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És a nossa Fé!

Craque também é estrela... de televisão!

O nosso craque e capitão, Bruno Fernandes, é sem dúvida um fora de série. Daqueles que deixam sempre um boa marca nos relvados por onde passam.

Todos lhe atribuímos mérito pela carreira que fez no Sporting, na derradeira época (e espero que continue a fazer!!!). Os passes, os remates, os dribles, a visão de jogo tudo faz parte das fantásticas características do nosso médio.

No entanto jamais imaginaria que um dia poderia ver o nosso capitão numa telenovela portuguesa. Ei-lo aqui em "Alma e Coração" na SIC.

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Desafio

Quem deve ser o substituto de Bruno Fernandes no caso, mais do que provavel, do capitão sair? A meu ver, teriam que chegar um médio ofensivo e um extremo de muita qualidade, para combater o vazio deixado. As minhas apostas seriam Rodrigo De Paul, médio argentino de 25 anos, da Udinese e Cristian Pavón, extremo da mesma nacionalidade, de 23 anos, do Boca Juniors. (Bem sei que não são baratos mas se recebermos 60 a 70 milhões por Fernandes, acredito que possamos investir metade). 

Armas e viscondes assinalados: Aquele tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada

Sporting 2 - FC Porto 2 (5-4 no desempate por grandes penalidades)

Taça de Portugal - Final

25 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista. Muitas e boas defesas contribuíram  para a vantagem leonina – uma das quais a resolver o enorme disparate que o próprio guarda-redes fez ao deixar a bola nos pés de Herrera –, desfeita no último lance do prolongamento, e quando chegou o desempate por grandes penalidades voltou a dar espectáculo, travando o remate de Fernando Alexandre para que o compatriota Luiz Phellype pudesse selar a conquista da Taça de Portugal. Sendo o sétimo desempate por grandes penalidades consecutivo a pender para o lado do Sporting, tendo os últimos a mão enluvada de Renan, só se pode falar de lotaria dos pénaltis se for o tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Começou em ritmo de catástrofe, entregando a bola a Octávio em posição frontal. Atirado para o relvado do Jamor devido ao castigo de Ristovski, também ele foi amarelado muito cedo, algo que só contribuiu para hesitações no momento de abordar os adversários. Para a história desta final poderia ter ficado outra jogada em que se alheou olimpicamente de uma bola que sobrou na grande área do Sporting para o pé, felizmente desastrado, de Soares. Prova viva de que a sorte protege os limitados, nada de verdadeiramente irreversível fez antes de sair, aos 65 minutos, para a entrada de Tiago Ilori e a gradual transformação da equipa num 3-5-2.

 

Coates (3,5)

Poderia ter feito bem melhor no lance do primeiro golo do FC Porto, perdendo preciosas fracções de segundo a reclamar do controlo de bola com o braço de Herrera antes de o mexicano cruzar para a cabeça de Soares. No resto do jogo esteve ao seu elevado nível, mesmo quando arriscou a expulsão ao fazer um corte com a mão, cumprindo o seu dever sem excessiva angústia quando chegou a hora do desempate.

 

Mathieu (4,5)

O exercício do direito de opção por mais um ano de contrato é muito bonito, mas talvez seja altura de pensar numa estátua equestre do veterano francês. Marega ultrapassou-o em drible e velocidade uma única vez, pagando esse atrevimento com uma sucessão de cortes e desarmes que deverá ter feito com que o maliano tenha passado a noite acossado pelo francês nos seus pesadelos. Pior maldade só quando Mathieu ainda sacou um amarelo a Soares ao preparar-se para conduzir a bola na direcção-geral ao meio-campo contrário.

 

Acuña (3,5)

Teve menor influência no relvado do que é seu bom e costumeiro hábito, o que não invalidou que aparecesse na hora certa, fazendo assistências para os golos de Bruno Fernandes (com ajuda de Danilo Pereira) e de Bas Dost (com ajuda de Felipe). Digamos que para uma exibição tão pouco “à Acuña” acabou por ser mesmo muito frutífera. Com ou sem a saída do capitão torna-se imperioso manter o internacional argentino vestido de verde e branco.

 

Gudelj (3,0)

Num jogo muito difícil, perante um adversário que ao longo de quase toda a segunda parte encostou o Sporting às cordas, fez o possível para que, no mínimo, fosse possível chegar àquela fase da lotaria em que a cautela está sempre premiada. Lutou muito, mesmo que abusando do futebol para a frente, até atingir o limite físico que forçou a substituição. Num lance que poderia ter cancelado os festejos deixou-se antecipar por Herrera, mas o maior quota parte de responsabilidade seria do passe negligente de Renan, única mácula de uma exibição mesmo muito boa do guarda-redes.

 

Wendel (3,0)

Detido durante a semana por conduzir sem carta e em contramão, manobrou o melhor que conseguiu num meio-campo cheio de gente vestida de azul e branco que não estava nada interessada em sair dali com as mãos a abanar. Esta final não foi o seu momento de glória, mas poderia muito bem tê-lo sido, bastando para isso que o seu forte remate cruzado à entrada da área do FC Porto, raro momento ofensivo numa segunda parte de caça ao leão, preferisse rasar o poste do lado de dentro da baliza.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Na hora dos festejos foi um verdadeiro capitão, não se esquecendo de Nani, Montero, Marcelo, Viviano, Lumor, José Peseiro e Tiago Fernandes (Castaignos, lá onde estiver, compreenderá a omissão, tal como qualquer outro de quem o autor deste texto se esteja a esquecer...) ao mesmo tempo que pedia desculpa aos adeptos por não ter conseguido juntar o título de campeão às duas taças conquistadas. Antes, dentro do relvado, deu início às hostilidades com um remate de fora da área, aproveitando uma nesga de terreno e instantes de afrouxamento na vigilância que lhe foi sempre dispensada, com o qual testou a resistência das luvas de Vaná. Pior saiu a interacção entre chuteira e bola ao enfrentar um (bastante bom, fica bem reconhecer) cruzamento rasteiro de Diaby, mas no final da primeira parte compensou a falha com um remate forte e espadaúdo que tocou em Danilo e foi parar ao fundo das redes. Feito o 1-1, seguiu-se o dilúvio. Muito castigado pelos adversários, que contaram com um “laissez faire, laissez passer” em que o árbitro Jorge Sousa foi bastante coerente consigo, não conseguiu que lhe saíssem bem as raras tentativas de passes de 30 ou 40 metros para pôr os colegas na cara do golo. Terminou o prolongamento com as pilhas esgotadas, ao ponto de agarrar Wilson Manafá e receber o cartão amarelo, mas nos pénaltis voltou a demonstrar eficiência germânica, o que leva a temer que as mesmas pessoas que acharam boa ideia verter dezenas de milhões de euros por Renato Sanches voltem a atacar, como se não bastassem os dois clubes de Manchester e outros que tais... Daqui até ao fecho do mercado, ou até à mais do que provável comunicação de facto relevante à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o sonho lindo e impossível de todos os sportinguistas é ver o capitão manter a braçadeira e conduzir a equipa ao fim do jejum.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter sido um dos maiores heróis da final se o remate em posição frontal, mesmo à entrada da grande área, ao qual Vaná não tinha capacidade de reagir, tivesse saído enquadrado. Não quis o destino que assim fosse, o que terá lançado nuvens carregadas sobre a exibição do extremo brasileiro, como se constata pela fraquíssima taxa de sucesso nos duelos individuais quando havia possibilidade de apanhar o FC Porto em contrapé. A nota positiva deve-se, por incrível que pareça, a acções defensivas, sobretudo o corte arriscadíssimo que fez com mestria no instante antes de o completamente isolado Brahimi poder fuzilar a baliza de Renan.

