do empate, já com os campeões nacionais encostados às cordas. O empate 2-2 acabou por nos saber a pouco.

 

De Pedro Gonçalves. Para mim, o melhor em campo. Foi o elemento mais acutilante da nossa equipa, sempre em jogo, criando sucessivos desequilíbrios. Viu Marchesín negar-lhe o golo com uma defesa muito apertada, aos 37', e foi carregado em falta dentro da grande área portista no tempo extra da primeira parte - lance que originou um penálti afinal revertido por intervenção do VAR, lesando a verdade desportiva. Incansável, foi ainda este jogador - verdadeiro reforço do Sporting - a cruzar para o nosso segundo golo, aos 87', marcado por Vietto, à ponta-de-lança.

 

De Porro. Tornou-se já indiscutível como titular da ala direita leonina. Mesmo tendo sido alvo de um pisão por Zaidu logo aos 20', em lance que o deixou em evidente inferioridade física até ao intervalo, nunca virou a cara à luta nem deixou de criar perigo pelo seu flanco. Fez a assistência para o nosso golo inicial e esteve ele mesmo quase a marcar, aos 75', rematando a rasar o poste direito já com Marchesín batido.

 

De Palhinha. Regressou enfim a Alvalade, num jogo oficial, após o longo empréstimo ao Braga, durante duas temporadas. E cumpriu a missão que lhe foi pedida, funcionando como tampão do fluxo ofensivo portista no corredor central. Em excelente forma física, muito combativo, protagonizou várias recuperações de bola. Uma delas foi decisiva, aos 87', abortando a construção ofensiva da equipa adversária e dando logo início ao contra-ataque que origina o golo do empate. 

 

De Adán. Sem culpa nos golos, revelou segurança entre os postes e também a repor a bola, tanto com as mãos como com os pés. Decisivo a evitar que o Porto marcasse logo no minuto inicial, fez outra grande defesa aos 22'. Ao 85', funcionando como um líbero, saiu muito bem da baliza, gorando um ataque adversário que prometia ser perigoso.

 

Do golo de Nuno Santos. Surgiu cedo, aos 9', e foi mais um golo de grande qualidade - o segundo marcado no Sporting por este reforço leonino, correspondendo da melhor maneira a um centro de Porro: disparou ao primeiro poste, com o pé esquerdo, sem deixar a bola tocar na relva. Um golo de fazer levantar o nosso estádio - se houvesse público nas despidas bancadas de Alvalade, neste nosso primeiro jogo em casa para a Liga 2020/2021.

 

Do regresso de João Mário. Voltamos a ter um campeão europeu em título a jogar de verde e branco. Emprestado pelo Inter ao Sporting, o médio formado em Alcochete entrou em campo aos 77'. Tempo suficiente para mostrar toda a sua capacidade técnica em espaços curtos e a uma excelente leitura de jogo. Ajudou a empurrar a equipa para a frente com critério e qualidade, contribuindo para a reviravolta no marcador: conseguimos empatar a partida quando o Porto já acreditava que sairia do nosso estádio com os três pontos.

 

De ver um Sporting superior ao da época passada. Em Janeiro, perdemos 1-2 com o FCP em Alvalade. E saímos derrotados de todos os embates com Benfica e Porto nessa triste época 2019/2020. Melhorámos logo ao primeiro jogo grande da temporada em curso. Apesar de termos em campo cinco jogadores que só agora disputaram o primeiro clássico do futebol profissional em Portugal: Adán, Feddal, Pedro Gonçalves, Porro e Nuno Santos.

 

 

Não gostei
 

 

Do árbitro Luís Godinho. Fez tudo para influenciar o resultado - e conseguiu. Aos 20', poupou Zaidu a um vermelho directo por falta clamorosa sobre Porro que podia ter causado uma lesão prolongada no nosso jogador. Aos 45'+1, perdoou ao mesmo defesa do FCP - que já nem devia estar então em campo - outra expulsão por ter cometido penálti sobre Pedro Gonçalves: quando este se encontrava à sua frente, já com a posição ganha, colocou-lhe a mão no ombro, travando-lhe a impulsão no momento da recepção de uma bola na grande área. Inicialmente, o apitador exibiu o vermelho e apontou para a marca dos 11 metros. Mas foi sensível ao reparo do VAR Tiago Martins, revertendo tudo. E, para coroar este péssimo desempenho, expulsou logo de seguida Rúben Amorim, forçado a acompanhar toda a segunda parte nas bancadas, bem longe do relvado.

 

De ver o FCP marcar por duas vezes. Falhanços da nossa organização defensiva em dois momentos cruciais do jogo permitiram que a equipa adversária marcasse, por Uribe aos 25' e por Corona aos 44'. Em jogos desta importância, qualquer falta de sincronização no bloco mais recuado pode causar danos, como se comprovou.

 

De termos consentido os primeiros golos. Após duas vitórias (em casa do Paços de Ferreira e do Portimonense) sem golos sofridos, empatamos ao terceiro jogo. Ainda com um desafio em atraso - a recepção ao Gil Vicente, que vai ocorrer só no dia 28. 

