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És a nossa Fé!

Faz hoje um ano

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Imediatamente antes do jogo Sporting-Aves, que marcou a estreia de Rúben Amorim como treinador do Sporting, houve junto ao nosso estádio uma manifestação contra o presidente Frederico Varandas com a presença de largas centenas de adeptos e a entusiástica adesão da chamada Juventude Leonina.

A manifestação acabou por se prolongar nas bancadas do estádio, sobretudo na curva sul, de onde logo no início da partida já se escutavam indignadíssimos gritos não apenas contra os dirigentes do clube mas contra os próprios jogadores. 

«Estavam decorridos apenas 15 minutos quando começaram a escutar-se, de forma bem audível, vaias insistentes aos jogadores leoninos, cruzadas com gritos como "joguem à bola", "corram", "chutem". Quando será que estes adeptos perceberão que um ambiente tão hostil só perturba e desconcentra a equipa?» Palavras minhas, escritas no rescaldo desse jogo, que terminou com vitória do Sporting (2-0, golos de Sporar aos 62' e Vietto aos 64').

 

Fazendo uso da liberdade que me assiste, deixei claro antes da partida que não participaria naquela manifestação. E expliquei porquê. 

Num texto de que transcrevo este excerto:

«Há duas atitudes que nunca tomei nem tomarei: assobiar quem preside ao clube enquanto estou na bancada do Estádio José Alvalade e integrar protestos públicos em dias de jogo. Desde logo porque uma coisa e outra desestabilizam a equipa e dão alento aos nossos adversários. E eu apoio sempre a equipa - seja quem for o presidente, seja quem for o treinador.»

E mais este: 

«Respeito quem se manifestar mas considero um erro que este protesto público ocorra imediatamente antes do Sporting-Aves - tratando-se ainda por cima do jogo em que se estreia o sucessor de Silas, que a partir de hoje é o timoneiro do plantel leonino, gostemos ou não do tempo e do modo como foi contratado.»

Para concluir: «Serei sempre o último a contestar o direito à manifestação. Mas estarei sempre entre os primeiros que advogam uma separação clara entre dia de protesto e dia de jogo. É quanto basta para não aparecer lá.»

 

Na caixa de comentários, reagindo ao que escrevi, logo apareceu o antigo presidente Bruno de Carvalho, que à epoca aqui surgia com alguma regularidade. Com tanta rapidez, nesse dia, que até foi um dos primeiros a comentar:

«Não se preocupe, Pedro. A sua presença será dispensável porque os verdadeiros sportinguistas (a escumalha...) estarão em grande número na manifestação. Toda a gente que lê este espaço sabe qual o tipo de presidente que agrada ao Pedro, por isso fique lá a ver o jogo deste novo Sporting treinado pelo benfiquista fanático e liderado pelo inenarrável dr. Coragem (o homem que salvou o Sporting...). Estamos todos "estristes", menos o Pedro...»

 

Tudo isto a 8 de Março de 2020.

Relendo hoje o que ficou escrito, não tenho a menor dúvida em concluir de que lado estava a razão. 

E aproveito para alargar o debate aos leitores. Para que possam também pronunciar-se sobre o tema.

O Sporting acima de tudo

Correndo o risco de ser acusado de andar a atirar foguetes antes da festa como fez há cinco anos, vem agora Bruno de Carvalho dizer, e a coisa que ele mais detesta é não lhe darem atenção, que acredita que o Sporting vai ser campeão. Diz ainda que o mérito dos bons resultados é de quem está à frente do clube.

Mas de quem afinal? Aquele que perpretou uma golpada e usurpou ilegitimamente o poder? Que já se devia ter demitido há muito? O mérito é do pior presidente de sempre, do incontinente da mentira, o mérito é do Varandas??? Não pode. Não pode mesmo. Mas se ele o diz...

Só não entendi uma coisa... Se o Sporting for campeão não vai ao Marquês porquê? Por causa da divisão? Do resultado da guerra aberta e sem quartel que moveram a esse tal Varandas desde o dia em que foi eleito? Das destituições e expulsões? Não vai ao Marquês por causa do Bruno?

Então, e no caso do Sporting ser campeão, é deixar o Bruno em casa, vestir a camisola, pôr o cachecol, agarrar na bandeira e dar corda aos sapatos mais o primo rumo ao Marquês!

O Sporting acima de tudo!!! Não é assim?

 

#OndeVaiUmVãoTodos (Venha também)

SL

O amor é lindo

"É engraçado verificar que o Sporting ainda não pagou o Rúben Amorim, e a quem é que vai comprar o Paulinho? Ao Braga, que é o clube que sabe a dificuldade que tem tido receber do Sporting. E aí, tenho de tirar o chapéu ao Salvador, que, não tenho dúvida nenhuma que, a seguir ao Pinto da Costa, e por muito que me tenha metido com ele e ele comigo, não tenho dúvida que, a seguir ao Pinto da Costa, é o melhor presidente que há em Portugal. O que ele conseguiu fazer do Sporting de Braga, e não vamos falar das comparações com o Sporting, não há comparação possível… Mas é uma equipa respeitada, que conta, muito interessante, e ele tem mérito nisso. Esta venda do Paulinho, apesar de ter a certeza absoluta que ele o queria manter até ao final da época, estas verbas envolvidas num jogador de 29 anos, que o Salvador sabia que no final da época sairia, quando chegaram a estes valores , ele sabia que nunca iria receber mais no fim da época… Tenho de dizer: Brilhante."

