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És a nossa Fé!

A noite em que Alvalade foi diferente de todas as outras noites

O entendimento de qualquer realidade depende muito da experiência de cada um sobre a mesma e da percepção que conseguiu obter.

Por exemplo, o entendimento da Covid19 é muito diferente entre quem se viu forçado ao lay-off ou confinado ao teletrabalho "aturando" filhos irrequietos, ou quem esteve nos Cuidados Intensivos ou viu morrer familares sem lhes poder valer. Muito diferente. Como em muitos outros casos.

O meu entendimento do que seria a desgraça de Bruno de Carvalho, que conseguiu depois aliar a completa deserção do comando do futebol do Sporting ao descontrolo da situação com a Juveleo, ao que se seguiu o não pedido imediato de demissão depois do assalto a Alcochete e a teimosia de se agarrar ao poder que conduziu às rescisões e a atropelos vários aos estatudos e regulamentos do clube, teve muito a ver com a recepção ao Paços de Ferreira em Alvalade, em que por cinco ou seis vezes durante o jogo se ouviu um coro de (mais ou menos, a julgar do sítio onde eu estava) 50% do estádio, a clamar "Bruno, cabrão !!! Pede a demissão !!!"

A minha percepção foi a de quem lá esteve, mas muitos não estiveram e nunca perceberão o que foi naquele dia a repulsa duma grande fatia dos sócios presentes pelo descontrolo completo da personagem que muitos tinham ajudado a reeleger poucos meses antes.

Tentando recuperar na Net o que foi esse dia, encontro esta descrição na TVI24 (https://tvi24.iol.pt/sporting/liga/a-noite-em-que-alvalade-foi-diferente-de-todas-as-outras-noites):

"O Estádio José Alvalade viveu neste domingo uma situação pouco habitual. Durante o jogo entre Sporting e Paços de Ferreira, os cerca de 40 mil espectadores presentes nas bancadas fizeram questão de manifestar de que lado estão na «guerra» guerra entre jogadores e presidente.

Bruno de Carvalho assistiu ao jogo no banco de suplentes e foi notório que, se a relação entre dirigente e jogadores está longe de ser saudável, a aceitação no seio dos adeptos também já viveu melhores dias.

Quando o presidente dos leões subiu ao relvado, instantes antes do apito inicial da partida, a grande fatia das bancadas (à exceção da zona das claques) dirigiu-lhe um enorme coro de assobios e, entre insultos pelo meio, exigiu a sua demissão. Após o jogo, Bruno de Carvalho não deixou passar o momento e deixou um aviso em declarações aos jornalistas: «Alguns adeptos do Sporting vão, mais cedo ou mais tarde, perceber a gravidade moral daquilo que fizeram hoje. Têm todo o direito de chamar nomes, mas chamarão às pessoas da família deles e não a mim.»

Ao longo da noite, houve lenços brancos, muito apoio aos jogadores mas também contestação: a Juve Leo, ao lado do presidente Bruno de Carvalho, desfraldou duas tarjas com a seguinte mensagem: «Jogadores: amar e sentir o clube. Tudo o que vocês não sentem.»

Os incentivos à equipa contrastaram com os apupos dirigidos a Bruno de Carvalho, que voltaram a subir de tom ao intervalo e após o apito final, altura em que o presidente do Sporting, com claras limitações físicas, precisou do auxílio de alguns elementos do staff leonino e de um segurança para se levantar do banco de suplentes e sair do relvado pelo túnel de acesso aos balneários.

Nessa altura, a equipa de Jorge Jesus trocava cumprimentos com adversários e agradecia pouco depois o apoio das claques junto à bancada sul. De seguida, os jogadores deram uma volta ao relvado e agradeceram o apoio dos restantes adeptos, com Alvalade ao rubro e, pela primeira vez na noite, em aparente plena comunhão de espírito."

Video:
 

https://tribunaexpresso.pt/multimedia/video/2018-04-09-O-filme-de-uma-noite-diferente-assobios-insultos-dores-de-costas-e-uma-marquesa

Conferência de imprensa:

https://maisfutebol.iol.pt/videos/5aca8fcc0cf29778fd1ec823/bruno-de-carvalho-foi-a-sala-queixar-se-de-insultos

Acho que estes documentos ficam muito aquém do que foi aquela noite. Quem tiver melhores que os refira, mas já dão uma ideia.

