Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Castigo merecido

Depois duma primeira parte medíocre em que praticamente não criou perigo, Keizer deu a volta ao texto, a equipa encostou o Marítimo às cordas, mas as defesas incríveis do GR do adversário, a complacência manhosa do árbitro com as atitudes anti-desportivas e queima de tempo do mesmo, e alguma falta de sorte, conduziram a uma perda de dois pontos que, apesar de tudo o atrás referido, achei merecida. 

Merecida porque quem não aborda estes jogos para entrar com tudo, marcar primeiro, e gerir o resultado depois, põe-se a jeito para perder pontos.

Merecida também porque Keizer insistiu em jogadores fatigados fisica e mentalmente, não refrescou a equipa depois duma jornada europeia onde jogámos meia parte com 10, e apresentou mais uma vez um modelo de jogo que não facilita minimamente o trabalho de Bas Dost (também ele mais que fatigado). Muito jogo interior que se perde em passes sem nexo, extremos de pé trocado que não vão à linha centrar com precisão, laterais que não têm prontidão a centrar, tudo muito à base da inspiração e da capacidade extra de Bruno Fernandes e de mais um ou outro.

Não foi pelos reforços de inverno Borja (mesmo com o amarelo), Ilori, Doumbia e Luiz Phellipe que perdemos pontos. Se calhar todos eles deviam ter jogado de início.

O final da partida demonstrou mais uma vez a falta de tranquilidade que reina naquele balneário e à qual tem de pôr cobro urgentemente, mas que tem de se compreender à luz do sentimento de impotência de corresponder aos objectivos do clube, e também pela atitude vergonhosa de muitos "Letais ao Sporting" que, em vez de irem ao estádio apoiar e aplaudir, assobiam, intimidam e agridem, verbal e fisicamente.

De facto, não me recordo de nenhum periodo com tal quantidade de cartões amarelos e vermelhos mostrados ao Sporting, muitos por protestos e questiúnculas, a obrigar a substituições, a comprometer resultados e a desfalcar a equipa em desafios importantes.

SL

A sorte protege os audazes

Ganhámos com sorte, sim. Mas haverá campeões sem estrelinha? Creio que não. Por vezes esquecemo-nos de que futebol também é jogo. E o jogo, seja qual for, envolve sempre um componente aleatória.

Uma palavra nos define, acima de outra, nesta final arrancada a ferros ontem à noite, em Braga, frente ao FC Porto: a palavra competência. Com um plantel inferior, em quantidade e qualidade, e um dia a menos de descanso do que a equipa adversária, soubemos fazer das fraquezas força e demonstrar a milhões de portugueses que o Leão, mesmo ferido e desgastado, continua a ser temível.

Repetiu-se o sucedido há um ano, nesta competição que também ganhámos, na altura sob o comando de Jorge Jesus: empate desfeito por penáltis tanto na meia-final como na final. A partida decisiva foi então com o V. Setúbal: os portistas haviam sido eliminados na etapa anterior. Desta vez enfrentámos o próprio campeão nacional, que só conseguiu fazer o primeiro remate à nossa baliza aos 42'. A segunda parte foi de claro domínio azul e branco, culminado no golo aos 79'. A partir daí, o Sporting caiu em cima do antagonista e criou várias oportunidades para empatar. No mais improvável desses lances, aos 89', Óliver derrubou Diaby dentro da grande área. Chamado a converter o penálti, Bas Dost não vacilou.

Na roleta que se seguiu, o holandês voltou a facturar. O mesmo fizeram Bruno Fernandes e Nani. Renan, sucessor de Rui Patrício, defendeu a grande penalidade apontada por Hernâni. E fazia-se a festa de verde e branco na rubra Cidade dos Arcebispos. Pelo segundo ano consecutivo, somos campeões de Inverno.

 

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

 

RENAN. Não há volta a dar: esta Taça da Liga é muito dele. Sem os três penáltis que defendeu na meia-final contra o aziado Braga, jamais teríamos reconquistado este troféu, ex-taça Lucílio. Ontem voltou a defender outro, revelando-se novamente decisivo. É certo que teve grande responsabilidade no golo que sofremos, aos 79'. Mas o balanço é largamente positivo.

RISTOVSKI. O macedónio não é um primor de técnica, está mais que visto. Ontem confirmou-se lá à frente, quando optou por atirar para a bancada quando tinha Dost e Nani isolados à sua esquerda. Mas bateu-se como um Leão contra Brahimi, um dos mais categorizados adversários. Fez um corte providencial aos 54'. Exibiu boa forma física do princípio ao fim.

COATES. Exibição irrepreensível do internacional uruguaio - e em circunstâncias muito difíceis pois viu-se privado do seu habitual parceiro no eixo da defesa, coabitando com três centrais em dois jogos decisivos. Foi o patrão do sector recuado, autor de cortes providenciais aos 17', 70', 76' e 77'. Só lhe faltou converter o penálti no fim: desperdiçou a oportunidade, como sucedera na meia-final.

ANDRÉ PINTO. Uma das melhores exibições de sempre do central ex-Braga vestido de verde e branco. Na primeira parte, vulgarizou e neutralizou Marega, sem nunca se atemorizar perante o avançado portista. O azar bateu-lhe à porta logo a abrir o segundo tempo, precisamente num choque com Marega: fracturou o nariz e ainda quis jogar em esforço, mas saiu aos 53'.

GUDELJ. Talvez a melhor actuação do sérvio desde que chegou a Alvalade. Competia-lhe aplicar um tampão às ofensivas portistas pelo corredor central. E assim fez, revelando também competência nas dobras aos laterais e na recuperação de bolas. Não está isento de culpas no golo adversário, mas merece nota positiva. Sacrificado aos 83' por motivos tácticos.

WENDEL. Chegou há um ano ao Sporting, mas permaneceu proscrito durante vários meses. Afinal é um jogador talentoso, que está a ganhar lugar cativo no onze titular do Sporting - uma das maiores conquistas de Keizer como técnico. Jogando como médio-ala, no corredor esquerdo, foi essencial na ligação dos sectores e na posse de bola, revelando disciplina táctica e bom domínio técnico.

