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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Made in Sporting

Para quem ainda tivesse dúvidas, esta semana provou que o Sporting é um clube formador, uma (os meus amigos benfiquistas que pensam ter descoberto a pólvora que me desculpem) Universidade. Clássica, por sinal, tal a discussão de Direito que ocorre nas nossas instalações. Também temos uma Faculdade de Economia, com mestrado em finanças, a funcionar praticamente 24 horas por dia, 365 dias por ano. Até nisso somos um "case study": quem diria que houvesse tantos especialistas entre os sportinguistas, estando Portugal em 111º lugar (entre 144 países), atrás do Chade ou do Burkina Faso, da Mongólia ou do Turquemenistão, num Ranking de Literacia Financeira elaborado pela prestigiada Standard&Poor? Adicionalmente, os sportinguistas vivem na expectativa dos comunicados à CMVM ou à CMTV ou lá o que é. Muito de vez em quando, lembramo-nos de que somos um clube desportivo, com grande vocação eclética e de aposta na Formação. Ontem, numa dessas raras ocasiões em que nos focamos na nossa missão, houve futebol em Alvalade. E mais de 40.000 não se esqueceram...

 

O jogo não foi bom, nem foi mau (afinal, ganhámos), foi antes uma coisa em forma de assim, como diria O`Neill. Assim-assim, mas não assim sim, pelo menos até ao momento em que o jovem Cabral (Jovane) descobriu o caminho marítimo até ao último portinho (da Arrábida) defendido pelo irmão do nosso Tobias ("or not" Tobias, Figueiredo, actualmente o xerife da defesa do Nottingham), Cristiano. Nani completou a ancoragem. Aliás, não deixou de ser irónico que os jogadores mais influentes em campo tenham sido exactamente os dois únicos formados em Alvalade. À atenção de todos os dirigentes e treinadores que têm passado pelo clube na última década, antes da chegada provável do próximo contingente de "ic(s)". 

 

O Sporting começou o jogo com o entediante sistema de duplo-pivot no meio-campo, algo que consiste, na prática, numa improvisada forma de jogarmos com menos um. De facto, com Misic (ou Petrovic) ao seu lado, Battaglia anula-se. Sem ele, solta-se e a equipa volta a jogar com onze. Mas, os nossos problemas não terminam aí. Jefferson, regressado a Alvalade, continua apostado em ligar o complicómetro (será que não dá para pôr uma providência cautelar, a fim de evitar que entre em campo nestas condições?) e Acuña mostra grande apatia (para não dizer azia) e o treinador vislumbra nele qualidades de interior. Se juntarmos a isto a, provavelmente, pior exibição de Bruno Fernandes (pareceu ter um problema no pulso, mas pode ter sido só um tique) de leão ao peito e as visíveis limitações físicas de Bas Dost, então se percebe porque qualquer adversário se assemelha a um gigante Adamastor. Adicione-se a oferta de Salin, no golo sadino, e a tarefa torna-se quase ciclópica, para mais quando do outro lado está um treinador que, desta vez sem precisar de recorrer a cambalhotas, consegue anular o nosso melhor jogador (Bruno Fernandes).

 

A nossa equipa vive de individualidades. Durante a maior parte do jogo, o Sporting não conseguiu produzir mais do que dois/três passes seguidos em progressão(!!!). Valeu o lance de inspiração de Nani que abriu o marcador, a jogada que deu origem ao segundo golo - com especial ênfase na temporização e centro perfeito de Jovane Cabral - e mais dois lances de bola parada que terminaram com a bola a beijar a barra da baliza vitoriana. Há jogadores como Lumor e Raphinha - ambos à espera de uma oportunidade para entrarem na equipa - que poderiam trazer outra velocidade ao nosso jogo, pois em termos de imprevisibilidade só podemos actualmente contar com a destreza técnica de Bruno Fernandes, Nani ou de Jovane. Geraldes já não mora aqui e Wendel ainda estará a aprender mandarim - para quê(?), ninguém sabe, ninguém responde -, razões pelas quais o nosso miolo (do campo) tem pouco "fermento". Salvam-se a qualidade de Coates e de Mathieu e a abnegação e comprometimento de Ristovski com o jogo, para evitar males maiores. Mas, de todas as insuficiências e até equívocos que ontem saltaram à vista, se pudesse alterar algo seria a dupla de pivots. Que bom seria que Peseiro lesse o poeta (Régio) quando diz "não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!". Enquanto tal não acontece, lá nos vamos safando com a qualidade de Bruno, Dost e da prata da casa. Nani e Jovane. "Made in" Sporting. Dá que pensar, não dá?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luís Nani