 

De Jovane. Amorim apostou nele como falso ponta-de-lança, abdicando de Sporar no onze titular, mas o luso-caboverdiano - que regressou de uma lesão - parece não estar calhado para esta missão de desgaste e sacrifício, pressionado entre os centrais. Foi o elemento mais apagado da nossa equipa. Quando cedeu o lugar a Vietto, aos 56', dava a sensação de já sair tarde

 

De continuar a haver jogos sem público. Uma tristeza, vermos o nosso estádio vazio num jogo grande do campeonato. O mesmo estádio que já acolheu espectadores em dois recentes desafios da selecção nacional. Não se entende tal disparidade de critérios, com a chancela da Direcção-Geral da Saúde. Até parece que a Federação Portuguesa de Futebol é filha e a Liga de Clubes é enteada.

Um empate improvável

Começando pelo aspecto pessoal da coisa, foram muitos kms na estrada para chegar a casa a tempo de alapar no sofá e ver o jogo, com o pressentimento que muito iria sofrer e com muita azia iria ficar. Foi assim logo no início, depois a coisa ficou risonha para ficar outra vez triste e depois foi aquela situação no final do primeiro tempo, quando já não consegui ver mais e fui a certo sítio dando tempo para ouvir o comentador anunciar o golo do empate. Mas como sabemos regressei do tal sítio sem ouvir nada, foi mais uma fantochada desta arbitragem que temos, com um lance dúbio que nunca poderia ter tido intervenção do VAR. Nem ele, nem nós, nem ninguém pode ter a certeza que a decisão do árbitro tenha sido errada. Nem a visão pela TV do árbitro lhe pode ter demonstrado a 100% que a decisão que tinha antes tomado tinha sido errada. E em igualdade no marcador e com um a mais no relvado, a vitória estava facilitada.

 

Foi mesmo mais uma fantochada. E depois foi sofrer até ao fim, numa segunda parte com muita porrada e pouco futebol, sem grande esperança de alguma coisa que não fosse mais uma derrota, até mesmo no final, de pouca coisa tivesse surgido um empate que teve tanto de improvável como de saboroso. E logo pelo "pé-frio" do plantel.

Em termos de jogo, foi uma grande primeira parte: duas equipas com diferentes argumentos a procurar a vantagem, o que se traduziu em boas jogadas, três belos golos e diversas oportunidades desperdiçadas, com Pedro Gonçalves em evidência nesse aspecto. Depois o cansaço ditou leis, saiu e entrou muita gente, o futebol foi piorando, o Porto foi jogando com o cronómetro e com a certeza que com árbitros e VARs deste tipo teria sempre as costas bem quentes, Amorim foi pondo a carne toda no assador, o molho também, Coates já atacava à maluca, e fomos recompensados num corte senhorial do Palhinha e dum belo centro do tal Pedro Gonçalves.

 

Que balanço fazer deste encontro? 

O Sporting conta com um grande treinador, conseguiu fazer este ano boas contratações e construir um plantel que conta com muito talento. Falta-lhe no entanto algumas coisas essenciais, fora e dentro do campo, para ter condições para atingir os objectivos: lutar com os dois rivais e conseguir a entrada na Champions.

Faz-me muita confusão como não existe no banco alguém mais velho, um novo Manolo Vidal, para gerir as emoções e ser o único a reagir para o árbitro, e deixar o treinador à mercê das suas emoções. E depois de Amorim, os jogadores, alguns de nervos em franja, a receber amarelos completamente escusados. Os jogadores em campo têm que jogar com o árbitro, por muito ranhoso que seja, e não contra ele, o que apenas serve para lhe aumentar a ranhosice.

Também me faz muita confusão que não exista um ponta de lança inquestionável no plantel, e que tenhamos de entrar com um extremo adaptado, e depois prosseguir com um falso ponta de lança, até finalmente entrar Sporar para enfim intervir decisivamente no lance do golo.

 

Melhor em campo do Sporting para mim foi mesmo o Pote, Pedro Rodrigues, que em três ou quatro ocasiões tentou sempre atirar para o golo, ainda que sem sorte, e que depois fez o centro decisivo. 

Quanto a João Mário, vai ter de trabalhar muito para encontrar o seu lugar, porque Palhinha e Matheus Nunes são simplesmente imprescindíveis no meio-campo e mais à frente há talento para dar e vender.

SL

Bravo, rapazes!

Pois eu gostei do que vi. Desde o primeiro ano de Jesus que não via um Sporting assim. É verdade que Jovane amua e só sabe jogar de uma maneira, que Feddal é um enterra em potência e que eu gosto mais de Neto do que ele gosta de mim, mas todos os demais têm uma vontade e são de uma entrega ao jogo que impressiona. Querem provar o que valem e mostram que valem.