 

Diaby (2,5)

Pouco há a acrescentar acerca do fosso entre as capacidades do maliano e as exigências de um plantel que permita ao Sporting suplantar os rivais mais directos na Liga. Mesmo assim é de inteira justiça reconhecer que, logo na primeira parte, Diaby fez dois cruzamentos de elevada qualidade – Pepe esticou-se todo para impedir que a bola sobrasse para Luiz Phellype no primeiro, e Bruno Fernandes meteu mal o pé no segundo –, fruto do inegável empenho com que tenta superar os seus vícios intrínsecos. Posto isso, como tantas vezes sucede, foi desaparecendo do relvado até Marcel Keizer decidir retirá-lo por entre uma profunda alteração táctica.

 

Luiz Phellype (3,0)

Mais um jogo de muita luta para o brasileiro que custou aos cofres leoninos 12 vezes menos do que o maliano. Colocado na zona de influências de fulanos como Pepe e Felipe, poucas oportunidades teve para ganhar bola de costas para a baliza e também lhe faltaram reflexos para aproveitar um falhanço do central que nasceu brasileiro e assim se mantém. Também poucos efeitos práticos teve a coabitação com Bas Dost, mas o certo é que lhe coube marcar, com toda a confiança, o pénalti que deu a Taça ao Sporting. Para quem começou a época no escalão inferior não se poderia pedir muito mais, levantando legítimas expectativas de que na época de 2019/2020 possa revelar-se o príncipe que foi prometido neste tipo muito particular de Guerra dos Tronos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Partilha com a ex-“Morangos com Açúcar” Mariana Monteiro uma característica pouco habitual: não está melhor aos 26 anos do que era aos 19. Colocado em campo para a necessária saída de Bruno Gaspar, revelou-se tão ou mais permeável aos ataques portistas do que o colega, sendo ultrapassado com extrema facilidade quando lateral-direito e quando terceiro central. Perceber se é possível recuperar 0 tempo perdido é um dos desafios da sua carreira e também do clube que o resgatou em troca de uma quantidade de dinheiro equivalente à que recebeu no desastrado e inexplicável processo que levou ao empréstimo com opção de compra do ex-futuro titular indiscutível Demiral.

 

Bas Dost (3,5)

Entrou, viu e esticou a perna no momento certo, tirando partido do desvio de Felipe ao cruzamento de Acuña. Foi o melhor regresso a uma final da Taça de Portugal para o holandês, tendo em conta que na anterior tinha uma ligadura na cabeça e planos para rescindir contrato. Voltou a demonstrar uma taxa de eficácia ao nível que lhe deu fama, ganhando ainda diversos duelos aéreos, apesar de ter ficado perto de borrar a pintura ao atirar à barra no início do desempate por grandes penalidades. O que vale é que Pepe foi um cavalheiro, repetindo o seu gesto técnico, e Renan resolveu.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Substituiu Gudelj e atribuiu mais fôlego e velocidade ao meio-campo. Dir-se-ia que, acima de tudo, ganhou experiência e traquejo para novas conquistas.

 

Jefferson (3,0)

Foi a estranha aposta de Marcel Keizer para a quarta substituição que o prolongamento permitiu, posicionando-se no meio-campo enquanto Acuña permanecia falso lateral-esquerdo. Aproveitou a força que tinha nas pernas para ganhar bola e até chegou a rematar para as mãos de Vaná. Caso tenha sido o último jogo com a camisola do Sporting – cenário provável, ainda que falte um ano de contrato –, teve uma despedida em beleza.

 

Marcel Keizer (4,0)

Aprendeu bastante com a derrota no Estádio do Dragão, embora tenha voltado a lutar com armas desiguais, ao ponto de poder vangloriar-se que venceu a Taça de Portugal com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Assoberbado pela vaga ofensiva do FC Porto na segunda parte, optou por uma transição suave para o sistema de três centrais, numa receita que foi resultando mesmo sem os melhores ingredientes, e a sorte parecia destinada a proteger o audaz até aquela última jogada do prolongamento em que o adversário fez ruir a muralha defensiva. Os pénaltis escreveram verde e branco por linhas tortas e obteve o segundo troféu na sua ainda curta estadia em Alvalade, começando desde já a tarefa hercúlea de preparar uma temporada na qual quase de certeza não poderá contar com o homem de todos os recordes.

Oh captain, my captain...

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Sinto enorme orgulho em ser do Sporting. Todos sabemos o sofrimento por que passámos há um ano, não adianta continuar a chover no molhado. Hoje ganhámos com sangue, suor e lágrimas, lutando até final, com uma raça digna de verdadeiros leões, perante um adversário de grande categoria, com um plantel bem superior ao nosso, dispondo de mais soluções.

Considero um privilégio ter visto Bruno Fernandes vestindo a verde e branca, envergando a braçadeira de capitão, erguer a taça, um dos melhores jogadores de sempre na história do clube, um atleta de classe mundial, que liderou a equipa em campo, ao longo da época inventou golos que decidiram jogos.

Na minha qualidade de sócio com 42 anos de filiação no clube, quero agradecer a Sousa Cintra e restantes membros da Comissão de Gestão, pela estabilidade que devolveram ao clube após o período de desvario directivo. Não concordo com todas as decisões que tomaram, mas certamente fizeram o possível atendendo às circunstâncias. Obrigado ao presidente Frederico Varandas e restantes membros dos actuais órgãos sociais. Não foi fácil aturarem a suspeição, o insulto, as sucessivas delirantes teorias conspirativas, levantadas quase diariamente por um grupo de órfãos ou viúvas, adepto do rufia que em boa hora destituímos. A cada vitória das nossas cores a azia dos tristes aumenta, cada golo que sofremos lá estão esses tristes apontando o dedo. Para esses um conselho, aproveitem a pré-época para decidirem se querem ou não continuar sportinguistas, ou arranjem uma vida. O vosso guru é que não volta mais, não o queremos no clube.

Obrigado Marcel Keizer e todo o plantel, a vitória é vossa, entraram na galeria dos vencedores na história do nosso clube. Muitos de vós foram assobiados por energúmenos que duvidaram do vosso profissionalismo. Contra ventos e marés, venceram. E vamos continuar a vencer, porque o Sporting Clube de Portugal voltou ao bom caminho.

Pódio: Bruno Fernandes, Mathieu, Renan

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Tondela pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 16

Mathieu: 16

Renan: 16

Gudelj: 15

Raphinha: 15

Wendel: 14

Acuña: 14

Luiz Phellype: 12

Coates: 12

Borja: 11

Ilori: 10

Ristovski: 8

Bas Dost 6

Diaby: 1

 

A Bola e o Record elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. O Jogo optou por Mathieu.

