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És a nossa Fé!

2018 em balanço (10)

 

 

FRASE DO ANO: "FOI CHATO"

A frase do ano, nestes balanços anuais que vou fazendo, não tem de surgir sempre em contexto positivo. Infelizmente, a de 2018 dificilmente poderia ter sido produzida numa circunstância mais negativa. Aconteceu ao princípio da noite de 15 de Maio, escassas horas após a violenta invasão da Academia de Alcochete por cerca de quatro dezenas de membros encapuzados da Juventude Leonina.

Numa balbuciante declaração à Sporting TV, Bruno de Carvalho pronunciou-se deste modo sobre os dramáticos acontecimentos então ocorridos: «Foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados... do staff ... os meus próprios pais, a minha mulher, as minhas filhas... as pessoas ficam preocupadas, mas felizmente as coisas estão a decorrer dentro da normalidade, amanhã é um novo dia, temos que nos habituar que o crime faz parte do dia-a-dia e o crime tem que ser punido no momento certo, no sítio certo.»

Enquanto o presidente leonino - que viria a ser destituído na histórica assembleia-geral de 23 de Junho - assim falava, vários jogadores e elementos da equipa técnica do Sporting recebiam assistência por ferimentos causados pelos invasores de Alcochete e preparavam-se para rumar à esquadra da GNR no Montijo a prestar declarações sobre o sucedido naquele que foi um dos dias mais negros da secular história do nosso clube. Sem terem com eles qualquer elemento da estrutura directiva leonina.

Um dia "chato", para esquecer. Ou antes: para lembrar. Sempre.

 

 

Frase do ano em 2013: «O Sporting é nosso outra vez»

Frase do ano em 2014: «Estamos em casa»

Frase do ano em 2015: «Temos de acordar o Leão adormecido»

Frase do ano em 2016: «Pelo teu amor eu sou doente»

Frase do ano em 2017: «Feito de Sporting»

Bruno's way

Hoje no Pavilhão João Rocha e com o lider no quentinho do lar, Madeira Rodrigues previu e justificou o facto pela cobardia costumeira, representado pela irmã e pelo ainda mais extremista pai, a tropa de choque Brunista malcriada e trauliteira portou-se à altura, insultando e molestando alvos de estimação, e não se coibindo aqui e ali de ofender os orgãos sociais presentes, e de afirmar que não lhes reconhecem legitimidade e  que o sucesso duns será a derrota dos outros, em particular ao "Medico" nunca lhe irão perdoar.

Mais ao lado e a alguma distância estava o bando dos quatro (ou cinco ?), aqueles que podiam ter ponto final no descalabro no momento certo mas que resolveram ir até ao fim, até serem destituídos na Assembleia Geral mais concorrida de sempre. Dos discursos dos citados que pude ouvir, ninguém entende porque está ali, tudo uma cabala, tudo mal feito, ninguém tem culpa de nada, um porque estava com esgotamento, o outro porque não é de Direito, o terceiro não tinha o pelouro em causa, errarem todos erram, pegaram num clube na ruína levaram-no à glória e já agora que os actuais orgãos sociais esqueçam estatutos e regulamentos, os antigos e aqueles que o Bruno exigiu aprovar, e que mande tudo em paz não sem antes fazer uma grande homenagem aos melhores dirigentes de sempre. 

Muita gente a chegar, votar e sair, já sem grande paciência para estas cenas e se calhar a  pensar que amanhã terá de voltar a Alvalade ver o jogo contra o Nacional e cantar "O mundo sabe que". Eu lá espalhei os meus NÃOs pelas urnas e sentei-me um par de horas até não aguentar mais com a pobreza das intervenções.

E foi assim esta tarde em Alvalade. Espero que seja a última vez que me desloque ao João Rocha para tão triste fim. 

PS: Se calhar a irmã enganou-se na versão da música, a inglesa ilustrava bem melhor a prosa que foi ler.