Mas o bandalho de amarelo fez tudo para inquinar o jogo. O Porto marcou dois golos limpos mas usou táctica inspirado no Canelas tal como anunciavam os penteados à moda de Custoias que aqueles animas do meio-campo exibiam. Foi um arraial de cacetada sempre à vontadinha que o árbitro estava lá para fechar os olhos. E depois a roubalheira do penálti. O porco sujo descaiu-se a apitar quando viu as goelas de Pote a serem arrepanhadas pela gola, mas borrou-se logo de medo com o atrevimento. Será que vamos ter outra época à Mirko Jozic?

Amanhã à noite em Alvalade

Fora da Europa e remetidos às provas caseiras, depois do interregno da Liga pelos compromissos com as selecções, vamos tentar dar sequência às vitórias obtidas com mais uma agora perante o campeão da época passada, o mesmo a que há um ano e picos ganhámos duas taças, para grande azia do morcão de serviço.

Saiu Wendel, entrou João Mário, uns estão curados do Covid outros não sei, uns estão lesionados outros parece que não, isto está realmente uma grande confusão. Mas se calhar no Porto também, só que no Sporting tudo se sabe, tudo é notícia. Sintam-se à vontade para alterar o vosso prognóstico conforme o que se for sabendo.

Eu estou por enquanto a 400 km de casa, bem mais perto do Dragão do que de Alvalade, mas farei os possíveis por chegar a tempo de sofrer em frente da TV, ansiando pelo dia em que voltarei a ocupar o meu lugar na bancada.

 

Para já, imagino que os convocados sejam mais ou menos os seguintes:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Coates, Neto, Feddal e Inácio.

Alas: Porro,  Nuno Mendes e Antunes.

Médios Centro: João Mário, Palhinha, Bragança, Matheus Nunes e Pedro Gonçalves

Interiores: Plata, Vietto e Tiago Tomás

Ponta de lança: Sporar

 

Sendo assim, prevejo que a equipa seja a seguinte:

Adán; Neto, Coates e Feddal; Porro, Palhinha, Matheus Nunes e Nuno Mendes; João Mário, Nuno Santos e Vietto.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo em Alvalade para tentar alcançar a liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

SL

Prognósticos antes do jogo

Está quase a chegar o primeiro clássico do ano: o Sporting-FC Porto, que vai jogar-se depois de amanhã, sábado, a partir das 20.30. Um jogo sem público, nesta prova organizada pela Liga, apesar de ontem ter sido autorizada a presença de cinco mil espectadores no nosso estádio para assistirem ao Portugal-Suécia (3-0), prova organizada pela FPF. 

Alguém entende esta disparidade de critérios? Eu não, de todo.

 

Vai jogar-se a quarta jornada do campeonato nacional de futebol ainda com estádios vazios - embora para o Sporting esta seja apenas a terceira participação, devido ao adiamento do jogo inaugural, em que recebíamos o Gil Vicente, e que continua por disputar.

Mas estou novamente a dispersar-me. O que eu pretendo é conhecer os vossos prognósticos para este clássico. Lembrando que o anterior Sporting-FC Porto ocorreu a 5 de Janeiro: fomos os melhores em campo, mas cometemos erros defensivos imperdoáveis, acabando por sair derrotados (1-2). Com o nosso golo a ser iniciado e concluído por alguém que já não está: Marcos Acuña. E com um penálti perdoado aos portistas pelo "categorizado" árbitro Jorge Sousa, entretanto retirado dos relvados, a bem do futebol.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei
 
 

De encerrar a época com uma derrota. Começámos a perder na Supertaça, contra o SLB, e terminamos batidos pelo mesmo clube, ao cair do pano desta Liga 2019/2020, a mais comprida e para nós uma das mais penosas de sempre.

 

Dos erros individuais. Dois cantos, dois jogadores mal posicionados a colocar em jogo adversários em fracções de segundo, ditaram esta derrota por 2-1 frente ao Benfica na Luz. Aos 28', Sporar, desconcentrado, permite que Seferovic se movimente em posição legal; aos 88', Matheus Nunes, desatento, põe em jogo Vinicius, no lance capital da partida, que selou o desfecho. E que nos atirou para fora do pódio deste campeonato.

 

De Plata. Jogou só a primeira parte, mas esteve 45 minutos a mais em campo. Sem a menor articulação com Ristovski no pavoroso corredor direito leonino, errou passes, chegou tarde aos lances, perdeu sempre na disputa das bolas divididas e entregou-as de forma displicente aos adversários. Vem piorando de jogo para jogo, ao ponto de ser lícito questionar se não deverá ser emprestado para rodar noutra equipa da Liga.

 

De Eduardo Quaresma. O jovem defesa tem vindo a acusar pressão em excesso, o que o leva a cometer erros impensáveis quando o víamos actuar na Liga Revelação, há poucos meses. Desta vez sem ter a seu lado Coates, que costuma estar sempre atento às dobras, os seus deslizes tornaram-se mais preocupantes: aos 44', falhou uma recepção fácil de bola; aos 48', entregou-a a um adversário. Raras vezes saiu com ela dominada, raras vezes foi capaz de construir com qualidade. Uma noite para esquecer.

