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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Campeões !!!

30 (trinta!) anos depois, o Sporting vence o campeonato nacional de hóquei em patins, batendo o FC Porto por 4-3.

Em jogo disputado no João Rocha, marcaram para o Sporting Pedro Gil (2), Ferran Font e Caio. Defendeu (quase tudo) André Girão. Parabéns Campeões! Só falta o futsal para o pleno das "majors" nas modalidades (ainda não temos o basquetebol). Destaques para Pedro Gil, pelos dois golaços contra o clube onde anteriormente se tinha sagrado hepta-campeão, para Ferran Font, que marcou um belo golo de livre directo (ele que já tinha marcado um assim ao Benfica) e para o nosso treinador, Paulo Freitas, que implementou um modelo de jogo vencedor, assente no rigor defensivo.

 

P.S. Queria agradecer a todos aqueles que conseguiram tirar-me o sabor agradável de uma vitória do meu clube. Nem hoje, dia de uma conquista de campeonato nacional (30 anos depois), conseguiram esbater as Vossas diferenças em prol do ENORME Sporting Clube de Portugal. Receio que ter-se-ão certamente enganado no BLOG pois este é um espaço de civilidade, de tolerância e de urbanidade e não um receptáculo de frustrações. Mais importante: o seccionista, os treinadores, os jogadores e restante "staff" da equipa de hóquei, praticamente ignorados nos comentários, não mereciam esta desconsideração da Vossa parte. Muito obrigado!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O jardim

O Conselho de Disciplina reunir num Sábado e despenalizar Ruben Dias é natural. O que não é natural é Bruno de Carvalho escrever um Post e dar uma entrevista ao Expresso. Ainda se tivesse feito um Powerpoint… Na ordem do futebol português, cada coisa tem de ter a sua “cor” natural. Por isso, para muitos, mais do que um revolucionário ou um reformista, Bruno deveria ser um Restaurador. Olex, de preferência.

Nada do que é dito em cima invalida que, curiosamente, até haja semelhanças entre Bruno de Carvalho e Ruben Dias. Por exemplo, ambos falam pelos cotovelos...

  

Confesso que tinha um mau pressentimento para este jogo. Aquela ideia de a Madeira ser um jardim (ou será um Jardim?) fez-me lembrar o Festival da Eurovisão e zero pontos garantidos.  Também, quem é que se lembrou de deixar de fora o talento de Júlio Resende e a magnífica interpretação de Catarina Miranda em “Para sorrir eu não preciso de nada”? Júlio, aliás, que protagonizaria o momento (o único?) da noite festivaleira, ao piano, lado-a-lado com o fabuloso Salvador e o intemporal Caetano, numa gala onde os espectadores finalmente se sentiram vingados quando um rapper tirou o microfone das mãos de um(a) intérprete. Da Altice Arena para o José Alvalade, veio a dica: porque não te calas? – dirão alguns…Eu, cá, só queria que o Sporting tivesse ganho. É que, para sorrir, não preciso de (mais) nada (que uma vitória).

 

O jogo arrastou-se, num ritmo pastelão, mastigado, tipo a chiclete de Jesus, com vários jogadores "fora dela". Nesse sentido, Coentrão e Piccini foram os mais exasperantes. Por volta da meia-hora, Joel marcou para o Marítimo, após duplo erro de Coentrão que primeiro fez uma falta estúpida e de seguida deixou o avançado insular marcar nas suas costas. Dost igualou instantaneamente. De seguida, lançado por Battaglia, Bruno Fernandes desperdiçou na cara de Abedzadeh. Pensava-se que o Sporting iria embalar, mas foi o canto do cisne.

 

A segunda parte foi um deserto de ideias. Jorge Jesus foi lançando avançados ao monte, mas com cruzamentos efectuados de frente, os defensores maritimistas jogaram de "cadeirinha" (de "cadeirinha" deveríamos estar a jogar nós, agora que não temos partidas a meio da semana, mas desde que isso aconteceu nunca mais ganhámos). Entretanto, Battaglia, provavelmente o nosso jogador que mostrou mais querer em campo, foi substituido, de forma a que William pudesse continuar a perder a bola e, quando não a tivesse nos pés, acompanhá-la com os olhos - é que o "Sir", na sua forma actual, parece mais um controlador aéreo que um jogador de futebol. Para o fim estava reservado o pior bocado. O que começou numa luta de galos - entre presidente e jogadores - terminou num frango (de Patrício, o habitual salvador). Faz sentido! O "milho" da Champions é que voou...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

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 #savingprivateryan

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Comunicado

As equipas entram no relvado e Jorge Jesus já está no banco, de calculadora na mão. Ao seu lado, Bruno Carvalho sabe que está proibido de emitir sinais de fumo (pois não está na Tribuna). Os jogadores do Sporting iniciam a redacção de um Comunicado, com o fogo de artifício lançado pelas claques como pano de fundo.