"And now the end is near, 

And so I face the final curtain, 

My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain

I've lived a life that's full
I've travelled each and every highway
and more, much more than this
I did it my way

Regrets I've had a few
But then again too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption

I planned each chartered course

Each careful step along the by-way
And more, much more than this
I did it my way

Yes, there were times
I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all

And I stood tall
And did it my way
I've loved, I've laughed, and cried
I've had my fill, my share of losing

And now, as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way

I did it my way


For what is a man, what has he got?
If not himself then he has naught
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows I took the blows
And did it my way
Yes, it was my way

"

Oh Yes, Bruno´s Way !

SL

A faca nas costas

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Numa longa peça sobre o ex-presidente do Sporting ontem exibida no Jornal da Noite, da SIC, aparece a dado momento a jurista Judas, que Bruno de Carvalho arrancou ao merecido anonimato em que permaneceu até há meia dúzia de meses. Dizia ela, com ar sofrido e pesaroso, que por estes dias «as pessoas, quando podem, espetam-lhe a faca nas costas».

Quase apetece defender Bruno de Carvalho perante tamanha torrente de hipocrisia. Vinda, neste caso, de quem se serviu dele para se tornar "figura mediática" e cavalgou com ele num desvairo de ilegalidades, aceitando presidir até a uma putativa  Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral jamais contemplada nos estatutos leoninos - o que esteve na base da sua expulsão como sócia do Sporting, aliás de fresca data.

Esta senhora, que numa estação do ano se apresentava como carvalhista de gema, mal o vento virou assumiu-se como visceral opositora de Carvalho. Após a assembleia destitutiva chamou-lhe «aldrabão» na praça pública e anunciou que iria mover-lhe uma queixa-crime. Vem agora, na mesma rede social em que ambos se viciaram, tecer-lhe loas pindéricas com palavras dignas de folhetim mexicano: «Tens uma alma e um coração puros.»

Assim era a corte do destituído. Destrambelhada, desequilibrada, dada a profundas oscilações nos estados de alma, confundindo o mundo real com um reality show em sessões contínuas. Arrepia pensar que, durante algum tempo, o Sporting andou entregue a esta gente.

Sobre a decisão judicial de restituir Bruno de Carvalho à liberdade

Enquanto sportinguista fico satisfeito que Bruno de Carvalho possa aguardar o desenrolar do processo em liberdade. Lá mais para a frente saberemos se será acusado e irá a julgamento ou ficará ilibado das suspeitas que sobre ele recaem. Mas a decisão judicial de hoje indicia que as provas não são concludentes, pelo menos para já, ao ponto de justificar a prisão preventiva do arguido. Mais, sabendo-se que o mesmo juiz, no mesmo processo, mantém em prisão preventiva outros 38 arguidos, não poderemos retirar outra conclusão que talvez o reconhecimento de justa causa aos atletas que rescindiram com o Sporting não seja assim tão certo, ou sequer tão previsível como se chegou a admitir. O que talvez aconselhe a que todas as partes mantenham o bom senso e procurem chegar a acordo pela via negocial, sem arriscar aguardar por decisão judicial que, além de morosa, poderá não ser favorável.

Pouco me interessa o cidadão Bruno de Carvalho. É público que fui crítico da sua presidência, bati-me pela destituição, defendi o não reconhecimento da sua candidatura e até a expulsão de sócio. Mas enquanto cidadão português, prefiro um suspeito em liberdade a ter um inocente na cadeia. Seja ele quem for e Bruno de Carvalho não é excepção, goza da mesma presunção de inocência que todos nós, direito constitucionalmente garantido. Se for culpado dos acontecimentos em Alcochete, quero-o preso. Se não for, que seja ilibado. Isto em nada altera o que penso ou defendo sobre claques ou qualquer outro aspecto na vida do Sporting.

O terrorismo está na rua

Abū Bakr al-Baghdadi saiu hoje em liberdade, mediante o pagamento de uma caução e da obrigação de apresentações diárias no posto da GNR de Alcochete, depois de ser ouvido no Tribunal do Barreiro.

