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És a nossa Fé!

Competência e falta dela

Esta jornada dupla em Barcelos (que nos custou a aproximação perigosa do Braga e Guimarães na Liga e não nos livrou da eliminação na Taça da Liga) e aquilo que continuamos a ler e a saber do futebol do Sporting vieram ainda mais pôr a nu a incompetência da actual estrutura e o consequente estado de abandono e descontrolo emocional dos jogadores, entre os excessos de alguns e a falta de alegria e confiança e o olhar cabisbaixo doutros.

Temos um director desportivo que não dá a cara e que sonha em "encaixar no mercado de Janeiro para reforçar o plantel", e ouvimos que Acuña, Coates, Wendel e agora Palhinha estão à venda por tuta e meia e o Sporting anda à procura de Olas Johns algures, temos um team-manager que assiste impávido e sereno às provocações e pancadas sobre Acuña e não levanta o traseiro do banco para o defender, temos um treinador que mete a viola no saco quando o treinador contrário desvaloriza os seus jogadores, tem de ser chamado à razão pelos jogadores para se deixar de mudanças constantes que apenas os desorientam,  e se queixa (muito se queixa ele) que o Bruno Fernandes conhece o plantel melhor que ele, que os jogadores fazem o que querem em campo, e que não tem tempo, nunca tem tempo para treinar como deve ser. E fica enfadado, protestando com o adjunto quando o Bruno tenta um chapéu longo ao guarda-redes adversário.

Que chatice ser treinador do Sporting. No Belenenses não era assim?

 

O que ainda vai valendo é a competência do capitão de equipa, que vai marcando e dando a marcar golos decisivos, puxando pelos colegas e exigindo atitude, levando pancada mais ou menos tolerada pelos árbitros (no Bessa foi uma caça ao homem) mas não deixando de meter o pé sem medo mesmo incorrendo em faltas e cartões, ou seja, fazendo o trabalho dele e às vezes os dos outros. Se estamos assim com ele, o que seria do Sporting esta época sem Bruno Fernandes?

E se ele se aleija? Nem quero pensar nisso...

 

Confesso que não entendo como há gente do Sporting (do Benfica e do Porto entendo) que acha que o problema do Sporting é o que diz ou o que faz Bruno Fernandes, e que até advoga que devia deixar a braçadeira. Para ficar tudo nivelado na incompetência.

Por mim, e já que se dispôs a assinar um novo contrato, pelo menos era promovido já a treinador-jogador. Como no caso do Tiririca, pior não fica. 

Entretanto, amanhã, mais um confronto crucial em Alvalade: o penúltimo para a Liga antes dos embates com os dois rivais. Por muito desagradado e pessimista que esteja, lá estarei a apoiar nos 90 minutos e convido todos a fazer o mesmo.

 

PS: Hoje no João Rocha, às 15h, temos o dérbi do andebol. Na primeira volta ganhámos na Luz e temos todas as condições para vencer de novo. A não perder. 

SL

Armas e viscondes assinalados: “Fast-forward” para o minuto 88

Gil Vicente 0 - Sporting 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Acabou por ter uma noite de relativo sossego, apesar do lamentável e já expectável ascendente que os suplentes da equipa da casa chegaram a ter na primeira parte, e até foi o guarda-redes brasileiro a encarregar-se de arranjar calafrios, cabeceando à entrada da área uma bola directamente para os pés de um avançado do Gil Vicente que teve a infelicidade de sair do Seixal antes do complexo futebolístico-mediático encarregue de produzir “golden boys” estar devidamente oleado. Certo é que chegou ao apito final sem ir buscar a bola ao fundo das redes, o que por estes dias passa por ser um homem que mordeu o cão.

Ristovski (3,0)

É combativo, aparenta sentir o peso da camisola bem mais do que a média do plantel e não tem culpa de não haver um lateral-direito melhor do que ele, transformando-o naquilo que é: um profissional digno, com talento quanto baste, que dá o melhor que tem - e até aparenta ter abandonado a maré de azar e descontrolo que lhe valeu tantas expulsões na época passada.

Coates (3,5)

O xerife uruguaio voltou à equipa e impôs a sua lei aos galos de Barcelos, anulando sucessivas tentativas de ataque pelo ar e ainda mais pela relva, demonstrando um “timing” perfeito nos muitos cortes que se encarregou de fazer. Ter um dos poucos jogadores de elevado nível que restam no plantel em campo é sempre uma garantia.

Neto (3,5)

Espera-se que tenha retirado de vez qualquer dúvida quanto à ordem hierárquica dos centrais leoninos. Em vez da calamidade protagonizada por Tiago Ilori no domingo, Neto distinguiu-se pela voz de comando, por alguns cortes incisivos e bem arriscados e até pela forma como suplicou em vão a Rui Costa que não expulsasse Acuña.

Acuña (2,0)

Ultrapassado em velocidade por Romário Baldé, e provocado de modo sistemático pelos jogadores do Gil Vicente ao longo do jogo, o argentino depressa se viu à cunha do segundo amarelo. Descontrolado como há muito não se via, conseguiu manter-se no relvado bem mais do que seria expectável, sendo já em tempo de descontos que selou o destino – que o excluirá da recepção ao Moreirense no domingo – ao berrar com o quarto árbitro após ser esbofeteado por um adversário. No outro prato da balança está a garra de um dos raros elementos do plantel que nenhum Vítor Oliveira consegue rebaixar.

Idrissa Doumbia (2,5)

Aguentou melhor os suplentes do Gil Vicente do que tinha controlado os titulares no jogo anterior, o que também não quer dizer muito. Mas o certo é que desta vez não houve golos contrários a registar.

Miguel Luís (2,5)

Talvez tenha regressado à equipa titular por motivos estritamente regulamentares, pois não abundam formados na Academia de Alcochete que não tenham rescindido contrato ou entrado no carrossel dos empréstimos com cláusula de compra manhosa, mas não demorou a fazer-se notar. Pena é que tenha sido por um lance a que só um laureado com o Nobel da Paz pode chamar remate e por levar uma reprimenda do capitão de equipa. Melhorou ao longo do jogo, destacando-se um bom cruzamento para a cabeça de Luiz Phellype, o que não impediu que fosse o candidato óbvio à saída logo que Silas percebeu o impasse que por ali ocorria.

Wendel (3,0)

Tem mais talento do que tende a demonstrar, ainda que provavelmente menos do que considera ter, o que voltou a ser demonstrado neste segundo jogo da fase de grupos da Taça da Liga. Ganha pontos pela dinâmica que procurou dar ao anémico fio de jogo da equipa e por uma desmarcação genial que Bruno Fernandes encontrou forma de desperdiçar à boca da baliza.