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Reload

Nao tenho vontade de falar dos últimos tempos, dos próximos. Leio, ouço, acompanho. Não gosto do que vivemos, não gosto dos ataques e faltas de respeito constantes. Custa-me que se confunda a instituição com comuns mortais, mas vivemos tempos assim. Mantenho-me à margem das discussões, votarei no dia para o efeito em quem entender.  Adiante. 

Começa hoje para nós novo campeonato de futebol (senior, A, masculino, não se vá julgar que é preciso dizer que o Sporting é mais que isso). Já aqui foi reforçada a necessidade (cada um fará como entende claro está) de nos unirmos nesta hora. 

Esperei pelo dia de hoje com alguma ansiedade. Agora abstraio de tudo o resto e sigo a equipa. Quero que sejam capazes, quero que estejam à altura. Se somos o underdog, que sejamos dignos.

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Hoje giro eu - Que a bola comece a rolar

Arranca o campeonato, temporada 2018/19, e com ele a análise aos principais favoritos:

  1. O Porto é uma nação, cujos alicerces estão assentes nas chuteiras dos jogadores de futebol do clube mais representativo da cidade. De pitões de alumínio, que até ao pescoço é canela e a alma portista voltou a ser a cola que une as peças todas. Como tal, parte à frente;
  2. No Benfica, Rui Vitória é o Arquimedes do futebol português. Versão melhorada. A sua máxima é "dêem-me três pontos de apoio (um pode não ser suficiente) e eu levantarei o `caneco`". A ter sempre em atenção, mesmo com o VAR;
  3. O Sporting parte como `underdog`. Poderá vir a melhorar com o decurso da competição, mas precisa ultrapassar o "complexo de vira-lata", como um dia classificou o genial Nelson Rodrigues a actuação do escrete brasileiro nas Copas do Mundo até 1958. Mais do que "ladrar", é preciso começar a "morder";
  4. Debaixo de água, no que toca à luta pelo título, mas ainda assim a respirar por um(a) Palhinha está o outro Sporting. O de Braga. A verdadeira razão pela qual o Sporting desistiu da sua equipa B. Abel, Ricardo Esgaio, Wilson Eduardo e... Palhinha estão aí para o provar.

Farto

Leio com espanto, na blogosfera leonina e na própria imprensa, que o Sporting ficou "afastado do título" anteontem à noite. Não é verdade. O Sporting disse adeus ao sonho de reconquistar o campeonato nacional de futebol há dois meses, a 2 de Fevereiro, quando foi perder ao Estoril, com o último classificado da Liga 2017/18.

Chegou lá em primeiro, saiu em terceiro. Despedindo-se não apenas do título mas da hipótese, ainda que remota, de aceder à Liga dos Campeões.

As coisas são o que são, não adianta varrer os assuntos incómodos para debaixo do tapete. Manda a mais elementar honestidade intelectual reconhecer estes factos. E apontar os responsáveis em vez de, bem à portuguesa, empurrarmos os problemas com a barriga.

Aqui há um responsável principal: é o treinador mais bem pago de sempre do futebol nacional, Jorge Jesus.

Por mim, estou farto. E não é de agora.

Um calendário infernal

Ninguém negará, mesmo em tempo de Páscoa: temos um calendário infernal pela frente. Aguardam-nos oito jogos difíceis, cada qual à sua maneira, para três competições diferentes.

 

O primeiro é já no próximo sábado, 31 de Março, às 20.30. Para a Liga, frente ao Braga - desafio a disputar na Pedreira Um campo sempre difícil: este ano não é excepção, tanto mais que a equipa bracarense - reforçada com o empréstimo de Jefferson e a transferência a título definitivo de Esgaio - está muito combativa. E até leva mais golos marcados.

Segue-se, a 5 de Abril, aquele que à partida parece ser o desafio mais complicado: o Atlético de Madrid-Sporting, com início previsto às 20.05 desse dia. Primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa. 

