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És a nossa Fé!

Pódio: Bruno Fernandes, L. Phellype, Acuña

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Aves-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Luiz Phellype: 17

Acuña: 17

Gudelj: 16

Coates: 16

Wendel: 16

Ristovski 15

Salin: 14

Mathieu: 14

Raphinha: 12

Idrissa Doumbia: 11

Renan: 7

Diaby: 5

Jovane: 1

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

 

De ver mais um obstáculo superado. Vencemos o Aves por 3-1. Não serviu para nos vingarmos da derrota de Maio de 2018, no Jamor, quando vimos fugir a Taça de Portugal frente à mesma equipa, mas funcionou como confirmação de que este Sporting 2018/2019 está numa das melhores fases - em termos de organização colectiva, de maturidade táctica e superioridade em campo. Consolidamos o terceiro lugar, aumentando a pressão sobre o Braga.

 

De Bruno Fernandes. Mais uma vez, a figura em foco: foi o melhor em campo. Esteve nos três golos leoninos. Primeiro aos 24', com o lançamento lateral e uma tabelinha com Acuña antes de o argentino cruzar. Depois aos 44': foi ele a marcar o livre directo de que resultou o golo apontado por Mathieu. Finalmente, aos 84', quando marcou o terceiro, a passe de Ristovski. Um grande golo de cabeça, à ponta de lança, que desfez as últimas dúvidas quanto ao desfecho da partida. E ainda fez dois bons remates de meia-distância, aos 12' e aos 65', forçando o guarda-redes adversário a defesas muito difíceis. É agora o segundo melhor marcador da Liga: já a meteu 16 vezes lá dentro.

 

De Luiz Phellype. Os números comprovam: o brasileiro foi mesmo uma boa aquisição no defeso do Inverno. Terceiro jogo a titular no campeonato, quarto golo marcado. Hoje inaugurou a vitória do Sporting, num lance em que apareceu muito bem posicionado na área do Aves, perto do primeiro poste e cabeceando com êxito para o segundo. Se continua assim, quase faz esquecer o lesionado Bas Dost.

 

De Acuña. O argentino concilia dois grande atributos: veste fato de gala e fato-macaco. É tecnicista e carregador de piano. Hoje tomou conta do corredor esquerdo, onde impôs a sua superioridade como lateral com vocação ofensiva, num jogo em que actuámos quase todo o tempo com menos um. E ainda foi dele a assistência para o primeiro golo.

 

Do 2-1 que se registava ao intervalo. Mesmo a jogar só com dez, o Sporting soube reagir muito bem à inferioridade numérica, numa exemplar lição de resistência, tanto no plano físico como anímico - prova inequívoca de que a equipa está em bom nível. Na segunda parte, fizemos mais um golo. E o segundo lance mais perigoso foi nosso também.

 

Da aposta de Marcel Keizer em Jovane. O jovem luso-caboverdiano voltou a integrar o onze titular do Sporting. Infelizmente só esteve 5 minutos em campo: o técnico viu-se forçado a substituí-lo devido à expulsão de Renan, que teve de dar lugar a Salin. Jovane não mostou desagrado nem fez má cara. E assistiu ao resto da partida no banco.

 

Do balanço dos últimos jogos do Sporting. Sete vitórias consecutivas, seis das quais na Liga, e há dez jogos sem perder. A melhor sequência desta temporada. O caminho faz-se caminhando.

 

 

 

Não gostei

 
 

Da expulsão de Renan. Jogámos mais de 90' com menos um devido à precipitação do guarda-redes, que sai sem necessidade dos postes, quando Mathieu tinha o lance controlado e faz uma falta igualmente desnecessária sobre o adversário, derrubando-o. Recebeu o cartão vermelho e forçou Keizer a queimar ums substituição, trocando Jovane por Salin.

 

Da deprimente falha de RaphinhaIsolado frente ao guarda-redes, muito bem servido por Wendel a culminar um lance rapidíssimo que envolveu também Luiz Phellype, o brasileiro deu um toque a mais, parecendo sofrer de fobia da baliza, permitindo assim que um defesa adversário desviasse a bola da rota. Gorou-se assim, aos 58', uma excelente oportunidade de ampliarmos o resultado. Aos 82', Raphinha viu um amarelo: ficará fora do próximo jogo, contra o Nacional, por acumulação de cartões.

 

De Gudelj. Outra exibição sofrível. Da apatia do sérvio, incapaz de travar uma jogada perigosa de Luquinhas no corredor central, resultou uma situação de perigo que forçou Salin a cometer falta para grande penalidade, tendo daí resultado o golo solitário da equipa visitada. Após a saída de Gudelj, substituído aos 71' por Idrissa Doumbia, o nosso meio-campo melhorou claramente, permitindo a Wendel soltar-se para espaços onde rende mais para a equipa.

 

Do golo sofrido. Mantém-se a tradição nos nossos jogos disputados fora para este campeonato: excepto num, até agora, nunca saímos invictos. A excepção aconteceu no Marítimo-Sporting, que terminou empatado a zero.

Pódio: Bruno, Wendel, Luiz Phellype

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Rio Ave pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 19

Wendel: 18

Luiz Phellype: 18

Mathieu: 16

Acuña: 15

Coates: 15

Gudelj: 15

Ristovski: 15

Jovane: 14

Renan: 14

Diaby: 13

André Pinto: 12

Bruno Gaspar: 12

Borja: 12

 

A Bola e o Record elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. O Jogo optou por Wendel.