 

De Wendel. Noutras partidas funcionou como eficaz pêndulo da equipa, nesta mostrou-se como pêndulo avariado, tantos foram os erros cometidos. Apático, inerte, causou perigo no sector defensivo aos 21'. Entregou a bola várias vezes à equipa contrária: aos 30', 49' e 76', por exemplo. Sem qualidade de passe nem ao menos demonstrar desta vez mais-valia no transporte. 

 

Da lesão de Coates. Como se já não bastasse termos perdido Bas Dost, Raphinha, Bruno Fernandes e Mathieu - jogadores decisivos - em momentos diferentes da época, o último jogo foi disputado com outra baixa, esta totalmente inesperada: Coates lesionou-se no aquecimento, momentos antes do apito inicial, e viu-se forçado a entregar a braçadeira de capitão a Acuña e a sua posição como defesa central na linha mais recuada a Neto, que se confirmou como pálido sucedâneo do internacional uruguaio. 

 

De ver Acuña como central. Há jogadores polivalentes, como o internacional argentino sem dúvida é, mas convém aproveitá-los sempre nas posições em que são capazes de render mais à equipa. Acuña começou no Sporting como ala-esquerdo, actuando várias vezes como extremo; depois recuou para lateral, desaproveitando-se assim boa parte do seu potencial atacante; agora recua ainda mais, fixando-se como o mais esquerdino (e mais baixo) dos três centrais. É um desperdício. Ou um erro de casting, como se diz no cinema.

 

Dos últimos três jogos. Em nove pontos possíveis, só conquistámos um: derrota no Dragão frente ao FC Porto (0-2), miserável empate caseiro com V. Setúbal (0-0) e derrota na Luz (1-2). Eis o Sporting de Rúben Amorim cada vez mais idêntico ao Sporting de Silas. Perdeu-se o efeito novidade, voltou-se à mediocridade anterior, agravada por uma arrepiante falta de poder de fogo: nos últimos cinco jogos, só conseguimos marcar dois golos.

 

Do balanço da temporada. Dezassete derrotas no conjunto das competições da época - novo recorde negativo registado pelo futebol do Sporting. Perdemos pontos em metade dos jogos da Liga 2019/2020, com seis empates e dez derrotas. Perdemos os cinco confrontos contra FCP e SLB (só dois golos marcados e 13 sofridos). E nem sequer conseguimos ganhar ao Rio Ave (5.º classificado) e ao Famalicão (6.º classificado). Talvez para compensar, tivemos quatro treinadores - tantos como o da nossa pior época de sempre, a de 2012/2013.

 

 

Gostei

 

De Tiago Tomás. Entrou na segunda parte, rendendo o péssimo Plata, e teve uma exibição muito positiva. Esteve nos dois melhores momentos da prestação leonina: aos 65', numa rápida incursão na grande área aproveitando um monumental lapso defensivo de Jardel, atirou a bola ao poste de um ângulo muito apertado; aos 69', fez um soberbo passe que funcionou como assistência para o golo de Sporar, que assim quebrou um ciclo de cinco jogos sem marcar. Destaco o jovem avançado, com apenas 18 anos, como o melhor do Sporting neste clássico.

 

De Nuno Mendes. Parece ser o mais regular e o mais competente dos cinco jovens que Rúben Amorim lançou na equipa principal desde o recomeço do campeonato. Pouco ousado na manobra atacante pelo seu flanco esquerdo, levou no entanto quase sempre perigo quando ultrapassava a linha do meio-campo, com mudanças de velocidade e a bola bem controlada. Foi ele a criar a nossa primeira oportunidade de golo, quando já estavam decorridos 52 minutos, numa tabelinha com Sporar. Também esteve bem na marcação de cantos. Incompreensível, a decisão do técnico de mandá-lo sair aos 82', trocando-o por Borja: estava a ser um dos nossos raros jogadores com exibição positiva.

 

De ter estado em terceiro no campeonato... até ao minuto 88. Foi bom enquanto durou. Pena ter durado tão pouco.

Fechou-se o círculo

21701152_IY7HI.jpeg

 

Começámos a época goleados pelo Benfica, a 4 de Agosto de 2019. Trezentos e cinquenta e seis penosos dias depois, encerramos a época também derrotados pelo nosso mais velho rival: esta noite, por 1-2, no estádio da Luz.

Fechou-se o círculo: foi uma das piores temporadas de que há memória. Goleados na Supertaça, eliminados da Taça de Portugal por uma turma do terceiro escalão, eliminados da Taça da Liga pela equipa antes orientada pelo actual técnico do Sporting e hoje afastados do pódio por essa mesma equipa, agora entregue ao adjunto do adjunto.

Dizemos adeus à entrada directa na Liga Europa e aos três milhões de euros a ela associados. Humilhante afastamento em dois tempos: começou terça-feira, no miserável empate a zero em Alvalade com o V. Setúbal. Que já indiciava o naufrágio de hoje.

 

Como aqui escrevi há dois dias: não queremos mais disto, nunca mais.

