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És a nossa Fé!

Carlos Vieira: antes e depois

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Carlos Vieira parece apostar na desmemória dos sportinguistas. Nas suas últimas intervenções públicas vem procurando fazer-nos crer que não teve responsabilidades institucionais no clube onde durante mais de cinco anos foi o número dois de Bruno de Carvalho. 

Num texto de opinião publicado na passada sexta-feira no Record, Vieira preconiza um novo processo de alterações estatutárias como se fosse um recém-chegado. Eu também sou pela mudança, e já aqui dei um modesto contributo, tal como fizeram vários outros colegas do blogue, para alterações a introduzir na "constitução" leonina. Em defesa, por exemplo, da consagração do princípio um sócio/um voto, da limitação de mandatos acompanhada da redução dos ciclos eleitorais, do reforço dos mecanismos de idoneidade na apresentação de candidaturas, da ampliação das incompatibilidades, da introdução do voto electrónico remoto e da existência de uma segunda volta que permita eleger sempre um presidente com maioria absoluta dos votos expressos.

Isto só para lembrar as mais recentes, que até originaram uma série autónoma de postais.

 

Acontece que, ao contrário de nós, Carlos Vieira já ocupou funções de relevo no Sporting. Foi vice-presidente do Conselho Directivo e, nessa qualidade, subscreveu a ampla revisão estatutária de Fevereiro de 2018, aprovada em ambiente de psicodrama, com o então presidente a lançar um verdadeiro ultimato aos sócios: ou aprovavam aquelas alterações com uma percentagem esmagadora (mínimo de 75%) ou dar-se-ia a demissão em bloco dos órgãos sociais. Isto a meio de uma época desportiva, quando a nossa equipa de futebol profissional até ia na frente.

Esta alteração reforçou a posição do presidente, que passou a ser considerado um dos órgãos sociais do clube, pôs fim ao método de Hondt na eleição para o Conselho Fiscal e Disciplinar, que agora integra apenas os representantes da lista mais votada, e consumou a extinção do Conselho Leonino. Excepto este último ponto, relativamente pacífico, as alterações há dois anos introduzidas nos estatutos apontaram na direcção errada. Tal como as mudanças ocorridas em simultâneo no regulamento disciplinar do clube, que endureceram drasticamente as penalizações aos sócios - e à luz do qual, por ironia, o próprio Carlos Vieira e o antigo presidente já foram sancionados.

 

Aparece agora Vieira em defesa de «um processo de primárias que elegesse as duas listas mais votadas e posteriormente sufragadas pelos sócios», o que permitiria colmatar a inexistência de segunda volta nas eleições, e também de «um modelo que insira a limitação de mandatos para os cargos de presidentes dos três órgãos do clube».

São bons princípios, mas apetece perguntar-lhe por que motivo não os submeteu à consideração dos sócios quando dispôs de poder para tal. 

Da mesma maneira que surge em defesa do «reforço do investimento na formação» quando integrou um elenco directivo marcado pelo desinvestimento nesta área - e que teve um ponto emblemático na extinção da equipa B, onde actuaram futuros internacionais, como Quaresma, João Mário, Bruma ou Eric Dier, e que chegou a contar com a prestação de um muito jovem Cristiano Ronaldo. Sem esquecer Palhinha, Esgaio, Podence, Gelson Martins, Domingos Duarte ou Matheus Pereira. 

O ex-vice leonino aproveita enfim para enaltecer os «critérios democráticos que subjazem ao funcionamento dos clubes», sublinhando que esta «é uma riqueza que não pode ser colocada de parte, seja para facilitar assembleias gerais seja para retirar o poder democrático na gestão do futebol». Acho óptimo que hoje pense assim. Há dois anos, remava no rumo oposto. Ao integrar uma direcção que recusou uma assembleia geral destitutiva e nomeou "órgãos sociais" fictícios, à revelia dos estatutos.

 

Todos os contributos para o debate são bem-vindos. Mas quando vêm de alguém que já ocupou o poder no Sporting, temos sempre o direito de perguntar por que motivo não aplicou então o que defende agora.

Não se trata apenas de um direito: em certos casos, é mesmo um dever.

Muito confuso

Diz José Ribeiro, colega de Inácio no Avaí, no site Leonino em 11/05/2020, que:

"...Nada como uma mãozinha familiar para dar empurrão a um tema que já lhes era querido desde a presidência de Soares Franco, quando este defendeu que os Sócios deviam limitar-se a pagar bilhetes e não ter qualquer palavra na gestão (a tal em que vendeu quase todo o património imobiliário – Alvaláxia, Edifício Sede, Clínica CUF e Holmes Place – por menos de 50 milhões de euros, única forma de terminar o mandato com saldo positivo em termos financeiros, em menos de dois milhões!)."