BRUNO FERNANDES. Muito vigiado, com um raio de acção bastante mais limitado do que é habitual, levou a melhor em sucessivos duelos com Herrera. Quase marcou, de livre directo, no último lance da primeira parte. Passe prodigioso a isolar Raphinha à beira do apito final. Chamado a converter uma grande penalidade, na hora da verdade, cumpriu com brilhantismo. E sem surpresa para ninguém.

NANI. A "casa das máquinas" esteve a cargo do capitão leonino, que fez valer a sua experiência em campo quando era necessário estancar as torrentes de energia portista. Hábil leitor do jogo, sem se atemorizar perante Militão, ajudou a fechar o nosso corredor esquerdo, reforçando o bloco defensivo. Fez um centro fabuloso para Bas (81') e foi competente também a marcar o penálti final.

BAS DOST. Em dois momentos decisivos, cumpriu - tornando-se no improvável homem do jogo. Chamado a converter o penálti após os 90', foi frio e eficaz, metendo-a lá dentro. E redobrou a dose, atirando-a para as malhas da baliza a abrir a ronda final de grandes penalidades. Pressionou muito à frente, ganhou lances aéreos. Podia ter marcado aos 81', mas assim a final teria sido menos emocionante.

PETROVIC. Com Mathieu ausente e André Pinto lesionado logo a abrir a segunda parte, revelou-se uma das mais graves lacunas do nosso plantel: falta-nos um quarto central. Aos 53' o médio defensivo sérvio avançou do banco e fez parceria com Coates. Missão bem sucedida: foi intransponível, mesmo após ter fracturado o nariz num choque (também ele, tal como André). 

 

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

 

ACUÑA. Desta vez não brilhou, tendo pela frente as investidas de Corona, embora fosse o mesmo argentino combativo a que já habituou os adeptos. Por vezes é mesmo combativo em excesso: amarelado aos 35', e com a sua natural propensão para discutir com os árbitros, acabou por não regressar ao relvado após o intervalo. Keizer fez bem: o seguro morreu de velho.

RAPHINHA. Ainda não retomou o melhor nível desde que veio de lesão, revelando algum défice de eficácia nos metros finais do terreno: bem servido por Bruno, que o isolou aos 90'+5, desperdiçou essa soberana oportunidade de sentenciar a final antes do apito. Mas completou com eficácia a missão de Ristovski nas manobras defensivas do nosso corredor direito.

JEFFERSON. Esteve em campo durante toda a segunda parte - o período mais complicado para o Sporting, após o nosso notável desempenho colectivo nos 45 minutos iniciais. Foi comedido nas acções ofensivas, certamente por ordem do treinador, e ajudou a fechar o flanco. Ia estragando tudo com um recuo de bola disparatado aos 88', salvo in extremis por um companheiro.

DIABY. Com o Sporting a perder, a cerca de um quarto de hora do fim, Keizer arriscou - e fez muito bem. Saiu Gudelj, entrou Diaby para refrescar o nosso ataque, já muito desgastado. O maliano pouco mais fez do que correr sem bola, ampliando as linhas de passe. Mas teve sorte: numa dessas incursões, já dentro da área portista, foi derrubado à margem das regras. Tudo mudaria a partir daí.

Jogo terminou com seis da Academia

Pena haver apenas 25 mil pessoas no estádio. Certamente muitos mais sportinguistas gostariam de ter assistido a este Sporting-Vorskla, para a Liga Europa, apesar de a nossa equipa já estar classificada para os 16 avos de final da competição.

Oportunidade para Marcel Keizer, nesta sua estreia europeia ao serviço do Sporting, pôr a rodar mais dois elementos da formação leonina: o médio Bruno Paz e o avançado Pedro Marques. Somados a Jovane, Miguel Luís e Carlos Mané, e ao lateral Thierry Correia, suplente utilizado, foram ao todo seis os que terminaram este jogo com a marca de formação da Academia de Alcochete.

O resultado, 3-0, foi construído ao intervalo. Com golos de Montero, Miguel Luís (que se estreou a marcar pela equipa principal) e um autogolo da equipa ucraniana, que se manteve fiel à tradição: nunca até hoje um onze deste país foi capaz de vencer o Sporting.

 

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

 

SALIN. Há seis jogos que não acontecia: o Sporting terminou esta partida com as redes invioladas, em boa parte graças ao guardião francês, que retomou a titularidade e mostrou bons reflexos, nomeadamente ao sair da baliza aos 30', resolvendo por antecipação um problema que poderia complicar-se muito. Aos 34', num soberbo passe para Acuña, confirmou que sabe jogar com os pés.

ACUÑA. Tem sido alvo de medidas disciplinares por ferver em pouca água nas situações mais inconcebíveis. Mas não pareceu nada afectado pela recente expulsão no campeonato. Cobriu muito bem a lateral esquerda, como ficou patente numa corrida de 100 metros aos 63', em que levou a melhor sobre o extremo adversário. Participou na construção do primeiro golo.

MIGUEL LUÍS. Keizer pôs a equipa a jogar simples, num futebol de primeiro toque. Miguel Luís soube ser um fiel intérprete deste estilo de jogo. Exímio no passe, curto ou no longo, e nas tabelinhas com colegas, posicionou-se claramente como possível substituto de Wendel, entretanto lesionado. Coroou uma exibição muito positiva, como médio-centro, com um golo à ponta-de-lança aos 35'. A sua estreia a marcar na equipa principal.

BRUNO FERNANDES. Vem melhorando de jogo para jogo, reencontrando a sua boa forma da época passada. Hoje voltou a ter uma exibição muito positiva, empurrando a equipa para a frente e evidenciando pormenores técnicos que fizeram arrancar palmas espontâneas nas bancadas. Fez assistências para dois golos. Saiu aos 73', muito ovacionado.

CARLOS MANÉ. A maior parte dos ataques do Sporting no primeiro tempo foram conduzidos por ele, neste regresso à titularidade. Esteve em todos os golos: no primeiro, cabe-lhe o primeiro remate, de cujo ressalto resultaria o golo; participou na construção do segundo; inicia a movimentação que deu origem ao terceiro. Só lhe faltou marcar, também ele. Tentou, sem conseguir.