 

O líder do autodenominado Estado Islâmico estava detido desde a tarde de domingo, respondendo por diversos crimes, um dos quais o de terrorismo. Também saiu em liberdade, contra pagamento de caução e a obrigação de apresentações diárias, um elemento conhecido pela alcunha ‘Jihadi John’.

 

(Lamento estar a brincar com coisas muito sérias, mas só estou a seguir o péssimo exemplo do Ministério Público. Quanto a Bruno de Carvalho, não meto as mãos no fogo por ele, tal como não meto por ninguém. Espero que haja seriedade na punição dos implicados nas agressões cometidas na Academia de Alcochete. Doa a quem doer. À Justiça o que é da Justiça, ao terrorismo o que é do terrorismo.)

 

 

Hoje giro eu - Eminências pardas

O regozigo e júbilo com que a detenção de Bruno de Carvalho foi acolhida por vários sportinguistas é uma indignidade e uma vergonha. Desde logo, porque alguns dos seus mais indefectíveis apoiantes directos de outrora são agora os mais ruidosos e palavrosos na acusação pública sumária, mostrando uma falta de pudor, capacidade adaptativa e situacionismo dignos de indivíduos que constituem um "case-study" para a ciência pela forma como se mantêm de pé. Depois, porque caberá às instituições judiciárias - Ministério Público, Juíz de Instrução e Juíz do Julgamento - , e só a estas, investigar (MP), inquirir, verificar da adequação (JI) e decidir sobre condenação ou absolvição (JJ) de um arguido e isso não deve ser confundido com ajustes de contas entre facções de leões. Finalmente, porque a cegueira, ódio e revanchismo com que se ataca um anterior presidente do clube serve todos os desejos e propósitos menos os do Sporting Clube de Portugal (e seu bom nome e honorabilidade), seus sócios, adeptos e simpatizantes, para além de induzir uma cortina de fumo sobre o início da fase de instrução de um processo muito mediático que envolve o rival Benfica. Dito isto, e em sentido contrário, é preciso louvar, isso sim, a grandiosa massa anónima de sportinguistas que exigiram uma clarificação pós-acontecimentos de Alcochete, pediram eleições e, mais tarde, votaram no sentido da destituição de Bruno de Carvalho e restante Direcção, provando que no seu seio souberam fazer vingar as normas do clube e fazer cumprir a democracia interna, deixando à Justiça a averiguação de eventuais responsabilidades para além das decorrentes de se ter permitido, por negligência e/ou omissão, os horrendos acontecimentos de Alcochete. 

 

O Sporting é de facto um clube "sui-generis". A forma como sportinguistas se acotovelam para aparecer na televisão, não cuidando de poupar no verbo e colocando ódios pessoais sempre à frente dos superiores desígnios do clube, nunca deixa de surpreender. Rei morto, Rei posto, a próxima vitima deste autofágico processo leonino será Frederico Varandas. Já são aliás visíveis os primeiros sinais disso. Em diferentes contextos, aparecem sempre umas forças de bloqueio, provenientes de uma série de eminências pardas de um certo sportinguismo que nem governa o clube nem o deixa ser governado e que apenas procura manter influência pessoal. A dramatização à volta da situação financeira do clube e o efeito que isso provoca nos putativos investidores, no momento em que a Direcção do Sporting prepara um empréstimo obrigacionista, é apenas mais uma intentona num processo de desgaste constante, consciente ou inconsciente, inflingido a quem tenha poder no clube. Antes (ainda no tempo de João Rocha) como agora. [Adicionalmente, causa estranheza que já nem o presidente da AG do clube seja poupado, apenas e só porque, alegadamente, terá procurado no silêncio dos gabinetes articular condições justas para a audição dos membros do antigo Conselho Directivo aquando da futura AG que irá deliberar sobre a ratificação (ou não) dos processos de suspensão intentados pela Comissão de Fiscalização.] Se em relação a Bruno de Carvalho se pode dizer que se pôs a jeito, principalmente desde Fevereiro deste ano, independentemente dos méritos da sua gestão (Reestruturação Financeira, Pavilhão, vendas record de jogadores, exercícios equilibrados de gestão até final de 16/17,...), já no que concerne a Frederico Varandas as criticas da nomenclatura do costume são manifestamente prematuras e um sinal de que o terreno já está, propositadamente, a ser minado. É contra tudo isto que os sócios e adeptos do Sporting se deverão rebelar. E como? Pacificamente, comparecendo em massa a apoiar todas as equipas do Sporting Clube de Portugal. Nos estádios, nos pavilhões, fazendo cumprir o desígnio do nosso fundador: um clube tão grande como os maiores da Europa.