Bruno Fernandes (4,0)

Falhou dois grandes golos, um dos quais numa tentativa de surpreender o guarda-redes do Gil Vicente ainda aquém da linha de meio-campo e o outro num excesso de confiança que o levou a tentar um toque acrobático quando bastava empurrar a bola para a linha de golo mesmo em frente. Pelo meio ainda fez a bola balançar as redes, só que em posição irregular, e serviu Luiz Phellype para um daqueles “expected goals” de que o inferno sportinguista está cheio. Pouco importa: façamos “fast forward” para o minuto 88, quando foi carregado por um adversário junto à grande área, encarregando-se de desfazer com um livre directo impecável o empate que retirava ao Sporting qualquer hipótese (ainda que remota) de defender os dois títulos consecutivos de “campeão de Inverno” na fase final da Taça da Liga. Não satisfeito, numa altura em que a equipa tinha menos um em campo, serviu Vietto para o argentino fazer o resultado final. Não tem o número 31 na camisola, mas tal como no célebre fado como ele não há nenhum.

Bolasie (3,0)

Chegou a ser o melhor da equipa na primeira parte, devendo-se-lhe um excelente remate que poderia ter desbloqueado o marcador, e lutou com todas as forças que tinha contra a desgraça que mais uma vez se anunciava. Ninguém lhe pode questionar o empenho, mesmo sem se traduzir necessariamente em resultados práticos.

Luiz Phellype (2,0)

Atravessa uma má fase e mesmo quando cabeceou como mandam as regras a bola cruzada por Miguel Luís não impediu a boa defesa do guardião do Gil Vicente. Pior foi a sua tentativa de inaugurar o marcador com um toque de calcanhar que lhe saiu truncado, num símbolo cruel das limitações técnicas que já deu provas de conseguir ultrapassar com força de vontade e capacidade de trabalho.

Rafael Camacho (2,5)

Continua a ser o talismã de Silas, sendo apenas triste que raras vezes traga sorte. Desta vez teve mais minutos, aproveitando-os melhor do que é hábito, tanto nas alas como no miolo.

Jesé Rodríguez (3,0)

Entrou para o lugar do infeliz Luiz Phellype, numa lógica “és avançado-centro e não sabias” que lembra um cartaz do Iniciativa Liberal, e não se lhe pode negar impacto no resultado final. No lance de contra-ataque que culminou no livre directo cobrado por Bruno Fernandes foi ceifado por um adversário (que recebeu um amarelo do daltónico Rui Costa) quando se encaminhava para a baliza, e a jogada do 0-2 começa com uma recuperação de bola quando a equipa lidava com a expulsão de Acuña.

Vietto (3,0)

Entrou, viu e venceu. Muito bem servido por Bruno Fernandes, não hesitou perante a tentativa de mancha do guarda-redes e sossegou os corações leoninos.

Silas (3,0)

Os trejeitos que fez quando Bruno Fernandes tentou marcar de antes da linha de meio-campo ficaram-lhe mal, mas há que reconhecer que montou a equipa melhor do que no embate anterior com o Gil Vicente, assumindo o objectivo de manter a esperança na qualificação para a “final four” da Taça da Liga. Dito isto, não há motivos para optimismo quando falta um mês para os embates com o FC Porto e o Benfica, restando-lhe sobreviver aos próximos jogos, pois como tantas vezes se diz em Portugal, “depois mete-se o Natal”...

Pódio: Bruno Fernandes, Coates, Bolasie

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Gil Vicente-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 18

Coates: 16

Bolasie: 15

Neto: 15

Renan: 15

Vietto: 14

Ristovski: 13

Jesé: 12

Miguel Luís: 12

Luiz Phellype: 12

Idrissa Doumbia: 12

Wendel: 11

Camacho: 10

Acuña: 8

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor sportinguista em campo.

Desconsolo

Com tudo o que se passou três dias antes no mesmo estádio, o mínimo que se pedia a este Sporting de Silas a defrontar as segundas linhas do Gil Vicente era que entrasse a todo o gás e chegasse à goleada.

Mas entrou como entrou no domingo. Lentidão de processos, ausência de ideias, passes para ninguém, uma posse de bola estéril, apenas Bolasie destoava na pasmaceira. E à meia hora de jogo já podia estar a perder, porque mais uma vez Vítor Oliveira fez o trabalho de casa, colocou um jogador rápido do lado dum Acuña cansado e obrigado a fazer todo o corredor, e esse jogador foi criando situações perigosas para o Sporting, felizmente mal concluídas.

Miguel Luís, o pé-frio do costume, desmarcado na área, remata fraco e à figura, outra vez na área fica estático e deixa passar o centro para golo, mais uma vez perto da área dá as costas ao centro do Bruno Fernandes. Com uma boa leitura de jogo e chegada à area, quantos golos já falhou esta época? Pode vir a ser um novo Adrien, mas tem muito que melhorar em termos de concentração e intensidade.

A coisa melhorou no segundo tempo, o Sporting foi pressionando até que Silas, a ter de ganhar, tira o único ponta de lança disponível (um cada vez mais desmoralizado Luiz Phellype, uma sombra do que foi com Keizer) para ficar a atacar com uma dupla de vagabundos desorientados, Jesé e Camacho, que davam cabo de todo o jogo que lhes chegava.

Quando o empate parecia certo, lá veio o Bruno mais uma vez dizer porque é o melhor jogador da Liga e um dos melhores médios do Sporting de todos os tempos. Um golo de livre e uma assistência para golo.

Acuña é o barómetro do estado anímico da equipa. Enquanto no Dragão fugiu as provocações orquestradas pelo Serginho e seguiu para o Jamor, ontem foi aquilo que se viu: o árbitro safou-se duma cabeçada por pouco.

Coisa boa foi ver os meninos bonitos de Silas, Ilori e Eduardo, a aquecerem o banco. 

Depois veio a conferência de imprensa e Silas, confrontado com as opiniões discutíveis e despropositadas de Vítor Oliveira sobre os seus jogadores  ("...o fundamental é ter-se bons jogadores. As boas equipas fazem-se com bons jogadores e nenhum treinador faz uma boa equipa sem bons jogadores"), meteu a viola no saco e passou ao lado da defesa dos mesmos e do clube que lhe paga o ordenado.

