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És a nossa Fé!

Um ano depois

Faz agora um ano que esta notícia foi conhecida. Foi um dia triste para o Sporting. Porque todos preferíamos que notícias destas nunca manchassem - directa ou indirectamente - o nosso clube.

Aproveito para transcrever parte de um texto que, a propósito do caso Cardinal, a Alda Telles publicou no És a nossa Fé a 12 de Abril de 2012:

«Para já, temos um facto confirmado: o vice-presidente foi constituído arguido num caso muito mal contado de "agent provocateur". Não sei que tipo de crime isto configura, mas estão lançadas suspeitas sobre um membro da direcção do Sporting. Não me parece que exista neste momento, qualquer que seja a verdade (e espero sinceramente que a verdade seja a inocência de qualquer dirigente sportinguista), outra alternativa senão a suspensão do mandato do vice-presidente que a a esta hora já deveria ter posto o seu lugar à disposição. Aguardo, pois, serenamente, que a direcção aceite o pedido de suspensão do mandato até esclarecimento do caso e que o Sporting prossiga o caminho de vitórias e alegrias que nos tem dado no plano desportivo. Somos Leões, mas não actuamos em circos.»

Quem pode discordar disto?

2012 em balanço (6)

 

ARGUIDO DO ANO: PAULO PEREIRA CRISTÓVÃO

Não foi a primeira demissão ocorrida na heterogéna equipa directiva de Godinho Lopes: quatro meses antes já Carlos Barbosa tinha saído, batendo com a porta. Mas esta foi muito mais séria e deveu-se sobretudo a motivos muito mais graves: Paulo Pereira Cristóvão, até aí apontado como braço direito de Godinho Lopes, renunciou às funções de vice-presidente na sequência do chamado 'caso Cardinal', ocorrido quando o árbitro assistente José Cardinal denunciou a existência de dois mil euros de proveniência desconhecida alegadamente depositados na sua conta bancária.

Constituído arguido pela suposta prática de sete crimes, o ex-vice-presidente remeteu-se durante seis meses ao silêncio, quebrado entretanto numa extensa entrevista ao Expresso cheia de recados internos a partir de uma pretensa superioridade moral que ninguém lhe reconhece. Sendo intocável o princípio da presunção da inocência, torna-se caricato ver Pereira Cristóvão distribuir ralhetes a figuras daquilo a que agora chama "um clube de loucos" enquanto lamenta não ter "nascido adepto de um clube 300 quilómetros a norte", onde já teria sido eleito "dirigente do ano".

Depois os outros é que são "papagaios"...

Reduzir a nada o uso da razão

De tempos a esta parte e por razões que só ele poderá explicar, mas que não explica, Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal, sócio do Sporting e antigo conselheiro leonino, presume tomar sobre si a legitimidade à observância rigorosa dos deveres, da sensatez e da integridade intelectual, a fim de desfeitear a gestão e os administradores do clube que alega apoiar, ao mais pequeno ensejo. Têm sido várias as ocasiões em que se inspira a vir «molestar» o auditório com os seus discursos supérfluos e irreflectidos que resultam, simples e penosamente, em reduzir a nada o uso da razão. A sua mais recente investida peca, não tanto pelo que disse, mas pelo facto de ter sentido a necessidade de, mais uma vez, emitir opiniões que não preservam a imagem e a união que tanto clama defender. «Não é aceitável prejudicar a imagem do clube e acho que o Sporting está a ser altamente prejudicado» pelo não afastamento de Paulo Pereira Cristóvão até a situação relacionada com o caso Cardinal ficar esclarecida. Revelou, ainda, que vai votar contra a fusão da sociedade Património e Marketing com a SAD na Assembleia Geral que se realiza hoje. «Acho que é mais uma engenharia financeira, há anos que é assim».
Tem direito à sua opinião, com certeza, mas num muito delicado momento para o clube, tanto no que concerne às questões de ordem estrutural como desportiva, as figuras mais visíveis associadas ao Sporting deveriam ter a sensatez de evitar enunciar pareceres que serão, inevitavelmente, aproveitados para provocar acrescido sensacionalismo em torno do clube. Não deixa de ser estranho que esta personagem apareça frequentemente a enodoar o padrão comportamental que preza impor aos elementos sob a sua alçada no organismo nacional a que preside. Lamentavelmente, este cariz de intervenção não é inédito no seio da família sportinguista, levando qualquer desinteressado observador à conclusão de que a insaciável procura do protagonismo, por vezes, o aprazimento de interesses materiais e sociais e, sobretudo, a proverbial estimulação do «consagrado» ego, supera o bom senso e preenche o leque de considerações egoisticamente soberanas, indiferente aos danos ao Sporting.