Bruno de Carvalho quer mesmo voltar a ser presidente do Sporting? 

SL

Verdades

A propósito da decisão do tribunal, que absolveu Bruno Carvalho, convém ter em conta as diferentes percepções, todas elas correctas, que a VERDADE comporta:

 

- a verdade histórica, a realidade que verdadeiramente aconteceu;

- a verdade jornalística, aquela que os jornais descobrem;

- a verdade jurídica, a que foi apurada em tribunal;

- a verdade emocional, aquela que é construída de forma individual.

O Sporting nada deve ao ex-presidente

Texto de João Gil

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Bruno de Carvalho foi acusado pelo Ministério Público, teve direito a defesa, foi julgado por um tribunal e absolvido. É assim em democracia e num estado de direito. Bruno de Carvalho colocou-se nessa posição. Porque escolheu e agiu de forma a pôr-se numa situação de enorme fragilidade pessoal, institucional, profissional, social.

Qualquer Sportinguista que se preze ficou contente por ver Bruno de Carvalho ilibado. Por ele, que no fundo é um desgraçado, mas pelo Sporting, especialmente. Escrevo por mim, que fiquei contente por vê-lo absolvido.

 

De resto, [ele] pode queixar-se de si próprio. Provavelmente das suas incapacidades de liderança e de gestão. Mas isso não é culpa dos Sportinguistas, que “moralmente” devem zero ao ex-presidente. Este, pelo contrário, contraiu uma dívida para com o Sporting que não há como pagar.

Exigir, Bruno de Carvalho pode exigir. Estão aí os tribunais para isso mesmo, defender os direitos dos cidadãos, e ele sabe que pode confiar neles, afinal.

Bastou a entrevista desta noite [anteontem] à TVI para aconselhar e avisar os sócios e adeptos do que esperaria o Sporting se porventura BdC voltasse a ter o poder no clube.

 

Se queremos dar-nos bem com os outros e sermos respeitados e manter-nos em grupo, convém respeitar o outro. É básico. Caso contrário, a coisa não funciona e o grupo desenvolve uma rejeição e expulsa-nos.

Qualquer adolescente o sabe. Só Bruno de Carvalho ainda não percebeu que acusar gratuitamente e desrespeitar os que se lhe opõem não é propriamente caminho para que lhe seja devolvida a condição que perdeu e de que se julga credor por um qualquer direito de reparação que só na cabeça do ex-presidente o Sporting terá para com a sua pessoa.

 

Bruno de Carvalho acha-se injustiçado. Mas não devia. A justiça deu-lhe razão.

Direitos ao/ou sobre o Sporting, BdC não tem. Porque não é sócio. Os avançados das TV’s é que se estão nas tintas se abrem nova frente de guerra no Sporting. Estão a ser pagos para isso mesmo.

Juízo e discernimento, é o que se pede. E olhar em frente, que para trás mija a burra.

Mas ainda falta escrever o epílogo desta história, disso também estou convencido.

 

Texto do nosso leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Os crimes de Alcochete

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«Isto não é amor ao clube. É crime. É crime.»

Sílvia Pires, presidente do colectivo que julgou os arguidos de Alcochete

 

Confiar na justiça.

Esta é a atitude certa, em qualquer circunstância. Julgo que neste blogue, onde há pessoas que pensam de modo muito diferente em quase tudo quanto se relaciona com o Sporting, nunca houve ninguém que exprimisse opinião diferente desta: confiar na justiça.

Esta sexta-feira, dia 29, é, portanto, um dia tão bom como qualquer outro para reafirmar este princípio. O dia que se segue ao da sentença proferida, em primeira instância, pelo colectivo de juízas que determinou 41 penas condenatórias e três absolvições no chamado processo de Alcochete - investigado e concluído dentro dos prazos legais e com uma celeridade muito superior ao que estamos habituados.

 

Há dois aspectos neste acórdão - que ainda não li e, portanto, só consigo comentar a partir de notícias escritas com base na súmula lida na sessão de ontem pela juíza-presidente, Sílvia Rosa Pires - que convém salientar.

O primeiro é o facto de cerca de quatro dezenas de adeptos do Sporting - vários deles igualmente sócios, ao que presumo - terem ousado invadir e destruir as instalações da Academia leonina, até há poucos anos considerada um centro de excelência máxima em matéria de formação no futebol. Estes indivíduos protagonizaram um "ataque bárbaro" (palavras da magistrada) a um local que devia ser uma espécie de santuário para toda a massa adepta. Ali cometeram-se crimes graves - e não foram provocados pelos habituais "inimigos do Sporting", mas por sportinguistas. Com imagens que voltaram a colocar a Academia literalmente nas bocas do mundo, desta vez não por motivos de excelência mas de indecência.