SL

Quente & frio

Gostei muito  dos seis minutos finais do jogo Gil Vicente-Sporting (0-2). Foi quanto bastou para construir o triunfo de ontem, em contraste com a humilhante derrota sofrida três dias antes no mesmo estádio, perante o mesmo adversário. O facto de a equipa de Barcelos ter jogado desfalcada de vários titulares terá ajudado o onze leonino a vencer esta partida que nos mantém com expectativas de passar às meias-finais da Taça da Liga, troféu que conquistámos nas duas épocas anteriores. Domínio claro do Sporting durante toda a segunda parte, em que não me recordo de qualquer intervenção de Renan - um dos cinco jogadores que o técnico leonino fez alinhar nesta partida e estiveram ausentes da anterior (as outras novidades foram Ristovski, Coates, Neto e Miguel Luís). Mas o nosso primeiro golo aconteceu só aos 89', na perfeita conversão de um livre à entrada da grande área, pelo suspeito do costume: Bruno Fernandes. Foi também o capitão a fazer a assistência para o segundo, marcado por Vietto aos 90'+5, num exemplar lance de contra-ataque finalizado de forma irrepreensível pelo argentino, último suplente utilizado por Silas, tendo substituído Bolasie aos 83'. Não será correcto falarmos em vingança, mas teve um certo sabor a desforra. Pena o jogo mais importante ter sido o de domingo, pois contava para o campeonato.

 

Gostei  que a baliza à guarda de Renan se tivesse mantido invicta. À semelhança do que sucedeu em três dos quatro jogos anteriores. A excepção foi precisamente o Gil Vicente-Sporting de domingo, em que encaixámos três e só marcámos um.

 

Gostei pouco  que tivéssemos começado este desafio apenas com um jogador oriundo da nossa formação - Miguel Luís, que voltou a desperdiçar uma oportunidade de ganhar protagonismo na equipa principal do Sporting como médio ofensivo, acabando por ser substituído aos 55'. E que tivéssemos só um outro ex-membro da nossa Academia em campo quando soou o apito final: Rafael Camacho, precisamente o substituto de Miguel Luís. Que tarda em demonstrar os atributos que terão levado a SAD leonina a contratá-lo no mercado de Verão por cerca de cinco milhões de euros.

 

Não gostei  do festival de passes falhados pelos nossos jogadores nesta partida, traindo desconforto, nervosismo e até algum bloqueio psicológico. Quase todos pecaram neste capítulo: Coates (3', 40', 79'); Ristovski (16', 25', 74', 83'); Bruno Fernandes (19', 37', 39', 45', 45'+1, 65', 84'); Wendel (26', 72'); Bolasie (36'); Acuña (39', 75', 76'); Idrissa Doumbia (59', 61', 73') e Camacho (68'). Nem gostei que Acuña se tivesse feito expulsar, uma vez mais, por protestos absolutamente descabidos: primeiro aos 27', conseguindo transformar uma falta favorável ao Sporting num cartão amarelo; depois aos 90'+1, quando encosta a cabeça à testa do quarto árbitro, o que lhe valeu novo cartão, indo para o duche mais cedo. Atitude irresponsável dum jogador já com idade e estatuto para ter juízo, até porque é titular da selecção argentina.

 

Não gostei nada  dos javardos que se deslocaram ao estádio do Gil Vicente para exibirem faixas onde se lia «Varandas out». Mesmo sabendo que o presidente do Sporting nem se encontrava lá por ter sido pai precisamente no dia de ontem. Estes imbecis, que não hesitam em transformar cada estádio deste país em palco do seu ódio a Frederico Varandas, para gáudio de todos os nossos adversários, foram distribuindo as mesmas tarjas em diversos viadutos de autoestradas que conduziam a Barcelos. Um péssimo cartão de visita dos pupilos de Mustafá, que só serve como balão de oxigénio para o presidente leonino. Quanto mais gritam contra ele, mais lhe prolongam o mandato.

It's the football, stupid

Havia uma frase assim sobre economia que ficou famosa na campanha de 1992 de Bill Clinton.

E parece-me muito apropriada para descrever o momento actual do Sporting. Ninguém quer saber dos resultados das modalidades, da situação financeira, das responsabilidades de quadros e dirigentes do Sporting no assalto ao próprio clube, da guerra com as claques desmamadas. Apenas querem saber de mais uma derrota para a Liga, algures no Minho. 

É o poder do futebol. E Varandas bem o sabe, porque colocou o futebol no centro da sua campanha. Então, não se pode queixar das críticas quando o futebol não vai bem.

E para ter sucesso no futebol é preciso massa crítica, um conjunto de competências espalhadas pela estrutura e pelo plantel que tornem os objectivos possíveis de serem alcançados.

 

Ora, neste momento o futebol do Sporting tem músculo a menos e gordura a mais. E custa demasiado para o que rende. Existem Bruno Fernandes, Acuña, Mathieu, Coates e... Paulinho. Depois existem... os outros, uns melhores, outros piores, e alguns que metem dó. Na quinta-feira contra o PSV, Bruno assistiu para o primeiro, marcou o segundo, assistiu para o terceiro de Mathieu, marcou o penálti conquistado por Acuña. Ontem mais uma vez assistiu para o golo.

Abre-se o jornal e lê-se que Bruno Fernandes, Acuña e Coates estão na porta de saída para... o Sporting poder reforçar o plantel!!! Está tudo doido!

Temos um dos piores plantéis de sempre? Nem por isso, para além dos quatro magníficos, titulares de Portugal, Argentina, Uruguai e ex-titular de França, temos mais alguns jogadores interessantes que frequentam diferentes selecções, inclusive a do Brasil. Lembro-me de bem pior.

Mas... temos uma das piores equipas técnicas de sempre. Não falando dos últimos que por aqui passaram, pensar que um dia tivemos Bobby Robson, Mourinho, M. Fernandes e Roger Spry, e agora temos Silas e o seu grupo de amigos mais um fisioterapeuta promovido a preparador físico. E Nelson Pereira na prateleira dá-me a volta ao estômago.

 

Bruno Fernandes anda a pregar no deserto. Enquanto ele se queixa de falta de atitude, de meter o pé e ganhar as divididas, de falta de intensidade, de entrarem amorfos nos jogos, Silas queixa-se de falta de paciência, dos jogadores andarem a jogar por si, de falta de maturidade e que... a equipa não precisa de heróis.

E depois temos os responsáveis por tudo isto: Hugo Viana, Beto... e obviamente o próprio presidente. Uma solução seria (como aqui vários defenderam e continuarão a defender) que ele se demita e convoque eleições. E ficarem lá os incompetentes a dar cabo do que resta da temporada.

 

Outra solução, para mim bem mais simples, é o presidente exigir responsabilidades e correr com quem não demonstra competência para servir o Sporting. Aqui vai uma lista do que eu faria ou tentava fazer se estivesse no lugar dele:

1. Contratar um director desportivo qualificado e pôr Hugo Viana nas Relações Internacionais (com os países árabes ou algo assim).

2. Convidar um homem da casa, da velha guarda, para secretário técnico. Um novo Manolo Vidal. Pôr Beto noutras funções quaisquer onde possa demonstrar alguma utilidade.