Disparates lapidares

 
Rui Alves: «O Sporting não tem legitimidade para estar na final da Taça de Portugal. Este caso passar sem consequências é uma atrocidade e um atropelo à verdade desportiva.»   
 

 

Carlos Pereira: «Se houvesse justiça, o Sporting já não estaria na Taça. A decisão da FPF tem que ser tomada antes da final no dia 20 de Maio... Queremos defender o bom nome do clube e da região.»

Rui Santos: «No caso em apreço (Cardinal), há sério risco de a investigação revelar novos contornos. O problema é que nessa forte hipótese, o Sporting será arrastado para o fundo e nada restará.» 

Coincidências a mais

 

Agora que a excelente vitória da nossa equipa foi devidamente celebrada, não posso passar ao lado de mais uma telhuda coincidência com timing incisivo. A escassas horas do pontapé de saída do Sporting - Athletic Bilbao, foi anunciado que o Conselho de Disciplina da FPF liderado por Herculano Lima decidiu, por iniciativa própria, abrir um processo de averiguações ao denominado "Caso Cardinal" a 16 de Abril. Este anúncio coincide com a declaração da UEFA: «trata-se apenas de uma questão interna da competência das autoridades portuguesas e que nada tem a ver com a manipulação de resultados». Considerando que o caso está sob a alçada do Ministério Público e com a evidência selada em segredo de justiça, presumivelmente ainda com investigações em andamento, é justo questionar o propósito desta iniciativa pelo órgão federativo, neste momento. Das duas uma, diria um cínico, ou é meramente um gesto para "inglês ver" ou, então, existe qualquer outra potencialmente preocupante intenção. Esperar para ver... 

Um texto fundamental: e agora sportinguistas?

Li e reli um texto, republicado hoje no blog 'A norte de Alvalade', intitulado «E agora sportinguistas, que vão fazer?». Fundamental para se compreender, nesta novela Cardinal/PPC, o que está em jogo no respeitante à defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, à justeza de um processo de averiguações e à defesa - que deveria ser de todos - do nosso clube. Fundamental ler sim, na minha opinião. 

Com clareza

"Sá Pinto pôs todos a remar para o mesmo lado". A frase é de Luís Godinho Lopes e encaixa que nem uma luva no que se está a passar com a equipa de futebol. O mesmo não se passa, contudo, com o caso Cardinal e o alegado envolvimento de um vice-presidente do clube. Também aqui é preciso que alguém ponha todos a remar para o mesmo lado, porque a decisão de aceitar o regresso de Paulo Pereira Cristóvão à direcção do SCP vai continuar a fazer correr rios de tinta. É preciso explicar a decisão, nem que seja em termos informais e mais pedagógicos, com o recurso ao spin. Agora o Sporting não pode ficar calado, em blackout, a ser atacado por tudo e por todos.

 

Se é verdade que existe a presunção de inocência de Cristovão até prova em contrário, e isso é de um valor inquestionável, também é verdade que esta novela está a prejudicar o Sporting em termos públicos e mediáticos, numa fase crucial da época e com jogos importantes pela frente. Por isso, há que defender os superior interesses do SCP.

 

É preciso que fique claro se este volte-face no pedido de suspensão se deve ao facto dos estatutos do Sporting não permitirem que um vice-presidente se afaste daquela forma. É preciso que fique claro que a renúncia não avançou porque teria de ser o próprio a pedir para ser afastado ou porque, no limite, essa renúncia só poderia ser levada à assembleia-geral do clube porque poderia colocar problemas técnicos em termos de direito desportivo e associativo (não esqueçamos que o SCP já perdeu um vice-presidente com a saída de Carlos Barbosa). Mais importante: é ainda preciso que fique bem claro que não houve qualquer forma de pressão interna ou externa que tenha levado à decisão que, diz-se por aí, levou nove horas a tomar.

