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És a nossa Fé!

Os melhores prognósticos

Muita gente a acertar no resultado do Sporting nesta segunda ronda do campeonato. Vitória por 2-1 em Braga: mantemos a invencibilidade, estamos no topo da classificação, levamos cinco golos marcados e apenas um sofrido.

Estamos no bom caminho, portanto. Rumo ao bicampeonato - meta que nos foge desde 1954, meta que quase todos ambicionamos.

 

Quem venceu na nossa habitual jornada de palpites que antecede cada jogo? Pois desta vez houve um duo triunfador, composto pelos nossos leitores Carlos Estanislau Alves e Paulo José Ramos. Não apenas acertaram no resultado mas também anteciparam a autoria dos golos, marcados por Jovane e Pedro Gonçalves. Parabéns a ambos.

Mas outros justificam menção honrosa. Aqui ficam: Horst Neumann e Leão de Queluz anteciparam Jovane como goleador; AHR e Luís Lisboa previram que Pedro Gonçalves seriam um dos artilheiros com sucesso nesta partida; finalmente, João Gil e Luís Ferreira acertaram no resultado mas não em quem marcou.

Todos merecem igualmente uma palavra de apreço e de incentivo para futuras participações.

Ainda o Sp. Braga – Sporting

Na Liga Bwin joga-se o futebol classificado como profissional em Portugal.

No último Sp. Braga – Sporting, jogou pela equipa da casa um menino nascido a 21 de Nov. de 2005, com 15 anos, portanto.

Desconheço os regulamentos da dita Liga Profissional de Futebol, porém olhando para a lei geral do trabalho, nos seus artigos 3, 68 e 76 leio o seguinte:

“art. 3 - O menor com idade inferior a 16 anos não pode ser contratado para realizar uma atividade remunerada prestada com autonomia, exceto caso tenha concluído a escolaridade obrigatória ou esteja matriculado e a frequentar o nível secundário de educação e se trate de trabalhos leves.”

“art. 68 - A idade mínima de admissão para prestar trabalho é de 16 anos.”

“art. 76 - É proibido o trabalho de menor com idade inferior a 16 anos entre as 20 horas de um dia e as 7 horas do dia seguinte.”

 

P.S.: Dário Essugo, quando se estreou pela equipa profissional do Sporting tinha 16 anos e 6 dias.

O dia seguinte

Antes do mais foi um belo jogo da Liga Portuguesa, intenso, dividido, duas equipas muito bem trabalhadas tacticamente, três belos golos, defesas fenomenais, um jogo em que adoraria ter estado num ambiente de amigos e famílias e com a Pedreira a transbordar, obviamente sem petardos a rebentar, tochas a voar, cânticos de filhos da puta, pancadaria e cargas policiais. 

Foi também um jogo em que esta caricatura de árbitro - tal como fez em Famalicão na época passada - não teve problemas em tentar estragar. Deve ter algum problema mal resolvido com o Sporting ou então é apenas incapacidade de conseguir apitar um jogo com um critério uniforme e ter inteligência emocional nos momentos críticos. Um árbitro que contemporiza com o primeiro lance claro para amarelo de Raul Silva, que com o segundo seria expulso, e com o teatro e os protestos constantes de Galeno não pode ser o mesmo que mostra um amarelo a Matheus Reis acabado de entrar por fazer uma coisa que muitas fazem sem consequências e por uma falta no limite desse mesmo amarelo. Godinho nunca mais.

 

Voltando ao jogo, uma primeira parte muito disputada a meio-campo, com o Sporting a dominar e o Braga a aproveitar perdas de bola para lançar contra-ataques rápidos, mais ou menos o mesmo número de oportunidades para os dois lados, Adán fenomenal e Jovane a fazer a diferença num grande golpe de cabeça após um enorme centro de Esgaio.

A segunda parte começou com o Sporting de novo por cima: grande jogada colectiva que proporcionou uma concretização de classe de Pedro Gonçalves, o Braga incapaz de equilibrar o jogo e o resultado parecia feito. 

Aí pelos 70 minutos, tudo o que havia para correr mal ao Sporting começou a correr. O Braga meteu avançados frescos e foi atrás do prejuízo, as pernas começaram a fraquejar do lado do Sporting com Palhinha a sofrer uma carga que o abalou, as substituições forçadas de Amorim não acrescentaram nada, Godinho inclinou o campo e começou o sofrimento. No fundo aquilo a que o Sporting está habituado, é a nossa sina.

É preciso dizer que, mesmo tendo conta que estava a jogar com 10, a equipa cometeu o erro de se acantonar atrás, ao jeito duma defesa 6-0 do andebol, no caso uma 5-4 à frente de Adán, deixando o Braga muito bem comandado por AlMusrati circular a bola à vontade à sua frente, à  procura do momento certo para a incursão ou para o centro. E assim passámos por grandes dificuldades, sofremos um golo, outro belo golo por sinal. Mas o apito final felizmente chegou, mesmo tarde e a más horas, para nos garantir os três pontos.