3. Contratar um treinador experiente e inspirador, com olho para os jovens, como já tivemos vários, de preferência inglês (digo eu), que nas conferências de imprensa se resuma ao "no comments" e um preparador físico de topo. Completar a equipa técnica com um adjunto ex-capitão tipo Oceano e o emprateleirado Nelson Pereira.

4. Manter Bruno Fernandes, Coates, Acuña, Mathieu e Wendel a todo o custo até ao final da época e devolver o Acuña à posição de extremo esquerdo.

5. Mandar Ilori, Eduardo e Borja fazer companhia a Matheus Oliveira, juntar os três emprestados e despachá-los a todos na primeira oportunidade. 

6. Emprestar Battaglia, Jovane e Miguel Luís para poderem recuperar e/ou evoluir e serem úteis na próxima época num contexto mais favoravel. Deixar os emprestados onde estão a jogar e a evoluir também.

7. Completar o plantel com os melhores dos sub-23 que estão em plena actividade, em particular, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Rodrigo Fernandes e Pedro Mendes, e dar verdadeiras oportunidades a Camacho e a Plata. Doumbia, Wendel e Rosier são também sub-23 e têm muito por onde evoluir. Ristovski pode ser útil a médio direito, mas a defesa já se viu que é incapaz.

 

E com isto fazer mais uma ou duas eliminatórias da Liga Europa, conseguir chegar no fim ao 3.º lugar da Liga e deixar construída a base da equipa do próximo ano.

Enfim... digo eu... no dia de hoje. 

Vamos ver o que o futuro nos dará.

SL

Pódio: Bruno, Wendel, Mathieu, Max

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Gil Vicente-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 14

Wendel: 13

Mathieu: 12

Luís Maximiano: 12

Rosier: 11

Vietto: 11

Camacho: 10

Jesé: 10

Acuña: 10

Luiz Phellype: 9

Idrissa Doumbia: 9

Bolasie: 8

Ilori: 7

Eduardo: 4

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor sportinguista em campo.

Armas e viscondes assinalados: Aquele Sporting a quem todos cantam de galo

Gil Vicente 3 - Sporting 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

1 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (2,0)

Um dos retratos acabados desta temporada digna de dó do Sporting consiste no facto de o jovem guarda-redes contar com três derrotas entre os quatro jogos que leva a titular. Raramente a frase “fraco rei faz fraca a forte gente” se aplicou tão bem quanto ao efeito que a miserável planificação do plantel e os erráticos princípios tácticos estão a ter num miúdo cheio de valor e que pode fazer parte de um futuro mais risonho. No que toca à exibição propriamente dita, sem culpas nos três golos que sofreu, Maximiano abriu as portas ao azar ao driblar um adversário, sem piores consequências do que a cedência de um pontapé de canto.

 

Rosier (2,0)

Ainda que vá ganhando alguma confiança nas subidas falta-lhe precisão nos cruzamentos. Até ao final desta triste temporada pode ser que venha a permitir compreender os milhões de euros que génios na gestão de activos futebolísticos investiram no seu passe.

 

Tiago Illori (1,5)

Ofereceu o primeiro golo ao Gil Vicente de uma forma que desafia qualquer tentativa de explicação, embora se possa referir que a culpa é sobretudo de quem o contratou. No resto do jogo procurou concentrar-se o suficiente para não repetir a oferta, no que foi razoavelmente bem sucedido até ser retirado de campo para dar lugar a Eduardo.

 

Mathieu (2,5)

Quando até o francês comete erros infantis está visto que nada pode correr decentemente. Vários passes direitinhos para adversários pautaram uma noite para esquecer, e em que tomou o lugar do lesionado Coates como ponta de lança “special guest star” nos últimos minutos.

 

Acuña (2,0)

Cometeu o pénalti que deu origem ao 2-1 precisamente por ter deixado um adversário aparecer nas suas costas, o que é ainda mais gravoso por manchar a exibição do leão mais aguerrido por entre demasiados mansos.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Era bem capaz de ter a água do duche a correr quando foi mandado chamar pelo árbitro Hugo Miguel, entretanto recordado do protocolo do VAR, pelo que pode dizer que provocou uma hemorragia nasal a um adversário em plena grande área do Sporting sem qualquer punição (as imagens televisivas permitiram ver que houve fora de jogo antes do passe para o seu alvo). Pena é que seja essa a nota mais digna de crédito em 100 minutos tão esforçados quanto novamente evidenciadores das limitações que desaconselham o seu estatuto de titular praticamente indiscutível.

 

Wendel (3,0)

Realizou o primeiro remate do Sporting, já depois dos 40 minutos, numa jogada em que fez uma tabelinha com as pernas dos vários adversários que tinha pela frente, o que serviu de aquecimento para o golo que permitiu ao Sporting sonhar que poderia reaproximar-se do pódio, aproveitando o tropeção algarvio do Famalicão. Por muito que se fale em frango do guarda-redes há que reparar que o médio brasileiro conseguiu enganá-lo com a movimentação do corpo antes de tocar na bola. Na segunda parte procurou municiar os colegas, mas saiu antes dos 70 minutos para dar entrada a Bolasie, talvez por Silas considerar que havia demasiado talento presente.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Além de ter ajudado a explicar ao árbitro Hugo Miguel que teria de retirar o segundo amarelo a Doumbia ao anular a jogada que lhe deu origem, assinou mais uma obra-prima na assistência de longa distância para o golo de Wendel. Outras tentou fazer, mas Jesé e Rosier tinham outros afazeres que os impediram de encaminhar a bola para o fundo das redes. E quis o infortúnio que terminasse o jogo no chão, ludibriado pelo autor do terceiro golo do Gil Vicente. “Faltou personalidade, faltou atitude”, sentenciou na “flash interview”, revelando um poder de concisão tão notável que justifica a pergunta recorrente: tendo em conta o salário de Bruno Fernandes não seria melhor que acumulasse as funções de treinador e de presidente da SAD?

 

Vietto (2,0)

Pior do que um mau jogador só mesmo um bom jogador inconsequente. O argentino movimentou-se muito, mas raramente ou nunca bem, deixando como melhor cartão de visita um remate que embateu num adversário e não saiu longe da baliza.

 

Jesé Rodríguez (1,0)


Fez-se notar pelo número de vezes que caiu ao relvado dentro ou nas imediações da grande área do Gil Vicente. Numa dessas ocasiões até rematou contra o guarda-redes da equipa da casa, tombando de seguida. Valerá a pena recordar a existência de Pedro Mendes, aquele rapaz dos sub-23 que um comité de génios resolveu não inscrever na Liga e que neste fim-de-semana voltou a marcar dois golos, um dos quais de livre directo?