 

O Benfica toma a iniciativa e Rui Patrício mostra que comunica bem com os postes. A vítima desta vez é Rafa. Bryan Ruiz escreve um bom primeiro parágrafo, Mathieu tenta complementá-lo e Ruben Dias impede-o, agarrando-o, mas Carlos Xistra acaba por rasurar tudo. Jesus diz que foi uma "chave, um termo de luta técnica(!)", ficando o público sem entender se estaria a falar grego, romano ou mesmo greco-romano. O que o público também não vai percebendo é quem é o trinco e quem é o "box-to-box" da equipa leonina. Aparentemente, JJ tentou confundir Rui Vitória, mas acaba por estar a confundir só os adeptos do Sporting com as suas ideias "fora da caixa"...

 

Piccini anda às aranhas com Rafa, Grimaldo e o "Zokovic", ou lá o que é, a entrarem pelo seu corredor e o ex-bracarense volta a testar a confiança de São Patrício nos ferros. Rui, que ainda toca na bola, agora fala com o direito, antes tinha sido com o esquerdo. O Sporting reage, numa ideia de Bruno Fernandes que Coentrão não consegue finalizar eficazmente. Depois, é Bas Dost que tem aquela que o treinador leonino diz que é a melhor oportunidade de golo. Sai-lhe a roleta e, quase a alinhavar os 3 pontos do Comunicado, pára e pede a Gelson para o terminar. Um jogador do Benfica, com mais "canetas", intromete-se e não lho permite. Pelo meio, Patrício (sempre ele) impede, por duas vezes, os benfiquistas de saírem à frente no marcador.

 

Intervalo para café ("Coffee-Break") e os atletas abandonam a "sala de espectáculos" por momentos. Ansiosos, os espectadores aguardam por novidades, divididos entre os que verificam o funcionamento do seu pacemaker e os que se fazem munir de um desfibrilador, o equipamento electrónico que substituiu o telemóvel no reino do leão. É que não há Facebook ou Instagram que (não) valham uma boa descarga...

 

Recomeça a segunda parte. Há fumo negro e cabos soltos no relvado ou cabos negros e fumos soltos no relvado, tanto faz, pormenores que por alguns minutos atrapalham a comunicação. Mormente após a substituição de William por Acuña, e consequente passagem de Ruiz para o meio, finalmente o Sporting estabiliza as posições no meio campo. Batman emerge como o médio mais recuado e começa a dominar as investidas adversárias. O vigilante de Alvalade City recupera inúmeras bolas e a equipa parece readquirir a sua confiança. O Benfica ainda lança Sálvio e este dá a Jimenez a oportunidade de decidir o jogo, mas o mexicano não a remata da melhor maneira. Bruno Fernandes tem uma boa ideia e transmite-a a Dost, mas Ruben Dias, uma vez mais, põe-lhe a mão em cima e não o deixa escrever. Xistra nada diz e o vídeo-árbitro já deverá estar a jantar. Bryan Ruiz ainda propõe redigir algo, mas infelizmente da cabeça do costa-riquenho não saem melhores ideias do que aquelas que já conhecíamos que produz com os pés. Pelo menos nos jogos com o Benfica.

 

O jogo termina e o Comunicado é uma folha em branco. À saída, um amigo diz-me que o Benfica tem melhores jogadores. Confronto-o, pedindo-lhe para enumerar qual é o jogador dos 5 de trás que joga numa selecção (para além daqueles, do meio campo para a frente que jogam nas "potências" Sérvia, Grécia e México e dos portugueses que são suplentes do suplente da "equipa de todos nós"...). Acrescento que no Sporting, agora que Battaglia está nos planos de Sanpaoli, só Piccini não é chamado às selecções. O meu amigo acaba por anuir.

Jorge Jesus e Ruben Dias são as grandes figuras da época, conseguindo passar entre os "pingos da chuva": o treinador leonino, porque está há sete jogos para o campeonato sem vencer um "grande" e mantém a sua áurea - é o que se chama "comunicar bem"; o benfiquista, porque consegue fazer toda uma panóplia de faltas sem que os árbitros o sancionem. Deve ser a isto que a Comunicação encarnada se refere quando fala de "campeonato sujo"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Onda verde

Um jogo que teve um pouco de tudo: golos de belo efeito, emoção, palhaçadas, muitas mutações tácticas e uma "flash-interview" rica em frases para um novo livro do Pedro Correia. E houve também um sofá, o meu (e de muitos de nós), que mais parecia uma cama de pregos, não sendo eu um faquir. Sofremos tanto, tanto...

 

Pode um jogador ter uma segunda parte horrível, com uma imensidão de bolas perdidas e ainda assim ser considerado o melhor em campo? Sim. Bruno Fernandes passou o tempo a remar contra a maré da Praia da Rocha mas, em dois momentos de inspiração, marcou dois golos. O primeiro, em "souplesse", após assistência de Bas Dost, levantando a bola com categoria por cima do guarda-redes portimonense, um Leo alheado da alcateia de leões do Sporting. Depois, já o jogo caminhava para o fim, o médio aproveitou uma bola de ressaca à entrada da área, dominou-a no peito e matou de primeira, sem a deixar cair no chão. Um golão!