 

P.S. à hora em que termino este arrazoado, acaba de ser divulgado que Bruno de Carvalho sairá hoje em liberdade, com a medida de coação de comparecimento diário às autoridades e uma caução de 70.000 euros. 

Bruno: algo está podre na república

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Quem segue este blog poderá confirmar: botei que me fartei (literalmente) a favor de Bruno de Carvalho. E depois botei que me fartei contra Bruno de Carvalho - porque o homem "se passou", porque mostrou uma horrível concepção de exercício do poder associativo, porque eu terei aberto a pestana. Dito isto: é totalmente inadmissível que um homem - por suspeitas de participação num crime acontecido há seis meses, entretanto desprovido dos meios institucionais que facilitariam a reprodução de actividades similares, e publicamente disponível para depor - seja detido num dia para prestar declarações, interrogado apenas duas dias e meio depois e liberto quatro dias após a sua detenção. Alguma coisa está errada, algo está podre na república.

E não, a lei não serve para justificar isto. Os funcionários públicos, juristas e polícias, não podem configurar assim as suas práticas. Isto é uma vergonha, um ocaso. Antes um Mustafa que um polícia ou um jurista deste tipo. Vou repetir, a ver se por aqui passa algum jurista com um mínimo de pudor: antes um Mustafa que um polícia ou um jurista deste tipo.

 

Má notícia em todo o mundo

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A detenção de Bruno de Carvalho está a ser notícia em todo o mundo, causando irreparáveis danos reputacionais ao Sporting. Nada que nos surpreenda excessivamente, atendendo aos antecedentes e às circunstâncias do caso agora em fase de instrução no Tribunal do Barreiro, o que não atenua a profunda tristeza e a dolorosa consternação de quem sente simpatia, devoção e amor por este clube, paixão de todos nós. 

Faz hoje seis meses, ocorreu o ataque dos jagunços encapuçados a Alcochete. Jamais esqueceremos o que aconteceu: foi uma das páginas mais negras da história do desporto português. Ainda hoje me interrogo como terá sido possível. Há menos de um ano, nem nos piores pesadelos imaginaríamos ver o nome do Sporting associado, aquém ou além-fronteiras, à prática de actos criminosos.

Ainda sobre Bruno de Carvalho

 

Goste-se ou não de Miguel Sousa Tavares convirá ouvir isto. Nem a forma como a justiça trata o Bruno de Carvalho é admissivel nem a acusação de "terrorismo" é aceitável. A acusação de terrorismo é, como MST muito bem refere, "brincar com coisas sérias". O que aconteceu foi muito grave mas não é "terrorismo", termo que define outros fenómenos bem diferentes. 

Duas coisas a somar: MST refere a coisa mais execrável que aconteceu nos últimos dias, a polícia confiscou o computador da filha menor de Bruno de Carvalho, devassou a privacidade da adolescente. Isto é o faroeste? A polícia tem 40 morcões presos, acede a gravações telefónicas (o que mostra como isto está um fartar vilanagem, quanto ao assalto aos direitos de cidadania). E ainda assim precisa de devassar a privacidade de uma adolescente que nada tem a ver com isto, por ser filha de quem é? 

A segunda coisa é o que leio nos jornais: alguém disse aos jornalistas que o ex-presidente está medicado e os jornais disso fazem notícia. O que é isto? Como é possível? Como se pode fazer tal coisa? O estado de saúde é privado. O homem é detido para interrogatório e põem-lhe a "ficha clínica" na imprensa? Isto é execrável.