 

Poderia ter sido eu a escrever algo semelhante. É um facto que Pinto da Costa transformou o seu clube, de um clubezeco que se borrava todo assim que passava a ponte da Arrábida para sul, num grande clube a nível nacional e internacional. Eu escreveria isto, mas não me esquecia de mais de trinta anos de vigarices, café e chocolatinhos e de profissionais do sexo, de roubos de igreja, de pagamento de favores, de viagens de férias a árbitros e outros agentes do futebol e não só, do favorecimento de agentes do poder judicial e por aí fora (vai chegar aqui um azeiteiro ou outro e dizer que ganharam na Europa e no Mundo e a resposta vai antecipada, para não me chatearem a molécula: Com o dinheiro ganho com vigarice, deu para fazer excelentes equipas e ganhar. Se quiserem eu depois explico melhor). Resumindo, vigarizando os resultados, dentro e fora de campo.

O trolha transformou o Braga também, é verdade. E também é verdade que muito à custa do Sporting, com quem fez negócios leoninos em que não me lembro de termos saído por cima e muito, muito, à custa de Jorge Mendes, que é quem efectivamente manda naquilo, não serão precisos grandes dotes sherlockianos para se lá chegar. Não compra a arbitragem, nem distribui chocolates e fruta, que se saiba, mas a influência de Mendes, a sua teia de influências tem sido suficiente para manter o Braga a um nível que não sonhariam os braguistas há uma dúzia de anos.

Eu só não escreveria isto, se pudesse ser comparado com ambos e inevitavelmente sair mal no retrato. Falar do Paulinho e da saída a custo zero no final da época para elogiar um ex-par e esquecer André Carrillo, ou é ingenuidade, ou Alzheimer, já que o que aconteceu com este foi no Sporting e não foram seis meses, foi um ano a receber sem jogar, para acabar por sair sem o Sporting nada receber. E isto terá acontecido ao Braga duma forma e ao Sporting de outra, porquê? Já expliquei lá atrás, Mendes! Que foi diabolizado (e com alguma razão não o nego) e é hoje idolatrado, porque ele e o Braga do trolha são uma e a mesma entidade.

 

Eu também não gosto da presidência actual do Sporting, mas isso não faz com que eu esteja aqui todos os dias a zurzir nos seus membros, presidente incluído. Houve tempo, durante a época passada, em que se tornou urgente a realização de eleições. Por razões várias, entre elas a pandemia e outras duvidosas que não me interessa agora aflorar, não caiu a direcção. Esta época as coisas estão a correr bem e mesmo que haja muitos aspectos que continuem precisamente na mesma, ou seja mal, a equipa está a fazer uma época a todos os títulos notável e é obrigação de todos os sportinguistas remarem todos para o mesmo lado. A Liga dos Campeões é o objectivo primeiro, o título é o mais ambicionado e não é andando a dar bicadas diariamente nas redes sociais, que ajudamos a atingir estes objectivos.

Um pouco de contenção, precisa-se.


 

É o Antero

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Desenganem-se os que pensam que o momento que estamos a viver se deve aos jogadores que conquistam em campo as vitórias, ao grupo seleccionado de "manos" de Alcochete, ao Rúben Amorim que lidera brilhantemente o grupo, ao Hugo Viana que desencanta em Espanha Adán, Porro ou Feddal, a Frederico Varandas que arrisca forte nas contratações e nas batalhas legais. 

Nada disso.

Tudo isto se deve... aos poderes satânicos do...  Antero.

Pelo menos é o que twitta (Bruno de Carvalho (@BrunodC72) / Twitter) o nosso ex-presidente. Parece que existe um plano secreto liderado pelo Antero com a cumplicidade de Jorge Mendes e apoiado numa santa aliança Sporting-Benfica para relegar o Porto para o 4.º lugar,  «O objectivo final é a "benfiquisação" do Porto e o "controlo" do Mendes dos quatro maiores Clubes portugueses», diz ele. E remata: «A) Vibrem com as vitórias que bem merecemos; B) Não se deixem enganar novamente; C) Tenham medo, tenham mesmo muito medo.»

Eu por exemplo já fiquei cheio de medo, nem vou conseguir dormir esta noite. Imaginar um Antero assim no Marquês dá-me pesadelos, é mesmo de mais para mim.

Mas mesmo assim não percebo uma coisa. Onde é que entra o Barbini??? 

SL

O Natal já passou

E Janeiro está no fim, com o Sporting na liderança da Liga e com uma Taça conquistada.

E vem aí um Fevereiro que vai ser decisivo. Vamos ter Benfica (C), Marítimo (F), Gil Vicente (F), Paços de Ferreira (C),  Portimonense (C)  e Porto (F). No final do próximo mês, com quase 2/3 dos jogos efectuados, vamos realmente perceber até onde podemos chegar esta época.

O Sporting está bem e recomenda-se. Desde logo porque todos os reforços do início de época já ultrapassaram o necessário período de adaptação, recuperaram de situações anteriores, e mesmo do Covid, e estão em bom momento de forma. Pedro Gonçalves, Adán e Porro já mereceram distinções, Palhinha, João Mário, Feddal, Nuno Santos, Tabata e Antunes estão aí para o que for preciso.