 

A emoção esteve sempre presente. O Sporting entrou bem e teve imediatamente oportunidades, por intermédio de Battaglia e de Dost. Cumprindo o velho adágio de que à terceira é de vez, Bruno marcou. Pelo meio já tinhamos experimentado um novo modelo de bola parada ofensiva, que consiste em 3 crânios congeminarem demoradamente sobre o que fazer até acabarem a entregar a bola ao adversário e proporcionar-lhe a hipótese de marcar um golo. Valeu que Patrício não aprovou a opção. Quase simultaneamente, em Porti ... mão, houve dedinhos na bola de um defesa algarvio na sua área, na sequência de um duelo de Fernandes (Ruben vs Bruno). Acuña, Bruno e Gelson ainda tiveram ocasiões de golo, mas acabou por ser o Portimonense a marcar após Petrovic e Coentrão não terem respeitado a posição de Coates, permitindo assim o golo a Fabrício, pós-cruzamento de Bruno Tabata, que entretanto tinha mudado de flanco com o nipónico Nakajima. 

 

O Sporting entrou nervoso no segundo tempo, sem posse de bola, e dando espaço à mobilidade do Oliver Tsubasa da equipa algarvia. O nosso meio campo, provavelmente devido à proximidade com o mar, metia água por todo o lado e o jogo partiu-se. Na única jogada com cabeça, tronco e membros da primeira meia-hora, Dost isolou Gelson e este, em vez de seguir em linha recta, voltou a optar pelo caminho crítico para a baliza de Leo. A bola sobrou para Acuña e o argentino centrou como se fosse para Dost. Não sei se viu um holograma do holandês, mas era Bruno Fernandes que lá estava e a bola perdeu-se. Depois, houve o já habitual número de circo: à falta de Lito Vidigal, Abel ou mesmo de um bombeiro do Dragão, foi Vitor Oliveira a protagonizar mais uma palhaçada. A novidade é que, desta vez, o outro protagonista não foi Fábio Coentrão - hoje um menino do coro - mas sim Petrovic.

 

Jesus foi à procura da felicidade e começou a mexer no sistema. Entraram Misic e Montero e às tantas estavamos a jogar num 3-5-2 (ou 3-5-1, pois o colombiano - é como o Bolo-Rei antes da ASAE, nunca se sabe se sai brinde ou fava - teve um daqueles frequentes apagões a que já nos habituou). Ainda mudaríamos para um 4-4-2 com a entrada do Lumor de perdição do treinador leonino, o homem que é pior que assim-assim (sic), mas que parece ser o talismã do leão. Hoje entrou e o Sporting marcou, de novo.

 

As entrevistas aos protagonistas foram cheias de frases fortes. Primeiro foi Bruno Fernandes, quando inquirido se a sua exibição era um piscar de olho a Fernando Santos e ao Mundial da Rússia, a dizer que não, "era um piscar de olho ao Sporting" - grande leão! Depois, JJ afirmou, a propósito da troca dos alas do portimonense, que "Batta(glia) não percebeu nada daquilo". Finalmente, Vitor Oliveira declarou que "o Portimonense foi derrotado pelo melhor jogador do campeonato (Bruno Fernandes)".

 

Apesar de liderado pelo japonês Nakajima, o caudal ofensivo do Portimonense não foi um oceano pacífico. No entanto, a inspiração de Bruno Fernandes criou uma onda verde e a equipa algarvia foi "de vela" ao largo da Praia da Rocha. No dia em que o tondelense Tomané assinou os papéis da reforma de Luisão, esta importantíssima vitória permitiu-nos igualar o Benfica. No entanto, nada de muito substancial se alterou, pois só um empate 0-0 em Alvalade nos deixará em vantagem. Havendo golos tudo se alterará, pelo que teremos de jogar para ganhar. É para continuar ligado ao desfibrilador e talvez tenhamos de ir fazer umas "nuances" como o JJ (ai os cabelinhos brancos, ai, ai). Se a vida de treinador não é fácil, imaginem a de treinador de sofá. É que eles ainda têm aquele rectângulozinho à frente do banco por onde se podem movimentar e libertar um bom vernáculo, ao passo que eu, cá em casa, se me afasto perco o jogo e se vocifero levo um cartão amarelo alaranjado. Sem recurso para o Conselho de Disciplina...

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Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes - 16 golos, 18 assistências e mais 18 participações decisivas em golos

 

 #savingprivateryan

Hoje giro eu - O Sporting é a minha prioridade

Glosando esse título tão em destaque na blogosfera, não creio em delito de opinião. O brilhante jpt - a propósito, quem escreve prosas com esta qualidade, tem de assinar com letras maiúsculas -, na sua imensa erudição e com toda a urbanidade, tricota aqui em baixo um belo texto, dando conta da "camisa de sete varas" onde Bruno de Carvalho, aparentemente, insiste em se meter.

 

Embora não me custe a acreditar que a informação em que ancora a sua opinião tenha um fundo de verdade, o facto é que ela se baseia na leitura dos jornais, pelo que o grau de fidedignidade que lhe queiramos dar tem mais a vêr com um pré-conceito, um preconceito, vá lá, que se vai fazendo atendendo ao que tem sido o comportamento-padrão do actual presidente.

 

Insisto, no entanto, num ponto: eu que votei Bruno, não sou brunista. Eu sou é do Sporting. Não sei se Bruno insiste numa deriva, num desvario ou caminho persecutório sobre quem se lhe opõe, o que tenho como certo é que temos jogo no Sábado. E temos de vencê-lo! Por isso, e que me desculpe quem possa ter outra (legítima) opinião, entendo que o nosso foco deve estar aí. Todas as outras situações terão local próprio para serem dirimidas, idealmente no final da época e por quem entender (com igualmente toda a legitimidade) suscitá-las. 

