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És a nossa Fé!

Subitamente no verão passado

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Foi assim que terminou o processo Cashball, que esteve para o ataque a Alcochete e para o desvario final de Bruno de Carvalho como o atentado a Carlos Lacerda esteve para o Manifesto dos Generais e para o suicídio de Getúlio Vargas. Desta vez ninguém morreu, felizmente, e Bas Dost foi o único a sofrer ferimentos, ainda que os prejuízos para o Sporting decorrentes disto ameacem ser incalculáveis.

Quem tiver curiosidade sobre o que aconteceu entre o atentado a Carlos Lacerda e o suicídio de Getúlio Vargas pode ler o belíssimo romance "Agosto", de Rubem Fonseca. Já o Cashball foi criado por um ficcionista muito menos capacitado, mas com um "agente literário" tão bom ou tão influente que ainda assim logrou a suspensão da descrença de alguns daqueles que ouviram o seu relato de uma rede de resultados combinados no futebol e no andebol em benefício do Sporting.

Mais do que uma narrativa bem articulada que ajudou a arrasar o meu clube e a colocá-lo nas mãos de quem se tem servido dele, o Cashball fica para mim como uma nódoa no trajecto profissional. Embora ainda hoje queira acreditar que aqueles que propagaram as vergonhosas invenções de um desqualificado mal-aventurado o fizeram sem conhecimento de estarem a validar invenções desprovidas de ligação à realidade (um dos supostos "corrompidos" pelo Sporting fez algumas das melhores defesas que já vi um guarda-redes fazer no jogo em que supostamente recebeu para deixar entrar golos), a minha incapacidade de travar o comboio desgovernado que me apareceu pela frente ainda hoje me custa.

Devo ao Cashball e ao que se passou naqueles meses de 2018 a abrupta necessidade de encontrar um novo rumo para a minha vida profissional, e ainda por cima para melhor. Espero que um dia também o Sporting possa dizer o mesmo, mas temo que esse dia não esteja para breve.

André Geraldes, alguma explicação?

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André Geraldes, funcionário do Sporting e director do futebol ("team manager" como referia a imprensa é, pura e simplesmente, uma patacoada analfabeta) foi detido. Toda a imprensa referiu que devido a investigações relacionadas com corrupção em jogos de andebol, da qual tinha sido acusado por pretensos intermediários. Acusações conspurcando o clube. O homem foi proibido de exercer o seu ofício e perdeu o seu emprego. Seis meses depois fica tudo em "águas de bacalhau". "Siga a marinha", diz a "justiça". "Tranquilo(s)", manda a tal "justiça" dizer aos sportinguistas ...

3 coisas estranhas. A primeira é o homem. Como é que um tipo recupera de uma foto destas, de um alarido destes? Alguém diz qualquer coisa, um tipo é detido, toda a imprensa fotografa, filma, o nome fica sinónimo de aldrabão. Fica desempregado. E até evitável. E depois, afinal, meio ano depois "vá lá ganhar a vida"? Podem-me vir aqui juristas, profissionais ou amadores, comentar fundamentando a legitimidade da justiça. Sim, regulamentarmente decerto que "seguiram os livros". Mas isto é uma desgraça, seja lá de que clube for o funcionário, não se pode fazer. Não pode acontecer;

A outra coisa que também "ao princípio se estranha mas nunca se entranhará" é relativa ao clube. Por todo o país e não só o Sporting foi divulgado como envolvido em actos de corrupção, orquestrados pelo seu director de futebol, e dito "braço direito" do presidente do clube. Com custos morais (a angústia nos associados e adeptos) e reputacionais enormes, que têm efeitos económicos, calculáveis, e simbólicos (se ainda hoje se fala de Calabote ou de Inácio de Almeida quantos anos levará a limpar esta suspeição junto do público em geral?). A "justiça" resume-se a um "não se passa nada"? A "justiça" é a justiça mas o Sporting é uma instituição de utilidade pública, tem alvará (ou coisa parecida) para exercer actividades pedagógicas de índole desportiva, é um "parceiro social" respeitável. E isto fica assim para a tal "justiça"?

Finalmente, André Geraldes foi acusado de ser corruptor no âmbito do seu trabalho no Sporting. Ele já não é funcionário e a direcção que o contratou e promoveu já não está em exercício. Mas a instituição é a mesma, é perene (é por isso que é "instituição"). A direcção não diz nada? Uma acusação destas esvaiu-se, "um ar que lhe deu", e apenas se sacode a caspa do ombro?

A gente fica sem explicação? E, no caso do clube, sem qualquer reclamação? Sem uma indemnização moral?

A vergonha do futebol!

Só uma dose significativa de insanidade e de irracionalidade da comunidade pode justificar que o futebol continue a fazer, diariamente, manchetes de jornal. O nível de emoção colocado em qualquer discussão sobre esta prática desportiva não tem, creio, paralelo com qualquer outra actividade humana, pelo menos em grande parte do mundo ocidental. Com uma regularidade assinalável somos confrontados com notícias de investigações judiciais ou de questiúnculas clubísticas que são, na maioria dos casos, transformadas em verdadeiras guerras civis.

Em qualquer área de actividade humana parece haver uma necessidade constante de superiorização face aos adversários. No desporto - e no futebol em particular - acontece a mesma coisa. Todos os anos, quando uma nova época desportiva se inicia, o nosso principal desejo é que a nossa equipa (para quem tem, porque há muita gente que não tem qualquer interesse nestes fenómenos) ganhe. Querer ganhar, penso, não tem qualquer problema. Querer ganhar a todo o custo, mesmo à margem das regras que disciplinam a vida em comunidade, não sendo um absurdo, é, no meu entendimento, indigno e imoral. Não é apenas a minha opinião e, precisamente por esse motivo, a comunidade politicamente organizada tem regras que punem esse género de actos e comportamentos.

As recentes notícias que envolvem o nosso eterno rival, sendo juridicamente distintas de outras, não diferem assim tanto do que se conhece sobre aquilo que acontece/aconteceu em Portugal e noutros países no que concerne não apenas à viciação directa de resultados desportivos, mas também no que diz respeito à criação de vantagens competitivas fora do campo de jogo. Sem fazer juízos jurídicos valorativos (não se conhecem os processos) os diferentes processos judiciais no âmbito do futebol resultam do facto de alguns (e esses alguns não são sempre os mesmos) quererem ganhar a todo o custo. E isso não é e não pode ser aceitável!

Não é de hoje ou sequer de um passado recente, mas penso que o nosso futebol (bem como a nossa sociedade) está muito doente. Infelizmente, a putativa censurabilidade social no âmbito de crimes como os de corrupção, corrupção desportiva ou de recebimento de vantagem indevida é apenas circunstancial, em função dos eventuais envolvidos nas situações.

Ao Sporting, enquanto sócio, o que exijo é que estas questões não existam e, a existirem, que não apenas os seus responsáveis sejam severamente punidos, mas que o clube sofra as respectivas consequências. A ser verdadeiro o que se afirma sobre a investigação no processo Cashball, tal facto constituirá uma vergonha muito maior do que não ganhar o campeonato durante cinquenta anos. Quero que o meu clube ganhe, mas apenas porque dentro do campo é mais forte do que os adversários.

 

{ Blog fundado em 2012. }

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