Do lado dos mais jovens a moral é tremenda, o atrevimento também. Nuno Mendes, Inácio, Tiago Tomás, Matheus Nunes, Jovane e Plata estão a conseguir fazer coisas muito para além do que seria antecipável, e Max, Quaresma e Daniel Bragança também têm estado bem.

Os restantes, "El patrón" Coates, o seu fiel escudeiro Neto e Sporar com as virtudes e defeitos de cada um, fecham um plantel competitivo, onde impera um grande espírito de equipa e um enorme respeito pelos valores do nosso Sporting.

Muito disto é resultado do trabalho e da liderança de Rúben Amorim. O modelo de jogo, único no futebol português, foi assimilado por todos e maximizou as capacidades de alguns, e constitui uma mais-valia dentro do campo. Claro que num jogo ou outro, o adversário procurará adaptar-se alterando o seu modelo habitual, mas é como diz Amorim, nesse caso quem mais treina a mesma coisa estará sempre em vantagem.

Nota-se a equipa mais consistente e a falhar menos nas acções individuais, defensivas e atacantes. Claro que num ou outro jogo, por exemplo contra o Rio Ave, a equipa perde o ritmo, a caixa de velocidades engasga-se, e torna-se estéril a atacar e aflita a defender. 

Nota-se também que Amorim está a introduzir aos poucos coisas novas, coisas de equipa grande. Nas bolas paradas, lançamentos longos com a mão para a área e cantos bem batidos; no restante, cruzamentos perigosos em diagonal, cruzamentos atrasados da linha de fundo, passes a rasgar desde a defesa. 

Continua a faltar a dimensão aérea atacante, quase não me recordo de um lance com Nuno Mendes ou Porro a centrar para a cabeça de alguém e golo. Ora é um verdadeiro desperdício ter estes dois e mesmo um Plata ou Antunes nas alas, todos eles sabem centrar tenso e colocado desde longe, e não ter um ponta de lança exímio no jogo aéreo.

Vamos ver se o problema se resolve até ao fecho do mercado.

#OndeVaiUmVãoTodos

 

PS: Não queria deixar de dar os parabéns a personalidades... Sportinguistas como Nuno Sousa, Carlos Vieira, Augusto Inácio ou Bruno de Carvalho, pelos seus comentários e mensagens vibrantes nas redes sociais na sequência de mais uma Taça conquistada, ou seja, mais uma jornada de glória para o Sporting Clube de Portugal.

SL

O homem da ONU

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André Geraldes, ex-director geral do futebol do Sporting, o outro ex-funcionário e o próprio clube foram ilibados por falta de provas de toda e qualquer questão no âmbito do processo Cashball, concluiu a investigação conduzida pela Polícia Judiciária. Uma óptima notícia para o Sporting e para todos os Sportinguistas.

Por outro lado, a investigação policial decorrente do processo veio trazer a lume as largas quantidades de dinheiro vivo que circulavam pelo clube, controladas da mesma forma que as mercearias noutros tempos, à mercê de qualquer um mais necessitado, com contas para pagar ou dívidas para liquidar.

Voltando ao André Geraldes, trata-se de alguém, adepto do clube e com passagem pela bancada das claques (não sei se chegou mesmo a integrar a Juveleo), que entrou no Sporting pela mão de Bruno de Carvalho e que o acompanhou durante a sua presidência, primeiro como OLA e depois como Director Geral do Futebol Profissional. O André estudou Gestão de Desporto na Lusófona, teve uma carreira profissional maioritariamente ligada à coordenação comercial de unidades de negócio do tipo "call center" e foi pontualmente técnico de futebol. Depois de se ter desligado do Sporting na sequência daquele processo, foi gerir a SAD do Farense e está agora como CEO do novo Estrela da Amadora. Ou seja, foi alguém que não se afundou no sofá ou na depressão, nem foi parar ao hospital intoxicado no dia das eleições, nem anda a vender a raiva ao metro, mas antes, depois de ser falsamente acusado daquilo que não fez, e ver-se em todos os noticiários do país na pior situação possível, cerrou os dentes e partiu para a luta.

Nas funções atrás referidas, a ideia que me deixou a mim e a quase todos os Sportinguistas, é a de alguém competente, focado, discreto e trabalhador, amigo de consensos, que chegou e depressa conquistou a amizade de Octávio Machado e de Jorge Jesus (o que não deve ser nada fácil mas para alguém não fica nada bem), uma pessoa que foi apanhada no meio duma guerra estúpida desencadeada pela mão de quem tinha entrado no clube.

O próprio retrata a sua experiência nesses tempos, diz que parecia o homem da ONU que tentava apaziguar a situação e por as duas partes em diálogo. Depois de tudo acabar em desastre, levou ainda com a raiva dos leais ao dito cujo, incluindo a oferta duma pizza (com os sicilianos era um peixe, mas por aqui pelos vistos a coisa é mais napolitana) endereçada por um tal alguém com o nome do dito. O ex-presidente, naquele seu jeito característico de tratar abaixo de cão quem o teve de aturar durante algum tempo e depois disse basta, veio agora dizer que se tratava "duma personalidade sinistra", um verdadeiro Maquiavel.

Junto aqui algumas entrevistas que documentam a postura do André Geraldes e o que pensa dele Bruno de Carvalho. Talvez um dia, quando muito deste pó tiver assentado e se calhar noutras funções, ele possa ter uma nova oportunidade para regressar ao Sporting e logo se verá o que poderá fazer num ambiente menos tóxico. Até lá que seja feliz, mas que o Sporting B fique em primeiro do grupo.