E o silêncio sobre tudo isto de uma organização chamada Sindicato de Jornalistas, que tão vigorosa foi quando veio atacar BdC por este ter apelado ao não consumo de comunicação social, mostra bem o quão miserável (lamento, Pedro Correia e outros co-bloguistas jornalistas, mas não há outra coisa que possa ser dita) é a classe que se faz representar por este prostituído Sindicato.

Três coisas a propósito do Bruno

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"Isto" do sentir pelo o clube não se pode (não se deve) apartar do que se sente, pensa, sobre a sociedade. Por mais que os radicais clubistas queiram separar as coisas, sacralizando o clubismo. Por isso deixo aqui três sensações:

 

1. Os prazos de prisão preventiva em Portugal são muito longos, e em muitos países parceiros, que partilham valores e modelos organizativos, eles são bem mais pequenos. Mas é a lei que temos e assim "dura lex, sed lex". Mas outra coisa, completamente diferente, é deter alguém - que nem sequer denota risco de fuga - num domingo para o interrogar numa quarta-feira. Isto não é a tal "dura lei", é uma aleivosia cometida a coberto da lei. Estamos, muitos dos sportinguistas, desiludidos e ofendidos com Bruno de Carvalho. Mas uma coisa, justa, é o desejo que haja investigação, e julgamento se necessário, outra coisa, vil, é aceitar isto, o abjecto revanchismo. 

O Estado não pode fazer isto aos cidadãos (ao Bruno, ao cadastrado dito Mustafa, a este bloguista jpt, a qualquer sportinguista ou seja a quem for). E se tem uma greve dos seus funcionários agendada não detém deste modo alguém que não vai fugir e que é suspeito num caso que se investiga há seis meses. Os funcionários públicos trabalham para nos servir. E não para nos tratar desta maneira.

É uma pena que não haja uma "dura lex" que permita despedir o responsável por esta investigação.  Porque não tem competência democrática para trabalhar naquela área.

 

2. É cada vez mais óbvio o que logo no "dia de Alcochete" para muitos óbvio foi: o ataque aos jogadores, na sequência de uma série de invectivas públicas do presidente e de actos ameaçadores da claque que dele tão íntima era, derivou das atitudes de Bruno de Carvalho. Se mandante directo, se responsável moral devido ao clima criado e à importância dada aos seus sequazes, isso já será motivo da investigação em curso. 

Na sequência disso vários jogadores rescindiram os contratos de trabalho. As ameaças públicas continuaram. Depois, alguns decidiram voltar. Outros terão contribuído para que houvesse uma negociação das suas licenças desportivas. Outros exigiram aumentos para regressar ("para vos aturar quero mais dinheiro"). Outros seguiram para novos clubes e até intentaram pedidos de indemnização, nisso sedimentando os processos admnistrativos de rescisão. A todos estes, em diferentes momentos segundo o processo de cada um, imensos sportinguistas, associados, adeptos, colaboradores de imprensa, comentadores nos blogs, bloguistas e activistas de redes sociais, chamaram "traidores", "desertores", "refractários", etc. 

Note-se bem: o presidente da associação para a qual eles trabalhavam induz uma invasão violenta e o espancamento de alguns. Esse presidente é popular entre os adeptos, (eleito com 86 por cento nas últimas e concorridas eleições; sufragado por 90 por cento na última e concorrida assembleia-geral). Ou seja, representa formal e informalmente o "universo Sporting". Os jogadores são agredidos, depois continuadamente ameaçados - lembram-se da "espera" à porta do Bruno Fernandes? lembram-se da enxurrada de insultos nos murais do Rafael Leão, por exemplos? Os jogadores decidem partir e são aviltados desta forma. Mesmo os que decidiram voltar são cutucados (leia-se a reacção até mesmo ao regresso de Bruno Fernandes, os vis clubistas reclamando por ele ser "capitão"). O azedume com Rui Patrício, etc. Veja-se o caso de Rafael Leão - segundo li ele vivia na academia, não posso afiançar: Ou seja, viu os seus colegas e o seu técnico agredidos, o "campus" onde residia invadido, tudo com conivência da estrutura do clube. Rescindiu e foi insultado de modo avassalador, perseguido na internet. O que dizem os sportinguistas? Que ele não tem razão para sair ...

