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És a nossa Fé!

Fala, Sofia!

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O treinador dos sub-23 do Leixões lembrou-se de declarar que "Sofias desta vida aprendam. O futebol tem de ser dos homens do futebol." Ter-lhe-á caído mal a derrota no Estoril e até pode ser bom tipo, como defende o seu clube. Não o conheço nem o julgo por mais do que estas palavras tristes. O futebol não é propriedade exclusiva daqueles que pisam o relvado. É de todos no mundo que dele gostam. E haverá os que percebem menos do jogo e ainda assim podem opinar. A Sofia a que este Zé se referia, é Sofia Oliveira, jovem comentadora do Canal 11 e pelo que vejo não é, de todo, das que menos sabem de futebol. Mesmo que fosse e mesmo que tenha, como todos, muito a aprender, não é por ser mulher ou por não estar num clube que não pode falar.

Fala, Sofia. Eu gosto de te ouvir.

A voz do leitor

«Falam do que interessa, futebol. Coisa rara. Muito distinto, pensei que não fosse possível ver um programa destes em Portugal. Em Portugal o interesse por desporto é ínfimo, apenas havendo lugar ao clubismo. Tem programas para quem vê o jogo para além do resultado e dos golos. Parabéns ao Canal 11.»

 

Orlando Marinho, neste meu texto

Inteiramente de acordo

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«Sou completamente contra notícias e programas que parasitam à volta de possíveis vendas ou possíveis transferências. Isso não acrescenta nada ao futebol. Uma coisa é algum elemento de alguma equipa ou de alguma estrutura vir demonstrar o interesse num jogador, outra coisa é "informação daqui, informação dacolá". Sou completamente contra isso.»

 

Sofia Oliveira, no canal 11 (7 de Janeiro)

Estado trata mal o futebol

Texto de Fernando Albuquerque

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A maioria dos programas sobre o futebol enoja quem os ouve. Vejo a maioria porque tenho tempo para isso, mas a maior parte das vezes apetece-me desligar a televisão. Os participantes deveriam ser imparciais, embora defendendo os seus clubes, mas o que vemos são pessoas sem educação e que os directores dos programas deveriam seleccionar, pois nós pagamos para eles existirem e não para ver tipos que não têm respeito por ninguém.

Felizmente nem todos os programas são aquilo que indico, mas eu dificilmente estaria presente em alguns, que diariamente são transmitidos.

Quanto ao canal 11, tem de facto um ar de civilização, pois as pessoas discutem os casos, sem gestos nem palavras impróprias para consumo, mas eu gosto principalmente dos jogos que transmitem. Neste canal discute-se futebol e temos acesso a tudo o que rodeia esta indústria que tão mal é tratada nos outros canais, onde vale tudo para defender o que por vezes milhares de pessoas viram o contrário.

Devemos apoiar quem trabalha neste canal que está a prestar um óptimo serviço ao futebol, de que tanto gostamos, e que tão mal é tratado a todos os níveis governamentais. Trata-se de uma indústria onde o nosso Estado vai buscar milhões de euros de impostos em tudo o que diz respeito à mesma sem ter de se preocupar com reformas dos intérpretes. Isto quando passamos a vida a sustentar empresas falidas onde o Estado investe tanto dinheiro sem nunca compreendermos a razão desses "empréstimos" sem volta. (...). Somos um povo espectacular, sem dúvida.

 

Texto do leitor Fernando Albuquerque, publicado originalmente aqui.

Elogio do Canal 11

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Sofia Oliveira, no Canal 11

 

Já tardava, este elogio. Mas não passa de hoje. Quero partilhar convosco este meu gosto por ver o Canal 11, da Federação Portuguesa de Futebol. É um canal feito por gente que sente carinho por esta modalidade que apaixona o mundo. E que consegue transmitir esta devoção ao futebol a quem acompanha as emissões - dia após dia, noite após noite.

No Canal 11 fala-se, não se grita. Os comentadores residentes têm simpatias clubísticas mas não exibem o clubismo mais fanático e doentio como se fosse um facho ou um estandarte, ao contrário do que acontece noutros fóruns televisivos. Aqui é possível discutir-se futebol sem todos a atropelarem-se nem a falar por cima dos parceiros de debate, em nítido contraste com alguma concorrência televisiva, que transforma estúdios televisivos em arenas de luta de galos, na busca desenfreada da pior audiência. 

 

Tornei-me espectador assíduo do canal 11 por todos estes motivos - e também por sentir que quem nele participa não se leva excessivamente a sério. Percebe-se que aqueles comentadores se sentem ali bem e conseguem contagiar-nos com o seu sentido de humor, mesmo quando falam de coisas muito sérias.

Além disso estabelecem uma diferença nítida entre diálogos sobre futebol e conversa de tasco em que a bola só serve de pretexto para vomitar ódio clubístico. Porque aqui não interessa centrar a discussão no desempenho dos árbitros, em saber se foi ou não fora-de-jogo, em gastar inúteis horas de emissão em torno das inúmeras teorias da conspiração que abundam nas redes sociais e no tabloidismo televisivo.