Após um intervalo curtíssimo, a 7 de Abril, joga-se o Sporting-Paços de Ferreira, novamente para a Liga. Não será nenhuma pera doce, até porque se adivinha que a nossa equipa virá desgastada de Madrid.

A 12 de Abril (quinta-feira), Alvalade recebe - seguramente com casa cheia - o Atlético de Madrid para a segunda mão da eliminatória da Liga Europa iniciada na capital espanhola. Jogo com início previsto para as 20.05.

Três dias depois, a 15 de Abril, disputa-se o Belenenses-Sporting, de novo para a Liga. Esperamos encontrar no Restelo menos dificuldades que o Benfica, incapaz de ali conseguir melhor do que um empate (1-1) à beira do fim.

A 18 de Abril, Alvalade volta a ter partida de gala: vai disputar-se o Sporting-FC Porto, desafio da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Partimos com desvantagem, pois na primeira mão os portistas venceram por 1-0. Mas aspiramos à presença na final do Jamor, como não podia deixar de ser.

O calendário prossegue com a partida Sporting-Boavista, na contagem decrescente para o campeonato, já então na recta final. O jogo está marcado para 22 de Abril.

Este calendário nada fácil do próximo mês futebolístico leonino conclui-se com outro embate para a Liga: o Portimonense-Sporting, previsto para 29 de Abril.

 

Um mês de alegrias?

Um mês de muito sofrimento?

Veremos o que acontece. Jogo a jogo, como é nosso timbre.

E vão 29 jogadores neste campeonato

Jorge Jesus estreou ontem Wendel no onze principal leonino.

Foi o 29.º jogador utilizado pelo treinador nas 27 partidas do campeonato já disputadas desde o início da época.

Destes 29, doze são portugueses (oito dos quais formados na Academia de Alcochete).

 

Eis a lista, por ordem de entrada em cena:

Rui Patrício

Piccini

Coates

Mathieu

Fábio Coentrão

William Carvalho

Adrien

Gelson Martins

Acuña

Bruno Fernandes

Bas Dost

Podence

Battaglia

Jonathan Silva

Bruno César

Doumbia

Iuri Medeiros

André Pinto

Alan Ruiz

Petrovic

Ristovski

Bryan Ruiz

Rúben Ribeiro

Montero

Lumor

Rafael Leão

Misic

Palhinha

Wendel

 

Na vossa opinião, quais são os cinco melhores e os cinco piores desta lista tão vasta, com mais de uma estreia por jogo em termos médios?

Não foi para isto

Mencionei antes o Rafael Leão - e não por acaso. Se há capítulo em que o Sporting tem falhado estrondosamente neste campeonato em que já não podemos ambicionar melhor que o segundo lugar, é no da finalização.

Reparo na tabela classificativa e confirmo a triste e lamentável realidade: temos neste momento menos 19 golos marcados do que o FC Porto, menos 18 do que o Benfica e - aqui a minha perplexidade dispara - menos seis golos do que o Braga.

Quando Jorge Jesus veio para Alvalade, há quase três anos, uma das expectativas que mais alimentávamos era de o ver reforçar o futebol de ataque do Sporting - em quantidade e qualidade. Expectativa só concretizada na primeira época, precisamente aquela em que treinou uma equipa mais herdada do que escolhida, ainda quase sem o seu dedo. E também aquela que contou, de longe, com o orçamento mais baixo.

Haverá quem encolha os ombros e considere isto normal. Eu não. Recuso-me a aceitar que, a nove jornadas do fim do campeonato, o nosso Sporting tenha menos golos marcados que o Braga.

Não foi para isto que contratámos o treinador mais caro do futebol português.

Até para o ano, campeonato

A nove jornadas do fim, acabamos de dizer adeus ao título. Derrotados no Dragão por 1-2, vemos agora o Porto a oito pontos de distância - que seriam nove, na prática, se fosse aplicado o critério do desempate.

Há quatro anos, com Leonardo Jardim ao leme da equipa técnica do Sporting, por esta fase também já nos tínhamos despedido do título.

Com uma diferença: nessa altura íamos em segundo, o que nos deu acesso imediato à Liga dos Campeões; desta vez seguimos em terceiro.

