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És a nossa Fé!

O dia seguinte

Ontem à noite em Alvalade o Sp.Braga foi literalmente atropelado na 1.ª parte do jogo por um Sporting que finalmente teve tempo para treinar aquele quarteto ofensivo. Defesa muito concentrada, equipa sempre com o pé no acelerador, aproveitamento da largura pelos alas, os dois interiores a recuar para pegar na bola e fazer miséria na área adversária, Paulinho com ordem para rebentar com aquilo tudo, sempre com um olho na baliza e outro em Musrati.

No primeiro golo Paulinho assistiu, no segundo marcou, no terceiro Edwards foi rasteirado na área e deu penálti marcado por Pedro Gonçalves, no quarto marcou Trincão, no quinto Edwards foi de novo rasteirado na área e desta vez marcou.

Pelo meio, duas grandes oportunidades perdidas por Paulinho e Pedro Gonçalves.

Nos primeiros 45 minutos do Sp.Braga nada, coisa nenhuma. Como é que esta equipa está à frente do Sporting na Liga eu até percebo porque estive a cores e ao vivo em quase todas as derrotas do Sporting. Mas por amor da Santa, quem compara este Sporting Clube de Portugal com este Sporting Clube de Braga deve andar a abusar da bagaceira de vinho verde. Mesmo boa, mas depois não se pode confiar no que se diz.

Não é vergonha nenhuma para o Sp.Braga levar 5 do Sporting dada a diferença de capacidade entre os dois clubes. Como o não é quando o Sporting perde por números idênticos com Ajax ou Man.City, e nem me vou dar ao trabalho de pesquisar com quem Benfica e Porto já levaram cabazadas.

 

Na 2.ª parte veio a chuva, o terreno foi ficando cada vez mais pesado e as duas equipas começaram a abusar dos lances individuais, todos condenados ao insucesso. O tempo foi passando até ao final sem muito para destacar.

Enquanto o Braga foi refrescando a equipa ao longo do jogo, Rúben Amorim resistiu imenso às substituições. E a verdade é que todos os que entraram, Essugo, Arthur, Sotiris, Jovane e Esgaio, nada fizeram de registo. No caso do Jovane, o que fez foi mesmo uma sucessão de disparates.

Curiosamente, do onze inicial de Amorim, dois vieram do Famalicão, dois vieram do Sp.Braga (um via Barcelona), um veio do V. Guimarães, dois vieram do Rio Ave. Seria alguma vez isso possível há uns anos? Duvido. Mérito de quem?

 

Melhor em campo? Todo o onze inicial esteve a nível excelente, mas diria Edwards ou Paulinho. Entre os dois não sei dizer.

E agora? Ganhar ao Paços de Ferreira.

SL

Quente & frio

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Porro, um dos dínamos da nossa equipa na goleada de ontem ao Braga

Foto: Tiago Petinga / Lusa

 

Gostei muito da goleada desta noite em Alvalade. Houve manita: o Sporting fulminou o Braga por 5-0. Passámos às meias-finais da Taça da Liga, afastando a turma minhota da competição. Resultado construído ao intervalo. Com golos de Gonçalo Inácio (5'), Paulinho (7'), Pedro Gonçalves (20'), Trincão (41') e Edwards (45'+3). Um festival de futebol de ataque, com excelentes passes, recepções orientadas, assistências e golos numa partida em que todo o nosso onze titular esteve em alta rotação, exibindo intensidade e classe. Nada fácil escolher o melhor em campo: elejo Edwards por ter conquistado dois penáltis - o primeiro convertido por Pedro Gonçalves, o segundo por ele próprio - e protagonizado os momentos mais vistosos de futebol ofensivo com o seu inegável virtuosismo técnico como interior direito, marcando o compasso do nosso ataque. Também Paulinho, Trincão, Porro e Nuno Santos justificam destaque numa partida em que o colectivo leonino funcionou como raras vezes temos visto nesta temporada. Correspondendo ao apelo que aqui lhes fiz.

 

Gostei que tivéssemos terminado mais um jogo sem sofrer golos. Foi o sexto consecutivo a vencer, para duas competições: registamos 23 golos marcados e apenas um sofrido nestas partidas. Só na Taça da Liga, título de que somos detentores há duas temporadas, levamos agora o melhor registo de sempre: quatro vitórias, com 18 marcados e nenhum sofrido. Demonstração inequívoca de saúde animica da nossa equipa. Conclusão óbvia: fez-nos muito bem esta interrupção do campeonato imposta pelo calendário do Mundial. 

 

Gostei pouco da chuva muito forte que caiu ontem em Alvalade durante toda a segunda parte, prejudicando o espectáculo e contribuindo para a quebra de rendimento do Sporting, que no entanto foi superior ao Braga, sem a menor contestação, até ao apito final. Adán limitou-se a duas defesas, uma em cada parte do jogo. Não era preciso carregar mais no acelerador: o resultado estava construído ao intervalo. Também é verdade que nenhum dos suplentes esteve ao nível dos titulares: Jovane (por Paulinho, 71'), Dário (por Ugarte, 71'), Esgaio (por Porro, 76'), Arthur (por Trincão, 76') e Sotiris (por Edwards, 86').

 

Não gostei da fraquíssima assistência, com pouco mais de vinte mil espectadores nas bancadas - mas o alerta das autoridades para outra noite de temporal em Lisboa - embora sem impor a realização do jogo à porta fechada, como tinha sucedido no Sporting-Marítimo - contribuiu decerto para desmobilizar muita gente. Foi pena: esta goleada leonina merecia ter sido testemunhada por muito mais adeptos ao vivo.

 

Não gostei nada dos "olés" soltados por certos membros das claques e da habitual javardice a que alguns chamam "cânticos". Nada disto tem a ver com o espírito leonino. Alguns imbecis teimam em copiar os piores modelos. Acabam por não se distinguir deles - e talvez a intenção seja mesmo essa. Deviam todos juntar-se num recinto qualquer e entoarem os tais "cânticos" uns para os outros. Tão distantes de nós quanto possível.

É dia de jogo

E eu vou lá estar, doido da cabeça... desta vez a cores e ao vivo em Alvalade.

Estes três últimos jogos para a Taça da Liga foram importantes para recuperar a melhor condição física e psicológica e alargar o plantel "efectivo" da A através das oportunidades dadas a alguns da equipa B que demonstraram condições. Marsà e Essugo demonstraram que podem ser alternativas válidas a Coates e Ugarte, Arthur a Nuno Santos, pelo que a grande questão continua a ser a posição "Matheus Nunes".