Pódio: Bruno, Acuña, Gudelj, Raphinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Benfica pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 21

Acuña: 17

Gudelj: 16

Raphinha: 16

Borja: 15

Renan: 15

Wendel: 14

Coates: 14

Luiz Phellype: 14

Mathieu: 14

Ilori: 13

Diaby: 13

Bruno Gaspar: 13

Idrissa Doumbia: 6

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Armas e viscondes assinalados: O nome dele é lenda

Sporting 1 - Benfica 0

Taça de Portugal - 2.ª Mão da Meia-Final

3 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Raras são as tardes e noites em que não recolhe uma bola do fundo da baliza. Mas assim sucedeu ao encontrar o poderoso ataque de um Benfica incapaz de fazer um remate em condições ao longo de todo o jogo. E ainda teve a bondade de afastar para canto, logo na primeira parte, o mais próximo de uma ocasião de perigo que a equipa visitante conseguiu arranjar.

 

Bruno Gaspar (3,0)

É provável que na hora dos festejos tenha conseguido que Rafa perdesse a cabeça ao ponto de ser expulso por dizer “para dar conta de vocês basto eu”. Elevado à categoria de “disco pedido”, por entre a sucessão de oligofrenias que resultou na expulsão e castigo a Ristovski, o lateral-direito de recurso até começou o jogo a assustar o facilmente assustável Svilar com um remate de longe que saiu ao lado. Com o passar dos minutos perdeu fulgor, enfrentou adversários mais versados na arte de chutar bolas do que ele, mas cumpriu até ao momento em que Marcel Keizer abdicou do seu contributo para apostar ainda mais no único resultado que interessava.

 

Coates (3,0)

Cumpriu sem deslumbrar, mas também sem dar os sinais de erro sistémico observados no jogo anterior. E convém admitir que os artistas vestidos de encarnado ajudaram ao final feliz.

 

Mathieu (3,5)

Limpou o que tinha a limpar, subiu no terreno quando foi preciso, e terminou um jogo com a satisfação que os adeptos teriam caso resolvesse anunciar que adia a reforma por mais uma temporada.

 

Borja (3,0)

Ficou muito bem na capa dos jornais desportivos agarrado às costas de Bruno Fernandes. Também nada fez de mal enquanto esteve em campo.

 

Gudelj (3,5)

Não só começa a orientar os remates para a baliza adversária, dando por terminada a guerra contra os apanha-bolas, como controlou de forma bastante eficaz as veleidades contrárias. 

 

Wendel (3,0)

Mais uma exibição plena de esforço, dedicação e devoção, desta vez coroada com glória, que pôde ser testemunhado “in loco” por Jorge Jesus, o treinador que o viu chegar a Alvalade, em troca de um punhado de milhões de euros, e preferia pôr Misic a jogar.

 

Raphinha (3,0)

A recuperação de bola no lance do golo do Sporting foi uma demonstração de capacidade de luta de quem se arrisca a assumir a responsabilidade de fazer o Sporting grande outra vez na próxima temporada. Mas para que tal suceda é bom que vá melhorando a pontaria nos remates.

 

Acuña (3,5)

Ainda não é muito clara a sua motivação no final do jogo, quando teve de ser agarrado pelos colegas para não cometer algo de que decerto nem se arrependeria. Sendo debatível que tenha os maiores tomates do Mundo, como divulgou a sua legítima esposa, ninguém duvida que se trata do jogador mais combativo do plantel leonino. E um dos dois ou três mais capazes de ficarem a dormir com a bola quando vão jantar a casa dos seus pais.

 

Bruno Fernandes (4,0)

O nome dele é lenda, preparando-se para bater recordes que tornam menos agridoce a perspectiva de que só vá fazer, na ausência de lesões ou castigos, mais oito jogos com o leão ao peito. Depois de ter deixado o Sporting com a porta do Jamor entreaberta, mercê de um livre directo memorável na primeira mão, carimbou o acesso à final da Taça de Portugal com um remate forte e colocado que nem um guarda-redes de elevada qualidade defenderia. Antes disso já fustigara a barra da mesma baliza com um livre directo a punir uma falta em que Pizzi o rasteirou por trás e sem amarelo quando se preparava para rematar. 

 

Luiz Phellype (3,0)

Desta vez não marcou, ainda que o tivesse tentado com intenção e técnica. Mas esteve particularmente bem de costas para a baliza, complicando a vida aos centrais encarnados.

 

Tiago Ilori (3,0)

Não ganhava ao Benfica desde a adolescência. Espera-se que retome esse bom hábito.

 

Diaby (3,0)

É tecnicamente correcto dizer que fez a assistência para o golo de Bruno Fernandes, e esse passe rápido e eficiente para quem sabe fazer melhor do que ele compensa todas as diabyices cometidas no relvado.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para segurar o resultado e descansar Wendel sem que fosse preciso utilizar algum produto da Academia de Alcochete.

 

Marcel Keizer (3,5)

Escolheu a noite certa para acertar nas substituições, nas adaptações tácticas no decorrer do jogo e sabe-se lá no que mais. Só Bruno “Lenda” Fernandes tem mais responsabilidade do que ele na hora e meia feliz que permite ao Sporting pós-invasão a Alcochete ter a possibilidade de fazer melhor nesta temporada do que naquela em que Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins ainda estavam no plantel, Battaglia não era um lesionado de longa duração e Bas Dost mantinha o estatuto de máquina de fazer golos.

O novo violino

 

 

«Eu [Bruno Fernandes], o ritmista febril

Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira,

Para quem, por baixo da metáfora aparente,

Como em estrofe, anti-estrofe, epodo o poema que escrevo,

Que por detrás do delírio construo

Que por detrás de sentir penso

Que amo, expludo, rujo, com ordem e oculta medida,

Eu ante ti quereria ter menos de engenheiro na alma,

Menos de grego das máquinas, de Bacante de Apolo

Nos meus momentos de alma multiplicados em [golo]*

 

(…)»

 

Álvaro de Campos | Fernando Pessoa

 

(*) verso, na versão original.