MONTERO. Protagonizou momentos de grande qualidade, nomeadamente na construção do segundo golo, que começa com uma recuperação de bola muito bem dominada pelo peito. Já tinha marcado, logo aos 17', aproveitando da melhor maneira um ressalto. E aos 44', movimentando-se bem na área, forçou um central ucraniano a fazer autogolo. Pena ter-se lesionado, talvez com gravidade. Forçado a sair aos 59'.

BRUNO PAZ. Grande estreia na equipa principal deste jogador que actuou como médio interior e teve apontamentos que fizeram lembrar o melhor Adrien. Em campo desde o minuto 73, por troca com Bruno Fernandes, foi autor de vários passes rasgados, sempre com perigo. Todos ficámos com vontade de voltar a vê-lo muito em breve na equipa principal.

 

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. Regressou à equipa após uma longa ausência por lesão: actuara pela última vez a 25 de Outubro. Percebe-se que esteve bastante tempo parado. Falta-lhe velocidade e algum discernimento nos centros. Acabou por ser substituído, essencialmente por precaução, aos 64'.

ANDRÉ PINTO. Sem brilhar, sem comprometer. Jogou certinho, como quase sempre faz quando salta do banco para render um dos centrais. Desta vez actuou no lugar que costuma ser ocupado por Mathieu, sem fazer esquecer o francês, nomeadamente no início da construção ofensiva. Continua sem fazer valer a sua altura nos lances de bola parada, lá à frente.

PETROVIC. Merece nota positiva por ter cumprido a missão táctica de que estava incumbido, como médio defensivo. Não é um transportador de bola nem um tecnicista, mas jogou concentrado e até foi capaz de levar algum perigo a zonas mais avançadas do terreno. Procura mostrar serviço.

JOVANE. Desta vez foi titular, mas esteve bastantes furos abaixo do que revelou em anteriores desafios. Demasiado agarrado à bola, definiu mal e rematou torto. Teve, no entanto, ocasionais bons apontamentos: aos 11', fez quase uma assistência para golo servindo Montero; aos 73', rematou para defesa apertada do guarda-redes. Nota positiva, apesar de tudo.

PEDRO MARQUES. Estreia na equipa principal. Já marcou presença em dez partidas do campeonato sub-23, tendo apontado três golos. Caiu demasiadas vezes em situações de fora de jogo. Tendência para mergulhar na área não parece favorecê-lo. Mas alguns pormenores revelam que tem potencial para actuar com mais regularidade no onze principal. Pode beneficiar da lesão de Montero.

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

 

COATES. Será talvez cansaço. O uruguaio tem revelado momentos crescentes de inaceitável desconcentração, além da falta de velocidade a que já nos habituou. Voltou a acontecer neste jogo, felizmente sem consequências graves, por exemplo ao falhar uma intercepção a Careca, forçando Petrovic a falta de cartão amarelo. É um dos elementos que está a pedir - quase a implorar - uma cura de banco.

THIERRY. Foi, dos três sub-23 que saltaram do banco, o único sem prestação positiva. Correu bastante, mas nem sempre com discernimento na definição do passe. Conduziu a bola aos 85' num lance que viria a disperdiçar quando tinha o colega Pedro Marques isolado a seu lado. Na manobra defensiva também não deslumbrou - longe disso. Parece faltar-lhe alguma humildade, sempre proveitosa para quem está em início de carreira.

Quem joga para empatar acaba por perder

Os jogadores entraram ontem em campo, num estádio José Alvalade muito bem composto com mais de 40 mil assistentes, sabendo que se exibiam em palco europeu. Sendo muito baixas as expectativas dos espectadores, a nossa actuação durante a primeira parte merece nota positiva. Foi também o período do jogo em que o visitante Arsenal - ontem desfalcado de diversas peças importantes, com Ozil e Lacazette no banco - se apresentou quase em ritmo de treino, sem pressionar muito, poupando energias após um desgastante embate com o Leicester três dias antes.

 

Ristovski lesionou-se à beira do intervalo, forçando José Peseiro a uma substituição prematura, à revelia do plano de jogo. O nível exibicional baixou de imediato: Bruno Gaspar teima em não demonstrar qualidade para o plantel leonino. Mas não foi só por isso que o Sporting quebrou na segunda parte desta partida da Liga Europa, concedendo quase toda a iniciativa de jogo à turma inglesa: foi também por manifesto colapso físico que afectou alguns dos jogadores que mais tinham rendido durante o período inicial, designadamente Acuña e Nani. Neste contexto, a inevitável entrada de Jovane pecou por tardia.

 

Sofremos o golo a 12 minutos do fim do tempo regulamentar, numa comprovação prática da ineficácia do dispositivo táctico montado pelo treinador, que desta vez apostou num trio de médios defensivos no corredor central, forçando o Arsenal a utilizar as alas. Peseiro acreditava piamente num zero-a-zero. Os planos saíram-lhe furados, em obediência a um velho mandamento do futebol: equipa que joga para empatar acaba por perder.

 

O melhor dos nossos foi, sem discussão, o guarda-redes Renan.

 

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

 

RENAN. Sai deste embate como o mais sério candidato a guarda-redes titular, embora sem fazer esquecer Rui Patrício. Balanço muito positivo da exibição do brasileiro que chegou a Alvalade por empréstimo do Estoril. Sem ele, teríamos perdido por dois ou três golos. Único jogador leonino com exibição acima da média registada em desafios anteriores.

ACUÑA. Merece nota positiva sobretudo pelo trabalho desenvolvido na primeira parte, em que foi o melhor do Sporting. Todos os lances com princípio, meio e fim do nosso escasso fluxo ofensivo tiveram a marca dele, criando desequiíbrios, vencendo no confronto individual e infiltrando-se na grande área do Arsenal. Caiu fisicamente no segundo tempo.

MONTERO. Jamais será um substituto de Bas Dost: faltam-lhe características de avançado fixo. Mas teve um importante jogo posicional, arrastando a defesa adversária, no chamado trabalho sem bola a que muitos adeptos ficam indiferentes. Carregado em falta por Sokratis, o árbitro fingiu não ter visto o lance que daria expulsão ao grego: "El Avioncito" já se isolava rumo à baliza - bem ao seu jeito, correndo como quem desliza.