Morita está lesionado. Mateus Fernandes teve a sua oportunidade mas é um "10" e não um "8" como Bragança. Sotiris, que recebeu o prémio de melhor jogador jovem da Grécia na temporada passada, está a ser reformatado a "6" para ganhar posicionamento e disciplina táctica com ganhos para a próxima época. Diogo Abreu sofre as consequências de não ter tido pré-época em condições e falta-lhe ainda rotatividade. Sobra... Pedro Gonçalves. Não há mais ninguém. Só adiantando Ugarte e colocando Essugo nas suas costas.

E voltamos ao mesmo, o goleador da equipa a meio-campo é um desperdício, Trincão e Edwards não têm a mesma influência lá na frente. Pedro Gonçalves não é nem de longe um Matheus Nunes, não tem a mesma força física para defender, nem para as cavalgadas que queimam linhas. O que frente a um Braga, cujo ponto forte é mesmo o meio-campo comandado por Musrati, pode ser um grande problema.

 

Amorim já veio dizer que Adán irá alinhar, pelo que o onze inicial deverá ser o seguinte:

Adán; Inácio, Coates e Matheus Reis; Porro, Ugarte, Pedro Gonçalves e Nuno Santos; Edwards, Paulinho e Trincão.

No banco deverão estar Israel, Esgaio, Essugo, Arthur Gomes, Sotiris, Rochinha e Jovane.

Muito ainda para conquistar esta época. Confiança total em Rúben Amorim, confiança total nesta equipa!

SL

Bibi, o Benfica e a Casa Pia

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Para nós, sportinguistas, o jogo mais importante desta jornada é amanhã: Sporting vs. Casa Pia.

Uma vitória sobre o Casa Pia pode colocar o Sporting no terceiro lugar (empatado com o Braga) a três pontos do segundo e atirar com o Casa Pia para o oitavo lugar, uma derrota com os gansos pode significar que seja o Sporting a terminar esta jornada em oitavo. Muita atenção, portanto.

O Casa Pia que vamos enfrentar não é bem o da imagem, em vez de cultura, será mais, usura e em vez de solidariedade, será mais, negócio.

O negócio Rafa Silva, foi-me contado assim por um casapiano: "vendemos um dos nossos melhores jogadores [ao VSC] mas o americano [Robert Platek] precisava de recuperar algum dinheiro", perguntei: "Então mas o dinheiro não vai para o clube?" "Não, o americano é que paga os jogadores mas quando vende fica com o dinheiro".

Não consigo imaginar como funciona a contabilidade do Casa Pia, como não imagino como funcionava a contabilidade do Benfica no tempo de Bibi [Vítor Santos] um pato bravo que era dono de um jogador, Roger, do plantel encarnado.

Já que estamos a falar do Benfica, vamos ver o que consegue fazer logo, fará melhor ou pior que o Brugges?

Três jogos interessantes para acompanhar este fim-de-semana:

Porto vs. Benfica, hoje às 20h15

Estoril vs. Braga, amanhã às 18h00

Sporting vs. Casa Pia, amanhã às 20h30

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Ganhar ou perder

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25 de Julho de 2020.

Estádio da Pedreira, Braga; estádio da Luz, Lisboa.

Jorge Sousa, Fábio Veríssimo.

Artur Jorge vs. Sérgio Conceição; Nélson Veríssimo vs. Rúben Amorim.

Todos estes treinadores vão estar activos na próxima jornada.

Hoje interessa-me falar dessa última jornada da época de 2019/2020, um Sporting que foi impedido de ganhar ou pelo menos de empatar na Luz e um FC Porto que vencia, confortavelmente, na Pedreira, deixou o Braga virar o resultado aos 66 minutos e a partir daí, "ajudado" por Jorge Sousa, nada fez para procurar empatar o encontro.

Há atitudes que não prescrevem, a de Fábio Veríssimo, por exemplo, como escreve José Leirós: "deliberadamente de sola vai ao pé do adversário".

O Benfica devia ter jogado com dez a partir dos 20' mas isso não era interessante para a negociata que Jorge Mendes e Vieira preparavam. Em Braga cozinhava-se outro tipo de negócio, um clube que perde, deliberadamente, um jogo.

Este texto vai servir de enquadramento para aquele que preparo para amanhã; o embate entre os dois vencedores dessa jornada: Nélson Veríssimo e Artur Jorge e outras dois jogos importantes.

o título por um canudo

Estranhos os comentários à entrada de capital do Qatar no Sporting de Braga. Agora é que vai ser, agora é que o Braga vai ser campeão. Ai é? Mas também vão mudar as cenas de arbitragem, é isso? Caso os investidores do Qatar não saibam, em Portugal, ganhar campeonatos não passa apenas pelo relvado ou centro de treinos XPTO.

 

Uma coisa evidente no nosso jogo nos Açores foi termos uma arbitragem 'normal', que tratou o SCP como se fosse o Famalicão ou o Chaves, ignorando lances que - caso o SCP fosse um grande na cabeça do árbitro e do VAR - teriam sido penalti de certeza. 

Por mim, considero-os lances de futebol que podem ser ou não penalti e considero que os árbitros têm direito a erros e distrações.

Soares Dias fez uma boa arbitragem, ou pelo menos uma arbitragem normal. 

Só para esclarecer as ironias, eu não defendo arbitragens diferentes para grandes e pequenos. Prefiro, aliás, más arbitragens, arbitragens às bolinhas, arbitragens à inglesa ou à grega, DESDE QUE SEJAM IGUAIS para todos.

O Braga só será campeão com a massa do Qatar, se assim passar a ser. 

Portanto, ou bem que os comentadores de bola lusitano andam distraídos, ou bem que dizem o que outros dizem, porque não dizem o que devem dizer. 

O exemplo de Braga

O autor do lançamento de um petardo durante o jogo em Braga foi imediatamente identificado pelas autoridades, detido e será presente em tribunal. Se é assim em Braga, é muito bem. Em Lisboa, no estádio de Alvalade, episódios destes durante anos sucediam-se jornada após jornada, sempre do mesmo local do estádio, em direção ao relvado. Estranhamente, nunca vi as autoridades fazerem nada. Não deveriam tais lançamentos ser um crime público? Se não são, se alguém tem que apresentar uma queixa, por que nunca o fizeram as sucessivas direções do Sporting? Ou a Liga - que fosse? Será que teriam que ser os jogadores a apresentar queixa? Ao Rui Patrício, durante muitos anos, motivos para apresentar queixa nunca lhe faltaram.

Vitória três vezes desperdiçada na Pedreira

Braga, 3 - Sporting, 3

 

O carteiro toca sempre duas vezes. O comboio, no filme, apitou três vezes.