 

O Sporting é livre, responsável e não abdica da defesa do seu bom nome. Que ninguém esqueça isso.

Unir e fechar

Os últimos dias têm sido muito férteis em notícias relacionadas com o emblema Leonino. Porquê? Naturalmente se pensaria que seria pelo aproximar de uma excitante meia-final Europeia com o Atlhetic Club ou pela grande exibição contra o rival Benfica. Nada mais errado. Paulo Pereira Cristóvão (PPC), Vice-Presidente do Sporting, e o árbitro auxiliar José Cardinal dominam a actualidade desportiva.

Gostava de deixar duas ideias bem claras sobre este assunto.

Primeiro este caso parece o Castelo Branco a jogar futebol no programa do Futre. Faz mal aos olhos, não faz sentido e não tem piada nenhuma.

Vamos à estória. O jogo de toda a polémica realizou-se no dia 22 de Dezembro de 2011 e os alegados acontecimentos terão ocorrido na semana anterior. Se a queixa entrou nessa altura na Federação Portuguesa de Futebol, que imediatamente informou a Polícia Judiciária, porque é que as noticias e as buscas da mesma polícia só aconteceram no dia 12 de Abril de 2012? Coincidentemente três dias depois do jogo em que o Sporting afastou do título (ainda vai jogar ao Dragão...) o Benfica e em vésperas de uma meia final europeia decisiva.

Ainda na sequência do pensamento anterior podemos observar o comportamento da imprensa nacional, mais concretamente do Correio da Manhã e do Diário de Notícias. A partir de dados da investigação policial e em constante violação do segredo de justiça estes jornais têm fabricado notícias sobre espionagem a jogadores e árbitros, sobre supostas divergências no Conselho Directivo e até sobre o funcionamento da estrutura do futebol do clube de Alvalade. Existe uma agenda dentro de uma investigação que devia ser célere e sóbria?

Ainda ontem, no programa da manhã da SIC, o antigo inspector da Polícia Judiciária (PJ) Gonçalo Amaral falava num ajuste de contas da actual PJ com PPC. Esta é claramente uma investigação que nasceu torta e que dificilmente se vai endireitar. A única coisa que os Sportinguistas pedem é celeridade, eficiência e manutenção do segredo de justiça. É pedir assim tanto?

Em segundo lugar queria deixar bem claro que muito me orgulha o Sporting nunca ter estado envolvido em nenhum caso obscuro do futebol português. De qualquer maneira é importante referir que a acusação é por denúncia caluniosa agravada e não por corrupção. E que se se vier a provar alguma coisa que vá contra os princípios, a identidade e mandamentos sobre os quais estão sustentados este clube centenário, os adeptos e sócios do Sporting serão os primeiros a "empurrar" para fora do clube quem os violar.
também postado no 90 minutos

A decisão

 

O Sporting entrou hoje em blackout. Por norma não sou defensor dos cortes na comunicação entre as instituições e o seu público-alvo, que neste caso são sobretudo os adeptos sportinguistas. Percebo a indignação que reina em Alvalade com o tratamento noticioso do caso PPC e com a sua repercussão pública, mas esta não me parece ser a melhor solução. Esta é apenas a solução típica de quando não se sabe o que dizer, quando dizer, como dizer. Ora, o Sporting está fora de esquemas, é uma instituição acima de qualquer suspeita. O Sporting está também numa fase decisiva e pode ganhar muito ou perder tudo. É preciso, por isso, continuar a agir com determinação e convicção, o resto resolve-se com o tempo e com o apuramento de responsabilidades.

 

Seria melhor blindar o Sporting lá dentro, tornando-o forte, coeso e unido. E não cortar a sua ligação ao exterior. Mas isto sou só eu a pensar alto, quero acreditar que a decisão tenha sido tomada pesando todos estes factores e pensando no Sporting em primeiro lugar. Sempre.