Adulteração minha colocada em parêntesis rectos

 

In: Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993

Proposta de negócio!

Após a vitória no dérbi de ontem à noite, com uma vez mais Bruno Feranades (o regressado) em grande evidência, fico com a ideia de que este "craque" como lhe chamaram os repórteres da Antena 1, dificilmente ficará mais uma época no Sporting. Mesmo que lhe paguem o dobro do que estão a pagar agora...

Ao mesmo tempo li, ainda esta semana, que o jornal "A Marca" mui ligado ao Real Madrid apresentou treze, repito treze jogadores, numa lista de dispensas para a próxima época.

Ainda do que li, entre eles estariam Bale, Benzema, Isco, Varane...

Ora bem... seria a altura ideal para os dirigentes do Sporting perguntarem aos responsáveis do clube merengue se a notícia é verdadeira e se o fosse fazer uma simples proposta de negócio: nós ficaríamos com os jogadores dispensados e o Real ficaria com o nosso capitão.

Não receberíamos dinheiro mas pela quantidade e qualidade dos atletas do Real, para a próxima época ficaríamos com uma belíssima equipa...

Doutor Varandas já pensou na eventualidade deste negócio?

Suplemento de alma

Éramos 34.122 (ou 221?) e pela primeira vez em muito tempo pareceu-me que todos remaram na mesma cadência e para o mesmo lado.

 

Comentei com o vizinho "hoje ganhamos" quando "O Mundo Sabe Que" foi cantado de forma quase, quase perfeita, respeitando os tempos da música brilhante popularizada pelo Xico Alberto.

 

A equipa entrou bem no jogo, mandando nele, demonstrando ao adversário e a quem estava na bancada, que estava ali para ganhar a eliminatória.

 

Esta opinião será muito subjectiva, mas acho que assistimos talvez à melhor exibição do Sporting, esta época, independentemente de uma ou outra exibição menos conseguida, que acho não dever ser apontada, uma vez que o objectivo foi alcançado e todos, com mais ou menos engenho, concorreram para ele. A começar pelo treinador, que pela primeira vez me parece ter sabido ler o jogo de um adversário e a acabar no Gudelj, que ontem até esteve certinho (o que será um enorme elogio, acho).

 

Escrevi aqui, no Verão quente, que a vontade que tinha era de mandar o Bruno Fernandes para o cesto da gávea, mas que vibraria a cada golo que marcasse e que esperava vibrar muitas vezes. Ontem lembrei-me algumas vezes do José Navarro, que tem uma embirração de estimação com o BF, quando o capitão fazia algumas jogadas disparatadas e fê-las, fruto do facto de estar sempre "em jogo", de querer para si a bola, de querer fazer jogar, de querer contagiar os colegas com a seu entusiasmo. Um desportivo reproduz hoje uma frase de BF que diz muito do seu carácter e que é mais ou menos "diziam que estávamos a morrer, mas afinal estamos bem vivos". BF não só jogou e fez jogar, como puxou também pelas claques por várias vezes, pedindo ainda mais apoio, que ontem foi inexcedível.  E depois é capaz de marcar golos como o de ontem, bola na gaveta, sem hipótese de defesa. Será justo referir nesta apreciação Acuña, Raphinha, Coates e Mathieu que estiveram um pouco acima da média, mas o Sporting é neste momento BF e mais dez. Se isso é mau? Pode ser, mas para esta meia-final foi a chave e quando assim acontece, o que nos daria gosto era que ele por cá ficasse e que viessem outros com a sua fibra, para que a brunodependência diminuisse um pouco e o jogador pudesse ser ainda mais eficaz. BF é hoje (foi ontem claramente) um enorme suplemento de alma não só para a equipa, mas para os adeptos. Só alguém muito ressabiado poderá ainda manifestar algum azedume contra o jogador, que tem demonstrado em campo merecer ser acarinhado pelos sportinguistas.

 

Como sportinguista que se preze, hoje o meu ânimo está mais ou menos ao nível dos Himalaias, vindo em velocidade estonteante da Fossa das Marianas onde me encontrava após exibições deploráveis da equipa e para onde espero não voltar até à final do Jamor, que tenho a certeza que venceremos por um concludente 5-3. Nas penalidades, obviamente.

 

Em post anterior já falei da arbitragem. Miserável é talvez o melhor adjectivo para a qualificar. Hugo Miguel permitiu que os jogadores adversários praticassem kick-boxing com Bruno Fernandes durante quase todo o jogo e no final fez-me lembrar José Pratas a fugir dos jogadores do Porto, sendo que ontem as camisolas eram vermelhas. Repito, miserável! Condescendeu no anti-jogo do Benfica (por muito que o seu treinador queira desculpar-se - as derrotas são fodidas, não são, Lage? - foi isso que aconteceu até ao golo do Sporting), permitiu que o jogo quase descambasse para uma batalha campal, não actuou disciplinarmente quando devia, interrompeu o jogo para assinalar faltas, sem a respectiva sanção disciplinar, uma tragédia completa. E como disse, neste campo da permissão de dureza excessiva, esteve mal para ambos os lados.

 

Depois deste "parlapié" todo, em resumo, houve apenas uma equipa a querer ganhar o jogo e talvez por isso, coisa simples, ganhou!

Armas e viscondes assinalados: Para lá do Marão, à beira de um ataque de coração

Desp. Chaves 1 - Sporting 3

Liga NOS - 27.ª Jornada

30 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Quase tão inevitável quanto a morte, os impostos e a nomeação de competentíssimos familiares de governantes para gabinetes ministeriais, o golo dos adversários chegou quando o Sporting tinha mais um jogador em campo. O brasileiro bem tentou fazer a mancha quando o avançado do Chaves lhe apareceu isolado pela frente, mas não resultou, ao contrário do que sucedera minutos antes, quando os centrais também deixaram que alguém cabeceasse ao segundo poste. Há dias assim - quase todos os dias em que a rapaziada de verde e branco pisa o relvado. 