A partir deste acórdão, portanto, deixaremos de falar em "alegados crimes" relacionados com Alcochete: a palavra "alegados" cai com esta sentença condenatória. Houve mesmo ilícitos penais, agora punidos com penas diversas - incluindo nove casos de prisão efectiva.

Entre os que cumprirão pena de prisão inclui-se o líder histórico da Juventude Leonina que permaneceu cerca de duas décadas à cabeça desta claque. Que, de algum modo, fica assim simbolicamente decapitada. Não por capricho de comentadores ou arbítrio de jornalistas, mas por solene decisão judicial.

 

Além dos 41 arguidos que acabaram condenados em graus diversos, o acórdão determina ainda três absolvições, considerando que nas audiências de julgamento foi impossível fazer prova da suposta "autoria moral" dos crimes de Alcochete, invalidando a controversa tese inicial do Ministério Público. Neste reduzido número de arguidos agora absolvidos incluem-se o ex-presidente Bruno de Carvalho e o actual dirigente máximo da JL, Mustafá. Também aqui, como no resto, imperou o princípio que nunca deixámos de defender: acreditar na justiça. Por ser uma das traves mestras do sistema democrático que nos rege.

Numa longa entrevista ontem concedida ao Jornal das 8 da TVI, perante um interlocutor impreparado, timorato e gaguejante, o antigo presidente leonino admitiu a possibilidade de instaurar um processo por indemnização ao Estado português que pode chegar às instâncias jurídicas internacionais. É inteiramente livre de proceder assim, no exercício de um direito de cidadania, se considerar que não lhe foi feita justiça, o que não parece muito consentâneo com a absolvição que acaba de lhe ser decretada.

Entretanto, não deixa de ser irónico ver agora vários dos seus apoiantes mais indefectíveis - com a linguagem incendiária que todos lhes conhecemos, integrada no caldo de cultura que degenerou nos crimes de Alcochete - celebrarem nas redes sociais a "vitória da justiça" depois de andarem anos a alimentar teses conspiranóicas contra o poder judicial, que seria parte integrante de uma vasta operação universal destinada a derrubar aquele que continuam a venerar com cega idolatria. 

 

Afinal não havia conspiração alguma: houve crimes, houve punições, houve absolvições, haverá recursos para outros patamares judiciais se assim for decidido por advogados e Ministério Público.

Prevaleceu a justiça. Confirmando assim que devemos acreditar nela. Não apenas quando nos é conveniente, mas em todas as circunstâncias. Antes, durante e depois.

Quem não acredita na justiça, não acredita na democracia. Já passou para o lado de lá ou nunca de lá saiu.

Nesse lado eu jamais estarei.

O tribunal falou!

Dois anos e quase 15 dias depois, o tribunal pronunciou-se sobre o ataque vil, soez e cobarde à Academia Sporting, em Alcochete.

Sempre aqui fui dizendo, neste como noutros casos, que confio na justiça e confio que ela continue sendo cega e que ela própria se vai regulando, expurgando-se de elementos que a possam colocar em situação delicada.

Para que fique claro, para o tribunal, as sentenças são ou "culpado", ou "inocente", por muitas voltas que algumas pessoas, desagradadas com as sentenças, umas e outras, dêem. Não há "culpado mas..." ou "inocente mas..." Assim o ex-presidente foi considerado inocente dos crimes de que ia acusado, tendo-se provado a inocência na participação interessada de Bruno de Carvalho naquele assalto.

Tal sentença não o exime do descalabro que foi o final do seu mandato, mas é justo questionarmo-nos se não tivesse aquela acusação em cima, as coisas teriam corrido daquela forma desastrosa, no mínimo. Não saberemos nunca, já passou e o tempo nunca volta.

Terminado que está este capítulo negro da história longa e a maior parte das vezes gloriosa do Sporting, será tempo de seguirmos em frente.

A justiça pronunciou-se, a justiça está feita. Já não há desculpas para continuarem a adiar o Sporting.