Nós, ontem, desperdiçámos três ocasiões para trazer uma vitória de Braga. A linha avançada, no geral, cumpriu a missão - com a excepção que não tardarei a referir. Já a defesa, tanto no plano colectivo como individual (e neste aspecto apenas absolvo Coates) esteve muito abaixo daquilo a que nos habituou.

Esta foi apenas a terceira vez em que Rúben Amorim sofreu três golos, pelo Sporting, numa partida do campeonato. É motivo para soarem sinais de alarme em Alvalade: o plantel ainda necessita de reforços. Desde logo no plano defensivo: ontem voltámos a actuar com dois jogadores fora das posições de origem e houve um terceiro (Esgaio) que esteve quase a fazer o mesmo, quando se suspeitava que o estreante St. Juste teria de abandonar o campo por lesão.

A ausência de Palhinha faz-se sentir: estamos também sem um número 6 de origem. Tanto Morita como o próprio Ugarte têm propensão mais ofensiva e menos posicional do que o nosso ex-médio agora lançado na Liga inglesa. A ausência desse ferrolho incentiva as movimentações ofensivas adversárias e torna mais complicado o trabalho à retaguarda.

E é cada vez mais urgente a vinda de um n.º 9. Já sem Tiago Tomás, já sem Jovane, já sem Tabata (que estaria a ser trabalhado para avançado-centro), com Slimani remetido à equipa B e Rodrigo Ribeiro ainda demasiado inexperiente para ser presença habitual na nossa frente de ataque, não é possível termos aspirações ao título contando apenas com Paulinho como pivô ofensivo.

Sobretudo o Paulinho deste jogo em Braga, que foi inexistente.

 

Tudo isto para salientar pontos negativos. Nem poderia ser de outra forma, tendo começado esta Liga 2022/2023 já em desvantagem face a FC Porto e Benfica, que golearam nas respectivas partidas, muito mais fáceis por serem em casa e perante adversários de nível muito inferior.

A comparação é também pouco lisonjeira face à Liga 2021/2022: nessa altura vencemos na Pedreira por 2-1. 

Quanto aos reforços, Morita merece o maior destaque pelo seu desempenho: surgiu como titular, fazendo parceria com Matheus Nunes, e promete ser uma das figuras deste campeonato. Francisco Trincão - também ontem titular - está ainda longe de mostrar o seu valor. St. Juste, que só entrou aos 60', teve apontamentos de qualidade. Oxalá esteja no plano físico tão bem como parece estar no plano técnico.

Também Rochinha merece elogio. Jogou poucos minutos mas foi quanto bastou para construir todo o lance do terceiro golo, oferecido a Edwards. A melhor jogada individual do desafio.

 

Outros pontos positivos? Matheus Nunes voltou às boas exibições: foi ele a criar o nosso primeiro golo, aos 9', isolando Porro que serviu Pedro Gonçalves; foi ele também a fazer a assistência para o segundo, de Nuno Santos, com um passe cruzado de longa distância e alta precisão. 

Também positivo é haver vários jogadores com vocação para a meter lá dentro. Ontem foram três, contribuindo para o excelente espectáculo futebolístico em Braga proporcionado por duas equipas com vocação ofensiva, sem momentos mortos nem antijogo. Parecia quase um desafio da Liga inglesa. Teria sido perfeito, para nós, se soubéssemos gerir a vantagem que mantínhamos até ao fatídico minuto 88. 

Usando outra metáfora: o pássaro esteve três vezes na mão. Mas em todas permitimos que voasse lá na Pedreira. 

E nunca há segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou refeito do problema físico que chegou a assustar. Fundamental para evitar golo a Vitinha (90'+3) que seria um pesadelo para nós.

Gonçalo Inácio - Desconcentrado, somando erros de posicionamento e falhas de intercepção da bola. Não melhorou quando passou da direita à esquerda.

Coates - O melhor do nosso reduto defensivo. Fez até de improvisado guarda-redes, com Adán fora da baliza, num lance que seria anulado.

Matheus Reis - Intranquilo como central à esquerda, incapaz de fazer a diferença na saída de bola. Tem responsabilidades nos dois primeiros golos.

Porro - Dinâmico na ala direita, começa a época a assistir para golos com um centro milimétrico que Pedro Gonçalves converteu. Aos 65', atirou ao poste.

Morita - Precisão no passe, olhar sempre atento ao posicionamento dos colegas, capacidade de movimentar a bola. Estreia promissora de verde e branco.

Matheus Nunes - Após uma pálida pré-temporada, foi o melhor em campo. Com participação em dois golos, assumindo-se como patrão do meio-campo.

Nuno Santos - Fez um golo, o segundo, de levantar o estádio num disparo acrobático aos 18'. Grande cruzamento aos 29', infelizmente sem sequência.

Trincão - Outro estreante oficial com a verde e branca. Tentou ser útil, sem conseguir. Incapaz de criar desequilíbrios ou de jogar com eficácia.

Pedro Gonçalves - Após sete golos na pré-temporada, voltou a fazer o gosto ao pé, logo aos 8'. Precisamos dele como há dois anos, quando fomos campeões.

Paulinho - Incapaz de criar diagonais para desposicionar a defesa, só rematou uma vez - e muito por cima. Inoperante, inofensivo. Destaque pela negativa.

Edwards - Substituiu Paulinho aos 60'. Não brilhou, mas marcou um golo. O nosso terceiro, aos 83'. Cumpriu, portanto. 

Ugarte - Rendeu Morita aos 60'. Substituição algo estranha, pois o japonês estava a ser um dos melhores. Desta vez o uruguaio não se destacou.

St. Juste - Terceira estreia oficial, como central à direita. Venceu lances aéreos e mostrou bom toque de bola. Inicia o nosso terceiro golo.

Rochinha - Outro estreante, em campo desde os 84', substituindo Trincão. Mais útil, mais eficaz, mais combativo. Assiste no terceiro golo, inventado por ele.

Esgaio - Entrou para o lugar de Porro, aos 84'. Perdeu um duelo junto à linha ao ser ultrapassado por Álvaro Djaló. Custou-nos dois pontos.

Dois pontos perdidos...?

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Ou um ponto ganho. No final e depois de Porto e Benfica por lá passarem, em Braga, faremos as contas.

O certo é que assistimos a um excelente jogo de futebol e disto é que o campeonato precisa, gente a jogar para a frente, sem rodriguinhos, procurando metê-la lá dentro.

Se a nossa, segundo os sites que valoram os jogadores mas não fazem transferências, é a equipa mais valiosa do campeonato, o Braga de hoje foi muito mais valioso em competência. Ou melhor, foi menos incompetente.