19/11/2018 : "A partir de Janeiro as coisas começaram a não sair tão bem a Bruno de Carvalho"

22/09/2019 : André Geraldes trabalhou com Bruno de Carvalho no Sporting durante cinco anos. Agora, os dois não mantêm contacto.

26/11/2019 : Da pizza suspeita à chamada anónima intimidatória

16/11/2020 : «Que alguns abutres não tenham medo da justiça, porque ela funciona»

19/11/2020 : «Uma pessoa sinistra»

SL

 

A semente da divisão interna

Texto de V. Guerreiro

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A imagem do dirigente desportivo português começou a mudar depois do 25 de Abril. Depois dos dirigentes institucionais clássicos, cinzentos, começaram a surgir presidentes populistas, nos quais o povo se revia. Pimenta Machado, Valentim Loureiro, Vale e Azevedo e outros trouxeram para o dirigismo desportivo conceitos da politica e da comunicação populista que não mais o abandonaram.

No Sporting, dirigentes como Jorge Gonçalves, Sousa Cintra e Santana Lopes (por esta ordem) inauguraram essa gestão populista no nosso clube. A eles, sucedeu-se uma nova vaga de institucionalistas e gestores profissionais que começou com José Roquette.

Essa geração, sem eu saber bem qual a origem disso, às tantas, começou a ser designada por “croquetes”, enquanto sinónimo de indivíduos privilegiados. Nesse momento, criou-se o sistema de castas no Sporting e foi lançada à terra a semente da divisão interna.

 

A partir daí, foram-se marcando as clivagens entre uma elite governativa de favorecidos e a massa adepta anónima, o povo sportinguista, sendo a primeira alimentada pelo esforço da segunda através do dízimo da quota. Ao mesmo tempo que isto acontecia, os sportinguistas passaram a olhar para os seus dirigentes com os mesmos olhos com que olhavam para os treinadores: se não ganhas, não serves, tens de ir embora.

Até ao dia em que essa geração foi destronada em favor de um dos nossos. “O Sporting é nosso” foi o mote. O populismo, na figura de Bruno de Carvalho, surgiu em força no Sporting e o Presidente passou a ocupar o espaço mediático, através duma dependência compulsiva do facebook. O Presidente confundiu-se com o Sporting (o Sporting somos nós) e criou as bases para o desenvolvimento dum culto de personalidade nunca visto no Sporting, o qual originou um movimento de massas: o brunismo.

 

Líderes populistas e carismáticos associados a movimentos como Ídolos Zero tornam os jogadores em profissionais privilegiados que não honram a camisola (quando não são mesmo mercenários) e catapultam-se a eles próprios para o palco das paixões.

Enquanto continuarmos a utilizar no nosso discurso vocábulos divisionistas, como croquetes, sportingados e outros, sem percebermos que essas designações têm muitíssimo mais de artificial do que de real, o que nos acontecer de bom será apenas circunstancial.

 

Texto do leitor V. Guerreiro, publicado originalmente aqui.

 

Que imbecis que se tornaram a maior parte dos sócios do Sporting

Foi o que o ex-presidente Bruno de Carvalho afirmou ontem (?) no programa/podcast Primeiro Tempo do site Rugido Verde, onde mais uma vez tentou justificar as asneiras que cometeu, se lamentou do triste fim que teve, elogiou a capacidade comunicacional e manipulatória da actual Direcção, lamentou a nulidade ("nada") dos diferentes candidatos da praça, incluindo Dias Ferreiras, Ricciardis e Beneditos. e apelou à "intifada socialite" (dos "cús sentados" das redes sociais), mesmo que (segundo ele) uns sejam hipócritas, e outros que "agarrem-me, mas vais lá tu".

Mas se a maioria dos sócios do Sporting se tornaram imbecis, já não basta campanhas de "um sócio, um voto", não é pelos sócios mais velhos e mais ignorantes (palavras dele) terem mais votos e acreditarem em tudo o que lhes impingem Varandas, Rogério e companhia limitada, que algum dia os Leais ao Bruno e os seus "compagnons de route", como as claques ressabiadas, terão oportunidade de fazer seja o que for no Sporting.

Mas se, segundo ele,  a maior parte dos sócios do Sporting se tornaram imbecis, se calhar quando ele foi destituído, suspenso e expulso ainda não o eram, e então só tem de reconhecer a justiça das decisões. Que não reconhece.

No que respeita à próxima AG do dia 26, Bruno de Carvalho vem dizer que não se devia realizar, que viola os estatutos e que a tropa do costume já meteu uma previdência cautelar algures, que o resultado da AG não tem qualquer implicação substancial para o governo do clube, mas que mesmo assim... se este Orçamento e Contas for aprovado... é mesmo uma catástrofe (ia a dizer outra coisa, mas contive-me). Uma grande catástrofe. Uma catástrofe mesmo grande. Para muita gente, ele incluído.

Se calhar o imbecil fui eu e muitos Sportinguistas, quando, fechando os olhos a muita coisa, ajudámos a reeleger com 90% dos votos esta personagem para receber em troca uma guerra civil no clube que culminou no assalto a Alcochete. Mas não o vou ser no próximo dia 26 quando depositar os meus votos para aprovar Contas e Orçamento do Sporting Clube de Portugal. 