A César o que é de César, ao Excel o que é do Excel

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Cronologicamente:

No Sapo Desporto de 14/04/2018:

«O vice-presidente do Sporting está na China à procura de capital e vai tentar marcar uma visita do presidente chinês Xi Jinping ao clube de Alvalade.»

No Record de 03/09/2018:

«Bruno de Carvalho atira-se a Carlos Vieira: "Um arrogante que mandei passear à China"»

«Bruno de Carvalho deixou duras críticas a Carlos Vieira, o seu antigo vice-presidente com o pelouro das finanças, acusando-o de ter "estragado" a reestruturação financeira e "parado sem autorização" um empréstimo obrigacionista, o que levou mesmo o presidente destituído do Sporting a enviar o CFO... para a China.»

«Carlos Vieira está para estas reestruturações como o Zé Cabra para a música. (...) Sempre deixei passar a imagem de que ele era muito bom mas no fundo foi o que sempre tinha sido, um excelente diretor de contabilistas… Ele a somar e a diminuir num Excel o trabalho dos outros é máquina.»

 

Em Notícias ao Minuto de 05/02/2020:

«Carlos Vieira, antigo vice-presidente do Sporting durante a direção de Bruno de Carvalho, está a ser pressionado, sabe o Desporto ao Minuto, para avançar com uma candidatura à liderança do clube de Alvalade. 

Atualmente suspenso da sua condição de sócio dos leões, o dirigente estará a ponderar avançar ou não em cenário de eleições.

Com os leões a viverem uma situação financeira conturbada, o antigo vice, responsável, precisamente por esta área durante o mandato de BdC, é visto por uma franja de adeptos com o homem certo para levantar o clube. 

O antigo dirigente, de 46 anos, poderá, assim, durante os próximos meses, avançar com uma candidatura caso se precipitem eleições em Alvalade.

Moção para Assembleia geral extraordinária ainda em apreciação.

Durante as últimas semanas o movimento Dar Futuro ao Sporting apresentou um pedido para a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária destitutivo, processo que estará ainda em apreciação por parte da MAG dos leões.

Num primeiro momento, Rogério Alves, presidente da MAG, pediu mais elementos para tomar uma decisão sobre o tema, mas nos últimos dias surgiram notícias de que o próprio órgão estará agora dividido quanto à decisão do advogado.

Poiares Maduro também entra na equação

O antigo ministro de Pedro Passos Coelho também está a ser avançado como possibilidade para um próximo ato eleitoral. Visto por vários quadrantes da massa adepta como solução ideal para o clube, o antigo governante estará reticente a avançar em nome próprio, situação que, sabe o Desporto ao Minuto, estará a ponderar dada a situação do clube de Alvalade.»

 

No Record de 14/04/2020:

«Carlos Vieira propõe um exemplo de perdão ao "filho pródigo" Rafael Leão.»

 

No Record de hoje:

«Carlos Vieira: "Deveria haver um espaço no Museu do Sporting para Eusébio".»

 

SL

O Sporting faz milionários

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Contratar um treinador sérvio desempregado - sem um título de campeão no currículo, fluente apenas em italiano e servo-croata, desconhecedor em absoluto do futebol português - a cinco dias de uma assembleia geral do clube convocada para a sua própria destituição (que não tardaria a consumar-se), foi um dos actos mais danosos que tenho guardados na minha longa memória de sportinguista. "Como se o Edifício Visconde Alvalade fosse o cofre-forte do Tio Patinhas", escrevi aqui nesse mesmo dia.

Com esta tresloucada decisão, a última do seu mandato, Bruno de Carvalho lesou os cofres leoninos, transferindo para quem lhe sucedia o ónus de ficar com um técnico que não escolhera, pagando-lhe quatro milhões de euros por temporada, ou denunciar um generosíssimo contrato com validade de três anos, até 2021, sujeitando-se a desembolsar uma choruda indemnização por quebra unilateral do vínculo laboral entretanto assumido.

Sousa Cintra, sucessor de Carvalho, optou pela segunda via. Frederico Varandas, sucessor do sucessor de Carvalho, viu-se agora forçado a pagar - num momento em que o clube deixou de ter receitas devido aos brutais efeitos da pandemia que nos fustiga há dois meses. Cerca de três milhões de euros acabam de sair de Alvalade para a conta bancária do senhor Mihajlovic, que já nem deve lembrar-se da localização do nosso estádio. 

Espero que o novíssimo milionário ofereça ao presidente destituído um opíparo jantar regado a champanhe: nada é tão bonito como um gesto de gratidão.