Com outra diferença: nessa altura tínhamos um plantel que custava menos de metade do actual e um treinador muito mais barato.

Vale a pena reflectir nisto. Desde já.

Já não dependemos só de nós

Deixámos de depender só de nós para a conquista do campeonato nacional. Há que reconhecer: a partir de agora, com o FC Porto situado cinco pontos à nossa frente, com mais 14 golos marcados e menos três sofridos do que o Sporting, este objectivo tornou-se bastante mais difícil. Sabendo-se, ainda por cima, que temos um calendário mais complicado do que os portistas e ainda há que cumprir uma deslocação ao estádio do Dragão.

Nunca é recomendável ansiar por hipotéticos tropeções de terceiros para compensar aquilo que devíamos ter feito mas deixámos por concretizar no momento próprio.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o canário na mina do carvão

A expressão "o canário na mina de carvão" deriva de uma prática antiga dos mineiros. Levado o canário para a mina, se este morresse era um sinal para os mineiros de que os níveis de monóxido de carbono estavam elevados, ou seja, havia um perigo iminente.

Na antevisão deste jogo, os sinais de alerta foram mais do que evidentes: a direcção insistiu na apresentação de uma proposta de revisão estatutária, em Assembleia Geral, que já se sabia iria dividir os sócios. Nesse transe, após uma reunião algo tumultuosa, o presidente ameaçou demitir-se. A equipa já vinha mostrando alguma falta de ideias e de fulgor. Faltavam Dost e Gelson. O treinador, em vez de moralizar aqueles que podia utilizar - e já depois dos episódios Wendel e Lumor - , entrou numa espiral de choradeira que incluiu um "Gelson e Dost são mais de 50% da equipa", chegando ao ponto de inventar os números de Gelson, dizendo que era o segundo melhor marcador e o melhor assistente (duplo erro, esse jogador é Bruno Fernandes) para melhor reforçar a sua argumentação. Depois, os jogadores, alegadamente, precisavam de tempo e treino para conhecerem as ideias de jogo do treinador e poderem jogar, mas Ruben Ribeiro entrou logo na equipa. Ah e tal, é porque é "avançado", explicou JJ, mas Rafael Leão, o único ala disponível com as características que Jesus precisa, continua fora das convocatórias. E assim, criando problemas e focando-nos em excesso neles, em vez de procurarmos soluções, lá nos deslocámos à Amoreira, curiosamente para defrontar uma equipa apelidada de "canarinha". Ele há coisas...

A manhã e início de tarde até começou bem para o clube. O Sporting provou uma vez mais ser a maior potência desportiva nacional, conquistando de uma assentada mais duas taças dos campeões europeias, mérito da aposta que o presidente tem feito nas modalidades, da organização da secção e da raça e querer dos atletas. 

Talvez por osmose, a nossa equipa de futebol continua a querer mostrar ser a mais eclética do mundo. Nos últimos jogos, ao vêr a circulação da bola, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, em sucessivas basculações, sem profundidade nem remates, esperando uma oportunidade para servir o "pivot" Dost, parecia-me que estávamos a ressuscitar o Andebol de 11. Noutros jogos, como referi neste espaço pela primeira vez a propósito da partida do Bessa, alguns jogadores pareciam tão amarrados que a coisa assemelhava-se a assistir a uma partida de Xadrez, com os peões a bloquearem-se mutuamente e tudo a ficar dependente das torres, porque "bispos", felizmente, não é para nós. Jogos houve onde a qualidade tenística de um jogador fez a diferença, como aconteceu na quarta-feira, quando Mathieu aplicou uma raquetada, um vólei, com o seu pé esquerdo. Pelos vistos para Vela é que não temos muito jeito, pois caso contrário ter-nos-íamos adaptado sem problemas aos conhecidos ventos do Estoril. Assim, fomos de vela. Lá está, a preparação é meio caminho para o sucesso. Em contrapartida, a equipa mostrou aptidão para o hóquei em campo, em especial o costa-riquenho Bryan Ruiz, tal a quantidade de cantos curtos que marcou, após ter entrado no relvado para, incompreensivelmente, substituir o até aí melhor jogador em campo do lado leonino, o lateral Fábio Coentrão. Enfim, muito jeito para várias modalidades, mas o futebol jogado é muito pouco...