 

Luiz Phellype (1,5)

Grandes são os desertos, minha alma! Assim escreveu Fernando Pessoa, incapaz de prever a desventura de um ponta de lança que nada de bom conseguiu fazer ao longo de uma noite interminável.  

 

Bolasie (1,5)

Nada melhor conseguiu do que um bom cabeceamento, prontamente anulado por… (ler mais abaixo)

 

Rafael Camacho (1,0)

Colado à linha, quase sempre na faixa esquerda, colaborou com a linha defensiva do Gil Vicente ao bloquear um remate de cabeça de Bolasie. 

 

Eduardo (1,0)

Bons tempos aqueles em que ficava ligado a goleadas do Sporting, mais precisamente na visita ao Jamor em que até Idrissa Doumbia marcou à Belenenses SAD, então sua entidade empregadora. Dito isto, nada de especialmente mau fez, mas cientistas do futuro tentarão explicar o que Silas pretendia com a sua entrada.

 

Silas (1,0)

Descer do céu ao inferno em coisa de três dias começa a ser tão habitual que o ainda treinador escolhido pelo ainda presidente do Sporting aparenta estar conformado, contando ainda com a magnânima benevolência do triunfador Vítor Oliveira, lesto a justificar o desaire alheio com a má qualidade do plantel. Ora, sendo isso inquestionável numa equipa com Tiago Ilori e Jesé Rodríguez, supõe-se que – perante a ausência de talentos puros como Matheus Pereira e João Palhinha, para mencionar apenas dois casos de empréstimos com aroma de gestão danosa, aos quais se deve somar o de Francisco Geraldes e mesmo o de Gelson Dala – nada impede Silas de chamar a jogo Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Mendes ou Joelson Fernandes a mostrarem o que valem. Por outro lado, o turbilhão táctico em que lança a equipa leva a que se torne cada vez mais honesto falar de um plantel desorientado pelo treinador. Culpado em última instância pela péssima atitude em campo dos jogadores em Barcelos, falhou escandalosamente nas substituições e se hoje está a um passo do abismo teme-se que dê o passo em frente, dentro de dias e mais uma vez diante o Gil Vicente, na segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 
 

Da derrota em Barcelos (3-1). Perdemos sem discussão possível, levados ao tapete pelo Gil Vicente, muito bem orientado por Vítor Oliveira. Aos 18', já estávamos com o primeiro enfiado nas nossas redes. Ainda empatámos antes do intervalo, mas aos 55' sofremos o segundo, de penálti, e nunca mais conseguimos acompanhar a pedalada da equipa anfitriã. O terceiro aconteceu mesmo ao cair do pano, conferindo mais justiça ao resultado.

 

Da péssima exibição.  Basta anotar que o primeiro remate do Sporting surgiu apenas aos 43', com um pontapé de Wendel à malha lateral. Mediocridade absoluta da nossa linha dianteira, incapaz de desmontar a teia bem urdida pela muralha defensiva do Gil Vicente, que há duas épocas militava no terceiro escalão do futebol português. Na maior parte do tempo a equipa ainda orientada por Silas limitou-se a trocar a bola em zonas recuadas do terreno, de forma totalmente inofensiva, num reflexo evidente do descalabro exibicional dos jogadores que vestem de verde e branco. Nenhum deles teve desempenho positivo. Bruno Fernandes limitou-se a ser o menos mau neste primeiro jogo da Liga em que não fez qualquer remate à baliza nem ensaiou um só tiro de meia-distância.

 

De termos somado quatro derrotas à 12.ª jornada. Um terço dos jogos perdidos quando faltam duas rondas para terminar a primeira volta do campeonato. Segundo desaire consecutivo fora de casa após a derrota em Tondela. Somamos já tantas derrotas como o Rio Ave, o Moreirense e o próprio Gil Vicente. E mais do que o V. Guimarães, o V. Setúbal, o Boavista e o Famalicão. Só conseguimos vencer metade dos jogos disputados sob o comando de três técnicos: Keizer, Pontes e Silas.

 

De Ilori. Numa equipa que vai exibindo preocupantes carências e gritantes defeitos, o central chamado a titular por lesão de Coates demonstrou uma vez mais que não tem categoria para integrar o plantel leonino. O golo inaugural do Gil Vicente nasce de dois erros indesculpáveis deste defesa que há quase um ano regressou a Alvalade: entregou a bola ao extremo adversário e colocou-o em jogo. O descalabro colectivo do Sporting começou neste lance. Nunca é de mais repetir: este jogador veio "substituir" Demiral e Domingos Duarte, despachados a troco de quase nada, o que configura gestão danosa.

 

De Jesé. Silas continua a apostar nele por motivos que ninguém consegue descortinar. Desta vez o "DJ" foi mesmo titular - e mais uma vez demonstrou que, ao trazê-lo por empréstimo para Alvalade, Frederico Varandas falhou em toda a linha. Exímio apenas a atirar-se para o chão e a protestar com a equipa de arbitragem, o espanhol não criou lances de perigo, chegou sempre atrasado à zona de decisão, mostrou-se incapaz de articular lances com os companheiros. E mesmo assim o técnico manteve-o em campo durante 76 minutos. Um verdadeiro mistério.

 

De Vietto. Se não foi o rei dos passes falhados nesta partida, andou lá muito perto. Incapaz de criar desequilíbrios e de rasgar espaço entre as linhas, desistindo com facilidade da disputa da bola, revelou uma chocante falta de intensidade na organização ofensiva do Sporting. Não basta ter boa técnica: é fundamental ter compromisso com a equipa, algo que faltou ao argentino.

 

De Eduardo. Outra nulidade. Silas deu-lhe ordem para entrar aos 83', quando finalmente mandou sair Ilori. O ex-médio do Belenenses SAD, inexplicavelmente contratado pela actual administração da SAD, continua a deixar bem evidente que não reúne condições mínimas para integrar o plantel leonino. Nas primeiras duas vezes em que tocou na bola, chutou para fora. Se estávamos a jogar com dez, com ele em campo ficámos à mesma com menos um.

 

Da classificação. Seguimos em quarto, a uma distância cada vez maior do Benfica, que lidera o campeonato com mais 13 pontos. Já perdemos 16 nestas 12 jornadas iniciais da Liga 2019/2020. E fomos incapazes de reduzir a distância de quatro pontos que nos separa do Famalicão, igualmente derrotado nesta jornada.

 

De levarmos já 15 golos sofridos.  "Apenas" mais dez do que o FC Porto e mais onze do que o Benfica. E mais sete do que o Boavista e o V. Setúbal. E, em golos sofridos, vamos ainda atrás de outras quatro equipas: Gil Vicente, Rio Ave, Santa Clara e Tondela.