 

Ristovski (2,5)

As expulsões descabeladas do macedónio em véspera de jogos com o Benfica são o new black do futebol português. Teve que ser o videoárbitro com nome de personagem e de actor de clássico da comédia portuguesa portuguesa a descortinar jogo perigoso num corte, permitindo ao árbitro Manuel Mota cobrir-se mais uma vez de vergonha, ao mesmo tempo que conseguia desfazer a decisão igualmente errada de expulsar um defesa flaviense que derrubou Raphinha sem que este se estivesse a dirigir para a baliza adversária. Antes deste infecto episódio Ristovski fez a assistência para o primeiro golo, ajudando a quebrar um encanto digno de conto infantil, esteve atento às movimentações de todos os adversários (menos daquele que marcou o golo do empate) e integrou-se mais ou menos bem na manobra ofensiva. Uma parte dele terá de ficar lisonjeada por o quererem assim tanto afastar da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal.

 

Coates (2,0)

Começou ao seu melhor estilo, arriscando o autogolo para cortar um cruzamento que daria golo quase de certeza. Depois foi o dilúvio: incontáveis passes errados, faltas de concentração na cobertura, aquele lance em que deixa escapar nas suas costas o autor do golo do Chaves... Que melhores dias e noites venham depressa. De preferência já nesta quarta-feira.

 

Mathieu (3,0)

Esteve ao nível que é o seu, destoando pelo desnível no resto da linha defensiva. Além de desfazer problemas com a competência que lhe é reconhecida, tirou partido da vontade de criar soluções para empurrar a equipa na direcção da baliza adversária. Num desses lances entrou na grande área do Chaves e tentou servir um colega, mas a bola desviou num adversário e acabou por ser encaixada pelo guarda-redes.

 

Borja (2,0)

Também não leva grandes recordações daquilo que está para lá do Marão. Incerto nos cruzamentos e pouco dinâmico a construir jogadas, distinguiu-se sobretudo ao sair para a entrada de Jovane Cabral quando chegou a hora do aperto.

 

Gudelj (2,5)

Recuperou a titularidade, como era expectável, mesmo sem dar provas de conseguir ser o motor de arranque do meio-campo leonino. Mas há que reconhecer que fez o seu melhor remate de longa distância - no sentido de que saiu enquadrado com a baliza e forçou uma defesa de dificuldade média-alta - e que contribuiu para um enganador sossego da equipa ao sofrer a entrada que levou à expulsão de um adversário. Pouco depois saiu de campo, talvez por Marcel Keizer temer que seria ele o próximo a ver um segundo amarelo.

 

Wendel (3,0)

Faltou-lhe o golo, apesar de uma tentativa mais prometedora do que bem conseguida, num jogo em que teceu jogadas como as aranhas tecem teias. E em que não esmoreceu na hora em que a deslocação a Chaves parecia destinada a correr mesmo muito mal.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Para o jogo 100 com a camisola do Sporting nada melhor do que um golo de longa distância, igualando o lesionado Bas Dost como melhor marcador da equipa na Liga. Poderiam ter sido dois, mas o guarda-redes António Filipe roubou-lhe esse prazer antes de sair lesionado. Mas logo no primeiro tempo fora vítima do capitão dos leões, que desmarcou Ristovski para o cruzamento que deu origem ao primeiro golo. Graças a um daqueles passes magníficos que, na bitola de Bruno Fernandes, são apenas mais um dia no escritório.

 

Raphinha (3,0)

Todo ele é técnica no domínio de bola, aliada a uma das velocidades mais perigosas da Liga NOS. Mas desta vez não tinha as chuteiras calibradas no momento do remate e ainda viu a jogada de maior perigo apagada pelo árbitro Manuel Mota depois de um “think tank” na Cidade do Futebol discernir falta anterior e cartão vermelho para o sanguinário Ristovski.

 

Acuña (3,0)

Tem o seu quê de irónico que o argentino se torne mais perigoso quando recua de extremo para lateral-esquerdo. Assim voltou a suceder, com uma assistência primorosa para o golo de Bruno Fernandes e boas combinações com Jovane. Mas bem poderia ter evitado uma carga de ombro dentro da sua grande área que poderia ter resultado num pénalti a favor do Desportivo de Chaves.

 

Luiz Phellype (3,5)

Desatou a chorar quando marcou o primeiro golo desde que foi contratado ao Paços de Ferreira no mercado de Inverno. Talvez tenha sido de alívio, talvez tenha sido de emoção ou talvez tenha sido de dor, pois o seu gesto técnico a empurrar a bola cruzada por Ristovski envolveu lançar o corpo para a frente como se estivesse numa final de salto em comprimento. No resto do jogo tirou sobretudo partido do poderio físico, regressando aos holofotes ao minuto 100, quando foi desmarcado por Jovane Cabral, aguentou a pressão de um defesa, e rematou de forma descomplicada para o 1-3 que sossegou milhões de corações que viam a conquista do terceiro lugar em risco.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e, ao contrário do que é seu bom hábito, pouco ou nada melhorou na circulação de bola do Sporting. Pareceu preso de movimentos e pouco confiante.

 

Jovane Cabral (3,0)

Logo no primeiro lance depois de entrar em campo rematou um pouco ao lado do poste. Empenhado em readquirir o estatuto de resolvedor, mesmo que os minutos a que teve direito se devessem à lesão do prodigioso Diaby, integrou-se nas acções ofensivas do Sporting com mais afã do que critério. Até fazer a assistência extraordinária para Luiz Phellype bisar, bem entendido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Chamado para recompor a linha defensiva após a expulsão de Ristovski, o lateral-direito comprado por mais milhões de euros do que cabe aqui dizer procurou não desmerecer a confiança nele depositada. Neste caso a confiança do treinador e não a confiança das pessoas que tanto apreciam expulsar o seu colega na véspera de jogos com o Benfica.