Deixemo-nos de coisas, diante do acontecido e face ao gigantesco apoio que o "universo Sporting" (este modesto jpt incluído) deu ao responsável moral (e talvez mais do que isso) os jogadores tiveram e têm todo o direito (moral, jurídico dirão os tribunais) de pedir rescisão, decidir voltar, exigir mais dinheiro para voltar ou nem sequer olhar para trás. E quem continua a chamar-lhes 'desertores", "refractários", "traidores" comporta-se, após tudo isto, com a mesma imoralidade e insensibilidade dos míseros claqueiros invasores.

Tudo isto prejudica o Sporting? Sim. Mas não foram Rafael Leão ou Ruben Ribeiro que prejudicaram o Sporting. Foi o "universo Sporting". Foi este o "relapso" ao pensamento, "refractário" à razão, "desertor" da ética, "traidor" ao "Sporting", essa alma do Sporting Clube de Portugal. E a continuidade dos insultos, dos dichotes, do azedume face aos jogadores mostra bem como nem isso se assume.

 

3. Este claquismo, o viço do holigão insensível e anti-democrata que vive dentro de cada um, estuporadamente irracional e incapaz de olhar crítico, notou-se bem nos dias do Arsenal-Sporting. Esta direcção (vénia) cortou apoios às claques, que permitiam a remuneração avantajada das suas chefias, consabidamente ligadas à economia informal e, quiçá, criminal. Estas, de relações tensas (ou cortadas) com a direcção, organizaram uma surpreendente comitiva a Londres. Surpreendente pela sua dimensão (e organização cénica) e predisposição positiva, dado que se esperará tamanha adesão e fervor optimista em momentos de "cavalgadas" vitoriosas e não de relativa crise como a vivida - demissão de treinador, futebol dito medíocre, derrotas com equipas de menor dimensão e a caseira com o Arsenal. Isto não é, historicamente, o contexto habitual, indutor, de uma exaltante deslocação em massa ao estrangeiro das claques - nem sequer em Portugal o será. O que ali aconteceu foi óbvio: uma manobra estratégica, a querer realçar a importância das claques do clube, a querer salvaguardar o seu espaço, reclamar a continuidade dos apoios. 

Reacção do sportinguista comum? Mesmo depois de Alcochete e do pós-Alcochete? "Ah, que boa prestação das claques", "que bonito", "até a imprensa estrangeira saudou", etc.

 

Seis meses depois de Alcochete? Malandro do (pai do) Rafael Leão, que se lixe o Ruben Ribeiro, Rui Patrício nunca mais, como é que o Bruno Fernandes é capitão (e não está a jogar nada), sacana do Gelson, etc. E as claques estiveram muito bem em Londres ... 

A isto chama-se ser "refractário" à razão. E "desertor" da ética. 

Varandas, com seus defeitos e virtudes, irá sofrer muito com este "universo". A não ser que se ganhe na bola.

 

 

E para o ano, com motor Honda?