Prognósticos antes do jogo

Chega ao fim mais um campeonato nacional - para nós, já de triste memória. Começámos a época com Bruno Fernandes, Bas Dost, Mathieu e Raphinha. Terminamos hoje sem nenhum deles. Faltou-nos em talento o que nos sobrou em número de treinadores (Marcel Keizer, Leonel Pontes, Silas e Rúben Amorim).

Conseguiremos uma despedida em grande na Luz, logo à noite, a partir das 21.15?

Faremos melhor do que a triste e lamentável derrota por 0-2, em Alvalade, na partida da primeira volta desta Liga 2019/2020?

Aguardo pelos vossos palpites a partir de agora.

Os números que explicam tudo

Nos últimos 22 clássicos, contra Benfica e FC Porto, o Sporting só conseguiu vencer em duas ocasiões no tempo regulamentar: derrotando o FCP na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal 2018, quando Jorge Jesus orientava a equipa, e batendo o SLB na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal 2019, quando Marcel Keizer (um técnico muito mais barato do que o primeiro) comandava a nau leonina.

São números que explicam tudo.

 

.................................................................

 

11 de Dezembro 2016

Benfica-Sporting (2-1)

4 de Fevereiro 2017

FC Porto-Sporting (2-1)

22 de Abril 2017

Sporting-Benfica (1-1)

1 de Outubro 2017

Sporting-FC Porto (0-0)

3 de Janeiro 2018

Benfica-Sporting (1-1)

24 Janeiro 2018

Sporting-FC Porto (0-0) Taça da Liga

7 de Fevereiro 2018

FC Porto-Sporting (1-0) Taça de Portugal

2 de Março 2018

FC Porto-Sporting (2-1)

18 de Abril 2018

Sporting-FC Porto (1-0) Taça de Portugal

5 de Maio 2018

Sporting-Benfica (0-0)

25 de Agosto 2018

Benfica-Sporting (0-0)

12 de Janeiro 2019

Sporting-FC Porto (0-0)

26 de Janeiro 2019

Sporting-FC Porto (1-1) Taça da Liga

3 de Fevereiro 2019

Sporting-Benfica (2-4)

6 de Fevereiro 2019

Benfica-Sporting (2-1) Taça de Portugal

3 de Abril 2019

Sporting-Benfica (1-0) Taça de Portugal

18 de Maio 2019

FC Porto-Sporting (2-1)

24 de Maio 2019

Sporting-FC Porto (2-2) Taça de Portugal

4 de Agosto 2019

Sporting-Benfica (0-5) Supertaça

5 de Janeiro 2020

Sporting-FC Porto (1-2)

17 de Janeiro 2020

Sporting-Benfica (0-2)

15 de Julho 2020

FC Porto-Sporting (2-0)

Nunca mais

img_920x519$2019_10_17_22_46_15_1616255.jpg

Bruno Fernandes inconsolável, no momento da derrota em Alverca

 

Esta é uma época falhada, a vários níveis. 

Falhada a nível da gestão desportiva, com uma calamitosa pré-época, condicionada desde o primeiro instante pela iminente transferência de Bruno Fernandes, afinal não concretizada no mercado de Verão.

Para "manter" o então capitão leonino foram despachados três jogadores: Bas Dost, Raphinha e Thierry Correia. E logo a equipa que vencera dois troféus (Taça de Portugal e Taça da Liga) começou a jogar coxa: o goleador holandês cedeu palco a Luiz Phellype, Raphinha abriu terreno a Plata, Thierry foi rendido por um tal Rosier, entretanto posto fora de combate. No apeadeiro de Alvalade desembarcaram outros, sem a menor qualidade para o Sporting: Eduardo, Jesé, Bolasie, Fernando. O último era tão mau que nem chegou a calçar.

Afinal, no mercado de Inverno, perdemos também Bruno, o que invalidou toda a lógica anterior. Representou o nosso maior encaixe financeiro de sempre, escassas semanas antes da paralisação geral forçada pela pandemia, mas causou um rombo desportivo no futebol leonino até agora irreparável. 

 

Falhada também ao nível dos resultados, com dois instantes calamitosos: a goleada sofrida a 4 de Agosto frente ao nosso mais velho rival, na Supertaça, que custou o lugar a Marcel Keizer, e a humilhante eliminação, a 18 de Outubro, na Taça de Portugal perante o Alverca (equipa do terceiro escalão do futebol pátrio), que logo ditaria o fim de Silas em Alvalade. Ainda mais meteórica foi a passagem do fugaz Leonel Pontes pelo comando técnico da equipa, entre Keizer e Silas. Muito mais surpreendente (e dispendiosa) foi a chegada de Rúben Amorim, no início de Março.

Com tanta rotação no banco dos treinadores, confirmando o Sporting como uma espécie de cemitério desta classe profissional, valeu-nos apesar de tudo ter em campo dois talentos fora-de-série: Bruno (até ao fim de Janeiro) e Mathieu (prematuramente retirado por lesão, em 24 de Junho). Ambos foram disfarçando como puderam as gritantes lacunas no plantel.