 

Bastas vezes, em função da paixão que nutro pelo nosso leão rampante, aqui tenho expressado que não quero mostrar ao mundo que tenho razão. Obviamente, tenho uma opinião formada sobre o "status-quo" instalado em Alvalade e sinto-me desiludido com a forma desbragada como se tem processado a nossa comunicação e a gestão dos recursos humanos. Mas, querendo sempre que o Sporting ganhe, não quero que isso seja contra Bruno, muito menos aceito uma derrota só porque existe Bruno. Uma vitória do Sporting, é uma vitória de todos os sportinguistas. Ponto! 

 

Joga-se muito de uma época no Sábado. A vitória na Taça da Liga e um hipotético triunfo na final do Jamor serão interessantes panaceias, mas é difícil não pensar que o mal estará instalado caso não consigamos assegurar um lugar na terceira pré-eliminatória da Champions. Desde logo, pelo "upgrade" dos valores que, já na próxima temporada, premiarão a presença em tão prestigiosa competição, os quais ditarão o enfraquecimento do ausente face aos outros dois competidores. Enfraquecimento económico que, para ser resolvido, resultará na venda de jogadores e, concomitantemente, em perda de competitividade. É, por isso, de primordial importância, presidente, treinador, jogadores, sócios, adeptos e simpatizantes estarem com o clube. Com o clube, leram bem. E, neste momento, isso para mim representa não dar trunfos aos nossos adversários. Por isso, os jogadores terão muito mais força em campo se interiorizarem que vão jogar pelo Sporting, por um lugar de destaque na sua história e pela sua massa associativa. Isso é que serão os valores correctos. A minha experiência de vida diz-me que a estratégia de unidos contra alguém (que neste caso seria Bruno) tem apenas efeitos a curto-prazo (por exemplo, em ano de divulgação dos emails isso pareceu não ser causa suficiente para unir decisivamente o plantel no sentido da vitória). O ser humano precisa de desafios, mas ganha maior adesão com os seus valores um comprometimento a favor de uma causa ou, neste caso, de uma bandeira, de um símbolo, algo que congregue. É o nosso Sporting, a nossa razão, a nossa emoção, essa causa. Assim, termino, desejando que o mar de Portimão possa assistir à formação de uma gigantesca onda verde que mais tarde possa rebentar, serenamente, no areal de uma Champions League perto de nós. Isso sim, seria a "minha praia". Abraço a todos e vivó SPORTING!  

 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - VARiante no xadrez

Ao fim de 55 jogos e no meio de tantas lesões e cansaço, ainda assim o Sporting conseguiu apresentar peças suficientes para povoar e dominar o tabuleiro axadrezado. Adoptando uma abertura clássica, que consistiu na libertação imediata dos cavalos Gelson e Ristovski, o Grande-Mestre Jesus rapidamente tentou colocar em xeque o último reduto boavisteiro. Na zona central, à frente das torres Coates e Mathieu, Battaglia limpava os peões que se lhe atravessavam no caminho, o que possibilitava a Bruno Fernandes e a Bryan Ruiz darem asas à sua criatividade e grande classe. O bispo Acuña, com as suas diagonais, ajudava a manter tudo sob controle. 

 

As oportunidades para xeque-mate sucediam-se, mas Vagner não estava pelos ajustes e ia adiando o inevitável. Até que surgiu em cena uma variante moderna, o vídeo-árbitro. O Veríssimo mais uma vez não teve boa vista (já tinha havido um lance polémico sobre Dost), mas desta vez o VARíssimo, seu alter-ego, sancionou uma clara mão de Robson na área axadrezada. Bas Dost, na conversão da grande penalidade, adiantou o Sporting no marcador. Embalados, os leões aumentaram a pressão, mas a falta de espontaneidade no remate por parte de Gelson e Bruno foi adiando o golo da tranquilidade, exasperando as bancadas repletas de público em Alvalade. Quem não esteve com cerimónias foi Raphael Rossi, que com uma entrada nada católica, mesmo violenta, testou a qualidade das caneleiras de Acuña. Fábio Veríssimo abeirou-se, olhou, sentiu e, ouvindo o argentino ainda respirar, decidiu-se por um cartão amarelo...

 

A segunda parte foi jogada num ritmo um pouco mais lento, mas o Boavista continuou a não testar o guarda-redes leonino. Condoídos, os colegas desataram a atrasar-lhe bolas, tipo bóia de salvação. É que, para o Rui, jogar com os pés foi o que teve ali mais à mão (para justificar a entrada em campo), pois ZERO remates à baliza foi a estatística final das "panteras negras". Gelson e Dost poderiam ter marcado e, naquilo que bem se poderia designar de goleada de um golo só, haveria ainda tempo para Bruno Fernandes, isolado por Gelson, passar por várias etapas de desgaste competitivo: cansaço mental, défice de concentração, cansaço físico, perda de vontade de fazer golos, enfim um burnout ou brunout ou lá o que é ... (aquelas coisas que psiquiatras que vão à televisão costumam diagnosticar às pessoas que só conhecem de vêr ... pela televisão).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ristovski

 

#savingprivateryan

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Por cada Bruno que cair, outro se levantará

O jogo começou com quase um quarto de hora de atraso e o Sporting ainda entrou mais tarde. Logo aos 2 minutos, Bruno Paixão caiu ... na tentação de marcar uma grande penalidade após antecipação de Yazalde a Rui Patrício, na sequência de uma primeira defesa de Rui a remate de Licá. Já depois do cabeceamento do avançado, o guardião leonino deu um toque involuntário na cara do avançado e o árbitro marcou "penalty". Yebda converteu, pondo a equipa do Restelo na frente. 