Armas e viscondes assinalados: Um chega-para-lá em vários sonhos

Sporting 1 - Tondela 1

Liga NOS - 33.ª Jornada

11 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Mal o jogo tinha começado quando lhe apareceu um adversário isolado pela frente e  teve de fazer uma mancha que desviou a bola da linha de golo. Passado esse susto, tinha tudo para passar a noite a pôr a leitura em dia, pois o primeiro tento dos leões prenunciava a goleada que deixaria o Tondela perto de poder competir na mesma divisão que a oficial equipa B do Benfica, quando o diligente árbitro Tiago Martins contou com a prestimosa ajuda do videoárbitro para descortinar uma agressão de Ristovski num chega-para-lá que nem motivou protestos da suposta vítima da fúria macedónia além do tradicional mergulho para o relvado. Seguiram-se mais de 50 minutos em que o Sporting jogou com menos um sem que o brasileiro tivesse trabalhos de maior – intervindo sobretudo para gerir atrasos de bola e demonstrar que melhorou bastante nos lançamentos longos – até à fatídica ocorrência do golo do empate, aquele que elimina o sonho de ainda chegar ao segundo lugar através de uma conjugação não muito provável de resultados. Nada pôde fazer para suprir o mau posicionamento dos colegas, ao contrário do que fizera antes, quando teve rins suficientes para assegurar que um remate desviado nas pernas de Coates passaria do lado mais tranquilo do poste. E selou a exibição com elevada classe ao afastar um livre directo muito bem cobrado em posição frontal.

 

Ristovski (2,0)

Talvez seja coisa de apreciador dos livros de Chuck Palahniuk e dos filmes de Quentin Tarantino, mas é difícil ver uma agressão no lance insólito que deixou o Sporting com dez em campo mais de meio jogo e aumentou as hipóteses de o Tondela se manter no escalão principal mais um ano. Sendo a terceira expulsão do lateral-direito nesta época – uma delas por ter feito um corte em carrinho em chegou primeiro à bola e a outra por gritar com o árbitro que não assinalou falta depois de um adversário lhe desferir uma cotovelada na testa –, há que pensar se  não será melhor mudar-se para um campeonato em que os macedónios sejam menos perseguidos, como a Sérvia ou a Grécia. No que toca às ocorrências antes desse lance há que reconhecer que Ristovski esteve muito activo na ala direita, combinando bem com Bruno Fernandes e Raphinha e tendo intervenção directa no lance em que foi assinalado pénalti a favor do Sporting. Enfrentar o FC Porto duas vezes sem o seu contributo – embora não fosse má ideia tentar a despenalização para a final da Taça – foi a pior de muitas más notícias da noite.

 

Coates (3,0)

Falhou no lance do golo da Tondela, tal como uma panóplia de colegas, esteve quase a encaminhar a bola para a própria baliza num ressalto e não tirou partido das várias ocasiões em que cabeceou na grande área contrária. À parte isto, o central uruguaio teve a garra de sempre e voltou a apostar nas incursões pelo meio-campo contrário que ainda virão a dar resultado antes da segunda vinda de Cristo (espera-se que não a do outro Jesus...).

 

Mathieu (3,5)

Merecia ter marcado o golo da vitória no remate acrobático com que respondeu ao cruzamento de Raphinha após percorrer toda a ala esquerda em sprint. Não foi a única ocasião em que tirou partido da frescura física que faltava a vários colegas desgastados pela inferioridade numérica, pelo que a vontade que confessou em manter-se por Alvalade mais um ano deve ser encarada de forma muito séria pela SAD leonina. Entre muitas intervenções num jogo em que até começou por não conseguir desfazer uma burrice alheia, destacam-se um livre directo cobrado pouco acima da barra e um corte providencial que evitou aborrecimentos a Renan Ribeiro.

 

Borja (2,0)

Ainda corria o primeiro minuto quando fez um passe disparatado para o seu meio-campo que fez isolar o adversário que chegou primeiro à bola do que Mathieu e testou as capacidades de Renan. Mas as suas debilidades técnicas e gritante falta de soluções fizeram-se notar outras vezes, sendo curioso que tenha melhorado ligeiramente ao assumir o corredor direito, na sequência da expulsão de Ristovski. Embora nada se tenha perdido quando cedeu o lugar a Ilori.

 

Gudelj (2,5)

Outro que teve um jogo com que não contava, vendo-se muitas vezes em inferioridade numérica na sua zona de acção. Destacou-se pouco, sem nada de particularmente errado fazer.

 

Wendel (3,0)

Melhor do que na goleada à Belenenses SAD, o jovem brasileiro exerceu influência no meio-campo e não se furtou a roubar bolas aos adversários. Foi com uma ponta de estranheza que se assistiu à sua substituição quando Keizer apostou tudo na procura do segundo golo.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Parte dos sonhos deste jogo passavam pelo capitão, que provavelmente se terá despedido do Estádio de Alvalade. Nomeadamente a marcação de um número de golos suficientes para assegurar a liderança dos melhores marcadores. O primeiro chegou cedo, num pénalti a castigar um agarrão a Luiz Phellype, mas por aí ficou a conta, até porque a necessidade de ocupar outros terrenos após a expulsão afastou Bruno da zona de tiro. Mesmo assim poderia ter feito o segundo golo, bem servido por Raphinha, mas permitiu a defesa de um guarda-redes com nome de apresentador de programa das manhãs. Não faltará quem fosse capaz de abdicar de uns dedos das mãos ou dos pés se em troca ficasse mais um ano no Sporting, algo que este escriba assegura que sucederá caso vença um jackpot acumulado do Euromilhões nas próximas semanas.

 

Raphinha (3,0)

Autor de cruzamentos magníficos que foram pornograficamente desaproveitados por colegas, pena é que não se tenha lembrado de testar um daqueles potentes remates que prometem transformá-lo numa grande estrela.

 

Acuña (3,0)

É da raça que nunca se vergará, como já toda a gente percebeu, e caso tenha sido o último jogo em Alvalade será sentida a sua falta. Somou desarmes e intercepções que ajudaram a aliviar o sufoco na segunda parte. E quando avança pelo terreno só o conseguem travar em falta.

 

Luiz Phellype (2,5)

Terminou a série magnífica de jogos consecutivos a marcar, responsável por ter recebido o prémio de melhor avançado da Liga Nos em Abril. Tirando o lance do pénalti, no qual foi agarrado pelo eterno Ricardo Costa quando procurava rodar o corpo para marcar, esteve sobretudo em foco pelas oportunidades falhadas. Uma das quais particularmente escandalosa, ao atirar para as bancadas a recarga a um remate de Bruno Fernandes, embora não tenha ficado melhor na fotografia ao atirar ao lado do poste ao isolar-se frente a Cláudio Ramos. Antes de ceder o lugar ao inefável Diaby ainda desviou de cabeça um pontapé de canto para uma grande defesa do tondelense. Sentiu nesse instante o peso da maldição e pontapeou o poste, felizmente sem que o videoárbitro avisasse Tiago Martins para mostrar cartão vermelho por tamanha violência.

 

Tiago Ilori (2,5)

Voltou a ser chamado, desta vez para lateral-direito, antecipando as novas oportunidades nos próximos jogos com o FC Porto. Nem sempre esteve à altura, mas se não lhe aparecessem tantas vezes adversários em duplicado talvez tivesse corrido melhor.

 

Bas Dost (2,5)

Entrou para ajudar a fazer o 2-1 que permitiria sonhar com o segundo lugar durante pelo menos 24 horas. Integrou-se no ataque, distinguindo-se nos duelos aéreos mas sem ter oportunidades para fazer a diferença.

 

Diaby (2,0)

Uma arrancada com bola, embalado pelo tipo de velocidade em que ninguém consegue agarrá-lo, é o que tem para mostrar nos escassos minutos que lhe permitiram.

 

Marcel Keizer (3,0)

Há que reconhecer coragem ao treinador holandês na forma como apostou tudo na vitória após o golo do empate do Tondela. Não estava escrito nas estrelas que fosse possível contrariar as circunstâncias, e a expulsão de Ristovski pode abrir um buraco no Jamor (Bruno Gaspar está lesionado e Thierry Correia vai para o Mundial de Sub-20), mas Keizer pode aproveitar para começar a refazer a equipa.