 

Os participantes nestes programas respeitam opiniões alheias e fazem-se respeitar pelo seu conhecimento da modalidade. Ou porque foram profissionais conceituados (Toni, Maniche, Rui Águas) ou porque são estudiosos do fenómeno desportivo (Pedro Bouças e Sofia Oliveira). Com eles acabamos também sempre por aprender alguma coisa.

Melhor ainda: não reduzem a paixão pelo futebol ao visionamento dos jogos dos "três grandes", ignorando tudo o resto. Pelo contrário: acompanham todas as equipas, e não apenas as da primeira divisão, e nunca deixam de aludir ao futebol internacional, que também seguem com interesse.

 

Eu, ao fim de muitos meses de visionamento diário de programas como Futebol a Sério, O Meu Clube, o novo Sagrado Balneário (com merecida e comovente homenagem ao treinador Vítor Oliveira, recentemente falecido) e sobretudo o Futebol Total, espécie de cartão de visita do canal, tornei-me fã.

Aproveito a época de Natal para lhes deixar este singelo texto de espectador reconhecido em forma de prenda no sapatinho. Grato pelas muitas horas de genuíno prazer que me proporcionaram neste triste ano prestes a chegar ao fim.

Quem não viu, veja agora

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O célebre golo fraudulento de Maradona, que foi validado no Mundial de 1986

 

O canal 11 - com uma programação cada vez mais criteriosa e digna de elogio - exibiu ontem à noite, na íntegra, o quase mítico Argentina-Inglaterra, dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1986. Jogo que vi à época, a torcer pelos argentinos, até porque Portugal vencera os ingleses na fase de grupos antes da balbúrdia de Saltillo - e de uma impensável derrota contra Marrocos - ter afastado a equipa das quinas desse Mundial, disputado no México.

Vale a pena revisitar este jogo, que o canal 11 recordou com boa narração contemporânea de Pedro Sousa e comentários apropriados de Nuno Presume. Não apenas pela presença inigualável de Maradona, que marca um golo fraudulento e batoteiro - um hino à fraude no futebol - mas para comparar o futebol desse tempo com o actual. Em 1986 vigoravam várias regras entretanto alteradas: só eram permitidas duas substituições, por exemplo. E os guarda-redes podiam agarrar a bola sempre que fosse atrasada deliberadamente, o que favorecia o antijogo. A tecnologia digital aplicada ao futebol era mero sonho e o vídeo-árbitro não passava de utopia, o que muito penalizou o guarda-redes inglês, Peter Shilton, batido naquele lance.

 

Curiosamente, a Argentina estreou neste desafio o sistema de três centrais hoje adoptado pelo Sporting - inédito à época.

Jogou em 3-5-2 e graças a essa inovação vulgarizou a selecção inglesa, que mal conseguiu passar do meio-campo na primeira hora da partida, condenando o seu astro, Gary Lineker, à irrelevância lá na frente. Tudo fruto do engenho de Carlos Bilardo, o seleccionador que sucedeu a César Menotti e também viria a sagrar-se campeão mundial.

 

Este foi o jogo da vida de Maradona. Pela batota, primeiro; e pela magia, logo a seguir, quando correu 60 metros com a bola, deixou cinco adversários pelo caminho e a meteu lá dentro após 12 toques sucessivos com o pé esquerdo em 12 segundos.

Maradona (chamado simplesmente assim, e não Diego Armando Maradona, como os complicadinhos insistem em designá-lo nos ditirambos fúnebres) atingiu ali, naquele péssimo relvado do Estádio Azteca, na Cidade do México, o cume da carreira. Com apenas 25 anos. Mas é injusto omitir os nomes de outros craques daquela selecção alviceleste: Burruchaga, Valdano, Ruggeri, Batista, Enrique.

 

Quem viu, viu. Quem não viu, pode ver agora.

Boa noite, Sofia

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Esta semana, no Canal 11, Sofia Oliveira e seus pares tentaram ridicularizar Jovane Cabral enquanto faziam declarações de amor a Adel Taarabt.

Não houve posts de reação, não houve uma palavra que fosse na conferência de imprensa para isso. Houve, sim, um grande jogo e mais um grande golo.

A melhor maneira de calar os idiotas não é com palavras idiotas, é com trabalho e talento. E isso Jovane tem de sobra.