 

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. A mais recente "contratação" da concorrida enfermaria leonina.  O lateral direito "fez piscinas" durante a primeira parte, naquele seu estilo muito mais voluntarioso do que habilidoso. Queria empurrar a equipa para diante, mas esteve quase sempre muito desacompanhado. Lesionou-se antes do apito para o intervalo.

ANDRÉ PINTO. Cumpriu, dentro da mediania, com um toque muito característico: procura passar quase despercebido durante uma partida inteira. Ineficaz nos lances ofensivos de bola parada, onde nunca foi capaz de impor a sua altura. Mas atento às dobras na lateral esquerda para compensar as frequentes ausências de Acuña, sobretudo na primeira parte.

PETROVIC. Obedece aos parâmetros tácticos, revelando-se incapaz de rasgos criativos. Funcionou diversas vezes como terceiro central, de modo a conter o ímpeto inglês, cumprindo em jogo posicional mas inapto na construção ofensiva. Exigir-lhe um passe de ruptura, a mais de cinco metros, é quase pedir-lhe o impossível.

BRUNO FERNANDES. Abusou do remate para onde estava virado, chutando três vezes a bola para a bancada ao longo dos primeiros 45 minutos. Médio ofensivo em teoria, médio-ala por adaptação, na prática vimo-lo aparecer em quase todo o terreno, num estilo que fica bem na fotografia: corre imenso, gesticula, barafusta, mas só a espaços se torna útil.

NANI. A idade, no caso dele, é um posto. E o estatuto de campeão europeu também. É, com frequência, o único capaz de pensar o jogo e agir em conformidade. Com e sem bola. Das bancadas gritam-lhe que "chute", mas ele sabe a importância da temporização. Nota positiva na primeira parte. Na segunda, por evidente quebra física, perdeu muita influência. Substituído à beira do fim por Diaby.

JOVANE. Mexeu com o jogo ao substituir o inútil Gudelj quando estavam decorridos 71'. Procurou criar desequilíbrios e surpreender a defesa do Arsenal, que jogou muito subida na segunda parte. Mas faltou-lhe tempo e sabedoria para contrariar a perda de energia física e anímica do nosso colectivo, já então gritante.

 

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

 

COATES. Parece um filme em reprise. Cada vez que jogamos em competições internacionais, o uruguaio persiste em pregar-nos um susto. Cumpriu a tradição ao falhar a intercepção de um passe, colocando em jogo Welbeck, que sentenciou a partida. Desta vez nem sequer fez a habitual gracinha conduzindo um lance ofensivo. Para esquecer.

GUDELJ. Com ele ao lado, formando o chamado "duplo pivô defensivo", Battaglia perde protagonismo e torna-se um jogador banal. Efeito de contágio proporcionado por este sérvio que persiste em lançar dúvidas sobre o mérito da sua contratação. Insuficiente no processo defensivo, ineficaz na construção ofensiva. Na China, de onde veio, não jogava. Percebe-se porquê.

BATTAGLIA. Tem-se mostrado em bom nível na selecção argentina, mas não rende neste Sporting, asfixiado pelo sistema de duplo trinco. Gosta de dispor de espaço e percebe-se que fica tolhido com Gudelj a pisar o mesmo terreno, sem proveito para a equipa. Em termos de construção ofensiva, voltou a ser uma sombra da época passada.

BRUNO GASPAR. Subsiste o enigma: por que motivo terá sido contratado este lateral direito que teima em tornar evidente a sua inaptidão ao lugar e a uma equipa com as naturais ambições do Sporting? Jogou toda a segunda parte e teve o condão de nos fazer sentir saudades de Cédric, Piccini e até de Schelotto. 

DIABY. Valeu a pena adquirir um avançado por tão elevado preço, no atribulado defeso leonino, se ninguém consegue vê-lo actuar mais de cinco minutos por jogo? Foi o que ontem sucedeu, para não fugir à regra. Tarda em integrar-se no onze leonino, por motivos mais que óbvios. E assim vai atrasando a sua ligação aos adeptos. Sabe-se lá até quando.

De bestial a besta em quatro minutos

Azarado? Quem é azarado?

Deficiente leitura de jogo? A sério?

Incapacidade de pôr os jogadores a rodar? Têm a certeza?

 

Na segunda parte do desafio da tarde de ontem, disputado na Ucrânia com bastante frio e a horas impróprias, José Peseiro fez questão de contrariar todos os profetas da desagraça que lhe iam apontando um imenso rol de defeitos. Já tinha cumprido aquilo que alguns de nós esperávamos dele ao escolher sem temor um onze nunca experimentado, face à necessidade de rodar jogadores, acautelar a partida de domingo em Portimão e dar mais rodagem àqueles que são por sistema deixados no banco ou na bancada. 

O Sporting alinhou inicialmente frente ao Vorskla - quarto classificado do campeonato ucraniano - com cinco novidades em relação ao onze inicial do desafio anterior, contra o Marítimo. Destaque para as apostas em Bruno Gaspar, Carlos Mané e Diaby - o mais caro reforço da pré-temporada leonina.

 

Confrontado com um golo sofrido logo aos 10' e com a apatia generalizada daquele grupo de jogadores incapaz de desfazer o nó ucraniano, o técnico mexeu cedo na equipa, mandando Mané para o duche aos 58'. Fez entrar Montero, muito moralizado por ter sido o melhor no desafio contra os madeirenses. Doze minutos depois, entravam Raphinha e Jovane - um deles substituindo Petrovic. Ficávamos sem nenhum médio defensivo de raiz, prova inquestionável da filosofia atacante do treinador. Que produziu resultados. Montero, com superior execução técnica, marcou um belo golo no último minuto do tempo regulamentar. Quatro minutos depois, Jovane ganhava um ressalto e transformava o empate em vitória. O puto-maravilha deu mais três pontos e algum dinheirinho ao Sporting.

 

Peseiro, que já estava a ser insultado de péssimo para baixo nos locais do costume, tornou-se o herói do dia.

Azarado, o tanas.

 

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

 

SALIN. Traído pela sua defesa, ainda se fez ao lance no golo ucraniano, tocando na bola mas já sem capacidade de impedi-la de entrar. Não voltou a ter problemas. Sai da Ucrânia com nota positiva.