Passo a explicar: Os nossos golos saíram de três jogadas de excelência, sem quaisquer culpas a atribuir aos jogadores bracarenses, três golos dignos de figurar, aposto, nos melhores da Liga que agora começou. Já os golos dos da casa saíram de abordagens incompetentes dos nossos jogadores Gonçalo Inácio, Matheus Reis duas vezes e Ricardo Esgaio, permitindo golos fáceis aos jogadores adversários.

Não gostei que Paulinho e Trincão tivessem ficado na Mealhada a tratar do leitão para o jantar, sempre poderíamos ter jogado com onze, mas quando o Edwards marcou o terceiro eu até pensei em ir pedir um cilício ao Mota Amaral para me penitenciar dos nomes que, cá para mim, lhe chamei quando ele mandou sair o Morita e depois o Porro. A saída do Porro então foi tão incompreensível que nem o Adan percebeu e anda lá dentro...

Quanto aos demais, o "Justo", à falta de melhor será dono daquele lugar onde entrou hoje, para impedir a entrada de Esgaio e que Matheus Reis jogue a central, só isso será meio caminho andado; O Pedro Gonçalves anda de pé afinado e o Paulinho foi a nulidade do costume no capítulo da finalização e nem na tão propalada e badalada especialidade de confundir os adversários (e a ele próprio as mais das vezes) hoje esteve ao nível do costume; Trincão veio mostrar aquilo que todos nós pensamos, alguns dizem e outros não querem ou têm vergonha de dizer, é mais um extremo e "disso" já cá tínhamos em barda.

O Melhor em campo, Matheus Nunes, jagós* por adopção, não deve acabar o mês no Sporting, para mal dos nossos pecados.

Como eu sou como os ciganos, não gosto de ver bons princípios (eles aos filhos, eu ao Sporting), que assim, se a coisa não correr bem, a azia não será tão forte.

De qualquer forma ainda a procissão vai no adro, vamos lá continuar a repicar os sinos. Até ao foguetório de artifício, ou até que o páleo caia em cima do cura...

 

* Jagós - Natural da Ericeira

O dia seguinte

O Sporting desperdiçou ingloriamente em Braga a oportunidade que teve de conquistar os 3 pontos, três vezes esteve em vantagem no marcador, três vezes consentiu o empate, a segunda mesmo a terminar a 1.ª parte, a terceira a poucos minutos do fim do jogo.

Foi o tal jogo "electrizante" de grande espectáculo, mas também de sofrimento para os adeptos dos dois lados, com um Sp. Braga sempre perigoso num futebol intenso e directo, uma arbitragem de nível elevado, VAR incluído, alias extraordinário para o nível dos apitadores "de lentes azuis" de Porto e Braga, os Soares Dias e os Pinheiros.

Mais do que por questões tácticas, porque o jogo depressa se partiu e os ataques alternavam, ele foi muito marcado pelos desempenhos individuais, e no Sporting demasiada gente esteve muito aquém do que pode e deve render, a começar num desinspirado Paulinho e a acabar num St. Juste ainda ao "pé coxinho". 

Por outro lado, se a defesa que entrou em campo esteve mal, Porro-Inácio-Coates-Matheus Reis-Nuno Santos, com dois golos a acontecerem nas costas de Matheus Reis, aquela que acabou, Esgaio-St.Juste-Coates-Inácio-Matheus Reis esteve ainda pior, o último golo é mesmo daqueles que não se pode sofrer. Lances de ataque daqueles teve o Sporting três ou quatro e em todos a defesa do adversário soube parar o centro.

Valeu Adán, safou dois golos, o primeiro pondo fora de jogo o atacante contrário e o segundo impedindo o chapéu do atacante do Braga ao cair do pano, mesmo incorrendo em duas asneiras no passe, uma à queima para Inácio, que perdeu a bola para o adversário, outra para um Porro que passeava pela lateral pelo lado de fora dado ter sido substituído...

O meio-campo (Morita, Matheus Nunes, Ugarte) esteve bem, soube destruir e construir, mas nota-se a falta de Palhinha nas duas áreas de rigor.

Os interiores (Pedro Gonçalves, Trincão, Rochinha, Edwards) fizeram as despesas do ataque e com Nuno Santos marcaram os três golos.

O ponta de lança... não existiu. Eu, que sempre defendi e continuarei a defender Paulinho face a críticas que julgo injustas e desprovidas de sentido face ao modelo de jogo de Amorim, HOJE não consigo. Esteve muito mal e a prova disso é que o Musrati foi o melhor em campo do lado do Braga. 

Por outro lado, o ponta de lança, quer seja Paulinho, quer seja Edwards, ou seja quem for, é estruturante para a tomada de decisão no processo ofensivo, quem tem a oportunidade de passar ou centrar tem de saber para quem e para onde. Trocar um por outro, jogadores de características completamente distintas durante o jogo, não acho que seja a melhor opção, de calhar atrapalha mais a própria equipa do que a do adversário. Muitas vezes se assitiu aos alas e médios sem saber bem o que fazer frente à área.

Por isso muito bem esteve Rochinha. Entrou com poucos minutos para jogar, soube tomar a melhor decisão naquele contexto de entrada na área com a bola dominada, e do quase nada surgiu o golo.

Melhor em campo? Matheus Nunes pelas duas assistências para golo no primeiro tempo, embora pouco relevante no processo defensivo.

Enfim, pior mesmo que o resultado foi mesmo a sensação de descontrolo e de incapacidade de respeitar a matriz que fez do Sporting campeão, uma grande segurança defensiva, a quase certeza de terminar com os 3 pontos quando nos apanhamos a ganhar a poucos minutos do fim.

Disse Amorim: "Temos de ser uma equipa mais adulta." Bom, então a solução mais óbvia é reforçar a equipa com... adultos. Tudo o resto é colocar em cima dos seus ombros uma responsabilidade que não lhe compete. Os miúdos precisam de tempo e de oportunidades nos momentos certos para crescer e têm um papel essencial num plantel equilibrado do ponto de vista etário, e já agora também em termos de kgs e cms.

Disse o treinador do Sp. Braga qualquer coisa que tinha a ver com o resultado do jogo com um rival. Mas qual rival? O Sp. Braga jogou com o V. Guimarães ou com o Rio Ave? Vai dizer a mesma coisa quando jogar com o Benfica e Porto? Já agora, e se não fosse pedir muito, podia fazer por ganhar os jogos respectivos da mesma forma que fez para ganhar a uma equipa doutro nível que um clube regional como o Sp.Braga claramente não tem. Já agora o Porto e o Benfica vão pagar o IVA pelas contratações com prazos a perder de vista lá no clube regional ou ficam isentos?