 

Temos realmente uma bela equipa, uma equipa sem dúvida superior à Campeã Nacional do ano passado. A coluna vertebral manteve-se mas Paulinho está bem melhor, as contratações de Esgaio e Vinagre foram cirúrgicas. Com Ugarte vai ser a mesma coisa. Jovane, debeladas as lesões, pode ter a sua época de afirmação. Matheus Nunes faz esquecer João Mário. Todos se conhecem melhor e melhor dominam o sistema, a equipa joga melhor futebol e marca belos golos.

Temos uma equipa candidata ao título. Mas apenas isso. A temporada ainda agora começou e daqui a nada temos a Champions. Importa agora mantê-la para lá do fecho do mercado, seria mesmo frustrante se algum dos que estiveram ontem na Pedreira tivesse de sair. Espero bem que não, arranje-se o dinheiro onde se puder arranjar.

 

PS: Percebem porque é que o Max quer sair, ou é preciso fazer um desenho?

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do difícil triunfo em Braga. Segundo jogo do Sporting na Liga 2021/2022, segunda vitória neste ansiado rumo ao bicampeonato que nos foge desde 1954. Esta, por 1-2, tanto mais saborosa por coroar um dos cinco ou seis jogos mais difíceis do calendário futebolístico português. 

 

Dos golos. O Sporting não se limita a vencer: também tem marcado grandes golos. Desta vez o primeiro foi aos 40' - fixando o resultado ao intervalo. O segundo surgiu cinco minutos após o reatamento. Golos de fazer levantar qualquer estádio. E desta vez, felizmente, já havia adeptos no municipal de Braga. Ainda em número reduzido, mas é melhor que nada.

 

De Pedro Gonçalves. Volta a ser decisivo. Desta vez porque marcou o golo que nos valeu os três pontos. Recebeu a bola muito bem colocada por Jovane e não perdoou no momento do remate. É um goleador nato, confirma-se. Já leva quatro golos em três jogos oficiais desta época - três do campeonato e o da Supertaça. Promete ser pelo menos tão decisivo nesta temporada como foi na que nos conduziu à conquista do título máximo a 11 de Maio.

 

De Jovane. Rúben Amorim apostou nele como titular - e fez muito bem, não o castigando pelo penálti falhado no jogo anterior. O jovem luso-caboverdiano correspondeu da melhor maneira, com um grande golo ao minuto 40, marcado de cabeça sem qualquer hipótese de defesa para o guarda-redes Matheus. E ainda foi ele a assistir Pedro Gonçalves no segundo, aos 50'. Um dos melhores em campo.

 

De Adán. Voto nele como figura do jogo. Gigante entre as redes, foi crucial para nos garantir os três pontos em Braga. Evitou golos aos 38', aos 45'+3, aos 84' e aos 87'. Para desespero de jogadores adversários como Fábio Martins e Iuri Medeiros. 

 

De Esgaio. Voltou a confirmar-se como excelente reforço deste Sporting. Exibição irrepreensível como titular do corredor direito, com um momento de luxo: a assistência para o golo inaugural, picando a bola por cima da defesa braguista. A segunda assistência em dois jogos. Missão de sacrifício a partir dos 83', quando o treinador lhe pediu que funcionasse como lateral esquerdo. Correspondeu bem, revelando excelente condição física.

 

De Coates. Impossível não mencionar o capitão leonino, que voltou a ser um baluarte defensivo. Cortes impecáveis aos 45'+6, aos 66', aos 85' e aos 90'+5. Podia ter marcado de cabeça, na sequência de um canto, aos 32': ficou a sensação que levou um toque de Matheus à margem das regras.

 

Do regresso de Porro. O internacional espanhol está recuperado da lesão. Não foi titular, mas entrou aos 83', ainda a tempo de ajudar a equipa a contrariar a pressão atacante da turma minhota. Boa notícia.

 

Da estreia de Ugarte. Infelizmente o contexto não foi o mais favorável: entrou aos 90'+2, substituindo Palhinha, sem tempo para exibir as suas qualidades como futebolista. Não lhe faltarão oportunidades para isso.

 

Da qualidade do jogo. Uma verdadeira partida de campeonato: intensa, emotiva, de resultado incerto até ao apito final. As duas equipas honraram a modalidade. 

 

Da nossa quinta vitória contra o Braga, sempre com Amorim ao leme. Em sete meses, os braguistas perdem connosco pela quinta vez. Duas para a Liga 2020/2021, em Janeiro e Abril, outra na final da Taça da Liga, também em Janeiro, depois na Supertaça, a 31 de Julho. Esta foi a quinta consecutiva, com saldo em golos largamente positivo para o Sporting (8-2). E aposto que a série não termina aqui. Desfazendo em definitivo qualquer dúvida que pudesse subsistir na comparação entre os dois emblemas.

 

 

Não gostei

 

De ver a equipa recuar em excesso quando passou a jogar só com dez. Não havia necessidade de nos remetermos tanto à defesa, como se não tivéssemos vasta experiência em defrontar o Braga com menos um. Foi o único período do desafio, a partir daquele minuto 80', em que abdicámos por completo da iniciativa de jogo.