Boa digestão.

a whiter shade of pale

Nem os próprios Procul Harum sabem ao certo de que trata a música que dá título a este post, mas que ficou na história ficou e nunca mais ninguém se esqueceu dela.
Imagino que nem Porto nem Benfica saibam ao certo que raio se passa com as suas equipas de craques que valem dezenas de milhões (dizem), são cobiçados por toda a Europa e arredores (dizem), treinadas por equipas técnicas de excelência (dizem) e dirigidas por dirigentes com séculos de tarimba. Se este futebol de quarentena será lembrado, teremos de esperar para perceber.
Tenho assistido a algumas noites de debate no canal 11, onde descobri que Maniche sabe do que fala e sabe exprimir-se, onde a Sofia Oliveira demonstra muito arrojo e pensamento próprio, onde o jornalista brasileiro Bruno qualquer coisa demonstra que se pode ser jornalista desportivo sem se deixar de ser jornalista e onde Pedro Sousa conduz com arte e engenho a bola até à baliza, com assistências de luxo para todos os comentadores (regra geral são todos bastante bons). De todas as vezes que acaba o programa fico com a sensação de que eles não disseram tudo o que pensam. Não os censuro, afinal de contas todos nesta indústria têm interesse que seja uma indústria…
Mas fico à espera que digam coisas como (por exemplo) o nosso futebol e os nossos craques de milhões vale muito (muito mesmo) menos que diz a etiqueta com o preço, que a competitividade manhosa da nossa bola pouco ou nada tem a ver com futebol e que pelos vistos era o público (sempre adepto de um dos três grandes) quem levava o seu emblema ao colo, por um lado intimidando árbitros, fiscais, VARs e adversários com insultos e ameaças e por outro dando uns aplausos que vitaminam os seus jogadores. Como sabemos, a maioria do público de estádio quer é ganhar, nem que seja com golos com a mão. Ora não havendo público, os jogadores parecem confusos. Afinal, o que estão ali a fazer?
A minha interrogação é se Lage e Conceição tinham noção disto tudo.  
Falo de FCP e SLB porque são quem compete pelo título e porque o que vamos vendo em jogos sem público permite especular sobre que equipa e jogadores deverá ter o SCP para tentar competir pelo primeiro lugar neste nosso futebol que vai demonstrando a sua face.

Abandonar o barco

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Frederico Varandas regressou esta noite às entrevistas televisivas para uma longa "conversa" (o termo foi utilizado por um dos entrevistadores) ao canal 11, da FPF.

Fez algumas revelações que merecem registo. Destaco duas: o Sporting voltará a ter equipa B já a partir da próxima época e pelo menos um terço do plantel da temporada 2020/2021 será composto por jogadores da formação. Boas notícias.

E assegurou que o principal objectivo do clube, até 2022, é marcar presença na Liga dos Campeões. Haja optimismo.

 

Arriscou também fazer previsões, nadando para fora de pé.

Sobre Rúben Amorim, o técnico que foi buscar ao Braga por uma quantia astronómica escassos dias antes da prolongada paragem do futebol a nível mundial: «Não tenho a menor dúvida de que o treinador do SCP muito dificilmente dentro de três ou quatro anos não estará num dos melhores clubes europeus.»

Sobre Matheus Nunes, o jovem médio-centro adquirido ao Estoril em Janeiro de 2019: «Não tenho dúvida nenhuma de que só o Matheus vai pagar o Rúben Amorim.»

Oxalá os dotes divinatórios do presidente do Sporting tenham melhorado muito desde Setembro do ano passado, quando garantiu noutra entrevista televisiva que Jesé, Fernando e Bolasie - todos já remetidos à procedência - iriam singrar no clube. 

 

Mas o que mais retive desta entrevista - exibida no dia em que se registaram duas novas baixas no Conselho Directivo do Sporting - foi a revelação, feita pela boca do próprio Varandas, de que o vice-presidente Filipe Osório de Castro e o vogal Rahim Ahmad já estavam demissionários desde o início de Março.

O clube enfrentou assim este período de severa crise com uma Direcção mutilada, sem que os sócios tivessem sido informados. Algo que considero inaceitável por violar as normas de transparência que qualquer Direcção leonina deve manter com os associados, a quem tem de prestar contas em todas as circunstâncias.

Estas demissões - que se seguem à saída do ex-vogal do CD Francisco Rodrigues dos Santos, em Dezembro, para concorrer à presidência do CDS, e do administrador da SAD leonina Miguel Cal, em Março, por alegados motivos pessoais - são provas inequívocas do desgaste desta equipa directiva, empossada apenas há 20 meses. Os dois dirigentes agora substituídos, segundo o próprio Varandas, alegaram a necessidade de se concentrarem a tempo inteiro nas respectivas actividades empresariais, sem mais disponibilidade para o Sporting. Vão longe os tempos dos abraços eufóricos na tomada de posse destes titulares dos órgãos sociais, em 9 de Setembro de 2018.

Ficámos portanto a saber que no preciso momento em que a nau leonina exigia maior coesão e concentração para enfrentar a tempestade provocada pela pandemia, logo houve quem preferisse abandonar o barco. É uma conduta que só pode merecer censura da massa adepta. E um péssimo indício para os tempos que vão seguir-se.

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