Concluindo, se realmente foram 2 pontos ingloriamente perdidos, contra o mesmo Braga na época passada perdemos 3. Isto não é como começa, é como acaba: confiança total em Amorim para fazer e ajudar a fazer as correcções adequadas.

 

PS: Desde há muito acompanho o Ricardo Esgaio, como extremo direito foi o melhor marcador da melhor equipa B de sempre, depois andou a penar com Jorge Jesus e em Braga chegou a um patamar muito razoável. Se é verdade que neste regresso ao Sporting ainda não tivemos o melhor Esgaio, que assiste e marca, também é certo que veio da Nazaré muito novo para Alcochete e sempre deu o máximo pela camisola verde e branca. Ontem não entrou bem no jogo, mas merece o apoio de todos os Sportinguistas e o completo repúdio para com a escumalha que o foi insultar para as redes sociais. Onde vai um vão todos, e a pior coisa que podemos fazer é andar em campanhas de tiro ao alvo a este ou aquele jogador que veste a nossa camisola.

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De ver o Sporting por três vezes em vantagem neste nosso jogo de estreia da Liga. Em Braga, contra a equipa minhota, adiantámo-nos sempre no marcador. E bem cedo, logo aos 9', por Pedro Gonçalves. Depois, por Nuno Santos, aos 18'. Finalmente, por Edwards, aos 83'. O problema é que sofremos outros tantos golos - aos 14', aos 45'+1 e aos 90'+3. Que fixaram o 3-3 como resultado na Pedreira.

 

De Matheus Nunes. O melhor em campo, sobretudo pelo que fez na primeira parte. É ele a desenhar o grande primeiro golo, que teve início nos seus pés (e na sua cabeça), é ele a assistir para o segundo, que Nuno Santos marcou de forma espectacular. Foi também ele a criar vários desequilíbrios no meio-campo interior, parecendo já combinar bem com Morita. Menos influente no segundo tempo, mas ainda assim a merecer destaque.

 

De Morita. O japonês que veio do Santa Clara é reforço, sem aspas. Estreante em jogos oficiais pelo Sporting, formou linha no meio-campo com Matheus, cabendo-lhe mais acções de apoio à defesa, que cumpriu sem mácula. Boa visão de jogo, precisão no passe, segurança na manobra ofensiva, algumas recuperações de bola.

 

De Pedro Gonçalves. Não fez uma partida brilhante, mas estava lá, no momento certo, e não falhou. À ponta-de-lança, convertendo o nosso primeiro golo, em posição frontal após centro milimétrico de Porro. Com este, já soma 37 em desafios do campeonato vestido de verde e branco. Apetece perguntar se não pode ser ele o avançado-centro que nos falta.

 

De St. Juste. O defesa holandês estreou-se enfim aos 60', saltando do banco. Depois de falhar, por lesão, quase toda a pré-temporada. Percebe-se que tem bom jogo aéreo e é competente a sair com a bola controlada. Foi ele a iniciar, num passe longo, o lance do nosso terceiro golo. Ainda assustou, ao cair mal numa dividida, mas manteve-se em campo. Percebe-se que será ele o titular da posição como central à direita.

 

De Rochinha. Entrou aos 76', ainda a tempo de protagonizar a melhor jogada individual do desafio. Pegou na bola, galgou terreno driblando toda a defesa braguista e assistiu para Edwards encostar: era o 2-3. Resultado que devíamos ter trazido do Minho. Infelizmente ainda sofremos um golo à beira do fim.

 

Dos regressos de Adán e Ugarte. Ambos vindos de lesões, mostraram estar recuperados. Melhor o guarda-redes espanhol, sem culpa nos três sofridos e roubando aos 65' um golo a Rodrigo Gomes e outro a Vitinha mesmo ao cair do pano, do que o médio uruguaio, que Rúben Amorim fez entrar só aos 60' e teve uma exibição algo apagada, longe daquilo a que nos habituou noutros encontros.

 

Da primeira parte. Terminou 2-2, mas fomos superiores nesses 45 minutos iniciais, apesar dos erros defensivos cometidos. Por cansaço físico de vários jogadores e alguma instabilidade táctica (apenas dois, Coates e Matheus Nunes, terminaram nas posições em que começaram o jogo), consentimos alguma superioridade ao Braga no segundo tempo. E perdemos dois pontos por via disso.

 

Do espectáculo. Este Braga-Sporting, com emoção do princípio ao fim, perante mais de 17 mil espectadores ao vivo, foi um excelente veículo de promoção do futebol. De longe o melhor desafio desta primeira ronda da Liga 2022/2023. Com tudo quanto exigimos a uma competição da modalidade, ao nível dos grandes encontros dos melhores campeonatos europeus.

 

 

Não gostei

 

Dos três golos sofridos. Em comparação com os dois anteriores campeonatos, parecemos ter perdido o nosso maior trunfo: o equilíbrio defensivo. É verdade que começámos o jogo com dois defesas adaptados (Gonçalo, que é canhoto, actuou como central à direita e Matheus Reis, lateral de origem, foi central à esquerda), mas isso não explica que tenhamos desperdiçado três momentos de vantagem no marcador e sofrido dois golos na sequência de bolas paradas. Algo capaz de comprometer as aspirações de uma equipa que luta pelo título.

 

De Paulinho. Uma nulidade. Parado, sem iniciativa, sem dinâmica, incapaz de abrir linhas de passe ou incomodar os defesas adversários. No único remate que tentou, aos 22', rematou muito por cima. Aos 32', perdendo um lance limpo com Sequeira, atirou-se para o chão em zona frontal à baliza, simulando falta - mau hábito que tarda a perder. Saiu só aos 60', mas devia ter ido ao duche logo ao intervalo.

 

De Gonçalo Inácio. De vez em quando tem prestações desastradas. Foi o caso desta, tal como sucedera no Sporting-Braga da Liga anterior. Displicente na reposição de uma bola, aos 33', deixou um adversário roubar-lha em zona proibida, gerando um golo do Braga que acabou anulado por posição irregular em momento posterior. Aos 54' deixou Ricardo Horta movimentar-se à vontade na grande área, gerando outra situação iminente de golo. Já no lado esquerdo, após a entrada de St. Juste, perde novamente a bola, aos 66'. Quase nada lhe saiu bem.

 

De Matheus Reis. Fez duas posições: primeiro como central à esquerda, depois junto à linha, onde se sente mais à vontade. Permitiu a Banza movimentar-se à vontade no golo inicial do Braga e falha marcação no segundo. Há dias assim: desta vez tocou-lhe a ele.

 

De Trincão. Promete muito, mas ainda mostra pouco. Nesta sua partida inicial pelo Sporting, para competições oficiais, foi somando fintas inconsequentes e passes falhados nas acções ofensivas. Foi dos raros jogadores que melhoraram a exibição já perto do fim, quando actuava como extremo-direito. Mas insuficiente para merecer nota positiva.