Pódio: Bruno Fernandes, L. Phellype, Gudelj

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Belenenses SAD-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 23

Luiz Phellype: 20

Gudelj: 19

Bas Dost: 18

Raphinha: 18

Idrissa Doumbia: 17

Acuña: 17

Diaby: 16

Borja: 16

Ristovski: 16

Wendel: 15

Coates: 15

Mathieu: 15

Renan: 13

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Armas e viscondes assinalados: Muriel abriu a porta para a tarde histórica de Bruno

Belenenses SAD 1 - Sporting 8

Liga NOS - 32.ª Jornada

5 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

As circunstâncias muito particulares de um jogo praticamente unidirecional levaram que, ultrapassado um ligeiro susto inicial, fosse chamado a fazer apenas duas defesas apertadas a remates rasteiros. Quis o azar que na segunda ocasião criada pela equipa forçada a chamar casa ao Jamor ninguém se lembrasse de chegar primeiro â bola do que Licá, que reduziu para 1-2 uma desvantagem a que ainda faltavam meia-dúzia de golos do Sporting.

 

Ristovski (3,0)

Seguro a conter os raros ataques do adversário, integrou-se bem melhor no ataque do que o colega na ala oposta. Embora nada perdesse em calibrar melhor os seus muitos cruzamentos.

 

Coates (3,0)

O sossego de ter passado quase todo o jogo com mais um em campo não o inspirou para as habituais cavalgadas pelo meio-campo contrário.

 

Mathieu (3,0)

Somou a dose habitual de bons cortes e saídas rápidas para o ataque, mas cabe-lhe parte da culpa do lance do único dos nove golos da tarde que não foi marcado por jogadores de leão ao peito.

 

Borja (2,0)

Além da participação directa no golo da Belenenses SAD, com uma perda de bola lamentável, voltou a demonstrar flagrantes limitações no domínio e condução de bola que fazem pensar que terá uma agência de comunicação melhor do que aquela que trata do esquecido Tiago Ilori.

 

Gudelj (3,5)

Pertenceu-lhe a primeira grande oportunidade do Sporting, com um remate de longe numa jogada de insistência nascida do primeiro e menos grave disparate cometido pelo guarda-redes Muriel. Calhou que um adversário estivesse atento à linha de golo, pelo que só na segunda parte pôde festejar, vendo a bola que chutou sem aviso prévio embater no rosto do ex-leão André Santos, enganar o guarda-redes também ex-leão Guilherme Oliveira, e alojar-se nas redes. Esse afortunado 1-3 foi a melhor resposta possível ao golo de Licá e ainda a melhor escrita direita por linhas tortas numa exibição segura, cheia de vitórias em duelos directos e que tem o inconveniente de poder levar a SAD a ponderar pagar o salário que o sérvio auferirá se continuar em Portugal após o final do empréstimo.

 

Wendel (2,0)

Um cartão amarelo exibido numa fase precoce do jogo pode ter condicionado em demasia o jovem brasileiro, capaz de pedir meças ao colombiano Borja pelo título de sportinguista mais infeliz na insuspeita tarde de glória em que a equipa igualou o recorde de maior diferença de golos num jogo para o campeonato disputado fora de casa. Sem saudades na lembrança disse adeus aos 67 minutos, cedendo o lugar a Idrissa Doumbia. Augura-se que tenha melhor desempenho aquando do regresso ao Jamor, mais para o final do mês.

 

Bruno Fernandes (5,0)

Começou por ter intervenção na jogada mais marcante do jogo, fazendo o passe genial a desmarcar Raphinha que levou Muriel a derrubar o extremo e a ver um cartão vermelho directo. Chegou a pensar-se que igualaria logo então o recorde de Alex, tornando-se o meio-campista a marcar mais golos numa só época em qualquer campeonato europeu, mas o livre directo saiu mal, tal como os restantes remates desferidos na primeira parte. Melhor esteve a assistir Luiz Phellype de calcanhar para o segundo golo leonino e temeu-se que a tarde não fosse de glória individual quando, já depois do intervalo, o avançado brasileiro retribuiu e o capitão do Sporting rematou na passada, vendo Guilherme Oliveira tirar-lhe um belíssimo golo. Não terá sido por acaso que pouco festejou o primeiro que marcou, na cobrança de um pénalti a punir falta sobre Luiz Phellype, mas já se permitiu ser efusivo quando o colega foi altruísta ao ponto de lhe passar a bola para fuzilar a baliza escancarada após conseguir desviar-se do atormentado guardião saído do banco. De igual forma, apadrinhou o regresso de Bas Dost com um passe de mestre para o primeiro remate que permitiu ao holandês fazer a recarga para golo. E ainda selou o “hat-trick” com um remate oportuno a corresponder a um daqueles centros que Acuña sabe fazer. Ao 50.° jogo da temporada estilhaçou um recorde europeu, fez pela primeira vez três golos de rajada e permitiu que o Sporting ainda sonhe com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões tanto quanto ele sonhará ser o melhor marcador da Liga NOS. Próxima paragem: o Sporting-Tondela que os adeptos encaram como tremendamente agridoce por ser a mais do que provável despedida antes da dupla jornada no Dragão e no Jamor que todos esperam ser de ainda maior glória.

 

Raphinha (3,5)

Começou endiabrado, aproveitando um erro de Muriel para rematar contra Luiz Phellype, caído no relvado após chocar com o irmão do guarda-redes mais caro do Mundo. Ao segundo erro do guarda-redes não havia nenhum colega entre a sua chuteira e a baliza, pelo que o extremo pôde inaugurar o marcador com a mesma destreza com que se isolou e foi atropelado por Muriel numa jogada seguinte. A primeira parte fulgurante ter-se-á reflectido na quebra de rendimento no segundo tempo, acabando por ser substituído pelo igualmente fenomenal (ainda que não no mesmo sentido) Diaby.

 

Acuña (3,5)

A presença de um lateral-esquerdo assaz menos dotado de engenho e arte do que ele tem um efeito estranho no argentino. Claramente menos acutilante do que é seu bom costume, ainda deu nas vistas na primeira parte ao combinar com Luiz Phellype na grande área adversária numa tentativa de arranjar espaço para o remate. Sempre integrado nas movimentações ofensivas, fez um cruzamento perfeito para o terceiro golo da conta de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (4,0)

O sétimo golo numa série de seis jogos consecutivos a marcar na Liga NOS foi um remate oportuno e possante, à imagem do seu autor, que começou o jogo a acorrer a um disparate do tão massacrado Muriel, tentou pentear a bola num cruzamento de Bruno Fernandes e acabou por ser atrapalhado por Coates quando estava em posição frontal, já depois do intervalo. Nem a presença no banco de alguém no escalão de IRS de Bas Dost o perturbou, sofrendo um pénalti devido a uma antecipação rápida antes de contornar Guilherme Oliveira em jeito e velocidade para servir Bruno Fernandes. Saiu com a missão cumprida e não será fácil retirar-lhe a titularidade.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Nem a boa exibição no jogo anterior convenceu Marcel Keizer de que é a melhor opção para a posição mais recuada do meio-campo, devolvida a Gudelj após cumprir um jogo de suspensão. Ainda assim tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.