 

Da saída de Palhinha aos 90'+2. Não percebi a troca do nosso médio defensivo pelo estreante Ugarte precisamente quando estávamos remetidos em exclusivo ao nosso último reduto. Isto desequilibrou a equipa e encorajou o ímpeto atacante do Braga, traduzido em golo no minuto seguinte.

 

Do golo solitário do Braga, aos 90'+3. A jogar com mais um, adivinhava-se que a equipa minhota poderia reduzir a qualquer momento a desvantagem no marcador. Tantas vezes tentou nos 20 minutos finais que acabou por conseguir, por Abel Ruiz. Felizmente para nós num momento já muito tardio do desafio.

 

De Matheus Reis. Entrou mal no jogo, aos 62', rendendo Vinagre. Intranquilo, acusando nervosismo em excesso, expôs-se aos cartões sem necessidade. Acabou expulso aos 80', o que afectou a nossa equipa mais do que seria previsível. 

 

De Paulinho. Exibição demasiado discreta do nosso ponta-de-lança, que pareceu afectado pelo coro de assobios que foi escutando do princípio ao fim da partida.

 

De ver o Sporting terminar o jogo sem um lateral esquerdo de raiz. Com Nuno Mendes lesionado, Vinagre substituído e Matheus Reis expulso, teve de ser Esgaio a deslocar-se para esse corredor. Cumprindo a missão que lhe foi confiada mas demonstrando como o plantel leonino pode ser curto.

 

Dos preços dos bilhetes que o Braga pôs à venda para este jogo. Para os adeptos do Sporting, chegaram a ser fixados em 90 euros, algo inconcebível. 

Prognósticos antes do jogo

Logo à noite, a partir das 20.30, primeiro jogo grande da Liga 2021/2022: o Sporting vai à Cidade dos Arcebispos defrontar a equipa local, orientada por Carlos Carvalhal. Prevê-se uma partida muito disputada, à semelhança da que ocorreu a 25 de Abril, em desafio homólogo da época anterior. 

Vale a pena recordar o resultado desse nosso último embate em Braga: vencemos por 1-0, golo de Matheus Nunes marcado aos 81', quando tínhamos desde o minuto 18 menos um jogador em campo. Por expulsão de Gonçalo Inácio, que viu o cartão vermelho exibido por Artur Soares Dias, noutra das suas péssimas arbitragens.

Superado este obstáculo, viemos do Minho com a certeza absoluta de que o título de campeão nacional já não fugia ao onze leonino, tão bem liderado por Rúben Amorim.

Feito o intróito, deixo a pergunta: quais são os vossos prognósticos para este Braga-Sporting?

Amanhã à noite na Pedreira

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Passaram pouco meses desde o meu post com mesmo título, onde começava assim "Entramos amanhã na fase final deste campeonato. Segue-se o Braga (F), Nacional (C), Rio Ave (F), Boavista (C), Benfica (F) e Marítimo (C). Na primeira volta foram 5V e 1E. Que bom seria se acontecesse o mesmo desta vez. De qualquer forma, com 4 pontos de vantagem - melhor dizendo 3, porque em igualdade pontual com o Porto perdemos pelos golos fora no confronto entre os dois - temos de vencer cinco jogos. Contar que o Porto perca na Luz não serve, pode muito bem ganhar." 

Aquele Braga-Sporting foi talvez o jogo crucial da época, ainda mais com a expulsão muito cedo de Gonçalo Inácio, ainda não dá para acreditar que conseguimos ganhar aquele jogo e com essa vitória partir para uma ponta final que nos deu o título. 

Entretanto veio a nova época, que começou com a conquista da Supertaça ao mesmo adversário. Entre aquele jogo da época passada e o momento actual, a diferença entre as duas equipas acentuou-se grandemente: a equipa do Sporting, com Amorim, Palhinha, Paulinho e Esgaio, é em tudo superior à do Braga. Mas o Braga tem os seus argumentos, tem Fransérgio (ou não?), tem Ricardo Horta, tem AlMusrati, tem uma equipa bem orientada e que sabe bem o que deve fazer para contrariar a superioridade do Sporting.

Mas num jogo tudo pode acontecer. A Pedreira deve esgotar os lugares vendáveis (alguns a 100€ ???), e os adeptos do Sporting deverão até estar em maioria, o "trolha" só pode estar grato a um grande clube como o Sporting que muito contribui para o seu bem estar financeiro. 

 

Quanto ao plantel disponível, Porro e Nuno Mendes devem continuar indisponíveis, pelo que Rúben Amorim deve convocar os seguintes elementos:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Neto, Feddal, Inácio, Matheus Reis e Coates.

Alas: Esgaio, Vinagre e Gonçalo Esteves.

Médios Centro: Palhinha, Tabata, Bragança e Matheus Nunes.

Interiores: Pedro Gonçalves, Jovane, Nuno Santos e Plata.

Pontas de lança: Tiago Tomás e Paulinho.