Porque não se trata dum voto de louvor a Frederico Varandas e à sua gestão do futebol e da SAD. Ele será devidamente avaliado de acordo com os resultados obtidos em campo, mas trata-se das C&O do Sporting Clube de Portugal, da sustentação do ecletismo e das modalidades de pavilhão, exactamente aquela área onde Miguel Afonso, Miguel Albuquerque, diferentes seccionistas, treinadores, capitães e atletas têm feito um grande trabalho numa conjuntura de pandemia extraordinariamente complicada, trabalho esse traduzido em títulos internacionais e lugares cimeiros nos diferentes campeonatos.

 

Notícia: https://bancada.pt/futebol/portugal/que-imbecis-que-se-tornaram-a-maior-parte-dos-socios-do-sporting

Podcast: https://www.rugidoverde.com/2020/09/22/o-que-foi-dito-no-podcast-estatutos-a-la-carte-ep-61-do-primeiro-tempo-com-bruno-de-carvalho-e-alexandre-godinho/

SL

Jesus foi o pior aspecto na minha gestão

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Disse um dia destes o nosso ex-presidente.

A sério? Ninguém diria... Enfim... eu e outros por acaso aquando da contratação dissemos que a coisa tinha tudo para acabar mal. E acabou... para ele e para o Sporting.

Já agora:

1. O que é que disse ao Jesus quando soube do tratado de paz deste com o Vieira no final de 2017, se calhar já a criar as bases para um regresso posterior?

2. Porque é que lançou a braçadeira ao chão no final do jogo com o Benfica quando viu o Jesus em amena cavaqueira com os jogadores do Benfica?

3. Porque é que não foi ao Funchal, um jogo em que estavam em disputa com o tal clube 40M€, e onde poderiam existir fortes suspeitas de que o mestre da táctica metesse folga?

SL

A propósito de estátuas

Têm dado muito que falar mundialmente (e também em Lisboa) as vandalizações de estátuas esta semana. Por princípio oponho-me à vandalização de estátuas, mas é sempre possível discutir o seu conteúdo, a sua finalidade, a homenagem que se pretende fazer. E, se for caso disso, removê-las do espaço público.
No caso do Sporting, não pretendo remover, e muito menos vandalizar a estátua da Rotunda Visconde de Alvalade. Mas creio que se deve discutir seriamente a pertinência de algumas mensagens - pelo menos uma - que lhe são adjacentes. Só vi algo semelhante a isto na Praça da Revolução em Havana. Até gosto muito de Cuba, mas por princípio também me oponho sempre a cultos de personalidade.

 

Almas gémeas

 

«Pela postura, pela forma como ele é em termos de anfitrião, [Pinto da Costa] surpreendeu-me muito, muito pela positiva.»

Bruno de Carvalho, em entrevista à Playboy Portugal (27 de Março de 2019)

 

«No dia em que o Bruno de Carvalho foi destituído do Sporting, mandou-me uma mensagem a dizer: "Cuidado, o FC Porto está tramado. O presidente vai ser o Varandas e vão estar alinhados contra o FC Porto.»

Pinto da Costa, em entrevista ao Jornal de Notícias (31 de Maio de 2020)

 

O que alguns vão dizendo

Disse Dias Ferreira n´"A Bola" de Sábado:

"Há muito que tinha percebido, e não deixei de o escrever, que era difícil dar o salto de uma afirmação façam o que quiserem para uma acusação moral dos crimes praticados em Alcochete naquela fatídica tarde. Foi uma afirmação irresponsável e leviana, que poderia redundar - e redundou - num acto criminoso. A responsabilização criminal, porém, é mais exigente, e não pode haver dúvidas entre causa e efeito, entre uma afirmação irresponsável e uma responsabilidade pela autoria moral. Mas o ex-presidente e ex-sócio do Sporting devia perceber que nem toda a gente gosta de atitudes e comportamentos destes. Devia ter percebido que a legitimidade de 90% dos votos não implica dizer para uns sócios façam o que quiserem e, para outros, eu faço que quero. A maioria não aceitou nem que uns façam ou fizessem o que queriam, nem que que o presidente fizesse o que lhe apetecia. Por isso o destituiu e depois o expulsou".

Disse Ricardo Quaresma  n´"A Bola" de hoje:

"...Depois claro, clubes e dirigentes que criaram um monstro que lhes escapou ao controlo e que têm de continuar a alimentar para não se virar contra eles. Pense, caro leitor: quem foi o único presidente que sofreu por parte das claques o tratamento violento que dedicam a jogadores e treinadores quando as coisas correm mal? Frederico Varandas. Porque foi o único, até agora, com coragem para os enfrentar a sério, tirando-lhes privilégios absurdos e até, questionáveis. E é no fundo essa a grande questão a que temos de responder antes de tudo o resto: as claques interessam a quem?"

Disse a Juveleo depois do empate em Guimarães onde entrámos em campo com cinco jovens da formação, dois em estreia absoluta:

"Resumindo o jogo de ontem, temos mais do mesmo, uma equipa, sem vontade, sem garra, sem alma e sem perspectiva de melhorias."

Já Bruno de Carvalho disse muita coisa numa entrevista via Net a um rapaz qualquer que vive na Holanda, nomeadamente mais ou menos o seguinte:

"1. Que o acordo do Jesus com o Vieira no final de 2017 lhe tirou o sono por muito tempo, não o despediu a seguir, do que muito se arrepende, e foi tudo uma guerra surda a partir daí. A pior decisão da vida dele foi ter ido contratar o Jorge Jesus.