COATES. Na hora em que é necessário remar contra a maré, ele está lá. Ontem demonstrou a Petrovic como pode ser um 6 eficaz e a Bruno Fernandes como deve actuar um 8 ao liderar o processo ofensivo, com a bola dominada, aos 55', 72' e 86'. Uma lição aos companheiros que andavam a arrastar-se em campo.

JEFFERSON. Actuação positiva do lateral brasileiro, naquela que foi até agora a sua melhor exibição nesta temporada. Esteve ligado ao melhor momento do Sporting na primeira parte, assistindo Nani para um golo que este falhou, e é ele quem faz o passe longo (à William Carvalho) de onde sai o golo de Montero.

ACUÑA. Parece ser o jogador mais polivalente neste Sporting de Peseiro. Ontem regressou á posição de médio-centro, pois a ala esquerda começou por estar entregue a Mané. Cumpriu no essencial: foi sempre um dos mais inconformados. E aquele seu potente remate em arco a rasar a trave, aos 53', merecia ter sido golo.

RAPHINHA. Desta vez começou no banco. Mas o jogo estava mesmo a pedir a intervenção dele. Peseiro deu-lhe ordem para entrar, substituindo Diaby. Estavam decorridos 70' e a partir daí o campo passou a estar inclinado a nosso favor. Raphinha foi o dínamo habitual, em energia e velocidade. Tentou o golo aos 73', fez um bom passe aos 76' e aos 90' coube-lhe o cruzamento-assistência felizmente fatal para as nossas cores.

MONTERO. O melhor em campo entrou apenas aos 58', rendendo o incipiente Mané. Não tardou a agitar o jogo, baralhando as marcações ucranianas e dinamizando o nosso ataque. Aos 79' esteve quase a marcar, de pontapé de bicicleta, aquele que seria um golo do outro mundo. Aos 90', passou do entretanto ao finalmente quando a meteu mesmo lá dentro com uma recepção perfeita seguida de simulação e disparo - usando peito, pé direito e pé esquerdo. Irrepreensível.

JOVANE. Voltou a funcionar como arma secreta e talismã do treinador. Segunda intervenção em provas internacionais, segundo golo marcado ao cair do pano. Desta vez entrou aos 70', rendendo Petrovic, e aos 90'+4 sentenciou a partida ao aproveitar da melhor maneira uma bola que Bruno Fernandes desperdiçara. Alguém pode presumir que se trata de mera coincidência?

 

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

 

PETROVIC. Funciona como tampão à entrada da nossa grande área, mas limitou-se a defender com os olhos o autor do golo ucraniano, que se movimentou como quis na sua zona de influência. Ajudou depois a segurar o jogo, mas nunca se articulou bem com Bruno Fernandes ou Acuña nem foi capaz de construir lances ofensivos. O costume.

BRUNO FERNANDES. Médio de transição, voltou a exibir-se muito abaixo dos seus melhores dias. Foi quem errou mais passes, após Bruno Gaspar, e chutou demasiadas vezes para onde estava virado. No lance do segundo golo, teve uma recepção deficiente da bola, muito bem servida por Raphinha. Felizmente Jovane andava por perto.

NANI. Recuperou a titularidade e a braçadeira de capitão, mas não recuperou a antiga forma que tantas vezes nos levou a aplaudi-lo em pé. Teve o seu melhor momento no tempo extra da primeira parte, quando rematou à figura do guarda-redes, a dois passos da baliza. Vem demonstrando que joga melhor em distâncias curtas no eixo do que nas alas.

 

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

 

BRUNO GASPAR. Uma desgraça a atacar, um descalabro a defender. O lateral direito alternativo errou passes, falhou intercepções, foi incapaz de fazer um centro em condições. Percebe-se agora melhor por que motivo Peseiro tem apostado em Ristovski.

ANDRÉ PINTO. Sai da Ucrânia com nota negativa por ter estado ligado ao golo da equipa anfitriã devido a um mau alívio para zona proibida, iam decorridos apenas 10 minutos. Um erro raro nele, mas que pode acontecer aos melhores. 

CARLOS MANÉ. Preso de movimentos, sem ritmo competitivo, com apenas minuto e meio de actuação em campo nos últimos 15 meses, foi presa fácil para os ucranianos. Peseiro deu-lhe a oportunidade que muitos lhe pedíamos, mas ficou evidente que por enquanto o jovem extremo formado em Alcochete ainda não é alternativa válida.

DIABY. Estreia a titular do avançado maliano que veio da Bélgica com rótulo de goleador. Foi o mais caro reforço do defeso, mas ontem esteve muito aquém dos pergaminhos. Teve nos pés quase um golo cantado, logo aos 6', mas falhou por deficiência técnica. Merece nova oportunidade após ter desperdiçado esta.

Duche antecipado

CARTO_11.jpg

 

Mal ultrapassam as fronteiras, os impunes elementos do clube ainda presidido por Vieira sentem o peso da justiça desportiva. Acaba de acontecer ao menino Rúben, sarrafeiro-mor dessa agremiação, que foi tomar duche mais cedo na partida contra o AEK ao receber um segundo cartão amarelo -- "justo e perfeitamente escusado", escreve uma pena insuspeita.

Se o critério por cá fosse o mesmo, raras vezes o rapazola do pé em riste permanecia em campo até ao apito final.

Todas as esperanças continuam intactas

Acorremos trinta mil a Alvalade, na amena noite de ontem, para incentivar a equipa na estreia internacional de Frederico Varandas como presidente e de José Peseiro neste regresso ao comando técnico do Sporting. O treinador não pode queixar-se da sorte: aceitou voltar num dos piores momentos de sempre da história leonina, com um plantel em cacos, mas até agora tem sido recompensado. Seis jogos depois, para três competições, mantemos a equipa invicta, com apenas um empate (na Luz), a ligação aos adeptos vai-se reforçando e a qualidade exibicional aumenta de jogo para jogo.

Ontem, na recepção ao Qarabag (do Azerbaijão, que na época passada impôs um empate ao Atlético em Madrid), tivemos talvez a melhor exibição da temporada até ao momento. Com a deslocação de Acuña para lateral esquerdo (Jefferson foi remetido para a bancada e Lumor não está nos planos do técnico), e o reforço Gudelj em estreia como titular, a equipa foi sempre compacta e revelou dinâmica ofensiva explorando o ataque de forma criativa para compensar a ausência do ainda lesionado Bas Dost (Montero, o mais avançado no terreno, não é jogador de último toque, como o holandês).