 

Do balanço provisório desta temporada futebolística. Acumulamos sete derrotas e sete vitórias em jogos oficiais, com 12 golos sofridos em dez partidas do campeonato.

 

 

Gostei

 

De ver Luís Maximiano na baliza leonina. O jovem guarda-redes, lançado por incapacidade física de Renan, não merecia ter sofrido três golos neste seu jogo de estreia como titular no campeonato.

 

De ver Wendel empatar aos 45'+1. O brasileiro beneficiou de um grande passe de Bruno Fernandes (mais uma assistência) e da deficiente prestação do guarda-redes adversário, que praticamente lhe ofereceu o golo, surgido na melhor altura para nós. Infelizmente, à má primeira parte sucedeu-se um péssimo segundo tempo: o golo do empate não funcionou como tónico.

 

Do Gil Vicente. Merece respeito, esta equipa. No seu terreno já derrotou FC Porto e Sporting, além de impor um empate ao Braga. Vantagem de ter um treinador experiente em vez de um caloiro.

Armas e viscondes assinalados: A bela noite a que os adeptos já tinham direito

Sporting 4 - PSV Eindhoven 0

Liga Europa - Fase de Grupos 5.ª Jornada

28 de Novembro de 2019

 

Luís Maximiano (4,0)

Ouviu o apito final deitado no relvado, com a bola nas mãos, na sequência de mais uma ocasião em que chegou primeiro do que os avançados do eliminado PSV Eindhoven. O modo como olhou para a bola diz tudo o que há para dizer acerca de exibição que teve um único defeito: a pérola da formação leonina a quem chamam “Max” merecia que tivesse sido aquela a sua estreia a titular pela equipa principal em vez de qualquer um dos dois jogos de má memória em que não conseguiu impedir derrotas do Sporting. Não foi o caso desta vez, como pôde testemunhar o renegado Bruma, a quem roubou um golo que poderia relançar o jogo para a equipa holandesa na primeira parte. Depois do intervalo voltou a mostrar ao que vinha numa defesa de recurso a um remate em posição frontal, tal como demonstrou ter velocidade suficiente para se lançar ao solo e agarrar bolas deixadas passar pelas fífias de colegas menos talentosos. Espera-se que esta noite tenha sido o início de uma lenda que faça esquecer de vez o actual titular do Wolverhampton.

 

Rosier (3,0)

Há qualquer coisa na sua abordagem defensiva que não convence, mas não deixa de ser verdade que se esforçou muito para não dar bronca, o que se traduziu numa quantidade de cortes bastante assinalável. No ataque foi aproveitando ao longo do jogo o baixar de braços do adversário para ganhar a linha e servir colegas que poderia ter feito um resultado final ainda mais impressionante.

 

Tiago Ilori (3,0)

Nem as falhas flagrantes que vieram recordar os sportinguistas de que Eric Dier faria ali mais falta do que os “Jesualdo boys” Ilori e Bruma tiveram consequências gravosas, o que demonstra a tranquilidade da melhor noite do Sporting nesta triste época. Muito bem escoltado por Maximiano e Mathieu, o já não assim tão jovem defesa central resolveu quase tudo quase bem, ainda que se tenha arriscado a ver um cartão de outra cor numa entrada a pés juntos mesmo no final da partida.

 

Mathieu (4,0)

A execução do 3-0, desde a sábia movimentação para o canto largo marcado por Bruno Fernandes até ao remate em esforço, de baixo para cima, como mandam as regras do futebol-espectáculo, é o melhor cartão de visita do adiamento da reforma do francês para meados da próxima década. Não contente, mostrou-se intratável para com os infelizes adversários que foram aparecendo no seu raio de acção, acumulando cortes a travar qualquer veleidade do PSV. Saiu uns minutos antes do fim para descansar as pernas e também para ouvir uma merecida ovação.

 

Acuña (4,0)

Os mais distraídos terão pensado que Diego Armando Maradona aparecera no relvado de Alvalade quando Acuña apanhou a bola na linha do meio-campo e passeou-a, à revelia de quem procurava desarmá-lo, até ser derrubado na grande área adversária. Haveria algo de justiça cósmica se lhe tivessem permitido marcar a grande penalidade que selou o resultado, tal como seria agradável que o recém-entrado Jesé Rodríguez tivesse aproveitado melhor um excelente cruzamento do argentino. Seja como for, do primeiro ao último minuto Acuña provou, a defender e a atacar, que é imprescindível num Sporting com ambição de fazer melhor.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Esteve mais certo do que é habitual, sobretudo no transporte de bola, marcando pontos numa competição interna algo esvaziada pelo estatuto de eterno lesionado de Battaglia e pela extrema juventude de Rodrigo Fernandes. Espera-se que esteja preparado para ser uma das chaves da conquista de três pontos na deslocação ao estádio do Gil Vicente.

 

Wendel (3,0)

Regressou à equipa, cumprido o castigo, e não precisou de muito tempo para deixar claro que é melhor do que Eduardo e Miguel Luís a carburar o meio-campo. Mesmo sem deslumbrar, a sua competência contribuiu para a bela noite a que os adeptos já tinham direito. Veja-se o passe perfeito para o que teria sido o 5-0 se Vietto tivesse a pontaria mais afinada.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Dois golos e duas assistências valeram-lhe a distinção de melhor jogador da Liga Europa nesta semana, somando-se à inclusão na lista dos 50 melhores futebolistas nas competições da UEFA na temporada passada. Num jogo muito próximo da perfeição, o capitão começou por testar a atenção ao guarda-redes com um remate de longa distância, preparando-o para o que estaria para vir. Assim foi, poucos minutos depois de fazer a assistência para o golo inaugural de Luiz Phellype com a ponta da chuteira, quando recebeu a bola de Wendel, avançou pelo meio-campo e puxou o pé que a Europa já conhece para trás, com a bola a tocar no poste antes de se alojar nas redes. Não satisfeito com o resultado, e com o papel de maestro de uma orquestra muito bem afinada, fez a segunda assistência com o melhor pontapé de canto dos últimos tempos, e na segunda parte dedicou-se a controlar as operações. Isto, claro está, sem deixar de tentar remates de longe e de fazer o resultado final com uma cobrança de pénalti plena de classe. Garantido o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, e com “folga” na deslocação à Áustria devido ao cartão amarelo que viu na primeira parte, nada há temer tirando a tenebrosa hipótese de ter feito o último jogo europeu de leão ao peito, numa transferência destinada a compensar a sucessão de incompetências da actual gerência e da brilhante comissão de gestão cujo paladino Sousa Cintra fez custar mais três milhões ao Sporting devido ao despedimento ilegal do treinador Sinisa Mihajlovic.