Em equipa que ganha não se mexe, Jovane esteve infeliz mas está com ganas e não mereceria baixar ao banco. Pelo que a minha equipa continua ser a seguinte:

Adán; Inácio, Coates e Feddal; Esgaio, Palhinha, Matheus Nunes e Vinagre; Pedro Gonçalves, Paulinho e Jovane.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo para ultrapassar o Braga e manter-se na liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Quente & frio

Gostei muito do início da nova temporada com o pé direito - isto é, com a conquista do nosso terceiro troféu neste já inesquecível ano de 2021. Vencemos (por 2-1) e convencemos no decisivo confronto com o Braga, o nosso mais frequente adversário. Confirmando que nada havia de fortuito ou ocasional nos triunfos alcançados na época anterior. Pelo contrário, há aqui muito e bom trabalho de toda a equipa técnica, liderada por Rúben Amorim. Temos neste momento um dos melhores plantéis leoninos de todos os tempos. A conquista da Supertaça, anteontem, é mais uma etapa neste processo de restituição do Sporting à glória prolongada e duradoura. Nós, adeptos, merecemos isto.

 

Gostei de ver intacta, para já, a espinha dorsal do Sporting campeão da época 2020/2021. Com Coates a pontificar no bloco defensivo, Nuno Mendes a brilhar no flanco esquerdo, Palhinha a destacar-se entre os médios e Pedro Gonçalves (melhor em campo) sempre imprevisível e genial nas linhas avançadas. Sem esquecer Adán, Feddal e Gonçalo Inácio, naturalmente. E de observar a promoção de Matheus Nunes e Jovane ao onze titular: ambos merecem. Além da estreia de Esgaio neste regresso aos jogos oficiais pelo Sporting, confirmando ser um verdadeiro reforço. Seria excelente que este grupo tão sólido permanecesse intacto pelo menos até ao próximo mercado de Inverno.

 

Gostei pouco do regresso do público ao futebol, devidamente autorizado pela FPF e pela Direcção Geral de Saúde, no moldes em que aconteceu. A distribuição paritária dos bilhetes para Braga e Sporting resultou no que já se esperava: escassez de procura por parte dos minhotos, que acabaram por devolver grande parte dos ingressos à FPF, enquanto alguns milhares de adeptos leoninos ficaram sem oportunidade de assistir à partida, disputada no estádio municipal de Aveiro, onde por motivos sanitários só um terço dos lugares nas bancadas podiam ser preenchidos. De qualquer modo, foi muito bom voltar a ver ali animação e colorido, mesmo em dose reduzida. Espero que o confinamento no desporto português tenha mesmo chegado ao fim.

 

Não gostei dos 20 minutos iniciais nesta partida destinada a atribuir o primeiro troféu da nova temporada. O Sporting concedeu excessivo espaço e demasiada iniciativa à equipa minhota, que viria a marcar primeiro. Felizmente esse golo pareceu despertar-nos: embalámos logo a seguir para uma exibição convincente, que em certos momentos mereceu mesmo "nota artística", como costumava dizer o outro. O tal que falava muito e ganhou quase nada nos três anos que passou em Alvalade. 

 

Não gostei nada do lamentável gesto do benfiquista André Horta, único jogador do Braga que recusou passar pela guarda de honra formada pela equipa campeã nacional no final da partida. Uma atitude "à Benfica" que contrastou com o clima de fair play ali dominante. Felizmente nenhum dos seus colegas imitou tão triste exemplo. E alguns dos nossos, como Porro e Nuno Santos, não deixaram de criticar Horta. Que não revelou só mau-perder: também demonstrou falta de educação.

Faz toda a diferença

Os sportinguistas esgotaram os bilhetes que tinham disponíveis - correspondentes a metade dos 8996 lugares autorizados pela Federação Portuguesa de Futebol para o jogo de ontem.

Por bandas do Braga, foi bem diferente. Só conseguiram vender 1603 assentos, tendo devolvido mais do dobro deste número.

É também nisto que se mede a grandeza ou a pequenez de um clube. Quanto à dimensão do Braga, ficamos novamente conversados.

Começamos a época com um troféu

Sporting, 2 - Braga, 1 (Supertaça)

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Pedro Gonçalves: golo em Aveiro com 7710 a vê-lo nas bancadas

 

Terminámos a época anterior a vencer, começamos esta também a ganhar. Terceiro troféu oficial do futebol leonino neste ano civil de 2021: primeiro a Taça da Liga, depois o campeonato, agora a Supertaça. Derrotando o suspeito do costume: o Braga. Em sete meses, os braguistas perdem connosco pela quarta vez. Desfazendo de vez qualquer dúvida que pudesse subsistir na comparação entre os dois emblemas.

Vitória justíssima, que só peca por escassez de golos. A nossa exibição foi superior ao que o resultado revela. Além das duas bolas que metemos lá dentro - Jovane aos 29', Pedro Gonçalves aos 43' - tivemos ainda três grandes oportunidades. Todas protagonizadas pelo nosso n.º 28, maior marcador da época passada e melhor em campo neste desafio, disputado no estádio municipal de Aveiro.