O golo inaugural surgiu tardio, só aos 54', mas já se adivinhava no primeiro tempo. E podia mesmo ter acontecido aos 40', quando o guardião Vagner, revelando bons reflexos, travou um toque de calcanhar de Montero, muito bem servido por Mathieu. O colombiano viria a protagonizar o mais brilhante momento do desafio, aos 88', com um túnel na ala esquerda que originou o golo da confirmação, por Jovane, aos 88'. Antes, aos 54', Nani assinou um cruzamento perfeito para Raphinha a meter lá dentro. 

Saímos satisfeitos de Alvalade nesta estreia na fase de grupos da Liga Europa: todas as esperanças continuam intactas.

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

SALIN. Temos titular na baliza leonina? Claro. Quem diria que o eterno suplente de Rui Patrício iria destacar-se assim nesta nova época, semanas após o seu nome ter figurado na lista dos dispensáveis? Ontem não teve muito trabalho, mas revelou atenção redobrada a corrigir os erros de dois colegas, Coates e Gudelj, em comprometedoras perdas de bola.

ACUÑA. Enfim adaptado a lateral esquerdo, rendendo Jefferson, cumpriu a missão que o técnico lhe confiou. Sem nunca descurar a manobra ofensiva. Jamais desiste de um lance: esta é uma das suas características mais úteis para a equipa. Coube-lhe o lançamento em profundidade a que Montero deu sequência, estando assim na origem do segundo golo.

RAPHINHA. O dínamo da equipa. Ninguém como ele a criar desequilíbrios no último terço do terreno e a sacudir o jogo quando parece entorpecido. Esteve nos dois golos: no primeiro, a acompanhar o movimento lateral de Nani, adivinhando-lhe o cruzamento; no segundo, ao assistir Jovane. Chegou há pouco e já se tornou imprescindível. Ontem foi o melhor em campo.

MONTERO. Já exasperava o exigente "tribunal" de Alvalade, naquele seu estilo de só parecer esforçar-se quando tem mesmo de ser, quando protagonizou o melhor momento da noite, ao ganhar uma bola que parecia impossível, desembaraçar-se do lateral direito adversário, a quem fez um túnel de calcanhar, e servir Raphinha, construindo assim o segundo golo. 

NANI. Maturidade e visão de jogo, compensando a transbordante energia de outros tempos. Assumiu-se como patrão da equipa, como ala em constantes diagonais para o miolo do terreno. Numa das suas incursões atacantes, do lado direito, serviu Raphinha com um míssil teleguiado para o primeiro golo, que fez levantar o estádio. Ovacionado de pé ao sair, aos 87'.

MATHIEU. Poucos jogadores mereceram tanto esta vitória na Liga Europa como ele. Competente não apenas nas acções defensivas, mas também ao lançar ataques - num deles, aos 40', actuou como um extremo e serviu Montero para um golo que o colombiano desperdiçou. Sentiu uma dor muscular aos 75', o que forçou a sua saída, visivelmente decepcionado.

JOVANE. Quinto jogo em que intervém, quinto jogo em que revela influência no resultado. Sempre pela positiva. Desta vez excedeu-se a si próprio: entrou aos 87' e no minuto seguinte já marcava o golo que tranquilizou enfim os 30 mil adeptos presentes em Alvalade. É o talismã da equipa: Peseiro deve apostar cada vez mais nele.

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

COATES. É um dos esteios da equipa, ninguém duvida. Mas tem falhas de concentração que o levam a pôr em risco a solidez do nosso bloco defensivo. Causou um monumental calafrio aos 10' ao entregar a bola a um adversário, em posição frontal para o remate. Não voltou a cometer deslizes, mas também não esteve nas suas melhores noites.

GUDELJ. Será o médio defensivo de que o Sporting tanto necessita desde a saída de William? Mantém-se a incógnita após esta sua estreia a titular, fazendo inicialmente dupla barreira à frente da defesa com Battaglia. Tem sentido posicional e algum recorte técnico, mas lapsos como o que demonstrou aos 56', perdendo a bola em zona proibida, podem ser fatais.

BATTAGLIA. Veio confiante da estreia na selecção argentina e tem-se revelado um pilar do onze titular leonino. Na primeira parte, com acção algo redundante ao pisar o mesmo terreno que Gudelj. Subiu de rendimento ao avançar para 8 clássico, mas revelou-se sempre mais eficaz na recuperação do que no transporte da bola, complicando por vezes sem necessidade.

BRUNO FERNANDES. O que de melhor fez, em todo o jogo, foi um bom passe que deu origem à corrida de Nani pelo flanco direito a culminar no primeiro golo. Pareceu sempre demasiado errante: gesticula muito, protesta em demasia, por vezes chuta para onde está virado, apoia a linha defensiva quando é preciso. Algo caótico, sem a influência que revelou na época passada. 

ANDRÉ PINTO. Só esteve um quarto de hora em campo. Não deslumbrou, ao contrário de Mathieu. Mas também não comprometeu. É um jogador útil, o que já constitui suficiente elogio.

DIABY. Estreou-se de verde e branco, já no tempo extra. Não deu para tirar qualquer conclusão.

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

RISTOVSKI. Com Jefferson desta vez remetido para a bancada, coube ao internacional macedónio o papel do patinho feio de verde e branco. Corre muito, esforça-se bastante, mas por vezes parece esquecer-se por completo de que o seu principal dever no onze titular é defender. Foi ultrapassado em lances que poderiam ter levado perigo à nossa baliza. Também deve melhorar no capítulo dos cruzamentos: é isso que se exige a um lateral de uma grande equipa.

Hoje giro eu - Sporting, o mais indisciplinado (!?)

Analisando os 27 jogos disputados até agora dos 3 grandes concluimos que o Sporting é o clube cujos jogadores mais vezes foram contemplados com a cartolina amarela. Assim, a equipa leonina já viu 55 amarelos, contra 49 do Porto e 43 do Benfica. Ao contrário dos seus concorrentes, o factor casa não parece ser decisivo nas admoestações, pois os leões viram 25 amarelos e 2 vermelhos em Alvalade, enquanto o Benfica, na Luz, tem 17 amarelos e nenhum vermelho e o Porto, no Dragão, foi contemplado com apenas 15 amarelos (sem vermelhos).