Um caso de manipulação indecente

No programa gel de ontem, ao analisar o caso Cardinal, Rui Santos escolheu, como ponto de partida, algumas declarações: de Godinho Lopes, do Procurador-geral da República, do presidente do Marítimo. Todas conjugadas, resulta um exercício indecente de manipulação. O presidente do Marítimo queria justiça (acho que vai reunir os rapazes do grupo de Fátima, exemplos de ética desportiva, como é sabido). O Procurador lembrou-se agora que o futebol não é uma virgem, dez anos depois de dormir com eventuais casos (apenas dormir, já se vê). Do presidente Godinho Lopes escolheu a frase de confiança na inocência de PPC (mas esquecendo a outra, bem mais importante, de pedido de que a justiça funcione e deslinde o caso, oferecendo todo o apoio do clube). Esquecimento manipulador, repito, já que o que reverte para o espetador do programa é o 'inocentar' de PPC, não o de pedir que a investigação siga seu curso. Uma coisa é acreditar numa eventual inocencia, outra inocentar. E assim se faz, na opinião pública, um julgamento popular. De Rui Santos, e em relação ao Sporting, tudo se espera, já o sabemos. Mas este é um exemplo claro de como se manipula.

Um Sporting blindado

A 'instituição' arguido, feita para proteger o cidadão nos seus direitos de defesa, foi transformada por uma imprensa ao serviço de interesses comerciais e de fontes anónimas em julgamento na praça pública. O arguido é equiparado logo a culpado, apresentado como tal perante a opinião pública e criminalizado moralmente. A função dos media é tambem investigar, denunciar, tornar público o que é do interesse público. Essa é a sua função em democracia (o presidente americano Jefferson já dizia que, se tivesse de escolher entre um governo democrático e uma imprensa livre, escolheria a imprensa livre).  Mas não é função da imprensa julgar, de facto, o cidadão - antes deste ter tido a possibilidade de conhecer a acusação, se a houver, de se defender e de ter um julgamento justo. Se não fosse assim, os cidadãos seriam vítimas de uma qualquer suposta acusação, estariam dependentes do arbítrio e do alarido popular, quantas vezes determinado pela emoção do momento e pela excitação dos media. Os jornalistas, nesta matéria, têm uma responsabilidade particular e estão balizados pelo seu código deontológico - o que nem sempre acontece.

No caso vertente, derivado da situação Cardinal, o Sporting deve ficar tranquilo, mesmo se interrogado, e esperar um aclarar da questão. A preocupação é ética, e estou de acordo com o afastamento de PPC das suas funções por esse motivo. Mas creio que o Sporting deve resistir, de forma sensata, à pressão dos media e dos que lhe fornecem 'informação' debaixo de anonimato. O Sporting tem de se defender e de se proteger, mas não pode estar à mercê de um qualquer caso mediático, antes de um suspeito ser acusado e julgado. Temos um exemplo, que decerto terá pesado nalgumas declarações de Godinho Lopes: ele próprio foi arguido e depois acusado de muitos males, no caso da Expo, para depois ser inocentado e absolvido nos tribunais. Que outro recurso resta aos cidadãos, para defesa da sua honra, se não os tribunais?

Forte como é, o FCP não se deixou abalar, num caso aparentemente bem mais grave, aguentou e viu depois se esfumarem as acusações. Não invejo alguns dos princípios éticos que regem o FCP, mas invejo, sinceramente invejo, a sua capacidade de se blindar, se defender dos seus inimigos, para ficar mais forte. No Sporting não há essa cultura. É tudo volátil, uns senhores começam logo a falar à toa, a pedir escalpes, a tornar o clube mais frágil. Uma coisa é querermos o apuramento dos factos, apoiarmos a justiça no que for necessário. Outra fazermos logo o jogo dos inimigos. Dos externos e... dos internos (uma especialidade muito nossa).

Sportinguistas tranquilos e confiantes na justiça

1. Que este episódio PPC/José Cardinal é perturbador, é mesmo.

2. Que os media vão fazer o seu habitual euromilhões noticioso e que não pouparão o Sporting, é dos livros.

3. Que alguém tentou armadilhar alguém, também parece certo - resta saber quem foi a vítima desta estratégia da aranha.

4. Que alguns (media e benfas) queriam tirar proveito disso para pôr o Sporting fora da final da Taça de Portugal, esquecendo a taça Lucílio e as escutas sobre pedidos de árbitros, é evidente.