 

Eis senão quando aparece no jogo outro Bruno, o Fernandes. Do lado esquerdo, e ainda dentro do seu meio campo, com a precisão de um relojoeiro suiço, o maiato colocou a bola a tempo e horas, direitinha no pé direito de Bas Dost que não perdoou. Pouco tempo depois, outra vez Bruno ... Fernandes. Com o diabo no corpo, penetrou pelo centro do ataque e assistiu Gelson na meia direita para o segundo dos leões. Estavam decorridos 16 minutos de jogo. O jogo ficou mais dividido, mas o Sporting parecia sempre mais incisivo. Assim, após um canto, Bruno Fernandes (who else?) visou Battaglia que desviou de cabeça rente ao poste. Logo no minuto seguinte, o nosso número 8 serviu Dost entre 2 defesas. O holandês, sem velocidade para sprints, preferiu contemporizar e servir Ristovski na direita. Centro do macedónio, bola deflectida e surgiu Acuña, de pé direito (!) a rematar com êxito.

 

O segundo tempo iniciou-se com um remate muito perigoso, outra vez de Bruno Fernandes, a poucos centímetros do alvo. O médio leonino começava a acusar o desgaste do jogo e da eliminatória europeia e, como ele, também Ruiz parecia dar alguns sinais de cansaço. A verdade é que o Sporting começou a perder o meio-campo e em 3 minutos (entre os 61 e os 64) o Belenenses empatou. Primeiro, num remate de Licá, depois num "penalty" cometido por Acuña sobre (outra vez) Licá e convertido por Fredy.

 

Confesso que temi o costumeiro fadinho leonino, mas, após um canto, Yebda acertou uma cotovelada na cara de Bas Dost na área e Bruno Paixão, após consulta do VAR e visionamento das imagens, assinalou a grande penalidade e expulsou o argelino. Sururu, muitos protestos belenenses e o árbitro a não permitir a reentrada em campo de Dost (antes assistido). Não houve Bas, mas Bruno Fernandes chamado a converter o castigo máximo marcou com categoria o 4-3 para os leões. JJ mexeu na equipa, tirando os dois criativos, Bruno e Ruiz, completamente esgotados, e colocando Petrovic e Lumor em campo, restabelecendo a táctica dos 3 centrais com Coates, Petrovic e André Pinto. O jogo não acabaria sem um remate ao poste de Florent, com São Patrício ainda a dar um pequeno desvio que impediu o golo do empate, numa altura em que parecia que o Belenenses é que tinha um homem a mais.

 

No Sporting, os melhores foram Bruno Fernandes (um golo e duas assistências), Acuña (um golo), Bryan Ruiz (muito bem a gerir os momentos do jogo) e Battaglia (grande pulmão). A defesa esteve muito irregular e Gelson (muito voluntarioso) e Dost complicaram situações fáceis de golo.

 

Numa noite em que houve um Bruno (Carvalho) ausente - mas ainda omnipresente na mente de apoiantes e opositores - e um Bruno (Paixão) que marcou 3 grandes penalidades e iniciou o jogo com grande atraso, valeu o terceiro Bruno, que, com uma exibição espectacular, principalmente no primeiro tempo, ajudou a resolver o jogo para o Leão Rampante, algo que o igualmente endiabrado Licá tentou ao máximo evitar. Uma vitória do Sporting contra os Velhos do Restelo e o segundo lugar já ali à vista. Uma palavra para o excelente futebol implementado em Belém por Silas. Chapeau !

 

Quanto à arbitragem, há argumentos que podem justificar a marcação de cada uma das grandes penalidades. Eu só estranho duas coisas: não me recordo de um "penalty" marcado contra Benfica ou Porto aos 2 minutos de jogo; nem na RTP Memória consigo encontrar dois castigos máximos, marcados no mesmo jogo, contra Benfica ou Porto. Alguém acredita que venhamos a assistir a algo do género, envolvendo os nossos adversários, até final do campeonato? Se virem, avisem, que eu vou estar embrenhado na Torre do Tombo à procura de evidências históricas...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (inevitável)

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sábado Negro

(escrito no final do dia de Sábado)

Sábado Negro para todos os cristãos e, este ano, em particular também para os sportinguistas, pois as esperanças leoninas de vencer o campeonato ficaram hoje enterradas em Braga. Com uma enorme diferença: quando amanhã celebrarmos com fé aquilo que é a base do Cristianismo, teremos presente que as hipóteses dos leões não se reerguerão.