Uma equipa rápida não é, necessáriamente, aquela que tem jogadores rápidos. Velocidade de pensamento e de execução, essa sim, é essencial. E o Estoril colocou isso em prática hoje, com Lucas Evangelista e Ewerton em grande evidência. Notou-se que a equipa da linha preparou bem melhor os lances de bola parada, nomeadamente, os cantos, resultando daí o seu primeiro golo. Nada que não pudesse ter sido trabalhado na ventosa Alcochete. De seguida, caímos no engodo de uma manobra de diversão criada por um avançado canarinho, que arrastou com ele Coates, deixando um estorilense na cara de Rui Patrício, o qual ainda defendeu a primeira tentativa, mas nada podia fazer para evitar a recarga. Talvez as coisas tivéssem sido diferentes, caso Bruno César não desperdiçásse uma oportunidade escandalosa e chegássemos ao intervalo a perder por dois de diferença.

No início do segundo tempo - já com Montero no lugar de Battaglia - perdemos vários golos. A equipa parecia determinada a dar a volta ao jogo, com William a comandar superiormente as operações. Fábio Coentrão subia proeminentemente pelo seu flanco, sempre na origem de lances de perigo, mas eis que, subitamente, e após o vilacondense ter sido admoestado com um cartão amarelo, Jesus decide tirá-lo do campo. Foi o canto do cisne. Com um Doumbia trapalhão, um Montero ausente do jogo, lento a executar e incapaz de jogar entrelinhas, um Ruben Ribeiro que engasga o jogo, flectindo sempre para o superpovoado miolo do terreno e um desinspirado e muito cansado Bruno Fernandes, a equipa, perdida a explosão que ia tendo pelo flanco esquerdo - até porque, concomitantemente, Acuña, hoje muito interventivo, recuou para lateral - perdeu a chama. Restava-nos Bryan Ruiz, mas este, no registo a que recentemente nos vem habituando, parece estar a executar bolas paradas com a bola em movimento...

Mathieu ainda tentou repetir (por duas vezes) a gracinha contra o Vitória de Guimarães, mas a sorte do jogo também não esteve connosco. São Patrício ainda evitou dois golos certos, mas já nada havia a fazer. O Estoril, bem preparado para as contingências deste jogo, foi um vencedor justo. Não sei se foi o adeus ao título, mas temo que esta derrota traga alguma desmobilização. De uma forma autofágica, como tão bem disse o Pedro Correia, continuamos a dar tiros nos pés. Não quero desprezar a equipa da Linha, mas hoje quem perdeu fomos nós. Sózinhos! Erros meus, má fortuna, a sina do costume...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fábio Coentrão

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Ponto de ordem

Não quero, neste concreto domingo, ver-nos dispersados e fragmentados em inúteis querelas intestinas nem ver levantada mais poeira inútil no bate-boca com outros clubes. E rejeito o empurrão real ou virtual de adeptos para a porta de saída, em inadmissíveis processos de purga interna semelhantes aos das seitas extremistas.
As batalhas travam-se em campo, não fora dele. E contra adversários, não contra companheiros de bancada.
Hoje, no Estoril, quero os três pontos. Simples e só.

Delay

Ontem, em Madrid, bem que busquei um Galamba para ver o líder. Ou um Inácio. Um Galinácio, para ser abrangente. Estavam difíceis, os de Guimarães e o stream. Finalmente, quase no fim, saiu prémio. Saltitão, pixelizado e empastelado, mas melhor que nada. Nesse momento apita o Livescore e diz-me que o Sporting marcou e o Twitter enche-se de verde. Grande sorte a minha. Mesmo a tempo de ver o líder tornar-se líder. Olho com atenção para o computador, vejo Acuña de costas para a felicidade rematar uma obra-de-arte e... pumbas. Freeze. É pá! Mas que ganda golo. No Twitter saúdam Mathieu. Que estranho. Era capaz de jurar que tinha sido o Acuña. Que porcaria de stream o meu. Até pinta os louros de escuro.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo de duplos