 

Bas Dost (3,5)

Esteve sorridente no banco, esteve sorridente no aquecimento e esteve sorridente no relvado. Sobretudo porque mal tinha entrado para o lugar de Luiz Phellype e já estava a receber um passe de Bruno Fernandes (ou “aquele que aparece tantas ou mais vezes neste texto quanto Muriel”) que o deixou cara a cara com o guarda-redes, regressando aos golos na recarga. Bem mais dinâmico do que andava antes dos quase dois meses de ausência, também enviou uma bola ao poste e fez uma excelente simulação que abriu literalmente caminho ao golo de Idrissa Doumbia.

 

Diaby (2,5)

É tecnicamente correcto atribuir-lhe uma assistência, mau grado divida a maior parte da responsabilidade pelo oitavo e último golo do Sporting com um cavalheiro holandês cujo passe custou quase tantos milhões de euros quanto o seu. Dar-lhe melhor nota do que a Borja e Wendel só por causa disso é um erro de sistema assumido.

 

Marcel Keizer (4,0)

Claro que o início do jogo pareceu uma cornucópia de facilidades, por entre oportunidades de golo oferecidas e uma expulsão precoce. Mas não deixa de haver muito mérito na forma como a equipa soube encarar o jogo, mau grado tenha entrado em campo na plena consciência de que o título de campeão se tornara matematicamente impossível na véspera (lutar pelo segundo lugar no Dragão será possível caso o aflito Nacional do aprumado Costinha vença o FC Porto na próxima jornada). Houve bom futebol, intensidade quase generalizada e substituições acertadas, culminando num resultado mais apropriado ao tempo dos Cinco Violinos.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

 

Da nossa maior goleada da época. Conseguida hoje, no Estádio Nacional, frente ao Belenenses SAD: 8-1. Num desafio de total supremacia leonina, facilitada pelo facto de termos actuado com mais um jogador a partir do minuto 21 devido à expulsão do guarda-redes Muriel. Foi um dos nossos triunfos mais dilatados de sempre em jogos disputados fora.

 

De termos concretizado a décima vitória consecutiva. Nove jogos sempre a vencer para o campeonato nacional somados ao nosso triunfo na meia-final da Taça de Portugal frente ao Benfica: Marcel Keizer, apenas em seis meses, acaba de superar a melhor série de desafios vitoriosos conseguidos em três anos no Sporting por Jorge Jesus.

 

De Bruno Fernandes. Tarde de sonho para o capitão do Sporting: três golos marcados. O que o torna no melhor marcador de sempre do futebol europeu para um jogador que actua na sua posição. Leva já 31 golos marcados nesta temporada - 19 no campeonato, onde também já fez 17 assistências. Hoje marcou o quarto, de grande penalidade, aos 70'. Depois, o quinto, aos 75' (assistência de Luiz Phellype). E o sétimo, aos 84' (assistência de Acuña). Outra grande exibição do melhor em campo, que é também o melhor do campeonato português.

 

De Raphinha. Voltou a ser um elemento crucial no onze leonino. Foi ele a inaugurar o marcador, aos 10', aproveitando um brinde do guardião adversário com um pormenor de grande virtuosismo técnico, marcando com o pé direito, o seu pior, numa execução rapidíssima. Aos 20', quando se encaminhava para a grande área, foi derrubado em falta pelo guarda-redes, o que valeu a expulsão ao infractor. E assim pôs o Sporting a jogar com mais um até ao fim.

 

De Luiz Phellype. Soma e segue: sétimo golo em seis jogos consecutivos da Liga 2018/2019. Voltou a ser crucial, marcando o segundo do Sporting, aos 45'+1. E foi dele a assistência para o quinto. Já ganhou por mérito próprio lugar no plantel e na admiração dos adeptos pela sua eficácia e pela sua inegável entrega ao jogo.

 

Do regresso de Bas Dost. O holandês voltou a jogar após 57 dias de ausência. E não podia ter regressado de forma mais feliz: entrou aos 76', substituindo Luiz Phellype, e no minuto seguinte já estava a marcar, na primeira vez em que tocou na bola. Festejou com imensa alegria, partilhada por todos os seus colegas, numa imagem inequívoca de saúde anímica da nossa equipa. Ainda rematou ao poste (83') e revelou um pormenor de grande classe, na simulação feita aos 90' que permitiu o golo de Idrissa.

 

De dois estreantes a marcar: Gudelj e Idrissa Doumbia. Já haviam tentado várias vezes, mas só hoje conseguiram. O sérvio apontou o terceiro, aos 65', num pontapé que acabou por rumar à baliza por ter sido desviado por um defesa azul; o jovem marfinense, num remate forte e bem colocado, no último minuto de jogo, correspondendo com êxito a um centro de Diaby. 

 

De termos aproveitado muito bem as oportunidades. Os nossos remates à baliza, nesta partida, resultaram quase todos em golos.

 

De ver o Sporting como segunda equipa mais goleadora do campeonato. Ultrapassámos o FC Porto, tendo agora mais golos (70 contra 68) e levamos mais 18 do que o Braga. Números que falam por si.

 

Do horário. O jogo começou pouco depois das 17.30, numa tarde de sol. Fez lembrar outros tempos, de boa memória. O futebol em Portugal deve voltar a ser um jogo mais diurno do que nocturno.

 

Da homenagem prestada pelas nossas claques a Casillas. Um gesto de grande desportivismo que merece ser enaltecido.

 

Do bom augúrio desta vitória. Terá funcionado como ensaio geral para a final da Taça de Portugal frente ao FC Porto? Esperamos que sim. Para já, serviu para exorcizar a derrota contra o Aves ocorrida no mesmo local há quase um ano.

 

 

 

Não gostei

 
 

Da convocatória. Uma vez mais, Francisco Geraldes e Miguel Luís ficaram de fora. Nem o facto de termos entrado para este jogo já com o terceiro lugar garantido, mercê de nova derrota do Braga, convenceu Marcel Keizer a apostar nos jovens da nossa formação.

 

De ver dois centrais no banco. Numa partida contra o Belenenses SAD, não seria mais pertinente que Ilori ou André Pinto cedessem lugar a um colega de características ofensivas?

 

Da ausência de Jovane. Esteve no banco, mas de lá não saiu: Marcel Keizer preferiu lançar Diaby aos 76', substituindo Raphinha. Por mim, preferia que a opção tivesse sido outra.

Confiança no Sporting

Desde que o líder espiritual de certa seita foi destituído, seus apóstolos quais arautos da desgraça não se cansaram de alertar a nação sportinguista para os enormes perigos que o clube corria. A cartilha foi sendo actualizada, primeiro não deveríamos ter feito regressar nenhum dos jogadores que rescindiram, apelidados de ratos e traidores pelos patetas que tentaram puxar o clube para a lama, uns tristes, incapazes de desfrutarem da presença de Bruno Fernandes, jogador de classe mundial, daqueles que raramente nos aparecem. Depois, começada a época, não iríamos além do 7º lugar, mais tarde afinaram o discurso que terminaríamos em 4º lugar atrás do Sporting de Braga. Falharam, iremos terminar o campeonato em 3º lugar, nas últimas 5 épocas conseguimos duas vezes o segundo lugar e três vezes o terceiro lugar.

Estamos na final da taça, o que também conseguimos duas vezes nas últimas 5 épocas, a última perdida com a equipa apresentando-se no Jamor psicologicamente destroçada pelas razões que conhecemos.