 

A derrota de hoje foi a consequência lógica de uma série de equívocos que se têm evidenciado desde que Jesus chegou a Alvalade. A aposta em bons jogadores saídos da nossa Formação foi escassa e quando ocorreu foi mais para tapar o sol com a peneira, como na temporada passada após tudo estar perdido. Hoje, sem William, Palhinha foi para a bancada - o "extraordinário" Petrovic esteve no banco - , Wendel não jogou de início e tivemos de colocar Battaglia, um "8", um (sempre esforçado) vassalo, a fazer de Sir. Para apoiá-lo esteve um deslocado Bryan Ruiz, mais o seu motor a diesel e a sua lenta engrenagem, quando na véspera, em Vila do Conde, Francisco Geraldes, um produto da nossa academia, alardeou toda a sua enorme visão de jogo e rapidez de execução. Com Bruno Fernandes a jogar muito longe dos outros médios-centro, não tivemos bola e o nosso jogo ofensivo secou. Esta obstinação em tentar manter um 4-4-2, sem ter jogadores para tal, só poderia acabar desta forma.

 

As substituições operadas pelo treinador também foram um "must": primeiro, entrou o "promissor" Ruben Ribeiro, um jogador ainda a tempo de desenvolver uma grande carreira desde que ela não envolva a ocupação de mais do que um metro quadrado de terreno por jogo; depois, demorou 80 minutos a fazer entrar um segundo avançado, como se a passagem de Bruno Fernandes para uma posição mais recuada, onde pusesse finalmente pegar na bola, não fosse ainda assim um mal menor face à anterior presença do costa-riquenho Ruiz; finalmente, já depois dos 90 minutos colocou em campo a "arma secreta" Wendel, certamente para queimar tempo e paciência (dos adeptos). Aliás, o brasileiro, é um artigo de luxo em Alvalade, pois cada minuto de sua utilização (6 no total) custou até agora a módica quantia de 1,45 milhões de euros. 

 

No geral, toda a equipa foi lenta a definir as jogadas, com Bryan Ruiz, Bas Dost e Acuña a alargarem os limites da expressão, mesmo quando sózinhos dentro da área adversária. Como se já não bastassem estes, JJ ainda colocou em campo RR7. Confesso que olhei variadíssimas vezes para o comando da minha "Box" para vêr se não tinha acidentalmente accionado o "slow-motion". Gelson lutou contra o monotonia e animou a nossa primeira meia-hora, apoiado aqui e ali por Bruno Fernandes, período em que o Sporting foi dominante mas sem aquela agressividade e combatividade que nos vinha caracterizando. Estranhamente, na segunda parte, praticamente só se deu pelo ala quando foi apanhado num fogo cruzado levando com a bola na cara. Nem assim terá despertado, ele que provavelmente ainda estará em transe com o guião ubíquo que Jorge Jesus, inspirado pela quadra pascal, lhe entregou e que consistia em estar em todo o lado ao mesmo tempo. Coates era o meu candidato a homem do jogo, mas o uruguaio está a vivenciar uma daquelas épocas em que a nódoa cai sempre no melhor pano e lá acabou por ter culpas no golo bracarense, pondo em jogo Raul Silva.

 

Vamos para o final do terceiro ano com Jorge Jesus e continuamos sem vencer o campeonato. Mas parece que vai ficar por cá. Ou porque ainda há quem acredite nele ou porque a sua cláusula de rescisão é cara, o mais certo é continuar. Como está na moda citar o tio-avô do nosso presidente eu diria que estarmos sequestrados pelo treinador é uma coisa que me chateia. De um Almirante para um General, sem medo, dá vontade de parafrasear o "obviamente demito-o"...

 

Abel ganhou e está de parabéns, mas perdeu definitivamente o meu respeito. Pode citar pais e avós e usar de falinhas mansas, mas o ressabiamento está lá e fica-lhe muito mal. O episódio com Fábio Coentrão foi simplesmente para lastimar. E mais não digo (e menos, seguramente, deveria ter dito) que a época é de paz. Para todos, uma Santa e Feliz Páscoa! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": os adeptos leoninos que se deslocaram à "Pedreira"

 

#savingprivateryan (*)

 

(*) inicio hoje uma campanha de sensibilização a favor da valorização de jogadores formados na Academia. Uns porque fazem falta ao actual plantel, outros porque a sua carreira está a ser travada por uma política de empréstimos desastrosa. Personifico em Ryan Gauld este sentimento e esta campanha (#savingprivateryan), a qual constará em rodapé em futuros "posts".

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Bas Dost tinha as chaves do triunfo

"All you need is ... Bas Dost" : Houve um antes e um depois de Bas Dost neste jogo. Até à entrada do holandês, o futebol do Sporting foi pouco objectivo e não teve espontaneidade. Com o "flying dutchman" em campo, a equipa pareceu mais confiante, mais linear (a explorar mais a profundidade) e mereceu a vitória.

 

A primeira parte mostrou um Sporting lento e cheio de hesitações. Jesus deve ter sentido um dilema ao intervalo, pois do meio campo para a frente, exceptuando William e Gelson, todos os jogadores eram candidatos a sair, tal a falta de ideias apresentada. Após uma meia oportunidade por Montero (12 minutos), na sequência de um canto, a equipa leonina poderia ter marcado quando Gelson (41 minutos), solicitado por Ruben Ribeiro, decidiu convocar um pelotão de fuzilamento em vez de tocar a bola docemente para as redes. Antes e depois, o Chaves cheirou o golo por William, mas a bola embateu na couraça da indiferença de Patrício (primeiro) e o avançado flaviense não conseguiu o desvio em antecipação ao guarda-redes leonino (segundo).