Era uma vez um gaulês recém-chegado a Alvalade. Alguma imprensa apresentava-o como cansado de duras batalhas travadas no país vizinho. Diziam que era alto, tosco, lento e atreito a lesões. A realidade mostrou-se diferente da percepção que a leveza ou preguiça criou no imaginário dos comentadores desportivos deste país à beira-mar plantado. É verdade que acertaram na sua compleição física - tem cerca de 1,90m -, mas Mathieu (é dele que estamos a falar) revelou-se como um homem ainda ambicioso e comprometido com o projecto do Sporting e um jogador extremamente rápido e de excelente técnica. Hoje, na ausência de Bas Dost e perante a inoperância de Doumbia e de Montero, o francês liderou o assalto ao castelo de Guimarães como se fosse o duplo perfeito do holandês. Posicionou-se no centro da área e com grande frieza "dostou", aplicando uma raquetada com o seu pé canhoto que colocou a bola no fundo das redes de Douglas, respondendo na perfeição a um cruzamento proveniente da esquerda, de Acuña.

Mathieu não foi o único duplo em campo. William, jogando numa nova posição (com Battaglia nas suas costas), imitou Adrien (embora ainda lhe falte remate) e Coentrão personificou o Coentrão de tempos idos, quando jogava no rival. Coincidência ou não, os três foram os melhores jogadores do Sporting esta noite, embora Acuña - excelente vólei a fazer lembrar o Zidane da final da Champions, aos 73 minutos - e Bruno Fernandes - o nosso jogador mais influente correu kilómetros e jogou fora da sua posição natural em claro sacrifício pela equipa - também tenham estado acima da média. Nos substitutos, Bruno César foi o que teve mais impacto no jogo.

O jogador que mais me desapontou foi Ristovski. Não porque eu não prefira Piccini, mas porque o macedónio falhou naquele único item em que o achava superior ao italiano: dar profundidade ao jogo. Também Ruben Ribeiro não esteve bem, empastelando bastante o jogo colectivo.

A noite de Alvalade ficou ainda marcada por uma ausência, um fantasma que pairou permanentemente sobre o relvado. Refiro-me ao nosso ala, Gelson Martins (e não Fernandes), cuja velocidade teria ajudado a desbloquear mais cedo a resistência vimaranense. Presente, e bem presente fisicamente, esteve o Daniel, mais o seu fervoroso e indomável espírito de leão, a quem dedico esta crónica, com o desejo de que possa ainda assistir a muitas e muitas jornadas gloriosas do seu/meu/nosso clube.

A equipa pareceu cansada, no seu 37º jogo da época. JJ diz que jogamos à italiana. Ainda tive esperança que tal envolvesse a Monica Bellucci, mas infelizmente não, é só mesmo aborrecido. Valeu a costela de Dost (a que não saiu lesionada) que há em Mathieu. E assim assumimos, à condição, o primeiro lugar do campeonato, numa noite em que Jesus mostrou sentido de Lumor ao confirmar a contratação do ex-portimonense. Nesse transe, só faltou ao treinador leonino, depois de ter referido a incapacidade do clube em contratar um jogador "assim-assim", dizer que o ganês foi comprado na Loja dos 300. Menos mal, pelo menos Lumor não terá pressão.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

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Hoje giro eu - Tempo de compensação

Na final da Taça da Liga, tendo o jogo sido interrompido durante 4 minutos e 36 segundos para consulta do VAR, o árbitro, Rui Costa, deu 5 minutos de desconto. Houve várias paragens para assistência a jogadores lesionados e 4 substituições (as outras duas não tiveram impacto pois foram efectuadas ao intervalo).

Hoje, no Belenenses-Benfica, o árbitro, Bruno Paixão deu 5 minutos de compensação. Houve menos paragens que no jogo do Sporting e mais substituições no segundo tempo (6). O lance de VAR durante os descontos demorou 36 segundos, pelo que se compreende que o jogo tenha sido prolongado esse tempo. Exactamente quando se esgotavam esses segundos adicionais houve a falta. Nada a dizer sobre a actuação do árbitro.

Considerando que existe uma recomendação para que cada substituição deva ser compensada em 30 segundos e mesmo dando de barato que as paragens para assistência a jogadores foram idênticas em ambos os jogos (2 minutos), então chegamos à seguinte conclusão: mais uma vez, nada a dizer sobre a actuação de Bruno Paixão, cumpriu com a lei; na final da Taça da Liga, considerando as 4 substituições (4x30 segundos=2 minutos) e a assistência a jogadores (2 minutos) ficaram a faltar ao jogo 3 minutos e 24 segundos...