Incapazes de contestar os números, hoje o discurso é que Marcel Keizer não serve para treinar o Sporting, porque não aposta na formação. Dez vitórias seguidas para o campeonato, eliminação do rival na meia-final da taça de Portugal, para estes tristes não são suficientes para permitir ao holandês preparar e iniciar a próxima época. Pelo meio vão levantando sucessivas teorias mais ou menos conspirativas sobre venda de jogadores e diminuição da aposta nas modalidades, sempre na tentativa vã de desestabilizar o clube e minar a credibilidade dos actuais órgãos sociais. Desiludam-se, não irão conseguir lograr os seus intentos, porque a esmagadora maioria dos sócios não o permitirá. Querem mesmo ir a votos?

Hoje vitória histórica 1-8 diante do rival Belenenses, hat-trick de Bruno Fernandes, que acaba de se tornar o médio mais goleador na história do futebol mundial. Até Gudelj que tem sido com frequência o elo mais fraco, hoje conseguiu marcar e Bas Dost não poderia pedir mais, para um goleador que regressa após crise, nada melhor que marcar. Sem dúvida que o Sporting Clube de Portugal está no bom caminho.

Armas e viscondes assinalados: Começou com ph elevado e terminou a curar insónias

Sporting 2 - Vitória de Guimarães 0

Liga NOS - 31.ª Jornada

28 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

A forma diligente como acorreu à bola mal dominada pelo único adversário que se conseguiu isolar na primeira parte (e em todo o jogo) evitou que só entrasse verdadeiramente em acção por volta dos 90 minutos, ao agarrar um cabeceamento que foi o mais aparentado com um remate de que a equipa visitante foi capaz. Só não sucumbiu ao tédio devido ao hábito irritante que os colegas têm de perturbar o seu descanso com atrasos de bola.

 

Ristovski (3,0)

Formar ala com um colega que estava em modo “one-man show” não permitiu que se integrasse assim tanto no ataque, embora tenha ficado perto de marcar num remate atabalhoado que embateu num defesa. Já nas missões defensivas cumpriu quase sempre, contribuindo para anular os criativos do Vitória de Guimarães.

 

Coates (3,5)

Aquela sua vontade indomável de fazer um golo à Maradona, caso o argentino fosse um gigante desengonçado, esteve perto de se concretizar num dos raros momentos do Sporting após o 2-0 que não pareceram uma experiência de cura de insónias digna de Nobel da Medicina: o uruguaio recebeu a bola atrás da linha do meio-campo, avançou pelo relvado entre o drible e a capacidade de resistir a tentativas de desarme, chegou a entrar na grande área contrária, levando atrás de si um quarteto de adversários, e... atrapalhou-se na hora H. Quer a fortuna que seja muito mais concentrado nas funções que justificam o salário que aufere, contribuindo para que chegar ao apito final sem golos sofridos esteja a tornar-se menos insólito. E não é todos os dias que os adeptos vêem alívios na grande área executados com pontapés de bicicleta.

 

Mathieu (3,5)

Só não conseguiu marcar aquilo que seria um grande golo, num livre directo em zona frontal, ainda muito distante da baliza, que todos pensaram destinar-se a Bruno Fernandes. Miguel Silva esticou-se o suficiente para ser o desmancha-prazeres que nenhum dos colegas sem luvas nas mãos conseguiu ser para o francês. Tanto assim que, pouco a pouco, deu por si a avançar cada vez mais e já não só pelo corredor esquerdo, pois chegou a fazer um grande passe a partir do miolo do terreno que foi desperdiçado por Bruno Fernandes.

 

Acuña (3,0)

Terá feito uma falta, ainda fora da grande área, que não foi assinalada e esteve na origem da jogada do primeiro golo. O facto de ter ficado ligado a um lance em que o árbitro Rui Costa poderia ter prejudicado o Sporting e não o fez já chegaria para assegurar um lugar ao argentino no museu do clube – embora o facto de o Vitória de Guimarães ter chegado a recuperar a posse de bola entre a falta não assinalada e a assistência de Bruno Fernandes para o golo de Raphinha torna-se, segundo regras do videoárbitro mais difíceis de entender do que os universos paralelos dos filmes da Marvel, impossível de reverter –, mas voltou a mostrar que dele se pode esperar tudo e mais alguma coisa. E a falta de aproveitamento de tudo o que fez no jogo em nada desmente tal afirmação.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Muito mais mexido do que o castigado Gudelj, assegurou bem melhor o transporte de bola – numa das suas arrancadas foi derrubado de tal forma que o árbitro rompeu a linha com que tinha cozido o bolso de onde se tiram os cartões amarelos – e deixou claro que lá por ser o futuro não deixa de fazer parte do presente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, ultrapassado o castigo interno da excursão a Turim, esforçando-se por carrilar jogo. Não esteve brilhante, nem particularmente inspirado na hora de puxar a perna para trás e rematar, mas nada deve temer: é dos poucos visíveis que os carecas holandeses gostam mais.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Terminou o jogo a passo, bastante irritado com o árbitro, os adversários, os colegas e aquele tipo que lhe aparece no espelho quando não faz a barba. Até pareceu tentar forçar o amarelo que o afastaria da primeira das deslocações que o Sporting tem agendadas ao Jamor – na próxima semana será só para defrontar o Belenenses SAD –, permitindo que o golo com que irá bater o recorde de meio-campista mais goleador de sempre na Europa ocorresse na provável e temida despedida ao Estádio de Alvalade, quando o Sporting receber o Tondela. Antes disso fez trinta por uma linha aos adversários, servindo Luiz Phellype, Raphinha e (infelizmente) Diaby para ocasiões de golo que ficaram por concretizar, tal como só conseguiu torturar o poste ao lançar uma bomba, de ângulo quase impossível, servido por Raphinha. Retribuiu a gentileza com o passe monumental com que o brasileiro inaugurou o marcador e foi adiando o momento mais esperado por si e pelos mais de 40 mil adeptos que enchiam as bancadas. Só que nunca chegou. Não por falta de tentativa, pois Bruno empenhou-se em fazer grandes golos, daqueles que não precisam de notário para terem assinatura reconhecida (uma bomba em arco saiu bem perto do alvo...), tentou fazer golos normais (isolado por Raphinha, fez a bola passar rasteira e rente ao poste) e assistiu vários colegas que, por enorme azar, por vezes se chamavam Diaby.

 

Diaby (1,5)

Voltou a homenagear os Xutos & Pontapés, nomeadamente os célebres versos “nunca dei um passo/que fosse o correcto/eu nunca fiz nada/que batesse certo”. Além de um controlo de bola calamitoso e de passes disparatados, tornando um suplício para as bancadas pressentir a hipótese de o verem a ter intervenção nas jogadas, rematou sempre de forma deficiente ao usufruir de passes que o deixavam de frente para aquela caixa em que é suposto enfiar a bola. Não chegou ao nível “volta Sinama-Pongolle, estás perdoado”, mas andou lá perto.

 

Raphinha (4,0)

Começou o recital com um remate fortíssimo que a barra devolveu e ficou perto de marcar de cabeça antes de executar um cruzamento teleguiado que Luiz Phellype desviou para o poste mais distante, tal como antes servira Bruno Fernandes para outra agressão aos ferros da baliza Vítor Damas. Melhor sorte e engenho teve ao receber o passe de Bruno Fernandes, desviando-se de Miguel Silva apenas o suficiente para conseguir ganhar posição para um remate imparável. Desfeito o nulo, mesmo sem festejar por respeito ao antigo clube, sentenciou o destino dos vimaranenses no início da segunda parte, fazendo o que quis do defesa que o tentou cobrar até servir Luiz Phellype para o 2-0. Até ao fim não desistiu de marcar e de ajudar a marcar, embora tenha ficado progressivamente contaminado com o adormecimento em curso no jogo leonino. Em linguagem de “A Guerra dos Tronos”, dir-se-ia que pode ser ele o “príncipe que foi prometido” da temporada 2019/2020.