 

Marcel Keizer (3,0)

Cumpriu o objectivo de somar os três pontos que permitiram a subida ao pódio da Liga NOS (em igualdade pontual com o Braga) sem lograr que a equipa jogasse bem. Sem Bas Dost e Diaby disponíveis caçou com Luiz Phellype e não se deu mal com o método, até porque Bruno Fernandes recuperou a tempo da lesão que o impediu de salvar a Selecção de Portugal de si própria. Continua é a procurar-se a alegria dos primeiros tempos do keizerbol e a aposta na formação que não há maneira de aparecer.

Pódio: Bruno Fernandes, Phellype, Jovane

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Chaves-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 19

Luiz Phellype: 18

Jovane: 16

Mathieu: 16

Borja: 15

Acuña: 15

Renan: 15

Wendel: 15

Idrissa Doumbia: 14

Raphinha: 14

Gudelj: 13

Ristovski: 12

Coates: 12

Bruno Gaspar: 7

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

 

Da vitória. Trouxemos três pontos de Chaves, um estádio sempre difícil: vitória por 3-1. Não houve exibição de gala, muito longe disso, mas a equipa soube ser solidária e compacta em momentos decisivos. O essencial foi feito perante um onze que ocupa o penúltimo lugar na Liga, lutando para não descer. Sem esquecer que a turma flaviense terminou o encontro só com nove jogadores e viu-se forçada a substituir o guarda-redes.

 

De Bruno Fernandes. Mesmo vindo de lesão, o que aliás condicionou a sua actuação em campo, foi o melhor jogador desta partida. Marcou um grande golo, aos 80', com um disparo fortíssimo fora da grande área. Foi o golo que nos valeu os três pontos - e também o melhor do jogo. Já tinha participado na construção do primeiro. Leva 41 marcados em cem desafios com a camisola verde e branca, o que o confirma como o médio mais goleador do futebol europeu actual. Se todos revelassem tanta intensidade numa partida como ele, o Sporting estaria bem melhor do que está.

 

De Luiz Phellype. Com Bas Dost de novo lesionado, o ponta-de-lança brasileiro - hoje titular - aproveitou enfim para fazer o gosto ao pé. Não apenas uma vez, mas duas: abriu o marcador aos 24', dando o melhor caminho à bola na sequência de um centro de Ristovski após uma boa jogada colectiva ao primeiro toque; e aos 90'+10, quase ao cair do pano, num belo lance de insistência, após aguentar uma carga. Emocionou-se ao festejar o golo de estreia - e era caso para isso: antes tinha participado em 11 partidas sem marcar.

 

De Mathieu. Voltou a ser um elemento fundamental do onze leonino. A sua experiência foi vital em cortes providenciais aos 14', 20' e 42', revelando agilidade e reflexos rapidíssimos. Essencial também no processo de construção, empurrando a equipa para diante: soube lutar sempre contra a apatia que por vezes parecia apoderar-se de alguns dos seus colegas.

 

De Acuña. Não foi uma das suas melhores exibições, mas em momentos cruciais demonstrou todo o seu profissionalismo. Combativo, tenaz, foi dele o grande cruzamento que descobriu Bruno Fernandes isolado, funcionando como assistência para o segundo golo. Como tantas vezes tem acontecido, fez duas posições no mesmo jogo. Primeiro à frente, depois atrás.

 

De Jovane. Vários desafios depois, voltou a ter uma oportunidade digna desse nome: o técnico holandês apostou nele como substituto de Borja, a partir dos 73', enquanto fazia recuar Acuña para lateral esquerdo. O jovem luso-caboverdiano soube aproveitar o repto: rematou com perigo aos 78', provocando uma defesa apertada do guardião do Chaves, e fez a assistência para o terceiro golo. Merece mais.

 

De termos ultrapassado o Braga. Com esta vitória, regressamos ao pódio no campeonato. Em igualdade pontual com a turma braguista (58 pontos acumulados à 27.ª jornada) mas em vantagem relativa, pois no confronto em Alvalade triunfámos por 3-0. O que pode fazer toda a diferença nas contas finais da Liga 2018/2019.

 

 

 

Não gostei

 
 

Da substituição de Gudelj por IdrissaAconteceu aos 66'. O jogo estava empatado e começava a pairar entre os adeptos o receio de deixarmos dois pontos em Chaves. Em vez de reforçar o ataque, Keizer optou por uma troca directa no meio-campo defensivo. Como se estivesse resignado a tão medíocre resultado, jogando com um adversário em inferioridade numérica (por expulsão de Jefferson aos 51'). A primeira opção ofensiva saída do banco ocorreu só aos 73', com a entrada de Jovane. Sete minutos depois, desfazíamos o empate. 

 

Da agressividade dos flavienses. É inconcebível ver uma equipa que disputa a primeira divisão do futebol profissional português recorrer de forma tão sistemática a faltas grosseiras. Que, não por acaso, tiveram como alvo principal Bruno Fernandes. Dois jogadores do Chaves foram expulsos, o que só pode surpreender quem não assistiu ao jogo.

 

De arbitragem. Manuel Mota, um dos mais incompetentes apitadores que ainda se arrastam nos relvados portugueses, exibiu o cartão vermelho directo a Ristovski, aos 88', por uma entrada limpa de carrinho, impedindo assim o nosso lateral direito de jogar a segunda mão da meia-final da Taça, na quarta-feira, contra o Benfica. Exige-se a pronta reclamação da SAD leonina junto do Conselho de Disciplina para anular esta absurda penalização em tempo útil.