Foi um jogo perfeito para o reencontro entre o público e os jogadores. Esta Supertaça já contou com espectadores nas bancadas - 7710, no total. A maioria, como é lógico, puxando pela nossa equipa. Viram uma partida muito disputada na primeira parte e menos vistosa na segunda, com o resultado construído ao intervalo. Viram o Braga adiantar-se no marcador, com golo de Fransérgio aos 20', e uma excelente reacção do Sporting, que a partir daí mandou sempre no jogo.

Os homens comandados por Carlos Carvalhal não tiveram qualquer outra oportunidade até ao apito final. Devem começar a sentir tremores cada vez que enfrentam o onze leonino. Continuam em branco quanto a supertaças. Enquanto nós acabamos de conquistar a nona, ultrapassando o Benfica, que ganhou oito. Também no campeonato das estatísticas vamos marcando pontos.

 

Análise muito sumária do desempenho dos jogadores:

ADÁN. Sem culpa no golo sofrido, demonstrou segurança entre os postes e transmitiu confiança aos colegas. Não fez uma só defesa difícil em todo o jogo.

GONÇALO INÁCIO. Foi ultrapassado por Fransérgio no lance do golo - único deslize em toda a partida. Sereno, concentrado, atento às dobras a Esgaio.

COATES. Competente leitura de jogo: controlou sempre o espaço que lhe estava confiado. Cortes oportunos, sem nunca vacilar. Bastião, outra vez.

FEDDAL. Complementou muito bem o capitão Coates, guardando o lado esquerdo do muro defensivo central. Saiu aos 80', com queixas físicas.

ESGAIO. Estreia-se em 2021/2022 como ala direito titular. Cumpriu com zelo frente à ex-equipa. Ganhou duelos importantes contra Galeno e Abel Ruiz.

PALHINHA. A qualidade de sempre no controlo do meio-campo defensivo. Amarelado aos 17', não esmoreceu. Inicia o segundo golo ao recuperar uma bola.

MATHEUS NUNES. Lutador, vai-se consolidando no onze titular. Boa parceria com Palhinha, distribuindo jogo. É dele a assistência no segundo golo.

NUNO MENDES. Excelente exibição, tanto a defender como a atacar. Assiste Jovane no primeiro golo com um passe magnífico. Grandes cruzamentos aos 32', 60' e 74'.

PEDRO GONÇALVES. Os principais lances de ruptura são dele. Excelente golo, de trivela. Viu Matheu negar-lhe outros dois, aos 32' e aos 52'. Falhou o terceiro, aos 81'. Saiu aos 83'.

JOVANE. Desempenho muito positivo do luso-caboverdiano, agarrando a titularidade. Voltou a fazer o gosto ao pé (esquerdo) com o golo marcado aos 29'. Esteve em campo até aos 80'.

PAULINHO. Muito marcado pelos ex-colegas de equipa, teve pouco espaço. Pedro Gonçalves serviu-o muito bem aos 50', mas o lance perdeu-se. Aos 69', deu lugar a Tiago Tomás.

TIAGO TOMÁS. Foi o primeiro a saltar do banco, rendendo Paulinho. Veloz, combativo, lutador. Protagonizou um bom lance aos 72', mas acabou por abusar das fintas.

NUNO SANTOS. Entrou aos 80', substituindo Jovane. Quando a equipa já apostava na contenção, segurando a bola. Tinha instruções para estar mais atento à manobra defensiva. Cumpriu.

MATHEUS REIS. Substituiu Feddal aos 80', sem criar qualquer desequilíbrio na muralha defensiva. Voltou a demonstrar precisão no passe.

TABATA. Rendeu Pedro Gonçalves aos 83'. Deu nas vistas aos 90'+5 com um bom disparo de meia-distância. Tem remate fácil, característica útil à equipa.

 

Notas finais:

- Alguém ainda ousa falar em estrelinha? Três títulos e troféus conquistados por Rúben Amorim à frente do futebol profissional do Sporting em escassos seis meses: Taça da Liga em Janeiro, campeonato em Maio, Supertaça no final de Julho. Merece este cognome: Conquistador.

- Esta é também a vitória da formação leonina. Uma vez mais. Dos que entraram de início, cinco foram formados em Alcochete: Gonçalo, Esgaio, Palhinha, Nuno Mendes e Jovane. Depois entrou um sexto, Tiago Tomás. E havia oito portugueses no nosso onze titular.

- A Supertaça era o troféu que há mais tempo nos fugia. Desde 2015, precisamente. Já é nosso outra vez. E há 13 anos que não marcávamos dois golos numa Supertaça - desde a vitória contra o FC Porto em 2008, com Paulo Bento a orientar a nossa equipa e Djaló a destacar-se com um bis.

- Há menos de um ano, muitos comentadores cantavam hossanas ao Braga, promovendo o clube minhoto a "quarto grande" e alguns imbecis até chegaram a pô-lo acima do Sporting. Hoje ninguém ousa repetir tal dislate. Motivo? Quatro embates, quatro derrotas em partidas disputadas connosco. Calaram-se de vez.

Ponto da situação

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1

Com 79 pontos, estamos a um passo de reconquistar o campeonato nacional de futebol. Após um longo e penoso jejum de 19 anos. 

Faltam-nos dois pontos para atingir essa meta. Uma vitória, portanto. Ou dois empates. O título já não nos foge.