5. Que a 'democrática' condenação dos cidadãos na praça pública, pressionando a justiça, também neste caso está fazendo o seu curso, com a conivência entre fontes anónimas e jornalistas. E assim fala-se menos da suposta crise em Carnide.

6. Que só a justiça deve julgar e condenar ou absolver, isso é primário - o princípio da presunção da inocência aplica-se a todos os cidadãos. E temos bastos exemplos de como cidadãos julgados na praça pública, pelos jornais e - ato reflexo - pela opinião pública, foram depois inocentados pelos tribunais.

7. Ao Sporting interessa a verdade e toda a verdade, para reagir em conformidade - e só depois disso. Aos sportinguistas interessa o apuramento, tão célere quando possível, da verdade dos factos, para que a instituição SCP não seja manchada. Até lá... aguardar.

8. Ganhar ao Atlético de Bilbau e fazer, de novo, história nas competições europeias é o nosso objetivo imediato. Vencer a Taça de Portugal, o seguinte. Conseguir chegar à Champions, na próxima temporada, outro ainda, mesmo se difícil. Temos demasiadas batalhas a travar para nos deixarmos aprisionar por esta (mesmo se penosa) saga.

A cor do apito...

Das duas uma, ou isto é mais uma das muitas armadilhas a que o Sporting tem sido sujeito nas ultimas três décadas, ou é uma "tsunâmica" falta de competência, de inteligência e de bom senso (além de uma colossal falta de jeito!).

O apito é vermelho e azul. Há muito tempo, ora mais "amorangado" ora mais "tripanado", com escutas e testemunhos, meninas com leite e sem café, saladinhas de frutas com bolinha, afilhados e serventes, padrinhos estufados à moda de Corleone e servido com molho de Omertà.

Nem um ser alienígena acabado de descer aqui ao burgo para desenhar uns círculos numa seara (tarefa cada vez mais difícil desde que algumas pessoas decidiram destruir a agricultura nacional) acreditaria num "sistema" ou em "esquemas para defraudar a verdade desportiva" por parte do SCP. É impossível! Nem o "sistema" permitiria nem o "know how" está disponível... Dooohhh!

Esse ser alienígena poderia acreditar facilmente era numa cabala (mais uma!) contra o SCP... ou então numa falta de juízo inenarrável e uma falta de jeito inacreditável.

Espero, repito, espero que o SCP não saia desta "estória" beliscado no seu mérito desportivo. Quanto à imagem, nada a fazer.

Quanto à capa do Correio da Manhã de hoje... fica para outro episódio. Relembro apenas que o que lá é descrito como "procedimento recente" no SCP, está errado, mas é prática corrente no clube português com mais títulos nos últimos 30 anos. E nesse caso quase todos chamam "competência", "rigor" e "boa gestão". Eu chamo outra coisa. Mas, como disse, fica para outro episódio.

 

 

 

O «torpedeamento» já começou

O inevitável «torpedeamento» de tentativa de aproveitamento sobre a polémica instalada em torno do Sporting já começou e... por um benfiquista. 

Afirmou um qualquer Bruno Carvalho (não confundir com Bruno de Carvalho), ex-candidato à presidência do clube da Luz: «Hoje ficou provado, através das imagens video de banco, que foi um funcionário de Paulo Pereira Cristóvão que fez o depósito de dois mil euros na conta do árbitro assistente e é evidente que foi a seu pedido. Paulo Pereira Cristóvão era na altura vice-presidente do Sporting logo, tentou corromper o árbitro e não parece que haja aqui qualquer dúvida. O Sporting deverá ser eliminado de imediato da Taça de Portugal e não poderá disputar essa prova na próxima época».

 

O supracitado suscita diversas perguntas:

Quem é este senhor para se pronunciar sobre o Sporting ou qualquer matéria relacionada com o caso?

Como é que informação e evidência que são supostas estar preservadas no «segredo de justiça» chegaram ao domínio público, nomeadamente a esta oblíqua personagem?