 

Outro pormenor que não deixará de causar algum espanto tem a ver com os jogos disputados fora de casa. Nos jogos fora, o Sporting é o único dos grandes que teve mais cartões amarelos atribuidos aos seus jogadores do que aqueles que os seus adversários averbaram. Assim, nas 13 partidas disputadas, os sportinguistas foram admoestados com o cartão amarelo por 30 vezes contra apenas 28 vezes dos seus adversários conjunturais (1-1 em vermelhos), ao passo que o "score" benfiquista é de 26-29 (1-4 em vermelhos) e o do Porto é de 34-39 (3-2 em vermelhos).

 

Os números globais dos jogos de cada um dos 3 grandes, no que respeita aos "amarelos", são estes: Sporting 55-66 (3-2 em vermelhos), Benfica 43-59 (1-7 em vermelhos), Porto 49-70 (3-4 em vermelhos). Não deixa de ser curioso que uma equipa que vem sendo acusada de ser pouco intensa sofra tantas infrações disciplinares. Por comparação, os jogos do Benfica parecem amigáveis, sendo a equipa encarnada a que menos cartões sofre e os seus adversários aqueles que menos vezes são admoestados (com excepção dos cartões vermelhos). Os adversários do Sporting têm um rácio de vermelhos/total de cartões de 2,9%, ao passo que o rácio dos adversários do Porto é de 5,4% e o dos adversários do Benfica é de 10,6%. O Porto é o clube com maior diferença favorável entre cartões amarelos e a maior diferença favorável no total de cartões (nesta última, empatado com o Benfica, com 22). O Sporting tem só mais 10 cartões atribuidos aos seus adversários do que aos seus jogadores.

 

Haverá alguma razão para a equipa leonina ser, destacada, aquela que viu mais cartões lhe serem atribuidos? E que justificação existirá para a disparidade face aos seus concorrentes no que diz respeito à diferença entre os cartões vistos e aqueles atribuidos aos seus adversários?

O que é que os nossos Leitores/Comentadores pensam disto?

O jogo terminou como começou

Jogo monótono, sem chama, do Sporting que esta noite recebeu o Marítimo em Alvalade para a Taça da Liga. O estádio estava meio vazio. Apenas dois jogadores que tinham sido titulares contra o Tondela no sábado actuaram hoje: Alan Ruiz e Iuri Medeiros.

Jorge Jesus aproveitou para lançar vários jogadores que ainda não tinham sido vistos neste campeonato. Estreia absoluta do guarda-redes Salin com a camisola verde e branca. Estreia do lateral direito macedónio Ristovski  como titular. Outras estreias nesta época oficial 2017/2018 enquanto titulares do nosso onze: André Pinto, Tobias Figueiredo, Petrovic e Mattheus Oliveira. Mais de meia equipa, portanto.

Poucos jogadores aproveitaram devidamente esta oportunidade. O desafio terminou como começou: empatado a zero. Ao nível da Taça da Liga, afinal.

Tobias ostentou a braçadeira de capitão, mas faltou-nos um comandante em campo. Faltou também intensidade. Faltou velocidade. Faltou vontade de vencer um Marítimo muito fraco, que foi incapaz de levar verdadeiro perigo à baliza leonina. E faltaram os golos, o que não admira: Bruno Fernandes, Bas Dost e Gelson Martins - os nossos melhores goleadores - não chegaram a calçar.

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

SALIN. O guarda-redes suplente de Rui Patrício deu boa conta do recado, mostrando-se seguro e atento nas raras vezes em que foi chamado a intervir. Duas vezes a punho (32', 52'), outra agarrando a bola com firmeza (66'). Transmitiu segurança e personalidade.

RISTOVSKI. Primeiro jogo a sério do lateral macedónio pelo Sporting. Prestação muito positiva. Pela velocidade e pela capacidade técnica. Bons cruzamentos, boa cobertura defensiva. Ganhou duelos e esticou bem o jogo. É mesmo alternativa a Piccini.

JONATHAN SILVA. Teve a melhor exibição até ao momento nesta época. Infatigável a percorrer o seu corredor, fez várias incursões na área e diversos cruzamentos com perigo. Pena que os colegas não tivessem dado a melhor sequências aos seus passes.

PETROVIC. Coube-lhe a missão de médio defensivo, que cumpriu sem brilhantismo mas com eficácia. Teve precisão no passe, embora lhe falte um pouco mais de ousadia para tentar o passe longo. Protagonizou o melhor momento ofensivo com um grande cabeceamento à barra (20').

DOUMBIA. Foi talvez o elemento mais desequilibrador do Sporting. Jogador de área, muito móvel, buscou a bola e rematou sem grandes cerimónias. Aos 20', atirou ao lado. Aos 30', o pontapé saiu-lhe a rasar a barra. Aos 49', quase marcou. Nunca deu um lance por perdido. Nunca desistiu.

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

TOBIAS FIGUEIREDO. Perde na comparação com os centrais titulares, mas desempenhou com regularidade o essencial da sua missão. Colocando bem a bola na frente e não hesitando ele próprio em progredir no terreno. Perda de bola comprometedora aos 44'. Tem de ganhar mais calo.

ANDRÉ PINTO. Ainda não se tinha dado por ele neste campeonato. Continuou sem causar grande impressão. É verdade que ajudou a tapar os caminhos para a nossa baliza, que ficou invicta, mas denotou alguma incapacidade de iniciativa na fase de construção.

PODENCE. Jesus lançou-o em jogo aos 56'. Vindo de uma lesão, após mais de um mês de paragem, não podia estar na melhor forma. Mas imprimiu velocidade à equipa e fez passes com qualidade. Bom lance pela ala esquerda aos 75'. Tentou o golo com um remate rasteiro aos 61'.

ACUÑA. Parecia destinado a descansar desta vez, mas o treinador acabou por chamá-lo aos 56', rendendo um ineficiente Iuri. Acelerou o jogo e trouxe qualidade técnica ao nosso ataque, faltando-lhe no entanto aquela intensidade a que já nos vem habituando.