 

Luiz Phellype (3,5)

Dois remates à barra e ao poste, com os pés e com a cabeça, ambos logo na primeira parte, foram a prova de que pretendia continuar uma série que a todos surpreende e transforma os problemas físicos de Bas Dost numa nota de rodapé. Sempre pronto a lutar pela equipa, voltou a estar no sítio certo à hora certa, desviando para o fundo das redes o cruzamento rasteiro de Raphinha. Vão cinco jogos consecutivos a marcar na Liga NOS, com meia-dúzia de golos assaz prometedores para quem chegou a parecer mais um equívoco.

 

Borja (2,5)

Entrou para lateral-esquerdo quando Keizer reparou na nulidade de Diaby, levando a que Acuña se adiantasse no terreno. Não se pode dizer que os dois tenham combinado especialmente bem, ou que o colombiano tenha sido particularmente esclarecido na sua actuação, mas nada fez de muito errado.

 

Miguel Luís (2,0)

Teve direito a mais alguns parcos minutos, destinados sobretudo a fazer descansar Wendel. Integrou-se sem problemas num meio-campo desde há muito concentrado em fazer os minutos passarem até ao apito final.

 

Jovane Cabral (1,5)

Entrou em cima dos 90 minutos, ainda a tempo de fazer um disparate que resultou num contra-ataque prontamente contido pelos colegas.

 

Marcel Keizer (3,0)

A sua equipa dominou completamente a quinta melhor equipa da Liga NOS (ainda que nem sempre o pareça), marcou dois golos, não sofreu nenhum e levou a bola a embater quatro vezes nos ferros da baliza. E ainda assim ouviu assobios das bancadas à medida em que se dedicou durante metade da segunda parte a fazer circular a bola entre os defesas e os guarda-redes, reduzindo o ritmo do jogo até à “flatline”. Não foi bonito, após um excelente arranque e muitas provas de virtuosismo individual e de trabalho colectivo, mas pode ser explicado com a necessidade de gerir esforço. Mais difícil de explicar é a aposta em Diaby, apesar dos pesarosos pesares, tal como a demora nas substituições e a incapacidade de retirar alguns jogadores mais esgotados.

Pódio: Bruno Fernandes, L. Phellype, Acuña

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Aves-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Luiz Phellype: 17

Acuña: 17

Gudelj: 16

Coates: 16

Wendel: 16

Ristovski 15

Salin: 14

Mathieu: 14

Raphinha: 12

Idrissa Doumbia: 11

Renan: 7

Diaby: 5

Jovane: 1

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

 

De ver mais um obstáculo superado. Vencemos o Aves por 3-1. Não serviu para nos vingarmos da derrota de Maio de 2018, no Jamor, quando vimos fugir a Taça de Portugal frente à mesma equipa, mas funcionou como confirmação de que este Sporting 2018/2019 está numa das melhores fases - em termos de organização colectiva, de maturidade táctica e superioridade em campo. Consolidamos o terceiro lugar, aumentando a pressão sobre o Braga.

 

De Bruno Fernandes. Mais uma vez, a figura em foco: foi o melhor em campo. Esteve nos três golos leoninos. Primeiro aos 24', com o lançamento lateral e uma tabelinha com Acuña antes de o argentino cruzar. Depois aos 44': foi ele a marcar o livre directo de que resultou o golo apontado por Mathieu. Finalmente, aos 84', quando marcou o terceiro, a passe de Ristovski. Um grande golo de cabeça, à ponta de lança, que desfez as últimas dúvidas quanto ao desfecho da partida. E ainda fez dois bons remates de meia-distância, aos 12' e aos 65', forçando o guarda-redes adversário a defesas muito difíceis. É agora o segundo melhor marcador da Liga: já a meteu 16 vezes lá dentro.

 

De Luiz Phellype. Os números comprovam: o brasileiro foi mesmo uma boa aquisição no defeso do Inverno. Terceiro jogo a titular no campeonato, quarto golo marcado. Hoje inaugurou a vitória do Sporting, num lance em que apareceu muito bem posicionado na área do Aves, perto do primeiro poste e cabeceando com êxito para o segundo. Se continua assim, quase faz esquecer o lesionado Bas Dost.

 

De Acuña. O argentino concilia dois grande atributos: veste fato de gala e fato-macaco. É tecnicista e carregador de piano. Hoje tomou conta do corredor esquerdo, onde impôs a sua superioridade como lateral com vocação ofensiva, num jogo em que actuámos quase todo o tempo com menos um. E ainda foi dele a assistência para o primeiro golo.

 

Do 2-1 que se registava ao intervalo. Mesmo a jogar só com dez, o Sporting soube reagir muito bem à inferioridade numérica, numa exemplar lição de resistência, tanto no plano físico como anímico - prova inequívoca de que a equipa está em bom nível. Na segunda parte, fizemos mais um golo. E o segundo lance mais perigoso foi nosso também.

 

Da aposta de Marcel Keizer em Jovane. O jovem luso-caboverdiano voltou a integrar o onze titular do Sporting. Infelizmente só esteve 5 minutos em campo: o técnico viu-se forçado a substituí-lo devido à expulsão de Renan, que teve de dar lugar a Salin. Jovane não mostou desagrado nem fez má cara. E assistiu ao resto da partida no banco.

 

Do balanço dos últimos jogos do Sporting. Sete vitórias consecutivas, seis das quais na Liga, e há dez jogos sem perder. A melhor sequência desta temporada. O caminho faz-se caminhando.

 

 

 

Não gostei

 
 

Da expulsão de Renan. Jogámos mais de 90' com menos um devido à precipitação do guarda-redes, que sai sem necessidade dos postes, quando Mathieu tinha o lance controlado e faz uma falta igualmente desnecessária sobre o adversário, derrubando-o. Recebeu o cartão vermelho e forçou Keizer a queimar uma substituição, trocando Jovane por Salin.

 

Da deprimente falha de RaphinhaIsolado frente ao guarda-redes, muito bem servido por Wendel a culminar um lance rapidíssimo que envolveu também Luiz Phellype, o brasileiro deu um toque a mais, parecendo sofrer de fobia da baliza, permitindo assim que um defesa adversário desviasse a bola da rota. Gorou-se assim, aos 58', uma excelente oportunidade de ampliarmos o resultado. Aos 82', Raphinha viu um amarelo: ficará fora do próximo jogo, contra o Nacional, por acumulação de cartões.

 

De Gudelj. Outra exibição sofrível. Da apatia do sérvio, incapaz de travar uma jogada perigosa de Luquinhas no corredor central, resultou uma situação de perigo que forçou Salin a cometer falta para grande penalidade, tendo daí resultado o golo solitário da equipa visitada. Após a saída de Gudelj, substituído aos 71' por Idrissa Doumbia, o nosso meio-campo melhorou claramente, permitindo a Wendel soltar-se para espaços onde rende mais para a equipa.

 

Do golo sofrido. Mantém-se a tradição nos nossos jogos disputados fora para este campeonato: excepto num, até agora, nunca saímos invictos. A excepção aconteceu no Marítimo-Sporting, que terminou empatado a zero.