 

De Esgaio. Entrou aos 84', rendendo Trincão. Quatro minutos depois, junto à linha direita da nossa zona defensiva, perdeu um duelo individual com Álvaro Djaló, recém-promovido da equipa B braguista. Desse lance em que foi incapaz de travar o extremo adversário nasceu o golo que selou o resultado e nos custou dois pontos. 

 

Das saídas de Morita e Porro. Um aos 60', outro aos 76'. Não percebi. Estavam a ser dois dos melhores em campo. E não davam sinais de exaustão ou debilidade física.

 

De perder dois pontos logo a abrir. Em comparação com os nossos rivais, que golearam nos respectivos jogos, ambos em casa, já levamos dois de atraso. E também na comparação com a nossa prestação no campeonato anterior, quando vencemos o Braga por 2-1.

É dia de jogo

Parece que ainda foi ontem que Rúben Amorim chegou ao Sporting, numa aposta de altíssimo risco do presidente Frederico Varandas, com direito a uma manifestação à porta do estádio a "saudar" a sua vinda e a um dos ambientes mais crispados de que me lembro nas bancadas de Alvalade. 

E no entanto entrámos já na 4.ª época de Rúben Amorim como treinador do nosso clube, depois dum errático Silas e dum menosprezado Keizer, a segunda depois ter sido campeão nacional, coisa de que nem Boloni, nem Augusto Inácio, nem Malcolm Allison, nem Fernando Mendes, nem Mário Lino se puderam orgulhar. O Sporting realmente tem sido um clube marcado pela ingratidão e que tem demonstrado uma enorme dificuldade de conviver com o próprio sucesso.

Com um título de campeão nacional, duas taças da Liga, uma Supertaça e uma passagem aos oitavos de final da Champions, mesmo no contexto duma competição interna reconhecidamente viciada pelo poder mafioso do rival do norte, Rúben Amorim já ganhou mais do que qualquer outro treinador desde que comecei a frequentar as bancadas de Alvalade, e só mesmo algum ignorante ou ressabiado poderá dizer que ele não reúne condições para ganhar bastante mais.

E ganhou tudo isso com um modelo de jogo assente no 3-4-3 que implantou desde o dia em que chegou e do qual não abdica, e com um plantel assente em princípios bem definidos, além da qualidade individual dos jogadores que o integram: a liderança de balneário, a força da juventude, a ligação à formação, o compromisso e a atitude em campo e fora dele.

É isso que iremos ver hoje em Braga, num estádio onde ganhámos nas últimas duas épocas, ou seja, desde que Rúben Amorim deixou de ser treinador do Sporting local (se calhar ficaria melhor Benfica de Braga, combinava até com o equipamento, e o "trolha" já tinha justificação para as derrotas sucessivas com a sede).

O resto será o resto, confio que vamos ser competentes em Braga (o que pouco tem a ver com o que os outros fazem ou deixam de fazer) e que saímos de lá, com maior ou menor sofrimento, com os 3 pontos.

Como diz Amorim, "acima de tudo, foi pensar apenas no Braga. Vamos logo preparando o primeiro jogo na pré-época, é o jogo logo a seguir. É um início de campeonato difícil, mas também sabemos que pode ser um início bom. Temos capacidade para vencer qualquer equipa em Portugal e, portanto, se nos focarmos naquilo que temos de fazer em cada jogo e não pensarmos no que temos de fazer no segundo ou no terceiro jogo, penso que vamos dar boa resposta. Olhando para o calendário, aquilo que pensei é que pode ser um início de um excelente campeonato."

Vou ter pena de lá não ir, mas estarei de olhos colados na TV a fazer força pela vitória do Sporting e a passar ao lado das hienas que sempre marcam presença quando sentem algum sinal de fraqueza no leão.

SL

Prognósticos antes do jogo

O campeonato nacional de futebol vai recomeçar. Para nós, já este domingo. A partir das 18 horas, em Braga, frente à equipa local. Com arbitragem de Fábio Veríssimo.

Quais são os vossos prognósticos para este nosso jogo inaugural da Liga 2022/2023?

Recordo que na época anterior houve três vencedores destas 34 rondas de vaticínios: Madalena Dine, Leão 79 e Luís Lisboa

A lista completa, jornada a jornada, pode ser conferida aqui.

O cambalacho

Estive para não abordar este assunto, até porque detesto teorias da conspiração, mas o tema é incontornável - e há, portanto, que o trazer a debate.

O próximo campeonato vai começar já manchado devido ao negócio estabelecido entre o Braga e o FC Porto a propósito da transferência de David Carmo do Minho para as Antas. Segundo foi tornado público, uma das cláusulas deste acordo obriga o FCP a pagar ao Braga 500 mil euros adicionais por época (perfazendo um total de 2,5 milhões em cinco temporadas, período de vigência do contrato) se vier a sagrar-se campeão.

Isto significa que os braguistas terão a lucrar por ver a agremiação azul e branca subir ao primeiro lugar do pódio. Teremos então a equipa que ficou em quarto na Liga 2021/2022 a torcer pela que ficou em primeiro. Distorcendo a verdade desportiva.

Haverá quem considere normal este cambalacho entre António Salvador e Pinto da Costa. Eu não. Estranho até o silêncio de tantas almas que por aí se indignam, em tribunas várias, a propósito de temas muito mais irrelevantes e sobre isto estão caladinhas, fazendo de conta que nada se passou.

O dia seguinte

Este ano de 2022 não está a começar nada bem para a equipa do Sporting. Foram duas derrotas em três jogos para a Liga e as duas tiveram muito em comum: começar por ter o domínio do encontro, vantagem no marcador, surge do nada um golo muito consentido, a equipa intranquiliza-se, perde o controlo do jogo, as substituições nada acrescentam e na ânsia de ganhar oferece-se um golo que dita a derrota.

Portanto e antes do mais há aqui uma "questão de nervos" que é preciso identificar e resolver. A equipa tem de voltar a mostrar-se tranquila e confiante no seu processo de jogo, não cometer erros na defesa e deixar que os avançados a metam lá dentro. Tem sido uma época muito desgastante, covid, lesões e castigos estúpidos do "sistema" sempre a atrapalhar, estamos em período de mercado de inverno que sempre baralham a cabeça dum ou doutro, mas isto não vai lá com estados de ansiedade. Tranquilidade precisa-se. Já dizia o Paulo Bento.