 

Rui Patrício voltou a ser providencial após remate de Nuno André Coelho (54 minutos). Entretanto, Dost entrara para substituir Misic e deu o primeiro sinal da sua presença, um minuto depois, ao desviar um cruzamento de Battaglia (57 minutos). O holandês é sinónimo de golos e o primeiro apareceu quase instantaneamente (61 minutos), num desvio de cabeça após jogada de Ruben Ribeiro, que imediatamente antes de cruzar pôs um defesa flaviense (Paulinho) num programa de centrifugação da Miele. O golo abriu o jogo e os dois minutos seguintes foram de enorme desperdício de oportunidades por parte do Sporting: Battaglia e Coates estiveram a centímetros de marcar e Bryan Ruiz suplantou tudo e todos, inclusive a ele próprio (o que é difícil), na esmerada arte de perdoar à frente da baliza, conseguindo falhar 3 golos numa só jogada (!).

 

Com tantas oportunidades perdidas comecei a recear uma repetição do Bonfim2018. Ao minuto 77, após Bas Dost ter trocado os pés à boca da baliza de Ricardo, Patrício conseguiu atrasar o remate do isolado Davidson e Battaglia deu o peito às balas, evitando sobre o risco o golo do Chaves. Felizmente, pouco tempo depois, o argentino, em noite de muito e bom trabalho, roubou uma bola a Platiny, entrou na área e entregou um presente pascal a Dost, que bisou. Tempo ainda para um "remake" de um Clássico: no melhor pano cai a nódoa e Coates, até aí em bom plano, voltou a borrar a pintura, concedendo um "penalty" (?) à equipa flaviense já no período de descontos.

 

No Sporting, os melhores foram Bas Dost, Rui Patrício e Battaglia. Mathieu, muito atento, obstruiu sempre as linhas de passe flavienses, William trabalhou muito e Ruiz colocou em campo o habitual perfume do seu futebol, embora por vezes temporizando em demasia. Lumor teve minutos, mas mostrou ainda alguma falta de rotinas, ofensivas e defensivas. Ruben Ribeiro encanou muito a perna à rã, mas acabou por repetir a jogada de futsal que já tinha dado um golo contra o Aves. Sinal menos para Misic que não me parece jogador para ver além do óbvio. Jogando muito em cima de William e com um passe pouco tenso, não me agradou.

 

Uma pergunta a Jorge Jesus: porque não colocar Battaglia a pressionar à frente a saída de bola do adversário? Sem Slimani e na ausência de jogadores com as características adequadas para essa missão, não poderia o argentino - jogando entre William e Bruno Fernandes e trocando com o maiato nesse momento do jogo - ser um destaque nesse papel ? 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Adeus campeonato

Custa a crer que o Sporting tenha perdido o campeonato neste jogo. Aliás, custa a crer que o Sporting tenha perdido este jogo. Mais, custa a crer que o Sporting tenha perdido um jogo onde beneficiou de um "penalty" aos 17 minutos e com o resultado em 0-0. Ah, o quê? Não?? Pois, esperem lá...

 

A equipa sentiu mais uma vez a ausência de uma unidade a meio campo que preste maior apoio a Bruno Fernandes, para mim, juntamente com os erros de Jesus, o factor mais decisivo desta época. Adrien já não mora aqui, Battaglia, apesar de transportar a bola, não tem a qualidade de construção do antigo capitão e Wendel, que chegou em Janeiro, por 7 milhões de euros, nunca foi sequer testado e continua a apre(e)nder "conteúdos". Adicionalmente, Ristovski implica perda de qualidade quando comparado a Piccini, e Gelson e Bas Dost, ontem impedidos de jogar, seriam titulares em qualquer equipa do campeonato português.

 

Independentemente destas lacunas, o Sporting merecia ter ganho o jogo ou, pelo menos, não o perder. De um lado, uma equipa que teve a sua força no perfume do futebol apresentado, do outro, o time portista, que fez um futebol à base da força física. A ajudar à festa, o melhor árbitro português da actualidade, Artur Soares Dias, que começou por olhar e não ver, no campo e no vídeo, um claro "penalty" cometido por Dalot sobre Doumbia, evoluindo posteriormente para olhar, ver e não admoestar com cartões as sucessivas faltas cometidas por Maxi Pereira, o qual chegou ao ponto, imagine-se, de agarrar a bola para estorvar a acção de um jogador leonino (41 minutos), isto já depois de ter usado e abusado dos cotovelos e de outros truques. Nesta conformidade, parabolicamente falando, nem o vídeo-árbitro conseguiu ser o Bom Samaritano para repôr a injustiça cometida sobre a equipa leonina, situação da qual se alheou o conceituado Sacerdote do apito. Doravante, seria interessante ficarem estabelecidas as condições em que se poderá vir a marcar um castigo máximo contra a equipa da casa. Suspeito que a coisa passada ao papel implicaria uma declaração conjunta do Sindicato dos Jornalistas e da ERC de como as imagens recolhidas pelo vídeo-árbitro seriam reais e de uma perícia da Polícia Judiciária. Já em relação a expulsões de jogadores portistas, a condição sine-qua-non seria a entrada em campo de um médico legista, de forma a confirmar o óbito do avançado adversário, seguindo-se então, após esses preliminares burocráticos, a amostragem do cartão vermelho. Chegou a ser pensada esta actuação ser coordenada com o INEM, mas fontes do processo afirmam que a ideia foi afastada por se temer que os funcionários do Instituto viessem a ser mais parte do problema que da solução. Adiante...