Diz Carlos Vieira, colega de Inácio no Sporting quando na véspera de serem corridos andaram a comprar o Sinisa, o Viviano e o Bruno Gaspar (tudo junto, mais de 5M€ de prejuízo), no Record de ontem, que:

"Quanto ao pilar patrimonial... o Sporting deveria aproveitar o facto de ter direito de preferência perpétua sobre todos os imóveis que constituíram o projecto Alvalade XXI e que tanto desequilibrou o clube no início deste século e adquirir os imóveis que fizeram parte do mesmo. Já ocorreram pelo menos duas transações destes imóveis (relembro: Edíficios Visconde, Holmes Place, Clínica CUF, e Alvaláxia) em que o Sporting foi chamado a exercer o referido valor por valores mais baixos do que a alienação e que permitiriam recuperar a razão para a sua construção inicial, ou seja, criar rendimentos para dar sustentabilidade às modalidades do clube e a outras actividades de responsabilidade social."

Expliquem-me lá devagar a ver se eu percebo. O Soares Franco, o tal presidente elitista e desligado dos sócios de que fala José Ribeiro, vendeu património que quase 20 anos depois podia ser recomprado por menos? Os 50M€ podiam ser comprados, digamos, por 20 ou 30M€?  E quem é que o podia ter recomprado e não comprou? Terá sido...  o Bruno de Carvalho? Ou seria a arma secreta para usar mais tarde, quando se coroasse imperador (ver crónica do Rui Calafate no Record)? 

E Carlos Vieira com o seu projecto Sporting 3.0 quer ser o novo João Rocha mais a sua Sociedade de Construções e Planeamento, ou será mais retomar a "dinastia Roquette", agora numa versão tecnocrata "pé-descalço" ?

Estou mesmo confuso... 

 

PS: As campanhas vão animadas, mas... quando é que são as eleições? 

SL

Concordam ou não com ele?

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À falta de melhor assunto, o antigo número 2 de Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, lembrou-se agora de sugerir que «deveria haver no Museu do Sporting um espaço» para evocar Eusébio, tendo em vista que este jogador representou o Sporting de Lourenço Marques durante três temporadas, entre 1957 e 1960.

Concordam ou não com ele?

 

Na foto, Eusébio é o segundo a contar da direita, no primeiro plano

A César o que é de César, ao Excel o que é do Excel

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Cronologicamente:

No Sapo Desporto de 14/04/2018:

«O vice-presidente do Sporting está na China à procura de capital e vai tentar marcar uma visita do presidente chinês Xi Jinping ao clube de Alvalade.»

No Record de 03/09/2018:

«Bruno de Carvalho atira-se a Carlos Vieira: "Um arrogante que mandei passear à China"»

«Bruno de Carvalho deixou duras críticas a Carlos Vieira, o seu antigo vice-presidente com o pelouro das finanças, acusando-o de ter "estragado" a reestruturação financeira e "parado sem autorização" um empréstimo obrigacionista, o que levou mesmo o presidente destituído do Sporting a enviar o CFO... para a China.»

«Carlos Vieira está para estas reestruturações como o Zé Cabra para a música. (...) Sempre deixei passar a imagem de que ele era muito bom mas no fundo foi o que sempre tinha sido, um excelente diretor de contabilistas… Ele a somar e a diminuir num Excel o trabalho dos outros é máquina.»

 

Em Notícias ao Minuto de 05/02/2020:

«Carlos Vieira, antigo vice-presidente do Sporting durante a direção de Bruno de Carvalho, está a ser pressionado, sabe o Desporto ao Minuto, para avançar com uma candidatura à liderança do clube de Alvalade. 

Atualmente suspenso da sua condição de sócio dos leões, o dirigente estará a ponderar avançar ou não em cenário de eleições.

Com os leões a viverem uma situação financeira conturbada, o antigo vice, responsável, precisamente por esta área durante o mandato de BdC, é visto por uma franja de adeptos com o homem certo para levantar o clube. 

O antigo dirigente, de 46 anos, poderá, assim, durante os próximos meses, avançar com uma candidatura caso se precipitem eleições em Alvalade.

Moção para Assembleia geral extraordinária ainda em apreciação.

Durante as últimas semanas o movimento Dar Futuro ao Sporting apresentou um pedido para a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária destitutivo, processo que estará ainda em apreciação por parte da MAG dos leões.

Num primeiro momento, Rogério Alves, presidente da MAG, pediu mais elementos para tomar uma decisão sobre o tema, mas nos últimos dias surgiram notícias de que o próprio órgão estará agora dividido quanto à decisão do advogado.

Poiares Maduro também entra na equação

O antigo ministro de Pedro Passos Coelho também está a ser avançado como possibilidade para um próximo ato eleitoral. Visto por vários quadrantes da massa adepta como solução ideal para o clube, o antigo governante estará reticente a avançar em nome próprio, situação que, sabe o Desporto ao Minuto, estará a ponderar dada a situação do clube de Alvalade.»

 

No Record de 14/04/2020:

«Carlos Vieira propõe um exemplo de perdão ao "filho pródigo" Rafael Leão.»

 

No Record de hoje:

«Carlos Vieira: "Deveria haver um espaço no Museu do Sporting para Eusébio".»

 

SL

As notícias e o fisco

Um textinho muito interessante e esclarecedor de Carlos Vieira.