 

Da nossa incapacidade para rematar a meia-distância. Bruno Fernandes é a excepção. Mais ninguém parece conseguir afinar a pontaria na hora de rematar à baliza a partir de linhas mais recuadas. Gudelj tentou, mas à figura do guarda-redes. Acuña atirou para a bancada, Wendel também. Eis um dos aspectos em que se sente a necessidade de reforçar as sessões de treino.

 

Do golo sofrido. Cumpriu-se a regra: raro é o jogo, sobretudo quando disputado fora, em que não deixamos a nossa baliza à mercê das equipas adversárias. Voltou a acontecer hoje, aos 66', devido a uma falha de posicionamento defensivo: o Chaves empatou nesse momento e podia ter feito estragos ainda maiores.

 

Da nossa exibição. Fraquinha, para não variar.

Bruno

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O Sporting é neste momento totalmente dominado por Bruno Fernandes. Capitão. Líder da equipa em campo, como deixa evidente em gestos bem expressivos. Vai à frente, vai atrás. Defende, constrói, distribui, assiste, tenta marcar, marca. Os livres são dele, os cantos são dele. Só lhe falta fazer lançamentos laterais - e ir à baliza.

De resto, faz tudo.

 

Longe de mim apoucar tão influente e categorizado profissional. Mas, em tese geral, é pouco desejável que uma equipa esteja tão desequilibrada, tão dependente de um só jogador. É também nisto que se detecta (ou não) o dedo de um treinador. A saída de Nani aumentou este desequilíbrio interno. Se Bruno Fernandes falha, por castigo ou lesão, deixa de haver equipa. Porque ele "é" a equipa, tal como tem vindo a ser delineada por Marcel Keizer.

 

Acredito que seja excelente para Bruno Fernandes. Mas é pouco saudável para o Sporting.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos em depressão frontal

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

15 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Esteve sempre no sítio certo nos raros remates do Santa Clara, segurando tudo menos o mais perigoso, ainda com o marcador a zeros, que foi desviado para canto pelas costas de Ristovski. Menos solicitado a fazer lançamentos longos que tende a ser habitual, visto que o adversário não é dado a pressões, tentou não fazer asneiras com a bola nos pés.

 

Ristovski (3,0)

Além de ter impedido o golo do Santa Clara com as suas costas largas, mesmo sem combinar às mil maravilhas com Raphinha, claramente influenciado pelo individualismo reaganiano dos pais, o lateral-direito macedónio foi um dos aceleradores da equipa, executou cruzamentos que poderiam ter surtido melhor efeito se alguém tivesse ido resgatar o Bas Dost do passado recente e vigiou quase sempre de forma muito competente alguns dos elementos mais competentes do plantel açoriano.

 

Coates (3,0)

Teve uma noite mais normal do que tem sido comum, concentrando-se na missão de cortar lances de perigo do Santa Clara. Assim fez, com o zelo que lhe é habitual, tendo o golo de Raphinha evitava aquele registo em que começa por construir jogadas de contra-ataque e quando se dá por isso passou a ser o segundo ponta de lança leonino.

 

Mathieu (2,5)

Uma perda de bola à entrada da grande área poderia ter estragado de vez uma exibição menos bem conseguido do central francês, ainda que também tenha ficado perto de marcar num livre directo em posição frontal.

 

Borja (2,0)

Durante a primeira parte foi o pior jogador do Sporting, parecendo diversas vezes perdido no relvado e sem saber o que fazer com a bola. Quando parecia fixar-se como terceiro central, prometendo mais do que o lateral-esquerdo, Keizer abdicou da sua permanência.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Recebeu a titularidade apenas devido à suspensão de Gudelj, e desde o apito inicial vincou as diferenças em relação ao sérvio. Nomeadamente naqueles detalhes de ganhar a posse aos adversários, acelerar o meio-campo e avançar para a grande área do adversário com a bola controlada. Capaz de melhorar a equipa do Sporting com a sua presença, Idrissa Doumbia viu-se mesmo assim substituído a meio da segunda parte, fazendo adivinhar que na deslocação a Chaves poderá voltar a ficar sentado no banco.

 

Wendel (2,5)

Muito rendilhou no meio-campo, suprindo incapacidades alheias (sobretudo as de Borja) e procurando posicionar-se para o que desse e viesse. Numa dessas ocasiões, servido por Raphinha em posição frontal, fez um remate fraco à baliza. Na segunda parte continuou a trabalhar muito, sem conseguir disfarçar o cansaço para todos os presentes no estádio tirando Marcel Keizer, que preferiu tirar Idrissa Doumbia na hora de refrescar a equipa.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Tal como os romanos nada fizeram pelos judeus de “A Vida de Brian” tirando o aqueduto, as estradas, a numeração ou os tribunais, também o jovem capitão nada fez pelo Sporting tirando a assistência para o golo de Raphinha ou outra assistência com que o brasileiro ficara perto de inaugurar o marcador. Numa noite menos bem conseguida, na qual os remates de longe saíram sempre à figura, quando não para as bancadas, Bruno Fernandes viu-se muitas vezes manietado pelas pernas dos adversários. Aqueles que, no apurado critério do árbitro Manuel Oliveira, terminaram o jogo com metade dos cartões amarelos exibidos aos futebolistas da casa.

 

Raphinha (3,5)

Marcou o golo que valeu três pontos praticamente caídos do céu, impedindo o guarda-redes Marco de lhe voltar a roubar os festejos, num dos remates com que procurou concretizar a sua missão de agitador do ataque do Sporting. Logo na primeira parte ficou na retina de todos uma jogada em que entrou na grande área do Santa Clara, rodeado de adversários, servindo Wendel para o que poderia ter sido mais do que uma ocasião de golo.