Será que esta é uma das primeiras indicações concretas a sublinhar dúvidas, se é que existiam, sobre a credibilidade do timing da relevante operação?

 

Não pretendo de modo algum lançar uma acusação generalizada à «nação» benfiquista, mas não deixa de ser curioso que uma afirmação deste baixo calibre tenha surgido por alguém associado a esse emblema.

 

Por incrível que pareça... Nota do jornal Record: «Durante breves segundos, devido a um erro de arquivo, a fotografia de Bruno Carvalho foi trocada com a de Bruno de Carvalho candidato às últimas eleições do Sporting. Pelo lapso, as nossas desculpas».

(Será o mesmo arquivo problemático que rasurou o emblema do Sporting da touca do nosso nadador?)

Directo ao assunto

 

Não vamos esconder. O que se passou nos últimos dias envolvendo o bom nome do Sporting Clube de Portugal é grave, muito grave. O que nós esperamos é que as instâncias próprias analisem e investiguem tudo, doa a quem doer.

 

O SCP não está habituado - ao contrário de outros grandes clubes - a ser envolvido neste tipo de situações. Nós não temos um ex-presidente exilado por causa de filmes de série B e não estivemos envolvidos em apitos d' ouro. Somos um clube à parte, desportivamente e em termos éticos. Por isso é que se calhar perdemos muito ao longo dos anos. Conservamos o orgulho e o brio que nos distingue de todos os outros. Mas não podemos culpar ninguém sem haver investigação e sem uma acusação formal.

 

Até prova em contrário, há que acreditar na inocência de quem é envolvido numa cena macabra destas, embora fique a certeza desde já de que não vamos pactuar com quem mancha a honra desta instituição sem paralelo que é o SCP, seja essa intenção interna ou externa ao clube. O SCP não pode ser prejudicado na Taça de Portugal e a sua posição na Liga é segura. Não vale a pena assustarem dirigentes, equipa técnica e jogadores com esses fantasmas. Que eu saiba, com suspeitas ainda piores, nada sucedeu com outros grandes clubes.

 

Não é ao acaso que surge agora uma situação destas com o SCP. Estamos na meia-final da Liga Europa, demos um show de bola aos lampiões em Alvalade e podemos decidir tudo nas Antas. Acham que é pouco? Como diz a outra, não há coincidências...

 

Há males que vêm para bem

Tenho tudo em meu desfavor. Adoro ficção, escrita ou cinematográfica, especialmente na que assenta em premissa policial, espionagem, etc., durante cerca de uma década estive profissionalmente activo no foro associado a promotoria/segurança doméstica e internacional e, em paralelo, durante muitos anos, fui exposto ao «milieu» futebolístico, dentro e fora das quatro linhas, com ênfase no multidimensional aparato que enquadra a sua gestão. Muito por tudo isto, sou frequentemente acusado de ter uma imaginação algo fértil, que me induz a conceber conspirações por trás de cada porta. Indiferente da exactidão do conceito sobre as minhas faculdades, é indiscutível que não acredito na acidental simultaneidade de ocorrências com «timing» imaculado e com décor vulnerável à destreza obscura de interesses indefinidos, muito em especial no que concerne a existência do Sporting no futebol português, hoje e já há uns anos a esta parte.

A consideração vem a propósito da recém-polémica erupção no Clube, incidência sobre a qual não tenho conhecimento de causa e que abstenho-me de comentar, quanto à sua razão de ser. Conquanto seja justo admitir a plausibilidade de todos os cenários, a tal minha fértil imaginação não resistiu ao resumo dos acontecimentos desta época, a começar com a distinta malevolência da arbitragem logo no primeiro jogo e, daí, em diversos outros, o ainda por explanar insólito boicote, a constante denigração de tudo quanto é Sporting por parte de determinadas fracções da comunicação social desportiva, a disparidade de critérios e associados em relação ao clube da Luz e, finalmente, um processo que está em segredo de justiça, mas que surge na praça pública por intermédio da SIC, com subsequente desdobramento por muitos outros, seguido, de imediato, por acção policial, tudo uns escassos dias depois do Sporting afastar o Benfica da luta pelo título.