Faz hoje dois anos que aconteceu em Alvalade

Após um inenarrável post do então presidente Bruno de Carvalho, colocado na sua página pessoal do Facebook, atacando o profissionalismo da equipa de futebol, a maioria dos jogadores responderam à altura ao menino birrento, fazendo-o provar do próprio remédio. Como é apanágio nos tiranos, o visado não gostou que o seu poder absoluto fosse colocado em casa, chegando ao ponto de ameaçar processos disciplinares aos jogadores e colocar em campo a equipa B.

Os jogadores foram aplaudidos pela esmagadora dos sportinguistas no estádio, a excepção foi apenas a claque Juve Leo, mostraram estar à altura das responsabilidades, com uma exibição agradável e vitória justa por 2-0 diante do Paços de Ferreira, golos de Bas Dost e Brian Ruiz. No final, tiveram direito a aplauso e volta a estádio.

Já o presidente foi apupado quando se dirigia para o banco, ouviu alguns insultos e muitos pedidos de demissão. No final do jogo alegou dores nas costas, mas fiel ao seu estilo irrompeu na sala de imprensa para contra-atacar os sócios, acusando-os de ingratidão. Sem que ninguém se tivesse apercebido, ficou ali consumado o divórcio entre a equipa de futebol e presidente e começou a ruptura entre os sócios e órgãos sociais, que culminaram na AG em 23 de Junho.

De cabeça perdida

Esta gente anda de cabeça perdida. Nem a pandemia mundial que já provocou 12 vítimas mortais em Portugal e levou o Presidente da República a decretar o estado de emergência as faz mudar de rumo ou as leva a moderar o discurso. Continuam a pregar o ódio, recorrem a expressões cada vez mais incendiárias e mobilizam rebanhos de fiéis que papagueiam nas redes todos os dislates emanados dos gurus.

Um goza com o coronavírus, indiferente ao sofrimento que enluta o País e o mundo, apelidando de 'Covid-71' os sócios do Sporting que votaram pela destituição na histórica assembleia geral de 23 de Junho de 2018. Palavras inqualificáveis, só possíveis de serem escritas ou ditas por alguém a quem não resta um pingo de vergonha.

Outro, em vez de aplaudir - como aqui se fez - a decisão de Frederico Varandas de regressar ao activo nas forças armadas para se integrar no corpo clínico que dá combate ao coronavírus, consome o seu tempo a disparar contra o dirigente leonino, acusando-o de «desonestidade intelectual» e levando de imediato uma alcateia de seguidores a replicar as suas palavras.

 

Este pequeno batalhão de acéfalos - vários dos quais vieram bolçar inanidades também nesta caixa de comentários - talvez devesse sentir orgulho ao ver o presidente do Sporting ser notícia por este motivo e não pela suspeição de práticas de corrupção ou de viciação de resultados desportivos, como sucede com figuras de outros clubes. Mas eles são incapazes de se desviarem um milímetro da ideologia de ódio que professam.

Como o jornal A Bola já deixou claro, Varandas tomou a iniciativa de comunicar aos responsáveis militares a decisão de ser reincorporado e participou numa acção de formação em Covid-19 no Hospital Militar antes de ser proclamado o estado de emergência, o que invalida as acusações de Luís Gestas, que integrou o Conselho Directivo do Sporting com Bruno de Carvalho e manteve-se até ao fim com ele.

Neste caso, porém, registo com agrado uma alteração ao padrão dominante: Gestas deu o dito por não dito, retirando a acusação que fizera e pedindo desculpas públicas a Varandas. Fica-lhe bem e espero que produza um efeito pedagógico nos seus destemperados seguidores. Já agora, deixo a sugestão a todos: preocupem-se nos próximos dias em servir a comunidade, como faz o Francisco Geraldes, e mudem de tema. Há uma guerra contra o coronavírus a ser travada sem mais demora.

#Covid71 e a desrespeitosa atitude de Bruno de Carvalho

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Acaba de ser confirmada a quinta morte por infeção de Covid-19 em Portugal, em Itália morre o equivalente à queda de dois aviões por dia, e ainda assim o destituído (e protocandidato a) presidente, Bruno de Carvalho, acha que é a melhor maneira de se referir às pessoas que têm uma opinião que não vai ao encontro da sua.