2. Que a seguir ao jogo com o Paços de Ferreira não queria por os pés em Alvalade de novo, foi forçado e forçou-se a si mesmo a voltar. O estádio tinha deixado de ser a casa dele. 

3. Que tinha posto as claques na ordem. O Sporting pagava e as multas eram debitadas às claques."

Disse Nuno Saraiva ontem aqui no blogue:

"...Ou seja, isto é que é a falta de militância que sempre existiu no nosso Clube, e sobre a qual tantas vezes falei enquanto servi o Sporting. Este comportamento é a contradição absoluta dos que passam a vida a encher a boca com o chavão da militância no Clube, mas que depois são militantes de tudo menos do Sporting Clube de Portugal.

Isto é o paradoxo completo dos que passam a vida a encher a boca com os chavões da “defesa dos superiores interesses do Sporting” ou de que “ninguém está acima do Sporting”, mas que depois colocam agendas pessoais e individuais acima do Sporting Clube de Portugal."

Enfim muita coisa para ler e reflectir.

SL

Alcochete e autocarro

É impressionante a analogia entre as motivações e os procedimentos dos fanáticos adeptos sportinguistas de Alcochete e dos fanáticos adeptos benfiquistas que atacaram o autocarro da sua equipa esta semana. Gente como esta tem que ser banida do futebol português, independentemente do clube.
Não vejam nisto de forma nenhuma uma defesa de Luís Filipe Vieira, que aliás tem muito que explicar sobre a relação do Benfica e da sua direção com esses (designados) "grupos organizados de adeptos". Mas onde de facto há uma diferença enorme é no contexto dos dois ataques (o do Sporting e o do Benfica, o da academia e o do autocarro), e tal diferença resulta da atitude dos presidentes. Luís Filipe Vieira falou com a equipa do Benfica no balneário e disse lá o que tinha para dizer. Não sei o que disse (nem me interessa): só sei que o disse lá. Não o disse em público, na comunicação social e muito menos nas redes sociais. Não procurou atirar os adeptos do seu clube contra os atletas. Presumo que tenha sido exigente, como um presidente tem todo o direito a ser. Presumo que tenha manifestado desagrado, como um presidente tem todo o direito a manifestar.
Ficou provado que Bruno de Carvalho nada teve a ver com a organização do ataque a Alcochete (e, por conseguinte, nem o Sporting teve). E ainda bem. Mas Bruno de Carvalho teve muito (ou tudo) a ver com a criação do contexto que tornou Alcochete possível. Episódios como este ataque ao autocarro da equipa do Benfica mostram que infelizmente o ataque a Alcochete nem é um caso único. Mas a loucura de Bruno de Carvalho, sim, essa é.

Todos estiveram mal

Texto de Balakov-Oceano

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Ao contrário de muitos Sportinguistas, estou satisfeito pelo facto do nome dum Presidente do Sporting Clube de Portugal não estar associado ao ataque a Alcochete.

As gerações vindouras de sportinguistas não têm que levar com mais esse fardo.

Alguns até espumam de ódio. Para estes Bruno de Carvalho devia ter sido considerado culpado, apedrejado no fosso de Alvalade (pelo menos tinha utilidade), levado umas chibatadas e o diabo a sete.

O Sporting que se lixe, importante é o satisfazer dos ódios de estimação.

 

Todos estiveram mal neste processo. Quem cobardemente fez o ataque, os órgãos de soberania tão prontos a condenar (s separação de poderes tirou folga nesse dia, o que nunca aconteceria se as cores fossem o vermelho ou o azul).

Bruno de Carvalho esteve também mal. Naquele dia bastava ter escrito e lido uma curta declaração de condenação e anunciado que se demitia, e que seria candidato no próximo acto eleitoral.

Estou convicto que ganharia se tivesse feito isso naquele dia. Não folgadamente, mas ganhava em votos e na consideração dos associados e adeptos.

 

Os Sportinguistas também estiveram mal. Foram lentos a julgar e condenar (nos rivais tal não aconteceria), e cometeram um erro de palmatória.

Tinham deixado que Bruno de Carvalho fosse a votos e, se fosse essa a vontade, tinham arrumado o assunto no local certo através do voto.

A conversa da violação dos estatutos só engana os mais incautos.

Alcochete era o que estava na mente das pessoas.

 

Com tudo isto, a história está longe de terminar. Pelo contrário, acabou de começar e tudo pode acontecer.

 

Texto do nosso leitor Balakov-Oceano, publicado originalmente aqui.

A noite em que Alvalade foi diferente de todas as outras noites

O entendimento de qualquer realidade depende muito da experiência de cada um sobre a mesma e da percepção que conseguiu obter.

Por exemplo, o entendimento da Covid19 é muito diferente entre quem se viu forçado ao lay-off ou confinado ao teletrabalho "aturando" filhos irrequietos, ou quem esteve nos Cuidados Intensivos ou viu morrer familares sem lhes poder valer. Muito diferente. Como em muitos outros casos.

O meu entendimento do que seria a desgraça de Bruno de Carvalho, que conseguiu depois aliar a completa deserção do comando do futebol do Sporting ao descontrolo da situação com a Juveleo, ao que se seguiu o não pedido imediato de demissão depois do assalto a Alcochete e a teimosia de se agarrar ao poder que conduziu às rescisões e a atropelos vários aos estatudos e regulamentos do clube, teve muito a ver com a recepção ao Paços de Ferreira em Alvalade, em que por cinco ou seis vezes durante o jogo se ouviu um coro de (mais ou menos, a julgar do sítio onde eu estava) 50% do estádio, a clamar "Bruno, cabrão !!! Pede a demissão !!!"