 

Mais quatro momentos mancharam o percurso do Sporting nesta terrível temporada em que batemos o recorde das derrotas sofridas:

- 5 de Janeiro, com Silas: queda aos pés do FC Porto, ao perdermos por 1-2 no nosso próprio estádio para o campeonato, algo que há 11 épocas não sucedia com este adversário.

- 17 de Janeiro, com Silas: outro dia traumático, com a vitória imposta pelo Benfica em Alvalade, por 2-0. O SLB ultrapassou-nos em número de vitórias e golos marcados no reduto leonino.

- 21 de Janeiro, com Silas: derrota (e eliminação) frente ao Braga na meia-final da Taça da Liga, troféu de que éramos detentores desde a temporada 2017/2018.

- 27 de Fevereiro, ainda com Silas: eliminação na fase de grupos da Liga Europa, após goleada imposta em Istambul pelo modestíssimo Basaksehir. 

 

Para esquecer? Não: para lembrar. Só assim poderá ser evitada a repetição dos erros cometidos - e foram em quantidade inaceitável, insuportável.

Não queremos mais disto. Nunca mais.

O melhor prognóstico

Um leitor que assina apenas António, sem apelido, foi o único vencedor da anterior ronda de palpites. Antecipando aqui a derrota por 2-0 do Sporting no Dragão - nona vez que perdemos nos dez últimos jogos ali efectuados para o campeonato nacional de futebol, algo impensável num clube que sonha com o título. Sem vencer nestes chamados jogos grandes, ou clássicos, continuaremos a vê-lo por um canudo.

 

Já esquecidos de Alcácer-Quibir

PLANO-CRÍTICO-MANOEL-DE-OLIVEIRA-NON-OU-A-VÃ-GL

Fotograma do filme Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira (1990)

 

1

Nas dez temporadas anteriores a esta, o Sporting perdeu nove vezes no estádio do Dragão para a Liga portuguesa de futebol. Com treinadores tão diversos como Paulo Bento, José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus e Marcel Keizer. A excepção ocorreu na época 2015/2016, a primeira das três em que Jesus liderou a equipa técnica.

Basta este registo estatístico para comprovar que a nossa crise de resultados no clássico já vem de longe.

Mesmo assim, a mais recente derrota do Sporting fora de casa, contra o novo campeão nacional, bastou para fazer emergir a pior faceta de alguns adeptos: em vez de se congregarem em torno das nossas cores, quando há ainda pelo menos um objectivo a cumprir nesta época (um lugar no pódio do campeonato) e falta defrontarmos o nosso mais velho rival, desatam a dizer mal de tudo agitando os fantasmas de sempre enquanto bradam pelo regresso de D. Sebastião. Já esquecidos de Alcácer-Quibir.

 

2

Uns exigem "demissões já", frase que vêm gritando há dois anos com o sucesso que todos conhecemos.

Outros invocam com fingida saudade nomes de jogadores que deixaram de pertencer ao clube como exemplos de excelência - omitindo agora os insultos que lhes dirigiam quando eles vestiam de verde e branco - só para rebaixarem e desmoralizarem os miúdos que hoje despontam na equipa principal do Sporting.

Não falta também quem urre contra o "excesso de jovens" quando antes clamava pela indispensável "aposta na formação".

Há ainda aqueles que procuram sem cessar o brilho dos holofotes atrevendo-se a falar em nome do universo leonino quando afinal são incapazes de trocar a palavra "eu" pela palavra "nós". Este é o teste do algodão, que nunca engana.

 

3

Tudo isto, repito, na sequência do 0-2 registado quarta-feira no Dragão - a nossa primeira derrota desde Fevereiro, e quando falta cumprir dois jogos para a conclusão desta atribulada Liga 2019/2020.

Para azar de tal gente, nestas alturas todos percebemos quem é genuinamente adepto e quem apenas se serve do Sporting como pretexto para insuflar o ego à boleia de um desaire.

É nos momentos adversos que se avalia com maior rigor o verdadeiro calibre leonino de quem proclama amor incondicional ao Clube. Quando se ganha, qualquer um trauteia o hino e agita o cachecol.

Mas é bom que uns e outros se convençam disto: a grande maioria da massa adepta, farta até aos cabelos de profetas da desgraça e já imunizada contra ególatras de todo o género, não se deixa iludir.

Rescaldo do jogo de anteontem

Não gostei
 
 

Da derrota do Sporting no Dragão por 0-2. Resistimos durante mais de uma hora, mas aos 64' um lance de bola parada - a cobrança dum canto, seguida de cabeceamento de Danilo, impondo-se perante um Sporar que falhou a marcação nesse momento crucial - sentenciou este clássico, em que o empate bastaria para o FCP se sagrar campeão duas jornadas antes do fim. O segundo golo sofrido, já no tempo extra, ocorreu num rápido contra-ataque, quando a nossa equipa estava quase toda lá na frente, procurando conseguir um ponto, com um apático Borja a deixar Marega em jogo. Dois lapsos individuais num jogo desta importância revelaram-se fatais para as nossas cores. 