Está no seu direito de ser idiota, é claro. É sempre melhor quando os idiotas falam, permitem-nos saber quem são. Mas a História não se esquecerá deste momento. Faria melhor figura se consultasse num dicionário a palavra indemnizar.

O que eles dizem

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«O Ministério Público pediu a absolvição de Bruno de Carvalho neste tristíssimo e dramático caso - o mais vergonhoso da história do Sporting Clube de Portugal - mas ele ainda não foi absolvido. Mas os brunistas mais empedernidos - aqueles que ainda existem, e são alguns - fizeram já disto uma razão suficiente para se acharem no direito de exigir o regresso dele não apenas à condição de sócio do Sporting, da qual foi expulso, mas também à reocupação do lugar do qual foi destituído. Os brunistas sabem o que estão a fazer: é mais um embuste, mais uma batotice, mais uma vigarice. Inflamam as massas com mais uma cortina de fumo para enganar toda a gente.

A expulsão de sócio e a destituição de Bruno de Carvalho não teve nada a ver com Alcochete. Rigorosamente nada. Ele até podia ter estado à porta de Alcochete a defender a honra do clube e a integridade física dos jogadores e dos técnicos que foram agredidos por aquela gentinha. Ele foi destituído e expulso por tentar impedir a realização da assembleia geral de 23 de Junho e pela violação da suspensão preventiva a que estava sujeito; pela usurpação de funções e pela tentativa de bloqueio das contas do Sporting;  pela criação de órgãos fantasmas completamente à revelia dos estatutos do clube; e pelo uso indevido de meios do clube.»

António Macedo, Sport TV+, 13 de Março

 

 

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«Espero que perante este comportamento do Ministério Público que, provavelmente, conduzirá à sentença de absolvição do ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, se não confunda a responsabilidade criminal com justa causa e responsabilidade disciplinar.

Os sócios do Sporting Clube de Portugal reunidos em assembleia geral fizeram justiça ao deliberarem a sua destituição com justa causa e a confirmação da pena de expulsão aplicada - deliberações com as quais [Bruno de Carvalho] se conformou. Não há que misturar absolvição de um crime público com destituição, ou expulsão e readmissão, no seio de uma associação privada. 

Uma coisa são os factos criminosos praticados em Alcochete; outra coisa são os desvarios e as infracções disciplinares praticadas em Alvalade. Aqueles foram testemunhados por menos de uma centena de pessoas; a estes assistiram milhões, estupefactos e incrédulos.»

Dias Ferreira, A Bola, 14 de Março

Dúvidas dissipadas

Para que não restem dúvidas, num mais que provável acto eleitoral num futuro próximo (se o Covid-19 deixar), o meu candidato será Pedro Azevedo! Já expliquei aqui os motivos da minha decisão e do meu apoio, consolidado no seu programa excelentemente estruturado e confiante de que conseguirá reunir uma equipa competente e séria, que conduzirá os destinos do clube a bom porto.

Vem este postal a propósito da decisão do Ministério Público retirar todas as acusações contra Bruno de Carvalho e por conseguinte se antever que sem acusação formada pelo MP, a decisão do colectivo de juízes será em conformidade, não antevejo outro desfecho e o ex-presidente e ex-sócio será ilibado de todas as acusações.

Assim sendo e conhecendo o homem, parece-me que o passo seguinte, até porque já anunciou publicamente que será candidato à presidência do Sporting, será a luta em tribunal (ou numa AG, conforme os estatutos, com o apoio de 2/3 dos votos presentes) pela reintegração como associado, condição essencial para se (re)candidatar. Mas indo até mais longe, não creio que BdC se fique por aqui (eu não ficava, se como ele me achasse com razão e injustiçado) e peça junto da justiça a anulação da AG destitutiva. Sabemos que o motivo "Alcochete" não constava das razões apresentadas para a destituição, mas foi "Alcochete" a causa de toda a loucura que se passou a seguir (de um lado e de outro) e foi a espoleta para o pedido de destituição. Quanto a esta forma de  conseguir o regresso estou apenas a especular, nada nem ninguém me "soprou" sobre o assunto, mas creio que não andarei muito longe da verdade.

Não faço a mais pequena ideia se num hipotético processo de reintegração e anulação da destituição o tribunal decidiria favoravelmente, não me pronunciarei se ele vier a existir tal como nunca me pronunciei sobre este, para além do "a justiça decidirá". E o que a justiça decidir, gostemos ou não, estará decidido.