Como se podem uniformizar estes critérios? E em que medida a nota de Rui Costa será prejudicada por este erro? 

Os marcadores dos nossos golos na Liga

Bas Dost 19

Bruno Fernandes 8

Gelson Martins 5

Acuña 3

Adrien

Coates

Mathieu

Battaglia

Fábio Coentrão

Bryan Ruiz

autogolo do Moreirense

 

«Bas Dost chegou à meia centena de jogos na Liga, em época e meia pelos leões. Em 2016/17, fez 31 jogos e agora leva 19, com 53 golos no total (34 em 2016/17 e 19 em 2017/18).»

 

Do jornal A Bola de ontem

Sofrer um penálti aos 94 minutos

São jogos como este que nos fazem perder campeonatos. Falhando muito à frente, tirando o pedal do acelerador antes do tempo, "defendendo" o magro 1-0 e cometendo uma grande penalidade ao cair do pano.

Foi o que sucedeu esta noite no Bonfim: quase nada esteve verdadeiramente bem. E quando quase nada está bem encurta-se muito a distância para quase tudo ficar mal.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coitus Interruptus

No final do jogo contra o Aves, Jorge Jesus queixara-se de que lhe faltava um jogador para acasalar com Bas Dost. Entretanto, chegou Fredy Montero, que ainda não pôde ser utilizado no Bonfim. Na sua ausência, Gelson Martins e Bruno Fernandes, constituíram, pelo perfume do seu futebol, um casal vistoso. Ainda na primeira parte, fruto do labor de ambos, o Sporting obteria o primeiro golo da noite.

Durante o resto do tempo, os leões dominaram por completo: Acuña tentou por quatro vezes, sempre com a mira alta, Coates penteou de cabeça rente ao ferro e Bruno Fernandes isolou Gelson, o qual perdeu o tempo de remate. O maiato, incansável, ainda remataria ao poste, depois de um bailado monumental dentro da área sadina. Tudo corria bem até ao último reduto da virtude setubalense, mas havia sempre alguma inibição no momento da concretização. "Um golo é como um orgasmo", sentenciou o bibota, Fernando Gomes, aludindo ao êxtase que se apodera de um ponta-de-lança quando faz balançar as redes, pensamento hoje arredado da mente dos jogadores leoninos e, especialmente, do seu matador, Bas Dost. O excelente holandês, farto de esperar por alguém que combinásse consigo, proactivamente tentou acasalar com Bruno, em vez de fazer abanar o "véu da noiva", desperdiçando mais uma oportunidade flagrante.

O Vitória, que só ameaçara num lance de João Amaral, acabaria por marcar inesperadamente já nos descontos de tempo, provando o velho adágio de que "até ao lavar dos cestos é vindima". Edinho, de penálti, mais uma vez, não perdoou, à semelhança do ocorrido na Taça da Liga do ano passado, ameaçando tornar-se o carrasco de Jesus.

Apesar do frustrante empate, não atribuo responsabilidades ao treinador leonino. Quem me lê, sabe que demonstro sempre apreensão quando vejo prosápia a mais e alguma gabarolice, mas hoje Jesus terá sido o menos culpado. Afinal, pode pôr a equipa a jogar competentemente, a criar sucessivas oportunidades, mas não lhe cabe a ele marcar golos.

De positivo, para além de mais uma boa exibição de Bruno Fernandes - meu Deus, o quanto este jogador está acima de todos os outros... - de destacar a melhoria de forma de William Carvalho, irrepreensível esta noite no Bonfim.

Em conclusão: Bobby Robson, em 1993, afirmou que ao Sporting faltava "killer Instinct". Vinte e cinco anos depois é o que se vê. Podemos mudar de presidente, de treinador, de jogadores, mas enquanto não erradicarmos isso...

Nessa conformidade, lá voltámos a ficar atrás do Porto. Parece que só nos orientamos quando os temos como referência, como Norte, estrela Polar. Isso explicaria a razão pela qual Acuña passou todo o segundo tempo a visar a Ursa Menor.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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  102. O
  103. N
  104. D