 

2

Há quem reclame exibições de excelência aos pupilos de Rúben Amorim. Não é o meu caso.

Eu quero títulos, em primeiro lugar.

Em segundo lugar, quero títulos.

Em terceiro, idem aspas.

Só depois exijo boas exibições.

Entretanto, recordo que este vitorioso Sporting 2020/2021 não foi reforçado com jogadores que custaram mais de cem milhões de euros, como o Benfica, nem recebeu milhões da Champions, como o FC Porto.

Também não me esqueço que nunca entrou em campo sem portugueses nem jogadores da formação no onze titular. Ao contrário de Benfica e FC Porto.

Vencer o campeonato com uma equipa jovem, onde há vários jogadores formados na nossa Academia, é motivo redobrado de orgulho.

E motivo de inveja para os nossos rivais. Que também apregoam a formação mas não a praticam.

 

3

Neste momento, a três jornadas do fim, seguimos com mais oito pontos que o FC Porto, mais doze do que o Benfica e mais vinte que o Braga. Sem derrotas.

A enorme distância pontual que mantemos face à equipa minhota - que sonha ser clube "grande", tarefa impossível com um presidente tão pequeno - só me faz rir. Porque bem recordo o que diziam os pseudo-catedráticos do esférico no início da época, apontando o Braga como "equipa sensação" do campeonato. Enquanto outros, já a meio da temporada, proclamavam que os encarnados do Minho praticavam "o melhor futebol" da Liga.

Esta gente nem se apercebe dos disparates que vai bolçando...

O futebol é um país à parte?

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O esloveno Sporar veio trabalhar para Portugal. Durante um ano esteve na empresa SCP. Depois foi trabalhar para a empresa SCB. Presumo que naquele primeiro ano terá construído relações de companheirismo, talvez até de amizade, com os seus colegas - algo até potenciado pela sociabilidade típica da sua actividade, desporto colectivo em equipa de topo, envolvendo jovens em constantes estágios e deslocações. Ao fim deste ano e meio os seus colegas iniciais aprestam-se a uma conquista rara e muito desejada. Na qual ele participou. Isso não só lhe trará a satisfação de ver os seus pretéritos companheiros bem-sucedidos como lhe dará a ele próprio recompensas: estatutárias (tem a possibilidade de se tornar campeão). E porventura até económicas, pois admito a hipótese de ainda receber o prémio devido se tal conquista acontecer. Mais, esse hipotético sucesso da empresa SCP, com a qual Sporar ainda tem contrato laboral, nada prejudica o seu actual empregador. 

Dito tudo isto: numa rede social Sporar saúda um seu ex-colega que celebra um triunfo. E o patronato multa-o! Pode-se dizer que estes rapazes ganham muito, pode-se aventar que a multa até será simbólica, pouco relevante para as quantias que um futebolista internacional recebe. Mas isso não é o relevante. Pois isto é inacreditável. Estamos em 2021 e um homem é multado porque saúda a alegria dos colegas e o resultado do que foi também o seu trabalho. Portugal 2021. E o pessoal encolhe os ombros...

Os melhores prognósticos

Desta vez foi uma fartura: nada menos de oito vencedores. Anteviram a vitória tangencial do Sporting em Braga, pela margem mínima. 

É verdade que ninguém acertou em Matheus Nunes como goleador de serviço: o nome mais vezes mencionado foi o de Paulinho, que permaneceu em jejum. Portanto, não podendo ser aplicado este critério de desempate, todos acabaram por ganhar. 

Aqui fica o quadro de honra desta 29.ª jornada: AHR, Carlos CorreiaCristina TorrãoLeão 79Leoa 6000Luís LisboaPedro BatistaVerde Protector.

Para a próxima temporada - fica combinado - haverá um critério suplementar no desempate. Sendo a vitória, nestes casos, atribuída à primeira pessoa que aqui deixar o prognóstico vencedor. Mas para já fica assim: não é justo mudar regras a meio do jogo.

Parabéns aos oito vencedores.

Crónica de uma noite de futebol sobre um tapete de Arraiolos

Tudo preparado. Fui buscar o tapete de Arraiolos que estou a fazer, porque preciso de estar ocupada durante os jogos, senão os nervos acabam comigo. Às 20h00 liguei a SportTv, contrariando as minhas superstições.

Vi o primeiro amarelo de Gonçalo Inácio e comecei a ficar sem vontade de nada. Aos 18 minutos, a expulsão. A minha superstição de não ver os jogos na tv falou mais alto e mudei de canal. Não sei para qual, não sei muito bem o que fiz durante o resto do tempo, a não ser que fui ao facebook despedir-me do campeonato. Estava absolutamente desolada.

Ao intervalo recebi a notificação no telemóvel e senti a esperança a reacender. Ai, ai... se eles se estão a aguentar, talvez... talvez!

Mais de meia hora depois, a notificação. Li três vezes antes de saltar do sofá, para ter a certeza de ter compreendido bem. O golo era mesmo do Sporting!