Sou por convicção um democrata e um crente na justiça, embora uma e outra por vezes andem de candeias às avessas, portanto havendo uma não pronuncia (não o será tecnicamente, mas se o MP acusou, não tem provas e pede absolvição, o mais sensato seria retirar as acusações), não quero deixar de recordar o que aqui fui escrevendo a propósito do exagero que foi todo o modus operandi da detenção, acusação e posterior obrigatoriedade de apresentação na esquadra de polícia. Depois de assistirmos ao pedido de absolvição pelo MP, com o argumento de que não há provas que consubstanciem a acusação, será legítimo perguntar o porquê da detenção a um Domingo com a convocação dos OCS, que em directo transmitiram o acto e sem qualquer pudor devassaram a privacidade de um cidadão. Será legítimo perguntar porque não foi revisada toda a hipotética prova (que parecia ser tão irrefutável e afinal não existia sequer), na presunção legal de inocência. E será legítimo perguntar qual foi o critério de obrigar um suspeito de cometer crimes tão hediondos, tão hediondos que afinal não se conseguiu provar que os tivesse cometido, a ter que, durante meses, apresentar-se diariamente, quer dizer, todos os dias, numa esquadra de polícia, como se de um perigoso terrorista se tratasse. Disse-o na altura e reafirmo-o agora: As medidas foram exageradas, desadequadas e aviltantes para o cidadão Bruno de Carvalho, como seriam para outro qualquer cidadão. O facto de o MP ou alguém por ele, ter convocado a CS para cobrir este assunto com o aparato que se previria ensurdecedor, não passou de um enorme assassinato de carácter e de um ataque não só ao cidadão Bruno de Carvalho mas, estou perfeitamente convencido, ao Sporting Clube de Portugal, que era quem queriam atingir. E conseguiram!

Deixemos portanto ou os tribunais ou os sócios decidir do futuro de Bruno de Carvalho se ele assim o desejar.

Ainda que continue convicto que tudo não passou duma golpada como disse atrás, mais para atingir o Sportig do que a ele próprio e de desaprovar os métodos também muito pouco democráticos do então PMAG, não gostei dos tiques ditatoriais (que também se vêem em Varandas, curiosamente) que se começaram a notar logo no início do seu segundo mandato e que o conduziram numa espiral de "loucura" que não teria outro fim que não o da sua queda, por isso se hipoteticamente voltar e se se candidatar, não terá o meu apoio. Já o disse, Pedro Azevedo é para mim quem melhor estará preparado para dirigir o Sporting. Também muito claramente digo, se o Pedro por alguma razão não for candidato e BdC se apresentar, apesar das minhas muitas reticências, se não aparecer um super candidato que pulverize tudo,  para a urna irá uma cruz em frente ao seu nome! Quem sabe não aprende com os erros, com aquela vontade de ter unanimidade, tanta unanimidade que até o tio Ricci coube na sua lista e tanta gente que como Marta Soares na primeira oportunidade lhe espetou a faca nos rins? Mas como diria "o outro", isto é apenas um "supônhamos".

Para terminar, fosse eu o cidadão Bruno de Carvalho e o Estado português "bateria com os costados" no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e aí seria certamente condenado a pagar-"me" uma choruda indemnização e a um voto de censura do tamanho da golpada que contra "mim" foi levada a cabo. Podem apostar!

A responsabilidade criminal nem é o mais importante (2)

Nunca me pus a lançar palpites (coisa, aliás, que detesto) sobre este assunto, que pertence à justiça. Nunca acusei Bruno de Carvalho de ter estado diretamente envolvido com o ataque à academia de Alcochete. Conhecida a conclusão do Ministério Público, embora ainda faltando a decisão final dos juízes, digo que fico satisfeito se se confirmar que o então presidente nada teve a ver diretamente com o ataque. Se o ataque em si já constitui a página mais vergonhosa da história do Sporting Clube de Portugal, se se confirmasse o envolvimento do presidente a vergonha seria ainda maior.

O ataque a Alcochete foi um ato de loucura coletiva, para o qual houve seguramente responsáveis (alguns já assumidos) que terão que ser séria e exemplarmente punidos. E estou certo de que o serão. Agora reafirmo o que escrevi aqui: mesmo não lhe sendo imputada a responsabilidade do ataque, a Bruno de Carvalho será sempre imputada a responsabilidade de ter sido o principal criador e instigador daquele ambiente de loucura coletiva: desde posts no Facebook a entrevistas, passando pela suspensão e castigo de toda a equipa de futebol. Não é uma responsabilidade criminal, mas mesmo assim é uma responsabilidade muito grave. Que os sportinguistas nunca deverão esquecer.