A minha percepção foi a de quem lá esteve, mas muitos não estiveram e nunca perceberão o que foi naquele dia a repulsa duma grande fatia dos sócios presentes pelo descontrolo completo da personagem que muitos tinham ajudado a reeleger poucos meses antes.

Tentando recuperar na Net o que foi esse dia, encontro esta descrição na TVI24 (https://tvi24.iol.pt/sporting/liga/a-noite-em-que-alvalade-foi-diferente-de-todas-as-outras-noites):

"O Estádio José Alvalade viveu neste domingo uma situação pouco habitual. Durante o jogo entre Sporting e Paços de Ferreira, os cerca de 40 mil espectadores presentes nas bancadas fizeram questão de manifestar de que lado estão na «guerra» guerra entre jogadores e presidente.

Bruno de Carvalho assistiu ao jogo no banco de suplentes e foi notório que, se a relação entre dirigente e jogadores está longe de ser saudável, a aceitação no seio dos adeptos também já viveu melhores dias.

Quando o presidente dos leões subiu ao relvado, instantes antes do apito inicial da partida, a grande fatia das bancadas (à exceção da zona das claques) dirigiu-lhe um enorme coro de assobios e, entre insultos pelo meio, exigiu a sua demissão. Após o jogo, Bruno de Carvalho não deixou passar o momento e deixou um aviso em declarações aos jornalistas: «Alguns adeptos do Sporting vão, mais cedo ou mais tarde, perceber a gravidade moral daquilo que fizeram hoje. Têm todo o direito de chamar nomes, mas chamarão às pessoas da família deles e não a mim.»

Ao longo da noite, houve lenços brancos, muito apoio aos jogadores mas também contestação: a Juve Leo, ao lado do presidente Bruno de Carvalho, desfraldou duas tarjas com a seguinte mensagem: «Jogadores: amar e sentir o clube. Tudo o que vocês não sentem.»

Os incentivos à equipa contrastaram com os apupos dirigidos a Bruno de Carvalho, que voltaram a subir de tom ao intervalo e após o apito final, altura em que o presidente do Sporting, com claras limitações físicas, precisou do auxílio de alguns elementos do staff leonino e de um segurança para se levantar do banco de suplentes e sair do relvado pelo túnel de acesso aos balneários.

Nessa altura, a equipa de Jorge Jesus trocava cumprimentos com adversários e agradecia pouco depois o apoio das claques junto à bancada sul. De seguida, os jogadores deram uma volta ao relvado e agradeceram o apoio dos restantes adeptos, com Alvalade ao rubro e, pela primeira vez na noite, em aparente plena comunhão de espírito."

Video:
 

https://tribunaexpresso.pt/multimedia/video/2018-04-09-O-filme-de-uma-noite-diferente-assobios-insultos-dores-de-costas-e-uma-marquesa

Conferência de imprensa:

https://maisfutebol.iol.pt/videos/5aca8fcc0cf29778fd1ec823/bruno-de-carvalho-foi-a-sala-queixar-se-de-insultos

Acho que estes documentos ficam muito aquém do que foi aquela noite. Quem tiver melhores que os refira, mas já dão uma ideia.

Bruno de Carvalho quer mesmo voltar a ser presidente do Sporting? 

SL

Verdades

A propósito da decisão do tribunal, que absolveu Bruno Carvalho, convém ter em conta as diferentes percepções, todas elas correctas, que a VERDADE comporta:

 

- a verdade histórica, a realidade que verdadeiramente aconteceu;

- a verdade jornalística, aquela que os jornais descobrem;

- a verdade jurídica, a que foi apurada em tribunal;

- a verdade emocional, aquela que é construída de forma individual.

O Sporting nada deve ao ex-presidente

Texto de João Gil

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Bruno de Carvalho foi acusado pelo Ministério Público, teve direito a defesa, foi julgado por um tribunal e absolvido. É assim em democracia e num estado de direito. Bruno de Carvalho colocou-se nessa posição. Porque escolheu e agiu de forma a pôr-se numa situação de enorme fragilidade pessoal, institucional, profissional, social.

Qualquer Sportinguista que se preze ficou contente por ver Bruno de Carvalho ilibado. Por ele, que no fundo é um desgraçado, mas pelo Sporting, especialmente. Escrevo por mim, que fiquei contente por vê-lo absolvido.

 

De resto, [ele] pode queixar-se de si próprio. Provavelmente das suas incapacidades de liderança e de gestão. Mas isso não é culpa dos Sportinguistas, que “moralmente” devem zero ao ex-presidente. Este, pelo contrário, contraiu uma dívida para com o Sporting que não há como pagar.

Exigir, Bruno de Carvalho pode exigir. Estão aí os tribunais para isso mesmo, defender os direitos dos cidadãos, e ele sabe que pode confiar neles, afinal.

Bastou a entrevista desta noite [anteontem] à TVI para aconselhar e avisar os sócios e adeptos do que esperaria o Sporting se porventura BdC voltasse a ter o poder no clube.