Um empate são dois pontos perdidos, a derrota são três. Mas a derrota tem um peso completamente diferente na moral e confiança de todos. Sendo assim, e com a equipa empatada (e não a perder) a 15 minutos do final, deslocar o patrão da defesa para o centro do ataque, o que já aconteceu várias vezes, é uma coisa que tem de ser revista. Vale mesmo a pena? 

 

A equipa sai a jogar desde trás, atraindo os avançados contrários para encontrar espaço no meio-campo para colocar a bola e daí partir em velocidade para o ataque. Mas, para isso, os dois defesas "centrais laterais" têm de ter uma solução de emergência, despachar a bola ao longo da lateral. E Gonçalo Inácio a jogar de pé contrário junto à bandeirola de canto não a tem. Comete erros que custam muito caro. Ontem Adán milagrosamente resolveu o primeiro, o segundo deu um livre indirecto que podia ter dado logo, o terceiro deu mesmo golo.

E assim chegamos ao que sempre temos dito e repetido aqui no blogue. O plantel é curto, falta um defesa central de pé direito, falta um ponta de lança com bom jogo de cabeça. Falta um "Mathieu de pé direito", falta um "Bas Dost". Claro que Marcus Edwards será bem vindo e faz sentido em termos futuros, mas não é a solução para as lacunas do plantel.

 

Bom, mas voltando ao jogo. Amorim preparou bem o encontro, trocou Sarabia de lado e com um Matheus Nunes descaído para a esquerda, canalizou muito jogo por aí, com variações oportunas para o lado contrário onde surgiam Esgaio e Pedro Gonçalves lançados em velocidade. Foi assim que surgiu o golo e algumas ocasiões em que os centros perigosos mereciam melhor sorte. O Braga apenas viveu de erros e ressaltos na construção. Já agora aquele corte em carrinho de Palhinha em direcção à própria baliza é disparatado, como disparatado foi o tal carrinho contra o Santa Clara que deu o segundo golo. Um Palhinha que não disfarça o mau momento que atravessa, golo do outro jogo à parte.

Na segunda parte, o Braga mudou para melhor, com um ponta de lança muito agressivo na marcação e um Matheus Nunes controlado de perto, conseguiu o golo na sequência dum erro de Coates, deu-se ao luxo de tirar o artista-palhaço para entrar mais um miúdo para correr e pressionar, deixou partir o jogo porque nada tinha a perder, podia ter perdido se Paulinho (3), Pedro Gonçalves (2) e Tabata tivessem aproveitado as oportunidades que tiveram, trouxe do banco mais um miúdo que no minuto final marcou um enorme golo depois de mais um erro do Gonçalo.

As substituições de Amorim foram completamente inconsequentes. Tabata não fez melhor que Matheus Reis na posição, Ugarte anormalmente desastrado, Jovane em modo "zombie". Porque não entrou Daniel Bragança e Matheus Nunes passou a atacante vagabundo confundindo as marcações? Não entendi.

Perder daquela forma custou mesmo. Foi um regresso ao passado mais triste, às derrotas em Alvalade a cair o pano, ao morrer na praia.

 

E agora? Tal como nós perdemos pontos, os outros vão perder também, mesmo com todas as ofertas que vão tendo, pelo que só temos de ir jogo a jogo, vencendo os jogos, voltando a uma sequência de vitórias. Vem aí a final da Taça da Liga, que pode muito bem servir para a equipa se reencontrar com o sucesso. 

Nós acreditamos em vocês!!!

 

#JogoAJogo

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Desta estreia em 2022 no nosso estádio com uma derrota. Saímos vencidos (1-2) frente ao Braga após uma segunda parte calamitosa e um tempo extra (quase 10') em que andámos de mal a pior. Perante a mais fraca equipa braguista dos últimos anos, classificada antes deste jogo 15 pontos abaixo da nossa, com o treinador Carlos Carvalhal ausente por castigo e desfalcada de vários jogadores (David Carmo, Paulo Oliveira, Iuri Medeiros). Fomos derrotados em campo e levámos um banho táctico, sobretudo após o intervalo, em que o onze leonino surgiu irreconhecível: desligado, desconcentrado e displicente.

 

De mais dois golos consentidos. Onde foi parar a muralha defensiva leonina, ainda há pouco tão elogiada pela sua segurança e consistência? Sete golos sofridos nos últimos quatro desafios do campeonato (dois contra o Portimonenses, três contra o Santa Clara, agora outros dois). Mais do que nas 15 partidas anteriores.

 

De Coates. Segundo jogo consecutivo com o nosso capitão em má forma. Na ronda anterior, perante o Vizela, viu-se forçado a fazer uma falta desnecessária logo aos 3' que lhe valeu o amarelo. Agora ia enterrando a equipa com uma entrega de bola em zona proibida aos 47' que só não deu golo por falha clamorosa do Braga. Nos 20 minutos finais, já em desespero, o treinador mandou-o avançar como ponta-de-lança improvisado, mas desta vez o pronto-socorro estacionou na berma: a eficácia não estava lá. Tapado com cartões, falha a próxima partida do campeonato.

 

De Gonçalo Inácio. A pior partida de Leão ao peito: exibição calamitosa do central que actua há demasiado tempo de pés trocados. Começou mal, oferecendo a bola ao adversário aos 3' e aos 9'. Errou passes, foi incapaz de construir com qualidade. Insistiu nos disparates aos 77' e aos 87', dando brindes ao Braga. Anda a precisar de uma pausa urgente no banco leonino. Mas onde está o suplente se ele próprio já funciona como uma adaptação?

 

Do golo aos 52'. De grande penalidade, muito duvidosa, assinalada pelo VAR João Pinheiro por alegado toque de Matheus Reis no pé de apoio de Galeno e após consulta às imagens pelo árbitro Hugo Miguel. O mesmo que aos 24' tinha "visto" uma alegada deslocação de Pedro Gonçalves no lance do legalíssimo golo leonino, felizmente revertida por intervenção do vídeo-árbitro. O penálti, justo ou injusto, foi convertido repondo o empate para o Braga. Depois tivemos mais de 40 minutos para virar o resultado, mas não fomos competentes para atingir tal fim. E ainda sofremos o segundo, aos 90'+7, marcado por Gorby, um miúdo em estreia absoluta pelos minhotos.

 

De Paulinho. Outro jogo sem marcar: já nem é notícia. Quando precisávamos dele dentro da área, para a meter lá dentro, andava colado à linha, na zona do meio-campo, como se fosse um ala, transmitindo a ideia de algum desnorte posicional. Aos 13', Palhinha ofereceu-lhe o golo: com um remate inútil, ele foi incapaz de fugir à marcação. Matheus Reis ofereceu-lhe outro, aos 60': o melhor que fez foi cabecear para que a bola rasasse o poste. No minuto seguinte Pedro Gonçalves serviu-o de bandeja com um cruzamento a partir da direita: ele ficou em posição de estátua, imóvel, permitindo que o defesa anulasse o lance. Aos 90'+7, novamente com a baliza à sua mercê, atirou para o lado. Volta a ser um avançado sem golo quando o primeiro que tem obrigação de marcar é ele.