Não sei bem o que aconteceu nos minutos seguintes. Lembro-me de me levantar e voltar a sentar várias vezes. Várias pessoas me ligaram para me dar a notícia, porque sabem que eu não tenho o hábito de ver os jogos. No facebook, uma amiga perguntava-me se ainda respirava. Respirava, sim, mas o relógio não andava. Actualizei o telemóvel uma vez e outra e outra, os 90 minutos não tinham fim. Finalmente a notificação: Terminado.

Que loucura! Mais telefonemas, mensagens, uma alegria tão saborosa!

Só o tal tapete de Arraiolos é que nem sequer foi desdobrado. Nem um ponto dei. Mas os três pontos que vieram de Braga valeram por tudo!

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do resultado deste Braga-Sporting. Terceiro embate da época entre as duas equipas, terceiro triunfo leonino. Não pode ser coincidência, numa temporada em que a esmagadora maioria dos comentadores antevia a turma minhota "já como equipa grande" e até "a praticar o melhor futebol" do campeonato português. Palavras que foram levadas pelo vento: agora derrotado por 0-1, o Braga segue na quarta posição da Liga 2020/2021, com menos 15 pontos que o Sporting. 

 

Do golo da vitória. Marcado por Matheus Nunes aos 81', numa combinação perfeita com Porro, na conversão de um livre junto à lateral direita, logo à entrada do meio-campo braguista. Rápido pontapé vertical do internacional espanhol, muito bem colocado, e desmarcação exemplar do luso-brasileiro, que rematou cruzado, fuzilando a baliza à guarda do seu homónimo do Braga. Era o nosso primeiro remate enquadrado, era a nossa primeira oportunidade de golo - e foi golo mesmo. Aproveitamento máximo.

 

De Coates. Um gigante. Se o Sporting conquistar o título de campeão nacional, como quase todos desejamos, ele será o principal obreiro dessa proeza. Imperial nas alturas, assumindo por inteiro as operações defensivas, com notável maturidade quando alguns colegas pareciam à beira do descontrolo emocional, ele transmitiu força e consistência à nossa organização defensiva, funcionando como muralha intransponível. Impecável no corte, no desarme, na recuperação. O melhor em campo. 

 

De Adán. Cometeu um erro primário que nos custou dois pontos na jornada anterior, frente ao Belenenses SAD. Mas redimiu-se, e de que maneira, neste embate em Braga. Impediu por quatro vezes o golo da equipa anfitriã, travando ou desviando remates de Fransérgio (36' e 80') e Galeno (39' e 62'). Elemento nuclear da nossa coesão defensiva. Nota máxima para o espanhol, outro baluarte do onze titular leonino.

 

De Feddal. Fala-se pouco dele, mas o marroquino é o complemento perfeito de Coates: jogam juntos apenas há oito meses mas até parece que se conhecem há oito anos. Fundamental para completar a tarefa do uruguaio na manobra defensiva do Sporting numa partida em que jogámos mais de 70' com apenas dez jogadores, o que comprometeu todo o dispositivo táctico que Rúben Amorim havia montado para este jogo.

 

De Matheus Nunes. Já mencionado acima como autor do golo, saltou muito bem do banco logo a abrir a segunda parte e confirmou que não treme em circunstância alguma: volta a marcar ao Braga, tal como também já tinha marcado ao Benfica. De olhos na baliza e com vocação para se agigantar nos desafios mais decisivos. Merece integrar o onze titular do Sporting. Acredito que assim acontecerá até ao final do campeonato.

 

Das mudanças operadas pelo treinador. Ao intervalo, com menos um em campo, mandou sair Nuno Santos e Paulinho, trocando-os por Neto e Matheus Nunes. Aos 65', deu ordem de saída a João Mário e Pedro Gonçalves, fazendo entrar Matheus Reis e Tiago Tomás. No fim, já aos 90'+1, trocou um magoado Nuno Mendes pelo regressado Plata só para congelar a bola, tarefa que o jovem colombiano desempenhou na perfeição. O essencial foi cumprido, prevalecendo a palavra de ordem: para onde vai um, vão todos. O colectivo é sempre mais importante do que o individual.

 

De termos cumprido o 29.º jogo seguido sem perder. Conquista atrás de conquista nesta equipa orientada por Rúben Amorim. Desta vez igualamos um recorde já com meio século de existência, igualando o máximo estabelecido em duas épocas consecutivas (1969/1970 e 1970/1971) pelo Sporting de Fernando Vaz. Somos, há muito, o único emblema invicto no campeonato em curso.

 

Do nosso palmarés defensivo. Apenas 15 golos sofridos em 29 partidas já disputadas. Praticamente apenas um sofrido de dois em dois jogos - notável estatística que diz muito do comportamento em campo da nossa equipa. Que lidera isolada a LIga 2020/2021 há 23 jornadas. 

 

Dos 73 pontos somados até agora. Quando faltam ainda cinco jornadas, garantimos o terceiro lugar que nos fugiu in extremis na época anterior. Estamos a seis pontos de conseguir o acesso directo à Liga dos Campeões. E a quatro vitórias do título. Continuamos a depender só de nós, neste momento em que levamos sete pontos acima do FC Porto e mais 13 do que o Benfica, equipas que só hoje jogarão.