 

A primeira parte foi jogada taco-a-taco. A cada ataque portista, respondiam os leões com um ataque. As hostilidades iniciaram-se com mais uma evidência (a quinta em duas semanas) de que Patrício fala com os postes e estes obedecem-lhe. Houve a tal penalidade não assinalada e, logo de seguida, Doumbia e Marega falharam golos cantados. Marcano marcou após uma paragem cerebral de todo o lado esquerdo da nossa defesa, Acuña e Mathieu incluidos. Tempo ainda para uma arrancada de Dalot, um trio de remates em promissora posição de Bruno Fernandes e um cruzamento deste para ... o fantasma de Dost. Parecia que o Porto ia saír para o intervalo na frente, mas no primeiro dos dois minutos de tempo de compensação concedido pelo árbitro, o Porto pagou a factura ... da entrada em campo do jovem Rafael Leão (substituiu o lesionado Doumbia).

 

A segunda parte praticamente iniciou-se com novo golo portista. Mais uma vez, Coentrão e Mathieu foram macios na abordagem, a bola viajou lateralmente na nossa área, Ristovski escorregou, falhou a (fácil) intercepção e deixou Brahimi isolado nas suas costas. A partir daí, o Sporting carregou. Coates rematou de cabeça e a bola, deflectida num defensor contrário, saiu rente à barra. Na sequência do canto, Bryan Ruiz acertou na intercepção entre o poste e a barra. O Porto apenas ameaçou por Aboubakar, em lance salvo em cima da linha por Battaglia. Entraram Ruben Ribeiro e Montero e ambos viriam a ser protagonistas de lances perigosos. O colombiano, após desvio de cabeça de Coates ("who else?"), rematou para a baliza, mas Casillas fez uma mancha extraordinária, tendo ainda sorte no ressalto. De seguida, Rafael Leão, isolado por um grande passe de Ruben, falhou por milímetros o golo, naquela que foi a última oportunidade do Sporting. Artur Soares Dias ainda viria a fazer mais uma asneira, ao precipitadamente parar um promissor contra-ataque leonino, para amarelar Herrera, apenas o segundo (e último) cartão visto pelos jogadores do Porto, já em tempo de descontos.

 

Em termos de exibições individuais, destaque para Bryan Ruiz, talvez o mais equilibrado durante os 90 minutos. Começou por salvar um golo sobre a linha de golo (no tal lance em que inicialmente a bola beijou o poste de Patrício), de seguida serviu Doumbia para a grande penalidade que ficou por marcar e terminou o primeiro tempo a isolar Leão para o único golo ... leonino. Ainda remataria aos ferros no segundo tempo e as suas acções tiveram sempre critério. Bruno Fernandes e William também fizeram um bom jogo e Rafael Leão mostrou que já poderia ter sido opção há mais tempo, tal o à vontade demonstrado. Na primeira vez que tocou na bola, marcou...

 

Nada a apontar a Jorge Jesus neste jogo. A ideia que fica é a de que se o treinador tem preparado todos os jogos desta época da mesma forma que preparou este, se calhar estariamos perfeitamente na luta e sem desperdiçar pontos como contra os "colossos" Vitória FC, Moreirense e Estoril. Além de ter achado que JJ esteve excelente na "flash-interview", devo mesmo dizer que, na minha opinião, venceu o duelo com Sergio Conceição, tanto nas diferentes nuances tácticas apresentadas na frente do seu ataque (Bruno Fernandes incluido), que confundiram o último reduto portista, como nas substituições operadas. Todos os jogadores que entraram no Sporting acrescentaram algo, enquanto a troca de Otávio por Corona desguarneceu o meio campo do Porto e a entrada de Reyes deu sinal de um retraimento que poderia ter sido fatal para as pretensões dos dragões. Não se pode, no entanto, olvidar, em jeito de balanço, que nos 9 jogos disputados até agora, contra equipas grandes, de Portugal e da Europa, o Sporting não venceu nenhum no tempo regulamentar, registando 4 empates e 5 derrotas. E estamos em terceiro lugar e fora da luta pelo título - o nosso principal objectivo da época - a 9 jornadas do fim, com um orçamento de custos com pessoal que é 3 vezes superior ao do início do(s) consulado(s) de Bruno de Carvalho, quando Leonardo Jardim era o treinador (segundo lugar final no campeonato).

 

A arbitragem de Soares Dias - o melhor juíz português - foi muito fraquinha, justificando a razão pela qual as fases finais dos últimos certames mundiais não contaram com árbitros nacionais.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bryan Ruiz

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