 

Das substituições. Enquanto o treinador-adjunto do Braga, seguindo as  instruções do ausente Carvalhal, melhorava a equipa a cada troca de jogadores, no Sporting ia sucedendo ao contrário. Amorim não esgotou as substituições: deixou Daniel Bragança no banco mantendo um esgotado Matheus Nunes em campo, mandou sair Sarabia, trocando-o por Jovane, que não tocava na bola desde meados de Novembro. Tabata substituiu Feddal actuando como lateral com todo o corredor esquerdo a seu cargo mas minutos depois passou a ser ala-direito. Matheus Reis deslocou-se de lateral para central. Coates avançou para ponta-de-lança (estando Tiago Tomás no banco) e Ugarte, que rendeu Palhinha, passou a funcionar como central. Um caos em termos de organização que só conseguiu partir ainda mais o nosso jogo. Terminámos a partida com uma inútil linha avançada composta por cinco elementos, um meio-campo quase inexistente e... a sofrer o segundo golo. 

 

Do fim do toque de Midas. A "estrelinha" migrou para parte incerta: acabou-se a invencibilidade de Rúben Amorim nas partidas disputadas em casa. Foi bom enquanto durou: quase dois anos. Trinta e cinco jogos sem perder.

 

De vermos o título ainda mais longe. Já não dependíamos só de nós antes do apito inicial deste Sporting-Braga. Após esta segunda derrota em três desafios seguidos do campeonato, preparamo-nos para ver o FC Porto ainda mais longe: seis pontos de distância, se os portistas hoje ultrapassarem o Famalicão em casa. Teremos de vencer no Dragão, mas nem isso basta: há que aguardar por um tropeção dos azuis-e-brancos, que estão em muito melhor forma do que na época passada. E temos agora o fraco Benfica apenas a três pontos. 

 

Das ausências de Porro e Nuno Santos. O primeiro por lesão que tem vindo a prolongar-se, o segundo por castigo. Não há jogadores insubstituíveis, mas o Sporting tem melhor dinâmica colectiva com estes dois futebolistas em campo, dominando cada qual as suas alas, à direita e à esquerda. 

 

 

Gostei

 

Do resultado ao intervalo (1-0). Era até lisonjeiro para o Braga. Matheus Nunes comandou o meio-campo, transportando a bola com qualidade e assinando um passe magistral para o regresso de Pedro Gonçalves aos golos em Alvalade - não marcava desde a recepção ao Borussia Dortmund, em Novembro. Este golo relativamente madrugador, aos 24', abria boas perspectivas para um triunfo confortável. Que acabou por não acontecer.

 

De Pedro Gonçalves. Segundo jogo consecutivo a marcar, procurando compensar as insuficiências do nosso avançado-centro. Impecável gesto técnico na recepção da bola e um espectacular túnel ao guarda-redes Matheus, metendo-a lá dentro. Foi sempre o mais inconformado do onze leonino, mantendo acesa a chama até ao fim. Grandes cruzamentos aos 61' e 73'. Aos 90'+2, fez pontaria à baliza mas permitiu a defesa do guardião braguista. Dos nossos, foi o melhor. 

 

Da primeira parte de Matheus Nunes. Arrancou calorosos aplausos dos 26 mil adeptos que enfrentaram o frio no estádio com a sua dinâmica neste regresso ao onze titular. Queimando linhas, saindo com qualidade, desequilibrando, assistindo para o golo. Anulado na segunda parte: o Braga, com Al Musrati mandatado para esse efeito, cortou-lhe espaço. E o cansaço começou a pesar-lhe nas pernas, roubando-lhe discernimento.

 

De ver o Sporting marcar há 32 jornadas seguidas. Desta vez, infelizmente, serviu-nos de pouco. Ou nada.

Há dias assim

Sporting 1-2 SC Braga: Leões permitem reviravolta e podem ver o FC Porto fugir na liderança

 

Há maus dias.

Hoje foi o dia mau do Gonçalo Inácio. Perdemos muito por culpa dele.

Em São Miguel o Esgaio teve um mau dia. Perdemos muito por causa dele.

Que raio de equipa que tem fama (e o proveito, o proveito durante muitos jogos) de ter uma defesa de ferro e quando um dos seus elementos "dá raia", se esboroa como pão podre?

Há maus dias, sim, mas também para quem lá à frente vai com uma regularidade assombrosa falhando golos atrás de golos.

E também há maus dias para o treinador, que hoje não deu uma para a caixa.

Até há maus dias para o Hugo Miguel e companhia.

Retirando este último parágrafo, pode concluir-se do meu escrevinhar que o Braga mereceu a vitória. E pode concluir-se muito bem!

Lamento dizer isto, mas o Braga, que eu detesto para que conste como declaração de interesse, foi a única equipa em campo que correu. Os nossos também correram, claro, provavelmente até mais, mas nisto da bola há que correr com método e hoje o método andou arredio do nosso jogo.

As substituições que eles fizeram acrescentaram ao jogo da equipa. As nossas pelo contrário, diminuiram. Ver jogadores com os pés trocados era coisa que já não via desde Keiser e sabe-se o que aquilo deu...

E depois Jovane. Nada contra o moço, mas meter em jogo um miúdo que não consegue fazer chegar a bola à área na marcação de um canto, define o que o rapaz ali andou a fazer. Nada!

E como muito bem diz o nosso jpt ali abaixo meio a brincar, há um que também demonstrou não estar bem, neste mês de Janeiro em que já perdemos seis pontos (por "culpa" do Inácio e do Esgaio, lambram-se?), de seu nome Frederico Varandas. A gente sabe que não é ele que joga, que marca, que falha, que treina, mas tem que ser ele, que já resolveu o problema do "treinar", a resolver o problema de "marcar". Não, não é ir lá para dentro fazer companhia ao Coates lá na frente, coitados um e outro, é contratar alguém que para além de libertar Coates desta missão "criminosa" e o deixe ficar onde ele é preciso, que é a evitar golos dos adversários, marque uns golitos de que tanto temos precisão. Isso mesmo, um avançado centro, doutor! Veja lá se consegue rapar o fundo ao tacho e antes que a gente perca o segundo lugar, traga lá alguém que a meta lá dentro sem muitos rodriguinhos, que o Paulinho esta época, vai ganhar o troféu de melhor quase marcador. Antecipadamente grato!

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