BATTAGLIA. Último suplente a ser chamado, para a posição 8, entrou aos 73', rendendo Alan Ruiz. Jesus apostou nele como trunfo para dar a volta à partida. Mas o argentino, apesar de todo o seu voluntarismo, não chegou para sacudir o marasmo dominante.

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

MATTHEUS OLIVEIRA. Falta de ritmo, falta de velocidade, uma inexplicável apatia. Vê-se que tem alguma técnica, mas falta-lhe intensidade e vibração. Incapaz de fazer a diferença no meio-campo leonino. Aos 35', falhou o remate, limitando-se a passar ao guarda-redes. Deu lugar a Podence aos 56'.

BRUNO CÉSAR. Trapalhão, sem conseguir simplificar processos nem encontrar o caminho mais curto para a baliza do Marítimo. Fez uma primeira parte regular, marcando bem um canto aos 20', mas foi-se apagando e acabou sem fulgor, com um remate muito torto aos 90'. Cadê o "chuta-chuta"?

IURI MEDEIROS. Segundo jogo seguido como titular, segunda oportunidade perdida para o extremo da formação leonina. Demasiado encostado à linha, demasiado previsível, cedendo à marcação, destacou-se apenas num lance aos 52'. Insuficiente. Dois minutos depois deu lugar a Acuña.

ALAN RUIZ. Jesus voltou a apostar nele, mas o argentino teima em não corresponder. Médio mais avançado no terreno, tentou o remate de meia-distância aos 58', mas a bola sobrevoou a barra. Errático, lento, com pouca cultura táctica. Ninguém se surpreendeu que saísse, aos 73'.

Nuno, Pizzi, Jonas e Xistra

O celebrado árbitro Carlos Xistra - convocado para o Benfica-FCP de ontem porque Jorge Sousa, putativo "segundo melhor árbitro português", voltou a lesionar-se - honrou as melhores tradições dos seus pares, deixando Jonas e Pizzi por sancionar com cartões mais que merecidos.

O caso de Jonas é particularmente escandaloso, porque abalroou ostensivamente o treinador do FC Porto na sua área técnica, numa agressão grosseira que todo o país desportivo devia condenar. Nuno Espírito Santo, há que reconhecer, não possui os dotes histriónicos do seu colega Lito Vidigal, que ao mais leve encosto se teria atirado para o chão simulando uma síncope cardíaca ou lesões gravíssimas na caixa craniana. Forçaria assim Xistra a expulsar Jonas, que ontem fazia anos. Seria uma enorme chatice.

Assim só faltou o árbitro cantar-lhe os parabéns a você e ajudá-lo a soprar a vela.

 

O pior do jogo de ontem

Foi o cartão amarelo a Nani, exibido logo aos 26 minutos por Cosme Machado: os árbitros portugueses adoram castigar os artistas dos estádios. Em sete meses, Nani já recebeu mais cartões por cá do que durante sete anos em Inglaterra.

Devido a este cartão amarelo - o nono que recebe no campeonato - o nosso nº 77 fica impedido de jogar na próxima jornada. Ou muito me engano ou isso será péssimo para o Sporting. Porque ele, com frequência, vale por meia equipa. Ontem valeu. E mesmo assim foi insuficiente para vencermos.

Lembrete

Só um pequeno lembrete: Nani, vamos lá a sacar o quinto amarelo já no domingo (enfim, ainda há o jogo seguinte, mas já é apertado). Não queremos privar os lampiões da tua presença quando lá forem a nossa casa.

Critério estreito

Insisto. Nem a adopção do chamado "critério largo" (eufemismo tuga para designar a aplicação das leis do futebol sem prejudicar o espectáculo com sucessivas interrupções do jogo, corrente nos estádios ingleses) justifica que Nani tenha já acumulado, em sete jornadas da Liga 2014/15, metade dos cartões amarelos que lhe foram exibidos em oito épocas ao serviço do Manchester United.

A diferença é tão abissal que chega a ser chocante.

Admito que isto se deva ao "critério estreito" em voga nos estádios cá da terra, posto em prática por árbitros determinados em ser protagonistas dos jogos e que adoram levar o apito à boca.

Continuo a chamar-lhe incompetência. Até me lembrar de uma palavra mais adequada.

 

A incompetente arbitragem portuguesa

Só à sétima jornada - sexto jogo oficial da época no Dragão, com Pedro Proença a apitar - os jogadores portistas receberam finalmente os primeiros cartões amarelos em casa. Um facto verdadeiramente extraordinário numa equipa onde actuam Marcano, Alex Sandro e Martins Indi. Isto enquanto Nani já leva quatro amarelos em seis desafios disputados na Liga portuguesa, como se fosse o Exterminador Implacável. O mesmo jogador que recebeu apenas oito cartões amarelos em 146 jogos na Liga inglesa, a mais competitiva do planeta.

Conclusão: a incompetente arbitragem portuguesa protege os sarrafeiros e castiga os artistas do futebol. Tantos anos depois, tantas demolidoras críticas depois, em vez de fazer parte da solução continua a fazer parte do problema.

Muito bem, Leonardo

"Não vou fazer poupanças. O jogo mais importante é com a Académica. Se não estivermos focados neste desafio, podemos não conseguir os objectivos."

Leonardo Jardim

 

Algumas almas alvoroçadas indignam-se por Leonardo Jardim ter anunciado que não "pouparia" Montero e William Carvalho, dois jogadores-chave que correm o risco de receber o quinto cartão amarelo no jogo de hoje contra a Académica. E toca de criticar por esse motivo o nosso treinador, que tão boas provas tem dado.

Essas alminhas padecem de manifesta miopia. Se Leonardo Jardim fizesse o que sugerem daria o pior dos sinais à equipa. Estaria a transmitir aos jogadores que certos desafios devem ser encarados com menos seriedade do que outros. Estaria a inculcar-lhes uma noção de facilidade antecipada que deve estar sempre ausente da competição profissional. Não pode haver nada mais desmotivante do que considerar "fáceis" certas partidas contra adversários situados abaixo de nós na tabela classificativa. Isso é meio caminho andado para a proliferação de situações de desconcentração, é meio caminho andado para o desaire em campo.

Que o digam Benfica e Porto...

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D