Fui um apoiante de Bruno de Carvalho e durante muito tempo. É inútil dizer que estou arrependido ou que se voltasse atrás seria diferente, que me deveria ter apercebido ou que estava na cara. O que importa, creio, é que os sócios do Sporting tenham conseguido depor a anterior direção por via legitima numa votação extraordinária no pavilhão Atlântico, em junho.
Não me agrada que Bruno de Carvalho esteja a dormir nos calabouços da GNR esperando agenda do juiz ou que as greves decorram. A Justiça em Portugal é uma força estranha, que nunca tem problema em usar a latitude a longitude que entende, nos casos que entende. Podemos abominar Bruno de Carvalho, mas num estado democrático estas decisões precisam de ser melhores explicadas. Este raciocínio é válido para todos os detidos.
Nunca tive uma má experiência pessoal com Bruno de Carvalho. Estive com ele umas quatro ou cinco vezes e nunca me importunou, nunca me pediu nada, nunca me falou mal de ninguém. Era alguém que adorava ser presidente do Sporting e parecia vestir bem esse casaco.
Nesta fase, já fiz por deixar de ter opinião e até por ler as notícias. Acho que Bruno entrou na centrifugação onde outros detidos entraram noutros processos. Com sorte, teremos uma sentença transitada em julgado daqui por dez anos. A cada sentença que viremos a ter, seguir-se-á um recurso da outra parte, até à náusea.
Eduardo Barroso foi um dos mais coloridos apoiantes de Bruno de Carvalho e em noventa por cento das suas intervenções, fala dos seus filhos. Entendo-o. O Sporting sempre foi muito importante na minha relação com o meu pai e hoje é muito importante na relação com o meu filho mais novo. Ou era. Hoje, por causa disto tudo, a verdade é que somos na mesma do Sporting, mas deixámos de prestar a atenção de antigamente. Se vos interessa, consegui cativar o meu filho para a Fórmula 1 e em vez de discutirmos reforços de dezembro, especulamos de Max Verstappen poderá bater Lewis Hamilton com um motor Honda no seu Red Bull.

Sporting Sempre!

Não vou aqui fazer qualquer avaliação de cariz jurídico sobre o que aconteceu este domingo. Os elementos que temos ao nosso dispor não são suficientes para esclarecer quem nos lê e que tem dúvidas sobre a legitimidade/legalidade das detenções nas condições que se verificavam no dia de ontem.

No entanto, existe opinião para além da legalidade e do Direito. E, sobre Bruno de Carvalho e Mustafá, sobre a Juventude Leonina e os dramáticos acontecimentos de Alcochete, não há sportinguista que não tenha já formado a sua. Apesar disso é evidente que eu - à semelhança da generalidade dos sócios do Sporting - não tenho a certeza de nada. O que temos é um processo judicial de onde, de quando em vez saem informações de deveriam estar em segredo de justiça, e actos processuais que são do conhecimento público. Não obstante, tenho, em relação a esta questão, uma convicção, por um lado, e uma esperança, por outro. A esperança é que o ex-presidente do Sporting não seja, de forma nenhuma, responsável pelo que aconteceu. A convicção é de que é. É claro que toda a minha convicção se alicerça em elementos profundamente subjectivos. No seu comportamento errante, nas suas afirmações absurdas, na expressão pública da sua personalidade. Posso estar errado e assim o espero. Mas não por Bruno de Carvalho que deixei de respeitar há muito tempo, antes pelo meu Sporting que se perpetuará nas memórias pessoal e colectiva muito para além de figuras individuais!

A derrocada de Bruno de Carvalho provocou um abalo enorme entre os sportinguistas. É bom recordar que o antigo presidente ganhou duas eleições e na segunda vez com um resultado esmagador. O seu estilo (controverso, agressivo, maniqueísta) granjeou-lhe seguidores fiéis que o colocam/colocaram acima do próprio clube. Criou uma ilusão: de que ele era o messias que nos ia guiar à glória. Há demasiada gente que perdeu o seu salvador, que se sente órfã, desprotegida, abandonada. Foi isso que colocou tantos sportinguistas uns contra os outros e que nos está, pouco a pouco a derrotar!

Que fique claro: o Sporting não pode ser um clube manso e de mansos! Não podemos ser um clube sem paixão, neutro, unidimensional. Mas o Sporting tem/pode ser uma potência sem que a sua grandeza se manifeste através de discursos de ódio. Se vacilarmos entre estas duas opções, estamos condenados! 

Outro dia muito triste

Bruno de Carvalho já tinha sido o primeiro presidente destituído da história do Sporting. Tornou-se agora também o nosso primeiro presidente detido por suspeita fundamentada de envolvimento em actos criminosos praticados no exercício de funções desportivas.

Se recorresse à linguagem dele, diria que é chato. Mas, obviamente, não recorro. E digo que é triste.

Muito triste.

Sentido de oportunidade

Seis meses depois do dia mais horrível que vi no Sporting,  a investigação policial detém Bruno de Carvalho e o líder da Juve Leo.