 

Bolasie (3,0)

Merece mais a nota pela presença e arrancadas que puseram em alerta a defesa contrária do que por qualquer efeito prático da sua prestação. Na retina ficou a tentativa atabalhoada de marcar com um pontapé acrobático de costas para a baliza e a conquista do canto que valeu o 3-0. Aqui que ninguém nos ouve, foi poucochinho. Mas tudo está bem quando acaba bem.

 

Vietto (3,0)

Também não foi o “verdadeiro artista” a que começou a habituar os adeptos, perdendo a hipótese de deixar marcar ao falhar um remate em arco em posição frontal. Perdeu uma boa oportunidade de provar à Europa que voltou para conquistar o mundo.

 

Luiz Phellype (3,5)

A subtileza no desvio da bola e a assertividade na conquista de posição para o cabeceamento que inaugurou o marcador antes dos dez minutos lançou uma promessa de noite memorável que não foi totalmente cumprida. O avançado brasileiro pode queixar-se de falta de ajuda dos laterais e dos extremos, mas a verdade é que demonstrou os limites que o cerceiam no controlo de bola deficiente que o impediu de seguir isolado para a baliza num lance na segunda parte.

 

Jesé Rodríguez (2,0)

Entrou para o lugar de Luiz Phellype e tentou demonstrar a tese de Frederico Varandas que lhe atribui qualidades de avançado-centro móvel. Por azar dos Távoras chegou atrasado a um excelente cruzamento de Acuña e concentrou-se em impor respeito aos adversários.

 

Neto (2,5)

Tirando uma antecipação escusada a Luís Maximiano, cumpriu sem dificuldades a missão de manter a baliza do Sporting inviolada nos minutos em que tomou o lugar de Mathieu.

 

Rafael Camacho (1,5)

Poucos minutos pouco aproveitados. Contribuiu apenas para o chavão “três da formação” em campo.

 

Silas (4,0)

Desta vez conseguiu que a equipa não desse meia hora de avanço ao adversário, montando uma equipa dominadora e que não permitiu quase nada ao PSV Eindhoven. Sendo certo que beneficiou do estado de graça dos melhores do plantel (Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu), teve uma noite que deverá ser recordada e repetida, de preferência com Wendel a cimentar-se no meio-campo e com outras opções nos extremos. Será que Gonzalo Plata ou até os adolescentes Joelson Fernandes e Bruno Tavares não conseguem fazer melhor do que os “incumbentes”?

É longo e árduo, mas chegaremos lá

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1

Bruno Fernandes é talvez o melhor jogador que vimos actuar no Sporting nestas duas últimas décadas.

Ontem, para a Liga Europa em Alvalade, superou a sua marca pessoal num só jogo ao intervir nos quatro golos da partida. Marcou dois e deu outros tantos a marcar. E é já o quarto melhor marcador leonino de todos os tempos em provas europeias, com 12 golos. Só ultrapassado por Mascarenhas (13), Manuel Fernandes (18) e Liedson (26).

Hoje, a UEFA elegeu-o como o jogador mais destacado da quinta ronda das competições europeias. Distinção inteiramente merecida.

 

2

Um grande Bruno torna ainda maior o Sporting: igualámos ontem o nosso melhor registo de sempre na Liga Europa, a par com a temporada 2010/2011. Com quatro vitórias em cinco jogos. E ainda podemos conseguir a melhor prestação de sempre na fase de grupos desta competição, em que já nos qualificámos para os 16 avos de final.

Com 2,2 golos por jogo. Também aqui uma das nossas melhores médias na Liga Europa.

Na noite de ontem, eficácia máxima: sete remates, seis dos quais à baliza. Três produziram golos.

 

3

De salientar ainda que o Sporting foi a única equipa portuguesa que não sofreu golos nesta ronda europeia.

O caminho faz-se caminhando. É longo e árduo, mas chegaremos lá.

Pódio: Bruno Fernandes, Mathieu, Max

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-PSV pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 23

Mathieu: 19

Luís Maximiano: 19

Acuña: 18

Luiz Phellype: 17

Idrissa Doumbia: 16

Wendel: 15

Bolasie: 15

Ilori: 15

Vietto: 15

Neto: 14

Rosier: 14

Camacho: 13

Jesé: 13

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo.

Rescaldo da noite europeia e algumas reflexões...

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Faltam adjectivos para definir a classe de Bruno Fernandes. Ontem maravilhou os espectadores presentes em Alvalade com dois golos e outras tantas assistências, dispondo de liberdade de movimento no meio-campo, jogou e fez jogar. Um privilégio ter este jogador de classe mundial como capitão da nossa equipa.

Ontem foi uma noite gala para o Sporting e uma azia para a orfandade letal, apostada em cavalgar a insatisfação com os maus resultados da equipa, para regressar a um passado de má memória e retomar injustificadas benesses. Saiu-lhes o tiro pela culatra, mal tentaram entoar os seus cânticos de insulto ao presidente, foram vaiados pelos sportinguistas no estádio, que mostraram claramente que não têm saudade dos comportamentos incendiários e demais javardices que eram prática habitual na bancada Sul.

Não é por ganhar um jogo, apesar da boa exibição, que deixo de criticar Frederico Varandas e defender antecipação de eleições para a Primavera de 2020. Mas uma coisa é certa, na questão das claques, o presidente tem o apoio maioritário dos sócios, incluindo o meu. Aguardemos serenamente os próximos resultados, esperando que a próxima janela de transferências em Janeiro não traga mais do mesmo, incompetência igual à demonstrada no Verão passado.

Bruno Fernandes só pode sair pela cláusula em Janeiro, nunca abaixo de 70 milhões no final da época. Os restantes até podem ser negociáveis, mas jamais a preço de saldo. E terão que ser substituídos por jogadores de qualidade. É tempo dos responsáveis pelo futebol mostrarem o que valem, ou serem substituídos...

Ídolos zero? Vão-se ....

Em mais uma variação táctica de Silas, desta vez parecendo mais Keizer que Peseiro, o Sporting surgiu num 4-3-3 de ataque, com combinações bem conseguidas nas laterais e encostando o PSV à sua área.

Mas nada disso seria conclusivo se não fossem as individualidades do costume. Bruno Fernandes assiste para o primeiro, marca um golaço no segundo, assiste para o golaço de Mathieu no terceiro, marca o penálti cavado brilhantemente por Acuna no quarto. Bruno Fernandes, Mathieu, Acuña, três dos quatro craques do plantel. Os meus ídolos e de muitos Sportinguistas. Quem não são os meus ídolos de certeza são aqueles que mais uma vez confundiram os interesses das suas seitas com os do Sporting, nem quem lhes dá ordens ou incentiva para o efeito.