Pódio: Bruno, Wendel, Luiz Phellype

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Rio Ave pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 19

Wendel: 18

Luiz Phellype: 18

Mathieu: 16

Acuña: 15

Coates: 15

Gudelj: 15

Ristovski: 15

Jovane: 14

Renan: 14

Diaby: 13

André Pinto: 12

Bruno Gaspar: 12

Borja: 12

 

A Bola e o Record elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. O Jogo optou por Wendel.

Pódio: Bruno, Acuña, Gudelj, Raphinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Benfica pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 21

Acuña: 17

Gudelj: 16

Raphinha: 16

Borja: 15

Renan: 15

Wendel: 14

Coates: 14

Luiz Phellype: 14

Mathieu: 14

Ilori: 13

Diaby: 13

Bruno Gaspar: 13

Idrissa Doumbia: 6

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Armas e viscondes assinalados: O nome dele é lenda

Sporting 1 - Benfica 0

Taça de Portugal - 2.ª Mão da Meia-Final

3 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Raras são as tardes e noites em que não recolhe uma bola do fundo da baliza. Mas assim sucedeu ao encontrar o poderoso ataque de um Benfica incapaz de fazer um remate em condições ao longo de todo o jogo. E ainda teve a bondade de afastar para canto, logo na primeira parte, o mais próximo de uma ocasião de perigo que a equipa visitante conseguiu arranjar.

 

Bruno Gaspar (3,0)

É provável que na hora dos festejos tenha conseguido que Rafa perdesse a cabeça ao ponto de ser expulso por dizer “para dar conta de vocês basto eu”. Elevado à categoria de “disco pedido”, por entre a sucessão de oligofrenias que resultou na expulsão e castigo a Ristovski, o lateral-direito de recurso até começou o jogo a assustar o facilmente assustável Svilar com um remate de longe que saiu ao lado. Com o passar dos minutos perdeu fulgor, enfrentou adversários mais versados na arte de chutar bolas do que ele, mas cumpriu até ao momento em que Marcel Keizer abdicou do seu contributo para apostar ainda mais no único resultado que interessava.

 

Coates (3,0)

Cumpriu sem deslumbrar, mas também sem dar os sinais de erro sistémico observados no jogo anterior. E convém admitir que os artistas vestidos de encarnado ajudaram ao final feliz.

 

Mathieu (3,5)

Limpou o que tinha a limpar, subiu no terreno quando foi preciso, e terminou um jogo com a satisfação que os adeptos teriam caso resolvesse anunciar que adia a reforma por mais uma temporada.

 

Borja (3,0)

Ficou muito bem na capa dos jornais desportivos agarrado às costas de Bruno Fernandes. Também nada fez de mal enquanto esteve em campo.

 

Gudelj (3,5)

Não só começa a orientar os remates para a baliza adversária, dando por terminada a guerra contra os apanha-bolas, como controlou de forma bastante eficaz as veleidades contrárias. 

 

Wendel (3,0)

Mais uma exibição plena de esforço, dedicação e devoção, desta vez coroada com glória, que pôde ser testemunhado “in loco” por Jorge Jesus, o treinador que o viu chegar a Alvalade, em troca de um punhado de milhões de euros, e preferia pôr Misic a jogar.

 

Raphinha (3,0)

A recuperação de bola no lance do golo do Sporting foi uma demonstração de capacidade de luta de quem se arrisca a assumir a responsabilidade de fazer o Sporting grande outra vez na próxima temporada. Mas para que tal suceda é bom que vá melhorando a pontaria nos remates.

 

Acuña (3,5)

Ainda não é muito clara a sua motivação no final do jogo, quando teve de ser agarrado pelos colegas para não cometer algo de que decerto nem se arrependeria. Sendo debatível que tenha os maiores tomates do Mundo, como divulgou a sua legítima esposa, ninguém duvida que se trata do jogador mais combativo do plantel leonino. E um dos dois ou três mais capazes de ficarem a dormir com a bola quando vão jantar a casa dos seus pais.

 

Bruno Fernandes (4,0)

O nome dele é lenda, preparando-se para bater recordes que tornam menos agridoce a perspectiva de que só vá fazer, na ausência de lesões ou castigos, mais oito jogos com o leão ao peito. Depois de ter deixado o Sporting com a porta do Jamor entreaberta, mercê de um livre directo memorável na primeira mão, carimbou o acesso à final da Taça de Portugal com um remate forte e colocado que nem um guarda-redes de elevada qualidade defenderia. Antes disso já fustigara a barra da mesma baliza com um livre directo a punir uma falta em que Pizzi o rasteirou por trás e sem amarelo quando se preparava para rematar. 

 

Luiz Phellype (3,0)

Desta vez não marcou, ainda que o tivesse tentado com intenção e técnica. Mas esteve particularmente bem de costas para a baliza, complicando a vida aos centrais encarnados.

 

Tiago Ilori (3,0)

Não ganhava ao Benfica desde a adolescência. Espera-se que retome esse bom hábito.

 

Diaby (3,0)

É tecnicamente correcto dizer que fez a assistência para o golo de Bruno Fernandes, e esse passe rápido e eficiente para quem sabe fazer melhor do que ele compensa todas as diabyices cometidas no relvado.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para segurar o resultado e descansar Wendel sem que fosse preciso utilizar algum produto da Academia de Alcochete.

 

Marcel Keizer (3,5)

Escolheu a noite certa para acertar nas substituições, nas adaptações tácticas no decorrer do jogo e sabe-se lá no que mais. Só Bruno “Lenda” Fernandes tem mais responsabilidade do que ele na hora e meia feliz que permite ao Sporting pós-invasão a Alcochete ter a possibilidade de fazer melhor nesta temporada do que naquela em que Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins ainda estavam no plantel, Battaglia não era um lesionado de longa duração e Bas Dost mantinha o estatuto de máquina de fazer golos.

O novo violino

 

 

«Eu [Bruno Fernandes], o ritmista febril

Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira,

Para quem, por baixo da metáfora aparente,

Como em estrofe, anti-estrofe, epodo o poema que escrevo,

Que por detrás do delírio construo

Que por detrás de sentir penso

Que amo, expludo, rujo, com ordem e oculta medida,

Eu ante ti quereria ter menos de engenheiro na alma,

Menos de grego das máquinas, de Bacante de Apolo

Nos meus momentos de alma multiplicados em [golo]*

 

(…)»

 

Álvaro de Campos | Fernando Pessoa

 

(*) verso, na versão original.

Adulteração minha colocada em parêntesis rectos

 

In: Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993

Proposta de negócio!

Após a vitória no dérbi de ontem à noite, com uma vez mais Bruno Feranades (o regressado) em grande evidência, fico com a ideia de que este "craque" como lhe chamaram os repórteres da Antena 1, dificilmente ficará mais uma época no Sporting. Mesmo que lhe paguem o dobro do que estão a pagar agora...

Ao mesmo tempo li, ainda esta semana, que o jornal "A Marca" mui ligado ao Real Madrid apresentou treze, repito treze jogadores, numa lista de dispensas para a próxima época.

Ainda do que li, entre eles estariam Bale, Benzema, Isco, Varane...

Ora bem... seria a altura ideal para os dirigentes do Sporting perguntarem aos responsáveis do clube merengue se a notícia é verdadeira e se o fosse fazer uma simples proposta de negócio: nós ficaríamos com os jogadores dispensados e o Real ficaria com o nosso capitão.

Não receberíamos dinheiro mas pela quantidade e qualidade dos atletas do Real, para a próxima época ficaríamos com uma belíssima equipa...

Doutor Varandas já pensou na eventualidade deste negócio?

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