 

De Sporar. O internacional esloveno leva cinco jogos consecutivos sem marcar. Persiste em não se adaptar ao modelo táctico posto em prática pelo actual técnico leonino e perde bolas por falhas de recepção. Preso de movimentos, rendendo-se às marcações, lento na decisão, voltou a ficar muito aquém daquilo que o Sporting deve exigir a um ponta-de-lança. No primeiro lance da partida, meteu-a lá dentro, aproveitando um ressalto, mas o golo foi anulado por flagrante fora de jogo. Isolado aos 7', demorou tanto a decidir que permitiu o corte. Aos 81', falhou o desvio num canto bem cobrado por Joelson. Teve culpas no primeiro golo portista. Nada lhe anda a correr bem.

 

De Ristovski. A pior exibição de verde e branco: até parecia que estávamos a jogar com dez. Aos 3', passou para ninguém. Aos 9', um mau cruzamento. Aos 20', aos 22' e aos 33', entregou a bola aos adversários. Falhou um passe longo aos 51'. Batido sistematicamente nos duelos com Luis Díaz, numa dessas ocasiões (aos 25') esteve quase a surgir um golo do Porto. É difícil compreender por que motivo Rúben Amorim demorou 73' a retirá-lo do campo.

 

De Plata. O jovem internacional equatoriano nunca se entendeu com o seu colega de ala: foi algo que se percebeu muito cedo neste clássico. Houve um lance emblemático desta falta de articulação entre ambos, quando aos 52' Plata tentou servir Ristovski de calcanhar, já dentro da grande área, matando assim um lance promissor, o que lhe valeu uma dura reprimenda do macedónio. Anulado por Pepe, nada trouxe de útil à equipa. Foi o primeiro a ser substituído, logo aos 54'. 

 

Do nosso ataque. Começámos bem, com ímpeto ofensivo, mas as pilhas esgotaram-se demasiado cedo. Na segunda parte, o Sporting só concretizou dois remates à baliza adversária. Nenhum clássico consegue ser vencido com números destes.

 

Das substituições. Amorim tentou revitalizar a equipa, que acusava quebra física e anímica após o empate a zero registado ao intervalo, mas desta vez o banco não ajudou muito. Francisco Geraldes (entrou para o lugar de Plata), Rafael Camacho (rendeu Ristovski) e Tiago Tomás (em campo desde o minuto 78', substituindo Jovane) pouco ou nada contribuíram para o rendimento da equipa. A excepção foi Joelson, de quem falarei mais abaixo.

 

Do fim da estrelinha do treinador. Amorim, que se estreou como técnico do principal escalão do futebol português no início do ano, conheceu agora a primeira derrota, ao fim de 18 jogos. Como ele próprio já tinha avisado, algum dia havia de ser. 

 

Da má tradição que se cumpriu. Nos últimos dez campeonatos, o Sporting só conseguiu vencer uma vez no Dragão: na temporada 2015/2016, quando ali derrotámos o FCP por 3-1. De resto, nove derrotas. Com treinadores tão diferentes como José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus, Marcel Keizer e agora Rúben Amorim.

 
 

Gostei

 

Da boa entrada em campo. Surpreendemos a equipa anfitriã logo no primeiro lance da partida, com um excelente slalom de Nuno Mendes que fez tremer toda a defensiva portista. Esta dinâmica inicial estendeu-se por 20 minutos: nessa fase tínhamos concretizado dois remates (contra zero do FCP) e superávamos a equipa adversária em número de cantos (3-1). Infelizmente não voltámos a ter superioridade neste clássico, excepto por breves minutos da segunda parte numa boa mas efémera reacção ao primeiro golo.

 

De Coates. O nosso capitão fez jus à braçadeira, revelando-se o melhor sportinguista em campo. Com Max já batido, evitou um golo portista logo aos 25' com um corte providencial junto à linha de baliza. Fez impor a sua presença nos lances aéreos, não apenas no sector defensivo (bons cortes aos 16' e 22') mas também junto à baliza adversária, nas bolas paradas. Aos 19', anulou as marcações na trincheira portista, embora cabeceando por cima. Muito eficaz no controlo da profundidade excepto nos minutos finais, em que já estava mais à frente por indicação técnica, na fase do tudo-por-tudo. No golo de Danilo, não tem qualquer responsabilidade: a parte que lhe cabia estava bem coberta.

 

De Nuno Mendes. Tem só 18 anos, mas mostra em campo uma maturidade muito superior à idade que consta dos seus documentos de identificação. Pôs a funcionar a ala esquerda leonina, em notório contraste com a inoperância do nosso flanco oposto. O primeiro sinal de perigo, no minuto inicial, partiu dos pés dele. Ganhou vários duelos individuais (nomeadamente com Fábio Vieira) e nunca se mostrou intimidado por se estrear num clássico da primeira divisão. Não custa vaticinar-lhe um futuro muito promissor.