 

Acuña (3,5)

Facto: o Sporting conseguiu a vitória miserável que lhe valeu três pontos indistintos de outros eventuais três pontos conquistados através de uma ainda mais eventual grande exibição porque o argentino executou um lançamento de linha lateral, no limite da força dos braços e aproveitando o posicionamento de Bruno Fernandes, muito adiantado em relação à defesa do Santa Clara. Por essa altura do cronómetro já voltara a ser lateral-esquerdo, sem abrandar minimamente o ritmo e o ímpeto, pois aparentar ser algo que lhe está no sangue. Talvez pudesse fazer umas quantas transfusões aos colegas...

 

Bas Dost (1,5)

Começou trapalhão e desinspirado, travando jogadas de contra-ataque e fazendo remates inofensivos, mas com o passar do tempo deixou cair os braços até ao ponto de fazer figura de corpo presente no relvado. Mas ainda assim continuou até ao apito final, numa demonstração de solidariedade do compatriota que é pago para escolher os melhores jogadores do Sporting. 

 

Diaby (1,5)

Entrou para trazer velocidade ao ataque, à medida que o nulo no marcador começava a eternizar-se, mas nada de bom trouxe à equipa. Nem as arrancadas nem o toque de bola justificaram a sua presença no relvado. Quiçá mesmo no estádio.

 

Miguel Luís (2,0)

Voltou a ser aposta, muito tempo após marcar um belíssimo golo e emocionar o avô, mas também não conseguiu melhorar o desempenho do Sporting.

 

Marcel Keizer (2,5)

É impossível que não tenha visto que Idrissa Doumbia é melhor solução do que Gudelj? Veremos no próximo jogo, mas ninguém deverá apostar muito dinheiro na presença do sérvio no banco. Também o regresso de Bas Dost ao onze titular só não merece maiores reparos devido à horrível exibição de Luiz Phellype no jogo com o Boavista, tornando claro que se o Sporting conseguir melhor do que o quarto lugar praticamente assegurado será apenas graças a uma conjugação feliz dos astros e ao valor de algumas das suas peças, com Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Coates à cabeça. Muito pouco para o orçamento e, sobretudo, para a dimensão da equipa treinada por um homem que, semana após semana, reconhece ser necessário jogar melhor. Mas demora a consegui-lo, tal como voltou a nem sequer conseguir fazer a terceira substituição (Jovane Cabral chegou a tirar o fato de treino...) antes do apito final.

Pódio: Bruno, Raphinha, Mathieu

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Boavista-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 18

Raphinha: 17

Mathieu: 16

Acuña: 15

Coates: 15

Renan: 14

Idrissa Doumbia: 13

Borja: 13

Ristovski: 13

Wendel: 12

Gudelj: 12

Luiz Phellype: 11

Diaby: 10

 

O Jogo e A Bola elegeram  Bruno Fernandes  como melhor em campo. O Record optou por  Raphinha.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos certos por linhas tortas

Boavista - Sporting

Liga NOS - 25.ª Jornada

9 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Sofrer o golo do costume logo ao terceiro minuto, da primeira vez em que o Boavista se acercou da sua baliza e sem responsabilidade no funesto acontecimento, retirou ao guarda-redes brasileiro a habitual pressão da inevitabilidade dessa ocorrência. Mais solto e mais seguro, fez frente aos adversários no resto do jogo, concedendo-lhes escassas veleidades, ao ponto de na segunda parte pouco mais fazer além de umas saídas a cruzamentos.

 

Ristovski (2,5)

Responsável moral em primeiro grau da desvantagem madrugadora, sendo tragicamente incapaz de afastar a bola semeada pelo abominável Luiz Phellype, nunca mais teve influência preponderante no relvado. Até porque Raphinha tende a ser um “one man show” na ala direita.

 

Coates (3,5)

Começou a celebrar o jogo 150 de verde e branco na Liga NOS, meta que dificilmente tão cedo será atingida por um futebolista do Sporting, da pior forma: uma escorregadela impediu-o de chegar a tempo à bola oferecida por Luiz Phellype ao jogador do Boavista que assistiu o colega para o 1-0. Em vez de correr atrás do prejuízo, o uruguaio fez com que outros corressem, apostando em passes longos tão bem calibrados quanto desaproveitados. Também mostrou ser o melhor cabeceador do actual Sporting, fazendo a bola passar a centímetros do poste direito - na segunda parte, para desenjoar, fez a bola passar a centímetros do poste esquerdo -, antes de perceber que teria de ser ele a salvar a equipa. Tantas e tão boas foram as incursões pelo meio-campo adversário que Coates liderou o ranking de dribles (seis), sucedendo-se slalons como aquele em que serviu Raphinha para um remate contra um adversário que permitiu a Bruno Fernandes tentar marcar de bicicleta. Ninguém mais do que Coates, um capitão sem braçadeira que já voltou a ser o ponta de lança de recurso em que se tornara no ocaso de Jorge Jesus, merecia os três pontos literalmente caídos do céu.

 

Mathieu (3,0)

É muito possível que esteja de saída, regressando à terra natal para terminar a carreira, mas enquanto não chega essa funesto dia o francês tratou de recordar os sportinguistas que ainda ali está. Tanto a cortar o pouco perigo que o Boavista causou depois do golo como a lançar colegas no ataque.

 

Borja (2,5)

Muitas vezes cruzou para a grande área do Boavista, sem particulares consequências, pois Luiz Phellype foi quase tão ausente quanto Bas Dost, demonstrando uma capacidade de desmarcação ainda assim menos impressionante do que as suas deficiências no jogo de cabeça, pelo que qualquer tentativa de alívio tanto pode ir parar à linha lateral como aos pés de um adversário. Saiu de campo quando Marcel Keizer acordou e percebeu que os três pontos nunca mais apareciam.