 

Do balanço muito positivo no confronto com os principais adversários. Até agora, nesta época, enfrentámos sete vezes FC Porto, Benfica e Braga. Balanço: cinco vitórias, dois empates e nenhuma derrota. É assim que se conquistam títulos.

 

 

Não gostei

 

 

Do desempenho do árbitro. Começo a acreditar que não é coincidência: o Sporting tem sempre azar com Artur Soares Dias. Voltou a acontecer: houve uma chocante dualidade de critérios do juiz portuense já destacado para apitar no Campeonato da Europa. Estragou de vez o espectáculo desportivo logo aos 18', fazendo expulsar Gonçalo Inácio ao exibir-lhe o segundo amarelo quando no minuto anterior tinha perdoado uma entrada de pitons em riste de Fransérgio a derrubar Palhinha e aos 60' fez vista grossa a uma grande penalidade cometida pelo intratável Raul Silva contra Coates. Dois pesos, duas medidas. Mau no capítulo técnico, péssimo no capítulo disciplinar. Dizem que é "o melhor árbitro português". Por aqui já se percebe o nível dos restantes.

 

De ver o nosso treinador fora do banco. Não aconteceu com nenhum outro neste campeonato, nem sequer com os maiores arruaceiros reconhecidos e comprovados: Rúben Amorim esteve três jogos seguidos impedido de orientar a equipa na sua área técnica, cumprindo o terceiro em Braga. É assim a nossa "justiça desportiva", que continua sem penalizar Sérgio Conceição por ter dirigido graves injúrias ao seu colega Paulo Sérgio, com quem quase se envolveu à pancada no decurso do Portimonense-FC Porto, disputado há mais de um mês.

 

De Gonçalo Inácio. Entrou extremamente nervoso, como se lhe pesassem as pernas e o emblema do Braga fosse um bicho-papão. Ser esquerdino a alinhar como central mais deslocado à direita não ajuda: diminui-lhe os reflexos e a capacidade de reacção quando o adversário o apanha de pé trocado. Fez falta a justificar amarelo logo aos 10', num derrube a Gaitán, e oito minutos depois viu o segundo cartão, que o afastou do jogo, ao tocar em Galeno - a quem momentos antes entregara a bola. Soares Dias exagerou na admoestação, pois o lance desenrolava-se ainda longe da nossa baliza e Palhinha estalava lá também, a controlar o portador da bola. Mas Gonçalo foi imprudente por excesso de intranquilidade, aliás já revelada no jogo anterior. Neto saltou do banco para o seu lugar e cumpriu.

 

De João Mário. Voltou a demonstrar que está fora de forma e merece uma cura de banco. Continua a actuar com extrema lentidão, incapaz de verticalizar e agilizar o jogo. O primeiro cartão exibido a Gonçalo surge na sequência de um passe à queima do campeão europeu, virado para a baliza errada. Matheus Nunes e Daniel Bragança espreitam-lhe o lugar.

 

De Paulinho. Esteve toda a primeira parte em campo e novamente quase não se deu por ele. Mesmo no quarto de hora inicial, em que mantínhamos onze em campo, o ex-artilheiro do Braga só deu nas vistas aos 14', quando falhou uma emenda na sequência de um canto. Depois, sem bola disponível, desapareceu de vez do jogo e já não voltou do intervalo.

 

Do cartão exibido a Adán. Deve ser caso único: o nosso guarda-redes fica fora do próximo jogo por acumulação de amarelos. É quanto basta para se perceber como o Sporting é alvo preferencial da arbitragem. O quinto foi ontem exibido por Soares Dias, aos 90'+6, tendo o juiz portuense mostrado também cartão a Pedro Gonçalves, então já devolvido ao banco de suplentes. Na próxima partida, em que recebemos o Nacional, Max será pela primeira vez titular da baliza nesta Liga 2020/2021. Ausente estará também Tiago Tomás (que ontem viu igualmente o quinto cartão), além de Gonçalo Inácio.

 

Do campo inclinado. Soares Dias matou o desafio como espectáculo competitivo aos 18', fazendo expulsar Gonçalo. Isto condenou o Sporting a fechar-se no seu reduto, praticando apenas jogo defensivo enquanto aguardava a oportunidade de conseguir pontos - como viria a acontecer - em lance de bola parada. Um teste à resistência física e psicológica do onze leonino, que actuou mais de uma hora num inédito 5-4-0. Nove jogadores atrás da linha da bola. Um teste também à resistência anímica dos adeptos.

A montanha pariu um Braga

Três jogos contra o Braga nesta temporada. Três vitórias do Sporting.

Olho para a classificação da Liga 2020/2021: o Braga está com menos 15 pontos.

Lembram-se? É a mesma equipa que todos os catedráticos do esférico se fartavam de gabar, semana após semana, dizendo que praticava "o melhor futebol" em Portugal. Olhavam para o Monte do Sameiro e viam lá a Serra da Estrela.

Se já me faziam rir antes, imaginem o gozo que me dá ouvi-los agora. 

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