Em dia de jogo, à hora do jogo, a investigação instala um cordão policial ostensivo e realiza buscas na sede da claque.

Defendo, melhor, exijo que esta investigação chegue ao fim e esclareça tudo o que há  a esclarecer, condene todos os responsáveis pelo que sucedeu. Mas pergunto se era necessário fazer isto, seis meses depois, em dia de jogo, à hora de jogo, com milhares de famílias Sportinguistas na zona do Estádio.

O princípio do fim do hooliganismo em Alvalade? - II

A detenção do líder da Juve Leo, acompanhada pela detenção do seu líder espiritual e antigo presidente do clube, no âmbito do processo de Alcochete, vêm reforçar a urgência em tomar medidas relativamente aos apoios às claques, como defendi há 2 dias em post anterior.

Fez bem Frederico Varandas em conseguir acordo pela transferência de Rui Patrício, tal como havia estado bem Sousa Cintra no acordo com William Carvalho e regressos de Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia. Porque a verificar-se o que nenhum sportinguista quer acreditar, que tenha existido algum grau de envolvimento por parte de dirigentes, o clube correria o risco de ver alguns jogadores conseguirem justa causa.

É tempo de pararem com a conversa dos mansos, golpadas e outras teorias, cada dia que passa se torna mais evidente que em boa hora nos livrámos de quem nos prejudicou e resgatámos o clube para os seus legítimos donos, os sócios.

A orfandade da idolatria

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A orfandade da idolatria é, infelizmente, um fenómeno que hoje ultrapassa em larga medida o fenómeno desportivo, contaminando todas as franjas da sociedade, e se espraia sobretudo pelos territórios da política. 
Bruno de Carvalho, na sua ascensão e queda, só pode ser explicado à luz deste fenómeno. Saído de cena, deixou um vácuo. Que os órfãos sentem imensa dificuldade em preencher.

É urgente revalorizar a formação

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Irritou-me profundamente ver a selecção nacional entrar em campo, faz hoje oito dias, sem um só jogador do Sporting. Tirando Bruno Fernandes, que alinhou sem brilho nos minutos finais, o nosso clube não estava representado nesta partida em que a equipa das quinas derrotou a selecção polaca por 3-2, vencendo e convencendo.

Irritou-me também que a nossa selecção sub-21 que há dois dias se qualificou para o play off de acesso à fase final do Europeu de 2019, derrotando a Bósnia por 4-2, tivesse actuado sem elementos do nosso clube.

 

Eis a consequência directa do chocante desinvestimento da anterior gestão do Sporting no futebol de formação. Passámos em dois anos de principal fornecedor das selecções a uma presença residual a este nível. Já com reflexos na selecção A, tal como neste Verão ficara também em evidência na selecção sub-19 que se sagrou campeã da Europa.

Trocando os alicerces do futuro pelas supostas honrarias do presente, na desesperada tentativa de conquistar o título nacional que prometera à massa adepta leonina, Bruno de Carvalho contratou um treinador sem vocação nem paciência para formar jovens e lançá-los na equipa principal, desincentivou a prospecção de jogadores, entregou a Academia de Alcochete a gente impreparada e assistiu impávido à queda abruta da nossa equipa B, despromovida de divisão e logo encerrada por capricho do primeiro presidente que os sócios do Sporting destituíram sem apelo nem agravo.

 

Correu tudo mal: nem conquistámos campeonato algum nem valorizámos a tradição formadora de Alvalade que tantos motivos de orgulho nos proporcionou e teve como ponto alto, em 2016, a conquista do Campeonato da Europa em seniores com dez jogadores saídos vários anos antes de Alcochete - incluindo Cristiano Ronaldo. De então para cá foi sempre a descer enquanto o nosso mais velho rival, procurando imitar-nos com o atraso do costume, valorizava enfim a sua própria formação.

Se algum apelo faço ao novo Conselho Directivo do Sporting, é este mesmo: recuperar e revalorizar a Academia. Para que não se perca uma tradição que remonta a várias gerações e nos tornou um clube diferente de qualquer outro.

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