"Nota aos meus amigos sobre vendas de jogadores por valores a rondar 120M e sobre o facto de nada ser comunicado até agora. Este meu post é mais académico e só visa fazer pensar num aspeto que pouca gente tem referido, na comunicação social e nos “mentideros” económico-financeiros
1. As contas da SAD vendedora, apresentavam a 31 de dezembro de 2018 resultado líquido positivo (na ordem dos € 20M positivos); a perspetiva geral para o final do exercício já era positiva em termos contabilísticos e fiscais;
2. O relatório e contas fala inclusive de eventos subsequentes relacionados com alienações de passes de jogadores que iriam já fazer manter o resultado ficar estabilizado num lucro no final do exercício económico e fiscal, a 30 de junho de 2019 (que se atinge daqui a dias);
3. Em nenhum local dos relatórios e contas se refere que a SAD tem prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores (o que faz sentido face aos lucros sucessivos que tem tido anualmente);
4. O jogador que se refere ir ser vendido (os seus direitos desportivos, entenda-se) tem um valor contabilístico perto de zero, sendo um jogador formado na Academia da SAD;
5. Assim, uma venda pelos supostos 120M iria originar um pagamento de IRC (já daqui a uns meses) na ordem dos € 27M (olha o nosso Ministro das Finanças, aos pulos,… ou talvez não);
6. Há a possibilidade de se reduzir a fatura no ponto acima para cerca de metade, mas se, e só se (no meu modesto entender) se proceder a aquisições de jogadores do mesmo montante, no corrente ano e nos próximos dois (e se não se fizerem mais vendas). Mas pelo menos cerca de € 13M iriam para o nosso tão carenciado erário público;
7. Assim, antevejo que o negócio, a fazer-se, seja posterior a 30 de junho pois sempre se ganham mais um ano para se gerir formal e mediaticamente todos os passos que aqui referi. Com muito planeamento à mistura."

Assim se ia desgovernando

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Quase quadruplicar o valor dos prémios desportivos e de desempenho relativamente à época anterior, num ano em que vimos novamente fugir o título de campeão nacional de futebol, perdemos ingloriamente a final da Taça de Portugal e ficámos sem acesso à Liga dos Campeões, é obra.

Isto ajuda a explicar por que motivo, em 2017/2018, a equipa gestora composta por Carvalho, Vieira & Godinho fez disparar em 15,4% os custos com pessoal, cifrados em 73.864 milhões de euros.

Assim se ia desgovernando o Sporting.

Obviamente suspensos

Bruno de Carvalho, suspenso de sócio durante um ano por decisão unânime da Comissão de Ficalização, salta da corrida eleitoral.

Carlos Vieira e os restantes ex-membros do Conselho Directivo destituídos na assembleia revogatória de 23 de Junho, também suspensos - mas por dez meses. Excepto Luís Roque, que recebeu a pena mais leve: apenas uma repreensão registada.

Obviamente, ninguém fica surpreendido. A começar por eles.

Notícias leoninas

 

Bruno Fernandes de regresso ao Sporting: Sousa Cintra fecha acordo com o jogador.

 

William Carvalho muito perto de assinar pelo Bétis de Sevilha a troco de 20+5 milhões.

 

Augusto Inácio vai abandonar o cargo de director-geral para o futebol do Sporting.

 

Manuel Fernandes, substituto interino de Inácio, acompanha equipa no estágio na Suíça.

 

Podence despede-se dos sportinguistas com uma carta aberta antes de rumar ao Olympiacos.

 

Carlos Vieira, membro do Conselho Directivo destituído, prepara candidatura à presidência.

 

É chato, mas são coisas que acontecem

Podia ter sido de outra maneira, mas infelizmente teve que ser assim. A pedido do próprio. A basófia foi engolida pela normalidade dos atos. O que se começa hoje a poupar com o ordenado de Bruno de Carvalho, o cartão de crédito, o carro e sei lá que mais, e dado que os novos membros da administração exercerão pro bono, pode ser para as modalidades (tão ao gosto dos brunados e brunetes). E que comece já a auditoria. E que Carlos Vieira tenha vergonha na cara pois é grande parte do problema. Aliás, uma coisa que me inquieta é o facto dos administradores da SAD estarem mudos e quedos, aparentemente sentindo-se confortáveis com toda esta situação. A partir de agora tolerância zero, face ao mal que fizeram ao Sporting Clube de Portugal!

SCP SAD

 

Canalhice

Dois dias depois de Jorge Jesus ter sido barbaramente agredido no campo de treinos do Sporting, o ainda vice-presidente Carlos Vieira veio ontem à noite lembrar ao País que ele é «o treinador mais bem pago do País.»

Isto temos nós acentuado dezenas de vezes ao longo dos últimos anos aqui no blogue. Para exigir sempre mais da prestação da equipa técnica e dos jogadores.

Mas dito da boca de um vice-presidente no momento em que ocorreu, e no contexto específico em que a frase foi lida (sublinho: lida, não proferida de improviso), é pura canalhice.

Vieira, número dois de Carvalho, faz parte do problema. Não pode fazer parte da solução.

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