Não estarei lá

Hoje não estarei em Alvalade, na manifestação de protesto contra Frederico Varandas que conta com a entusiástica adesão da Juventude Leonina. Faço-o por uma questão de princípio. Exerço o meu direito ao protesto, enquanto sportinguista, de duas formas: escrevendo neste blogue (que já vai no nono ano de existência e tem cada vez mais leitores) e votando. 

Nas últimas semanas publiquei aqui duras críticas a Varandas e estou firmemente convencido de que o presidente leonino não irá completar o seu mandato, tantos e tão graves têm sido os erros cometidos na gestão do futebol. Nos momentos próprios, quando assim o entendi, fiz o mesmo em relação a Godinho Lopes e Bruno de Carvalho. Mas há duas atitudes que nunca tomei nem tomarei: assobiar quem preside ao clube enquanto estou na bancada do Estádio José Alvalade e integrar protestos públicos em dias de jogo. Desde logo porque uma coisa e outra desestabilizam a equipa e dão alento aos nossos adversários. E eu apoio sempre a equipa - seja quem for o presidente, seja quem for o treinador.

Respeito quem se manifestar mas considero um erro que este protesto público ocorra imediatamente antes do Sporting-Aves - tratando-se ainda por cima do jogo em que se estreia o sucessor de Silas, que a partir de hoje é o timoneiro do plantel leonino, gostemos ou não do tempo e do modo como foi contratado.

Sou coerente com o comportamento assumido no passado. Critiquei aqui o expressivo coro de assobios e injúrias a Bruno de Carvalho, num célebre Sporting-Paços de Ferreira, e recusei participar na manifestação que se realizou contra o ex-presidente, apesar de ter ocorrido após o encerramento da época desportiva. Julgo não ter havido outra a visá-lo. Varandas enfrenta agora a segunda em pouco tempo. Nada mais legítimo: serei sempre o último a contestar o direito à manifestação. Mas estarei sempre entre os primeiros que advogam uma separação clara entre dia de protesto e dia de jogo.

É quanto basta para não aparecer lá.

Roma não pagou a traidores. Já nós...

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Em 155 AC, quando os traidores de Viriato se refugiaram em Roma reclamando a recompensa prometida pela traição, as autoridades romanas ordenaram a sua execução em praça pública, onde os corpos ficaram expostos com a inscrição: "Roma não paga a traidores".

No Sporting, infelizmente, a traição foi recompensada e hoje quem traiu os dois presidentes que lhe deram a mão está no trono.

Varandas entra no clube por fruto da boa relação do seu irmão com a então direção leonina, comandada por Godinho Lopes. Em pouco tempo, o ex-médico dos juniores do Vitória de Setúbal atinge o topo da hierarquia do departamento clínico. Com a entrada de Bruno de Carvalho, Frederico Varandas continuou. Esta permanência, apesar da sua forte relação com a direção anterior, foi um reconhecimento e um voto de confiança da direção de BdC no trabalho do agora presidente do clube.

Durante os mandatos de Bruno de Carvalho, Frederico Varandas nunca se mostrou critico da política deste. Com BdC, foi principescamente pago, teve a oportunidade de estabelecer uma rede de contactos privilegiada e projetou-se mediaticamente. Os interesses de Varandas sobrepuseram-se sempre aos valores da retidão.

Varandas aceitou, com naturalidade, que quem lhe abriu as portas do clube fosse corrido e expulso de sócio. Nunca lhe ouvimos uma palavra na defesa do Eng. Godinho Lopes. Varandas aceitou, com naturalidade, todas as "loucuras" de Bruno de Carvalho sem nunca se opor, ficando sempre na sua zona de conforto, a servir-se do clube. Em ambos os casos, Varandas mostrou que de militar só tem a farda. Abandonou dois corpos feridos, deixando-os morrer. Frederico mostrou, nestes dois momentos, ser um homem rasteiro, sem valores e que o seu bem-estar se sobrepõem a tudo, inclusive ao Sporting.

A eleição de Frederico Varandas foi um prémio que Roma não aceitou pagar, já nós... enfim.

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