 

De Matheus Nunes. Foi a melhor exibição do jovem médio brasileiro desde que joga no primeiro escalão. Seguro, com personalidade, articulando bem os lances com Wendel no meio-campo defensivo e sem fugir aos confrontos individuais, destacou-se a roubar bolas aos adversários e foi um dos nossos raros jogadores a arriscar passes de ruptura, servindo os colegas de ambas as alas. Bom também no transporte de bola. E ainda tentou o remate de meia-distância, embora sem sucesso.

 

De Joelson. Entrada fulgurante do júnior recém-estreado por Amorim na equipa principal: aos 17 anos e quatro meses, tornou-se o mais jovem jogador de sempre a actuar num clássico do nosso futebol. Substituiu Eduardo Quaresma aos 78' quando o técnico leonino desmanchou o seu habitual dispositivo táctico para imprimir uma toada mais ofensiva na procura do golo do empate. Actuando como um extremo puro, sobretudo na ala esquerda, aos 81' fez um bom cruzamento infelizmente não aproveitado, aos 88' sacou um livre muito perigoso e ainda tentou o remate aos 90'+5. Devia ter entrado mais cedo.

 

De ver em construção uma equipa com futuro. Neste jogo, seis jovens leões estrearam-se num clássico. E sete dos nossos onze titulares no Dragão são sub-23. Mesmo derrotados, todos eles aproveitaram seguramente a experiência para colherem lições que lhes serão muito úteis já na próxima temporada futebolística. Dá gosto vê-los com verdadeiras oportunidades de mostrarem o que valem, confirmando a vocação do Sporting para ser um clube formador. O caminho faz-se caminhando.

Pódio: Nuno Mendes, Coates, Matheus

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no FC Porto-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Nuno Mendes: 16

Coates: 15

Matheus Nunes: 15

Luís Maximiano: 14

Wendel: 14

Joelson: 13

Eduardo Quaresma: 13

Borja: 13

Ristovski: 12

Jovane: 12

Sporar: 11

Tiago Tomás: 10

Francisco Geraldes: 10

Plata: 10

Camacho: 9

 

A Bola  elegeu  Joelson  como melhor sportinguista em campo. O Record  optou por  CoatesO Jogo escolheu Nuno Mendes.

Maioridade

portosporting.jpg

 

Materializou-se ontem aquilo que virtualmente já o era, o Sporting Clube de Portugal está há dezoito anos sem ser campeão.

Dezoito anos onde, por vários motivos, fomos deixando escapar o título. Aliás, foram mais os anos em que o título nos deixou escapar a nós do que o contrário. Provavelmente, nestes dezoito anos, poderíamos ter sido campeões quatro vezes. O que, sendo muito melhor que a triste realidade, não seria nada de especial para a nossa grandeza.

Dezoito anos onde vimos mais adeptos nossos serem assassinados às mãos de rivais do que títulos. Dezoito anos onde vimos o Bruno Cortez ser campeão e o Bruno Fernandes não passar de um terceiro lugar.

E nem se pode dizer "ah mas esteve perto". Não estivemos nunca perto de ser campeões porque o Sporting nunca percebeu como se jogava este jogo. Fomos enfiando cada vez mais o barrete do Calimero em vez de arregaçar as mangas e ir à luta. Aliás, as alianças estratégicas foram precisamente o nosso papel no jogo: estar de joelhos, a servir de degrau para a escalada de quem foi vencendo.

Como percepciono uma culpa tão grande como a minha azia, a travessia no deserto tem os seguintes rostos:

  • Frederico Varandas (2 épocas)
  • Artur Torres Pereira (1 época)
  • Bruno de Carvalho (6 épocas)
  • Luís Godinho Lopes (3 épocas)
  • José Eduardo Bettencourt (2 épocas)
  • Filipe Soares Franco (4 épocas)
  • António Dias da Cunha (3 épocas [desde o último título])

 

Até ontem, no final do jogo, o clube e os adeptos, em vez de ficarem com uma fome danada, frustrados e a querer mais e melhor, foram-se meter a celebrar as vitórias da sua cabeça. Uns celebraram só perder por dois no Dragão, outros celebraram a oficialização da época com mais derrotas na hossa História, outros chegaram mesmo a celebrar o título do Porto porque "pelo menos não foi o Benfica". E assim vamos nós.

Ontem também foi o dia em que os sócios do Sporting viram que o seu número reduziu. Temos, neste momento, cerca de 107k sócios. Um número que nos devia fazer corar de vergonha por dois motivos. O primeiro por termos andado a fazer de conta que éramos mais, o segundo por em três milhões de adeptos não se encontrar mais gente capaz de dedicar ao Clube pouco mais que um maço de tabaco por mês.

Ontem toda esta tragédia atingiu a maioridade. Dezoito anos. Dezoito anos de um caixa de óculos, virgem, fechado numa cave, a ser um troll na internet.

Sai à rua, Sporting! Sai com querer, sai com garra, sai com fome!

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D