O Sporting precisa de ídolos, jogadores que se destaquem e que façam a diferença, cativem a malta nova, tragam novos adeptos ao estádio para os ver jogar. Bruno Fernandes à cabeça, grande homem, grande capitão.

Para além dos ídolos hoje tivemos um grande guarda-redes entre os postes, Max. Sempre gostei de Renan, que já nos deu muitas vitórias e foi decisivo em duas taças. Lesionado sabe-se lá porquê. Max entrou e quem não soubesse iria dizer que estava ali um guarda-redes no topo da carreira, concentrado, seguro e a fazer tudo bem feito.

Silas está de parabéns (agora não tem mesmo perdão se resolver voltar a inventar tripés e trincalhadas). Grande vitória, grande noite do Sporting Clube de Portugal.

SL

Quente & frio

Gostei muito de quase tudo esta noite. Da exibição de gala do Sporting em Alvalade frente ao PSV, hoje eliminado da Liga Europa pelo onze leonino: foi a melhor actuação da época da nossa equipa, traduzida em números concludentes - vitória por 4-0. Única goleada com marca do Leão até ao momento nesta temporada 2019/2020. Começou a ser construída muito cedo, logo aos 9', com um golo de cabeça de Luiz Phellype à ponta de lança clássico, prosseguindo aos 16' com um forte disparo de meia-distância do capitão Bruno Fernandes, que esteve nos quatro golos. Marcou dois, deu dois a marcar (o primeiro e o terceiro, aos 42', na cobrança de um canto a que Mathieu deu a melhor sequência com um magnífico pontapé sem deixar a bola cair no chão) e apontou o último, de penálti, aos 64'. Esteve em todos, revelou-se uma vez mais o melhor em campo, nunca tinha alcançado números tão brilhantes numa partida só. Proeza tanto mais de realçar quanto sabemos que o adversário é uma equipa com excelente reputação: o PSV segue em terceiro lugar no campeonato holandês. Mas quem ruma em frente na Liga Europa é o Sporting.

 

Gostei da exibição de Luís Maximiano, hoje titular em estreia na baliza leonina numa competição da UEFA - sucedendo de algum modo a Rui Patrício, que se estreou há 12 anos na mesma posição. Muito seguro e concentrado, com bons reflexos, teve um papel irrepreensível não apenas entre os postes mas também a antecipar-se em saídas oportunas que abortaram lances ofensivos do PSV. Também gostei que tivéssemos terminado o jogo com três elementos da formação leonina em campo: além de Max, Ilori e Rafael Camacho. E do impressionante slalom de Acuña atravessando o campo todo com a bola dominada, imitando o seu compatriota Diego Maradona aos 63', na mais vistosa jogada do desafio, só terminada quando o lateral argentino foi derrubado em falta dentro da grande área holandesa, daí resultando o nosso último golo.

 

Gostei pouco  das actuações de Vietto e Bolasie, únicos titulares que estiveram abaixo do desempenho médio da equipa. Nem os passes lhes saíram bem, nem a pressão de que estavam incumbidos resultou com eficácia nem a pontaria de ambos se revelou afinada. O congolês, por exemplo, rematou três vezes, mas sempre à figura do guardião adversário.

 

Não gostei  do regresso de Bruma a Alvalade. Com a camisola errada: não estava de Leão ao peito apesar de ter sido formado na Academia de Alcochete. Há seis anos, forçou a saída do Sporting, renegando o clube que lhe ensinou quase tudo quanto sabe. O destino não lhe sorriu nesta efémera reaparição na antiga casa-mãe: teve um desempenho medíocre ao serviço do PSV, terá sido talvez o pior jogador em campo e acabou por não regressar depois do intervalo.

 

Não gostei nada de ver duas dúzias de viúvas aos gritinhos contra o presidente leonino, ainda antes de terminar o jogo, indiferentes à exibição, ao triunfo e à goleada. Desrespeitando assim os profissionais do Sporting que davam o seu melhor em campo, a equipa técnica que os orientou muito bem e o conjunto dos adeptos. Era noite de aplausos, não de assobios - excepto para aquela minoria que insiste em torcer pelas derrotas. A reacção das restantes bancadas não se fez esperar: esse bando de imbecis, acampado na zona onde costumava ficar a Juve Leo, recebeu uma estrondosa vaia da vasta maioria que vê neles aquilo que realmente são. Letais ao Sporting.

Uma nau à deriva

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A intenção é clara: preparar sócios e adeptos, através de notícias plantadas na imprensa, para a "inevitabilidade" da saída de Bruno Fernandes. Único verdadeiro ídolo do actual futebol do Sporting. Única garantia de que teremos alguém do plantel leonino presente no Campeonato da Europa que vai decorrer em Junho e Julho de 2020.

Caso se concretize já em Janeiro, como tudo vem indiciando, esta saída constituirá mais um erro lapidar da gestão do futebol verde e branco. Apenas há dois meses, Frederico Varandas assumiu como opção estratégica da SAD a manutenção de Bruno no plantel, o que terá justificado - na perspectiva do presidente - a apressadíssima saída de três titulares da equipa: Raphinha, Thierry e Bas Dost.

Deixá-lo sair agora, por qualquer valor abaixo da cláusula de rescisão, revelará nova guinada estratégica (em Agosto a prioridade era transferir o jogador por 70 milhões), prenunciando a definitiva descapitalização do plantel com a saída do capitão, clareiras ainda maiores nas bancadas de Alvalade (onde Bruno é o único jogador ainda capaz de atrair espectadores para jogos ao vivo) e a perda do nosso solitário representante na selecção que vai disputar o Euro-2020.

Mais: Bruno Fernandes é hoje o verdadeiro rosto do futebol leonino, como bem demonstram as imagens aqui reproduzidas pelo José Cruz e pelo Paulo Figueiredo. Perdê-lo agora - antes da valorização de que será alvo, daqui a meio ano, no Europeu - representará mais um rombo nesta frágil nau à deriva em que se transformou o futebol do nosso clube.

Depois ninguém diga que não recebeu alertas em devido tempo. O meu aqui fica, uma vez mais.

Bela foto...

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... De Bruno Fernandes e outros jogadores do plantel do Sporting em treino com o Sporting do futuro.

É bonito de ver. E é bom marketing. Também é preciso.

Mas não chega.

Entre muito que é preciso clarificar, com urgência, uma das coisas mais importantes é justamente o futuro de Bruno Fernandes. Estará mesmo em cima da mesa a sua saída em Dezembro, depois de Varandas ter justificado a venda destempada de Raphinha e outros com a necessidade de manter o capitão?

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