Coincidência?

Este meu exercício cerebral foi em muito instigado pelo escrito de ontem por autoria de um tal Sobral cá do sítio: «Os dirigentes do Sporting criticaram de forma evidente e agressiva, em diversas fases desta temporada, as equipas de arbitragem. Foi um procedimento errado, muitas vezes grosseiro, que prejudicou o futebol português e, acredito, o clube. Os responsáveis procuram reclamar para si o estatuto de mais prejudicados, vítimas não se apercebia exatamente do quê». Perante esta incrédula asserção, susceptível de afectar o equilíbrio de qualquer pessoa moderadamente sensata, cheguei à inevitável e pouco graciosa conclusão, sem inferir culpabilidade seja a quem for, que há males que vêm para bem. No contexto do perpétuo e insofrível estado das coisas, por que é que deverá ser o Sporting o único dos chamados grandes, e não só, a manter intacta a sua «inocência»?

O pecado «cardinal»

 

Segundo o que foi hoje noticiado pelo jornal Diário de Notícias e já mencionado neste espaço, o árbitro auxiliar internacional José Manuel Siva Cardinal, de 45 anos de idade, está a ser alvo de uma investigação pela Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária, por suspeitas de corrupção associadas ao jogo dos quartos-de-final da Taça de Portugal entre o Sporting e o Marítimo, em que a equipa «leonina» acabou por vencer por 3-0 com a arbitragem de Artur Soares Dias. Será prematuro e imprudente adiantar quaisquer outros comentários sobre a investigação em andamento, salvo sublinhar que foi o Sporting que denunciou o caso à Federação Portuguesa de Futebol com fundamento em informação recebida anonimamente. Daí que José Cardinal tivesse sido retirado do referido encontro, sob o manto de «questões pessoais». Este assistente precipita memórias muito desagradáveis para os sportinguistas em que foi ele, a trabalhar com Carlos Xistra na primeira jornada da Liga no embate em Olhão, que invalidou o golo limpo a Helder Postiga que teria dado a vitória ao Sporting por 2-1. Recuando nos tempos e para um incidente ainda mais polémico, foi este mesmo cavalheiro, como auxiliar de Lucílio Baptista na notória final da Taça da Liga contra o Benfica, que deu as indicações para a não existente mão na bola por Pedro Silva que levou à marcação da grande penalidade e à eventual vitória do clube da Luz. José Cardinal é um reconhecido adepto portista que auxiliou o ex-árbitro Paulo Paraty durante alguns anos. Pelo que é possível apurar, deixou de ser nomeado desde que a investigação pela Polícia Judiciária foi iniciada. Entre tanto do que já ocorreu esta época, mais uma mancha para a arbitragem portuguesa e que, inevitavelmente, levanta o espectro sobre a possibilidade de terem existido adicionais influências obscuras noutros jogos. O Secretário de Estado do Desporto afirmou que o caso deve ser investigado até às últimas consequências. Já o presidente da Liga, Mário Figueiredo, não quis tecer quaisquer comentários por não conhecer o caso. O presidente Godinho Lopes apenas declarou que uma vez que a questão está entregue à justiça deve-se deixar o processo decorrer. Esperar para ver...  

Bem me parecia...

Já não é suposição, mas realidade. Logo no início do campeonato cheirou-me a esturro a atitude pressecutória dos árbitros contra o Sporting. Hoje pasmo, ao ler no DN que a PJ investiga corrupção num jogo Sporting-Marítimo. Só num? E só a um árbitro? Depósito num banco da Madeira no valor de 2.000 euros na conta do árbitro assistente José Cardinal a poucos dias do Sporting-Marítimo e que está na origem de uma investigação da Unidade Nacional contra a Corrupção. E se um assistente recebe 2.000 será que o árbitro recebe 5.000? Haverá já tabelas? O que eu sei é que o Sporting perdeu aquele jogo com o Marítimo. E por que não esmiuçar os casos do tal Sporting-Marítimo? Pois é...

 

ADENDA: Se as últimas notícias vindas a público sobre este assunto forem verdadeiras, terei grande vergonha.

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