 

Se queremos dar-nos bem com os outros e sermos respeitados e manter-nos em grupo, convém respeitar o outro. É básico. Caso contrário, a coisa não funciona e o grupo desenvolve uma rejeição e expulsa-nos.

Qualquer adolescente o sabe. Só Bruno de Carvalho ainda não percebeu que acusar gratuitamente e desrespeitar os que se lhe opõem não é propriamente caminho para que lhe seja devolvida a condição que perdeu e de que se julga credor por um qualquer direito de reparação que só na cabeça do ex-presidente o Sporting terá para com a sua pessoa.

 

Bruno de Carvalho acha-se injustiçado. Mas não devia. A justiça deu-lhe razão.

Direitos ao/ou sobre o Sporting, BdC não tem. Porque não é sócio. Os avançados das TV’s é que se estão nas tintas se abrem nova frente de guerra no Sporting. Estão a ser pagos para isso mesmo.

Juízo e discernimento, é o que se pede. E olhar em frente, que para trás mija a burra.

Mas ainda falta escrever o epílogo desta história, disso também estou convencido.

 

Texto do nosso leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Os crimes de Alcochete

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«Isto não é amor ao clube. É crime. É crime.»

Sílvia Pires, presidente do colectivo que julgou os arguidos de Alcochete

 

Confiar na justiça.

Esta é a atitude certa, em qualquer circunstância. Julgo que neste blogue, onde há pessoas que pensam de modo muito diferente em quase tudo quanto se relaciona com o Sporting, nunca houve ninguém que exprimisse opinião diferente desta: confiar na justiça.

Esta sexta-feira, dia 29, é, portanto, um dia tão bom como qualquer outro para reafirmar este princípio. O dia que se segue ao da sentença proferida, em primeira instância, pelo colectivo de juízas que determinou 41 penas condenatórias e três absolvições no chamado processo de Alcochete - investigado e concluído dentro dos prazos legais e com uma celeridade muito superior ao que estamos habituados.

 

Há dois aspectos neste acórdão - que ainda não li e, portanto, só consigo comentar a partir de notícias escritas com base na súmula lida na sessão de ontem pela juíza-presidente, Sílvia Rosa Pires - que convém salientar.

O primeiro é o facto de cerca de quatro dezenas de adeptos do Sporting - vários deles igualmente sócios, ao que presumo - terem ousado invadir e destruir as instalações da Academia leonina, até há poucos anos considerada um centro de excelência máxima em matéria de formação no futebol. Estes indivíduos protagonizaram um "ataque bárbaro" (palavras da magistrada) a um local que devia ser uma espécie de santuário para toda a massa adepta. Ali cometeram-se crimes graves - e não foram provocados pelos habituais "inimigos do Sporting", mas por sportinguistas. Com imagens que voltaram a colocar a Academia literalmente nas bocas do mundo, desta vez não por motivos de excelência mas de indecência.

A partir deste acórdão, portanto, deixaremos de falar em "alegados crimes" relacionados com Alcochete: a palavra "alegados" cai com esta sentença condenatória. Houve mesmo ilícitos penais, agora punidos com penas diversas - incluindo nove casos de prisão efectiva.

Entre os que cumprirão pena de prisão inclui-se o líder histórico da Juventude Leonina que permaneceu cerca de duas décadas à cabeça desta claque. Que, de algum modo, fica assim simbolicamente decapitada. Não por capricho de comentadores ou arbítrio de jornalistas, mas por solene decisão judicial.

 

Além dos 41 arguidos que acabaram condenados em graus diversos, o acórdão determina ainda três absolvições, considerando que nas audiências de julgamento foi impossível fazer prova da suposta "autoria moral" dos crimes de Alcochete, invalidando a controversa tese inicial do Ministério Público. Neste reduzido número de arguidos agora absolvidos incluem-se o ex-presidente Bruno de Carvalho e o actual dirigente máximo da JL, Mustafá. Também aqui, como no resto, imperou o princípio que nunca deixámos de defender: acreditar na justiça. Por ser uma das traves mestras do sistema democrático que nos rege.

Numa longa entrevista ontem concedida ao Jornal das 8 da TVI, perante um interlocutor impreparado, timorato e gaguejante, o antigo presidente leonino admitiu a possibilidade de instaurar um processo por indemnização ao Estado português que pode chegar às instâncias jurídicas internacionais. É inteiramente livre de proceder assim, no exercício de um direito de cidadania, se considerar que não lhe foi feita justiça, o que não parece muito consentâneo com a absolvição que acaba de lhe ser decretada.

Entretanto, não deixa de ser irónico ver agora vários dos seus apoiantes mais indefectíveis - com a linguagem incendiária que todos lhes conhecemos, integrada no caldo de cultura que degenerou nos crimes de Alcochete - celebrarem nas redes sociais a "vitória da justiça" depois de andarem anos a alimentar teses conspiranóicas contra o poder judicial, que seria parte integrante de uma vasta operação universal destinada a derrubar aquele que continuam a venerar com cega idolatria. 

 

Afinal não havia conspiração alguma: houve crimes, houve punições, houve absolvições, haverá recursos para outros patamares judiciais se assim for decidido por advogados e Ministério Público.

Prevaleceu a justiça. Confirmando assim que devemos acreditar nela. Não apenas quando nos é conveniente, mas em todas as circunstâncias. Antes, durante e depois.

Quem não acredita na justiça, não acredita na democracia. Já passou para o lado de lá ou nunca de lá saiu.

Nesse lado eu jamais estarei.

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