 

Gudelj (2,5)

Os adeptos mais cínicos esfregaram as mãos quando o sérvio chocou de cabeça com um adversário, mas o rápido regresso ao relvado só permitiu um suspiro quando João Pinheiro foi buscar ao bolso o cartão amarelo muitas vezes esquecido nas “entradas viris” dos jogadores do Boavista, afastando Gudelj da recepção ao Santa Clara. Ao longo de noventa e tal minutos pouco fez de muito grave, ainda que uma rara tentativa de acelerar o jogo o tenha motivado a executar uma trivela directa para a linha lateral.

 

Wendel (2,5)

Ninguém consegue convencer o treinador de que o jovem brasileiro está cansado e necessita de alguma gestão de esforço. Mas não se pode culpar Wendel disso, pois não disfarçou as dificuldades em manter um ritmo elevado, para alegria dos boavisteiros que tão cedo se viram em vantagem. Não por acaso, o meio-campo leonino ficou a carburar melhor após a sua saída.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Começou por dar menos nas vistas do que é habitual, vendo-se obrigado a compensar a falta de fulgor dos colegas de meio-campo. Mesmo assim fez alguns passes longos extraordinários e mostrou-se disposto a ajudar tanto a defesa quanto o ataque. Depois do intervalo assumiu a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, rematando sempre que teve oportunidades e preparando o guarda-redes do Boavista para o que lhe estava reservado. Bem tentou Bracalli evitar que o Sporting saísse dali com três pontos, defendendo mesmo o notável pontapé de bicicleta com que Bruno Fernandes quase fez o 13.° golo nesta edição da Liga NOS. Para o capitão dos leões, cujo rosto inquieto espelha o momento da equipa, coube a responsabilidade de cobrar o pénalti assaz duvidoso que valeu a vitória, três pontos e a manutenção da luta pelo terceiro lugar.

 

Raphinha (3,0)

Melhor jogador leonino no um contra um, o extremo brasileiro fez o que quis dos adversários no lance do 1-1, terminado com um cruzamento que Edu Machado desviou para o fundo das redes. Velocidade e capacidade de drible para dar e vender poderiam ser compensadas com maior frieza na hora de alvejar a baliza e critério nos cruzamentos. Mas o certo é que, por motivos que só João Pinheiro e o VAR podem explicar, foi-lhe concedida a grande penalidade fora do tempo regulamentar que permitiu ao Sporting conquistar três pontos merecidos.

 

Acuña (3,5)

Edu Machado roubou-lhe o “golo de m...” com que se aprestava a empatar o jogo, aparecendo à ponta de lança na pequena área. Seria um prémio adequado para o argentino, desta vez posicionado como extremo-esquerdo, mais uma vez um oásis de engenho e empenho entre a rapaziada ouçam lá o que eu vos digo. Não só urdiu inúmeras jogadas na esquerda, mesmo depois de recuar para lateral, na sequência da saída de Borja, como demonstrou várias vezes que é quase impossível tirar-lhe a posse de bola sem recurso a falta. E nesses casos provou que mudou o “chip”, sofrendo múltiplos atentados à sua integridade física sem responder na mesma letra aos perpetradores ou invectivar o árbitro que a tudo dizia “siga”.

 

Luiz Phellype (1,5)

O festival começou bem cedo, com um desvio de cabeça destrambelhado que só é menos responsável pelo golo do Boavista do que o seu posicionamento ainda mais destrambelhado no interior da pequena área, permitindo que o autor do tento ficasse em posição legal. Pior do que isso só mesmo a prestação ofensiva do substituto de Bas Dost, oscilando entre o alheamento e o escandaloso. Assim foi o cabeceamento ao poste, a dois metros da baliza e com Bracalli batido, acorrendo ao desvio de Raphinha. Na segunda parte esteve mais discreto, sendo sobretudo autor de faltas atacantes que só João Pinheiro conseguiu percepcionar, recorrendo ao mesmo sexto sentido que lhe permitiu marcar aquela grande penalidade. Se Luiz Phellype não consegue fazer melhor do que isto quando substitui Bas Dost será melhor o Sporting começar a entrar em campo com dez jogadores.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para acelerar o meio-campo e só não cumpriu melhor o objectivo porque Diaby se recusou terminantemente a combinar com ele. Na sexta-feira receberá a titularidade, a não ser que Keizer leve a sua predilecção por Gudelj ao extremo e prefira perder na secretaria a prescindir do seu fetiche balcânico.

 

Diaby (1,5)

Conseguiu ser tão trapalhão em 15 minutos quanto Luiz Phellype no jogo inteiro. Mas ainda poderia ser sido o herói do jogo num universo em que a sua execução não fosse lenta o suficiente para que dois - atente-se no detalhe de ter sido mais do que um - adversários desviassem para canto uma oportunidade de golo.

 

Marcel Keizer (2,5)

Fez um “mind game” a si próprio, convocando quatro centrais sem aparente intenção de adoptar o sistema de três centrais. Cometida a surpresa do 4-3-3, desfeita pela desvantagem logo aos três minutos, tendo apenas um português no onze inicial e nenhum da formação que supostamente chegou para estimular, o holandês observou placidamente como os seus jogadores ganharam natural ascendente e desperdiçaram uma quantidade de oportunidades que também começa a ser natural. Deixando as substituições para o último quarto de hora, apesar de Gudelj e Wendel parecerem substituíveis desde o início do jogo, Keizer recebeu o brinde de uma grande penalidade para lá de questionável, mantendo-se a três pontos do terceiro lugar e ampliando para dez a vantagem para o quinto. Quase desfez a mancha de não ter nenhum “made in Alcochete” em campo, mas João Pinheiro apitou para os balneários antes de Jovane Cabral poder tirar proveito do meio minuto que lhe estava reservado.

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