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És a nossa Fé!

Cavani cavou

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17 de Agosto

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22 de Agosto

 

Durante um mês, o País andou entretido com um patético folhetim em torno de um jogador que prometia "dar brilho" ao campeonato português: o internacional uruguaio Edinson Cavani, que noutros tempos foi estrela dos relvados mas que agora, aos 33 anos, entrou na fase crepuscular da carreira, aliás reflectida nos números: na época passada, ainda ao serviço do PSG, participou apenas em 22 jogos, tendo marcado sete golos - tantos como o nosso Sporar em meia época de verde e branco.

Foram semanas de crescente descrédito dos órgão de comunicação social que deram estatuto de notícia ao rumor, tornando-se assim meros instrumentos - conscientes ou não - do aparelho benfiquista posto ao serviço da recandidatura de Luís Filipe Vieira. Acossado pela justiça, enfrentando o evidente descontentamento de uma parte significativa dos sócios, o presidente do SLB terá em Outubro a eleição mais complicada do seu longo consulado, iniciado em 2003. O instinto diz-lhe que necessita mais que nunca do "escudo protector" das funções que ainda desempenha para evitar problemas mais sérios nos tribunais.

 

É neste contexto que nasce a novela Cavani. Certos títulos jornalísticos, mandando às malvas o resto de credibilidade que lhes sobrava, fizeram deste não-assunto uma questão muito mais relevante do que a pandemia, infelizmente sem fim à vista. Capa após capa, manchete após manchete, abertura após abertura de "espaços de comentário" na televisão com opinadores travestidos de jornalistas sem possuírem título profissional para o efeito.

Deu jeito a Vieira, claro. Durante semanas ninguém falou na oposição benfiquista, feita a várias vozes: o uruguaio funcionou como trunfo eleitoral do antigo lugar-tenente de Pinto da Costa, único dirigente do futebol português que chegou a ser sócio em simultâneo dos três principais clubes. Até que Cavani decidiu cavar: deu à sola antes de chegar. Dando origem a situações caricatas, como aquela que aqui surge representada por duas capas do diário A Bola com apenas cinco dias de diferença.

Na primeira, a 17 de Agosto, gritava-se com incontido júbilo: «Cavani está a chegar.» O subtítulo tinha tons épicos: «Uruguaio deixou ontem Montevideu numa viagem que terminará na Luz.» Na segunda, a 22 de Agosto, a euforia dava lugar à decepção: «Cavani já não vem.» Só faltou o matutino da Queimada vir de luto, em vez de estar pintado com o habitual vermelho.

 

Todos os dias os jornais perdem credibilidade. Por vários motivos, mas sobretudo por este: cada vez menos gente os leva a sério.

O descrédito de uns acaba por contaminar os restantes, afectando até aqueles que evitam insultar a inteligência dos leitores, cada vez mais exigentes e capazes de separar o trigo do joio. Quem recusa pagar para consumir folhetins disfarçados de notícia faz muito bem.

A ver o Mundial (9)

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FALTOU-NOS O ÉDER

 

Portugal imitou a Argentina, despedindo-se do Mundial da Rússia. Fomos derrotados em Sochi pelo Uruguai, sem o nosso Coates em campo: dois golos de Cavani, cada um em sua parte, decidiram a partida. A equipa das quinas teve muito mais posse de bola (61%), mas foi inconsequente. Demorávamos uma eternidade a chegar à baliza contrária e, uma vez aí, os jogadores faziam imensa cerimónia: nenhum deles parecia com vontade de marcar. Incluindo Cristiano Ronaldo, hoje irreconhecível, quase sempre encostado ao flanco esquerdo. Gonçalo Guedes, que o seleccionador Fernando Santos teimou em manter como titular, esteve 74' em campo sem fazer um só remate. André Silva, que o substituiu, idem aspas. Bernardo Silva falhou um golo de baliza aberta aos 70'.

O Uruguai limitou-se a subir três vezes ao nosso reduto defensivo: marcou em duas dessas ocasiões, com disparos indefensáveis do avançado do Paris Saint-Germain, de longe o melhor em campo. E poderia ter marcado na terceira: só uma grande defesa de Rui Patrício impediu que de um livre a cargo de Luis Suárez resultasse mais um golo.

Foi preciso, do nosso lado, um defesa encaminhar a bola para as redes uruguaias, estavam decorridos 55': Pepe, de cabeça, na sequência de um canto muito bem apontado por Raphael Guerreiro. Quaresma, que fora herói contra o Irão, permaneceu no banco até aos 65'. Quase no fim, aos 85', Manuel Fernandes pisou pela primeira vez um palco do Mundial. Gelson Martins, um dos raros jogadores com características ofensivas que poderiam acelerar o nosso jogo, nem calçou.

Regressam todos à pátria, mais cedo do que muitos pensávamos. Desta vez faltou-nos o Éder. Daqui a quatro anos haverá mais.

 

O melhor - Pepe. Cometeu erros defensivos, mas foi ele a ir à frente marcar o nosso golito solitário. Salvou-nos de ficarmos em branco.

O pior - Gonçalo Guedes. Outra oportunidade perdida. Permaneceu 74' em campo sem fazer um remate. Parecia que a bola lhe queimava os pés.

 

Portugal, 1 - Uruguai, 2

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